UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sat, 25 Apr 2026 17:40:33 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/24/a-libras-nao-e-so-comunicacao-lingua-marca-identidades-na-ufsm Fri, 24 Apr 2026 11:16:44 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72589 [caption id="attachment_72592" align="alignright" width="467"] No Centro de Educação da UFSM, a professora Carilissa Dall’Aba ensina Libras há 12 anos[/caption]

Em algumas salas de aula do Centro de Educação (CE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o silêncio não significa ausência de diálogo. Mãos se movem com rapidez, o rosto acompanha cada expressão e o corpo inteiro participa da construção das frases. É neste espaço que a professora Carilissa Dall’Aba, 40 anos, ensina, e reafirma, a cada aula, que língua também é identidade.

A relação com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) começou na própria história dela. Carilissa nasceu surda. “Ainda durante a gestação, minha mãe contraiu rubéola e os médicos já avisaram que podia nascer com alguma deficiência. Depois que eu nasci, confirmaram a surdez”, conta.

Antes da docência, o sonho era outro. A rotina de infância, marcada por idas frequentes ao hospital, despertou o interesse pela área da saúde. “Eu amava o ambiente hospitalar. Gostava do cheiro, das pessoas, brincava de hospital em casa. Achava que ia trabalhar com isso”, lembra. A escolha, no entanto, esbarrou na falta de acessibilidade. “Naquela época, era difícil surdo trabalhar na área da saúde. A pessoa surda tem sensibilidade em alguns ambientes, e fica difícil a adaptação nessa área”, explica.

O caminho mudou ainda na adolescência, incentivado por um professor. “Ele falava: ‘no futuro tu pode ser professora de Libras’. Aos 16 anos, surgiu a oportunidade de formação e eu segui. Parece que eu não escolhi. As coisas foram acontecendo”, diz. Hoje, são 24 anos de atuação como professora de Libras, sendo 12 deles na UFSM.

Leis e acesso

O Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais, celebrado em 24 de abril, foi instituído pela Lei nº 13.055/2014. A data marca também os 24 anos da Lei nº 10.436/2002, que reconhece a Libras como meio legal de comunicação, e os 21 anos do Decreto nº 5.626/2005, que regulamenta seu uso no país. Com uma população de mais de 10 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a lei estimula uma maior visibilidade para a comunidade surda.

Na UFSM, de acordo com dados da Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed), há atualmente cinco estudantes surdos, três na graduação e dois na pós-graduação, e três professores surdos. Não há técnico-administrativos (TAEs) usuários de Libras. 

Apesar da presença de estudantes surdos, a maior parte das turmas da professora Carilissa é formada por ouvintes. Isso acontece porque, desde 2005, a Libras é obrigatória para os cursos de licenciatura, Pedagogia e Fonoaudiologia. “Os alunos são de Pedagogia, Educação Especial, várias áreas. Eles aprendem Libras como segunda língua”, explica.

Para garantir o acesso às aulas e atividades acadêmicas, dez intérpretes atuam na instituição. Segundo o intérprete da Caed Nelson Rodrigues Cezar, o funcionamento é estruturado por demanda: “Se o aluno surdo entra no curso, ele manda um formulário pedindo intérprete. Aí a gente é alocado”. O trabalho é feito, na maioria das vezes, em dupla. “Não é só traduzir palavra por palavra. Tem que ouvir, processar, entender e construir a informação. É muito desgaste”, afirma.

Além das disciplinas, a Caed oferece cursos de Libras abertos à comunidade acadêmica e ao público externo, em níveis básico, intermediário e avançado, dependendo da demanda apresentada.          

As políticas públicas estão disponibilizadas no site da Caed e Prograd, nos relatórios anuais disponibilizados no link. A Política Institucional de Acessibilidade da UFSM pode ser conferida aqui. A resolução n° 213 de 2025 está disponível no link. 

“A língua constrói quem a gente é”

[caption id="attachment_72591" align="alignleft" width="377"] Para a professora, o uso da Língua Brasileira de Sinais em sala de aula é uma afirmação de identidade[/caption]

Para Carilissa, a importância da Libras é o direito básico à comunicação. Ela explica que a língua tem um papel direto na construção da identidade da pessoa surda. “O surdo que conhece Libras conhece o seu próprio eu. Se não conhece, fica confuso, não sabe se é surdo ou ouvinte”, conta.

E essa transformação aparece no cotidiano da universidade. A professora relata o caso de um estudante que passou a se reconhecer como surdo depois de aprender a língua. “Ele tinha vergonha. Depois começou a aprender Libras, a ter contato com outros surdos, e disse: ‘eu sou surdo’. Começou a ter orgulho. A língua libertou ele”, resume.

Tecnologia não substitui presença

Com o avanço de aplicativos e ferramentas digitais, a Libras também entra em debate no campo da tecnologia. Para Carilissa, o uso dessas ferramentas tem limites claros.

“A língua de sinais é visual. Tem expressão facial, tem movimento do corpo. Um aplicativo não consegue fazer isso”, afirma. Ela reconhece que recursos digitais podem ajudar em situações pontuais, como consulta de sinais isolados. Mas faz um alerta: “Não substitui um professor ou um intérprete. Nunca.”

Mais do que uma data

Na UFSM, a Libras está presente em políticas institucionais, disciplinas obrigatórias e ações de formação. Mas, para além disso, ela atravessa histórias individuais e coletivas. Ao falar sobre o Dia Nacional da Libras, Carilissa não recorre a termos técnicos nem à legislação. Ela volta ao essencial:

“A Libras ajuda entender a vida, aceitar sua identidade, seu orgulho, isso fortalece nossa confiança. Fico sempre pensando que a Libras não é só comunicação, mas também ajuda na identidade da cultura surda. O surdo que conhece a Libras, conhece sua própria pessoa, o seu próprio eu.”, finaliza.

A entrevista que compõe esta reportagem foi mediada pelo intérprete da Caed Nelson Rodrigues Cezar.

Texto: Isadora Bortolotto, estudante de Jornalismo e voluntária na Agência de Notícias
Fotos: Arquivo pessoal
Edição: Ricardo Bonfanti

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/23/nao-tem-como-eu-existir-sem-um-livro-por-perto-a-leitura-em-tempos-de-hiperconexao Thu, 23 Apr 2026 20:57:51 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72582 [caption id="attachment_72587" align="alignleft" width="524"] Os livros fazem parte da rotina de Nadine desde cedo[/caption]

Aos 11 anos, Nadine Guarize descobriu o mundo. Na verdade, Porto Mauá, no noroeste do Rio Grande do Sul, era seu mundo desde que havia nascido. Mas, foi ao conhecer Crepúsculo, de Stephenie Meyer, que entendeu a grandiosidade que existia dentro dos livros. Pensar que era possível escrever sobre um lugar onde vampiros e lobisomens eram reais fez com que Nadine se apaixonasse pelas páginas. 

A mãe de Nadine, assim como sua avó, cultivava a leitura como algo fundamental. Quando ela nasceu, não foi diferente. Os livros infantis fizeram parte de seu pequeno mundo desde cedo. Apesar de ainda não saber ler, a mãe de Nadine a incentivava a tentar. 

Foi quando começou a frequentar a escola que teve seu primeiro contato com livros infantojuvenis. Ao comentar com sua professora que havia gostado do filme Crepúsculo, descobriu que a história tinha sido originalmente escrita em um livro e que poderia pegá-lo emprestado. Um novo mundo se abria. “Naquele ano, acho que li 50 livros, muitos de fantasia”, comenta Nadine. 

Com o passar dos anos, a leitura seguiu presente em sua trajetória. Hoje, aos 23 anos, Nadine cursa Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria e está em seu último ano. Ao longo da vida, conheceu muitos lugares sem sair do país, “a minha mãe sempre fala que, quando a gente está lendo, viaja para lugares que não conseguiríamos ir. Conhecemos novos lugares e culturas em livros da Itália, do Irã, da Índia e da Espanha, por exemplo”. 

O hábito da leitura ajudou a construir sua identidade. “Eu não consigo imaginar a minha vida sem a leitura. Não imagino um mundo em que letrinhas em um papel não tenham significado. Isso é uma parte intrínseca na minha personalidade: eu sou o que eu sou, porque eu sempre amei ler. Não tem como eu existir sem um livro por perto”, afirma a leitora. 

Em um cenário de hiperconexão, no entanto, histórias como a de Nadine convivem com novos desafios para a formação e a manutenção do hábito da leitura.

Dia Mundial do Livro 

O dia 23 de abril é o Dia Mundial do Livro. Em 1995, a Conferência Geral da UNESCO definiu a data, que coincide com o falecimento de William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Garcilaso de la Vega, como um momento de homenagem aos livros e autores. Segundo a UNESCO, “os livros e a arte de contar histórias são um legado da humanidade. São ferramentas poderosas para o pensamento crítico, a reflexão e a emancipação”. 

Além disso, todos os anos, desde 2002, a UNESCO escolhe a Capital do Livro. Em 2025, o Rio de Janeiro foi o escolhido. Neste ano, Rabat, no Marrocos, assume o título, com a missão de promover a leitura para diferentes faixas etárias e em toda a sociedade, tanto no país anfitrião quanto internacionalmente.  

No entanto, apesar do incentivo da UNESCO, os dados brasileiros mostram o contrário. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, em 2019, 52% da população brasileira era considerada leitora. Em 2024, esse número caiu para 47%, o que representa cerca de 93,4 milhões de leitores.  A redução ocorre no mesmo período em que cresce o consumo de conteúdos digitais, especialmente nas redes sociais, que passam a disputar diretamente o tempo antes dedicado à leitura.

Segundo a Agência Senado, o estudo aponta para a diminuição da capacidade de concentração e compreensão, acendendo um alerta sobre o avanço do analfabetismo funcional. 

A falta de tempo é o motivo mais comum entre os brasileiros que não leem. Enquanto isso, 78% das pessoas responderam que gostam de usar a internet em seu tempo livre. Nesse contexto, a questão que se coloca não é apenas se as pessoas estão lendo menos, mas também como e em que formatos a leitura tem acontecido.

Das páginas ao scroll ou vice- versa? 

[caption id="attachment_72588" align="alignright" width="506"] Livros físicos e digitais fazem parte da rotina dos leitores[/caption]

Segurar um livro, sentir a textura das páginas e até o cheiro do papel ainda faz parte da experiência de leitura para muitas pessoas. Para outras, a praticidade fala mais alto: carregar dezenas de títulos em um único dispositivo, ajustar o tamanho da fonte e ler em qualquer lugar são vantagens que tornam o livro digital uma opção cada vez mais presente no cotidiano. Entre o apego ao objeto físico e a facilidade do digital, a leitura também passa por uma transformação de formato, e não apenas de hábito. 

Dados recentes mostram que essa mudança acontece de forma combinada. Segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pela Nielsen BookData, 56% dos consumidores brasileiros compraram apenas livros físicos nos últimos 12 meses, enquanto 14% consumiram apenas digitais e 30% transitaram entre os dois formatos. Isso indica que, embora o impresso ainda predomine, o digital já faz parte da rotina de quase metade dos leitores e não está restrito a dispositivos específicos. Cada vez mais, a leitura digital acontece no celular, integrado ao uso cotidiano das telas. 

O avanço também aparece no mercado editorial. Em 2024, os conteúdos digitais representaram cerca de 9% do faturamento das editoras, com crescimento em relação ao ano anterior. Além disso, o formato digital é majoritariamente composto por e-books, que correspondem a cerca de 91% dos títulos digitais publicados no país.

Mesmo assim, o livro físico mantém vantagens valorizadas pelos leitores. Entre os motivos para a preferência pelo impresso estão o manuseio do objeto, a possibilidade de folhear antes da compra e a experiência sensorial da leitura. Já o digital se destaca pela praticidade, portabilidade e facilidade de acesso.

É nesse cenário que as redes sociais têm tomado parte da vida cotidiana. É possível passar horas assistindo a vídeos curtos sem perceber o tempo passar. Nesse contexto, tirar um momento do dia para ficar em silêncio, realizar uma atividade menos enérgica e incentivar a concentração se torna algo distante. Os momentos de lazer passam a ser guiados por conteúdos rápidos, níveis altos e incontrolados de dopamina, o neurotransmissor do prazer,  e superficialidade. 

Mesmo com os impactos do uso excessivo de telas, surgem iniciativas que incentivam a leitura. Um exemplo é o “booktok”, nicho da plataforma TikTok voltado para a divulgação de livros. Nesse espaço, criadores de conteúdo compartilham recomendações e experiências de leitura, o que pode despertar o interesse de novos leitores. Se, por um lado, as telas, seja por meio de redes sociais ou dos próprios livros digitais, competem com os livros, por outro também podem funcionar como porta de entrada para novas leituras. 

Maria Clara da Silva Ramos, professora de Literatura do curso de Letras da UFSM, vê aspectos positivos nesse movimento. “Acho que pode influenciar outras pessoas a lerem. O problema das redes sociais é a falta de controle sobre o conteúdo”, avalia. 

É nesse cenário que autores brasileiros como Machado de Assis, Clarice Lispector, Carla Madeira, Guimarães Rosa, Carolina Maria de Jesus e Socorro Acioli têm ganhado visibilidade entre os jovens. Obras como A Hora da Estrela, Cabeça de Santo e Tudo é Rio passaram a circular com mais frequência entre leitores dessa comunidade digital. Mais do que substituir o livro físico, o ambiente digital tem reconfigurado as formas de acesso, recomendação e interesse pela leitura.

Toda leitura é válida 

Nesse cenário de mudanças, também se ampliam as formas de leitura e os perfis de leitores. Existem leitores de clássicos, como Franz Kafka, William Shakespeare, Jane Austen ou Jorge Amado. Também existem leitores de obras mais novas, como as de Itamar Vieira Junior, Aline Bei ou Sally Rooney. Segundo Maria Clara, consumir livros complexos ou mais simples não te faz menos leitor. “Tem um escritor francês, Daniel Pennac, que escreveu ‘Os dez direitos do leitor’ e ele diz que um deles é o direito de não ler. Você não precisa ler tudo, a leitura deve ser um ato de prazer”, explica. 

Alguns dos livros mais marcantes para as pessoas, segundo a Revista Retratos da Leitura, não são os “clássicos”:

A leitura pode ser encarada como um momento de lazer, assim como assistir um filme ou uma série. Identificar gêneros e temas de interesse é um passo importante para criar o hábito. O professor de Literatura da UFSM, Anselmo Peres, conta que desenvolveu interesse pela leitura quando suas irmãs lhe apresentaram alguns títulos. Mas, foi na sua graduação em Letras que entendeu que mais se interessava pela literatura LGBTQIA+ e feminista. 

Segundo ele, a leitura LGBTQIA+, por exemplo, tem crescido tanto para livros nacionais como internacionais. “Há mais leitores que estão interessados em consumir essa literatura”, afirma. “Vermelho, branco e sangue azul”, de Casey McQuiston, “Quinze Dias”, de Vitor Martins ou “Os sete maridos de Evelyn Hugo”, de Taylor Jenkins Reid, são exemplos de livros de romance baseados em relações LGBTQIA+. 

A identificação com personagens e histórias pode contribuir para processos de autoconhecimento. A liberdade de escolher o que ler também é uma forma de expressão, afirma Anselmo. 

Para quem quer começar 

Iniciar a leitura por ler livros muito densos, que sejam de compreensão mais complexa, pode ser um caminho mais difícil. Segundo Anselmo, deve-se começar a ler por aquilo que mais gosta. “Se uma pessoa gosta de mitologia grega, não é muito bom começar a ler por Odisseia. Se a gente estiver falando de um jovem leitor, é muito mais produtivo ler Percy Jackson”, sugere. 

Segundo o professor, para indicar um livro, ele tentaria entender mais sobre a pessoa e sobre a vida dela. “Se estiver falando com uma pessoa com a vida muito romântica e que tem potencial em se atrair pelo mundo da poesia, eu recomendaria uma escritora que tem alguma relação com a própria identidade dela. Então, se eu tivesse a infância de uma menina negra, eu provavelmente recomendaria a poesia da Conceição Evaristo. Se estivesse falando com um jovem que já se entende gay, recomendaria os contos do Caio Fernando Abreu”, exemplifica.  

A rotina pode dificultar a criação do hábito de leitura, especialmente com o consumo constante de conteúdos rápidos. Contudo, entre páginas físicas e telas, o hábito da leitura não desaparece, mas se transforma. Em diferentes formatos e rotinas, o desafio passa a ser menos sobre onde se lê e mais sobre como a leitura encontra espaço no cotidiano. 

Seguir alguns combinados diários pode facilitar a adesão ao hábito. Segundo a CNN, algumas práticas que podem ajudar são: 

  1. Constância: ler pelo menos 5 páginas por dia ou manter um meta de páginas para ler;
  2. Curadoria: escolha os livros de acordo com seu gosto;
  3. Concentração: evite ter telas por perto durante seu momento de leitura 
  4. Comunidade: a leitura não é uma atividade solitária, participe de grupos de leitura com seus amigos;
  5. Calma: entenda que o hábito pode demorar para ser construído, leia tranquilamente.

Dicas de obras para ler no MEC Livros 

O Governo Federal desenvolveu o MEC Livros, uma biblioteca digital com mais de 6 mil títulos literários e totalmente gratuita. O acervo possui livros nacionais e internacionais de poesia, histórias em quadrinhos, romances, contos e muitos outros gêneros literários. Alguns livros que podem ajudar a iniciar o hábito da leitura:

  • A árvore mais sozinha do mundo, de Mariana Salomão Carrara;
  • Capitães da Areia, de Jorge Amado;
  • Torto arado, de Itamar Vieira Junior;
  • A Metamorfose, de Franz Kafka;
  • Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll; 
  • A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli;
  • A Vegetariana, de Han Kang;
  • Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling;
  • Arlindo, Ilustralu; 
  • Enquanto eu não te encontro, de Pedro Ruas;
  • Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago;
  • A palavra que resta, de Stênio Gardel;

 

Texto e fotos: Jessica Mocellin, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias 

Ilustração: Pyetra Dornelles, acadêmica de Desenho Industrial e estagiária da Agência de Notícias

Infografia: Daniel Michelon De Carli, designer

Edição: Mariana Henriques, jornalista

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A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) assinou nesta sexta-feira (17), junto à UFCSPA e à UFPel, um protocolo de intenções para a criação do Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul. A iniciativa é uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), as três universidades federais e as Secretarias Estaduais de Inovação e Agricultura do RS, e tem como objetivo fortalecer a cadeia da olivicultura no Estado.

A assinatura pela UFSM ficou a cargo do vice-reitor, Tiago Marchesan, em cerimônia durante a programação da 14ª Abertura da Colheita de Oliva do Rio Grande do Sul e Feira de Negócios, realizada na sede da Azeite Milonga, na cidade de Triunfo (RS).

Produção e consumo no Brasil

Atualmente, o país figura entre os maiores importadores de azeite de oliva do mundo. Em 2023, foram importadas cerca de 77 mil toneladas do produto, enquanto a produção nacional ficou abaixo de 7 mil toneladas. Nesse cenário, o Rio Grande do Sul se destaca como principal polo produtivo, concentrando aproximadamente 75% da produção de azeitonas no país.

Apesar da liderança, o setor ainda enfrenta limitações técnicas e científicas. Entre os principais desafios estão a baixa produtividade média dos olivais, a adaptação de variedades ao clima e ao solo locais e a necessidade de maior integração entre pesquisa, manejo agrícola e controle de qualidade do azeite.

Centro de Referência

É nesse contexto que surge o Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul, com a proposta de aproximar a produção científica das demandas do campo. A iniciativa busca transformar conhecimento gerado nas universidades em soluções práticas, com impacto direto na produtividade e na qualidade da produção.

A estrutura do Centro está baseada na atuação complementar de instituições de ensino superior. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) atuará na área agronômica, com foco na identificação das melhores variedades e práticas de cultivo. A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) será responsável pelas análises e pelo controle de qualidade do produto final. Já a UFSM contribuirá com pesquisas voltadas ao manejo e à qualidade do solo, buscando aumentar a produtividade sem comprometer as características específicas que influenciam o perfil do azeite. O trabalho será desenvolvido pelo Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces), ligado ao Departamento de Solos do Centro de Ciências Rurais (CCR).

A iniciativa também conta com a participação do setor produtivo, por meio de sua entidade representativa, a Ibraoliva, e com o apoio institucional do governo do Estado, configurando uma articulação entre academia, produtores e poder público.

Entre os objetivos do centro estão o desenvolvimento de pesquisas aplicadas, a formação de profissionais especializados e a promoção de práticas sustentáveis, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. A proposta inclui ainda o fortalecimento da qualidade do azeite produzido no estado, com base científica para certificações e reconhecimento no mercado.

A expectativa é que a integração entre ciência e produção contribua para o aumento da produtividade, a melhoria da qualidade e a ampliação da competitividade do azeite gaúcho. Além disso, a iniciativa pode impulsionar a geração de novos negócios, a formação de mão de obra qualificada e o aproveitamento de subprodutos, promovendo inovação e sustentabilidade no setor.

Foto no destaque: Joel Vargas/GVG

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/17/literatura-infantil Fri, 17 Apr 2026 15:52:59 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72536 O dia 18 de abril marca o Dia Nacional do Livro Infantil. A data celebra o aniversário de Monteiro Lobato, figura de referência na literatura infantil, e reforça a importância dessa manifestação cultural. A leitura contribui para o desenvolvimento cognitivo da criança ao incentivar a imaginação, criatividade e o aumento do vocabulário. A conexão com as personagens gera identificação nos pequenos, o que proporciona sentimentos de valorização e compreensão. Por isso, é importante que haja incentivo à prática da leitura desde cedo, por meio da escola e dos familiares.

Existem diversas maneiras de inspirar esse hábito. Uma delas é a leitura compartilhada, por meio da mediação. Doutora em Educação e docente do curso de Psicologia da Universidade Federal de Satna Maria (UFSM), Taís Fim Alberti, defende, a partir da Psicologia Histórico-Cultural, que a leitura insere o sujeito na cultura social vigente. “A gente se humaniza na relação com os outros. Então, é nessa relação de mediação que a gente vai passar para essa nova pessoinha os instrumentos e os signos da nossa cultura”, reforça. 

A mediação, descrita pela professora, envolve a leitura compartilhada, ou seja, com outras pessoas - um adulto, um professor ou até uma criança mais velha. Isso permite que a criança se expresse ao conversar sobre a história e falar sobre o que sente e observa. Taís explica que “a leitura é um componente essencial para o desenvolvimento dessas funções psíquicas superiores”.

Ao pensar no desenvolvimento intelectual, é importante refletir sobre o aspecto sócio-emocional presente no ensino. A Psicologia Histórico-Cultural destaca um papel da escolarização. “A escola e o ensino são condições para o desenvolvimento”, ressalta. A docente reflete sobre como a escola tem papel fundamental em sistematizar o conhecimento e, também, criar leitores, pois proporciona o acesso à leitura.

Assim, o livro se materializa em um objeto tátil com textura e ilustração que estímulos à inventividade do leitor e fazem com este se envolva com a história narrada. Na UFSM, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Poscom) desenvolve pesquisas sobre o mercado editorial e hábitos de leitura na infância. A doutoranda Danielle Neugebauer Wille, que estuda o tema, ressalta como elementos visuais que fogem do texto são essenciais no livro infantil: “a criança fica muito mais interessada e interage muito mais com o livro a partir disso”.

Com um trabalho sobre livros para crianças de quatro a cinco anos, Danielle busca compreender como se dá a experiência estética a partir da materialidade gráfica dos livros infantis - precursores da inovação nesse aspecto. Permeada por sua experiência pessoal como mãe de Pedro, de seis anos, ela pesquisa como o contato da criança com o livro e a leitura compartilhada se dão na relação entre pais e filhos. “O livro infantil dá abertura e proximidade dentro da parentalidade. É um momento de convívio com a criança que possibilita a conversa sobre suas vivências”, comenta a pesquisadora orientada pela professor Sandra Depexe, do Poscom.

Foto colorida vertical de livro infantil com desenho de cobra azul sobre um fundo amarelo. A cabeça da cobra acompanha o formato da capa da obra, que tem dois olhos e um lingua.
Litetura infantil precisa ser lúdica

A escolha do livro

A professora Taís reforça a importância da escolha cuidadosa do livro, da mediação de alguém com conhecimento sobre a obra e o hábito da leitura alinhado à fase do desenvolvimento. “A literatura que a gente escolher pode transformar isso em algo exaustivo, cansativo”, pondera. Já Danielle argumenta que a leitura não é somente para que se converse com a criança sobre determinado assunto, mas também para que ela se sinta feliz naquele momento.

Outro elemento que chama atenção é o conteúdo da história. Atualmente, os livros fogem da ideia moralista, da “moral da história”, muito presente em livros infantis desatualizados. “Antigamente, o único objetivo do livro era esse. Hoje em dia, ele tem muito mais abertura para ter uma experiência de prazer”, pontua a pesquisadora.

É interessante que as famílias também se mobilizem ao procurar obras com temáticas relevantes para debate ainda na infância, inclusive aqueles de assuntos difíceis de abordar. “É possível permitir que a criança se expresse a partir de alguma vivência real, e a literatura vem como um suporte para aquilo que ela está vivenciando”, reflete Taís. 

A importância da ilustração

A pesquisadora Ana Julia Rodrigues defendeu sua dissertação “‘Eu Gosto de Ler, Só Que Eu Não Leio Muito’: Consumo e Práticas de Leitura de Livros Infantis em uma Escola Pública de Santa Maria”, no Poscom, no dia 27 de março. O estudo trata do consumo de livros infantis e como se dá a relação das crianças com a literatura. Ana Julia percebeu que a ilustração sempre chamou muito a atenção das crianças.

“Sempre que a gente perguntava: ‘por que que tu escolheu esse livro?’, eles sempre destacavam o valor da ilustração”. Ana Julia relata que muitas crianças atentavam para a capa, as cores e os aspectos editoriais, o que revelava sua afinidade com a ilustração. 

“É muito deles se identificarem. Muitas vezes é um personagem ou uma cor que chama a atenção. Eles se identificam não necessariamente com a história, mas com algum elemento”, constata.

Foto colorida vertical de livro infantil e formato quadrado do livro "Quem abre o bocão". A obra tem na capa principal, em azul, tem dois olhinhos na parte de cima, e uma área vazada em formato de boca. Na página seguinte, visível atráves da área vazada, vários personagens, passarinhos e pintinhos, e uma superfície vermelha

Formas, cores, ilustrações e personagens ajudam no incentivo à leitura
Foto colorida vertical de mulher jovem em pé. Ela usa óculos, tem cabelos claro longo, usa blusa branca e calça escura. Atrás dela, a projeção de um slide com o nome da pesquisa “‘Eu Gosto de Ler, Só Que Eu Não Leio Muito’: Consumo e Práticas de Leitura de Livros Infantis em uma Escola Pública de Santa Maria”

Ana Júlia defendeu dissertação sobre consumo de livros infantis em escola pública

Hábitos de leitura na infância

A pesquisa de Ana Julia, também orientada pela professora Sandra Depexe, destaca a importância da mediação e o papel central das escolas no interesse que a criança possui ou desenvolve na leitura. Ao buscar compreender a relação criança-livro atualmente, ela observou que, em muitos contextos, “a escola é o único lugar que vai ofertar essa relação com o livro infantil”.

A dissertação aponta que as formas de consumo do livro carregam significados sociais. “A gente observa que, de fato, a escola é o principal local que oferece e oportuniza essa relação”, relata. O alto custo do livro infantil ainda é um fator de afastamento do universo da literatura. Danielle concorda com Ana e reforça que o livro não é um produto cultural barato e acessível. Por isso, ela lembra que, para muitas famílias, a escola é a possibilidade desse contato com a literatura.

Lobato e o Sítio

Monteiro Lobato foi o responsável por revolucionar a literatura infantil no Brasil com o livro “Reinações de Narizinho”, relançado posteriormente como parte da série "Sítio do Pica Pau Amarelo", a primeira escrita para crianças. Com uma linguagem fácil, o autor construiu um universo fantástico e ganhou o país com seus personagens criativos e curiosos. A obra foi traduzida para outros idiomas e recebeu adaptações para cinema, televisão e quadrinhos.

O dia 18 de abril celebra o Dia Nacional do Livro Infantil em homenagem ao autor considerado o “pai da literatura infantil” no Brasil.

Literatura infantil x literatura juvenil

O livro infantil é concebido para a criança, com formato, ilustrações, cores, quantidade de texto e linguagem específicas. Já a literatura infantil é todo o texto adequado à criança. Atualmente também se considera literatura infantil aquela obra que tem, não só o texto, mas também a ilustração de qualidade. A escritora Cecília Meireles defendia que a “Literatura Infantil é aquela que as crianças leem com agrado”.

Não existem regras expressas para definir o livro juvenil, mas o que se observa – em comparação com o infantil – é o predomínio de textos mais longos, com letras em corpo menor, poucas ilustrações, quase sempre em preto e branco. Com relação ao conteúdo, os juvenis apresentam uma divisão em gêneros de forma mais clara: aventura, suspense, romance, mistério e ficção científica. 

Texto: Júlia Ciervo Zucchetto, acadêmica de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias

Fotos: Arquivo Pessoal/Ana Júlia Rodrigues

Edição: Maurício Dias, jornalista

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“Não se pode ter seletividade quando o assunto é o combate ao machismo”. A frase de Djamila Ribeiro é o que estampa o mais novo banco vermelho da UFSM, inaugurado no Centro de Ciências da Saúde (CCS) na última quarta-feira (15). O momento foi pensado para conscientizar a comunidade acadêmica acerca do combate ao feminicídio. Na Universidade, a iniciativa parte do Gabinete da Reitora e da Pró-Reitoria de Extensão (PRE), por meio da Casa Verônica. 

Para a ocasião, o evento contou com a roda de conversa “Gênero, raça e violências: lutas e desafios no enfrentamento à violência contra as mulheres”, coordenada pela professora Monalisa Siqueira, presidente da Comissão de Igualdade de Gênero na UFSM, no auditório do prédio 26B. Ela comenta: “trata-se de um debate que atravessa nossos corpos, nossa vida pessoal e profissional”.

[caption id="attachment_72534" align="alignleft" width="564"] Monalisa, Martha e Cláudia participaram de roda de conversa[/caption]

Uma luta para pensar gênero, raça e classe

Para somar à discussão, fizeram-se presentes professores, estudantes, servidores e autoridades. A professora Cláudia Bassoaldo, coordenadora da Política de Promoção da Igualdade Racial do município, alerta sobre o racismo estrutural presente neste tipo de violência. Os números não negam: conforme dados divulgados em 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mulheres negras continuam sendo o maior alvo de feminicídio no Brasil, representando 62,6% das vítimas entre 2021 e 2024.

Cláudia vê o banco vermelho não apenas como um espaço de reflexão, mas de denúncia, ao evidenciar que diferentes vidas são atravessadas por desigualdades que as tornam mais vulneráveis à violência. Ela chama a atenção para o fato de que, mesmo com todos os avanços da sociedade contemporânea, ainda é muito raro ver mulheres negras ocupando os espaços públicos. A professora conclui: “enquanto eu puder falar, falarei, mesmo que incomode. Se a gente não incomodar, isso será naturalizado”. 

Somente em 2026, o Rio Grande do Sul já registrou, até o momento, 27 casos de feminicídio. O número acende um alerta, mas também aponta para a necessidade de compreensão. O conceito de interseccionalidade, formulado por Kimberlé Crenshaw e reiterado por pensadoras como Djamila Ribeiro, fala justamente dessas desigualdades, que incidem de forma desproporcional sobre as mulheres.

[caption id="attachment_72532" align="alignright" width="563"] Professores, estudantes, servidores e autoridades presentes na inauguração do banco vermelho do CCS[/caption]

Liderança feminina à frente da mudança social

Encerrada a roda de conversa, a professora Monalisa realizou o protocolo inaugural do banco vermelho, localizado no hall do CCS, entre os prédios 26A e 26B. Ela comenta: “fica, então, a reflexão para o CCS, majoritariamente composto por mulheres”. Além da grande presença feminina de estudantes, o centro possui uma mulher à frente do cargo de direção: a professora Maria Denise Schimith. A diretora percebe o papel da área da saúde no combate à violência contra a mulher e conclui: “precisamos pesquisar, estudar, fazer a extensão e o cuidado. A gente deve formar os profissionais da saúde para que eles não repliquem atos machistas e misóginos”. 

Primeira mulher a ocupar o cargo de reitora da UFSM, a professora Martha Adaime reafirma o compromisso com a campanha dos bancos vermelhos, fomentada tanto por ela quanto pelas demais reitoras do estado. Ela conta que, ao falar sobre a proposta ao restante das chefias universitárias do Brasil, a reação foi de estranheza: muitos sequer conheciam a iniciativa. 

Banco vermelho: da Europa ao Brasil

Símbolo internacional de enfrentamento ao feminicídio, o banco vermelho é um marco visual que busca chamar a atenção para a violência contra as mulheres. A campanha originou-se na Itália em 2016 e visa ocupar espaços públicos com bancos pintados de vermelho para representar o sangue derramado pelas vítimas e os lugares vazios deixados por mulheres assassinadas. No Brasil, a ação foi oficializada pela Lei nº 14.942/2024 e executada pelo Instituto Banco Vermelho em parceria com municípios e instituições de ensino. 

Dentro da UFSM, o primeiro banco foi inaugurado em dezembro de 2025, no hall do Restaurante Universitário 1 (RU1). Até o momento, já são quatro: além do RU1 e CCS, há bancos vermelhos também no Centro de Educação (CE) e no Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH). A ideia é que todos os centros sejam contemplados com a iniciativa, que se soma a outras ações voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao combate às violências, fortalecendo o compromisso da Universidade com a pauta. 

[caption id="attachment_72533" align="alignleft" width="429"] Iniciativa é executada, no Brasil, pelo Instituto Banco Vermelho[/caption]

Denuncie

A Casa Verônica, vinculada ao Observatório de Direitos Humanos (ODH), disponibiliza em seu site uma seção específica com orientações sobre onde procurar ajuda em casos de violência. A página reúne informações sobre serviços de atendimento nos diferentes campi da Universidade, além de indicar caminhos para denúncia e proteção. 

A denúncia é um passo fundamental para o enfrentamento da violência e para a proteção das vítimas. Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados por meio do telefone 180, canal nacional de atendimento que funciona gratuitamente em todo o país.

Conheça outros contatos úteis:

  • Direitos Humanos: 100
  • Centro de Referência da Mulher (CRM): (55) 3174-1519, opção 2, e (55) 99139 4971 (WhatsApp)
  • Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM): (55) 3174-2252
  • Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA): (55) 3174-2225
  • Polícia Civil: 197
  • Brigada Militar: 190 
  • Guarda Municipal: 153 (Ciosp)
  • Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Santa Maria: (55) 3222-8888
  • Ministério Público: (55) 3222-9049
  • Defensoria Pública: (55) 3218-1032

Texto: Camille Moraes, estudante de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnicki, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Lucas Casali e Ricardo Bonfanti, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/16/valorizacao-da-tradicao-laboratorio-de-la-da-ufsm-recebe-curso-de-confeccao-em-la-crua Thu, 16 Apr 2026 18:00:23 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72503 [caption id="attachment_72505" align="alignright" width="610"] Participantes de diferentes gerações compartilham experiências na confecção com lã crua[/caption]

“É uma arte que está morrendo, e se a gente não der continuidade por meio de iniciativas como essa, isso pode acabar”, aponta a participante da atividade, Maristela Muniz. A declaração reflete a preocupação com a preservação de técnicas artesanais ligadas ao uso da lã, tema central do Curso de Confecção em Lã Crua

Promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a capacitação, iniciada na última segunda-feira (13) no Laboratório de Lã da UFSM, destaca a qualidade da fibra, suas propriedades e seu potencial sustentável, além de incentivar a agregação de valor ao produto final.

Diante da redução no valor da lã no mercado, que levou muitos produtores a acumularem o produto sem outras alternativas, surgem iniciativas como essa, voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva. “Houve um período em que a lã bruta foi desvalorizada. O objetivo, então, é processá-la e transformá-la em produto para gerar mais retorno econômico e beneficiar quem depende dela”, destaca a zootecnista e coordenadora do Laboratório de Lã, Simone de David Antônio, ao resumir a importância da iniciativa.

[caption id="attachment_72506" align="alignleft" width="319"] O curso acontece no Laboratório de Lã[/caption]

Laboratório de Lã: tradição e pesquisa há 45 anos

O Laboratório de Lã, vinculado ao Departamento de Zootecnia da Universidade, atua há cerca de 45 anos com atividades relacionadas à fibra animal. Inicialmente voltado à análise da lã, o espaço ampliou sua atuação ao longo do tempo e passou a desenvolver também ações de ensino e extensão sobre o processamento do material, a partir da atuação do professor Cleber Cassol Pires.  

O curso, que ensina a parte da confecção, chegou à Universidade em 2003, com o objetivo de promover a transformação da lã em itens artesanais, como tapeçarias, cobertores e peças de vestuário térmico.

A professora Marcia Duran, natural de Pelotas e formada em Artes Visuais – Licenciatura pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), destaca o caráter geracional dessa prática. “Eu fui instruída pela minha irmã e, quando estava me formando, acompanhava o trabalho dela, que era lindo. Depois, ela me trouxe para dar aulas também”, relata.

Ao longo da semana, Marcia apresentou a diversidade da tecelagem artesanal aos participantes, como técnicas de grampada, teares de prego, tear de pente liço e a feltragem para fazer tecidos autênticos. “A empregabilidade da lã é diversa, desde a forma mais tradicional, que são os xergões, até uma bolsa de grife que hoje está nas passarelas”, destaca a professora. 

[caption id="attachment_72507" align="alignright" width="557"] A lã também está presente na moda[/caption]

A lã como recurso natural

A matéria-prima do curso é um recurso natural, biodegradável e reciclável, obtido a partir da tosquia de ovinos, geralmente realizada uma vez ao ano. Além do uso têxtil e no artesanato, a lã também pode ser aplicada na construção civil, como isolante térmico e acústico, e na agricultura, como fertilizante, o que amplia suas possibilidades de uso em diferentes áreas.

A lã possui propriedades térmicas que vão além da associação comum com o frio, contribuindo também para o conforto em diferentes temperaturas. “A lã não é quente, ela é térmica. Os beduínos no Saara usam ela para se protegerem do calor. Existe um conceito errado de que ela serve só para o frio, mas é possível usar uma peça de lã no verão por causa dessa adaptabilidade”, explica a aluna Maristela Muniz.

Para a realização do curso, a lã é extraída na própria UFSM, o que aproxima os participantes das etapas iniciais do processo e reforça o entendimento sobre a origem da matéria-prima. Ao longo das atividades, o contato direto com o material também contribui para uma nova percepção sobre o trabalho artesanal.

[caption id="attachment_72508" align="alignleft" width="357"] A lã é extraída no setor de ovinocultura da UFSM[/caption]

“Hoje, se sair para a campanha do estado, não se encontra mais ninguém fazendo isso. Eles lavavam na sanga a lã, cardavam, depois teciam as cobertas e os xergões pro cavalo. Isso morreu. O que a gente tem agora são núcleos assim, tentando salvar um pouco da história”, relata Maristela.

Assim, a lã se apresenta como uma matéria-prima versátil, que alia propriedades térmicas, sustentabilidade e potencial de uso em diferentes áreas, mantendo sua relevância tanto na tradição quanto na atualidade. 

O curso é gratuito e costuma ser oferecido entre quatro e seis vezes ao ano, com cobrança apenas dos materiais para os participantes que optarem por ficar com o produto final. Nesta primeira edição de 2026, as atividades têm carga horária de 40 horas e ocorrem entre os dias 13 e 17 de abril, no Laboratório de Lã, localizado no prédio 78, sala 21. Cada turma conta com, no mínimo, 10 alunos.

Mais informações estão disponíveis na página oficial do laboratório no Instagram: @lablaufsm.

Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Adrieny Rosa, estudante de Produção Editorial e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Lucas Casali e Ricardo Bonfanti, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/15/as-marcas-dos-maus-tratos-em-animais-domesticos Wed, 15 Apr 2026 20:32:16 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72494 Montagem horizontal e colorida composta por três fotografias lado a lado, separadas por cortes diagonais. À esquerda, em preto e branco, um cachorro de porte médio aparece de frente, com a boca aberta e expressão amigável, em um ambiente externo. No centro, em cores, um gato preto e branco está deitado sobre cobertores, com as patas enfaixadas em rosa e um tubo conectado, indicando atendimento veterinário; ele olha diretamente para a câmera com expressão alerta. À direita, também em preto e branco, um cachorro de pelagem clara está atrás de grades verticais, com a cabeça levemente baixa, em um espaço que sugere confinamento. A montagem cria contraste entre cuidado, abandono e restrição
Orelha, Meia-Noite e Maria Sol: retratos da violência contra animais

Como de costume, a gata de rua Maria buscava comida no bairro onde vivia, em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Em uma dessas incursões, encontrou um prato de frango sobre a pia de uma cozinha. Pulou a janela e foi direto ao alimento. O susto veio logo depois. A moradora percebeu a invasão do animal e, sem hesitar, pegou um pedaço de madeira e passou a golpeá-lo. Maria teve múltiplas fraturas e saiu desorientada.

Pouco tempo depois, a gatinha foi encontrada por uma vizinha, que a levou a uma clínica veterinária da cidade. Lá, os especialistas identificaram as lesões no corpo de Maria e, quase que de prontidão, fizeram um boletim de ocorrência contra a agressora. O processo tardou e não teve desfecho. Assim como em muitos casos, a vizinha que salvou a felina não tinha condições de adotá-la. Por isso, decidiu deixar a gata na clínica.

Os veterinários avaliaram que seria necessário amputar uma das patas. “Foi o membro direito, o bracinho direito”, lembra Alice de Figueiredo Rocha, auxiliar veterinária da clínica e estudante de Medicina Veterinária na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), que socorreu a felina em 2024. Havia a possibilidade de reconstrução por cirurgia ortopédica, mas o custo inviabilizou o procedimento. “Naquela época, custaria quase R$ 5 mil, e a pessoa não tinha condições de arcar”, explica. A decisão também levou em conta o sofrimento do animal. “Para não deixá-la com dor, porque as fraturas já estavam expostas, a equipe decidiu pela amputação”, conta.

Sem tutor ou respaldo, Maria estava mais uma vez sozinha. Mas não por muito tempo. Alice, que acompanhou a recuperação da gata, resolveu adotá-la. “Levei ela para minha casa e fiquei com ela”, lembra. Apesar de ter sido acolhida, a recuperação e a adaptação da felina foram difíceis. “Quando ela chegou lá em casa, ela não tinha aquele bracinho. Mesmo assim, tentava fugir”, comenta. 

Segundo Alice, Maria levou cerca de três meses para se sentir em casa. “Foi uma coisa bem delicada, porque ela ficou muito traumatizada, então ela se escondia dependendo de quem chegava”, recorda. “Ela ficou muito arisca naquele tempo”. Hoje, tutora e pet não estão mais juntas. Em 2025, quando já morava em Santa Maria, a gata morreu. “Ela teve um outro trauma, mas foi um acidente doméstico e aí eu perdi ela no ano passado”, conta.

A gata Maria foi resgatada após ter sofrido maus-tratos em Uruguaiana (RS)
Foto horizontal e colorida de um cachorro de porte médio, com pelagem marrom clara e branca, está dentro de um espaço cercado por grades verticais azuis. Ele aparece em pé, com o corpo levemente inclinado para frente e a cabeça baixa, olhando em direção ao chão. O ambiente parece um canil ou área externa cimentada, com paredes claras ao fundo. Há uma abertura escura à direita que pode ser uma porta ou abrigo. Na parte superior esquerda da imagem, vê-se um objeto vermelho fixado na parede, possivelmente um extintor ou recipiente. A cena transmite sensação de confinamento.
A caramelo Maria Sol foi abandonada na UFSM em 2018, com sinais de abuso sexual. Na foto acima, ela estava abrigada no antigo Centro de Eventos da Universidade (Foto: Fabiana Stecca/Projeto Zelo)

A outra Maria de Alice

Em 2018, antes de se mudar para a Uruguaiana na intenção de cursar Medicina Veterinária, Alice de Figueiredo Rocha se matriculou em Zootecnia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na metade de 2018, ingressou  na Casa do Estudante, onde, pouco tempo depois, teve que aprender a conviver com a chegada da maior crise sanitária do século. “Eu cursei por sete semestres e fiquei na pandemia”, conta. Apesar de não ter finalizado a graduação na época, a aptidão no contato com animais fez com que a estudante se unisse ao projeto Zelo, iniciativa extensionista da UFSM que busca atender aos animais presentes no campus sede, em Santa Maria. “Eu entrei no Zelo como voluntária já em 2018, tudo por causa da [Maria] Sol”, afirma. 

Era madrugada de agosto de 2018, época de frio intenso no Rio Grande do Sul, quando um carro não identificado transitava pelo campus sede da UFSM. O veículo parou nos fundos do Restaurante Universitário I e abandonou Maria Sol, uma vira-lata caramelo de porte médio para grande. “Ela foi jogada de dentro de um carro”, recorda Alice.

Depois de um tempo, quando tomou conhecimento sobre o caso, Alice se aproximou da história de Sol, e do projeto Zelo, que havia resgatado a vira-lata. Foi então que a estudante descobriu que a caramelo havia sido abandonada com sinais de abuso sexual, em função dos “sinais que ela apresentava”. Depois de uma cirurgia de emergência, Sol passou a viver livre no campus. “Só que dessa situação, ela passou a ter transtorno obsessivo compulsivo”, afirma Alice sobre o estado de saúde da vira-lata. “Ela atacava a si mesma e atacava, especialmente, homens na universidade”, rememora.

Alice, ao lado de voluntários e bolsistas do Zelo na época, montaram um pequeno lar para a cachorrinha atrás da Casa do Estudante. “A gente construiu um cercado, colocamos casinha, e a Sol ficava presa naquele cercado”, relembra. Com o lar provisório, os cuidados com a vira-lata viraram rotina. “Tirávamos ela para passear duas vezes por dia”, conta. 

Depois de um tempo, o cercado foi desmanchado para dar lugar a uma nova obra da Universidade. Com isso, Sol voltou a ficar solta pela UFSM. Isso, segundo Alice, gerou uma nova confusão. “Por causa dos ataques, no caso”. O grupo, então, conseguiu abrigar Sol em uma pequena ala no antigo Centro de Eventos da UFSM, mas por pouco tempo. 

Nessa mesma época, o transtorno decorrente do trauma se agravou. “Tinha piorado muito porque não conseguimos tratar ela com medicamentos que não fossem homeopáticos”, pondera. Conforme Alice, para seguir com um tratamento adequado, seria necessário que a vira-lata tivesse acompanhamento integral e, como ela era estudante na época, não pode assumir essa responsabilidade, nem os outros voluntários que acompanhavam o caso. “A condição era que ela fosse adotada e a gente nunca conseguiu adoção”,lamenta.

Certa vez, Sol entrou em uma grave crise devido ao transtorno. “Ela rodopiava e se atacava”. Foi levada ao Hospital Veterinário Universitário (HVU), onde ficou sedada por três dias. Naquele momento, os veterinários da instituição entenderam que Sol não poderia voltar a circular pela Universidade, tanto pela sua segurança, quanto pela de quem passa pelo campus. Em fevereiro de 2020, Maria Sol foi submetida à eutanásia.

Depois do Sol, a Meia-Noite

Com a ausência de suas Marias, a vida de Alice abriu espaço para outra visitante. Certa noite no início de 2025, uma felina circulava pelo centro de Santa Maria, era a Meia-Noite, uma pequena gata de olhos amarelos e pelos brancos e pretos. Na região, tinha até outro nome. Alguns moradores da região a chamavam de Furiosa, referindo-se ao quão arisca é. 

Era habitualmente vista perto de uma farmácia, a poucos metros do Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo, localizado na avenida Presidente Vargas. Por ser uma avenida, o local possui intensa circulação de pessoas, carros e ônibus. Não demorou muito até que Meia-Noite viesse a sentir os efeitos dessa intensa vida urbana. Segundo boatos dos funcionários da farmácia, a gata foi atropelada e, no acidente, teve uma das patas arrancadas.

Assustada, Meia-Noite fugiu e não se deixou ser socorrida. Quase um ano depois, em março de 2026, Alice conheceu o curioso caso da gata. “Uma amiga me mandou mensagem e um vídeo da gata e me perguntou se eu ajudava ela a resgatar", conta. Moradora nas redondezas onde a Meia-Noite é comumente vista, Alice não hesitou em dar apoio no socorro. “Levamos três noites para pegar ela”, relembra.

Quando socorrida, Alice soube da história da felina. Apavorou-se ainda mais quando descobriu sobre a deficiência de Meia-Noite e o acidente que a deixou daquela forma. “Naquele tempo todo, a pata dela não sarou”. A gata foi prontamente levada a uma clínica particular da cidade, onde ficou sedada devido a sua brabeza. Não querendo que Meia-Noite passasse seus dias desacordada, Alice optou por transferi-la a um lugar mais adequado no tratamento de felinos agressivos. “Ela passou por três clínicas privadas antes de chegar na clínica de hoje”, diz.

Na época, uma outra surpresa: Meia-Noite estava gestante. Por conta disso, precisou passar por uma cesariana e atrasar o tratamento ideal para sua pata machucada. “Eram seis filhotes. A gente perdeu cinco”, ressalta Alice. Quando os filhotes nasceram, foram nomeados a caráter: “Os nomes eram Lua Nova, Eclipse, Amanhecer, Meio-Dia, Madrugada e, o único vivo foi o Crepúsculo”.

Hoje, Meia-Noite espera a cirurgia de amputação da pata e o tratamento adequado para a ferida. Sob os cuidados de Alice, a gata amamenta Crepúsculo e outros cinco filhotes adotivos. “Ela vai amputar a perna assim que desmamar as crianças”, afirma.

Foto horizontal e colorida de um gato preto e branco está deitado sobre cobertores macios, um azul e outro com estampa clara. O gato tem expressão alerta, com olhos abertos e voltados para a câmera. Suas patas dianteiras e traseiras estão enfaixadas com bandagens rosa, e há um tubo transparente conectado a uma das patas, indicando atendimento veterinário. O ambiente sugere uma clínica ou local de cuidado, com tecidos organizados ao redor do animal. A imagem destaca o estado de recuperação e fragilidade do gato.
A gata Meia-Noite, um dia após ser resgatada em março deste ano (Foto: Alice Figueiredo)

Uma violência crescente

Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que casos como o de Maria, Sol e Meia-Noite não são singulares. Segundo o órgão, o Brasil registrou, só em 2025, 4.919 processos por maus-tratos a animais. Esse número representa um aumento de 21% em relação a 2024, quando 4.057 processos foram registrados. Em paralelo à estatística, casos recentes ganharam a atenção da imprensa nacional. Também no início deste ano, o cão comunitário Orelha foi alvo de um ataque violento, que provocou a morte do animal, na Praia Brava, ao norte de Florianópolis, em Santa Catarina. 

O caso gerou forte comoção pública. Moradores da Praia Brava organizaram protestos e vigílias em memória do cachorro, enquanto ativistas da causa animal ampliaram a mobilização. Nas redes sociais, o caso também ganhou repercussão nacional, com milhares de compartilhamentos e pedidos por justiça. A comoção se transformou em pressão direta sobre as autoridades, com cobranças por investigação rigorosa e punição dos responsáveis.

Conforme Nina Trícia Disconzi Rodrigues Pigato, docente da UFSM, doutora em Direito pela USP e especialista em Direito Animal, sempre houve muito sofrimento animal, mas ele ficava invisível ou era tratado como normal. “As redes sociais, os protetores e os grupos ajudaram a dar voz a quem antes não denunciava por medo ou desconhecimento”, constata. 

A entrada em vigor do Decreto nº 12.877/2026, anunciado em 12 de março de 2026 e rapidamente apelidado de “Decreto Orelha”, marcou uma inflexão na forma como o poder público brasileiro responde aos crimes contra a fauna. A norma atualizou o regime de infrações ambientais, elevando significativamente o valor das multas e detalhando condutas enquadradas como maus-tratos, além de fortalecer a atuação de órgãos como o Ibama na aplicação imediata de penalidades. 

Nina Disconzi recorda de outro caso recente: “em março de 2026, um caso brutal na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, serviu como o primeiro teste real para as novas leis de proteção animal”. Ela conta que um grupo de homens agrediu uma capivara com barras de ferro e pedaços de madeira com pregos. O animal sofreu traumatismo craniano e lesão ocular grave. “Este foi o primeiro caso em que o Decreto Orelha foi aplicado pelo Ibama. Cada agressor foi multado em R$ 20 mil, totalizando R$ 160 mil em multas”, conta a docente. Os envolvidos tiveram a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. “O Ministério Público denunciou os agressores não apenas por maus-tratos, mas também por caça ilegal, já que a intenção declarada era o abate para consumo”, complementa.

Embora episódios como o de Orelha chamem atenção pela violência explícita, outras formas de morte de animais seguem naturalizadas. Em rodovias do sul do país, o problema aparece de forma silenciosa e contínua. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), realizado em um trecho de cerca de 100 quilômetros da BR-293, no pampa gaúcho, aponta que o atropelamento de fauna está entre os principais impactos humanos sobre animais silvestres naquela região. A pesquisa ainda aborda que muitas dessas ocorrências não entram em estatísticas oficiais ou sequer são registradas, o que amplia a subnotificação e dificulta dimensionar a real escala da violência.

Mesmo quando há legislação que prevê a obrigação de prestar socorro ou acionar autoridades, a aplicação é rara. A ausência de fiscalização contínua e de estruturas como passagens de fauna, cercamentos ou redutores de velocidade contribui para que o problema persista. Na prática, trata-se de uma violência dispersa, cotidiana e pouco visível, mas não menos letal.

Para a professora Nina, esse tipo de situação expõe um limite estrutural do próprio Direito. “O Direito ainda lida mal com violências difusas. O processo chamado estrutural tem sido utilizado para resolver alguns problemas complexos como resgate de animais em enchentes, mas ainda é incipiente em nosso país. Nosso sistema é essencialmente individualista. Ele precisa de autor identificado, de dano direto, de vítima com titularidade clara”, afirma. Segundo a pesquisadora, atropelamentos de animais acabam ficando nesse “limbo jurídico”, em que, embora possam ser enquadrados como crime ambiental, a fiscalização é pequena e a responsabilização, rara. “Às vezes se enquadra como crime ambiental, no artigo 32 da Lei 9.605/98, mas a fiscalização é pequena, embora esteja aumentando”, aponta.

A docente também diz que a legislação brasileira ainda apresenta uma lacuna importante quando se trata de animais que sobrevivem a maus-tratos. De acordo com Nina, não existe uma previsão legal geral e clara que assegure tratamento ou reabilitação às vítimas. “A legislação brasileira foca principalmente na punição do agressor, mas não garante tratamento ou reabilitação para o animal”, contextualiza. 

Em alguns casos, o Judiciário tem determinado que o agressor arque com os custos ou que o animal seja encaminhado a um santuário, mas essas decisões ainda são exceção. Para a docente, seria fundamental a criação de uma lei federal que obrigue o Estado a oferecer reabilitação veterinária e acompanhamento comportamental sempre que possível.

Em relação ao papel do Estado, Nina Disconzi destaca que não há, na legislação federal, uma obrigação expressa de garantir tratamento e reabilitação para animais vítimas de violência. O que existe, conforme a professora, são iniciativas pontuais em alguns municípios e estados, leis estaduais e municipais, geralmente resultado da pressão de protetores independentes, advogados animalistas ou do Ministério Público. Ainda assim, a docente ressalta que a Constituição Federal, no artigo 225, impõe ao poder público o dever de proteger a fauna e vedar práticas cruéis. “Uma interpretação sistemática permite sustentar que a reabilitação do animal vítima de maus-tratos é uma forma de dar efetividade a esse dever”, reforça.

Ao analisar a atuação dos municípios, Nina descreve um cenário desigual. Embora existam exemplos positivos, com políticas estruturadas, como castração gratuita, centros de reabilitação e canais de denúncia, a maior parte das cidades brasileiras ainda carece de iniciativas consistentes. “A maioria dos municípios brasileiros simplesmente não tem política pública estruturante para proteção animal”. Entre as principais lacunas, ela cita a falta de fiscalização, educação nas escolas e canais efetivos de denúncia. Além disso, quando políticas existem, tendem a ser reativas, focadas no recolhimento de animais, sem ações preventivas ou educativas. 

Em um contexto mais amplo, na avaliação de Nina, o Brasil tem avançado no enfrentamento à violência contra animais, mas ainda mantém traços de permissividade. Ela aponta que práticas como rodeios, vaquejadas e exploração industrial ainda são amplamente naturalizadas. 

Para a docente, o Direito, por si só, não é capaz de transformar essa realidade enquanto a sociedade continuar a enxergar os animais como objetos ou mercadorias. Assim, apesar dos avanços legislativos e do aumento da visibilidade do tema, a mudança estrutural ainda depende de uma transformação cultural mais profunda. “A verdadeira transformação exige educação”, frisa Nina.

Foto horizontal e colorida de um cachorro de porte médio, com pelagem marrom escura e patas mais claras, em pé sobre uma calçada. Ele está posicionado de frente para a câmera, com a boca aberta e a língua para fora, transmitindo uma expressão amigável. À esquerda da imagem, há uma casinha de madeira, parcialmente visível, que parece ser o abrigo do animal. O chão é de concreto, com uma rua ao fundo. A cauda do cachorro está levemente levantada, sugerindo um estado de alerta ou interação.
Orelha foi encontrado gravemente ferido em área de mata após dias de desaparecimento na Praia Brava, em Florianópolis (Foto: Google Imagens)

Outro problema antigo, mas que anda junto

Além da violência, outro problema que chama a atenção de cuidadores como Alice é o abandono, que muitas vezes acompanha os casos de maus-tratos. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que o Brasil tem cerca de 30 milhões de animais vivendo nas ruas. Dados mais recentes reforçam esse cenário: o relatório parcial de 2025 da iniciativa Medicina de Abrigos Brasil (Infodados de Abrigos de Animais) aponta um aumento expressivo no número de animais acolhidos. Entre janeiro e junho, as entradas de cães e gatos cresceram 91,7% em relação ao semestre anterior, somando 5.325 animais, sendo 2.929 cães e 2.396 gatos.

Ao olhar para o Rio Grande do Sul, o abandono aparece de forma difusa, mas persistente. Durante as enchentes que atingiram o estado em 2024, cerca de 20 mil cães e gatos foram resgatados e distribuídos em quase 500 abrigos temporários. Meses depois, milhares ainda aguardavam adoção, evidenciando um problema que vai além do resgate emergencial. “A gente vê que não é só resgatar. Tem muito animal que fica sem ter para onde ir depois”, enfatiza Alice. “Às vezes a pessoa ajuda no momento, mas não consegue ficar com o animal, e aí ele acaba voltando para a mesma situação”, alerta. 

Na UFSM, a luta contra o abandono animal é emplacada pelo projeto Zelo. Segundo a coordenadora da iniciativa, Fabiana Stecca, a Universidade acaba se tornando um local propício para o abandono devido às diversas formas de acesso ao campus. “Temos vários pontos de acesso e áreas rurais. Apesar de termos um sistema de vigilância, os animais que são abandonados próximos a instituição, eles acabam chegando ao campus”, conta.

Em 2025, o projeto registrou e denunciou 35 abandonos no campus sede da UFSM. Apesar disso, Fabiana afirma que muitos casos “não dão em nada”. Bem como a história da vira-lata Maria Sol, outras pessoas que abandonaram animais na UFSM tiveram seus nomes identificados e foram denunciados. “Já comprovamos abandono proposital. Mas, infelizmente, em alguns casos não temos como comprovar”, explica.

Para Fabiana, um dos principais desafios ainda é a conscientização e sensibilização. “Nas publicações, pessoas dizem ‘aí, coitadinho, pobrezinho’, mas no final não dão um apoio”, desabafa. “Infelizmente, em Santa Maria, temos vários locais que são ‘preferidos para o abandono’, como o campus”.  Tendo isso em mente, a professora acredita que deveria haver uma mobilização do poder público mais intensa para lidar com essa realidade. “Isso é um trabalho que não deveria ser só da Universidade. Isso é um problema estrutural”, defende. 

A coordenadora ainda destaca que a própria comunidade universitária infelizmente colabora para a estatística do abandono nas dependências da instituição. “Todo final de semestre, moradores da Casa do Estudante vão embora e abandonam os animais que cuidavam”, alerta. Fabiana afirma que o projeto tem elaborado iniciativas que buscam uma sensibilização popular. Nesse contexto difícil de se lidar, assim como Nina Disconzi, Fabiana reforça: “precisamos trabalhar a consciência”.

Em 2026, Alice Figueiredo de Rocha deu mais um passo nessa trajetória: ingressou no curso de Medicina Veterinária na UFSM. Em 2025, realizou o Vestibular da UFSM onde atingiu a nota para seguir com o sonho iniciado ainda em 2018, quando ingressou na Zootecnia. Depois de anos atuando em resgates, clínicas e projetos voluntários, a escolha formaliza um caminho que, na prática, já vinha sendo trilhado há muito tempo. E, além disso tudo, ela continua a contribuir no projeto Zelo. “Os filhos adotivos da Meia-Noite são gatinhos que o projeto precisou dar suporte”, conta.

Enquanto vive a rotina de cuidados que Meia-Noite e os filhotes precisam, Alice, que trabalha como Pet Sitter (Babá de Animais) mantém o coração aberto caso mais visitantes precisem de espaço. É nesse gesto repetido que algumas vidas ainda encontram a chance de continuar.

Conheça os serviços de Alice pelo Instagram @amorpet.alice.

Saiba como apoiar o Zelo

  • Doações de itens:
    Ração, medicamentos veterinários, potes, coleiras, caixas de transporte, acessórios, roupas e calçados (o que não for usado é revendido).
  • Contribuição financeira:
    PIX: fabiana@55bet-pro.com
  • Onde doar:
    Portaria do Colégio Politécnico (bloco F)
    Sala C9 (bloco C)
    CESPOL (bloco A)
    (turnos manhã, tarde e noite)
  • Outras formas de ajudar:
    Participar como voluntário
    Oferecer lar temporário
    Organizar trotes solidários
  • Iniciativas do projeto:
    Brechó Grife do Zelo (Saiba mais no Instagram)

Acompanhe outras novidades sobre o projeto Zelo pelo Instagram @zeloufsm.

Texto e montagem com fotos em destaque: Pedro Moro, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos: Alice Figueiredo da Rocha, Fabiana Stecca e Google Imagens

Edição: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/14/fossil-de-nova-especie-de-reptil-com-bico-de-papagaio-e-descoberta-na-quarta-colonia Tue, 14 Apr 2026 23:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72438 Uma mulher branca e morena veste uma camiseta preta com a inscrição “Cappa UFSM”. Ela segura fósseis paleontológicos com ambas as mãos. Ao fundo estão armários móveis, próprios para fins arquivísticos. A pesquisa sobre o fóssil da nova espécie de rincossauro foi desenvolvida como parte da dissertação de mestrado de Jeung Hee Schiefelbein (foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption] Paleontólogos da UFSM publicaram, na última terça-feira (14), um novo estudo no periódico científico Royal Society Open Science, no qual descrevem uma nova espécie com base em um crânio fóssil de aproximadamente 230 milhões de anos. O exemplar foi descoberto no município de Agudo, localizado no território do Geoparque Mundial Unesco Quarta Colônia, em um sítio fossilífero que já revelou alguns dos dinossauros mais antigos do mundo. A região central do Rio Grande do Sul tem sido palco de diversas descobertas paleontológicas, incluindo alguns dos dinossauros mais antigos do mundo, bem como uma ampla diversidade de répteis e outras criaturas pré-históricas. Entre os fósseis mais abundantes da região estão os rincossauros. Esses répteis quadrúpedes e herbívoros são caracterizados pela presença de um bico pontiagudo e por um aparato mastigatório único, composto por múltiplas fileiras de pequenos dentes utilizados para esmagar e processar vegetais. O estudo recém-publicado apresenta um novo rincossauro, denominado Isodapedon varzealis, que compartilha características com uma espécie europeia. A pesquisa foi desenvolvida como parte da dissertação de mestrado de Jeung Hee Schiefelbein, atual aluna de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob a orientação do paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller. Também participaram do estudo os alunos de doutorado do mesmo programa Maurício Silva Garcia e Mariana Doering. O achado – O crânio fóssil de Isodapedon varzealis foi escavado em um sítio fossilífero localizado no município de Agudo, em 2020. Posteriormente, o material foi cuidadosamente preparado no laboratório do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM, por meio de um processo que visa remover a rocha que envolve o fóssil. Por se tratar de um material frágil, foram utilizadas ferramentas delicadas, como bisturis e agulhas. Após a remoção do sedimento, as características anatômicas puderam ser analisadas em detalhe. [caption id="attachment_72440" align="alignleft" width="601"]A imagem mostra quatro figuras: um globo terrestre, com uma seta indicando o lugar da descoberta; uma foto dos fóssil encontrado, com setas indicando a órbita e o bico do crânio; uma ilustração do rincossauro em vida; e, ao seu lado, a silhueta de um homem, para efeito de comparação do tamanho. Com base no tamanho do crânio, estima-se que o indivíduo encontrado teria entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento (ilustração do animal em vida por Caio Fantini)[/caption] Os pesquisadores identificaram características incomuns em relação aos rincossauros conhecidos dessas camadas rochosas, indicando tratar-se de uma espécie ainda desconhecida. O material fóssil atribuído à espécie inclui um crânio parcial, no qual os maxilares e as mandíbulas se destacam pela morfologia incomum. Nos rincossauros, os dentes do maxilar estão organizados em duas ou mais “placas” divididas por uma fenda, geralmente formando partes bastante assimétricas entre si. No caso da nova espécie, as duas placas apresentam proporções mais simétricas. Dessa forma, a nova espécie foi denominada Isodapedon varzealis, em que “Isodapedon” significa “placas dentárias iguais”, em referência à simetria observada, e “varzealis” faz alusão ao local onde o fóssil foi encontrado, em Agudo, na região conhecida como “Várzea do Agudo”. Um réptil com “bico de papagaio” Com base no tamanho do crânio, estima-se que o indivíduo encontrado teria entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento. Como outros rincossauros, tratava-se de um animal quadrúpede e herbívoro. Seu crânio, amplo e de formato triangular, apresentava um bico pontiagudo, semelhante ao dos papagaios. Esse bico pode ter auxiliado tanto no corte de plantas quanto na escavação do solo em busca de raízes e tubérculos. No período em que Isodapedon varzealis viveu, há cerca de 230 milhões de anos, a espécie atuava como um consumidor primário no ecossistema. É provável que tenha sido presa de répteis maiores, incluindo formas aparentadas aos ancestrais de jacarés e crocodilos, além dos primeiros dinossauros. Como, até o momento, há registro de apenas um crânio da espécie, seu tamanho máximo ainda é incerto. No entanto, comparações com outros rincossauros sugerem que poderia atingir até cerca de 3 metros de comprimento, tornando-se uma presa consideravelmente mais difícil de capturar para a maioria dos carnívoros do sítio onde a nova espécie foi encontrada. Uma ponte entre Brasil e Europa Uma análise das relações de parentesco da nova espécie indicou que o animal possui fortes afinidades com Hyperodapedon gordoni, da Escócia. Esse parentesco, que à primeira vista pode parecer incomum, não é tão improvável. De fato, outra espécie proveniente do mesmo sítio fossilífero de Isodapedon varzealis, o precursor de jacarés e crocodilos Dynamosuchus collisensis, também apresenta um parente próximo registrado em camadas da Escócia. [caption id="attachment_72441" align="alignright" width="664"]A ilustração mostra como seria a aparência do Isodapedon varzealis em vida. O rincossauro aparece ao centro da imagem, em primeiro plano; à direita, em segundo plano, aparecem outros dois rincossauros; mais ao fundo, na parte de cima da imagem, está um antepassado dos jacarés e crocodilos, o qual seria um provável predador dos rincossauros. A paisagem é constituída por um curso d’água, em cujas margens se encontra uma escassa vegetação rasteira. Em primeiro plano na imagem, um rincossauro da espécie Isodapedon varzealis em uma paisagem há 230 milhões de anos (ilustração: Caio Fantini)[/caption] Essa distribuição pode ser explicada pelo fato de que, há cerca de 230 milhões de anos, durante o Período Triássico, os continentes estavam unidos, formando a Pangeia. Essa configuração permitia que as faunas de diferentes regiões do planeta se dispersassem por amplas áreas do supercontinente. Dessa forma, a nova espécie reforça a ideia de que as faunas triássicas da América do Sul compartilhavam componentes semelhantes com as faunas da Europa da mesma época. Diversidade de rincossauros no Brasil Além de um registro fóssil bastante abundante, os rincossauros descobertos no Brasil também demonstram que o grupo foi altamente diverso em termos de número de espécies. Isodapedon varzealis eleva para seis o total de espécies conhecidas de rincossauros no Triássico brasileiro. No entanto, essas seis espécies não coexistiram integralmente, já que algumas viveram em momentos distintos, separados por milhões de anos. Ainda assim, a nova espécie provém de camadas nas quais outras três já foram registradas, indicando que o grupo atingiu um pico de diversidade justamente em um período marcado pelo surgimento e diversificação de outros grupos, como os dinossauros. Essa coexistência de múltiplas espécies de rincossauros pode ser explicada pela adoção de diferentes estratégias alimentares. É possível que cada espécie tenha se especializado no consumo de tipos distintos de vegetação, o que ajudaria a explicar as variações no aparato mastigatório. Esse cenário reforça a importância dos rincossauros como consumidores primários nos ecossistemas que testemunharam a origem e a diversificação inicial dos dinossauros. Centro de Pesquisa Paleontológica da UFSM O fóssil de Isodapedon varzealis está tombado no acervo científico do Cappa/UFSM, localizado no município de São João do Polêsine. O centro integra o Geoparque Quarta Colônia Unesco e abriga uma importante coleção de fósseis do Triássico brasileiro, além de manter uma exposição aberta a visitação gratuita. O estudo foi conduzido por Jeung Hee Schiefelbein, Maurício Silva Garcia, Mariana Doering e Rodrigo Temp Müller. A pesquisa recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (INCT) Paleovert. O acesso livre e gratuito ao artigo científico foi viabilizado pela Capes. Texto: Cappa/UFSM]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/14/progredir_pm Tue, 14 Apr 2026 20:36:16 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72472

Quando a pandemia da Covid-19 se espalhou por todo o planeta, famílias tiveram de lidar com perdas, desemprego e incertezas. A insegurança quanto ao acesso à alimentação se agravou. Segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar, a insegurança alimentar aumentou 19% nos domicílios onde algum morador havia perdido o emprego no período pandêmico, o que elevou para 14,9 milhões de pessoas. 

A alimentação é um direito humano fundamental assegurado pelo Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e pelo Artigo 6º da Constituição Federal do Brasil, de 1988. Entre as iniciativas do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome para ampliar o acesso aos alimentos, está o Plano Progredir. A proposta é voltada às pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), que reúne dados de famílias de baixa renda que podem acessar programas sociais. Conforme a definição apresentada no site do Governo Federal, o Progredir “estimula a geração de emprego e renda, além de dar autonomia aos beneficiários de programas sociais. Também apoia o empreendedorismo e investir em qualificação profissional, disponibilizando centenas de cursos nas mais diversas áreas”. 

Em Palmeira das Missões, no Noroeste do Rio Grande do Sul, o Progredir contou, a partir de parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Prefeitura de Palmeira das Missões, com a oferta do curso de extensão Habilidades Culinárias. A iniciativa foi idealizada e desenvolvida pelas professoras do Departamento de Alimentos e Nutrição da UFSM campus de Palmeira das Missões, Maritiele Naissinger da Silva e Bruna Lago Tagliapietra. O curso teve início em 6 de outubro de 2025 e se estendeu por cinco semanas, com 15 horas práticas e 5 horas teóricas. “Inicialmente, a gente identificou uma lacuna através dos dados de que realmente tem a necessidade de desenvolver mais o município, pensando nessa parte de produção de alimentos”, explicou Bruna. 

O curso buscou “estimular a autonomia produtiva e o aperfeiçoamento de saberes culinários, favorecendo a atuação dos participantes em contextos diversos, como cozinhas domiciliares, comunitárias, feiras e empreendimentos familiares, ampliando suas possibilidades de inserção e qualificação no mercado de alimentos”. Assim, o principal intuito do curso foi possibilitar novas oportunidades de renda para participantes do CadÚnico. Ao todo, 21 pessoas frequentaram as aulas e 19 concluíram a capacitação. 

Ilustração colorida horizontal. No lado esquerdo, um bolo de milho acima de um prato branco, que, por sua vez, está disposto emuma mesa. Ao lado direito, em uma caderneta com mola, a lista dos ingredientes com suas figuras representativas: milho, açúcar, leite, óleo,

Os encontros no campus UFSM-PM

As aulas do curso de extensão em Habilidades Culinárias pelo Progredir Palmeira das Missões aconteceram no Laboratório de Técnica Dietética da UFSM-PM, das 13h30 às 18h. Cada aula abordou diferentes temas sobre os grupos alimentares. O primeiro encontro teve como tema as práticas adequadas e seguras na manipulação de alimentos, bem como o aproveitamento integral dos alimentos. Durante a aula, os alunos fizeram as seguintes receitas: bolo de abóbora com casca, bolo de casca de banana, bolinho de talos, folhas e cascas, hambúrguer de abobrinha, bolo salgado de legumes, flocos de mandioca, vitamina de banana e casquinha de laranja. No segundo encontro, os participantes produziram alimentos baseados em grãos e trabalharam com panificação. No terceiro, os estudantes aprenderam sobre lácteos e derivados. No quarto e último, as receitas incluíram cárneos, derivados e ovos. 

Ao início de cada aula, os 24 alunos eram separados por grupos e módulos. O laboratório possui seis bancadas, o que possibilitou o trabalho em módulos com quatro pessoas. Durante cada tarde, os grupos produziram de duas a três preparações diferentes. Na aula representada pela primeira fotografia, por exemplo, os participantes fizeram pão de forma integral, pão doce com frutas cristalizadas, pão de ervas finas, pão de farinha de milho, pão italiano com linguiça calabresa, pão econômico, biscoito amanteigado, crostata com creme de baunilha, bolo de maçã com nozes, bolo tradicional (pão de ló), cupcake de chocolate, bolacha colonial e pão de queijo. 

Ao fim das aulas, os alunos se reuniram e conversaram sobre os resultados obtidos, os aspectos técnicos relevantes, as possibilidades de substituição de ingredientes para formulações, as diferenças entre fermentos biológicos e químicos, e importância da qualidade e do tipo de farinha.

Foto colorida vertical de um grupo de pessoas sentadas em bancos e atrás de bancadas. O grupo veste aventais brancos e azuis escuros com todas brancas. Todos estão sentados atrás de uma mesa com vários alimentos dispostos, como queijo, biscoitos e molhos
Um dos temas das aulas foi produtos lácteos e derivados
Foto colorida vertical de grupo de pessoas uniformizadas com aventais brancos e azuis, bem como todas brancas. Todos estão atrás de uma mesa com alimentos dispostos, como pães, pães recheados salgados e bolos doces
Curso de habilidades culinárias teve aula sobre grãos e panificação

Parceria com o Município 

De acordo com as professoras, a Prefeitura de Palmeira das Missões foi fundamental para que a capacitação fosse realizada. “A gente só conseguiu viabilizar o curso, pela dificuldade de aquisição de alimentos, porque o campus e a Prefeitura nos ajudaram. A Prefeitura também organizou o transporte para que eles viessem. A divulgação do curso também foi em parceria com a Prefeitura e ela também deu os uniformes para os participantes”, contou Maritiele. 

 

Em busca de uma alimentação com mais qualidade 

Mais que incentivar a busca de uma renda extra, as professoras acreditam que o curso pode ajudar os participantes a se alimentarem melhor. “Ajuda a diminuir o consumo de processados. No curso, a gente não usa nada de conservante ou corante. Então, as pessoas entendem que aquilo ali é um alimento menos processado, mas que não quer dizer que é saudável”,  exemplificou Maritiele. 

Além disso, as professoras mostraram como utilizar mais partes dos alimentos, para evitar o desperdício. “Fizemos preparações com aproveitamento integral dos alimentos. Então, o uso de casca, talo, semente”, lembrou Maritiele.

Ainda não há previsão para realizar o curso novamente, já que a iniciativa depende dos recursos do Programa Progredir. As professoras estão desenvolvendo outros projetos que envolvem alimentos e extensão. Mais do que apresentar novos meios de comércio, o Habilidades Culinárias é um modo de luta contra a insegurança alimentar. 

Viabilidade de mercado

Antes de produzir um alimento para comercialização, é importante identificar  aspectos relacionados tanto à viabilidade de mercado quanto à segurança dos alimentos produzidos. A professora Maritiele Naissinger da Silva apresenta quatro perguntas associadas aos tópicos fundamentais para avaliar antes do início da produção. 

  • Meu produto tem saída? 
  • O que está faltando no mercado? 
  • Quem é meu cliente? 
  • O que meu cliente procura?

Os questionamentos acima são pontos importantes a se ponderar, já que é necessário escutar o consumidor antes de investir na produção de algo. Sem venda não há lucro. 

Boas Práticas de Manipulação de Alimentos

Após avaliar se o seu produto terá venda, o produtor deve estar atento à segurança dos alimentos com as Boas Práticas de Manipulação. A professora Martiele recomenda a  leitura da Cartilha de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, do Governo Federal, e aponta os itens a seguir como prioritários: 

  1. Higiene pessoal do manipulador
  • Utilize touca durante toda a manipulação;
  • Mantenha as unhas curtas, limpas e sem esmalte;
  • Não use adornos: brincos, anéis, pulseiras, relógios e outros;
  • Higienize frequentemente de forma adequada as mãos, especialmente ao iniciar ou retomar a produção;
  1. Higiene do ambiente, utensílios e equipamentos
  • Mantenha as superfícies limpas e organizadas;
  • Limpe utensílios, equipamentos e móveis de maneira adequada;
  • Controle o fluxo de produção para evitar contaminações. Exemplo: não cruze lixo no momento da produção e não manuseie alimentos crus na mesma bancada enquanto manipula alimentos prontos);
  1. Controle de tempo e temperatura
  • Armazene os alimentos refrigerados até 5°C;
  • Armazene os alimentos congelados em -18°C ou menos;
  • Garanta cocção adequada, com temperaturas mínimas de 70°C no interior dos alimentos;
  • Monitore as condições de armazenamento ao longo de toda a produção;
  1. Prevenção da contaminação cruzada
  • Separe alimentos crus dos alimentos prontos para consumo;
  • Armazene as matérias-primas em recipientes limpos e fechados;
  • Organize o fluxo de preparo, evitando contato entre diferentes etapas;
  1. Armazenamento e transporte
  • Utilize embalagens adequadas, limpas e bem vedadas;
  • Proteja dos alimentos contra contaminações externas;
  • Garanta as condições adequadas de higiene e temperatura durante o transporte;
  1. Rotulagem dos produtos
  • Inclua as informações mínimas: nome do produto, data de produção, lista de ingredientes e identificação da origem;
  • Disponibilize o contato do produtor na embalagem. 
  1. Prazo de validade
  • Adote prazos reduzidos, considerando a ausência de análises laboratoriais;
  • Recomenda-se, em muitos casos, consumo em até um dia, dependendo do tipo de alimento ;
  • Produza em pequenas quantidades e com maior frequência, para garantir maior frescor e reduzir perdas;
  • Exemplo de rotulagem
    “Bolo de cenoura com cobertura de chocolate
    Produzido em: 05/04/2026
    Ingredientes: farinha de trigo, açúcar, cenoura, ovos, óleo e achocolatado
    Produzido em Rua Centro nº 00, Palmeira das Missões/RS, contato (55) 9999999”;

Texto: Jessica Mocellin, bolsista da Agência de Notícias e acadêmica de Jornalismo 

Ilustração: Pyetra Kupke Dorneles, estagiária da Agência de Notícias e acadêmica de Desenho Industrial, sob a supervisão de Daniel Michelon De Carli 

Fotos: Laboratório de Técnica Dietética/UFSM-PM

Edição: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/13/acoes-de-enriquecimento-ambiental-mobilizam-estudantes-de-zootecnia-em-visita-a-zoologico-de-cachoeira-do-sul Mon, 13 Apr 2026 13:18:10 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72449 [caption id="attachment_72451" align="alignright" width="601"] Turma de Zootecnia faz um tour guiado pelo zoológico[/caption]

No centro da cidade de Cachoeira do Sul, há um refúgio fora da vida urbana. O Jardim Botânico e Zoológico Municipal é um espaço para respirar fundo e observar a vida que exala por ali. Foi nesse cenário que, na última quinta-feira (09), estudantes do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) desenvolveram ações de enriquecimento ambiental voltadas à melhoria do bem-estar dos animais.

Cerca de 20 alunos participaram de um minicurso ministrado pela zootecnista egressa da UFSM Silvia Mendes. Ao longo do dia, os estudantes observaram os animais, identificaram possibilidades de melhoria nos viveiros e desenvolveram estratégias de enriquecimento ambiental. “O enriquecimento ambiental é proporcionar ao animal a opção de escolha. Quando ele está na natureza, tem um repertório comportamental amplo: pode caçar, ficar em ócio, dormir, percorrer grandes distâncias. Em cativeiro, essas opções são reduzidas, o que pode gerar estresse, estereotipias, que são comportamentos repetitivos, ou mutilações”, explicou Silvia.

Segundo a zootecnista, existem cinco tipos de enriquecimento ambiental: alimentar, físico, sensorial, cognitivo e social. As atividades desenvolvidas pelos alunos envolveram principalmente o uso de materiais naturais, como cipós, taquaras e galhos, transformados em estruturas e “brinquedos” para os animais, de materiais naturais e duráveis, que podem ser mordidos e roídos.

Durante a manhã, os estudantes participaram de um tour guiado pelo zoológico para observar os recintos e levantar demandas. À tarde, colocaram em prática as soluções propostas, instalando os itens produzidos nos viveiros e acompanhando a interação dos animais.

A iniciativa também evidenciou uma lacuna na formação acadêmica. A estudante Kethen Machado destacou o aprendizado proporcionado pela atividade, já que não é uma disciplina disponível no curso de Zootecnia. “Estamos gostando muito dessa parte de fazer brinquedos para os animais”, afirmou. Silvia reitera a importância dessa experiência. “Há uma falta de disciplinas obrigatórias voltadas aos animais silvestres. Os alunos se interessam muito pelo tema, mas nem sempre se sentem pertencentes a essa área”, ressaltou Silvia.

A turma recolheu cipós para desenvolver o enriquecimento ambiental
Item de enriquecimento ambiental produzido com cipó

Formação e novos projetos

[caption id="attachment_72454" align="alignright" width="405"] Alunos posicionaram itens de enriquecimento ambiental nos viveiros. (Foto: arquivo pessoal de Silvia Mendes)[/caption]

A experiência no zoológico também marca o início de uma articulação mais ampla entre ensino, pesquisa e extensão. Gerson Garcia é o coordenador do curso de Zootecnia e contou que a ideia de visitar o zoológico de Cachoeira do Sul surgiu a partir de uma palestra que Silvia deu durante sua aula. “Nós identificamos que é um mercado a ser explorado. A Silvia é uma pioneira na zootecnia de silvestres”, explicou Gerson.

A partir da atividade, está sendo estruturado um núcleo de pesquisa em animais silvestres, com participação de estudantes de Zootecnia. “Nós criamos um núcleo de pesquisa em animais silvestres que vai atuar diretamente no Zoológico de Cachoeira do Sul. Estamos fortalecendo esse vínculo e construindo uma nova frente dentro da zootecnia”, explicou Silvia Mendes. Segundo ela, a proposta é ampliar as ações e consolidar uma linha de atuação contínua na área. “É só o começo”, afirmou.

A mobilização dos estudantes também chamou a atenção de outras áreas. De acordo com Luiza Comin, do Diretório Acadêmico da Zootecnia Octavio Domingues, há interesse de alunos de outros cursos em participar das próximas edições da atividade. “Posteriormente, vamos trazer estudantes de outras áreas. Vemos que o pessoal está muito animado e engajado, eles tinham muita vontade de estar aqui, por isso estão  colocando a mão na massa”, destacou.

Na parte da tarde, o grupo fez a instalação dos materiais produzidos e os animais já começaram a interagir com as peças.

http://youtu.be/e-IY5Bs2Gko

Espaço de acolhimento e reabilitação da fauna

Localizado na região central de Cachoeira do Sul, o Jardim Botânico e Zoológico Municipal funciona como espaço de conservação, educação ambiental e reabilitação de animais silvestres. O local abriga cerca de 260 animais, entre aves, répteis e mamíferos, distribuídos em 63 espécies nativas e exóticas.

De acordo com o biólogo Juliano de Carvalho, chefe do zoológico, a maioria dos animais chega ao local por meio de ações de fiscalização de órgãos ambientais, como a Polícia Ambiental e o Segundo Batalhão Ambiental da Brigada Militar. “Os animais apreendidos são encaminhados para avaliação. Quando estão em condições, são reintroduzidos na natureza. Aqueles que não conseguem se recuperar permanecem sob nossos cuidados”, explicou.

O espaço também recebe apoio de instituições como a Divisão de Fauna da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e o Ibama, além de acolher animais resgatados pela comunidade.

Criado em 13 de dezembro de 1986, a partir de uma iniciativa do médico veterinário Edson Salomão, o zoológico completa 40 anos de atuação em 2026.

Serviço

O Jardim Botânico e Zoológico Municipal de Cachoeira do Sul está aberto de terça a domingo, incluindo feriados.

De terça a sexta-feira, o funcionamento é das 8h30 às 17h30, com fechamento ao meio-dia.
Aos finais de semana, o espaço funciona das 9h às 17h, sem interrupção ao meio-dia.

Texto: Jessica Mocellin, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotografias: Mathias Ilnicki, acadêmico de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/07/inauguracao-de-lab-commerce-fortalece-empreendimentos-incubados-no-hub-de-inovacao-social Tue, 07 Apr 2026 22:16:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72395 A foto mostra uma mulher morena com cabelos grisalhos, que vete uma camisa com estampa flores e fundo escuro. Ela está postada à frente de uma estante na qual estão em exposição artigos com decoração de camuflagem militar. Uma das participantes do Lab Commerce é a artesã Juraci Terezinha. Em seu empreendimento, ela reutiliza faradas militares para a confecção de bolsas e mochilas, entre outros artigos[/caption]

O Hub de Inovação Social da UFSM (Hub IS) inaugurou nesta terça-feira (7) o Lab Commerce, uma sala voltada à comercialização, qualificação e apoio ao desenvolvimento de empreendimentos com impacto social. O espaço está localizado no terceiro andar do Complexo Multicultural da Antiga Reitoria.

A cerimônia de inauguração foi realizada na sala do Hub de Inovação Social e contou com a presença de representantes da universidade e do projeto, incluindo o chefe do Hub IS, Lucas Ávila, a arquiteta responsável pelo projeto, Raiane Pires Tólio, a coordenadora de Cidadania, Cassiana Marques da Silva, representando a Pró-Reitoria de Extensão (PRE), e a reitora da UFSM, Martha Adaime. Após as falas de abertura, foi realizado o descerramento da placa inaugural, conduzido pela reitora, pelo chefe do Hub e pela arquiteta, seguido de uma visita guiada ao espaço.

Entre os empreendimentos já presentes no Lab Commerce está o trabalho da artesã Juraci Terezinha, do “Mimos e Artesanato da Jura”, que produz peças a partir da reutilização de fardas militares e tecidos descartados. A iniciativa alia sustentabilidade e geração de renda, e encontra no novo espaço uma oportunidade de fortalecimento e crescimento. “Essas salas vão ajudar muito na valorização do nosso trabalho. Agora temos um espaço mais estruturado para vender nossos produtos, além das feiras que acontecem na frente do prédio”, afirma.

Ela também destaca a trajetória junto ao Hub de Inovação Social e o impacto das oficinas e formações oferecidas aos empreendimentos incubados. “As oficinas sobre finanças, precificação, divulgação e tudo que eu aprendi aqui com o Hub já nos ajudaram muito, e agora com o Lab Commerce vai melhorar ainda mais”, comenta a artesã.

Fortalecimento do comércio social e da autonomia

[caption id="attachment_72398" align="alignleft" width="630"]No centro da foto, está uma mulher branca de cabelos brancos, que veste uma blusa de cor rosa avermelhada, sobre uma camisa preta de gola rolê. Ela aparece de perfil, em frente a uma mesa com petiscos variados. Com uma espátula na mão, ela corta pedaços de bolo. Participante do Lab Commerce, Ana Júlia Maciel aproveitou a inauguração do espaço para proporcionar ao público a degustação dos produtos do empreendimento, que se chama “Delícias da Ana Gourmet”[/caption]

O Lab Commerce surge como um ambiente estruturado de comercialização, experimentação e qualificação, vinculado ao Hub de Inovação Social e às ações de extensão da UFSM. A iniciativa foi criada a partir da demanda crescente por suporte técnico nas áreas de vendas, posicionamento de mercado e geração de renda entre os empreendimentos incubados.

O chefe do Hub IS, Lucas Ávila, destaca que o objetivo central do laboratório é fortalecer a autonomia e a sustentabilidade econômica dessas iniciativas oferecendo suporte técnico e oportunidades de inserção no mercado.

Na prática, o laboratório funciona como um ambiente integrado de desenvolvimento, no qual os empreendimentos passam por etapas de diagnóstico, qualificação e experimentação. O espaço permite desde a organização e exposição de produtos até a realização de testes de mercado e interação direta com consumidores. Além da estrutura física, o Lab Commerce oferece capacitações em gestão e comercialização, apoio na construção de modelos de negócio, orientação em precificação e branding, além de suporte para participação em feiras e eventos. A proposta é contribuir para a profissionalização das iniciativas e ampliar sua presença no mercado.

O diferencial do Lab Commerce está no seu foco em comércio social e inclusão produtiva, articulando inovação com impacto social de forma aplicada. Diferentemente de espaços tradicionais de empreendedorismo, que muitas vezes priorizam escalabilidade e retorno financeiro, o Lab valoriza iniciativas com propósito social, promovendo capacitação prática, acompanhamento contínuo e conexão com redes locais. Conforme destaca Lucas Ávila, o laboratório atua diretamente no fortalecimento da sustentabilidade econômica e da autonomia dos empreendimentos, ao qualificar suas estratégias comerciais, ampliar o acesso a mercados e potencializar a geração de valor. Trata-se, portanto, de um modelo orientado ao território, sensível às realidades sociais e voltado à promoção de impacto sustentável e ao desenvolvimento local.

Integração com a comunidade e impacto social

[caption id="attachment_72399" align="alignright" width="630"]A foto mostra uma estante na qual estão expostos peças de vestuário, pochetes e colares. Peças de vestuário, pochetes e colares também estão à venda no Lab Commerce[/caption]

A coordenadora de Cidadania, Cassiana Marques da Silva, destaca o papel do Lab Commerce na promoção da inclusão produtiva e na aproximação entre universidade e comunidade. “Esse novo espaço fortalece a inclusão produtiva e a geração de renda, além de aproximar a universidade da comunidade”, afirma.

A reitora da UFSM, Martha Adaime, enfatizou o caráter estratégico da iniciativa para a instituição e para a região. “Esse espaço reforça o papel da universidade como agente de transformação social e contribui diretamente para o desenvolvimento da sociedade”, afirma. Martha também cita que a criação do Lab Commerce está alinhada à proposta de integrar ensino, pesquisa e extensão em ações que gerem impacto concreto na comunidade.

Outro empreendimento já presente é “Delícias da Ana Gourmet”, de Ana Júlia Maciel, que utilizou o evento de inauguração para expor seus produtos alimentícios no coffee break. “É uma oportunidade de mostrar nossos produtos para mais pessoas e dar mais visibilidade ao nosso trabalho”, comenta.

Assim como outras iniciativas incubadas, o negócio participa das ações do Hub de Inovação Social, que incluem acompanhamento técnico, mentorias e capacitações. Com a estrutura do Lab Commerce, essas iniciativas passam a contar com um espaço permanente de comercialização e experimentação.

Inicialmente, o laboratório atende prioritariamente empreendimentos incubados, com acesso por meio de editais e programas vinculados ao Hub IS e à Incubadora Social. A expectativa é ampliar gradualmente o alcance para outros públicos e fortalecer parcerias com a comunidade externa.

Estrutura pensada para os empreendimentos

[caption id="attachment_72400" align="alignleft" width="630"]Várias pessoas circulam pelo Lab Commerce e Hub de Inovação Social. Os produtos expostos receberam a atenção do público que compareceu à inauguração[/caption]

O espaço foi projetado pela arquiteta Raiane Pires Tólio, com foco nas necessidades dos empreendedores atendidos pelo Hub de Inovação Social. “O Lab foi pensado para atender às necessidades de comercialização dos empreendedores e para ser adaptável a cada produto”, explica.

O espaço do Lab Commerce conta com mobiliário desenvolvido pela marcenaria da UFSM, além de peças reutilizadas de outros ambientes do prédio da Antiga Reitoria, reforçando também a proposta de sustentabilidade.

Estantes, expositores e cabideiros organizam os produtos das iniciativas incubadas, criando um ambiente funcional e acessível tanto para os empreendedores quanto para o público. Durante a visita guiada, foi possível observar produtos já expostos nas salas do espaço, incluindo itens de gastronomia, artesanato e vestimenta.

Perspectivas de expansão

A criação do Lab Commerce integra uma estratégia mais ampla da UFSM voltada à inovação social e ao desenvolvimento territorial. O espaço atua como um elo entre produção, mercado e comunidade, incentivando práticas comerciais mais sustentáveis e promovendo a autonomia dos empreendimentos. Entre as perspectivas futuras, está a ampliação das atividades e o desenvolvimento de novas frentes, como soluções voltadas ao comércio digital, ampliando o alcance das iniciativas apoiadas.

Texto e fotos: Gabriele Mendes, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias

Edição: Lucas Casali

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/07/horta-urbana-auxilia-no-enfrentamento-da-inseguranca-alimentar Tue, 07 Apr 2026 17:02:46 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72215 Foto horizontal colorida de uma área de cultivo em uma horta. No centro da imagem há um canteiro coberto por uma estrutura arqueada com tecido agrícola cinza, utilizado para proteger as plantas. Ao redor do canteiro, crescem diversas plantas, incluindo pés de milho com folhas verdes altas. Ao fundo, aparecem mais áreas de plantio, vegetação e algumas casas do bairro. O céu está nublado.
Horta urbana em atividade desde 2018 já chegou a reunir 20 famílias na produção

Com um sorriso no rosto e um jeito calmo de falar, Luiz Antônio Loreto, 52 anos, nos recebe entre os canteiros da horta agroecológica comunitária Neide Vaz,  localizada no loteamento Dom Ivo Lorscheiter, no bairro João Luiz Pozzobon. Mestre Militar, como é conhecido, guia nossa reportagem entre os canteiros em fase de replantio, depois de um verão quente que prejudicou a produção. “Aqui era um depósito de lixo”, conta enquanto nos mostra quais tipos de alimentos são plantados ali.

Alface, milho, couve, temperos e ervas medicinais estão entre os itens produzidos sem o uso de agrotóxicos na horta. Desde 2018, o espaço tem sido uma alternativa para os moradores terem acesso a alimentos frescos e saudáveis. Além disso, a iniciativa contribui para a geração de renda, já que o excedente é vendido entre os vizinhos. 

A horta quebra a paisagem da região, composta por 578 casas de porta e janela, de 39,8 metros quadrados cada. O loteamento tem poucas árvores em suas ruas principais. Construídas entre 2013 e 2015, com recursos do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal em parceria com a Prefeitura de Santa Maria, as moradias foram entregues por meio de sorteio para pessoas em vulnerabilidade social. 

Já a área de plantio surgiu por iniciativa dos moradores da comunidade, ligada a um projeto social de capoeira existente no bairro. “Nós estávamos em uma reunião, logo depois de assumirmos a associação comunitária. Naquele dia estava presente a irmã Lourdes Dill - coordenadora, na época, do Projeto Esperança/Cooesperança - , que nos apresentou ao Juarez, que é da UFSM”, conta. Com isso, a horta começou a receber auxílio técnico do programa de extensão “Hortas Comunitárias em Santa Maria - Segurança alimentar e economia solidária”, coordenado pelo zootecnista Juarez Felisberto, da UFSM. 

Militar nos apresenta Isabel Soares, empregada doméstica de 57 anos, nova integrante da Neide Vaz. Natural de Arroio do Sol, ela conta que está ansiosa para cultivar seu primeiro canteiro: “como a gente compra tudo no mercado, para nós vai ser uma vantagem muito boa. E outra coisa é que aqui não tem esses produtos com veneno. Direto daqui para casa, vai ser bem melhor”, afirma. 

Ao todo, são 17 canteiros divididos entre as dez famílias que cultivam no local. Cada canteiro é cuidado por uma família ou morador. E quando alguém da comunidade tem interesse, pode solicitar um espaço para o plantio. Durante a pandemia de Covid-19, a horta chegou a ter cerca de 20 famílias cultivando. 

 

Foto vertical colorida de um homem negro, de meia-idade e sorrindo. A imagem o mostra do peito para cima e olhando para o lado direito. Ele tem cabelos curtos e grisalhos, usa uma camiseta branca com a inscrição “Capoeira Berimbau” e um emblema colorido no peito. No pescoço, utiliza um colar de contas escuras. Suas mãos aparecem à frente do corpo, como se estivesse gesticulando enquanto fala. Ao fundo, desfocado, há vegetação verde alta. O céu aparece nublado acima da paisagem.
Luiz Antônio Loreto, conhecido como Mestre Militar, foi um dos fundadores da horta e atualmente é presidente da associação de moradores.

Mudança que se percebe no prato 

Mais do que garantir alimentos frescos, a horta Neide Vaz ajuda a mudar hábitos da comunidade. Segundo o Mestre Militar, muitas crianças do bairro João Luiz Pozzobon tinham uma alimentação baseada em produtos industrializados. “No começo, era muito macarrão instantâneo e salsicha. Verdura quase não entrava no prato das crianças”, lembra da realidade que tem se modificado. 

No local do empreendimento agroecológico, também funciona uma cozinha solidária semanal, que distribui refeições para moradores da comunidade e de bairros próximos, sempre utilizando alimentos que foram produzidos ali mesmo. 

A experiência da horta Neide Vaz não é um caso isolado. Em Santa Maria, iniciativas semelhantes de agricultura urbana têm crescido como alternativa para ampliar o acesso da população a alimentos de qualidade. Atualmente são quatro hortas comunitárias em atividade na cidade e outras três em processo de implementação. 

De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Marcelo Dalla Corte, Santa Maria foi selecionada como um dos municípios prioritários para a implementação do projeto Horta Mais Comunitária, devido aos indicadores de vulnerabilidade socioeconômica. No município, o projeto prevê a criação de duas novas hortas urbanas, que serão construídas nos bairros Nova Santa Marta e Carolina.

Mapa ilustrado da cidade de Santa Maria, em tons claros de bege e marrom, mostrando ruas e bairros da área urbana. No topo da imagem está o título “Hortas urbanas em atividade em Santa Maria”. Sobre o mapa são destacados quatro locais onde existem hortas urbanas. Cada horta aparece identificada por placas de madeira ilustradas com a palavra “horta”, acompanhadas de desenhos coloridos de alimentos como milho, cenoura, berinjela, tomate e alface. A primeira placa, em vermelho, está situada ao noroeste, e está identificada como sendo a Horta da Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM). No Oeste, uma placa verde indica a Horta Cipriano da Rocha, no bairro Pinheiro Machado. No Leste, duas placas situadas no bairro Diácono João Luíz Pozzobon. A primeira, em roxo, sinaliza a Horta Renova Vidas. A segunda, em laranja, aponta onde fica a Horta Neide Vaz.

Do campo à cidade 

De acordo com o Relatório Mundial de Cidades de 2022, da Organização das Nações Unidas (ONU), 68% da população mundial residirá em áreas urbanas até 2050. A projeção para o Brasil é de que a urbanização chegue a 92% para o mesmo período. Em 2022, esse percentual era de 87%, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Há cerca de 50 anos, menos de 60% das pessoas viviam nas cidades no Brasil. Hoje já temos quase 90% da população vivendo em áreas urbanas", destaca a professora e pesquisadora Rita Pauli, coordenadora do Grupo de Trabalho em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (GT-SSAN) da UFSM, sobre o processo de urbanização brasileira. 

A professora alerta que, com apenas 10% da população vivendo no campo, não é mais possível que a produção de alimentos fique concentrada em áreas rurais. “A agricultura urbana é essencial por diferentes fatores, principalmente pela preocupação com a segurança alimentar”, complementa. Conforme a prefeitura de Santa Maria, cerca de 11% da população da cidade sofre com algum nível de insegurança alimentar, seja ela leve, moderada ou grave, o que representa 29.835 pessoas, segundo levantamento de 2023.  

Rita defende que, além de combater a insegurança alimentar, é necessário pensar em segurança nutricional. “Não adianta ser qualquer tipo de alimento. É preciso que sejam saudáveis. Por isso a importância das hortas urbanas nesse contexto”, aponta. Segundo ela, a agricultura urbana também pode contribuir para a inclusão social e para melhorar a renda de famílias em vulnerabilidade. .

A primeira está situada ao noroeste, e está identificada com uma placa vermelha como sendo a Horta da Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM). No Oeste, uma placa verde indica a Horta Cipriano da Rocha, no bairro Pinheiro Machado. Ao Sul, uma placa em roxo sinaliza a Horta Renova Vidas, no bairro Diácono João Luiz Pozzobon. E, ao Leste, uma placa em laranja aponta onde fica a Horta Neide Vaz, no bairro Dom Ivo Lorscheiter.

Uma barreira contra os ultraprocessados 

No bairro João Luiz Pozzobon, a horta tem se tornado uma espécie de barreira contra o avanço do consumo de ultraprocessados, formulações industriais feitas de substâncias extraídas de alimentos, como óleos, gorduras, açúcar e proteínas. Os ultraprocessados contém pouco ou nenhum alimento inteiro. Em geral, são considerados prejudiciais à saúde por serem pobres nutrientes e ricos em gorduras saturadas e trans, açúcares, sódio e aditivos. Entre os exemplos estão os pratos prontos industrializados, os embutidos, os cereais matinais, as bolachas, os salgadinhos, os refrigerantes, os energéticos, os sucos de caixinha, os fast foods, os sorvetes, as barras de cereais e os molhos prontos. 

De acordo com o professor e pesquisador da área de Geografia da Alimentação, Cleder Fontana, as pessoas que vivem nas cidades estão com uma rotina cada vez mais corrida e, por isso, acabam recorrendo a ultraprocessados por praticidade.     

Além disso, o professor acredita que a publicidade voltada aos ultraprocessados acaba influenciando as pessoas a ingerirem esse tipo de alimento. De acordo com dados publicados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) na revista inglesa Lancet, a participação de ultraprocessados na alimentação dos brasileiros mais que dobrou desde os anos 1980, passando de 10% para 23%. “As pessoas cada vez mais tem se tornado reféns daquilo que a mídia propaga e acabam consumindo alimentos prejudiciais para sua própria saúde”, salienta.  

No entanto, Cleder acredita que esse cenário pode se reverter. “As hortas têm um papel pedagógico, sobretudo para pessoas que já não têm mais uma convivência no dia a dia com a agricultura e não sabem como se produz um alimento. Produzir envolve muitos conhecimentos, desde a fertilidade do solo, as épocas do ano para plantio e o tempo entre plantar, o desenvolvimento da planta e a colheita”, elucida.

Para o pesquisador, as hortas comunitárias são uma barreira visível para o avanço dos ultraprocessados na alimentação dos brasileiros e um aliado na segurança alimentar. “Essas iniciativas podem auxiliar as pessoas a comerem menos alimentos ultraprocessados e a terem uma maior soberania alimentar, principalmente nas áreas periféricas, onde o poder aquisitivo é menor”, contextualiza o geógrafo. 

Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário da Agência de Notícias

Fotos: Jessica Mocelin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Artes gráficas: Daniel Michelon De Carli, designer

Edição: Maurício Dias, jornalista

Foto horizontal colorida de um cacho de frutas verdes pendendo de um galho de árvore. As frutas têm formato arredondado, semelhantes a laranjas ou limões ainda verdes. Elas estão agrupadas no centro da imagem e cercadas por folhas alongadas de cor verde. O fundo aparece desfocado.
Devido ao verão rigoroso, produção em 2025 gerou pouco itens, como frutos cítrícos
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/01/radios-da-ufsm-celebram-os-60-anos-da-orquestra-sinfonica-de-santa-maria-com-programacao-especial Wed, 01 Apr 2026 21:49:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72367 As emissoras UniFM 107.9 e Universidade 800 AM promovem, ao longo do mês de abril, uma programação especial em homenagem aos 60 anos da Orquestra Sinfônica de Santa Maria. A iniciativa reúne transmissão de concerto, entrevistas, documentário e edições temáticas de programas, destacando diferentes momentos da trajetória da orquestra e sua contribuição para a formação cultural da região. 

Com uma programação que articula memória, difusão musical e valorização institucional, as emissoras ampliam o acesso do público à música de concerto e às histórias que marcaram a consolidação da orquestra ao longo de seis décadas. A programação especial inclui:

Entrevistas no Fazendo Arte

De 6 a 10 de abril, o programa Fazendo Arte, que vai ao ar às 11h na UniFM 107.9, apresenta uma série de entrevistas com integrantes da atual equipe da Orquestra Sinfônica de Santa Maria. As conversas conduzidas pela apresentadora Rejane Miranda abordam a atuação artística e o papel da orquestra na cena cultural. 

Selo criado em homenagem aos 60 anos da orquestra.Documentário especial

No dia 7 de abril, data do concerto comemorativo aos 60 anos da Orquestra Sinfônica de Santa Maria, as rádios apresentam um documentário especial produzido por Roberto Montagner, com depoimentos de regentes históricos e instrumentistas da orquestra, resgatados de entrevistas realizadas em 2006. O material revisita momentos marcantes da trajetória da Orquestra Sinfônica e reúne diferentes perspectivas sobre sua história. 

Vai ao ar no programa Redação Aberta, da Universidade 800 AM, entre 7h e 9h. Na UniFM 107.9, o material também integra o programa Fazendo Arte, entre 11h e 12h. 

Transmissão do concerto comemorativo 

O concerto especial de 60 anos da Orquestra Sinfônica de Santa Maria será transmitido ao vivo pelas duas emissoras, diretamente do Centro de Convenções da UFSM no dia 7 de abril, às 20h. 

Sala de Concertos: edições especiais de abril 

O programa Sala de Concertos é apresentado aos sábados, às 20h, na UniFM 107.9, e aos domingos, às 20h, na Universidade 800 AM, com produção e apresentação de Roberto Montagner. 

Durante o mês de abril, o programa vai apresentar, em todas as suas edições, obras executadas pela Orquestra Sinfônica de Santa Maria, celebrando seus 60 anos de fundação. Abaixo, a programação prevista para cada fim de semana: 

Dias 4 e 5 de abril 

- “Preciosa”, de Von Weber, e “Poeta e Camponês”, de Franz Von Suppé, sob a regência de Enio Guerra;

- Da suíte “Três Cantos Poéticos”, de Casimiro de Abreu: “Canto Seresteiro”, sob a regência de Frederico Richter; 

- Da suíte “Israel”, de Benny Wolkoff: Allegro, Andante, Allegro Moderato, Lento e Allegro Vivo, sob a regência de Marco Antonio Penna;

- Abertura da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, de Gioachino Rossini, sob a regência de Leandro Faber;

- Abertura da ópera “As Vésperas Sicilianas”, de Giuseppe Verdi, sob a regência de Frederico Richter.

Dias 11 e 12 de abril 

- Música-tema do filme “O Senhor dos Anéis” (trilha sonora composta por Howard Shore), sob a regência de Enio Guerra;

- “Petite Symphonie”, de Charles Gounod, sob a regência de Tita Sartor.

Obras executadas pela Orquestra Sinfônica de Santa Maria, Coro de Câmara e Coral UFSM, pelos 50 anos da aula inaugural do curso de Música da UFSM, concerto realizado em 24 de maio de 2013, no Theatro Treze de Maio.

Dias 18 e 19 de abril 

- Concerto Abba Sinfônico, sob a regência de Tita Sartor, com Daiane Diniz (voz), Tiane Tambara (voz), Michel Wagner (teclado), Fabiano Ribeiro (guitarra e violão), Emerson Lopes 

(baixo) e Rodrigo Cunha (bateria). O arranjo é de Dilber Alonso;

- Concerto Farroupilha, sob regência de Tita Sartor, com as obras: “Um Bom Dia Meu Rio Grande” (de Tuny Brum e Carlos Omar Villela Gomes), “Ferro e Brasa” (de Beto Pires), “Tango Bolero” (de Fernando Ávila) e “Danças Gaúchas” (de Alfred Hulsberg), com participação de Tuny Brum, Fernando Ávila, Beto Pires, Juliana Pires e Matheus Lopes. Os arranjos são de Dilber Alonso e Felipe Kirst Adami.

- Da série Solistas da UFSM, “Concertino (Opus 107)”, de Cécile Chaminade, na regência de Tita Sartor. A solista é Marina Montero, na flauta.

Dias 25 e 26 de abril 

Concerto especial Gala Lírica, com trechos de óperas compostas por Rossini, Mozart, Verdi e Puccini, em uma sucessão de árias consagradas. O concerto também presta homenagem à cantora Laura Cirne de Souza, falecida em julho de 2022. Considerada santa-mariense de coração, viveu por muitos anos na cidade, tendo estudado no Colégio Centenário. Foi solista ao piano com a Orquestra Sinfônica de Santa Maria em 1974, sob regência de Frederico Richter. A partir de 1985, viveu por quase três décadas na Europa, apresentando-se em importantes teatros e consolidando seu nome entre os destaques da lírica brasileira.

Cantores convidados: Yasmini Vargas, Débora Freitas, Fernanda Fiorenza, João Ferreira, Alex Barbosa e Jefferson Aragão. 

Convidado especial: barítono Roberto Oliveira 

Maestro convidado: Cláudio Ribeiro

Valorização – Com essa programação especial, as Rádios da UFSM reforçam seu compromisso com a valorização da música de concerto, da memória cultural e da produção artística local, celebrando os 60 anos da Orquestra Sinfônica de Santa Maria e sua contribuição para a formação de públicos e para a vida cultural da região.

Os ouvintes também podem sintonizar as rádios da UFSM pela internet, no endereço 55bet-pro.com/radio. Outras informações sobre a programação de aniversário constam nas redes sociais da orquestra (Instagram e Facebook).

Texto: Núcleo de Rádio

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/01/saudade-e-o-amor-que-fica-homenagem-as-vitimas-do-acidente-com-estudantes-do-colegio-politecnico-aconteceu-nesta-quarta-feira-1 Wed, 01 Apr 2026 18:01:35 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72361 [caption id="attachment_72362" align="alignleft" width="422"] Cerimônia inter-religiosa marcou momento de reflexão[/caption]

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio do Colégio Politécnico, e a Associação das Vítimas do Acidente em Imigrante-RS (Avapi), realizaram, nesta quarta-feira (1º), uma cerimônia em homenagem às vítimas do acidente envolvendo estudantes do Curso Técnico em Paisagismo do Colégio Politécnico. A atividade ocorreu no auditório da unidade e marcou um ano da tragédia, ocorrida em 4 de abril de 2025, durante uma visita técnica ao cactário Horst, no município de Imigrante (RS), que resultou em sete mortes.

A cerimônia iniciou com um momento de reflexão e espiritualidade, reunindo representantes de diferentes religiões. Participaram Rosane Garcia da Silva, da Igreja Fraternidade Espírita Ramatiz e do Centro de Umbanda Ogum Beira Mar e Oxum; Pastora Thais de Almeida dos Santos Sena, representando a Igreja Metodista de Itararé; Pastor Fabrício Tavares do Amaral, representando a Igreja do Evangelho Quadrangular; e Padre Júnior Lago, representando a Igreja Católica, da Catedral Arquidiocese de Santa Maria.

Durante sua fala, o pastor Fabrício Tavares do Amaral, destacou a importância da memória coletiva. “É importante que agora possamos viver a vida através da memória daqueles que nos deixaram. O ontem é uma saudade, e o amanhã é um mistério. A saudade é o amor que fica”, afirmou.

A presidente da Avapi, Cristina Zanini Santana, também fez uma fala durante a homenagem. Em seu pronunciamento, ela relembrou o entusiasmo e a dedicação dos estudantes. “Não foi apenas um ônibus destruído, mas sonhos interrompidos, histórias silenciadas e sete vidas que jamais serão esquecidas”, disse.

Representando o Colégio Politécnico, o vice-diretor Moacir Bolzan também prestou homenagem às vítimas. A reitora da UFSM, Martha Adaime, destacou o compromisso institucional com a memória e o acolhimento. “Temos a missão de manter esse legado vivo. Que a UFSM seja, por meio desse memorial, um lugar de escuta ativa e de compromisso permanente com a dignidade da nossa história”, afirmou.

Memorial preserva lembrança das vítimas

[caption id="attachment_72363" align="alignright" width="510"] Flores simbolizam vítimas do acidente[/caption]

A cerimônia foi encerrada com a inauguração de um memorial construído atrás do auditório do Colégio Politécnico. O espaço é composto por sete vasos com flores e folhagens, simbolizando cada uma das vidas perdidas no acidente.

São elas: Dilvani Hoch, Elizeth Fauth Vargas, Fátima E. R. Copatti, Flavia Marcuzzo Dotto, Janaina Finkler, Marisete Maurer e Paulo Victor Estefanói Antunes.

O memorial se constitui como um espaço de memória, cuidado e permanência, criado para honrar e manter vivas as histórias, os sonhos e os caminhos dessas vidas que seguem presentes na lembrança da comunidade universitária.

Texto: Ellen Schwade, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnicki, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/01/um-quadrinho-sobre-quadrinhos Wed, 01 Apr 2026 13:06:46 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72354

A criação democrática ganha um espaço concreto nas oficinas de escrita e quadrinhos promovidas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na Biblioteca Pública Municipal Henrique Bastide. Os encontros acontecem quinzenalmente, às terças-feiras, das 14h às 16h, com uma programação que se estende ao longo do primeiro semestre deste ano.

As aulas começaram no dia 17 de março, com a oficina de quadrinhos para quem não sabe desenhar, ministrada por Lielson Zeni, doutor em Ciência Literária pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio de Ícaro Gonçalves, doutorando em Literatura pela UFSM. No dia 31 de março, as atividades seguiram com a oficina de escrita criativa potencial conduzida pela professora Maria Clara Carneiro, do Departamento de Letras da UFSM. A programação tem continuidade nos dias 14 e 28 de abril, 12 e 26 de maio, e 9 e 23 de junho, alternando entre oficinas de quadrinhos, escrita criativa e improvisação.

Aberta ao público, principalmente aos adultos, mas também aos adolescentes a partir de 13 anos, a proposta não exige inscrição prévia, o que reforça o caráter acessível da iniciativa. “Não precisa saber antes, não tem exigência acadêmica”, informa a professora à Agência de Notícias. Inspiradas em experiências de grupos franceses como Oulipo (Oficina de Literatura Potencial) e Oubapo (Oficina de Banda Desenhada - Quadrinhos - Potencial), as oficinas trabalham a criação a partir de restrições, incentivando novas formas de pensar e se expressar. “A gente propõe desafios difíceis, e é justamente isso que faz surgir coisas que a pessoa não faria normalmente”, explica. 

Nesse processo, o próprio quadrinho aparece como ferramenta de leitura do mundo. “A escrita também é imagem, e o quadrinho deixa isso mais visível. Você começa a perceber relações, hierarquias. Aprender a ler quadrinhos é aprender a ler melhor o mundo”, argumenta. 

Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail gpoqt@55bet-pro.com

Texto e quadrinho: Pedro Moro, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/01/cadeiras-de-alimentacao-infantil-chegam-aos-restaurantes-universitarios-de-todos-os-campi Wed, 01 Apr 2026 10:52:24 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72346 [caption id="attachment_72348" align="alignright" width="498"]Foto colorida, horizontal. Em destaque, no centro da imagem, uma cadeirinha de alimentação infantil Cadeiras são para crianças com mais de seis meses e com, no máximo, 23 quilos.[/caption]

Durante o horário de almoço desta terça-feira (31), três cadeiras de alimentação infantil foram posicionadas na saída do RU I. Voltadas a mães universitárias, as cadeiras buscam facilitar o momento de alimentação no Restaurante Universitário.

Segundo a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Jaciele Sell, a demanda surgiu a partir das percepções obtidas com o projeto Maternidade Plena, desenvolvido pela Unidade de Comunicação Integrada (Unicom) da Coordenadoria de Comunicação Social da UFSM. A iniciativa tem como objetivo divulgar legislação, projetos e ações relacionados à maternidade e à paternidade na Universidade.

Com base nas demandas apresentadas pelas mães, as cadeiras foram adquiridas. “Queremos dar mais qualidade de vida para mães estudantes, demonstrar que vemos essas crianças, elas não são invisíveis. Nós nos preocupamos com elas e queremos elas na Universidade”, destacou Jaciele.

Atualmente, 33 crianças se alimentam nos Restaurantes Universitários, embora nem todas estejam aptas a utilizar as cadeirinhas. Os equipamentos podem ser utilizados por crianças a partir de 6 meses e com até 23 kg.

A reitora da UFSM, Martha Adaime, destacou que, desde a aprovação da política de gênero, a Universidade tem buscado melhorar o dia a dia das mães. “É importante para a mãe poder fazer sua refeição tranquilamente e deixar a criança segura ao lado”, afirmou.

“Eu gostei, foi confortável. Legal!”, assim que a filha de Francine Castro, estudante de Jornalismo na UFSM, definiu a experiência de usar as cadeirinhas pela primeira vez. Francine acredita que os assentos serão úteis para as mães universitárias , “ às vezes é muito difícil comer no RU com uma criança. É um ambiente agitado, cheio, e muitas vezes eu já senti que talvez não era um espaço para estar com ela. Mas, com as novas cadeiras de alimentação, eu sinto que as coisas estão melhorando. Não preciso mais ficar com a criança no colo tentando comer o que é um caos. Agora ela fica segura, sentadinha, participando da refeição, e isso muda completamente o momento, deixa de ser estressante e passa a ser mais tranquilo”, explicou. 

As cadeiras de alimentação infantil foram distribuídas entre os Restaurantes Universitários da UFSM em todos os campi. Ao todo, oito unidades foram adquiridas: três destinadas ao RU I de Santa Maria, duas ao RU II, uma ao RU de Cachoeira do Sul e uma unidade para cada um dos campi de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões.

Segundo a pró-reitora, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) irá avaliar a necessidade de aquisição de novas cadeirinhas.

Texto: Jessica Mocellin, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnicki, acadêmico de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/31/ufsm-inaugura-um-dos-mais-avancados-laboratorios-de-foodtech-do-brasil Tue, 31 Mar 2026 20:02:26 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72333 [caption id="attachment_72335" align="alignright" width="650"] Juliano e Maria Daniele destacaram a importância do Foodtech FabLab[/caption]

A UFSM inaugurou nesta terça-feira (31) um dos mais avançados laboratórios maker de foodtech do Brasil. Integrado ao InovaTec UFSM Parque Tecnológico e viabilizado com recursos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Foodtech FabLab é um espaço de prototipagem, validação tecnológica e desenvolvimento de soluções que tem a missão de promover a inovação e o empreendedorismo no setor de alimentos, bebidas e suplementos, para transformar a cadeia alimentar de forma eficiente e sustentável. A iniciativa posiciona Santa Maria como referência nacional na área de foodtech.

"Não estamos inaugurando apenas um laboratório, mas um habitat de inovação", afirmou Maria Daniele Dutra, coordenadora de Projetos de Inovação do InovaTec UFSM Parque Tecnológico, na abertura oficial. Ela lembrou que foram três anos de projetos até a concretização, viabilizada graças à parceria do Mapa. "Estamos colocando Santa Maria no mapa global de onde se decide o que o mundo vai comer amanhã", pontuou, salientando que o Foodtech FabLab vai permitir que a ciência chegue até a mesa do cidadão, sendo um ativo transformador da economia local.

O gerente do Inovatec UFSM Parque Tecnológico, Luciano Schuch, destacou que o novo espaço é importante não apenas para a Universidade, mas também para empreendedores, pois irá conectar muitas empresas e estudantes. "Isso diferencia a UFSM", afirmou.

[caption id="attachment_72336" align="alignleft" width="596"] Martha Adaime disse que inauguração é um marco para a UFSM[/caption]

A reitora, Martha Adaime, ressaltou que o Foodtech FabLab representa um marco para a Universidade, para Santa Maria e toda a região, pois vai abrir espaço para o desenvolvimento de novos produtos. "Torna a UFSM cada vez mais e mais importante para a região", enfatizou.

Simplificação e agilidade

Juliano Barin, coordenador de projetos de Pesquisa do InovaTec, afirmou que, dispondo de estrutura compartilhada de acesso à tecnologia, o laboratório de foodtech da UFSM vai possibilitar simplificação e agilidade aos empreendedores. "De certa forma vai ser um balcão, onde vamos centralizar as demandas que chegarem e fazer essa conexão com a UFSM e com todo o ecossistema que temos contato, para fazer com que aquela solução aconteça", disse Barin, que é docente no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia dos Alimentos (PPGCTA). 

A infraestrutura contempla o Food Maker Space, a Experience Box para análise sensorial, a Kitchen 3.0 e sala de reuniões para articulação com parceiros. No núcleo tecnológico, o laboratório dispõe de equipamentos como impressora 3D de alimentos, pasteurizador a fio, extrusora de proteínas, extrator de aromas sem solvente, emulsificador nano e sistemas de secagem.

Segundo Barin, a estrutura do laboratório de foodtech possibilitará a aceleração no desenvolvimento de produtos, que poderão chegar ao mercado não em anos, mas em meses. O trabalho integrado com agências regulatórias desde o início do processo também será importante nesse sentido. Porém, ele ressaltou que a inovação é um "esporte coletivo", sendo essencial a participação dos parceiros e da sociedade.

[caption id="attachment_72337" align="alignright" width="339"] César Simas Teles elogiou o labfood da UFSM[/caption]

Recursos de R$ 3 milhões do Mapa

O laboratório maker de foodtech inaugurado pela UFSM é o quarto do país, mas desponta como um dos mais avançados, na avaliação dos representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que prestigiaram a inauguração, César Simas Teles, coordenador geral na Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo, e Ayrton Jun Ussami, coordenador de Ambiente de Inovação.

O ministério destinou cerca de R$ 3 milhões para o Foodtech FabLab. "O desenvolvimento de foodtechs é algo que vemos como importante. Uma carência que temos na área de inovação são espaços para que empreendedores possam testar seus produtos, fazer seus protótipos", afirmou Teles. 

Ussami elogiou o espaço inaugurado pela UFSM, considerado dos mais avançados entre os já implementados no Brasil. "Estamos muito contentes de ver Santa Maria como uma das pioneiras neste tipo de investimento. Queremos muito aprender com a Universidade para podermos exportar para outras unidades", disse, destacando a necessidade de um modelo de compartilhamento que seja sustentável, permitindo a geração de receita para manutenção e reposição do espaço. 

Gelato de cerveja e petiscos 3D

Situado no prédio 61H do campus sede, o Foodtech FabLab é um espaço estratégico e colaborativo com infraestrutura avançada, capaz de integrar pesquisadores, estudantes, startups, empresas e representantes do setor regulatório em torno de soluções concretas. E os resultados do trabalho já são visíveis - e degustáveis. Quem visitou os espaços durante a inauguração pôde provar produtos que já foram desenvolvidos nos laboratórios da UFSM, e que agora ganham novo fôlego no laboratório de foodtech.

Gelato de cerveja foi um deles. O produto é resultado do trabalho da doutoranda no PPGCTA Camila Gressler e da empresária Bina Monteiro. O "Uivo lupulado" vem sendo trabalhado desde 2024, e contém um ingrediente criado por Camila para dar um sabor de cerveja IPA em doces. Disso saiu um gelato natural, saudável e saboroso, na opinião de quem o provou. E que pode ser o primeiro do mundo com este sabor - o produto está em processo de patenteamento.

Outra atração foi uma impressora 3D que imprime e pré-assa alimentos, como biscoitos, massas, cárneos e chocolate. A pós-doutoranda em Química Angélica Kaufmann servia os petiscos produzidos em uma impressora criada por um estudante do curso de Engenharia de Controle e Automação. A tecnologia permite personalizar refeições com vitaminas, minerais e proteínas adicionais.

"O Foodtech FabLab já nasce acelerado. Temos empresas parceiras desenvolvendo conosco, estudantes e pesquisadores operando máquinas", destacou Maria Daniele. Nos próximos meses, a meta é integrá-lo plenamente às atividades acadêmicas e empresariais, consolidando-o como polo de referência na área de alimentos. A partir dessa articulação, o laboratório deverá impulsionar novos projetos, atrair investimentos e posicionar ainda mais Santa Maria no mapa da inovação regional e nacional.

Segundo ela, o FabLab poderá oferecer suporte técnico e consultoria para empresas e startups, auxiliando na compreensão e no atendimento aos requisitos legais desde as fases iniciais de desenvolvimento. O ambiente também foi concebido para promover uma aprendizagem ativa, criativa e prática. A proposta é formar especialistas da UFSM (estudantes dos cursos de Nutrição, Tecnologia em Alimentos, do PPGCTA e de grupos de pesquisa da área) e também profissionais externos, ampliando o impacto para além da Universidade.

Texto: Ricardo Bonfanti, jornalista
Fotos: Pedro Pereira, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/31/entre-adaptacao-e-pertencimento-a-vivencia-internacional-na-ufsm Tue, 31 Mar 2026 16:59:11 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72328 [caption id="attachment_72329" align="alignleft" width="500"] Mais de 500 alunos estrangeiros estão vinculados à UFSM hoje[/caption]

A presença de estudantes internacionais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem crescido nos últimos anos, o que mostra o fortalecimento das políticas de internacionalização da instituição. Atualmente, mais de 500 alunos estrangeiros estão vinculados à universidade, número que mostra a ampliação das oportunidades de mobilidade acadêmica e cooperação internacional.

Para além dos dados, a internacionalização se manifesta nas experiências de quem deixa seu local de origem para estudar. Chegar em um novo país, lidar com uma língua desconhecida e adaptar-se a uma nova cultura fazem parte de um processo que, ainda que desafiador, resulta em aprendizado e novas experiências.

Natural do Benim, país que faz fronteira com a Nigéria, a estudante de Administração Kingnidé Sèna Marie Josée Ahouandjinou descreve sua chegada a Santa Maria como um momento de expectativa e felicidade. “Me senti ansiosa para conhecer novas pessoas e culturas, também feliz de estudar em Santa Maria e aprender português”, afirma. A inserção no novo contexto, no entanto, exigiu esforço especialmente nos primeiros contatos com o idioma. “Foi difícil interagir, falar com as pessoas”, relata.

Com o tempo, o acolhimento recebido passou a ocupar um papel central em sua experiência. Segundo a estudante, o apoio de colegas e da comunidade acadêmica foi determinante para sua adaptação. “As pessoas daqui me acolheram bastante. Falavam a língua comigo para eu entender. Se elas não fossem tão acolhedoras, seria difícil me adaptar”, destaca.

A participação em atividades de integração também contribuiu para esse processo. Essas iniciativas de recepção e convivência permitiram que Marie conhecesse melhor a cidade e estabelecesse vínculos com outros estudantes.

Relato semelhante é feito por Juan Pablo Duque Beltrán, da Colômbia, estudante de Engenharia da Computação. Para ele, a parte mais desafiadora no Brasil foi não saber a língua. “Quando eu cheguei ao Brasil, eu não falava uma só palavra”, relata.

As dificuldades continuaram nas primeiras semanas de aula. “Nas aulas foi bem difícil, porque eu não entendia muito do que o professor falava”, explica. Apesar disso, o ambiente acadêmico foi decisivo para sua adaptação. “Os professores foram muito compreensivos comigo, e eu fiz amigos nas aulas. Isso ajudou muito”, afirma.

A convivência com outros estudantes, também contribuiu para tornar a experiência mais leve. “Ter outros estudantes de intercâmbio que falavam espanhol ajudou muito. E as pessoas aqui ajudam bastante”, comenta. Para Juan, a receptividade encontrada na universidade e na cidade foi um dos aspectos mais marcantes da vivência no Brasil. “As pessoas não se importam de onde você vem, elas te acolhem muito bem”, ressalta.

[caption id="attachment_72330" align="alignright" width="500"] A DRI acompanha os estudantes desde antes da chegada ao país e segue ao longo de toda a permanência na universidade[/caption]

Acolhimento institucional

O acolhimento relatado pelos estudantes é resultado de um trabalho institucional estruturado. Na UFSM, a Diretoria de Relações Internacionais (DRI), por meio do Núcleo Integrado de Mobilidade e Internacionalização, acompanha os estudantes desde antes da chegada ao país e segue ao longo de toda a permanência na universidade. O suporte envolve orientações administrativas, regularização documental, apoio acadêmico e ações voltadas à integração cultural e social.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão atividades de recepção, como tours pelo campus e pela cidade, além de programas que promovem a aproximação entre estudantes brasileiros e estrangeiros como o “Amigo Internacional”. Essas ações contribuem para facilitar a adaptação dos estudantes estrangeiros ao cotidiano acadêmico e para a construção de redes de apoio, fundamentais nos primeiros meses de permanência.

Ao mesmo tempo, a presença de estudantes internacionais impacta diretamente a comunidade universitária brasileira. A convivência com diferentes costumes estimula o conhecimento de distintas culturas, amplia o repertório acadêmico e contribui para a formação de profissionais mais preparados para atuar em um contexto global. 

Para quem deseja saber mais ou participar dessas iniciativas, a DRI disponibiliza informações e canais de contato em seu site oficial e no Instagram. Entre os programas oferecidos estão o Amigo Internacional, que aproxima estudantes brasileiros e estrangeiros, e a iniciativa de hospedagem solidária, que amplia as possibilidades de integração e troca cultural dentro e fora da universidade.

Texto: Clara Basso, estudante de Jornalismo e bolsista da Assessoria de Comunicação do Gabinete da Reitoria

Fotos: Arquivo pessoal

Edição: Pedro Pereira, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/31/golpe-santa-maria Tue, 31 Mar 2026 15:52:25 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72323 Foto colorida horizontal da fachada do prédio da Antiga Reitoria. A imagem mostra o prédio a partir de uma vista de baixo para cima. No momento da foto, a céu está firme e azulado.
Quinto andar do antigo prédio da Reitoria, no Centro de Santa Maria, abrigou Assessorias Especiais de Serviço de Informações (AES), que monitora estudantes e professores (Foto: Daniel Michelon De Carli)

No dia trinta e um de março, o golpe que instaurou a Ditadura Civil-Militar no Brasil completa 62 anos. Em Santa Maria, uma cidade marcada pelo trem e pela farda, a data é marcada como um registro nos livros de história e uma cicatriz que ainda vive na memória de quem viveu a repressão.

Nos anos 1960, o dia de um grupo de jovens normalmente terminava em um pátio na Rua Pinheiro Machado. Ali, nos fundos da casa de um advogado local, estudantes jogavam futebol. Entre os rostos suados e a disputa pela bola, estava um futuro capitão do Exército que, ocasionalmente, juntava-se à "pelada". Para o jovem estudante secundarista do Maneco, Dartagnan Luiz Agostini, aquele era apenas o irmão de um colega. Ele não sabia, mas anos depois, o mesmo homem que dividia o gramado com ele seria o rosto do terror em um dos porões mais sombrios do país.

Um ciclo de rupturas

O professor de história do Colégio Politécnico da UFSM, Leonardo Botega, explica que 1964 não foi um evento isolado. "Foi o fechamento de um ciclo de tentativas de tomadas de poder que vinha desde o suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e as crises de 55, 56, 59 e 61", contextualiza.
Segundo Botega, o discurso oficial da época, alimentado por setores da imprensa empresarial e das elites rurais, vendia a ideia de uma "Revolução Democrática" para salvar o país de uma suposta "República Sindicalista" liderada por João Goulart. "O real motivo foi a oposição ferrenha às Reformas de Base. Era a lógica da manutenção dos interesses empresariais e latifundiários acima de tudo", destaca o professor.

Santa Maria, a “Cidade Partida”

Enquanto a ditadura iniciava no país, Santa Maria ganhava contornos de "Cidade Partida", termo utilizado pelo professor e historiador da UFSM, Diorge Konrad, para descrever a divisão entre a forte tradição trabalhista dos ferroviários e o massivo contingente militar da região.

"Santa Maria já era o segundo maior contingente militar e tinha uma tradição trabalhista consolidada. A cidade se dividiu", explica Konrad. De acordo com o docente do Departamento de História e um dos coordenadores do Cálice - Grupo de Estudos sobre a Ditadura Civil-Militar, a repressão no município foi imediata e estratégica. "Os ferroviários, que tentaram uma greve no primeiro dia de abril daquele ano, foram os primeiros alvos. Onofre Dornelles foi preso, torturado no Regimento Mallet e morreu na Casa de Saúde em decorrência das sequelas. Foi o primeiro morto pela ditadura na cidade", revela.

Dentro da UFSM, Konrad aponta que, a partir de 1968, com o AI-5, a vigilância tornou-se cotidiana por meio das Assessorias Especiais de Serviço de Informações (AES), instaladas no quinto andar da reitoria. "Temos registros de mais de mil documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI) vigiando estudantes e professores. A universidade era um laboratório da vigilância", pontua.

“Boêmio, Carreteiro e Vanguarda”

A luta pela resistência ocupava as mesas de bar da cidade. No livro “Relatos de um militante”, Dartagnan conta que, na Avenida Rio Branco, o Moby Dick, era o porto seguro da intelectualidade progressista da época. "Tínhamos poucos recursos, o consumo era mínimo, mas o proprietário, o Cláudio, nos oferecia um carreteiro gratuito a cada ano", conta Dartagnan. Esses encontros boêmios serviram de base para a criação do Grupo Vanguarda Cultural. Ali, entre intelectuais e estudantes, debatia-se a cultura como ferramenta fundamental para coesionar a sociedade brasileira contra o regime. Para Dartagnan e seus pares, fazer cultura era um ato político de formação da juventude para o fim da ditadura e a redemocratização do país.

Foto em tons de cinza. semelhante a um recorte de jornal, com dez homens, sendo oito sentados à mesa. Todos estão com camisas e têm cabelos curtos escuros ou claros. Alguns usam óculos. Os outros dois homens são o garçon e um home no balcão ao fundo.

Do congresso clandestino para os porões do DOI-CODI

Dartagnan viveu essa vigilância na pele. Em 1967, ele era um dos dois delegados escolhidos por Santa Maria para participar do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Belo Horizonte, um evento que ocorria no porão de uma igreja. "O movimento estudantil era aberto antes de 1964. Depois, foi cerceado. Em Santa Maria, éramos poucos, cerca de 3 mil universitários, mas uma vanguarda organizada", recorda.

A aventura clandestina terminou em prisão. Segundo Dartagnan, o cárcere se deu após um acordo de "salvaguarda" que não foi cumprido pela polícia estadual. Ele e outros estudantes, incluindo o futuro político e estudante de direito na época, Tarso Genro, foram capturados pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

"Ficamos dias incomunicáveis. Havia uma tortura psicológica forte: 'nós vamos te matar, sabemos quem é você', mas ainda não havia a agressão física sistemática. A repressão ainda não era 'científica’ ", conta.

A consciência da dor veio anos depois. Já formado em engenharia e trabalhando em uma obra da Petrobras na Serra do Mar, Dartagnan foi preso novamente em 1971. O destino foi o DOI-CODI, em São Paulo, o epicentro da Operação Bandeirante. Ali, o engenheiro reencontrou o "companheiro de futebol" de Santa Maria: o agora Major Carlos Brilhante Ustra, chefe do centro de tortura.

"Ele me perguntou: 'sabe quem eu sou?'. Eu disse: 'claro, te conheço do bairro Pinheiro Machado'. Ele ficou meio chateado com a resposta", relata Dartagnan.

O engenheiro passou dois meses em São Paulo e outros dois no DOPS, em Porto Alegre. Ele descreve um método de desestruturação psíquica: "Eles te chamavam na cela, faziam um carnaval, davam choque e te mandavam embora. Duas horas depois, te buscavam de novo. Tu nunca sabia quando tinha terminado. O objetivo era não te deixar raciocinar".

O jogo era pela sobrevivência. "Tu fica psicologicamente destroçado. Tem que ter muita força de vontade para não cair no desespero. Eu queria sobreviver, mas não queria contar nada que causasse a morte ou a prisão de mais ninguém. Era um jogo de medir o que falar", explica. 

Foto em tons de cinza vertical de um homem adulto com cabelo escuro e curto, com bigode. Ele usa uma camisa social de manga longa com bolso de cor clara.
Engenheiro Dartagnan Agostini em 1982 (Foto: Arquivo pessoal)
Página de reprodução de documento do DOPS com texto datilografado em preto.
Ficha do DOPS - Santa Maria do engenheiro em 1966/ Imagem: Arquivo pessoal

O dever da memória e a herança do silêncio

A saída dos militares, descrita por eles como "lenta, gradual e segura", deixou heranças que os historiadores apontam como entraves para a democracia atual. Para Leonardo Botega, a Lei de Anistia de 1979 garantiu a não punição de torturadores e moldou uma estrutura frágil. "A transição criou um grande problema: a lógica da não punição aliada à autonomia militar. Isso gera uma perspectiva social aberta aos negacionismos", alerta o professor.

Diorge Konrad reforça que o autoritarismo ainda molda a formação social brasileira. "O Brasil possui uma sociedade fortemente autoritária. Estruturas como a autonomia das polícias militares estaduais são heranças vivas desse período. Temos a polícia que mais mata e que mais morre, atuando em guerra permanente contra a sociedade civil", enfatiza.

Dartagnan Agostini, que após o exílio interno e a redemocratização decidiu cursar História, transformou sua vivência em objeto de estudo. Sua motivação? A plena consciência de que a luta de sua geração era por um Brasil que diminuísse a disparidade entre ricos e pobres, um projeto que, segundo ele, foi abortado pelo golpe.

Hoje, aos 83 anos, o engenheiro e historiador guarda as marcas psicológicas e a compreensão de que o silêncio é a ferramenta predileta do autoritarismo. A história de Dartagnan serve como um lembrete: a democracia não é um estado permanente, mas uma construção que exige, acima de tudo, o fim do esquecimento.

Texto: Isadora Bortolotto, estudante de Jornalismo e voluntária na Agência de Notícias

Imagens: Reprodução do livro “Relatos de um militante”, de Dartagnan Agostini, e Arquivo Pessoal

Foto: Daniel Michelon De Carli, designer

Edição: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/30/ufsm-reune-medalhistas-da-20a-edicao-da-obmep-em-cerimonia-regional Mon, 30 Mar 2026 11:56:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72298 [caption id="attachment_72302" align="alignright" width="540"] Henrique Masquin e sua mãe, Elenice, estiveram presentes na cerimônia[/caption]

Mesmo com o calor de 31° Celsius em Santa Maria, Henrique Masquin, de 16 anos, esperava ansiosamente o início da cerimônia de entrega das medalhas da 20ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática (Obmep), sediada no Centro de Convenções da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na tarde da última sexta-feira (27). 

Henrique, que é estudante do segundo ano do ensino médio no Colégio Tiradentes, de Ijuí, participa da competição desde o sexto ano do ensino fundamental. Neste ano, ele recebeu a medalha de prata nacional. “É tanto conhecimento que tu ganha porque te ajuda muito na questão da lógica pros vestibulares, é muito bom também ter isso”, conta à Agência de Notícias. O medalhista ainda projeta o futuro na área de exatas. “Uma engenharia, provavelmente”, diz. Entre as possibilidades, ele cita a UFSM como uma instituição que deseja ingressar.

Natural de Três Passos, Henrique veio acompanhado da mãe, Elenice Masquin, que acompanha a trajetória do filho e vê nas olimpíadas um caminho de transformação educacional. Para ela, mais do que medalhas, a participação representa um incentivo para que os estudantes busquem conhecimento e acreditem em seu potencial. Elenice destaca que sempre encorajou os filhos a participarem das provas com dedicação e confiança, reforçando que essas experiências abrem portas e mostram que, com esforço, novas oportunidades podem surgir. 

O exemplo mais próximo dentro de casa é o do filho mais velho, Gabriel Masquin, que também se dedicou às olimpíadas científicas e hoje estuda no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), uma das instituições mais concorridas do país. Para ela, ver os dois filhos trilhando caminhos semelhantes reforça a importância do incentivo desde cedo. “Eu, como mãe de medalhista, sinto muito orgulho”, afirma.

Inserido nesse contexto, o desempenho de Henrique Masquin também reflete o alcance da regional RS02 da Obmep, sediada na UFSM. A coordenadora regional e professora de Matemática na UFSM, Taísa Miotto, explica que o Rio Grande do Sul é dividido em cinco regionais da olimpíada, responsáveis por organizar a participação dos estudantes em diferentes territórios. A RS02, que abrange 127 municípios das regiões central e noroeste, é uma delas, ao lado das regionais de Porto Alegre (RS01), Caxias do Sul (RS03), Passo Fundo (RS04) e Rio Grande (RS05). 

Na edição de 2025, a Obmep reuniu mais de 18 milhões de estudantes em todo o país, com cerca de 870 mil classificados para a segunda fase e milhares de medalhas distribuídas em nível nacional. Dentro desse universo, a regional sediada na UFSM contabilizou 16 medalhas de ouro, 39 de prata e 86 de bronze, além de premiações estaduais que ampliam o reconhecimento dos alunos. Para Taísa, a iniciativa tem impacto direto na trajetória dos estudantes. “Tal premiação é muito válida, pois mais alunos são incentivados a estudar e terem seu desempenho reconhecido”, opina a docente.

[caption id="attachment_72304" align="alignleft" width="582"] Ao lado dos pais, Karina e Elton, Davi Przyczynski, de 13 anos, conquista medalha na categoria do ensino fundamental[/caption]

Os medalhistas do ontem e do hoje

Além de Henrique, estudantes mais jovens também começam a trilhar seus caminhos na olimpíada, como é o caso de Davi Przyczynski, de 13 anos. Aluno do 8º ano do ensino fundamental, ele participa pela terceira vez da Obmep e já colhe resultados ao conquistar uma medalha. Sobre a preparação, Davi conta que conciliou estudos por vídeos com a resolução de provas anteriores. “Eu estudava, via vídeos sobre o assunto e também fazia as provas dos anos passados”, relata. 

Apesar de ainda não ter definido uma profissão, ele afirma ter afinidade com a área de exatas e pretende continuar participando das próximas edições, seguindo um percurso semelhante ao de medalhistas mais experientes.

Para a mãe de Davi, Karina Przyczynski, a premiação é resultado direto da dedicação do filho ao longo do tempo. Vinda de Humaitá, na região Celeiro, ela acompanha de perto o interesse crescente do estudante pelas exatas, estimulado desde cedo dentro de casa. “É um momento de muita alegria, emoção e gratidão a Deus, né, e reconhecimento pelo esforço dele, pelo estudo, pela dedicação que ele tá tendo”, afirma. 

Segundo ela, a preparação incluiu a resolução de provas anteriores e o incentivo ao raciocínio lógico, com práticas como o xadrez e exercícios mentais. Para a família, a conquista representa não apenas uma medalha, mas a valorização de um processo contínuo de aprendizado.

[caption id="attachment_72305" align="alignright" width="578"] Mariana Lovato participou de seis edições da Obmep e, hoje, cursa Música na UFSM[/caption]

Enquanto Davi sobe ao palco para receber sua medalha ainda nos primeiros anos da trajetória olímpica, histórias como a de Mariana Lovato mostram onde esse caminho pode chegar. Seu primeiro contato com a Obmep foi em 2016, no 6º ano do ensino fundamental, e, a partir dali, participou de todas as edições seguintes, com exceção de 2020, quando não houve prova devido à pandemia. Em todas as vezes em que competiu, foi premiada, acumulando três medalhas de bronze e três de prata ao longo da vida escolar. 

Hoje, aos 21 anos e estudante do bacharelado em Música na UFSM, ela retorna à cerimônia em outro papel: sentada ao piano, conduzindo um dos momentos culturais do evento realizado no Centro de Convenções. “As pessoas pensam que não tem nada a ver, mas tem muito a ver. Ritmo é pura matemática”, conta Mariana. 

Universidade de portas abertas

Eventos como a cerimônia da Obmep reforçam o papel da universidade como espaço público e acessível à comunidade. Para o diretor do Centro de Ciências Naturais (CCNE) e Exatas da UFSM, Felix Alexandre Antunes Soares, a presença de estudantes de diferentes regiões aproxima a instituição da realidade das escolas e amplia horizontes para quem, muitas vezes, visita o campus pela primeira vez. “Isso aproxima muito a universidade das escolas”, afirma. Segundo ele, além de reconhecer o mérito dos alunos, a iniciativa ajuda a romper a ideia de que o ensino superior é distante. “A universidade não é uma coisa distante, intocável”, completa.

[caption id="attachment_72307" align="alignleft" width="570"] A mesa de abertura foi composta por Márcio Luís Miotto, Taísa Miotto, Martha Adaime, Félix Antunes Soares e Edson Sidney Figueiredo[/caption]

O diretor também destaca que as olimpíadas têm impacto direto no ingresso e na formação acadêmica desses estudantes. A UFSM, nos últimos anos, passou a contar com formas específicas de entrada para medalhistas, o que amplia as possibilidades de acesso. “Tem um processo de ingresso específico para esses estudantes”, explica. 

Ao mesmo tempo, ele ressalta o papel fundamental dos professores da educação básica nesse percurso. “A gente tem que agradecer muito aos professores das escolas”, diz, ao defender uma atuação conjunta entre universidade e escolas para estimular talentos e, inclusive, inspirar futuras carreiras acadêmicas.

Compuseram a mesa de abertura a reitora da UFSM, Martha Adaime, e o diretor do CCNE, Félix Antunes Soares. Participaram ainda o chefe do Departamento de Matemática da UFSM, Edson Sidney Figueiredo, o coordenador regional do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), o professor de Matemática da UFSM Márcio Luís Miotto e a coordenadora regional e professora de Matemática na UFSM, Taísa Miotto.

A cerimônia regional da 20ª edição da Obmep pode ser assistida na íntegra pelo público no canal do Youtube da UFSM.

Texto: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Gabriele Mendes, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/30/dancas-urbanas-na-ufsm-centro-de-artes-e-letras-sedia-o-evento-street-connections Mon, 30 Mar 2026 11:36:23 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72296 [caption id="attachment_72301" align="alignleft" width="499"]Foto na horizontal e colorida que mostra, ao centro, Mauricio Moreira, um homem branco, tatuado, usando um boné vermelho e vestindo uma camisa de basquete preto e vermelha. Ao fundo, os dançarinos tentam acompanhar a coreografia no estúdio de dança Maurício Moreira, coreógrafo, ensina passos de dança aos dançarinos[/caption]

O Centro de Artes e Letras (CAL) recebeu, na tarde de sexta-feira (27), o evento “Street Connections”, que reuniu artistas, professores e dançarinos de danças urbanas em uma programação com apresentações, workshops e momentos de diálogo e troca de experiências. Realizado pelo Ministério da Cultura, com financiamento do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, o evento integra o projeto “Danças urbanas: Conexões criativas no mundo do trabalho em rede”, que atua como uma rede colaborativa entre seis cidades do estado, entre elas Santa Maria. Esta é a segunda vez que a UFSM recebe o projeto, que também contou com o apoio do curso de Dança Licenciatura, fortalecendo a presença das danças urbanas no ambiente acadêmico.

Entre formação, mercado e conexões nas danças urbanas

O “Street Connections” atua no mapeamento e na valorização dessa expressão artística no Rio Grande do Sul, com foco em compreender as condições de trabalho e incentivar a formação de redes entre dançarinos, professores, coreógrafos e pesquisadores. “Pensamos nas universidades como parceiras justamente por serem pontos de encontro, além de espaços de pesquisa, ensino e extensão que aproximam a comunidade”, destaca Eloísa Sampaio, diretora de produção do evento.

Durante a programação, ela conduziu um momento de conversa sobre políticas públicas de cultura e gestão cultural, que reforçou o papel do evento na reflexão sobre o setor. “Pensamos nessa parceria justamente para que as pessoas conheçam a universidade e estejam mais próximas dela”, afirma. O evento amplia o debate sobre a profissionalização nas danças urbanas ao conectar prática e reflexão. “O objetivo do projeto, além de mapear, é, sobretudo, fortalecer as danças urbanas e formar rede. Então, a ideia é que aqui a gente possa provocar algum movimento para que os grupos se fortaleçam”, destaca Eloísa.

Troca de experiências

[caption id="attachment_72303" align="alignright" width="373"]Foto na vertical e colorida que mostra, ao centro, Mauricio com alguns dos dançarinos presentes no evento, todos sentados. No chão, um cartaz colorido com traços em laranja. Ao fundo, o mesmo cartaz exibindo o nome do projeto e a logo e atrás disso, uma das paredes pretas do estúdio O evento reuniu dançarinos e coreógrafos locais[/caption]

A realização do evento na universidade também representa um avanço no reconhecimento da área e no papel social dos profissionais. “Hoje eu sou educador social, então isso faz eu querer continuar para transformar algumas vidas e poder fazer essa galerinha que está chegando agora cultivar um pouquinho do que é o hip-hop”, explica Maurício Moreira, coreógrafo formado em Pedagogia pela UFSM. Ele também destaca a importância de iniciativas como essa para a valorização de artistas locais. “Achei muito impactante chamar a galera de Santa Maria para dar um workshop em um evento desse tamanho, em uma proposta desse tamanho”, relata.

A troca de experiências também influencia diretamente quem ainda está em formação. O dançarino e estudante Antonio Daniel Brum Lencina, de 16 anos, dança há nove anos e destaca o aprendizado proporcionado pelo contato com profissionais. “Está sendo maravilhoso, com várias coreografias e aulas diferentes. Como eu quero ser coreógrafo, me inspiro bastante no Maurício Moreira”, destaca. Para ele, o evento contribui para o seu desenvolvimento como futuro professor e coreógrafo. “Isso me ajuda a desenvolver mais a minha dança e a ensinar o pessoal o que eu aprendo”, acrescenta.

O evento reforça a importância de espaços de formação e troca, aproximando estudantes e profissionais e contribuindo para o desenvolvimento de novas trajetórias nas danças urbanas. Mais informações sobre o projeto podem ser acessadas na rede social (@conexoes.urb).

Texto: Giovanna Felkl, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Adrieny Rosa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/27/ufsm-inaugura-mural-multiartistico-sobre-cultura-afro-gaucha-na-antiga-reitoria Fri, 27 Mar 2026 15:13:27 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72285 Mural artístico Ubuntu Terra Viva no Complexo Multicultural Antiga Reitoria[/caption]

Quem passa pela Rua Floriano Peixoto, no centro de Santa Maria, agora se depara com uma composição de cores vibrantes que transforma a paisagem urbana. Tons de azul, vermelho, amarelo e verde dão forma ao mural Ubuntu Terra Viva, inaugurado na noite de quarta-feira (25) no Complexo Multicultural Antiga Reitoria. A obra traz novos significados ao espaço e marca a celebração da cultura e da memória afro-gaúcha. 

A obra e seus significados

Finalizado em janeiro deste ano, após quase dois meses de produção, o mural ocupa a área externa do prédio da Antiga Reitoria da UFSM, no centro de Santa Maria. A obra foi idealizada pelo artista e muralista Braziliano e executada em 21 dias de pintura, dentro de um processo que envolveu pré e pós-produção, além de uma operação técnica complexa em altura.

A composição faz referência à população afro-gaúcha e às suas riquezas culturais. Rostos negros ocupam posição de destaque, acompanhados por elementos simbólicos como as sete ervas e a pomba branca, que representa o orixá Oxalá. As sete ervas carregam significados ancestrais: arruda (proteção), guiné (limpeza espiritual), alecrim (equilíbrio e alegria), manjericão (harmonia), espada-de-são-jorge (defesa), levante (renovação) e comigo-ninguém-pode (proteção espiritual).

Além de Braziliano, participaram da execução Alexon Messias, Amanda Rodrigues, Cauê Toledo e Israel Caetano. Segundo o muralista, o trabalho exigiu uma equipe com conhecimento técnico específico para atuação em grandes superfícies.

Espaço de circulação e aproximação com a comunidade

A escolha do local para a instalação do mural foi estratégica. De acordo com a coordenadora de Cidadania da Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da UFSM, Cassiana Marques da Silva, o prédio recebe, em média, de 200 a 300 pessoas por dia, o que representa cerca de 100 mil visitantes ao ano. “É um prédio muito vivo, muito pulsante, porque nós temos vários projetos que são realizados aqui para a comunidade de Santa Maria”, afirma.

A gestora do Complexo, Jeanne Mainardi, destaca que o espaço funciona como porta de entrada da comunidade para a Universidade. Segundo ela, a revitalização do prédio contribui para aproximar o público e ampliar o acesso às iniciativas desenvolvidas no local. Nesse contexto, a obra também atua como elemento de convite e curiosidade sobre o que acontece no interior do local.

A iniciativa integra um projeto de rotas turísticas em comunidades quilombolas, financiado pela Fundação Cultural Palmares. Em 2024, a UFSM recebeu R$ 360 mil para o desenvolvimento do programa “Afroturismo no centro do Rio Grande do Sul: Identidade e Tradição”.

O programa promove o protagonismo da juventude negra nas comunidades quilombolas da região da Quarta Colônia. Entre as ações, estão a produção de materiais gráficos e informativos sobre a trajetória dessas comunidades, o fortalecimento da visibilidade de seus saberes e o incentivo ao afroturismo e à economia circular e criativa.

[caption id="attachment_72287" align="alignright" width="365"] Intervenção artística integrou programação de inauguração[/caption]

Intervenção artística no evento

A programação de inauguração contou, ainda, com uma intervenção da Royale Escola de Dança e Integração Social, em homenagem a Dandara dos Palmares. A coreografia apresentada é inspirada no espetáculo “E as meninas rebeldes vão à luta”, de 2018, e foi adaptada para a ocasião. “A gente pesquisou sobre figuras femininas na história e decidiu trazer a trajetória da Dandara”, explica Layana da Rosa Ferreira, uma das bailarinas.

Ao final do evento, foi realizado o descerramento de uma placa, com a presença dos artistas e do vice-reitor, Tiago Marchesan. O material inclui um QR Code que direciona o público ao site da UFSM, com informações sobre as comunidades quilombolas do centro do Rio Grande do Sul.

Texto: Júlia Zucchetto, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnick, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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Uma ilustração vertical em estilo cartoon com fundo rosa claro. No centro, há um menino branco, com cabelo loiro e cacheado. Ele está cercado por vários alimentos ultraprocessados ao seu redor. Linhas pretas conectam o menino a cada um dos lanches, os itens têm contornos pretos grossos e cores vibrantes.

Assim que entra no supermercado, o pequeno Vinícius Ferreira Fagan corre de um lado para o outro. Aos três anos de idade, ele para diante das prateleiras, observa as embalagens coloridas e logo aponta para aquilo que deseja levar para casa. Entre as opções, o menino escolhe uma bolacha recheada, cujo pacote mostra personagens costumeiros nos desenhos animados que assiste na televisão. “Dependendo do dia, eu deixo ele levar”, conta Laura Margarete Ferreira, 41 anos, mãe de Vinícius. No carrinho de compras, o pacote de biscoito divide espaço com leite, arroz e algumas frutas. A empregada doméstica tenta equilibrar as escolhas do filho com aquilo que considera mais saudável. “Às vezes ele acaba comendo uma ou outra porcaria”, comenta.

Essas “porcarias” que a mãe se refere têm nome: ultraprocessados. São formulações industriais produzidas principalmente a partir de substâncias como óleos, gorduras, açúcar e amido, além de aditivos como corantes, aromatizantes e emulsificantes. O termo ultraprocessado surgiu há 16 anos, em 2010, fruto de uma investigação realizada pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, vinculado à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pelo epidemiologista Carlos Augusto Monteiro. A chamada classificação Nova – nome dado em alusão a explosão nuclear que acontece dentro de uma estrela – divide os alimentos em quatro categorias: in natura, ingredientes culinários processados, processados e, por último, ultraprocessados.  

Uma característica comum dessa última categoria de comidas e bebidas são as composições químicas presentes. Acidulantes, propionato de cálcio, ácido sórbico e outros nomes difíceis de pronunciar são apenas alguns aditivos usados pela indústria a fim de aumentar a durabilidade, diminuir o custo e intensificar o sabor, muitas vezes sem provocar grande sensação de saciedade. Além disso, os ultraprocessados utilizam pequena ou nenhuma quantidade de alimentos in natura na sua composição. Quando um refrigerante ou um suco traz a indicação de “sabor laranja” ou de qualquer outra fruta, isso revela que o percentual do ingrediente é baixo ou ausente. 

O consumo de ultraprocessados cresceu de forma acelerada. Estimativas indicam que a participação desses produtos na dieta nacional mais do que dobrou, saltando de 10% em 1980 para 23% em 2023, do total consumido. Os dados fazem parte de uma série de estudos divulgados por mais de 40 pesquisadores, liderados por cientistas da USP. A publicação, veiculada na revista científica The Lancet, aponta que essa tendência não é exclusiva do Brasil. A análise reuniu informações de 93 países e mostrou que o consumo de ultraprocessados cresceu ao longo dos anos na maioria das nações. Entre os avaliados, o Reino Unido apresenta uma das maiores participações desses produtos na composição da dieta, com cerca de 50%, índice superado apenas pelos Estados Unidos, onde os ultraprocessados representam mais de 60% da alimentação. 

Infográfico horizontal dividido em quatro colunas com tons degradê de rosa e marrom. Da esquerda para a direita: a primeira coluna mostra alimentos "in natura" (ovos, bananas, leite), a segunda, "ingredientes processados" (mel, manteiga, açúcar), a terceira, "processados" (queijo, bacon e pão francês), e a quarta, "ultraprocessados" (salgadinho de pacote, biscoito e refrigerante).

O cardápio de Vinícius

Entre os dias 20 e 22 de março, a Agência de Notícias acompanhou a rotina alimentar de Vinícius. Nesse período, sua mãe, Laura, preencheu um diário alimentar criado pela reportagem sob orientação da nutricionista Larissa Barz. No almoço e no jantar, a criança costuma se alimentar com refeições caseiras preparadas pela mãe e pela irmã, de 14 anos. O arroz e o feijão estão entre seus alimentos favoritos. Entretanto, os ultraprocessados aparecem em refeições “mais rápidas” como o lanche da tarde. No diário, ao todo, foram cinco alimentos ultraprocessados consumidos durante o acompanhamento. Em 72 horas, Vinícius ingeriu 31 aditivos químicos diferentes que não existem em uma cozinha doméstica. Esse cenário não é restrito à casa da família Ferreira, pelo contrário, está presente na maioria dos lares brasileiros.

De acordo com a pesquisa do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), que avaliou o perfil alimentar de crianças de até seis anos em 123 municípios do Brasil entre 2019 e 2020, 80% das crianças abaixo de cinco anos consumiram ultraprocessados. O estudo ainda destaca que 25% das calorias ingeridas pelas crianças provêm exclusivamente desses produtos. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, produzido pelo Ministério da Saúde em 2014, o consumo de ultraprocessados não é indicado. Aliás, o manual orienta a população a basear sua dieta em alimentos in natura e minimamente processados. 

Se o Guia Alimentar é enfático ao desaconselhar esses produtos, a ciência explica o porquê. De acordo com a endocrinologista Maria Edna de Melo, chefe da Liga de Obesidade Infantil da USP, o perigo mora na combinação de formulações que tornam os ultraprocessados mais atrativos. “Para que um alimento seja muito agradável ao paladar, ele costuma ter uma combinação de açúcar, gordura e sal em proporções que atingem o chamado bliss point, o ponto da felicidade”, explica. Para ela, essa combinação faz com que alimentos como biscoitos, doces e salgadinhos estimulem o consumo repetitivo, o que aumenta a possibilidade de doenças futuras como diabetes, hipertensão, obesidade e até depressão.  

A endocrinologista alerta que os efeitos do consumo frequente de ultraprocessados podem aparecer ainda na infância. A partir de exames laboratoriais, já é possível observar alterações, como o aumento do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, resultado da maior ingestão de gorduras saturadas presente nesses produtos. “Quando a criança se acostuma com alimentos muito saborosos, ela passa a preferi-los e pode ter menos interesse por alimentos in natura, como frutas e preparações caseiras”, explica Maria Edna. Esse processo contribui para a formação de um padrão alimentar que favorece o consumo de ultraprocessados e reduz escolhas mais saudáveis.

O paladar e o bolso caminham juntos na hora das compras. O estudo “Alimentação na Primeira Infância: conhecimentos, atitudes e práticas de beneficiários do Bolsa Família”, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infâncias (Unicef) durante a pandemia e publicado em 2021, revela que o sabor é o principal motor de consumo de ultraprocessados (46%), seguido do preço (24%) e da praticidade (17%). A geografia do consumo também impõe barreiras. Enquanto mais da metade das famílias vivem cercadas por lojas de conveniência e lanchonetes, apenas 15% têm acesso a hortas ou feiras próximas de casa. 

Na visão da nutricionista Vanessa Ramos Kirsten, professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pesquisadora da área de políticas públicas de alimentação, a localização da residência é um fator determinante na dieta da população. “Dependendo do CEP [cidade, estado ou país] onde a pessoa mora, isso já influencia o tipo de alimentação que ela vai ter. Por isso, precisamos tomar cuidado para não responsabilizar algumas classes sociais pelas escolhas alimentares”, conscientiza. 

Infográfico vertical, colorido com fundo rosa intitulado “Como identificar um ultraprocessado?”. O material apresenta quatro sinais que ajudam a reconhecer esses tipos de comidas e bebidas. O primeiro é a presença de ingredientes “estranhos”. O segundo é a vida útil longa, característica de produtos que podem permanecer meses na prateleira sem estragar. O terceiro ponto é o marketing atraente, com embalagens coloridas e personagens infantis, frequentemente associados a alimentos ultraprocessados. O quarto é a rotulagem frontal, indicada por um selo em formato de lupa que alerta para alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada e sódio. Ao redor do texto aparecem ilustrações de alimentos industrializados. No canto inferior esquerdo há o desenho de um personagem com cabelo cacheado amarelo e olhos grandes observando a cena, enquanto no canto inferior direito aparece um exemplo de rótulo frontal com os alertas nutricionais.

As receitas do ontem e do hoje

Laura Margarete Ferreira é empregada doméstica e não teve a oportunidade de estudar quando criança por conta da distância da escola de sua casa. Nascida no município gaúcho de Dom Pedrito, ela concluiu o Ensino Médio de forma online já na fase adulta. “Quando eu estava na quarta série, meu pai me tirou do colégio, porque não tinha mais condições de me levar”, lembra. 

Ao ser questionada sobre como era sua alimentação na infância, ela recorda com carinho. “Na minha infância, era tudo bem simples: pão, bolinho frito que a minha avó fazia. E, de doce, tinha doce de batata ou doce de abóbora”, conta. Todos os alimentos citados por Laura podem ser feitos em casa ao misturar ingredientes e seguir receitas.  

Ela ainda comenta que só foi experimentar refrigerante aos 17 anos, quando se mudou para Santa Maria. Com Vinícius, a experiência aconteceu bem mais cedo, ele experimentou a bebida antes de completar três anos de vida. Apesar disso, a mãe garante que tenta limitar o consumo no dia a dia. “Ele toma refrigerante. Eu tento não dar muito, mas às vezes não adianta. Quando ele vê os outros tomando e pede, eu acabo dando”, afirma. Mesmo com o acesso antecipado ao mundo dos refrigerantes, a alimentação da criança, nos primeiros seis meses de vida, foi constituída apenas por leite materno e fórmula – alimento que serve como substituição ou complemento ao leite materno. Laura afirma que o uso da fórmula foi necessário por ter pouco leite na sua segunda gestação. 

Foto selfie, horizontal, colorida com um grupo de 13 profissionais de saúde sorrindo. A maioria veste uniformes azuis ou jalecos brancos com o logotipo do SUS e Ministério da Saúde, em um ambiente de clínica.
Projeto Amamentar reúne integrantes de diferentes áreas da saúde (Foto: Arquivo pessoal)

Os primeiros mil dias da alimentação infantil 

O contato inicial das crianças com a alimentação acontece por meio do leite materno. Garantir uma alimentação adequada desde o começo da vida significa, antes de tudo, assegurar o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses, como explica a nutricionista e pesquisadora Larissa Barz, participante do projeto de extensão Amamentar, da UFSM. “O leite materno é inigualável. A composição dele vai variando de acordo com o tempo, desde o colostro até o leite maduro, trazendo nutrientes específicos e fatores de proteção para o bebê”, elucida a cientista, que também supervisionou a elaboração do diário alimentar de Vinícius. 

Durante a amamentação, todo alimento consumido pela mãe passa para a criança por meio do leite. Assim, o sabor se modifica ao longo do tempo, o que favorece a construção do paladar da criança. “Esse bebê que é amamentado, quando chega na introdução alimentar, já está acostumado com vários sabores. Por isso, muitas vezes, aceita melhor diferentes alimentos”, complementa Larissa. 

Nesse contexto, a alimentação tem impacto direto no desenvolvimento da criança nos seus primeiros anos de vida. Segundo a professora Geovana Bolzan, do Departamento de Fonoaudiologia e coordenadora do Amamentar, os hábitos alimentares formados nesse período influenciam a saúde ao longo de toda a vida. “A criança que se alimenta adequadamente desde o início da vida, começando pela amamentação e depois com uma introdução alimentar equilibrada, tende a se desenvolver melhor e a construir escolhas alimentares mais saudáveis no futuro”, explica. 

O projeto desenvolve um trabalho voltado à orientação sobre dieta adequada na primeira infância e também acompanha o desenvolvimento das funções orofaciais dos bebês, como a sucção e a deglutição. A sucção é o movimento utilizado pelo bebê para retirar o leite durante a amamentação, enquanto a deglutição corresponde ao ato de engolir, permitindo que o alimento siga da boca para o sistema digestivo. 

A equipe multidisciplinar, formada por professores e estudantes de diferentes cursos da UFSM, atua na maternidade do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). O grupo oferece apoio e informações às mães sobre o aleitamento materno logo após o nascimento do bebê. Além disso, o projeto também realiza acompanhamento nutricional das crianças durante a fase de introdução alimentar, que começa a partir dos seis meses de vida. 

Com a finalidade de levar informação de qualidade às famílias, o grupo criou o livro “Raíssa, Colorindo o Prato”. De forma lúdica, a obra auxilia pais e responsáveis a oferecer uma dieta mais saudável às criança e, também, alerta para a busca por tratamento em casos de dificuldades alimentares na infância.

Durante o acompanhamento nutricional, são frequentes os casos de menores de dois anos que já consomem ultraprocessados de forma regular. “Muitas vezes chegam ao ambulatório crianças cujos pais relatam que elas já bebem sucos de caixinha, por exemplo. Esses produtos são considerados ultraprocessados, embora a embalagem traga imagens de frutas, como uma laranja, o que pode levar as famílias a acreditar que se trata de uma opção saudável”, afirma Larissa.

Fotografia horizontal, colorida, em close de uma embalagem de suco industrializado de laranja com fundo branco. No centro há a ilustração de uma fatia de laranja estilizada com elementos gráficos coloridos. A embalagem traz mensagens promocionais como “fonte de vitamina A e zinco” e “contém 10% de fruta”, além da indicação de volume de 200 ml.
Rótulos de alimentos ultraprocessados destacam alertas nutricionais, como alto teor de açúcar e gordura saturada
otografia horizontal, colorida, em close de uma embalagem de suco industrializado de laranja com fundo branco. No centro há a ilustração de uma fatia de laranja estilizada com elementos gráficos coloridos. A embalagem traz mensagens promocionais como “fonte de vitamina A e zinco” e “contém 10% de fruta”, além da indicação de volume de 200 ml.
Embalagem também trazem alegações de benefícios à saúde, estratégia que pode gerar confusão na interpretação das informações pelos consumidores.

Quando a publicidade invade o prato 

Quantas vezes você já foi ao supermercado e encontrou produtos que destacam no rótulo frases como “rico em vitaminas” ou “contém ferro”? Segundo a nutricionista e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais, Juliana de Paula Matos, que realizou um monitoramento de marketing para ultraprocessados, as chamadas alegações nutricionais presentes nas embalagens também funcionam como uma estratégia para confundir o consumidor. “Muitos produtos ultraprocessados se destacam no rótulo que são ricos em vitaminas ou minerais, como ferro ou cálcio. Para quem é da área da nutrição, fica claro que isso não torna o alimento saudável, mas para muitas famílias essa informação pode passar a impressão de que se trata de uma boa escolha”, explica.

De acordo com a profissional, essas mensagens podem ser consideradas uma forma de publicidade enganosa. “É incoerente que um produto que recebe alerta por ser alto em açúcar, por exemplo, também traga na embalagem uma mensagem sugerindo benefícios à saúde. Isso acaba confundindo pais e cuidadores que querem oferecer o melhor para as crianças”, afirma. 

Durante o acompanhamento do diário alimentar de Vinícius, a reportagem observou uma mudança no consumo de bebidas. O refrigerante de cola foi substituído por um suco de laranja industrializado, também classificado como ultraprocessado. “Agora ele está tomando mais desses sucos que a gente compra no mercado”, conta Laura.

Para muitas famílias, identificar esse tipo de produto nem sempre é simples. O tamanho das letras, os termos técnicos e a poluição visual das embalagens dificultam a compreensão das informações nutricionais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), apenas 25,1% da população consegue compreender totalmente o que dizem os rótulos dos alimentos. “Para a gente que não tem estudo é bem difícil”, desabafa a mãe de Vinícius.

Conforme resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde 2022 alimentos com alto teor de açúcar adicionado, gorduras saturadas e sódio precisam estar destacadas com o selo de uma lupa na parte superior frontal das embalagens. Juliana  ressalta que outros países da América Latina já adotaram regras mais rígidas sobre esse tipo de comunicação. “Em lugares como Chile e Argentina, produtos que recebem alertas nutricionais não podem usar estratégias de marketing que surgiram como benefícios à saúde”, diz.

De acordo com Vanessa Ramos Kirsten, a indústria de alimentos utiliza diferentes estratégias para tornar os produtos ultraprocessados mais atrativos ao consumidor e, muitas vezes, dificultar a compreensão sobre sua composição. Uma dessas estratégias é a mudança de nomenclaturas e formulações. “Antigamente era comum encontrar refrigerantes identificados como ‘diet’ ou ‘light’, termos associados principalmente a pessoas com diabetes ou que buscavam emagrecer. Com o tempo, surgiram novas denominações, como ‘zero’, que têm uma linguagem mais ampla e acabam atraindo diferentes públicos”, explica. 

Outra prática apontada pela pesquisadora é a alteração na composição dos produtos para reduzir o valor calórico sem necessariamente torná-los mais saudáveis. “Em alguns casos, parte do açúcar é retirada e substituída por adoçantes. Assim, o produto passa a ter menos calorias e pode até evitar determinados alertas na rotulagem frontal, mas isso não significa que se tornou um alimento saudável”, esclarece.

O avanço dos ultraprocessados também passou a ser tratado como um tema de saúde pública. O problema tem impactos diretos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Uma pesquisa recente, realizada pelo Instituto Desiderata e desenvolvida em parceria com a Fiocruz, estimou que a obesidade infantojuvenil já gera um custo de cerca de R$ 225 milhões ao sistema, considerando despesas com internações, procedimentos e medicamentos. 

A endocrinologista Maria Edna de Melo ressalta que os ultraprocessados estão mais disponíveis para as populações mais carentes, grupo que depende majoritariamente do SUS.  “Os custos associados a doenças já são elevados e tendem a crescer nos próximos anos. A conta acaba chegando para toda a sociedade”, afirma.  

É nesse contexto que Vinícius cresce. Apesar do pessimismo da comunidade científica diante das estimativas alarmantes, Laura segue tentando equilibrar a rotina com hábitos alimentares mais saudáveis. Recentemente, iniciou a construção de uma pequena horta nos fundos de casa. A expectativa, segundo a mãe, é recuperar as tradições alimentares que tinha acesso quando ela mesma era criança. “Agora a gente plantou feijão e mandioca”, conta ela na ânsia por gerar bons frutos a poucos metros de casa.

Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário da Agência de Notícias

Artes gráficas: Pedro Moro, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos: Jessica Mocellin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Maurício Dias, jornalista

Orientação: Viviane Borelli, docente do Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM

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Uma rede de medição de carbono instalada em áreas agrícolas do Rio Grande do Sul está revelando, com precisão inédita, como diferentes sistemas de produção agropecuária interagem com o clima. Coordenado pela UFSM, por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), o projeto utiliza torres de fluxo, um equipamento semelhante à estação meteorológica, porém equipado com sensores mais precisos. Essas torres são consideradas o método mais avançado do mundo para medir continuamente a emissão e a absorção de gases de efeito estufa em lavouras e pastagens.

A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.

À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam a importância deste trabalho, que, ao mesmo tempo em que ressalta o papel do manejo adequado das áreas agrícolas e desmistifica a produção rural - quando bem feita - como vilã das mudanças climáticas, projeta novos mercados e fortalece a internacionalização da UFSM.

Sensores medem CO₂ em tempo real

Ao todo, nove torres de fluxo estão instaladas em diferentes sistemas produtivos do Sul do país, incluindo lavouras de soja, trigo, milho e arroz irrigado, além de pastagens naturais do bioma Pampa. Os equipamentos estão distribuídos em propriedades nos municípios gaúchos de Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.

As torres de fluxo são equipadas com sensores altamente sensíveis, capazes de registrar de forma contínua as absorções e emissões de gases do efeito estufa de uma área. Os instrumentos realizam 10 medições por segundo, identificando se, por exemplo, o dióxido de carbono (CO) está sendo liberado para a atmosfera ou absorvido pelas plantas - e, após, armazenado no solo. “A metodologia em si é única no mundo, só ela que faz isso. É a mais avançada e universalmente aceita”, explica Rodrigo.

Além da medição dos gases, os equipamentos registram variáveis meteorológicas, como temperatura do ar e do solo, radiação solar e precipitação. Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.

Com esse monitoramento contínuo, os cientistas conseguem calcular o chamado fluxo de carbono, que representa o saldo (balanço) entre o carbono retirado da atmosfera pelas plantas durante a fotossíntese e aquele liberado por processos naturais, como respiração das plantas, decomposição da matéria orgânica e atividade de organismos vivos. O acompanhamento permite identificar em tempo real, ao longo do dia, dos meses, das estações e dos anos, quando um sistema produtivo atua como emissor ou absorvedor de carbono.

De meia em meia hora, por três anos

“É preciso no mínimo 10 medidas por segundo da concentração do CO₂ e da velocidade vertical do vento na atmosfera. Com uma análise estatística destes dados se obtém o fluxo, e então é possível dizer, a cada meia hora, se um sistema emitiu ou absorveu”, explica Débora.

Como as medições são realizadas continuamente, a cada meia hora, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano o comportamento das emissões e absorções em cada área monitorada. Com um ano completo de dados, já é possível calcular o balanço anual de carbono de um sistema agrícola, pecuário ou natural e identificar práticas que aumentam a absorção ou as emissões.

No entanto, para garantir resultados mais robustos, o monitoramento precisa se estender por períodos maiores, já que as condições climáticas variam de um ano para outro - no caso, três anos é o período mínimo determinado pelos pesquisadores para captar melhor estas variações. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, salienta Débora.  

[caption id="attachment_72258" align="alignleft" width="396"] Uma das nove torres instaladas pela UFSM (Foto: Divulgação)[/caption]

Pioneirismo e investimentos

A professora Débora destaca o pioneirismo do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LABGEE), que acumula mais de 30 anos de experiência em monitoramento com torres de fluxo, com atualização constante das tecnologias utilizadas. “Nosso grupo, nos anos 1990, já participava de projetos na Amazônia. Mais tarde começamos a usar nos sistemas de manejo do Rio Grande do Sul, e começamos a monitorar mais continuamente a partir de 2010”, afirma.

O conjunto dos equipamentos utilizados no projeto representa um investimento de cerca de R$ 5 milhões, obtido pelo LABGEE ao longo dos anos por meio de projetos financiados por diferentes agências.

Trabalho interdisciplinar

A interdisciplinaridade é essencial para o êxito do projeto. Pesquisadores da Física, da Agronomia, da Meteorologia, trabalhando juntos, contribuem para o melhor entendimento dos resultados, que são utilizados por diversos grupos na UFSM, incluindo a área de sensoriamento remoto, e também de outras universidades. "É um trabalho bem amplo, e os resultados são compartilhados", destaca Débora.

Rodrigo exemplifica que, enquanto para as Ciências Rurais a ênfase maior é no armazenamento do carbono no solo, a Física se interessa pela contribuição dos gases para o aquecimento global, e a Economia estuda a venda e remuneração de créditos de carbono. "A fixação e emissão de carbono é um assunto que permeia vários grupos de pesquisa na UFSM, com diferentes óticas, e todos estão, de certo modo, dependentes de uma metodologia de quantificação, de como saber se um sistema produtivo, seja industrial ou agropecuário, está emitindo ou absorvendo. Aí é que entra esta metodologia, que é uma maneira mais moderna de quantificar", ressalta.

Protagonismo e reconhecimento internacional

O trabalho motiva tanto os produtores rurais envolvidos, que, com o manejo correto, visualizam no futuro monetizar créditos de carbono, quanto alunos de cursos como Física, Meteorologia, Agronomia e Engenharia Ambiental, que participam ativamente dos estudos e, mensalmente, visitam as propriedades nas quais as torres estão instaladas, sob a coordenação do meteorologista Murilo. "Nosso protagonismo é também na formação de recursos humanos para trabalhar com essa metodologia, que não é simples", destaca Débora.

A referência da UFSM na área não é de hoje. "Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. O grupo que tem o maior protagonismo é o nosso. Inclusive, por 20 anos, fizemos em Santa Maria o Congresso Brasileiro de Micrometeorologia, evento bianual que recebia a comunidade nacional e internacional", lembra Débora.

O reconhecimento internacional só cresce. Atualmente, os dados obtidos pelas torres de monitoramento estão entrando em um banco de dados mundial, sendo utilizados por grupos de pesquisa de inúmeros países. "Somos um grupo muito internacionalizado, com inúmeras parcerias. Também recebemos muitos pesquisadores estrangeiros e enviamos alunos de doutorado e pós-doutorado para países como Portugal e Estados Unidos", acrescenta a pesquisadora.

[caption id="attachment_72210" align="alignright" width="566"] Dados são apresentados aos produtores participantes (Foto: Divulgação)[/caption]

Importância ambiental e potencial econômico

A agricultura é frequentemente apontada como uma das fontes de emissão de gases de efeito estufa, mas os estudos conduzidos pela UFSM mostram que sistemas produtivos bem manejados, como é o caso dos que estão sendo monitorados, também podem remover carbono da atmosfera, contribuindo para reduzir o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

As medições feitas pelas torres de fluxo permitem identificar quais práticas agrícolas aumentam essa capacidade de captura, como o uso de plantas de cobertura, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária e manejo adequado das pastagens. “Quanto mais planta tiver no solo, sem intervalos, maior é a absorção, porque o que absorve o CO da atmosfera e coloca no solo são as plantas, por meio da fotossíntese. Sistemas sem pousios são os que mais absorvem”, destaca Rodrigo.

Além de contribuir para reduzir o aquecimento global, essas práticas podem melhorar a fertilidade do solo e abrir oportunidades para geração de créditos de carbono na agropecuária, que podem ser comercializados com empresas interessadas em compensar suas emissões.

Estimativas indicam que, se metade das áreas de pastagens naturais do Pampa fosse utilizada para geração de créditos de carbono, seria possível produzir cerca de 3,3 milhões de créditos por ano. Considerando um valor médio de US$ 10 por crédito, o potencial de receita chegaria a US$ 33 milhões anuais.

Além disso, práticas que aumentam a captura de carbono — como rotação de culturas, plantas de cobertura e manejo adequado do solo — tendem a melhorar a fertilidade e a estrutura do solo, contribuindo também para maior produtividade agrícola.

 

 

O que mostra o monitoramento

Os resultados das pesquisas conduzidas pela UFSM têm indicado que práticas agrícolas adequadas podem transformar lavouras e pastagens em aliadas importantes no combate às mudanças climáticas, ao ampliar a captura de carbono e reduzir emissões de gases de efeito estufa.

No arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno nas lavouras reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. As lavouras que cultivam soja e trigo, muito comuns na região, podem absorver até três vezes mais CO₂ por hectare se intercaladas por plantas de cobertura. A produção de bovinos em pastagens do Pampa pode absorver CO₂ pelo correto manejo da pastagem, compensando as emissões de metano pelo gado, aliando a produção de uma carne de qualidade com absorção de gases do efeito estufa.

Já a lavoura de trigo, segundo Rodrigo, é uma grande absorvedora de CO₂, mas deixá-la parada, sem cultivo, a torna uma emissora de CO₂. De maneira geral, conforme ele, as lavouras do RS têm potencial de serem absorvedoras de CO₂ e poderiam ser utilizadas para venda de créditos de carbono.  

Próximos passos: novas culturas e créditos de carbono

Os estudos conduzidos pela UFSM seguem em andamento e buscam ampliar o conhecimento sobre como diferentes práticas agrícolas influenciam o balanço de gases de efeito estufa nos sistemas produtivos do Sul do Brasil. Os pesquisadores esperam que os dados obtidos possam orientar estratégias de produção mais sustentáveis, apoiar políticas públicas e fortalecer o papel da agropecuária na mitigação das mudanças climáticas.

Assim que cada um dos sistemas produtivos que estão sendo monitorados atualmente completar três anos de dados gerados, outras culturas poderão ser contempladas, como a integração entre lavoura e pecuária e a fruticultura.

Outro passo futuro, assim que houver dados de três anos em cada sistema, é trabalhar em projeto piloto de crédito de carbono. "Como esse trabalho não é em nível de pequenos experimentos, mas sim em nível de fazenda, esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono", afirma Débora.

Texto: Ricardo Bonfanti
Arte gráfica: Daniel Michelon De Carli

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/26/ccsh-promove-mais-uma-edicao-do-study-summit Thu, 26 Mar 2026 10:38:46 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72264 [caption id="attachment_72266" align="alignright" width="659"] Universitários descobrem novas oportunidades no hall do prédio 74C[/caption]

O Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH) realizou, nesta quarta-feira (25), o primeiro dia do “CCSH Study Summit”. No hall do prédio 74C, o evento, em sua terceira edição, reúne projetos de extensão, grupos de pesquisa, empresas juniores e outras iniciativas acadêmicas da universidade.

“O evento amplia um pouco a visão dos nossos estudantes de sair daqueles projetos e cursos que eles já conhecem, e buscar coisas novas”, afirma a chefe da Subdivisão de Comunicação do CCSH, Carolina Schneider Bender. Segundo ela, a proposta é para aproximar os universitários de iniciativas em diversas áreas, possibilitando o diálogo sobre experiências e a troca de informações com as equipes.

Embora idealizado por universitários e servidores do Centro, o evento não se limita apenas a iniciativas das Ciências Sociais e Humanas. “A gente quer ações que criem oportunidades para os nossos alunos, então projetos de outros centros também são super bem-vindos”, revela Bender. Nesse sentido, a programação também traz novidades nesta edição, como o showcase de Produtos Técnicos e Tecnológicos (PTT), que apresenta soluções desenvolvidas nos programas de pós-graduação, e o meetup de projetos voltados a temáticas envolvendo mulheres, criando um espaço de diálogo em referência ao Dia Internacional da Mulher.

[caption id="attachment_72267" align="alignleft" width="548"] Cauê Santos explica para os universitários o que é o "Paralelo 33"[/caption]

Quem faz acontecer

Entre as 29 iniciativas que integram o evento, o "Paralelo 33", na sua terceira participação, apresenta ao público a proposta que orienta suas atividades. Voltado ao estudo do Sul Global, o grupo se baseia em uma perspectiva teórica que aborda vivências sociais, culturais, políticas e econômicas da América Latina, África e Ásia.

“É importante tanto para expor o que a gente faz, quanto para conhecer outras ideias e pessoas”, afirma Cauê Santos, vice-presidente do projeto e estudante de Relações Internacionais, destacando o evento como um espaço de troca e conexão. “O atrativo do Paralelo é para quem quer aprender a ter uma visão crítica”, completa o estudante, ressaltando um dos princípios centrais do projeto.

Vinculada ao curso de Administração, a empresa júnior "Objetiva Jr." tem 32 anos de experiência na vivência empresarial, com foco na atuação prática junto a clientes reais. “Poder ter contato com os estudantes, especialmente os que estão começando, é muito positivo, porque muitos ainda estão confusos sobre o que podem fazer na universidade, e o evento oferece uma visão mais prática dos projetos de extensão”, ressalta Gabriel Mello, presidente executivo da empresa júnior e estudante de Administração. Para ele, o Study Summit amplia o contato com os estudantes, contribui para atrair novos integrantes e fortalece o networking entre as iniciativas. O projeto também se destaca pela diversidade, com a participação de membros de diferentes cursos.

Com uma proposta voltada à promoção do direito à literatura no sistema prisional, o projeto “Livros que Livram” destaca seu caráter humanitário ao participar do evento. A iniciativa busca levar leitura a pessoas privadas de liberdade, contribuindo para a remição de pena e, principalmente, para a dignidade humana. “A literatura pode trazer um respiro, uma fuga e, especialmente, uma transformação na vida do apenado”, aponta Otávio Maziero, membro do projeto e estudante de Direito. Ele também evidenciou o impacto social do projeto, tanto para a comunidade que circula no evento quanto para a formação acadêmica dos integrantes.

Estudantes descobrem novas oportunidades

[caption id="attachment_72268" align="alignright" width="566"] Ao todo, 29 projetos de extensão, grupos de pesquisa, empresas juniores e outras
iniciativas acadêmicas estiveram presentes no primeiro dia do evento[/caption]

A percepção dos estudantes que visitaram o evento reforça a proposta de aproximação com o público. Para a caloura de Jornalismo Giulya Araujo, o "Study Summit" contribui para ampliar o conhecimento sobre os projetos. “Descobri um podcast de Relações Internacionais que eu não conhecia. Foi bem legal porque consegui bater um papo com o pessoal do projeto ", revela.

Ao circular pelos estandes do evento, a estudante Julia Portella, do curso de Ciências Contábeis, destacou a facilidade ao acesso das informações no contato direto com os projetos. “Hoje em dia, a comunicação normalmente é pelo Instagram. O pessoal divulga edital, divulga projeto e fica difícil achar cada um. Vindo aqui, conversando com quem está participando desses projetos, a gente já consegue saber na hora sobre o que se trata”, comentou. Assim, o evento se consolida como um espaço de descoberta, troca e conexão dentro da universidade.

[caption id="attachment_72269" align="alignleft" width="482"] Atividades ocorrem até quinta-feira (26)[/caption]

Programação continua nesta quinta-feira (26)

Estará presente no meetup de projetos nesta quinta-feira (26) o grupo GIDH (Gênero, Interseccionalidade e Direitos Humanos), que se destaca pela promoção de debates sobre igualdade de gênero, raça e classe dentro e fora da universidade.

Para a coordenadora, Mariana Selister Gomes, o "Study Summit" representa um espaço de visibilidade e articulação para o projeto. “É um espaço importante para conhecimento e troca, onde também novos integrantes possam vir a participar do GIDH, assim como de outros projetos que vão estar sendo apresentados, debatidos e conversados”, afirmou. Além das atividades de extensão, o grupo também apresenta a cartilha “Berta Lutz: Direitos Humanos e Direitos das Mulheres”, que será levada às escolas.

O "CCSH Study Summit" segue nesta quinta-feira (26), das 9h às 17h, com mais um dia de oportunidades para troca de experiências e aprendizados para os universitários. Confira a lista completa de projetos e mais informações no Instagram oficial do CCSH (@ccsh.ufsm).

Texto: Giovanna Felkl, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Gabriele Mendes, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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