UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Fri, 24 Apr 2026 00:16:25 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/09/19/projeto-da-ufsm-pesquisa-a-criacao-de-tintas-de-baixa-toxicidade-a-partir-de-plantas-comuns Tue, 19 Sep 2023 13:27:49 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63766

“Você olha por onde anda?” Essa pergunta normalmente é feita para quem, distraído, esbarra em obstáculos sem notar, mas também pode ser um convite para a inovação. Foi olhando pelos caminhos da UFSM que Flávia Pedrosa Vasconcelos, professora do Departamento de Artes Visuais e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGArt), criou o projeto “Materiais artísticos, criatividade e potencialização de inovação desde a universidade”. Com o intuito de elaborar tintas com materiais de fácil acesso, que possam ser replicadas, e com baixa toxicidade, a iniciativa estuda o uso de plantas comuns no Rio Grande do Sul como matéria-prima.

[caption id="attachment_63767" align="aligncenter" width="1001"]Foto horizontal e colorida de uma mulher sentada atrás de um mesa com um computador em frente. A mulher usa óculos de armação branca, blusa preta e está com uma mão apoiada no rosto. O fundo é uma porta cinza com um jaleco amarelo e dois jalecos brancos pendurados. Detalhe de uma cortina branca acima de uma estante de livros na lateral direita e uma parede branca com um quadro de moldura preta acima de uma estante de madeira com objetos indefinidos. Professora Flávia na sala onde coordena o Grupo AVEC e o Laboratório de Criatividade e Inovação[/caption]

Trilhas de arte e educação

Natural de Fortaleza, Ceará, Flávia atuava como professora na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), no 55BET Pro de Juazeiro, Bahia. Lá, trabalhou com arte e educação e se envolveu no Projeto Escola Verde (PEV), do qual participa até hoje. O PEV investiga as dificuldades de inserção das questões ambientais na formação dos alunos de escolas de ensino fundamental, médio e superior da região do Vale do São Francisco e promove ações para reduzir os impactos com a participação das comunidades escolares.

Em busca de novas oportunidades e desafios, Flávia chegou na UFSM em 2020, com grandes expectativas. No entanto, foi surpreendida pela pandemia após sua primeira aula na Instituição. Com o retorno presencial, quase dois anos depois, começou a praticar "caminhadas estéticas" - nome dado nas artes para a atividade de observação da natureza e suas potencialidades - junto ao Grupo de Pesquisa Artes Visuais e Criatividade (AVEC), o qual coordena. Vamos andando, observando e ouvindo o que a natureza está nos mostrando em termos visuais e nos sensibilizando por meio dela em silêncio”, explica a professora. A partir disso, surgiu a ideia de produzir tintas com materiais encontrados pelo chão.

O primeiro material utilizado para produzir as tintas foi a terra. Porém, devido ao alto teor de metais pesados, acumulados em processos como a chuva, o resultado obtido foi bastante tóxico. Inicialmente, o uso do produto seria destinado apenas aos projetos dos próprios alunos de Artes Visuais, mas devido ao amplo trabalho ligado à educação básica e à extensão, Flávia decidiu pesquisar alternativas menos tóxicas que pudessem ser usadas e reproduzidas também nas escolas.

A trajetória multidisciplinar 

Para que a ideia se materializasse, Flávia contou com o auxílio de professores de outras áreas da UFSM ao longo do caminho. O primeiro a apoiar a iniciativa foi o professor de Biologia Renato Zachia. A parceria surgiu através de uma visita ao Jardim Botânico de Santa Maria (JBSM), após sua reabertura - época em que Renato ainda era diretor do espaço. No projeto, o professor atua na área de Botânica Sistemática, que identifica as plantas, pesquisa novas espécies potenciais, de acordo com a viabilidade de uso e obtenção, além de participar das coletas. 

Na busca de uma parceria na área química para seu grupo de pesquisa, o caminho de Flávia também se cruzou com a professora de Química da UFSM Ionara Dalcol, que trabalha com produtos naturais. Ionara conta que a parceria com o projeto de materiais artísticos foi uma consequência natural da colaboração inicial com o AVEC. A professora auxilia na parte de química orgânica, no desenvolvimento de novos produtos e na reciclagem de materiais para aplicação nas tinturas. 

Outro colaborador importante foi o professor de Bioquímica Félix Antunes, que atua na área de neurotoxicologia experimental. Já com o projeto iniciado, Flávia encontrou com Félix na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) - onde atua como pró-reitor substituto - e ele sugeriu a realização de testagens da toxicidade do material produzido e se dispôs a contribuir com a iniciativa. Dessa forma, o professor é responsável pelos testes de toxicidade e análise dos materiais produzidos. 

[caption id="attachment_63769" align="aligncenter" width="1001"]Foto horizontal e colorida de uma bancada marrom. Em destaque quatro papéis sobre quatro retângulos de vidro. O primeiro papel à esquerda tem três traços horizontais de tinta no tom amarelo claro. O segundo papel tem três traços horizontais de tinta no tom rosa claro. O terceiro papel tem três traços horizontais de tinta no tom azul claro. O quarto papel tem três traços horizontais de tinta no tom amarelo escuro. Centralizado no centro um papel escrito “amostras secando!”. No canto superior direito quatro frascos de vidro desfocados. Amostras das tintas à base de giz secando no laboratório[/caption]

Reestruturação do projeto

Em seu registro oficial, em junho de 2022, o projeto foi cadastrado como de extensão e chamado “Artes visuais e transversalidades: arte/educação ambiental em processos criativos”. Porém, a partir de maio deste ano, ganhou o novo nome e passou a ser registrado como pesquisa, pois apesar de não ter chegado a um produto final e ainda estar aberto a novas possibilidades de materiais, já superou a fase inicial de exploração. Fase essa que inspirou a construção de uma cartilha que orienta a criação de pigmentos naturais com plantas comuns no Rio Grande do Sul. A cartilha está em etapa de finalização e até o final do ano deve concorrer ao edital de publicações editoriais, ligado à Pró-Reitoria de Extensão (PRE), devido à origem extensionista do projeto.

Entretanto, a mudança de extensão para pesquisa está ligada, principalmente, à necessidade de registro do projeto no Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen), uma plataforma de cadastramento obrigatório para pesquisas realizadas com patrimônio genético. A espécie cadastrada no sistema foi a maria-mole (Senecio brasiliensis), muito comum no Rio Grande do Sul e considerada uma praga por causar intoxicação ao gado e ocasionar altas taxas de mortalidade animal no estado. A aposta do grupo, quanto ao controle e manejo da planta, é a produção de tintas para uso artístico, que diminui o efeito tóxico.

Além dela, espécies exóticas também são testadas, como a chamada trombeta chinesa (Campsis grandiflora). Apesar de apresentar característica invasiva e seiva (líquido responsável por sua nutrição) tóxica, é muito utilizada como erva em tratamentos da Medicina Tradicional Chinesa, por suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, que auxiliam a função renal e favorecem a circulação sanguínea. O desafio de seu uso está em diminuir sua toxicidade e encontrar um fator-comum na produção da cor com potencialidade terapêutica.

[caption id="attachment_63768" align="aligncenter" width="1001"]Foto horizontal e colorida de dois frascos de vidro com a tampa cinza sobre uma bancada laranja. Um dos frascos tem um adesivo grande colado em frente com a data de 20 de janeiro de 2023 abaixo escrito trombeta chinesa e álcool. O outro frasco tem um líquido amarelo dentro e do lado de fora tem adesivo com a data de 10 de outubro de 2022 abaixo escrito maria mole e álcool. O fundo são embalagens desfocadas que se refletem na bancada. Amostras de tintas produzidas com as espécies maria-mole e trombeta chinesa[/caption]

Procedimentos e materiais

Paralelo à produção a partir de plantas, o grupo também realiza as testagens de uma tinta alternativa, que utiliza giz de lousa como matéria-prima. A ideia surgiu nesse ano e visa reutilizar restos de giz arrecadados pelas escolas integrantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) de Artes, o qual Flávia também coordena. Embora o giz seja um material tóxico, a ação é diminuída em estado aquoso, e tanto o giz quanto as plantas passam pelo processo de diluição com outras substâncias de fácil acesso, para adquirir consistência, durabilidade e diminuir a toxicidade.

Uma das ideias centrais do projeto é que o processo de produção das tintas seja o mais simples possível, para que possam ser reproduzidos por artistas ou em escolas. Tanto na tintura à base de giz quanto de planta, o primeiro estágio do procedimento é o de maceração, em que os materiais são amassados em um tipo de pilão e depois misturados com água quente, vinagre, cola, álcool 90% ou outros materiais comuns usados para teste. Após a preparação da solução, as amostras ficam sob observação no laboratório para análise do resultado.

Graças ao trabalho coletivo com os colegas Félix e Ionara e de desapegos de outros professores do CAL, Flávia conseguiu reunir um pequeno acervo de instrumentos de laboratório, como a balança de precisão, os instrumentos de maceração, entre outros, ao longo do tempo. Materiais usados na preparação das tintas, como vinagre e álcool, muitas vezes são providenciados através de recursos próprios da professora.

Obstáculos que exigem inovação

A ideia de inovação do projeto está ligada à criatividade de produzir coisas novas a partir do contexto que se está inserido. Assim, a inovação está relacionada à criação de tintas a partir de plantas características do Rio Grande do Sul. Porém, o contexto não diz respeito apenas à geografia e suas características físicas, mas também engloba a realidade do cenário, com todas as suas dificuldades. A maior delas, apontada por Flávia, é a falta de recursos e infraestrutura adequada para produzir os materiais.

O primeiro espaço a abrigar a produção das tintas foi o Laboratório do Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais (NPPN), cedido provisoriamente pela professora Ionara Dalcol, enquanto aguardava a chegada de outros três colegas. Lá foram produzidos os primeiros testes, porém cerca de um mês depois, o grupo teve que se realocar. Desde então, já passou por mais três locais temporários no Centro de Artes e Letras (CAL). No momento, o projeto está sem um local para continuar o trabalho e não tem ao menos previsão de conseguir uma sala. Para Flávia, através desses desafios, temos que desenvolver a capacidade de pensar, de encontrar brecha, uma solução. Se não tem, como eu faço? Isso é resistência”. 

[caption id="attachment_63770" align="alignright" width="445"]Foto horizontal e colorida em destaque no centro potes de porcelana branca empilhados com três socadores de madeira dentro. Do lado direito um  frasco de vidro usado em laboratório. Do lado esquerdo quatro frascos de vidro com medidas usados em laboratório. No fundo uma parede branca e embalagens de detergente, vinagre e álcool usados na produção das tintas
Materiais de laboratório usados na produção das tintas[/caption]

No momento, o projeto está em seu quarto local de trabalho, sem a infraestrutura adequada ou garantia de permanência. O espaço onde atualmente se localiza o Laboratório de Criatividade e Inovação em Artes Visuais (LACRIA) foi improvisado junto à sala de reuniões do grupo de pesquisa AVEC, para não interromper totalmente as atividades do projeto. Porém, não está nem perto do ideal, pois não possui nem mesmo pia, essencial para a produção das tintas. 

Dificuldades infra-estruturais

Durante os processos de mudança, metade do material que já havia sido coletado e produzido foi perdido devido às condições de armazenamento. Isso ocorreu porque as tintas estavam em potes de plástico ao invés de vidro, que o grupo descobriu ser o ideal para preservar a tinta natural, mas foi a solução encontrada na falta de recipientes adequados. As primeiras amostras foram armazenadas em frascos de medicamento de vidro, doados pelo Husm, porém o local não concede mais o insumo. Alguns tubos doados pela professora Ionara hoje recebem amostras de outro tipo de tinta, à base de giz de lousa, testada pelo grupo.

Contudo, o principal problema era a refrigeração. A saída do laboratório da professora Ionara deixou o projeto sem geladeira para armazenar as amostras. Como a produção é feita com plantas, ou seja, matéria orgânica, elas precisam ser conservadas para conter a ação do oxigênio, que causa o mofo, por exemplo. Além disso, através da pesquisa, o grupo descobriu que as plantas congeladas muitas vezes liberam mais pigmento. Dessa forma, a refrigeração dos materiais é importante não só para a conservação, mas também ajuda na potencialização das cores e no resultado do produto.

Outra preocupação gerada pelas dificuldades de armazenamento é o desperdício. “Nós fazemos a coleta das plantas daquela estação com o professor Renato Zachia e seus estudantes. Depois botamos as plantas na estufa e levamos para o Herbário, onde são registradas e identificadas cientificamente. Parte desta coleta, que não foi para o Herbário, é usada para fazer tinta no mesmo dia. Mas o que ocorre? Ou armazenamos direto na geladeira o que sobrou dessa coleta, para fazer mais tinta, ou jogamos tudo fora. Como não temos geladeira, precisamos ficar coletando várias vezes”, relata Flávia. 

[caption id="attachment_63771" align="alignleft" width="289"]Foto vertical e colorida. Em destaque no canto direito uma mulher de jaleco branco segura com uma mão no alto um frasco de vidro de laboratório com um líquido transparente dentro. A outra mão apoiada em uma mesa marrom escura com objetos de laboratório. No fundo três pessoas mexem em objetos de laboratório sobre a mesa. Integrante do grupo, Gabriela Novaczinski ministrou minicurso (Foto: Lucas Torrico)[/caption]

Extensão das artes

Ainda que formalmente o projeto não se caracterize mais como extensão, o viés extensionista continua presente também através da promoção de cursos - muito comum desde o início. O primeiro ofertado após a mudança foi de Práticas de Laboratório em Artes, ministrado no final de agosto pela estudante de Artes Visuais e integrante do projeto Gabriela Novaczinski, que compartilhou o conhecimento adquirido como ex-acadêmica do curso de Farmácia. O minicurso abordou tópicos como segurança, vestimentas, instrumentos e protocolos de laboratório, além de procedimentos básicos, como maceração, pesagem, diluição, soluções e a demonstração de uma reação exotérmica.

Para Gabriela, é necessário relacionar artes com ciências naturais, exatas e as demais áreas, pois elas permeiam todos os campos, e essa quebra de barreiras pode fortalecer também os futuros artistas. “Acho importante os estudantes de Artes Visuais entenderem que eles podem e devem adentrar outros espaços e perder o medo do desconhecido, o medo de não ser levado a sério em uma pesquisa com outra área. Esse medo vem do fato de as artes serem uma área, muitas vezes, subjugada pelo que se entende de arte. Não apenas desenhamos e pintamos. Produzimos registro, subjetividade, cultura e também ciência”, declara Gabriela.

Transversalidade, interação e divulgação científica

Uma característica marcante que permeia toda a trajetória do projeto é a união entre diferentes áreas do conhecimento. A coordenadora destaca que muito antes de estabelecer uma relação profissional com os professores participantes, veio uma relação de afeto: “antes de pensar nessas pessoas como pesquisadores, eu pensei neles como pessoas que têm uma história muito grande de pertencimento à UFSM”. Para Flávia, saber reconhecer os saberes do outro e se dispor a abrir espaço para contribuições é uma grande dificuldade atualmente. “Qual é o desafio do século XXI para a formação das pessoas? O diálogo, a colaboração, a transversalidade, porque uma coisa é falar, outra coisa é fazer”, analisa. E de acordo com a professora, o grupo consegue cumprir esse desafio.

Para o professor Renato Zachia, foi justamente o caráter multidisciplinar que despertou o interesse em participar do projeto. “A transdisciplinaridade é o melhor caminho para a construção do conhecimento, pois integra as diferentes abordagens temáticas num contexto do mundo real, onde não existem disciplinas”, afirma. Para ele, faltam abordagens na própria biologia que explorem criativamente as potencialidades dos seres vivos: “Há poucas iniciativas de pesquisa sobre o potencial de produção de materiais corantes a partir de vegetais, em especial os nativos, que valorizam a nossa biodiversidade, pois trazem um outro olhar para as plantas locais ou regionais”.

Todas as áreas do conhecimento estão intimamente relacionadas e, segundo a professora Ionara Dalcol, projetos como o Materiais Artísticos permitem novas formas de conexão entre elas, pois “levam-nos a aprender a escutar e respeitar diferentes formas de pensar e nos permitem aplicar conhecimentos adquiridos a novas situações; fazem com que pensemos fora da nossa ‘caixa’ habitual”. Para a professora, de modo geral, o projeto “busca explorar novas possibilidades para a construção do conhecimento”.

Já o professor Félix Antunes viu no projeto uma oportunidade de contribuir com uma pesquisa "rara": “é muito difícil um pesquisador tentar algo que envolva diferentes áreas do conhecimento. O projeto idealizado pela Flávia traz questões fundamentais para a pesquisa, pois ele é realmente aquilo que a ciência deveria ser, buscar os limites dos conhecimentos nas mais diferentes áreas, de forma que se complementem no desenvolvimento e obtenção dos resultados”. Félix ressalta que a relação entre as áreas beneficia tanto a ciência quanto os próprios estudantes envolvidos: “a possibilidade de interação, principalmente entre alunos de diferentes áreas pode fazer com que eles ampliem suas capacidades e possamos estimular de diferentes formas a criatividade dos envolvidos”. 

O crescimento na interação entre os estudantes é um grande objetivo para o futuro, de acordo com Flávia: “meu sonho é que um dia venha um aluno de cada área para o projeto, da química, da bioquímica, da biologia, porque integraria as áreas”. Mas assim como ela trabalha para que seu sonho se realize, sabe que os colegas Renato, Ionara e Félix também se esforçam para isso: “eles também querem ver o projeto crescer e entendem que é importante a interdisciplinaridade e a transversalidade para formação dos alunos, pensamos na melhor formação deles”. 

Acima de tudo, o combustível que impulsiona Flávia a continuar o trabalho, mesmo com todas as dificuldades, é a felicidade e empolgação dos estudantes em fazer o projeto acontecer. “Vamos lutar, porque foi muito recompensante começar essa pesquisa. Estamos com dificuldades e adversidades para fazê-la, mas sempre enfrentando. Seria muito importante que a gestão da UFSM olhasse com carinho para esse projeto e visse sua potencialidade e pudéssemos utilizar um espaço adequado com infraestrutura para o futuro dessa pesquisa e de outras que dela possam derivar. Quando eu vejo os alunos, o que mais me motiva é ver o brilho no olho deles, acredito que essa vontade leva à criatividade e por conseguinte à inovação”, declara a professora.

Texto e fotos: Julia Maciel Weber, acadêmica de Jornalismo, estagiária da Agência de Notícias
Edição: Lucas Casali e Ricardo Bonfanti, jornalistas

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/2021/12/23/28-anos-de-docencia-conheca-a-trajetoria-da-pesquisadora-destaque-2021-da-ufsm-maria-rosa-chitolina Thu, 23 Dec 2021 15:15:35 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/?p=2507 Docente do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular do CCNE, leciona na Universidade desde 1993 e, no último mês, recebeu o prêmio Pesquisador Destaque da UFSM na 36ª Jornada Acadêmica Integrada

“Acolhimento e colaboração” são dois substantivos que a  professora  de Bioquímica do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE),  atribui aos seus 28 anos de pesquisa na Universidade Federal de Santa Maria. A professora conta que quando chegou no setor de Bioquímica, em 1993, foi concedida com um pequeno laboratório onde começou a desenvolver as suas primeiras pesquisas. Alguns anos  depois, ganhou um espaço maior  que divide, até hoje, com a Prof.ª Vera Maria Morsch, o Laboratório de Enzimologia Toxicológica (Enzitox), coordenado por ambas.

Para a docente, o acolhimento inicial de seus colegas foi fundamental para se sentir pertencente ao CCNE, e todas as oportunidades recebidas no início da carreira científica fizeram muita diferença no seu crescimento profissional. Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestre em Ciências Biológicas, na área de Bioquímica, a professora Maria Rosa assumiu o cargo de docente na UFSM ainda durante o seu doutorado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), dos anos 1991 a 1996. Em 2015, fez pós-doutorado no Albert Einsten College of Medicine, em Nova Iorque (EUA).

No decorrer de sua  carreira profissional, a professora construiu um longo histórico de pesquisas e atividades que hoje a tornam referência de contribuição ao CCNE e à UFSM. Participou como membro de vários conselhos, colegiados, consultorias, e foi eleita coordenadora e vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica Toxicológica, (PPGBTox), o qual ajudou a fundar. Trabalhou como membro do Comitê de Ética em Pesquisa e também foi membro do Comitê Assessor da Pós-Graduação da UFSM. Atualmente coordena o grupo de pesquisa Enzitox, pertencente ao PPGBTox, e é docente permanente do Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde (PPGECQVS), que tem parceria com a UFRGS e com a Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

Além disso, também realiza atividades externas à UFSM. Entre 2018 e setembro deste ano, foi vice-presidente do Clube Brasileiro de Purinas e atualmente faz parte do Conselho Administrativo. Foi coordenadora do projeto NeuroArte: Museu Itinerante de Neurociência, Arte e Tecnologia, que entre 2014 e 2017 desenvolveu ações em diferentes  municípios do estado. Em 2011, fez parte da organização da exposição Mata – 200 Milhões de Anos, também do projeto Museu Interativo: Arte, Ciência, Tecnologia e Patrimônio Cultural. Entre 2011 e 2016, foi membro do comitê de assessoramento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). E desde 2019 faz parte do comitê de assessoramento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O grande impacto da pesquisadora pode ser representado por números. Com 410 trabalhos publicados e mais de 7 mil citações, ela é bolsista de produtividade em pesquisa nível 1B no CNPq. Ao longo dos quase 40 anos de carreira acadêmica orientou 10 pós-doutores, 58 doutores e 60 mestres. Neste semestre, está orientando quatro mestrandos, 15 doutorandos, dois pós-doutores e quatro estudantes em iniciação científica.

O trabalho desenvolvido há quase três décadas de atuação vem recebendo o devido reconhecimento. Em 2020, a professora foi apontada pela plataforma Open Box da Ciência como uma das 50 pesquisadoras protagonistas da ciência no país. Dadas todas as conquistas e trabalho já citadas, na 36º Jornada Acadêmica Integrada (JAI) da UFSM, a professora recebe o prêmio de Pesquisadora Destaque 2021, durante a solenidade promovida pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP) da UFSM.

O Prêmio Pesquisador Destaque integra a programação da JAI desde 2016, quando foi criado com o propósito de homenagear anualmente os pesquisadores de reconhecida atuação em pesquisa, inovação tecnológica e desenvolvimento na UFSM. A escolha do premiado é uma atribuição do comitê da PRPGP, que leva em consideração alguns pontos como: contribuição à história e desenvolvimento da universidade; formação de estudantes e pesquisadores; liderança reconhecida pela comunidade científica local, nacional e internacional; produção científica significativa; e participação na gestão da universidade.

Em sua manifestação, a Profª. Maria Rosa agradeceu aos colegas, alunos, amigos e familiares, afirmando ter gratidão a todos os que abriram as portas e que ensinaram disciplina, resiliência, esforço, paciência e empatia na vida acadêmica. “Todos temos potencialidades a serem desenvolvidas e o que precisamos de fato é de oportunidade. Sempre que possível, eu gosto de dar essa oportunidade e esse espaço aos que vêm trabalhar conosco”, afirmou a professora. Para ela, a ciência representa um elo fundamental para o completo exercício da cidadania, e acredita que levar o conhecimento produzido na universidade, resultado de investimentos públicos, a espaços mais amplos e abrangentes é uma responsabilidade.

A professora pontua que ainda há muito trabalho a fazer e compartilha seus planos para o futuro no CCNE: “Eu pretendo continuar pesquisando na área de Bioquímica, focando no sistema purinérgico, sistema colinérgico e estresse oxidativo. Nos últimos anos, temos realizado pesquisas no Enzitox em diabetes, hipertensão e exercício físico. Considero que estes temas são muito relevantes e ainda muitas pesquisas são necessárias para elucidar os mecanismos bioquímicos e moleculares envolvendo os mesmos”. Em relação à educação em ciências, afirma que pretende continuar com as ações desenvolvidas junto às escolas, bem como contribuir na implementação de metodologias ativas tanto no ensino fundamental quanto no médio e superior.

Para quem está no início da carreira científica, a professora ressalta que é necessário ter persistência, criar estratégias para o crescimento profissional, e sobretudo, considerar todas as etapas como importantes e valorizar o ambiente de trabalho em que se está inserido. Por fim, ela agradece a Universidade pela homenagem e por todas as contribuições para a sua história.

A equipe do CCNE parabeniza a história e agradece à Professora Maria Rosa por todo seu trabalho de pesquisa e ensino desenvolvido à UFSM e à sociedade brasileira e internacional.


Texto: Jéssica Medeiros

Edição: Natália Huber

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As pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas - Bioquímica Toxicológica da UFSM, Cristina Wayne Nogueira, Maria Rosa Chitolina e Vera Melquiors Morsch, estão entre os destaques do Open Box Ciência, projeto que dá destaque às cientistas mais produtivas no Brasil. Trata-se de uma plataforma elaborada pela Gênero e Número, organização de jornalismo de dados que trabalha com questões de gênero e raça. 

A plataforma Open Box Ciência apresenta uma cartografia de 250 mulheres cientistas e a abrangência de suas respectivas pesquisas, através de uma metodologia de coleta, análise e classificação de dados via Plataforma Lattes, o projeto selecionou as 50 mulheres cientistas do Brasil nas áreas de Ciências Biológicas, Exatas e da Terra, Sociais Aplicadas e também da Saúde.  As pesquisadoras da UFSM em Ciências Biológicas são docentes permanentes do Programa, com atuação acadêmica de destaque internacional. 

Na área da bioquímica, a  professora Cristina Nogueira possui uma carreira reconhecida na área de farmacologia e toxicologia. Sua pesquisa é intitulada “Diphenyl diselenide a janus-faced molecule” e atualmente coordena o Laboratório de Síntese Reatividade e Avaliação Farmacológica e Toxicológica de Organocalcogênios.  Já a professora Maria Chitolina desenvolve trabalho acerca dos temas:  NTPDase, 5′-nucleotidase, acetilcolinesterase, ALA-D, catalase e superóxido dismutase em diferentes doenças em humanos e em modelos experimentais. É também vice-presidente do Clube Brasileiro de Purinas. 

Já na área de Farmacologia, a plataforma destaca o trabalho da professora Vera Morsch. Com ênfase também em toxicologia, a pesquisadora da UFSM atua nos temas NTPDase, 5'-nucleotidase, acetylcholinesterase. Entre os projetos atuais, destaque para seu estudo de mecanismos neurobiológicos e estresse oxidativo e comportamentais em casos de contaminação por alumínio. 

A Open Box Ciência também apresenta um perfil das 50 cientistas brasileiras de cada área do conhecimento, reportagens e também uma série de dados que traçam um perfil do ensino superior brasileiro. 

Texto: Davi Pereira - Jornalista da Agência de Notícias da UFSM

Leia também: 19 mulheres da UFSM que nos inspiram a fazer ciência - Revista Arco

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Dos dias 22 a 26 de julho acontece a 9ª Oficina de Inverno de Bioquímica Toxicológica da UFSM. O evento tratará de temas relacionados às diferentes linhas de pesquisa abordadas no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: Bioquímica Toxicológica (PPGBTox).

A oficina é gratuita e acontecerá nas dependências dos prédios do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) e do Departamento de Bioquímica e Molecular, no campus de Santa Maria. As inscrições devem ser feitas na
Mais informações e inscrições na  página do evento. As vagas são limitadas.

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Pensando em como estimular a criatividade do público e tornar o aprendizado mais lúdico e divertido, surgiu a proposta de trabalhar a neurociência através da arte. No Museu Itinerante, o conhecimento foi levado à diferentes lugares, disseminando e popularizando a neurociência entre estudantes do ensino fundamental, médio e superior. Aqui na UFSM, o museu passou pelos halls de vários centros, assim como também em outras cidades. O acervo é aprimorado a cada ano, pois a temática explorada em cada período é diferente e, segundo a coordenadora Maria Rosa Chitolina Schetinger, “no projeto original, o objetivo principal era a apresentação do museu apenas para alunos carentes provenientes de escolas de periferia”, mas já na primeira edição da exposição, em 2015, foram desenvolvidos módulos interativos voltados aos públicos de todas as idades. Nas exposições realizadas em 2015 foram utilizados diferentes tipos de jogos e ferramentas, como o Mind Flex Dual Game, o Gerador de Van der Graaff, a Estrela Espelho e a Pilha Humana. Ainda nesse ano, uma das criações do projeto foi o documentário “O Cérebro de Thauan”, possibilitando tornar mais simples e divertido entender as diferentes situações, respostas e potencialidades do cérebro humano.  [caption id="attachment_848" align="alignright" width="316"] Módulo "Três Graças em Vasos Brancos" do Museu Itinerante. Foto: Arquivo pessoal.[/caption] Já em 2016 foram construídos mais cinco módulos que fazem parte do acervo do museu. Dentre eles Maria Rosa destaca o “Três Graças em Vasos Brancos”,  que segundo ela é “um módulo que propõe uma vivência inusitada a quem interage, pois o público é convidado a aproximar-se de vasos sanitários e enxergá-los de um modo diferenciado”. Na atividade estão dispostos três vasos sanitários e cada um deles é responsável pela estimulação de sentidos do corpo humano. No primeiro, os indivíduos se deparam com um tecido que possui uma fenda para o visitante colocar a mão, e ao fazê-lo, perceber as diferentes texturas de seu interior. Em seguida, o observador aproxima o ouvido do fundo do vaso, de onde consegue perceber sons de água. No último, o visitante é convidado a contemplar o interior do vaso, enquanto assiste a um vídeo com ondas do mar.  Ainda segundo a coordenadora, “no ano passado foi trabalhado o conceito de Neurobioarte e nesse ano o conceito de Arte e sustentabilidade, onde conseguimos criar novas experiências sensórias em ambiente virtual”, tudo isso para construir um ambiente com diferentes informações que deve ser acessado, compreendido e usado por qualquer pessoa, sem necessidade de adaptação. Além das ações expositivas já realizadas, a professora destaca que já foram publicados capítulos de livros, artigos e houve ainda a realização de palestras em eventos mostrando a experiência exitosa do projeto. Avaliando o projeto, a professora acredita que “as interações, apesar de cansativas, foram um dos pontos mais significativos do NeuroArte tanto do ponto de vista de aceitação e entendimento de nossa proposta pelos visitantes tanto quanto do aprendizado de toda a equipe”. O próximo passo que o grupo pretende dar consiste principalmente em alocar as exposições em um ambiente adequado, deixando todo o acervo disponível a qualquer pessoa que tenha interesse na temática, promovendo diferentes níveis de interação com o público através da estimulação de seus sentidos. Sob a coordenação da professora do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular do CCNE, Maria Rosa Chitolina Schetinger, fizeram parte da equipe do projeto a professora do Departamento de Artes Visuais do Centro de Artes e Letras (CAL), Nara Cristina Santos (vice-coordenadora), Jessié Gutierres (aluno de doutorado de Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências/UFRGS) e os bolsistas Carlos Donaduzzi, Manuela Vares e Natascha Carvalho. Além deles, na criação dos módulos o projeto contou com a colaboração do prof. Marcelo Birck do curso da Música da Universidade.   Texto por: Lucas Zimmermann, acadêmico de Comunicação Social – Relações Públicas e bolsista do Núcleo de Divulgação Institucional do CCNE Edição: Wellington Gonçalves, relações públicas do Núcleo de Divulgação Institucional do CCNE]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/premio-selenio Thu, 05 Oct 2017 17:28:59 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2404 Tubos de ensaio. Líquidos borbulhantes. Barulhos de máquinas funcionando. Um rapaz tira a umidade do experimento com uma pistola de ar quente. Pessoas de branco manuseando frascos. Esse é o ambiente cotidiano dos laboratórios do prédio 18 da Universidade Federal de Santa Maria. A sala 2424, com apenas 25 metros quadrados e três vidraças, é um dos lugares da Universidade onde a bioquímica acontece.  Também é nessa sala que se revela o Prêmio Pesquisador Gaúcho 2017. Uma honraria feita pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS) para o trabalho de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Não se trata da premiação de um trabalho específico, mas de todo percurso do pesquisador. E é por sua história como cientista que a professora doutora em Ciências Biológicas do departamento de Bioquímica, Cristina Wayne Nogueira, é uma das premiadas deste ano. “Esse prêmio reconhece o meu trabalho ao longo desses vinte e dois anos. Eu oriento mestrandos, doutorandos e alunos da iniciação científica. É isso que está sendo premiado: a minha trajetória, a minha capacidade de formação de recursos humanos, a minha capacidade de produzir dados que são utilizados em outros grupos de pesquisa”, afirma ela. Professora da UFSM desde 1995, Cristina faz parte do grupo de pesquisa “Síntese, reatividade, avaliação toxicológica e farmacológica de organocalcogênios” desde 2000, juntamente com os professores João Batista Teixeira da Rocha, também da área de bioquímica, e Gilson Zeni, da química. Neste grupo, obesidade, memória, velhice e depressão têm algo em comum: o selênio. É que nas salas dos laboratórios são feitos experimentos com esse elemento. Os alunos do laboratório de química inserem o elemento em moléculas orgânicas, ou seja, eles conferem a essas moléculas propriedades farmacológicas. Já do outro lado do corredor, no laboratório de bioquímica, os estudantes da Profª Cristina testam essas moléculas em modelos animais de doenças citadas acima.  O grupo de pesquisa de bioquímica é composto por 19 alunos que trabalham com algumas linhas de estudo. Uma dessas linhas é a obesidade e o glutamato monossódico é o modelo animal de teste. Com isso, os pesquisadores utilizam o modelo para estudar as alterações metabólicas nas cobaias  e as moléculas de selênio são usadas na tentativa de reverter essas alterações. “O elemento selênio está muito relacionado ao processo de regulação metabólica”, explica Cristina.  Quando é questionada sobre a possibilidade de esses estudos resultarem em um medicamento, a  Profª Cristina é precisa e reveladora. Ela diz que, apesar de ter a intenção de um dia poder desenvolver algum fármaco com esses estudos, a bioquímica é sobretudo uma ciência básica, isto é, está na base da formação de cursos como medicina, farmácia, enfermagem, odontologia, veterinária. Quer dizer, o objetivo é a educação: “A gente não trabalha com foco no produto. A minha preocupação é com a formação dos alunos. Além disso, testamos uma molécula sob o ponto de vista farmacológico, mas sem esquecer que tudo que tem efeito farmacológico, também tem efeito toxicológico. As moléculas de selênio são bastante promissoras, mas ainda não podemos dizer que podem ser usadas para humanos” diz ela, convicta. Ao fim da entrevista, a cientista premiada se mostra uma professora apaixonada por ensinar ciência. Com 21 doutores formados sob sua orientação, Cristina fala sobre seu fascínio por fazer e espalhar ciência: “Nós somos docentes, além de pesquisadores. Então, tem toda a questão de formar mestres, doutores… Esse é um retorno que a gente dá para a sociedade. A disseminação do conhecimento”. Repórter: Vitor Rodrigues Fotografia: Rafael Happke Arte: Giana Bonilla]]>