UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Tue, 21 Apr 2026 01:30:43 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/tvcampus/2024/03/11/dia-do-paleontologo-escavar-pesquisar-e-divulgar-ciencia Mon, 11 Mar 2024 11:54:41 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/tvcampus/?p=3322

Estudar os fósseis e vestígios do passado requer tempo e paciência, afinal, cada etapa é importante!

🦕 Em 7 de março é comemorado o Dia Do Paleontólogo, profissional que, com muito trabalho, ajuda a responder perguntas sobre a evolução dos seres vivos que há séculos intrigavam a humanidade.

🦖 Na UFSM, o CAPPA desenvolve atividades paleontológicas na região da Quarta Colônia, onde estão localizados os dinossauros mais antigos do mundo.

🏛️ No local, uma exposição apresenta ao público um pouco da vida há milhões de anos. E essa é justamente a nossa parada: a exposição do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica, em São João do Polêsine. Confere só!

 

http://youtu.be/cWVYt3A9ASg?si=PZGyG2S8NCBbCXP4
]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/08/16/fossil-que-muda-paradigma-da-origem-dos-dinossauros-e-pterossauros Wed, 16 Aug 2023 15:05:51 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63346

[caption id="attachment_63349" align="alignright" width="700"] O Venetoraptor gassenae viveu por volta de 230 milhões de anos atrás
(Ilustração: Caio Fantini)[/caption]

A descoberta de um novo fóssil na região central do Rio Grande do Sul traz pistas inéditas sobre a origem de dinossauros e pterossauros ao revelar que essas criaturas evoluíram a partir de uma amplitude de formas muito maior do que se pensava. O achado foi feito por um grupo de pesquisadores de diferentes países, liderado por paleontólogo do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e está descrito na edição desta quarta (16) da revista “Nature”, um dos mais importantes periódicos científicos do mundo.

Dinossauros e pterossauros são alguns dos organismos fósseis mais populares. Eles dominaram a Terra durante a Era Mesozoica por aproximadamente 165 milhões de anos, sendo extintos 66 milhões de anos atrás, após o impacto de um enorme asteroide. Enquanto a extinção desses animais sempre foi tema de muitos estudos, as suas origens ainda são pouco compreendidas. Isso ocorre em virtude da escassez de fósseis de seus precursores, os quais são muitas vezes incompletos, fragmentários e mal preservados. Como resultado, até hoje não se sabia como era o plano corpóreo completo, a biologia e a ecologia desses precursores. Contudo, um fóssil escavado no território do Geoparque Quarta Colônia, na região central do Rio Grande do Sul, traz novas e importantes pistas sobre essas questões. 

Descoberta no município de São João do Polêsine, em 2022, pelo paleontólogo do Cappa/UFSM Rodrigo Temp Müller, a nova espécie recebeu o nome de Venetoraptor gassenae. “Venetoraptor” significa o raptor de Vale Vêneto, em referência a uma localidade turística chamada de “Vale Vêneto” no município de São João do Polêsine. Já o nome “gassenae” faz homenagem a Valserina Maria Bulegon Gassen, uma das principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia.

Como era o Venetoraptor

A nova espécie media aproximadamente 1 metro de comprimento, pesava entre 4 a 8 quilogramas, e locomovia-se adotando uma postura bípede, tendo as mãos livres para manusear presas ou escalar árvores. O animal carrega uma combinação de características incomuns, como um bico raptorial e mãos proporcionalmente grandes que são munidas de garras longas e afiadas.

O pequeno réptil viveu por volta de 230 milhões de anos atrás e pertence a um grupo extinto chamado de Lagerpetidae. Esses animais são considerados os parentes mais próximos dos pterossauros, os répteis voadores que dividiram a Terra com os dinossauros. Porém, diferente dos pterossauros, o Venetoraptor gassenae e os outros lagerpetídeos não foram animais voadores.

Esqueleto e reconstrução em escala do Venetoraptor gassenae

Detalhes da anatomia do Venetoraptor gassenae (Ilustração: Caio Fantini)

Estudo traz grande contribuição à paleontologia

[caption id="attachment_63352" align="alignleft" width="601"] Fóssil de Venetoraptor gassenae (Foto: Janaína Brand Dillmann)[/caption]

Venetoraptor gassenae é um dos precursores dos pterossauros mais informativos já descobertos, permitindo, pela primeira vez, um olhar mais detalhado na face desses répteis enigmáticos. O bico raptorial incomum antecede àquele dos dinossauros em aproximadamente 80 milhões de anos. Em aves modernas, bicos semelhantes são atribuídos a diversas funções, como rasgar carne ou o consumo de frutas duras. Associado com as grandes garras em forma de foice, o bico pode ter sido usado para lidar com potenciais presas. Além disso, as garras podem ter ajudado o Venetoraptor gassenae a escalar árvores. 

Combinando as novas informações produzidas a partir da descoberta do Venetoraptor gassenae com outras descobertas recentes de precursores de dinossauros e pterossauros, os pesquisadores foram capazes de observar que a variedade de formas desses precursores foi muito maior do que se imaginava. Essa alta diversidade indica que a linhagem que originou os dinossauros e pterossauros passou por um primeiro grande pulso de diversificação antes do estabelecimento dos répteis mais famosos da Era Mesozoica. Desta maneira, o sucesso evolutivo dos dinossauros e pterossauros foi resultado da sobrevivência diferencial em meio a um conjunto mais amplo de variação ecológica e morfológica. 

A descoberta de um réptil com uma morfologia tão incomum não apenas lança luz sobre mais um componente dos ecossistemas triássicos que testemunharam a origem dos dinossauros e pterossauros, como também demonstra que uma extraordinária diversidade de organismos desconhecidos ainda está escondida nas rochas ao redor do mundo.

Descoberta dos fósseis

Os fósseis do Venetoraptor gassenae foram escavados em uma localidade fossilífera denominada “Sítio Buriol”, no município de São João do Polêsine, sul do Brasil. Além dele, no local também já foram encontrados fósseis de dinossauros primitivos, parentes de crocodilos com placas dérmicas, outros precursores de pterossauros e répteis herbívoros chamados rincossauros.

Os elementos ósseos do Venetoraptor gassenae estão perfeitamente preservados, representando um dos lagerpetídeos mais bem preservados já encontrados. Os fósseis ficarão em exibição no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/UFSM, no município de São João do Polêsine, o mesmo município em que ele foi descoberto.

UFSM na Nature

[caption id="attachment_63353" align="alignright" width="410"] Escultura de Venetoraptor gassenae em vida (Foto: Maurílio Oliveira)[/caption]

A Nature é uma revista científica interdisciplinar britânica, publicada pela primeira vez em 1869. É um dos principais e mais citados periódicos científicos do mundo, com mais de 9 milhões de leitores por mês. Esta é a primeira vez que um estudo liderado por pesquisadores da UFSM é capa da edição semanal do “braço principal” da Nature. O paleontólogo Rodrigo Temp Müller, que encabeça o estudo, comemora: “Sinto muito orgulho de termos conseguido alcançar a capa de um dos maiores periódicos científicos do mundo. Isso mostra que a pesquisa paleontológica que produzimos no Brasil, na UFSM, está em um nível muito elevado”.

A pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa da UFSM, Cristina Wayne Nogueira, também celebra a dimensão e o impacto desse espaço. “Esta publicação é um reconhecimento do trabalho de excelência dos nossos pesquisadores. Ela demonstra que a instituição produz ciência de altíssimo nível e também a consolidação do ecossistema de pós-graduação e pesquisa na UFSM, sua posição de referência em produção de conhecimento de excelência, conferindo visibilidade e reputação institucional em nível internacional”.

Equipe

Participaram do estudo Rodrigo Temp Müller (Universidade Federal de Santa Maria, Brasil), Martín D. Ezcurra (Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Argentina), Mauricio S. Garcia (Universidade Federal de Santa Maria, Brasil), Federico L. Agnolín (Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Argentina), Michelle R. Stocker (Virginia Tech, Virginia, EUA), Fernando E. Novas (Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Argentina), Marina B. Soares (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), Alexander W. A. Kellner (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil) e Sterling J. Nesbitt (Virginia Tech, Virginia, EUA).

O estudo teve financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientıfico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ), da Agencia Nacional de Promoción Científica y Técnica e da Paleontological Society.

Com informações do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM
Ilustração de capa: Caio Fantini

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/04/14/paleontologos-descobrem-nova-especie-pre-historica Fri, 14 Apr 2023 12:36:34 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=61827 Paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) publicaram na última terça-feira (11) um estudo no periódico científico Scientific Reports descrevendo uma nova espécie de réptil fóssil escavado no território da Quarta Colônia, na região central do Rio Grande do Sul. A descoberta traz novas informações sobre a origem dos dinossauros.

Reconstrução do de Amanasaurus nesbitti (por Matheus Fernandes)
[caption id="attachment_61830" align="alignleft" width="571"] Escavação em Restinga Sêca (Foto: Janaína Brand Dillmann)[/caption]

Mundialmente conhecido por abrigar alguns dos fósseis mais antigos de dinossauros, o território do Geoparque Quarta Colônia Aspirante UNESCO tornou-se palco de diversas descobertas no campo da paleontologia. A mais recente trata-se de uma nova espécie oriunda do interior do município de Restinga Sêca. Os restos fósseis foram escavados em um sítio fossilífero conhecido como “Pivetta”, localizado próximo do limite com o município de São João do Polêsine. Para a região, é um achado particularmente interessante pelo fato de que, até o momento, Restinga Sêca ainda não possuía espécies de dinossauros oficialmente descritas. Entretanto, para a ciência, a importância do achado vai muito além. A nova espécie faz parte de um grupo de répteis pouco conhecido em camadas com idade aproximada de 233 milhões de anos. Deste modo, a descoberta ajuda a preencher uma lacuna do conhecimento sobre a origem dos dinossauros.

“Lagarto da chuva”

[caption id="attachment_61832" align="alignright" width="590"] Fósseis da perna de Amanasaurus nesbitti (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

A nova espécie recebeu o nome de Amanasaurus nesbitti. O primeiro nome significa “lagarto da chuva”, originando-se da combinação das palavras “amana” (chuva) do tupi e “saurus” (lagarto) do grego. Esse nome foi escolhido porque no momento em que esse animal existiu houve um período de muitas chuvas e umidade, conhecido como Evento Pluvial Carniano. O segundo nome –“nesbitti”– faz referência ao paleontólogo Norte Americano Dr. Sterling Nesbitt, um dos principais responsáveis pelas pesquisas sobre o grupo ao qual a nova espécie pertence. Os materiais recuperados do Amanasaurus nesbitti incluem restos das pernas de dois indivíduos. De acordo com estimativas utilizando os fósseis do maior espécime, o animal teria cerca de 1,3 metros de comprimento. Além disso, uma série de características dos ossos permite concluir que o animal pertenceu a um grupo chamado de Silesauridae. Esse é um grupo bastante relevante no que tange à origem dos dinossauros, uma vez que, para alguns pesquisadores, eles seriam os parentes mais próximos dos dinossauros. Por outro lado, um grupo crescente de pesquisadores acredita que, ao invés de parentes muito próximos dos dinossauros, os silessauros seriam dinossauros “verdadeiros” e estariam posicionados na base da árvore evolutiva do grupo de dinossauros com chifres e armaduras. Portanto, fósseis de silessauros são essenciais para se preencher a árvore evolutiva dos dinossauros.

Impacto no estudo sobre a evolução dos dinossauros

Cerca de 233 milhões de anos atrás, no momento em que o Amanasaurus nesbitti viveu, as principais linhagens de dinossauros estavam começando a se estabelecer nos ecossistemas terrestres. Por conta disso, acreditava-se que os silessauros tivessem sido afetados pela competição com os outros dinossauros, tornando-se relativamente menores. Porém, a descoberta do Amanasaurus nesbitti mostrou que o tamanho corpóreo dos silessauros não foi drasticamente afetado. Na verdade, eles atingiam tamanhos similares aos de dinossauros de outras linhagens. Além disso, os restos fósseis de Amanasaurus nesbitti foram escavados em uma área que também já revelou esqueletos fossilizados de membros de outras linhagens de dinossauros e parentes próximos. 

Amanasaurus nesbitti em escala (esqueleto por Maurício Garcia e reconstrução em vida por Matheus Fernandes)

Essa elevada diversidade de formas de dinossauros em camadas com aproximadamente 233 milhões de anos se equipara à mesma diversidade observada em camadas com cerca de 225 milhões de anos, momento em que as principais linhagens de dinossauros já estavam bem estabelecidas. Dessa maneira, observa-se que os ecossistemas que testemunharam a irradiação inicial dos dinossauros abrigaram uma grande diversidade de membros de distintas linhagens de dinossauros e também grupos relacionados. Por muitos anos acreditava-se que assim que os dinossauros surgiram, as formas aparentadas foram rapidamente substituídas por eles, que seriam mais adaptados. A nova espécie e uma série de outras descobertas realizadas ao redor do mundo não suportam esse modelo, revelando que a origem e evolução inicial dos dinossauros foi um fenômeno muito mais complexo, marcado por uma explosão de diversidade de formas e espécies.

O estudo foi conduzido pelo paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller e também contou com a participação do aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM Maurício Silva Garcia. A pesquisa recebeu apoio do CNPq, FAPERGS e CAPES.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica

Os restos fósseis do Amanasaurus nesbitti, assim como uma série de outros fósseis, estão depositados no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA), um centro de pesquisa da UFSM que fica localizado em São João do Polêsine. O centro conta com uma exposição de fósseis que pode ser visitada sem custo.

Com informações do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM
Fotos:

Ilustração: Matheus Fernandes

http://www.youtube.com/watch?v=Sc_UxHMhgz0]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/01/30/novo-fossil-de-um-tataravo-dos-mamiferos-que-viveu-junto-com-os-primeiros-dinossauros-e-encontrado-no-rio-grande-do-sul Mon, 30 Jan 2023 19:27:47 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=61070

O Rio Grande do Sul é conhecido mundialmente pelos fósseis dos “tataravôs” dos mamíferos – os cinodontes. Esses animais viveram durante o Período Triássico (entre 251 e 201 milhões de anos atrás), à sombra dos primeiros dinossauros que habitaram o planeta. O estudo dos fósseis desses animais é importante pois é neles que estão as primeiras aparições de características que hoje definem o que é um mamífero.

Um estudo publicado no periódico científico Journal of Mammalian Evolution, descreve um novo espécime de cinodonte que viveu há cerca de 233 milhões de anos, durante o Período Triássico, onde hoje é a região central do Estado do Rio Grande do Sul. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM) e do Museu Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia” (Buenos Aires). Trata-se de um novo e mais completo espécime de Prozostrodon brasiliensis, considerado um dos crânios de cinodontes melhor preservado do mundo para a idade (Carniano 237–227 milhões de anos atrás). O animal pertence ao grupo dos cinodontes derivados (Prozostrodontia), linhagem que inclui os ancestrais dos mamíferos atuais, e representa a primeira radiação adaptativa do grupo.

[caption id="attachment_61072" align="aligncenter" width="992"] Cranio de Prozostrodon brasiliensis (Foto: Leonardo Kerber)[/caption]

A recente descoberta refere-se ao quarto espécime de Prozostrodon brasiliensis conhecido. O primeiro material fóssil (holótipo) da espécie foi coletado na década de 1980, na cidade de Santa Maria (RS), e é representado pela metade anterior do crânio, mandíbulas com dentição e partes do esqueleto pós-craniano. Originalmente, o material foi nomeado de Thrinaxodon brasiliensis, devido às semelhanças morfológicas com a espécie africana, Thrinaxodon liorhinus. Mais tarde, um novo estudo reavaliou o referido material fóssil e sugeriu que este pertencesse a um gênero diferente, passando, dessa forma, a ser chamado de Prozostrodon brasiliensis. Além do holótipo, outros espécimes de Prozostrodon brasiliensis são conhecidos atualmente. O segundo registro para a espécie, descrito em 2017, refere-se a uma mandíbula direita encontrada no município de São João do Polêsine (RS), enquanto o terceiro espécime, registrado em 2020, encontrado na mesma localidade fossilífera do holótipo, corresponde à parte anterior do crânio do animal e parte da mandíbula.

O novo registro da espécie foi encontrado no município de São João do Polêsine (território do Geoparque Quarta Colônia Aspirante Unesco), durante a preparação mecânica laboratorial de um grande bloco rochoso, com aproximadamente uma tonelada, contendo o esqueleto quase completo do dinossauro predador Gnathovorax cabreirai e espécimes de rincossauros (réptil herbívoro). Inicialmente, era conhecida apenas a presença de materiais fósseis desses répteis dentro do bloco rochoso. Com o andamento da preparação mecânica, em meados de 2016, foi encontrado o segundo espécime conhecido de Prozostrodon brasiliensis, representado por uma mandíbula direita com dentes, conforme mencionado anteriormente. Mais tarde, para a grande surpresa da equipe, no ano de 2017, foi encontrado um novo material – o quarto espécime conhecido, um dos mais completos e, provavelmente, melhor preservado, representado pelo crânio e mandíbulas.

O espécime de Prozostrodon brasiliensis em questão é excepcionalmente bem preservado, apresentado a região posterior do crânio preservada, até então desconhecida para os outros materiais. Esse novo achado fornece informações anatômicas adicionais importantes para a espécie, além disso, possibilita uma maior compreensão, por parte dos pesquisadores, a respeito das principais transformações anatômicas cranianas ocorridas nesses animais, antes do desenvolvimento das características mamalianas presentes nas formas modernas.

Segundo os pesquisadores, esse pequeno cinodonte se caracteriza por uma média corporal pequena (pesando um pouco mais de um quilo e com aproximadamente 40 centímetros de comprimento, quando adulto) e provavelmente, devido à sua dentição, teria uma dieta alimentar predominantemente carnívora/insetívora, alimentando-se de insetos e de animais menores. Possivelmente, Prozostrodon brasiliensis apresentava hábitos noturnos, sendo presa de predadores maiores, como dinossauros, tal qual o encontrado ao lado, no bloco rochoso.

O trabalho de pesquisa faz parte da tese de doutorado da paleontóloga Micheli Stefanello, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob orientação do Prof. Dr. Leonardo Kerber e contribuição técnica dos paleontólogos Agustín G. Martinelli, Rodrigo T. Müller e Sérgio Dias-da-Silva.

Fonte: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa-UFSM)
Imagem de capa: Márcio L. Castro

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/09/02/estudo-reforca-hipotese-sobre-origem-de-grupo-de-dinossauros Fri, 02 Sep 2022 18:01:50 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=59573 [caption id="attachment_59575" align="alignright" width="730"] Edmontosaurus, um dinossauro prionodonte (Imagem: Márcio L. Castro)[/caption]

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em parceria com paleontólogos da Universidade de Cambridge (Reino Unido), publicaram nesta quinta-feira (1) artigo no periódico científico Zoological Journal of the Linnean Society no qual investigam a evolução de um dos principais grupos de dinossauros.

As relações de parentesco entre as principais linhagens de dinossauros são constantemente alvo de debates no meio científico. Em 2020, os pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa/UFSM) Rodrigo Temp Müller e Maurício Garcia publicaram um estudo propondo um cenário alternativo que ajudou a explicar a origem de uma dessas três principais linhagens, a qual é chamada de ornitísquia. Dinossauros ornitísquios são aqueles que possuíam o corpo revestido por placas ósseas e espinhos, além de que alguns ainda tinham chifres ou ornamentações no crânio. Entretanto, existia uma lacuna no registro fóssil relacionada a origem desses animais, de modo que eles eram completamente desconhecidos em rochas do Período Triássico, o mais antigo dos períodos da Era dos Dinossauros. De acordo com a proposta dos pesquisadores da UFSM, essa lacuna só existia porque animais chamados de silessaurídeos foram equivocadamente reconhecidos como parentes dos dinossauros ao invés de dinossauros verdadeiros. Quando certas características do esqueleto desses silessaurídeos são analisadas de maneira mais minuciosa, observa-se que eles são posicionados na base da árvore evolutiva dos dinossauros ornitísquios, preenchendo a enorme lacuna do Período Triássico.

[caption id="attachment_59576" align="alignleft" width="612"] Fêmures de Sacisaurus, um dos dinossauros estudados pela equipe (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

Depois que a hipótese dos paleontólogos da UFSM foi publicada em 2020, os paleontólogos britânicos David Norman e Matthew Baron realizaram testes incluindo mais dados na matriz de características anatômicas dos brasileiros. Como resultado, a inclusão desses dados corroborou a hipótese. Foi assim que surgiu a parceria entre a UFSM e Cambridge que resultou no novo estudo. Agora, com a hipótese sendo suportada por mais dados, o time internacional de paleontólogos foi capaz de explorar outras questões relacionadas com a evolução dos dinossauros ornitísquios, revelando a aquisição gradual das estruturas do esqueleto que caracterizam os ornitísquios. 

Outra novidade do estudo envolve uma questão ligada ao nome dos grupos de dinossauros ornitísquios. Uma das dificuldades de estudar a origem desses dinossauros através da nova hipótese é o modo de diferenciar as formas que eram tradicionalmente reconhecidas como ornitísquios verdadeiros e as formas que anteriormente não pertenciam ao grupo dos ornitísquios. A solução surgiu através da “ressurreição” do nome Prionodontia. O nome estava esquecido por quase 150 anos e foi proposto pelo paleontólogo Richard Owen, responsável por nomear o grupo dos dinossauros pela primeira vez. No novo estudo, é sugerido que Prionodontia passe a ser o nome dado as formas “tradicionais” de ornitísquios.

Os paleontólogos responsáveis pela pesquisa dizem que ela não põe fim à discussão, mas sim, serve para estimular novas investigações e também a busca por mais materiais fósseis. Muitas das respostas às perguntas relacionadas com a origem dos dinossauros têm vindo de descobertas realizadas na região central do Rio Grande do Sul, no território do Geoparque Quarta Colônia Aspirante UNESCO. A região abriga os fósseis de alguns dos mais antigos dinossauros do mundo, além de uma rica e diversa fauna de vertebrados extintos. Ainda podemos esperar muitas outras descobertas que nos ajudarão a compreender com maior clareza como foi o passado remoto dessa região.

 

Com informações do CAPPA/UFSM

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/dinos-nos-livros-projeto-da-ufsm-divulga-obras-infantis-em-formato-digital Fri, 24 Jun 2022 13:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9351 “Uma menina esquisita chamada Dina” e “A Dinossaura Gnathovorax Azul” são os títulos das duas obras da escritora Sueli Salva, professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Os livros, em formato de ebook, foram produzidos pelo Centro de Apoio e Pesquisas Paleontológicas (CAPPA) e pelo Laboratório de Experimentação em Jornalismo (LEx), em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão (PRE). 

As obras foram lançadas oficialmente na 49ª Feira do Livro de Santa Maria pela “Série Extensão” - projeto da PRE, que visa divulgar e popularizar o conhecimento técnico e científico produzido por extensionistas da UFSM. Além disso, tiveram suporte financeiro da direção do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE). 

Descrição da imagem: colagem horizontal e colorida de ilustração sobre fotografia. A ilustração é de duas crianças que seguram livros nas mãos. Estão de perfil. A da esquerda é um menino de pele branca, cabelos lisos e bagunçados na cor castanho claro; tem olhos castanhos, veste camiseta azul marinho e, nas mãos, tem um livro de capa azul clara, com uma menina ilustrada ao lado de uma casa e o título "Uma menina esquisita chamada Dina". A criança da direita é uma menina de pele negra, cabelos lisos, curtos e pretos; tem olhos pretos e veste camiseta laranja; nas mãos, livro com capa bege e Ilustração de um dinossauro azul turquesa, e o título "A dinossaura Gnathovorax azul". Os dois livros são assinados por Sueli Salva. Ao fundo, em desfoque, fotografia em tom claro do Teatro Treze de Maio, prédio de dois andares com arquitetura antiga, em tom de rosa queimado.

O paleontólogo Flávio Pretto, do CAPPA, conta que a colaboração dos setores surgiu em 2019: “O LEx tem experiência com a área de comunicação. Juntos, identificamos a demanda do público por materiais de divulgação científica para todas as faixas etárias. Desde então, o grupo foi agregando talentos, crescendo e, aos poucos, estamos começando a atender essas demandas”, destaca. 

A professora do curso de Jornalismo na UFSM e coordenadora do LEX, Laura Storch, comenta que a equipe desenvolve diferentes produtos editoriais e que há previsão de publicação de outros três livros infantis, jogos didáticos e paradidáticos. “Temos interesse em produzir conhecimentos sobre paleontologia e torná-los acessíveis ao público em geral, em particular para as crianças. Temos vontade de transformar os projetos em um programa de pesquisa e extensão, e isso talvez seja possível nos próximos anos”, salienta.

Autora dos livros quis estimular o sentimento, a criatividade e o imaginário do público infantil

Sueli Salva entrou no projeto após a direção do Centro de Educação da UFSM colocá-la em contato com o LEX. “Era início da pandemia, estávamos em trabalho remoto e eu tinha desejo de pensar em coisas novas. Logo nos primeiros encontros, percebi a grandiosidade do projeto, me encantei com o grupo e a diversidade de cursos envolvidos”, conta a professora. 

 

Para Sueli, a literatura infantil é um artefato cultural fundamental para o processo de construção de si e do mundo. Além de operar com o imaginário e o lúdico, estimula a criatividade e possibilita à criança acessar sentimentos novos que ainda está tentando compreender. “Pensando em crianças, tanto a literatura infantil quanto os dinossauros são universos fascinantes. Por que não aliar esses dois campos?”, questiona. 

 

As ilustrações foram feitas de forma colaborativa por dois alunos do curso de Desenho Industrial da UFSM. “Os ilustradores precisaram compreender a proposta da autora ao mesmo tempo em que “contam” uma história própria a partir das ilustrações criadas. Penso que foi um exercício interessante de comunicação visual, visto que os livros são repletos de múltiplas informações, inclusive científicas, que vão ajudando a contar cada história”, explica a professora Laura Storch.

 

Sueli completa: “O que eu posso dizer é que tanto o Guilherme Gomes como a Bruna Dotto abraçaram o texto de tal forma que superaram as minhas expectativas. As ilustrações causam impacto. E é isso que tanto buscamos na educação das crianças”.

 

Bruna Dotto, ilustradora da obra “Uma menina esquisita chamada Dina”, é aluna do quinto semestre de Desenho Industrial na UFSM e conta que nunca havia ilustrado um livro antes. “Foi uma experiência incrível. Os debates com a Sueli eram feitos por intermédio da Laura Storch. O feedback que me era passado era sempre muito importante tanto para o projeto quanto para mim enquanto ilustradora”, comenta.

Já Guilherme Gomes, ilustrador da história da “Dinossaura Gnathovorax Azul”, é aluno do oitavo semestre do curso de Desenho Industrial da UFSM e ressalta a liberdade dada por Sueli quanto às ilustrações. Além disso, comenta que foram feitas muitas reuniões para contextualizar cientificamente o período da história do livro. “Isso incluía estudar a vegetação e a fauna, a fim de adaptar ao estilo de desenho”, lembra.

Histórias dos livros são ambientadas na região da Quarta Colônia

“A Dinossaura Gnathovorax Azul” e “Uma menina esquisita chamada Dina têm suas histórias ambientadas na região da Quarta Colônia, no Rio Grande do Sul - Dina em São João do Polêsine e a Dinossaura Gnathovorax em Vale Vêneto (distrito de Polêsine). Sueli Salva conta que a ideia surgiu a partir da curiosidade que as histórias de dinossauros despertam nas crianças, e também porque na região da Quarta Colônia existem lugares em que foram encontrados fósseis de dinossauros. “Abordar essa temática é um modo de inserir as crianças nesse universo científico, mas também despertar o imaginário infantil, fazendo com que se sintam parte da história. As histórias se relacionam pela temática, pois surgiram a partir de conhecimentos sobre a paleontologia'', argumenta.

A autora explica que a escolha das personagens principais como meninas foi justamente para dar protagonismo ao gênero. “As personagens são detentoras de conhecimento, imaginação e coragem; são capazes de enfrentar dificuldades, se posicionam em relação à preservação da natureza e têm protagonismo. É um outro modo de pensar o mundo, direcionado para o cuidado do outro, que valoriza a coletividade e valoriza a autonomia”, complementa.

De acordo com Laura Storch, o projeto estuda a possibilidade de disponibilizar a versão física dos livros e isso depende da capacidade de financiamento das impressões. Além disso, não existe, ainda, expectativa de venda. “Os livros na versão digital estão disponíveis na página da PRE e, em breve, estarão também no Museu Virtual do CAPPA - um projeto que também está em fase de execução por nosso grupo de trabalho”, destaca.
Descrição da imagem: capa quadrado e colorida de um livro de título "A dinossaura Gnathovorax azul", em preto. No centro da imagem, ilustração de uma dinossaura azul turquesa, com olho verde, dentes brancos, boca grande: está de perfil escorada sobre as patas; tem expressão sorridente. No focinho, uma libélula marrom. Ao lado, selo azul circular com o texto "Série Extensão". Abaixo, em preto, os textos: "Sueli Salva" e "Ilustrações por Guilherme Gomes". O fundo é bege e, na parte inferior, várias gotas de chuva em traços de lápis bege.
Capas dos livros lançados na Feira do Livro de Santa Maria.
Descrição da imagem: capa de livro quadrada e colorida, de título "Uma menina esquisita chamada Dina", em preto. Na parte esquerda da capa, ilustração de menina de pele branca, está com os braços abertos, olhos fechados e cabelos ao vento. Sorri. Os cabelos são loiro escuros, lisos e compridos. Veste jardineira azul marinho com bolso e detalhe de flor sobre camiseta vermelho vinho; usa botas amarelas. No lado direito, no fundo, casa verde claro. A menina e a casa estão sobre gramado verde. Acima da casa, selo azul circular com o texto "Série Extensão". Ao lado esquerdo da casa, em preto, os textos "Sueli Salva" e "Ilustrações por Bruna Dotto". O fundo é azul claro com textura.
"A dinossaura Gnathovoraz azul" (à esquerda) e "Uma menina esquisita chamada Dina" (acima) são de autoria de Sueli Salva.
Expediente: Reportagem: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista; Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-maior-esqueleto-de-dinossauros-do-rio-grande-do-sul Fri, 17 Jun 2022 13:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9333 Há cerca de 20 anos, a equipe do Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia (LEP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizava uma escavação de rotina em um sítio paleontológico na área urbana de Santa Maria quando descobriu um fóssil peculiar. 

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de um paleontólogo ajoelhado em um terreno arenoso. Ele tem pele parda, cabelos escuros, barba rala e escura; usa chapéu cinza e luvas brancas; veste camisa branco gelo por cima de camiseta cinza escuro, calça azul marinho e botas pretas; ele está ajoelhado e segura uma picareta cinza com cabo amarelo. O chão é arenoso em tom de laranja pastel, tem algumas pedras em marrom alaranjado. Abaixo do solo, ossos espalhados na terra marrom. Acima do terreno arenoso, vegetação baixa em verde musgo. Acima, o céu azul com nuvens. Dentes serrilhados e em formato de faca, juntamente com pernas musculosas e tamanho avantajado, faziam desse dinossauro, o “Saturnalião”, um animal temível. Do focinho até a ponta da cauda, ele devia medir cerca de quatro metros e meio de comprimento, fazendo dele o maior esqueleto de dinossauro já encontrado no Rio Grande do Sul. Apesar de não estar completo, comparações com animais de parentesco próximo nos permitem visualizar como seria o restante do esqueleto.
Descrição da imagem: ilustração horizontal e em preto de uma simulação de dinossauro do lado de um homem. A simulação está em ícones pretos. No centro do dinossauro, em branco, o nome "UFSM 11330"; imagens de ossos estão distribuídos no focinho, na mandíbula, no pescoço, nas pernas e no calcanhar. Ao lado, na direita da imagem, homem em pé, com altura maior que o dinossauro. Abaixo, linha com flechas dos dois lados, que vai da extremidade da boca até o fim da cauda do dinossauro, e o número "4,5m". O fundo é claro com textura de papel amassado.
Espécime UFSM 11330, o "Saturnalião", e seu tamanho comparado com um humano de cerca de 1,8 m de altura. Os fósseis conhecidos podem ser visualizados na silhueta.
Descrição da imagem: simulação colorida de um dinossauro marrom com pele escamosa. Ele está de perfil, tem a cabeça baixa na altura das costas, curvado, anda sobre duas patas e tem duas patas menores na parte da frente do corpo. Tem cauda longa, que começa grossa e termina fina. O olho é laranja, tem dentes pontiagudos e língua vermelha. Abaixo da cauda, há uma linha preta e o número "1m". O fundo é branco.
Reconstrução do dinossauro em vida. A cauda tem um metro de comprimento.
Porém, antes de conhecer melhor a história desse achado incrível, vamos entender por que os fósseis encontrados no Rio Grande do Sul são alguns dos mais importantes do mundo. Os dinossauros (grupo que inclui as formas não-avianas - extintas há 66 milhões de anos) e as aves constituem os fósseis mais amplamente reconhecidos pelo público geral Eles dominaram as paisagens da maior parte da Era Mesozoica, uma faixa do tempo geológico que se estende mais ou menos de 250 milhões de anos até 66 milhões de anos, e que é dividida em três períodos: Triássico, Jurássico e Cretáceo. Enquanto os dinossauros do Jurássico e Cretáceo, tais como Tyrannosaurus, Diplodocus ou Stegosaurus, já constam no imaginário popular, aqueles do Triássico ainda são pouco conhecidos, apesar de sua importância.
Descrição da imagem: linha dos tempos geológicos horizontal e colorida. Da esquerda para a direita: retângulo cinza com o texto "Pré-Cambriano", entre os números "4,5 vi" e "540 ma"; retângulo verde escuro com o texto "Era Paleozoica", entre os números "540 ma" e "252 ma"; retângulo maior em azul claro com o texto "Era Mesozoica", entre os números "252 ma" e "66 ma". Acima do retângulo da Era Mesozoica, três retângulos menores: o primeiro, roxo, tem o texto "Triássico", e está entre os números "252 ma" e "200 ma"; o segundo, em azul, tem o texto "Jurássico", e está entre os números "200 ma" e "145 ma". O terceiro, em verde vivo, tem o texto "cretáceo" e está entre os números "145 ma" e "66 ma". O último retângulo, em amarelo, tem o texto "Era Cenozoica" e está entre o número "66 ma" e a palavra "Presente". No retângulo do Triássico, há uma flecha vermelha e um ícone de dinossauro, em vermelho, e o número "233 ma". O fundo é branco.
Tabela do tempo geológico indicando a idade (em milhões de anos) aproximada do material estudado.
O Período Triássico se estende de 250 milhões de anos até 200 milhões de anos e começou com a maior extinção em massa já registrada. Essa extinção eliminou a maior parte da fauna do então supercontinente Pangeia, uma massa de terra única que abarcava todos os continentes que nós conhecemos nos dias de hoje. Tal extinção aconteceu ao longo de vários milhões de anos e reduziu muito a diversidade dos animais dominantes da época, como os sinápsidos (grupo que inclui os mamíferos, seus ancestrais e parentes próximos), o que permitiu que os arcossauros (grupo formado por aves, crocodilos, seus ancestrais e parentes próximos) os substituíssem nos ecossistemas continentais. Porém, foi somente em meados do Triássico que os primeiros dinossauros começaram a aparecer.
Descrição da imagem: mapa em imagem horizontal e em tons de vermelho vinho e verde escuro pastel. O mapa é da Pangéia. Lugares como Eurásia, América do Norte, América do Sul, África, Índia, Antártica e Austrália estão em um aglomerado só. Na localização da América do Sul, duas linhas pontilhadas estão ligadas a dois blocos de texto com listagem de tipos de dinossauros: Gnathovorax cabreirai; Staurikosaurus pricei; Saturnalia tupiniquim; Buriolestes schultzi; Bagualosaurus agudoensis; Nhandumirim waldsangae; Herrerasaurus ischigualastensis; Sanjuansaurus gordilloi; Chromogisaurus novasi; Eoraptor lunensis; e Panphagia protos. O fundo é na cor verde escuro em tom pastel.
Ilustração do supercontinente Pangeia, indicando a posição aproximada dos continentes atuais. Círculos vermelhos indicam as posições aproximadas das localidades na Argentina (à esquerda) e no Brasil (à direita) com os mais antigos dinossauros conhecidos, com a lista de espécies para cada um dos países.

Quando consideramos os registros inequívocos, ou seja, aqueles que temos “certeza” a partir da identificação dos esqueletos fósseis ou da datação das rochas, os mais antigos dinossauros são aqueles encontrados em rochas de cerca de 230 milhões de anos no Sul do Brasil e na Argentina. Existem registros de possíveis dinossauros que potencialmente seriam até mais antigos que esses, porém nem todos os autores concordam com a classificação desses materiais ou faltam estudos de datação dos sedimentos dos quais eles procedem para se ter certeza se seriam realmente mais antigos. No Brasil, tais fósseis são encontrados na Formação Santa Maria, que se estende de Leste a Oeste ao longo da depressão central do Rio Grande do Sul. Nem todos os fósseis achados nessas rochas são de dinossauros, mas, mesmo assim, eles são relativamente raros e considerados de extrema importância para a paleontologia mundial no que diz respeito à origem dos dinossauros.

É neste contexto que a equipe do LEP UFSM trabalhava no dia que encontraram um esqueleto incompleto em uma das ravinas avermelhadas do sítio “Cerro da Alemoa”, em Santa Maria. Os fósseis foram exumados em três datas diferentes, por conta do tamanho e da fragilidades dos elementos, e receberam o código UFSM 11330. Logo que foram escavados, os paleontólogos e estudantes sabiam que estavam diante de um animal relativamente grande e que se tratava de um dinossauro. Na época, apenas duas espécies brasileiras de dinossauros encontradas em rochas daquela idade (mais ou menos 230 milhões de anos) eram conhecidas: o Staurikosaurus pricei e o Saturnalia tupiniquim. Com as informações limitadas que tinham em mãos, a equipe considerou preliminarmente que o exemplar UFSM 11330 compartilhava mais semelhanças com Saturnalia; porém, o novo espécime apresentava o dobro do tamanho ou até mais, o que lhe conferiu o apelido de “Saturnalião”.
Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma elevação de terra do tipo arenosa, na cor marrom alaranjado. Há grama e vegetações rasteiras no solo e, ao fundo, árvores altas em verde escuro. No fundo, o céu azul.
Fotografia do sítio Cerro da Alemoa, em que foi realizada a coleta do material estudado.
Ao longo dos anos, outros pesquisadores e alunos iniciaram seus trabalhos de descrição do esqueleto fóssil do “Saturnalião”, mas nenhum trabalho seguiu adiante para publicação final em periódico científico. Foi somente em anos recentes que o “Saturnalião” viria a ser analisado novamente. Em 2017, eu já fazia parte do LEP e, durante uma visita à coleção de paleovertebrados no prédio da Antiga Reitoria, o curador e chefe do laboratório, professor Átila Da Rosa, me mostrou os elementos preservados daquele dinossauro e me ofereceu a oportunidade de trabalhar com o material. Essa pesquisa teve como resultado um artigo científico publicado no início de 2021, que viria a compor um dos quatro capítulos do meu Trabalho de Conclusão de Curso, que defendi no fim de 2019.
Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de um homem de pele branca acrocado sobre solo arenoso de cor marrom alaranjado. Ele tem cabelos escuros; usa máscara preta e chapéu cinza; veste camiseta cinza escura e colete bege, calça preta e botas brancas. Olha para um objeto que está nas mãos. Ao fundo, arbustos e árvores em verde escuro, e o céu ao fundo, claro.
Maurício Garcia em trabalho de campo em um sítio do Período Triássico no município de Agudo (RS). Fotografia por Janaína Dillmann.

Nesse artigo, em co-autoria com os pesquisadores Rodrigo Müller, Flávio Pretto, Átila Da Rosa e Sérgio Dias da Silva, nós reavaliamos o material disponível que constitui o “Saturnalião” e discutimos suas implicações. Após preparação e triagem dos fósseis encontrados, constatamos que, além dos restos pertencentes a um dinossauro, elementos de um rincossauro, tipo de réptil abundante que conviveu com os primeiros dinossauros nas paisagens do Triássico, estavam ali misturados. O esqueleto do “Saturnalião” é composto por ossos da cabeça, coluna vertebral e pernas do animal, vários dos quais são muito importantes para identificar a qual grupo de dinossauros pertenceu aquele indivíduo. 

Para nossa surpresa, o “Saturnalião” estaria mais próximo do grupo Herrerasauridae, que contempla animais carnívoros de médio a grande porte, como o Staurikosaurus, do que aos Sauropodomorpha, como Saturnalia, grupo que inclui os grandes dinossauros saurópodes, que milhões de anos à frente viriam a se tornar os maiores vertebrados terrestres que já existiram.
Descrição da imagem: simulação artística, horizontal e colorida, de um dinossauro alongado, de perfil, com pele verde escuro e acinzentada em alguns pontos. Ele está em uma floresta em tons de verde.
Representação paleoartística do espécime UFSM 11330, o "Saturnalião". Escultura e fotografia por Caetano Soares.
Ilustração horizontal e em tons de cinza de dois dinossauros em movimento. Eles estão sobre água. O primeiro, na esquerda, é do tipo Gnathovorax, está em pé sobre duas patas, tem corpo alongado, cauda grossa e cabeça pequena, e tem penugem na parte do pescoço. O outro, na direita da imagem, é do tipo Saturnalião, é um dinossauro alongado, comprido e robusto, está em pé sobre duas patas e tem outras duas pendentes; tem cauda alongada e grossa e cabeça grande.
Representação paleoartística de dois dos dinossauros encontrados no Triássico da região central do RS. À esquerda Saturnalia tupiniquim e à direita Gnathovorax cabreirai. Ilustração por Matheus Fernandes.

Apesar dos novos dados obtidos, a falta de alguns elementos diagnósticos, como o osso da coxa (fêmur), impediu a atribuição do espécime UFSM 11330, o “Saturnalião”, a uma espécie nova ou a alguma já conhecida. No entanto, o “Saturnalião” é, até então, o maior registro de um esqueleto de dinossauro no Rio Grande do Sul e adiciona à diversidade de herrerassaurídeos, que antes contava apenas com o já citado Staurikosaurus (encontrado em Santa Maria) e Gnathovorax cabreirai (encontrado em São João do Polêsine). Além disso, o grande tamanho do “Saturnalião” nos permite reforçar a ideia de que dinossauros predadores de grande porte estavam presentes há 230 milhões de anos  no Triássico do Sul do Brasil, e nos fornece uma visão mais completa da teia alimentar desta época.

Expediente: Texto: Maurício Garcia, bacharel em Ciências Biológicas pela UFSM e estudante de Mestrado em Biodiversidade Animal pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal - PPGBA/UFSM; Design gráfico: Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista; Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/e-possivel-produzir-gasolina-com-fosseis-dinossauros Fri, 10 Jun 2022 16:54:37 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9319  

Você já deve ter visto tiras de humor como esta:

Descrição da imagem: tirinha em tom de laranja e amarelo com três quadros. O primeiro é vertical em amarelo, com o texto "Todas as criaturas de Deus possuem um propósito na terra". No segundo quadrinho, ilustração de um dinossauro vermelho em frente a um homem de barba branca. Ao fundo, montanhas verdes. Ao lado do dinossauro, balão de fala branco com o texto "Senhor, qual o meu propósito?". Abaixo do homem, balão de fala branco com o texto "Virar petróleo!". No terceiro quadrinho, o dinossauro vermelho está cabisbaixo, na mesma paisagem de montanhas, e, ao lado, balão de fala com o texto "Ok".
Ilustração: Carlos Ruas

Ou postagens nas redes sociais como esta:

Descrição da imagem: captura de tela do twitter da conta "Faria Lima Elevator". O texto: "Como fazer gasolina caseira: primeiro enterre um dinossauro". O fundo é branco.

A crença de que é possível criar gasolina a partir de fósseis de dinossauros circula entre as pessoas há bastante tempo. Isso porque a palavra “combustível fóssil” remete aos fósseis e também porque, segundo algumas teorias, o petróleo é um derivado de restos de animais que viveram há milhões de anos na terra. 

 

Mas será que isso é verdade? A Arco preparou um mitômetro para descomplicar o assunto, verificar se é realmente possível criar gasolina caseira com fósseis e se a origem do combustível está ligada aos animais.

Para isso, consultamos o professor Edson Müller, do Departamento de Química da UFSM, e o pesquisador Átila da Rosa, do Departamento de Geociências da UFSM.

Qual a origem do petróleo?

Descrição da imagem: card quadrado e colorido com cinco dinossauros de brinquedo ao centro. Acima, em preto, o texto "Se petróleo é feito de dinossauros e plástico é feito de petróleo...". Abaixo da imagem, em preto, o texto "... dinossauros de plástico são feitos de dinossauro?". O fundo é branco.
Créditos: Alexandre Berbe/Pinterest

De acordo com Edson Müller, docente do Departamento de Química da UFSM, a teoria de que o petróleo é originário dos fósseis de dinossauros é equivocada. “O petróleo é um combustível fóssil e a origem da etimologia está relacionada com resquícios de animais e plantas. Ele acaba sendo produzido a partir da degradação desses animais e plantas quando são submetidos à alta temperatura e à alta pressão. Então obviamente pode estar relacionado com a questão de restos de dinossauros, mas não só restos de dinossauros”, explica. 

 

O pesquisador Átila da Rosa, do Departamento de Geociências da UFSM, completa explicando que o petróleo é formado pela maturação da matéria orgânica existente no plâncton marinho - organismos microscópicos, de origem animal (zooplâncton) e vegetal (fitoplâncton), que flutuam na superfície do mar.


“Quando morrem (os organismos microscópicos) seus corpos são depositados no fundo lamoso (do mar). Depois de soterrados, ocorre o processo de maturação da matéria orgânica e transformação em querogênio (parte insolúvel da matéria orgânica modificada por ações geológicas), que, por sua vez, se transforma em petróleo. Os dinossauros, ou quaisquer vertebrados marinhos, ocorrem em menor número, e embora sua matéria orgânica também se degrade, são insuficientes para formar tanto petróleo”, afirma o especialista.

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de uma cabeça de fóssil de dinossauro e uma bomba de combustível ao lado de um carro. No lado esquerdo da imagem, cabeça de fóssil grande atrás de três vasos com terra e ossos, ao lado, uma pá amarela. No lado direito, bomba de combustível vermelha e um carro amarelo. Um dos vasos está ligado à bomba de combustível por um cano verde marinho abaixo da terra, que é da cor laranja. Ao fundo, torre verde e esboço de uma indústria e uma torre petrolífera. O fundo é laranja com nuvens brancas.

Ok, a origem do petróleo está, em parte, ligada aos dinos, mas eu posso produzir gasolina caseira com os fósseis desses animais?

Não. O pesquisador Átila da Rosa ressalta que a finalidade dos fósseis, atualmente, está no aprendizado sobre os ambientes e climas do passado. “Servem para auxiliar a entender como e porque aconteceram transformações climáticas e ambientais em tempos remotos, e quais suas repercussões para a extinção de algumas espécies e surgimento de outras”, defende.

 

Ainda, segundo o especialista em química Edson Muller, o combustível é feito a partir da prospecção do petróleo (etapa de localização dos depósitos em bacias sedimentares a partir de análises e observações do subsolo na região), que é submetido a um processo de refino (feito por meio de processos químicos com a finalidade de melhorar o produto). 

 

Geralmente, utiliza-se uma torre de destilação e é possível produzir os diferentes derivados de petróleo: nafta (fração líquida do petróleo), gasolina e óleo diesel. Ou seja, é um processo complexo, não envolve fósseis de dinossauros e só um especialista pode realizá-lo.


“A gasolina é uma mistura bastante complexa. São adicionados antidetonantes para não comprometer o funcionamento do motor do automóvel e ela tem todo um controle de qualidade. Tem que tomar bastante cuidado com os vídeos da internet. Nós dependemos da produção da gasolina a partir do petróleo, o resto é um risco muito grande”, ressalta Muller.

Veredito final: Mito!

 

Não podemos fazer gasolina caseira com fósseis de dinossauros. A origem está ligada a animais e plantas, mas não significa que podemos produzir o combustível em casa. O processo de produção de gasolina é delicado e complexo e só pode ser realizado por especialistas!

Expediente:

Reportagem: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Design gráfico: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Relações Públicas: Carla Isa Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/03/04/descoberto-no-brasil-o-mais-antigo-precursor-dos-dinossauros-da-america-do-sul Fri, 04 Mar 2022 13:16:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=57858 [caption id="attachment_57859" align="alignright" width="531"]imagem colorida horizontal mostra o desenho de dois pequenos dinossauros ao lado de um animal maior, do qual se veem apenas os pés e parte da perna Precursores dos dinossauros em uma paisagem do Triássico Médio do Rio Grande do Sul (Ilustração: Caetano Soares)[/caption]

O Brasil e a Argentina detêm os registros mais antigos de dinossauros do mundo, com cerca de 233 milhões de anos. Os depósitos sedimentares argentinos preservam animais considerados ancestrais próximos dos dinossauros. Esses animais ajudam a entender como se deu a origem dos dinossauros, quais as características que foram mais importantes durante o início da evolução do grupo e quando que os “verdadeiros” dinossauros podem ter surgido. Escavadas em rochas com 236 milhões de anos no noroeste da Argentina, tais criaturas são geralmente pequenas, com pouco mais de um metro de comprimento.

Enquanto que o registro de precursores dos dinossauros em rochas mais antigas do que aquelas que preservam os primeiros dinossauros é relativamente abundante na Argentina, aqui no Brasil não existem registros claros até o momento. Na verdade, não até esta semana. Um novo exemplar escavado no município de Dona Francisca, na região central do estado do Rio Grande do Sul, revelou algumas características vistas apenas no grupo que deu origem aos dinossauros. O animal foi estudado pelo paleontólogo Rodrigo Temp Müller, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), e pelo mestrando Maurício Silva Garcia, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM . O estudo foi publicado no periódico Gondwana Research

[caption id="attachment_57860" align="alignleft" width="533"]imagem colorida horizontal  mostra o desenho do dinossauro, com o esqueleto destacado, ao lado uma mão humana aberta com o osso descoberto, dando ideia do tamanho, e ao lado o globo terrestre, indicando o local onde o animal habitava Precursor dos dinossauros descoberto no Brasil (Infográfico: Maurício Silva Garcia. Fotografia: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

O fóssil é composto por um fêmur com 11 centímetros de comprimento e carrega traços anatômicos que permitem classificá-lo como um dinossauromorfo. Esse grupo de animais  inclui os dinossauros e seus ancestrais próximos. No entanto, o mais interessante é que o exemplar foi escavado em um sítio fossilífero com pouco mais de 237 milhões de anos, o que configura como o registro mais antigo desse grupo de animais na América do Sul. Assim, além de preencher a lacuna que existia no Brasil em relação a esses animais, o fóssil também revela que os ancestrais dos dinossauros viveram na região pelo menos 1 milhão de anos antes do que se imaginava.

Em relação ao resto do mundo, apenas alguns precursores dos dinossauros encontrados na Tanzânia e na Zâmbia podem ser ligeiramente mais antigos do que o exemplar brasileiro. Entretanto, uma série de estudos indicam que os registros desses dois países africanos podem, na verdade, ser mais recentes. Sendo assim, é possível que o material brasileiro seja o registro corpóreo mais antigo de um dinossauromorfo do mundo.

É interessante observar também que o novo exemplar foi descoberto em um sítio com grande abundância de outros répteis. Estes outros animais foram muito maiores e mais presentes naqueles ecossistemas. Como, por exemplo, o predador de grande porte Prestosuchus chiniquensis (um parente muito distante dos crocodilos), que chegava a atingir cerca de 7 metros de comprimento. Já o novo fóssil teria pouco menos de 1 metro de comprimento, de acordo com o tamanho do osso da coxa. Isso revela que os ancestrais dos dinossauros passaram por muitos desafios até se tornarem grandes e dominar os ecossistemas durante os períodos seguintes da história da vida na Terra.

TextoCentro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA)

Ilustração: Caetano Soares

Infográfico: Maurício Silva Garcia a partir de foto de Rodrigo Temp Müller

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/parque-dos-dinossauros Mon, 04 Oct 2021 16:14:01 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8691

Se recriar dinossauros parece coisa simples no cinema, paleontólogos, na vida real, são desafiados diariamente a extraírem de fósseis, muitas vezes frágeis, raros e pouco acessíveis, informações sobre animais há milhões de anos extintos da face da Terra. Modernas tecnologias têm sido aliadas desses cientistas em sua jornada para desvendar o passado. Ferramentas de digitalização e computação gráfica têm revolucionado a análise de fósseis, revelando hábitos, comportamentos e outras características, como peso e tamanho, de seres que vagavam por nosso planeta num passado remoto. 

A paleontologia é, por natureza, uma ciência de interface, um híbrido de geociências e biociências que tenta compreender a vida do passado. Há um quê de detetive no trabalho de quem segue essa carreira. Por meio de fósseis, que são vestígios raros e incompletos, cientistas se esforçam em reconstruir peça a peça aspectos da (paleo)biologia de organismos que desapareceram da Terra há milhões de anos, muitas vezes sem deixar descendentes. E ainda que os filmes de Hollywood explorem com maestria a temática dos dinossauros – fazendo parecer corriqueiro ver esses animais ganhando vida – um dos grandes dramas da vida de quase todos os paleontólogos reside no fato de que jamais teremos a satisfação de ver nossos objetos de estudo ao vivo e a cores. Enquanto biólogos empreendem expedições para observar seres vivos em seu hábitat natural, ao paleontólogo resta (com sorte) um punhado de fósseis para estudar. 

Não que fósseis não sejam importantes. São verdadeiros tesouros. Mas essas relíquias costumam resistir em ceder a informação que carregam consigo. Fósseis tendem a se preservar sepultados em espessas camadas de rocha, e removê-los dessa matriz é um trabalho delicado. Assim como a rocha é um envoltório duro, fósseis são inerentemente frágeis, e sua limpeza é quase um cabo-de-guerra: de um lado, pesa a ânsia por expor informações inéditas; do outro, a cautela necessária para preservar algo único. Geralmente, para evitar danos irreparáveis ao material, temos que optar por expor apenas uma porção do espécime. A própria raridade dos fósseis traz particularidades: o privilégio de visitar coleções paleontológicas ao redor do globo é para poucos, pois demanda recursos financeiros e contatos profissionais nem sempre ao alcance dos cientistas no Brasil.

Muitos desses obstáculos, no entanto, podem ser superados mais facilmente com a contribuição de um ramo fascinante que floresceu nas últimas décadas: a paleontologia virtual. Os avanços tecnológicos e o aumento da disponibilidade de ferramentas de digitalização e computação gráfica têm impulsionado métodos digitais de análise de fósseis. 

A transposição da morfologia de um fóssil para o meio digital oferece uma série de benefícios. Hoje é possível manipular virtualmente fósseis difíceis de se trabalhar (ossos frágeis, grandes, ou elementos pequenos, quase microscópicos). A digitalização de espécimes permite também construir bancos virtuais de dados morfológicos, facilitando o acesso remoto a coleções. Por fim, a criação de modelos digitais permite analisar os fósseis sob óticas antes impossíveis. É crescente o número de trabalhos envolvendo análises de estruturas internas a partir de tomografias computadorizadas de imagens de raios X, simulações biomecânicas de organismos extintos, além de diversas técnicas de reconstrução e preparação virtual de fósseis. Tudo isso permite recuperar, ou ao menos estimar, muito da informação perdida durante os processos de fossilização. Grosso modo, essas técnicas têm permitido a cientistas “ressuscitar” e “observar” os organismos que estudam, ainda que em ambientes simulados virtualmente.

De volta à “vida”: paleontologia virtual e simulações biomecânicas com modelos do rincossauro Teyumbaita sulcognathus (Triássico do RS, 233 Ma). Da esquerda para a direita: fóssil original, modelo gerado por tomografia computadorizada, malha de elementos finitos, modelo de estresse mecânico (em laranja) e reconstrução artística do animal. Modelagem e Simulação: Flávio A. Pretto. Reconstrução Artística: Márcio L. Castro.

Como se digitaliza um fóssil?

As metodologias de digitalização se dividem em dois grupos: as que modelam um fóssil por completo, incluindo sua estrutura interna; e as que capturam somente a superfície externa do material. No Brasil, o primeiro tipo de imagem explora, sobretudo, as tomografias computadorizadas. Já o segundo grupo é contemplado pelo escaneamento a laser e a fotogrametria, também já adotados no país. 

1- Tomografia computadorizada

Raios X e tomógrafos costumam estar mais vinculados à medicina do que à paleontologia. E de fato, quando Wilhelm Roentgen (1845-1923), professor de física em Wurzburg, Baviera, descobriu os raios X em 1895, provavelmente não tinha ideia de que, no futuro, revolucionaria um campo tão distante de sua área de pesquisa. A possibilidade de observar estruturas internas do corpo humano (ou de qualquer material, na verdade), revolucionou não só a medicina, mas as engenharias e as ciências naturais. A partir de 1970, com os tomógrafos de raios X, tal campo se aprimorou. Um tomógrafo de raios X realiza milhares de imagens, que virtualmente fatiam o corpo a ser analisado. O resultado é uma série de secções (slices tomográficos) que, combinados, podem ser usados para obter um modelo tridimensional das estruturas internas e externas de um objeto de estudo.

No Brasil, os pesquisadores têm tomografado fósseis principalmente fazendo uso de tomógrafos clínicos, disponíveis em boa parte das clínicas de imagem; e microtomógrafos, mais raros, normalmente vinculados a universidades ou institutos de pesquisa. Tomógrafos clínicos permitem escanear fósseis grandes; no entanto, há um limite de resolução de imagem desses aparelhos que dificulta o estudo de estruturas anatômicas muito pequenas. Essa limitação é suprida pelos microtomógrafos, que apresentam resolução bem maior do que a de tomógrafos médicos, mas aceitam apenas amostras pequenas, geralmente de até 10 centímetros, em seu espaço de análise. 

Quanto maior a resolução da imagem, mais detalhes os pesquisadores conseguem ver. Enquanto tomógrafos clínicos muitas vezes trabalham em uma escala de milímetros, microtomógrafos revelam imagens na escala de micrômetros (1 micrômetro [µm] = 0,001 milímetro [mm]). Existem outras tecnologias de escaneamento de fósseis por tomografia, como microtomografia industrial, tomografia de nêutrons e tomografia com luz síncrotron, com resoluções ainda maiores, mas esses equipamentos ainda são raros na América do Sul.

2- Escaneamento a laser e fotogrametria

O escaneamento de superfície, ou escaneamento a laser, só pode ser feito com um scanner de superfície, que, em essência, emite feixes de laser que refletem na superfície de um objeto, sendo captados por um sensor no próprio aparelho. Assim, o scanner calcula a posição de diversos pontos, montando um mapa tridimensional. Combinando essa nuvem de pontos num computador, é possível produzir um modelo tridimensional de considerável fidelidade. Scanners de última geração são inclusive capazes de captar as informações de cor dos fósseis, criando modelos 3D coloridos. Esses equipamentos, porém, ainda são caríssimos.

Por sua vez, a fotogrametria é uma técnica mais barata. Usa uma câmera fotográfica digital e softwares de processamento de imagens. O trabalho envolve a tomada de fotografias do espécime e de marcadores de posição, em diferentes ângulos. Ao importar as imagens para um computador, o software calcula o posicionamento das fotografias usando os marcadores. E, a partir das silhuetas do objeto que está sendo digitalizado, o programa combina as imagens em um sólido tridimensional. Por fim, esse modelo é “embrulhado” digitalmente nas diferentes fotografias, conferindo-lhe a cor do objeto. A fotogrametria tende a gerar modelos menos detalhados que em escaneamento a laser ou tomografias. No entanto, o rápido avanço dos softwares tem melhorado a qualidade dos modelos. A existência de aplicativos gratuitos de fotogrametria torna a opção atraente para pesquisadores.

São diversos os campos em que a modelagem e a digitalização têm se inserido na paleontologia para “trazer os fósseis de volta à vida”. De forma resumida, os estudos de paleontologia virtual se agrupam entre os que observam os fósseis por dentro, explorando sua anatomia interna; aqueles que tentam reconstruir informações perdidas no processo de fossilização; e por fim, os que criam ambientes virtuais de simulação.

No cérebro dos fósseis

Cada uma das regiões do cérebro é responsável por controlar funções específicas. Por exemplo, o olfato é majoritariamente processado nos bulbos olfativos, que costumam ser mais desenvolvidos nos animais que dependem desse sentido. Num caminho inverso, podemos inferir muito dos comportamentos e do hábito de vida de um animal observando o formato e a configuração de seu processador central (o cérebro) e dos órgãos sensoriais anexos. Isso abre uma janela de oportunidade para inferir comportamentos de animais extintos. O estudo da evolução morfológica das estruturas endocranianas é realizado majoritariamente através de moldes endocranianos (endocasts), que são representações tridimensionais de qualquer cavidade interna do crânio (como a cavidade nasal, ouvido, canais neurovasculares e, especialmente, a cavidade encefálica). 

Desde a primeira metade do século 19, pesquisas reconhecem a importância do estudo da anatomia interna do crânio para compreender a evolução do cérebro. Antes do advento da tomografia, essa informação só era disponível em espécimes com cavidades internas expostas em fósseis quebrados (natural ou propositalmente) ou fatiados manualmente. Era comum também o estudo de moldes naturais ou de látex, processos que comumente geravam danos ao fóssil. 

Atualmente, imagens de tomografia permitem preencher as cavidades internas virtualmente e gerar modelos tridimensionais das estruturas de interesse, numa dissecção virtual. Visto que estruturas como o cérebro deixam impressões de seu relevo nas cavidades ósseas que o alojam, um molde endocraniano virtual é uma representação fiel do órgão, produzida de maneira mais segura e rápida. Têm se criado verdadeiros bancos de dados de moldes endocranianos de animais extintos e viventes, permitindo avaliar o quanto essas estruturas variaram ao longo das linhagens. De acordo com conceitos estabelecidos pelo cientista estadunidense Harry J. Jerison, da Universidade da Califórnia, em 1973, a massa de tecido neural de uma determinada região do encéfalo se correlaciona com sua capacidade de processamento. Assim, comparando-se dimensões relativas de áreas cerebrais em diferentes espécies, pode-se indiretamente traçar hipóteses sobre a evolução das capacidades sensoriais e cognitivas de animais extintos. 

Dinossauros na balança

Descobrir o peso de um animal extinto é um desafio e tanto. De um dinossauro ou de um mamute, restam, em geral, ossos fossilizados, e mesmo esses têm sua massa alterada pela incorporação de minerais. Portanto, pesar um esqueleto fóssil não diz nada a respeito do animal original. Para conseguir essa informação é necessário realizar uma estimativa de massa. Historicamente foram desenvolvidos diversos métodos com esse propósito, normalmente comparando animais extintos com viventes de tamanhos similares. 

Para animais de tamanho muito grande (como dinossauros) ou de morfologias corporais muito diferentes de animais atuais, a margem de erro dessas estimativas tende a ser grande. Mas a paleontologia virtual tem trazido avanços na área. Por exemplo: ao se montar virtualmente um esqueleto digitalizado, é possível, a partir de algoritmos de embrulho, “envelopar” virtualmente o objeto de estudo em uma espécie de “casca” geométrica, que representa o volume mínimo que aquele animal teria hipoteticamente. Aplicando a esse volume uma densidade corporal (na maioria dos animais viventes em torno de 1000 kg/m³), pode-se estimar um valor mínimo de massa para o organismo modelado. 

Em muitos casos também, estudos anatômicos reconstroem os volumes musculares de animais extintos. Valendo-se desses dados, pode-se guiar reconstruções paleoartísticas digitais, literalmente esculpindo-se o animal sobre os ossos. Essas reconstruções podem ter seu volume facilmente calculado por softwares de manipulação de modelos tridimensionais. Novamente, aplicando-se um valor de densidade corporal, pode-se “pesar” virtualmente um animal do qual só restam os ossos.

Da engenharia à paleontologia

Uma das áreas da paleontologia virtual que mais tem crescido é a das simulações biomecânicas através de modelos digitais. Combinando dados de massa e de morfologia corporal, por exemplo, é possível calcular o centro de gravidade de um animal, o que é vital para se inferir se o seu equilíbrio em duas pernas era possível. E a relação entre a massa corporal e a resistência mecânica dos ossos dos membros que sustentam um animal nos permite estimar o quanto ele poderia forçar sua estrutura óssea. Animais corredores e saltadores, por exemplo, tendem a ter ossos muito robustos, apesar de apresentarem massa corporal comparativamente baixa, justamente para compensar o impacto excessivo gerado por essas atividades físicas extremas.

De fato, as análises de resistência mecânica do esqueleto, aliadas a técnicas digitais, têm trazido alguns dos avanços mais empolgantes referentes à paleobiologia de animais extintos. Um conceito que vem sendo empregado amplamente é a Análise de Elementos Finitos ou FEA (do inglês Finite Element Analysis). Esta metodologia é explorada há décadas por engenheiros e designers de estruturas para testar virtualmente um objeto antes de construí-lo, de modo a identificar falhas mecânicas que possam levar a rachaduras ou fraturas. Paleontólogos vêm desde o final dos anos 1990 replicando os mesmos exercícios com esqueletos virtuais de animais extintos. Em um crânio digitalizado, por exemplo, é possível modelar as propriedades físicas e mecânicas (como elasticidade e resistência) de ossos. Em seguida, aplicam-se sobre esse modelo diversas forças que simulem distintos cenários de mordidas, impactos ou outros estresses mecânicos de interesse, de modo a identificar, na estrutura óssea, quão resistente (e quão verossímil) é o comportamento inferido a um determinado animal. Desse modo, paleontólogos podem testar como o crânio de um tiranossauro resistia ao impacto de uma mordida de quase cinco toneladas sem se despedaçar, ou mesmo comparar a performance mecânica de diferentes morfologias, e como elas se comportavam hipoteticamente em diferentes situações de vida.

A inclusão de metodologias de análise digital, portanto, tem lançado um novo olhar sobre os fósseis e as próprias hipóteses levantadas para organismos extintos. Ao mesmo tempo em que as técnicas de digitalização nos proporcionam acessar coleções via internet e depositar bancos de dados tridimensionais em discos rígidos, elas nos permitem interagir com os fósseis de maneiras novas, virtualmente livres de risco para o patrimônio. E, embora cientistas ainda estejam longe de verem espinossauros e mamutes correndo livres pela natureza, de certo modo, comportamentos e hábitos desses animais vêm sendo “ressuscitados” dia a dia nas telas de computadores e nos dados de pesquisas científicas.

* Texto produzido por Flávio A. Pretto e Leonardo Kerber, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM. Originalmente publicado na Revista Ciência Hoje

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/08/09/dinossauros-escavados-e-estudados-por-pesquisadores-da-ufsm-sao-os-mais-antigos-do-mundo-de-acordo-com-o-guinness-world-records Mon, 09 Aug 2021 10:56:20 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=56484 [caption id="attachment_56485" align="alignright" width="414"] Crânio do Buriolestes (Foto: Rodrigo Temp Muller)[/caption]

A região central do Estado do Rio Grande do Sul é conhecida mundialmente pelo impressionante registro fossilífero. Rochas do Período Triássico (entre 250 e 200 milhões de anos atrás) afloram em beiras de estradas, lavouras e açudes. Dentre os diversos esqueletos fossilizados encontrados nestas rochas, alguns dos que mais chamam a atenção são os de dinossauros. Isso se dá não apenas pela extraordinária preservação, mas principalmente pela idade, a qual faz deles os mais antigos do mundo, com cerca de 233 milhões de anos. Este fato foi reconhecido na semana passada pelo Guinness World Records, tornando as rochas gaúchas as detentoras do recorde de abrigar os mais antigos dinossauros já descobertos. O pedido de reconhecimento foi enviado pelo divulgador Ciro Furtado Cabreira, aliado a um grupo de pesquisadores da área.

Cerca de meia dúzia de espécies já foram escavadas a partir das rochas recordistas do Brasil. Esses dinossauros têm entre 1,50 e 3 metros de comprimento, andavam sobre as patas posteriores e eram carnívoros. Embora muito menores do que os famosos dinossauros dos filmes, os dinossauros gaúchos foram os precursores de toda a história evolutiva do grupo, posteriormente dando origem a todos os outros dinossauros que vivem no imaginário de crianças e entusiastas.

[caption id="attachment_56486" align="alignleft" width="430"] Escavação em Agudo (Foto: Janaina Dillmann)[/caption]

Os municípios gaúchos com os principais registros dos dinossauros mais antigos do mundo são Santa Maria, São João do Polêsine e Agudo. As primeiras descobertas de dinossauros nestas rochas foram publicadas em 1999, com a descrição do Saturnalia tupiniquim, de Santa Maria. Mais recentemente, uma série de novos achados têm sido realizados pelo Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, da Universidade Federal de Santa Maria (Cappa/UFSM). O centro, que fica localizado no município de São João do Polêsine, é o resultado de uma ação que teve início através dos esforços do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (Condesus).

Nos últimos anos, centenas de fósseis já foram escavados pela equipe do Cappa/UFSM. Embora muitos fósseis correspondam a materiais fragmentários, alguns se tratam de esqueletos fósseis muito bem preservados, incluindo os primeiros dinossauros completos a serem escavados no Brasil. Os resultados dos estudos do centro de pesquisa da UFSM têm alcançado repercussão mundial e impactado o que se conhece a respeito da origem dos dinossauros. Alguns dos estudos publicados pelo Cappa/UFSM chegaram a ser noticiados nos maiores jornais do mundo, como o The New York Times, e também em meios especializados, como a National Geographic.

[caption id="attachment_56487" align="alignright" width="419"] Paleontólogo Rodrigo Temp Müller com esqueleto de Buriolestes[/caption]

Atualmente, o Cappa/UFSM tem projetos em andamento financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). Os projetos têm como objetivo encontraram e escavar novos fósseis através de expedições paleontológicas na região, como também investigar eles através do uso de tecnologias avançadas, como tomografias. Além de uma equipe de paleontólogos, o Cappa/UFSM conta com alunos do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, que realizam suas pesquisas de mestrado e doutorado com os fósseis da região sob a supervisão dos paleontólogos do centro.

Por meio destas ações, as descobertas e as pesquisas paleontológicas realizadas no Estado do Rio Grande do Sul tendem a crescer cada vez mais. Mesmo sendo um país em que a ciência ainda é pouco valorizada, o Brasil vem ganhando destaque no mundo através das pesquisas aqui realizadas. O recorde de país com os mais antigos dinossauros do mundo é fruto do esforço de gerações de paleontólogos e entidades públicas e privadas que acreditaram no potencial científico da região.

Fonte: Cappa/UFSM

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/segundo-episodio-do-arco-no-fone-trata-de-estudo-de-cerebro-completo-de-dinossauro Fri, 05 Mar 2021 13:54:41 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6459

A segunda edição do podcast Arco No Fone tem como tema a paleontologia, em especial as descobertas recentes na região da Quarta Colônia. O destaque é o estudo por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria e da Universidade de São Paulo de um cérebro completo do  dinossauro Buriolestes schultzi, considerado um dos mais antigos do mundo. A pesquisa foi publicada no Journal of Anatomy

Os pesquisadores Átila da Rosa e Flávio Pretto, ambos da UFSM, são os convidados. Átila é professor do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade. Já Flávio atua no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica.

A apresentação e a produção do episódio é das repórteres Camila Wesner e Tina Cambuy, estagiárias de Jornalismo da instituição, sob a supervisão do jornalista Maurício Dias. Em função da pandemia, as gravações foram feitas pelas estudantes em suas residências. A sonorização e a edição final de áudio é de Rodrigo Santiago.

O Arco No Fone é uma produção da revista Arco, dedicada ao jornalismo científico e cultural. A publicação está presente em mídias impressas e digitais, e é mantida pela Coordenadoria de Comunicação Social da UFSM.

http://open.spotify.com/show/52aA6CBN7JaTFmR5ecILqU
]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/11/10/buriolestes Tue, 10 Nov 2020 13:42:32 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=54363 [caption id="attachment_54365" align="alignright" width="469"] Reconstrução artística de "Buriolestes". No detalhe, o novo fóssil apresentado pela equipe de pesquisadores[/caption]

Um estudo publicado nesta segunda-feira (9) no periódico britânico Journal of Anatomy apresentou um dos registros mais antigos de fusão sacral em um dinossauro. O estudo, liderado por Débora Moro, acadêmica da Universidade Federal de Santa Maria, discute o fóssil com mais de 230 milhões de anos. “As vértebras da região do sacro são muito importantes na evolução dos dinossauros, pois elas, juntamente com a região pélvica, são responsáveis por sustentar uma parcela importante da massa do animal”, afirma.

A pesquisa ainda avaliou como a morfologia das vértebras sacrais variou ao longo das diferentes linhagens de dinossauros, ao rastrear a anatomia desta estrutura em espécies de animais compreendida em uma faixa de tempo de mais de 100 milhões de anos. “Há uma grande variabilidade na estrutura sacral dentro do grupo, e o fóssil que acabamos de descrever nos ajuda a entender como essas vértebras evoluíram ao longo do tempo”, explica a paleontóloga.

[caption id="attachment_54366" align="alignleft" width="405"] De cima para baixo, representantes dos sauropodomorfos (fora de escala), ilustram a variação na estrutura do sacro aliada à variação na forma e no tamanho corporal[/caption]

Segundo os autores, em pelo menos uma das linhagens analisadas, foi possível reconhecer um padrão evolutivo marcante. Uma tendência evolutiva de dinossauros é a de incorporar vértebras à região do sacro, que pode passar de seis elementos em algumas espécies. “As primeiras vértebras a se fusionarem são as chamadas sacrais primordiais, e isso se repete em diferentes espécies. Esse entendimento nos permite identificar com clareza quais são as sacrais primordiais de animais com muitas vértebras incorporadas ao sacro. Em última instância, isso poderá nos ajudar a entender inclusive como esses processos de incorporação se sucederam ao longo da evolução do grupo”, observa.

O fóssil apresentado pela equipe provavelmente pertenceu à espécie Buriolestes schultzi, um dos dinossauros mais antigos do mundo, encontrado no Sul do Brasil. Embora pequeno, esse dinossauro é um precursor da linhagem dos sauropodomorfos, que incluiu os maiores animais terrestres da história do planeta, como o Brontosaurus e o Brachiosaurus. “É interessante que no começo da linhagem, em um dos primeiros dinossauros do grupo, a fusão sacral já pudesse ocorrer”, comenta o paleontólogo da UFSM Flávio A. Pretto, co-autor do estudo. Ele complementa que a característica foi crucial para que os dinossauros, em especial os sauropodomorfos, atingisse seu "tamanho colossal". "De certa maneira, parece que o arcabouço anatômico que permitiu isso já estava presente nos pequenos dinossauros da Quarta Colônia”, compara Flávio.

O artigo completo é de autoria de Débora Moro, Leonardo Kerber, Rodrigo T. Müller e Flávio A. Pretto, cientistas do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM.

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/11/03/pesquisadores-da-ufsm-apresentam-o-primeiro-cerebro-completo-de-um-dos-dinossauros-mais-antigos-do-mundo Tue, 03 Nov 2020 12:59:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=54309 [caption id="attachment_54310" align="alignright" width="552"] Buriolestes caçando em uma floresta Triássica do Sul do Brasil[/caption]

Um estudo publicado nesta segunda-feira (2) no periódico europeu Journal of Anatomy apresentou a reconstrução do cérebro realizada pelos paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Rodrigo T. Müller, José D. Ferreira, Flávio A. Pretto, Leonardo Kerber e o paleontólogo da USP Mario Bronzati.

O estudo do cérebro de animais extintos ajuda a entender os seus hábitos comportamentais. Entretanto, tecidos moles, como o cérebro, geralmente não se preservam por muito tempo. Portanto, para reconstruir a forma do cérebro de animais fossilizados, os pesquisadores analisam as cavidades do crânio com auxílio de tomografias computadorizadas. Para isto, é necessário que a região do crânio chamada de neurocrânio esteja bem preservada, pois é ela que envolve o cérebro.

Até pouco tempo atrás não existiam neurocrânios completos e bem preservados dos mais antigos dinossauros do mundo, os quais são encontrados no Sul do Brasil e na Argentina. Entretanto, em 2015, o paleontólogo do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM Rodrigo Temp Müller descobriu um esqueleto fossilizado quase completo no município de São João do Polêsine. Este esqueleto com cerca de 233 milhões de anos pertence a um pequeno dinossauro chamado de Buriolestes schultzi e apresenta um neurocrânio muito bem preservado. A partir dessa estrutura, os pesquisadores puderam reconstruir o primeiro cérebro completo de um dos dinossauros mais antigos do mundo.

O cérebro do Buriolestes schultzi é relativamente pequeno, com cerca de 1,5 gramas, ligeiramente mais leve do que uma ervilha. Além disso, a forma do cérebro apresenta um padrão bastante primitivo, lembrando o de um crocodilo. A presença de certas estruturas bem desenvolvidas na região chamada de cerebelo indica que o Buriolestes schultzi foi um caçador capaz de rastrear suas presas fazendo uso de uma visão aguçada. Por outro lado, a capacidade olfativa do dinossauro parece não ter sido muito desenvolvida.

[caption id="attachment_54311" align="alignleft" width="443"] Paleontólogo Rodrigo Müller e o esqueleto fossilizado do Buriolestes schultzi[/caption]

Apesar de se tratar de um pequeno animal carnívoro, o Buriolestes schultzi pertence a linhagem que originou os dinossauros gigantes herbívoros de pescoço longo, chamados de saurópodes (Diplodocus e Brachiosaurus, por exemplo), os quais foram os maiores animais que já andaram sobre a Terra. Porém, o Buriolestes schultzi é considerado como o membro mais primitivo desta linhagem. Assim, comparando o cérebro dele com o dos saurópodes, é possível entender como a linhagem evoluiu.

Uma das tendências evolutivas que mais chamou a atenção foi o aumento dos bulbos olfatórios. Enquanto que essas estruturas responsáveis pela capacidade de sentir os cheiros são pequenas no cérebro do Buriolestes schultzi, nos saurópodes elas são bastante desenvolvidas. O desenvolvimento de um olfato aguçado pode estar relacionado com o aumento na complexidade dos hábitos sociais dos saurópodes. Entretanto, a capacidade olfativa também pode ter ajudado estes animais a reconhecer plantas potencialmente tóxicas ou mesmo detectar a aproximação de predadores.

O estudo ainda apresentou a estimativa da “capacidade cognitiva” do Buriolestes schultzi. Através de cálculos que envolvem o volume cerebral e o peso corporal, é possível estimar o grau de “inteligência” de animais extintos, esse valor é chamado de coeficiente de encefalização. O coeficiente de encefalização do Buriolestes schultzi revelou-se maior do que o dos dinossauros saurópodes, sugerindo um declínio na encefalização nesta linhagem. Este é um fato intrigante, uma vez que muitas linhagens de vertebrados tendem a aumentar a encefalização ao longo do tempo. Por outro lado, observou-se que o valor encontrado para Buriolestes schultzi é menor do que o de dinossauros carnívoros encontrados em rochas menos antigas, como o Tyrannosaurus e o Velociraptor.

Por se tratar do primeiro cérebro completo de um dos dinossauros mais antigos do mundo, este passará a ser adotado como modelo para futuras estudos anatômicos e propostas evolutivas, reforçando mais uma vez a importância da paleontologia e dos fósseis do Sul do Brasil.

Arte: Márcio L. Castro
Foto: Divulgação

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/08/26/nova-hipotese-evolutiva-esclarece-a-origem-de-um-dos-mais-enigmaticos-grupos-de-dinossauros Wed, 26 Aug 2020 13:52:38 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=53421

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) publicaram nesta terça-feira (25) um estudo no periódico britânico Biology Letters em que apresentam uma solução evolutiva para um dos maiores desafios da paleontologia de vertebrados. A pesquisa propõe um rearranjo na base da árvore evolutiva dos ornitísquios, grupo que incluí os dinossauros com chifres e armaduras, como o Triceratops e o Ankylosaurus.

A árvore evolutiva dos dinossauros é composta por dois grupos principais, chamados de Saurischia e Ornithischia. Ambos tiveram origem durante o Período Triássico (entre 252 e 201 milhões de anos atrás).

A origem dos dinossauros saurísquios é bastante explorada, uma vez que são conhecidos diversos fósseis das formas mais primitivas deste grupo. Por outro lado, a origem dos dinossauros ornitísquios é um grande mistério, pois não há registros seguros de fósseis desses animais em rochas do Período Triássico, enquanto que em rochas dos Períodos Jurássico e Cretáceo o grupo é muito bem representado.

Sabe-se que os ornitísquios surgiram durante o Triássico por conta de “linhagens fantasmas”, as quais são reconstruídas por meio de análises filogenéticas (um tipo de reconstrução da árvore “genealógica” dos dinossauros). Em virtude disso, até o momento não se sabia como foi a origem deste grupo de dinossauros e nem como se pareciam as suas formas mais primitivas.

Estudo reduz "linhagem fantasma"

O novo estudo reduz a “linhagem fantasma” dos ornitísquios, preenchendo-a com um grupo de animais que eram considerados como “parentes próximos” dos dinossauros, mas não como dinossauros verdadeiros. Esses animais são chamados de silessaurídeos. Desta forma, os silessaurídeos passam a ser tratados como dinossauros e ainda são propostos como os “ancestrais” dos ornitísquios. Como os silessaurídeos são muito bem registrados em rochas do Período Triássico, eles fazem com que o grupo dos ornitísquios, que não tinha nenhum registro no Triássico, passe a apresentar uma grande diversidade em rochas dessa idade. De fato, os silessaurídeos são conhecidos em rochas de vários lugares do mundo, incluindo o Brasil, onde o grupo é representado pelo Sacisaurus agudoensis, um pequeno animal que viveu a cerca de 225 milhões de anos atrás e foi encontrado em Agudo, no Rio Grande do Sul.

Para chegar a esta nova hipótese, o paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller e o aluno do curso de Ciências Biológicas Maurício Silva Garcia combinaram, em uma única matriz de dados, as informações anatômicas de dezenas de novos esqueletos fósseis descobertos no mundo todo ao longo dos últimos anos. Ao unir os dados com o que se já conhecia, foi possível chegar a esta hipótese alternativa por meio de análises computacionais que processam a enorme quantia de dados anatômicos e recuperam as árvores evolutivas mais prováveis. Os últimos anos testemunharam descobertas significativas em relação aos dinossauros mais primitivos do mundo, inclusive muitas dessas descobertas realizadas em território brasileiro. Por outro lado, antes deste estudo, todas essas novas informações ainda não haviam sido combinadas em um único conjunto de dados abrangente.

Além de novas descobertas, nos últimos anos também foram propostas outras hipóteses evolutivas relacionadas aos dinossauros. Inclusive, chegou a ser proposto que os silessaurídeos pudessem estar relacionados aos dinossauros ornitísquios. Entretanto, diferente dos cenários anteriores, a nova proposta sugere que os ornitísquios teriam evoluído a partir de formas típicas de silessaurídeos, acumulando gradualmente as características típicas do grupo ao longo de milhões de anos. Todavia, os pesquisadores responsáveis pela pesquisa reconhecem que ainda é cedo para que a questão relacionada a origem dos ornitísquios possa ser considerada respondida, na verdade, a partir de agora a hipótese alternativa será testada à medida que novos esqueletos sejam descobertos e novas interpretações venham à tona.

Outra novidade que a hipótese alternativa revelou foi que o ancestral dos dinossauros ornitísquios foi possivelmente um carnívoro. Todos os ornitísquios conhecidos até o momento apresentavam características relacionadas a uma dieta herbívora (isto é, adaptados para comer plantas), porém, a nova hipótese sugere que o ancestral do grupo deve ter sido um animal pequeno e com dentes adaptados a dieta carnívora. Este mesmo padrão também tem sido observado para o grupo dos dinossauros sauropodomorfos (grupo que inclui os gigante pescoçudos), que teriam sido originados de um ancestral pequeno, bípede e carnívoro.

Texto e ilustração: Cappa/UFSM

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/01/31/pesquisadores-da-ufsm-descobrem-nova-especie-de-reptil-que-conviveu-com-os-dinossauros Fri, 31 Jan 2020 11:35:04 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=51046 [caption id="attachment_51047" align="alignright" width="567"]Foto colorida horizontal simula uma paisagem de floresta triássica, com vários tons de verde, e a reprodução do animal à frente, de boca aberta, dentes grandes e cauda "Dynamosuchus collisensis" em uma paisagem Triássica (Por Márcio L. Castro)[/caption]

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), do Museu de La Plata (Argentina) e do Virginia Tech (EUA) publicaram nesta sexta-feira (31) estudo que apresenta uma nova espécie de réptil pré-histórico, o Dynamosuchus collisensis. Com pouco mais de dois metros de comprimento, esse parente distante dos crocodilos viveu há cerca de 230 milhões de anos.

Alguns dos mais antigos dinossauros do mundo são encontrados no Brasil em rochas do Período Triássico. Além dos dinossauros, outros grupos de répteis também viveram durante aquele momento, como é o caso do grupo Ornithosuchidae. Uma descoberta realizada pelo paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller em março de 2019, no município de Agudo (RS), revelou a primeira espécie desse grupo encontrada no país. O achado representa a quarta espécie descrita até hoje em todo o mundo (até então, haviam sido identificados na Argentina e na Escócia), sendo que a última foi descrita há meio século.

Os ornitossuquídeos são répteis caracterizados, principalmente, pela forma do focinho, que é mais projetado para a frente do que as mandíbulas inferiores. Eles também apresentam dois dentes muito grandes em cada lado da mandíbula inferior e uma couraça óssea revestindo todo o dorso, assim como nos jacarés e crocodilos. Por outro lado, diferente dos crocodilos, esses animais não apresentavam adaptações para um hábito de vida semiaquático: eles eram terrestres e se locomoviam com as quatro patas, mas poderiam correr apenas com as patas posteriores eventualmente.

[caption id="attachment_51048" align="alignleft" width="320"]Foto vertical colorida com uma mão aberta e dentro um pedaço do fóssil, ao fundo um terreno escavado Osteodermo (placa óssea), primeiro osso exposto (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

Todos os ornitossuquídeos conhecidos, assim como a nova espécie, apresentam dentição adaptada à dieta carnívora. Estudos apontaram que estes animais tiveram uma mordida muito mais forte do que a de outros parentes próximos, o que, junto com a forma do focinho, pode indicar que eles fossem necrófagos (se alimentavam de animais mortos). A poderosa mordida foi o que serviu para dar nome ao gênero, Dynamosuchus, que significa crocodilo poderoso. Já o epíteto específico "collisensis" é uma adaptação do latim para a palavra "morro", fazendo referência ao local onde o esqueleto foi encontrado, um sítio fossilífero localizado na base do “Morro Agudo”.

Além de aumentar o número de espécies fósseis conhecidas para o Brasil, o novo achado também ajuda a entender como eram compostas as cadeias tróficas de cerca de 230 milhões de anos atrás, no momento em que surgiram os primeiros dinossauros, já que o Dynamosuchus collisensis representa o primeiro réptil com adaptações à necrofagia a ser descoberto em um único sítio fossilífero junto com restos fósseis de dinossauros. Uma abordagem filogenética (análise do grau de parentesco entre as espécies) também revelou que membros do grupo dos ornitossuquídeos devem ter migrado mais de uma vez entre o Brasil e a Argentina, em vez de terem evoluído isolados. Esse mesmo padrão também já havia sido observado para outros grupos de répteis da mesma idade, demonstrando que a evolução destes grupos deve ter sido controlada pelos mesmos fatores.

O estudo foi publicado no periódico científico especializado em paleontologia Acta Palaeontologica Polonica e foi liderado pelo paleontólogo brasileiro Rodrigo Temp Müller, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM, e contou com a participação das paleontólogas argentinas M. Belén von Baczko e Julia B. Desojo, do Museu de La Plata, e do paleontólogo norte americano Sterling Nesbitt, do departamento de geociências do Virginia Tech. A reconstrução do Dynamosuchus collisensis em vida ficou a cargo do paleoartista Márcio L. Castro, que adotou como base informações de crocodilos e jacarés atuais.

 

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/arco-entrevista-paleontologo-rodrigo-temp Mon, 11 Nov 2019 16:02:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6086

A descoberta de um dos fósseis de dinossauro mais antigos do mundo tem chamado bastante atenção para a região central do Rio Grande do Sul. Em estudo recente, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e da Universidade de São Paulo (USP), é possível conhecermos uma nova espécie de dinossauro predador, o Gnathovorax cabreirai. Originário do período Triássico, há 233 milhões de anos, ele é um dos mais antigos já encontrados no mundo.

O fóssil, descoberto na região da Quarta Colônia Italiana de São João do Polêsine, destaca-se por ser o mais bem preservado do tipo já encontrado no país. Devido à completude do material, o esqueleto revela que o animal tinha dentes pontiagudos e munidos de serrilhas, assim como garras longas nos dedos das mãos, que possibilitavam a captura das presas.

O estudo do biólogo Cristian Pereira Pacheco, doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, teve orientação do professor Sérgio Dias da Silva, da UFSM, coorientação do professor Max Cardoso Langer, da USP, e contribuição técnica dos paleontólogos Rodrigo Temp Müller, Leonardo Kerber e Flávio Pretto, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, o CAPPA/UFSM.

A Revista Arco conversou com Rodrigo Temp Müller, pesquisador que realiza trabalhos de campo na região e desenvolve estudos com os fósseis encontrados aqui, pertinho de nós, especialmente dinossauros e grupos relacionados. 

Ilustração do Gnathovorax cabreirai feita por Márcio L. Castro

Arco – Nos últimos dias tem se falado muito sobre a descoberta, feita na região, dos fósseis de um dos dinossauros mais antigos do mundo. Por que essa descoberta desse conjunto de fósseis é tão especial? 

Rodrigo Temp – Ele é o mais completo fóssil de um dinossauro do grupo dos herrerassaurideos. No mundo, nunca havia sido coletado um único espécime tão completo desse grupo. Além disso, ele é interessante porque os membros desse grupo (Herrerasauridae) foram animais de topo de cadeia alimentar, de modo que ele ocupava um papel de destaque nos ecossistemas terrestres do Período Triássico (cerca de 233 milhões de anos atrás). O grau de completude do espécime nos permitiu levantar muitos dados, até então desconhecidos ou pouco explorados. Por exemplo, conseguimos reconstruir, com uso de tomografias, parte do cérebro desse animal, o que revela várias informações sobre o comportamento dele, como, por exemplo, que ele foi um caçador ativo. Outra questão interessante sobre o estudo está relacionada às análises que realizamos com utilização da anatomia dos dentes de diversos dinossauros. Nossa análise demonstrou que a presença de dinossauros terópodes (o grupo que inclui grandes carnívoros famosos, como o tyranosaurus rex) no momento seguinte à existência do Gnathovorax provavelmente foi o fator responsável pela extinção dos herrerasaurídeos e alguns outros dinossauros carnívoros. Além disso, outro ponto interessante é referente à última descoberta que havia sido realizada desse tipo de dinossauro no Brasil. Em 1936, foi coletado em Santa Maria, pelo paleontólogo Llewellyn Ivor Price, um esqueleto que foi enviado para Harvad, nos Estados Unidos. Este esqueleto foi estudado por Colbert e nomeado em 1970 como Staurikosaurus pricei. Porém o Staurikosaurus não é tão bem preservado e completo como o novo esqueleto, que, ao invés de ir para outro país, ficará no Brasil, no CAPPA/UFSM, em São João do Polêsine.

Arco – Quais são as características do Gnathovorax que habitou a região há milhões e milhões de anos?

Rodrigo Temp – De forma geral, ele é um dinossauro bípede, de cerca de 3 metros de comprimento, com dentes pontiagudos e garras afiadas, além de um crânio relativamente grande (isso de forma bem geral). As características mais específicas, que servem para dar suporte à espécie são de difícil compreensão para quem não é bem familiarizado com o tema, como, por exemplo, a presença de uma perfuração no processo obturador do ísquio.

Crânio do dinossauro encontrado em São João do Polêsine (Foto: Rodrigo Temp/Divulgação/Cappa/UFSM)

Arco – Como foi o processo de busca e de descoberta dos fósseis? 

Rodrigo Temp – O esqueleto fóssil foi coletado em 2014, por um trabalho de campo realizado por uma equipe de três instituições: Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Quem encontrou o material foi o paleontólogo Sérgio Furtado Cabreira que, na época, era da Ulbra. Estava ao lado de uma lavoura próxima à área urbana de São João do Polêsine, em um sítio fossilífero já conhecido. Após escavar o esqueleto, ele foi levado dentro de um bloco de rocha até o laboratório de preparação do CAPPA/UFSM, onde passou pelo processo de preparação mecânica, que consiste na remoção do fóssil da rocha. É um processo lento e delicado. Depois de exposto, o esqueleto foi submetido a comparações anatômicas com outros animais relacionados para que se pudesse entender a que grupo ele pertence e se era ou não uma espécie nova. Finalmente, todas as informações anatômicas foram incorporadas em uma matriz de dados morfológicos, que foi processada em programas computacionais que geram árvores evolutivas, as quais nos dizem o grau de parentesco do animal.

 

Arco – De que forma essa descoberta nos ajuda a entender um pouco mais sobre os animais que já viveram na Terra?

Rodrigo Temp – Quando tentamos entender o passado da vida na Terra lidamos com algo muito fragmentado, faltam várias peças. Cada fóssil que descobrimos nos ajuda a completar esse "quebra-cabeça" do passado. Desse ponto, o novo fóssil nos ajuda a preencher uma boa parte da lacuna que tínhamos a respeito de como eram os animais de topo de cadeia do Triássico e de como pode ter sido a ascensão dos dinossauros durante esse período. É um fóssil muito importante que servirá de base para muitos outros estudos a partir de agora.

 

Arco – Outros fósseis já foram encontrados na região central do Rio Grande do Sul. Qual é a importância desta mais nova descoberta?

Rodrigo Temp – Ele soma-se à fauna que a gente já tem de dinossauros da região e ressalta o nosso patrimônio fossilífero. Além de que o esqueleto estará disponível para visita na mostra paleontológica do CAPPA/UFSM, o que poderá atrair ainda mais turistas para a nossa região.

Espécime foi encontrado na microrregião da Quarta Colônia, no Centro do Rio Grande do Sul

Arco – O CAPPA foi fundamental para os estudos sobre o Gnathovorax. Então, o que é e qual é a importância do centro?

Rodrigo Temp – O CAPPA/UFSM é um centro voltado exclusivamente ao estudo e conservação dos fósseis do Território da Quarta Colônia. Nele são desenvolvidas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Há uma mostra paleontológica que recebe milhares de visitantes anualmente. O centro ainda desenvolve atividades de ensino como cursos e disciplinas além das pesquisas. Atuam no centro os paleontólogos da UFSM, assim como estudantes do curso de pós-graduação em Biodiversidade Animal e alunos de diversos cursos de graduação. Em virtude das diversas descobertas e da pesquisa realizada no centro, o CAPPA ajuda a projetar a UFSM internacionalmente, não só em periódicos científicos, mas também através da mídia internacional. Essa visibilidade tem ajudado a formar parcerias com laboratórios de vários países, possibilitando o intercâmbio de informação e o refinamento da formação de recursos humanos pela UFSM.

 

Arco – E para ti, enquanto paleontólogo e pesquisador, como é estar envolvido nessa descoberta tão importante?

Rodrigo Temp – Todos que trabalham com dinossauros do Triássico sonham em poder estudar um herrerassaurídeo, afinal eles eram os "T-rex" da época deles. Dessa maneira eles acabam sendo muito raros. Ter a oportunidade de poder nomear um animal desses, especialmente o esqueleto fóssil mais bem preservado já descoberto de um herrerassaurídeo é incrível, não há como descrever. É simplesmente um momento único da carreira. Por outro lado, saber que fósseis tão incríveis estão abaixo de nós, aqui na região, faz com que tenhamos ainda mais ânimo para seguir nossa busca por estes animais incríveis.

 

Arco – Os nomes dos dinossauros que são descobertos também chamam bastante atenção. Como acontece esse processo de nomeação?

Rodrigo Temp –  Nós analisamos todas as características dos ossos do material, através de comparações com outros esqueletos. Então, se observarmos que o esqueleto apresenta uma combinação única de características nós podemos dar um nome novo, porque significa que ainda era uma espécie desconhecida pela ciência.



Arco – Nós temos acesso à reconstrução do dinossauro a partir dos fósseis que vocês estudam. Como a tecnologia ajuda e qual é o trabalho que vocês realizam a partir disso?

Rodrigo Temp – O uso de tomografias revolucionou o estudo de fósseis pelo fato de que agora conseguimos extrair informações inéditas de fósseis que já haviam sido estudados há décadas. Isso porque é possível analisar os fósseis por dentro, sem precisar danificá-los. Isso abre um enorme leque de possibilidades. Soma-se ainda a possibilidade de intercâmbio de informações entre diferentes laboratórios. Com os modelos 3D, gerados a partir das tomografias, nós podemos ter acesso a espécimes de outros países sem precisar ir até o museu de lá. Isso porque basta o curador enviar o modelo para a gente. Da mesma maneira, os modelos 3D do Gnathovorax estarão disponíveis agora para qualquer cientista do mundo, contribuindo com a transparência e replicabilidade da ciência.

 

Arco – Finalmente, o que essa descoberta significa, tanto para ciência quanto para a UFSM e, também, para a região?

Rodrigo Temp – Essa descoberta serve para estimular tanto nós da paleontologia como também jovens que ainda não tiveram muito contato com ciências ou paleontologia. Isso porque nossa região carrega esse enorme potencial e somos nós quem teremos de explorá-lo. Está em nossas mãos a tarefa de salvar esses fósseis da erosão e mostrá-los para o mundo todo. Uma descoberta como essa nos ajuda nessa tarefa, uma vez que é de grande interesse para a ciência e de grande apelo para o público jovem. Estimular jovens a formar interesse pela paleontologia não só aproxima eles de outras ciências, como também pode mudar a vida deles e garantir que o patrimônio fossilífero seja protegido e estudado pelas próximas gerações. Certamente esse dinossauro de 233 milhões de anos ainda terá um papel valioso tanto para a ciência, como para a nossa instituição e para a população da nossa região.

 

Arco – Para quem tiver interesse e quiser conhecer os fósseis do Gnathovorax, é possível?

Rodrigo Temp – Sim, o centro fica aberto de segunda a sábado. Quem tiver interesse em conhecer o centro e os fósseis pode vir tanto durante a manhã como na parte da tarde. Se for um grupo grande de visitantes nós pedimos que façam um agendamento pelo e-mail cappa@55bet-pro.com. E não há nenhum custo.

Repórter: Leandra Cruber, acadêmica de Jornalismo

Mídias Sociais: Nataly Dandara, acadêmica de Relações Públicas

Editor de Produção: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo

Editor Chefe: Maurício Dias, jornalista

Colaborações especiais: Márcio L. Castro (modelagem 3D e ilustrações) Rodrigo Temp (fotografias) 

 

 

 

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/12/12/projeto-cria-replicas-de-fosseis-para-captar-recursos-para-o-cappa-ufsm Wed, 12 Dec 2018 12:59:31 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=45994 [caption id="attachment_45995" align="alignleft" width="350"]Vários souvenires de fósseis, incluindo chaveiros e réplicas de crânios de dinossauros Réplicas de fósseis que serão utilizadas como souvenires no Cappa[/caption]

O projeto “Oficina de réplicas e souvenires do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia - CAPPA” tem como objetivo produzir e vender réplicas de fósseis de pequeno e médio porte, com alta resolução. A proposta, coordenada pelo professor e biólogo Flávio Augusto Pretto, do Cappa, do Centro de Ciências Naturais e Exatas, volta-se para a produção de réplicas para museus e souvenires para a Mostra Paleontológica do Cappa.

O intuito do projeto é difundir o acervo dos fósseis da região da Quarta Colônia, que está no Cappa, para outras instituições, além de disponibilizar aos visitantes peças e materiais sob aforma de souvenires. Há também a previsão de criar coleções didáticas, com base nos fósseis encontrados na região. Portanto, o projeto tem dois aspectos,comercial e museológico.

Museus do mundo inteiro vendem itens temáticos, como camisetas, chaveiros e réplicas de peças do próprio acervo. O valor proveniente da comercialização dos produtos tende a ser revertido na manutenção das exposições e fomentar a continuidade das pesquisas.

O aspecto museológico tem como objetivo garantir a preservação das peças mais frágeis e permutar com outras instituições e colecionadores. Os espécimes mais frágeis tendem a ser expostos com réplicas de alta fidelidade, enquanto os originais ficam resguardados em salas de reserva técnico-científica. Já a permuta de réplicas é considerada uma prática corriqueira e possibilita a disseminação do conhecimento paleontológico.

A cópia dos materiais é realizada tanto manual quanto digitalmente, incluindo processos de modelagem e impressão 3D. Como resultado, são obtidas réplicas em ABS ou em resina de poliéster, materiais duráveis, e que após o tratamento ficam com aparência similar ao real.

Visitação

A visitação é guiada pelos paleontólogos do centro. As visitas em grupos superiores a dez pessoas devem ser agendadas com antecedência através do e-mail: cappa@55bet-pro.com. Mais informações no site

Texto: Kelly Martini, assessora de imprensa da Fatec

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/11/20/descoberto-no-brasil-o-mais-antigo-dinossauro-de-pescoco-longo Wed, 21 Nov 2018 01:01:32 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=45606 [caption id="attachment_45607" align="alignleft" width="350"]Dois pesquisadores trabalham na rocha enquanto um terceiro olha para um bloco coberto com gesso Registro da escavação em que o fóssil foi encontrado (Foto: Arquivo CAPPA)[/caption]

Pesquisadores brasileiros acabam de publicar um estudo no periódico britânico Biology Letters onde apresentam uma nova espécie de dinossauro descoberto no Brasil. O animal, que recebeu o nome de Macrocollum itaquii, foi descrito a partir de três esqueletos fossilizados escavados em rochas triássicas do município de Agudo, no interior do Rio Grande do Sul. Além de estarem associados e muito bem preservados, os materiais representam a primeira ocorrência de esqueletos completos de dinossauros no Brasil.

Com cerca de 3,5 metros de comprimento, o que mais chama a atenção nesses animais é o pescoço bastante longo. Esta é uma das principais características do grupo de dinossauros que inclui os gigantes pescoçudos, os saurópodes, como Brachiosaurus e Apatosaurus. Um ponto importante acerca da nova descoberta é que Macrocollum itaquii é muito mais antigo do que qualquer outro dinossauro de pescoço longo já descrito, uma vez que as rochas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos. Isso faz com que o novo dinossauro brasileiro passe a ser o mais antigo pescoço longo já descoberto.

[caption id="attachment_45616" align="alignleft" width="350"]Desenho do dinossauro mostra uma cauda de um metro Representação esquemática do Macrocollum itaquii (Desenho: Rodrigo Müller)[/caption]

 

Essa idade também o torna muito especial, pois existia uma lacuna no registro fóssil de dinossauros, com vários esqueletos de idades um pouco mais antigas e um pouco mais recentes, mas aqueles com aproximadamente 225 milhões de anos são muito raros. O momento é importante para a história evolutiva dos dinossauros, porque antecede o período em que os dinossauros se tornaram dominantes em quase todo o planeta. Assim, o Macrocollum itaquii ajuda a entender como eram os dinossauros que antecederam esse momento e também quais características podem ter levado ao grande sucesso posterior do grupo.

Pescoçudo viveu na Era Mesozoica 

[caption id="attachment_45609" align="alignleft" width="350"]Desenho de grupo de dinossauros pescoçudos Grupo de Macrocolluns em uma floresta do Triássico (ilustração por Márcio Castro)[/caption]

A dentição do novo dinossauro indica que ele se alimentava de plantas. Deste modo, o pescoço longo pode ter permitido que os animais dessa espécie alcançassem a vegetação mais alta, a qual outros animais da mesma época não eram capazes de alcançar. Essa habilidade provavelmente foi uma das principais responsáveis pelo sucesso do grupo dos sauropodomorfos - do qual o Macrocollum itaquii faz parte - durante a Era Mesozoica. 

Por meio do estudo da anatomia dos esqueletos também foi possível traçar como foi a evolução de determinadas características nos sauropodomorfos.

[caption id="attachment_45615" align="alignleft" width="350"] Fóssil bem preservado ajudou a traçar a evolução de características dos sauropodomorfos[/caption]

Ao utilizar como bases fósseis de outros animais desse grupo no Rio Grande do Sul, mas de diferentes idades, os pesquisadores concluíram que durante um intervalo de oito milhões de anos, a dieta herbívora foi aprimorada no grupo, os sauropodomorfos cresceram significativamente e o pescoço tornou-se proporcionalmente duas vezes mais longo.

Outra novidade revelada pelos esqueletos excepcionalmente bem preservados é que esses animais possivelmente andavam em grupos, um comportamento chamado de gregarismo. Essa também é a mais antiga evidencia desse tipo de hábito em sauropodomorfos.

Origem do nome

O nome “Macrocollum” significa pescoço longo, em referência a principal característica do animal. Já “itaquii” faz homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio a Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, onde os fósseis do dinossauro estão depositados.

Achado ocorreu em 2013

[caption id="attachment_45614" align="alignleft" width="255"]Em primeiro plano se nota o crânio de um animal na mão de uma pessoa e, ao fundo, desfocada, a imagem de um fóssil completo de um pescoçudo Pesquisador compara tamanho do crânio do animal com fóssil completo[/caption]

Os esqueletos foram coletados no início de 2013 e passaram por um cuidadoso trabalho de preparação durante os últimos anos, com o objetivo de extraí-los da rocha em que seus restos foram preservados. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo são o paleontólogo Rodrigo Temp Müller, do Centro de Apoio a Pesquisa Paleontológica da UFSM, o professor Max Cardoso Langer, da Universidade de São Paulo, e o professor Sérgio Dias da Silva, da UFSM.

Os fósseis da nova espécie ficarão depositados no Cappa, em São João do Polêsine, onde poderão ser visitados, tanto por pesquisadores como por quaisquer pessoas interessadas que queiram conhecê-los.

Texto: Rodrigo Temp Müller, paleontólogo

Edição: Agência de Notícias

 

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/tataravo-de-gigantes Fri, 25 May 2018 05:25:05 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=3670 Bagualosaurus agudoensis, foi apresentada no periódico científico britânico Zoological Journal of the Linnean Society nesta sexta-feira (25). O animal viveu no período Triássico, há cerca de 230 milhões de anos, e faz parte da linhagem dos sauropodomorfos, que inclui os maiores dinossauros conhecidos: quadrúpedes herbívoros de portes titânicos e pescoços compridos. [caption id="attachment_3674" align="aligncenter" width="1024"] Representação artística da paisagem na região de Agudo no período Triássico. No centro da imagem, uma dupla de Bagualosaurus agudoensis confronta o cinodonte Trucidocynodon riograndensis . No canto inferior direito, um Hyperodapedon, réptil herbívoro do grupo dos rincossauros. Ao fundo, um grupo de cinodontes, Exaeretodon riograndensis, observa a cena. Arte: Jorge Blanco[/caption] O fóssil foi encontrado no município de Agudo, na região central do Rio Grande do Sul, e foi estudado por paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho é resultado da pesquisa de doutorado de Flávio Pretto, desenvolvido no programa de Pós-Graduação em Geociências da UFRGS, sob orientação do Dr. Cesar Schultz. Pretto hoje atua como Paleontólogo no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica, vinculado à UFSM (Cappa/UFSM). [caption id="attachment_3671" align="aligncenter" width="1024"] Primeiros restos do Bagualosaurus agudoensis, como foram encontrados na rocha. Alguns dentes do animal podem ser vistos no centro da imagem. Foto: Cristina Bertoni-Machado[/caption]  Apesar de não ser um gigante como seus parentes do Jurássico e Cretáceo, o Bagualosaurus era um dinossauro grande para a época. Inclusive, o nome do animal faz alusão a esse aspecto, pois um dos usos do regionalismo gaúcho “bagual” é para se referir a um animal grande. Segundo Flávio Pretto, a maior parte dos dinossauros, quando começavam a surgir no planeta (há 230 milhões de anos), eram animais pequenos, que mal chegavam a 1,5 metros do focinho à ponta da cauda - enquanto o Bagualosaurus ultrapassava os 2,5 metros de comprimento. Além de maior que seus parentes da época, que eram onívoros, o Bagualosaurus apresentava dentes adaptados para se alimentar de plantas. “Esse novo hábito alimentar foi crucial para que os sauropodomorfos pudessem atingir grandes tamanhos, como se veria milhões de anos mais tarde”, diz Pretto. [caption id="attachment_3673" align="aligncenter" width="958"] Foto e reconstrução do crânio e da mandíbula de Bagualosaurus agudoensis. As partes preservadas estão representadas em cor mais clara. Foto: Luiz Flávio Lopes – UFRGS. Ilustração: Flávio Pretto.[/caption] O Bagualosaurus é a sétima espécie de dinossauro descrita para o Triássico do Rio Grande do Sul e deve ter convivido com quatro outras: Pampadromaeus barberenaiSaturnalia tupiniquimBuriolestes schultzi e Staurikosaurus pricei. Segundo Max Langer (USP) e Cesar Schultz (UFRGS), coautores do estudo: dinossauros tão antigos são bastante raros, com esqueletos bem preservados encontrados apenas no sul do Brasil e no noroeste da Argentina. Em outras palavras, quase tudo o que se sabe sobre a aurora dos dinossauros provém desses fósseis sul-americanos. Agora, com a descoberta do Bagualosaurus, a origem do gigantismo dentre os dinossauros herbívoros começa a ser desvendada. [caption id="attachment_3672" align="aligncenter" width="1024"] Representação esquemática do esqueleto de Bagualosaurus agudoensis. Os ossos preservados estão representados em cor mais clara. Imagem: Flávio Pretto[/caption] Além desta pesquisa sobre o Bagualosaurus agudoensis, outro importante estudo realizado na região central do Rio Grande do Sul foi divulgado  recentemente. Confira também o Dossiê Paleontologia produzido pela revista Arco. Esta reportagem foi produzida com informações do Cappa e do Núcleo de Divulgação Institucional do Centro de Ciências Naturais e Exatas da UFSM]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/05/15/%e2%80%8bpaleontologos-da-ufsm-apresentam-o-fossil-de-um-dos-mais-antigos-dinossauros-ja-descobertos Tue, 15 May 2018 18:58:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/2018/05/15/%e2%80%8bpaleontologos-da-ufsm-apresentam-o-fossil-de-um-dos-mais-antigos-dinossauros-ja-descobertos/ O fóssil foi encontrado em 2015 no município de São João do Polêsine O periódico inglês Zoological Journal of the Linnean Society publicou nesta terça-feira (15) um estudo de pesquisadores da UFSM que descreve um esqueleto fóssil extremamente bem preservado de um dos mais antigos dinossauros já descobertos no mundo. A pesquisa foi liderada pelo técnico de laboratório de paleontologia da UFSM Rodrigo Temp Müller, que também é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal. Também participaram da pesquisa o professor Sérgio Dias da Silva, do Departamento de Ecologia e Evolução, e o doutorando do mesmo programa Cristian Pereira Pacheco. Colaboraram ainda no estudo os pesquisadores Max Cardoso Langer e Mário Bronzati, ambos da Universidade de São Paulo (USP), e Sérgio Furtado Cabreira, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). O espécime descrito foi escavado em rochas do município de São João do Polêsine, na região central do Rio Grande do Sul, e encontra-se depositado na coleção científica do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM, localizado no mesmo município. Encontrado em 2015, o fóssil pertence à espécie Buriolestes schultzi (descrita e batizada em 2016), nome que faz referência ao sítio fossilífero Buriol, o qual fica também em São João do Polêsine. Estima-se que esse espécime tenha vivido há 233 milhões de anos, no estágio Carniano do período Triássico Superior. Este dinossauro alcançava cerca de 1,5 metro de comprimento e altura de aproximadamente 70 cm Essa espécie faz parte de um grupo de dinossauros conhecidos como sauropodomorfos, os quais geralmente têm a cabeça pequena em relação ao tamanho do corpo, o pescoço longo e o primeiro digito da mão bem desenvolvido. As formas mais antigas foram pequenas, como o próprio Buriolestes schultzi, que alcançava cerca de 1,5 metro de comprimento e altura de aproximadamente 70 cm, pesando cerca de 15 kg. Porém as formas mais derivadas e mais recentes passaram dos 30 metros de comprimento, visto que esse grupo também inclui dinossauros gigantes, herbívoros, de cabeça pequena e pescoço longo. O espécime descrito no estudo em questão, por outro lado, possui dentição relacionada a uma dieta carnívora, enquanto que o restante dos sauropodomorfos são herbívoros ou onívoros. Isso indica que o ancestral dos sauropodomorfos foi um animal carnívoro e esse mesmo hábito alimentar se manteve em formas como o Buriolestes schultzi. Portanto, o que direcionou o primeiro passo evolutivo do grupo não foi a dieta herbívora, que surgiu posteriormente na história evolutiva do grupo. Estima-se que esse espécime tenha vivido há 233 milhões de anos, no estágio Carniano do período Triássico Superior Através de análise filogenética, empregando-se dados de morfologia (traços anatômicos) do novo esqueleto, foi possível corroborar a tese apresentada em 2016 de que ele representa um dos membros mais "primitivos" dos dinossauros sauropodomorfos. Isso permitiu ainda levantar hipóteses acerca dos primeiros passos evolutivos dos sauropodomorfos, como por exemplo quais foram as primeiras características ósseas distintivas a surgirem dentro desse grupo. Além disso, devido à preservação excepcional do espécime, uma quantidade significativa de novos dados a respeito da anatomia óssea dos dinossauros mais antigos pôde ser produzida. Até então, sabia-se muito pouco sobre algumas partes do crânio e do pescoço de dinossauros da mesma idade do Buriolestes schultzi. Até pouco tempo atrás, os esqueletos mais completos dos dinossauros mais antigos do mundo eram todos provenientes da Argentina. A partir desta nova descoberta, o Brasil passa a contar com dinossauros primitivos tão completos quanto os depositados no país vizinho, reforçando assim a importância dos fósseis do Rio Grande do Sul para o entendimento de como foi a origem e irradiação inicial dos dinossauros. Quem tiver interesse em conhecer pessoalmente o esqueleto descrito no estudo poderá visitar gratuitamente o Cappa em São João do Polêsine. O centro está aberto para visitas de segunda a sexta-feira, em horário comercial e no segundo sábado de cada mês. Além do esqueleto do Buriolestes schultzi, os visitantes poderão conhecer a Mostra Paleontológica Irmãos Cargnin e os laboratórios de preparação de fósseis. Mais informações na página www.55bet-pro.com/cappa, pelo e-mail cappa@55bet-pro.com, ou pelo telefone (55) 3269-1022. Fotos e ilustração: Rodrigo Temp Müller]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-velociraptor-era-rapido-e-inteligente Mon, 31 Jul 2017 20:22:18 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1409 Quando falamos de dinossauros, em muitos casos, a primeira referência que temos é a de animais gigantes, ferozes e rápidos. Essas representações têm base em filmes como Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros.  Mas até onde isso é verdade? Como é possível saber se o Velociraptor era rápido e inteligente, como aparece nos filmes? O coordenador do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA/UFSM) Sérgio Dias da Silva explica que os vestígios encontrados podem oferecer muitas informações que através de técnicas investigativas podem corroborar afirmações sobre a rapidez de um animal ou sobre sua inteligência. “O tamanho do crânio e o volume estimado da cavidade pode indicar o nível do desenvolvimento cerebral.” esclarece Sérgio.   Segundo artigo publicado no jornal Acta Palaentologica Polonica, o crânio do Velociraptor era relativamente grande, com cerca de 23 centímetros de comprimento. Seu focinho era longo, estreito e raso, que constituía cerca de 60% do comprimento de seu crânio. A descrição foi feita pelos pesquisadores Rinchen Barsbold, da Mongolian Academy of Sciences, e Halszka Osmólska, do Instytut Paleobiologii da Polônia, em 1999. O que corrobora a indicação de que o animal era inteligente. [caption id="attachment_1410" align="alignleft" width="380"] Sobreposição de imagens da marcha simulada de um Velociraptor. Todas as escalas estão em metros e são geradas 10 imagens por ciclo de marcha. Imagem: The Royal Society[/caption] Além disso, com a construção de modelos 3D para simulações, cálculos de peso, das pegadas e com estudos de biomecânica é possível inferir que o Velociraptor era rápido, o que vai ao encontro da origem de seu nome (em latim “velox” (rápido) e “raptor” (ladrão).

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/post476 Thu, 06 Jul 2017 18:24:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/comunicacao/arco/2017/07/06/post476/ A indústria do cinema já produziu inúmeros filmes sobre dinossauros. A franquia de Jurassic Park, Jurassic World, o desenho animado e live-action de Flintstones, além da animação infantil Em busca do vale encantado, tratam desse tema. Os pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA) contam que esses filmes são muito importantes para despertar o interesse no mundo da ciência em jovens e crianças. Mas você sabia que esses filmes apresentam erros sobre a estrutura dos animais, os períodos históricos e a coleta de fósseis? O CAPPA listou alguns deles. Confira: Representação dos animais Alguns filmes erraram nas medidas e colocaram animais diferentes do seu tamanho real, além de adicionar penas e elementos que não são cientificamente comprovados:

1) Os pterossauros (aqueles répteis voadores que, a propósito, não são dinossauros) eram animais de constituição frágil e ossos muito finos e leves. Tudo isso para poder levantar vôo. Essa constituição frágil, e a leveza necessária para que o animal pudesse voar tornariam impossível que pterossauros pudessem carregar pessoas em vôo (mesmo que por poucos centímetros), como mostrado em cenas de Jurassic Park 3 (onde os heróis se vêem presos em uma gaiola com Pteranodon), e em Jurassic World. Seria o equivalente a um urubu levantar uma pessoa – nada verossímil.

2) O Dilophosaurus representado em Jurassic Park é muito menor do que o animal de verdade, que chegava a medir 6 metros de comprimento. No filme, o animal é representado menor do que uma pessoa.

3) Ainda sobre Dilophosaurus, no filme, o animal é representado com um colarinho ao redor do pescoço. Nenhum fóssil sugere a presença dessa estrutura, e os diretores do filme provavelmente se inspiraram no lagarto-de-gola atual (Chlamydosaurus kingii), que de fato possui essa característica. Ainda, ao contrário do que se vê em Jurassic Park, não existe nenhuma evidência de que o Dilophosaurus expelisse aquela substância pegajosa que eles “cospem” nos olhos das pessoas – é pura ficção científica.

4) O Mosasaurus (o grande predador aquático) que aparece em Jurassic World é representado com um tamanho muito maior do que o maior espécime que já foi descoberto do gênero, que tem cerca de 17 metros de comprimento.

Preparação dos fósseis O manuseio e coleta de fósseis também é diferente de como mostram alguns filmes: não se usam apenas pincéis e também não é possivel criar um dinossauro a partir do DNA de um mosquito.

5) Em Jurassic Park, os fósseis são expostos nas rochas apenas com uso de pincéis, enquanto que na realidade são necessárias várias ferramentas bem menos delicadas, como martelos e picaretas. Os pincéis só entram em cena durante a preparação mais detalhada, normalmente quando o fóssil já está seguro em um laboratório.

6) Recriar dinossauros a partir do DNA recuperado de mosquitos preservados em âmbar, como mostrado em Jurassic Park, não é possivel. Apesar de o âmbar (que é a resina vegetal fossilizada) preservar fósseis de maneira excepcional – há registros de insetos, penas, folhas, e até lagartixas inteiras em âmbar, a estrutura química do DNA não resiste tanto à passagem do tempo. O DNA acaba se degradando completamente em algumas centenas de milhares de anos. Os fósseis dos quais os cientistas extraem o DNA de dinossauros no filme têm 70 milhões de anos, ou até mais (nenhum registro de DNA resistiria tanto tempo).

Correção cronológica Algumas obras cinematográficas pecaram em como colocar animais que pertenceram a diferentes períodos juntos em cena.

7) Apesar do nome, a maioria dos dinossauros de Jurassic Park viveu durante o período Cretáceo, não Jurássico. Algumas exceções são o Brachiosaurus, Dilophosaurus e Stegosaurus, que são, sim, Jurássicos.

8) Os dinossauros foram extintos dezenas de milhares de anos antes do surgimento dos primeiros humanos. Desse modo, todas as representações de homens-das-cavernas convivendo com dinossauros, como por exemplo na série The Flintstones, são conceitualmente erradas.

9) Diferente do que aparece no filme Jurassic Park 3, o Tyrannosaurus e o Spinosaurus nunca entraram em confronto, já que eles viveram em momentos e lugares diferentes.

10) A animação “Em Busca do Vale Encantado” retrata diversos filhotes de dinossauros (e um pterossauro) em uma aventura em busca do vale que dá nome ao filme. Diversos desses dinossauros, contudo, viveram em períodos de tempo distintos, separados por milhões de anos. Desse modo, é impossível que tenham convivido. Ainda, apesar de termos evidências de que, em algumas espécies de dinossauros, os filhotes vivessem em pequenos bandos (cuidados por adultos), não há nenhuma evidência de que animais de diferentes espécies – filhotes ou não – cooperassem dessa maneira.

Colaboração CAPPA/UFSM Edição: Júlia Goulart Foto: Divulgação]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/post463 Wed, 24 May 2017 18:46:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/comunicacao/arco/2017/05/24/post463/ Ainda que os dinossauros sejam os animais mais lembrados quando se fala em Pré-História, nosso planeta não era povoado somente por eles. A chamada “era dos Dinossauros” se localiza na Era Mesozoica (251 – 66 milhões de anos atrás, inclui os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo). Mas ainda que eles tenham surgido e se extinguido nessa era, os dinossauros eram apenas uma variedade dentre a grande diversidade de animais. Os mamíferos e as aves que conhecemos hoje, por exemplo, são descendentes de  grupos de animais ancestrais que viveram na Era Mesozoica.

Muitos desses animais, especialmente os que viveram durante o Período Triássico, possuem parentescos ou ligações com animais que conhecemos. Por exemplo, os sinapsidas, hoje representados unicamente pelos mamíferos, no Triássico sul brasileiro eram representados por dois grandes grupos: os dicinodontes, herbívoros com tamanho e presas grandes, que foram extintos no fim da Era Mesozoica sem deixar descendentes; e os cinodontes, que tinham dentes similares aos de um cachorro e uma variação de tamanho entre dez centímetros e até dois metros, dos quais os mamíferos atuais descendem.

Outro grupo de interesse é o dos Diapsida, grupo dos répteis, que além de conter os répteis atuais também incluía o grande subgrupo dos Arcossauros. Nele, estavam os pterossauros (répteis voadores), os crocodilianos e os dinossauros - dos quais descenderam as aves. Podemos perceber que os dinossauros ocupam um pequeno espaço na grande cadeia de animais da Era Mesozoica.

A pesquisadora Ane Elise Branco Pavanatto, integrante do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM), dedicou sua pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal ao estudo de fósseis de cinodonte. A espécie estudada, Massetognathus ochagaviae, é comumente encontrada no Triássico do sul do Brasil.

O Massetognathus ochagaviae pertence a família Traversodontidae, a mais diversificada dentre as famílias de cinodontes. Além do sul do Brasil, os fósseis do gênero Massetognathus já foram encontrados na Argentina e remetem ao Triássico Médio - época de idade intermediária do período. Seu nome tem referência do Grego e remete ao poder de mastigação de sua mandíbula. A pesquisa de Ane Elise identifica e apresenta informações sobre novos materiais, como fragmento de crânio, alguns dentes e ossos do esqueleto pós-craniano, como vértebras, costelas, úmero e fêmur. A descrição desses fósseis contribui para o estudo sobre a espécie, já que possibilita um maior conhecimento sobre o Massetognathus ochagaviae que até então tinha poucas características identificadas, para o Triássico do Rio Grande do Sul.

 Os fósseis do Triássico no Sul do Brasil

Os fósseis de animais do período Triássico encontrados no Rio Grande do Sul são similares aos encontrados no sul da África e na Argentina. O Período Triássico do Rio Grande do Sul se destaca por conter o registro fóssil de dois grandes eventos evolutivos: a origem dos primeiros dinossauros e dos mamíferos. Segundo pesquisas, um grupo de pequenos cinodontes encontrados aqui, os Brasilodontes, possuem dentre todos os cinodontes características anatômicas que os identificam como os ancestrais mais próximos dos mamíferos. Durante a Era Mesozoica, os primeiros mamíferos tinham uma média muito pequena de tamanho, viviam em tocas e tinham hábito noturno - e provavelmente eram presas de répteis de grande porte, como os dinossauros. No fim do Período Triássico e início do Período Jurássico, o grande continente chamado Pangeia, que existia então, começou a ser dividido e no fim do Período Cretáceo houve a famosa extinção em massa que culminou com a extinção dos dinossauros. Com o fim desses  grandes répteis, os então pequenos mamíferos se desenvolveram, aumentaram de tamanho e ocuparam o planeta.

A pesquisadora Ane Elise Branco Pavanatto continuou os estudos sobre cinodontes no Doutorado em Biodiversidade Animal na UFSM. “Meu objetivo era estudar uma espécie de cinodonte do Triássico muito comum aqui na Região Central do Rio Grande do Sul, o Exaeretodon. Mas no meio de vários materiais coletados, notamos alguns materiais que apresentavam algumas características um pouco diferentes do observado em  Exaeretodon e isso nos levou a especular sobre a presença de uma nova espécie”, explica Ane. A conformação desses resultados dependem de análises detalhadas e do cruzamento de informações em relação a fósseis já identificados no Brasil e na Argentina.

Para saber mais sobre como os paleontólogos classificam o tempo geológico acesse aqui.

Repórter: Paola Dias Colaboração de Ane Elise Pavanatto Foto: Rafael Happke Gráficos: Ítalo Paula]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/porcos-e-musica-restos-mortais-do-fundador-da-ufsm-fosseis-encontrados-na-regiao-de-santa-maria Mon, 08 Sep 2014 14:13:39 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1683

OS RESTOS MORTAIS DO FUNDADOR DA UFSM ESTÃO GUARDADOS NA INSTITUIÇÃO?

A edificação com 14 metros de altura de concreto e espelhos situada entre a Reitoria e o terminal de ônibus é um obelisco em memória a José Mariano da Rocha Filho, fundador da UFSM. Existem alguns mitos sobre essa construção; entre eles o de que sua forma triangular seria uma menção à maçonaria e o de que os restos mortais de Mariano da Rocha estariam no local. Pedro Saurin*, que foi o engenheiro do projeto, esclareceu que, diferentemente do que muitos pensam, o projeto não está relacionado aos maçons. Sua forma foi imaginada por Antonio Carlos de Lemos, membro da Associação dos Amigos do Memorial Reitor Mariano, como algo que “elevasse a memória de Mariano e refletisse o sol com esplendor, representando a luz do conhecimento”. Já a guarda dos restos mortais realmente está prevista no projeto do memorial. A ideia é que eles fiquem acolhidos em uma urna dentro do edifício. No entanto, ela ainda não está lá, assim como também falta concluir outras estruturas previstas na planta arquitetônica, como um espaço de visitação que apresente a história da UFSM e um lago em torno da passarela de concreto. O Memorial de Mariano da Rocha foi financiado via Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LIC) e pela própria família Mariano da Rocha.

POR QUE SÃO ENCONTRADOS TANTOS FÓSSEIS NA REGIÃO DE SANTA MARIA? 

A região central do Rio Grande do Sul, incluindo todas as cidades entre Mata e Venâncio Aires, está assentada sobre rochas sedimentares do período Triássico, formadas há mais de 200 milhões de anos. Essas rochas registram diversos ambientes do passado, relacionados aos rios e suas planícies de inundação (“várzeas”), cujos depósitos se transformaram respectivamente em arenitos e lamitos. Em cada exposição dessas rochas, natural ou artificial, podem aparecer os registros dos animais e vegetais do passado, conhecidos como fósseis. Já foram registrados fósseis de vertebrados, invertebrados e plantas, tanto de grande quanto de pequeno porte. Entre os vertebrados existem diversos répteis, como os dicinodontes e os cinodontes, que deram origem aos mamíferos, os arcossauros, procolofonoides, peixes, anfíbios e os dinossauros. Entre estes últimos se incluem os mais primitivos do mundo, como Staurikosaurus pricei e Saturnalia tupiniquim, dinossauros encontrados em Santa Maria.

É VERDADE QUE O COMPORTAMENTO DOS PORCOS PODE SER AFETADO PELA MÚSICA?

Os sons, de um modo geral, podem estimular os animais a demonstrarem comportamentos desejáveis ou desencadear reações de medo. A música em si tem o poder de influenciar o comportamento e as respostas fisiológicas de diversas espécies, de forma positiva ou negativa, dependendo do estilo considerado e da forma como ela é aplicada. Até mesmo plantas podem ter seu potencial de germinação alterado em razão do estilo musical ao qual são expostas. Trabalhos realizados pelo Laboratório de Ambiência e Bem-Estar Animal da UFSM em Palmeira das Missões indicam que leitões que ouviram música (A Valsa das Flores, de Tchaikovsky), durante a maternidade e creche, apresentaram menos manifestações de comportamentos de luta. Já suínos na fase de terminação tiveram maior ingestão diária de alimento quando submetidos ao rock and roll, embora o ganho de peso tenha sido maior em animais que ouviram música clássica ou que não ouviram música. Muitos estudos ainda devem ser realizados para que a música seja considerada um enriquecimento ambiental, e não um desencadeador de estresse para os animais. Colaboradores: professores Átila Augusto Stock da Rosa, Juliana Sarubbi e o engenheiro Pedro Saurin. Nota da editora: O engenheiro Pedro Saurin faleceu em julho de 2014. A entrevista que ele concedeu à Arco foi realizada em março de 2014.
]]>