UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Tue, 17 Mar 2026 00:06:20 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/10/30/terapia-ocupacional-angola Wed, 30 Oct 2024 21:40:19 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67384 Foto colorida horizontal de grupo de mulheres
Professora Amara Lúcia Holanda, do curso de Terapia Ocupacional, com participantes de formação voltada ao uso de tecnologias assistivas na educação inclusiva na capital Luanda

A Missão de Educação Especial da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em Angola apresentou aos professores daquele país como utilizar a tecnologia assistiva com materiais do dia a dia. O grupo, integrado por quatro professoras do curso de Terapia Ocupacional e um técnico-administrativo, mostrou, em um curso, como confeccionar produtos que podem auxiliar na autonomia de pessoas com deficiência em sala de aula ou em casa. A missão, integrante do projeto Escola de Todos Frase 3, ocorreu na capital Luanda entre 16 de agosto e 2 de setembro. 

O curso de tecnologia assistiva teve como participantes professores e profissionais das equipes multidisciplinares de apoio à educação inclusiva. Mais do que oferecer o curso, a missão brasileira tem como objetivo criar um Catálogo de Tecnologia Assistiva, que deve ser lançado no segundo semestre de 2025 . A inciativa da UFSM visa à construção de um material voltado à educação inclusiva de “Angola para Angola”. 

Durante as duas semanas da missão, 21 recursos de tecnologia assistiva foram compartilhados no curso. Divididos em 8 grupos, os alunos confeccionaram 168 produtos, como lápis, provas, pratos e talheres adaptados. O material será apresentado no catálogo.

Integraram missão as professoras Amara Lúcia Holanda Battistel, Daniela Tonús, Lucielem Chequim e Tânia Fernandes, do curso de Terapia Ocupacional, e pelo técnico-administrativo Daniel De Carli, da Agência de Notícias. As professoras cuidaram da formação dos professores angolanos e Daniel registrou as produções dos estudantes em fotos, e é o responsável pelo design do catálogo. O curso foi proposta por um amplo grupo de professores de Terapia Ocupacional.

 

Foto colorida horizontal de uma sala de aula cheia de alunos sentados e professora ao fundo ao centro
Professora Ana Claúdia Pavão, coordenadora do projeto Escola de Todos Fase 3, durante o diagnóstico para identificar as realidade das escolas angolas. (Foto acervo pessoal)

Escola de Todos

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, de 2008, tem como objetivo “assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação”. O documento, elaborado pelo Ministério da Educação com a colaboração de universidades públicas, inclusive a UFSM, traz, entre outras, as seguintes perspectivas: a formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais, a acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação. 

Alguns dos tópicos apresentados na Política de Educação Especial se tornaram visados pelo governo angolano, que busca a implementação da educação inclusiva. Por isso, a iniciativa, resultado de cooperação técnica internacional, surge a partir de demanda do governo de Angola. A Agência Brasileira de Cooperação (ABC/ Itamaraty) indicou a UFSM como executora, já que realizava projeto semelhante em Cabo Verde. 

As ações nos dois países africanos - Angola e Cabo Verde - fazem parte da Escola de Todos Fase 3, projeto de pesquisa, vinculado aos Programas de Pós-Graduação em Educação e em Tecnologias Educacionais em Rede, coordenado pela professora Ana Cláudia Pavão. O objetivo do projeto é compreender os impactos das políticas públicas brasileiras de educação especial para o desenvolvimento de um sistema de ensino inclusivo nas nações africanos estudadas.

Em 2022, a Escola de Todos Fase 3 realizou uma prospecção para avaliar como é a educação angolana e de que forma a UFSM poderia auxiliar. “Quando fomos lá, visitamos as escolas, escutamos o governo e os professores, que nos diziam o que era necessário. No final, fizemos uma tomada do que nós vimos, do que eles queriam e do que podíamos oferecer”, conta a professora Ana Cláudia Pavão. 

Além do curso de Tecnologia Assistiva, a Escola de Todos promoveu, em 2024, cursos de Atendimento Educacional Especializado e Atenção às Diferenças em Angola, com, no total, 32 professores e 18 missões. Em Cabo Verde, cinco professores estiveram em duas missões.

 

Foto colorida horizontal de três mulheres em pé em uma sala de aula. Uma delas usa coloca um colete e as outras duas a ajudam a ajustar. Atrás delas, uma bandeira do Brasil está hasteada
Professoras de Terapia Ocupacional mostram como produzir colete torácico
Foto colorida horizontal de mulheres reunidas em volta de uma cadeira adaptada. Elas estão inserindo espaguetes de macarrão como forma de escosto e guarda da cadeira
Estudantes utilizaram diferentes materiais e ferramentas para adaptar uma cadeira infantil
Foto colorida horizontal de grupo de estudantes posando para foto. Eles estão sentados ou em pé ao lado e atrás de mesas. À mesa está o objeto feito de colagens
Grupo de participantes mostra objeto que desenvolveu, um relógio de rotinas

Terapia Ocupacional e as tecnologias assistivas 

A Terapia Ocupacional (TO) é uma graduação ofertada no campus sede da UFSM. A área busca promover a autonomia e a qualidade de vida de pessoas impossibilitadas de realizar as atividades do dia a dia. Os profissionais atendem desde recém-nascidos até idosos que possam ter dificuldades físicas, mentais ou emocionais. 

A Tecnologia Assistiva (TA) é um instrumento para facilitar as atividades dos pacientes da TO. Elas podem promover maior independência e inclusão social. Cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, aplicativos de leitura de tela e próteses são exemplos de TA’s. 

Durante a viagem a Luanda, as Tecnologias Assistivas foram apresentadas como forma de levar a educação para todos, como forma de possibilitar a inclusão em um ambiente que seja preparado para receber pacientes da Terapia Ocupacional.

Foto colorida horizontal de grupo de pessoas adaptando cadeira infantil
Professoras da Terapia Ocupacional orientaram como adaptar itens do cotiadiano para auxiliar no ensino inclusivo
Foto colorida vertical de uma cadeira vermelha virada. Na imagem, um soldador é inserido no meio da assento
Estudantes utilizaram ferramentas como soldador para adaptar para o uso de crianças com deficiência
Foto colorida vertical de homem com câmera ao alto registrando objeto. Ao lado dele, mulheres observam a fotografia sendo feita
Daniel fotografou itens feitos pelos estudantes para a elaboração do catálogo de tecnologias assistivas
Fotografia colorida horizontal de homem sentado organizando figuras recortadas em uma folha de EVA
Participantes do curso organiza figuras para confecção de placa de comunicação
Foto colorida horizontal de uma série de figuras em uma folha preta. As figuras são manipuladas por mãos
Uso de figuras que facilitem expressar sentimentos podem auxiliar na educação inclusiva
Placa de comunicação é um dos recursos de tecnologia assistiva desenvolvidos em Angola

“De Angola para Angola”

Por mais que os tipos de deficiências dos estudantes sejam semelhantes em Angole e no Brasil, realidades diferentes exigem estratégias alternativas. É isso que as terapeutas ocupacionais integrantes da missão acreditam. 

Os materiais para a preparação das tecnologias assistivas que estavam disponíveis em Luanda, eram diferentes dos encontrados no Brasil. “A ideia desse curso foi tentar proporcionar a educação pensando na realidade que eles vivenciam lá”, comenta a professora Lucielem Chequim. Um exemplo disso foi o “espaguete de piscina”, usado para ajudar na flutuação dentro da água. Esse material estava previsto para a produção de um recurso de tecnologia assistiva e não foi encontrado com facilidade no país africano durante a missão. Então, as professoras de TO optaram por usar esponjas, que poderiam ser encontradas com maior facilidade. 

Além disso, o catálogo será redigido em português angolano. Por mais que a língua seja a mesma, a diversidade linguística faz com que alguns objetos tenham nomenclaturas diferentes. “Por exemplo, o que nós chamamos de estilete, lá chamam de ‘X Acto’. Nós vamos preservar a língua deles no catálogo”, comenta a professora Amara Lúcia Holanda. 

Confecção de colher adaptada
Estudantes testaram a colher adaptada que fizeram durante a formação

A experiência na missão

Dias cansativos, tomados pelo trabalho, mas extremamente gratificantes. É assim que os participantes definem o tempo passado em Luanda. “Eles são extremamente acolhedores e educados. A gente é recebido com muito cuidado.”, conta a professora Tânia Fernandes Silva. 

Angola passou por três períodos de guerra civil entre 1975 e 2002, interrompidos pela busca da paz. Atualmente o país da África Subsaariana é marcado por desigualdades sociais e problemas econômicos, e ocupa a posição de número 150 de uma lista de 189 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

“O que acrescentou bastante para gente foi poder trabalhar com pessoas que valorizam muito o nosso trabalho e que tinham um entusiasmo muito grande em fazer tudo que a gente apresentava para eles”, compartilha Daniela Tonús. 

“Acolhimento é a palavra”,  define a professora Amara Holanda. O carinho e a gratidão que os alunos da missão compartilhavam com os professores e com Daniel De Carli foram marcantes. “Eu recebi um presente. É uma estátua chamada ‘O Pensador’, que é um símbolo internacional de Angola. Foi uma surpresa”, conta. 

Texto: Jessica Mocellin, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias 

Fotos: Daniel Michelon De Carli

Edição: Maurício Dias

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Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Fotografia vertical e colorida e em primeiro plano de um robô humanoide pequeno. Ele está de pé sobre uma superfície de madeira clara. Tem o corpo branco e as articulações em cinza escuro. Tem cabeça redonda com visor preto frontal. No visor, os olhos são em formato de coração em uma luz azul brilhante. Está com os braços abertos e estendidos para frente. Ao fundo há uma parede de cor verde-esmeralda.
Beo, o robô social da Qiron Robotics | Foto: Jessica Mocellin

À primeira vista ele parece um brinquedo. Seu corpo é branco e arredondado, os braços se movem de forma fluida, em uma coreografia sincronizada. Os olhos grandes e expressivos se ajustam conforme as emoções: cerrados quando está pensativo, abertos quando está feliz e pronto para interagir. Os sensores espalhados pelo corpo o ajudam a entender o ambiente ao redor. Quando alguém fala, ele move a cabeça e se apresenta: Olá! Sou o Beo, robô social da Qiron Robotics! Estou aqui para ajudar a ampliar a experiência humana através da tecnologia. Nossa equipe desenvolveu o robô mais carismático e modesto que já existiu!

 

Robôs são máquinas programáveis que podem executar uma variedade de funções, desde simples ações repetitivas até tarefas complexas. Assim é Beo, o robô humanoide terapêutico e educacional criado pela Qiron Robotics - uma startup especializada em robótica da Pulsar, a Incubadora Tecnológica da UFSM. Ele tem transformado a aprendizagem e o tratamento de crianças neurodivergentes no Brasil ao possibilitar a implementação de novas abordagens, especialmente no espectro do autismo.

 

O engenheiro de controle e automação e sócio-fundador da Qiron, Rafael Miranda, relata que, desde a criação, a intenção era que Beo se tornasse um canal para diversas aplicações, incluindo o tratamento de crianças com TEA. Até 2019, a empresa havia encontrado sucesso no setor de eventos, mas foi impactada pela pandemia de COVID-19. Sem faturamento, os sócios-investidores sustentavam o negócio, enquanto o engenheiro trabalhava sem remuneração, porém confiante no potencial da tecnologia que era desenvolvida.

 

Com a retomada das aulas presenciais em 2021, Rafael começou a ensinar programação de computadores para turmas do Ensino Fundamental em escolas particulares de Criciúma, Santa Catarina, como uma fonte alternativa de renda. Ele logo percebeu o impacto negativo da pandemia na concentração e interação social das crianças. Para ajudar, decidiu testar Beo como uma ferramenta auxiliar nas aulas. Descobriu, então, que o robô não só mantinha o interesse dos alunos, mas também facilitava a compreensão de conteúdos complexos.

 

Assim, no ano seguinte, a empresa passou a desenvolver soluções educacionais para escolas do setor privado. “Na época nós trabalhávamos principalmente com crianças do ensino infantil, porque ali eram conteúdos pré programados. Mas com a IA, hoje nós já conseguimos atender até o ensino médio, na proposta de ser um parceiro do professor”, comenta o engenheiro.

Fotografia horizontal, colorida em plano médio de três robôs humanoides pequenos sobre uma bancada branca. Eles estão em pé, um ao lado do outro, e têm corpos brancos, cabeça arredondada e dois braços, com articulações em cinza-escuro. Eles não têm pernas, apenas uma base larga de sustentação, em que há uma abertura para alto-falante formada por linhas sinuosas. Também não têm mãos, mas um alongamento do braço, em cinza escuro. O robô no lado esquerdo da imagem está danificado: não tem o visor frontal montado, é possível ver os componentes internos e há marcas de desgaste no corpo. O robô do centro está ligado, e no visor preto tem olhos formados por dois pontos de luz azul. O robô do lado direito da imagem está de costas,aberto, de onde saem fios e componentes eletrônicos. Sobre toda a bancada estão cabos pretos, vermelhos e outros componentes eletrônicos. Ao fundo, uma parede de tijolos brancos e uma prateleira com ferramentas.
Exemplares do robô Beo em processo de montagem no laboratório da Qiron Robotics | Foto: Jessica Mocellin

Desde então, a Qiron fechou parcerias com instituições de ensino em diferentes ramos, como cursos de idiomas e universidades. Uma delas é a ZET, uma startup paulista especializada em desenvolver programas educativos para crianças sobre sustentabilidade e inclusão. 

 

O CEO e fundador da ZET, Éder Custódio, explica que a empresa tem como objetivo implementar projetos sociais, patrocinados por empresas privadas, em escolas particulares do estado de São Paulo. Ele conta que a iniciativa é voltada para dois segmentos: educação inclusiva e combate ao bullying e conscientização sócio-ambiental através do incentivo à redução de emissões de carbono, conforme a Agenda de 2030 para o desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Éder, o robô tem a função de “interagir com as crianças para mostrar as consequências futuras de nossas ações presentes, facilitando a compreensão e o engajamento com os temas propostos”. 

 

Card informativo horizontal e colorido em tons de azul. No card, há um texto escrito em diferentes tons de azul e preto. O título tem fontes estilizadas e arredondadas, com o texto: “Sou diferente, e Daí? Tem lugar aí pra mim?”. A palavra ‘diferente’ tem letras em diferentes cores, em vermelho, azul claro, verde e amarelo. A expressão ‘E daí?’ está em branco sobre faixa azul claro com textura de tinta. Abaixo, uma dedicatória, que diz: "Dedicamos esta linda história, como forma de acolhimento e de esperança a todas as famílias atípicas, às crianças com autismo, em especial aos nossos filhos, Benjamin e João”. Em seguida, Agradecimentos: "Aos parceiros e patrocinadores que abraçam com todo o coração esta linda causa, levando informação e conhecimento a todos, contribuindo de fato para a verdadeira transformação de comportamento". No canto inferior esquerdo, há um símbolo do laço que simboliza o autismo composto por peças de quebra-cabeça coloridas nas cores azul, amarelo, verde e vermelho. O fundo da imagem é azul-celeste.
Capa da cartilha desenvolvida pela empresa ZET, para um curso escolar voltado à promoção da educação inclusiva e combate ao bullying.

Assista o vídeo para conhecer a ZET:

http://www.55bet-pro.com/app/uploads/sites/714/2024/07/VIDEO-2024-06-09-11-17-12.mov

Robótica no apoio ao TEA

Ao mesmo tempo em que desenvolvia soluções para a educação convencional, a empresa estudava a utilização de robôs para auxiliar no tratamento do autismo. “Desde 2018, quando a psicóloga Carla Binsfeld visitou nosso laboratório, a Qiron flertava com a ideia de usar robôs no tratamento do autismo. Só que naquele momento nos faltava ‘braço’ para desenvolver essa aplicação”, explica Rafael. 

 

Carla Binsfeld diz que a ideia de aliar a robótica ao tratamento de crianças com autismo surgiu durante a participação em uma imersão no programa Business Mentoring & Innovation (Mentoria Empresarial e Inovação, em português) no Vale do Silício, que fica na Califórnia, nos Estados Unidos. Lá ela observou os diversos usos da robótica no desenvolvimento humano e na saúde mental. “Nessa época, também passei a perceber mudanças nas demandas dos pacientes por inovação nos atendimentos clínicos, especialmente entre a geração Z e pessoas com TEA”, argumenta. Hoje, a psicóloga aplica o robô em terapias clínicas em seu consultório, na cidade gaúcha de Cruz Alta, há mais de um ano.

 

O engenheiro menciona que o uso de robótica para TEA já era estudado e praticado há algum tempo no exterior. No Brasil, entretanto, esse tipo de aplicação era algo inédito. Mas em 2021, uma parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT) fez com que o projeto tivesse andamento. A iniciativa recebeu o nome de Robô autônomo para saúde mental. 

 

O projeto

A doutoranda da UFT e professora de Tecnologia da Informação, Héllen Souza Luz, conta que a proposta é entender e superar as principais dificuldades enfrentadas por crianças com TEA, como a habilidade de imitar, a atenção compartilhada, a capacidade de seguir instruções, de desenvolver linguagem expressiva e simbólica, de sentar e aguardar, de perceber a intenção do outro e de compreender metáforas. Ela explica que desenvolver essas habilidades é essencial para a integração dessas crianças no ambiente educacional e social e, assim, minimizar a distância acadêmica entre crianças com autismo e neurotípicas.

 

A pesquisadora esclarece que a robótica pode ajudar a atender as necessidades específicas de cada criança. Hellen pontua que a parceria com a Qiron aposta no uso da tecnologia para apoiar professores e terapeutas, especialmente em instituições públicas onde a formação especializada nem sempre está disponível. Segundo ela, o robô pode identificar padrões, quantificar dados e fornecer orientações sobre tratamentos e intervenções, o que melhora o atendimento educacional e terapêutico dos pacientes. 

Uma pesquisa colaborativa

A professora comenta que a tecnologia, embora essencial, é uma ferramenta que precisa se integrar em outras áreas para fornecer soluções adequadas. “Nosso grupo de pesquisa é interdisciplinar e inclui professores, psicólogos e psicopedagogos, que validam e apoiam o desenvolvimento de soluções tecnológicas para crianças. Eles avaliam aspectos como adequação da voz do robô, tempo de resposta e interação”, alega. Ela afirma que o objetivo não é converter esses profissionais em programadores, mas incentivar a compreensão mútua dos desafios.

 

Outro fator é o caráter público-privado do projeto. O modelo, segundo ela, é essencial para o desenvolvimento de soluções que irão beneficiar tanto o setor produtivo como a sociedade. “Universidades têm potencial de pesquisa, mas faltam recursos, que o setor privado pode fornecer. Essa colaboração é vantajosa, pois a parceria permite desenvolver tecnologias aplicáveis que irão atender às necessidades do mercado e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, explica Héllen.

Robô terapeuta

Carla, relata que o uso do robô é avaliado por anamnese (processo de coleta de informações sobre a história médica e de saúde de um paciente) e conforme cada contexto. Porém, ele não substitui a interação humana. Ela ressalta a importância de que os objetivos sejam claros para pacientes e famílias e menciona que, em alguns casos, é necessário um período de atendimento clínico antes de adotar a robótica.

 

Segundo a psicóloga, o robô, nomeado por ela de Jyjy, colabora de maneira significativa para a melhora das habilidades sociais e de comunicação de crianças com TEA. “Diversas abordagens, como interação social segura, reforço positivo e intervenções personalizadas, têm sido implementadas com sucesso. Estas tecnologias proporcionam feedback imediato, envolvimento lúdico e permitem monitoramento e avaliação contínuos”, justifica. Ela destaca que o robô oferece um ambiente de interação mais previsível e menos intimidador do que as interações humanas, pois é programado para exibir expressões faciais, gestos e comportamentos de maneira consistente.

Fotografia vertical, colorida e em plano americano de duas pessoas em pé, que seguram um robô humanoide pequeno. À esquerda, há uma mulher de pele branca, com cabelos cacheados, compridos e a cor castanho escuro. Ela sorri amplamente. Veste vestido preto comprido e aponta para o robô com uma das mãos. À direita, um homem de pele branca, com barba e cabelos loiros e curtos. Ele veste uma camiseta de futebol da Alemanha. Ele sorri enquanto segura o robô. O robô é branco com detalhes em vermelho nas articulações. Tem o visor frontal preto com olhos em formato de luz azul ovalada. Ao fundo há uma parede de cor marrom-claro, um quadro de pintura abstrata e um sofá marrom escuro.
Carla Binsfeld e Rafael Miranda com o robô Jyjy

O futuro

Rafael relata que tem o objetivo de levar a tecnologia para o setor público, com custos acessíveis, e contribuir para uma educação inclusiva na sociedade. A empresa também busca expandir a aplicação do robô para outras áreas, como idosos com demência e para educação remota em presídios. 

 

Além de levar a robótica para as escolas públicas, Héllen afirma que, tão logo a pesquisa seja validada, a intenção é transmiti-la para outros centros de aplicação. Ela destaca que a equipe está aberta a colaborações e planeja expandir o conhecimento para outros estados e até mesmo outros países, com os ajustes e adaptações necessários às diferentes culturas e protocolos.

 

Carla já utiliza o robô em outras aplicações clínicas, como em tratamentos para Ansiedade e TDAH. A tecnologia também é empregada em internações hospitalares, inclusive em casos de dependência química e de pessoas que tiveram COVID-19. “A inovação na psicologia é urgente, e a robótica, assim como a IA, é o presente e, cada vez mais, o futuro da profissão”, finaliza.


Conheça Beo, o robozinho da Qiron Robotics

Fotografia vertical e colorida e em primeiro plano de um robô humanoide pequeno. Ele está de pé sobre uma superfície de madeira clara. Tem o corpo branco e as articulações em cinza escuro. Tem cabeça redonda com visor preto frontal. No visor, os olhos são em formato de coração em uma luz azul brilhante. Está com o braço do lado esquerdo para a frente. Ao fundo há uma parede de cor verde-esmeralda.
Beo, o robô humanoide terapêutico e educacional da Qiron Robotics

Beo foi projetado para criar uma interação natural e intuitiva. Seus atributos o tornam bastante atrativo, principalmente para crianças com TEA. Algumas de suas características são:

 

  • Utiliza Tecnologia de IA similar ao ChatGPT (LLM)  para entender e gerar texto
  • Apresenta visão computacional com capacidade de detecção e reconhecimento facial
  • Sintetiza e gera a própria voz
  • Entende e interpreta o que é falado
  • Tem displays nos olhos que demonstram emoções de maneira consistente
  • Executa movimentos fluidos, suaves e naturais

Reportagem: Daniele Lopes Vieira

Contato: daniele.vieira@acad.55bet-pro.com

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/09/19/inscricoes-abertas-para-a-jornada-de-educacao-inclusiva Tue, 19 Sep 2023 14:22:25 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63773

A Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep) e a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) abriram inscrições para as atividades da Jornada de Educação Inclusiva. A ação tem como objetivo conscientizar os servidores da Instituição para uma atuação inclusiva.

A jornada contemplará cinco encontros, que ocorrerão com frequência semanal, nas quartas-feiras. Cada atividade contará com inscrições individuais, sendo que o participante poderá inscrever-se em uma ou mais atividades, de acordo com os temas de seu interesse.

 

Tópico

Data

Período de inscrições

Assunto abordado e ministrantes

1

11/10

8h às 11h30min

De 18/09 a 09/10

Abertura com Professor Jerônimo e Professora Sílvia

Deficiência Auditiva e Surdez

(Diéssica Zacarias Vargas Lopes)

2

18/10

8h30min às 11h30min

De 25/09 a 16/10

Altas Habilidades/Superdotação

(Tatiane Negrini)

3

08/11

8h30min às 11h30min

De 16/10 a 06/11

Deficiência Intelectual e Autismo

(Marcia Doralina Alves e Profª Glaucimara Pires Oliveira)

4

22/11

8h30min às 11h30min

De 30/10 a 20/11

Cegueira e Baixa Visão

Introdução à Audiodescrição

(Josefa Lidia Costa Pereira e Fernanda Taschetto)

5

29/11

8h30min às 11h30min

De 06/11 a 27/11

Deficiências Físicas e Motoras

(Suzel Lima da Silva)

 

As inscrições para a primeira atividade da jornada, que abordará o tema "Deficiência Auditiva e Surdez", já estão abertas no Portal de Capacitação.

Para os servidores lotados no 55BET Pro Santa Maria, os encontros ocorrerão de forma presencial, no miniauditório 109 da Coordenadoria de Tecnologia Educacional (CTE), no prédio 14. Já para os servidores lotados nos campi fora de sede, os encontros serão transmitidos ao vivo pelo Google Meet (exceto no encontro do Tópico 4, que ocorre exclusivamente de forma presencial).

Mais informações com o Núcleo de Educação e Desenvolvimento, pelo e-mail ned@55bet-pro.com ou ramal 3220-8063.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/05/18/delegacao-da-ufsm-participa-de-missao-em-angola-para-projeto-de-educacao-inclusiva Wed, 18 May 2022 12:29:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=58578 [caption id="attachment_58579" align="alignright" width="654"]Oito pessoas posam  em pé para uma foto, cinco são mulheres. Ao fundo há uma parede amarela,  três degraus de uma escada aparentemente de mármore branco e um corrimão com guarda de madeira. Há um detalhe no canto superior esquerdo da foto,  de  parte de um quadro nas cores azul e rosa. Da esquerda para a direita de quem olha, está uma mulher negra de cabelos pretos vestindo blusa amarela e um casaco preto ao seu lado um homem branco, usa óculos tem cabelos pretos, veste um terno cinza, camisa branca e uma gravata em tom marrom. Em seguida um homem grisalho, usa óculos, veste terno cinza escuro com uma camisa branca e uma gravata vermelha com com detalhes em amarelo. Ao seu lado, homem de cabelos grisalhos, vestindo terno preto, camisa branca e gravata azul. Na sequência homem de cabelos escuros, vestindo terno cinza claro, camisa branca e gravata cor de rosa. Ao seu lado aparece uma mulher de cabelos pretos compridos, vestindo um vestido preto e sapatos pretos, em seguida uma mulher de cabelos castanhos claros, veste um vestido estampado com fundo bege e detalhes com flores nas cores verde escuro e laranja. Ao seu lado e mais ao fundo, um homem de cabelos grisalhos  calvo, veste um terno preto e camisa branca. A sua frente, uma mulher de cabelos castanhos, usa uma blusa cor de rosa escuro, uma saia preta e sapatos pretos. Ao seu lado, uma mulher de cabelos claros, altura média, usa blusa preta e calças em tom bege e a última mulher, usa vestido preto, casaco verde claro, usa óculos e tem cabelos  grisalhos. Professores da UFSM e representantes da Embaixada do Brasil e da ABC na missão em Angola[/caption]

No âmbito da iniciativa de cooperação técnica para a implantação de projeto na área de educação inclusiva em Angola, a Universidade Federal de Santa Maria e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, realizam uma missão em conjunto em Angola. O objetivo é prover as instituições cooperantes, tanto do lado brasileiro quanto do lado angolano, com informações para elaboração de projeto de cooperação técnica bilateral.

Coordenam a missão, nessa fase de prospecção, pela parte da ABC, Luciano Queiroz, e pela parte da UFSM, a professora Ana Cláudia Oliveira Pavão. Também participam professores da área da educação inclusiva da UFSM: Carlo Schmidt, Sabrina Fernandes de Castro, Anie Pereira Goulart Gomes, Silvia Maria Pavão e Amara Lúcia Holanda Tavares Battistel.

A missão foi iniciada na segunda (16) e será concluída na sexta-feira (20). No primeiro dia, a delegação brasileira foi recebida pelo embaixador do Brasil em Angola, Rafael Vidal, e pelos diplomatas Lucas Lima e Durval Carvalho de Barros. A agenda da delegação segue com visitas às escolas das províncias de Luanda e Bengo, sendo acompanhada pelos representantes do Ministério da Educação de Angola, com a finalidade de conhecer a realidade local.

A minuta do projeto será elaborada até o final da semana, com perspectiva de realização de ações de formação técnica aos professores dos ensinos básico e superior.

Foto: Divulgação

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/04/29/professores-da-ufsm-participam-de-missao-de-cooperacao-tecnica-na-africa Fri, 29 Apr 2022 18:01:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=58413 [caption id="attachment_58414" align="alignleft" width="525"]Imagem em formato quadrado, de um grupo de onze pessoas, sendo nove mulheres e dois homens, parados em frente a um prédio nas cores vermelha e amarela. O chão é revestido com tijolos de cimento. Todos encontram-se em pé, lado a lado. Os dois homens encontram-se no centro da imagem. A última mulher da direita usa máscara branca e todos estão com expressão sorridente. Visita à Universidade de Cabo Verde[/caption]

Uma delegação de professores do curso de Educação Especial, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), encontra-se na cidade de Praia, capital do país Cabo Verde, África. A viagem é uma ação conjunta com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e com o Ministério da Educação de Cabo Verde (África) com o objetivo de promover ações de internacionalização.

A iniciativa, centrada em uma cooperação técnica internacional, tem por objetivo dar seguimento ao Projeto Educação de Todos - Fase III, referente à área da educação inclusiva. O projeto conta com o apoio da Coordenação da ABC, do Ministério das Relações Exteriores e da Coordenação-Geral de Cooperação Técnica - África, Ásia e Oceania. O propósito da missão consiste em prover as instituições cooperantes, tanto as do lado brasileiro quanto as do lado cabo-verdiano, com informações para elaboração de projeto de cooperação técnica bilateral, na área da educação inclusiva.

Na UFSM, a coordenação do projeto está a cargo da professora Ana Claudia Oliveira Pavão, tendo Paulo Roberto Barbosa Lima como responsável pela cooperação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste, e a Anna Cristina Bittencourt Pérez como responsável técnica.

A delegação brasileira é composta pelos seguintes professores: 

Profª. Drª. Ana Cláudia Oliveira Pavão – coordenadora do projeto;

Prof. Dr. Carlo Schmidt - especialista em autismo, adaptação curricular e plano educativo individual;

Profª. Drª. Fabiane Romano de Souza Bridi - especialista em deficiência intelectual, avaliação pedagógica e docência da escola inclusiva;

Profª. Drª. Melânia de Melo Casarin - especialista em surdez e educação de surdos;

Profª.Drª. Sílvia Maria de Oliveira Pavão - especialista em problemas de aprendizagem, avaliação pedagógica e gestão da escola acessível;

Profª. Drª. Tatiane Negrini - especialista em altas habilidades/superdotação, ensino colaborativo, ensino compartilhado e biodocência.

[caption id="attachment_58415" align="alignright" width="570"]Imagem em formato quadrado, de um grupo de dez pessoas, sendo oito mulheres e dois homens, parados em frente a um prédio nas cores azul e amarela. Na parte superior do prédio, encontra-se o brasão da República Brasileira e a inscrição Embaixada do Brasil. Abaixo, à direita, há a efígie de uma figura feminina. O chão é revestido com tijolos de cimento. Todos encontram-se em pé, lado a lado. Vestem roupas de cores diversas e possuem expressão sorridente. Encontro com o embaixador do Brasil em Cabo-Verde, Colbert Soares Pinto Jr.[/caption]

Como parte da missão, a delegação da UFSM, acompanhada de Anna Cristina Bittencourt Pérez, foi recebida, no dia 25 de abril de 2022, pela Secretária de estado de Inclusão Social, Dra. Lídia Lima de Mello, e pelo Embaixador do Brasil, Colbert Soares Pinto Jr. Durante a semana, a delegação visitou instituições de educação primária e secundária, além da Universidade de Cabo Verde (UniCV). Na universidade de Cabo Verde, o reitor da instituição, José Arlindo Barreto, projetou trabalhos futuros na área da mobilidade e internacionalização, bem como nos processos de inclusão.

Na sequência dos compromissos da missão, na manhã do dia 28/04, os docentes da UFSM participaram de um encontro com Colbert Soares Pinto Jr., que analisou os principais dados que farão parte do projeto de cooperação. A delegação ainda irá a Assomada (município de Santa Catarina de Santiago) completar a visita técnica a uma escola primária, e à faculdade de educação e desporto da UniCV, na mesma localidade. A delegação estará de volta ao Brasil no dia 30 de abril. O projeto tem metas a serem implementadas no segundo semestre de 2022.

 

Descrição de imagem: na foto, aparecem oito pessoas de frente, em pé. Da esquerda para a direita, há quatro mulheres. A primeira tem cabelos curtos, veste uma saia preta com uma blusa estampada, com motivos florais, em tons brancos e cinza; a segunda tem cabelos louros escuros, na altura dos ombros, e está com vestido laranja; a terceira tem cabelos escuros e está de vestido branco; a quarta, de cabelos escuros, na altura dos ombros, veste uma calça rosa e blusa com estampas florais, na cor azul. Na sequência, está o embaixador, um homem calvo, de terno cinza escuro; a seu lado, há uma mulher de cabelos louros escuro, com um vestido de listras largas horizontais, nas cores laranja, bordô e azul. A seu lado, há um homem alto, de cabelos escuros vestindo uma camisa xadrez e calças jeans. A seu lado, há uma mulher de cabelos escuros, presos, com blusa bege e calça rosa escuro.

 

Com informações da Coordenadoria de Ações Educacionais

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