UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 04 Mar 2026 21:23:08 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/05/29/ufsm-colabora-com-o-maior-banco-de-dados-mundial-sobre-series-temporais-da-biodiversidade Thu, 29 May 2025 22:41:41 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=69313 BioTime foi lançada no dia 14 de maio pela Universidade de St. Andrews (da Escócia). Esse banco de dados oferece uma visão sem precedentes sobre como a biodiversidade muda ao longo do tempo em todo o mundo, abrangendo quase 150 anos de registros ecológicos, de 1874 a 2023. O lançamento da versão 2.0 da plataforma BioTime ocorreu na revista Global Ecology and Biogeography, contendo dados de mais de 553 mil locais onde ocorreram monitoramentos de abundância de espécies, o que ajuda pesquisadores, formuladores de políticas públicas e o público em geral a entender melhor a dinâmica complexa que as espécies enfrentam em um mundo em rápida mudança. A atualização da plataforma inclui quase 12 milhões de registros, representando mais de 56.000 espécies em ecossistemas marinhos, de água doce e terrestres. Este é o banco de dados mais abrangente de séries temporais de comunidades biológicas já criado. A BioTime permite que os cientistas olhem além das notícias sobre extinção e explorem questões mais profundas e detalhadas sobre as mudanças nos ecossistemas e comunidades no contexto do uso da terra, mudanças climáticas e esforços de conservação ao longo do tempo. Pesquisadores têm usado o banco de dados para testar hipóteses sobre como a biodiversidade está mudando, revelando padrões mais complexos de mudanças ecológicas e também informando estratégias de conservação. A publicação da BioTime 2.0 reúne 485 coautores de mais de 400 instituições, distribuídas em 40 países. “Como não podemos viajar no tempo, os dados de biodiversidade do passado são preciosos para nos ajudar a entender onde e como a biodiversidade está mudando”, comenta a professora Maria Dornelas, da Universidade de St. Andrews, que liderou o projeto. “É um exemplo poderoso de como a comunidade científica pode se unir para construir algo maior do que qualquer pessoa ou equipe. Serve como um testemunho da cooperação científica global diante das rápidas mudanças do nosso planeta”, afirma o gerente do banco de dados da BioTime, Garrett Fundakowski, também da Universidade de St. Andrews. UFSM – Os dois professores UFSM destacam que contribuíram com dados históricos sobre comunidades de anfíbios e répteis monitoradas no Sul e Sudeste do Brasil. Segundo eles, são grupos ainda pouco estudados, cujas comunidades podem ser utilizadas como ferramentas para compreender e monitorar impactos ambientais. “Muitas espécies de anfíbios e de répteis são sensíveis às modificações ambientais, como supressão e fragmentação dos campos e matas nativas, bem como à contaminação das águas e também às mudanças climáticas e doenças”, afirma o professor Tiago. De acordo com a professora Sonia, “esse tipo de estudo reforça a importância do fomento à pesquisa de longa duração”. Cism – Os docentes da UFSM alimentaram a base de dados com informações relativas aos animais encontrados no Campo de Instrução de Santa Maria (Cism), do Exército Brasileiro, e no Parque Estadual Morro do Diabo, no estado de São Paulo. No Cism, o monitoramento foi realizado de 1996 a 1998. As principais espécies encontradas foram as seguintes: Anfíbios (sapos, pererecas e rãs): - Sapo-cruz (Rhinella henseli); - Sapo-cururu (Rhinella icterica); - Perereca-do-banhado (Boana pulchella); - Perereca-rajada (Dendropsophus minutus); - Perereca (Dendropsophus sanborni); - Rã-boiadora (Pseudis minuta); - Perereca-de-banheiro (Scinax fuscovarius); - Perereca-de-banheiro (Scinax granulatus); - Perereca-nariguda (Scinax squalirostris); - Rã-do-charco (Leptodactylus chaquensis); - Rã-assobiadora (Leptodactylus fuscus); - Rã-listrada (Leptodactylus gracilis); - Rã (Leptodactylus latinasus); - Rã-crioula (Leptodactylus latrans); - Rã-de-bigodes (Leptodactylus mystacinus); - Rã-chorona (Physalaemus biligonigerus); - Rã-cachorro (Physalaemus cuvieri); - Rã-de-inverno (Physalaemus henselii); - Rãzinha-de-Rio-Grande (Physalaemus riograndensis); - Rãzinha (Pseudopaludicola falcipes); - Rãzinha (Pseudopaludicola cuvieri); - Sapinho-guarda (Elachistocleis bicolor); - Sapo-da-enchente (Odontophrynus americanus). Répteis (serpentes): - Anfisbena-de-crista (Amphisbaena kingii); - Cobra-de-vidro-dourada (Ophiodes fragilis); - Cobra-de-vidro (Ophiodes striatus); - Jararacuçu-do-brejo (Palusophis bifossatus); - Cobra-de-cabeça-preta (Tantilla melanocephala); - Cobra-da-terra (Atractus reticulatus); - Muçurana (Boiruna maculata); - Jararaquinha-do-campo (Erythrolamprus almadensis); - Cobra-d’água-verde (Erythrolamprus jaegeri); - Cobra-de-capim (Erythrolamprus poecilogyrus); - Cobra-lisa (Erythrolamprus semiaureus); - Cobra-d’água-meridional (Helicops infrataeniatus); - Corredeira-listrada (Lygophis flavifrenatus); - Falsa-coral amazônica (Oxyrhopus rhombifer); - Papa-aranha (Philodryas agassizii); - Cipó-listrada (Philodryas olfersii); - Papa-pinto (Philodryas patagoniensis); - Dormideira (Dipsas ventrimaculata); - Corredeira-pintada (Taeniophallus occipitalis); - Corredeira-carenada (Thamnodynastes hypoconia); - Corredeira-lisa (Thamnodynastes strigatus); - Cobra-espada comum (Tomodon dorsatus); - Cobra-nariguda (Xenodon dorbignyi); - Boipeva (Xenodon merremii); - Coral-verdadeira (Micrurus altirostris); - Cruzeira (Bothrops alternatus); - Jararaca-pintada (Bothrops diporus); - Jararaca-do-pampa (Bothrops pubescens); Répteis (lagartos e lagartixas): - Lagartixa-marrom (Cercosaura schreibersii); - Calango-liso (Aspronema dorsivittatum); - Teiú (Salvator merianae); - Teiú-verde (Teius oculatus).]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/03/26/estudo-apresenta-as-mais-antigas-evidencias-de-brigas-entre-dinossauros Wed, 26 Mar 2025 19:52:26 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=68643 Fóssil de Gnathovorax cabreirai, um herrerassaurídeo com lesões ósseas preservadas no maxilar (foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption] Paleontólogos da UFSM publicaram nesta quarta-feira (26) um estudo no periódico científico The Science of Nature onde apresentam evidências de que os primeiros dinossauros carnívoros de grande porte brigavam entre si. Os pesquisadores encontraram marcas de lesões ósseas cicatrizadas em crânios fossilizados de dinossauros escavados no Brasil e na Argentina. As lesões indicam que esses dinossauros teriam se envolvido em disputas agressivas, possivelmente por comida, território ou parceiros. A pesquisa foi realizada pelo estudante de doutorado Maurício Silva Garcia, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob supervisão do paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller. Além disso, também contou com a colaboração do paleontólogo argentino Ricardo Martínez, da Universidad Nacional de San Juan. Durante a pesquisa, foram examinados fósseis de herrerassaurídeos, um grupo de dinossauros predadores que viveu há cerca de 230 milhões de anos. Com garras longas e dentes afiados, alguns herrerassaurídeos poderiam ter ultrapassado 6 metros de comprimento. Estes dinossauros são alguns dos mais antigos já descobertos e são importantes para se entender a origem e evolução inicial do grupo. De acordo com os resultados do estudo, quase metade dos crânios analisados apresentava sinais de ferimentos cicatrizados, sugerindo que esses dinossauros mordiam uns aos outros durante confrontos. Essas lesões representam a evidência mais antiga conhecida de confronto intraespecífico entre dinossauros. Este comportamento é observado de forma semelhante em diversos animais que vivem atualmente, especialmente crocodilianos. Análises minuciosas dos fósseis revelam que as marcas não foram causadas após a morte do animal ou por outros predadores. Em vez disso, elas demonstram sinais de cicatrização, o que indica que os ferimentos ocorreram enquanto os dinossauros ainda estavam vivos. Estudos prévios também já reportaram esse tipo de comportamento em dinossauros que viveram em períodos posteriores, como o Tyrannosaurus rex, mas esta é a primeira vez que tais evidências foram encontradas em dinossauros do período Triássico. Isso revela que o comportamento de disputas territoriais e hierárquicas pode ter surgido já durante o início da evolução dos dinossauros. [caption id="attachment_68646" align="alignleft" width="518"] Dois Gnathovorax se enfrentam em uma paisagem triássica do sul do Brasil há 230 milhões de anos (ilustração: Caio Fantini)[/caption] O estudo destaca como a análise de patologias em fósseis pode ajudar em um melhor entendimento da origem e evolução do comportamento em dinossauros. Essas marcas oferecem pistas sobre como essas criaturas interagiam milhões de anos atrás, logo no início da evolução dos dinossauros, oferecendo uma janela para entender o comportamento e a ecologia desses animais extintos.

Cappa

Os restos fósseis de um dos dinossauros estudados, o Gnathovorax cabreirai, assim como uma série de outros achados, estão depositados no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM, que fica localizado no município de São João do Polêsine, integrante do Geoparque Quarta Colônia Unesco. No centro de pesquisa há uma exposição de fósseis que pode ser visitada sem custo. O artigo intitulado Craniofacial lesions in the earliest predatory dinosaurs indicate intraspecific agonistic behavior at the dawn of the dinosaur era (“Lesões craniofaciais nos primeiros dinossauros predadores indicam comportamento agonístico intraespecífico no início da era dos dinossauros”) pode ser acessado aqui. A pesquisa recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Paleovert. Texto: Cappa]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/02/06/pesquisadores-trazem-alerta-sobre-o-alto-indice-de-letalidade-da-dengue-no-rs Thu, 06 Feb 2025 19:10:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=68234 texto publicado na revista científica IJID Regions. A publicação é editada pela International Society for Infectious Diseases (ISID), na plataforma Elsevier. No ano passado foi observado um crescimento global da dengue, com mais de 14 milhões de casos registrados mundialmente, dos quais 6,5 milhões ocorreram no Brasil, causando cerca de 6 mil mortes. O grupo identificou uma alta letalidade em casos graves no Rio Grande do Sul, na comparação com outros estados com maior incidência histórica da doença, a exemplo de Pernambuco e Rio de Janeiro. “O estado do Rio Grande do Sul tem sido historicamente menos afetado, mas registrou aumento significativo de incidência e mortalidade nos últimos quatro anos”, explica o pesquisador da Fiocruz Pernambuco Gabriel Wallau, que assina o artigo ao lado de outros profissionais do Núcleo de Bioinformática e do Departamento de Entomologia da Fiocruz PE, bem como do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e UFSM. Wallau atua na UFSM, em exercício provisório, no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal. Além dele, também participa como autor do artigo o médico e professor Alexandre Vargas Schwarzbold, que leciona no curso de Medicina da UFSM e também atua no Hospital Universitário de Santa Maria. A proporção elevada de idosos no RS, que é a maior do Brasil; população não previamente exposta à dengue; baixa conscientização para detectar e tratar casos de dengue antes que evoluam para casos graves e os desafios no manejo de pacientes idosos com dengue grave são alguns fatores sugeridos pelos cientistas para explicar essa letalidade aumentada. Entretanto, não foi possível testar essas hipóteses como possíveis explicações para uma maior mortalidade em idosos devido ao delineamento do estudo, uma vez que os autores não tiveram acesso aos dados clínicos dos pacientes. Outro dado que chamou atenção é a ausência de maiores variações de sorotipos e de genótipos do vírus da dengue no RS em comparação com outros estados brasileiros, demonstrando que as razões de aumento de mortalidade no estado não devem estar associadas à genética do vírus. Os cientistas utilizaram dados comparativos de letalidade para fazer esse chamado sobre a importância de proteger os grupos mais vulneráveis, uma vez que foi evidente a maior letalidade em idosos que evoluíram para dengue grave no Rio Grande do Sul em 2024. Para os autores, é urgente que se implemente na saúde pública uma abordagem integrada para aumentar a conscientização da sociedade, reduzir populações de mosquitos transmissores e mitigar o impacto da dengue, preparando os serviços de atendimento à população para identificar os casos em risco de agravamento para atuar de forma mais rápida no controle da doença e evitar mortes. Texto: Assessoria de Comunicação da Fiocruz PE]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/11/26/efauna Tue, 26 Nov 2024 12:37:44 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67736
Escolas de Santa Maria podem usar o aplicativo “eFauna UFSM” para ver os animais registrados de forma complementar a aulas de Ciências e Biologia

A partir de agora, a comunidade acadêmica poderá contribuir com as pesquisas da Universidade sobre a biodiversidade em questão de segundos. Na última quinta-feira (21), ocorreu o lançamento do aplicativo “eFauna UFSM”, que busca estimular o interesse dos estudantes em conhecer a fauna por meio do registro de animais avistados n campus sede. O evento aconteceu no Jardim Botânico.

 

A iniciativa tem o propósito de incentivar a criação de uma rede de voluntários para divulgar a diversidade de vertebrados que habitam os arredores da instituição com base nos princípios da ”ciência cidadã”, de uma produção de conhecimento de forma coletiva e participativa. O aplicativo está disponível gratuitamente na Play Store e pode ser instalado em celulares com sistema operacional Android a partir da versão 9 Pie.

 

O projeto eFauna UFSM surgiu em maio de 2023 e foi desenvolvido pelo professor Enio Giotto, do Departamento de Engenharia Rural, e pelos acadêmicos Fabrício Ramos e Lorenzo Lengedolff, do curso de Redes de Computadores, com coordenação da professora Marilise Krügel, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental. 

A docente contou que o programa foi elaborado também com a ideia de ser uma ferramenta de aprendizagem que une diferentes campos do conhecimento. “Esta interface contribui para a formação do aluno, qualifica o ensino de graduação e estimula ações de compromisso e ética com o meio ambiente. São muitas as disciplinas obrigatórias nas áreas de zoologia, ecologia, biodiversidade e manejo de fauna silvestre que se conectam com o aplicativo, abrangendo os cursos de Zootecnia, Engenharia Florestal, Ciências Biológicas, Técnico em Meio Ambiente e Tecnologia em Gestão Ambiental”, explicou Marilise.

 

Ao abrir o APP eFauna e acessar a aba “Conhecendo a Fauna”, é possível encontrar a listagem completa das 339 espécies de vertebrados terrestres já registrados no campus sede da UFSM. Isso, inclusive, pode ser útil para as escolas de Santa Maria usem de forma complementar às aulas de Ciências ou Biologia, como aconselha a professora. Caso o indivíduo não reconheça a espécie, o registro pode ser feito normalmente para, na sequência, ser avaliado pelos moderadores do aplicativo e devidamente identificado.

 

Conhecer as espécies que dividem os mesmos ambientes que as pessoas e contribuir para os estudos na área impacta diretamente na questão da proteção e conservação ambiental, como explica a coordenadora do eFauna UFSM: “ainda existem muitas lacunas, mas sabe-se que as mudanças climáticas impactam diretamente sobre as populações de animais e plantas de diferentes formas”. A professora Marlise exemplifica: “as múltiplas interações entre animais e plantas como, por exemplo, a polinização, o controle de insetos e a dispersão de sementes, geram inúmeros benefícios ecossistêmicos. Garantir a manutenção dos serviços ecossistêmicos é valioso e imprescindível para o enfrentamento das mudanças climáticas”. 

 

Para entender mais, o internauta pode acessar o perfil do projeto no Instagram.

 

Texto: Pedro Pereira, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos: Laurent Keller, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Maurício Dias, jornalista

Foto colorida horizontal de um grupo de pessoas reunidas em um espaço com várias árvores em volta
Aplicativo “eFauna UFSM” busca construir uma rede de voluntários para registrar animais avistados no campus sede e, assim, contribuir com pesquisas sobre a biodiversidade
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/10/11/ufsm-participa-de-descoberta-de-nova-especie-de-tatu-extinto-no-parana Fri, 11 Oct 2024 12:21:17 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67176 [caption id="attachment_67177" align="alignright" width="504"]imagem colorida horizontal mostra um tatu em um ambiente natural Reconstrução artística do "Parutaetus oliverai" (Por Márcio L. Castro)[/caption]

Os tatus são mamíferos fascinantes, conhecidos por sua armadura natural: uma carapaça dura e articulada que cobre boa parte de seu corpo, funcionando como uma defesa eficaz contra predadores. Eles vivem principalmente nas Américas, com a maior concentração de espécies na América do Sul. No entanto, sua diversidade era muito maior no passado, como demonstram os fósseis encontrados em várias regiões do continente. O Brasil é um dos principais locais de descobertas desses fósseis, incluindo alguns dos registros mais antigos de tatus.

Recentemente, a pesquisadora Tabata Klimeck, da UFSM, junto com seus colegas Martin Ciancio (Museo de La Plata, Argentina), Fernando Sedor (Museu de Ciências Naturais, UFPR) e Leonardo Kerber (Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/CAPPA, UFSM), descreveu uma nova espécie de tatu extinto, chamada Parutaetus oliveirai.

[caption id="attachment_67178" align="alignleft" width="505"]foto colorida retangular com uma mão aberta e dentro dela 4 pequenos pedaços de ossos quadrados, do tamanho de uma unha Osteodermos de "Parutaetus oliveirai"[/caption]

Os fósseis dessa nova espécie, compostos por osteodermos (as placas que formam a carapaça), foram encontrados na Formação Guabirotuba, em Curitiba, Paraná. Após uma análise minuciosa, utilizando microtomografia computadorizada, os cientistas identificaram essa nova espécie com base em características únicas desses osteodermos, e descobriram que ela é relacionada aos Euphractinae, um grupo que inclui o tatu-peludo ou tatu-peba, muito comum no Brasil.

Além disso, a equipe observou que esses osteodermos apresentavam um número maior de forames, onde pelos se inseriam. Essa característica indica que a espécie possuía uma cobertura de pelos mais densa em comparação com outras formas próximas. Essa característica se alinha com um período mais frio ocorrido no final do Eoceno.

A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado de Tabata Klimeck no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM e representa uma importante contribuição para o estudo da evolução e adaptação dos tatus no passado e ajuda a entender a origem da biodiversidade do país.

O artigo pode ser conferido no link.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/02/01/uma-mordida-impressionante-unindo-paleontologia-e-engenharia-cientistas-gauchos-recriam-o-habito-de-caca-de-um-predador-extinto-ha-mais-de-230-milhoes-de-anos Thu, 01 Feb 2024 14:31:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65109 [caption id="attachment_65110" align="alignright" width="385"] Parecidos, mas nem tanto: nos modelos analisados no novo estudo, observa-se a convergência evolutiva na prática. De cima para baixo, o crânio do proterocâmpsio, "Proterochampsa nodosa" (a), com um focinho alongado e achatado, similar ao de crocodilianos viventes, como o gavial-da-malásia, "Tomistoma schlegelii" (b), e o aligátor "Alligator mississippiensis" (c).[/caption]

Compreender os hábitos de vida de animais que há muito tempo desapareceram de nosso planeta é um desafio que intriga paleontólogos há séculos. Isso porque esses cientistas têm nos ossos fossilizados sua única evidência para reconstruir a história de vida desses seres do passado.

Isso não impediu uma equipe de pesquisadores gaúchos de investigar a fundo os hábitos alimentares de um animal extinto há mais de 230 milhões de anos. Usando tecnologias avançadas e a criatividade, especialistas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) reconstruíram o hábito alimentar da espécie Proterochampsa nodosa, um réptil que viveu no Rio Grande do Sul há cerca de 230 milhões de anos. Descoberto há mais de 40 anos no município de Candelária, esta é a primeira vez que o animal é submetido a análises biomecânicas, em um estudo inédito.

“Os proterocâmpsios são animais curiosos, porque seu crânio lembra muito o dos atuais jacarés e crocodilos, apesar de não terem nenhum tipo de parentesco evolutivo”, explica Daniel Simão de Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, que liderou o estudo. “O interessante, contudo, é que eles adquiriram essa morfologia antes de os primeiros crocodilos aparecerem em nosso planeta”.

Foi essa aparente semelhança que inspirou o estudo publicado no periódico norte-americano The Anatomical Record. No trabalho, os cientistas reconstruíram a morfologia do crânio e da mandíbula do animal, e identificaram os pontos onde a musculatura se alojava. Isso permitiu que eles estimassem, músculo a músculo, a força com a qual o animal era capaz de morder suas presas.

“Foi um processo longo”, explica Daniel. “O primeiro passo envolveu tomografar os ossos do crânio do animal, e isolar os elementos digitalmente, para criar um modelo virtual do crânio. Foi a partir desse modelo que pudemos então reconstruir a musculatura do animal”.

A partir dos modelos gerados, os pesquisadores estudaram a mordida do animal utilizando softwares de simulação virtual. Com base em tecnologias empregadas na Engenharia Mecânica, os cientistas puderam, pela primeira vez, analisar como a ação dos músculos impactava o crânio da espécie.

[caption id="attachment_65111" align="alignleft" width="461"] Acima, iustração esquemática da reconstrução da musculatura do crânio de "Proterochampsa nodosa". Cada uma das cores representa um grupo muscular distinto, que foi posteriormente mapeado no modelo biomecânico. Abaixo (b), reconstrução artística do animal em vida. Arte de Márcio L. Castro[/caption]

“Foi realizada uma análise biomecânica do crânio, usando técnicas numéricas”, explica o professor Tiago dos Santos, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSM, que participou do estudo. “Aplicando virtualmente as forças dos músculos sobre os ossos da mandíbula, fomos capazes de estimar os esforços mecânicos experimentados pela estrutura óssea do animal, em diversos cenários de mordida”.

Entre as descobertas, os cientistas desvendaram que o animal era capaz de desferir mordidas poderosas, comparáveis a dos aligátores modernos. 

“Esse olhar multidisciplinar é um aspecto interessante do nosso trabalho. Unindo especialistas de diferentes áreas, da Biologia à Engenharia, conseguimos ver o Proterochampsa de uma forma que ninguém havia visto antes”, avalia o paleontólogo Flávio Pretto, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM. “Em uma época em que os dinossauros estavam recém surgindo em nosso planeta, já tínhamos um animal capaz de subjugar suas presas com uma mordida impressionante”.

Comparando os modelos a animais viventes com morfologias similares, como o aligátor americano e o gavial-da-malásia, os pesquisadores compararam a performance de suas mordidas.

[caption id="attachment_65112" align="alignright" width="570"] Simulação da mordida de "Proterochampsa nodosa". À esquerda, distribuição dos esforços na mandíbula do animal. As cores mais claras indicam os locais onde os esforços mecânicos se concentravam, quando o animal desferia sua mordida com força máxima. À direita, reconstrução artística do animal em vida. Arte de Márcio L. Castro[/caption]

“A evolução por vezes gera animais com morfologias similares”, explica o professor Felipe Pinheiro, do Laboratório de Paleobiologia da Unipampa. “É um fenômeno que conhecemos como Convergência Evolutiva, que frequentemente vemos no registro fóssil. A pergunta por trás disso é: será que por terem a mesma forma, esses animais se comportavam de maneira similar?”.

A resposta é que, ainda que fossem capazes de gerar forças de mordida poderosas, os proterocâmpsios sobrecarregavam sua mandíbula com esforços mecânicos consideráveis – muito maior que o sofrido por animais viventes – o que aponta que talvez esse não fosse um hábito usual daqueles animais.

[caption id="attachment_65113" align="alignleft" width="512"] De volta à vida. Na reconstrução (arte de Márcio L. Castro), uma dupla de Proterochampsa às margens de um rio, há 230 milhões de anos. É possível que alguns proterocâmpsios, como o "Proterochampsa nodosa", vivessem em corpos de água rasa, caçando diferentes animais, como fazem alguns crocodilianos hoje em dia[/caption]

“Talvez o Proterochampsa guardasse sua mordida poderosa para ocasiões especiais, de modo a poupar sua estrutura de eventuais lesões. Provavelmente fosse um animal generalista, e caçasse desde presas pequenas, até animais maiores, da mesma forma que fazem os jacarés atuais”, conclui Daniel.

“Essa é a beleza e a dor-de-cabeça da Paleontologia”, brinca Flávio. “Enquanto os zoólogos podem observar o comportamento dos animais que estudam diretamente na natureza, na Paleontologia, precisamos dar uma volta um pouquinho mais longa, e usar da ciência e da criatividade que temos à disposição para tentar reconstruir o passado remoto da melhor maneira possível. É um desafio definitivamente instigante”.

Na simulação abaixo, os pesquisadores reconstruíram a distribuição de esforços mecânicos (áreas com cores quentes), e a deformação sofrida pela mandíbula de Proterochampsa nodosa. No estudo, os pesquisadores simularam diferentes tipos de mordida, testando a performance do animal em vários cenários hipotéticos.

 

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/11/24/paleontologo-da-ufsm-participa-de-atividades-em-acelerador-de-particulas-na-franca Fri, 24 Nov 2023 19:07:35 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64643 O paleontólogo da UFSM Leonardo Kerber esteve no ESRF no período de 16 a 20 de novembro (foto: arquivo pessoal)[/caption] Paleontólogo vinculado ao Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da (Cappa) e ao Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, Leonardo Kerber tem atuado na busca por respostas sobre os cinodontes não-mammaliaformes, ancestrais diretos dos mamíferos. Seu enfoque na análise de fósseis utiliza, desde 2016, a tecnologia de tomografia computadorizada. Recentemente, Kerber ampliou os horizontes de sua pesquisa ao participar ativamente, no período de 16 a 20 de novembro, de uma série de atividades no European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), instalação de pesquisa de ponta localizada em Grenoble, na França. Neste centro de referência internacional, fósseis desses animais foram submetidos a uma minuciosa e revolucionária técnica de escaneamento, alcançando uma resolução muito maior do que a alcançada em tomógrafos brasileiros. Foram levados até lá fósseis de cinodontes probainognátios, incluindo as espécies Prozostrodon brasiliensis e Trucidocynodon riograndensis. Também foram tomografados fósseis de outros países, como Estados Unidos, Tanzânia e China. O ESRF é um dos mais poderosos aceleradores de partículas do mundo, conhecido como um “síncrotron”. Trata-se de uma fonte de luz síncrotron, produzida quando partículas carregadas, como elétrons, são aceleradas a velocidades próximas à da luz e dirigidas ao redor de um anel magnético gigante. Esse processo gera raios X de alta energia e outras radiações eletromagnéticas que são utilizadas em uma ampla gama de pesquisas científicas, em áreas como física, química, biologia, ciência dos materiais e, também, paleontologia. Cientistas de todo o mundo usam as instalações do ESRF para realizar experimentos e análises de alta precisão em uma variedade de amostras, incluindo fósseis e estruturas biológicas complexas. A tecnologia de ponta oferecida pelo ESRF é crucial para estudos que requerem detalhes de resolução extremamente alta, como os utilizados na pesquisa paleontológica mencionada. O principal objetivo desse estudo inovador é desvendar os segredos internos do crânio desses cinodontes. Em particular, a equipe almeja reconstruir detalhadamente o complexo sistema do ouvido interno desses seres, buscando esclarecer e interpretar a origem da endotermia nos mamíferos modernos. Além da significativa participação de paleontólogos brasileiros, o projeto conta com o apoio e a expertise de destacados pesquisadores de países como Portugal, Estados Unidos, França, Inglaterra e Argentina. Esse esforço conjunto promete revelar informações cruciais sobre a evolução e os processos que levaram à origem dos mamíferos. A próxima etapa do projeto consiste na análise dessas tomografias, a fim de observar a anatomia interna dos crânios. Com informações do Cappa]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/11/24/novo-fossil-de-dinossauro-e-encontrado-pelo-cappa-ufsm-em-restinga-seca Fri, 24 Nov 2023 13:33:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64625 [caption id="attachment_64627" align="alignright" width="755"]Imagem colorida horizontal de um dinossauro, corpo longilíneo, cor térrea, ao fundo árvores Reconstrução em vida do dinossauro em um ambiente triássico (Arte: Johhny Pauly)[/caption]

Um estudo publicado no periódico científico The Anatomical Record em 16 de novembro apresentou o segundo registro de um dinossauro para o município de Restinga Sêca. O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Maurício S. Garcia, Flávio A. Pretto, Sérgio F. Cabreira, Lúcio R. da Silva e Rodrigo T. Müller, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM.

O achado é particularmente significativo pelo fato de que fósseis de dinossauros ainda são raros no município de Restinga Sêca, Rio Grande do Sul. O espécime em questão consiste de um ílio esquerdo – osso que faz parte da cintura – descoberto por Dionatan Cabreira enquanto ajudava o pai, Sérgio, a procurar fósseis. As características ósseas indicam que o fóssil pertenceu a um dinossauro de um grupo chamado de Herrerasauria. No mundo, dinossauros desse grupo são conhecidos no Brasil, Argentina e Estados Unidos. Surpreendentemente, o estudo revelou mais semelhanças com as formas encontradas na América do Norte.

[caption id="attachment_64628" align="alignleft" width="612"]foto colorida horizontal mostra em destaque uma mão segurando um osso basicamente do mesmo tamanho, abaixo uma mesa com outros ossos Ilío de um dinossauro escavado em Restinga Sêca (Foto: Jeung Hee Schiefelbein)[/caption]

Os herrerassauros compreendem um grupo intrigante de dinossauros que existiram por volta de 230 milhões de anos atrás, no Período Triássico. Esses animais representam os primeiros dinossauros predadores de médio a grande porte, podendo atingir até 6 metros de comprimento. Embora a condição fragmentária do novo fóssil impeça o seu reconhecimento em nível de espécie, a descoberta sugere a presença de uma diversidade oculta de dinossauros no Triássico do Rio Grande do Sul, já que ele é diferente de todos os outros herrerassauros brasileiros.

Esse fato destaca a importância de se analisar espécimes fragmentários para que se quantifique com maior precisão a diversidade de formas extintas. Por fim, a descoberta destaca o Brasil como um local crucial para a pesquisa paleontológica, fornecendo informações valiosas sobre os estágios iniciais da evolução dos dinossauros e adicionando um capítulo importante à rica história dos dinossauros sul-americanos.

A pesquisa recebeu apoio do CNPq e da Capes e foi desenvolvida como parte da dissertação de mestrado de Maurício Silva Garcia, pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller, do Cappa/UFSM.

O fóssil está tombado na coleção científica do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/UFSM em São João do Polêsine.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/09/14/excelencia-de-ppgs-da-ufsm Wed, 14 Sep 2022 18:13:06 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=59690

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) divulgou o resultado da Avaliação Quadrienal dos cursos de pós-graduação referente ao período 2017-2020. A UFSM obteve resultados positivos expressivos, com aumento da nota em 25 Programas de Pós-Graduação (PPGs).

Dos PPGs da UFSM analisados pela Capes, 4 obtiveram conceito 7, nota mais alta na avaliação. Os programas de pós-graduação em Medicina Veterinária e Química mantiveram o conceito já obtido em avaliações anteriores e os programas de Ciência do Solo e Engenharia Elétrica aumentaram a nota de 6 para 7. Além destes, a UFSM também possui outros três programas com conceito 6: Agronomia, Biodiversidade Animal e Ciências Biológicas: Bioquímica Toxicológica. Outros 21 programas possuem conceito 5, indicando grande qualidade e consolidação em suas áreas.

Os passos em direção ao grande objetivo

Ao todo, 25 PPGs da Universidade aumentaram a nota nesta avaliação. Nove cursos que antes possuíam apenas mestrado, por terem elevado sua pontuação, poderão propor doutorado. Em reunião de conselho com os coordenadores dos PPGs, o reitor, Luciano Schuch, comemorou o resultado da Universidade, ao mesmo tempo em que alertou para indicadores fixos, os quais são cruciais para que a Instituição alcance um de seus objetivos propostos no Plano de Desenvolvimento Institucional: a nota 5 no Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério da Educação (MEC). Ao final do semestre, com a boa avaliação dos PPGs da UFSM na CAPES e com o resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), a UFSM pode subir de posição. 

Para isso, Schuch entende que, para além de criar novos programas, o crucial neste momento é o fortalecimento e consolidação dos já existentes. Na mesma perspectiva, a  Pró-Reitora de Pós-graduação e Pesquisa, Cristina  Nogueira, afirma que o momento é de qualificar os PPGs. “O nosso grande objetivo é qualificar, porque nós já temos programas de pós-graduação em quase todas as áreas do conhecimento, cerca de 70 ou 80%”, esclarece. Outra possibilidade elencada pelos gestores é a fusão de PPGs, para evitar a sobreposição de áreas. “Nossa gestão estuda fundir PPGs e deixá-los mais fortes, consolidados e de excelência”, destaca Cristina. 

Momento histórico e de consolidação

Para a Pró-Reitora, esse é um momento histórico, pois há 20 anos a quantidade e a qualidade dos programas vem aumentando. Também, ela acredita que as notas refletem um amadurecimento da comunidade acadêmica, aliado ao papel das gestões anteriores, as quais “pavimentaram o caminho”, como diz Cristina. Para a continuidade desse progresso, ela analisa que deve-se fazer um trabalho sério, a fim de que os altos conceitos se mantenham e os médios os alcancem, pois já se passaram dois anos para o próximo quadriênio e, assim “é como se estivéssemos olhando uma foto de dois anos atrás. E neste período, os programas já estão produzindo mais ainda”, explica. 

Agora, a partir desta avaliação, a UFSM está com 48,3% de cursos consolidados. Isto é, programas com conceito a partir de 5. Ao comparar com avaliações anteriores, pode-se notar que a maioria costumava ser conceito 3 a 4, com apenas 20% dos cursos consolidados. “Agora nós fizemos essa virada, por isso é histórico. Mas também não se consolidam programas do dia para a noite. Então nós estamos colhendo os frutos de um trabalho sério desenvolvido ao longo dos anos”, celebra a Pró-Reitora. 

Por trás dos números, muita dedicação

  • Biodiversidade: Um dos programas que mais se destacou na avaliação da CAPES foi o PPG em Biodiversidade Animal. Isso porque sua nota deu um salto desde a última avaliação: estava com 4 em 2016, e agora está com 6. Uma realização para o seu coordenador, o professor André Schuch. Para ele, isso se deve ao foco do programa na qualidade da formação dos alunos e na elaboração de relatório na plataforma Sucupira - quando a CAPES recebe informações para realizar sua avaliação. 

Ao longo dos cinco anos à frente da coordenação, André exalta o apoio dado pelo pessoal da PRPGP. Entre as metas futuras, está o trabalho na divulgação internacional do programa. A fim de continuar sua crescente, o coordenador pretende usar as novas ferramentas propostas pela UFSM para promover seu planejamento e autoavaliação. “Antigamente, fazíamos tudo na mão mesmo. Agora temos software para nos ajudar a comparar com outros programas”, aponta, complementando que a luta por mais recursos para projetos e bolsas acadêmicas sempre será fundamental. 

  • Medicina Veterinária: Já é a terceira vez que o Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária (PPGMV) recebe o conceito 7 pela CAPES. A coordenadora, Fernanda Silveira Flores Vogel, acredita que a nota traduz o trabalho da comunidade científica e a seriedade da coordenação. Um dos méritos do programa é o fato dos artigos científicos serem publicados em periódicos de alto valor de impacto e possuírem alta taxa de citação. 

A internacionalização não fica de fora do PPG. O programa é consolidado em diversos países como Estados Unidos e Canadá, além de suas parcerias com o CAPES-PrInt. O  PPGMV tem em seu corpo docente dois professores visitantes dos países mencionados. Fernanda também destaca o foco na formação dos acadêmicos, que saem do PPG com grande qualificação: "Além disso ressalta-se a qualidade dos nossos egressos. A maior parte estão bem colocados no mercado de trabalho”, conta. 

  • Química: Na  Pós-Graduação em Química a história não é diferente, manteve-se a nota máxima. O coordenador, Cezar Augusto Bizzi, atribuí o feito à comunidade acadêmica, como os docentes, estudantes e servidores. Ademais, ele define a pesquisa realizada no PPG como “na fronteira do conhecimento”, devido ao seu nível avançado, o qual é comparável à produção científica  internacional. Como resultado, observa um corpo docente motivado, que trabalha incansavelmente, e um corpo discente que dá suporte para que a pesquisa aconteça através de seus trabalhos na pós-graduação, exalta Bizzi. “Basicamente, a ‘máquina’ funciona nessa motivação constante que nós temos das pessoas, tanto professores como e estudantes, para que a pesquisa seja feita com o máximo de qualidade possível” reitera. 

Sobre a manutenção do conceito 7, o professor entende que é um reconhecimento do trabalho realizado a longo prazo e que possui grande destaque, também, no cenário internacional. Para ele, esse aspecto é fundamental, pois atrai a atenção de pesquisadores de todas as partes, em uma procura crescente, a qual gera um senso de estrutura da Instituição cada vez mais aprimorado, orgulha-se o coordenador. 

  • Engenharia Elétrica:  A Pós-Graduação em Engenharia Elétrica (PPGE) também é referência em qualidade, principalmente agora que subiu do conceito 6 para o 7. Porém, nem sempre foi assim. Nos anos 90, o programa recebeu uma recomendação de fechamento do curso por parte da CAPES. Isso fez com que um grupo de professores da época se organizassem e trabalhassem com um planejamento estratégico com foco nos indicadores da CAPES a fim de reverter a situação. O coordenador, Marco Antônio Dalla Costa, conta que, desde então, todas as ações foram feitas não só para recuperar o conceito favorável da CAPES, mas também para atingir a nota máxima. “Isso é resultado de um planejamento realizado há cerca de 30 anos, que passou desde uma recomendação de descredenciamento do programa a um dos principais em nível de excelência", explica.  

Para a consolidação da nota 7, a internacionalização mais uma vez tem papel fundamental, através de diversos projetos de cooperação internacional realizados pelo PPGE nos últimos anos. Marco Antônio reconhece, também, o papel de se relacionar com a indústria nacional, buscando financiamentos de empresas e concessionárias de energia, seja para melhorar a infraestrutura de laboratórios, seja para promover bolsas para alunos trabalharem em projetos. Paralelamente, o professor ressalta que essa conquista só foi possível com o apoio de toda a PPGE e seus componentes, como professores, alunos e técnicos-administrativos em educação. 

  • Ciência do Solo: o Prógrama de Pós-Graduação em Ciência do Solo (PPGCS) subiu sua avaliação de 6 para 7 neste quadriênio. O coordenador, Rodrigo Josemar Seminoti Jacques, atribui esse resultado a um trabalho de longo prazo desenvolvido por docentes, TAES e acadêmicos vinculados ao PPGCS, que estão extremamente comprometidos com a constante melhoria do programa. "É um processo de planejamento estratégico complexo, de engajamento da comunidade acadêmica com a qualificação do programa. São todos trabalhando na mesma direção, em busca de resultados de qualidade", explica o coordenador.

A internacionalização também é citada como ponto fundamental dessa nota. O PPGCS conta com docentes estrangeiros e viabiliza o intercâmbio de acadêmicos para outros países, além das publicações em revistas bem conceituadas e de alto impacto. Como resultado o coordenador afirma que agora as portas podem se abrir para maiores investimentos, tanto governamentais como de agências privadas, novas oportunidades ligadas ao setor produtivo, parcerias, trocas com outros programas de excelência, além de um maior reconhecimento por parte dos estudantes que buscam qualificação na área. Para Rodrigo o desafio que se impõe agora é a manutenção desta nota. "Não vamos nos acomodar, queremos manter a excelência! Seguimos discutindo e buscando melhorias para o programa. Esse processo é contínuo", finaliza. 

Como funciona a avaliação dos PPGS feita pela CAPES 

Ligada ao MEC, a CAPES é responsável pelo fomento, regulação e avaliação da pós-graduação no Brasil. A cada 4 anos uma avaliação  dos programas é realizada. Os resultados apresentados agora são referentes aos anos de 2017 a 2020 e servem de referência para a concessão de auxílios por parte das agências de fomento, indicar o estágio de desenvolvimento e a qualidade de cada programa. O conceito pode fazer com que os programas possam abrir novos cursos, ganharem ou perderem bolsas ou mesmo serem descredenciados.

Dentre os critérios gerais de avaliação estão a produção científica de docentes e discentes, publicação em revistas com bom Qualis, formação do corpo docente e discente, além do impacto social do programa. 

Depois da avaliação, os PPGS são classificados em conceitos que variam entre 1 e 7. Quando os programas recebem o conceito 1 ou 2, têm a autorização de funcionamento cancelada e perdem o reconhecimento dos cursos que oferecem. A nota 3 implica em um desempenho regular, atendendo ao padrão mínimo de qualidade. O conceito 4 é considerado um bom desempenho e é o valor exigido para que um programa possa ofertar doutorado. A nota 5 significa que o programa é muito bom, sendo a máxima para PPGs que ofertam apenas mestrado. Os conceitos 6 e 7 atestam a excelência de um PPG em nível internacional e essas notas só podem ser alcançadas por PPGs que oferecem doutorado.

Texto: Gabrielle Pillon, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/03/04/descoberto-no-brasil-o-mais-antigo-precursor-dos-dinossauros-da-america-do-sul Fri, 04 Mar 2022 13:16:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=57858 [caption id="attachment_57859" align="alignright" width="531"]imagem colorida horizontal mostra o desenho de dois pequenos dinossauros ao lado de um animal maior, do qual se veem apenas os pés e parte da perna Precursores dos dinossauros em uma paisagem do Triássico Médio do Rio Grande do Sul (Ilustração: Caetano Soares)[/caption]

O Brasil e a Argentina detêm os registros mais antigos de dinossauros do mundo, com cerca de 233 milhões de anos. Os depósitos sedimentares argentinos preservam animais considerados ancestrais próximos dos dinossauros. Esses animais ajudam a entender como se deu a origem dos dinossauros, quais as características que foram mais importantes durante o início da evolução do grupo e quando que os “verdadeiros” dinossauros podem ter surgido. Escavadas em rochas com 236 milhões de anos no noroeste da Argentina, tais criaturas são geralmente pequenas, com pouco mais de um metro de comprimento.

Enquanto que o registro de precursores dos dinossauros em rochas mais antigas do que aquelas que preservam os primeiros dinossauros é relativamente abundante na Argentina, aqui no Brasil não existem registros claros até o momento. Na verdade, não até esta semana. Um novo exemplar escavado no município de Dona Francisca, na região central do estado do Rio Grande do Sul, revelou algumas características vistas apenas no grupo que deu origem aos dinossauros. O animal foi estudado pelo paleontólogo Rodrigo Temp Müller, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), e pelo mestrando Maurício Silva Garcia, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM . O estudo foi publicado no periódico Gondwana Research

[caption id="attachment_57860" align="alignleft" width="533"]imagem colorida horizontal  mostra o desenho do dinossauro, com o esqueleto destacado, ao lado uma mão humana aberta com o osso descoberto, dando ideia do tamanho, e ao lado o globo terrestre, indicando o local onde o animal habitava Precursor dos dinossauros descoberto no Brasil (Infográfico: Maurício Silva Garcia. Fotografia: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

O fóssil é composto por um fêmur com 11 centímetros de comprimento e carrega traços anatômicos que permitem classificá-lo como um dinossauromorfo. Esse grupo de animais  inclui os dinossauros e seus ancestrais próximos. No entanto, o mais interessante é que o exemplar foi escavado em um sítio fossilífero com pouco mais de 237 milhões de anos, o que configura como o registro mais antigo desse grupo de animais na América do Sul. Assim, além de preencher a lacuna que existia no Brasil em relação a esses animais, o fóssil também revela que os ancestrais dos dinossauros viveram na região pelo menos 1 milhão de anos antes do que se imaginava.

Em relação ao resto do mundo, apenas alguns precursores dos dinossauros encontrados na Tanzânia e na Zâmbia podem ser ligeiramente mais antigos do que o exemplar brasileiro. Entretanto, uma série de estudos indicam que os registros desses dois países africanos podem, na verdade, ser mais recentes. Sendo assim, é possível que o material brasileiro seja o registro corpóreo mais antigo de um dinossauromorfo do mundo.

É interessante observar também que o novo exemplar foi descoberto em um sítio com grande abundância de outros répteis. Estes outros animais foram muito maiores e mais presentes naqueles ecossistemas. Como, por exemplo, o predador de grande porte Prestosuchus chiniquensis (um parente muito distante dos crocodilos), que chegava a atingir cerca de 7 metros de comprimento. Já o novo fóssil teria pouco menos de 1 metro de comprimento, de acordo com o tamanho do osso da coxa. Isso revela que os ancestrais dos dinossauros passaram por muitos desafios até se tornarem grandes e dominar os ecossistemas durante os períodos seguintes da história da vida na Terra.

TextoCentro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA)

Ilustração: Caetano Soares

Infográfico: Maurício Silva Garcia a partir de foto de Rodrigo Temp Müller

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/10/11/abertas-as-inscricoes-para-o-viii-simposio-de-biodiversidade Mon, 11 Oct 2021 11:47:09 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=56873

Cartaz com fundo verde e letras brancas escrito Simpósio 2021 Biodiversidade fronteiras da ecologia e evolução  Estão abertas as inscrições para o VIII Simpósio de Biodiversidade que ocorrerá entre os dias 30 de novembro e 3 de dezembro de 2021. O evento promovido, pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, terá como tema “Fronteiras da Ecologia e Evolução”. O evento destina-se principalmente a estudantes de graduação e pós-graduação das Ciências Biológicas e áreas afins. Este ano o evento será realizado de maneira virtual e com o número máximo de 200 participantes.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas através do link. Para realizar a inscrição é necessário ter uma conta Gmail. Resumos também poderão ser submetidos pelos participantes, os quais serão apresentados nas categorias “pôster” ou “apresentação oral”. O prazo para submissão de resumos é de 10 a 31 de outubro de 2021.

O evento contará com a participação de pesquisadores ilustres nas áreas de ecologia, evolução, paleontologia, filogenética, dentre outras. Estes irão ministrar palestras e compor mesas redondas. Também serão ofertados minicursos com diversas áreas temáticas relacionadas ao evento.

Confira mais informações sobre o VIII Simpósio de Biodiversidade através dos links abaixo:

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A região central do Estado do Rio Grande do Sul é conhecida mundialmente pelo impressionante registro fossilífero. Rochas do Período Triássico (entre 250 e 200 milhões de anos atrás) afloram em beiras de estradas, lavouras e açudes. Dentre os diversos esqueletos fossilizados encontrados nestas rochas, alguns dos que mais chamam a atenção são os de dinossauros. Isso se dá não apenas pela extraordinária preservação, mas principalmente pela idade, a qual faz deles os mais antigos do mundo, com cerca de 233 milhões de anos. Este fato foi reconhecido na semana passada pelo Guinness World Records, tornando as rochas gaúchas as detentoras do recorde de abrigar os mais antigos dinossauros já descobertos. O pedido de reconhecimento foi enviado pelo divulgador Ciro Furtado Cabreira, aliado a um grupo de pesquisadores da área.

Cerca de meia dúzia de espécies já foram escavadas a partir das rochas recordistas do Brasil. Esses dinossauros têm entre 1,50 e 3 metros de comprimento, andavam sobre as patas posteriores e eram carnívoros. Embora muito menores do que os famosos dinossauros dos filmes, os dinossauros gaúchos foram os precursores de toda a história evolutiva do grupo, posteriormente dando origem a todos os outros dinossauros que vivem no imaginário de crianças e entusiastas.

[caption id="attachment_56486" align="alignleft" width="430"] Escavação em Agudo (Foto: Janaina Dillmann)[/caption]

Os municípios gaúchos com os principais registros dos dinossauros mais antigos do mundo são Santa Maria, São João do Polêsine e Agudo. As primeiras descobertas de dinossauros nestas rochas foram publicadas em 1999, com a descrição do Saturnalia tupiniquim, de Santa Maria. Mais recentemente, uma série de novos achados têm sido realizados pelo Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, da Universidade Federal de Santa Maria (Cappa/UFSM). O centro, que fica localizado no município de São João do Polêsine, é o resultado de uma ação que teve início através dos esforços do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (Condesus).

Nos últimos anos, centenas de fósseis já foram escavados pela equipe do Cappa/UFSM. Embora muitos fósseis correspondam a materiais fragmentários, alguns se tratam de esqueletos fósseis muito bem preservados, incluindo os primeiros dinossauros completos a serem escavados no Brasil. Os resultados dos estudos do centro de pesquisa da UFSM têm alcançado repercussão mundial e impactado o que se conhece a respeito da origem dos dinossauros. Alguns dos estudos publicados pelo Cappa/UFSM chegaram a ser noticiados nos maiores jornais do mundo, como o The New York Times, e também em meios especializados, como a National Geographic.

[caption id="attachment_56487" align="alignright" width="419"] Paleontólogo Rodrigo Temp Müller com esqueleto de Buriolestes[/caption]

Atualmente, o Cappa/UFSM tem projetos em andamento financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). Os projetos têm como objetivo encontraram e escavar novos fósseis através de expedições paleontológicas na região, como também investigar eles através do uso de tecnologias avançadas, como tomografias. Além de uma equipe de paleontólogos, o Cappa/UFSM conta com alunos do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, que realizam suas pesquisas de mestrado e doutorado com os fósseis da região sob a supervisão dos paleontólogos do centro.

Por meio destas ações, as descobertas e as pesquisas paleontológicas realizadas no Estado do Rio Grande do Sul tendem a crescer cada vez mais. Mesmo sendo um país em que a ciência ainda é pouco valorizada, o Brasil vem ganhando destaque no mundo através das pesquisas aqui realizadas. O recorde de país com os mais antigos dinossauros do mundo é fruto do esforço de gerações de paleontólogos e entidades públicas e privadas que acreditaram no potencial científico da região.

Fonte: Cappa/UFSM

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Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade Federal do Acre (Ufac) e da University of Zurich (UZH) publicaram nesta quarta-feira (12) um estudo que apresenta a reconstrução do cérebro de um roedor gigante pré-histórico, o Neoepiblema acreensis. O animal tinha cerca de um metro e meio de comprimento e pesava em torno de 80 kg, o que ultrapassava a capivara, o maior roedor do mundo da atualidade.

Esse parente das chinchilas e pacaranas habitou a região amazônica há cerca de 10 milhões de anos e vivia em ambientes pantanosos que existiam antes do surgimento de uma das maiores florestas tropicais do mundo. Durante os períodos Mioceno e Plioceno (entre 10 e 2 milhões), diversas linhagens de roedores sul-americanos atingiram dimensões gigantescas quando comparadas à maioria das espécies atuais (atualmente existem mais de 2.000 espécies de roedores que pesam em média menos de um quilo) – isto é uma característica muito singular do continente, uma vez que roedores são cosmopolitas (ampla distribuição geográfica), mas só no continente eles desenvolveram gigantismo. Além desses grandes roedores, outros grupos de mamíferos exclusivos da América do Sul e de grandes répteis também viveram durante aquele momento, como é o caso do Purussaurus, que é um crocodiliano que poderia atingir mais de 12 metros de comprimento.

Uma pesquisa desenvolvida durante o doutorado de José Darival Ferreira, no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM, revelou a primeira reconstrução cerebral de um roedor extinto sul-americano feita exclusivamente de forma computadorizada. A pesquisa apresenta novas direções na evolução cerebral de roedores no decorrer do tempo.

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos pesquisadores é que, embora Neoepiblema acreensis tenha sido um dos maiores roedores já existentes, o cérebro desse roedor gigante era muito pequeno proporcionalmente a sua massa corpórea. A evolução ao longo do tempo dessa relação entre tamanho cerebral e massa corpórea (ou tamanho do corpo) é conhecida como encefalização. No caso dos roedores sul-americanos atuais, estes apresentam um grau bem maior de encefalização do que os seus parentes gigantes extintos.

Qual seria a explicação para um roedor tão grande com um cérebro tão pequeno?

Cérebros consomem grande parte da energia de um organismo. Se o animal possui um cérebro proporcionalmente grande e com uma grande quantidade de neurônios, isto se torna benéfico para sua sobrevivência. Por exemplo, isso fica bem claro no grupo dos primatas e carnívoros, que possuem cérebros proporcionalmente avantajados, com uma ampla rede neuronal, que trazem benefícios para as estratégias de sobrevivência do animal (como é o caso da elaboração de estratégias na busca de alimento). Por outro lado, se um animal possuir um cérebro grande, mas com uma densidade neuronal mais baixa (que é o caso dos roedores), ele não usufrui dos mesmos benefícios associados, o que implica em um alto consumo energético desnecessário, ainda mais quando associado a uma grande massa corpórea.

Quando o Neoepiblema acreensis habitava a América do Sul, os mamíferos placentários carnívoros (felinos, canídeos, ursídeos) ainda não haviam chegado ao continente, uma vez que o istmo do Panamá ainda não estava formado e já não havia uma conexão terrestre com a Antártida. Logo, a América do Sul estava isolada, como uma ilha gigante. Os principais predadores dos roedores gigantes eram os crocodilianos, que também eram gigantes e habitavam as regiões pantanosas mencionadas acima, e que não eram predadores ativos, tal como são os mamíferos. Assim, as pressões tróficas eram diferentes do que viriam a ser a partir do Plioceno e Pleistoceno, quando o istmo do Panamá foi formado e os grandes carnívoros adentraram o continente durante um evento conhecido como Grande Intercâmbio Biótico Americano (GABI).

De acordo com a interpretação apresentada pelos autores do estudo, na ausência de uma pressão ecológica promovida pelos predadores, não havia necessidade de os roedores gigantes apresentarem cérebros avantajados, uma vez que isso implicaria em um consumo energético desnecessário. Já após o GABI, houve um aumento significativo no grau de encefalização dos roedores. O mesmo padrão tem sido documentado em animais que vivem em ilhas onde não existem mamíferos predadores. Por exemplo, entre os roedores atuais que foram analisados no estudo, os que possuem os menores cérebros proporcionalmente a sua massa corpórea são formas insulares, como é o caso da Hutia (Capromys), um roedor que habita ilhas caribenhas.

O estudo está disponível no periódico científico Biology Letters, publicado pela Royal Society, e conta com a participação de José Darival Ferreira (doutorando da Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM), Leonardo Kerber (Cappa), Francisco Ricardo Negri (Ufac), e Marcelo R. Sánchez-Villagra (University of Zurich). A reconstrução artística do Neoepiblema acreensis e do cérebro ficou a cargo do paleoartista Márcio L. Castro.

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A Universidade Federal de Santa Maria foi contemplada com 10 novas bolsas de doutorado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na modalidade de Apoio à Formação de Doutores em Áreas Estratégicas (Chamada Pública Nº 01/2019). O resultado final foi divulgado pelo CNPq nesta semana. A modalidade permite que o aluno faça parte do seu doutorado em universidades que tenham cursos de excelência - com nota 6 e 7 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) - por um período de até um ano.

O professor Thiago Machado Ardenghi, titular da Coordenadoria de Pós-Graduação da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), explica que, pelo Programa de Formação de Doutores em Áreas Estratégicas, as universidades tinham que selecionar até três PPGs com cursos de doutorado que obtiveram conceito 4 ou 5 na avaliação quadrienal 2017 da Capes para participarem da proposta.

Para participar do edital, a UFSM realizou uma chamada interna, na qual concorreram onze programas de pós-graduação. Com a chamada interna, foi feita uma avaliação com os coordenadores dos PPGs de excelência, e dos 11 concorrentes foram selecionados três: Ciências Odontológicas, Engenharia Química e Biodiversidade Animal, totalizando 10 bolsas, que era o limite da chamada do CNPq.

A partir da seleção interna, a UFSM montou uma proposta institucional com esses três PPGs, submeteu ao CNPq e foi aprovada. De acordo com o Thiago, o passo seguinte será a realização de uma chamada interna dos PPGs aprovados para a seleção dos alunos que receberão as bolsas de doutorado.

Para o coordenador, a aprovação pelo CNPq representa um avanço importante em termos de financiamento a projetos que visam à resolução de problemas sociais em áreas que são estratégicas para o país, além de ser um grande incentivo para o desenvolvimento de propostas em conjunto com centros de excelência em pesquisa no Brasil. Segundo Thiago, a aprovação, em face de tamanha concorrência, reforça o papel de destaque nas pesquisas desenvolvidas na UFSM.

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