O Centro de Ciências da Saúde (CCS) organizou, nesta quarta-feira (13), a Pré-Conferência de Saúde da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O encontro, preparatório para a 18ª Conferência Nacional de Saúde, foi realizado no prédio 26A e reuniu estudantes e docentes dos cursos da área da saúde em um debate sobre políticas públicas de saúde.
A Pré-Conferência busca contribuir com reflexões locais e dialogar com as etapas estaduais e nacionais da Conferência. Para isso, constitui-se em um espaço de diálogo e construção coletiva para fortalecer a participação social do Sistema Único de Saúde (SUS).
A participação social no contexto da saúde é um princípio organizativo do SUS e ressalta a importância da inserção da população na formulação das políticas públicas em defesa do direito à saúde.
Professora do Departamento de Saúde Coletiva, Lisiane Bôer Possa, explica que, nesse momento, são discutidos em grupos os eixos temáticos, a partir dos quais são feitas propostas que serão encaminhadas para a Conferência Municipal.
A Pré-Conferência da UFSM discutiu os quatro eixos temáticos, debatidos em nível nacional:
– Eixo 1: democracia, saúde como direito e soberania nacional;
– Eixo 2: financiamento adequado e suficiente para o SUS, com base na justiça tributária e sustentabilidade fiscal e social;
– Eixo 3: os desafios para o SUS na agenda nacional da defesa da vida e da saúde, emergências climáticas e justiça socioambiental;
– Eixo 4: Modelos de atenção e gestão, territórios integrados e cuidado integral.
“Nós estamos aqui para dizer que SUS queremos, que saúde queremos para os brasileiros e que problemas achamos que precisam ser solucionados. Ou seja, estamos aqui para planejar o nosso futuro, olhar para o futuro da nossa saúde, do nosso Sistema Único de Saúde e dizer o que nós queremos deles”, disse a professora.
A docente reforça a importância desse debate como um exercício de aprendizagem para os alunos, pois a Universidade se compromete com a formação destes novos profissionais da saúde – que trabalharão neste SUS de 2028 a 2031. Por isso, a importância de um espaço que fortalece a democracia: “Não existe saúde sem democracia. Esse é um espaço para construirmos, juntos, propostas para melhorar a saúde e o cuidado de todos nós”, ressaltou Lisiane.
As estudantes do quarto semestre Enfermagem, Luiza Harden e Beatriz Noal, participaram da sua primeira Conferência. Elas optaram pelo Eixo 3 e destacaram a importância do debate constante sobre o SUS para que siga em constante aprimoramento. “Nós somos o futuro da saúde. A gente tem que estar sempre debatendo. Se a gente não falar sobre, ficará estagnada no tempo”, observou Luiza.
Beatriz reforçou que, enquanto ingressantes no curso e como futuros profissionais no SUS, os estudantes podem trazer visões diferentes para algo já estabelecido. “A nossa visão é mais como usuário, não como profissional em si. Apesar da gente ter o conhecimento teórico, a prática para nós ainda é muito nova e abstrata”, comentou. Para ela, a entrada de pessoas mais novas no SUS traz um olhar atualizado para as políticas públicas, para as práticas e para a diversidade.
O que são as conferências de saúde?
As conferências são reuniões com caráter deliberativo e que reúnem representantes do governo, profissionais da saúde e usuários do SUS. O objetivo dos encontros, realizados a cada quatro anos, é definir políticas públicas em saúde nos âmbitos municipais, estaduais e federal. A 18ª Conferência Nacional de Saúde será realizada em julho de 2027.
As Conferências geram um processo de organização dos municípios para fortalecer um dos princípios do SUS: a descentralização das ações. “A ideia é que as decisões e as ações de saúde sejam adaptadas ao contexto do estado, da região e do município. Então, nada mais justo que a Universidade discutir aquilo que é de necessidade dessa parte do território aqui de Santa Maria”, explica a professora Laís Corcini.
A docente salientou que esses processos valorizam a voz e a necessidade da população, baseado em suas vivências dentro do território: “o SUS abarca desde a questão da qualidade da água que a gente recebe até um transplante de órgãos e a gente discute por todas essas questões”.
As pré-conferências e conferências contam com pelo menos 50% de usuários do SUS, 25% de profissionais e 25% de gestores. A partir da união de diferentes atores da saúde pública pode-se discutir o que é prioritário para a saúde do município ou no território específico. Para a professora, é essencial que a universidade pública assuma um compromisso com o fortalecimento do SUS e com a efetivação das políticas a ele vinculadas, a partir de uma perspectiva de saúde planetária.
“Que a gente não considere a saúde em si como uma mera presença ou ausência de doenças, mas a saúde como relacionada à qualidade do ar, da água e à qualidade de vida, garantia de acesso ao transporte, à moradia, ao emprego, ao lazer e à cultura”, ponderou.
Com o tema “Saúde, Democracia, Soberania e SUS – cuidar do povo é cuidar do Brasil”, a reunião tem como objetivo construir o plano de saúde para o próximo ciclo de quatro anos. A etapa municipal da Conferência será realizada em junho de 2026.
Texto: Júlia Ciervo Zuchetto, estudante de Jornalismo e estagiária na Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnicki, estudante de Jornalismo e estagiário na Agência de Notícias
Edição: Maurício Dias, jornalista