UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 11 Mar 2026 22:05:12 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/01/24/ufsm-recebe-embaixadora-internacional-ganense-do-rally-mulheres-do-agro Fri, 24 Jan 2025 15:25:27 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=68172
Equipe da Inovatec recepcionou a embaixadora internacional da Rally Mulheres do Agro

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) recebeu, nesta quarta (22), a visita de Alberta Nana Akyaa Akosa, diretora executiva da Agrihouse Foundation, em Gana, e embaixadora internacional do Rally Mulheres do Agro. A visita ocorreu no contexto de uma colaboração estratégica entre a Agrihouse Foundation e a startup Ingal, incubada na Pulsar Incubadora Tecnológica da UFSM.

A Agrihouse Foundation é uma organização não governamental dedicada ao fortalecimento dos sistemas agroalimentares na África, com ênfase em Gana. A fundação promove ações de capacitação, mentoria e gestão de projetos, focando especialmente na mudança da percepção pública sobre a agricultura, através de programas que impactam positivamente estudantes, agricultores e associações agrícolas.

Em julho de 2024, Alberta foi nomeada embaixadora internacional do Rally Mulheres do Agro no Brasil e, em novembro do mesmo ano, recebeu o Prêmio Agrifood Future, em Salerno, Itália, por sua atuação no setor agroalimentar. Neste ano, Alberta estará no Brasil para participar das ações do Rally, com foco em desafios climáticos e na promoção de uma alimentação sustentável.

Visita à UFSM

Há dois anos, Alberta conheceu a solução Organic Bloom da Ingal, um bioativador vegetal 100% orgânico que promove a saúde do solo e das plantas, e desde então tem demonstrado interesse no potencial da tecnologia para melhorar a qualidade da produção agrícola em Gana.

Durante sua passagem pela UFSM, a embaixadora teve a oportunidade de visitar o Laboratório de Piscicultura da Universidade do Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas, coordenado pela professora Leila Picolli da Silva. No laboratório, são conduzidas diversas pesquisas e estudos que fundamentam as soluções tecnológicas desenvolvidas pela Ingal. Em 2024, a startup firmou contrato de transferência de conhecimento com a UFSM para aplicação industrial.

A segunda etapa do encontro aconteceu no InovaTec UFSM Parque Tecnológico. Além de conhecer o local que abriga a startup, Alberta pode compreender de que forma são estabelecidas as relações entre as empresas e a Universidade. Estiveram presentes no visita Fernando Caetano, sócio-fundador da Ingal, Cristiane Reis, diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da Ingal, Roger Amador, gestor de novos negócios da Ingal, Silvino Sasso Robalo, técnico do Laboratório de Piscicultura, e os alunos do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Gregório Cargnin e Daniel Soares.

O potencial das soluções

Alberta Akosa destacou o alinhamento entre o clima de Gana e o do Brasil, o que torna o Organic Bloom uma solução estratégica para o desenvolvimento agrícola de seu país. "O que estamos consumindo e como consumimos, principalmente no que diz respeito a culturas como soja e arroz, tem muitas semelhanças entre os dois países. A implementação de Organic Bloom pode beneficiar os agricultores locais de maneira significativa", afirma.

Além disso, ela destaca que sua visão sobre o papel das empresas no setor agrícola mudou, ao perceber que a tecnologia e a nutrição de cultivos vão além de simplesmente fornecer os bioinsumos. "Agora vejo que é preciso oferecer soluções integradas para o agricultor, que
envolvam também construir e desenvolver os jovens de forma inovadora, até mesmo olhando para a parceria com a academia", refletiu. Para a embaixadora, o trabalho da Ingal Agrotecnologia não apenas representa um futuro promissor para o Brasil, mas também para a África.

Projeto Dividir para Multiplicar

Os produtos Organic Bloom (OB) e Organic Bloom HydroProtect (OBHP), frutos da parceria entre a Ingal e UFSM, apresentam soluções complementares para o desenvolvimento das plantas e proteção contra o estresse hídrico. Essa abordagem estratégica
permite multiplicar os benefícios quando combinados com outros produtos biológicos, ao potencializar a ação de microrganismos, fortalecendo a resistência das plantas e promover a saúde do solo. Saiba mais sobre a solução.

 

Texto e fotos: Assessoria de Comunicação do InovaTec UFSM Parque Tecnológico

Embaixadora ganense da Rally Mulheres no Agro, Alberta Akossa, conheceu trabalho de start up
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/08/05/ufsm-tem-projeto-contemplado-por-programa-do-ministerio-da-defesa-e-capes Mon, 05 Aug 2024 13:42:54 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=66470

O Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI) da UFSM, por meio do Grupo de Estudos em Capacidades Estatais, Segurança e Defesa (Gecap), teve proposta contemplada na quinta edição do Programa de Apoio ao Ensino e à Pesquisa Científica e Tecnológica em Defesa Nacional (Pró-Defesa), uma parceria entre o Ministério da Defesa e a Capes. O programa visa à formação de alto nível no setor de Defesa Nacional, promovendo a cooperação com instituições de ensino para desenvolver projetos que enfatizem a produção tecnológica e a preservação da soberania nacional.

Sob a coordenação do professor Igor Castellano da Silva, o projeto “Segurança e Defesa na África: Características, Mudanças e Impactos no Entorno Estratégico Brasileiro” obteve o segundo lugar entre 79 propostas avaliadas. Este é o primeiro projeto apoiado pelo Pró-Defesa totalmente dedicado ao continente africano, destacando sua importância no entorno estratégico brasileiro e a sua relevância para informar políticas públicas de segurança, defesa e desenvolvimento no Brasil.

O projeto coordenado pela equipe de docentes do PPGRI (Igor Castellano, Júlio Rodriguez, Nathaly Schutz e Kamilla Rizzi) receberá financiamento de aproximadamente R$ 1,5 milhão. Propõe criar uma rede de pesquisadores nacionais e internacionais para estudar as dinâmicas de segurança e defesa na África e suas implicações para o Brasil.

Entre os parceiros do projeto estão a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército; Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Universidade Federal de Roraima (UFRR); University of Pretoria, na África do Sul; Universidade de Cabo Verde; Universidade Joaquim Chissano, em Moçambique; Université de Montréal, no Canadá; e Universidad Nacional del Rosario, na Argentina. 

A iniciativa espera contribuir para o desenvolvimento de políticas eficazes de segurança e defesa e enriquecer o conhecimento científico por meio da divulgação e publicação das pesquisas realizadas.

Mais informações no Instagram do Gecap.

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Este é um evento do Ciclo de Palestras em Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande. Enviamos esta mensagem e o cartaz para e-mails institucionais da área e a participantes do Ciclo de Palestras registrados. É um evento gratuito, aberto para alunos da universidade e público externo (brasileiros e estrangeiros). Fique a vontade para acessar o link do cartaz no horário indicado.   

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/04/29/professores-da-ufsm-participam-de-missao-de-cooperacao-tecnica-na-africa Fri, 29 Apr 2022 18:01:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=58413 [caption id="attachment_58414" align="alignleft" width="525"]Imagem em formato quadrado, de um grupo de onze pessoas, sendo nove mulheres e dois homens, parados em frente a um prédio nas cores vermelha e amarela. O chão é revestido com tijolos de cimento. Todos encontram-se em pé, lado a lado. Os dois homens encontram-se no centro da imagem. A última mulher da direita usa máscara branca e todos estão com expressão sorridente. Visita à Universidade de Cabo Verde[/caption]

Uma delegação de professores do curso de Educação Especial, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), encontra-se na cidade de Praia, capital do país Cabo Verde, África. A viagem é uma ação conjunta com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e com o Ministério da Educação de Cabo Verde (África) com o objetivo de promover ações de internacionalização.

A iniciativa, centrada em uma cooperação técnica internacional, tem por objetivo dar seguimento ao Projeto Educação de Todos - Fase III, referente à área da educação inclusiva. O projeto conta com o apoio da Coordenação da ABC, do Ministério das Relações Exteriores e da Coordenação-Geral de Cooperação Técnica - África, Ásia e Oceania. O propósito da missão consiste em prover as instituições cooperantes, tanto as do lado brasileiro quanto as do lado cabo-verdiano, com informações para elaboração de projeto de cooperação técnica bilateral, na área da educação inclusiva.

Na UFSM, a coordenação do projeto está a cargo da professora Ana Claudia Oliveira Pavão, tendo Paulo Roberto Barbosa Lima como responsável pela cooperação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste, e a Anna Cristina Bittencourt Pérez como responsável técnica.

A delegação brasileira é composta pelos seguintes professores: 

Profª. Drª. Ana Cláudia Oliveira Pavão – coordenadora do projeto;

Prof. Dr. Carlo Schmidt - especialista em autismo, adaptação curricular e plano educativo individual;

Profª. Drª. Fabiane Romano de Souza Bridi - especialista em deficiência intelectual, avaliação pedagógica e docência da escola inclusiva;

Profª. Drª. Melânia de Melo Casarin - especialista em surdez e educação de surdos;

Profª.Drª. Sílvia Maria de Oliveira Pavão - especialista em problemas de aprendizagem, avaliação pedagógica e gestão da escola acessível;

Profª. Drª. Tatiane Negrini - especialista em altas habilidades/superdotação, ensino colaborativo, ensino compartilhado e biodocência.

[caption id="attachment_58415" align="alignright" width="570"]Imagem em formato quadrado, de um grupo de dez pessoas, sendo oito mulheres e dois homens, parados em frente a um prédio nas cores azul e amarela. Na parte superior do prédio, encontra-se o brasão da República Brasileira e a inscrição Embaixada do Brasil. Abaixo, à direita, há a efígie de uma figura feminina. O chão é revestido com tijolos de cimento. Todos encontram-se em pé, lado a lado. Vestem roupas de cores diversas e possuem expressão sorridente. Encontro com o embaixador do Brasil em Cabo-Verde, Colbert Soares Pinto Jr.[/caption]

Como parte da missão, a delegação da UFSM, acompanhada de Anna Cristina Bittencourt Pérez, foi recebida, no dia 25 de abril de 2022, pela Secretária de estado de Inclusão Social, Dra. Lídia Lima de Mello, e pelo Embaixador do Brasil, Colbert Soares Pinto Jr. Durante a semana, a delegação visitou instituições de educação primária e secundária, além da Universidade de Cabo Verde (UniCV). Na universidade de Cabo Verde, o reitor da instituição, José Arlindo Barreto, projetou trabalhos futuros na área da mobilidade e internacionalização, bem como nos processos de inclusão.

Na sequência dos compromissos da missão, na manhã do dia 28/04, os docentes da UFSM participaram de um encontro com Colbert Soares Pinto Jr., que analisou os principais dados que farão parte do projeto de cooperação. A delegação ainda irá a Assomada (município de Santa Catarina de Santiago) completar a visita técnica a uma escola primária, e à faculdade de educação e desporto da UniCV, na mesma localidade. A delegação estará de volta ao Brasil no dia 30 de abril. O projeto tem metas a serem implementadas no segundo semestre de 2022.

 

Descrição de imagem: na foto, aparecem oito pessoas de frente, em pé. Da esquerda para a direita, há quatro mulheres. A primeira tem cabelos curtos, veste uma saia preta com uma blusa estampada, com motivos florais, em tons brancos e cinza; a segunda tem cabelos louros escuros, na altura dos ombros, e está com vestido laranja; a terceira tem cabelos escuros e está de vestido branco; a quarta, de cabelos escuros, na altura dos ombros, veste uma calça rosa e blusa com estampas florais, na cor azul. Na sequência, está o embaixador, um homem calvo, de terno cinza escuro; a seu lado, há uma mulher de cabelos louros escuro, com um vestido de listras largas horizontais, nas cores laranja, bordô e azul. A seu lado, há um homem alto, de cabelos escuros vestindo uma camisa xadrez e calças jeans. A seu lado, há uma mulher de cabelos escuros, presos, com blusa bege e calça rosa escuro.

 

Com informações da Coordenadoria de Ações Educacionais

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/malawi-coracao-afetuoso-da-africa Thu, 01 Jul 2021 10:55:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8514

De julho a outubro de 2018, o professor aposentado de Gastroenterologia do Departamento de Clínica Médica da UFSM Renato Fagundes trabalhou como voluntário na República do Malawi, país da África Oriental. A viagem se deu pelo consórcio AfrECC, um projeto realizado entre o National Institute of Health (NIH) e outros grupos, que identificaram crescente número nos casos de câncer esofágico entre a população malawiana. 

O Rio Grande do Sul, juntamente com o Uruguai e o norte da Argentina, constituem a área de maior risco para esse tipo de câncer na América do Sul. Ciente disso, Fagundes sempre se dedicou ao estudo de tumores no esôfago, com mestrado e doutorado nessa área. O médico relatou à Revista Arco sobre as experiências e trabalhos desenvolvidos no país africano:

Povo de Malawi, crenças e costumes

Malawi é conhecido como The warm heart of Africa, que eu traduziria livremente por “o coração afetuoso da África”. Eu brincava constantemente dizendo que estava em busca de um um malawiano desagradável e não conseguia encontrá-lo. A afetividade e a disponibilidade em ajudar demonstrada pelas pessoas são muito grandes. Em geral, são pessoas bem-humoradas, um pouco tímidas no primeiro contato e, como a maioria dos africanos, extremamente musicais, caindo na dança por qualquer motivo.

É um dos países mais pobres e menos desenvolvidos do mundo. Foi colônia do Reino Unido até 1964. O idioma oficial é o inglês, porém uma significativa parte da população não se comunica nesse idioma, mas em alguns dos diferentes dialetos, dos quais o mais comum é o chechewa. A economia é baseada na agricultura, com a maior parte da população vivendo na área rural. O Malawi tem uma baixa expectativa de vida (ao redor de 50 anos), apresenta altas taxas de mortalidade infantil e uma alta prevalência de HIV/AIDS. O risco para doenças infecciosas é muito alto, incluindo hepatite A, febre tifoide, malária e esquistossomose.

Lilongwe

Lilongwe é a capital de Malawi, situa-se na região central do país. Apesar de existir como cidade de pequeno porte há mais de 60 anos, adquiriu importância quando foi elevada à condição de capital, em 1975, quando passou a apresentar um aumento da população, que atualmente ultrapassa um milhão de habitantes. Nestes 43 anos de existência, Lilongwe é uma cidade em construção, com algumas vias asfaltadas e muitas ruas sem calçamento. A existência de calçadas para pedestres é quase nula. Os pedestres dividem os acostamentos das vias asfaltadas com ciclistas e com motoristas afoitos que invadem o acostamento colocando todos em risco. 

Localização do Malawi no continente africano

É uma região árida e seca, nos meses de julho a outubro não chove e a poeira é uma constante. É uma cidade espalhada, com grandes intervalos sem construções, com iluminação e limpeza precárias, com muitas desigualdades, predominando pessoas de baixa condição social, econômica e cultural. Contrastando com a pobreza geral, existem construções públicas suntuosas como os prédios do parlamento, a residência do presidente, o banco central e as embaixadas, assim como o centro internacional de convenções e o estádio de futebol Bingu National Stadium. Apesar das desigualdades, a taxa de criminalidade é baixa e durante o dia é possível se mover em qualquer área da cidade em segurança.

Biópsias e próteses

O projeto funciona em dois contextos, um trabalho de campo, que visa a inclusão de pacientes com câncer esofágico, e outro de controles sem câncer. A abordagem inicial é feita através de questionários que visam identificar fatores de riscos, ambientais e familiares, seguidos de endoscopia digestiva alta nos pacientes com suspeita ou já diagnosticados previamente com câncer do esôfago. Nesses pacientes, são coletadas biópsias seguindo um protocolo padrão para todos os centros, e colocação de próteses metálicas expansíveis nos pacientes com obstrução esofágica, visando que eles possam deglutir. As biópsias vão ser alvo de identificação de marcadores moleculares para se formar um perfil molecular desses tumores. As próteses são uma inovação de origem chinesa, muito simples e de custo muito baixo, e estão sendo testadas nesses pacientes, aparentemente com bons resultados. Esse projeto é de longo prazo e envolve uma série de questões de pesquisa e de abordagens, com resultados previstos para os próximos cinco anos. 

Kamuzu Central Hospital (KMC)

Fiz a opção para desenvolver o projeto em Lilongwe por ser a região mais carente de pessoal para a realização de exames e procedimentos endoscópicos e, de forma contrastante com o ambiente geral de carência, possuir uma unidade da UNC com laboratórios de ponta para a realização de análises moleculares e genômicas. O Kamuzu Central Hospital é um hospital terciário de referência em Lilongwe, tem em torno de mil leitos, mas muitas vezes sua capacidade é excedida pelo número de pessoas da região (aproximadamente cinco milhões) que estão em sua área de abrangência. A maior parte dos leitos é ocupada por pacientes com HIV/AIDS. Em 2017, aproximadamente 70% dos óbitos ocorridos no hospital foram causados por HIV/AIDS. Exerci minha atividade basicamente na unidade de endoscopia digestiva. Um hospital dessa dimensão tem apenas dois médicos habilitados a realizar exames endoscópicos, e ambos são cirurgiões gerais, também responsáveis pelas cirurgias do hospital. Além disso, uma vez por semana eles devem viajar para os distritos satélites de Lilongwe para executarem pequenas cirurgias, de forma a manter os pacientes nos hospitais distritais. Devido a essa sobrecarga, a realização de endoscopia digestiva fica restrita a duas manhãs por semana, e muito frequentemente, em virtude de alguma urgência cirúrgica, os exames endoscópicos são suspensos.

Entrada do hospital. 

Desafios na rotina de trabalho

A dificuldade inicial foi que, contrariando a norma mundial de se efetuar endoscopia digestiva com sedação, no KMC, por razões econômicas, as endoscopias eram realizadas sem que o paciente estivesse sedado. Foi preciso muito argumento para conseguir sedativos, que, depois de algum tempo, faltaram e não foram repostos. A essa dificuldade, se somaram as relacionadas a equipamento deficiente e falta de pessoal treinado para auxiliar nos procedimentos. A unidade dispunha de somente uma funcionária fixa, que era aposentada e participava de um programa de aproveitamento de aposentados com salário irrisório. 

Um dos procedimentos relacionados à pesquisa incluiu o tratamento paliativo do câncer de esôfago avançado pela colocação de uma prótese metálica expansível através do tumor esofágico. É uma técnica que permite que o paciente possa deglutir e não venha a sucumbir pela fome e pela sede. Para a colocação dessa prótese, é necessário proceder a dilatação do tumor através da inserção de sondas de calibre progressivo, até se atingir um túnel adequado para se introduzir a prótese. Trata-se de um procedimento extremamente doloroso, que deve ser realizado sob sedação e analgesia. Na maior parte das vezes, os sedativos e analgésicos estavam em falta e tive de executar o procedimento sem sedação, surpreendentemente com pouca reação por parte dos pacientes. 

O equipamento de endoscopia consta fundamentalmente de duas partes: o tubo que é introduzido no tubo digestivo do paciente e uma processadora que gera a iluminação no interior do órgão e processa a imagem para um monitor. A única processadora era mantida ligada por, literalmente, um “curativo” feito com gases e esparadrapo que mantinham pressionado o botão comutador do aparelho. Quando eu cheguei estava assim, e assim permaneceu até a minha partida. Sem contar com os frequentes “apagões” de energia elétrica, que podiam durar alguns segundos ou se prolongar por tempo indefinido. Muitas vezes, com o endoscópio dentro do paciente, ficava na dúvida se deveria retirá-lo e aguardar a vinda da luz ou esperar com o instrumento inserido até a volta da energia. Esses apagões aconteciam em média cinco a seis vezes por dia.

“Curativo” que mantinha ligada a processadora do endoscópio.

Quando a vida diz para deixar a infância

Uma menina de 11 anos, vinda de um distrito distante, acompanhada da mãe, compareceu no dia aprazado para realização de endoscopia digestiva alta, indicada para esclarecimento de vômitos com sangue há dez dias. Não havia sedativos disponíveis. Explicamos a situação para a mãe e solicitamos que ela definisse um dia para o agendamento com o anestesista. A mãe, muito angustiada, disse que seria impossível voltar outro dia pois não teria dinheiro para a condução. Todo o dinheiro que dispunha tinha sido gasto nas passagens daquele dia. Expliquei, via intérprete (ela não falava inglês), os desconfortos do exame e as possíveis reações a esses desconfortos. Omiti minha angústia de realizar o exame em uma criança de 11 anos, a mesma idade de minha neta. A mãe conversou alguns minutos com a menina em dialeto chechewa. 

Depois de um diálogo permeado de temor e ansiedade, a mãe falou com a enfermeira que servia de intérprete. A tradução da enfermeira, seguida do olhar ansioso da mãe, foi que eu não só poderia, como deveria fazer o exame, garantindo que a menina suportaria os desconfortos com a menor reação possível. Considerando que a menina poderia sofrer outros episódios de hemorragia digestiva, tomei a difícil decisão de tentar o exame. Somente com um spray de xilocaína na garganta para reduzir o reflexo de vômito, iniciei o exame. A reação da menina foi mínima, fez uma arcada de vômito, na introdução do endoscópio, e permaneceu imóvel, com lágrimas escorrendo de seus olhinhos fechados durante o tempo que durou o exame. 

A suspeita diagnóstica se confirmou. Ela apresentava varizes esofágicas de grande calibre e com sinais de sofrimento, o que significa risco de novos sangramentos. Para realizar o procedimento, é necessário retirar o endoscópio, montar o kit de ligadura elástica no endoscópio e reintroduzi-lo. A resposta da menina para nossa explicação foi um cerrar de dentes seguido de um balançar afirmativo da cabeça. Reintroduzimos o endoscópio com o kit de ligadura, que torna um pouco mais desconfortável a introdução. Houve a mesma reação do início do exame, seguido de lágrimas. Consegui colocar com sucesso cinco anéis nas varizes e completei o procedimento. Ao terminar, ela se abraçou à mãe e deixou vir o choro contido, soluçando convulsivamente, sem emitir nenhum som. Foi de cortar o coração.

Jornada de uma mãe ao fundo de sua dor

Este foi um dos fatos mais tristes que presenciei em minha vida calejada de médico. Uma criança de colo morreu no hospital. Uma enfermeira enrolou cuidadosamente seu corpinho inanimado em um lençol e o entregou à mãe, que estava sozinha. A mãe, num silêncio profundo que gritava aos corações de quem estava presente, colocou o pequeno fardo em seu xale, colocou-o em suas costas e iniciou sua jornada solitária para casa, distante quatro horas de caminhada. Confesso que me foi impossível reter as lágrimas ao ver aquela mãe afastando-se lentamente em direção ao seu destino, para enterrar sua carga física juntamente com a dor de sua alma.

O que Malawi me acrescentou

Sempre considerei a resiliência, a capacidade de adaptação e a tolerância como os pontos fortes de minha personalidade. Essas características foram testadas ao máximo em minha estada no Malawi. A carência de medicamentos e materiais limitando um trabalho adequado pode ser frustrante, mas é melhor fazer improvisando do que não executar a tarefa. Trabalhar com funcionários despreparados, e muitas vezes indolentes em situações delicadas, representou um grande esforço de autocontrole. Ao me sentir violentado por fazer procedimentos sem um mínimo de alívio do paciente aos meus cuidados, tive de me consolar que todo o sofrimento infligido por meus atos iria ser compensado pelos resultados decorrentes do procedimento. Acho que contribuí de forma significativa, tanto do ponto de vista científico quanto do ponto de vista humano e social, mas deixo os testemunhos de minhas ações em Malawi para os representantes das organizações, que promovem e patrocinam estas ações, com quem convivi.

Ao lado de uma paciente.

*Texto: Renato Fagundes

Expediente:

Ilustrador: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vendedores-do-oriente Thu, 18 Jul 2019 18:58:46 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=5972 . Para as lentes de Ricardo Ravanello, o dia a dia de diferentes pessoas e lugares rende os melhores retratos. Com o objetivo de se inserir em realidades distintas da sua, o professor de fotografia do Departamento de Desenho Industrial da UFSM participou de cursos na Ásia e na África. A partir deles, surgiu a inspiração para a série Vendedores, produzida entre 2015 e 2017, com comerciantes de rua do Marrocos, Índia, Vietnã e Camboja. O fotógrafo considera os mercados públicos “uma espécie de janela para o passado” e retrata, nas suas fotografias, a peculiaridade de uma forma de comércio que passou a ser rara em vários locais do mundo, mas continua fortemente presente nas culturas orientais observadas por ele. Como filosofia de criação, o fotógrafo adotou dois aspectos fundamentais: o primeiro é a materialidade, que explora os processos da impressão química e dá à fotografia condição de originalidade, exclusividade e raridade. O segundo ponto reconhece a essência da foto como produção ficcional, capaz de carregar imaginários - fator que permite explorar a emocionalidade humana, contar histórias e transformar elementos do mundo visível em objetos estéticos. Por terem caráter documental - gênero que trabalha no registro cultural ou artístico de um momento -, a produção das imagens desafiou a introspecção de Ricardo, pois era necessária a sua integração com o lugar e a população: “Você precisa criar um laço com as pessoas antes de fotografar. Isso tem que acontecer quase de forma imediata, porque você está de passagem por um local”, relata o docente, que aliou a compreensão de estética à técnica fotográfica e à intuição na escolha das cenas e dos personagens que podem ser vistos neste ensaio. Reportagem: Martina Irigoyen, acadêmica de Jornalismo Diagramação: Lidi Castagna, acadêmica de Desenho Industrial Locução: Marcelo de Franceschi]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-humanidade-em-sua-essencia Fri, 14 Dec 2018 18:31:32 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=5101 Uma sociedade baseada no respeito e na solidariedade. Esses são os ideais do ubuntu, uma filosofia africana que trata sobre a essência do ser humano e a forma como se comporta na sociedade. Trata-se de uma maneira particular de ver, pensar, sentir o mundo e de se relacionar com demais seres. Na tentativa da tradução para o português, ubuntu seria “humanidade para com os outros”. Não há uma origem exata para a palavra ubuntu. Alguns estudiosos costumam afirmar que se trata de uma ética “antiga” que vem sendo usada e adaptada ao longo do tempo em diversas esferas da sociedade. O ubuntu teve forte influência sobre a luta contra o regime do Apartheid, implementado entre os anos de 1948 a 1994 na África do Sul. Após quase cinco décadas de segregação racial apoiada pela legislação, o processo de construção do novo Estado no pós-apartheid exigia igualdade universal, respeito pelos direitos humanos, valores e diferenças.  Nesse sentido, a filosofia ubuntu vinha para fortalecer a importância da igualdade e da luta pela justiça, sendo amplamente defendida por lideranças políticas como Desmond Tutu, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1984, e, Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da África do Sul contemporânea. O filósofo congolês Jean Bosco Kakozi Kashindi esteve na UFSM no dia 5 de dezembro para falar sobre o assunto, a convite do Núcleo de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas, da Coordenadoria de Ações Educacionais da UFSM em parceria com o Programa Nacional de pré-formação acadêmica Abdias do Nascimento. Atualmente, Jean é professor do Instituto Latino-americano de Arte, Cultura e História, da Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA), possuindo pós-doutorado em Direito - na área de direitos humanos - pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos/São Leopoldo). No seu currículo profissional contam também experiências na área de filosofias latinoamericanas, escravidão africanas, racismo e exclusão social. “Eu sou porque nós somos” O fundamento do ubuntu é geralmente associado às línguas bantu - grupo etnolínguístico localizado principalmente na África Subsaariana. A palavra bantu é o plural de pessoa (muntu). Falar sobre humanidade significa agregar um valor, um princípio axiológico valorativo. O professor explica que “uma pessoa vive a filosofia ubuntu quando ela é muntu, que significa dizer que não é só se trata apenas de um indivíduo, mas ser uma pessoa pessoa com valor”. Jean vai além ao afirmar que “quando uma pessoa não tem valores - como solidariedade e responsabilidade para com os outros - , não pode ser chamada de humana. Ela não é digna de fazer parte dos bantu.” Para os africanos, ubuntu é a capacidade humana de compreender, aceitar e tratar bem o outro, uma ideia semelhante à de amor ao próximo. Os valores que embasam a filosofia são generosidade, solidariedade, compaixão e o desejo sincero de felicidade e harmonia entre o conjunto de seres. Comumente utilizada para expressar a filosofia, a frase “eu sou porque somos” - de autoria de Desmond Tutu - faz alusão a uma lógica de pertencimento, ressaltando a mútua dependência entre o individual e o coletivo. De acordo com Jean, a frase faz uma crítica ao individualismo obsessivo e à lógica segregacionista e excludente - vigente no regime Apartheid. Um sistema baseado no ubuntu estaria, portanto, voltado aos interesses do coletivo: “Uma pessoa sozinha não pode existir. Só existe porque tem uma comunidade que antecede à ela. Ninguém pode ser, sem pertencer.” O filósofo aponta que, nos estudos descoloniais, o ubuntu é visto como uma “desobediência ou descolonização sistêmica”. Isto é, são maneiras de ver e sentir o mundo a partir de outros prismas - daqueles que foram negados e, sobretudo, inferiorizados. Jean faz ressalvas sobre os conhecimentos científicos e a maneira como a sociedade se organiza atualmente, ambos fortemente embasados na cultura europeia. Nesse sentido, mostra-se necessária a importância de dar valor para os conhecimentos difundidos pelos povos indígenas na América Latina, por exemplo. Segundo ele, a cosmovisão indígena poderia ser bem aproveitada em áreas como a política, a ciência e a medicina a fim de produzir novos padrões. “O eurocentrismo falhou, pois ele está centrado na razão instrumental moderna. A gente está acabando com a vida humana. As árvores e os outros seres vão se transformar, mas a espécie humana não. O ubuntu dá outra perspectiva: a de sentir e viver em harmonia com outros seres. A humanidade é razão, mas é também espírito, sentimento e energia”, reforça o filósofo. Nação dos feridos Na esfera política, o ubuntu é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão. A ideia de ubuntu inclui respeito pela religiosidade, individualidade e particularidade dos outros, buscando a constante harmonia e paz. Desta forma, uma sociedade harmônica é uma sociedade justa e equilibrada. Passado o período eleitoral e fazendo uma análise dos acontecimentos consequentes da polarização política e dos discursos de ódio entre a população, o filósofo congolês descreve o Brasil como um “país dos feridos”. Essa expressão foi usada anteriormente, por Desmond Tutu, para se referir à situação da África do Sul na época do Apartheid. Da mesma forma, Jean acredita que, o regime colonialista reforça padrões e estereótipos na sociedade brasileira, mantendo os privilégios de determinados grupos sobre os demais: “Eu acho que o Brasil é um país dos feridos e as pessoas não querem ver ou tocar nessas feridas.  São feridas e dívidas coloniais que não foram saldadas”, reforça. A UFSM A coordenadora do Núcleo de Ações Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas da UFSM, Rosane Brum Mello, faz uma reflexão sobre a importância de discutir tais assuntos em meio acadêmico e acredita que a palestra do professor congolês “veio bem ao encontro do momento que estamos vivendo no país”. Segundo ela, as eleições presidenciais de 2018 mostraram uma face individualista da sociedade. Assim, debater outras formas de organização e relembrar a essência do ser humano se tornam tarefas difíceis mas necessárias em momentos como este. Apesar das ações afirmativas terem evoluído nos últimos tempos, a questão das cotas ainda é muito debatida entre a população. Além disso, Rosane cita os casos de racismo que vieram a público na UFSM em 2017 e no primeiro semestre deste ano. Para ela,  além de se posicionar publicamente contra essas atitudes racistas, tornar a estrutura curricular menos eurocêntrica e mais plural é um dever da universidade.A gente considera que tínhamos avançado muito na questão das políticas públicas, mas parece que, neste momento político, retrocedemos em alguns aspectos. Ou então, a questão estava meio escondida, velada e apareceu de novo. Isso nos mostra o quanto devemos ainda discutir o assunto e valorizar filósofos e autores africanos cada vez mais”, reforça a coordenadora. Reportagem: Tainara Liesenfeld, acadêmica de Jornalismo Fotografia: Rafael Happke Gráfico: Pollyana Santoro, acadêmica de Desenho Industrial]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2017/11/21/internacionalizacao-doutoranda-do-poscom-desenvolve-pesquisa-em-mocambique Tue, 21 Nov 2017 10:46:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/2017/11/21/internacionalizacao-doutoranda-do-poscom-desenvolve-pesquisa-em-mocambique/ Uma série de ações estão sendo realizadas em Moçambique por meio do Acordo de Cooperação internacional entre a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Pedagógica de Moçambique (UP). Sob a coordenação da docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (POSCOM), professora Rosane Rosa, a doutoranda Vera Martins está colocando em prática as atividades do projeto “Educomunicação intercultural para inclusão social”. Vera, que também é professora do Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM (Frederico Westphalen), ainda está na universidade africana para realizar seu doutorado-sanduíche, iniciado em agosto deste ano.

Vera Martins

Desde que chegou ao país, a doutoranda apresentou seu projeto de tese “Um quentinho no peito: descolonização de afetos e a potência política das mulheres mobilizadas em redes no Brasil e em Moçambique” durante as Jornadas Científicas da UP, que têm o objetivo de socializar as pesquisas desenvolvidas na universidade. Também foi uma das palestrantes no seminário “Diversidade e Cidadania: gênero- perspectivas da luta por igualdade de direitos das mulheres”, no qual apresentou um pouco da história dos movimentos de mulheres no Brasil, contextualizando a inserção dos conceitos de feminismo e gênero como estratégia de lutas e reivindicações. Os estudantes da UP também participaram da atividade, com a apresentação de uma peça de teatro sobre a condição das mulheres em Moçambique. O seminário, idealizado pelas professoras Cecília Xavier e Mery António (UP) e pelos intercambistas Aline Gama e Gustavo Molina (USP/SP), foi encerrado com uma roda de conversa sobre a realidade nos dois países. Para Vera, “criar espaços para dialogar sobre a condição das mulheres na sociedade é fundamental, no Brasil e em Moçambique. Embora cada país tenha seus desafios específicos em relação ao tema, ambos tem um longo caminho a percorrer para promover e garantir uma vida justa para suas mulheres,”

A pesquisadora também contribuiu com a “Conferência Internacional Media e Conflitos: o desafio da orientação de uma informação pública promotora do diálogo e da paz em Moçambique”. Ela atuou como mediadora das falas da professora Mara Clemente (Instituto Universitário de Lisboa) sobre o tráfico de seres humanos, e da jornalista Tânia Machonisse (Centro de Estudos Interdisciplinares em Comunicação de Moçambique) a respeito das estratégicas retóricas utilizadas em programas de televisão para promover a paz. Até seu retorno ao Brasil, em junho de 2018, Vera Martins ainda deve desenvolver outras atividades na Universidade Pedagógica de Moçambique.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-africa-que-nao-lemos Tue, 07 Jan 2014 19:40:17 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1663
Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe: são esses países, no continente africano, que possuem o português como idioma oficial. Embora no Brasil o conhecimento geral da literatura de língua portuguesa fique restrito ao que é produzido no próprio país e na ex-metrópole Portugal, os países da África possuem vasta produção no âmbito literário. Com o intuito de explorar e estudar mais a fundo a produção literária africana, surgiu no ano passado o projeto de pesquisa intitulado Ressonâncias e dissonâncias no romance lusófono contemporâneo: o imaginário pós-colonial e a (des)construção da identidade nacional, sob a coordenação do professor Anselmo Peres Alós, do Departamento de Letras Vernáculas da UFSM. A articulação do projeto começou com a ideia de que os estudos do tema não ficassem restritos a disciplinas isoladas da grade do curso de Letras da Universidade. No bacharelado, por exemplo, a disciplina de Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa faz parte do último semestre da graduação, e o foco são as culturas nacionais que falam português. Além disso, existe uma disciplina de cultura brasileira e várias de literatura portuguesa: — A ideia do projeto é criar uma massa crítica, para os alunos pesquisarem mais a fundo e darem continuidade ao que viram nas disciplinas. E aos que ainda não viram, para se familiarizarem com o conteúdo – explica Alós.

EXPERIÊNCIAS IN LOCO 

O interesse de Alós pela literatura africana remete ao período em que ele esteve em Moçambique, atuando em uma universidade do país, onde teve contato com as literaturas africanas, em especial a moçambicana. Por se tratarem de literaturas muito jovens (veja no quadro ao lado), ainda são pouco conhecidas no Brasil. Nesses países, onde o português é o idioma oficial, lê-se muito a literatura brasileira, principalmente em Angola, Cabo Verde e Moçambique. Esses são, também, os três países de língua portuguesa em que a produção literária é mais significativa no continente africano. Dentro do grupo de pesquisa, é utilizado o viés da literatura comparada: estuda-se uma obra da literatura africana de língua portuguesa, comparando-a com outra narrativa: — A noção chave de literatura comparada é a ideia de intertextualidade. Todo texto relê, parodia ou reescreve os textos anteriores a ele – detalha Alós. Foi através da literatura comparada que o acadêmico do curso de Letras-Licenciatura, e integrante do projeto de pesquisa há um ano e três meses, Felipe Freitag, desenvolveu o trabalho Contares de um narrador-menino, ou o espreguiçar de um abacateiro. Nele, Freitag trabalha questões como identidade, nacionalidade e alteridade no romance Bom dia, camaradas, do autor angolano Ondjaki (pseudônimo de Ndalu de Almeida). A obra foi publicada em 2001, em Angola, e em 2003, em Moçambique. No romance, o personagem principal, um garoto angolano, rememora sua infância, e a partir disso surgem fatos ligados ao momento político e social de Angola após sua independência, em 1975. Freitag colocou o texto africano em contraponto à obra O Limite Branco, de Caio Fernando Abreu. E explica o motivo: — Segundo a minha leitura, as duas obras têm um processo de formação da personagem. O Maurício [protagonista de O Limite Branco] está à procura da identidade sociocultural e da sexualidade, e as duas obras se encaixam na literatura de formação – conta. O interesse do acadêmico pela literatura africana surgiu justamente pelo fato de se tratar de algo pouco conhecido no Brasil: — Quem lê literatura africana aqui? – pergunta-se. Outra integrante do projeto, Bruna Cielo, elogia a liberdade na escolha dos assuntos trabalhados no grupo, de acordo com a identificação de cada um. O interesse da acadêmica, que está há três meses no projeto, é na área da literatura feminina moçambicana: — É uma literatura que trabalha com uma crítica social, contra o sistema paternalista moçambicano – explica. Bruna trabalhou na análise da obra de Paulina Chiziane. A autora foi a primeira mulher moçambicana a publicar um romance, no ano de 1990, intitulado Balada de Amor ao Vento. Em função disso, chegou a sofrer inclusive ameaças de morte. Na obra, aparecem várias referências autobiográficas. O fato de se tratar de uma literatura jovem também desperta a atenção da estudante: — Os países que a gente estuda tiveram um processo de nacionalização muito tardio. A partir da literatura, é construída a identidade nacional deles, e isso é muito interessante – considera.

ENTENDA 

As nações africanas de língua lusófona (destacadas em cor clara no mapa à esquerda) atingiram sua independência política na metade da década de setenta. O processo de descolonização da África, no entanto, iniciou um pouco antes, no começo da década de sessenta – com algumas exceções, como a Libéria (primeira nação africana a declarar independência), que se tornou independente em 1847, e países como o Egito e a Etiópia, nas décadas de 1920 e 1940, respectivamente. O esquadrinhamento do mapa político do continente africano entre as potências colonizadoras europeias no século XIX, na Conferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885, desrespeitou uma série de identidades locais, que eram entendidas através de características étnicas e linguísticas, e não como estados-nação. O território dos zulus, por exemplo, é dividido em três países, atualmente nos territórios de Moçambique, África do Sul e Suazilândia.

IMPACTO NA LITERATURA 

Além de todos os problemas políticos e sociais que essas divisões à margem dos interesses locais acarretaram, isso influenciou diretamente na literatura dos países africanos, inclusive nos países de língua portuguesa. As divisões provocam, consequentemente, um acréscimo de valores dentro de identidades nacionais já constituídas, como explica o professor Alós: — Quando se dá o processo de independência, se adota a língua do colonizador, mas os conflitos anteriores vão ser tematizados pela literatura – finaliza.
Repórter: Nicholas Lyra
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