UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sun, 26 Apr 2026 20:46:00 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/08/07/pesquisadora-da-ufsm-e-finalista-em-premio-com-teste-rapido-para-diagnostico-de-tuberculose Thu, 07 Aug 2025 11:00:09 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=70035

Tosse constante, febre e cansaço estão entre os sintomas da tuberculose, doença transmitida pelo ar e que afeta, principalmente, os pulmões. Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, essa infecção se enquadra como uma das mais contagiosas. A cargo de exemplo, em 2022, durante a pandemia de Covid-19, a tuberculose foi a segunda maior causadora de mortes por agentes infecciosos no país, segundo dados do Ministério da Saúde, disponíveis clicando aqui.

Além disso, as estimativas de combate à doença também não são favoráveis. Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz Bahia ressaltou que as atuais políticas públicas para reduzir a incidência da doença ainda são insuficientes. A pesquisa ainda exemplificou em números: em 2023, foram registrados, no Brasil, 39,8 casos por 100 mil indivíduos, taxa acima da meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde, que é de 6,7 casos por 100 mil pessoas. 

De maneira mais expressiva, esses números não evidenciam apenas uma doença que se espalha, mas também um problema social e estrutural. Ainda conforme dados do Ministério da Saúde, em média 48% das famílias afetadas pela tuberculose no Brasil gastam mais de 20% da renda familiar para tratar a doença. Além disso, apontou-se que dos casos recorrentes da doença no país, 63,3% acometem pessoas pretas. 

Apesar do tratamento para tuberculose ser ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a lentidão no diagnóstico é um empecilho. Em média, o tempo total de início de sintomas até o tratamento da doença é de 11 semanas, isso é causado por dois fatores, o atraso do paciente em reconhecer os sintomas e o atraso do próprio sistema de diagnósticos e consultas. Essas estimativas foram publicadas em um levantamento realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Johns Hopkins University. Confira a pesquisa completa clicando aqui.

Tendo esse contexto em mente, uma iniciativa do Laboratório de Micobacteriologia da UFSM, coordenado pela professora Marli Matiko Anraku de Campos, desenvolveu o Teste Molecular Rápido para Tuberculose, uma ferramenta capaz de otimizar o diagnóstico da doença. 

A potencialidade dessa ferramenta foi reconhecida. O teste esteve entre os finalistas da categoria Produtos e Inovação em Saúde no 17º Prêmio Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS. A premiação reconhece o mérito de pesquisadores, professores e profissionais de todas as áreas do conhecimento, os quais seus trabalhos tenham contribuído de forma relevante para o SUS.

Até o momento, não há data definida para a cerimônia de entrega do prêmio. Porém, sabe-se que o evento será realizado presencialmente em Brasília, conforme divulgado em edital, que pode ser acessado clicando aqui.

Como o teste funciona?

Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas e do Mestrado Profissional em Ciências da Saúde da UFSM, Marli explica, de maneira didática, o funcionamento do teste: inicialmente, uma amostra de escarro, a secreção produzida nas vias respiratórias, é coletada do paciente. Na sequência, certos reagentes são adicionados à amostra em tubos de ensaio que serão aquecidos em um termobloco, ou conhecido como banho seco, um equipamento que aquece pequenos recipientes. Após cerca de uma hora, segundo Marli, será possível identificar se a amostra está contaminada com a bactéria da tuberculose.

A pesquisadora conta que essa identificação ocorre por meio de cores. “Essa reação que acontece é a chamada Colorimétrica, ou seja, quando há o aquecimento das amostras e não há o bacilo da tuberculose, a substância vai ficar rosa. Se ela estiver contaminada, o resultado fica amarelo ou alaranjado”, descreve.

[caption id="attachment_70037" align="alignright" width="476"] Amostras após o aquecimento[/caption]

Marli ainda esclarece que “o resultado é dado pela multiplicação, causado pelo aquecimento, de cópias do DNA das bactérias”, ou seja, se quanto mais cópias houver, mais amarelada será a cor da amostra ao fim do teste.

Além de otimizar o tempo de diagnóstico, Marli reforça outra característica positiva do teste: o baixo custo. Conforme ela, o SUS utiliza, atualmente, testes baseados em reação de cadeia da polimerase (PCR), modalidade que busca amplificar o DNA ou RNA de bactérias ou vírus, criando muitas cópias de uma sequência específica com o uso de reagentes importados. “Os  cartuchos dessa reação possuem alto custo de importação, principalmente dos Estados Unidos. Esse Teste que desenvolvi, foi criado inteiramente com tecnologia e reativos brasileiros. É mais acessível financeiramente e não exige um laboratório específico. Pode ser feito por pessoas capacitadas para fazer a reação”, elucida.

O desenvolvimento do Teste Rápido iniciou em 2023, após Marli ter sido contemplada com uma verba do Programa Pesquisa Para SUS, iniciativa de fomento à pesquisa em saúde nas Unidades Federativas. “Depois daquela época, nós patenteamos o nosso Teste pois ele é diferente de alguns que estão no mercado. O nosso foi elaborado inteiramente com recursos já existentes no Brasil. Desde então estamos lutando para avançar cada vez mais nessa autonomia”, frisa a docente.

[caption id="attachment_70038" align="alignleft" width="476"] Termobloco utilizado para aquecer as amostras[/caption]

Marli ainda destaca que a principal estratégia para o combate da doença é o início precoce do tratamento e, para ela, o Teste tem grande potencial nesse processo. “Hoje em dia, quando se suspeita de tuberculose, o protocolo é pedir um raio-x e a cultura do escarro. Esse segundo procedimento consiste em pegar essa amostra e aplicar em um ambiente propício para o crescimento do bacilo, caso haja bactéria. Porém, esse crescimento demora em torno de 20 a 60 dias, o que é incompatível com as necessidades do paciente. O Teste surge como uma alternativa a esses métodos tradicionais”, explica. 

Esse contexto evidencia ainda mais a importância de ferramentas mais rápidas, como o Teste desenvolvido por Marli. “Essa é a ideia, fazer um diagnóstico rápido porque o tratamento já é demorado. Em média, para a tuberculose, são 6 meses de cuidados e os medicamentos podem ser tóxicos se ingeridos em grande escala. Então, quanto antes descobrir, melhor é o resultado”, alerta.

Ademais, caso o projeto seja contemplado com a verba do prêmio, Marli revela que o Laboratório irá tentar simplificar o sistema do Teste a fim de expandir o seu alcance. “Queremos deixar mais fácil de manusear e fazer com que essa ferramenta chegue em lugares mais distantes, até mesmo além de Unidades Básicas de Saúde. Tentaremos deixar esse produto qualificável para ser replicado a nível de indústria”, prevê a pesquisadora.

Prevenção, sintomas e tratamento

Enquanto essa tecnologia não se torna pública, a prevenção é um dos caminhos para evitar a disseminação da doença em solo nacional. A vacina BCG, que é oferecida gratuitamente pelo SUS, é uma das principais formas de profilaxia da tuberculose e deve ser administrada em crianças ao nascer. Entre as medidas mais cotidianas, estão: cobrir a boca ao tossir ou espirrar, evitar aglomerações, ainda mais durante as estações de baixa temperatura, além de manter os ambientes ventilados. 

Pessoas com sistema imunológico fragilizado, seja por doenças como HIV ou Diabetes, ou que estão em tratamento com imunossupressores, devem ter atenção redobrada, tendo em vista o aumento do risco de contágio e possível agravamento dos sintomas. 

Dentre os principais sinais de início da infecção, estão: tosse persistente por mais de três semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Em casos mais graves, dor no peito e sangue ao tossir podem estar entre os sintomas. 

No local, a equipe médica irá aplicar os primeiros protocolos de atendimentos, buscar o diagnóstico e confirmação do quadro e, caso seja necessário, seguir para o tratamento. Conforme o SUS, o tratamento da tuberculose dura no mínimo seis meses e são utilizados medicamentos antibióticos principais como: rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Assim, ao suspeitar dos sintomas mencionados, procure a unidade de saúde mais próxima. 

Texto e arte gráfica: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias
Fotos: arquivo pessoal
Edição: Ricardo Bonfanti

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/10/17/premio-tese-ufsm-entrevista-com-mailine-gehrcke-do-ccs Tue, 17 Oct 2023 15:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64124 [caption id="attachment_64125" align="alignright" width="606"] Mailine Gehrcke[/caption]

Graduada em Farmácia, mestre e doutora em Ciências Farmacêuticas pela UFSM, especialista em Oncologia pela Universidade Franciscana, Mailine Gehrcke percorreu todo o ensino na rede pública. Em 2013 ingressou como bolsista de iniciação científica no LabTec Nano - Laboratório de Tecnologia Farmacêutica, localizado na UFSM, anexo ao Centro de Ciências da Saúde (CCS), onde auxiliou em pesquisas de mestrado e doutorado. Em agosto de 2014 se formou e ingressou no mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas, realizando pesquisa no LabTec Nano. Finalizou o mestrado em 2016. Tendo em vista o grande interesse pela pesquisa e pela docência, em 2018 iniciou o doutorado no mesmo programa e núcleo de pesquisa. Concluiu a pesquisa em 2022 e realizou a defesa de doutorado.

Além da pesquisa e academia, Mailine comenta que sempre teve muito interesse pela área farmacêutica, especialmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente é farmacêutica na Prefeitura de Santa Maria, atuando na assistência farmacêutica do município.

Com sua tese intitulada “Filmes de polissacarídeos naturais para a veiculação cutânea de nanocápsulas de silibinina no tratamento da dermatite atópica”, defendida em 2022 (sob a orientação da professora Leticia Cruz), Mailine recebeu a indicação à primeira edição do Prêmio Tese UFSM 2023, representando o Centro de Ciências da Saúde (CCS).

A Agência de Notícias, vinculada à Coordenadoria de Comunicação Social da UFSM, conversou com Mailine para saber um pouco mais sobre a pesquisa:

Você poderia explicar a sua tese e como surgiu o tema de pesquisa?

A minha pesquisa objetivou o desenvolvimento de filmes de polissacarídeos naturais contendo nanocápsulas de silibinina, um flavonoide, principal composto que possui ação terapêutico do extrato de silimarina (extraído da planta silybum marianum ou cardo-leiteiro), como uma abordagem inovadora para o tratamento da dermatite atópica. Assim, eu desenvolvi filmes de goma gelana e de goma gelana e pullulan (polissarideos naturais que possuem propriedades de aumentar a viscosidade de preparações, gelificantes e formadoras de filmes) onde este último demonstrou (através de um estudo pré-clínico) resultados promissores para o tratamento desta doença, combinando os efeitos de proteção, hidratação e regeneração cutânea, proporcionados pelos polissacarídeos, com efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, proporcionados pela silibinina e potencializados pela nanoencapsulação.

Desde o mestrado eu vinha pesquisando as potencialidades da nanoencapsulação de substâncias ativas naturais, e no doutorado eu planejei pesquisar estas potencialidades voltadas para o tratamento de desordens cutâneas. A escolha por trabalhar com a nanoencapsulação da silibinina partiu de resultados promissores demonstrados em trabalhos prévios do nosso núcleo de pesquisa, onde foi demonstrada a ação deste flavonoide em doenças inflamatórias cutâneas. Assim, eu busquei desenvolver uma nova forma farmacêutica para a administração de nanocápsulas de silibinina, os filmes poliméricos, utilizando polissacarídeos naturais, e a partir dos resultados in vitro observados foi verificado que esta nova abordagem poderia ser benéfica para tratar a dermatite atópica, uma condição patológica da pele muito desafiadora de tratar. Diante disso, realizamos um estudo pré-clínico em parceria com a Universidade Federal de Pelotas para validar a nossa hipótese.

Como foi o processo de produção e qual a maior dificuldade enfrentada?

Trabalhar com o desenvolvimento de formulações é sempre desafiador, e com os filmes poliméricos não poderia ser diferente. Foram necessárias dezenas de testes para enfim chegar na formulação final. Assim, os primeiros dois anos de doutorado foram focados na incorporação das nanocápsulas de silibinina em filmes de goma gelana, resultando na primeira publicação científica do doutorado em uma revista internacional. Na sequência, buscou-se aprimorar as características do filme de goma gelana pela adição de uma segunda camada polimérica composta por pullulan. Estes filmes bicamada demonstraram muitos efeitos benéficos para tratar doenças da pele e foram então escolhidos para a realização de um estudo in vivo, onde foi induzida uma condição semelhante à dermatite atópica em animais para verificar os efeitos da formulação desenvolvida em atenuar os sintomas e reduzir a inflamação e danos oxidativos cutâneos. Estes resultados foram também publicados em uma revista internacional, com alto impacto para a área da farmácia. Além disso, no decorrer da realização da minha tese, a minha orientadora e eu recebemos um convite para redigir um capítulo de livro sobre o uso de nanocarreadores para tratar a dermatite atópica, o qual fará parte do livro “Novel Nanocarriers For Skin Diseases: Advances and Applications”, a ser publicado pela Apple Academic Press.

A maior dificuldade com certeza foi a pandemia de Covid-19. Com a necessidade do isolamento social, muita coisa precisou ser adiada e muitos dos processos precisaram ser adaptados.

Ao que você credita a escolha da sua tese para representar o centro?

Acredito que houve três fatores. O primeiro está relacionado às publicações oriundas da minha tese (dois artigos científicos de alto impacto e um capítulo de livro internacional). Em segundo, a inovação da pesquisa, na qual desenvolvi uma nova abordagem terapêutica para o tratamento da dermatite atópica, uma condição patológica da pele que acomete milhares de pessoas no mundo e que muitas vezes requer a utilização de múltiplas terapias. A nova abordagem desenvolvida por mim reuniu efeitos anti-inflamatório, antioxidante, hidratante e de barreira protetora da pele em uma só formulação. E em terceiro, o impacto oriundo dos resultados, os quais abrem portas para novas investigações e realização de estudos clínicos, para futuramente beneficiar as milhares de pessoas acometidas por esta doença.

O que concorrer ao prêmio representa para você e qual a importância que você vê em premiações como essa?

Concorrer ao prêmio representa um reconhecimento em nível institucional e a consagração de que a minha pesquisa conseguiu atingir as suas finalidades: inovação e impacto social.

Premiações como esta têm o poder de mostrar para a população e órgãos públicos a importância do investimento em pesquisas. Além disso, é um estímulo para os jovens pesquisadores, pois muitas vezes a carreira acadêmica é bastante difícil e árdua, e ter este reconhecimento em nível institucional é uma forma de motivação para a continuação da carreira científica e de recompensa por todo esforço envolvido.

Texto: Gabriela Leandro, estudante de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias
Edição: Lucas Casali, jornalista
Arte gráfica: Daniel Michelon De Carli

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/04/02/ufsm-recebe-13-novas-bolsas-de-pos-graduacao-para-desenvolvimento-de-estudos-no-combate-a-covid-19 Thu, 02 Apr 2020 14:26:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=51610

Na quarta-feira (1º), foi anunciada a liberação de sete novas bolsas de mestrado e seis de doutorado para a Universidade Federal de Santa Maria. O anúncio foi feito pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), tendo em vista o papel fundamental desempenhado pela ciência na busca de soluções para evitar ou reduzir as consequências causadas pela pandemia da covid-19.

Os programas de pós-graduação contemplados pela Capes são aqueles que, segundo a agência, têm potencial para a criação de conhecimentos práticos e específicos orientado à prevenção, combate e enfrentamento da pandemia e de novas crises de igual ou maior proporção, hoje e no futuro.

O objetivo da Capes, com as novas bolsas, é induzir a criação de conhecimento relacionado, especialmente, à prevenção e ao combate da atual pandemia, endemias ou epidemias em geral, envolvendo áreas do conhecimento tais como infectologia, epidemiologia, imunologia, microbiologia, biotecnologia, bioinformática, bioengenharia, ou correlatas, cujos conhecimentos possam compor esforços coordenados de atuação perante tais situações.

Na UFSM os programas contemplados foram os de Ciências Biológicas – Bioquímica Toxicológica (três bolsas de mestrado e três bolsas de doutorado), Ciências Farmacêuticas (duas bolsas de mestrado e uma bolsa de doutorado) e Farmacologia (duas bolsas de mestrado e duas bolsas de doutorado).

A seleção dos bolsistas seguirá as mesmas regras do programa institucional de concessão de bolsas no país. As bolsas de doutorado terão duração máxima de 36 meses, podendo, excepcionalmente, ser prorrogadas por 12 meses.

Mais informações serão divulgadas no site da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação nas próximas semanas.

Texto: Assessoria de Comunicação do Gabinete do Reitor

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/outras-formas-de-testar-o-botox Sat, 15 Sep 2018 13:30:25 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4575 Ao ouvir o termo “botox”, é normal que venha à mente um rosto estático sem expressões faciais. E, de fato, a toxina botulínica é capaz de suavizar a aparência das linhas de expressão, levantar os cantos da boca e deixar a pessoa com uma aparência mais jovial. Inclusive, segundo dados do último relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (2016), o Brasil é o segundo país do mundo que mais usa a toxina botulínica, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.   Mas, para além dos fins cosméticos, existem outras formas de utilizar a substância. Alguns exemplos são os tratamentos para movimentos involuntários excessivos, como espasmos musculares, doença de Parkinson, dor, enxaqueca, suor excessivo e, até mesmo, estrabismo. Basicamente, a toxina pode ser aplicada para qualquer tratamento que necessite da paralisação de um músculo ou glândula para ser realizado. A estudante do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas Bruna Xavier desenvolveu sua pesquisa de mestrado, dentro do Centro de Desenvolvimento de Testes e Ensaios Farmacêuticos (CTEFAR), sobre a avaliação de potência e teor da toxina botulínica.   Essa avaliação consiste no controle de qualidade das marcas que comercializam a toxina, já que existem outras além do Botox, mas todas com a mesma finalidade cosmética e terapêutica de uso profissional. Ela analisa se a quantia de toxina botulínica indicada na embalagem é realmente a que está presente no produto e se a substância não oferece riscos para a saúde do paciente, que vão desde a paralisia até o óbito.   Esse teste é necessário porque não há um padrão internacional, e cada marca utiliza a quantidade específica de unidades da toxina misturada com excipientes (diluidores para estabilizar e proteger a proteína). “As análises são baseadas em um padrão, mas cada empresa possui o seu próprio padrão. Por isso, 10 unidades de um produto não têm o mesmo efeito que 10 unidades de outra marca”, explica Bruna.   O diferencial proposto na dissertação, defendida no início do mês de agosto, é dar a opção para que o ensaio seja feito in vitro, ou seja, utilizando modelos celulares, ao invés de testes in vivo, realizados em camundongos. Baseado no conceito dos 3Rs (Reduzir, Reutilizar e Reciclar), busca-se fazer a substituição, o aprimoramento e a redução do uso de animais em testes científicos.   Como funcionam os métodos alternativos? Para a realização da pesquisa, dois tipos de ensaios in vitro são realizados e ambas as técnicas são combinadas com testes in vivo. Um deles é o físico-químico, que utiliza HPLC, uma máquina que faz a separação, avaliação e detecção das atividades estruturais da molécula. O segundo método consiste em cultivar células em uma garrafa para que se desenvolvam e se reproduzam. No dia do ensaio, uma quantia é retirada da garrafa, contabilizada e colocada para incubação por 24 horas. Depois é aplicada a toxina botulínica em cada célula e se observa o quanto inibiu das proliferação mesmas. Quanto mais inibe, maior a potência da toxina para seu uso cosmético e clínico, como, por exemplo, para o tratamento do câncer (ainda estão sendo realizadas pesquisas sobre o uso da toxina no tratamento do câncer de mama e de estômago).   Na atualidade, não é possível adotar apenas o método in vitro, porque o teste em camundongos é uma exigência da Anvisa. Por isso, Bruna elucida que realiza estudos com métodos alternativos para que possa sugerir novos procedimentos que sejam aplicados não em substituição, mas em conjunto. A expectativa, segundo a pesquisadora, é de que “no futuro, possa substituir o uso de animais.”   O método ainda está sendo aprimorado, já que é totalmente inovador no mundo da ciência relacionada à toxina botulínica. Porém, Bruna tem a previsão de que até o final de seu doutorado, em 2022, a técnica seja validada pelo laboratório como precisa e reprodutível.   Reportagem: Paola Jung, acadêmica de Jornalismo Edição: Andressa Motter e Tainara Liesenfeld, acadêmicas de Jornalismo Fotografia: Rafael Happke]]>