UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sat, 25 Apr 2026 17:40:33 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/08/27/pesquisadores-da-ufsm-sao-contemplados-no-premio-o-futuro-da-terra Tue, 27 Aug 2024 11:35:23 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=66622 [caption id="attachment_66647" align="alignright" width="684"]foto colorida horizontal de seis pessoas, 4 homens e 2 mulheres, em pose oficial. 3 homens seguram certificados. Ao fundo um palco iluminado Professores da UFSM agraciados com o troféu: Gustavo Brunetto, Eduardo Furtado Flores e Mauro Valdir Schumacher (da direita para a esquerda)[/caption]

A 28ª edição do Prêmio O Futuro da Terra contemplou pesquisadores e profissionais de diferentes áreas do agronegócio, incluindo três professores da UFSM. A seleção destacou o trabalho de quem tem contribuído para o desenvolvimento do agronegócio e a preservação ambiental no Rio Grande do Sul. A premiação foi entregue na noite desta segunda-feira (26), durante a Expointer 2024, no Parque de Exposições de Esteio.

O Prêmio é realizado em parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) e o Jornal do Comércio. Neste ano, os contemplados foram divididos em cinco categorias: 1) Prêmio Especial; 2) Cadeia de Produção e Alternativas Agrícolas; 3) Inovação e Tecnologia Rural; 4) Preservação Ambiental; e 5)  Startup do Agronegócio. Ao todo, 11 pesquisadores foram contemplados.

Das cinco categorias, a UFSM teve três profissionais agraciados - um deles, por meio do Prêmio Especial. 

Prêmio Especial

Professor titular do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da UFSM, Eduardo Furtado Flores conquistou o Prêmio Especial desta edição de O Futuro da Terra. Este é um reconhecimento por todo o trabalho realizado pelo pesquisador ao longo dos anos na formação de médicos, veterinários, mestres e doutores em Medicina Veterinária, que atuam no setor do agronegócio, principalmente na parte sanitária, com foco especial em epidemiologia e imunologia. Ele também pesquisa e desenvolve vacinas que dão suporte ao produtor rural.

O prêmio homenageia o conjunto da obra do pesquisador, focando em sua trajetória ao longo dos anos. Para Eduardo, esse reconhecimento é um indicador de que seu trabalho está no caminho certo: “esse reconhecimento para mim foi muito bom porque demonstra, ou pelo menos sugere, que toda a nossa trajetória, ao longo dos anos, tem sido no caminho certo e nos encoraja”. Formado pela UFSM em 1989, soma 35 anos de docência e trabalho. Sua contribuição para o desenvolvimento de pesquisas sanitárias no setor do agronegócio está entrelaçada com a história da Universidade.

Nos últimos cinco anos, colaborou em diversas pesquisas e diagnósticos de coronavírus, sendo, até hoje, membro do Comitê Científico assessor do governo do RS no combate à Covid-19. Também foi coordenador da força-tarefa da UFSM para diagnóstico molecular da Covid-19 entre os anos de 2020 a 2022. Estes trabalhos possibilitaram que cerca de 45 mil testes em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) fossem realizados na Região Central.

Confira a entrevista que o professor Eduardo Furtado Flores concedeu ao jornalista Gilson Piber, do programa Editoria 107.9, e saiba mais sobre sua trajetória:

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Categoria Cadeia de Produção e Alternativas Agrícolas

Gustavo Brunetto é um dos contemplados da categoria Cadeia de Produção e Alternativas Agrícolas deste ano. Professor associado 3 no Departamento de Solos da UFSM e orientador no mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo (PPGCS) da Universidade, Gustavo desenvolve pesquisas em calagem, adubação e nutrição mineral de plantas, com ênfase em frutíferas, há mais de 20 anos. Como resultado de seu trabalho e sua atuação no Departamento de Solos, onde coordena o Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces), desenvolveu novas tecnologias, como a criação de softwares para estimar o estado nutricional de plantas, sendo algumas delas: CND-uva, CND-uva Farroupilha, CND-pessegueiro, CND-maçã, CND-citrus de mesa, CND-pêra, entre outros. Todos esses resultados podem ser acessados gratuitamente no site do Gepaces. Em 2022, esteve entre os cientistas mais influentes do mundo, segundo levantamento da Universidade de Stanford em parceria com a Editora Elsevier BV.

Gustavo destaca que a premiação representa um reconhecimento ao trabalho que o grupo de pesquisa que coordena, o Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces), junto com vários colaboradores vinculados à UFSM e a outras instituições públicas, tem realizado ao longo das últimas décadas. Além disso, para o pesquisador, esse também é um reconhecimento aos estudos que “permitem a geração de vários conhecimentos, que estão sendo divulgados e ajudam os agricultores a melhorarem as suas práticas de manejo em cultivos. Isso tem permitido o aumento da lucratividade do agricultor, com preservação ambiental, e faz com que ele permaneça na sua propriedade, evitando o êxodo rural”.

O grupo de pesquisa Gepaces atua na produção de estratégias para diminuir poluições e contaminações em plantas e no ambiente, além de contribuir na seleção de espécies e cultivadores mais eficientes na absorção de nutrientes, permitindo que se use de forma mais eficientes alguns fertilizantes e, assim, aumentar a produtividade de cultivos e melhorar a qualidade dos alimentos. “A difusão do conhecimento à sociedade é fundamental, pois mostra aos interessados o conhecimento geral, como ele pode ajudar a vida das pessoas. Mas também é uma oportunidade para observar os problemas presentes na sociedade, que podem ser temas de pesquisas futuras”, finaliza o pesquisador.

Na última semana, Gustavo Brunetto conversou com Gilson Piber, no Editoria 107.9. Ouça a seguir a entrevista:

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Categoria Inovação e Tecnologia Rural

Contemplado na categoria Inovação e Tecnologia Rural, Mauro Valdir Schumacher é professor titular do Departamento de Ciências Florestais da UFSM, atua na graduação e pós-graduação em Engenharia Florestal e coordena o Laboratório de Ecologia Florestal do Departamento. O prêmio é resultado de cerca de 28 anos de trabalho, quando graduou-se em Engenharia Florestal pela UFSM. Seus trabalhos e pesquisas envolvem a qualificação de conhecimentos de ecossistemas florestais. Analisa os impactos nos campos e florestas a partir de plantações de árvores, como eucaliptos e pinus, monitora a manutenção de biodiversidade nestes espaços e busca aprimorar estudos de preservação e qualificação do solo. 

Mauro Valdir destaca que esses estudos e pesquisas demandam bastante tempo, tecnologia e equipamentos, que permanecerão no campo durante anos a fim de monitorar a medir diferentes variáveis que afetam a natureza. Por isso, receber este destaque no Prêmio O Futuro da Terra é uma forma de reconhecimento por todo o trabalho desenvolvido ao longo dos anos e um motivo para continuar desenvolvendo pesquisas e trabalhos na área florestal.

Atualmente, Mauro Valdir desenvolve, juntamente com seu grupo de pesquisa, um coletor de deposição atmosférica que permite analisar e quantificar reposições atmosféricas tanto fora quanto no interior das florestas e plantações. O coletor é feito 100% na UFSM e é produzido em impressora 3D, a partir de materiais não contaminantes.

O jornalista Gilson Piber conversou com o professor Mauro Valdir a respeito do Prêmio na categoria Inovação e Tecnologia Rural e sobre a importância do seu trabalho para o monitoramento e desenvolvimento do campo. Confira:

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Saiba mais sobre o Prêmio

Desde 1997, o Prêmio O Futuro da Terra ocorre anualmente e destaca cientistas, pesquisadores, agricultores, instituições e empresas que têm contribuído para o desenvolvimento do agronegócio e da preservação ambiental no estado do Rio Grande do Sul, a partir de práticas inovadoras e sustentáveis. Ao todo, a partir das cinco categorias de contemplados, o objetivo é homenagear os trabalhos desenvolvidos e potencializar novas práticas. Saiba mais sobre cada uma das divisões:

- Prêmio Especial: concedido a um pesquisador com méritos por sua contribuição para o avanço de conhecimentos em alguma área do agronegócio. É um prêmio pelo conjunto da obra do profissional;

- Cadeia de Produção e Alternativas Agrícolas: contempla iniciativas que saem do lugar comum da produção, além de projetos que tratam a produção ao longo de toda sua cadeia, com pesquisas para melhorar tanto a produção quanto o manejo e beneficiamento. Aqui, são relevantes as alternativas agrícolas e a relação da cadeia produtiva;

- Inovação e Tecnologia Rural: novos sistemas, técnicas ou equipamentos que contribuem para melhoria da produção e da produtividade rural. Nesta categoria, podem ser agraciados tanto pesquisadores como os empreendedores tecnológicos e os produtores rurais que aplicam a tecnologia desenvolvida na pesquisa;

- Preservação Ambiental: premia projetos que se destacam por aliar produção e preservação, seja na produção de animais, de vegetais e de minerais. Nesta categoria, podem ser contemplados os agentes antes da porteira, dentro da porteira e fora da porteira que enfocam a preservação ambiental;

- Startup do Agronegócio: nesta categoria, são premiadas jovens empresas que estejam trazendo ao agronegócio novos produtos ou serviços inovadores. 

Confira a lista de todos os premiados e mais informações no site da Fapergs.

Texto: Andreina Possan, estudante de Jornalismo e voluntária na Agência de Notícias
Fotos: Divulgação

Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/07/23/projeto-da-ufsm-foca-na-engenharia-natural-para-recuperar-areas-degradadas-pelas-chuvas Tue, 23 Jul 2024 11:19:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=66353 [caption id="attachment_66360" align="alignright" width="671"]imagem colorida horizontal mostra, em três linhas horizontais, a evolução de uma área, na imagem de cima, seca e sem vegetação; na imagem do meio, já com bastante verde; e na foto de baixo, mato já consolidado. Amostra de intervenção realizada pela equipe da UFSM no Rio Pardinho, em Santa Cruz do Sul, em parceria com a Corsan[/caption]

Os eventos climáticos extremos deste ano causaram danos significativos nas áreas ribeirinhas de rios e córregos na região e em outras áreas do Rio Grande do Sul, sendo necessárias ações para mitigar os impactos ambientais e preparar a vegetação ciliar para eventos futuros. Alinhado à proposta da UFSM de desenvolver projetos relacionados ao enfrentamento da crise climática, por meio do Comitê de Apoio para Eventos Extremos e Emergências (CARE), surge o projeto "Engenharia natural: recomposição da vegetação ciliar, otimização hidráulica e controle de erosão nas áreas afetadas pelos eventos meteorológicos extremos no Rio Grande do Sul”.

O coordenador do projeto, Fabricio Sutili, professor do Departamento de Ciências Florestais, explica que a ideia surgiu após as enchentes de abril e maio. A partir de experiências anteriores da UFSM, ele afirma que é possível desenvolver projetos de engenharia natural específicos para revegetar e estabilizar áreas afetadas pelas enchentes.

A engenharia natural utiliza técnicas vegetativas, também chamadas de biotécnicas, para controle da erosão do solo, estabilização de margens fluviais e, até certo ponto, a estabilização de encostas e taludes. Integrando ecologia, biologia e engenharia, a engenharia natural emprega plantas, solo e materiais inertes para criar estruturas sustentáveis e resilientes. Estas soluções são consideradas eficazes e proporcionam um método natural e duradouro para a preservação ambiental e recuperação de áreas degradadas.

Ações serão realizadas durante dois anos

Diversas ações estão previstas para serem desenvolvidas até setembro de 2026. A começar pela elaboração de projetos para a recuperação de áreas afetadas, por meio de levantamentos de dados e topografia, e posterior seleção das técnicas adequadas para cada situação, resultando na elaboração de projetos. Inicialmente, deverão ser contempladas áreas afetadas no 55BET Pro Sede da UFSM e na região de abrangência do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável (Condesus) da Quarta Colônia.

Outro objetivo é o treinamento de pessoal para a produção de mudas de espécies nativas ripárias não comuns em viveiros comerciais. Espécies nativas ripárias são plantas que crescem naturalmente nas margens dos rios e córregos. Elas estabilizam o solo, reduzem a erosão, protegem as áreas agrícolas adjacentes, melhoram a qualidade da água e fornecem habitats para a fauna local. "Neste projeto, damos atenção especial às plantas reófilas, um subgrupo de ripárias que são as mais eficazes na estabilização fluvial e oferecem os melhores resultados hidráulicos durante eventos climáticos extremos", explica Sutili, ressaltando que serão utilizadas exclusivamente espécies nativas. Um outro projeto, focado na produção destas mudas na UFSM e complementar a esta iniciativa, também deverá ser executado por meio do CARE.

Serão oferecidos dois tipos de cursos: capacitação na elaboração, acompanhamento e implantação de projetos de engenharia natural e cursos sobre a produção de mudas de espécies reófilas nativas, um conhecimento ainda pouco difundido entre viveiristas e profissionais da área. As capacitações começarão no segundo semestre deste ano, com datas específicas a serem divulgadas em breve.

O projeto conta atualmente com a parceria de prefeituras do Condesus Quarta Colônia e da Emater. "Temos a intenção de ampliar essa colaboração durante a fase de treinamentos para incluir outros órgãos governamentais, entidades de classe e empresas de engenharia e consultoria ambiental", afirma Sutili.

Equipe com experiência

Além do professor Sutili, responsável pelo planejamento estratégico e supervisão técnica, a equipe técnica do projeto é composta por Rita S. Souza, especialista em técnicas de engenharia natural, responsável pela seleção de espécies vegetais e técnicas de plantio, elaboração dos projetos e treinamentos técnicos, e Junior Dewes, coordenador de campo, responsável pela implementação das ações e coletas de informações, elaboração dos projetos e treinamentos técnicos.

A equipe tem experiência em projetos de engenharia natural, com capacidade técnica em restauração ecológica e controle de erosão em ambientes fluviais, por meio de projetos já implementados no estado e em outras regiões do país. "A UFSM é pioneira e referência nacional nessa área", afirma Sutili. Alguns dos projetos já executados foram em parceria com empresas como Petrobras, Transpetro e Corsan.

Iniciativa multidisciplinar

Além de professores e acadêmicos da Engenharia Florestal, o projeto tem potencial para incluir outros cursos no futuro. Inclusive há a intenção de incluir temas ligados à engenharia natural nos currículos de graduação e pós-graduação da UFSM, capacitando os futuros profissionais e pesquisadores. "A combinação de conhecimentos em ecologia, engenharia e gestão ambiental torna o projeto atrativo para profissionais com diferentes formações", observa o coordenador.

Sutili destaca a urgência na recuperação rápida e sustentável dos ecossistemas afetados, e acredita que a iniciativa será fundamental para isso, aumentando a resiliência tanto ecológica como hidráulica das margens, reduzindo, com isso, a vulnerabilidade das áreas a eventuais futuros eventos climáticos extremos. 

Ele também destaca a importância do vínculo com o CARE/UFSM, que proporciona uma estrutura de apoio e colaboração. "O CARE facilita o diálogo entre os professores e diversas fontes de financiamento. Além disso, serve como um aval oficial da Reitoria, o que confere credibilidade e segurança às iniciativas, potencializando o sucesso e a obtenção de recursos", afirma.

A Agência de Desenvolvimento de Santa Maria (ADESM) e o Consórcio de Desenvolvimento Sustentável (Condesus) da Quarta Colônia são algumas das entidades que estão articulando em busca de financiamento para os projetos do CARE/UFSM.

Artes gráficas: Daniel Michelon De Carli/Agência de Notícias

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/09/04/restaurapampa-a-investida-cientifica-da-ufsm-na-luta-pela-preservacao-do-bioma-gaucho Mon, 04 Sep 2023 14:10:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63572 [caption id="attachment_63574" align="alignright" width="712"]foto colorida horizontal com uma mulher em primeiro plano, mexendo em um equipamento colado no tronco de uma árvore, baixo, em uma área com vegetação baixa, e ao fundo um pôr do sol Técnica do armadilhamento fotográfico é a principal na captura de registros de animais[/caption]

Ocupando cerca de 63% do território do estado e medindo aproximadamente 178.243 km², o pampa é o maior bioma do Rio Grande do Sul. Também conhecido como Campanha Gaúcha, Campos Sulinos e Campos do Sul, seu nome significa “plano”, ou “planície”, na língua indígena quíchua, da qual foi originado.

Apesar de, em termos de abrangência estadual, ser o maior, o pampa é um dos biomas com menor extensão quando se diz respeito à área nacional. Em contrapartida, se distingue por ter diferentes ecossistemas, com predominância de campos nativos, ricos em biodiversidade de espécies vegetais e animais e que, há décadas, estão ameaçados.

A UFSM, como instituição de ensino com grande relevância no setor da ciência, dispõe de diferentes grupos focados na proteção do meio ambiente. Um deles é o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade), que, por meio do projeto intitulado RestauraPampa, tem uma missão em particular: cooperar com o processo de conservação do bioma através do monitoramento de espécies invasoras.

O trabalho da Universidade na área

Fundado em 2011, o Neprade - que também está nas redes sociais - tem como propósito primordial estudar as possibilidades de recuperação dos ecossistemas e de reparação das áreas degradadas dos biomas do Rio Grande do Sul, que são o pampa e a mata atlântica. A professora do Departamento de Ciências Florestais do Centro de Ciências Rurais (CCR) e coordenadora do Núcleo, Ana Paula Rovedder, destaca o pioneirismo da iniciativa.

“Nós somos um dos primeiros grupos em restauração ecológica de ecossistemas no Estado, porque é uma área da ciência que não se desenvolvia tanto por aqui. Nós começamos a nos aprimorar testando várias técnicas”, contou. A fim de colocar seu trabalho em prática, a docente fala que “sempre que surgem oportunidades de parcerias, ou de concorrer em concursos e editais, o grupo se reúne e elabora propostas”.

[caption id="attachment_63575" align="aligncenter" width="1024"]foto colorida horizontal com um homem, sentado em uma pedra, em uma grande área verde de vegetação baixa. Ele olha em um binóculo ao longe. O céu está nublado Com câmeras fotográficas, os integrantes do Neprade também fazem trabalhos a campo em busca de registrar as espécies[/caption]

Foi dessa maneira que nasceu o RestauraPampa, inclusive. No ano de 2020, o GEF Terrestre, programa do Governo Federal que visa promover a conservação dos biomas caatinga, pantanal e pampa, buscava iniciativas que pudessem atuar no plano de restauração de duas unidades de conservação localizadas no Rio Grande do Sul: o Parque Estadual do Espinilho (Pesp), em Barra do Quaraí, e a Reserva Biológica do Ibirapuitã (Rebio), em Alegrete.

Em virtude dos impactos sobre a abundante biodiversidade existente na área, as espécies do pampa vivem constantemente sob o perigo de perderem seu habitat. Ameaças de uso do solo sem práticas conservacionistas, a possibilidade de contato da fauna e flora da região com invasores vegetais (como o capim-annoni) e animais (como javalis) e a ruptura dos nichos ecológicos - que, nas palavras da própria professora do CCR, são “as funções dos indivíduos nos ecossistemas” - são exemplos de razões que justificam tal situação.

Ainda, a docente salienta a extinção de polinizadores, por conta dos agrotóxicos utilizados no solo, como outro motivo para o mau-funcionamento dos ecossistemas. “As unidades de conservação são como refúgios para essas espécies. Se você tem as áreas e conserva esses indivíduos, elas estão fazendo seus serviços no meio ambiente”. As abelhas, que se encarregam de prover as plantas de pólen, são um exemplo.

Então, a equipe do Neprade, com a oportunidade de participar do programa e trabalhar com as unidades de conservação gaúchas, se mobilizou para construir a proposta do RestauraPampa. A ideia principal é “testar planos de restaurar campos nativos, reduzir a invasão biológica e propor estratégias de conservação de seres vivos ameaçados”, segundo a própria Ana Paula, que destacou a proteção dos felinos e de espécies vegetais raras, como cactos e bromélias.

Para tornar possível a realização do projeto, o grupo conta com o suporte financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), e com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul. Além disso, é operado em colaboração com a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e conta com a parceria de diferentes entidades para viabilizar a realização da iniciativa.

[caption id="attachment_63578" align="alignright" width="659"]foto horizontal, em preto e branco, mostra um pequeno gato em imagem noturna "Fantasma" pela dificuldade de saber sobre seu paradeiro, o gato-palheiro é um dos animais mais ameaçados do pampa[/caption]

Cuidadosamente, o estudo à preservação

A fim de entender quais passos dar em direção à execução dos objetivos, a coordenadora do Neprade conta que primeiro é necessário entender como as espécies que habitam o pampa vivem. Para o estudo dos animais, o grupo recorre sobretudo à técnica do “armadilhamento fotográfico”.

Neste método, câmeras são fixadas em troncos de árvores, através de cintas, com o propósito de registrar a presença dos seres vivos, como também suas rotinas, reações, caminhos que percorrem, a quantidade de indivíduos e diversas outras particularidades. O dispositivo é ativado por captação de movimentos e todo conteúdo adquirido é armazenado tanto em imagens quanto em vídeos, para uso posterior do Núcleo da UFSM.

Ana Paula revela que embora os animais enxerguem os aparelhos, eles não se sentem ameaçados. “A gente tem registros de vacas lambendo e olhando a câmera, veados também, porque chama a atenção deles. Mas não assusta. É um tipo de amostragem completamente indolor, não é algo invasivo”, declarou a professora, enquanto reafirmou que a coleta de informações é inevitável para saber como cuidar dos habitats.

Ao todo, são dez câmeras do Neprade instaladas por toda a extensão do Pesp e da Rebio. Segundo a coordenadora, ainda existem estilos de armadilhamento fotográfico para entender a vida animal no pampa. Com câmeras portáteis, é comum os envolvidos fazerem trabalhos de campo, conhecidos como avistamentos, seguindo estilos de registro diferentes, como: por vestígios, em que são documentadas marcas das espécies, tais quais fezes, carcaças, pegadas e pelos; e por vocalização, para o estudo de aves a partir dos sons emitidos, visto que cada uma tem um tipo característico de pio.

De qualquer forma, as imagens e os vídeos armazenados são retirados dos aparelhos e colocados em um HD externo, aproximadamente uma vez por mês, para serem avaliados de forma detalhada. De acordo com Ana Paula, é analisada tomada por tomada para tentar encontrar e entender cada situação catalogada. “Algumas cenas não têm animal nenhum porque a câmera também se engana com o vento, por exemplo. É um trabalho bem criterioso de anotar cada informação, comparar com condições meteorológicas e, aí sim, ter ideia do comportamento das espécies”, falou a coordenadora do Neprade.

[caption id="attachment_63579" align="alignleft" width="660"]foto horizontal em preto e branco, com um pequeno gato, de pelagem semelhante a onça, em imagem noturna Ao lado do gato-palheiro, o gato-maracajá é um dos felinos “mais procurados” nas unidades de conservação do pampa[/caption]

A professora também conta que a pesquisa em livros sobre a temática, a consulta em aplicativos específicos e até mesmo o envio do conteúdo para especialistas são métodos utilizados para estudar os registros. Em relação aos vegetais, a equipe identifica a campo, registra a partir de fotografias e coleta amostras com as quais o grupo prepara “exsicatas” - amostras botânicas - e leva para os herbários do Departamento de Ciências Florestais e do Departamento de Biologia. Às vezes, até mesmo amostras de solo e água dos locais também são estudados nos laboratórios da Universidade.

Para cada ida a campo, são de quatro a cinco envolvidos, quinzenalmente, que ficam de três a sete dias trabalhando nas unidades de conservação. A quantidade de tempo que o grupo fica nos locais depende do quanto conseguem trabalhar, uma vez que é necessário que as gestões do Pesp e da Rebio tenham tempo de receber os representantes da UFSM.

O RestauraPampa também é uma oportunidade de desenvolvimento acadêmico e profissional dos discentes da Instituição. Em meio ao financiamento recebido pelo programa GEF Terrestre, bolsas de iniciação científica para a graduação e bolsas de pesquisa para pós-graduação e pós-doutorado estão no pacote. Segundo a coordenadora do Neprade, atualmente, cinco professores da Universidade, quatro pós-graduandos - sendo três teses destes alunos relacionadas ao projeto - e seis estudantes de graduação estão envolvidos com a execução da iniciativa. Além disso, dois mestrados referentes às atividades já foram defendidos.

Entre astros e destaques, o principal é a conscientização

O gato-palheiro, também conhecido como gato-dos-pampas, é um dos seres vivos do pampa do qual menos se sabe sobre a situação. Para Ana Paula, “talvez seja o animal mais ameaçado do bioma. É um fantasma: difícil de ser registrado e monitorado”. Especialistas em mamíferos da região estimam que haja somente 50 indivíduos da espécie, que, dessa forma, corre acentuado risco de extinção.

“É uma estrela. Vários projetos e um grupo amplo de pesquisadores, entre eles o Neprade, buscam saber mais sobre ele. Nós reconhecemos o grau de ameaça”, afirmou a coordenadora do Núcleo responsável por encontrar o felino pela primeira vez no Rebio. Entretanto, a docente acredita que, apesar de ter sido um dos principais animais documentados, o gato-palheiro não é, necessariamente, o maior achado do RestauraPampa.

“É muito difícil falar em principal descoberta. Um dos registros mais relevantes? Sim. Mas essas unidades de conservação são tão complexas que seria uma injustiça deixar o resto de lado”, garantiu a professora, que também destaca a documentação das espécies gato-do-mato-grande e gato-maracajá. “Dos nossos resultados, o primordial é poder mostrar para a comunidade do Rio Grande do Sul a importância destas áreas e como elas estão atuando em uma paisagem cada vez mais impactada por ameaças ecológicas”.

Apesar do prazo, o projeto não para por aqui

Ana Paula revela que, durante a realização do RestauraPampa, o grupo passou por desafios inéditos em sua carreira. O primeiro foi a pandemia. O processo de idealização da iniciativa havia começado em março de 2020 e aprovado oficialmente em abril daquele ano. Entretanto, o Neprade só pôde começar a fazer as idas às áreas do bioma em dezembro, com uma equipe muito reduzida. “Não tinha o que fazer”, afirmou a professora.

[caption id="attachment_63577" align="alignright" width="660"]foto horizontal colorida de dois javalis em uma área verde O javali é um exemplo de espécie invasora que aparece no bioma pampa[/caption]

Ana Paula acredita que, por conta deste problema, o projeto sofreu um prejuízo no contato com a sociedade. “A primeira etapa era social, antes mesmo de trabalhar com as unidades de conservação. Tinha todo um componente do RestauraPampa que era bastante vinculado a questões sociais, como trabalhar com os proprietários rurais, mas a gente não podia chegar na casa deles. Essa população em questão é uma população idosa, tínhamos que ter esse cuidado. Ainda não tinha vacinação, então atrasou tudo”, declarou a docente.

Para a professora, o outro grande empecilho para a execução da iniciativa à época foram as estiagens no bioma, que foram as mais extremas dos últimos anos. “Tudo que a gente tinha que trabalhar ‘a campo’, precisávamos que o campo estivesse viçoso, mas estava tudo seco. Não havia o que fazer. Foi muito difícil. Desgastante”, confessou.

A docente ainda revelou uma das situações complicadas em que o grupo viveu durante a realização do projeto, na pandemia: “Teve uma saída em 2022 que a equipe ficou no hotel e todo mundo pegou Covid-19. Eram cinco pessoas. O contato com os produtores locais, que é algo riquíssimo quando se fala de restauração de ecossistemas, porque os ecossistemas estão nas propriedades rurais, foi muito atrasado”.

Apenas neste ano que o Neprade conseguiu trabalhar o aspecto social e extensivo do RestauraPampa, com um plano de divulgação por meio de palestras, cursos, oficinas. De acordo com Ana Paula, o grupo tem sido bastante chamado em cidades do Rio Grande do Sul - e até mesmo na Colômbia - para falar sobre a iniciativa. “Estamos correndo atrás do prejuízo da pandemia”, diz.

Em função de todas as dificuldades, o projeto precisou ser prorrogado até 2024, tendo como data final oficial o dia 30 de abril do próximo ano. Entretanto, a professora acredita imensamente que a proposta do RestauraPampa não irá parar com seu fim. “A experiência e a expertise que a gente obtém numa iniciativa dessas faz com que ela seja uma parte da caminhada que engancha em uma próxima e que gera subsídios para que criemos mais uma proposta”.

Ana Paula finaliza expondo, do fundo de seu coração, a relevância de ideias como a do RestauraPampa. “Como instrumento de parceria e de contato, os projetos precisam ter fim. Mas eles são uma construção de ciência. A ciência não é algo parado, ela tem continuidade. Esse é o grande desafio da ciência brasileira, porque ela não tem a valorização necessária. O cientista brasileiro é também gestor, influencer… A gente tem que fazer de tudo para dar continuidade. Então, com certeza o projeto continua, com novas ideias, absorvendo o que é mais importante para o bioma e dando continuidade a novas parcerias, com novos alunos. O RestauraPampa termina em abril de 2024, mas continua como ciência”.

Confira vídeo com registro do "gato-do-mato-grande":

http://www.youtube.com/watch?v=DeK7wwE1c4I

Texto: Pedro Pereira, estudante de Jornalismo e estagiário da Agência de Notícias
Fotos e vídeo: Arquivo do Neprade
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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Projeto é desenvolvido pelo Laboratório de Silvicultura e Viveiro Florestal da UFSM

Na manhã desta quinta-feira (9) ocorreu o evento de comemoração dos 20 anos do projeto de extensão Bolsa de Sementes. O projeto é desenvolvido pelo Laboratório de Silvicultura e Viveiro Florestal da UFSM e tem parceria com a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Para marcar a ocasião, foi feito um ato simbólico: a plantação de uma árvore, localizada entre o obelisco e o prédio da Reitoria da UFSM.

Na ocasião estavam presentes a coordenadora do projeto, a professora Maristela Araújo, do Departamento de Ciências Florestais do Centro de Ciências Rurais (CCR); o reitor, Luciano Schuch; o vice-presidente da Afubra, Marcos Dornelles; e o coordenador de Articulação e Fomento à Extensão, Rudiney Pereira.

O objetivo principal do projeto é a valorização das espécies arbóreas nativas, bem como a conservação de florestas e uso sustentável de áreas agrícolas. Para isso, professores e acadêmicos da UFSM e colaboradores da Afubra vão a escolas e propriedades rurais da região. Há cerca de 233 escolas públicas da região Sul do Brasil cadastradas no projeto. As crianças são ensinadas a identificar espécies de árvores e instruídas a coletar de modo sustentável, mantendo frutos para fauna e sementes para autorregeneração das árvores. Também em torno do projeto, professores e acadêmicos da Engenharia Florestal organizam e participam de minicursos, dias de campo com plantios nas escolas e comunidades.

As sementes coletadas pelas escolas são preparadas e organizadas então em pequenos lotes, porções de cerca de 100 gramas, e encaminhadas à Afubra e, então, à UFSM. Na Universidade as sementes são analisadas quanto a sua qualidade aparente, visando à distribuição gratuita para diferentes ações na região Sul. De acordo com a identificação correta das espécies e do local da coleta, data e qualidade das sementes, as escolas recebem uma bonificação da Afubra. Neste ano, a Escola Municipal Ervino Konrad, de Arroio do Tigre (RS), recebeu um cheque bônus de R$ 6.973,50 pelo desempenho no programa Bolsa de Sementes. Outras escolas também receberam prêmios (a lista dos dez maiores valores recebidos pode ser conferida aqui).

Durante os 20 anos, a estimativa é de que foram recebidas cerca de 14 toneladas de sementes viáveis de 181 espécies. Entre as mais coletadas estão a Araucaria angustifolia (pinheiro-brasileiro), Annona sylvatica (ariticum), Eugenia rostrifolia (batinga), Schizolobium parahyba (guapuruvu), Eugenia uniflora (pitanga), Cedrela fissilis (Cedro) e Eugenia involucratra (cerejeira). Do total de sementes recebidas, mais de seis toneladas foram distribuídas gratuitamente para diversos projetos, atendendo 2.536 solicitações.

“O projeto cumpre um papel relevante à sociedade, ao meio ambiente, bem como, indiretamente, à economia. Isso porque, ao conservarmos florestas nativas, mantemos a qualidade e quantidade de água nos rios, viabilizamos habitat aos polinizadores, entre outros benefícios que permitem otimizar a produção agrícola, pecuária e silvicultural”, afirma Maristela Araújo, que está à frente do projeto desde 2006.

Para solicitar a doação de sementes para produção de mudas, de forma gratuita, os interessados dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná devem preencher o formulário disponível no site da Afubra.

 

Texto: Ana Laura Iwai, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Luciana Jost Radtke, da Assessoria de Comunicação da Afubra
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

 
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/06/10/plantio-de-arvore-na-ufsm-marca-os-20-anos-do-projeto-bolsa-de-sementes Fri, 10 Jun 2022 13:52:47 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=58832 [caption id="attachment_58836" align="alignright" width="851"]foto colorida horizontal mostra um grupo de pessoas posando para foto, uns agachados e outros em pé, Ato reuniu o reitor da UFSM e representantes do CCR, da PRE e da Afubra[/caption]

Na manhã desta quinta-feira (9) ocorreu o evento de comemoração dos 20 anos do projeto de extensão Bolsa de Sementes. O projeto é desenvolvido pelo Laboratório de Silvicultura e Viveiro Florestal da UFSM e tem parceria com a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Para marcar a ocasião, foi feito um ato simbólico: a plantação de uma árvore, localizada entre o obelisco e o prédio da Reitoria da UFSM.

Na ocasião estavam presentes a coordenadora do projeto, a professora Maristela Araújo, do Departamento de Ciências Florestais do Centro de Ciências Rurais (CCR); o reitor, Luciano Schuch; o vice-presidente da Afubra, Marcos Dornelles; e o coordenador de Articulação e Fomento à Extensão, Rudiney Pereira.

O objetivo principal do projeto é a valorização das espécies arbóreas nativas, bem como a conservação de florestas e uso sustentável de áreas agrícolas. Para isso, professores e acadêmicos da UFSM e colaboradores da Afubra vão a escolas e propriedades rurais da região. Há cerca de 233 escolas públicas da região Sul do Brasil cadastradas no projeto. As crianças são ensinadas a identificar espécies de árvores e instruídas a coletar de modo sustentável, mantendo frutos para fauna e sementes para autorregeneração das árvores. Também em torno do projeto, professores e acadêmicos da Engenharia Florestal organizam e participam de minicursos, dias de campo com plantios nas escolas e comunidades.

As sementes coletadas pelas escolas são preparadas e organizadas então em pequenos lotes, porções de cerca de 100 gramas, e encaminhadas à Afubra e, então, à UFSM. Na Universidade as sementes são analisadas quanto a sua qualidade aparente, visando à distribuição gratuita para diferentes ações na região Sul. De acordo com a identificação correta das espécies e do local da coleta, data e qualidade das sementes, as escolas recebem uma bonificação da Afubra. Neste ano, a Escola Municipal Ervino Konrad, de Arroio do Tigre (RS), recebeu um cheque bônus de R$ 6.973,50 pelo desempenho no programa Bolsa de Sementes. Outras escolas também receberam prêmios (a lista dos dez maiores valores recebidos pode ser conferida aqui).

Durante os 20 anos, a estimativa é de que foram recebidas cerca de 14 toneladas de sementes viáveis de 181 espécies. Entre as mais coletadas estão a Araucaria angustifolia (pinheiro-brasileiro), Annona sylvatica (ariticum), Eugenia rostrifolia (batinga), Schizolobium parahyba (guapuruvu), Eugenia uniflora (pitanga), Cedrela fissilis (Cedro) e Eugenia involucratra (cerejeira). Do total de sementes recebidas, mais de seis toneladas foram distribuídas gratuitamente para diversos projetos, atendendo 2.536 solicitações.

“O projeto cumpre um papel relevante à sociedade, ao meio ambiente, bem como, indiretamente, à economia. Isso porque, ao conservarmos florestas nativas, mantemos a qualidade e quantidade de água nos rios, viabilizamos habitat aos polinizadores, entre outros benefícios que permitem otimizar a produção agrícola, pecuária e silvicultural”, afirma Maristela Araújo, que está à frente do projeto desde 2006.

Para solicitar a doação de sementes para produção de mudas, de forma gratuita, os interessados dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná devem preencher o formulário disponível no site da Afubra.

Texto: Ana Laura Iwai, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Luciana Jost Radtke, da Assessoria de Comunicação da Afubra
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/07/16/dia-de-protecao-as-florestas-conheca-a-atuacao-da-ufsm-na-preservacao-das-matas Fri, 16 Jul 2021 12:34:30 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=56306 [caption id="attachment_56307" align="alignright" width="482"]Foto colorida horizontal mostra uma armação de madeira em meio a uma floresta Neprade tem por objetivo promover a pesquisa em restauração ecológica e recuperação de áreas degradadas[/caption]

O Dia de Proteção às Florestas é comemorado neste sábado, 17 de julho. A data é uma forma de conscientizar e chamar a atenção de todos para a importância de se preservar as florestas. O dia também faz homenagem ao Dia do Protetor de Florestas, figura associada ao personagem do folclore brasileiro, o Curupira, essa figura protege as florestas das agressões constantes do homem, tais como desmatamento e caça de animais. 

A data é um estímulo para a reflexão, sensibilização e a promoção de iniciativas efetivas para deter o avanço e o crescimento do desmatamento e da exploração ilegal da biodiversidade. A UFSM faz parte dessa luta e conta com diversos projetos e iniciativas para que todos possam pensar e trabalhar no coletivo para um mundo mais sustentável, garantindo assim a diversidade e preservação das florestas brasileiras.

Uma das iniciativas institucionais é o projeto de extensão ligado aos  Departamentos de Engenharia Rural e Ciências Florestais, o Educa Floresta, coordenado pela professora Damáris Gonçalves Padilha. O projeto é voltado a ações de educação florestal e ambiental para crianças do Ensino Fundamental da rede pública de ensino de Santa Maria, com o objetivo de sensibilizar as crianças sobre os diferentes temas da área florestal e ambiental por meio da elaboração de material didático (analógico e digital) e de atividades práticas.

A coordenadora Damáris conta que o projeto atua nas escolas públicas desde 2017 e que no ano de 2019 passou a atuar na  Escola de Ensino Fundamental Padre Nóbrega. Quando o projeto atuava de modo presencial, os participantes levavam diferentes atividades práticas para estimular o senso crítico das crianças sobre temas como a importância das florestas, os diferentes produtos que elas originam, os cuidados com arborização urbana, dentre outros. “No contexto remoto, precisamos adaptar as atividades para que as crianças pudessem participar. Assim, em 2020, criamos canais digitais (YouTube, Instagram e Facebook) para manter o contato e enviar as atividades. Também enviamos uma cartilha didática impressa para todos os alunos para leitura em casa. Foi um desafio, mas tivemos um bom retorno”, conta Damáris.

A UFSM apoia diversas atividades de extensão e ações voltadas à qualificação do desenvolvimento humano, melhorias na qualidade de ensino, na promoção do desenvolvimento científico e no desenvolvimento do sistema produtivo local, regional e nacional. Damáris acredita que os projetos de extensão da universidade, com o  foco nas questões florestais e ambientais são sempre importantes e levar essas questões para as crianças é fundamental para uma sociedade que não apenas se preocupa com as questões ambientais, mas que entenda como essas relações nos afetam, e que sejam capazes de agir em benefício da sua conservação ou do seu uso de forma sustentável. 

"Valorizar a biodiversidade é valorizar a humanidade"

Outro projeto da UFSM que trabalha a pesquisa, o ensino e a extensão ligados à conservação e a valorização da biodiversidade é o projeto Valorizar a biodiversidade é valorizar a humanidade, ligado ao Departamento de Ciências Florestais. Coordenado pela professora Ana Paula Moreira Rovedder, o projeto tem embasamento na experiência do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade), que visa à restauração ecológica de ecossistemas, mas sempre com um vínculo com as comunidades que foram afetadas por processos de degradação e passam a ser também beneficiárias de projetos de restauração.

A coordenadora explica que o trabalho vem sendo realizado desde 2010 com o início das pesquisas e ações no Corredor Ecológico da Quarta Colônia (localizado na região central do Rio Grande do Sul, é considerado área piloto da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica). Foram desenvolvidas ações de pesquisa, educação ambiental, adequação ambiental, resgate dos saberes tradicionais e valorização de espécies vegetais nativas e seus usos múltiplos. “Nessa caminhada, desenvolvemos oficinas, dias de campo, seminários, entre outras ações junto à comunidade do Corredor Ecológico. Em 2019, demos início  ao projeto Valorizar a biodiversidade é valorizar a humanidade: Tecnologias sociais para valorização da biodiversidade e do componente humano do Corredor Ecológico da Quarta Colônia.”

A proposta do projeto visa ao fortalecimento da relação desenvolvida, desde 2010, junto à comunidade regional e às comunidades do Corredor Ecológico da Quarta Colônia (municípios de Agudo, Faxinal do Soturno e Dona Francisca). Com a continuidade e fortalecimento  das ações de valorização da biodiversidade regional por meio do resgate do conhecimento tradicional e sua inserção no cotidiano das famílias rurais, promovendo adequação ambiental da propriedade rural, com restauração/conservação de recursos naturais e inserção/enriquecimento de sistemas produtivos biodiversos e multiestrato, a partir de uma abordagem socioambiental e participativa junto à comunidade do entorno do Parque Estadual da Quarta Colônia, Bioma Mata Atlântica, Rio Grande do Sul, desenvolvendo conhecimento e tecnologias sociais para usos múltiplos de espécies nativas, beneficiamento de produtos da sociobiodiversidade e práticas de conservação dos recursos naturais nos sistemas produtivos, com geração de renda.

Ana Paula explica que a região do corredor ecológico da Quarta Colônia, onde é desenvolvido o projeto, é uma área muito rica em termos de biodiversidade. É onde ocorre o encontro das formações típicas de dois tipos de bioma, a mata atlântica com o bioma  pampa que originam diversas formações de espécies, ecossistemas e habitats. “Em nível de Brasil, é muito importante a conservação dos ecossistemas, porque somos o país que reúne o maior nível de biodiversidade do mundo, isso nos dá uma grande responsabilidade. Ter o apoio da UFSM que desenvolve tanta pesquisa e  informação na área de conservação da natureza é crucial para essa região, onde temos um grande corredor ecológico que precisamos conservar e, assim, manter o fluxo gênico dessas populações de fauna e de flora e manter a conservação”. 

Texto: Ana Júlia Müller Fernandes, estudante de Jornalismo, bolsista da Unidade de Comunicação Integrada
Foto: Neprade/Divulgação

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/04/23/professora-da-ufsm-e-uma-das-idealizadoras-da-rede-sul-de-restauracao-ecologica Fri, 23 Apr 2021 13:06:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=55593 [caption id="attachment_55594" align="alignright" width="438"] Reunião virtual efetivou a criação da Rede Sul de Restauração Ecológica[/caption]

Uma reunião virtual marcou, nesta quinta-feira (22), a efetivação da Rede Sul de Restauração Ecológica, iniciativa da sociedade civil que reúne profissionais vinculados às temáticas da conservação e restauração de ecossistemas no sul do Brasil. A professora Ana Paula Rovedder, do Departamento de Ciências Florestais da UFSM e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade), é uma das idealizadoras da Rede.

Na esteira do que acontece em outros estados e biomas brasileiros, onde redes de restauração já são uma realidade, a iniciativa tem por missão “reunir esforços em prol da restauração e integrá-los entre os atores da restauração ecológica no sul do Brasil; comunicar à sociedade em geral a importância de conservar remanescentes de vegetação natural e de recuperar áreas degradadas; divulgar e incentivar estudos associados a diferentes setores da restauração ecológica no sul do Brasil.” 

Segundo Ana Rovedder, o RS é o único estado da federação onde ocorre o bioma Pampa, e ainda possui áreas expressivas do bioma Mata Atlântica. "É preocupante o contexto de contínuas perdas de áreas devido à conversão de remanescentes, associado ao atrasado na instituição de políticas ambientais em prol da restauração ecológica de ecossistemas degradados", afirma.

Participam da idealização da Rede profissionais ligados a universidades públicas, analistas ambientais, professores, estudantes de pós-graduação, extensionistas, organizações não governamentais, setor empresarial e profissionais liberais. Novos atores podem se integrar à Rede, como, por exemplo, produtores rurais e representantes de diferentes organizações sociais.

A professora esclarece que os próximos passos serão estruturar a Rede para iniciar ações dentro de suas metas de atuação e popularizar o tema da restauração de ecossistemas junto à sociedade gaúcha.

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