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Comunidade Africana da UFSM celebra a 3ª edição do Dia de África

Evento central teve como destaques a posse da nova diretoria da CAUFSM, debates culturais e uma mostra da gastronomia africana



Foto colorida na horizontal. No evento de celebração ao Dia de África, Jamiro Paulo Sanca está em pé atrás de um púlpito transparente, segurando um microfone enquanto faz uma fala ao público. Ele veste uma camisa amarela com estampas africanas coloridas nas mangas e na região do peito, além de calça marrom. Ao fundo, sentados em um palco, estão uma mulher e dois estudantes observando sua fala. Aparecem parcialmente os participantes do evento voltados para o palestrante. O ambiente é um auditório com paredes claras e cortinas nas janelas.
Doutorando em Ciências Sociais, Jamiro Paulo Sanca (em pé, ao microfone) assumiu a presidência da Comunidade Africana da UFSM

A Comunidade Africana da UFSM (CAUFSM) realizou, na tarde da última sexta-feira (29), a cerimônia principal da terceira edição do evento “Dia de África: Fortalecendo Laços e Construindo Futuros Prósperos”. Realizado no auditório do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH), no prédio 74C do campus sede da UFSM, o evento reuniu estudantes, servidores e membros da comunidade em uma programação marcada por momentos de integração, troca de experiências e valorização da diversidade cultural africana.

A cerimônia fez parte da programação da CAUFSM em comemoração ao Dia de África, celebrado em 25 de maio. No dia 29, foram realizadas a posse do novo corpo diretivo da comunidade, debates, o lançamento do livro “Dívidas Ocultas”, de Celestino Joanguete, a apresentação do Projeto fotográfico “Afro Face” e uma mostra da gastronomia africana.

Para a pró-reitora adjunta de Extensão, Angela Weber Righi, o evento reflete um compromisso que vem sendo construído pela UFSM ao longo dos anos. “Acho que esse evento, entre outros que vêm sendo realizados, demonstra a preocupação e o acolhimento da universidade no que diz respeito à diversidade que nós temos”, destaca. A Pró-Reitoria de Extensão (PRE) esteve entre os setores da instituição que contribuíram para a realização da programação.

Angela também ressaltou a importância da convivência entre diferentes culturas para a formação acadêmica e pessoal da comunidade universitária. “Os estudantes que tiveram a oportunidade de conviver com intercambistas de diferentes origens nos relatam um aprendizado muito grande, que enriquece as próprias construções pessoais”, relata a pró-reitora.

Posse marca novo ciclo da Comunidade Africana na UFSM

Foto colorida na horizontal. É exibido uma parte do público que acompanha a programação do evento de celebração ao Dia da África sentados em cadeiras de auditório. Em destaque, ao centro da imagem, um homem aparece de perfil usando um adorno tradicional de pelos claros na cabeça e casaco azul-escuro. Ao seu lado, uma mulher utiliza um lenço estampado em preto e branco cobrindo os cabelos. Em primeiro plano, outras pessoas aparecem parcialmente, algumas com vestimentas e acessórios africanos em tons de verde, amarelo e preto. O ambiente é interno, iluminado por luz natural que entra pelas janelas ao fundo.
Público acompanha as atividades da celebração no auditório do CCSH

A cerimônia também marcou a posse do novo corpo diretivo da Comunidade Africana da UFSM (CAUFSM). Durante o evento, Jamiro Paulo Sanca, doutorando em Ciências Sociais, assumiu a presidência da entidade e destacou o momento como um importante passo para fortalecer a união entre os estudantes africanos que vivem e estudam na universidade. O momento simboliza a consolidação de algo construído coletivamente pela comunidade. “Nós viemos de África, um continente com 55 países, de diferentes culturas e famílias, e encontramos neste lugar, uma casa”, afirma Jamiro.

Além da cerimônia principal, as celebrações do Dia Internacional de África contaram com uma programação diversificada ao longo da semana. Entre as atividades realizadas estiveram a Copa das Nações Africanas, promovida no dia 23 de maio, e a roda de conversa sobre as experiências dos estudantes africanos na universidade, realizada no dia 27. “A Copa das Nações Africanas existe no continente, e agora fizemos aqui na UFSM. Essa conexão nos permite vivenciar a África sem sair daqui”, explica o estudante.

Ao refletir sobre o que os estudantes brasileiros podem aprender com o continente africano, Jamiro destaca que essa experiência vai além do conhecimento teórico sobre diferentes culturas. Para ele, a convivência e a troca de vivências são essenciais para fortalecer a interculturalidade dentro da universidade. “Que os estudantes brasileiros consigam ver nos africanos uma unidade contagiante, de modo que se aproximem para conviver”, afirmou.

Na visão do presidente da CAUFSM, a internacionalização do ensino superior se fortalece por meio das relações construídas no cotidiano e da disposição para conhecer diferentes realidades, aproximando estudantes de diversas origens presentes no campus.

Experiências que aproximam África e Brasil

O evento reuniu estudantes brasileiros e internacionais, além de professores e servidores da universidade. Entre os participantes, esteve Bruno Madureira Sucumula, estudante de Direito natural de Angola, que destaca o papel de iniciativas como essa na promoção de trocas entre culturas. “Estes encontros permitem não só intercâmbio cultural, mas troca de saberes também, diminuindo a hegemonia de um saber em detrimento do outro”, afirma.

A imagem mostra um momento de confraternização em um evento cultural dedicado à gastronomia africana. Ao redor de uma mesa repleta de pratos típicos, diversas pessoas conversam, servem-se e compartilham a refeição em um ambiente de integração e troca cultural. Sobre a mesa, é possível observar diferentes preparações tradicionais, enquanto os participantes circulam pelo espaço, degustando os alimentos e interagindo entre si. A cena destaca a diversidade, a convivência e a valorização das tradições culinárias africanas por meio da experiência coletiva da comida.
Ao final do evento, o público pôde degustar pratos típicos africanos

Sobre a relação entre estudantes brasileiros e africanos na universidade, Bruno observou que, embora no Brasil ainda se conheça pouco sobre as diferentes culturas do continente, existe um interesse em aprender sobre. Para ele, a convivência cotidiana cria oportunidades para uma troca mútua de experiências. “Como se fala na filosofia Ubuntu, é conhecer o outro pelo outro e a si mesmo pelo outro”, completa.

A estudante de Direito Vilma Matias, natural de Moçambique, destacou a importância de eventos como a celebração do Dia de África para fortalecer o vínculo entre os estudantes internacionais e a instituição. Segundo ela, a convivência na universidade favorece uma troca constante de experiências e conhecimentos entre diferentes culturas. “Assim como eles também me mostram como é a cultura gaúcha, eu vou mostrando algumas palavras que são diferentes tanto do Brasil e Moçambique”, relata. Embora o português seja a língua oficial de Moçambique, o país também possui diversas línguas maternas que contribuem para a diversidade linguística.

A estudante de Pedagogia Maria Luisa Primon destacou a relevância do evento para ampliar reflexões sobre a própria ancestralidade. “Muitas vezes nós, pessoas negras no Brasil, não temos noção do pertencimento da África e de tudo o que ela representa”, afirma.

Maria Luisa também ressaltou a importância do contato direto com estudantes africanos para a construção de novas perspectivas. Segundo a estudante, ainda há dificuldades na compreensão da própria negritude e da relação histórica entre Brasil e África. “Estar aqui hoje, entre estudantes africanos, para mim foi de suma importância”, destaca.

Um compromisso com o diálogo intercultural

Além da PRE, o Dia de África contou com o apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), da Diretoria de Relações Internacionais (DRI) e do Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional (Migraidh).

Entre os parceiros da iniciativa, o Migraidh desenvolve ações de assessoria a migrantes e refugiados em Santa Maria e região, além de promover atividades de acessibilidade linguística, difusão cultural, combate à xenofobia e defesa dos direitos humanos. Durante a cerimônia, a coordenadora do grupo, Liliane Dutra Brignol, ressaltou em seu discurso a relevância histórica da data. “Falar neste Dia de África é falar também sobre a luta contra o colonialismo e sobre a união dos povos africanos pela valorização de sua cultura e de suas riquezas”, destacou.

Ao longo da programação, estudantes africanos e brasileiros compartilharam experiências e perspectivas que vão além das salas de aula. A terceira edição transformou a celebração do dia 25 em um espaço de encontro cultural.

Para acompanhar as atividades da Comunidade Africana da UFSM (CAUFSM) ou participar de futuras iniciativas, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail caufsm.comissao@gmail.com

Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos: Mathias Ilnicki, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Lucas Casali

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