UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sat, 25 Apr 2026 03:04:08 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/15/central-de-tutoria-do-ccne-retoma-atendimentos-para-estudantes-da-ufsm Wed, 15 Apr 2026 18:13:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72493 site do CCNE. Os atendimentos acontecem presencialmente, na sala 1110 do prédio 13 do campus sede; e on-line, para estudantes dos campi de Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul. Texto: Subdivisão de Comunicação do CCNE]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/2026/04/13/aula-magna-do-profgeo-abordara-docencia-na-educacao-basica Mon, 13 Apr 2026 14:08:57 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/?p=6995 A coordenação nacional do Mestrado Profissional em Ensino de Geografia (PROFGEO) promove, no dia 24 de abril (sexta-feira), às 19h, a Aula Magna “Formação Inicial e continuada das professoras/es de Geografia: desafios e possibilidades da docência na Escola Básica”. O evento será realizado no Auditório Marie Curie (prédio 17) e terá transmissão ao vivo pelo canal do PROFGEO no YouTube.

A aula magna será proferida pela professora e pesquisadora Helena Copetti Callai, professora da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ). A professora Helena é mestre em Geografia (Geografia Humana) e doutora em Geografia (Geografia Física) pela Universidade de São Paulo (USP), com estágio pós-doutoral na Universidade Autônoma de Madrid (Espanha). Atua com pesquisas na área do Ensino de Geografia, com ênfase em educação geográfica, epistemologia, cidade e cidadania. Também é bolsista de produtividade nível 1D do CNPq.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/01/professora-da-ufsm-integrou-a-organizacao-da-2a-olimpiada-de-professores-de-matematica-ensino-medio-no-brasil Wed, 01 Apr 2026 13:29:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72357 [caption id="attachment_72359" align="alignright" width="525"] Carmen (de vermelho) participou da entrega de medalhas[/caption]

A professora Carmen Vieira Mathias, do Departamento de Matemática da UFSM, integrou a comissão organizadora da segunda edição da Olimpíada de Professores de Matemática Ensino Médio no Brasil (OPMbr), contribuindo diretamente para a realização do evento. Ela também auxiliou na organização e participou da cerimônia de premiação, realizada na segunda-feira (30), no Ministério da Educação (MEC), em Brasília, reunindo os medalhistas professores e representantes de diversas instituições.

O evento contou também com a presença da comitiva chinesa da Unesco/Shanghai Normal University, instituição que receberá os estudantes medalhistas para uma imersão acadêmica nas primeiras semanas de maio. A docente da UFSM foi convidada e irá acompanhar o grupo durante essa experiência internacional, representando e apoiando os medalhistas ao longo das atividades.

Para Carmen, sua participação reforça o envolvimento da UFSM em iniciativas educacionais de destaque e na promoção de intercâmbios internacionais.

Foto: Divulgação

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/30/ufsm-reune-medalhistas-da-20a-edicao-da-obmep-em-cerimonia-regional Mon, 30 Mar 2026 11:56:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72298 [caption id="attachment_72302" align="alignright" width="540"] Henrique Masquin e sua mãe, Elenice, estiveram presentes na cerimônia[/caption]

Mesmo com o calor de 31° Celsius em Santa Maria, Henrique Masquin, de 16 anos, esperava ansiosamente o início da cerimônia de entrega das medalhas da 20ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática (Obmep), sediada no Centro de Convenções da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na tarde da última sexta-feira (27). 

Henrique, que é estudante do segundo ano do ensino médio no Colégio Tiradentes, de Ijuí, participa da competição desde o sexto ano do ensino fundamental. Neste ano, ele recebeu a medalha de prata nacional. “É tanto conhecimento que tu ganha porque te ajuda muito na questão da lógica pros vestibulares, é muito bom também ter isso”, conta à Agência de Notícias. O medalhista ainda projeta o futuro na área de exatas. “Uma engenharia, provavelmente”, diz. Entre as possibilidades, ele cita a UFSM como uma instituição que deseja ingressar.

Natural de Três Passos, Henrique veio acompanhado da mãe, Elenice Masquin, que acompanha a trajetória do filho e vê nas olimpíadas um caminho de transformação educacional. Para ela, mais do que medalhas, a participação representa um incentivo para que os estudantes busquem conhecimento e acreditem em seu potencial. Elenice destaca que sempre encorajou os filhos a participarem das provas com dedicação e confiança, reforçando que essas experiências abrem portas e mostram que, com esforço, novas oportunidades podem surgir. 

O exemplo mais próximo dentro de casa é o do filho mais velho, Gabriel Masquin, que também se dedicou às olimpíadas científicas e hoje estuda no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), uma das instituições mais concorridas do país. Para ela, ver os dois filhos trilhando caminhos semelhantes reforça a importância do incentivo desde cedo. “Eu, como mãe de medalhista, sinto muito orgulho”, afirma.

Inserido nesse contexto, o desempenho de Henrique Masquin também reflete o alcance da regional RS02 da Obmep, sediada na UFSM. A coordenadora regional e professora de Matemática na UFSM, Taísa Miotto, explica que o Rio Grande do Sul é dividido em cinco regionais da olimpíada, responsáveis por organizar a participação dos estudantes em diferentes territórios. A RS02, que abrange 127 municípios das regiões central e noroeste, é uma delas, ao lado das regionais de Porto Alegre (RS01), Caxias do Sul (RS03), Passo Fundo (RS04) e Rio Grande (RS05). 

Na edição de 2025, a Obmep reuniu mais de 18 milhões de estudantes em todo o país, com cerca de 870 mil classificados para a segunda fase e milhares de medalhas distribuídas em nível nacional. Dentro desse universo, a regional sediada na UFSM contabilizou 16 medalhas de ouro, 39 de prata e 86 de bronze, além de premiações estaduais que ampliam o reconhecimento dos alunos. Para Taísa, a iniciativa tem impacto direto na trajetória dos estudantes. “Tal premiação é muito válida, pois mais alunos são incentivados a estudar e terem seu desempenho reconhecido”, opina a docente.

[caption id="attachment_72304" align="alignleft" width="582"] Ao lado dos pais, Karina e Elton, Davi Przyczynski, de 13 anos, conquista medalha na categoria do ensino fundamental[/caption]

Os medalhistas do ontem e do hoje

Além de Henrique, estudantes mais jovens também começam a trilhar seus caminhos na olimpíada, como é o caso de Davi Przyczynski, de 13 anos. Aluno do 8º ano do ensino fundamental, ele participa pela terceira vez da Obmep e já colhe resultados ao conquistar uma medalha. Sobre a preparação, Davi conta que conciliou estudos por vídeos com a resolução de provas anteriores. “Eu estudava, via vídeos sobre o assunto e também fazia as provas dos anos passados”, relata. 

Apesar de ainda não ter definido uma profissão, ele afirma ter afinidade com a área de exatas e pretende continuar participando das próximas edições, seguindo um percurso semelhante ao de medalhistas mais experientes.

Para a mãe de Davi, Karina Przyczynski, a premiação é resultado direto da dedicação do filho ao longo do tempo. Vinda de Humaitá, na região Celeiro, ela acompanha de perto o interesse crescente do estudante pelas exatas, estimulado desde cedo dentro de casa. “É um momento de muita alegria, emoção e gratidão a Deus, né, e reconhecimento pelo esforço dele, pelo estudo, pela dedicação que ele tá tendo”, afirma. 

Segundo ela, a preparação incluiu a resolução de provas anteriores e o incentivo ao raciocínio lógico, com práticas como o xadrez e exercícios mentais. Para a família, a conquista representa não apenas uma medalha, mas a valorização de um processo contínuo de aprendizado.

[caption id="attachment_72305" align="alignright" width="578"] Mariana Lovato participou de seis edições da Obmep e, hoje, cursa Música na UFSM[/caption]

Enquanto Davi sobe ao palco para receber sua medalha ainda nos primeiros anos da trajetória olímpica, histórias como a de Mariana Lovato mostram onde esse caminho pode chegar. Seu primeiro contato com a Obmep foi em 2016, no 6º ano do ensino fundamental, e, a partir dali, participou de todas as edições seguintes, com exceção de 2020, quando não houve prova devido à pandemia. Em todas as vezes em que competiu, foi premiada, acumulando três medalhas de bronze e três de prata ao longo da vida escolar. 

Hoje, aos 21 anos e estudante do bacharelado em Música na UFSM, ela retorna à cerimônia em outro papel: sentada ao piano, conduzindo um dos momentos culturais do evento realizado no Centro de Convenções. “As pessoas pensam que não tem nada a ver, mas tem muito a ver. Ritmo é pura matemática”, conta Mariana. 

Universidade de portas abertas

Eventos como a cerimônia da Obmep reforçam o papel da universidade como espaço público e acessível à comunidade. Para o diretor do Centro de Ciências Naturais (CCNE) e Exatas da UFSM, Felix Alexandre Antunes Soares, a presença de estudantes de diferentes regiões aproxima a instituição da realidade das escolas e amplia horizontes para quem, muitas vezes, visita o campus pela primeira vez. “Isso aproxima muito a universidade das escolas”, afirma. Segundo ele, além de reconhecer o mérito dos alunos, a iniciativa ajuda a romper a ideia de que o ensino superior é distante. “A universidade não é uma coisa distante, intocável”, completa.

[caption id="attachment_72307" align="alignleft" width="570"] A mesa de abertura foi composta por Márcio Luís Miotto, Taísa Miotto, Martha Adaime, Félix Antunes Soares e Edson Sidney Figueiredo[/caption]

O diretor também destaca que as olimpíadas têm impacto direto no ingresso e na formação acadêmica desses estudantes. A UFSM, nos últimos anos, passou a contar com formas específicas de entrada para medalhistas, o que amplia as possibilidades de acesso. “Tem um processo de ingresso específico para esses estudantes”, explica. 

Ao mesmo tempo, ele ressalta o papel fundamental dos professores da educação básica nesse percurso. “A gente tem que agradecer muito aos professores das escolas”, diz, ao defender uma atuação conjunta entre universidade e escolas para estimular talentos e, inclusive, inspirar futuras carreiras acadêmicas.

Compuseram a mesa de abertura a reitora da UFSM, Martha Adaime, e o diretor do CCNE, Félix Antunes Soares. Participaram ainda o chefe do Departamento de Matemática da UFSM, Edson Sidney Figueiredo, o coordenador regional do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), o professor de Matemática da UFSM Márcio Luís Miotto e a coordenadora regional e professora de Matemática na UFSM, Taísa Miotto.

A cerimônia regional da 20ª edição da Obmep pode ser assistida na íntegra pelo público no canal do Youtube da UFSM.

Texto: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Gabriele Mendes, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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Uma rede de medição de carbono instalada em áreas agrícolas do Rio Grande do Sul está revelando, com precisão inédita, como diferentes sistemas de produção agropecuária interagem com o clima. Coordenado pela UFSM, por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), o projeto utiliza torres de fluxo, um equipamento semelhante à estação meteorológica, porém equipado com sensores mais precisos. Essas torres são consideradas o método mais avançado do mundo para medir continuamente a emissão e a absorção de gases de efeito estufa em lavouras e pastagens.

A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.

À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam a importância deste trabalho, que, ao mesmo tempo em que ressalta o papel do manejo adequado das áreas agrícolas e desmistifica a produção rural - quando bem feita - como vilã das mudanças climáticas, projeta novos mercados e fortalece a internacionalização da UFSM.

Sensores medem CO₂ em tempo real

Ao todo, nove torres de fluxo estão instaladas em diferentes sistemas produtivos do Sul do país, incluindo lavouras de soja, trigo, milho e arroz irrigado, além de pastagens naturais do bioma Pampa. Os equipamentos estão distribuídos em propriedades nos municípios gaúchos de Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.

As torres de fluxo são equipadas com sensores altamente sensíveis, capazes de registrar de forma contínua as absorções e emissões de gases do efeito estufa de uma área. Os instrumentos realizam 10 medições por segundo, identificando se, por exemplo, o dióxido de carbono (CO) está sendo liberado para a atmosfera ou absorvido pelas plantas - e, após, armazenado no solo. “A metodologia em si é única no mundo, só ela que faz isso. É a mais avançada e universalmente aceita”, explica Rodrigo.

Além da medição dos gases, os equipamentos registram variáveis meteorológicas, como temperatura do ar e do solo, radiação solar e precipitação. Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.

Com esse monitoramento contínuo, os cientistas conseguem calcular o chamado fluxo de carbono, que representa o saldo (balanço) entre o carbono retirado da atmosfera pelas plantas durante a fotossíntese e aquele liberado por processos naturais, como respiração das plantas, decomposição da matéria orgânica e atividade de organismos vivos. O acompanhamento permite identificar em tempo real, ao longo do dia, dos meses, das estações e dos anos, quando um sistema produtivo atua como emissor ou absorvedor de carbono.

De meia em meia hora, por três anos

“É preciso no mínimo 10 medidas por segundo da concentração do CO₂ e da velocidade vertical do vento na atmosfera. Com uma análise estatística destes dados se obtém o fluxo, e então é possível dizer, a cada meia hora, se um sistema emitiu ou absorveu”, explica Débora.

Como as medições são realizadas continuamente, a cada meia hora, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano o comportamento das emissões e absorções em cada área monitorada. Com um ano completo de dados, já é possível calcular o balanço anual de carbono de um sistema agrícola, pecuário ou natural e identificar práticas que aumentam a absorção ou as emissões.

No entanto, para garantir resultados mais robustos, o monitoramento precisa se estender por períodos maiores, já que as condições climáticas variam de um ano para outro - no caso, três anos é o período mínimo determinado pelos pesquisadores para captar melhor estas variações. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, salienta Débora.  

[caption id="attachment_72258" align="alignleft" width="396"] Uma das nove torres instaladas pela UFSM (Foto: Divulgação)[/caption]

Pioneirismo e investimentos

A professora Débora destaca o pioneirismo do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LABGEE), que acumula mais de 30 anos de experiência em monitoramento com torres de fluxo, com atualização constante das tecnologias utilizadas. “Nosso grupo, nos anos 1990, já participava de projetos na Amazônia. Mais tarde começamos a usar nos sistemas de manejo do Rio Grande do Sul, e começamos a monitorar mais continuamente a partir de 2010”, afirma.

O conjunto dos equipamentos utilizados no projeto representa um investimento de cerca de R$ 5 milhões, obtido pelo LABGEE ao longo dos anos por meio de projetos financiados por diferentes agências.

Trabalho interdisciplinar

A interdisciplinaridade é essencial para o êxito do projeto. Pesquisadores da Física, da Agronomia, da Meteorologia, trabalhando juntos, contribuem para o melhor entendimento dos resultados, que são utilizados por diversos grupos na UFSM, incluindo a área de sensoriamento remoto, e também de outras universidades. "É um trabalho bem amplo, e os resultados são compartilhados", destaca Débora.

Rodrigo exemplifica que, enquanto para as Ciências Rurais a ênfase maior é no armazenamento do carbono no solo, a Física se interessa pela contribuição dos gases para o aquecimento global, e a Economia estuda a venda e remuneração de créditos de carbono. "A fixação e emissão de carbono é um assunto que permeia vários grupos de pesquisa na UFSM, com diferentes óticas, e todos estão, de certo modo, dependentes de uma metodologia de quantificação, de como saber se um sistema produtivo, seja industrial ou agropecuário, está emitindo ou absorvendo. Aí é que entra esta metodologia, que é uma maneira mais moderna de quantificar", ressalta.

Protagonismo e reconhecimento internacional

O trabalho motiva tanto os produtores rurais envolvidos, que, com o manejo correto, visualizam no futuro monetizar créditos de carbono, quanto alunos de cursos como Física, Meteorologia, Agronomia e Engenharia Ambiental, que participam ativamente dos estudos e, mensalmente, visitam as propriedades nas quais as torres estão instaladas, sob a coordenação do meteorologista Murilo. "Nosso protagonismo é também na formação de recursos humanos para trabalhar com essa metodologia, que não é simples", destaca Débora.

A referência da UFSM na área não é de hoje. "Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. O grupo que tem o maior protagonismo é o nosso. Inclusive, por 20 anos, fizemos em Santa Maria o Congresso Brasileiro de Micrometeorologia, evento bianual que recebia a comunidade nacional e internacional", lembra Débora.

O reconhecimento internacional só cresce. Atualmente, os dados obtidos pelas torres de monitoramento estão entrando em um banco de dados mundial, sendo utilizados por grupos de pesquisa de inúmeros países. "Somos um grupo muito internacionalizado, com inúmeras parcerias. Também recebemos muitos pesquisadores estrangeiros e enviamos alunos de doutorado e pós-doutorado para países como Portugal e Estados Unidos", acrescenta a pesquisadora.

[caption id="attachment_72210" align="alignright" width="566"] Dados são apresentados aos produtores participantes (Foto: Divulgação)[/caption]

Importância ambiental e potencial econômico

A agricultura é frequentemente apontada como uma das fontes de emissão de gases de efeito estufa, mas os estudos conduzidos pela UFSM mostram que sistemas produtivos bem manejados, como é o caso dos que estão sendo monitorados, também podem remover carbono da atmosfera, contribuindo para reduzir o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

As medições feitas pelas torres de fluxo permitem identificar quais práticas agrícolas aumentam essa capacidade de captura, como o uso de plantas de cobertura, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária e manejo adequado das pastagens. “Quanto mais planta tiver no solo, sem intervalos, maior é a absorção, porque o que absorve o CO da atmosfera e coloca no solo são as plantas, por meio da fotossíntese. Sistemas sem pousios são os que mais absorvem”, destaca Rodrigo.

Além de contribuir para reduzir o aquecimento global, essas práticas podem melhorar a fertilidade do solo e abrir oportunidades para geração de créditos de carbono na agropecuária, que podem ser comercializados com empresas interessadas em compensar suas emissões.

Estimativas indicam que, se metade das áreas de pastagens naturais do Pampa fosse utilizada para geração de créditos de carbono, seria possível produzir cerca de 3,3 milhões de créditos por ano. Considerando um valor médio de US$ 10 por crédito, o potencial de receita chegaria a US$ 33 milhões anuais.

Além disso, práticas que aumentam a captura de carbono — como rotação de culturas, plantas de cobertura e manejo adequado do solo — tendem a melhorar a fertilidade e a estrutura do solo, contribuindo também para maior produtividade agrícola.

 

 

O que mostra o monitoramento

Os resultados das pesquisas conduzidas pela UFSM têm indicado que práticas agrícolas adequadas podem transformar lavouras e pastagens em aliadas importantes no combate às mudanças climáticas, ao ampliar a captura de carbono e reduzir emissões de gases de efeito estufa.

No arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno nas lavouras reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. As lavouras que cultivam soja e trigo, muito comuns na região, podem absorver até três vezes mais CO₂ por hectare se intercaladas por plantas de cobertura. A produção de bovinos em pastagens do Pampa pode absorver CO₂ pelo correto manejo da pastagem, compensando as emissões de metano pelo gado, aliando a produção de uma carne de qualidade com absorção de gases do efeito estufa.

Já a lavoura de trigo, segundo Rodrigo, é uma grande absorvedora de CO₂, mas deixá-la parada, sem cultivo, a torna uma emissora de CO₂. De maneira geral, conforme ele, as lavouras do RS têm potencial de serem absorvedoras de CO₂ e poderiam ser utilizadas para venda de créditos de carbono.  

Próximos passos: novas culturas e créditos de carbono

Os estudos conduzidos pela UFSM seguem em andamento e buscam ampliar o conhecimento sobre como diferentes práticas agrícolas influenciam o balanço de gases de efeito estufa nos sistemas produtivos do Sul do Brasil. Os pesquisadores esperam que os dados obtidos possam orientar estratégias de produção mais sustentáveis, apoiar políticas públicas e fortalecer o papel da agropecuária na mitigação das mudanças climáticas.

Assim que cada um dos sistemas produtivos que estão sendo monitorados atualmente completar três anos de dados gerados, outras culturas poderão ser contempladas, como a integração entre lavoura e pecuária e a fruticultura.

Outro passo futuro, assim que houver dados de três anos em cada sistema, é trabalhar em projeto piloto de crédito de carbono. "Como esse trabalho não é em nível de pequenos experimentos, mas sim em nível de fazenda, esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono", afirma Débora.

Texto: Ricardo Bonfanti
Arte gráfica: Daniel Michelon De Carli

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Nesta edição da premiação da OBMEP, participam representantes de 698 escolas de 127 da região central do Rio Grande do Sul. Ao total, serão premiados 367 estudantes, 21 professores, 17 escolas e uma secretária municipal de educação. Também participam do evento a reitora da UFSM, Martha Adaime, e o diretor do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), Félix Antunes Soares.

A Cerimônia de Premiação é uma realização da projeto de extensão OBMEP - Coordenação Regional, coordenado pela professora Taísa Junges Miotto (Departamento de Matemática/CCNE), e conta com a apoio Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Ministério da Educação (MEC), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e UFSM.

Sobre a OBMEP

A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) é um projeto nacional dirigido às escolas públicas e privadas brasileiras desde 2005. Realizado pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), a Olimpíada é voltada aos estudantes do sexto ao nono ano do ensino fundamental e das três séries do ensino médio. A OBMEP é uma proposta para desenvolver habilidades matemáticas e estimular o aprendizado por meio de questões que desafiam estudantes com problemas cotidianos.

A 20.ª edição da OBMEP foi realizada entre os dias 03 de junho (1ª fase) e 25 de outubro (2ª fase).

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De 25 a 29 de maio acontecerá o 19º Encontro da Sociedade Europeia de Sonoquímica (19th Meeting of the European Society of Sonochemistry/19th. ESS), em Chania, Grécia. Nesse congresso, estarão reunidas as principais lideranças mundiais na área de ultrassom e sonoquímica, com pesquisadores de vários continentes.

O professor do Departamento de Química da UFSM, Érico Flores, estará representando o Brasil nesse evento, sendo o único pesquisador da América Latina convidado para apresentar uma das quatro conferências plenárias do evento.

Evento tradicional na área de ultrassom aplicado a reações e processos químicos, organizado pela Sociedade Europeia de Sonoquímica, o 19th ESS congregará pesquisadores renomados da Alemanha, Austrália, China, França, Inglaterra, Índia, Itália, Japão, entre outros países, e será uma oportunidade para aumentar a visibilidade da pesquisa desenvolvida na UFSM na área de ultrassom, cujo grupo de pesquisa liderado pelo professor Érico é um dos expoentes na América Latina.

Érico apresentará a conferência plenária intitulada “New advances in ultrasound based water treatment and green synthesis of metallic nanoparticles” ("Novos avanços no tratamento de água baseado em ultrassom e para a síntese verde de nanopartículas metálicas"), que versará sobre os mais recentes usos da sonoquímica na área de nanomateriais e novos métodos para o tratamento de água para substâncias resistentes.

O grupo de pesquisa coordenado por Érico, dos programas de pós-graduação em Química (PPGQ) e em Engenharia Química (PPGEQ),
é referência na América do Sul na área de sonoquímica, já tendo publicado diversos artigos científicos em revistas internacionais de alto
impacto, além de capítulos de livros e patentes em cooperação com empresas na área de petróleo.

Em vista das importantes contribuições científicas, o professor Érico tem sido convidado com frequência para ministrar palestras no exterior. Segundo ele, o convite recebido é um reconhecimento adicional da excelência da pesquisa realizada na UFSM, que está integrada com as ações de internacionalização e de inovação dos integrantes do Laboratório de Análises Químicas Industriais e Ambientais (Laqia) e do Laboratório de Estudos em Petróleo (Cepetro), ambos vinculados ao Departamento de Química da UFSM.

Ambos, Laqia e Cepetro, têm se destacado no cenário internacional, entre outras atividades, como pioneiros no desenvolvimento de
sistemas empregando a energia de ultrassom aplicada para a intensificação de reações químicas e de processos industriais.

Os demais pesquisadores do Departamento de Química também fazem parte da equipe responsável pela pesquisa apresentada no evento:
professores Cezar Bizzi, Fábio Duarte, José Neri Paniz, Paola Mello, Rochele Picoloto e Rodrigo Bolzan, além do professor Juliano Barin,
do Departamento de Tecnologia e Ciência dos Alimentos e dos pós-doutorandos Altevir R. Viana, Gabriel T. Druzian e Mariele S.
Nascimento.

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Paleontólogos da UFSM publicaram, na última sexta-feira (13), um novo estudo no periódico científico Palaeontology, no qual apresentam a reconstrução do cérebro de um réptil extinto a partir de tomografias computadorizadas. As análises foram realizadas com base em um fóssil de 233 milhões de anos, encontrado no município de São João do Polêsine (RS), no território do Geoparque Quarta Colônia Unesco.

Frequentemente confundidos com dinossauros, os pterossauros foram répteis que dominaram os céus durante a Era Mesozoica e desenvolveram a capacidade de voo antes mesmo das aves. Embora esses animais tenham sido abundantes nos Períodos Jurássico e Cretáceo, sua origem no Período Triássico ainda é pouco compreendida. Dentre as diversas adaptações que essa linhagem apresentou para o voo, as mudanças no cérebro estão entre as que mais chamam a atenção e despertam curiosidade. A chave para entender como o cérebro dos pterossauros evoluiu para permitir o voo está em compreender como era o cérebro de seus precursores, para que as diferenças entre eles possam ser discernidas.

Entretanto, há poucos fósseis no mundo de precursores dos pterossauros que preservem bem a região do crânio que abriga o cérebro. Nesse contexto é que um fóssil brasileiro ajudou a entender como foi o cérebro desses precursores dos répteis voadores. O novo estudo, liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria e com a participação de cientistas dos Estados Unidos, Argentina e Alemanha, investigou detalhes da anatomia do fóssil de um lagerpetídeo descrito em 2023. A pesquisa faz parte da tese de doutorado de Lísie Vitória Soares Damke, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob a orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller.

[caption id="attachment_72180" align="aligncenter" width="1024"] Reconstrução artística de Venetoraptor e modelo 3D do cérebro (Ilustração: Caio Fantini)[/caption]

Como estudar o cérebro de um animal extinto?

Os lagerpetídeos foram répteis esguios que representam os precursores mais próximos dos pterossauros. Contudo, ao contrário de seus parentes voadores, os lagerpetídeos não possuíram a capacidade de voar. É justamente por isso que existe tanto interesse em compreender como era o cérebro desses animais, já que analisá-lo pode ajudar a revelar quais características surgiram nos pterossauros a partir do momento em que o grupo se tornou capaz de levantar voo. Contudo, como o cérebro é uma estrutura composta por tecidos moles, que raramente se preservam no registro fóssil, estudar sua anatomia é uma tarefa desafiadora.

Para contornar essa limitação, cientistas utilizam tomografias computadorizadas para preencher digitalmente as cavidades do crânio que correspondem ao espaço que seria ocupado pelo encéfalo. Em seguida, as estruturas internas são separadas digitalmente, o que permite a criação de um modelo tridimensional aproximado do cérebro. É a partir desse modelo que os pesquisadores conseguem inferir hábitos e comportamentos por meio de medidas e análises baseadas em animais atuais.

[caption id="attachment_72181" align="aligncenter" width="1024"] Infográfico do réptil (Ilustração: Matheus Fernandes Gadelha)[/caption]

Nem do céu nem da terra: um réptil que vivia na copa das árvores

Foi por meio desses procedimentos que o grupo de pesquisadores conseguiu reconstruir o cérebro do lagerpetídeo brasileiro Venetoraptor gassenae. Esse réptil com cerca de 1 metro de comprimento possuía um bico pontiagudo, garras longas, membros delgados e locomovia-se de maneira bípede. Embora ele não fosse capaz de voar, acredita-se que ele se deslocava entre as copas das árvores, utilizando suas garras recurvadas para se prender nos galhos.

O excelente grau de preservação dos elementos cranianos fossilizados ajudou a revelar detalhes importantes da anatomia do cérebro e do ouvido interno desse animal. Uma das estruturas que mais chama a atenção no modelo tridimensional é o flóculo do cerebelo, uma estrutura associada ao equilíbrio e à estabilização da visão durante os movimentos da cabeça. Na espécie estudada, essa estrutura é bastante desenvolvida, sugerindo que esses animais já possuíam um controle refinado dos movimentos da cabeça e da visão.

A pesquisa também apontou que partes dos canais semicirculares, estruturas do ouvido interno que fazem parte do labirinto ósseo e são fundamentais para o equilíbrio dos organismos, apresentam um aumento notável em comparação com alguns outros répteis. Essas habilidades podem ter sido úteis para ajudar esse animal a caçar suas presas e/ou a se locomover com maior facilidade entre as árvores. Nos pterossauros, o flóculo do cerebelo também é muito grande, mas a presença dessa estrutura bem desenvolvida em Venetoraptor gassenae demonstra que essa condição não era exclusiva de répteis voadores.

Próximos passos

Embora tenha sido possível reconstruir boa parte do cérebro de Venetoraptor gassenae, ainda existem regiões desconhecidas, pois os ossos que as envolviam em vida não se preservaram. Entre elas estão os bulbos olfatórios, regiões do encéfalo responsáveis pelo sentido do olfato. O grupo de pesquisadores espera encontrar novos fósseis da espécie que preservem a região do crânio associada a essas estruturas, o que poderá permitir, no futuro, inferir a capacidade olfativa do animal. Para isso, continuam realizando escavações no sítio fossilífero que revelou os fósseis de Venetoraptor gassenae em 2022. A equipe também possui diversos achados inéditos em fase de preparação em laboratório ou em estudo, o que sugere um cenário promissor para os próximos anos no que diz respeito à investigação dos lagerpetídeos e à origem dos pterossauros.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM

O fóssil de Venetoraptor gassenae está depositado no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM), localizado no município de São João do Polêsine. O centro integra o Geoparque Quarta Colônia Unesco e abriga uma importante coleção de fósseis do Triássico brasileiro, além de uma exposição aberta à visitação gratuita.

O estudo foi conduzido por Lísie V.S. Damke, Leonardo Kerber, Mario Bronzati, Maurício S. Garcia, Martín D. Ezcurra, Sterling J. Nesbitt e Rodrigo T. Müller. A pesquisa recebeu apoio do CNPq, INCT Paleovert, CAPES e Alexander von Humboldt Foundation.

O artigo intitulado “Braincase anatomy and palaeoneurology of Venetoraptor gassenae, a lagerpetid pterosauromorph from the Late Triassic of southern Brazil” foi publicado no periódico Palaeontology.

Fonte: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM

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O Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) abriu, na última quarta (11), 92 vagas para bolsistas de graduação em diferentes áreas. As oportunidades são para atuação na Central de Tutoria, nas Subunidades Administrativas do CCNE e no trabalho de monitoria de disciplinas nos cursos do Centro. As inscrições para todas as vagas seguem até o dia 20 de março.

Edital 001 – Bolsas de Monitoria dos Departamentos CCNE/UFSM

Edital 002 – Bolsas Setor de Apoio Pedagógico – Central de Tutoria

Edital 003 – Bolsas Subunidades Administrativas CCNE

Os requisitos para a inscrição em cada vaga, os documentos necessários e os contatos para dúvidas podem ser acessados nos editais específicos (disponíveis acima e no site do 55bet-pro.com/ccne). Os valores variam de acordo com a jornada de trabalho estabelecida, indo de R$ 420,00 para as vagas de 12h/semanais até R$ 700 para as de 20h/semanais.

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A Expodireto Cotrijal é um dos principais encontros do agronegócio internacional. Desde 2000, centenas de expositores de mais de 80 países se reúnem em Não-Me-Toque, Rio Grande do Sul, para buscar o desenvolvimento do setor agropecuário. Em 2026, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) estará presente na Feira com um espaço próprio (banca 545) e levará 19 projetos de ensino, pesquisa, extensão  e desenvolvimento institucional. Ainda, os campi de Frederico Westphalen e de Palmeira das Missões divulgarão novos cursos, como o curso de Direito em FW e o futuro curso de Medicina em PM, além de outras oportunidades aos estudantes da região.

Durante os cinco dias de evento, de 9 a 13 de março, serão apresentados projetos e ações do Centro de Ciências Rurais, do Colégio Politécnico, do Centro de Ciências Naturais e Exatas, do Centro de Tecnologia e dos campi de Cachoeira do Sul, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões. Do total, 10 são projetos de extensão, seis de pesquisa, dois de ensino e um de desenvolvimento institucional, evidenciando a diversidade de atividades acadêmicas da instituição.

[caption id="attachment_72129" align="aligncenter" width="776"]Fotografia colorida com imagem diurna de uma feira agropecuária ao ar livre. Em primeiro plano, muitas pessoas caminham por uma larga alameda pavimentada. À direita, há um canal ornamental de água azul com curvas e pequenas fontes, cercado por jardins floridos. Ao fundo, aparecem estandes e estruturas do evento, incluindo um prédio verde com a inscrição “Expodireto Cotrijal” e um grande silo branco. À esquerda, grandes mastros exibem as bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Sul. O céu está claro, com nuvens espalhadas, sugerindo um dia ensolarado e movimentado no evento Expodireto Cotrijal reúne mais de 600 expositores de 80 países (Foto de arquivo/divulgação)[/caption]

As atividades ocorrerão de segunda a sexta-feira e abordarão temas estratégicos para o desenvolvimento do setor agropecuário e da sustentabilidade, como agricultura de precisão, irrigação, produtividade da soja, inovação tecnológica no campo, análise ambiental e desenvolvimento regional. Confira a programação completa no estande da UFSM:

 

Cronograma de participação da UFSM na Expodireto 2026

9 de fevereiro (segunda-feira)

Ação

Proponente

Unidade

IRRIGA-AÇÃO: Vitrines Tecnológicas Regionais de Irrigação

Juliano Dalcin Martins

CCR

Crop Júnior Consultoria Agro

Rian Balsamo Brondani

CCR

Exposição de estandes dos laboratórios do PPGZ

Thaise Pinto de Melo

CCR

Modelagem e otimização da irrigação para o cultivo sustentável de dália de corte

Letícia Ferronato

CCR


10 de fevereiro (terça-feira)

Ação

Proponente

Unidade

Educação e ruralidades: tecendo aprendizagens entre a escola do campo e a universidade

Giovanna Cechin

CCR

Advanced Farm 360: ensino, pesquisa, extensão e inovação na agricultura

Luciano Zucuni Pes

Colégio Politécnico

Divulgação do curso de Mestrado Profissional em Agricultura de Precisão

Lúcio de Paula Amaral

Colégio Politécnico

Obtenção de micro e nanocelulose a partir de resíduos da produção de sucos de uva e maçã

Carolina Ferreira de Matos Jauris

CCNE


11 de fevereiro (quarta-feira)

Ação

Proponente

Unidade

Produtos lácteos: desenvolvimento, caracterização e análise sensorial

Neila Silvia Pereira dos Santos Richards

CCR

Análise econômica e ambiental de lavouras de soja e arroz

Laura da Silva Camargo

CCR

Qualificação e inovação no uso da lã ovina

Larissa Milania Scota

CCR

Proposta de um SGA para uma propriedade rural no Quarto Distrito de Santa Maria/RS

Cinthi Alice do Prado

CCR


12 de fevereiro (quinta-feira)

Ação

Proponente

Unidade

Difusão de conhecimentos e tecnologias para o aumento da produtividade da cultura da soja em Cachoeira do Sul

Zanandra Boff de Oliveira

55BET Pro Cachoeira do Sul

Desenvolvimento da cultura da soja em zonas de manejo delimitadas com base no mapeamento da condutividade elétrica aparente do solo

Eduardo Leonel Bottega

55BET Pro Cachoeira do Sul

Motora Empresa Júnior de Consultoria

Davi Justino Gomes Muniz

CT


13 de fevereiro (sexta-feira)

Ação

Proponente

Unidade

Estratégias e alternativas para o desenvolvimento regional sustentável

Rosani Marisa Spanevello

55BET Pro Palmeira das Missões

O que nos fez chegar aos desastres climáticos do Rio Grande do Sul? Análise da governança ambiental do estado

Nelson Guilherme Machado Pinto

55BET Pro Palmeira das Missões

Ações de conscientização ambiental com ênfase no gerenciamento de resíduos sólidos em municípios do Médio Alto Uruguai

Willian Fernando de Borba

55BET Pro Frederico Westphalen

Agr Jr. Consultoria Agronômica

Amanda Trentin Moro

55BET Pro Frederico Westphalen

 

Os projetos foram escolhidos através de um edital aberto pela Pró- reitoria de Extensão que possibilitou a organização de transporte e bolsas aos alunos participantes. Além disso, professores e servidores técnico-administrativos também estarão em Não-Me-Toque.

 

Benefícios e expectativas 

O networking e a chance de receber novas oportunidades são uns dos maiores benefícios para os estudantes, segundo a vice-diretora do campus de Frederico Westphalen, Eliane Santos. “É um espaço para fazer conexões. É muito importante para os nossos estudantes, porque eles fazem networking, conhecem as empresas, muitas vezes surge uma possibilidade de um estágio”, afirma a vice-diretora.

Levar a Universidade para o evento é um meio de conexão com a comunidade externa. Interagir com empresas, mostrar pesquisas e oferecer oportunidades a produtores rurais são benefícios no contato com as milhares de pessoas que passam pela feira. “A expectativa é conhecer pessoas, ter novas ideias para o que já fazemos, ampliar nossa possibilidades de pesquisa a partir de problemas que surgirem na feira e realizar parcerias. É uma possibilidade muito importante prestigiar essa feira de grande porte”, finaliza Eliane. 

 

Empresas do ecossistema de inovação da UFSM presentes

Empresas do setor ligadas ao InovaTec UFSM e à Pulsar Incubadora Tecnológica também marcarão presença na Expodireto. Segundo a Pró-reitoria de Inovação e Empreendedorismo, a participação reforça a maturidade do ecossistema de inovação da Universidade, que vem transformando conhecimento científico em soluções aplicadas ao campo.

Na segunda-feira (9), o vice-reitor da UFSM, Tiago Marchesan, e o gerente do InovaTec UFSM Parque Tecnológico, Luciano Schuch, entregarão uma placa alusiva à associação da empresa Syngenta, referência global em tecnologia agrícola sediada na Suíça, ao Inovatec. Além do ato simbólico, a gestão da Universidade também realizará reuniões com os diretores da empresas para estreitamento dos laços. “A partir da associação da empresa ao Parque, nós facilitamos a conexão com os grupos de pesquisa, laboratórios, e a partir desses contatos podem ser formalizados projetos de P&D ou contratação de serviços, por exemplo”, explica Schuch.

Ao lado da Universidade (setor 545), a Bioagreen (setor 544) destaca-se pelo desenvolvimento de bioprodutos que aumentam a produtividade agrícola com foco em sustentabilidade e rentabilidade. Seus insumos inteligentes são criados por cientistas em cooperação com produtores, buscando atender às demandas reais do campo com eficiência e responsabilidade ambiental. Ainda nesse setor, a Syngenta (506), referência global em tecnologia agrícola, apresenta soluções em sementes e proteção de cultivos, contribuindo para que agricultores produzam mais e melhor, com uso consciente de recursos.

No Setor de Máquinas e Equipamentos, a AGCO participa por meio da marca Massey Ferguson (setor 21 a 36), apresentando soluções completas em mecanização e agricultura de precisão. Com forte presença no Brasil, a empresa oferece tratores, colheitadeiras, plantadeiras e tecnologias embarcadas que ampliam a eficiência e a competitividade no campo.

Já na Arena Agrodigital, espaço dedicado à inovação e à transformação digital no agro, a Inocular Soluções Biotecnológicas (setor 1034A) apresenta fertilizantes e inoculantes biológicos desenvolvidos para potencializar o desempenho das culturas com retorno econômico e responsabilidade ambiental. No setor 1034, estará o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) que atua como parceiro estratégico no fortalecimento do empreendedorismo, apoiando micro e pequenas empresas com capacitação, inovação e acesso a oportunidades de mercado. Também participará como visitante do evento a G2W Sistemas, empresa especializada em eletrônica e automação, conectividade e agricultura de precisão, que desenvolve soluções tecnológicas robustas para aumentar a eficiência operacional e os resultados de produtores e indústrias.

A Expodireto Cotrijal ocorre do dia 09 ao 13 de março em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, e tem a entrada gratuita.

 

Texto: Jessica Mocellin, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias, e Comunicação da Proinova
Fotos: Divulgação Expodireto Cotrijal
Edição: João Ricardo Gazzaneo

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Amanhã (05) será realizado o evento “Prática Clínica e Pesquisa Avançada”, com foco em Medicina Tropical e Formação Acadêmica, reunindo especialistas, pesquisadores, profissionais da saúde e estudantes para discutir os principais desafios contemporâneos no enfrentamento das emergências sanitárias.

A programação inicia das 9h às 12h, no Auditório do ANF C (no CCNE da UFSM), com capacidade para 250 pessoas, com a Conferência de Abertura intitulada “O papel da Fiocruz e das Universidades no enfrentamento das emergências sanitárias pós-2024”. O momento será dedicado à reflexão sobre a atuação conjunta da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e das universidades na resposta a crises sanitárias recentes e futuras, destacando a importância da integração entre pesquisa, formação acadêmica e prática clínica.

O público-alvo da conferência inclui a classe médica, além de graduandos e pós-graduandos dos cursos de Biologia, Medicina, Farmácia, Medicina Veterinária e áreas afins, fortalecendo o diálogo entre diferentes campos do conhecimento.

No período da tarde, das 14h às 17h, o Auditório do ANF C sediará a mesa-redonda “Dengue e Chikungunya: Desafios da Vigilância, manejo clínico e implementação de medidas de controle no Rio Grande do Sul”. O debate contará com a participação do Dr. Rivaldo Venâncio, de equipes de Vigilância Epidemiológica municipal, regional e estadual, de Gabriel Wallau (Fiocruz-UFSM) e representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Santa Maria. 

Encerrando a programação, às 18h, será realizado um happy hour, proporcionando um momento de integração e troca de experiências entre os participantes. Realização: CCNE, CCR e CCS da UFSM.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/03/grupo-de-pesquisa-da-ufsm-promoveu-cursos-de-capacitacao-gratuitos Tue, 03 Mar 2026 13:37:08 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72095 [caption id="attachment_72096" align="alignright" width="556"] Grupo que participou da capacitação[/caption]

Entre os dias 23 e 27 de fevereiro, o Laboratório de Análises Químicas Industriais e Ambientais (LAQIA) e o Centro de Estudos em Petróleo (CEPETRO), vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ) da UFSM, promoveram cursos de capacitação gratuitos voltados à comunidade acadêmica.

Foi uma semana intensa de cursos, totalizando mais de 30 horas. A abertura da semana de cursos contou com a palestra remota da professora Márcia Foster Mesko, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), egressa do PPGQ e única pesquisadora nível A do CNPq na área de Química na região sul do Brasil. Nessa palestra foram abordados os desafios atuais na formação de profissionais da área de Química e as tendências nessa área. Os demais cursos foram ministrados por estudantes de doutorado e pós-doutorado integrantes dos grupos LAQIA e CEPETRO.

A programação contemplou fundamentos e aplicações recentes de ultrassom e micro-ondas na área da Química, técnicas de espectrometria atômica com plasmas de alta energia, técnicas cromatográficas para análise elementar e molecular, microscopia eletrônica de alta resolução, técnicas clássicas e suas variadas aplicações, dentre outros temas.

A iniciativa teve como público principal estudantes de graduação, incluindo acadêmicos dos cursos de Química Industrial, Tecnologia em Processos Químicos, Farmácia e Engenharia Química.

Para Jaíne Kohler, estudante de Engenharia Química da UFSM, a experiência foi enriquecedora. “Acredito que participar de uma semana de cursos de capacitação, abordando temas e fundamentos amplamente utilizados na área científica, foi extremamente importante. Essa experiência permitiu adquirir novos conhecimentos e aprimorar habilidades nas diferentes técnicas analíticas que contribuirão para minha formação acadêmica e profissional”, afirmou. Além de estudantes de graduação, pós-graduandos e professores também participaram.

A oferta de cursos de capacitação é uma prática já consolidada dos grupos LAQIA e CEPETRO há mais de 20 anos, ocorrendo duas vezes ao ano,
complementando e fortalecendo a formação acadêmica dos estudantes da UFSM.

Foto: Divulgação

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A webinar compartilhada internacional "Aliança Global para Saúde e Educação Sustentáveis" ocorre nesta terça-feira (3), às 14h30, pelo YouTube do Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Bioestatística (GEPEBio) da UFSM. As palestrantes serão as professoras Beatriz Lucia Salvador Bizotto e Esra Sipahi Döngül, integrantes da Global Edu Leaders Forum.

Serão abordados os seguintes temas: aliança global para saúde e educação sustentáveis; saúde sustentável como plataforma de liderança global: integração entre educação, ODS e produção científica; e GELF como plataforma global de conexão entre educação, saúde, publicações científicas e ODS.

A webinar é uma atividade de boas-vindas aos acadêmicos dos cursos e centros envolvidos, em especial o CCNE e o CTISM, mas demais interessados também poderão acompanhar.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/01/28/paleontologos-da-ufsm-descobrem-cranio-fossil-com-menos-de-1-centimetro-no-centro-do-rio-grande-do-sul Wed, 28 Jan 2026 12:10:57 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71903 [caption id="attachment_71905" align="alignright" width="565"] Fóssil do Sauropia macrorhinus (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

Paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) publicaram nesta quarta-feira (28) um novo estudo no periódico científico Scientific Reports apresentando um pequeno crânio fóssil de uma espécie inédita. O fóssil, encontrado no interior do Rio Grande do Sul, revela detalhes inéditos sobre os ecossistemas terrestres que existiam há cerca de 240 milhões de anos, antes da ascensão dos dinossauros.

Durante o Período Triássico (entre 251 e 201 milhões de anos atrás), logo após a maior extinção em massa da história da Terra, a vida passou por um intenso processo de recuperação e diversificação. Foi nesse intervalo que surgiram vários grupos emblemáticos de vertebrados, incluindo os primeiros dinossauros, pterossauros e uma série de répteis hoje completamente extintos. Entre esses grupos estavam os pararépteis, uma linhagem antiga que sobreviveu a grande extinção, mas desapareceu antes do fim do Triássico.

Foi nesse contexto que uma nova descoberta no sul do Brasil trouxe informações inéditas sobre esse enigmático grupo de vertebrados. O estudo, liderado pelo paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller, descreveu uma nova espécie de pararéptil, Sauropia macrorhinus, com base em um crânio quase completo medindo apenas 9,5 milímetros de comprimento, menor do que uma unha. Devido ao seu tamanho minúsculo, o exemplar é o menor tetrápode já registrado em depósitos triássicos da América do Sul.

[caption id="attachment_71906" align="alignleft" width="633"] Paleontólogo analisando o fóssil (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

A descoberta e os desafios

O fóssil foi encontrado no município de Novo Cabrais (RS) pelo paleontólogo Lúcio Roberto da Silva, durante uma saída de campo realizada em conjunto com o médico Pedro Lucas Porcela Aurélio. As rochas que preservaram o exemplar pertencem a depósitos com cerca de 240 milhões de anos, uma época em que os ecossistemas eram dominados por ancestrais dos jacarés e crocodilos, e os continentes ainda estavam unidos, formando a Pangeia.

Em virtude do tamanho extremamente reduzido, os paleontólogos precisaram realizar a limpeza do fóssil com agulhas, sob lupas de aumento. Em seguida, o paleontólogo Leonardo Kerber submeteu o material a tomografias computadorizadas, que revelaram detalhes impossíveis de observar a olho nu. Com esses dados em mãos, os pesquisadores reconstruíram modelos tridimensionais do crânio, permitindo uma análise muito mais minuciosa. Assim, foi possível constatar a presença de características únicas, indicando que se tratava de um animal até então desconhecido pela ciência.

[caption id="attachment_71907" align="aligncenter" width="1024"] Detalhes do Sauropia macrorhinus (Ilustração do animal em vida por Caetano Soares)[/caption]

Características da nova espécie

Com base no tamanho do crânio, estima-se que o animal tivesse cerca de 5 centímetros de comprimento total. De modo geral, ele se assemelharia a um pequeno lagarto, caminhando sobre quatro patas e com olhos grandes. Entre suas principais características destacam-se as narinas amplas e os dentes grandes, em forma de pino, que provavelmente eram usados para se alimentar de pequenos invertebrados.

Por ser tão diminuto, é possível que o fóssil pertença a um indivíduo que ainda não havia atingido o tamanho máximo. Essa condição inspirou o nome do animal: Sauropia combina o termo grego sauros (“lagarto”) com a palavra regional “piá”, usada no sul do Brasil para se referir a uma criança. Já o nome da espécie, macrorhinus, faz referência às narinas proporcionalmente grandes.

A análise do grau de parentesco de indicou que Sauropia macrorhinus pertence ao grupo de pararépteis conhecido como Procolophonoidea. Esses animais são particularmente raros no registro fóssil do Triássico Médio da América do Sul, com apenas duas espécies descritas até o momento. Em geral, os procolofonóides eram animais pequenos, com menos de 30 centímetros de comprimento, e desapareceram pouco depois do surgimento dos dinossauros. Esse grupo apresentou uma grande diversidade de hábitos alimentares. Algumas espécies tiveram uma dieta baseada em insetos, enquanto outras eram capazes de consumir vegetação mais dura e fibrosa. Essa diversidade alimentar indica que os procolofonóides exploraram diferentes nichos ecológicos nos ecossistemas do Triássico.

[caption id="attachment_71908" align="alignright" width="447"] Sítio fossilífero em Novo Cabrais (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

Uma nova peça do quebra-cabeça

Reconstruir as teias alimentares de ambientes pretéritos é um desafio para os pesquisadores, uma vez que essa ação depende da descoberta de muitos fósseis. Nos últimos anos, diversos novos achados oriundos da região central do Rio Grande do Sul têm tornado mais clara como era a composição dos ecossistemas de 240 milhões de anos atrás. Contudo, nunca um animal tão pequeno havia sido encontrado em meio aos fósseis de outros organismos muito maiores naqueles sítios fossilíferos.

Assim, a descoberta do pequeno Sauropia macrorhinus traz mais uma peça para compor o quebra-cabeça que os paleontólogos tentam reconstruir. A nova espécie pode ter feito parte da dieta de outros predadores ligeiramente maiores, como o pequeno precursor dos crocodilos chamado de Parvosuchus aurelioi, com menos de 1 metros de comprimento.

Assim, além de representar um dos poucos fósseis de procolofonóides com 240 milhões de anos na América do Sul, Sauropia macrorhinus mostra que os ecossistemas do Triássico Médio no sul do Brasil eram mais ricos e diversos do que se imaginava, abrigando não apenas grandes herbívoros e predadores, mas também uma fauna diversa de pequenos vertebrados. Esses animais desempenhavam papéis variados nas teias alimentares terrestres, muito antes do domínio ecológico dos dinossauros.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM

O fóssil de Sauropia macrorhinus está depositado no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), localizado no município de São João do Polêsine, no Rio Grande do Sul. O centro integra o Geoparque Quarta Colônia UNESCO e abriga uma importante coleção de fósseis do Triássico brasileiro, além de uma exposição aberta à visitação gratuita.

O estudo foi conduzido por Rodrigo Temp Müller, Lúcio Roberto da Silva, Pedro Lucas Porcela Aurélio e Leonardo Kerber. A pesquisa recebeu apoio do CNPq e INCT Paleovert.

O artigo intitulado “The smallest tetrapod from the Middle Triassic of South America: a new procolophonoid parareptile from the Ladinian of Southern Brazil” foi publicado no periódico Scientific Reports e está disponível no link.

Fonte: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM

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A cerimônia de posse da nova direção do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) da UFSM ocorre nesta terça-feira (13), a partir das 9h30, no auditório C, anexo ao prédio 18 do 55BET Pro Sede. 

Serão empossados como diretor e vice-diretor, respectivamente, os professores Félix Alexandre Antunes Soares e Cristiano Giacomelli.

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O Jardim Botânico da UFSM entrou em recesso na segunda-feira (15) e reabre para visitação do público no dia 5 de janeiro, das 8h às 14h. Aos sábados e domingos a partir de janeiro, o horário de abertura será das 15h às 19h.

Durante o recesso, as equipes administrativa e de jardinagem estarão dedicadas aos cuidados, manutenção e recuperação das áreas verdes.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/12/17/professor-da-quimica-ministra-palestra-na-polonia-e-firma-parceria-de-cooperacao-cientifica-com-a-ufsm Wed, 17 Dec 2025 11:56:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71676 [caption id="attachment_71677" align="alignright" width="630"] Érico em visita à Universidade de Varsóvia[/caption]

O professor do Departamento de Química da UFSM, Érico Flores, realizou recentemente uma visita à Polônia, onde ministrou palestra na Universidade de Varsóvia. A agenda ocorreu entre os dias 24 e 28 de novembro e incluiu diversas atividades acadêmicas, como visitas técnicas e reuniões voltadas ao planejamento de ações conjuntas entre pesquisadores dos Programas de Pós-Graduação em Química (PPGQ) e em Engenharia Química (PPGEQ) da UFSM e pesquisadores da Universidade de Varsóvia.

As atividades tiveram como foco a ampliação da cooperação científica, incluindo o desenvolvimento de projetos conjuntos e o intercâmbio de pesquisadores e estudantes de pós-graduação. Durante a estadia, o professor participou de uma reunião formal com o vice-reitor da Universidade de Varsóvia, Zygmunt Lalak, na qual foram discutidos e encaminhados os termos de um acordo de cooperação científica e acadêmica entre a instituição polonesa e a UFSM.

Érico Flores também se reuniu com o vice-reitor de Finanças da Universidade de Varsóvia, Łukasz Drewniak, que atua como pesquisador da Faculdade de Biologia, para tratar de futuras iniciativas de cooperação. Na ocasião, o professor visitou ainda as instalações do Centro de Pesquisas Químicas e Biológicas (Biological and Chemical Research Centre – CNBCh), onde foi recebido pela diretora da unidade, Ewa Bulska.

Como parte da programação, Érico ministrou a palestra intitulada “Novas Tendências para o Preparo de Amostras em Química Analítica” (“New Trends of Sample Preparation in Analytical Chemistry”), no dia 26 de novembro, no auditório do CNBCh.

Como resultado imediato da missão e dos contatos estabelecidos, ficou acertada a visita à UFSM da diretora do CNBCh e de outros pesquisadores da Universidade de Varsóvia no primeiro semestre de 2026.

Segundo o professor, a iniciativa representa mais um avanço na consolidação das parcerias entre instituições brasileiras e europeias nas áreas de pesquisa e inovação. “Com os novos contatos estabelecidos com diferentes líderes de grupos de pesquisa da Universidade de Varsóvia e o claro interesse em trabalhos conjuntos com pesquisadores da UFSM, esperamos um futuro promissor de cooperação entre ambas as instituições, o que reforça as ações de internacionalização da UFSM e amplia sua visibilidade no exterior”, destaca.

Atualmente, Érico Flores integra diversas instituições nacionais e internacionais, como o Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), o Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Química, o Comitê de Assessoramento da área de Química da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC).

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/12/10/ppg-quimica-da-ufsm-consolida-a-participacao-de-avaliadores-estrangeiros-em-defesas-de-tese-de-doutorado Wed, 10 Dec 2025 13:36:03 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71625 [caption id="attachment_71626" align="alignright" width="596"]foto colorida horizontal de uma banca de defesa, com um homem sentado em uma mesa à esquerda, a banca, com duas pessoas, em outra mesa à direita, e na parede de fundo duas telas projetadas, cada uma com um homem Defesa de Thiago (E) reuniu Paola, Érico e, via online, pesquisadores da Itália e Colômbia[/caption]

O Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ) da UFSM reafirmou sua posição de excelência internacional. No dia 21
de novembro, o programa realizou mais uma defesa de tese de doutorado conduzida integralmente em língua inglesa. O PPGQ é um dos poucos no país a manter a nota 7 na CAPES, conceito que indica desempenho equivalente aos mais importantes centros internacionais de ensino e pesquisa.

A defesa ocorreu em formato híbrido, no auditório do prédio CEPETRO (67A) e com transmissão via Google Meet. A tese, intitulada "Cavitation-assisted oxidation processes for the degradation of pharmaceuticals in water and wastewater" ("Processos oxidativos assistidos por cavitação para a degradação de fármacos em água e efluentes"), foi desenvolvida pelo doutorando Thiago Castanho Pereira, sob orientação do professor Érico Marlon de Moraes Flores, orientador do PPGQ. O estudo contou com colaboração direta de pesquisadores da Universidade de Turim (Itália).

Segundo Fábio Duarte, coordenador do PPGQ, a banca examinadora refletiu o alto nível das parcerias do PPGQ, contando com a presença de Giancarlo Cravotto (Universidade de Turim), autoridade mundial no uso de micro-ondas e ultrassom para intensificação de processos industriais, e Ricardo Torres-Palma (Universidade de Antioquia, Colômbia), um dos pesquisadores latino-americanos mais citados na área de tratamento de esgotos via processos oxidativos avançados e editor de periódicos de elevado fator de impacto.

A banca foi completada pela professora da UFSM Paola de Azevedo Mello, também pesquisadora do PPGQ, que se destaca por ter sido recentemente agraciada com o prêmio internacional PhosAgro/UNESCO/IUPAC Research Grant in Green Chemistry (2024).

Para Thiago, “defender a tese em inglês e com uma banca examinadora de grande reputação é uma honra e está em conformidade com as ações de internacionalização do PPGQ”.

O PPGQ é reconhecido como pioneiro na internacionalização de defesas de pós-graduação da UFSM. Em março de 2008, aconteceu a primeira defesa de doutorado da Universidade em língua estrangeira: Júlio Cezar Paz de Mattos, também orientado por Érico, defendeu a tese em inglês, com a participação presencial de Viliam Krivan (Universidade de Ulm, Alemanha), um dos maiores especialistas na área de análise direta de sólidos por espectrometria atômica.

Já em setembro de 2021, a doutoranda Alessandra Schneider Henn, também orientada por Érico, defendeu a primeira tese de doutorado com todo o processo conduzido, integralmente, em língua estrangeira da UFSM, com a presença de Zoltan Mester (National Research Institute, NRC, Canadá) e Frank Vanhaecke (Ghent University, Bélgica) na banca examinadora, ambos especialistas na área de análise isotópica.

Além disso, o PPGQ/UFSM foi pioneiro em realizar defesas de mestrado em inglês, sendo Vinícius Picoloto de Souza o primeiro aluno a defender em inglês, com a presença de Jan Kratzer (Czech Academy of Sciences, República Tcheca), seguido do aluno Gustavo Gohlke, com a participação de Ralph Sturgeon (National Research Institute, NRC, Canadá), ambos orientados pelo professor Érico Flores.

Foto: Divulgação

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/12/10/paleontologo-do-cappa-ufsm-e-contemplado-com-bolsa-da-fundacao-humboldt-na-alemanha Wed, 10 Dec 2025 13:10:09 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71623 [caption id="attachment_71624" align="alignright" width="370"]foto vertical colorida de um homem, de barba, camisa xadrez, mãos nos bolsos, à frente de uma estrutura de vidro com fósseis. O ambiente é uma sala iluminada, com duas portas de vidro ao fundo Kerber no Museu Paleontológico da Universidade de Tübingen[/caption]

O paleontólogo Leonardo Kerber, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM), foi contemplado com uma prestigiada bolsa de pesquisa da Fundação Alexander von Humboldt em parceria com a CAPES. O projeto será desenvolvido na coleção de Paleontologia da Eberhard Karls Universität Tübingen, na Alemanha, uma das instituições mais tradicionais e influentes da área.

A coleção que receberá o pesquisador abriga um acervo de grande relevância científica, incluindo numerosos fósseis coletados no Brasil pelo paleontólogo Friedrich von Huene em 1928. Entre esses materiais destacam-se cinodontes, dicinodontes e arcossauros,  grupos fundamentais para a compreensão da fauna triássica sul-americana. Kerber dedicará sua pesquisa especialmente aos fósseis de cinodontes coletados por von Huene, que desempenham um papel central na reconstrução da origem e evolução inicial dos mamíferos.

A bolsa permitirá a Kerber acesso direto a esse patrimônio paleontológico singular, além de promover intenso intercâmbio científico com especialistas internacionais. Os resultados gerados durante o projeto serão incorporados às atividades de ensino, pesquisa e formação de recursos humanos na UFSM, fortalecendo a internacionalização da instituição e ampliando sua inserção no cenário global da Paleontologia.

O projeto aprovado tem como título "Cinodontes não-mammaliaformes brasileiros na Alemanha: um estudo anatômico e filogenético de fósseis coletados pelo paleontólogo Friedrich von Huene". Kerber permanecerá na Alemanha por seis meses (de dezembro a início de junho de 2026).

Foto: Divulgação
 
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O Jardim Botânico da UFSM abriu nesta semana as inscrições para o Concurso de Fotografia em celebração ao aniversário do espaço. A iniciativa convida a comunidade acadêmica e externa a registrar a beleza, a vida e as histórias presentes no Jardim.

O concurso busca valorizar o olhar dos visitantes e destacar diferentes dimensões da área verde por meio de cinco categorias: Paisagem, Flora e Fungos, Fauna, Pessoas e Natureza.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até a 05 de dezembro. O regulamento e as inscrições estão disponíveis no formulário online. 

Cada participante pode enviar até duas fotografias, sendo uma por categoria, seguindo os critérios técnicos, a declaração de autoria e cessão de uso previstos no regulamento. As imagens selecionadas serão divulgadas nos canais oficiais do Jardim Botânico e farão parte de uma exposição comemorativa.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/11/17/equipe-da-ufsm-vai-ao-parana-analisar-danos-causados-pelo-tornado Mon, 17 Nov 2025 13:24:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71394 [caption id="attachment_71396" align="alignleft" width="624"]Na foto, três homens posam ao lado de um veículo branco da UFSM, estacionado em uma estrada de terra cercada por vegetação. Um deles veste colete refletivo e segura um equipamento, sugerindo atividade de campo ou operação de drone. Os outros dois carregam câmeras, indicando registro técnico ou jornalístico. A cena retrata parte da equipe enviada para avaliação dos impactos do desastre. Equipe da UFSM realiza visita de campo em Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava[/caption]

Após a destruição deixada pelo tornado que atingiu a região Sul do país no dia 8 de novembro, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizaram uma visita de campo no Paraná, nos municípios de Rio Bonito do Iguaçu, que teve cerca de 90% dos imóveis destruídos após a passagem dos ventos, e Guarapuava, que registrou áreas de mata devastadas. A missão, realizada entre os dias 10 e 12 de novembro, ocorreu a pedido da Defesa Civil do Paraná, que solicitou apoio técnico e científico da Universidade para categorizar com maior precisão o fenômeno que atingiu a região.

A equipe foi formada pelo meteorologista da UFSM Murilo Machado Lopes e por Luís Manoel do Rosário Ferraz, chefe do Núcleo de Infraestrutura do Centro de Ciências Naturais e Exatas, que atuou como fotógrafo durante a viagem. Conforme Murilo, a visita de campo é essencial para analisar os danos deixados pelo tornado e determinar sua intensidade. “A gente observa estruturas destruídas, torção de vigas e colunas, objetos arremessados e danos em árvores, como quebra, arrancamento de casca e detritos presos. Também conversamos com moradores e coletamos vídeos. Esse método é padrão: toda classificação de tornado é feita com base em visitas de campo”, explica.

As características do tornado

De forma didática, Murilo explica que a tempestade teve múltiplas causalidades. Segundo ele, a formação de um ciclone extratropical favoreceu as condições atmosféricas necessárias para o tornado. “O sistema organizou a atmosfera, intensificou ventos em altura, reforçou o transporte de umidade da Amazônia e formou uma frente fria. O contraste de massas de ar permitiu tempestades duradouras e com rotação”, descreve o meteorologista.

Murilo esclarece ainda que “um ciclone é um fenômeno com dimensão de milhares de quilômetros, que causa frentes frias, por exemplo. Já um tornado é um fenômeno associado a uma nuvem de tempestade, com formação e área afetada que duram minutos e abrangem poucos quilômetros”.

Em primeira análise, a equipe constatou que o tornado do Paraná atingiu intensidade equivalente a F4 na Escala Fujita, sistema americano que classifica a intensidade de tornados com base nos danos observados. A estimativa representa ventos entre 330 e 420 km/h. “Os danos observados, como colapso estrutural, paredes destruídas, objetos arremessados e descascamento de árvores, são característicos dessa categoria”, acrescenta.

A Escala Fujita vai de F0 a F5. Quanto maior o número, mais devastador é o tornado. Murilo contextualiza que a principal diferença de um F4 para um F5 é que, na categoria máxima, as estruturas costumam ser removidas por completo, enquanto no F4 elas permanecem no local. Ele também comenta que tornados F4 são raros, inclusive nos Estados Unidos, país com maior incidência desses eventos.

Murilo destaca ainda que, depois dos EUA, a América Latina é a segunda região mais propensa a tornados no mundo, por estar em uma posição estratégica para a formação de um corredor atmosférico. Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Bolívia compõem esse cenário, sendo que o Sul do Brasil concentra, até o momento, 70% dos tornados registrados no país.

Foto horizontal e colorida de uma área totalmente devastada, com escombros espalhados por todo o chão. No centro, há uma construção parcialmente de pé, com paredes azul-claro e sem telhado. Dois homens, um usando colete refletivo de capacete, e outro de boné, observam os danos enquanto caminham pelo local. Ao fundo, é possível ver um bairro rural e campos agrícolas, reforçando a dimensão da destruição.
Cerca de 90% dos imóveis foram destruídos em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná
Foto horizontal e colorida e aérea de uma extensa faixa de mata tombada ao longo do curso de um rio. Árvores estão arrancadas ou deitadas, formando um rastro claro da passagem de vento extremo. Em contraste, ao redor aparecem lavouras verdes e áreas agrícolas preservadas. A imagem evidencia a força e o caminho do ciclone sobre a vegetação nativa.
Região de mata afetada pelo tornado no interior de Guarapuava, no Paraná

O rastro de destruição

[caption id="attachment_71395" align="alignright" width="602"]Foto horizontal e colorida de um cenário de destruição extrema: restos de casas, móveis, estruturas metálicas e telhados estão espalhados pelo chão. Uma fileira de portas indica o que antes parecia ser um bloco de residências ou salas. Ao fundo, prédios ainda de pé contrastam com a área totalmente demolida. A paisagem evidencia a força do evento climático que atingiu a região. Estruturas de Rio Bonito do Iguaçu foram completamente varridas pelo tornado[/caption]

Segundo a equipe, a destruição vista nos locais visitados foi marcante. O fotógrafo Luís Ferraz relata o sentimento de impotência diante dos rastros do desastre. “É uma sensação de impotência. No filme é uma coisa, ao vivo é outra. Vimos carros de ponta-cabeça, araucárias grossas quebradas ao meio, contêiner arrastado por dezenas de metros”, relembra.

Entre as histórias que ouviu, Luís destaca os diálogos com moradores de Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava. “Uma das histórias mais marcantes foi de uma mulher que tinha três apartamentos para alugar: o tornado destruiu completamente o prédio. Dois inquilinos estavam desaparecidos até o momento em que conversei com ela. Outra situação marcante foi de um pai que achou que os filhos tivessem sido levados pelo vento. Por alguma razão, as crianças ficaram protegidas pela única parede que restou”, conta.

A resiliência também chamou atenção. “Uma agricultora contou que ouviu um barulho contínuo, como uma explosão prolongada, era o tornado chegando. A família se escondeu como pôde. Eles tinham acabado de pagar a primeira parcela de um galpão novo… e perderam tudo. Não tinham seguro. Também me marcou ver professores revirando os escombros da escola para salvar livros. Um gesto de enorme dedicação”, reflete o fotógrafo.

UFSM e os fenômenos meteorológicos

O trabalho da UFSM no monitoramento e na classificação de tempestades não é recente. Segundo Murilo, o acompanhamento dos fenômenos meteorológicos pela Universidade é fortalecido pela Rede Voluntária de Observadores de Tempestades (Revot), iniciativa criada em 2010 pelo curso de Meteorologia da UFSM. Além da observação, o projeto capacita a comunidade sobre conceitos básicos de meteorologia e técnicas de identificação de nuvens, rajadas de vento e granizo.

Murilo relembra outras visitas de campo. “Fizemos uma em 2018, em Passo Fundo, quando houve um surto de tornados. Em 2023, em São Martinho da Serra, onde foi registrado um tornado de intensidade entre F1 e F2, e, no mesmo ano, em São Luiz Gonzaga, onde uma microexplosão destruiu parte da cidade”, relata.

O meteorologista destaca ainda a importância do Revot para o avanço científico. “Com esse levantamento, conseguimos estudar como esses eventos variam ao longo dos anos e em diferentes condições climáticas. Também queremos adaptar a Escala Fujita para a realidade brasileira, porque o padrão das construções aqui é diferente daquele para o qual a escala foi criada. Esse trabalho melhora a classificação dos tornados e pode aprimorar previsões e alertas”, afirma.

Revot e a extensão universitária

A atuação do Revot reforça o compromisso da UFSM com a extensão universitária. Além do monitoramento, o projeto funciona como uma ponte entre conhecimento acadêmico e comunidade, promovendo capacitações, oficinas e atividades de observação. “A Rede tem um caráter educacional muito forte, porque os alunos participam diretamente dos projetos e aprendem na prática como esses fenômenos acontecem”, explica Michel Baptistella Stefanello, coordenador substituto do curso de Meteorologia.

Segundo Michel, essa interação com a comunidade e com diferentes setores é fundamental para ampliar a cultura de preparação frente aos eventos extremos. “Os alunos acabam interagindo com distintos setores, contribuindo para melhorar a vida da população”, afirma.

A integração é também transdisciplinar. O curso já atua com áreas como engenharia elétrica, agronomia e hidrologia, especialmente em temas relacionados à transição energética, agroclimatologia e gestão hídrica. “Hoje não dá mais para pensar que os efeitos das mudanças climáticas vão acontecer, eles já estão acontecendo. Por isso, atuar junto de outras áreas é essencial para desenvolver estratégias de adaptação e mitigação”, completa.

Michel destaca ainda que a visita de campo no Paraná fará parte da formação dos estudantes. “A visita do Murilo e a análise dos danos causados pelo ciclone vão trazer uma bagagem enorme para os alunos. Devemos propor atividades em sala para que ele apresente o relato da experiência e discuta tanto a previsão quanto a análise final do fenômeno”, relata.

O futuro dos dados coletados

Com o retorno à UFSM, Murilo explica que os dados coletados serão analisados e usados na elaboração de estratégias para aprimorar modelos de previsão, protocolos de alerta e resposta, entre outros aspectos. “Com o material que coletamos em campo, vamos conseguir reconstruir a dinâmica do ciclone: identificar a trajetória, estimar a velocidade dos ventos, comparar os padrões de destruição e entender em que momento a tempestade ganhou intensidade. Esses dados vão gerar mapas de danos, análises de impacto e um relatório técnico detalhado para a Defesa Civil”, pontua.

O pesquisador reforça que os dados também serão incorporados a bancos acadêmicos e modelos numéricos que auxiliam na previsão desses eventos. “A ideia é transformar toda essa informação em conhecimento aplicado, melhorar alertas, qualificar respostas emergenciais e ampliar a capacidade de antecipar tempestades semelhantes no futuro.”

Como se proteger durante uma tempestade?

Durante tempestades severas, a prioridade é reduzir a exposição ao vento, proteger-se de objetos arremessados e evitar áreas de risco. Confira algumas orientações:

  • Procure abrigo imediato: entre em uma construção sólida.

  • Fique longe de janelas: rajadas podem quebrar vidros e lançar estilhaços.

  • Abaixe-se em cômodos internos: banheiros e corredores são mais seguros.

  • Desconecte aparelhos elétricos: relâmpagos podem causar danos e choques.

  • Evite árvores isoladas e estruturas metálicas: risco elevado de descargas.

  • Não atravesse áreas alagadas: enxurradas rasas podem arrastar pessoas e veículos.

  • Em caso de aviso de tornado: vá para um cômodo interno pequeno e resistente; abaixe-se, proteja a cabeça e aguarde a passagem.

Texto: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias
Fotos: Luís Manoel Ferraz
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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Ciência como propulsora da integração nacional: o pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e coordenador do Laboratório Multiusuário de Nanociências e Nanotecnologia (LabNano) do instituto, Rubem Luis Sommer, foi homenageado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul.
O reconhecimento veio do Laboratório de Magnetismo e Materiais Magnéticos (LMMM) da Universidade, que consagrou pesquisadores que tiveram contribuições na fundação e consolidação do laboratório. “Sua trajetória inspira, seus gestos ensinam e sua presença fortalece”, diziam as placas dadas aos homenageados.

Vanguarda

O LMMM foi o primeiro laboratório a desenvolver pesquisas em Física da Matéria Condensada, mais exatamente em Magnetismo e Materiais Magnéticos. “Na época, conseguimos montar uma equipe altamente qualificada que desenvolveu a primeira junção túnel magnética no Brasil (em 2001, num projeto liderado pelo Prof. Luiz Fernando Schelp, do LMMM)”, explica Sommer.

Para fazer isso e obter outros resultados importantes para a área de magnetismo no país, foi realizado um intenso trabalho de instrumentação científica com a montagem de sistemas de deposição de filmes finos, adequação de difratômetros de raios-X, desenvolvimento de vários magnetômetros e instrumentação para desenvolver medidas de magnetotransporte, estudos de ruído Barkhausen, magnetoimpedância e absorção em micro-ondas.

“Para este desenvolvimento, foi importante ter o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e, principalmente, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), que adotou uma política de distribuição regional dos recursos de fomento, permitindo um desenvolvimento integrado da ciência no estado. A equipe do LMMM (Schelp, Marcos André Carara, Lúcio Dorneles, Ricardo Barreto, Josué Rigue e Artur Harres de Oliveira) continua com atuação forte na área de magnetismo e física da matéria condensada”, conclui o físico.

LMMM: http://www.55bet-pro.com/grupos/lmmm

CBAN: http://cbpf.br/cban/index.html

SBPMat / BR-MRS: http://www.instagram.com/sbpmat_bmrs/

Rubem Luis Sommer e Ricardo Barreto - Crédito: LMMM
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Porém, o evento é aberto a toda a comunidade geográfica para participação como ouvinte.

✨️ Teremos a participação de palestras de professores externos!!
📚🌎 Esperamos vocês! Participe!!

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O evento é organizado pelo PROFGEO/UFSM, momento em que os mestrandos e mestrandas apresentarão seus projetos de pesquisa.
Porém, o evento é aberto a toda a comunidade geográfica para participação como ouvinte.

✨️ Teremos a participação de palestras de professores externos!!
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O Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas (LARP), do Departamento de Química da UFSM, participou com 20 integrantes, entre pesquisadores e alunos, do 20º Congresso Latino-Americano de Cromatografia e Técnicas Afins (COLACRO), realizado em Campos do Jordão (SP), de 28 a 31 de outubro. O evento, considerado o mais importante da área na América Latina, reuniu mais de 500 participantes.

O professor Renato Zanella, coordenador do LARP, presidiu duas sessões e proferiu a palestra “Analytical strategies for the determination of pesticide residues in biological samples” (“Estratégias analíticas para a determinação de resíduos de agrotóxicos em amostras biológicas”), abordando métodos inovadores de preparo de amostras e técnicas rápidas e abrangentes para a determinação de agrotóxicos em matrizes biológicas, como fluidos e tecidos.

O professor Osmar Damian Prestes contribuiu com o tema de preparo de amostras para a determinação de resíduos de agrotóxicos em alimentos e amostras ambientais, ministrando parte dos minicursos “Técnicas Contemporâneas de Preparo de Amostras” e “Avanços Recentes em LC/MS & LC/MS/MS”. No evento paralelo, o Workshop de Avanços Recentes no Preparo de Amostras (WARPA), apresentou a palestra “Analytical challenges for the determination of pesticide residues in complex matrices” (“Os desafios analíticos para a determinação de resíduos de agrotóxicos em amostras complexas”).

A professora Carla Sirtori apresentou o trabalho “Development of open-access databases of emerging contaminants and their transformation products (TPs) to support automated HRMS-based screening methods” (“Desenvolvimento de bases de dados de acesso aberto para contaminantes emergentes e seus produtos de transformação para suporte a métodos automatizados de triagem baseados em HRMS”).

A equipe do LARP apresentou 19 trabalhos na forma de painéis em diversas áreas, com destaque para o desenvolvimento de novos métodos de preparo de amostras voltados à determinação de resíduos e contaminantes em matrizes alimentares, biológicas e ambientais.

O trabalho intitulado “High-throughput µSPE method for the determination of 131 pesticide residues in human urine by UHPLC-MS/MS” (“Método de microextração em fase sólida (μSPE) para determinação multirresíduo de 131 agrotóxicos em urina humana por UHPLC-MS/MS”), de autoria da doutoranda do PPGQ/UFSM Juliana Kuntz, sob orientação do professor Osmar Damian Prestes, foi premiado durante a cerimônia de encerramento do evento. Também participaram como coautores Franciele F. Machado, Igor F. de Souza, Gabriel A. B. Prates, Douglas de Andrade e Renato Zanella.

O LARP conta com a atuação dos professores Renato Zanella, Martha Adaime, Carla Sirtori e Osmar Damian Prestes, além dos servidores Cleusa Zanchin e José Dilson Francisco da Silva. O laboratório também integra colaboradores e diversos alunos da graduação e do Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ).

Segundo avaliação dos pesquisadores, a expressiva participação e o reconhecimento da equipe da UFSM no campo da Química Analítica reafirmam o protagonismo do grupo em nível nacional e internacional. O prêmio recebido representa um importante indicador da qualidade e relevância das pesquisas desenvolvidas no PPGQ, contribuindo para ampliar a visibilidade do programa e dos trabalhos conduzidos por seus membros.

Foto: Divulgação

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