UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 22 Apr 2026 17:09:55 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/04/25/entrevero Fri, 25 Apr 2025 16:47:33 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=68905
Competidores da categoria peão se apresentaram no Centro de Convenções

O 36º Entrevero Cultural de Peões do Rio Grande do Sul teve início nesta quinta (24) e segue até sábado (26). O evento, que reúne jovens de 10 a 27 anos, tem como objetivo escolher representantes da cultura campeira e da tradição gaúcha. A estimativa é que o Entrevero atraia mais de 2 pessoas, entre participantes e representantes de entidades de 24 regiões do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).

As atividades dos primeiros dois dias aconteceram no campus sede da Universidade Federal de Santa Maria, sob coordenação do DTG Noel Guarany. A abertura oficial, as provas escritas e a Despedida da Gestão de Peões 2024/2025 ocorreram na quinta (24). Já a sexta foi dedicada às provas artísticas de todas as categorias. As apresentações foram realizadas de forma simultânea em três locais: Centro de Convenções, Salão Imembuí do Prédio da Retoria e no Prédio 74 C (Centro de Ciências Sociais e Humanas). 

O estudante de 18 anos, Felipe Gianichini Zamuner, apresentou-se na categoria Peão, e representou o CTG Província de São Pedro, de Tapes. “Para mim, é sempre uma honra tudo isso. Ontem nós tivemos a integração entre os peões, que é um momento de fazer amizades e conhecer pessoas de todos os cantos do Rio Grande”, disse Felipe. 

As provas de Piá aconteceram no prédio 74C, com os participantes mais novos. Gabriel De Abreu Dambrós, 12 anos, natural de Ijuí, apresentou-se nesta categoria com gaita e dança. Para ele, a participação em eventos é comum. Gabriel está acostumado a participar de eventos da cultura gaúcha e já recebeu o título de Piá Farroupilha da 9ª Região. Agora, ele busca o título de Piá Farroupilha do Rio Grande do Sul. 

Os pais de Gabriel, Rodrigo Dambrós e Paola Braz de Abreu, acompanharam-no no 36º Entrevero e acreditam que a participação é de extrema importância e que envolvem  dedicação e liderança. “A gente fica com muito orgulho, porque nós trabalhamos e não temos tempo para nos dedicarmos. Ele conseguiu sozinho se organizar e está aqui por mérito próprio”, contou a mãe.

O Peão do Estado e representante do DTG Noel Guarany, Matheus Goggia, destacou que pela primeira vez o Entrevero aconteceu na UFSM. Matheus lembrou que outras atividades estavam programadas para ocorrer, em 2020, na Universidade, porém, em virtude da pandemia, não puderam se concretizar. “Que bom que agora, cinco anos depois, a gente tem a oportunidade de receber na nossa casa um evento desse tamanho, que recebe o Rio Grande tradicionalista”, comemorou.

A presidente da Comissão Executiva do Evento e Patroa do DTG Noel Guarany, Verônica Loterensete Padoin, afirmou que a realização do Entrevero é a materialização do trabalho que o projeto de extensão realiza ao longo de anos, e destacou a parceria com a UFSM: A Universidade não mede esforços para nos atender e conseguir fornecer a estrutura que a gente necessita. Ela é a nossa casa maior e nós nos orgulhamos de sempre levar o nome da UFSM por onde a gente vai”.

O Entrevero Cultural de Peões do Rio Grande do Sul segue até sábado (26/04) no Centro de Eventos Sentinela da Querência e no Ginásio do Clube Dores

 

Texto: Ellen Schwade, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos: Vinícius Maeda, estudante de Jornalismo e estagiário da Agência de Notícias

Edição: Maurício Dias

oto colorida horizontal de dois jovens dançando. A moça está de costas e veste um vestido de prenda em cor clara. O jovem usa camisa, casaco e bombacha e está olhando a moça. Atrás de eles, um grupo de jurados, todos pilchados
Salão Imbembuí, na Reitoria, foi o local das provas da categoria guri
Competidores mais novos encararam as provas da categoria piá no prédio 74
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/09/20/o-que-as-noticias-nos-contam-sobre-a-cultura-gaucha Thu, 20 Sep 2018 21:21:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=44641 Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre, trouxe senzala (Foto: Juliana Berwanger/Sul21)[/caption]

O GT CHEGA - Grupo de Trabalho do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), que tem como intuito desenvolver atividades, pesquisas e discussões em prol da ruptura das mais diversas formas de preconceito - sugeriu ao Núcleo de Divulgação Institucional (NDI/CCNE) um levantamento sobre o preconceito na cultura gaúcha a partir da mídia.

Em uma busca na internet pelo Núcleo de Divulgação Institucional, foram encontradas notícias em portais e sites jornalísticos e uma nota de repúdio em um blog que colocam em questionamento o comportamento gaúcho frente às questões sociais como o preconceito em suas mais diferentes faces:  racismo, machismo e homofobia. Estes textos reforçam a existência de preconceitos que, dentro da cultura gaúcha, vem desde muito cedo.

A Semana Farroupilha, comemorada com entusiasmo durante setembro, reforça uma tradição única, carregada de artifícios fabulosos. Há um tom heróico e viril sobre a figura do gaúcho, e ao passo que fortalece a imagem única do ser gaúcho acaba por excluir outras tantas versões e identidades dos que residem neste estado do pampa brasileiro.

Embora o movimento tradicionalista do Rio Grande do Sul esteja carregado de significados e elementos que o tornam próprio e fazem este ser localizado e reconhecido entre tantos outros movimentos e tradições. Portanto, corroboram na construção de sentidos do que é cultura. O próprio conceito de cultura, postulado por alguns estudiosos que argumentam que a cultura tem a “capacidade de reunir em si ideias distintas, por vezes opostas, como se fosse uma forma consagrada pelo uso comum de apreender relações sociais complexas e contraditórias”. Ou seja, se a cultura pressupõe diversidade, por que as notícias coletadas demonstram justamente a falta de abertura da tradição gaúcha para outros atores e perspectivas plurais?

Enquanto o preconceito ainda for mascarado por costumes e maneiras de uma tradição, mulheres ainda continuarão a ser subjugadas e vítimas da violência sexista, como relatado em nota de repúdio ao piquete de Esteio, assinada por diversas entidade e publicada no blog Marcha Mundial das Mulheres do RS. Uma conselheira do movimento foi acusada de sofrer de “falta de mango”. Mango, no vocabulário tradicionalista gaúcho, representa um “relho ou tala de couro cru”, ou seja, uma espécie de artefato para agredir, oprimir ou domesticar.

Enquanto a Semana Farroupilha ainda for utilizada para celebrar a icônica imagem do gaúcho em sua indumentária, os negros continuarão na senzala que não existiu apenas no passado, mas que nos dias atuais ainda é representada e remontada, como noticiou o Sul21 nesta segunda (17).

Enquanto homossexuais que integram o movimento tradicionalista forem apenas tolerados e não aceitos dentro da cultura gaúcha, provavelmente CTGs voltarão a ser incendiados pelos intolerantes, como apresentou notícia do G1, de 2014.

Apesar das inúmeras problemáticas na cultura sul-rio-grandense, existem esforços para evoluir a tradição. Sendo assim, quando buscamos formas de colocar em evidência grupos sociais deslocados no seu próprio território, como fez a cantora tradicionalista e jornalista Shanna Müller ao questionar o machismo na música nativista, ou como fez o Festival Porongos ao celebrar a música negra independente e de resistência.

Também questionamos a partir de estudos científicos, a exemplo da dissertação “Homossexualidade na territorialidade tradicionalista gaúcha”, do pesquisador Édipo Djavan, do Programação de Pós-Graduação em Geografia, sob orientação do professor Benhur Costa. Ou por meio de  produções universitárias, como o documentário “Representatividade nos espaços tradicionalistas”, feito por acadêmicos Produção Editorial, sob a orientação da professora Aline Dalmolin.

Estamos, assim, dando um passo em direção ao futuro e transformando a cultura gaúcha no que ela deve ser de fato: harmônica em todas as suas ideias, distinções, cores, formas e gêneros.

Texto: J. Antônio de S. Buere Filho, acadêmico de Produção Editorial e bolsista do Núcleo de Divulgação do CCNE

Edição: Wellington Gonçalves, relações públicas do Núcleo de Divulgação do CCNE

Revisão final: Maurício Dias

 

Assista a seguir ao documentário Representatividade nos Espaços Tradicionalistas, feito na disciplina de Produção Editorial em Mídia Audiovisual

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/09/19/outras-vozes-e-perspectivas-do-ser-gaucho Thu, 20 Sep 2018 00:29:24 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=44632

Ilustração de três gaúchos com a bandeira gaúcha ao fundo. Um deles toca o acordeon, outro ceva um mate e o terceiro tem uma gravata com as cores do arco-íris

A tradição é um elemento capaz de ser localizado dentro de qualquer cultura e que também possibilita a construção de identidades da população pertencente a este meio. É a partir da tradição que conseguimos distinguir uma cultura de outra e que também se constrói o sentimento de pertencimento àquele local ou àquele contexto: um sentimento de “minha terra” ou “minha tradição”.

O mês de setembro para o Rio Grande do Sul é, sem dúvidas, importante, pois se trata de um momento para cultuar e praticar, de forma ainda mais viva, os hábitos gaúchos que passam pelas artes, com as danças e músicas típicas do estado, pelas vestimentas e também pela alimentação.

A tradição, contudo, também pode funcionar como válvula para reforçar estereótipos e estigmas que estão enraizados em determinada cultura e que, devido a sua construção histórica e social de anos, décadas, séculos, torna-se extremamente complexo romper ou adaptar alguns de seus aspectos. Mas, afinal, que construção é essa? Quais as cores, os trejeitos, os gêneros e as classes dessas vozes que foram consideradas para constituir um ideal do que se tem hoje de uma cultura gaúcha? Afinal, existe apenas uma tradição dentro do Rio Grande do Sul e que é, portanto, plena e absoluta?

O Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) decidiu ouvir diferentes pessoas - inseridas na cultura sul-rio-grandense e que ocupam diferentes espaços dentro desta tradição - para compreender o entendimento de cada um sobre o que é ser gaúcho, já que de acordo com o professor Benhur Pinós da Costa, da UFSM, “mesmo quando sabemos da multiplicidade de quem somos, insistimos em ser fronteira e encontrar a todo custo uma unicidade do ser gaúcho”.

Um dos maiores equívocos dos tradicionalistas gaúchos é tomar a tradição conhecida e, portanto, que dá corpo, voz e face ao Rio Grande do Sul como única. Para Josué Goulart, acadêmico de Ciências Sociais e coordenador do Coletivo Afronta, “tomar esta tradição gaúcha como absoluta significa interpretar as mazelas relacionadas à etnia, sexualidade, classe e gênero, tais como o racismo, homofobia e machismo, como costumes e maneiras dentro do movimento e não como o que realmente são: preconceitos e grandes problemas sociais, que fomentam a desigualdade em todos os setores”. Este esquecimento dos preconceitos que cerceiam não apenas a cultura gaúcha, mas a cultura de forma geral, “reverberam em uma identidade gaúcha atrelada ao machismo, ao bairrismo e ao apagamento da história”, opina Alan Ricardo Costa, licenciado em Letras Espanhol e mestre em Letras pela UCPel.

Sobre este apagamento histórico, Leonardo Berté Nunes, acadêmico de Geografia, relembra o massacre aos Lanceiros Negros, que foi um grupo organizado por ex-escravos excepcionais em combate mortos no lugar de receber uma carta de alforria. Afinal, o que estamos celebrando na Semana Farroupilha? São os interesses e conquistas de toda a população gaúcha ou de um grupo seleto?

Neste contexto, é possível refletir: qual perspectiva da história está sendo ensinada nas escolas e nas outras instituições e, dessa forma, que está criando o conhecimento sobre o que foi a Revolução Farroupilha? Edipo Djavan dos Reis, licenciado em História pela URI e mestre em Geografia pela UFSM, com a dissertação intitulada “Homossexualidades na territorialidade tradicionalista gaúcha” comenta que, a partir de suas pesquisas sobre gênero dentro do tradicionalismo gaúcho e vivências como homossexual inserido no movimento, “a história que eu estudei é diferente das histórias que geralmente são contadas dentro do movimento tradicionalista” e que “apesar de existir tolerância [aos homossexuais], não há uma total aceitação”.

Essa história acaba por ser falha em representações, o que Louise da Silveira, licenciada em Letras pela UFN e mestranda em Geografia pela UFSM, aponta, contando que a Semana Farroupilha, em seu tempo de escola, era sempre constrangedora. Por ser negra, ela não se via representada nas imagens para colorir de peões e prendas, sempre altos, brancos e com os cabelos longos, além de não ter dinheiro para comprar um vestido e comparecer às atividades da semana “tipicamente trajada”. Entretanto, o sentimento de Louise em relação ao seu estado é de pertencimento. “Sou uma gaúcha tradicional do século XXI, mas não cultuo elementos tradicionalistas. O sul não ‘é o meu país’, é meu lar”, pontua.

Não cultuar todos os elementos inerentes à cultura gaúcha não significa, portanto, ser menos gaúcho. É importante reconhecer os diferentes tipos de ser gaúcho e a pluralidade e diversidade presente em nossa terra, assim como ouvir as novas vozes e perspectivas. Se no passado muitos grupos ficaram calados, por que agora devem continuar? A história é continuamente escrita e somos nós, como atores sociais, que contribuímos para o surgimento de novos capítulos. Igor Corrêa Pereira, licenciado em Geografia, fala que “a história não só é, ela pode vir a ser. Da mesma forma, a identidade. Construir um novo sentido do que é ser gaúcho é tarefa dos que querem mudanças no mundo e na sociedade”. O que para Dioggo C. Dresch, acadêmico de Matemática, reflete em um novo olhar do gaúcho. Para ele, é uma “batalha diária” contra todas as problemáticas sociais existentes.

Texto: J. Antônio de S. Buere Filho, acadêmico de Produção Editorial e bolsista do Núcleo de Divulgação do CCNE

Edição: Wellington Gonçalves, relações públicas do Núcleo de Divulgação do CCNE

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/cultura-gaucha-para-todos-e-todas Wed, 19 Sep 2018 19:37:06 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4602 Nesta quinta-feira (20), no Rio Grande do Sul, celebra-se o Dia do Gaúcho. Nesta data, em 1835, iniciava a Revolução Farroupilha na então Província de São Pedro. A guerra, de caráter republicano, foi uma insurreição contra o governo imperial do Brasil. O dia 20, de tão emblemático, tornou-se feriado estadual instituído por lei em 1991, e é motivo de orgulho para muitos gaúchos.   No entanto, por trás da história da Revolução, alguns pontos ainda não foram plenamente esclarecidos, muitos dos quais causam divergências, especialmente na literatura. Um dos autores que trata sobre o assunto é o jornalista e historiador Juremir Machado da Silva, da Rádio Guaíba, Jornal Correio do Povo e docente da PUCRS. No livro História Regional da Infâmia - o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras, o autor desmistifica dados relacionados à presença dos negros durante a Revolução Farroupilha. Conforme a obra, escrita com base em mais de 15 mil documentos, houve uma possível traição na Batalha de Porongos, a última travada na guerra, em 1844. Neste episódio, grande parte dos negros do exército gaúcho foi massacrada durante um ataque surpresa, à noite, no acampamento, pelas forças imperiais. Juremir defende a tese de que a batalha serviu de estratégia vinda dos próprios comandantes gaúchos para o aniquilamento dos negros revolucionários.     Para debater esta e outras questões relacionadas à cultura e às tradições gaúchas, o Sesc/SM e a Gadea Produções promoveram um evento na UFSM, no dia 10 de setembro. Nele, a doutoranda em Etnomusicologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Clarissa Ferreira, confirmou a tese de Juremir. Além disso, compartilhou experiências próprias em festivais de música gaúcha, fazendo alusão à construção de identidade do gaúcho por meio desta arte. Este, inclusive, é o tema da tese de Clarissa, que será publicada em breve. A pesquisadora, nascida em Bagé, na região da Campanha, graduou-se em Música pela UFPel e fez mestrado, também na área de Etnomusicologia, na UFRGS. Atualmente, além de se dedicar à pós-graduação, mantém o blog Gauchismo Líquido e é colunista do jornal independente Sul 21. Durante o debate, a jovem ainda performatizou algumas canções do seu repertório - inclusive, no dia 20 foi lançada a música Manifesto Líquido, disponível em Streaming e no Youtube.   A reportagem da revista Arco conversou com a pesquisadora e musicista ao final do debate. Confira:           ARCO: Você acha que a cultura gaúcha é excludente com as minorias? Clarissa: Nas minhas pesquisas, percebi que a cultura gaúcha foi uma construção a partir de quem detinha esse poder. E aí houve uma escolha nessa construção, pensando que todas as tradições são inventadas, que houve uma escolha no que deveria ser representado ou não. Então, a gente vê nos escritos do Barbosa Lessa, por exemplo, de como naqueles primeiros resgates do Movimento Tradicionalista Gaúcho houve uma escolha do que seria contado. Nossa cultura é baseada na cultura das elites e é entendida como uma cultura superior, que é super questionável isso no pensamento de hoje. Também tem essa questão da representação do gaúcho pela macheza, pela virilidade, que acabou ficando muito em volta das representações do masculino, negligenciando outras identidades que não ficassem nesse papel, desse mito ocidental do gaúcho.   ARCO: Como foram suas vivências nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) e nos festivais pelos quais vocês passou? Clarissa: Eu estive por uns oito anos em CTGs e por uns 10 anos em festivais nativistas. Foi um meio onde pude me profissionalizar como instrumentista, tive muita experiência prática do instrumento, do palco e de tudo que abarca essa minha atuação como musicista. Consegui conhecer vários músicos, conhecer sobre outros universos musicais a partir dessas vivências, mas também não me senti, só como violinista, completamente falando sobre o que eu deveria. Daí, em um período posterior, veio a composição, pela necessidade que eu tinha de falar através da canção.   ARCO: O tradicionalismo gaúcho ainda possui um pensamento conservador? Como ele se propõe na sociedade? Clarissa: Vai desde questões ideológicas até questões estético-musicais. Ideológico, porque vejo que é um tanto excludente em algumas esferas, que ainda tratam as mulheres de forma machista nas microconvivências, não só nas representações musicais. Especificamente nesse âmbito, a mulher ainda é muito subestimada. Há um patriarcado musical, e são sempre os homens que fazem as músicas, que fazem os arranjos.   ARCO: A mulher ainda é vítima de opressão na música gaúcha? Clarissa: A cultura gaúcha é muito baseada na cultura patriarcal, então vê a mulher como coadjuvante. A gente vê como a literatura gaúcha é sempre baseada em personagens masculinos, e na música é igual. São casos explícitos de violência simbólica e violência física, além da objetificação da mulher e a coisificação. Efetivamente, isso acaba se refletindo quando não nos dão espaço, não nos dão voz, interrompendo quando a mulher fala. São coisas ainda tidas como naturais. Quando eu começo a pensar sobre essa questão do machismo, vejo que não é igualitária a questão de gênero na música gaúcha.     ARCO: Do que o teu blog Gauchismo Líquido trata e por que você o criou? Clarissa: O blog busca trazer reflexões sobre a identidade gaúcha a partir de um viés da pós-modernidade, desse líquido que o Zygmunt Bauman fala que as coisas, hoje em dia, não são tão estanques. Elas são, na verdade, mais fluidas, que as identidades são de acordo com o lugar e com cada indivíduo. Assim, o blog surgiu quando eu estava no final do mestrado, em 2014, em um momento que eu tive várias reflexões sobre a cultura gaúcha. Além disso, eu já tinha convivido bastante nesse ambiente musical e sentia muito que não havia esse debate nas rodas de conversa. Por isso, criei um lugar de reflexão nesse espaço virtual.   ARCO: Você falou que as mulheres ainda não podem participar do festival Barranca, considerado um dos patrimônios do Estado. Por quê? Clarissa: O festival iniciou há mais de 45 anos, na cidade de São Borja, e começou como um acampamento de uma família, o grupo musical Angueras, destinado aos homens. Com o tempo, tomou maior proporção. Ter sido considerado patrimônio do Estado elucida bem o quanto esse festival representa para o Rio Grande do Sul e, ao mesmo tempo, o quanto ele é excludente, porque na comunidade existem homens e mulheres. O contraditório no argumento das pessoas que proíbem a inserção de mulheres é que acham que nós vamos sofrer muito assédio. É como se os homens não pudessem controlar ou respeitar uma mulher. Acho que isso elucida bem o machismo. Colocam a proibição pelo fato de o festival não ter uma condição boa, porque lá é preciso ficar acampado e não existe estrutura de banheiros. Essa, para mim, é uma interpretação de ver a mulher como frágil e incapaz de passar por essas condições. A gente poderia passar por isso porque o que nos dá energia é compor e fazer música. A música também é importante para nós e não só para os homens.   ARCO: E a cultura gaúcha para os LGBTQs? Clarissa: Eu, inclusive, escrevi um texto que se chama Tradicionalismo, está na hora de sair do armário, a partir do qual eu fui percebendo como, na verdade, quem banca e quem realiza muitos dos eventos dos CTGs são homoafetivos, em grande maioria. Depois, percebi como isso é muito velado dentro do movimento e também muito criticado em outras esferas não explícitas. A partir dessas representações da macheza houve a proibição de alguns modos porque, dentro da cultura gaúcha, tem toda essa questão ideológica que se constrói, mas tem toda uma questão referente ao controle dos gestos e do comportamento da pessoas, de como se deve apresentar em um CTG, de como performatizar um “gaúcho machão” e como isso pode ser muito mais múltiplo porque existem pessoas de diferentes orientações sexuais. Dicotomizar homens e mulheres como identidade em um momento em que discutimos tanto questões de gênero e uma desconstrução de gênero para as pessoas se identificarem como bem quiserem é bastante questionável. Sem falar de outros preconceitos. Quando alguns homossessuais conseguem expor essa opinião, acabam, infelizmente, tendo que se excluir desse ambiente.   ARCO: Em dado momento de sua fala, você expõe alguns pontos que esclarecem bastante a respeito do mito de uma cultura estadual totalmente autêntica, sem, talvez, adaptações vindas de outros povos. Então, podemos afirmar que a cultura gaúcha nunca foi pura? Clarissa: Nunca foi. A própria miscigenação já comprova que a cultura do Rio Grande do Sul vem de uma hibridização do índio, do negro e do europeu. Todos os povos nativos que estão aqui, por mais que a historiografia tente ocultar, estão no nosso DNA. O chimarrão, por exemplo, é uma prática indígena, a própria erva-mate, também. Têm tantas coisas que a gente não dá os nomes certos aos criadores, esses cultivadores.        Repórter: Guilherme de Vargas, acadêmico de Jornalismo Editora: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo Fotos: Dartanhan Baldez Figueiredo  ]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/entre-um-passo-de-danca-e-o-balancar-de-uma-saia Mon, 08 Sep 2014 17:18:09 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1712
Com seu vestido longo repleto de babados, a prenda gaúcha desfila com elegância por onde passa. Essa figura emblemática da cultura do Rio Grande do Sul foi tema da dissertação intitulada Por debaixo dos panos: a construção da imagem da prenda tradicionalista por meio de exposição fotográfica do Departamento de Tradições Gaúchas Noel Guarany. Nesse trabalho, apresentado no Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural da UFSM, a jornalista Camilla Milder buscou desvelar como a mulher é representada, na figura da prenda, sob o olhar do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Na busca por retratar em imagens essas características das prendas, Camilla trabalhou junto ao Departamento de Tradições Gaúchas Noel Guarany, que é vinculado à UFSM. Para a produção das fotografias, a pesquisadora acompanhou desde o making-of das prendas até desfiles e apresentações em nove eventos realizados pelo DTG no Rio Grande do Sul. Repórter: Andréa Ortis
Fotografia: Camilla Milder Costa *Confira o ensaio completo na versão flip.
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