UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Fri, 24 Apr 2026 12:05:33 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/11/13/atelie-de-tecelagem-valoriza-a-la-atraves-da-arte Wed, 13 Nov 2024 12:00:48 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67587 [caption id="attachment_67640" align="alignright" width="597"] Participantes de oficina de lã[/caption]

O artesanato é uma prática que pode trazer a ancestralidade. As técnicas compartilhadas entre gerações são um modo de expressão e aprendizagem. A tecelagem com lã é um exemplo dessa prática e pode ser aprendida no Laboratório de Lã da Universidade Federal de Santa Maria. 

Desde 1981, quando foi criado, o Laboratório de Lã busca valorizar o produto ovino, inicialmente prestando um serviço ao Programa de Melhoramento Genético dos Ovinos do RS (PROMOVI). Após a chegada da fibra sintética no mercado internacional, a lã perdeu espaço e, desta forma, as análises da lã realizadas pelo laboratório da UFSM passaram a ter menos procura. Assim, o laboratório, na época coordenado pelo professor Cleber Cassol Pires, procurou alternativas no desenvolvimento de projetos focados na divulgação da lã ovina através do artesanato.

"Em função da queda no preço da lã no mercado internacional, os rebanhos de ovinos no Rio Grande do Sul foram sendo substituídos por rebanhos de raças com aptidão para produção de carne, que apresentam uma lã mais grossa e, portanto, menos utilizada para vestuário", comenta a professora do Departamento de Zootecnia e uma das coordenadoras do projeto, Ana Gabriela Saccol. O artesanato passou a ser uma alternativa para esse tipo de material.

O Ateliê de Tecelagem 

O projeto "Divulgação da lã ovina através do artesanato", coordenado pela zootecnista Simone de David Antônio, oferece cursos para a comunidade desde 2002, e todas as pessoas que estejam interessadas em aprender sobre a lavagem da lã, o cardar, fiar e tecer podem se inscrever. Os cursos são oferecidos semestralmente em parceria com o SENAR e são divulgado no Instagram do lablã (@lablaufsm). Após 20 anos de formação continuada surgiu a necessidade de um espaço para buscar integrar e compartilhar saberes entre os participantes e a Universidade, e assim, surge o projeto Ateliê de Tecelagem, em 2020.

O projeto Ateliê de Tecelagem foi contemplado em 2023 com o edital 034/2023 – Edital – Fomento de ações de Extensão da UFSM no território do Distrito Criativo Centro-Gare, o que proporcionou parceria com o curso de Desenho Industrial. Juntamente com as artesãs que frequentam o Ateliê e as parcerias institucionais, nós estamos trazendo a arte para a lã e desenvolvendo um artesanato identitário para o Município de Santa Maria e isso é uma inovação. É muito lindo ver o processo de criação acontecendo, onde a feltragem molhada cria a tela e agulha pinta os prédios históricos da cidade", afirma Ana Gabriela.

A iniciativa teve início junto com a zootecnista Simone de David Antônio, que explica que o projeto foi desenvolvido com o intuito de levar a extensão à sociedade. “É muito gratificante o trabalho de passar para os outros o que a gente já conhece”, comenta Simone.

Hoje, quem dá continuidade ao projeto é a zootecnista Alzira Gabriela Pause. Ela conta que veio da região norte, local onde não se encontra a criação de ovinos e de lã tão facilmente como aqui, então se interessou pela proposta. “Como é um produto muito característico do Rio Grande do Sul, queremos fazer as novas gerações o conhecerem e valorizarem, para não cair em desuso”, relata.

O projeto foi contemplado no edital do Território Imembuy, iniciativa da Pró-reitoria de Extensão (PRE) e da UFSM, que busca o desenvolvimento da região central do Rio Grande do Sul.

[caption id="attachment_67615" align="alignleft" width="374"] Marlene sempre gostou de arte e agora investe na produção de peças com lã[/caption]

Alguns benefícios da lã

A lã é um produto retirado da ovelha com a tosquia, que normalmente acontece durante a primavera. Além de deixar os animais mais confortáveis para o verão, a tosquia não deve causar efeitos negativos na ovelha. “Quando trabalhamos com a lã, também nos envolvemos com o bem estar do animal”, conta Ana Gabriela. 

Ela também explica que apesar de ser um produto de variados tipos e que oferece diversos benefícios durante seu uso, a lã é um isolante térmico que pode ajudar a manter o calor corporal durante o frio. Além disso, é isolante acústico. 

A sustentabilidade faz parte dos benefícios da lã. Um produto natural, renovável e biodegradável, como a lã, fortalece os ideais de ajuda ao meio ambiente.  

“O coração na ponta dos dedos” 

Marlene Lovato tem o costume de criar desde cedo. Quando criança, não tinha brinquedos, então inventava. “Eu pegava folhas de bananeira, que eram grandes, e cortava como se fosse um grande tecido, depois bordava com flores”, relembra. 

Recentemente aposentada, Marlene conheceu o projeto quando era professora de Processamento de Frutas e Hortaliças e de Panificação no Colégio Politécnico. “Eu fazia muitas dinâmicas com meus alunos, trabalhava a arte na panificação, fazia exposições em que as obras eram comestíveis”, conta. 

Quando estava chegando perto de se aposentar, Marlene decidiu iniciar o curso de tecelagem. Agora, a tecelagem é a arte que ajuda a professora a se expressar de forma natural. “É algo que sai da minha alma, passa por minhas mãos e sai na agulha. É o coração na ponta dos dedos”. 

O sentimento de Marlene é parecido com o de outras participantes. “A gente escuta das pessoas que aquele espaço é de cura, de troca, as pessoas se sentem bem. Começamos a ver que aquilo é uma terapia também”, comenta a professora Ana Gabriela que também utiliza o Ateliê como ambiente de tratamento da sua saúde. As participantes são unidas pela lã.

Como participar 

Todas as terças- feiras, à tarde, o Ateliê está aberto e recebe pessoas para participar dos cursos. O Laboratório de Lã está localizado na sala 21 do departamento de Zootecnia, próximo ao Colégio Politécnico. Nos últimos encontros o grupo também tem desenvolvido peças sobre a arquitetura de Santa Maria que serão expostas ao público futuramente.

[caption id="attachment_67616" align="alignright" width="499"] Grupo tem produzido peças inspiradas na Vila Belga[/caption]

Sobre o Território Imembuy

O Território é uma iniciativa da Pró-reitoria de Extensão (PRE) e da UFSM, que busca o desenvolvimento da região central do Rio Grande do Sul a partir das iniciativas exitosas da UFSM na certificação da Quarta Colônia e de Caçapava como Geoparques Mundiais da UNESCO. Foram contemplados, ao todo, 54 projetos voltados ao incentivo de novas pesquisas científicas no campo da educação, a expansão econômica e a geração de emprego e renda. Vale destacar que o Território Imembuy abarca 37 municípios e mais de 700 mil habitantes. Mais informações sobre podem ser conferidas aqui.

Texto e fotografias: Jessica P. Mocellin, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques

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Os professores José Marcos Froehlich, dos programas de Pós-Graduação em Extensão Rural e em Ciências Sociais, e Carolina Iuva de Mello, do Departamento de Desenho Industrial da UFSM, têm o prazer de convidar a comunidade acadêmica e interessados para o lançamento da 2ª edição em E-Book da obra "Artesanato e Identidade Territorial - Manifestações e estudos no Brasil meridional". O evento será realizado no dia 5 de junho, às 14 horas, no Auditório do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural da UFSM, localizado no Prédio 44, campus sede.

A obra, organizada pelos professores José Marcos Froehlich e Carolina Iuva de Mello, reúne uma coletânea de trabalhos interdisciplinares realizados por jovens e experientes pesquisadores, que abordam o tema do artesanato e suas expressões nos territórios do Brasil meridional. Lançada originalmente em sua 1ª edição no ano de 2021 pela editora Appris, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a obra agora ganha uma nova versão em formato E-Book, ampliando seu alcance e acessibilidade.

O livro apresenta uma abordagem abrangente sobre o artesanato, explorando suas diversas manifestações e sua relação intrínseca com a identidade territorial. Os capítulos proporcionam uma análise aprofundada e perspicaz, destacando a importância cultural, social e econômica do artesanato nas regiões do Brasil meridional.

No lançamento da 2ª edição, os professores José Marcos Froehlich e Carolina Iuva de Mello promoverão conferências que enriquecerão a compreensão dos temas abordados na obra. O evento é uma excelente oportunidade para acadêmicos, estudantes e entusiastas do artesanato conhecerem as contribuições valiosas desses pesquisadores aos temas.

Para participar do lançamento da 2ª edição em E-Book da obra "Artesanato e Identidade Territorial - Manifestações e estudos no Brasil meridional", basta comparecer no dia 5 de junho, às 14 horas, no Auditório do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural da UFSM, localizado no Prédio 44, campus sede. A entrada é gratuita e aberta a todos os interessados.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/post475 Wed, 05 Jul 2017 21:14:30 +0000 http://www.55bet-pro.com/comunicacao/arco/2017/07/05/post475/ Como o artesanato atua como expressão de identidade territorial em um contexto de globalização? A professora de Desenho Industrial da UFSM, Carolina de Mello, buscou responder essa pergunta durante o seu doutorado, que tratou sobre a produção artesanal em duas regiões do Rio Grande do Sul: a Quarta Colônia, próxima a Santa Maria, e a Costa Doce, tendo como principal foco o município de Pelotas. Defendida e aprovada em 2016, a tese Território Feito à Mão: Artesanato e Identidade Territorial no Rio Grande do Sul não tinha, segundo Carolina, a pretensão de  fazer um estudo comparativo. No entanto, os  dois casos apresentaram situações que permitiram comparações enriquecedoras ao trabalho. O Artesanato na Quarta Colônia No caso da região central do estado, desde 1990 existem ações com o objetivo de estabelecer uma identidade territorial visando fortalecer o seu desenvolvimento. “Os aspectos como as práticas religiosas, a paisagem arquitetônica e os hábitos alimentares têm tido sucesso. As tentativas de reconverter o artesanato da Quarta Colônia em identidade territorial, no entanto, não têm alcançado o mesmo êxito que o produzido na Costa Doce”, explica Carolina. Uma das características do artesanato nesse caso é a utilização da palha, prejudicada pela mudança do território que diminuiu a matéria prima utilizada na confecção de chapéus e outros produtos. “Uma das entrevistadas disse que demora muito para fazer os materiais, o que eleva o produto a um preço que o consumidor não se dispõe a pagar”, diz Carolina. Na região central do estado, foi realizado o Projeto Faber, em que jovens estudantes de arquitetura, design, artes plásticas - selecionados por um conjunto de profissionais da área vinculados ao SEBRAE - se reuniram com artesãs locais durante um ano para criar produtos que serviram para campanhas publicitárias. No entanto, foi uma experiência dos alunos que não tinha foco na comunidade. “Foi um projeto descontinuado. Surgiram algumas associações, mas que se separaram e deram continuidade ao que já era feito nos seus locais isolados”, conta. Trabalho continuado na Costa Doce Auxiliado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em 2006, o Artesanato do Mar de Dentro visa ampliar a produção e a comercialização de produtos artesanais que deem conta não só de aumentar a renda para os artesãos, mas também de reforçar a identidade com a cultura da região no artesanato produzido. O SEBRAE, desde o início, foi importante para reunir designers aos artesãos com o objetivo de promover capacitações e oficinas de criação de produtos, durante as quais foram desenvolvidas coleções orientadas também por biólogos. Essa parceria visava a profissionalização dos artesãos para que, junto à preocupação com os quesitos mercadológicos, conseguissem alçar o projeto de forma diferenciada ao mercado. “Hoje, caminhamos por conta própria, definimos ações e produtos a serem lançados, mas também mantemos um ótimo relacionamento com nossos designers”, relata Aurea Avila, artesã do grupo Bichos do Mar de Dentro. O Artesanato do Mar de Dentro conta com três grupos: Bichos do Mar de Dentro, Redeiras e Ladrilã. Aurea destaca que o primeiro deles desenvolve produtos que retratam principalmente os animais que vivem na região da Costa Doce:  “A associação Bichos do Mar de dentro tem como foco reproduzir no seu artesanato a beleza de nossos animais, além de incentivar a conservação e a preservação da nossa rica fauna e flora”. As artesãs do Redeiras, por sua vez, produzem artesanato com matéria-prima existente no território – redes de pesca, escamas, couro de peixe.  Já o grupo Ladrilã se utiliza de lã natural em produtos que também se preocupam em retratar a cultura do território, como os ladrilhos hidráulicos e as lendas gaúchas. Segundo Carolina, a Costa Doce é um território turístico em que o artesanato, além de expressar a identidade territorial, “é submetido a um processo de mescla que reforça sua identificação com o território e garante uma melhor inserção no mercado”.

Por isso, a inserção de entidades como a Sebrae é considerada importante. “Ao ter profissionais buscando mais visibilidade e maior valorização do artesanato, o projeto consegue fazer seus produtos se inserirem no mercado não só pelo preço, mas também porque os produtos têm uma identidade local, um fator de proximidade com a população”, afirma Carolina.

O ponto de venda do Artesanato do Mar de Dentro se dá em uma loja no Mercado Público de Pelotas. Nela trabalham cinco artesãs atendentes, além de contar com um representante de cada Associação no gerenciamento financeiro. Os produtos, por sua vez, ficam a cargo de cada artesão, que tem a responsabilidade de repor o estoque. “A sociedade pelotense aos poucos vem acreditando em nosso potencial. Somos referência no artesanato de Pelotas e, por estarmos localizados em um ponto Histórico e Turístico de Pelotas, recebemos clientes de todas as partes do Brasil e do Mundo”, conta Aurea. Artesanato e mercado O projeto, que participa de diversas feiras a nível nacional, já foi premiado como um dos 100 melhores em artesanato do Brasil. Além disso, produziu um livro infantil chamado “Aventuras do Mar de Dentro”. Aurea defende que o artesanato passa por uma valorização em relação à produção industrial. “O artesão, ao fazer sua arte, deposita nela seu momento de criação, emoção e paixão que, ao ser passada ao cliente, passa por um processo de desapego, sem saber seu destino”, reforça. Segundo Carolina, a globalização possibilita a construção de novas identidades a partir da interação entre o global e o local, de modo que o artesanato, ao se tornar expressão de uma territorialidade, possa disputar vantajosamente um lugar no mercado- o que contribui para o seu desenvolvimento. “O discurso de valorização do artesanato vem ao encontro da noção de desenvolvimento territorial. É preciso levar em conta os aspectos culturais do território para que seja possível um desenvolvimento com protagonismo desses atores locais”, ressalta. Dessa forma, o estudo conclui que o artesanato tem a capacidade e o potencial para ser utilizado como forma de desenvolver as regiões, mesmo naquelas em que ele se encontra enfraquecido, como é o caso da Quarta Colônia.  Entretanto, ressalta a professora, “o acionamento deve ter limites, de modo que o ponto de vista econômico não se sobreponha aos aspectos sociais e culturais da prática artesanal”. Repórter: Germano Molardi Fotografias: Divulgação]]>