UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 11 Mar 2026 22:05:12 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/11/18/ufsm-fw-realiza-programacao-especial-alusiva-ao-mes-da-consciencia-negra Tue, 18 Nov 2025 20:34:13 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71430 Foto horizontal. Uma mulher negra de cabelo comprido, em pé, fala ao microfone. Ela usa óculos e usa um vestido preto sob uma jaqueta predominantemente amarela, com detalhes multicoloridos. À sua direita, há uma mesa coberta com uma toalha azul e branca, atrás da qual há três cadeiras. Ao fundo, há um painel quadriculado azul, com o brasão da universidade, com a inscrição “UFSM Frederico Westphalen”. Em sua palestra, a coordenadora do Neabi falou sobre “caminhos para uma educação transformadora” (foto: Paula Mazzonetto)[/caption] Duas ações marcaram as atividades alusivas ao Mês da Consciência Negra em Frederico Westphalen: a sessão solene no plenário da Câmara de Vereadores, realizada na segunda (17), e a palestra “Consciência negra: caminhos para uma educação transformadora”, ocorrida nesta terça-feira (18), no Espaço Multiuso do 55BET Pro da UFSM em Frederico Westphalen (UFSM/FW). Juntos, os eventos marcaram um movimento dedicado a celebrar vozes, histórias e lutas que contribuíram para a construção do país, reforçando o compromisso local com a equidade racial. A sessão solene reuniu autoridades, representantes de instituições e a comunidade, configurando-se como a primeira ação dessa natureza na cidade. A atividade foi realizada pela Câmara de Vereadores, pelo Instituto Federal Farroupilha (55BET Pro Frederico Westphalen), pela UFSM/FW e pela Associação da Diversidade da Região do Médio Alto Uruguai, além de outras entidades parceiras. Nesta terça-feira, o Espaço Multiuso da UFSM/FW recebeu a palestra “Consciência negra: caminhos para uma educação transformadora”, ministrada por Angela Maria Souza de Lima, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da UFSM. Em sua manifestação, a palestrante destacou que “precisamos enfrentar entraves que ainda permanecem invisibilizados: equidade e representatividade importam, especialmente na educação. É essencial trabalhar a sensibilidade e repensar práticas pedagógicas capazes de transformar estruturas. O racismo está enraizado nas nossas instituições, é estrutural. Por isso, empatia e comprometimento são fundamentais. É urgente convocar nossos pares, fortalecer mobilizações e reconhecer que a transformação virá pela educação. Espaços como este reafirmam nossa responsabilidade coletiva”. A programação foi organizada pela UFSM/FW, IFFar/FW, Neabi e Associação da Diversidade da Região do Médio Alto Uruguai, fortalecendo o papel das instituições públicas na promoção de ações formativas e culturais voltadas ao enfrentamento do racismo e à valorização da diversidade. Texto: Assessoria de Comunicação da UFSM/FW]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/cursos/graduacao/santa-maria/letras/2023/11/10/cine-debate-do-dal-madame-sata Sat, 11 Nov 2023 01:22:58 +0000 http://www.55bet-pro.com/cursos/graduacao/santa-maria/letras/?p=1670

Com a chegada do mês da Consciência Negra, o DAL (Diretório Acadêmico de Letras) estará exibindo o filme "Madame Satã" na próxima terça-feira, dia 14 de novembro, às 18:30h, no auditório do prédio 40A.

O longa brasileiro conta com a direção de Karim Aïnouz, tem duração de 1h45min e traz a realidade e os desafios enfrentados por João Francisco, Madame Satã, vivendo na sociedade do Rio de Janeiro na década de 1930.

Além da exibição do longa, após o filme, haverá uma mesa de debate aberta, com a presença de Ísis Gomes e Gustavo Rocha, o Afroguga.

Junte-se ao DAL e venha participar desta atividade que traz um debate de extrema importância a respeito dos preconceitos vividos pela personagem enquanto homem negro, pobre e LGBTQIA+.

Para saber mais, siga o DAL no Instagram.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-despertar-da-ancestralidade-negra-da-memoria-narrada-ao-familysearch Thu, 17 Nov 2022 13:54:44 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9542 Quem foram os seus antepassados? Qual a trajetória da sua família? Qual a origem do seu sobrenome? Perguntas como essas causam inquietações em grande parte da população negro-brasileira que teve, historicamente, sua ancestralidade negada. O apagamento de registros históricos oficiais e o silenciamento do povo negro oculta intensas trajetórias de sobrevivência, resistência e legados. Hoje, o movimento de resgate das raízes ancestrais demonstra que é possível reconstruir a história que não teve espaço nos livros. 

“Quando procuramos essas histórias, um mundo negro se abre. Um mundo muito possível de ser narrado e que, por outro lado, é assustadoramente calado”, conta a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Franciele Rocha de Oliveira, que faz parte do Grupo de Estudos sobre o pós-Abolição (GEPA) e estuda a história negra e trajetórias familiares há mais de 10 anos. Recentemente, a pesquisadora ministrou um curso sobre como utilizar o FamilySearch para encontrar fontes para o estudo de trajetórias individuais, coletivas e familiares. A ferramenta é a maior base de dados de genealogia do mundo e disponibiliza milhões de documentos históricos. Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida de um adolescente negro que está de perfil, sentado em frente a um computador. O computador é do tipo desktop, na cor cinza, e está envolto por raízes de uma árvore de tronco marrom e retorcido, que está acima do computador, na parte esquerda da imagem. Em três das raízes da árvore, estão pendurados cartões de identificação presos por uma fita vermelha. Um desses cartões está na frente do jovem, que está com uma das mãos por baixo do cartão. Ele tem pele negra escura, cabelos pretos, crespos e volumosos, do tipo Black Power. Tem olhos castanhos, sobrancelhas arqueadas, lábios e nariz grossos, e orelhas grandes. Sorri levemente. Veste moletom na cor malva. Ao lado da cabeça dele, estão desenhados dois pontos de exclamação na cor azul. Os braços estão apoiados em uma mesa grande de madeira na cor caramelo. Em cima da mesa, além do computador desktop, há um porta retrato com moldura berinjela com foto de quatro pessoas e detalhe de um documento na cor creme. Ao fundo do jovem, janela quadrada pela qual entra claridade. O fundo é uma parede amarelo pastel. Com foco nos estudos de famílias negras sub-representadas nos estudos genealógicos, o curso teve 45 vagas, das quais 15 foram disponibilizadas gratuitamente para pessoas autodeclaradas pretas ou pardas. Foram três dias de encontros síncronos que abordaram o uso da plataforma e, no último dia, foi proposto um exercício prático no qual as pessoas poderiam tentar construir/representar as genealogias de suas famílias, com base nos métodos aprendidos no minicurso. Mas, antes disso, Franciele deixou um aviso na tela para os participantes:

“Nem todas as famílias possuem trajetórias fáceis de serem narradas e pesquisadas. Lembre-se que é possível reconstruir famílias, ainda que seus registros possuam lacunas, ainda que suas trajetórias tenham desafiado convenções e padrões familiares e afetivos. Memória narrada em porta, os silêncios e as ocultações também têm significados” - Franciele Oliveira

Para utilizar o FamilySearch, primeiro é necessário fazer o registro, que solicita o nome do usuário, dos pais e a data de nascimento.  Quem cadastra seus dados na plataforma vira uma espécie de fonte de informações dentro da rede para pessoas que venham a pesquisar no futuro. Isso faz com que seja possível encontrar registros da família, compartilhar arquivos e fazer com que outras pessoas também possam se conectar com a sua genealogia.

 

A historiadora explica que as pessoas fazem genealogias ou procuram saber sobre a história da família tendo como base o ideal de que conhecer o passado ajuda a compreender o futuro e a transformar o presente. O fato de as gerações de agora poderem olhar para suas famílias de maneira crítica, entender o que os antepassados viveram e quem eram, é uma questão de busca identitária. Para além de ter a genealogia montada, ela reconhece a potência que a reflexão sobre a história da família permite.

 

Leticia Prates, estudante de Pedagogia na UFSM, participou do curso para se conectar com as suas raízes ancestrais. Ela relata que, a partir da experiência, durante três dias teve a oportunidade de procurar informações com familiares, revisitar documentos da família e fazer caminhos possíveis no FamilySearch que a levaram a encontrar registros que poderiam ajudar na construção da árvore genealógica. O exercício era de Letícia, mas toda a família foi envolvida no processo de descobertas que a levaram até os registros da tataravó — que sua avó de 89 anos não conhecia. 

Para Letícia, a importância do resgate da ancestralidade está na reafirmação e no rompimento de ciclos: “Eu já estava na quarta geração de empregadas domésticas da família, então me dar conta desse contexto psicológico, econômico, territorial, de classe, de cor e de gênero também foi muito importante, para saber de onde eu vim e para onde eu vou”, afirma a estudante.

A maior árvore familiar compartilhada do mundo

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, religião popularmente conhecida como “Igreja Mórmon”, é fundamentada na crença de famílias eternas e ordenanças póstumas (batismo e confirmação e dom do Espírito Santo). Para eles, as ordenanças realizadas nos templos possibilitam que as famílias se unam para a eternidade e retornem a Deus no plano celestial, ou seja, que, ao batizarem os seus ancestrais, será possível encontrá-los após a morte. Nesse sentido, com o objetivo de coletar registros genealógicos e preservar a história da família, em 1894, a Igreja fundou a 1ª Sociedade Genealógica de Utah - SGU, que continha em sua biblioteca uma coleção de 300 livros. 

 

Ao longo do tempo, a Sociedade construiu fichas, microfilmes e catálogos de registros civis e paroquiais de toda a sociedade civil, em busca de expandir o projeto a nível global. Em 1998, a SGU passou a gerar imagens digitais para construir o site FamilySearch e, hoje, tem aproximadamente dois bilhões de registros e cinco bilhões de imagens indexadas, que consistem em registros de nascimento, de casamento e de morte, censos, inventários e testamentos, cartas de alforrias e registros de terras. Todos os microfilmes que estão na sede de Salt Lake City, no estado de Utah, oeste dos Estados Unidos, também estão nessa plataforma e podem ser acessados de qualquer lugar. 

 

Franciele Oliveira afirma que sempre utilizou a plataforma e que, para os historiadores, esse recurso é fundamental: “O tempo que eu demoraria indo a Porto Alegre, para olhar os casamentos, agora eu consigo fazer da minha casa. É possível abrir muitos dos registros e olhar um por um.” Dessa forma, a plataforma se tornou essencial para as pesquisas dela. Apesar disso, ela comenta que não estava entre os princípios do FamilySearch a preocupação com as famílias negras. “Estamos falando de um contexto do pós-Abolição norte americano. De uma organização que também vai passar pelo racismo estrutural, e que vai ser recortada por essas questões raciais”, explica a pesquisadora.

A preocupação do resgate às raízes ancestrais negras não têm origem na fundação da SGU, mas, com o tempo, e com a presença de 4,6 mil centros de história da família em 126 países, isso muda. O FamilySearch Brasil, por exemplo, tem como um de seus projetos mais recentes digitalizar os registros relativos à diáspora africana no país. A base mobiliza as pessoas a irem em busca de suas histórias familiares. Para Franciele, o principal aspecto do FamilySearch é que, atrelado aos estudos das famílias negras, permite pensar as relações de gênero e de diversidade, as práticas nominativas, as políticas públicas, as migrações e imigrações, a demografia social, a história da saúde, as relações afetivas e de parentesco, a história econômica, a mobilidade social, o compadrio, a maternidade e a paternidade, a genealogia forense, a hereditariedade, entre inúmeras outras questões.

A escuta como estratégia de resistência

Foi numa roda de memória no Museu Treze de Maio, em meados de 2010, que Franciele teve o primeiro contato com as histórias da população negra santa-mariense. Inicialmente não imaginava a dimensão dessa história e nem que circulava por um território historicamente negro. Mas os encontros no Museu, localizado no centro de Santa Maria, abriram seus olhos. Lá aconteciam as rodas de lembranças, que recordavam a época em que o museu era um Clube Social Negro: a Sociedade Cultural Ferroviária Treze de Maio. Por meio dos relatos de antigos associados, a então estudante do curso de História passou a conhecer a trajetória e as reivindicações da comunidade negra de Santa Maria e região e, em contato com as pessoas desse meio, encontrou a sua linha de pesquisa, que seguiria até o doutorado. 

Para o trabalho de conclusão de curso, estudou as memórias do clube social negro União Familiar, fundado em Santa Maria no pós-Abolição. Na dissertação, pesquisou as trajetórias de uma família negra entre a escravidão e a liberdade no Rio Grande do Sul. Atualmente, na tese, acompanha as histórias das famílias nascidas de Ventre Livre no pós-Abolição. Somando estes e outros projetos, já entrevistou, ao todo, 47 pessoas.

“Os estudos das famílias negras têm demonstrado como a família por si só é uma forma de resistência, porque é possível construir apoio, afeto, solidariedade, casa e relações que são fundamentais para o grupo sobreviver e passar esse legado adiante” - Franciele Oliveira.

As famílias entrevistadas guardam acervos particulares, fotografias, documentos e memórias impactantes, que demonstram que é possível reconstruir as trajetórias, apesar de este ser um trabalho árduo. Franciele conta que, por uma série de razões, é diferente pesquisar  famílias negras do que trabalhar com famílias brancas: “A principal das razões é que envolve a escravidão, a violência, a separação, a venda dessas pessoas, o tráfico, a mudança de nome, e envolve uma memória traumática também que é difícil de ser narrada”, reflete. No entanto, ela salienta que esse trabalho não é impossível. 

 

Uma das histórias que a pesquisadora acompanha em Santa Maria é da família que foi escravizada pelos Niederauer — o grupo familiar de imigrantes alemães muito conhecido e tradicionalmente homenageado na cidade. Matilde era uma mulher escravizada; mãe de Nemésio e Honorina Niederauer, ambos batizados com o nome do pai da família senhorial. Matilde era, portanto, bisavó de Vilceu Niederauer, que hoje relata o seu conhecimento dos fatos, conforme as memórias distantes da infância vêm à tona: “O meu avô, o Nemésio, tinha um comportamento meio arredio. Quando crianças, nós visitávamos a chácara onde ele morava, nós não participávamos das conversas dos adultos, mas a gente captava [as conversas]”, recorda. Vilceu destaca que esse resgate é importante porque grande parte da população santa-mariense desconhece a história negra não só da família Niederauer, mas também de outras da região que têm origem africana. 

 

Mesmo com os avanços nos estudos, na perspectiva de Franciele as histórias negras ainda são ignoradas pelos genealogistas tradicionais. No Rio Grande do Sul, há uma grande procura pelo estudo de famílias ítalo-germânicas, nos quais não cabe uma linha sequer sobre a história escravista destes grupos: “Existe uma romantização com relação a essas trajetórias que são tratadas de forma desigual, as pessoas querem ter uma conexão com um passado europeu, a um "sangue azul"… As pessoas vão dizer que não são racistas; [vão dizer] que o racismo existe, mas que ninguém é racista. Mas é evidente que as sociedades genealógicas ainda são extremamente restritas às famílias brancas”, argumenta a historiadora. 

A cada descoberta proporcionada pelas pesquisas, o objetivo de Franciele como historiadora só fica mais claro: ouvir as histórias negras e contribuir para manter suas memórias vivas. “Os estudos das famílias negras têm demonstrado como a família por si só é uma forma de resistência, porque é possível construir apoio, afeto, solidariedade, casa e relações que são fundamentais para o grupo sobreviver e passar esse legado adiante”. Expediente: Reportagem: Jéssica Medeiros, acadêmica de Jornalismo e estagiária; Design gráfico: Rafael Freitas, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário; Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e voluntário; e Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária; Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Edição Geral: Luciane Treulieb, jornalista.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/7-professores-autodeclarados-pretos-ufsm Mon, 22 Nov 2021 17:02:12 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8760

Na primeira parte do dossiê sobre a representatividade de docentes negros na UFSM, a Arco apresentou dados que mostram a escassa presença desses professores na Universidade, além de fazer um apanhado histórico para entender o porquê da falta de pessoas negras em cargos e em locais de poder.

Nesta segunda parte do dossiê, destacamos a trajetória acadêmica de sete dos professores pretos da UFSM - as pesquisas, o envolvimento com projetos de extensão e o percurso até chegar ao cargo de docente. O foco está nos autodeclarados pretos, pois eles representam apenas 0,5% dos docentes ativos do Magistério Superior da Universidade, segundo dados da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas. 

A lista é composta pelos docentes António Manuel Santos Spencer, Carlos Alberto da Fonseca Pires, Diego Ramires da Silva Leite, Ederval de Souza Lisboa, Leandro Conceição Pinto, Leonice Aparecida de Fátima Alves Pereira Mourad e Mônica Corrêa de Borba Barboza. Confira a seguir:

 

ANTÓNIO MANUEL SANTOS SPENCER ANDRADE

Formação: Doutor em Engenharia Elétrica 

Departamento: Coordenação Acadêmica - UFSM/CS

Trajetória e envolvimento com a Universidade: António nasceu e cresceu em Cabo Verde, país localizado em um arquipélago na costa noroeste da África. Segundo ele, é comum a migração internacional de cabo-verdianos que querem seguir seus estudos no ensino superior. Por meio do sistema Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) - que oferta vagas para estudantes de países da África, América do Sul, Europa e Ásia, António se inscreveu no curso de Engenharia de Controle e Automação e foi encaminhado para o Brasil. O docente recorda que, em suas pesquisas sobre o país, algo que chamou sua atenção foi a temperatura, que fazia frio. Em 2008, veio para o Brasil e ingressou na Universidade de Caxias do Sul: “Eu tive sorte que, quando eu vim, achei alguns companheiros de Cabo Verde que moravam aqui. Isso facilitou bastante”. Na graduação, teve seus primeiros contatos com a pesquisa nas jornadas acadêmicas e na iniciação científica, sob orientação do professor Luciano Schuch. 

Em 2013, António seguiu os passos de seu orientador e optou por realizar o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFSM, onde continuou seus estudos com o doutorado de 2015 até 2018 e, um ano depois, recebeu menção honrosa de melhor tese pela CAPES. Ainda em 2018, ingressou como professor no curso de Engenharia Elétrica da UFSM em Cachoeira do Sul e, em 2020, entrou no corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica. Atualmente, contribui com ensino, pesquisa e extensão. Faz parte do Núcleo Docente Estruturante do curso, é pesquisador no Grupo de Eletrônica de Potência e Controle (GEPOC) e participa de um projeto de ensino e pesquisa cuja ideia é construir um carro elétrico para se deslocar dentro do campus Cachoeira. Também é membro do corpo editorial da revista Journal of Exact Sciences and Technological Applications da UFSM e do periódico internacional Applied Sciences.

Pesquisa: Seus estudos partem da ideia de uma energia elétrica que todos possam ter, tanto nas regiões urbanas como em zonas mais distantes, onde há maior dificuldade de alcance. A solução para essa maior acessibilidade pode ser dada a partir dos sistemas de microinversores, que extraem energia recebida do sol a partir de um painel e realizam seu tratamento para que ela fique utilizável enquanto eletricidade. Ela pode ser utilizada para conectar baterias, para a energia estar reservada também no período da noite. A pesquisa investiga, portanto, a maior eficiência desse sistema, preocupando-se também com preços acessíveis. “Acredito que, no futuro próximo, todo mundo conseguirá ter acesso a esse tipo de sistema”.

 

LEANDRO CONCEIÇÃO PINTO

Formação:  Doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental 

Departamento: Engenharia Sanitária Ambiental 

Trajetória e envolvimento com a Universidade: Leandro ingressou em 2001 em Engenharia Civil na Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Já nos primeiros anos da graduação, participou de grupos de pesquisa e projetos na área de Recursos Hídricos. Seguiu nessa mesma área no mestrado e no doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental no Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

“O período de estudos foi muito desafiador, pois tive que ficar distante dos meus familiares que vivem no interior da Bahia. O apoio de meus orientadores e da minha esposa foram de fundamental importância para amenizar a saudade de casa”. Ao final do doutorado, em 2012, trabalhou como professor e pesquisador na Escola Politécnica da Pontifícia Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e atuou em um projeto de pesquisa financiado pela Petrobras. Em 2015, ingressou como docente na UFSM.  

Atualmente, ministra as disciplinas de graduação nos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Sanitária Ambiental, além de ser colaborador no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. Também trabalha em colaboração com o Grupo de Pesquisa em Modelagem Ambiental e Ecotecnologias, com estudos sobre o escoamento em sistemas de drenagem urbana.

Pesquisa: Sua linha de pesquisa é sobre modelagem matemática de escoamentos hidrodinâmicos, isto é, atua no desenvolvimento e uso de modelos numéricos computacionais para a representação física do fluxo de fluidos em geral, comuns na natureza e na engenharia. Leandro explica que a pesquisa é voltada para os processos de enchimento rápido das redes de drenagem urbana, pois são um problema frequente devido à ocorrência de falhas em função de eventos de chuva intensa combinados com o crescimento desordenado dos centros urbanos. “Identificar e entender os fenômenos hidráulicos que ocorrem em tais dispositivos pode auxiliar os engenheiros no desenvolvimento de projetos de drenagem que amenizem as falhas de tais dispositivos”.

 

LEONICE APARECIDA DE FÁTIMA ALVES PEREIRA MOURAD

Formação: Doutora em História da América Latina e em Geografia

Departamento: Metodologia do Ensino 

Trajetória e envolvimento com a Universidade: Leonice iniciou sua trajetória acadêmica, em 1986, na graduação em Direito na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e, em 1991, começou a especialização em Metodologia de Ensino. A docente comenta que não tinha boas lembranças da escola e, ao ingressar na universidade, sua relação com a educação mudou:Eu queria fazer como docente o que a escola não tinha feito comigo. Dentro da academia, descobri as propostas educacionais emancipatórias. Então, a partir disso, queria pensar em uma educação que de fato pudesse contemplar a complexidade e a diversidade”. 

Leonice possui uma carreira acadêmica vasta, passando por várias áreas de ensino. A sua primeira licenciatura iniciou em 1995, no curso de História, depois em 2005 em Ciências Sociais e, em 2014, em Geografia. Ainda naquele ano, começou a graduação em Agricultura Familiar e Sustentabilidade. Em 2002, tornou-se mestre e, em 2008, finalizou o doutorado, ambos em História da América Latina. Além disso, em 2015, recebeu o título de mestre em Geografia e, em 2019, de doutora no mesmo programa pela UFSM. Leonice também tem graduação e especialização em Serviço Social, graduação em Pedagogia, Licenciatura em Educação do Campo, em Letras e em Filosofia. 

“Minha segunda graduação é em uma licenciatura e foi uma escolha minha começar na educação básica, com escolas de assentamento, de movimentos sociais, predominantemente no campo”. Em 2012, assumiu o cargo de docente na UFSM. Além disso, na área de extensão, um dos projetos que coordenou foi o “Protagonismo Negro”, programa da Rádio Universidade, com o objetivo de evidenciar o debate sobre questões referentes à população negra. Atualmente, possui três graduações em andamento: em Educação Especial, em Relações Internacionais e em Ciências Políticas. Também está em prosseguimento com seu mestrado em Políticas Públicas e Gestão Educacional pela UFSM.

Pesquisa: Seu trabalho é voltado para a qualificação e formação de docentes no projeto de pesquisa A formação de professores de História e Ciências Sociais em Santa Maria - RS”. O objetivo é contribuir para o conhecimento específico em conjunto com o conhecimento didático-pedagógico de egressos e discentes dos cursos. Dessa forma, identifica e problematiza a formação acadêmica e as concilia com as demandas da docência. Leonice comenta que o projeto é uma maneira de a universidade chegar na educação básica de forma efetiva e qualificada. Outro projeto que a professora participa é um mapeamento de quem leciona Sociologia em Santa Maria. O mapeamento dos docentes é para pensar o lugar que a Sociologia ocupa no currículo de educação básica, especificamente em Santa Maria. É uma tentativa de evidenciar a importância desses conteúdos para o ensino”.

 

CARLOS ALBERTO DA FONSECA PIRES

Formação: Doutor em Engenharia de Minas Materiais e Metalurgia com pós-doutorado no Centro de Recursos Naturais e Ambiente em Lisboa.

Departamento: Geociências

Trajetória e envolvimento com a Universidade: Carlos iniciou seus estudos inspirado por um membro da família: “O professor negro que inspirou para almejar o posto de docente foi meu irmão Sérgio José da Fonseca Pires, que foi referência para muitos, especialmente nos duros tempos da ditadura militar”. Começou sua trajetória no Curso de Matemática da UFSM e, simultaneamente, atuou na rede estadual. Seu percurso mudou quando foi morar em Porto Alegre para ingressar na graduação de Geologia, concluída em 1990, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No curso, Carlos foi bolsista de um grupo que estudava a aplicação da matemática no entendimento dos processos de geotermia - energia obtida a partir do calor advindo do interior da Terra. 

Após a graduação, foi convidado para participar de um grupo de pesquisa no Programa de Pós-graduação em Engenharia de Minas da UFRGS - onde realizou mestrado e doutorado - para fazer a reavaliação da Jazida Carbonífera do Iruí - na cidade de Cachoeira do Sul, em um convênio da Universidade com a Companhia Riograndense de Mineração (CRM). Seu trabalho na Jazida Carbonífera do Iruí resultou em sua dissertação de mestrado em 1994 e, ao final do projeto, seguiu atuando junto à CRM para trabalhar no jazimento de cobre e ouro no Complexo Intrusivo Lavras do Sul. Já como docente da UFSM desde 1995, finalizou a tese de doutorado, defendida em 2002. Em 2007, foi convidado para exercer o cargo de Secretário Municipal da Educação do Município de Santa Maria. Atualmente, participa de grupos de pesquisa relacionados a estatística, geologia ambiental e recursos hídricos na UFSM.

Pesquisa: Seus estudos no mestrado e doutorado tiveram como foco a aplicação de procedimentos estatísticos para avaliar fenômenos naturais (as medidas da chuva, comparação de números de dias com muita e pouca chuva) e fazer estimativas dos resultados dessas avaliações. “Esse procedimento foi usado para propor uma metodologia para calcular o volume da jazida de carvão de Iruí; também definição dos corpos mineralizados [rochas que contém minério] na jazida de cobre e ouro em Lavras do Sul”. Essa técnica segue sendo utilizada até hoje por alunos da graduação e pós-graduação da UFSM. A relevância é identificada pela necessidade de fazer a estimativa do valor médio de uma variável numa área ou volume, estimar o valor desconhecido numa localização e usar os valores conhecidos de uma variável para basear os valores de outra. Já sua pesquisa de pós-doutorado permitiu propor mapas mensais das condições de estiagem e chuva  nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nos anos de 1963 a 2012.

 

DIEGO RAMIRES DA SILVA LEITE

Formação: Mestrado em Música na área de Criação Musical Interpretação e doutorando em Música

Departamento: Música

Trajetória e envolvimento com a Universidade: Diego é porto-alegrense, estudou na Escola de Música da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Em 2005, ingressou na graduação em Música na UFSM. Ele ressalta que, para ingressar no curso, os candidatos precisam realizar uma prova de habilidades específicas, por isso é necessário ter prática e conhecimento prévio do instrumento musical, além das teorias. Depois da sua formatura, ingressou na Universidade como docente, em 2009. “Eu tinha 23 anos quando assumi o cargo. Em um semestre eu era aluno e, já no outro, virei professor dos meus colegas e colega dos meus professores”.  

Diego participou da Banda Sinfônica da UFSM, que tem o intuito de se aproximar da comunidade ao levar a música erudita para além do ambiente acadêmico. Já atuou no projeto “Concertos didáticos de música - RSBONES - Coral de Trombones e Tubas da UFSM”, que possibilita aos alunos do curso de Música a prática de concertos em diferentes lugares do estado. Atualmente, é docente do Programa de Pós-Graduação em Especialização em Música dos Séculos 20 e 21 - Performance e Pedagogia. Em 2019, ingressou no doutorado em Música na Universidade do Estado de Santa Catarina, que está em andamento.          

Pesquisa: A sua tese de doutorado é sobre a relação do compositor e do intérprete (instrumentistas) para a construção de uma nova composição para um mesmo instrumento - no caso, o trombone. O produto final será uma peça, em conjunto com a tese sobre a relação de experiência entre esses dois olhares, “do compositor ‘solitário’ e o do intérprete que recebe as suas instruções. Estamos rompendo essa barreira, porque construímos a peça através do diálogo”.

 

EDERVAL DE SOUZA LISBOA

Formação: Doutor em Engenharia Mecânica

Departamento: Coordenação Acadêmica - UFSM/CS

Trajetória e envolvimento com a Universidade: Ederval é de Jundiaí, interior de São Paulo. Embora seus pais não tenham concluído os estudos, os sete filhos sempre foram incentivados a estudar. Antes de ser professor, vendeu salgados, trabalhou em obras com seu pai, em marcenaria, em indústria e, em 1995, iniciou curso técnico em Mecânica. Por ter gostado da área e adquirido estabilidade salarial, ingressou na graduação em Engenharia Mecânica em 2002. Seguiu o mestrado até 2012 e concluiu o doutorado em 2018. Foi professor em uma universidade particular em Porto Alegre e,  desde 2018, leciona na UFSM. 

A maior inspiração de Ederval é sua irmã, Jeane, que se formou em Pedagogia e hoje é professora de educação infantil em escola pública no interior de São Paulo. Outra pessoa que marcou sua vida foi sua professora da terceira série, Roseli. “Penso como essa professora está? Será que ela sabe que um dia foi determinante para que eu tentasse a docência?”

Dentre os três pilares principais das universidades (ensino, pesquisa e extensão), o docente destaca a extensão, porque é por meio dela que a Universidade chega à sociedade. “A universidade não é só dos universitários e professores. É de toda uma população. Enquanto unidade universitária, temos que gerar meios para alcançar essas pessoas de alguma forma”. Um projeto que ressalta é o “Emprego de autômatos na contação de histórias”, que trabalha com mecanismos, como um desenho expandido de um animal ou personagem da história que se movimenta no livro. A intenção é utilizá-los para auxiliar na contação de histórias para instigar crianças à leitura. “Eu entendo que, enquanto docente, cabe a mim também gerar nesse aluno essa preocupação com o lado social.

Pesquisa: Ederval trabalha com a otimização topológica, fazendo com que a macroestrutura e a microestrutura conversem entre si. Tais estudos buscam entender se todo material que consta naquele componente é necessário e como aquela distribuição pode ser aprimorada com a redução de materiais. Ou seja, a área visa encontrar a melhor distribuição de material, como, por exemplo, em um avião: há  uma estrutura mais leve que demanda menos energia e menos combustível para efetuar o trajeto desejado?

 

MÔNICA CORRÊA DE BORBA BARBOZA

Formação: Doutora em Educação

Departamento: Desportos Individuais

Trajetória e envolvimento com a Universidade:

Mônica é natural de Pelotas e fez toda sua formação profissional como artista, desde criança, em companhias de variados estilos de dança. Quando tinha 14 anos, ela teve suas primeiras experiências como professora em sua escola de balé clássico. “A minha professora me chamou um dia e disse: tu não queres aprender a ser professora e começar a dar aula? Assim, eu tive todo um processo antes da formação formal, já como professora de dança”. Quando ingressou na universidade, escolheu o curso de Pedagogia, em 2000 e, após, trabalhou por quase 15 anos na rede pública. Em 2006, iniciou especialização em Psicopedagogia - e ficou mais próxima das questões de acessibilidade e, em 2008, começou a segunda graduação, em Dança - Licenciatura. 

Naquele mesmo ano, fez um concurso para professora temporária. “Eu era aluna do curso, mas ingressei porque tinha toda uma trajetória na dança e ensino superior. Fui professora e aluna do curso ao mesmo tempo”. Ingressou no mestrado em 2013 e doutorado em 2015. Atualmente, atua como docente efetiva na UFSM, participou do Grupo de Dança Extremus, projeto de extensão que oportunizava experiências em dança pela inclusão social de pessoas com deficiência. Também faz parte do Laboratório Investigativo de Criações Contemporâneas em Dança, do “NÓS”, grupo de Estudos e Pesquisas em Formação de Professores(as) de Dança e desenvolve projetos relacionados à área, com foco em inclusão e acessibilidade e ênfase em audiodescrição.

Pesquisa:

Mônica tem uma pesquisa em andamento relacionada ao acompanhamento dos egressos da Licenciatura em Dança. O trabalho é para entender quais as dificuldades e os dilemas encontrados pelos alunos quando se formam. Além disso, em 2019, contribuiu para o desenvolvimento do espetáculo “Dançar As Coisas Do Pago”, de dança acessível, parceria da Universidade com o Theatro Treze de Maio. "Construímos uma obra artística com bailarinos com e sem deficiência. O espetáculo foi pensado para que todas as pessoas pudessem apreciar. Então, fizemos um trabalho de acessibilização, com audiodescrição, interpretação em Libras e tivemos toda parte da divulgação acessível”. Participou de outras produções de espetáculos e obras artísticas, muitas delas que viraram projetos na área da pesquisa.

Expediente

Reportagem: Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo e voluntária

Ilustração e tratamento de imagem:  Renata Costa, acadêmico de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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* Esta matéria foi atualizada em 25 de novembro, às 18:17, pois, na versão anterior, os dados gerais incluíam os professores inativos.

A herança do passado escravocrata brasileiro ainda se manifesta na desigualdade social e econômica entre pessoas brancas e negras. A população autodeclarada negra - grupo que reúne pretos e pardos, segundo pesquisa e conceituação do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) de 2019 - representa 56,1% dos habitantes do país. Porém, dentro das universidades, a escassa presença de negros na comunidade acadêmica ainda é uma realidade. 

A falta de representatividade nesses espaços possui uma origem em comum: a dificuldade do acesso e da permanência de negros no ensino, em especial, o superior. Para mudar esse panorama, foi sancionada a Lei nº 12.711, de 2012, conhecida como Lei de Cotas -  que ampliou o ingresso de pessoas pertencentes a grupos em vulnerabilidade social nas instituições federais de ensino técnico e superior.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) aprovou, em 2007, um plano institucional denominado ‘Programa de Ações Afirmativas de Inclusão Racial e Social’, por meio da resolução 011/07. A proposta estabelecia a oferta de 15% das vagas para afro-brasileiros em cada curso de graduação, 20% para estudantes de escolas públicas, 5% para estudantes com deficiência e 5% para indígenas residentes no território nacional. 

Em 2014, a UFSM aderiu ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e, assim, a reserva de vagas para todas as classificações de cotas aumentou para 50%. Já na pós-graduação, a ação afirmativa não se aplica, mas, para concursos de servidores públicos, como docentes, a Lei nº.12.990, de 2014, prevê 20% das vagas para negros (pretos e pardos) do número final de vagas para cada edital.

Mesmo com as normas, a presença de docentes negros na Universidade é pequena: dos 1784 professores ativos no Ensino Superior, apenas 9  são autodeclarados pretos - 0,5% do total - e 65 são autodeclarados pardos - 3,64% do total. Ou seja, há 74 docentes negros no Magistério Superior na UFSM. Os dados foram coletados em novembro de 2021, disponibilizados pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e pelo site UFSM em Números, que engloba os quatro campi da universidade.

Autodeclaração, questão racial e limites estruturais

No Brasil, a autodeclaração étnico-racial é feita pela própria pessoa em censos demográficos, como o do IBGE, e documentos para candidatos pretos e pardos que desejam concorrer às vagas de ações afirmativas em concursos públicos, como os realizados para docentes em universidades. Na UFSM, os candidatos enviam o documento assinado para a instituição com informações básicas como nome e dados pessoais e, de forma opcional, motivos que justificam a autodeclaração, como história de vida e identificação com a etnia negra. 

Depois, passam pela Comissão de Heteroidentificação da instituição, explicando por que se autodeclaram negros ou pardos. Os tons de pele de pessoas pretas e pardas são diversos e não há uma escala de determinação racial, uma vez que ambas as classificações incluem cores de pele mais ou menos retintas. As questões de autodeclaração não estão relacionadas apenas com a cor da pele, mas também com características fenotípicas, história de vida familiar e descendência. 

A ação de diferenciar indivíduos pela sua maior ou menor proximidade com as características da negritude é conhecida como colorismo e que, para as pesquisadoras Jéssica Thoaldo da Cruz e Patricia Martins, segrega e anula a identidade negra: “O embranquecimento da população foi política de Estado, mas também foi aplicado por um viés psicológico, interferindo no inconsciente de negros e mestiços e dificultando a busca da identidade e valorização de suas raízes. O resultado são milhares de brasileiros negros de pele clara vivendo na encruzilhada do ser ou não, negro”, segundo artigo publicado na Revista Digital do Laboratório da Faculdade Cásper Líbero.

Nos últimos anos, o número de brasileiros que se autoidentificam como negros aumentou. Segundo análise realizada pelo G1, a partir de dados do IBGE, o número de autodeclarados negros cresceu em torno de 12 milhões de 2012 até 2018. O coordenador do Observatório de Direitos Humanos da UFSM, Victor De Carli Lopes, mestre em História, explica que o aumento desses números não está necessariamente relacionado ao acréscimo de negros no país, mas com uma nova visão das pessoas que antes se autodeclaravam de outras formas.

É também consequência de uma elevação social da estética negra e das ações de empoderamento da negritude: “Muitas vezes, as pessoas acabavam não se autodeclarando negras porque existe um problema de aceitação, por conta de todo racismo que temos no nosso país”.

No Brasil, por 353 anos a população negra foi escravizada e considerada socialmente inferior à etnia branca. A abolição da escravidão ocorreu tardiamente, por meio da Lei Áurea, em 1888, e, a partir daí, o cenário nacional se mostrou de pouca abertura para os negros se integrarem enquanto cidadãos na vida social, já que as classes dominantes não se interessaram em inseri-los nos trabalhos da época. Essa falta de oportunidade para a população negra gera reflexos até hoje: na questão financeira, visto que os negros são maioria em tópicos que determinam os menores rendimentos per capita da população definidos pelo IBGE de 2019; eles possuem mais dificuldades de acessar cargos de poder, além de serem discriminados socialmente.

Embora o preconceito de raça ou de cor e a injúria racial estejam previstos como crimes no sistema jurídico brasileiro, ainda são frequentes casos de racismo estrutural, institucional, velado, e explícito no Brasil. Tais questões históricas e a atual realidade do país geram limites estruturais em todas as esferas sociais - entre elas, na dificuldade de acesso e da permanência à educação para pessoas negras e, consequentemente, ao cargo de docente nas universidades.

Acesso e permanência na pós-graduação

As políticas de cotas auxiliam na transformação para um cenário universitário mais plural. Porém, a discussão atual deve se ampliar a ações afirmativas para a permanência, como comenta a professora da UFSM, Leonice Mourad, doutora em História da América Latina e em Geografia. Para a docente, essa é uma pauta recente e ainda estamos distantes de um patamar racial razoável de representatividade negra nas universidades. 

Além disso, outro ponto relevante se refere à criação de políticas públicas de acesso a mestrados e doutorados, ainda incipientes nas universidades do país: “Precisamos de uma pós-graduação plural em todos os âmbitos, não pensando apenas na questão da negritude, mas também na inclusão de indígenas, pessoas transgêneras, enfim. É urgente que a pós-graduação seja acessada para termos equidade e uma universidade plural”, reforça Leonice Mourad. 

Os dados obtidos na pesquisa em andamento do doutorando e jornalista Wagner Machado, na Pontifícia Universidade Católica do  Rio Grande do Sul (PUCRS), ilustram essa falta de diversidade. Ele investigou a (in)visibilidade dos doutorandos negros na pós-graduação em Comunicação em quatro universidades do Rio Grande do Sul e descobriu que, de 2015 a 2020, mais de 300 pessoas entraram nos programas das universidades analisadas, mas apenas 10% eram negros. A existência de poucos docentes negros nas universidades também foi estudada pelo jornalista em um artigo publicado em 2019. No texto, o pesquisador analisa a situação como um efeito ‘cascata’, pois, para obter representatividade racial entre professores do ensino superior, é preciso, primeiramente, de mestres e doutores - visto que a maioria dos editais solicitam o título de mestre ou doutor para o ingresso no cargo. 

As ações afirmativas para o acesso à pós-graduação já existem em algumas universidades do Brasil. A UFSM, por exemplo, discute sobre a política de cotas, já adotada pelo Programa de Pós-Graduação em História - oferta no mínimo 40% e no máximo 50% das vagas como reserva para as cotas, a partir do total ofertado por ano, dentre essas, três são para pessoas autodeclaradas negras, segundo edital de 2021. No entanto, além do ingresso, precisa-se pensar sobre a permanência dos discentes. Sendo assim, o valor das bolsas de mestrado e doutorado oferecidas é um ponto importante.

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) divulgou, em uma matéria de outubro de 2021, que as bolsas de mestrado e de doutorado vinculadas à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) são, respectivamente, de R$1,5 mil e R$2,2 mil e não são reajustadas desde 2013. Em oito anos de déficit, segundo as contas dos bolsistas, a perda de poder de compra supera 60%.

“Precisamos de algo que justifique o discente estar desenvolvendo essa atividade dentro da academia e não realizando outro trabalho fora [e ganhando mais, na maioria dos casos]. Porque é uma questão de custos, o valor recebido deve pagar as contas, por isso se coloca os custos na balança. Então, precisa de uma bolsa com valores razoáveis para se manter, precisam ser atrativas”, explica o professor Ederval de Souza Lisboa, doutor em Engenharia Mecânica da UFSM/CS. O regime de dedicação exclusiva que impede qualquer outro vínculo empregatício para a obtenção de renda extra, em conjunto com o descaso com a ciência no Brasil, leva o estudante, em muitos casos, a deixar a academia e ingressar para o mercado de trabalho. 

Diante disso, a dificuldade de acesso e permanência na pós-graduação afeta, em especial, a população negra, devido ao recorte de raça e classe. Em consequência, gera um déficit de docentes negros no ensino superior, como observa-se nos números da UFSM. “A dificuldade de acesso presente na pós-graduação permanece nos concursos públicos. O problema é quando abre apenas uma vaga. A Lei de Cotas reserva 20% para a população negra, ou seja, acaba sendo nenhuma para as cotas [quando o número de vagas não ultrapassa 2]. Uma das soluções é a criação de bancos de vagas ou de editais maiores, com mais de cinco, no mínimo três, para garantir uma vaga nas ações afirmativas”, relata Victor de Carli.

Por que a urgência de ampliar o acesso de negros à docência?

Várias são as questões que tornam a necessidade de um aumento imediato desses números, mas, principalmente, a busca por justiça social e igualdade. 

O professor Ederval Lisboa ressalta a falta de representatividade negra em locais de poder, como no judiciário, por exemplo: “No Supremo Tribunal, tem vários homens brancos, há algumas mulheres brancas, teve um homem negro. E mulher negra? Isso só demonstra a desigualdade que nós temos. E se a gente compara com os números de pretos e pardos que temos na sociedade, será que reflete? Não”. Ele se preocupa com a questão da representatividade que esses números transmitem para as crianças, como sua filha. “Qual sociedade que nós vamos entregar pra elas? Quais vão ser as chances que elas vão ter de ocupar um posto de reitor de uma universidade? De ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal?”.

Já o professor da UFSM, Diego Ramires, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Músicaexplica que sente essa ausência de negros em locais de lazer. “Quando eu vou em um parque, um restaurante ou em algum local que não seja de comum acesso a todos, a primeira questão que eu levanto é essa: onde nós estamos, onde os negros estão? A constatação que eu tenho é que eles não estão. Por vários momentos, eu sou o único”. 

Essas problemáticas também incidem na escassez de docentes negros. Segundo o IBGE, 56,1% é o índice de pessoas autodeclaradas negras no Brasil, enquanto 16% é o percentual de docentes negros nas universidades - de acordo com o G1 a partir de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Victor de Carli elenca três principais tópicos que destacam a necessidade urgente de maior representatividade: 

 I) A primeira vai ao encontro da fala de Ederval: quando os alunos têm essas representações, podem se enxergar e ver uma perspectiva de futuro, se inspirarem em pessoas negras e as verem em locais de prestígio como detentoras de conhecimento. Ademais, essa representatividade precisa ser ampla: professores autodeclarados negros, de pele mais ou menos retinta, assim como é a sociedade brasileira - miscigenada. A professora da UFSM, Mônica Corrêa de Borba Barboza, doutora em Educação, acredita na importância de se reafirmar enquanto mulher negra na academia: “Penso no meu aluno que entra na sala de aula, que vê que sua professora doutora é uma mulher negra, parecida com ele ou tem alguém na família que é parecida”.

 II) O segundo é que, com o aumento de docentes negros, as pesquisas em relação as questões raciais são estimuladas. “Não necessariamente eles irão trazer essas temáticas, mas muitas vezes quem lidera os grupos sobre negritude são negros. Então, quando a gente tem o aumento de docentes negros nas universidades, se tem um aumento dos trabalhos de alunos que querem se debruçar  nos estudos sobre o tema”, explica Victor de Carli.

 III) A última é que a falta de representatividade, pelas questões explicadas no tópico acima, pode gerar uma falta de profissionais qualificados para ensinar sobre a cultura afro brasileira: Victor comenta que as consequências desse déficit vão além: “Os alunos, principalmente da licenciatura, vão ser os professores nas redes básicas. Se não tiveram esse estudo nas universidades, eles também vão ter dificuldade de ensinar para os seus próprios alunos e isso implica em um problema na aplicabilidade da norma” - se trata da lei 10.639, que inclui o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira nos currículos do ensino básico.

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Reportagem: Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo e voluntária

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/historia-afro-brasileira-em-maquetes Wed, 17 Nov 2021 14:47:06 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8751 Novembro é conhecido como o Mês da Consciência Negra. A data mais importante deste período é o dia 20, que marca a morte de Zumbi dos Palmares, um dos principais ícones nacionais de resistência ao racismo. No entanto, uma luta que já perdura por cinco séculos não pode ser resumida a um mês, tampouco a um mero dia. O principal espaço para discutir este tema com o intuito de formar cidadãos conscientes do passado e, principalmente, dispostos a mudar o futuro, é a sala de aula.

O Laboratório de Arqueologia, Sociedades e Culturas das Américas (LASCA), ligado ao Departamento de História da Universidade Federal de Santa Maria, produz maquetes com intuito pedagógico desde 2006. Após a atualização nas diretrizes e bases da educação nacional, que determinou a obrigatoriedade da história e cultura afro-brasileira e indígena nos currículos da rede básica, o LASCA começou a criar maquetes para ensino da história afro-brasileira em 2010.

André Luis Ramos Soares é o coordenador do laboratório e também do projeto “Construindo Maquetes: Um suporte lúdico para o ensino de história”. Seis de suas maquetes, que retratam a história africana e afro-brasileira, foram tema de artigo em uma revista de história da Universidade Federal de Pelotas. “Minha proposta é trabalhar a pedagogia de forma lúdica. Quero não apenas que as pessoas vejam o conteúdo, mas que se envolvam com ele”, comenta.

O principal objetivo das maquetes é incentivar os futuros professores de história a investirem em abordagens lúdicas de ensino. O projeto deixa de lado o giz e o quadro verde para “dar vida” aos temas abordados nos livros teóricos. Cada maquete proporciona a visualização concreta das representações dos acontecimentos históricos, tipologias arquitetônicas, acidentes geográficos, fenômenos climáticos e ambientais, entre outros.

História de longa duração

Fernand Braudel, historiador francês e um dos principais representantes da “Escola dos Annales", movimento historiográfico do século 20 que incorporava métodos das Ciências Sociais à História, desenvolveu uma série de noções temporais que se tornaram basilares nos estudos do campo. O francês dividiu os eventos históricos em acontecimentos de tempo curto, tempo cíclico e longa duração. É neste último aspecto que as maquetes se encaixam. 

Cada miniatura apresenta eventos que duraram mais de um século e que repercutem na formação social do país até os dias atuais. “A casa grande e a senzala remetem a uma estrutura de poder que durou mais de 300 anos e deixou marcas até hoje. O quarto de empregada e o elevador de serviço, por exemplo, é a metamorfose da senzala nos dias atuais”, compara o professor André Soares. 

Os períodos retratados em cada maquete são os seguintes:

Grande Zimbábue: O Reino de Zimbábwe (c.1220-1450) estava localizado no atual Zimbábue, sua formação antecede o século 11 e teve seu apogeu entre os séculos 13 e 15. A maquete apresenta um reino com características similares a outros reinos contemporâneos.

Navio Negreiro: A base para a criação da maquete vem do poema homônimo de Castro Alves. Além da obra literária, foi utilizada pesquisa arqueológica e documental sobre o período de tráfico humano pelo Atlântico que ocorreu do século 16 até meados do século 19.

Casa Grande e Senzala: O livro de Gilberto Freyre publicado em 1933 mostra como a arquitetura do espaço colonial expressa organização social e política vigente no Brasil antes do processo de urbanização e industrialização. A arquitetura da época era pensada para reforçar a segregação e a opressão.

Quilombo dos Palmares: Se não o maior, o quilombo mais famoso da História Afro-Brasileira.  Era espaço de resistência à escravidão que, além da população negra, abrigava todo o tipo de excluídos - como índios, e brancos à margem do regime escravista.

Charqueada de São João: A indústria do charque foi o grande motor da economia agropecuária no Rio Grande do Sul. No entanto, esses espaços também ficaram conhecidos como “purgatório dos negros”, por conta das condições degradantes de trabalho, mesmo para o contexto de escravidão. A maquete retrata a Charqueada de São João, em Pelotas, onde Soares fez escavações no sítio arqueológico.

O Cortiço: Baseado no livro de Aluísio de Azevedo, retrata a marginalização da população negra no pós-abolição, a qual continuou a sofrer com a invisibilidade e exclusão social decorrentes do racismo estrutural e que se estendem até os dias atuais.

Processo de criação

Cada maquete leva de seis meses até um ano para ficar pronta. A maior parte desse tempo é investido em pesquisas bibliográficas, que servem como a planta de cada maquete. Cada detalhe presente nas representações possui a sua própria história. Algumas maquetes, como a do navio negreiro e casa grande e senzala, foram construídas com o suporte de alunos do curso de Arquitetura, a fim de conferir a máxima precisão teórica e técnica aos projetos. 

 “A maquete do navio negreiro, por exemplo, contém uma série de informações históricas. É uma nau típica portuguesa. A vela traseira em formato de triângulo é chamada de vela redonda porque ela gira em torno do eixo. A vela quadrada já é diferenciada. A pesquisa serve para colocar detalhes nas maquetes que sejam fidedignas ao que deveria ser uma embarcação desse tipo.  Cada uma dessas maquetes é muito detalhada, porque estamos usando elas em uma proposta de ensino de história”, detalha o professor André Luis Ramos Soares.

As maquetes mais baratas custam cerca de R$ 100, enquanto as mais caras podem custar de R$ 200 até R$ 400. O nível de detalhes e elementos utilizados torna o valor final considerável. “Por conta da ausência de recursos públicos, eu mesmo compro os materiais. Não sei o quanto já gastei”, relata Soares.

O outro lado da história

O professor destaca que o principal papel da escola é proporcionar conhecimento de caráter técnico e científico, pois os alunos já trazem sua bagagem de valores humanos por meio do convívio da sua família. O que os professores podem fazer para promover uma educação que não combata apenas o racismo, mas também misoginia, homofobia e demais formas de opressão é apresentar o outro lado. “O papel da escola é levantar as questões para serem discutidas. A gente não pode convencer as pessoas, mas a gente pode tentar mostrar pra elas que existem outras abordagens,  Outros pontos de vista, outros vieses. Meu papel é colocar o dedo na ferida, tirar as pessoas da sua zona de conforto”, considera o professor.

Soares relata que o ensino decolonial - que busca contar a história por perspectivas diferentes da eurocêntrica, branca e católica - tem ganhado cada vez mais adeptos entre as novas gerações de professores. “Professores da minha faixa etária e mais velhos não conseguiram fugir do modelo tradicional. Atualmente, cada vez mais professores têm procurado fazer especialização e mestrado na área de estudos decoloniais, tentando contar uma versão diferente da história”.

No artigo já citado, é contada a experiência da apresentação das maquetes no Colégio Estadual Elpídio Ferreira Paes, em Porto Alegre. O colégio tem em torno de 850 alunos e  atende aos bairros periféricos da zona sul da capital, que sofrem com altos índices de criminalidade. Desde 2005, as áreas de História, Sociologia e Filosofia passaram a ter uma condução afrocentrada. Por causa desse trabalho, a escola foi escolhida para receber as maquetes. 

O professor detalha a experiência de apresentar o seu trabalho em um colégio com boa parte do seu corpo discente composta por estudantes negros. “A questão do protagonismo negro, do se ver, é essencial. Por isso que muitos professores levaram seus alunos para assistir ao filme do Pantera Negra, por trazer esse protagonismo. Meu trabalho é proporcionar essa visibilidade por meio das maquetes”.

O professor já tem planos de criar uma nova maquete. Esta irá retratar impérios africanos que construíam pirâmides antes mesmo do império egipcio, 5 mil anos antes de Cristo.

O professor deixa o convite para que as escolas  de Santa Maria o chamem a levar esta e outras maquetes para os alunos. Sua condição, no entanto, é que esse pedido não seja feito apenas no mês de novembro: “ É um absurdo abordar a história afro-brasileira apenas no dia 20 de novembro, esse é um processo que deve ser trabalhado todos os dias pelos professores”.

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Reportagem: Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e bolsista

Ilustração:  Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário

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A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) através da Coordenadoria de Ações Educacionais  CAEd) e do Núcleo de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas convida a comunidade acadêmica e a comunidade externa para a Roda de Conversa “Mulheres Negras: Lutas e Resistência”.

O evento faz parte da Programação do Mês da Consciência Negra UFSM 2020 e será realizada no dia 30 de novembro, às 17h. A Roda de Conversa será realizada de forma online, pelo Google Meet e as inscrições podem ser realizadas via formulário de inscrição. 

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O Núcleo de Apoio Pedagógico (NAP) do campus da UFSM em Palmeira das Missões promoveu na terça-feira (20) o Ciclo de Cinema. A iniciativa integra a programação da Semana Municipal da Consciência Negra e teve a participação de estudantes, servidores, professores e comunidade geral. 

O Ciclo exibiu o documentário brasileiro "Quanto vale ou é por quilo?,  de 2005, dirigido por Sérgio Bianchi. O filme faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que formam uma solidariedade de fachada. Após a exibição foi realizada uma roda de conversa para debater sobre os principais aspectos abordados no filme. 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/2018/11/22/cineclube-da-boca-exibe-o-grande-tambor-das-charqueadas-ao-carnaval-hoje Thu, 22 Nov 2018 10:50:59 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/?p=1827 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-universidade-se-pinta-de-povo Tue, 13 Nov 2018 19:40:36 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4854 *Esta matéria foi atualizada em 21/11/2018, às 14:37. Dos 205,5 milhões de habitantes do Brasil, 46,7% se autodeclaram pardos e 8,2%, pretos. Apesar de, juntas, formarem a parcela majoritária da população nacional, essas pessoas raramente são vistas em comerciais de TV ou revistas, no atendimento de bancos, ocupando cargos de chefia em empresas e, até pouco tempo atrás, nas salas de aula das universidades. A luta contra a invisibilidade e as desigualdades faz parte da trajetória de Maria Rita Py Dutra, terceira mulher negra a se tornar doutora no Programa de Pós-Graduação do Centro de Educação da UFSM. A tese Cotistas negros da UFSM e o mundo do trabalho, defendida pela professora em agosto de 2018, discute as situações e condições que influenciam os cotistas negros desde a formação na UFSM até a inserção, ou não, no mercado de trabalho. Para isso, Maria Rita ouviu relatos de experiências e analisou o universo que está por detrás da problemática, como a desigualdade nos âmbitos econômico e de acesso, o apanhado histórico, a construção de identidades e o conflito de interesses. Foram entrevistados formandos dos cursos de Ciências Sociais, Enfermagem, Fisioterapia, Relações Públicas, Medicina Veterinária, Serviço Social, Educação Especial e História Licenciatura. Como resultado, Maria Rita aponta que, para os estudantes entrevistados, a  política de cotas representou um divisor de águas, mudando totalmente suas vidas. “Foram as cotas que abriram um mundo de possibilidades para esses estudantes, em que o ingresso e a superação do discurso racista foi necessária para a conclusão do curso. Na maioria dos casos, o primeiro diploma de ensino superior na família”, comenta Maria Rita, que celebra: “A universidade se pinta de povo”. A pesquisadora entende que uma sociedade igualitária e justa é construída e orientada nos bancos escolares. “Faz parte disso possibilitar que excluídos ingressem no espaço acadêmico, mas que, para além, a estrutura acadêmica seja repensada para que ocorram mudanças radicais em busca da igualdade”, afirma Maria Rita no decorrer da pesquisa. Ela compreende, ainda, que olhar para a conclusão do curso e a entrada no mundo do trabalho “fornece informações importantes para pensarmos em resultados na educação e reavaliarmos, por exemplo, as barreiras que cotistas enfrentam”. Na tese, Maria Rita compartilha que estudar as ações afirmativas e o racismo fez com que ela refletisse sobre questões que a marcaram de forma indelével nos quase 30 anos de carreira no magistério público estadual, sobre as quais ainda carrega marcas e dores não removidas.   Política de cotas no Brasil e na UFSM O debate sobre as ações afirmativas reverberou no Brasil após a participação do país, em 2001, na III Conferência contra o Racismo e a Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata. Em 2003, foi pautado na UFSM pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), e definiu-se como Programa de Ações Afirmativas de Inclusão Racial e Social. O sistema inclui o ingresso de afro-brasileiros, pessoas com deficiências, alunos de escolas públicas e indígenas no ensino superior. Em 2012, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei das Cotas (nº 12.711/2012), que estabeleceu o sistema de cotas sociais e raciais para ingresso em universidades e institutos federais de todo o país. A legislação prevê a reserva de, no mínimo, 50% de vagas, por curso e turno, para estudantes oriundos de escolas públicas, além de destinar vagas para estudantes negros, pardos e indígenas, de acordo com o percentual populacional local dessas etnias. Perante a aprovação, surgiram várias perguntas quanto à legitimidade constitucional da política de cotas, às quais o Supremo Tribunal Federal (STF) respondeu, entendendo que a política fazia parte de um processo de correção das desigualdades sociais, inclusive daquelas baseadas na cor da pele. Atualmente, a UFSM não dispõe de uma política de acompanhamento e avaliação do processo de permanência dos cotistas negros. Segundo Maria Rita, essa questão ainda não despertou interesse nos pesquisadores por haver poucas referências de estudos sobre. Em sua tese, a professora salienta que a presença de alunos afro-brasileiros, indígenas, portadores de deficiência e provenientes de escolas públicas é asseguradora da diversidade e da democracia nas universidades públicas brasileiras. “A política afirmativa é necessária para reparar os aspectos discriminatórios que impedem o acesso de pessoas pertencentes a diversos grupos sociais às mais diferentes oportunidades”, pontua. Trajetória de Maria Rita Professora desde 1967, quando concluiu o Curso Normal, passou 30 anos ensinando e se especializando em diferentes áreas, como química, pedagogia, história, ciências sociais. Desde 1988, seu trabalho envolve a temática étnico-racial e o racismo. Na intenção de romper barreiras, Maria Rita fez parte do projeto Combatendo o Racismo através da Literatura Infantil entre 2003 e 2008, criado por um grupo de estudantes do curso de Museologia da Universidade Franciscana. Ali, contava histórias de questões raciais, além de ministrar oficinas e cursos a estudantes e professores no Museu Treze de Maio.   A experiência gerou frutos literários, como O Aniversário de Aziza e Dia dos Negros. Na UFSM, Maria Rita participa do grupo Negros e o Movimento Social Negro (MN), que trata sobre direitos e igualdades, buscando contribuir para o aperfeiçoamento das políticas de cotas na Universidade. Pelo que ela representa, organizadores e coletivos que construíram a programação das atividades do mês da Consciência Negra em 2018 na UFSM homenageiam Maria Rita como a primeira patronesse da data. O momento marca, ainda, uma década de política de ações afirmativas na Universidade. Reportagem: Bibiana Pinheiro, acadêmica de Jornalismo Edição: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo Fotografia: Dartanhan Baldez Figueiredo Ilustração da capa: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial - A inspiração são as obras de Jean-Michel Basquiat, artista norte-americano que se dedicou às artes das ruas, como grafite, piche e colagens. As questões raciais e a população negra dos Estados Unidos perpassam grande parte da produção do artista, que é negro.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/2018/11/08/confira-a-programacao-do-mes-da-consciencia-negra Thu, 08 Nov 2018 12:05:57 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/?p=1804 aqui. ]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/2018/11/07/nesta-quinta-tem-broder-no-cineclube-da-boca Wed, 07 Nov 2018 17:06:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/?p=1803 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/2018/10/31/cineclube-da-boca-exibe-filmes-em-alusao-ao-mes-da-consciencia-negra-em-novembro Wed, 31 Oct 2018 19:43:58 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/?p=1773 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/2018/10/31/conferencia-africanidades-e-narrativas-acontece-em-19-de-novembro Wed, 31 Oct 2018 19:25:31 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccsh/?p=1771 O evento emerge dos debates realizados junto ao Núcleo de Estudos sobre Memória e Educação - Povo de Clio/UFSM e inaugura a Semana da Consciência Negra.
O conferencista será o professor Elizeu Clementino de Souza, titular da Universidade do Estado da Bahia com mediação da professora Maria Rita Py Dutra.
A entrada é gratuita com inscrições no local ou realizadas aqui. Haverá emissão de certificado.
Contato para mais informações povodeclio@gmail.com
cartaz com fundo amarelo e imagens étnicas, com letra em preto e foto do palestrante, contendo as informações do evento
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