UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Mon, 16 Mar 2026 00:25:50 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/10/30/terapia-ocupacional-angola Wed, 30 Oct 2024 21:40:19 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67384 Foto colorida horizontal de grupo de mulheres
Professora Amara Lúcia Holanda, do curso de Terapia Ocupacional, com participantes de formação voltada ao uso de tecnologias assistivas na educação inclusiva na capital Luanda

A Missão de Educação Especial da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em Angola apresentou aos professores daquele país como utilizar a tecnologia assistiva com materiais do dia a dia. O grupo, integrado por quatro professoras do curso de Terapia Ocupacional e um técnico-administrativo, mostrou, em um curso, como confeccionar produtos que podem auxiliar na autonomia de pessoas com deficiência em sala de aula ou em casa. A missão, integrante do projeto Escola de Todos Frase 3, ocorreu na capital Luanda entre 16 de agosto e 2 de setembro. 

O curso de tecnologia assistiva teve como participantes professores e profissionais das equipes multidisciplinares de apoio à educação inclusiva. Mais do que oferecer o curso, a missão brasileira tem como objetivo criar um Catálogo de Tecnologia Assistiva, que deve ser lançado no segundo semestre de 2025 . A inciativa da UFSM visa à construção de um material voltado à educação inclusiva de “Angola para Angola”. 

Durante as duas semanas da missão, 21 recursos de tecnologia assistiva foram compartilhados no curso. Divididos em 8 grupos, os alunos confeccionaram 168 produtos, como lápis, provas, pratos e talheres adaptados. O material será apresentado no catálogo.

Integraram missão as professoras Amara Lúcia Holanda Battistel, Daniela Tonús, Lucielem Chequim e Tânia Fernandes, do curso de Terapia Ocupacional, e pelo técnico-administrativo Daniel De Carli, da Agência de Notícias. As professoras cuidaram da formação dos professores angolanos e Daniel registrou as produções dos estudantes em fotos, e é o responsável pelo design do catálogo. O curso foi proposta por um amplo grupo de professores de Terapia Ocupacional.

 

Foto colorida horizontal de uma sala de aula cheia de alunos sentados e professora ao fundo ao centro
Professora Ana Claúdia Pavão, coordenadora do projeto Escola de Todos Fase 3, durante o diagnóstico para identificar as realidade das escolas angolas. (Foto acervo pessoal)

Escola de Todos

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, de 2008, tem como objetivo “assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação”. O documento, elaborado pelo Ministério da Educação com a colaboração de universidades públicas, inclusive a UFSM, traz, entre outras, as seguintes perspectivas: a formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais, a acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação. 

Alguns dos tópicos apresentados na Política de Educação Especial se tornaram visados pelo governo angolano, que busca a implementação da educação inclusiva. Por isso, a iniciativa, resultado de cooperação técnica internacional, surge a partir de demanda do governo de Angola. A Agência Brasileira de Cooperação (ABC/ Itamaraty) indicou a UFSM como executora, já que realizava projeto semelhante em Cabo Verde. 

As ações nos dois países africanos - Angola e Cabo Verde - fazem parte da Escola de Todos Fase 3, projeto de pesquisa, vinculado aos Programas de Pós-Graduação em Educação e em Tecnologias Educacionais em Rede, coordenado pela professora Ana Cláudia Pavão. O objetivo do projeto é compreender os impactos das políticas públicas brasileiras de educação especial para o desenvolvimento de um sistema de ensino inclusivo nas nações africanos estudadas.

Em 2022, a Escola de Todos Fase 3 realizou uma prospecção para avaliar como é a educação angolana e de que forma a UFSM poderia auxiliar. “Quando fomos lá, visitamos as escolas, escutamos o governo e os professores, que nos diziam o que era necessário. No final, fizemos uma tomada do que nós vimos, do que eles queriam e do que podíamos oferecer”, conta a professora Ana Cláudia Pavão. 

Além do curso de Tecnologia Assistiva, a Escola de Todos promoveu, em 2024, cursos de Atendimento Educacional Especializado e Atenção às Diferenças em Angola, com, no total, 32 professores e 18 missões. Em Cabo Verde, cinco professores estiveram em duas missões.

 

Foto colorida horizontal de três mulheres em pé em uma sala de aula. Uma delas usa coloca um colete e as outras duas a ajudam a ajustar. Atrás delas, uma bandeira do Brasil está hasteada
Professoras de Terapia Ocupacional mostram como produzir colete torácico
Foto colorida horizontal de mulheres reunidas em volta de uma cadeira adaptada. Elas estão inserindo espaguetes de macarrão como forma de escosto e guarda da cadeira
Estudantes utilizaram diferentes materiais e ferramentas para adaptar uma cadeira infantil
Foto colorida horizontal de grupo de estudantes posando para foto. Eles estão sentados ou em pé ao lado e atrás de mesas. À mesa está o objeto feito de colagens
Grupo de participantes mostra objeto que desenvolveu, um relógio de rotinas

Terapia Ocupacional e as tecnologias assistivas 

A Terapia Ocupacional (TO) é uma graduação ofertada no campus sede da UFSM. A área busca promover a autonomia e a qualidade de vida de pessoas impossibilitadas de realizar as atividades do dia a dia. Os profissionais atendem desde recém-nascidos até idosos que possam ter dificuldades físicas, mentais ou emocionais. 

A Tecnologia Assistiva (TA) é um instrumento para facilitar as atividades dos pacientes da TO. Elas podem promover maior independência e inclusão social. Cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, aplicativos de leitura de tela e próteses são exemplos de TA’s. 

Durante a viagem a Luanda, as Tecnologias Assistivas foram apresentadas como forma de levar a educação para todos, como forma de possibilitar a inclusão em um ambiente que seja preparado para receber pacientes da Terapia Ocupacional.

Foto colorida horizontal de grupo de pessoas adaptando cadeira infantil
Professoras da Terapia Ocupacional orientaram como adaptar itens do cotiadiano para auxiliar no ensino inclusivo
Foto colorida vertical de uma cadeira vermelha virada. Na imagem, um soldador é inserido no meio da assento
Estudantes utilizaram ferramentas como soldador para adaptar para o uso de crianças com deficiência
Foto colorida vertical de homem com câmera ao alto registrando objeto. Ao lado dele, mulheres observam a fotografia sendo feita
Daniel fotografou itens feitos pelos estudantes para a elaboração do catálogo de tecnologias assistivas
Fotografia colorida horizontal de homem sentado organizando figuras recortadas em uma folha de EVA
Participantes do curso organiza figuras para confecção de placa de comunicação
Foto colorida horizontal de uma série de figuras em uma folha preta. As figuras são manipuladas por mãos
Uso de figuras que facilitem expressar sentimentos podem auxiliar na educação inclusiva
Placa de comunicação é um dos recursos de tecnologia assistiva desenvolvidos em Angola

“De Angola para Angola”

Por mais que os tipos de deficiências dos estudantes sejam semelhantes em Angole e no Brasil, realidades diferentes exigem estratégias alternativas. É isso que as terapeutas ocupacionais integrantes da missão acreditam. 

Os materiais para a preparação das tecnologias assistivas que estavam disponíveis em Luanda, eram diferentes dos encontrados no Brasil. “A ideia desse curso foi tentar proporcionar a educação pensando na realidade que eles vivenciam lá”, comenta a professora Lucielem Chequim. Um exemplo disso foi o “espaguete de piscina”, usado para ajudar na flutuação dentro da água. Esse material estava previsto para a produção de um recurso de tecnologia assistiva e não foi encontrado com facilidade no país africano durante a missão. Então, as professoras de TO optaram por usar esponjas, que poderiam ser encontradas com maior facilidade. 

Além disso, o catálogo será redigido em português angolano. Por mais que a língua seja a mesma, a diversidade linguística faz com que alguns objetos tenham nomenclaturas diferentes. “Por exemplo, o que nós chamamos de estilete, lá chamam de ‘X Acto’. Nós vamos preservar a língua deles no catálogo”, comenta a professora Amara Lúcia Holanda. 

Confecção de colher adaptada
Estudantes testaram a colher adaptada que fizeram durante a formação

A experiência na missão

Dias cansativos, tomados pelo trabalho, mas extremamente gratificantes. É assim que os participantes definem o tempo passado em Luanda. “Eles são extremamente acolhedores e educados. A gente é recebido com muito cuidado.”, conta a professora Tânia Fernandes Silva. 

Angola passou por três períodos de guerra civil entre 1975 e 2002, interrompidos pela busca da paz. Atualmente o país da África Subsaariana é marcado por desigualdades sociais e problemas econômicos, e ocupa a posição de número 150 de uma lista de 189 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

“O que acrescentou bastante para gente foi poder trabalhar com pessoas que valorizam muito o nosso trabalho e que tinham um entusiasmo muito grande em fazer tudo que a gente apresentava para eles”, compartilha Daniela Tonús. 

“Acolhimento é a palavra”,  define a professora Amara Holanda. O carinho e a gratidão que os alunos da missão compartilhavam com os professores e com Daniel De Carli foram marcantes. “Eu recebi um presente. É uma estátua chamada ‘O Pensador’, que é um símbolo internacional de Angola. Foi uma surpresa”, conta. 

Texto: Jessica Mocellin, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias 

Fotos: Daniel Michelon De Carli

Edição: Maurício Dias

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/05/18/delegacao-da-ufsm-participa-de-missao-em-angola-para-projeto-de-educacao-inclusiva Wed, 18 May 2022 12:29:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=58578 [caption id="attachment_58579" align="alignright" width="654"]Oito pessoas posam  em pé para uma foto, cinco são mulheres. Ao fundo há uma parede amarela,  três degraus de uma escada aparentemente de mármore branco e um corrimão com guarda de madeira. Há um detalhe no canto superior esquerdo da foto,  de  parte de um quadro nas cores azul e rosa. Da esquerda para a direita de quem olha, está uma mulher negra de cabelos pretos vestindo blusa amarela e um casaco preto ao seu lado um homem branco, usa óculos tem cabelos pretos, veste um terno cinza, camisa branca e uma gravata em tom marrom. Em seguida um homem grisalho, usa óculos, veste terno cinza escuro com uma camisa branca e uma gravata vermelha com com detalhes em amarelo. Ao seu lado, homem de cabelos grisalhos, vestindo terno preto, camisa branca e gravata azul. Na sequência homem de cabelos escuros, vestindo terno cinza claro, camisa branca e gravata cor de rosa. Ao seu lado aparece uma mulher de cabelos pretos compridos, vestindo um vestido preto e sapatos pretos, em seguida uma mulher de cabelos castanhos claros, veste um vestido estampado com fundo bege e detalhes com flores nas cores verde escuro e laranja. Ao seu lado e mais ao fundo, um homem de cabelos grisalhos  calvo, veste um terno preto e camisa branca. A sua frente, uma mulher de cabelos castanhos, usa uma blusa cor de rosa escuro, uma saia preta e sapatos pretos. Ao seu lado, uma mulher de cabelos claros, altura média, usa blusa preta e calças em tom bege e a última mulher, usa vestido preto, casaco verde claro, usa óculos e tem cabelos  grisalhos. Professores da UFSM e representantes da Embaixada do Brasil e da ABC na missão em Angola[/caption]

No âmbito da iniciativa de cooperação técnica para a implantação de projeto na área de educação inclusiva em Angola, a Universidade Federal de Santa Maria e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, realizam uma missão em conjunto em Angola. O objetivo é prover as instituições cooperantes, tanto do lado brasileiro quanto do lado angolano, com informações para elaboração de projeto de cooperação técnica bilateral.

Coordenam a missão, nessa fase de prospecção, pela parte da ABC, Luciano Queiroz, e pela parte da UFSM, a professora Ana Cláudia Oliveira Pavão. Também participam professores da área da educação inclusiva da UFSM: Carlo Schmidt, Sabrina Fernandes de Castro, Anie Pereira Goulart Gomes, Silvia Maria Pavão e Amara Lúcia Holanda Tavares Battistel.

A missão foi iniciada na segunda (16) e será concluída na sexta-feira (20). No primeiro dia, a delegação brasileira foi recebida pelo embaixador do Brasil em Angola, Rafael Vidal, e pelos diplomatas Lucas Lima e Durval Carvalho de Barros. A agenda da delegação segue com visitas às escolas das províncias de Luanda e Bengo, sendo acompanhada pelos representantes do Ministério da Educação de Angola, com a finalidade de conhecer a realidade local.

A minuta do projeto será elaborada até o final da semana, com perspectiva de realização de ações de formação técnica aos professores dos ensinos básico e superior.

Foto: Divulgação

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-africa-que-nao-lemos Tue, 07 Jan 2014 19:40:17 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1663
Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe: são esses países, no continente africano, que possuem o português como idioma oficial. Embora no Brasil o conhecimento geral da literatura de língua portuguesa fique restrito ao que é produzido no próprio país e na ex-metrópole Portugal, os países da África possuem vasta produção no âmbito literário. Com o intuito de explorar e estudar mais a fundo a produção literária africana, surgiu no ano passado o projeto de pesquisa intitulado Ressonâncias e dissonâncias no romance lusófono contemporâneo: o imaginário pós-colonial e a (des)construção da identidade nacional, sob a coordenação do professor Anselmo Peres Alós, do Departamento de Letras Vernáculas da UFSM. A articulação do projeto começou com a ideia de que os estudos do tema não ficassem restritos a disciplinas isoladas da grade do curso de Letras da Universidade. No bacharelado, por exemplo, a disciplina de Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa faz parte do último semestre da graduação, e o foco são as culturas nacionais que falam português. Além disso, existe uma disciplina de cultura brasileira e várias de literatura portuguesa: — A ideia do projeto é criar uma massa crítica, para os alunos pesquisarem mais a fundo e darem continuidade ao que viram nas disciplinas. E aos que ainda não viram, para se familiarizarem com o conteúdo – explica Alós.

EXPERIÊNCIAS IN LOCO 

O interesse de Alós pela literatura africana remete ao período em que ele esteve em Moçambique, atuando em uma universidade do país, onde teve contato com as literaturas africanas, em especial a moçambicana. Por se tratarem de literaturas muito jovens (veja no quadro ao lado), ainda são pouco conhecidas no Brasil. Nesses países, onde o português é o idioma oficial, lê-se muito a literatura brasileira, principalmente em Angola, Cabo Verde e Moçambique. Esses são, também, os três países de língua portuguesa em que a produção literária é mais significativa no continente africano. Dentro do grupo de pesquisa, é utilizado o viés da literatura comparada: estuda-se uma obra da literatura africana de língua portuguesa, comparando-a com outra narrativa: — A noção chave de literatura comparada é a ideia de intertextualidade. Todo texto relê, parodia ou reescreve os textos anteriores a ele – detalha Alós. Foi através da literatura comparada que o acadêmico do curso de Letras-Licenciatura, e integrante do projeto de pesquisa há um ano e três meses, Felipe Freitag, desenvolveu o trabalho Contares de um narrador-menino, ou o espreguiçar de um abacateiro. Nele, Freitag trabalha questões como identidade, nacionalidade e alteridade no romance Bom dia, camaradas, do autor angolano Ondjaki (pseudônimo de Ndalu de Almeida). A obra foi publicada em 2001, em Angola, e em 2003, em Moçambique. No romance, o personagem principal, um garoto angolano, rememora sua infância, e a partir disso surgem fatos ligados ao momento político e social de Angola após sua independência, em 1975. Freitag colocou o texto africano em contraponto à obra O Limite Branco, de Caio Fernando Abreu. E explica o motivo: — Segundo a minha leitura, as duas obras têm um processo de formação da personagem. O Maurício [protagonista de O Limite Branco] está à procura da identidade sociocultural e da sexualidade, e as duas obras se encaixam na literatura de formação – conta. O interesse do acadêmico pela literatura africana surgiu justamente pelo fato de se tratar de algo pouco conhecido no Brasil: — Quem lê literatura africana aqui? – pergunta-se. Outra integrante do projeto, Bruna Cielo, elogia a liberdade na escolha dos assuntos trabalhados no grupo, de acordo com a identificação de cada um. O interesse da acadêmica, que está há três meses no projeto, é na área da literatura feminina moçambicana: — É uma literatura que trabalha com uma crítica social, contra o sistema paternalista moçambicano – explica. Bruna trabalhou na análise da obra de Paulina Chiziane. A autora foi a primeira mulher moçambicana a publicar um romance, no ano de 1990, intitulado Balada de Amor ao Vento. Em função disso, chegou a sofrer inclusive ameaças de morte. Na obra, aparecem várias referências autobiográficas. O fato de se tratar de uma literatura jovem também desperta a atenção da estudante: — Os países que a gente estuda tiveram um processo de nacionalização muito tardio. A partir da literatura, é construída a identidade nacional deles, e isso é muito interessante – considera.

ENTENDA 

As nações africanas de língua lusófona (destacadas em cor clara no mapa à esquerda) atingiram sua independência política na metade da década de setenta. O processo de descolonização da África, no entanto, iniciou um pouco antes, no começo da década de sessenta – com algumas exceções, como a Libéria (primeira nação africana a declarar independência), que se tornou independente em 1847, e países como o Egito e a Etiópia, nas décadas de 1920 e 1940, respectivamente. O esquadrinhamento do mapa político do continente africano entre as potências colonizadoras europeias no século XIX, na Conferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885, desrespeitou uma série de identidades locais, que eram entendidas através de características étnicas e linguísticas, e não como estados-nação. O território dos zulus, por exemplo, é dividido em três países, atualmente nos territórios de Moçambique, África do Sul e Suazilândia.

IMPACTO NA LITERATURA 

Além de todos os problemas políticos e sociais que essas divisões à margem dos interesses locais acarretaram, isso influenciou diretamente na literatura dos países africanos, inclusive nos países de língua portuguesa. As divisões provocam, consequentemente, um acréscimo de valores dentro de identidades nacionais já constituídas, como explica o professor Alós: — Quando se dá o processo de independência, se adota a língua do colonizador, mas os conflitos anteriores vão ser tematizados pela literatura – finaliza.
Repórter: Nicholas Lyra
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