UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sat, 04 Apr 2026 12:41:17 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/documentario-comunidades-kaingang Thu, 23 Feb 2023 13:34:49 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9664

DNA afetivo: processos de arte colaborativa em comunidades Kaingáng é o nome de um documentário que estreou em setembro de 2022 no Youtube. A iniciativa, desenvolvida no Laboratório Interdisciplinar Interativo (LabInter) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), objetiva exibir as atividades realizadas em comunidades indígenas, pelo projeto DNA Afetivo Kamê e Kanhru (DNA A.K.K).

O projeto envolve práticas artísticas colaborativas a partir da organização social da cultura indígena kaingáng, por meio de uma rede de trocas, conectividade e afetos. Entre as ações desenvolvidas, está a produção do documentário que objetiva registrar as atividades realizadas. Sua narrativa é contada através da comunidade kaingáng Terra do Indígena do Guarita km10, localizada no noroeste do estado do Rio Grande do Sul e a comunidade kaingáng de Santa Maria. A produção também traz o relato de Kalinka Mallmann e Joceli Salles, idealizadores do projeto.

http://www.youtube.com/watch?v=U-N0DttrAVk&t=191s

Joceli Salles, figura central da narrativa, é historiador pela UFSM, educador na escola Indígena Augusto Ope da Silva e também em aldeias kaingáng. Em relato ao documentário, Joceli destaca que não é possível falar ou construir algo sobre os Kaingáng sem conhecer a cosmologia e as identidades de cada família, seja ela Kamê ou Kanhru. “É importante saber como cada indivíduo pensa, como cada indivíduo é e como se vê no mundo”, diz. Isso será possível através da circulação do filme e do debate, um dos objetivos da produção audiovisual.

Kalinka, doutoranda em Artes Visuais pela UFSM, evidencia a importância do documentário a partir da urgência de se compartilhar histórias, culturas, conhecimento artístico e tecnológico. “Há muitos saberes e conhecimentos oriundos das comunidades e culturas indígenas brasileiras. Esse conhecimento necessita ser compreendido e absorvido, para que modifiquemos, pouco a pouco, a hegemonia da ciência advinda de culturas dominantes”, salienta a pesquisadora.

O documentário foi contemplado com a Lei Aldir Blanc, que dispõe sobre ações emergenciais destinadas ao setor cultural. O diretor da obra, Eliseu Balduino, conhecido pelo nome artístico Vicent Solar, é mestrando em Artes Visuais na linha de Arte e Tecnologia com ênfase em fotografia urbana pela UFSM, e conta que a lei auxiliou não só financeiramente, mas também no reconhecimento do produto final. “Pôde-se providenciar as oficinas que foram feitas e também investir em equipamentos para produzir o documentário”, explica.

Espaço de pesquisa de criação

As atividades propostas no LabInter objetivam o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas e artísticas, cursos e oficinas, intercâmbio de conhecimentos e propagação de metodologias nas áreas de Arte, Ciência e Tecnologia. Conforme apresentado no site do laboratório, o LabInter é um espaço de pesquisa e criação em projetos artísticos interativos e imersivos. As atividades são realizadas de modo interdisciplinar e colaborativo, voltados para a inovação e desenvolvimento tecnológico.

Andréia Machado Oliveira, professora do Departamento de Artes Visuais e do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais e coordenadora do LabInter, pontua que o documentário é mais um dos resultados do trabalho feito no laboratório. “O objetivo não é fazer uma ação específica, mas desenvolver o projeto de forma colaborativa e interdisciplinar”, ressalta.

A partir dessas metodologias é que projetos como ‘DNA Afetivo Kamê e Kanhru’, o jogo colaborativo sobre os mitos de criação da cultura Kaingáng e o próprio documentário puderam ser concluídos.

Projetos desenvolvidos

Projetos artísticos interativos e imersivos, realizados de modo interdisciplinar e colaborativo, voltados para a inovação e desenvolvimento tecnológico são realizados no LabInter. Algumas dessas iniciativas são exibidas no documentário:

  • DNA afetivo Kamê e Kanhru

O projeto DNA A.K.K surge com a dissertação de Kalinka Lorenci Mallmann. Além de servir como base para sua dissertação, o projeto é usado em seu doutorado, e diz respeito a uma pesquisa em poéticas visuais, envolvendo práticas artísticas colaborativas em comunidade a partir da ativação dos modos específicos de organização social da cultura indígena kaingáng.

É por meio de ações em arte que o uso de tecnologias emergentes possibilita a prática de atividades do projeto DNA A.K.K. Essas práticas visam ativar as marcas exogâmicas, ou seja, identificar e apresentar as principais características kamê e kanhru que dividem a sociedade kaingáng. Em conteúdo apresentado pelo LabInter em seu site oficial, entende-se que as ações do projeto partem da concepção de laboratórios experimentais de criação audiovisual no território da aldeia, que ativem as questões locais e permitam uma colaboração efetiva da comunidade no projeto em geral.

Atividades realizadas na região Terra do Guarita
  • Mapeamento afetivo

Outra prática proposta pelo LabInter foi a ação colaborativa na comunidade Terra do Guarita, localizada no noroeste do estado do Rio Grande do Sul. Desde 2017, as atividades têm participação de Joceli Salles.

Kalinka, em sua dissertação, apresenta que a ação partiu da concepção de um laboratório experimental de criação audiovisual que estivesse unido às questões locais e que permitisse uma colaboração efetiva da comunidade. A busca é pela ativação das marcas da cultura kaingáng em meio à arte e à tecnologia. Joceli foi o ponto central para que isso fosse possível, pois fez o diálogo entre a escola local, as autoridades da aldeia e a UFSM.

Aos poucos, o projeto teve desdobramentos: o mapeamento colaborativo - feito por meio de narrativas digitais -, que localiza e identifica famílias como Kamê ou como Kanhru, serviu como base para o jogo RPG direcionado principalmente às crianças kaingáng.

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  • Jogo digital Kamê e Kanhru

O jogo colaborativo para Android foi desenvolvido a partir dos mitos de criação da cultura kaingáng e possibilita o trabalho colaborativo entre a arte e a tecnologia. O projeto está em funcionamento desde 2016, quando crianças das escolas indígenas colaboraram desenhando personagens, conversando sobre sua rotina e hábitos, como a coleta de frutas e a pesca. Como apresentado no site do LabInter, toda significação cultural kaingáng vem a direcionar o desenvolvimento do jogo: através da ambientação do cenário, do modelo dos personagens e das interfaces visuais. O objetivo principal é dialogar com as crianças por meio da sua própria cultura.

O jogo foi concretizado a partir do mapeamento afetivo apresentado anteriormente. Joceli, ao falar para o documentário, destaca que a iniciativa busca instigar as crianças a ir na casa de parentes, vizinhos e colegas de aula para conhecer mais sobre a cultura kaingáng.

55BET Pros iniciais do jogo

Expediente:
Texto: Gustavo Salin Nuh, estudante de Jornalismo;
Imagens: Reprodução / DNA afetivo: processos de arte colaborativa em comunidades Kaingáng
Arte de capa: Daniel Michelon De Carli
Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo;
Edição geral: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/cultura-indigena-viva-na-universidade Tue, 24 Jan 2023 21:07:51 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9620 “Aprender uma língua indígena com os detentores dessa língua é uma oportunidade ímpar”. É dessa forma que Juan Rafael de Abreu da Silva, egresso do Curso de Letras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), descreve sua experiência em conhecer mais sobre um dos idiomas que deram origem e inspiraram muitos termos do português falado no Brasil. 

 

Assim como ele, em 2022, cerca de 114 alunos participaram dos cursos promovidos pela Subdivisão de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas da Coordenadoria de Ações Educacionais da UFSM (CAEd) - PROGRAD. Os cursos foram criados com o propósito de cultivar a identidade dos povos originários no espaço acadêmico. As atividades foram realizadas semanalmente de forma online.

 

O curso básico de Língua Guarani foi aberto à comunidade interna e externa da UFSM e reuniu 84 participantes. Já o curso básico de Língua Kaingang foi aberto apenas a integrantes da etnia, sejam eles da Universidade ou não, e teve 30 alunos inscritos. De acordo com a CAEd, atualmente estão regularmente matriculados na UFSM 74 estudantes indígenas da etnia Kaingang; três estudantes indígenas Guarani Mbyá e um aluno Guarani Kaiowá. No total, são 106 estudantes indígenas na Instituição. Outras etnias presentes são: Xacriabá, Terena, Tupiniquim, Xipaya, Tukano, Tikuna, Parecis, Baniwa, Pitaguary, Coroaia e Wanano.

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de uma tela de Google Meet com nove participantes. Na parte superior esquerda, em tamanho grande, tela de um homem indígena, com pele escura, olhos grandes e na cor marrom, sobrancelhas pretas, cabelo liso e preto, grafismos de linhas nas bochechas. Ele veste camiseta verde claro e usa um cocar com suporte vermelho e penas nas cores branca, amarela e verde. As mãos estão levantadas e há dois balões de fala, um de cada lado, com as palavras 'Kaingang' e 'Guarani'. Os demais participantes estão com o microfone desligado. Tem uma mulher indígena, dois homens indígenas, duas mulheres brancas, um homem branco, uma mulher negra e um homem negro. O fundo da tela é cinza.

Emily Massariol, acadêmica de Terapia Ocupacional na UFSM, participou das aulas de língua Guarani. Para ela, o conhecimento adquirido no curso qualifica ainda mais sua formação e pode refletir em atendimentos mais humanizados às pessoas indígenas no futuro: "É necessário que nós, profissionais da saúde, tenhamos conhecimento sobre como é o cotidiano e a cultura dessa comunidade", afirma Emily.

Para além da língua

Os cursos são divididos em módulos e, mais do que ensinar um idioma, buscam estimular o resgate cultural das etnias. Inicialmente, os encontros abordam características básicas da cultura, como palavras e expressões cotidianas. Depois, parte-se para aspectos como audição e pronúncia, criação de frases e conversação. Temas como o meio ambiente, crenças e tradições também fazem parte das discussões em aula.

 

Joceli Sales, indígena formado em História pela UFSM, é o professor responsável pelas aulas do curso de etnia Kaingang. Ele, que também leciona para crianças e adolescentes na Escola Estadual de Ensino Fundamental Indígena Augusto Ópẽ da Silva, explica que no curso o maior desafio é ensinar para pessoas que têm o primeiro contato com a língua. “É diferente, pois estou acostumado com crianças que já vêm falando de casa, então cuidamos mais da escrita da língua”, comenta. 

 

A antropóloga e docente do Departamento de Ciências Sociais da UFSM, Maria Catarina Chitolina, ressalta que oportunidades como essa são enriquecedoras para quem aprende. “Cada língua, como elemento dinâmico, traz consigo séculos de história, aprendizados e trajetórias que se intercruzam”, afirma. Ela lembra que, normalmente, as línguas indígenas são repassadas entre os povos pela oralidade. Por isso, proporcionar o aprendizado por meio de outros métodos didáticos é também uma forma de fortalecer as práticas linguísticas das comunidades ao longo do tempo. 

 

Kesia Valderes Jacinto é Kaingang e encontrou nas aulas uma oportunidade de aprofundar seus conhecimentos na língua de origem. “Decidi fazer o curso porque nunca tive um professor da língua Kaingang no decorrer da minha trajetória escolar. Aprendi a ler e a escrever em casa, com o apoio da minha avó”, conta. Kesia faz parte da comunidade externa à UFSM e atualmente reside na Terra Indígena Nonoai, em Planalto, no norte do Rio Grande do Sul.

Preservação de saberes

Adilson Policena, indígena da etnia Kaingang e ex-professor do curso, defende que a Universidade deve ser um ambiente plural, mas que, por vezes, apenas valores de determinados grupos prevalecem. Segundo ele, iniciativas voltadas ao reconhecimento de saberes nativos ajudam a transformar essa realidade: "Junto com a sociedade de hoje, a gente tem capacidade para fazer essa mudança. E a Universidade é um espaço onde a gente pode fazer a diferença", pontua.

 

Para Jonata Benites, professor indígena que ministra as aulas de Guarani, o curso possibilita refletir sobre as particularidades de cada etnia, comumente tratadas como iguais pelo senso comum. "Cada um tem sua cultura, sabedoria, forma de vivência e isso é importante".

 

As línguas indígenas desempenham papel fundamental não apenas como forma de comunicação, mas também como ferramenta de transmissão de conhecimentos nas mais diversas áreas. Apesar de todo esse valor, as línguas indígenas estão em constante ameaça de extinção. Segundo o Atlas das Línguas em Perigo da Unesco, são 190 idiomas em risco no Brasil. O mapa reúne línguas em perigo no mundo e o Brasil é o segundo país com mais idiomas que podem desaparecer, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O levantamento motivou a Organização das Nações Unidas (ONU) a declarar a década de 2022-2032 como a Década Internacional das Línguas Indígenas

 

Os educadores reconhecem que dificilmente os estudantes indígenas têm a oportunidade de usar o idioma nativo em sala de aula nos seus cursos formais. Por isso, atividades extracurriculares voltadas ao ensino e à manutenção das línguas incentivam a busca pelo conhecimento acadêmico, sem que se perca o contato com as culturas de origem. 

 

A CAEd informa que há previsão de oferta de novas turmas para os cursos de línguas indígenas em 2023. A divulgação de inscrições deve ser publicada no site.

Expediente:

Reportagem: Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Evandro Bertol, designer;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista; e Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2019/09/04/ufsm-realiza-roda-de-conversa-sobre-diversidade-de-etnias-na-universidade Wed, 04 Sep 2019 18:07:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=49339

A Universidade Federal de Santa Maria realiza nesta quinta-feira (5) a roda de conversa intitulada “Cultura Indígena: Um olhar para a diversidade de etnias na UFSM”. O encontro acontece no dia em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Indígena e é aberto a toda a comunidade interna e externa. O evento inicia às 16 horas, na sala 221 do Prédio 48-D, auditório da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd).

Haverá exposição de artesanato indígena no local. As inscrições podem ser realizadas através do formulário ou na hora do evento.

A promoção é do Núcleo de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas da Coordenadoria de Ações Educacionais da UFSM, com apoio da Prograd. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (55) 3220-8729 e pelo email nucleodeacoesafirmativas@55bet-pro.com.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/10/30/aula-inaugural-do-curso-basico-de-lingua-kaingang-sera-nesta-quarta-feira Tue, 30 Oct 2018 20:57:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=45362