UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 11 Mar 2026 00:06:44 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/12/17/centro-de-triagens-de-animais-silvestres-cetas-e-inaugurado-na-ufsm Wed, 17 Dec 2025 10:41:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71671

O novo Centro de Triagens de Animais Silvestres (Cetas), localizado na Universidade Federal de Santa Maria, em convênio com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi inaugurado na manhã desta terça-feira (16). O espaço fica localizado atrás do Hospital Veterinário Universitário (HVU), no 55BET Pro Sede, e além de realizar o resgate e tratamento de animais silvestres, pretende oportunizar estágios, iniciativas e projetos relacionados à fauna silvestre para a comunidade acadêmica.

[caption id="attachment_71672" align="aligncenter" width="821"] Superintendente do Ibama/RS, Diara Sartori, reitor da UFSM, Luciano Schuch, e o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, na cerimônia de inauguração do novo Cetas, no Salão Imembuí[/caption]

A cerimônia de inauguração se iniciou no Salão Imembuí, na Reitoria, e foi finalizada com uma visita ao local. Contou com a presença do presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho; da superintendente do Ibama/RS, Diara Sartori; do reitor da UFSM, Luciano Schuch; da vice-reitora, Martha Adaime; do secretário municipal do Meio Ambiente, Diego Rigon de Oliveira; de Renata de Baco Hartmann, da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam); Maristela Lovato, representando o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul; Diego Vilibaldo Beckmann, gerente do HVU, além de representantes da Brigada Militar e diretores e pró-reitores da Universidade. A inauguração foi alusiva ao Dia do Bioma Pampa (17 de dezembro). 

Parceria com a UFSM

A criação de um Cetas em Santa Maria, junto à UFSM, é um projeto que estava em planejamento desde 2010. O compromisso foi consolidado em maio de 2025, com a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica nº 25/2025, confirmando a gestão compartilhada da unidade pelas duas instituições. “A ideia da parceria com a Universidade é justamente isso, entendemos que o Cetas é um espaço educativo, de formação, de capacitação, e aqui os alunos da Universidade poderão se beneficiar com isso, podendo aprender como manejar um animal silvestre, como lidar com eles”, comentou o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho.

“O Cetas irá resgatar o olhar para o Bioma Pampa, com certeza fará toda a diferença. Não só para os animais, mas também para os nossos estudantes, para a produção de pesquisas. Vamos ter, além da assistência necessária para os animais, também espaço para a formação na nossa Universidade. Essa rede de apoio é fundamenta", destacou o reitor, Luciano Schuch, em sua fala durante a inauguração da unidade.

Além da realização do resgate e tratamento da fauna silvestre, a parceria com a Universidade visa ao oferecimento de oportunidades de estudos, formação acadêmica e projetos voltados à conservação da fauna no espaço, possibilitando o desenvolvimento de diversas iniciativas nas áreas da Biologia, Medicina Veterinária e Zootecnia com a comunidade acadêmica. “É uma parceria há muito tempo esperada. Estamos muito felizes, fiz questão de vir pessoalmente de Brasília para cá, para prestigiar esse momento”, compartilhou o presidente do Ibama.

[caption id="attachment_71673" align="aligncenter" width="822"]Foto no interior de uma sala de paredes brancas. No lado direito, há uma bancada com uma pia. No lado esquerdo, há prateleiras com caixas de papelão, várias caixas transparentes contendo rações e alimentos, e pacotes grandes de alimentos. Sala de armazenamento de alimentos no novo Cetas, que fica atrás do HVU[/caption]

Cetas auxiliam na preservação da fauna silvestre

Atualmente, com o novo centro em Santa Maria, o Ibama conta com 26 Cetas no país. Os espaços têm como objetivo realizar o resgate, a reabilitação e a conservação da fauna silvestre, responsável pelo recebimento de animais resgatados ou apreendidos pela população, e executar a identificação, marcação, triagem, avaliação, tratamento, recuperação e reabilitação desses animais, visando devolvê-los à natureza. Entre 2020 e 2025, os Cetas do Ibama receberam mais de 370 mil animais silvestres no país, dos quais 61% voltaram para a natureza após tratamento e/ou reabilitação. 

A capacidade inicial do centro inaugurado na UFSM é de alojar cerca de 100 animais, mas a previsão é a ampliação da estrutura ao longo dos próximos anos. Segundo Rodrigo, está sendo criado um acordo, também com o governo estadual, para a cooperação técnica no fornecimento de alimentos, medicações, na destinação dos animais, para a redução de atropelamentos e para o combate ao tráfico. “Muitos animais são atropelados nas rodovias da região. Também recebemos no Cetas de Porto Alegre animais que acabam sendo traficados e trazidos para essa região, e que agora vão ter o Cetas aqui, como é o caso do cardeal amarelo e dos caboclinhos. Queremos poder trabalhar melhor a conservação dessas espécies aqui”, ressaltou Agostinho.

Localização estratégica

A criação de um Cetas em Santa Maria responde a uma demanda de vulnerabilidade ao tráfico internacional de animais silvestres, devido à proximidade com as fronteiras com a Argentina e o Uruguai. Além disso, a localização do município na região central do estado permite uma maior rapidez no atendimento, transporte e destinação dos animais, que ocorrerá por meio da rodoviária e do aeroporto da cidade.

Além de atropelamentos e do tráfico, um dos impactos observados em espécies silvestres são incidentes envolvendo redes elétricas. Em 2025, foi registrada a morte de 25 bugios-ruivos e 15 mutilações na região de Porto Alegre e Viamão. Em Santa Maria, um bugio causou a interrupção do fornecimento de energia elétrica ao entrar na rede da Subestação Santa Maria 3, no Distrito Industrial, no dia 14 de novembro, e acabou morrendo no dia 18. Situações como esta demonstram a necessidade de reforço desta atuação na região central.

O Cetas na UFSM é uma unidade estratégica, pensada para ser um local de estadia temporária - e não permanente - dos animais, objetivando sua reabilitação e retorno para a natureza. Ainda, visa preservar a fauna do Pampa, que é um bioma ameaçado. “Os animais chegarão, serão triados, passarão por quarentena, serão reabilitados, e, quando possível, voltarão para a natureza. Hoje, no Brasil inteiro, no Cetas do Ibama chegam 60 mil animais por ano e 40 mil já conseguem voltar para a natureza”, relata o presidente.

Texto: Giulia Maffi, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Paulo Baraúna, estudante de Desenho Industrial e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/10/10/ufsm-realizara-em-novembro-o-1o-simposio-bioma-pampa-interfaces-entre-ciencia-e-sociedade Fri, 10 Oct 2025 11:08:54 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=70934

A UFSM convida para o 1º Simpósio Bioma Pampa: Interfaces entre Ciência e Sociedade, que será realizado nos dias 27 e 28 de novembro, no Auditório Sérgio Pires, anexo ao prédio 17, do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE). 

O evento promoverá debates sobre as múltiplas dimensões do Bioma Pampa, com três eixos principais: biodiversidade e uso sustentável; mudanças climáticas e sustentabilidade; sociobiodiversidade e estratégias de valorização do território.

A programação incluirá palestras, mesas-redondas e apresentações de trabalhos, visando propor o diálogo entre a comunidade acadêmica e a sociedade, integrar saberes e fortalecer a colaboração de diferentes atores na valorização e conservação do Bioma Pampa.

O prazo para submissões de resumos vai até 15 de outubro, e as inscrições estão abertas até 31 de outubro.

Programação, link para inscrição e submissão e mais informações no site do evento

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/09/18/o-futuro-do-pampa-a-partir-dos-algoritmos-da-inteligencia-artificial Thu, 18 Sep 2025 12:52:32 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=70487

Conhecer o futuro do maior bioma do Rio Grande do Sul. Esse é o objetivo de “Cenários Futuros da Vegetação Nativa na Bacia Hidrográfica do Rio Santa Maria: Uma Integração entre Ecologia de Paisagem e Inteligência Artificial”, pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação de Engenharia Florestal. 

O pampa é o bioma predominante no Rio Grande do Sul. De acordo com dados do site MapBiomas, entre 1985 e 2024, a vegetação caiu de mais de 10,260 milhões, o equivalente a 52,9% do território, para aproximadamente 6,345 milhões de hectares, ou seja, 32,72%. No mesmo período, a área destinada à agropecuária, que correspondia a 4,816 milhões de hectares, cerca de 24,83%, e cresceu para mais de 8,600 milhões, somando mais de 44,35%. 

O objetivo do trabalho é investigar o impacto da ação do homem no uso do solo e na mudança da vegetação. “Escolhemos o Pampa porque ele abriga uma diversidade muito grande de espécies na sua fauna e flora, mas é um dos biomas brasileiros mais negligenciados em questões de conservação”, explica Pedro Seeger, estudante de mestrado em Engenharia Florestal da UFSM e autor da pesquisa.

A escolha pela bacia hidrográfica do Rio Santa Maria é justificada pela abrangência dentro do território do bioma. O rio, localizado no sudoeste do estado, passa pelos municípios de Rosário do Sul, Cacequi, Santana do Livramento, Dom Pedrito, São Gabriel e Lavras do Sul.

Para a realização do trabalho são selecionados dados históricos e periódicos sobre clima, solo e desmatamento da região. Os dados foram obtidos no período de 2003 a 2023, em intervalos de 5 anos. 

As informações coletadas integram banco de dados, que será analisado a partir de modelos matemáticos de machine learning, em que o algoritmo de inteligência artificial aprende a interpretar as variáveis climáticas e de paisagem dos últimos 30 anos. A partir desses dados, é possível prever como estará a vegetação, o clima e a paisagem do bioma daqui a cinco anos com precisão. De acordo com Rudiney Soares, modelos que utilizam essa metodologia podem ter um índice de precisão entre 90 e 95%.

O projeto utiliza três modelos de inteligência artificial: Floresta Randômica, Suporte Vetor Máquina e Redes Neurais. “A partir desse mapeamento, vamos conseguir estimar os anos de 2028 e de 2033 para verificar se as políticas ambientais atuais são de fato efetivas para a manutenção da biodiversidade no Pampa”, afirma Seeger.

Modelos de IA para previsão de cenários

O modelo Floresta Randômica reúne as variáveis de dados para realizar uma previsão. Esse prognóstico é feito por uma série de estruturas, chamadas de árvores, cada uma com uma resposta. Com esse mecanismo é possível obter respostas do tipo de resposta mais comum entre as árvores ou a média entre elas. Por combinar a resposta das diferentes árvores, o modelo assegura respostas robustas e precisas.

Já o Suporte Vetor Máquina tem como objetivo encontrar a melhor separação entre dados de diferentes classes, como se desenhasse uma linha reta para separar os grupos A e B com a maior distância possível entre eles. Caso seja difícil separar os dois grupos, é possível utilizar recursos mais complexos, como traçar curvas para separar os elementos. Esse mecanismo funciona de forma eficiente para dados estruturados.

O funcionamento das Redes Neurais é mais conhecido, pois é a base de modelos de inteligência artificial como o Chat GPT e o Gemini. Esses modelos se baseiam no cérebro humano e utilizam neurônios artificiais que são conectados para aprender e resolver problemas. Esse modelo é indicado para lidar com uma grande quantidade de dados e aprendizado de padrões complexos. 

As redes neurais Large Language Models (LLMs) são voltadas para o processamento de linguagem e predominam nos assistentes de inteligência artificial. Essa interface está presente no projeto desenvolvido por Seeger para que seja interativo e responda questões sobre o clima e a vegetação do pampa em certa época ou sob determinada condição climática.

A validação dos modelos escolhidos é feita mediante testes com parte dos dados coletados. Os testes visam analisar se o modelo é capaz de dar respostas precisas a partir de dados reais. Para que os algoritmos sejam considerados ajustados, eles devem estar preparados para diversas variáveis. Quando surge uma variável imprevista, pode ocorrer o que é chamado de alucinação, e a inteligência artificial começa a dar informações equivocadas ou até mesmo inventadas.

Apesar da popularização recente entre os usuários comuns, a inteligência artificial já é um instrumento consolidado na pesquisa científica. Estudos do PPG em Engenharia Florestal usam modelos de previsão de cenários ambientais há mais de 10 anos, como destaca o professor Rudiney Soares Pereira, orientador do trabalho.

Essa reportagem integra a série “Inteligência Artificial em Pauta”, uma iniciativa da Agência de Notícias que busca refletir sobre os desafios, oportunidades e consequências das IAs em diferentes contextos.

Texto: Bernardo Silva, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Ilustração: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias

Edição: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/10/29/2o-congresso-internacional-do-pampa-sera-realizado-em-dezembro Tue, 29 Oct 2024 13:17:39 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67428

O 2º Congresso Internacional do Pampa - Dos Direitos da Natureza às Catástrofes Climáticas será realizado de 12 a 14 de dezembro, na Unipampa 55BET Pro Sant'Ana do Livramento. A UFSM é uma das instituições que estão na organização do evento. 

As inscrições vão até 24 de novembro, com 150 vagas presenciais, além da possibilidade de participar online. 

O ato virtual de lançamento do congresso será no dia 12 de novembro, às 19h30.

Mais informações e inscrições de participantes e trabalhos no site do evento.

Confira atualizações pelo Instagram.

 

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A Rede Sul de Restauração Ecológica apresentou uma proposta de restauração e conservação dos biomas gaúchos para o novo Plano Clima do governo federal. O conjunto de diretrizes será apresentado em 2025 com ações para reduzir o desmatamento e mitigar os efeitos da crise climática. A proposta também prevê a destinação de recursos do governo federal para agricultores e pecuaristas familiares do Rio Grande do Sul. O Núcleo Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas da UFSM é um dos integrantes da Rede e colaborou na elaboração da iniciativa. 

A proposição faz parte de um dos eixos do plano que está na fase de consulta popular. As 10 mais votadas em cada área avançam para a fase de análise e, caso aprovadas, integram a versão final do plano, oficializadas como políticas públicas. A proposta pode ser votada na plataforma Brasil Participativo.

[caption id="attachment_10384" align="alignright" width="469"] Biomas Pampa e Mata Atlântica (Imagem: IBGE)[/caption]

A professora de Engenharia Florestal da UFSM e atual coordenadora da Rede Sul de Restauração Ecológica, Ana Paula Rovedder, explica que o projeto do grupo tem como objetivo utilizar estratégias de recuperação produtiva nos biomas Pampa e Mata Atlântica no Rio Grande do Sul. “São iniciativas que recuperam o ecossistema com técnicas que geram renda ou subsistência para o produtor rural”, explica. Enquanto o Pampa abrange as porções sul e nordeste do estado, a Mata Atlântica é encontrada na porção norte.

Produtividade e sustentabilidade lado a lado

As características do Pampa tornam a pecuária em campo nativo, que consiste na criação de gado em uma área natural que mantém as características do ecossistema, um caminho para a recuperação produtiva. O manejo correto e orientado pelos princípios de conservação ambiental além de uma fonte de renda para o produtor, é uma forma de preservar a fauna, a flora e a recuperar este bioma que faz parte do território, história e cultura gaúcha.

Entre os benefícios da conservação do ecossistema nativo a professora aponta a cobertura do solo através da água da chuva. Em áreas degradadas o escorrimento da água é superficial e favorece a erosão. 

A preservação dos biomas também garante a manutenção dos agentes polinizadores que habitam essas áreas naturais e impactam na produtividade. “A polinização é fundamental para a produção de praticamente todas as culturas. No Brasil, toda a cadeia produtiva de alimentos, do mercado interno à exportação, é altamente dependente de polinizadores”, afirma Ana Paula. 

Outro ponto importante é o sequestro do carbono atmosférico, apontado pela comunidade científica internacional, como o principal agente da mudança climática e seus eventos extremos. A cobertura vegetal das áreas naturais mantém o carbono no solo. Ao remover essa cobertura, os gases até então estocados no solo sobem para a atmosfera. O desmatamento, destaca Rovedder, é o maior responsável pela emissão de gases de efeito estufa no Brasil, um dos países com as maiores áreas de ecossistemas intactas do mundo.

Tais fatores são tão importantes que são classificados como serviços ecossistêmicos. Como a pesquisadora destaca, a degradação dos sistemas naturais inviabiliza a existência humana.

Sobre a Rede Sul de Restauração Ecológica e o Neprade

A Rede Sul de Restauração Ecológica foi fundada em 2021 e conta com cerca de 140 profissionais em restauração de biomas dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 

O Neprade é um grupo de pesquisa vinculado ao Departamento de Ciências Florestais do Centro de Ciências Rurais da UFSM, bem como ao Diretório de Grupos de Pesquisas do CNPQ. Estudantes do curso de Engenharia Florestal, Agronomia, Zootecnia e Biologia, fazem parte da série de parceiros e instituições que auxiliam na discussão e implementação de projetos.

Texto: Bernardo Silva, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Rede Sul de Restauração Ecológica (Divulgação/Instagram), Mapa dos Biomas (IBGE), Neprade (Divulgação/Iury Sanches)
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/08/07/ufsm-e-uma-das-organizadoras-de-evento-sobre-viticultura-e-fruticultura-no-bioma-pampa Wed, 07 Aug 2024 12:54:39 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=66498

A UFSM, por meio do curso técnico em Fruticultura EaD do Colégio Politécnico, é uma das organizadoras do seminário “Viticultura e Fruticultura no Bioma Pampa: Sinergias Ambientais e Econômicas”, que será realizado nos dias 29 e 30 de agosto, na Unipampa, em Santana do Livramento. O evento é voltado a pesquisadores, estudantes, produtores e técnicos, e tem como objetivo divulgar e discutir o conjunto de conhecimentos científicos e práticos específicos para a região. 

O seminário abordará como a fruticultura pode se firmar como a segunda atividade agropecuária mais relevante, logo após a pecuária, conciliando desenvolvimento econômico e preservação ambiental no Pampa. Com enfoque especial nas sinergias entre práticas agrícolas e a conservação do meio ambiente, o evento espera promover um diálogo produtivo sobre práticas sustentáveis e inovadoras.

As inscrições vão até 29 de agosto, pelo formulário.

Programação e mais informações no site do curso técnico em Fruticultura.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/06/11/ufsm-estara-representada-em-evento-sobre-o-papel-das-universidades-para-a-preservacao-dos-biomas Tue, 11 Jun 2024 12:48:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=66034

A Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Rede UniSustentável, da qual UFSM faz parte, promovem no dia 19 de junho o seminário Meio Ambiente e Academia: a Contribuição das Universidades para a Preservação dos Biomas Brasileiros. 

Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa serão os cinco biomas em destaque durante o seminário, que se inicia às 8h30, com transmissão ao vivo pelo canal da Extensão UFMS.

A abordagem da preservação do Pampa será feita pelo professor do Departamento de Zootecnia da UFSM Eduardo Bohrer de Azevedo. Ele irá falar sobre estimativas nutricionais de ruminantes consumindo pastagens nativas do bioma. 

Para participar do seminário não é necessária inscrição prévia. Haverá certificação. Mais informações podem ser obtidas no perfil no Instagram.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/09/04/restaurapampa-a-investida-cientifica-da-ufsm-na-luta-pela-preservacao-do-bioma-gaucho Mon, 04 Sep 2023 14:10:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63572 [caption id="attachment_63574" align="alignright" width="712"]foto colorida horizontal com uma mulher em primeiro plano, mexendo em um equipamento colado no tronco de uma árvore, baixo, em uma área com vegetação baixa, e ao fundo um pôr do sol Técnica do armadilhamento fotográfico é a principal na captura de registros de animais[/caption]

Ocupando cerca de 63% do território do estado e medindo aproximadamente 178.243 km², o pampa é o maior bioma do Rio Grande do Sul. Também conhecido como Campanha Gaúcha, Campos Sulinos e Campos do Sul, seu nome significa “plano”, ou “planície”, na língua indígena quíchua, da qual foi originado.

Apesar de, em termos de abrangência estadual, ser o maior, o pampa é um dos biomas com menor extensão quando se diz respeito à área nacional. Em contrapartida, se distingue por ter diferentes ecossistemas, com predominância de campos nativos, ricos em biodiversidade de espécies vegetais e animais e que, há décadas, estão ameaçados.

A UFSM, como instituição de ensino com grande relevância no setor da ciência, dispõe de diferentes grupos focados na proteção do meio ambiente. Um deles é o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade), que, por meio do projeto intitulado RestauraPampa, tem uma missão em particular: cooperar com o processo de conservação do bioma através do monitoramento de espécies invasoras.

O trabalho da Universidade na área

Fundado em 2011, o Neprade - que também está nas redes sociais - tem como propósito primordial estudar as possibilidades de recuperação dos ecossistemas e de reparação das áreas degradadas dos biomas do Rio Grande do Sul, que são o pampa e a mata atlântica. A professora do Departamento de Ciências Florestais do Centro de Ciências Rurais (CCR) e coordenadora do Núcleo, Ana Paula Rovedder, destaca o pioneirismo da iniciativa.

“Nós somos um dos primeiros grupos em restauração ecológica de ecossistemas no Estado, porque é uma área da ciência que não se desenvolvia tanto por aqui. Nós começamos a nos aprimorar testando várias técnicas”, contou. A fim de colocar seu trabalho em prática, a docente fala que “sempre que surgem oportunidades de parcerias, ou de concorrer em concursos e editais, o grupo se reúne e elabora propostas”.

[caption id="attachment_63575" align="aligncenter" width="1024"]foto colorida horizontal com um homem, sentado em uma pedra, em uma grande área verde de vegetação baixa. Ele olha em um binóculo ao longe. O céu está nublado Com câmeras fotográficas, os integrantes do Neprade também fazem trabalhos a campo em busca de registrar as espécies[/caption]

Foi dessa maneira que nasceu o RestauraPampa, inclusive. No ano de 2020, o GEF Terrestre, programa do Governo Federal que visa promover a conservação dos biomas caatinga, pantanal e pampa, buscava iniciativas que pudessem atuar no plano de restauração de duas unidades de conservação localizadas no Rio Grande do Sul: o Parque Estadual do Espinilho (Pesp), em Barra do Quaraí, e a Reserva Biológica do Ibirapuitã (Rebio), em Alegrete.

Em virtude dos impactos sobre a abundante biodiversidade existente na área, as espécies do pampa vivem constantemente sob o perigo de perderem seu habitat. Ameaças de uso do solo sem práticas conservacionistas, a possibilidade de contato da fauna e flora da região com invasores vegetais (como o capim-annoni) e animais (como javalis) e a ruptura dos nichos ecológicos - que, nas palavras da própria professora do CCR, são “as funções dos indivíduos nos ecossistemas” - são exemplos de razões que justificam tal situação.

Ainda, a docente salienta a extinção de polinizadores, por conta dos agrotóxicos utilizados no solo, como outro motivo para o mau-funcionamento dos ecossistemas. “As unidades de conservação são como refúgios para essas espécies. Se você tem as áreas e conserva esses indivíduos, elas estão fazendo seus serviços no meio ambiente”. As abelhas, que se encarregam de prover as plantas de pólen, são um exemplo.

Então, a equipe do Neprade, com a oportunidade de participar do programa e trabalhar com as unidades de conservação gaúchas, se mobilizou para construir a proposta do RestauraPampa. A ideia principal é “testar planos de restaurar campos nativos, reduzir a invasão biológica e propor estratégias de conservação de seres vivos ameaçados”, segundo a própria Ana Paula, que destacou a proteção dos felinos e de espécies vegetais raras, como cactos e bromélias.

Para tornar possível a realização do projeto, o grupo conta com o suporte financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), e com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul. Além disso, é operado em colaboração com a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e conta com a parceria de diferentes entidades para viabilizar a realização da iniciativa.

[caption id="attachment_63578" align="alignright" width="659"]foto horizontal, em preto e branco, mostra um pequeno gato em imagem noturna "Fantasma" pela dificuldade de saber sobre seu paradeiro, o gato-palheiro é um dos animais mais ameaçados do pampa[/caption]

Cuidadosamente, o estudo à preservação

A fim de entender quais passos dar em direção à execução dos objetivos, a coordenadora do Neprade conta que primeiro é necessário entender como as espécies que habitam o pampa vivem. Para o estudo dos animais, o grupo recorre sobretudo à técnica do “armadilhamento fotográfico”.

Neste método, câmeras são fixadas em troncos de árvores, através de cintas, com o propósito de registrar a presença dos seres vivos, como também suas rotinas, reações, caminhos que percorrem, a quantidade de indivíduos e diversas outras particularidades. O dispositivo é ativado por captação de movimentos e todo conteúdo adquirido é armazenado tanto em imagens quanto em vídeos, para uso posterior do Núcleo da UFSM.

Ana Paula revela que embora os animais enxerguem os aparelhos, eles não se sentem ameaçados. “A gente tem registros de vacas lambendo e olhando a câmera, veados também, porque chama a atenção deles. Mas não assusta. É um tipo de amostragem completamente indolor, não é algo invasivo”, declarou a professora, enquanto reafirmou que a coleta de informações é inevitável para saber como cuidar dos habitats.

Ao todo, são dez câmeras do Neprade instaladas por toda a extensão do Pesp e da Rebio. Segundo a coordenadora, ainda existem estilos de armadilhamento fotográfico para entender a vida animal no pampa. Com câmeras portáteis, é comum os envolvidos fazerem trabalhos de campo, conhecidos como avistamentos, seguindo estilos de registro diferentes, como: por vestígios, em que são documentadas marcas das espécies, tais quais fezes, carcaças, pegadas e pelos; e por vocalização, para o estudo de aves a partir dos sons emitidos, visto que cada uma tem um tipo característico de pio.

De qualquer forma, as imagens e os vídeos armazenados são retirados dos aparelhos e colocados em um HD externo, aproximadamente uma vez por mês, para serem avaliados de forma detalhada. De acordo com Ana Paula, é analisada tomada por tomada para tentar encontrar e entender cada situação catalogada. “Algumas cenas não têm animal nenhum porque a câmera também se engana com o vento, por exemplo. É um trabalho bem criterioso de anotar cada informação, comparar com condições meteorológicas e, aí sim, ter ideia do comportamento das espécies”, falou a coordenadora do Neprade.

[caption id="attachment_63579" align="alignleft" width="660"]foto horizontal em preto e branco, com um pequeno gato, de pelagem semelhante a onça, em imagem noturna Ao lado do gato-palheiro, o gato-maracajá é um dos felinos “mais procurados” nas unidades de conservação do pampa[/caption]

A professora também conta que a pesquisa em livros sobre a temática, a consulta em aplicativos específicos e até mesmo o envio do conteúdo para especialistas são métodos utilizados para estudar os registros. Em relação aos vegetais, a equipe identifica a campo, registra a partir de fotografias e coleta amostras com as quais o grupo prepara “exsicatas” - amostras botânicas - e leva para os herbários do Departamento de Ciências Florestais e do Departamento de Biologia. Às vezes, até mesmo amostras de solo e água dos locais também são estudados nos laboratórios da Universidade.

Para cada ida a campo, são de quatro a cinco envolvidos, quinzenalmente, que ficam de três a sete dias trabalhando nas unidades de conservação. A quantidade de tempo que o grupo fica nos locais depende do quanto conseguem trabalhar, uma vez que é necessário que as gestões do Pesp e da Rebio tenham tempo de receber os representantes da UFSM.

O RestauraPampa também é uma oportunidade de desenvolvimento acadêmico e profissional dos discentes da Instituição. Em meio ao financiamento recebido pelo programa GEF Terrestre, bolsas de iniciação científica para a graduação e bolsas de pesquisa para pós-graduação e pós-doutorado estão no pacote. Segundo a coordenadora do Neprade, atualmente, cinco professores da Universidade, quatro pós-graduandos - sendo três teses destes alunos relacionadas ao projeto - e seis estudantes de graduação estão envolvidos com a execução da iniciativa. Além disso, dois mestrados referentes às atividades já foram defendidos.

Entre astros e destaques, o principal é a conscientização

O gato-palheiro, também conhecido como gato-dos-pampas, é um dos seres vivos do pampa do qual menos se sabe sobre a situação. Para Ana Paula, “talvez seja o animal mais ameaçado do bioma. É um fantasma: difícil de ser registrado e monitorado”. Especialistas em mamíferos da região estimam que haja somente 50 indivíduos da espécie, que, dessa forma, corre acentuado risco de extinção.

“É uma estrela. Vários projetos e um grupo amplo de pesquisadores, entre eles o Neprade, buscam saber mais sobre ele. Nós reconhecemos o grau de ameaça”, afirmou a coordenadora do Núcleo responsável por encontrar o felino pela primeira vez no Rebio. Entretanto, a docente acredita que, apesar de ter sido um dos principais animais documentados, o gato-palheiro não é, necessariamente, o maior achado do RestauraPampa.

“É muito difícil falar em principal descoberta. Um dos registros mais relevantes? Sim. Mas essas unidades de conservação são tão complexas que seria uma injustiça deixar o resto de lado”, garantiu a professora, que também destaca a documentação das espécies gato-do-mato-grande e gato-maracajá. “Dos nossos resultados, o primordial é poder mostrar para a comunidade do Rio Grande do Sul a importância destas áreas e como elas estão atuando em uma paisagem cada vez mais impactada por ameaças ecológicas”.

Apesar do prazo, o projeto não para por aqui

Ana Paula revela que, durante a realização do RestauraPampa, o grupo passou por desafios inéditos em sua carreira. O primeiro foi a pandemia. O processo de idealização da iniciativa havia começado em março de 2020 e aprovado oficialmente em abril daquele ano. Entretanto, o Neprade só pôde começar a fazer as idas às áreas do bioma em dezembro, com uma equipe muito reduzida. “Não tinha o que fazer”, afirmou a professora.

[caption id="attachment_63577" align="alignright" width="660"]foto horizontal colorida de dois javalis em uma área verde O javali é um exemplo de espécie invasora que aparece no bioma pampa[/caption]

Ana Paula acredita que, por conta deste problema, o projeto sofreu um prejuízo no contato com a sociedade. “A primeira etapa era social, antes mesmo de trabalhar com as unidades de conservação. Tinha todo um componente do RestauraPampa que era bastante vinculado a questões sociais, como trabalhar com os proprietários rurais, mas a gente não podia chegar na casa deles. Essa população em questão é uma população idosa, tínhamos que ter esse cuidado. Ainda não tinha vacinação, então atrasou tudo”, declarou a docente.

Para a professora, o outro grande empecilho para a execução da iniciativa à época foram as estiagens no bioma, que foram as mais extremas dos últimos anos. “Tudo que a gente tinha que trabalhar ‘a campo’, precisávamos que o campo estivesse viçoso, mas estava tudo seco. Não havia o que fazer. Foi muito difícil. Desgastante”, confessou.

A docente ainda revelou uma das situações complicadas em que o grupo viveu durante a realização do projeto, na pandemia: “Teve uma saída em 2022 que a equipe ficou no hotel e todo mundo pegou Covid-19. Eram cinco pessoas. O contato com os produtores locais, que é algo riquíssimo quando se fala de restauração de ecossistemas, porque os ecossistemas estão nas propriedades rurais, foi muito atrasado”.

Apenas neste ano que o Neprade conseguiu trabalhar o aspecto social e extensivo do RestauraPampa, com um plano de divulgação por meio de palestras, cursos, oficinas. De acordo com Ana Paula, o grupo tem sido bastante chamado em cidades do Rio Grande do Sul - e até mesmo na Colômbia - para falar sobre a iniciativa. “Estamos correndo atrás do prejuízo da pandemia”, diz.

Em função de todas as dificuldades, o projeto precisou ser prorrogado até 2024, tendo como data final oficial o dia 30 de abril do próximo ano. Entretanto, a professora acredita imensamente que a proposta do RestauraPampa não irá parar com seu fim. “A experiência e a expertise que a gente obtém numa iniciativa dessas faz com que ela seja uma parte da caminhada que engancha em uma próxima e que gera subsídios para que criemos mais uma proposta”.

Ana Paula finaliza expondo, do fundo de seu coração, a relevância de ideias como a do RestauraPampa. “Como instrumento de parceria e de contato, os projetos precisam ter fim. Mas eles são uma construção de ciência. A ciência não é algo parado, ela tem continuidade. Esse é o grande desafio da ciência brasileira, porque ela não tem a valorização necessária. O cientista brasileiro é também gestor, influencer… A gente tem que fazer de tudo para dar continuidade. Então, com certeza o projeto continua, com novas ideias, absorvendo o que é mais importante para o bioma e dando continuidade a novas parcerias, com novos alunos. O RestauraPampa termina em abril de 2024, mas continua como ciência”.

Confira vídeo com registro do "gato-do-mato-grande":

http://www.youtube.com/watch?v=DeK7wwE1c4I

Texto: Pedro Pereira, estudante de Jornalismo e estagiário da Agência de Notícias
Fotos e vídeo: Arquivo do Neprade
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/06/02/pesquisadores-da-ufsm-contribuem-em-artigo-que-encontrou-mais-de-12-mil-especies-no-bioma-pampa Fri, 02 Jun 2023 14:19:37 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=62117

Um estudo recém-publicado na revista Internacional Frontiers of Biogeography aponta a presença de mais de 12.500 espécies atualmente conhecidas no bioma Pampa, entre plantas, animais, fungos e outros micro-organismos. Pesquisadores da UFSM participaram do estudo, que teve como um dos principais objetivos mostrar a importância do bioma Pampa para a preservação da biodiversidade. A pesquisa mostrou que o 2º menor bioma do Brasil é rico em espécies e território e abriga 9% da biodiversidade do país.

Denominado “12,500+ and counting: biodiversity of the Brazilian Pampa” (“12.500 e contando: biodiversidade do Pampa brasileiro”), o artigo foi o primeiro grande inventário feito sobre o bioma Pampa no Brasil, reunindo mais de 120 pesquisadores de 70 instituições de pesquisa, sendo liderado pelo professor Gerhard Overbeck e os pesquisadores de pós-doutorado Bianca Ott Andrade e William Dröse, do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para esse estudo, foram reunidos especialistas de cada assunto, e cada um deles contribuiu com os dados que já possuíam de outras pesquisas e inventários, numa grande compilação sobre a biodiversidade do bioma Pampa. A grande contribuição dessa pesquisa é o fato de que, pela primeira vez, foi reunida em um grande inventário, com o intuito de mostrar à sociedade como é amplo o número de espécies presentes no ambiente campestre e a importância em se preservar esse lugar, desmontando a ideia de que campo não tem valor científico, e que só teria utilidade quando transformado em lavoura. A ideia, a partir de agora, é realizar atualizações periódicas conforme o surgimento de novos dados.

Contribuição da UFSM

A professora Sonia Terezinha Zanini Cechin, do Departamento de Ecologia e Evolução do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) da UFSM, é co-autora do artigo, e contribuiu com dados do grupo de anfíbios. Ela conta que a principal característica do Pampa é ser um bioma campestre, chamado de grassland, que seriam vegetações terrestres caracterizadas pela predominância da vegetação graminoide (capins, gramas ou relvas). O clima temperado, com temperaturas médias entre 13°C e 17°C, garante ao bioma características únicas. No Brasil, ele compreende a metade sul do Rio Grande do Sul, sendo um dos menores biomas encontrados no país. 

“Todo bioma, independente de seu tamanho, tem sua relevância, porque cada bioma possui espécies endêmicas - espécies que só ocorrem exclusivamente em uma determinada região geográfica. Nesse bioma, existem muitas espécies endêmicas, por isso, quando uma delas é extinta, ela é extinta de todo o planeta. E cada vez mais esse processo está acontecendo de maneira muito rápida, às vezes, em até algumas décadas”, explica Sonia.

Segundo ela, os números encontrados no estudo mostram que o Pampa é hotspot - áreas do planeta com presença de grande biodiversidade e que estão passando por processos destrutivos (ameaças causadas por ação humana). Assim, ao se fomentar determinadas atividades agronômicas, precisa-se estudar que consequências elas podem trazer às espécies. 

A professora Sonia ainda ressalta que a sociedade tem uma ideia que preservar é plantar floresta. Porém, o bioma Pampa não é de floresta. Mesmo assim, não se torna menos importante. Nesse caso, a preservação é feita quando se mantêm os campos naturais.   

Da UFSM, também estiveram envolvidos no artigo, trazendo suas contribuições de dados de pesquisas, os autores Bruna Marmitt Braun, Mayara Escobar da Silva, Elaine Maria Lucas, professora do Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas do 55BET Pro Palmeira das Missões, e Pedro Joel Silva da Silva Filho, professor do Departamento de Biologia do CCNE.

Sobre o bioma Pampa

Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Pampa é um bioma partilhado que se estende pelo Brasil, Argentina e Uruguai, ocupando uma área total de 700 mil quilômetros quadrados. Cerca de dois terços da área do Rio Grande do Sul são ocupados pelo Pampa, uma extensa área de campo natural.

A Lei 12.651, conhecida como Lei de Proteção da Vegetação Nativa, estabeleceu que 20% de cada propriedade rural deve ser preservada como “reserva legal”. Porém, na prática, menos de 3% desta vegetação de fato é preservada, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Um dos motivos que levam à não preservação desse bioma seria o fato que se tratam de plantas rasteiras de larga escala, o que facilita a remoção para o plantio e a transformação em lavouras.  

Texto: Tatiane Paumam, acadêmica de Jornalismo, voluntária da Agência de Notícias
Arte: Unidade de Comunicação Integrada
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccr/2023/04/24/gepaces-monitora-experimentos-na-regiao-da-campanha-gaucha Mon, 24 Apr 2023 13:46:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccr/?p=8001

 

No dia 31 de março os professores Gustavo Brunetto e William Natale, integrantes do GEPACES - Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos - estivarem visitando pomares de oliveira, nogueira pecã e vinhedos em propriedades na região da Campanha Gaúcha. Na oportunidade foram realizadas reuniões com produtores e produtoras, bem como ténicos e técnicas. 

Um dos objetivos foi diagnosticar dificuldades enfrentadas pelas cadeias produtivas, o que pode direcionar pesquisas futuras. Além disso, foram visitados experimentos de longa duração com adubação em videiras, conduzidos pelo Grupo. Os experimentos possuem 12 anos de condução e, provavelmente, são alguns dos experimentos mais antigos do Brasil com adubação na cultura da videira.

O GEPACES destaca que, atualmente, no interior dos vinhedos experimentais predominam espécies nativas do Bioma Pampa. Isso mostra que o cultivo de videiras e de outras frutíferas também possibilitam a preservação desse Bioma.

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O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas da UFSM iniciou uma sequência especial de postagens no Instagram sobre uma importante integrante na restauração ecológica: a fauna. Conhecendo a fauna do projeto RestauraPampa é o nome que foi dado à série de postagens.

A primeira espécie compartilhada é representante da família Teiidae, a Teius oculatus, conhecida popularmente como lagarto-verde. Ela foi registrada em ambientes de afloramentos rochosos da Reserva Biológica do Ibirapuitã (REBIO), na cidade de Alegrete, RS. Essa espécie é caracterizada por viver em áreas abertas, preferindo ambientes úmidos com zonas rochosas onde se refugia e ao mesmo tempo pega sol.

O projeto RestauraPampa realiza atividades de monitoramento e interpretação da fauna nas Unidades de Conservação, etapas de suma importância para promover o conhecimento e a efetiva conservação das espécies pertencentes à elas. O projeto é executado pelo NEPRADE e pela FATEC, com apoio financeiro do Programa GEF Terrestre, por meio do Fundo Brasileiro para Biodiversidade (FUNBIO), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS.

Acompanhe o NEPRADE e essa série especial de postagens pela rede social. 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/desmitificando-pampa-emissor-gases-efeito-estufa Fri, 24 Dec 2021 12:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8847 A preocupação ambiental compreende a atenção para a emissão dos  gases de efeito estufa (GEE). Um estudo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), desenvolvido desde 2015, tem apresentado resultados que mostram que a pastagem natural do Bioma Pampa, quando bem manejada, compensa as emissões de metano produzidas pelo gado através da absorção de dióxido de carbono (CO2) pela pastagem. Ou seja, o Pampa é um potencial absorvedor de gases do efeito estufa (GEE).

 

De acordo com definição da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Pampa é o único bioma brasileiro localizado em apenas um estado, o Rio Grande do Sul. Caracterizado pelo clima temperado, grande biodiversidade de plantas, e por uma extensa área de campos naturais, principalmente gramíneas, o bioma ocupa cerca de dois terços do território gaúcho. 

Fotografia horizontal e colorida de um gado holandês vermelho e branco, com a boca aberta, que olha para a frentes. Está ao lado de um tronco de árvore. ]Tem um brinco amarelo na orelha esquerda. Ao fundo, detalhes de árvores e de campo de pampa.

A combinação entre o clima e as características únicas da paisagem contribuem para o manejo adequado do gado e também para os resultados da pesquisa. Estes podem ajudar na elaboração de estratégias para a redução da emissão dos gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. A mitigação desses gases é importante para frear o processo de aquecimento global do planeta. Entre as consequências do aquecimento global estão o aumento da temperatura global, que pode provocar derretimento das geleiras, aumento do nível do mar - que, inclusive, pode fazer desaparecer territórios inteiros, como o de Cuba -, diminuição de água doce para consumo humano, extinção de espécies e impactos sobre o clima. 

 

O aquecimento global é causado pela intensificação da emissão dos GEEs, sobretudo por meio de ações humanas como a queima de combustíveis fósseis nos transportes e na indústria, o desmatamento, as queimadas e as atividades agrícolas. O efeito estufa é um fenômeno natural que é responsável pela manutenção da vida na Terra, uma vez que regula a sua temperatura por meio da absorção da radiação solar pelos GEEs. A Conferência das Partes (COP) é uma reunião anual das 197 partes - ou países - adeptas da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima  (UNFCCC) e que busca a estabilização das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). A COP26, que aconteceu de 31 de outubro a 12 de novembro em Glasgow, Escócia, reafirmou a urgência da necessidade de redução de GEEs pelos sistemas produtivos, para que o planeta consiga se manter abaixo do aumento de 1,5 grau até o final do século. Até agora, o aumento de temperatura desde 2010 está em 1,1 grau. Para isso, uma das decisões da conferência é que a redução da emissão dos GEEs seja de 45% até 2030.

O Pampa como dreno

O estudo que atesta que o bioma Pampa funciona como dreno de GEEs foi realizado pelo Laboratório de Micrometeorologia da UFSM e coordenado pela professora do Departamento de Física, Débora Regina Roberti. A partir da coleta de dados sobre trocas de carbono e metano nos ecossistemas, o grupo de pesquisadores coordenado pela pesquisadora concluiu que o bioma Pampa, em condições de manejo adequado, funciona como uma espécie de dreno de gases de efeito estufa. 

 

Débora explica que, durante o inverno, em que há menor crescimento das pastagens, o Pampa emite mais dióxido de carbono (CO2) do que absorve. No entanto, a quantidade de absorção dos gases no verão compensa a emissão do inverno e, em uma média anual, o local funciona como um absorvedor de CO2. 

 

Quanto ao metano, a docente salienta que, embora emitido pelo gado por meio da ruminação, a vegetação do bioma - através da fotossíntese - consegue absorver, em quantidade de CO2, o dobro das quantidades de emissão de metano. Pelo tamanho, o Pampa tem potencial de absorver mais de 1 milhão de créditos de carbono, o equivalente a 1 milhão de toneladas de CO2 equivalente. Débora salienta que isso não significa que em outros biomas e em outros tipos de manejo do solo e dos animais não há maior emissão de GEE 's.

 

A importância do estudo está em demonstrar alternativas e estratégias que possibilitem mitigar a emissão dos gases de efeito estufa também em outros ambientes. Débora comenta que a intenção é realizar mais estudos em outros locais, para que as medidas sejam ampliadas e possibilitem maior conhecimento sobre outras realidades. Dessa forma, a intenção é elaborar estratégias de mitigação adequadas para cada bioma.

Como os gases de efeito estufa são medidos?

A medição e a quantificação dos GEE podem ser feitas por diferentes técnicas, a exemplo de sensores em animais e de câmeras acopladas ao solo. O Laboratório de Micrometeorologia da Universidade usa a metodologia da covariância dos vórtices - eddy covariance, em inglês - que mede a concentração dos GEE na atmosfera. 

 

A medição é feita por meio de sensores instalados em uma torre de fluxo, que capta os dados presentes na atmosfera e que circulam com o vento. O grupo de pesquisadores tem duas torres de fluxo instaladas em sítios experimentais, uma em uma área de manejo na Universidade, e outra em uma fazenda particular no município de Aceguá, no sul gaúcho, a cerca de 290 km de Santa Maria. Os dois fazem parte da Rede de Sítios do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD) Campos Sulinos, rede nacional financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico  (CNPq). Além da UFSM, só a Universidade Federal do Rio Grande do Sul  (UFRGS) tem estações experimentais da Rede PELD no estado.

Fotografia horizontal e colorida de uma torre de fluxo alta, que tem estrutura de metal e tem braços em que estão instalados sensores. A fotografia foi tirada em contra ploungée, e no contrastre do fundo, céu azulado com nuvens brancas.
Torre de fluxo instalada no sítio experimental localizado na UFSM. Além do sensor que mede CO2, a torre possui sensores de outros tipos de estudos da área de micrometeorologia. Em Aceguá, a torre de fluxo é menor e possui somente um braço de medição.
Fotografia horizontal e colorida do braço de uma torre de fluxo. É uma estrutura branca, com um braço em cima e outro embaixo Há um sensor circular ao centro e três antenas que circundam esse sensor. No zoom, em moldura circular, no sensor circular, o texto "Sensor de CO2", e na parte da antena, "Sensor de vento". No canto superior esquerdo, o título "Partes de medidor de fluxo". Ao fundo, a paisagem do pampa: campo de gramíneas.
Braço da torre de fluxo em que está localizado o sensor que mede CO2. Na ampliação, detalhes do sensor de CO2 e do sensor de medição de ventos.

Muito comum nos Estados Unidos e na Europa, a metodologia é pouco difundida na América do Sul. Também é usada para coleta de estimativas das trocas de carbono na Amazônia, com a diferença de que esta necessita de torres mais altas por conta do tipo de árvores. Já no Pampa, cuja característica é uma vegetação herbácea gramínea e mais rasteira, as torres não necessitam ser tão altas.

Fotografia horizontal e colorida de uma torre de fluxo baixa. Ela tem estrutura de metal branco, com um sensor circular que mede CO2, um sensor em forma de antena que mede o vento e um sensor em formato de círculo que mede metano. Ao fundo, campo pampeano com gramíneas e gado holandês vermelho.
Torre de fluxo localizada em Aceguá - RS. Esta possui sensor de medição de CO2, medição de vento e medição de metano. A torre de fluxo de Aceguá também é mais baixa. Crédito da imagem: Débora Roberti.

Para fazer as estimativas de fluxos de GEEs a partir dos dados, são necessárias muitas medições por segundo. Os sensores coletam cerca de dez medidas de cada variável por segundo, o que corresponde a 18 mil medidas na atmosfera a cada meia hora. Os dados são armazenados em um cartão de memória e, no caso do sítio experimental na Universidade, em que há acesso à internet, são repassados de forma automática ao sistema do laboratório que os processa. No caso de Aceguá, em que a torre não tem ligação com a internet, os dados ficam somente no cartão de memória, que é substituído a cada 15 dias, quando também é feita a manutenção dos sensores. As torres são alimentadas a partir de painéis solares, mas, no inverno gaúcho em que há pouco sol, e quando há muitos sensores em uma mesma torre - exemplo da instalada na Universidade -, são usadas baterias recarregáveis para alimentação energética.

Fotografia horizontal e colorida de dois homens que fazem manutenção no sensor da torre de fluxo. Um deles está em uma escada branca e limpa o sensor, localizado a cerca de 3 metros do chão. O outro segura a escada. No canto direito, detalhes da torre e da caixa de controles. A fotografia é tirada em contra ploungée, e pega, na frente, detalhes da gramínea dourada e do fio de cerca. Ao fundo, campo pampeano e céu azul com nuvens.
Bolsistas do Laboratório de Micrometeorologia fazem manutenção dos sensores de medição na torre de fluxo.

Após a coleta de medidas, é feito o processamento dos dados a partir de métodos de redes neurais, que permitem visualizar a dinâmica de trocas em um ecossistema a cada meia hora. A metodologia permite abranger áreas maiores que um hectare e pode ser utilizada, inclusive, para validação de medidas de sensoriamento remoto. No sítio experimental de Santa Maria, há coleta de dados de gás carbônico desde 2015. Já em Aceguá, a coleta é feita desde 2018, e, além dos dados sobre CO2, também foram feitas medidas sobre emissão de metano.

Infográfico horizontal e colorido do ciclo do dióxido de carbono e de metano. Na parte inferior, campo pampeano, com gado branco e vermelho e gramíneas. Na parte superior, céu azul, com nuvens brancas, sol e moléculas de CO2 e de CH4 circulando. No lado direito, uma torre de fluxo branca. Na parte superior, a atmosfera. Na parte inferior, a vegetação do pampa. Há descrições do processo, de um a cinco. 1) ao lado da molécula de cO2: Em um ciclo normal orgnânico, há trocas de CO2 entre o solo, o ar e a vegetação; 2) ao lado da gramínea: As plantas absorvem CO2 para o seu crescimento, através da fotossintese, mas também emitem CO2 através da respiração; 3) ao lado do gado: O gado emite metano através da sua ruminação; 4) ao lado da torre de fluxo: Mede as trocas de gases de efeito estufa entre a Atmosfera e o Ecossistema; 5) no canto inferior direito: No bioma Pampa com pecuária em manejo rotativo, há mais absorção de CO2 que emissão de metano.

O ciclo do CO2 e do metano

Na atmosfera, o CO2 e o metano estão inseridos em um ciclo natural. A partir da fotossíntese - a respiração da planta -, há absorção de gás carbônico pelas plantas, mas estas também emitem CO2, que é jogado para a atmosfera. Os micro-organismos do solo utilizam o CO2 da atmosfera como energia para o crescimento das plantas e, ao respirar, também emitem o mesmo para a atmosfera.

Fernando Quadros, docente no Departamento de Zootecnia e pesquisador na área de Ecologia e Manejo de Pastagens Naturais, explica que esse é o ciclo natural das plantas e está presente desde o início da evolução de plantas e animais. O docente reitera que, neste ciclo natural, os gases são importantes para o desenvolvimento das plantas e animais. 

No caso do metano, a emissão ocorre por meio da ruminação, ou ‘arroto’, dos animais, principalmente o gado, além do ‘pum’. O gás é uma das principais preocupações na problemática do aquecimento global. O professor explica que o metano tem um potencial de aquecimento global maior que o carbono, mas que perdura menos tempo no ambiente. Enquanto o metano fica cerca de oito a dez anos na atmosfera, o gás carbônico pode permanecer até mil anos. No entanto, depois de um período, o metano se transforma em carbono e pode ser absorvido pelo solo, para o desenvolvimento de tecidos vegetais e armazenamento de energia no solo e nas raízes das plantas. Entretanto, Fernando destaca que, quando há um desbalanço no sistema e na emissão natural de gases de efeito estufa, há um desequilíbrio que é prejudicial, uma vez que há mais emissão do que absorção de GEEs, e que podem contribuir no aumento do aquecimento global. No bioma Pampa, a vegetação contribui para o pastoreio e o manejo do gado por meio da diversidade de plantas, sem necessidade de remexer o solo. Biomas que são destruídos ou transformados e em que há o desequilíbrio do sistema, a exemplo de remexer o solo através do ato de lavrar ou do desmatamento de árvores, liberam quantidades de CO2 que estão armazenadas no solo há muito tempo, por meio das raízes das plantas.

O manejo adequado

Fernando participa do estudo coordenado por Débora e é responsável pela área de manejo do PELD Campos Sulinos da UFSM. A pesquisa compreende a presença de gado nos campos de pastoreio e o manejo adequado dos animais, em que a estratégia utilizada é a de pastoreio rotativo, na qual é feita a rotação de piquetes. Os animais se alimentam em uma área em determinado período de tempo, e depois passam para a próxima, para que o pasto tenha tempo de brotar e crescer de forma natural. O sistema difere do pastoreio contínuo, em que os animais permanecem todo o tempo nos mesmos piquetes - que delimitam áreas de divisão da pastagem por meio de cercas - e a quantidade, a altura e o volume do pasto disponíveis são controlados.

 

O pesquisador comenta que a alternativa é baseada na grande diversidade de vegetação herbácea existente no Pampa - cerca de 3 mil espécies catalogadas. Das várias famílias botânicas, as que têm maior número de espécies são as gramíneas, as asteráceas e as fabáceas (leguminosas). Outra divisão das espécies é quanto à capacidade de armazenamento de recursos. As Fabaceas são captadoras de recursos, ou seja, a partir de recursos energéticos como o CO2, crescem mais rápido; no entanto, o recurso fica vivo na planta por menos tempo. As Gramíneas e as Asteraceas são conservadoras de recursos. Uma vez que crescem mais lentamente, a captura de recursos como o gás carbônico, o oxigênio e outros nutrientes permanecem na estrutura da planta por mais tempo.

 

A partir desse entendimento, a estratégia de manejo adequada foi desenvolvida de modo que se adaptasse aos diferentes ritmos de crescimento dos dois grandes grupos de espécies. Com esse critério, segundo Fernando, é possível deixar as plantas crescerem e inserir os animais para novo pastoreio na mesma área apenas quando o tempo de descanso do piquete estiver completo. Assim, é possível manter um maior volume de massa do que nos sítios em que é aplicado o pastoreio contínuo.

Expediente

Reportagem: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Fotografias: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Design gráfico e Tratamento de imagem: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário

Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Alice Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/do-pampa-para-o-mundo Thu, 06 Sep 2018 17:41:32 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4475 Pela primeira vez em sua história, a Universidade Federal de Santa Maria terá a oportunidade de participar do 15º International Junior Forest Contest. A estudante de Engenharia Florestal Patricia Sulzbach foi uma das 120 pesquisadoras selecionadas que vão representar 35 países - sendo somente duas do Brasil - e viajará para Moscou, na Rússia, local onde o evento ocorre. O projeto representado por Patricia - Fragmentação e Conectividade entre Habitats Florestais em Paisagem do Bioma Pampa - está vinculado ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade), com coordenação da professora Ana Paula Rovedder, do Departamento de Ciências Florestais do campus Santa Maria. É desenvolvido com apoio financeiro da CMPC Celulose Riograndense e em parceria com a FATEC. O projeto, que conta com alunos de graduação e pós-graduação, tem como objetivo monitorar a fauna e a flora em remanescente florestal do Bioma Pampa. Segundo a professora Ana Paula, o Bioma Pampa é um dos menos conservados do Brasil e suas florestas são pouco descritas em termos científicos: “Apesar de o Pampa ser mais conhecido por suas feições campestres, há muitas áreas florestais que desempenham serviços ecossistêmicos importantíssimos para a conservação da fauna e da flora”  A partir do projeto da UFSM, já foram escritos diversos trabalhos de iniciação científica,  uma dissertação, e, em andamento, existem duas teses sobre o assunto. [caption id="attachment_4477" align="aligncenter" width="1024"] Saídas a campo[/caption] A coordenadora do estudo destaca que, para que sejam feitas pesquisas como esta, há muito trabalho prático, "períodos em que os alunos ficam três, quatro dias ou uma semana a campo para monitorar e trazer os dados científicos". O projeto ainda teve descobertas científicas pioneiras, como o levantamento de pteridófitas, bromélias, lianas, orquídeas, liquens e musgos. [caption id="attachment_4478" align="aligncenter" width="1024"] Saídas a campo[/caption] Para o monitoramento da fauna, existem armadilhamentos fotográficos. Tratam-se de câmeras com detector de movimento, acopladas no tronco das árvores, possibilitando assim que a fotografia seja feita quando o animal investigado passar por ali. Segundo Ana Paula, essa prática já resultou em registros raros de interações dos animais encontrados, mas que não podem ser divulgados ainda, pois a pesquisa está em andamento. Outro aspecto desenvolvido é a investigação de como essa fauna interage com o trecho de floresta natural que ainda existe na área, como está se adaptando e como ela está conseguindo alcançar outras áreas. Esse estudo é importante para a avaliação diversidade genética do bioma.   A Participação na Rússia Para Patricia Sulzbach, participar desse projeto representa uma grande conquista no âmbito acadêmico: "É muito bom, pois a gente sai a campo e não fica somente na teoria". O processo de inscrição no evento que acontecerá na Rússia dependia da realização de um vídeo em inglês explicando o trabalho desenvolvido e, conforme Patricia, perder a timidez foi desafiador nesta primeira etapa. Posteriormente, os estudantes selecionados tiveram que enviar o resumo do projeto com no máximo 20 páginas, também em inglês. Ao saber que conseguiu a vaga no evento internacional, a estudante destaca que todo esforço valeu a pena: "Não esperava mesmo e estou muito feliz com todo apoio que estou recebendo dos amigos, colegas e professores. Todo mundo está animado.” O evento, que acontece entre os dias 17 e 21 de setembro, é uma iniciativa do serviço florestal russo com apoio da FAO (Organização das Nações Unidas para alimentação e agricultura) e da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Despesas como hospedagem e alimentação serão pagas pelo governo russo, já as passagens de ida e volta devem ser compradas pelos estudantes. Para realizar a viagem e representar a UFSM, Patrícia está organizando uma arrecadação online. Para ajudar, basta acessar o link até o dia 10 de setembro.       Reportagem: Gabriel de David e Paulo Ferraz, acadêmicos de Jornalismo Edição: Tainara Liesenfeld, acadêmica de Jornalismo Ilustração: Lidiane Castagna, acadêmica de Desenho Industrial]]>