UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 25 Mar 2026 20:35:29 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/tvcampus/2024/03/05/mamografia-prevencao-e-diagnostico-precoce-do-cancer-de-mama Tue, 05 Mar 2024 19:01:44 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/tvcampus/?p=3318

Um ato simples e rápido, mas que pode salvar vidas! O exame de mamografia é extremamente necessário para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, o mais letal em mulheres. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), até 2025 deverão surgir 73 mil novos casos da doença.

No Dia Nacional da Mamografia, comemorado em 5 de fevereiro, nossa equipe foi ao Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) para acompanhar o processo de realização do exame e entender as opções de tratamento para doença. Confere só!

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/arco-entrevista-gabriela-trevisan Wed, 09 Mar 2022 13:54:17 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9066 HQ 02: HQ quadrada e colorida dividida em três partes. O quadro um, na parte superior esquerda, tem a ilustração de uma mão que segura uma fotografia. Na fotografia, tem quatro pessoas, um homem, uma mulher, uma menina adolescente e um menino pequeno. Todos tem pele branca, o homem, a adolescente e o menino tem cabelos castanhos escuros e a mulher tem cabelos ruivos. No canto superior esquerdo, sobre fundo branco e em letras pretas, o texto: "Meu pai é engenheiro e minha mãe é fisioterapeuta. Eles são professores, não pesquisadores". Ao lado, ilustração de uma mulher de pele branca e cabelos ruivos deitada em uma maca de hospital. Ela está coberta com uma manta azul pastel. Ao lado esquerdo da maca, berço de hospital com um bebê dentro. Abaixo, o texto: "Meu irmão nasceu em 1991, em seguida desenvolveu catarata congênita. Nessa mesma época, minha mãe foi diagnosticada com esclerose múltipla. Foi um período bem difícil, porque os dois ficaram bastante tempo no hospital". Abaixo, quadro horizontal da menina adolescente em close: ela tem pele branca, cabelos lisos, pretos e compridos, olhos escuros, sobrancelhas grossas e arqueadas. Sorri e tem uma expressão de concentração. Olha para um frasco transparente com tampa vermelha. No frasco, ilustração da menina de jaleco branco e luvas roxas em frente a um frasco com embalagem branca e vermelha. As mãos da menina estão ao redor do frasco transparente. No lado direito dela, o texto: "Não sei se não foi nessa época que pensei em ser cientista, porque queria curar ou resolver algo". No canto inferior esquerdo, o texto: "Eu não conhecia nenhum cientista, mas me identificava com ciência desde pequena". O fundo é azul pastel. HQ 03: HQ quadrada e colorida dividida em três quadros. O primeiro, horizontal, tem a ilustração de um prédio horizontal nos tons bege, preto e cinza, com o nome sobre uma fachada vermelha: "Colégio Militar de Santa Maria". Em frente, estrada de entrada e um gramado. Atrás, céu azul. Na parte superior, sobre o céu, quadrados com imagens: a primeira, na esquerda, é de uma adolescente de pele branca e cabelos escuros, usa jaleco branco e segura um objeto preto nas mãos. Na direita, um adolescente de pele branca e cabelos escuros, está de perfil direito, veste uniforme militar bege e vermelho, usa luvas roxas e segura um frasco transparente com líquido azul nas mãos. Entre as imagens, o texto: "Eu gostava muito de química no colégio. As vezes a gente passava a tarde no laboratório". Dos lados do prédio, mais duas imagens; na esquerda, imagem de adolescente de cabelos loiros, pele branca; usa uma trança, veste uniforme bege e vermelho, segura um objeto nas mãos, para o qual olha atentamente. No lado direito, adolescente de pele branca e cabelos ruivos, veste jaleco branco e olha em um microscópio. Quadro dois: ilustração vertical, de uma mulher de pele branca, olhos escuros, cabelos curtos, ondulados e castanhos; veste jaleco branco, luvas roxas e segura nas mãos uma pipeta e outro frasco. Acima dela, o texto: "Lá tinha uma professora, que nos orientava nos trabalhos. Eu gostava muito dela, era uma pessoa inspiradora". No quadro três, ao lado, ilustração horizontal. Há uma mesa cinza escura, com duas caixas brancas com círculo arredondado sobre ela. A terceira caixa voa para o teto. A mulher do quadro anterior tem expressão assustada. Na outra extremidade da mesa, no lado direito, menina adolescente de pele branca, cabelos lisos, pretos e compridos, presos em um rabo de cavalo baixo; veste uniforme bege com detalhes em vermelho e saia vermelha, também tem expressão facial assustada. Na parte superior, o texto: "Lembro que uma vez fui mexer numa autoclave e acho que fechei errado. Voou no teto!". No canto inferior direito, o texto: "Mesmo assim, ela não ficou brava". HQ 04: HQ quadrada e colorida dividida em dois quadros horizontais. O primeiro, na parte superior, é a ilustração de uma adolescente, em pé, com os braços cruzados, em frente a três banners com textos escritos. Ela tem pele branca, cabelos escuros, lisos e compridos amarrados em um rabo de cavalo lateral; usa uma boina vermelha, veste camiseta de uniforme bege com detalhes em vermelho e saia vermelha; sorri amplamente. Na parte direita, mulher de pele branca, cabelos loiro escuros presos em um coque baixo, veste uniforme bege e segura uma prancheta com papel nas mãos. No canto superior esquerdo, o texto: "Eu participava de algumas feiras de ciência, visitando vários colégios". Na parte inferior direita do quadro, o texto: "Desenvolvemos um projeto com óleos essenciais que eu gostei muito. Não ganhamos, o que achei injusto". Quadro dois: ilustração de um experimento. Há uma base cinza escuro. Nesta base, está preso uma barra com formato de garfo na extremidade. O garfo cinza escuro prende um condensador transparente, que está fixo em uma estrutura de ferro cinza em formato de "T". A mesma estrutura prende um Erlenmeyer transparente com líquido amarelo no centro. O tubo de ensaio está apontado para o Erlenmeyer. No líquido amarelo, zoom ao lado, em um círculo. Há o desenho, em branco, do elemento. No centro, um hexágono com três riscos na parte de dentro. Ligado ao hexágono, no lado direito, três riscos em zigue-zague. Ligado ao hexágono no lado esquerdo, um risco na parte inferior liga ele ao "O", outro liga ao "H3C". Na parte superior, um risco liga o hexágono ao "HO". No canto superior esquerdo, o texto: "Nós extraímos um óleo que tinha muito eugenol. Hoje sabemos que é ótimo pra diminuir o crescimento de bactérias". No canto inferior direito, o texto: "E esse composto se liga com o receptor que estudo hoje. Quem diria!". O fundo é cinza claro. HQ 05: HQ quadrads e colorida dividida em três partes. O quadro um, superior e horizontal, tem a Ilustração de uma mulher de pele branca e cabelos e olhos escuros, que veste um jaleco branco, luvas roxas e segura nas mãos uma pipeta e um tubo de ensaio azuis. O fundo é composto por mesas cinzas e paredes também cinzas. Sobre a mulher, o texto: "No começo da graduação, já fui procurar algum laboratório". No lado direito, três blocos de texto: "Me interessava pela parte da dor e da memória, e pensei em trabalhar com isso"; "A pesquisa básica ocorre antes dos estudos clínicos. Geralmente estudamos algo para explicar como o corpo humano funciona. Desconhecemos a finalidade de muitas proteínas que existem no organismo e que poderiam servir para tratar alguma doença"; "E nunca mais saí dessa linha de pesquisa". Quadro dois: Ilustração de um quadro com vários papéis brancos presos com alfinetes. Entre os quadros, uma imagem do mapa da Itália, com uma bota na extremidade inferior; um calendário vazio, um papel com texto e um papel com a logomarca e o nome de "Universita Degli Studio Firenze". Acima do quadro, o texto: "Como tenho família na Itália, quis fazer o estágio de fim de curso lá ". Quadro três: mulher de pele branca e cabelos escuros, compridos e lisos veste um moletom roxo e está sentada em frente a uma mesa, com uma caneta e caderno abertos. Em frente a ela, o quadro com papéis, mapas e calendários. Sobre a mesa marrom, frasco transparente com moedas dentro, e um adesivo com o nome "Itália " colado. Na parte superior, o texto: "Economizei todas as minhas bolsas de iniciação científica e aprendi italiano para ir". Na parte inferior, o texto: "Fui com meu dinheiro mesmo, guardei na poupança". O fundo é uma parede cinza. HQ 06: HQ quadrada e colorida dividida em duas partes. A primeira, na metade superior, tem ilustração de três fotografias dispostas de modo bagunçado, na vertical. A primeira é de uma mulher em frente a dois prédios antigos em tons de bege e cinza. A segunda é uma selfie da mulher e de um homem de pele branca, cabelos ralos e ruivos, usa óculos de sol e veste camiseta azul, usam mochilas. Estão em frente a um prédio marrom. Em frente ao prédio tem uma praça com uma bandeira dos Estados Unidos. A terceira foto é da mulher de perfil; ela veste vestido bordô, usa mochila preta e segura um celular. Está em frente a um prédio cinza com janelas azuis, e o nome "UCSF". Acima das fotos, o texto: "Foi um período bem legal porque conheci muita gente e novas técnicas. Voltei pra lá depois, no doutorado, e até hoje mantenho contato com eles. A maioria dos nossos artigos são em colaboração com o pessoal de lá". Abaixo das fotos, dois blocos de texto: "Fiz um período do pós-doutorado fora também, queria pesquisar sobre dor de cabeça. Em Tucson, tinha um professor que trabalhava com essa área"; "Foi uma experiência diferente, às vezes a gente acha que vai ter pesquisa só em grandes centros, mas vê que, dependendo da região e da área, não é assim. O laboratório e a universidade eram muito desenvolvidos". No quadro dois, Ilustração horizontal de um laboratório em tons de branco, cinza e azul claro. Abaixo da Ilustração, o texto: "A ciência está evoluindo muito rápido. Por isso essas colaborações internacionais são tão importantes, até para vermos o que outros cientistas estão fazendo, se as técnicas que estamos usando ainda são válidas". HQ 07: HQ quadrada e colorida dividida em três quadros. O primeiro quadro, na parte superior esquerda, é a ilustração de duas mulheres de jaleco branco. Uma delas anota em uma prancheta e a outra, que usa óculos de proteção, mexe um Erlenmeyer. Acima delas, dois blocos de texto: "O contato com alunos é algo já minha trajetória que também gosto muito"; "Acho interessante ver os estudantes descobrindo a pesquisa, na iniciação científica, pegando gosto por aquilo, ficando parecidos com a gente...". Abaixo, no canto inferior esquerdo, Ilustração de uma estudante de toga e capelo verdes, que segura um canudo verde nas mãos e cumprimenta uma mulher de pele branca, cabelos lisos, pretos e compridos, que veste um moletom mostarda. Acima delas, o texto: "E depois saindo do doutorado, totalmente diferentes". Ao lado, Ilustração vertical da mulher em frente a um quadro verde escuro com um elemento químico desenhado em branco no centro. Ela está ao lado de uma mesa marrom com um notebook em cima. Em frente a ela, duas estudantes sentadas, de costas, em cadeiras e mesas marrons e verdes. Uma tem cabelos loiro escuros e a outra tem cabelos pretos e trançados em dreads. Na parte inferior do quadro, o texto: "Sempre gostei de professores em geral, acho que ess tipo de influência muda muito a nossa vida. E queria ser assim pras pessoas também". HQ 08: HQ quadrada e colorida dividida em duas metades verticais. Na primeira, com fundo verde marinho escuro, na parte superior, os textos: "Quando virei professora e pude ter minhas linhas de pesquisa, decidi entender o modo como a dor se manifesta em pessoas com esclerose, como minha mãe. Por isso desenvolvi esse projeto que enviei pro prêmio da L'oreal"; "Foi minha segunda tentativa". Abaixo, dois quadrados com ilustrações de uma pessoa mexendo em um computador, uma de perfil, e a segunda com a tela. Abaixo, Ilustração quadrada de mulher coçando a cabeça em frente ao notebook. Abaixo, o texto: "Eu estava quase desistindo. Não sabia direito como formatar a proposta". Abaixo, três Ilustrações quadradas: a primeira de uma mão fechada, a segunda da mão se abrindo, e a terceira do dedo apertando o enter do teclado do notebook. Abaixo, os textos: "Enviei pouco antes de encerrar o prazo"; "E ganhei ". Ao lado, mulher de pele branca, cabelos pretos, ondulados e compridos semi-presos, em frente a um púlpito com microfone. Ela sorri amplamente, tem olhos escuros, sobrancelhas grossas, veste vestido azul. O púlpito tem um microfone preto, e a logomarca do "For Women in Science" na frente. Ao fundo, painel branco com o nome "L'oreal" repetido várias vezes. HQ 09: HQ quadrada e colorida com fundo azul escuro. Na parte esquerda da imagem, Ilustração de um corpo humano de perfil, com vista para os órgãos internos, que estão em amarelo. Ao redor da cabeça, quatro círculos azuis com ilustrações menores. Da direita para a esquerda. 1. ilustração de pimenta, texto: estímulo nocivo. 2. Ilustração de TRPA 1, texto: receptores. 3. Ilustração de medula em amarelo, texto: medula espinhal. 4. Ilustração de ligação do cérebro, em amarelo, texto: cortex. Ao lado direito, duas linhas puxam zoom da ilustração dois. Há um fio horizontal em bordô; esse fio tem seis partes verticais arredondadas, ligadas uma a outra por um fio branco. Há um objeto em forma de "Z", amarelo, com a legenda "H2N" ligado ao fio na extremidade esquerda. E na extremidade direita, a última parte vertical aponta para a legenda "COOH". Acima, o nome "TRPA 1". Na parte superior, dois blocos de texto: "No laboratório, nós pesquisamos a proteína TRPA 1 que, quando ativada, provoca dor"; "Ela pertence a uma família de receptores usados na ingestão de alimentos. Eles identificam se há algo estragado ou se possui alguma substância que, em grandes quantidades, pode nos fazer mal". Abaixo do zoom, Ilustração quadrada da mulher em frente a um microscópio. No lado esquerdo dela, o texto: "Estamos tentando entender como a proteína é modificada na dor crônica, quando substâncias produzidas durante uma lesão tecidual acabam por hiperativá-la. Nessas situações, mesmo na ausência de lesão ou após a cura, esses receptores emitem sinais". Abaixo da mulher, o texto: "Entender como isso ocorre tornaria possível que a indústria desenvolvesse novos fármacos". HQ 10: HQ quadrada e colorida. Na parte esquerda, na vertical, uma janela do Google Meet com o título "Arco Entrevista - Gabriela Trevisan". Na aba, os botões de minimizar, maximizar e fechar. Na parte inferior, sobre faixa horizontal preta, os botões de microfone, câmera, compartilhamento de tela, configurações e desligar. Na tela, Ilustração de mulher, em pé. Ela tem pele branca, olhos escuros, cabelos lisos, compridos e pretos; sorrir amplamente. Veste jaleco branco com brasão da UFSM sobre o bolso. O fundo tem mesas cinzas, coifa cinza e prateleiras cinzas. Ao lado, sobre fundo branco, três balões de fala. Balão 1: "Acho que o prêmio ajudou a divulgar a importância da pesquisa sobre a dor. Ainda mais hoje, que a expectativa de vida aumentou e passamos mais tempo convivendo com doenças". Balão dois: "Por isso, no futuro, gostaria de olhar para trás e ver que ajudei pessoas, consegui fazer alguma mudança". Balão três: "Eu acho que a pesquisa básica tem disso: essa capacidade de gerar transformação ". No canto inferior direito, janela quadrada com fundo verde pastel, e em branco, a logomarca da Revista Arco, o "@revistaarco", e o texto: "Roteiro: Esther Klein; Ilustrações: Renata Costa". Expediente: Entrevista e roteiro: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo; Ilustrações: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Editor convidado: Augusto Paim, jornalista; Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/malawi-coracao-afetuoso-da-africa Thu, 01 Jul 2021 10:55:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8514

De julho a outubro de 2018, o professor aposentado de Gastroenterologia do Departamento de Clínica Médica da UFSM Renato Fagundes trabalhou como voluntário na República do Malawi, país da África Oriental. A viagem se deu pelo consórcio AfrECC, um projeto realizado entre o National Institute of Health (NIH) e outros grupos, que identificaram crescente número nos casos de câncer esofágico entre a população malawiana. 

O Rio Grande do Sul, juntamente com o Uruguai e o norte da Argentina, constituem a área de maior risco para esse tipo de câncer na América do Sul. Ciente disso, Fagundes sempre se dedicou ao estudo de tumores no esôfago, com mestrado e doutorado nessa área. O médico relatou à Revista Arco sobre as experiências e trabalhos desenvolvidos no país africano:

Povo de Malawi, crenças e costumes

Malawi é conhecido como The warm heart of Africa, que eu traduziria livremente por “o coração afetuoso da África”. Eu brincava constantemente dizendo que estava em busca de um um malawiano desagradável e não conseguia encontrá-lo. A afetividade e a disponibilidade em ajudar demonstrada pelas pessoas são muito grandes. Em geral, são pessoas bem-humoradas, um pouco tímidas no primeiro contato e, como a maioria dos africanos, extremamente musicais, caindo na dança por qualquer motivo.

É um dos países mais pobres e menos desenvolvidos do mundo. Foi colônia do Reino Unido até 1964. O idioma oficial é o inglês, porém uma significativa parte da população não se comunica nesse idioma, mas em alguns dos diferentes dialetos, dos quais o mais comum é o chechewa. A economia é baseada na agricultura, com a maior parte da população vivendo na área rural. O Malawi tem uma baixa expectativa de vida (ao redor de 50 anos), apresenta altas taxas de mortalidade infantil e uma alta prevalência de HIV/AIDS. O risco para doenças infecciosas é muito alto, incluindo hepatite A, febre tifoide, malária e esquistossomose.

Lilongwe

Lilongwe é a capital de Malawi, situa-se na região central do país. Apesar de existir como cidade de pequeno porte há mais de 60 anos, adquiriu importância quando foi elevada à condição de capital, em 1975, quando passou a apresentar um aumento da população, que atualmente ultrapassa um milhão de habitantes. Nestes 43 anos de existência, Lilongwe é uma cidade em construção, com algumas vias asfaltadas e muitas ruas sem calçamento. A existência de calçadas para pedestres é quase nula. Os pedestres dividem os acostamentos das vias asfaltadas com ciclistas e com motoristas afoitos que invadem o acostamento colocando todos em risco. 

Localização do Malawi no continente africano

É uma região árida e seca, nos meses de julho a outubro não chove e a poeira é uma constante. É uma cidade espalhada, com grandes intervalos sem construções, com iluminação e limpeza precárias, com muitas desigualdades, predominando pessoas de baixa condição social, econômica e cultural. Contrastando com a pobreza geral, existem construções públicas suntuosas como os prédios do parlamento, a residência do presidente, o banco central e as embaixadas, assim como o centro internacional de convenções e o estádio de futebol Bingu National Stadium. Apesar das desigualdades, a taxa de criminalidade é baixa e durante o dia é possível se mover em qualquer área da cidade em segurança.

Biópsias e próteses

O projeto funciona em dois contextos, um trabalho de campo, que visa a inclusão de pacientes com câncer esofágico, e outro de controles sem câncer. A abordagem inicial é feita através de questionários que visam identificar fatores de riscos, ambientais e familiares, seguidos de endoscopia digestiva alta nos pacientes com suspeita ou já diagnosticados previamente com câncer do esôfago. Nesses pacientes, são coletadas biópsias seguindo um protocolo padrão para todos os centros, e colocação de próteses metálicas expansíveis nos pacientes com obstrução esofágica, visando que eles possam deglutir. As biópsias vão ser alvo de identificação de marcadores moleculares para se formar um perfil molecular desses tumores. As próteses são uma inovação de origem chinesa, muito simples e de custo muito baixo, e estão sendo testadas nesses pacientes, aparentemente com bons resultados. Esse projeto é de longo prazo e envolve uma série de questões de pesquisa e de abordagens, com resultados previstos para os próximos cinco anos. 

Kamuzu Central Hospital (KMC)

Fiz a opção para desenvolver o projeto em Lilongwe por ser a região mais carente de pessoal para a realização de exames e procedimentos endoscópicos e, de forma contrastante com o ambiente geral de carência, possuir uma unidade da UNC com laboratórios de ponta para a realização de análises moleculares e genômicas. O Kamuzu Central Hospital é um hospital terciário de referência em Lilongwe, tem em torno de mil leitos, mas muitas vezes sua capacidade é excedida pelo número de pessoas da região (aproximadamente cinco milhões) que estão em sua área de abrangência. A maior parte dos leitos é ocupada por pacientes com HIV/AIDS. Em 2017, aproximadamente 70% dos óbitos ocorridos no hospital foram causados por HIV/AIDS. Exerci minha atividade basicamente na unidade de endoscopia digestiva. Um hospital dessa dimensão tem apenas dois médicos habilitados a realizar exames endoscópicos, e ambos são cirurgiões gerais, também responsáveis pelas cirurgias do hospital. Além disso, uma vez por semana eles devem viajar para os distritos satélites de Lilongwe para executarem pequenas cirurgias, de forma a manter os pacientes nos hospitais distritais. Devido a essa sobrecarga, a realização de endoscopia digestiva fica restrita a duas manhãs por semana, e muito frequentemente, em virtude de alguma urgência cirúrgica, os exames endoscópicos são suspensos.

Entrada do hospital. 

Desafios na rotina de trabalho

A dificuldade inicial foi que, contrariando a norma mundial de se efetuar endoscopia digestiva com sedação, no KMC, por razões econômicas, as endoscopias eram realizadas sem que o paciente estivesse sedado. Foi preciso muito argumento para conseguir sedativos, que, depois de algum tempo, faltaram e não foram repostos. A essa dificuldade, se somaram as relacionadas a equipamento deficiente e falta de pessoal treinado para auxiliar nos procedimentos. A unidade dispunha de somente uma funcionária fixa, que era aposentada e participava de um programa de aproveitamento de aposentados com salário irrisório. 

Um dos procedimentos relacionados à pesquisa incluiu o tratamento paliativo do câncer de esôfago avançado pela colocação de uma prótese metálica expansível através do tumor esofágico. É uma técnica que permite que o paciente possa deglutir e não venha a sucumbir pela fome e pela sede. Para a colocação dessa prótese, é necessário proceder a dilatação do tumor através da inserção de sondas de calibre progressivo, até se atingir um túnel adequado para se introduzir a prótese. Trata-se de um procedimento extremamente doloroso, que deve ser realizado sob sedação e analgesia. Na maior parte das vezes, os sedativos e analgésicos estavam em falta e tive de executar o procedimento sem sedação, surpreendentemente com pouca reação por parte dos pacientes. 

O equipamento de endoscopia consta fundamentalmente de duas partes: o tubo que é introduzido no tubo digestivo do paciente e uma processadora que gera a iluminação no interior do órgão e processa a imagem para um monitor. A única processadora era mantida ligada por, literalmente, um “curativo” feito com gases e esparadrapo que mantinham pressionado o botão comutador do aparelho. Quando eu cheguei estava assim, e assim permaneceu até a minha partida. Sem contar com os frequentes “apagões” de energia elétrica, que podiam durar alguns segundos ou se prolongar por tempo indefinido. Muitas vezes, com o endoscópio dentro do paciente, ficava na dúvida se deveria retirá-lo e aguardar a vinda da luz ou esperar com o instrumento inserido até a volta da energia. Esses apagões aconteciam em média cinco a seis vezes por dia.

“Curativo” que mantinha ligada a processadora do endoscópio.

Quando a vida diz para deixar a infância

Uma menina de 11 anos, vinda de um distrito distante, acompanhada da mãe, compareceu no dia aprazado para realização de endoscopia digestiva alta, indicada para esclarecimento de vômitos com sangue há dez dias. Não havia sedativos disponíveis. Explicamos a situação para a mãe e solicitamos que ela definisse um dia para o agendamento com o anestesista. A mãe, muito angustiada, disse que seria impossível voltar outro dia pois não teria dinheiro para a condução. Todo o dinheiro que dispunha tinha sido gasto nas passagens daquele dia. Expliquei, via intérprete (ela não falava inglês), os desconfortos do exame e as possíveis reações a esses desconfortos. Omiti minha angústia de realizar o exame em uma criança de 11 anos, a mesma idade de minha neta. A mãe conversou alguns minutos com a menina em dialeto chechewa. 

Depois de um diálogo permeado de temor e ansiedade, a mãe falou com a enfermeira que servia de intérprete. A tradução da enfermeira, seguida do olhar ansioso da mãe, foi que eu não só poderia, como deveria fazer o exame, garantindo que a menina suportaria os desconfortos com a menor reação possível. Considerando que a menina poderia sofrer outros episódios de hemorragia digestiva, tomei a difícil decisão de tentar o exame. Somente com um spray de xilocaína na garganta para reduzir o reflexo de vômito, iniciei o exame. A reação da menina foi mínima, fez uma arcada de vômito, na introdução do endoscópio, e permaneceu imóvel, com lágrimas escorrendo de seus olhinhos fechados durante o tempo que durou o exame. 

A suspeita diagnóstica se confirmou. Ela apresentava varizes esofágicas de grande calibre e com sinais de sofrimento, o que significa risco de novos sangramentos. Para realizar o procedimento, é necessário retirar o endoscópio, montar o kit de ligadura elástica no endoscópio e reintroduzi-lo. A resposta da menina para nossa explicação foi um cerrar de dentes seguido de um balançar afirmativo da cabeça. Reintroduzimos o endoscópio com o kit de ligadura, que torna um pouco mais desconfortável a introdução. Houve a mesma reação do início do exame, seguido de lágrimas. Consegui colocar com sucesso cinco anéis nas varizes e completei o procedimento. Ao terminar, ela se abraçou à mãe e deixou vir o choro contido, soluçando convulsivamente, sem emitir nenhum som. Foi de cortar o coração.

Jornada de uma mãe ao fundo de sua dor

Este foi um dos fatos mais tristes que presenciei em minha vida calejada de médico. Uma criança de colo morreu no hospital. Uma enfermeira enrolou cuidadosamente seu corpinho inanimado em um lençol e o entregou à mãe, que estava sozinha. A mãe, num silêncio profundo que gritava aos corações de quem estava presente, colocou o pequeno fardo em seu xale, colocou-o em suas costas e iniciou sua jornada solitária para casa, distante quatro horas de caminhada. Confesso que me foi impossível reter as lágrimas ao ver aquela mãe afastando-se lentamente em direção ao seu destino, para enterrar sua carga física juntamente com a dor de sua alma.

O que Malawi me acrescentou

Sempre considerei a resiliência, a capacidade de adaptação e a tolerância como os pontos fortes de minha personalidade. Essas características foram testadas ao máximo em minha estada no Malawi. A carência de medicamentos e materiais limitando um trabalho adequado pode ser frustrante, mas é melhor fazer improvisando do que não executar a tarefa. Trabalhar com funcionários despreparados, e muitas vezes indolentes em situações delicadas, representou um grande esforço de autocontrole. Ao me sentir violentado por fazer procedimentos sem um mínimo de alívio do paciente aos meus cuidados, tive de me consolar que todo o sofrimento infligido por meus atos iria ser compensado pelos resultados decorrentes do procedimento. Acho que contribuí de forma significativa, tanto do ponto de vista científico quanto do ponto de vista humano e social, mas deixo os testemunhos de minhas ações em Malawi para os representantes das organizações, que promovem e patrocinam estas ações, com quem convivi.

Ao lado de uma paciente.

*Texto: Renato Fagundes

Expediente:

Ilustrador: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb, jornalista

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O Programa de Educação Socioambiental, o curso Saúde e Espiritualidade e o projeto Cuidar de Quem Cuida dos Pacientes/Husm, apoiados pela Unidade de Apoio Pedagógico do CCR, promovem o seminário online "Câncer: a importância da prevenção" na quinta-feira (24), às 19h, com a médica oncologista Alice Zelmanowicz, especialista com atuação junto aos hospitais Moinhos de Vento e Santa Casa de Porto Alegre.

O seminário será transmitido pelo canal do Jardim Botânico da UFSM no Youtube. Interessados em acompanhar devem preencher o formulário para que possam receber o link da transmissão.

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Há mais de uma década, uma campanha tenta conscientizar homens a fazerem algo que deveria ser básico: cuidar da própria saúde. O Novembro Azul surgiu na Austrália, em 2003, com o intuito de informar sobre a prevenção e o diagnóstico de doenças que atingem o público masculino.

A campanha, que em inglês se chama Movember (junção das palavras bigode e novembro), conseguiu fazer com que muitos homens adotassem o bigode durante o mês. Com a decisão de manterem seus pelos sobre os lábios superiores, eles passaram a divulgar a campanha que alerta os perigos do câncer de próstata, segundo mais comum entre os homens e ainda cercado de muitos tabus.

A falta de cuidado com essa glândula afeta a saúde masculina de diferentes formas. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 14 milhões de brasileiros, por volta dos 45 anos, sofrem com a Hiperplasia Prostática Benigna (próstata aumentada). O tratamento é seguro e costuma dar bons resultados, mas, para isso, é preciso ir ao médico.

Tabu do exame

O preconceito em torno do exame do toque ainda é recorrente entre a comunidade masculina. Homens, a partir dos 40 anos, devem começar a se preocupar com esse problema e procurar um médico urologista para realizar o exame do toque retal.  De acordo com especialistas, ele dura cerca de 7 segundos e é o principal meio utilizado para identificar eventuais problemas que possam acometer a próstata. 

Mesmo com a rapidez do exame, o número de vítimas mostra que o cenário não é nada bom. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, um homem morre a cada 38 minutos de câncer de próstata no Brasil. Histórico familiar, obesidade e idade avançada são três fatores importantes associados à incidência da doença. 

No estágio inicial, o paciente com câncer de próstata pode apresentar: dificuldade para urinar, presença de sangue e diminuição do jato da urina, e necessidade ir várias vezes ao banheiro. Outras doenças consideradas benignas costumam apresentar os mesmos sintomas.

“O Novembro Azul está aí para levantar uma bandeira que é a falta de cuidado com a saúde masculina. Mas sobre o câncer, os homens precisam entender que ele não é um bicho de sete cabeças. Ele é simples e praticamente indolor, além de não afetar em nada a masculinidade deles”, explica o médico proctologista Eduardo Rodrigues, do Hospital de Caridade de Santa Maria.

Eduardo aponta ainda que é a partir do toque na próstata que o médico pode analisar se a glândula apresenta alguma irregularidade. “As chances de cura do câncer de próstata são enormes, mas a maioria dos casos que resulta em óbito acontece devido a um diagnóstico totalmente tardio.”

Diagnóstico 

Como a próstata fica abaixo da bexiga e à frente ao reto, o exame de toque permite ao médico apalpar a glândula e perceber se há nódulos ou tecidos endurecidos, o que, se houver, pode indicar o estágio inicial da doença. O exame é rápido e indolor. Além disso, também existe a dosagem de Antígeno Prostático Específico (PSA), uma testagem complementar de sangue.

Conforme o membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), José de Almeida, a prevenção do câncer de próstata se divide em duas frentes: os homens que já tem histórico familiar para o câncer de próstata e aqueles que não têm histórico familiar. “A maneira mais segura de curar o câncer de próstata é descobrindo-o precocemente, ou seja, fazendo os exames preventivos,” ressalta José Almeida, no Portal da Urologia.

Militar da reserva, Sérgio Florez, descobriu que tinha câncer de próstata aos 75 anos. O diagnóstico aconteceu de forma não tão precoce, mas em um estágio que permitiu o controle da doença. “Eu confesso que fui resistente em fazer o exame. Eu pensava que isso não era coisa para homem e que a medicina deveria ter outro método para dar o resultado. Mas, como eu sempre zelei pela minha saúde, me conscientizei e fiz. Hoje posso dizer que estou praticamente curado”, relata Sérgio. 

Estágios do Câncer de Próstata

Conforme o médico proctologista Eduardo Rodrigues, é possível identificar quatro estágios no câncer de próstata.

De acordo com o Eduardo, os efeitos colaterais de alguém que possui a doença são incontinência urinária e impotência sexual. Quando o câncer está localizado na próstata, o procedimento mais comum é a realização de cirurgia e depois radioterapia. Já quando há metástase apenas a radioterapia é indicada para tratar. 

A masculinidade e seus tabus

A masculinidade encontra-se presente há algumas décadas no meio das discussões da sociedade. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou, em 2019, que a expectativa de vida é de 80 anos para mulheres e 73 para homens. Ela tem como principais fatores o fato de que os homens possuem comportamento mais violento; vão menos ao médico; fumam, bebem e se alimentam de maneira errada com maior frequência.

A psicóloga Ivete Beltrame explica que ser homem e viril é uma construção embasada na alta resistência às doenças, menos cuidado consigo e práticas sexuais de risco, justificadas pelo maior número de parceiros ou parceiras e sentimento de autoproteção. “Conhecer o seu corpo e reconhecer sua fragilidade também são coisas de homem”, destaca.

 

Repórter: Pablo Iglesias, acadêmico de Jornalismo

Ilustração: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial

Mídias Sociais: Nataly Dandara e Nathalia Pitol, acadêmicas de Relações Públicas

Editora de Produção: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo

Editor Chefe: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/afago-no-hospital Thu, 20 Jun 2019 19:38:51 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=5539 Ouça esta reportagem:

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[caption id="attachment_5930" align="alignleft" width="350"] Pepê, a terapeuta de quatro patas.[/caption]

 Quem vê os sorrisos das crianças que esperam a visita semanal da Pepê nem imagina que ela é uma terapeuta pouco convencional. A cadelinha, que exerce função de cão de apoio social no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), anima os corredores do Centro de Atendimento à Criança e Adolescente com Câncer (CtCriaC), acompanhada da psicóloga Fabiane Bortoluzzi Angelo Munhoz, sua tutora.

A inspiração para o projeto Afago no Hospital veio de uma iniciativa de Fabiane, que realizava consultas no seu consultório particular com a presença de Pepê. Devido aos benefícios da presença animal que pode ajudar no tratamento dos pacientes internados –, e com o apoio dos médicos do Husm, as atividades foram ampliadas. A implantação da ideia no Hospital contou com a ajuda do programa Cuidado e Atenção à Criança e ao Adolescente em Tratamento Oncológico (Caacto), do curso de Terapia Ocupacional da UFSM.

Criado e coordenado pela professora do Departamento de Terapia Ocupacional Amara Holanda, o Caacto articula ações de extensão, ensino e pesquisa na promoção da atenção integral à saúde das crianças e adolescentes em tratamento no serviço hematológico e oncológico, e de seus cuidadores. O programa realiza atividades que quebram o cotidiano da internação hospitalar, como sessões de filmes no Cine Pipoca,
visitas guiadas ao Hospital e intervenções musicais.

Além de marcar presença em algumas das ações do Caacto, Pepê realiza visitas semanais aos pacientes do CTCriaC. “O Afago no Hospital tem uma importância fundamental e excelente aceitação por parte das crianças, adolescentes e profissionais da saúde do serviço de hematologia e oncologia do Husm”, comenta Amara.

Por trás da Afago no Hospital

Antes de o projeto ser aplicado, foi preciso muito trabalho. Fabiane, juntamente com a terapeuta ocupacional do Husm Luisiana Onófrio e a residente Natyele Silva, reuniram-se para criar fluxogramas, em conjunto com os médicos do CTCriaC e a Comissão de Controle de Infecção (CCIH). Luisiana explica que o fluxograma é um protocolo que deve ser seguido pelo tutor para que qualquer cão tenha
acesso ao Hospital.

Com a aprovação dos protocolos pelos médicos e pela CCIH, o processo de habilitação da Pepê começou. Após passar por uma avaliação comportamental e seguir acompanhamento médico, a cadelinha aprendeu comandos de obediência e a se habituar com barulhos e toques. “Ter a orientação de um profissional especializado no treinamento de cães é fundamental para que o animal associe positivamente o contato humano”, pontua Fabiane.

No entanto, não é somente o animal que deve ser preparado: a tutora precisa seguir um comportamento específico e prestar atenção nos sinais manifestados pelo cachorro: “Pode ter dias que ele não estará disposto, e temos que respeitar isso. Esse é um dos pilares da Intervenção Assistida com animais: o respeito ao bem-estar animal”, salienta a psicóloga.

Para a elaboração dos fluxogramas, o projeto também teve a ajuda da psicóloga Silvana Fedeli Prado, coordenadora da ONG Patas Therapeutas, de São Paulo e referência no Brasil por trabalhar desde 2004 com cachorros em ambiente hospitalar. Entre os cuidados elencados, estão a limpeza das patas da Pepê com antisséptico antes de entrar e sair do CTCriaC, banho no dia anterior ou no dia da visita, escovação do pelo, vacinas e exames atualizados, e cautela com perfumes e essências para não causar indisposição nos pacientes. Ademais, é essencial que todos os envolvidos na visita lavem as mãos antes e depois do contato com o cão.

Além dos cuidados básicos, existem precauções diferentes para as crianças com a imunidade baixa, como o uso de equipamentos de proteção individual. “No dia que a Pepê vem, eles já esperam de máscara e luva. Com a intervenção da cadelinha, o uso dessas peças fica muito mais leve e humanizado”, comenta Natiely.

O projeto conta ainda com a ajuda das acadêmicas da Terapia Ocupacional Alessandra Freitas, Morgana Machado e Sabrina Franchi. Alessandra comenta que a melhor parte de participar das atividades é poder ver o sorriso de cada criança quando a Pepê adentra o CTCriac: “Faz com que elas esqueçam da dor e da doença, se divirtam, interajam e, de certa forma, aliviem a pressão do contexto hospitalar e do desconhecido gerado pela doença que rompeu sua rotina”.

Bom pra cachorro (e pra humano também)

Um dos benefícios oferecidos pela afagoterapia é a rapidez e a facilidade que o cão tem de auxiliar em tarefas que as crianças podem não se sentir tão motivadas a fazer: "A Pepê estimula a criança a sair do leito, proporcionando melhoras psicológicas, emocionais e sociais”, explica a psicóloga Fabiane.

O amparo não é somente para as crianças. Natiely conta que a presença da cadelinha auxilia na independência das crianças em relação aos pais, os quais, normalmente, são porto seguro durante a experiência de internação. Ademais, ela ajuda a estreitar relações entre as famílias e os pacientes. “O ambiente hospitalar é tenso e doloroso. Então, quanto mais a gente conseguir propiciar para essas pessoas momentos prazerosos, provavelmente melhor vai ser para o tratamento”, comenta a tutora.

Luisiana complementa, contando que a feição dos profissionais do Hospital também muda com a visita da mascote: “Parece que eles ficam mais leves e felizes. Isso é muito nítido, todo mundo percebe”. Até mesmo as pessoas que não têm ligação com o CTCriaC, como funcionários e pacientes de outras unidades, são beneficiadas pelo contato com a cadelinha. “Em um momento de angústia, aguardando a consulta ou o resultado de exames, receber o afago da Pepê por alguns segundos pode ser a única alegria que a pessoa vai ter no dia”, destaca Natiely.

Satisfeita com os benefícios propiciados pelo projeto Afago no Hospital, Fabiane conta que a intenção do grupo é, futuramente, expandir as ações com a ampliação das equipes canina e humana, o atendimento a outros pacientes e, até mesmo, a criação de um grupo de estudos ou um núcleo de pesquisa sobre o assunto.

Reportagem: Martina Irigoyen

Fotografias: Rafael Happke

Lettering e Diagramação: Deidre Holanda

Locução: Marcelo de Franceschi

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/10/05/alunos-de-musica-da-ufsm-farao-recital-para-criancas-com-cancer-nesta-segunda-feira Sat, 06 Oct 2018 01:22:47 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=44933 Estudantes dos cursos de bacharelado e licenciatura em Música da UFSM vão se apresentar nesta segunda-feira (8) para aproximadamente 15 crianças (junto com seus acompanhantes) que se tratam contra o câncer no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Inciativa alusiva ao Dia da Criança, o recital “Cantando Afeto” é promovido pelo programa de extensão Cuidado e Atenção ao Adolescente e Criança em Tratamento Oncológico (Caacto), que desde 2009 desenvolve ações junto à Turma do Ique e ao Centro de Tratamento da Criança com Câncer (CTCriac) do Husm. Com duração prevista de duas horas, o recital começa às 15h no Auditório Gulerpe. Coordenado pela professora Amara Tavares Battistel, do curso de Terapia Ocupacional, o Caacto conta com a participação de alunos de outros cursos da UFSM, como Artes Visuais, Fisioterapia, Música e Pós-Graduação em Educação, além de acadêmicos da Residência Multiprofissional. Para o recital “Cantando Afeto”, o programa tem o apoio da Gerência de Ensino e Pesquisa do Husm, do curso de Terapia Ocupacional e da Afago Pet Terapia. Durante a apresentação, entre uma música e outra, os participantes do programa vão contar um pouco da trajetória do Caacto por meio de fotos e vídeos.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-vida-apos-cirurgia Thu, 19 Oct 2017 19:38:05 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2462 Chega o mês de outubro e muito se fala da prevenção ao câncer de mama. As campanhas surgem como incentivo à realização do autoexame e/ou do teste de mamografia, a fim de detectar previamente possíveis sintomas do tumor que ocupa o segundo lugar no número de incidências a nível mundial,  perdendo somente para o câncer de pele. Quanto mais cedo for detectado, maiores são as chances de obter a cura. Já em um estágio mais avançado da doença, muitas vezes, se faz necessária a mastectomia, cirurgia de retirada de uma ou ambas as mamas. A recuperação após o procedimento costuma ser rápida, mas, na maioria dos casos, a mudança é muito mais interna do que externa.   Para muitas mulheres, retornar para casa e ver o corpo modificado pela cirurgia e pelo pós-operatório (sessões de quimio e radioterapia) é um grande desafio. A retirada da mama e a queda dos cabelos podem afetar diretamente a autoestima e a sexualidade das mulheres. O seio feminino sempre foi uma parte do corpo muito valorizada pela cultura que se tem imposta, e remete a valores como feminilidade e fertilidade. Logo, para além da aceitação do próprio corpo, há ainda a aceitação da sociedade em relação a isso.   As repercussões na vida de dez mulheres que derrotaram o câncer depois de se submeterem ao procedimento de mastectomia são relatadas em uma pesquisa feita por Elisa da Luz Adorna, Elhane Glass Morari-Cassol e Nara Maria Severo Ferraz. O estudo tem como objetivo apresentar aos profissionais de fisioterapia e de outras áreas da saúde, situações pelas quais passam as mulheres mastectomizadas, a fim de auxiliar no tratamento da recuperação física e emocional das pacientes.   As autoras buscaram entrevistar e analisar qualitativamente as respostas e, então, identificaram seis categorias afetadas pelo pós operatório, sendo três delas abordadas no artigo: vida afetiva, vida familiar e vida social. Publicado na Revista Saúde do Centro de Ciências da Saúde da UFSM, o texto conta a experiência de pacientes que participam do grupo de apoio Renascer.                                                                                                                                                     Os problemas apontados com mais frequência remetem ao relacionamento com familiares, companheiros e amigos, o afastamento das pessoas, a dificuldade de diálogo sobre o câncer de mama e o preconceito.  Diante de todas as funções sociais delegadas à mulher, o aparecimento do câncer pode criar um estereótipo e acarretar a afastamento ou exclusão de determinados grupos.   “Eu não falava muito porque tem pessoas que ficam achando que vai morrer, deu aqui já vai dar em outro lugar…”   “Minhas filhas ficaram nervosas, quer dizer, ficaram transtornadas, abaladas.”   Ao analisar as mudanças positivas, as autoras da pesquisa encontraram o fortalecimento dos laços familiares e de amizade e o apoio recebido pelas mulheres que, nestes casos, passaram a ser mais valorizadas e admiradas, pela família, companheiro e amigos. A pesquisa cita que o período da descoberta da doença e o acompanhamento de todo o tratamento geram uma situação de “crise” na família, fazendo com que, na maioria dos casos, esta permaneça unida.   “Ele acha que eu sou uma pessoa muito forte, porque qualquer outra pessoa sucumbiria, iria se entregar, se achar uma coitadinha, e eu nunca fui coitadinha.”   “... saíam cinco e entravam dez pra me visitar, naqueles dias, eu tive visita que não deu tempo nem de pensar muito... é a melhor coisa que a gente tem.”   O câncer de mama e seu tratamento são momentos difíceis na vida não só da mulher, como também de todo o seu círculo afetivo e social. Portanto, para além dos objetivos científicos da pesquisa, sobram também muitas reflexões.   Reportagem: Tainara Liesenfeld Arte: Giana Bonilla]]>