UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Thu, 23 Apr 2026 15:30:01 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/09/08/ufsm-em-rede-a-resiliencia-torna-mais-forte Thu, 08 Sep 2022 17:33:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=59618

Ao longo da série de reportagens produzidas pela Agência de Notícias sobre o legado do período do UFSM em Rede, alguns pontos de convergência foram encontrados em todas as manifestações: o momento não foi fácil para ninguém, o uso das tecnologias tornou-se inevitável e o caminho para sua utilização plena ainda está distante do fim. 

Outro aspecto que teve destaque foi a saudade do contato humano e a corrida para ressarci-lo. Nesse percurso, o investimento no mundo virtual serviu para manter o vínculo da UFSM com os seus e com a sociedade, ao não só dar continuidade às aulas, mas ao ponto de procurar aperfeiçoar a essa experiência à realidade, a qual também pode ser atingida pelas descobertas do período pandêmico. 

A remanescência das redes

[caption id="attachment_59622" align="alignleft" width="455"] Reitor, Luciano Schuch, participa de reuniões de modo virtual[/caption]

Mesmo com o retorno presencial das aulas e atividades administrativas, algumas estratégias utilizadas durante o período em Rede devem permanecer. Luciane Sanchotene, professora do departamento de Desportos Coletivos da UFSM, decidiu continuar com a frequência de reuniões virtuais de seu grupo de pesquisa, intercalada com as presenciais. Para ela, a grande vantagem está nos ganhos para a rotina de cada um, já que pode participar dos encontros de qualquer lugar, evitando tempos de deslocamento e intercalando com outras atividades diárias. 

O professor Jerônimo Tybusch, pró-reitor de Graduação, também já começou a integrar o virtual de maneira mais concreta às suas aulas no curso de Direito. Ele salienta que, estando em vigor a possibilidade de concluir o curso com 40% de presencialidade, é estratégico utilizar recursos assíncronos e síncronos. “No meu plano de ensino, eu sinalizo aos alunos quais são as aulas presenciais, acompanhadas de sua respectiva leitura, quais serão online, e quais assíncronas, com os materiais necessários para aquela semana”, explica.

Márcia Lorentz, Coordenadora de Projetos e Convênios da Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan) acredita que as vídeo chamadas vieram para ficar, pois facilitam com que reuniões maiores possam acontecer, já que não há limitações físicas para o número de participantes, o que considera uma forma diferente de integração, que não era possível no presencial. A mesma perspectiva é compartilhada pelo reitor da Instituição, Luciano Schuch, que através dos recursos virtuais realiza atividades de trabalho e reuniões de forma mais fácil com gestores e servidores de outros campi. As reuniões do Conselho Universitário (Consu) e do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE), por exemplo, seguem no modelo virtual e, futuramente podem acontecer em formato híbrido. O reitor entende que se a tecnologia está a disposição e pode ser utilizada, o caminho é buscar o melhor uso para aproveitar suas potencialidades.

Outro exemplo do que pode ter continuidade neste contexto são os eventos, congressos, formaturas e bancas - no formato híbrido ou virtual. Momentos que até então ficavam restritos ao público que acompanhava presencialmente as atividades puderam ser ampliados e essa é uma característica que pode ser levada adiante. A Pró-Reitora de Pós-graduação e Pesquisa, Cristina Nogueira, avalia que o uso das tecnologias de informação e comunicação certamente permanecerá para aulas, seminários e defesas, reduzindo os custos e otimizando o tempo para participação de pesquisadores de outras Instituições de Ensino Superior do Brasil e do exterior. “Essa troca é fundamental na pesquisa científica e formação de recursos humanos qualificados. O desafio agora é estabelecer as bases legais para a utilização dessas tecnologias no ensino presencial, sem a sua caracterização como Ensino à Distância, que se trata de modalidade distinta de ensino”, reflete.

O legado

[caption id="attachment_59623" align="alignright" width="631"] Agora as formaturas acontecem presencialmente, mas com transmissão online[/caption]

Ponto comum entre todas as perspectivas é que a tecnologia veio para ficar e seu uso pode e deve ser agregado ao contexto acadêmico, no entanto, a longo prazo, este processo precisa ser estudado de forma mais específica, para que traga os benefícios desejados, com qualidade no ensino e de maneira acessível a todos. 

Na avaliação de docentes e discentes, a simples transposição das aulas presenciais para o meio remoto, com o uso das tecnologias, não permite dizer que o ensino em Rede teve o mesmo ritmo de antes da pandemia. Por mais que em algumas situações tenha sido benéfico, é certo que é preciso avançar nesta discussão, de forma a pensar as interações mediadas mais integradas com o contexto vivido. Como legado, fica a perspectiva de que novos métodos de ensino são possíveis de serem utilizados e podem ser bem-vindos, no entanto, há a necessidade de maior planejamento, capacitação e formas de inclusão para todos. Francisco Cougo, docente do departamento de Arquivologia da UFSM, pensa que a grande lição deste momento é a necessidade de discussões sobre esse tema à exaustão com a base (professores e alunos), para que os melhores caminhos possam ser encontrados.

Em relação aos novos modos de trabalho, o legado que ficou  não é muito diferente: a visão de que é possível atuar de uma nova maneira, já que a Universidade se manteve em pleno funcionamento mesmo durante a suspensão das atividades administrativas presenciais, mas que essa forma de trabalho deve ser discutida e planejada a fundo, já que as realidades de cada servidor e de cada atividade desenvolvida são diferentes. Missão esta que já está sendo realizada na Universidade, através da atuação da Comissão Temporária de Avaliação e Implementação do Teletrabalho na UFSM. 

Já em andamento, um exemplo positivo de como o uso das tecnologias pode ser apropriado à Universidade, está na mudança significativa no processo de matrícula dos calouros, que é um dos reflexos do legado dos anos em REDE. Nesse período, tanto a chamada regular quanto a oral foram realizadas de forma online e bem sucedida. Jerônimo Tybusch aponta que essa mudança já estava sendo projetada antes mesmo da pandemia, eliminando o uso de envelopes e papéis, com a documentação sendo toda digitalizada, facilitando as análises e tramitações internas, simplificando os processos para o estudante ingressante e para a comissão responsável pelo ingresso. “Esse é um aspecto bem interessante em que avançamos. É um sistema genuíno no país, completamente sem papel. As próprias entrevistas de autodeclaração e de deficiência foram realizadas online, um ganho muito grande”, destaca Jerônimo. 

Para o pró-reitor, esse é o legado: a resiliência de conseguir manter a potencialidade do uso da tecnologia para redimensionar o ensino e a forma de aprender. “Para que saiamos um pouco da maneira clássica do processo de ensino para uma nova, de ensino e aprendizagem, que esteja além, a fim de aproximar os alunos uns dos outros e da Instituição”, aponta. 

É analisando todo esse contexto que o professor Francisco reflete sobre o período vivido e avalia que as tecnologias devem estar a serviço do ensino e serem adaptadas para este fim e não o contrário. Ou seja, para ele, o legado é que a universidade e o ensino devem estar para além da tecnologia. “O que não pode ter continuidade é a visão muitas vezes disseminada de que a universidade se resume a tarefas rotineiras via Moodle. Precisamos reestabelecer os espaços de convívio e troca dentro da universidade e, especialmente, dentro da sala de aula”, finaliza. 

UFSM em Rede

Nesta série, ao longo de 5 matérias, realizamos um balanço do período em que a Universidade esteve com as atividades via REDE. No primeiro texto trouxemos as impressões sobre os momentos iniciais da pandemia e a agilidade de ação da Instituição. Na segunda matéria foram abordados os desafios de ensinar e aprender ao longo deste período. A terceira reportagem trouxe as formas como a Universidade rompeu as fronteiras físicas quando conseguiu utilizar o melhor que as tecnologias poderiam oferecer. No quarto texto foi trazido para debate o tema do teletrabalho e o andamento das discussões sobre o assunto na Instituição. Todas as reportagens estão disponíveis no site da UFSM.

Texto: Gabrielle Pillon, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Arquivo Ascom Gabinete
Edição: Mariana Henriques e Ricardo Bonfanti, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/09/02/ufsm-em-rede-quando-a-universidade-rompe-suas-proprias-fronteiras Fri, 02 Sep 2022 12:06:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=59559 [caption id="attachment_59564" align="alignright" width="757"]Foto colorida horizontal mostra um homem em uma sala, de fones de ouvido, no lado esquerdo, e à frente dele dois monitores, que mostram a realização de eventos com inúmeros participantes Durante a pandemia, eventos, bancas e formaturas foram realizados em formato online (Foto: Arquivo/Ascom)[/caption]

Com aulas virtuais via REDE, os acadêmicos e professores da UFSM viram suas atividades em um novo e desconhecido formato, assim como ocorreu com as demais Instituições de Ensino Superior brasileiras. A participação em eventos, bancas ou até mesmo as formaturas adquiriu um novo formato. Mobilidades acadêmicas que eram comuns até o momento precisaram ser repensadas, de modo que os estudantes, mesmo em meio à pandemia, pudessem ter experiências para além da universidade. É o que a terceira reportagem da série sobre o UFSM em REDE aborda.

Um novo olhar sobre eventos

Para a relações públicas Solange Prediger, assessora de Comunicação do Gabinete do Reitor, a realização de eventos online, embora sendo a única opção, deixou uma forte marca na Universidade. Ela conta que, com a transmissão de encontros, mais pessoas puderam participar deles, algo que era limitado na presencialidade, devido a questões de tempo, mobilidade e até divulgação. Além disso, o fato de celebrações serem gravadas permite que os momentos sejam eternizados e passíveis de serem revisitados. 

Com a volta do presencial este ano, diversas atividades como inaugurações, formaturas e posses voltaram a seu tradicional formato, em um espaço físico e com pessoas presentes. No entanto, Solange acredita que agora entende-se que é possível unir isso ao fator online, ou seja, quando há estrutura para gravar e transmitir o momento, além da possibilidade de interação do público. Em outras palavras, o modelo híbrido. Ainda, avalia que há muito a melhorar: “Nós perdemos no quesito das trocas, mas ganhamos no quesito 'estrutura do evento', conseguimos enxergar melhor para saber como fazê-lo chegar em mais pessoas”.

Ao mesmo tempo, a relações públicas pondera que é necessário pensar em quais situações é propício proceder dessa forma. Ao analisar qual o caráter do evento e, portanto, seu público de interesse e cobertura, pode-se definir se é válido uma transmissão. Por exemplo, uma formatura, que abrange familiares e amigos dos formandos em grande escala para acompanhar a cerimônia: alguns podem estar presentes, outros não necessariamente. Até o próprio aluno, se por acaso estiver em um estágio fora da cidade, pode ter a opção de colar grau a distância, mas junto a seus colegas. Já uma ocasião com finalidade burocrática interna entre servidores, como assinaturas de processos, não precisa ser transmitida, devido a sua característica corriqueira  e específica. 

Um elemento desse novo espectro de cerimônias é, segundo Solange, a oportunidade de novos palestrantes, por vezes inacessíveis em decorrência da agenda, poderem participar de algum evento na Universidade, via internet. O contrário também ocorre, quando membros da Instituição podem marcar seu nome em outras universidades. Ambos os movimentos ajudam a divulgar a UFSM a novos públicos, entende a relações públicas. “Com certeza, atingimos um público diferenciado dessa forma, são pessoas diferentes que ouviram falar da Universidade por esse meio”, observa.

Para que essa conquista não deixe de avançar, Solange vê o quanto é preciso investir ainda mais em novas capacitações, para que ninguém fique de fora por não saber utilizar uma tecnologia. Não obstante, ela acredita que, embora há formatos que as pessoas já estão acostumadas, como as videoconferências via Google Meet, deve-se buscar aprender novas funcionalidades, para estar apto a existir em um ambiente virtual mais inclusivo com suas atualizações.

O conhecido em uma nova faceta 

A mobilidade acadêmica sempre foi muito buscada pelos estudantes. A perspectiva de cursar parte da graduação em outra instituição, realizar trocas de conhecimentos e experiências culturais é extremamente rica para o desenvolvimento acadêmico e pessoal. Com a impossibilidade de realizar viagens, intercâmbios e qualquer tipo de mobilidade, tal interação foi fortemente afetada.

Uma possibilidade encontrada para minimizar os danos do período foram os programas de mobilidade virtual, que consiste em o acadêmico fazer um semestre em outra universidade, de forma remota, com todas ou uma parte das disciplinas para serem aproveitadas no currículo. Com isso em mente, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) implementou o Programa de Mobilidade Virtual em Rede de Instituições Federais de Ensino Superior (Promover), que visava oportunizar mobilidade de estudantes entre instituições federais através de vagas em disciplinas ofertadas em 12 universidades brasileiras, incluindo a UFSM. Além disso, o convênio da Universidade com a Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM) continuou em vigor, ao incentivar a mobilidade virtual entre os estudantes, sem o adicional de custos de locomoção e permanência.

Para o professor Júlio César Rodriguez, assessor do Gabinete do Reitor na Secretaria de Apoio Internacional (SAI), o programa de mobilidade virtual foi incentivado pelas universidades participantes para que os estudantes não perdessem a oportunidade de frequentar, mesmo sem se mover, outra instituição. Ele conta que esse formato tinha regras e editais, assim como o modelo presencial, mas com mais vagas disponíveis e até melhores condições para o aluno, o qual, muitas vezes, não consegue viajar a outro país e tem dificuldade de concorrer a editais de mobilidade presencial. 

Em relação ao Promover, o pró-reitor de Graduação, professor Jerônimo Tybusch orgulha-se ao lembrar que a UFSM, além de participar da criação e funcionamento do programa, foi uma das universidades que mais ofertou disciplinas - mais de 120, de todas as áreas do conhecimento. Até junho de 2021, 331 estudantes das outras Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) matricularam-se na UFSM, enquanto 461 fizeram o movimento contrário. No total, 10 mil alunos participaram da mobilidade virtual só até essa data. Inclusive, há conversas com a Andifes para que instituições internacionais participem do Promover, em um sistema consolidado de mobilidade virtual, para que ocorra regularmente. 

[caption id="attachment_59565" align="alignleft" width="676"]Foto colorida horizontal mostra o reitor, sentado em uma mesa, e do outro lado da foto um monitor de computador com um evento sendo realizado. Ele está em uma sala e ao fundo, uma parede branca e um relógio antigo Para o reitor da UFSM, as tecnologias facilitam a interação de pessoas de diversas partes do mundo (Foto: Arquivo/Ascom)[/caption]

Um novo público 

Para o reitor, Luciano Schuch, esse sistema de aprendizagem virtual não vai aumentar o número de estrangeiros na Universidade, mas sim qualificá-los. Segundo ele, o uso recorrente das tecnologias torna a interação de pessoas de diversas partes do mundo muito mais fácil e natural, pois é só fazer uma videochamada, o que outrora era um tabu dentro do ambiente universitário. O gestor ressalta que essa discussão não está acontecendo por causa da pandemia, foi apenas acelerada por ela, porque, quando isso ocorreu, o terreno estava pronto. “Era um processo irreversível”, admite. 

Com isso, na intenção de tornar a UFSM atrativa a diferentes públicos de variadas instituições, pretende-se implementar a política de disponibilizar 100 vagas extras a alunos estrangeiros, isto é, eles farão a seleção em suas universidades de origem e, se aprovados, virão estudar em Santa Maria. Nesse sentido, quanto mais variedade de culturas em uma sala de aula, mais se aprende sobre diversidade, seja de gênero, raça, dentre outros. Também, o reitor lembra a questão da reciprocidade: “Se tivermos estrutura para receber um aluno estrangeiro, as universidades parceiras darão a mesma oportunidade ao nosso aluno”.  

Planos promissores 

Ademais, a Prograd planeja levar a mobilidade digital para fora do continente. Com parte da carga horária de cursos sendo síncrona e a distância, tudo é possível. Para Jerônimo, esse movimento potencializa a “troca dentro do nosso sistema federal e internacional, pois as universidades só têm a ganhar em termos regionais”. Aliado a isso, o professor cita seu grupo de pesquisa, o qual, enquanto estava em formato virtual, contemplou pessoas de lugares inéditos, como Goiás e Minas Gerais. A fim de que esse pessoal continue trabalhando em conjunto, as reuniões serão híbridas, para que todo o potencial não se perca, “um ganho grande em termos de intercâmbio e cooperação, tanto nacional quanto internacional”, salienta. 

Dentro da Andifes, Jerônimo participa de uma comissão que cobra do Conselho Nacional de Educação um posicionamento a respeito da questão híbrida, já que atualmente só existe a mobilidade presencial ou a distância. Dessa forma, o pró-reitor acredita que o fator presencial será potencializado, com metodologias ativas, sala de aula invertida, dentre outras opções. Com isso, percebe-se o quanto o acadêmico receberia com mais investimentos no digital. O gestor conta: “Eu já utilizo o Moodle para disponibilizar o conteúdo para o aluno com antecedência, para que ele possa se preparar para a aula”. 

Olhar para trás para mirar à frente 

De legado, o pró-reitor enxerga que ficou uma movimentação maior para produção de vídeos, conteúdos e melhoria do processo de ensino aprendizagem. De exemplo, cita o fato de poder participar de defesa de teses e dissertações sem viajar e, portanto, com sustentabilidade, e o uso de programas e aplicativos dentro da administração da Universidade nas reuniões de diversos segmentos.

Solange, por sua vez, acredita que a tendência proporcionada por essa experiência remota é de que o espaço acadêmico possa ser frequentado por quem outrora sofria de limitações. Com isso, não se pode esquecer que uma maior igualdade de acesso básico à Internet e a outros serviços é imprescindível para a democratização dos espaços. Ademais, o presencial e o online não competem e podem funcionar simultaneamente, como já acontece em reuniões de conselhos com autoridades de centros espalhados pelas cidades.

Em relação à mobilidade virtual, o professor Júlio Cesar pretende mantê-la junto com a presencial. No entanto, a tendência é de queda na oferta à medida que a presencialidade retorna a 100%. Isso é devido ao fato de que há pouca infraestrutura para os docentes transmitirem suas aulas, onde a maioria dos alunos estarão presentes, contra uma minoria que estará em outro lugar. Já para os programas de pós-graduação que se adaptaram ao remoto, não há tantos impasses. 

“Se eu posso conectar muito mais, por quê não o fazê-lo?" É a mensagem que Schuch quer passar. Ele acrescenta ainda: com o acadêmico e o administrativo. Para esse último, a ideia é que se pegue todo o trabalho manual e braçal para que o sistema faça e, assim, o servidor público fique livre para pensar a transformação da Universidade.

Na próxima matéria da série serão abordadas as perspectivas em relação ao trabalho remoto.

Texto: Gabrielle Pillon, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Foto de capa: Mariana Henriques, jornalista

Edição: Mariana Henriques e Ricardo Bonfanti, jornalistas

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Com ganhos e perdas, o modelo de Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) foi o caminho encontrado para a continuidade das atividades durante a pandemia de Covid-19. O desafio seguinte a ser enfrentado era a execução. É normal que, após todo o período, o REDE tenha deixado resquícios, resta saber e analisar quais deles são bem quistos pelos professores e estudantes. É o que a segunda reportagem da série sobre o UFSM em REDE aborda.

A tecnologia bateu na porta

As aulas do 1º semestre de 2020 haviam começado há exatamente uma semana na UFSM quando tudo precisou ser suspenso. O planejamento que havia sido feito precisou ser alterado e novas lógicas acadêmicas precisaram entrar em vigor muito rapidamente. Francisco Cougo, docente do departamento de Arquivologia da UFSM, avalia que a experiência de ensinar e aprender durante a pandemia foi naturalmente difícil. O semestre já havia sido planejado levando em conta a presencialidade, e a necessidade de migrar para a plataforma digital repentinamente gerou problemas para os quais não havia se planejado. O professor elenca três desafios enfrentados pela nova dinâmica de ensino: o estresse gerado pelo próprio contexto de calamidade na saúde pública; a dificuldade de gerir um regime de ensino a distância sem nenhum planejamento prévio; e a própria ausência de infraestrutura para a realização das aulas.

Francisco relata que o primeiro semestre de 2020 foi o mais dificultoso. “Inicialmente, nem professores nem estudantes tinham equipamentos adequados, nem instrumentalização básica para a realização das aulas. O acesso à internet também era limitado. Como ficamos quatro semestres neste regime, evidentemente houve tempo para adequações e adaptações, ainda que sempre com muitos prejuízos”, avalia.

Além disso, outro problema elencado pelo professor está relacionado às rotinas de ensino-aprendizagem: “É como se estivéssemos diante de um ingresso triplo, pois temos turmas de 2020, 2021 e 2022 que recém agora estão conhecendo a Universidade, seus métodos e suas oportunidades”, afirma.

Luciane Sanchotene, professora do departamento de Desportos Coletivos da UFSM, avalia que este período trouxe dificuldades e também oportunidades: “Houve pontos negativos, principalmente para um curso de Educação Física, em que os alunos ficaram dois anos sem a prática da natação, do atletismo, do esporte coletivo, dentre outros, mas também houve muitos pontos positivos que eu penso que ficarão”, afirma. 

Os projetos desenvolvidos por ela conseguiram ter uma boa adaptação ao modelo virtual, como o Esporte Universitário, que originalmente oferecia aos acadêmicos a oportunidade de praticar diversas modalidades esportivas. Na pandemia, esse trabalho continuou, com as aulas via Google Meet. Além disso, pessoas sem vínculo com a UFSM puderam participar. “Muitos alunos pediram, foi muito importante essa prática naquele momento tão difícil do isolamento que estávamos vivendo”, conta. Luciane também promoveu cursos em diferentes temáticas e organizou eventos virtuais. Durante o período remoto produziu vídeos para os servidores em trabalho remoto sobre assuntos como a postura da coluna, como respirar corretamente e exercícios possíveis de se fazer em casa.

O impacto nos estudantes

Para os estudantes, o cenário não foi diferente. Houve aqueles que aprovaram e se adaptaram ao novo modelo com mais facilidade, mas, também, muita dificuldade foi encontrada.

Andréa Ortis, doutoranda em Comunicação, avalia que, dentro de sua realidade, o REDE foi bastante produtivo. “Quando iniciou o REDE, já estava na metade do doutorado e com disciplinas bem específicas, voltadas para a organização do projeto de tese, que é bastante teórico. As aulas foram pontuais, com foco total nas apresentações dos projetos e orientação dos professores, além da participação dos colegas que, mesmo que estivessem em uma tela de computador, conseguiam dar dicas valiosas para que os projetos conseguissem ser desenvolvidos da melhor forma possível”, relata.

No entanto, a acadêmica reconhece que tem essa visão pois está em uma área que possui um viés teórico acentuado, o que permite com que possa desenvolver suas atividades à distância. “Minha experiência só foi positiva porque o doutorado em Comunicação possui viés teórico, diferentemente de áreas das ciências agrárias ou exatas, por exemplo. Caso contrário, não teria a mesma opinião. Não consigo imaginar ser aluna de um curso com aulas práticas sendo feito remotamente, afinal seria dentro de um laboratório, com a instrução direta de um professor, que eu aprenderia a desenvolver um produto”, reflete. 

Essa mesma perspectiva é compartilhada pela Pró-Reitora de Pós-graduação e Pesquisa, Cristina Nogueira. Na sua visão, após as dificuldades iniciais de organização ao novo modelo remoto, as áreas teóricas tiveram ganhos mais expressivos com o uso das tecnologias, no entanto, o principal impacto negativo foi nos cursos de pós-graduação que possuíam muitas aulas práticas, atividades experimentais ou trabalhos de campo para realização das pesquisas. Algumas dessas atividades não tiveram como ser totalmente transportadas para o modelo em REDE, o que ocasionou atraso no tempo de conclusão dos cursos além de um déficit na formação presencial, diz Cristina. 

No entanto, Andréa argumenta que de modo geral, devido ao contexto emergencial em que foi implantado o REDE, considera que ele teve um saldo positivo, e possibilitou com que as atividades acadêmicas tivessem continuidade. Além disso, também pensa que foi uma forma importante de manter o vínculo dos estudantes com a universidade, mesmo que a distância. No entanto, ela ressalta a importância de se pensar o sistema de forma específica para cada área de ensino, levando em conta suas demandas e rotinas de trabalho e pesquisa.

Para a estudante de Engenharia Química Renata Gulart, o período em REDE foi desafiador no sentido humano, visto que ela gosta de ter pessoas por perto, inclusive isso a ajuda a se concentrar melhor nos conteúdos das aulas. Por outro lado, os anos de ensino remoto proporcionaram a ela estar mais ativa em diferentes projetos, como empresa júnior, grupo de pesquisa, dentre outros. “No presencial, isso é mais difícil, porque temos uma carga maior de atividades e aulas, enquanto no REDE havia uma flexibilidade sobre o que fazer e quando”, explica Renata. 

Outro ponto de vista é trazido pelo acadêmico de Direito Luiz Bonetti, que indica haver três esferas que foram perpassadas no período do REDE. A primeira é a mesma elencada por Renata: a saúde mental, afetada pelo isolamento que impedia o encontro com outras pessoas. “A falta de relação pessoal foi um ponto relevante para mim, pois sempre fui uma pessoa sociável”, explica. Por sua vez, o Whatsapp se tornou maior e mais influente na sua vida, mas não da melhor forma. Isto é, tornou-se difícil separar o profissional do pessoal. 

O segundo ponto para o estudante diz respeito ao ensino propriamente dito. Antes da pandemia havia uma forte defesa do ensino tecnológico em prol da presencialidade. Durante, porém, ficou visível que o ensino remoto não é suficiente e prejudicou a formação e capacidade de aprendizado para muitos. Para ele, esse movimento gerou evasão de estudantes, sobretudo pela questão da inclusão digital, acesso a tecnologias e equipamentos. Já a terceira esfera modificada pela pandemia, segundo Bonetti, foi a assistência estudantil, especialmente pelo fechamento do Restaurante Universitário.

Mesmo em perspectivas diferentes, tanto Andréa quanto Renata e Luiz concordam sobre a importância da presencialidade, da necessidade de repensar pontos do modelo REDE e do uso das tecnologias na educação. “Conseguimos ter uma prova da importância do ensino presencial, ao qual as tecnologias devem contribuir, mas não substituir”, pondera Luiz. Andréa ainda destaca que é preciso avançar no uso que se faz das ferramentas digitais: “Acredito que o modelo deve ser melhor pensado para o futuro, inclusive realizando mais capacitações para os professores, pois ministrar aulas de modo remoto é completamente diferente que se fossem feitas olho no olho”.

O fantasma da evasão

O professor Francisco lembra que um dos grandes problemas do período foi a desistência de alunos, principalmente pela dificuldade em acompanhar as aulas virtuais. “Vimos muita gente desistir nesta etapa, porque só contavam com smartphone simples e conexão limitada, o que dificultava muito a realização de leituras e trabalhos”, relata. Além disso, o docente também pontua que em virtude da crise econômica e das incertezas da pandemia, muitos estudantes preferiram trancar suas matrículas e retornar somente quando o cenário estivesse mais seguro, o que gera um esvaziamento na universidade. Essa perspectiva também é compartilhada por Luiz Bonetti, que entende que as dificuldades apresentadas neste contexto impactam na capacidade dos estudantes em acompanharem as aulas e participarem de projetos. 

Jerônimo Tybusch, pró-reitor de graduação, concorda ao afirmar que é fato que com a crise atual muitos alunos precisaram ajudar suas economias domésticas e de sustento. Por essa razão, a Pró-Reitoria incentiva que as coordenações de curso façam acompanhamento àqueles alunos que param de frequentar as aulas. Além disso, as ferramentas para o acadêmico trancar o curso foram flexibilizadas, para que ele possa agir com maior mobilidade e, futuramente, retornar à Universidade. “Nós estamos fazendo um trabalho de recuperação desse aluno que não apareceu no REDE e nem no presencial agora. Estamos incentivando os cursos a entrarem em contato para recuperá-lo”, destaca.

Potencialidades a serem exploradas

Ainda que o período tenha sido de dificuldades, algumas possibilidades se mostraram pertinentes e devem ser exploradas. Francisco indica que um dos pontos positivos deste cenário foi uma aceleração na digitalização de rotinas. Além disso, também destaca que um ganho foi a possibilidade de integração maior entre cursos e outras universidades. “Antes, nos parecia meio exótico que uma banca de TCC fosse realizada remotamente, ou com participantes online. Agora isso nos parece absolutamente normal e esse é um avanço positivo”, pontua.

Na mesma perspectiva, Luciane avalia que um ganho foi a abertura das disciplinas que leciona para a participação de alunos de outras instituições. Ela conta que teve um número maior de alunos de outros cursos, como Medicina, Fisioterapia ou Terapia Ocupacional. “Tive o prazer de poder aumentar essa prática multiprofissional que eu já venho realizando também no meu grupo de estudos”, diz, referindo-se ao Núcleo de Estudos em Medidas e Avaliação dos Exercícios Físicos e Saúde, o Nemaefs.

As reuniões online proporcionaram a Luciane ir além de seu alcance, como quando pôde participar de eventos internacionais como palestrante. Aliado a isso, essa ausência de mobilidade permitiu a ela participar de bancas com professores de outros estados e nações. Nisso, ela ressalta como o ponto de vista econômico é beneficiado, com passagens de avião e diárias de hotéis poupadas. “Teve até alunos que começaram e concluíram uma pós-graduação na nossa Instituição sem precisar vir para Santa Maria, isso facilitou a vida de muita gente”, pontua.

Ponto convergente entre todos é que o uso da tecnologia no ambiente acadêmico é um caminho sem volta. No entanto, ainda há pontos que precisam ser aperfeiçoados para um melhor uso dos benefícios que ela pode trazer, já que, por um lado, pode ser limitante, e por outro, pode potencializar ações. Os gestores afirmam que a discussão sobre o tema é contínua na Universidade, e mesmo que o REDE não esteja mais em vigor, é necessário estar atento para as necessidades do contexto e oportunidades que podem surgir.

Na próxima matéria da série serão abordadas algumas potencialidades que o modelo virtual trouxe, fazendo com que a UFSM cruzasse fronteiras.

Texto: Gabrielle Pillon, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Foto de capa: Daniel Michelon de Carli
Edição: Mariana Henriques e Ricardo Bonfanti, jornalistas

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No início de 2020, a pandemia de Covid-19 obrigou a população a ficar em isolamento para evitar o contato com o vírus. Práticas ao redor do mundo inteiro precisaram ser repensadas e reinventadas. Muitas atividades cotidianas precisaram adaptar-se ao ambiente online, como foi o caso das práticas acadêmicas. Na UFSM, foi adotado o REDE - Regime de Exercícios Domiciliares Especiais, e uma nova rotina entrou em vigor. Com o avanço da vacinação e a diminuição de casos, as aulas e demais atividades puderam retornar à normalidade apenas no início de 2022. Estas, porém, transformada pela experiência online.

Após quase dois anos de atividades remotas e um semestre do retorno presencial, a Agência de Notícias da UFSM lança uma série de reportagens para realizar um balanço deste período. O objetivo é avaliar o que foi realizado, ações que deram certo, o que deve ser repensado e prospectar iniciativas para o futuro.  

A tecnologia não media o ensino, mas o ensino media a tecnologia 

Em 16 de março de 2020, a quarentena - na época prevista para durar pouco tempo - estava sendo implementada em todo o país. Aulas e demais atividades laborais foram suspensas, obrigando gestores de instituições de ensino a reagir o mais rápido possível e coordenar uma transição para o meio virtual. Apenas um dia depois, em 17 de março, a UFSM já publicava uma instrução normativa relativa ao trabalho remoto. Nessa mesma data, a Universidade estava com atividades online e com o planejamento para a criação do REDE - Regime de Exercícios Domiciliares Especiais, uma versão do já existente Regime de Exercícios Domiciliares.  

O pioneirismo 

Os efeitos dessa agilidade são sentidos até hoje: a UFSM é uma das poucas universidades no Brasil com o calendário acadêmico em dia. Algo que orgulha uma das pessoas por trás desse trabalho, o pró-reitor de Graduação, Jerônimo Tybusch. “Nós conseguimos passar por momentos que foram extremamente difíceis. Acho que para toda instituição federal de ensino superior e para toda instituição educacional. Mas nós nunca paramos. Podemos dizer que nem por 24 horas paramos”, salienta. 

O pró-reitor lembra que o REDE não era uma modalidade a distância, mas sim uma estratégia de exercícios domiciliares envolvendo recursos, atividades, interação, interatividade e estratégias que eram síncronas, por videochamada, e assíncronos, que é a colocação de conteúdos no ambiente virtual de ensino e aprendizagem. Ele explica que, com a suspensão das aulas presenciais nos anos pandêmicos, o ensino precisou mudar para não ser superado e o REDE foi a forma encontrada de manter as atividades e os vínculos. Então a gente foi construindo, mas ele só se consolidou em uma resolução em agosto de 2020, a Resolução 024”, afirma. 

Para Jerômimo, o que possibilitou esse pioneirismo foi o trabalho que a UFSM já desenvolvia ao longo dos anos, como através do uso da plataforma Moodle. E além: no final de 2019, foi publicada a Resolução 037, que discutia os cursos a distância e o uso de estratégias e tecnologias comunicacionais em rede nos cursos presenciais. O pró-reitor afirma que esse momento foi uma inspiração para a criação do REDE e que, a todo o momento, sabia-se que haveria prejuízos caso não houvesse continuidade nos avanços em tecnologias educacionais da UFSM.  

O reitor da UFSM, Luciano Schuch, também saúda o pioneirismo. “Quando suspendemos as atividades presenciais na Universidade, tanto no âmbito administrativo quanto no acadêmico, no outro dia já lançamos o REDE, ou seja, nós já estávamos preparados para isso”, entende o gestor. Da mesma forma que para Tybusch, a estrutura e o histórico que a Universidade possuía foram determinantes. 

Um período teste 

Tanto Tybusch quanto Schuch acreditam que esse período a distância foi uma oportunidade para que os professores pudessem testar novas tecnologias de ensino.  Schuch entende que a pandemia não fez bem para ninguém, mas com a imersão no mundo digital o docente pôde compartilhar conhecimento com colegas e, assim, aprender a trabalhar nesta nova situação. “Em uma disciplina, em uma aula, o professor sempre testa. A cada semestre testa a metodologia, testa ferramenta, muda livro, muda material. E pode testar também essa questão no virtual, trabalhar remoto e síncrono com o aluno”, analisa. Assim, pode-se começar a identificar onde é bom usar e onde não se deve usar o virtual: “Sabemos que em algumas áreas ele potencializa bastante o conhecimento e em outras, atrapalha”, pondera. 

DNA presencial 

Além de continuar usando as tecnologias existentes, a UFSM aumentou seu leque de opções, como quando adquiriu o pacote Google for Education, que disponibiliza gratuitamente ao aluno e ao docente, através do email acadêmico, uma série de funcionalidades que outrora seriam possíveis apenas com uma compra. Os gestores entendem que essas facilidades devem acompanhar o aluno, mas que o centro de sua educação era e deve seguir sendo presencial. “Esse ganho de tecnologia cada vez maior não precariza a educação, pelo contrário, nós continuamos com nosso DNA presencial, com nossa estrutura presencial. A questão é que ela pode ser potencializada”, afirma Tybusch. 

No entanto, para o bom uso de tecnologias, é necessário saber manejá-las. Por isso que mais de 25 capacitações foram ofertadas ao longo de 2020 e 2021. Os  temas eram diversos, como uso de objetos educacionais, acesso ao Moodle, Google Meet, web conferência, produção de vídeos, transmissão de vídeos pelo YouTube, dentre outros. E como resultado, foram contabilizados mais de 4 mil participantes.  

O meio termo 

Para Tybusch, um grande legado do período foi a possibilidade inédita de a graduação poder ter 40% de presencialidade, pois isso proporciona flexibilidade ao acadêmico. Schuch igualmente enxerga vantagens que estão sendo vistas agora: “uma hora estamos na sala de aula com o aluno, em outro momento o aluno está fazendo atividades que usam uma plataforma para apoio ao presencial. Logo, a gente conseguiu casar o virtual com o real, conseguimos aprender onde é eficiente e onde não é”. Ele afirma ainda que esse sistema é diferente do ensino a distância, mas que essa forma de interação, que ao mesmo tempo aproxima e afasta, ainda tem muito a evoluir. 

Nesta mesma perspectiva, o reitor apresenta a ideia de que a tecnologia sempre esteve ao lado do ensino e este pôde mediá-la. Em outros tempos, essa inovação era o livro, depois o computador, e por aí vai. Ou seja, não é algo a se estranhar, a fusão do presencial com o virtual é um processo irreversível, segundo o gestor. Ele ilustra lembrando que no campus da UFSM em Cachoeira do Sul há o curso de Engenharia Elétrica. Tanto lá quanto no 55BET Pro Sede a disciplina de Introdução à Engenharia é oferecida. Portanto, essas turmas poderiam ser fundidas. “Às vezes o professor está lá, às vezes aqui, estão trabalhando juntos. Todo mundo na sala de aula, mas conectado por uma plataforma com o professor interagindo com as duas turmas junto, uma troca de experiência de alunos da Engenharia Elétrica de dois cursos”, reflete. Além disso, futuramente trocas e interações até com outras instituições seriam possíveis.

Luciano Schuch afirma que seu plano é trabalhar nessa direção, mas sem deixar o DNA presencial da UFSM de lado, afinal, afirma que é a partir dele que vem a qualidade de troca de experiências da Instituição, já que, ao cruzar o arco, todos são transformados. Agora, a questão é saber até onde esse arco pode alcançar. 

Na próxima reportagem abordaremos os desafios e as dificuldades de ensinar e aprender durante o período pandêmico, através da perspectiva de alunos e professores que vivenciaram o período. 

Texto: Gabrielle Pillon, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques e Ricardo Bonfanti, jornalistas

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/12/15/centro-de-educacao-da-ufsm-lanca-e-book-sobre-ensino-remoto Wed, 15 Dec 2021 12:35:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=57498

A Comissão de Avaliação Institucional do Centro de Educação (CE) da UFSM realiza nesta quarta-feira (15), às 16h, pelo YouTube, o lançamento do e-book "(Des)Encontros no Ensino e na Aprendizagem Remotos em Tempos de Distanciamento Social".

A obra é resultante do 3º Ciclo Institucional Permanente sobre a Docência na UFSM (Ciped 2020) e foi organizada pelas professoras Tania Micheline Miorando e Aruna Noal Correa, do Centro de Educação da UFSM. 

O e-book, escrito em português e inglês, apresenta uma contextualização da travessia da pandemia de Covid-19, com estratégias de enfrentamento de questões que se aproximam da avaliação, inseridos na dinâmica do Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) da UFSM.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/aulas-matematica-youtube Fri, 24 Sep 2021 13:59:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8672

Quem não sabe que o descontentamento em torno da aprendizagem em Matemática é, muitas vezes, colocado como uma constante entre os estudantes dos ensinos fundamental e médio? Também retratada comumente em séries e filmes adolescentes, a dificuldade de alguns alunos em relação à disciplina não existe apenas no senso comum: é também uma situação identificada por órgãos competentes e responsáveis por avaliações nacionais e internacionais - como o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Ainda assim, a aprendizagem em Matemática é uma ferramenta essencial para a vida cotidiana e também para a aplicação prática nas mais diversas áreas do conhecimento. 

Reconhecendo esse contexto, César Teixeira Pacheco e Gustavo Lenhardt, ambos acadêmicos do curso de Engenharia Elétrica do campus de Cachoeira do Sul da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), idealizaram um projeto de extensão que busca auxiliar os estudantes a aprenderem e explorarem conteúdos de Matemática. A inspiração para os universitários criarem o projeto foi o trabalho que a professora Ana Luisa Soubhia, também do campus de Cachoeira do Sul da UFSM, desenvolveu, em 2019, com alunos das 3ª, 4ª e 5ª séries da Escola Estadual de Ensino Fundamental Rio Jacuí. A docente comparecia na instituição todas as quartas-feiras, no período da manhã, para tirar dúvidas dos alunos do 3º ano e, no período da tarde, para atender aos alunos do 4º e 5º ano - turnos opostos aos quais eles tinham aula. “Basicamente, as maiores dificuldades eram as quatro operações: multiplicação, divisão, adição e subtração”, relata Ana.

No começo de 2020, César procurou a professora Ana, depois de ter visto um edital no Observatório de Direitos Humanos (ODH) da UFSM. Além de prestar apoio pedagógico, a ideia do acadêmico era oferecer aulas que fossem voltadas para preparar os alunos para a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP). A proposta foi aprovada no edital e, assim, César e Gustavo iniciaram as pesquisas referentes aos conteúdos presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A BNCC é um documento normativo para instituições de ensino públicas e privadas, além de referência obrigatória para elaboração dos currículos escolares e propostas pedagógicas para a educação infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio no Brasil. Seu principal objetivo é organizar o que todo estudante da Educação Básica deve saber.

Ademais, os participantes do projeto pesquisaram os conteúdos programáticos que mais incidem na Olimpíada Brasileira de Matemática, como aritmética e geometria. “A gente também fez aulas voltadas para o pessoal do Ensino Médio. Então a gente tenta explicar de uma maneira fácil, procura passar alguns exemplos bem simples e, com o tempo, vai aumentando o nível de dificuldade”, explica Gustavo. Assim, as aulas que seriam lecionadas foram programadas e preparadas. A previsão era que todas essas atividades fossem realizadas presencialmente, porém, com o avanço da pandemia e sem ter perspectiva de retomar as atividades presenciais, os bolsistas e a orientadora expandiram as atividades para a internet. Como muitas pessoas estão trabalhando de casa, por que não fazer um projeto de forma remota? Foi a partir desse questionamento que os alunos se reinventaram. Assim, todas as aulas planejadas anteriormente foram alteradas para formato de videoaulas e o canal no YouTube Apoio Pedagógico E Aulas Extracurriculares foi criado para a divulgação dos conteúdos. 

Canal no YouTube

O conteúdo é planejado, gravado, editado e publicado pelos estudantes. Eles produzem vídeos interativos, com 10 a 20 minutos de duração e os disponibilizam semanalmente na plataforma. Um dos diferenciais é a presença dos professores no vídeo, o que nos remete à sala de aula. "As aulas pensadas para o presencial são mais longas, mas encontramos a necessidade de fazer vídeos mais curtos, porque a aceitação seria melhor", explica César.

Primeiro vídeo no YouTube: apresentação do projeto.

Vantagens 

Pelo celular, tablet ou computador, as aulas podem ser acessadas de qualquer lugar do mundo, basta ter acesso à internet. Como as aulas ficam gravadas, os alunos podem acessar quando quiserem. “Antes a gente ficava restrito a uma sala de 15, 20 alunos. Hoje, nós temos nossos vídeos no YouTube, que podem ser acessados por quem quiser, em tempo indeterminado”, ressalta Gustavo.

Desvantagens

Por meio de uma interface, muitas vezes os docentes se sentem de mãos atadas quanto à aprendizagem dos alunos, principalmente devido à dificuldade de interação direta com eles. Assistir às videoaulas exige mais autodisciplina, foco e dedicação dos estudantes. Além disso, há mais possibilidades de distração e maior  dependência do fator “internet”. "A gente não consegue sentir o que os alunos estão entendendo e o que eles não estão entendendo, muitos deixam um comentário ali, mas o próprio aluno, a visão, a expressão, não conseguimos ter isso no online", expressa César. Para lidar com essas dificuldades, eles dão atenção e respondem a cada comentário, de forma individual. 

O que esperar do futuro

Segundo os participantes, a perspectiva é de 30 vídeos, os quais irão abordar conteúdos que caíram em provas anteriores da Olimpíada. 

 Até o início de setembro de 2021, o canal havia disponibilizado 20 vídeos. Ao refletir sobre o processo de transição do projeto durante a pandemia - do presencial para o digital -, a professora Ana reconhece a possibilidade de associar as duas formas: “Eu sinto que vai ficar muita coisa online, mesmo dentro da universidade. Não vai ter como não pensar neste canal, minha ideia é deixá-lo no ar e continuar com os dois. A gente não vai mais conseguir desvencilhar a nossa vida do online”.

Expediente

Repórter: Ana Luiza Deicke, acadêmica de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) e estagiária

Ilustrador: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, estagiária de Jornalismo e bolsista; e Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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Foto horizontal e colorida, vista em profundidade, de uma calçada de concreto com piso tátil em cor rosa envelhecido. A calçada se localiza do centro para a esquerda da imagem. À esquerda da calçada, um canteiro com diversas árvores, lado a lado. Logo depois, uma rua com pavimentação de paralelepípedos. À direita da calçada um grande gramado. À direita do gramado, uma edificação branca seguida de um bosque fechado. Ao fundo, centralizado na imagem, um prédio cinza com aproximadamente nove pavimentos, e elementos de proteção solar na cor branca em todas as janelas. Em frente ao prédio, algumas árvores com copas cheias. Acima do prédio, o céu azul.
Piso tátil que leva até o prédio da Reitoria da UFSM. Foto: Pedro Souza

Mesmo com o avanço da vacinação contra o coronavírus, a UFSM segue com suas aulas presenciais suspensas desde o dia 16 de março de 2020. Um longo período que exigiu a adaptação de toda a comunidade acadêmica, para que fosse possível dar continuidade às atividades de forma remota. Durante o ensino remoto, alunos e servidores com deficiência visual não tiveram que lidar com barreiras físicas, mas se depararam com barreiras comunicacionais e metodológicas.

Para Letícia Severo da Rosa, 41, que ingressou no curso de Comunicação Social - Jornalismo, no início de 2020, as dificuldades foram ainda maiores. Ela tem deficiência visual congênita e, apesar de já estar adaptada aos recursos tecnológicos, precisou se adequar às atividades propostas no ensino remoto. 

A acadêmica de Jornalismo começou o curso pouco antes da suspensão das aulas e,  sem a experiência presencial, enfrentou muitas dificuldades. Para ela, o suporte da comunidade acadêmica foi imprescindível nesse momento: “Tive o apoio do Núcleo [Subdivisão de Acessibilidade] e a boa vontade dos professores. Tive a chance de ter colegas bem engajados, bem solícitos, mas temos aquelas dificuldades que são inevitáveis”, disse a acadêmica.

Foto horizontal e colorida, tirada em perfil,  de uma mulher negra, com cabelo preto, liso e comprimento pouco abaixo dos ombros, sentada em uma cadeira e mexendo em um notebook apoiado sobre uma mesa quadrada. A mesa está à direita na imagem. Próximo ao notebook, alguns aparelhos de radiojornalismo, como microfones e caixas de som. A mulher está em uma pequena sala, e  ao fundo, há uma parede revestida com espuma para isolamento acústico. À esquerda na imagem, uma porta está aberta.
Letícia produzindo conteúdo em um estúdio da Web Rádio União, rádio produzida pela União De Cegos Do Rio Grande Do Sul (UCERGS). Foto: Arquivo pessoal

Apoio psicológico e pedagógico

A Coordenadoria de Ações Educacionais (CAEd),  que desde as interrupções das atividades presenciais atua de forma remota, desenvolve ações de apoio ao público da UFSM. A Subdivisão de Acessibilidade, criada em 2007, faz a mediação entre os professores, a coordenação, o aluno e seus colegas. O atendimento é realizado através de uma equipe multidisciplinar. Os serviços de apoio psicológico e pedagógico oferecidos, são importantes na inclusão e focados na permanência de alunos com deficiência visual na Instituição.

De acordo com a Técnica em Assuntos Educacionais, Fabiane Vanessa Breitenbach, quase toda semana alguma atividade é ofertada pela Subdivisão. É papel de toda a comunidade acadêmica possibilitar a construção de uma política de acesso e permanência dos alunos com baixa visão e cegos matriculados na UFSM. Esses eventos e palestras surgem como um caminho importante na busca da acessibilidade.

Segundo dados disponibilizados pelo CAEd, no ano passado foram ofertadas treze (13) palestras, totalizando 547 participantes: “É um número maior quando comparado aos eventos presenciais que fazíamos antes da pandemia. Além disso, com as edições online estamos atingindo o público externo à UFSM, de outras universidades e também países, pessoas que, se fosse na modalidade presencial, não teriam como participar dos nossos eventos”, afirmou Breitenbach.

Além da adaptação dos profissionais, é necessário que haja uma adequação dos materiais fornecidos aos alunos deficientes visuais.  A acadêmica de Jornalismo explica que os leitores de tela são softwares que podem ser instalados em computadores ou em aparelhos celulares. Eles percorrem textos e imagens, lêem em voz alta tudo o que ele encontra na tela. No ano passado, a estudante passou por algumas dificuldades em relação ao material disponibilizado no ensino remoto: “Quando tiram fotos do livro, às vezes aparecem umas dobras, coisas que atrapalham o leitor de tela. O leitor de tela só vai ler aquilo que ele conseguir identificar”, explicou.

Quando alunos com deficiência visual ingressam, a própria Subdivisão de Acessibilidade entra em contato com os professores para informar a existência do serviço de adequação de material, seja no início ou ao longo do semestre, através de um formulário eletrônico. É importante lembrar que, além de bem adaptado, o material precisa ser disponibilizado com antecedência no Moodle ou e-mail do estudante.

Os serviços disponibilizados pela Subdivisão de Acessibilidade não se resumem ao auxílio com materiais:  “Temos [acesso à] profissionais que atendem em um horário disponível para nos dar suporte nas dificuldades que temos na vida acadêmica, como execução de alguma tarefa ou dificuldades de acesso, e até mesmo em assuntos pessoais”, expõe Da Rosa.

Respeito às individualidades

O CAEd salienta que a comunidade acadêmica precisa estar atenta às individualidades de cada aluno. Breitenbach explica que ter experiência com um estudante cego ou de baixa visão, não quer dizer que sabemos lidar com todos: “Precisamos estimular o uso dos recursos disponíveis. Se um aluno não conhece Braille ou não sabe utilizar os leitores de tela, isso não significa que ele nunca vai aprender. Tudo é ensinado”.

“Um clique de vocês [estudantes sem deficiência] são inúmeros comandos que acionamos no teclado. Então, às vezes, vamos conseguir ter acesso a algum material, mas ele não vai se tornar prático para aquele momento”, compartilha a acadêmica. “Além dessas questões mais abrangentes, tem a questão individual de cada um”, complementou a aluna.

Para a acadêmica de Pedagogia, Rutiléia Campos, a adaptação ao ensino remoto foi mais complicada. Devido à deficiência visual, Rutiléia deixou de estudar na adolescência. Voltou a estudar depois de 20 anos, através do EJA, modalidade de Educação de Jovens e Adultos. Prestou a prova do Enem e ingressou no curso de Pedagogia em 2020, na UFSM.

“Foi bastante complicado, entrei junto com a pandemia. O desafio foi maior para mim, pois tive que utilizar a tecnologia. Não entendia nada de computador. A mudança foi muito grande. Cheguei a pensar em desistir”, desabafou Rutiléia. O apoio do CAEd foi um fator decisivo na sua permanência. “O atendimento é incrível, me auxiliou bastante, junto com minhas monitoras”, contou a aluna.

Rutiléia não esconde a felicidade: “Hoje já consigo dominar o Moodle. Aprendi a utilizar o e-mail. Às vezes não acredito que consegui. Me sinto uma vencedora ao alcançar esses objetivos que eu sonhava. Quero trabalhar na área da Educação Especial, da acessibilidade. Estou cheia de sonhos e de projetos. Ninguém é incapaz”, declara a acadêmica de Pedagogia.

As expectativas de um retorno ao presencial são altas para as duas discentes. A comunidade acadêmica quer o retorno. Independente da data, o importante é que a Universidade inclua cada vez mais esses alunos, e ofereça condições para um aprendizado efetivo em todos os setores.

Acessibilidade em todos os setores

Primeira servidora cega a chegar na UFSM, a técnica-administrativa Fernanda Taschetto, iniciou suas atividades na instituição em 2005. Desde lá, acompanha o crescimento da instituição nas questões de acessibilidade e inclusão: “Avançamos na remoção das barreiras arquitetônicas, comunicacionais e metodológicas, e aprendemos com a necessidade específica de cada pessoa que ingressa na UFSM”, conta Taschetto.

Foto horizontal e colorida, centralizada e enquadrada do peito para cima, de uma mulher branca, deficiente visual, com cabelo castanho, liso e comprimento na altura do ombro. Ela está sentada no corredor de uma biblioteca, entre duas estantes de livros. Ela veste uma blusa estilo regata, branca, com estampas na cor dourada e rosa. A mulher usa acessórios como brincos e uma corrente dourada no pescoço.  Ela está com o olhar voltado para a câmera com expressão neutra. Nas estantes, há diversos livros organizados por categorias.
Fernanda Taschetto na biblioteca do Centro de Educação. Foto: TV 55BET Pro

A servidora tem uma doença degenerativa na retina que começou a se manifestar a partir de seus 12 anos. Com a evolução da doença, Fernanda perdeu a visão. “Hoje sou cega, mas tenho sentimentos bem diferentes do que naquele tempo [da adolescência], justamente pelo meu amadurecimento. Minha dependência na locomoção é a maior dificuldade que enfrento”, conta a técnica-administrativa.

Os colegas da biblioteca do Centro de Educação nunca tinham convivido com uma pessoa com deficiência visual antes de conhecerem a servidora. A primeira medida adotada foi a adaptação do computador com um leitor de tela, o que é fundamental para proporcionar a autonomia de deficientes visuais. Em um primeiro momento, houve estranheza e dúvida quanto às atividades que a técnica-administrativa poderia realizar, mas com a convivência essas barreiras foram vencidas.

Foto horizontal e colorida de uma mulher, deficiente visual, branca com cabelo castanho, liso e comprimento na altura do ombro, sentada atrás de uma mesa e digitando no teclado de um computador. Apoiada em um monitor de cor preta, uma placa branca com a informação “Não posso vê-lo, mas posso atendê-lo. Chame-me! Fernanda”. À esquerda, uma parede com janelas amplas. À direita, ao fundo, um globo terrestre apoiado sobre uma bancada. A mulher veste uma blusa estilo regata, branca, com estampas na cor dourada e rosa, e usa uma corrente dourada no pescoço.  Ela está com o olhar voltado para a o teclado do computador. Ao lado do monitor, alguns fios e aparelhos como mouse e um leitor de código de barras.
Fernanda em sua mesa de trabalho com um aviso sobre a deficiência visual. Foto: TV 55BET Pro

A técnica-administrativa destaca a atuação da Subdivisão de Acessibilidade junto às necessidades da comunidade acadêmica como fator importante no acolhimento de pessoas com deficiência: “Vejo o interesse crescente no desenvolvimento de projetos e na procura por palestras, capacitações e cursos nestas áreas. Avançaremos cada vez mais”.

Com o retorno às atividades presenciais mais histórias de inclusão como a de Taschetto, podem acontecer. Ser diferente não é ser incapaz. Histórias assim nos motivam a buscar, todos os dias, uma constante evolução e aprendizado para conviver com as diferenças.

CAEd possui diversos setores de apoio:

Imagem do fluxograma da Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED). Na parte superior da imagem, centralizado, está uma caixa (retângulo) na cor azul, com a escrita CAED. Abaixo, ligadas a ela, estão cinco caixas – três na cor laranja e duas na cor verde. Na cor laranja estão, da esquerda para a direita: a caixa com a escrita Acessibilidade, a caixa com a escrita Apoio à Aprendizagem e a caixa com a escrita Ações Afirmativas. Na mesma linha, as caixas verdes são, respectivamente, a caixa com a escrita Saúde Mental e a caixa com a escrita Observatório de Inclusão. Abaixo da caixa com a escrita Acessibilidade estão, uma abaixo da outra, 11 caixas na cor laranja claro, representando as ações desenvolvidas: Adaptação de textos; Atendimento Educacional Especializado; Atendimento Fonoaudiológico; Atendimento com Terapeuta Ocupacional; Audiodescrição (AD) e Descrição de imagem; Gravação em Libras; Tradução e Interpretação Língua Brasileira de Sinais; Orientações à comunidade acadêmica; Palestras; Produção de materiais; e Projetos, sendo as 4 últimas caixas em tom de laranja ainda mais claro. Abaixo da caixa com a escrita Apoio à Aprendizagem estão, uma abaixo da outra, 12 caixas na cor laranja claro, representando as ações desenvolvidas: Acompanhamento Resolução 33/2015; Atendimento Pedagógico; Avaliação Psicopedagógica; Monitoria de Física; Monitoria de Língua Portuguesa e Produção textual; Monitoria de Matemática; Monitoria de Química; Orientações Resolução 33/2015 aos servidores; Orientações à comunidade acadêmica; Palestras e Minicursos; Produção de materiais; e Projetos, sendo as 4 últimas caixas em tom de laranja ainda mais claro. Abaixo da caixa com a escrita Ações Afirmativas estão, uma abaixo da outra, 10 caixas na cor laranja claro, representando as ações desenvolvidas: Monitoria de Apoio à Leitura de textos Acadêmicos; Monitoria de Apoio às Tecnologias digitais; Monitoria Indígena; Monitoria Português como Língua de Acolhimento; Participação em Ações de Ingresso Acadêmico; Rotas de Interação; Orientações à comunidade acadêmica; Palestras, Rodas de conversa e Cursos; Produção de materiais; e Projetos, sendo as 4 últimas caixas em tom de laranja ainda mais claro. Abaixo da caixa com a escrita Saúde Mental estão, uma abaixo da outra, 6 caixas na cor verde claro, representando as ações desenvolvidas nesta área: Atendimento Psicológico; Atendimento Psiquiátrico; Estágios; Palestras; Produção de materiais; e Projetos, sendo as 3 últimas caixas em tom de verde ainda mais claro. Abaixo da caixa com a escrita Observatório de Inclusão está uma caixa na cor verde com a descrição: Avaliação das ações de Inclusão na Universidade.

Você pode solicitar os serviços através dos links:

Solicitação de adaptação de textos

Solicitação de apoio a trabalhos, pesquisas e eventos acadêmicos

Contatos para o suporte

CAED/Acessibilidade UFSM

Telefone: (55) 3220 8730

E-mail: caed.acessibilidade@55bet-pro.com

Reportagem: Camila Souto

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Descrição da imagem: Imagem retangular na vertical. Da metade para cima o fundo é na cor branca. No canto superior esquerdo tem a logo da CAED, composto pelo brasão da UFSM à esquerda e Coordenadoria de Ações Educacionais à direita. Abaixo, escrito em letras na cor preta, consta: “Palestra”. Em seguida, em letras maiores e na cor azul, o título: “O uso da tecnologia no ensino remoto: possíveis efeitos sobre a saúde mental”. Em letras menores, “Palestrantes (na cor preta) Psicólogas Catiele Santos e Mariana de Almeida Pfitscher (na cor azul). No canto superior direito há o contorno de uma tela de computador com uma lâmpada sobreposta e uma engrenagem dentro da lâmpada. Da metade para baixo, o fundo da imagem é uma fotografia colorida, tirada de cima, de uma mulher loira com as duas mãos na cabeça e os cotovelos sobre uma mesa. Na mesa estão: um notebook, óculos de grau e um caderno aberto. Sobre o caderno estão: uma caneta e um celular. No centro há um retângulo claro e transparente onde consta: “16 de julho 19h (na cor azul) Inscrições até dia 15/07 na página da CAED. Evento pelo Google Meet.” (na cor preta).A UFSM, por meio da Subdivisão de Apoio à Aprendizagem da Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed), realiza a palestra “O uso da tecnologia no ensino remoto: possíveis efeitos sobre a saúde mental” no dia 16 de julho, às 19h, via Google Meet. As palestrantes serão as psicólogas Catiele Santos e Mariana de Almeida Pfitscher.

Podem participar estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos da UFSM, bem como a comunidade externa interessada no tema. As inscrições devem ser realizadas até quinta-feira (15), pelo formulário.

Outras informações sobre a palestra podem ser obtidas pelo email caed.aprendizagem@55bet-pro.com.

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A Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) informa que estão abertas as inscrições para o Curso Ensino Remoto com o Google Classroom, com o objetivo de capacitar os professores da UFSM para o uso do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) Google Classroom, sendo uma das capacitações relacionadas à formação dos docentes dentro do escopo da UFSM em Rede.

A capacitação será realizada na modalidade a distância, por meio da plataforma Google Classroom, no período de de 24 de maio a 13 de junho de 2021, contemplando 20 horas. Serão ofertadas 200 vagas para servidores da UFSM. Os instrutores serão os Professores Giovani Rubert Librelotto e Bruno Augusti Mozzaquatro.

A descrição completa dos conteúdos abordados no curso e a inscrição podem ser acessadas no portal de capacitação.

Em caso de dúvidas, entre em contato com o Núcleo de Educação e Desenvolvimento por meio do e-mail ned@55bet-pro.com.

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O Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) informa que estão abertas, até 14 de março, as inscrições para a primeira turma deste ano da capacitação no AVEA Moodle para o ensino remoto. 

Qualquer interessado pode se inscrever para o curso. No entanto, conforme consta no informativo, caso o número de inscritos ultrapasse o número de vagas ofertadas, o processo seletivo terá o seguinte critério de prioridade: professores da UFSM; profissionais selecionados no edital 06/2020-NTE/UFSM; tutores selecionados em edital UAB/UFSM; servidores e colaboradores em exercício no NTE/UFSM.

As inscrições podem ser feitas pelo link

Mais informações pelo e-mail equipecapacitacao@nte.55bet-pro.com.

 

 

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Professores do Centro de Artes e Letras da UFSM tiveram um grande desafio em 2020: adaptar os métodos de ensino do presencial ao remoto. 

2020 foi um ano de muitas adaptações e modificações no modo de vida da população mundial. A pandemia de Covid-19 exigiu novas formas de socialização, considerando a necessidade inevitável do isolamento social, como forma de evitar o contágio da doença. Na educação, em todos os níveis no Brasil, houve o cancelamento das atividades presenciais e a necessidade do debate e avaliação de novas formas de ensino.

No ensino superior, as universidades adotaram o ensino remoto como forma de amenizar os possíveis prejuízos da não realização das atividades de forma presencial. Na UFSM isso foi possível, através do Regime de Exercícios Domiciares Especiais, o UFSM em REDE, que possibilitou aulas de modo assíncronas e síncronas. A utilização deste sistema foi o principal desafio nas aulas dos cursos de Artes da UFSM em 2020. Apesar do formato comprometer as aulas práticas, muitos desafios foram contornados ao longo do semestre letivo, com expectativa do aprimoramento da modalidade para o ensino das artes na universidade.

Os desafios

É como conta a Professora do Departamento de Música Vera P. Vianna, que ministra aulas de piano do Curso de Bacharelado de Música, uma disciplina com aulas tradicionalmente individuais. Contudo a forma coletiva e presencial permite uma observação maior dos gestos e do desenvolvimento auditivo. “Neste ano tivemos que adaptar e aprender como fazer tudo isso à distância. As explicações ficaram mais detalhadas, tudo passou a ser muito verbalizado. A maior dificuldade foi e continua sendo a qualidade de áudio, as plataformas não têm a qualidade de transmissão desejada e, por isso, passamos a usar muito mais as gravações. Cada aluno grava um trecho de seu repertório, envia, eu analiso e retorno comentários, exemplos.”, conta a professora.

De forma e caráter emergencial, muitos/as docentes aderiram ao formato remoto logo nas primeiras semanas da sua oferta, tornando o processo de reflexão e estudo sobre as possibilidades e a prática, simultâneos. Para o professor Lutiere Dalla Valle, o momento foi de sair da zona de conforto e revisitar a prática de docência. "A partir destas experiências, penso que há uma potente ferramenta virtual que antes não havia utilizado. Há muita possibilidade, quando podemos contar com acesso à internet, mas é uma pena que há estudantes que não dispunham deste recurso”, avalia o professor.

O tempo foi um dos grandes desafios para o ensino remoto, isto porque a modalidade foi implementada com o semestre em andamento, com o treinamento e a formação dos docentes realizada no decorrer do processo. Outro desafio, sem dúvida, foi o acesso dos estudantes, considerando as diferenças sociais e processos subjetivos no que diz respeito a saúde mental, por exemplo.

Curso de dança também buscou adaptar metodologias de ensino de forma remota

Para a professora do curso de dança, Neila Cristina Baldi, outro desafio foi às questões pedagógicas: “como condensar conteúdos para não sobrecarregar os estudantes? Como adaptar aquilo que seria presencial para o online? E, mais que tudo: como manter o engajamento e as trocas?. Por isso, também, a necessidade de realizar encontros síncronos, de olhar olho no olho por entretelas.”, comenta ela.

Já as alternativas para as artes cênicas foram migrar os espetáculos presenciais para lives ou ainda para adaptações do espetáculo gravado para ser transmitido depois. De acordo com a professora Raquel Guerra, do curso de Teatro, “isso também acaba gerando um desafio estético, porque a atuação para o Audiovisual e para o Teatro tem suas diferenças. Então foi preciso repensar a atuação para transpor os trabalhos para o Audiovisual. Em Santa Maria, percebi que muitos artistas e grupos conseguiram fazer isso muito bem, mantendo uma produção de qualidade e bom retorno do público”.

2021: esperança, aprimoramentos e luta pelo acesso à educação

A experiência de 2020 traz uma tranquilidade, apesar de não completa, sobre os caminhos possíveis nesse novo ano, tanto no que diz respeito ao controle de contágio da  Covid-19  mediante a vacinação, como também nos cuidados individuais -  como o uso de máscara, álcool gel e higienização frequente das mão -. Estas perspectivas dão esperança tanto para um possível retorno presencial, por completo ou híbrido, quanto no que diz respeito às possibilidades de ensino remoto através das práticas testadas ao longo do ano de 2020.

Teremos novas normalidades, a partir das experiências do ensino remoto e isolamento social. Isso trará tendências não apenas na educação, mas também nos modos de viver a vida e consumir arte: o que antes era distante por ser apenas presencial, acabou se tornando mais democrático e próximo aos que têm acesso a internet, sendo possível assistir shows, peças de teatro, visitar exposições com apenas um clique.

Para os professores entrevistados, é unânime a necessidade de continuar lutando pela valorização da educação pública de acesso a todas/os, assim como a valorização da classe artística e suas artes.

Reportagem: Caline Gambin, estagiária de Jornalismo na Agência de Notícias da UFSM
Edição: Davi Pereira

Imagens: arquivos pessoais de Bibiana Barrichelo e professora Mônica Borba

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A Equipe de Capacitação do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) da UFSM informa que estão abertas as inscrições para a primeira turma de 2021 do curso REA: Educação para o Futuro Parte 2 - Direitos Autorais e Licenças Abertas, que vai ensinar como organizar e produzir material didático reutilizando recursos educacionais disponíveis na internet sem infringir os direitos autorais. 

As inscrições vão até 18 de janeiro e podem ser feitas por professores da UFSM em exercício, professores em exercício de outras instituições de ensino público e alunos da UFSM. 

Inscrições e mais informações no link.

 

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Pensando na situação de estudantes do ensino básico sem acesso à internet ou qualquer mídia digital, a UFSM, através do Centro de Educação e em parceria com a Secretaria de Educação do Município de Santa Maria e Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, lançou nesta segunda-feira (14) o projeto “UFSM em Rede com a Educação Básica”. Coordenado pela professora do Centro de Educação, Regina Ehlers Bathelt, o projeto foi apresentado por meio de uma live que integrou a programação do Descubra 2020. 

A transmissão, que apresentou os principais detalhes do novo programa e exibiu um vídeo piloto, contou com a participação de autoridades como o reitor da UFSM, Paulo Afonso Burmann; o vice-reitor, Luciano Schuch; a Secretária Municipal de Educação de Santa Maria, Lúcia Madruga; a diretora do Centro de Educação da UFSM (CE), Ane Carine Meurer; além de representantes do Governo do Estado; da Secretaria Estadual de Educação (SEE); da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD).

Programa produzirá conteúdos para alunos que irão realizar o Enem 

De acordo com a professora Regina Bathelt, a iniciativa surgiu a partir das dificuldades que o sistema de ensino básico estava enfrentando para conseguir levar os conteúdos didáticos planejados até os alunos, devido à grande porcentagem de discentes que não possuem acesso aos ambientes virtuais. Desde março, o contato para se criar uma alternativa de repasse desses conteúdos já estava sendo feito. Contudo, foi em julho que o projeto começou a criar forma.

Educação infantil, ensino fundamental e ensino médio serão contemplados com os materiais, contando, inclusive, com uma "categoria Enem", onde serão abordados temas relacionados ao Exame. O objetivo principal é levar aos estudantes recursos através da produção de programas educativos, que serão veiculados pelos canais da TV Câmara e TV 55BET Pro e emissoras de rádio de Santa Maria e região. 

Ao todo, 20 programas já estão sendo produzidos. Eles trazem os formatos de vídeo-aulas, podcasts, rodas de conversas e entrevistas, sendo executados pelas diferentes áreas curriculares e desenvolvidos por professores dos centros educacionais da Universidade, juntamente com bolsistas discentes e professores da rede básica. 

Dentro dos objetivos gerais, a coordenadora salientou o fortalecimento de redes públicas e UFSM, a formação inicial e continuada, o protagonismo de professores e professoras e a equidade para alunos que não têm acesso à internet.

Projetos já estão sendo executados dentro do programa 

Além da distribuição televisiva e radiofônica, está sendo elaborado um repositório online, onde todos os materiais transmitidos estarão disponíveis para o acesso do público. A estimativa para a abertura de ambos é o mês de janeiro. "Trata-se de um programa de desenvolvimento institucional, de educação inovadora e transformadora, comprometido com a modernização e com o desenvolvimento organizacional da UFSM", destacou a professora Regina.

Foram selecionados 19 projetos através do edital PROLICEN (Programa de Licenciaturas) proposto pela Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da instituição, além de 5 por meio do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE).Três deles foram apresentados no vídeo-piloto transmitido na live: o projeto "Toda Cidade Ensina", com visitas virtuais aos espaços de visitação científica de Santa Maria como o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA);  o projeto Jardim Botânico, com vídeos onde explora-se o jardim da Universidade; e o projeto Educação em Cena, em que serão contadas histórias infantis.

A exposição contou ainda com pronunciamentos da Secretaria Municipal de Educação através da professora Lúcia Madruga; 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) com o professor José Luis Viera Eggres; Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul com a  Diretora do Departamento de Educação Leticia Grigoletto do Santos; e reitor Paulo Afonso Burmann, que comentou sobre a importância do lançamento do programa no dia em que a UFSM completou seus 60 anos.

A apresentação pode ser reassistida através do YouTube do NTE

Reportagem: Eloíze Moraes, bolsista da Agência de Notícias
Edição: Davi Pereira

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A Equipe de Capacitação do NTE informa que estão abertas as inscrições para a 1ª turma da Oficina Online de Ferramentas Web para o Ensino Remoto de 2020. As inscrições vão até 03/12 e podem ser feitas pela página do NTE ou em  Capacitações .

O curso é voltado a professores da UFSM, profissionais do sistema UAB/UFSM (tutores e professores pesquisadores), servidores técnico-administrativos da UFSM, professores da rede básica de ensino e alunos de pós-graduação da UFSM. Dúvidas podem ser sanadas e esclarecimentos obtidos pelo e-mail equipecapacitacao@nte.55bet-pro.com.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/ciencia-inspiradora Thu, 22 Oct 2020 20:09:35 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6277 Estudantes do CTISM resgatam contribuições e imagens de cientistas

A ciência, por meio de suas descobertas, é responsável por invenções que aumentaram a qualidade de vida da espécie humana. Mesmo pautada em metodologias, ela é desacreditada pelo movimento negacionista, que se apoia em convicções infundadas. Com o objetivo de estimular a reflexão sobre a importância da ciência, a professora Josiane Menezes, que leciona Biologia no Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM), desafiou seus alunos com uma atividade diferente. Os estudantes dos primeiros e segundos anos dos cursos técnicos integrados tiveram de elaborar um infográfico sobre uma personalidade da ciência que os inspirasse. 

De início, alguns alunos estranharam a ideia de resgatar a história, os desafios e o legado de cientistas em um infográfico, formato de mídia que combina imagens e textos. Além disso, tinham que posar para uma foto que representasse o cientista escolhido. “Foi tirando a foto que comecei a me sentir interessado pelo trabalho”, conta Bruno Barchet, aluno do primeiro ano de Informática para Internet. Já o estudante Victor Machado, do curso de Eletrotécnica, conta que sua família o ajudou na recriação da fotografia. “Acabou sendo um momento muito legal. Nos divertimos e aprendemos juntos”, recorda.

Novas perspectivas para pensar o cotidiano

O infográfico proposto pela professora Josiane trouxe personalidades não tão conhecidas. “Vários trabalhos de outros colegas me apresentaram diferentes cientistas que eu nunca tinha ouvido falar sobre”, conta a estudante Júlia Firmiano. 

Luiza Iensen conhecia Hedy Lamarr apenas por sua carreira como atriz. “Não fazia ideia que foi ela quem inventou a base do Wi-fi”, afirma. A estudante reflete sobre o fato de que, apesar de estarmos familiarizados com a tecnologia, não pensamos com ela surgiu. Gabriela Bisso compartilha do mesmo ponto de vista: “Não sabemos quem fez muitas das realizações científicas com as quais convivemos. É muito legal saber quem inventou aquilo e pensar no contexto no qual foi inventado”.

Apesar de desafiadora, a tarefa foi bastante divertida para os alunos e fez com que eles se envolvessem. “Com o trabalho, fui mais a fundo na história da cientista e pude conhecer um pouco mais sobre ela. Algo que, sem a atividade, não teria tanto interesse”, afirma Thiaine Padilha.

Mulheres que mudaram o mundo

A professora Josiane conta que a avaliação foi inspirada no livro “As cientistas – 50 mulheres que mudaram o mundo”, que ganhou de sua filha e aluna, a estudante de Informática para Internet, Gabrielli Menezes Pedron. A obra, ilustrada pela própria autora, Rachel Ignotofsky, conta os desafios enfrentados por mulheres que marcaram a ciência ao longo da história. 

O formato lúdico tornou a tarefa mais interessante de ser realizada. Colocar as fotos dos alunos ao lado das de personalidades transmitiu a mensagem de que qualquer um pode se tornar um cientista. A experiência foi bastante enriquecedora para Luiza Iensen, que se sentiu muito inspirada por Rita Lobato Velho Lopes, referência na medicina, área que a pretende seguir.  

Nascida no Rio Grande do Sul, Rita Lobato estudou medicina na Universidade Federal da Bahia. Ela foi a primeira mulher a ser formar em medicina no Brasil e a segunda na América Latina - a universidade inclusive teve que criar um banheiro feminino. Após se formar em metade do tempo previsto do curso, Rita revolucionou a forma de se realizar cesarianas, salvando até hoje inúmeras vidas. “Sua história de vida e seus feitos me inspiram muito. Me fazem ter ainda mais certeza sobre meu futuro e o que desejo fazer pelo mundo. A descoberta dessa personalidade, graças ao trabalho da professora Josiane, vai ser algo que nunca vou esquecer!”

Tarefa despertou interesse pela contribuição científica

O astrofísico Neil DeGrasse Tyson e o estudante Ricardo Viçosa

A avaliação de Biologia despertou o interesse de alunos de fora do CTISM. “Quando contei para os meus amigos que estudam em outras escolas, todos ficaram interessados e quiseram ver como ficou o meu trabalho, também ficaram curiosos sobre qual era o cientista escolhido e quais foram as contribuições dele”, relata Daniel Ros. Após a publicação no Facebook e no Instagram, os infográficos somaram mais de 3 mil visualizações. 

O estudante Ricardo Viçosa completa: “Essa atividade só incentivou o interesse que tenho pela ciência, porque mostra como a gente pode aprender e se divertir ao mesmo tempo. Mesmo a questão da foto sendo um pouco diferente para mim, foi muito divertido, ainda mais compartilhar e ver o trabalho dos colegas”.

A professora Josiane lembra que discutir ciência sempre foi importante e, com a pandemia do novo coronavírus, tornou-se uma questão de sobrevivência. No entanto, ela reconhece que essa tarefa é bastante árdua e complexa, pois a ciência não detém grande prestígio junto à população. Em pesquisa realizada no ano passado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, os cientistas não apareceram entre as fontes mais confiáveis de informação - lembrados por apenas 12% dos entrevistados, atrás de líderes religiosos, com 15%, médicos e jornalistas com 26% ambos. 

Os estudantes têm uma visão bastante semelhante à da professora. Eles acreditam que, apesar de a ciência proporcionar progressos nos mais diversos âmbitos e nos tornar capazes de entender e interagir com o mundo, a figura do cientista é pouco valorizada no Brasil. Gabrielli Pedron argumenta que o descrédito se deve ao descaso do governo com a educação. Já Daniel Ros acredita que a pandemia trouxe mais visibilidade e valorização ao trabalho do cientista.

Os alunos do CTISM, como Luiza Iensen, ressaltam que a disseminação de notícias falsas é outro fator que aumenta a importância de se falar sobre ciência. A professora lembra do movimento antivacina e o negacionismo sobre mudanças climáticas. Mas o exemplo em maior evidência é o negacionismo em relação ao coronavírus. O vírus, que já vitimou mais de 1 milhão de pessoas no mundo, ainda é subestimado por figuras políticas, em especial nos Estados Unidos e Brasil - que, não por coincidência, são os dois países com o maior número de vítimas fatais, representando juntos um terço do número total de  mortos. 

Destaques nacionais na ciência

Apesar da dificuldade, a ciência brasileira rendeu e rende frutos. Ao falarem sobre cientistas que admiram e que até os inspiram, os alunos do CTISM citaram tanto figuras históricas como atuais. Oswaldo Cruz, foi um dos responsáveis pelo fim da febre amarela, da varíola e da peste bubônica no Brasil. Nise da Silveira se tornou referência na psicologia por sua luta antimanicomial e pela reinserção de pessoas deficientes mentais na sociedade. Ester Sabino e Jaqueline Goes de Jesus, foram responsáveis por decodificar o RNA do coronavírus menos de 48 horas após o primeiro caso no Brasil. Suzana Herculano-Houzel descobriu um método para contar o número de neurônios em humanos. Também foram lembrados os médicos cearenses responsáveis por desenvolver tratamento para queimaduras graves com pele de Tilápia, considerado revolucionário por acelerar o processo de cicatrização e diminuir a dor do paciente.

Victor Machado considera inspiradores os jovens cientistas que conseguem transpor as dificuldades para realizar seus objetivos. Seu grande exemplo é a sua mãe, que voltou a estudar, ingressou na UFSM e foi selecionada para uma bolsa de iniciação científica. A universitária já conseguiu publicar um capítulo em um livro. 

A tarefa estimulou ainda a reflexão sobre as desigualdades sociais. Como a professora Josiane lembra: “todos os cientistas têm a mesma sede de conhecimento, mas nem todos têm as mesmas oportunidades de explorar as respostas”. Por questões como gênero, raça e orientação sexual, muitos cientistas sofreram discriminação, que trouxeram muitas dificuldades e, infelizmente, isso não ficou completamente no passado. Mesmo assim, algumas pessoas superaram essas barreiras para colocar seu nome na história da humanidade e servir de exemplo para as futuras gerações. 

Brilhantismo contra o preconceito

A matemática Annie Easley e a estudante Andressa Schons

Na década de 1960, nos Estados Unidos, homens e mulheres lutavam para conquistar o espaço: os homens, o espaço sideral; e as mulheres - em especial as negras - seu espaço no mercado de trabalho. Katherine Johnson e Annie Easley são exemplos dessa luta e deram contribuições importantes à engenharia espacial. 

Katherine Johnson trabalhou para a NASA como “computador humano”. A partir dos seus cálculos, foi possível que se orbitasse a Terra pela primeira vez no ano de 1962 e o homem fosse a lua em 1969. A estudante Gabriela Bisso conheceu sua história através do filme Estrelas Além do Tempo e achou muito interessante como, apesar das oportunidades limitadas pelo machismo, o racismo e a segregação racial, Katherine conseguiu se tornar uma grande cientista. “Eu escolhi falar de uma cientista negra justamente pelo fato de que ela pode servir de inspiração para muitos outros jovens negros, que, infelizmente, sofrem diariamente com o racismo”, afirma.

A matemática e cientista da computação da NASA, Annie Easley foi uma das responsáveis pelo primeiro lançamento bem sucedido de um foguete, em 1963. A partir da década de 1970, ela participou de projetos sobre energias renováveis, implementando programas que auxiliaram na produção de energia solar e eólica. 

Apesar de suas contribuições para a ciência espacial, Easley foi cortada de praticamente todas as fotos dos projetos que participou por ser negra. A estudante de Informática para Internet, Andressa Schons desde o início queria dar visibilidade a uma mulher cientista pois é notável que ao longo da história elas não recebem os créditos por seus feitos. Além de encontrar um perfeito exemplo da invisibilidade das mulheres cientistas em Annie Easley, Andressa encontrou um exemplo, já que pensa em atuar na área da ciência da computação. “A história dela me inspirou ainda mais a seguir na carreira e usar os conhecimentos adquiridos no curso para, como ela, estudar maneiras de melhorar as tecnologias atuais tentando diminuir a emissão de gases poluentes”, afirma.

Uma mãozinha hollywoodiana

A inventora Hedy Lamarr e a aluna Gabrielli Menezes

Na época da Segunda Guerra Mundial, uma estrela de Hollywood deixou sua marca na ciência: Hedy Lamarr usou seu tempo livre fora dos sets para revolucionar a telecomunicação. Lamarr, junto com o músico George Antheil, criou um sistema de comunicação extremamente seguro, incapaz de ser detectado pelos radares nazistas. A invenção não foi aceita pela marinha norte-americana na época, mas posteriormente a tecnologia possibilitou o surgimento de celulares, do Wi-fi, bluetooth e GPS.

Precursora em uma área ainda masculina

A matemática inglesa Ada Lovelace é considerada a primeira programadora da história, graças ao algoritmo que escreveu em 1843. Ada é um exemplo por ser pioneira em uma área que era - e ainda é - em sua maioria masculina. Thaiaine Padilha, estudante de Informática para Internet, diz: “Uma mulher na computação no século XIX é algo para se admirar muito e que pode inspirar mais mulheres a seguirem na área” e conta que se sentiu muito parecida com Ada durante o desenvolvimento da fotografia por ela ser uma referência na sua área de estudo.

Gênio da matemática sem ensino formal

Outro destaque da matemática é o indiano Srinivasa Ramanujan. Após enfrentar a extrema pobreza durante toda a sua vida e mesmo sem um ensino acadêmico formal, Ramanujan trouxe contribuições que abriram áreas completamente novas para a matemática e inspiraram vastos campos de pesquisa - como a análise matemática, teoria dos números, séries infinitas, frações continuadas e outras, onde ele resolveu problemas que eram considerados insolúveis. Seu esforço e talento o fizeram ser considerado o maior matemático indiano de todos os tempos e até ser equiparado a grandes nomes da história da matemática.

Persistência como maior legado

Outra cientista premiada com o Nobel de Medicina foi Gertrude Elion. Por ser mulher, a bioquímica estadunidense enfrentou dificuldades para conseguir um emprego e nunca conseguiu realizar um doutorado. Mesmo assim desenvolveu diversos medicamentos, entre eles, para tratamentos de leucemia, de malária, e para combater a rejeição de órgãos transplantados. Gertrude é uma figura inspiradora para a estudante Júlia Firmino porque ela se recusou a desistir: “Mesmo com todas as dificuldades que a época apresentava para uma mulher na ciência, ela prosseguiu e conseguiu realizar grandes coisas”, afirma.

Pai das invenções

A persistência foi a característica de Thomas Edison que mais chamou a atenção do estudante do curso de Eletrotécnica, Daniel Ros. Segundo ele, assim que a proposta da atividade foi apresentada, Edison foi o primeiro nome a vir em sua cabeça - devido às contribuições do cientista para a sua área de estudo. Thomas Edison é um dos grandes responsáveis pela revolução tecnológica do século XX. Ao longo de sua vida, registrou 2332 patentes de inventos, entre elas a lâmpada elétrica, a câmera cinematográfica e o fonógrafo – o primeiro aparelho a gravar e reproduzir sons -, além de ter aperfeiçoado outras criações como o telefone e a máquina de escrever. O estudante lembra de uma frase de Edison que ilustra bem a sua dedicação: “Nunca fiz nada dar certo por acidente; nenhuma das minhas invenções surgiu por acidente; elas vieram do meu trabalho.”

Um empurrãozinho do destino

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Visando incentivar a capacitação dos seus servidores durante a suspensão das atividades presenciais, a UFSM, por meio da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, informa que estão abertas, até 23 de outubro, as inscrições para o curso Trabalhando com o Padlet no Ensino Remoto, o qual tem como objetivo explorar o Padlet, uma ferramenta digital, na perspectiva do ensino (professor) e da aprendizagem (aluno), desafiando a produção de murais multimodais, sendo uma das capacitações relacionadas à formação dos docentes dentro do escopo da UFSM em Rede.

A capacitação será ministrada pelas professoras Andrea Ad Reginatto e Vanessa Ribas Fialho, na modalidade EaD, no período de 26 de outubro a 15 de novembro, contemplando 15 horas. Serão ofertadas 100 vagas para servidores docentes da UFSM.

A descrição completa dos conteúdos abordados no curso e a inscrição podem ser acessadas no Portal de Capacitação.

Mais informações pelo e-mail ned@55bet-pro.com.

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Pandemia gera reflexões sobre como superar as dificuldades sociais, econômicas e estruturais que se colocam diante do direito à Educação no Brasil

Acostumados com a presença de seus alunos em sala de aula, o uso das tecnologias se tornou um dos principais desafios da educação na pandemia. “Fomos jogados praticamente de cabeça”, comenta o professor de Filosofia da Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSM, Amarildo Trevisan.

Os profissionais da área precisaram alterar o seu plano de aula para adaptá-lo ao ensino remoto, elaborar estratégias pedagógicas para motivar os alunos a estudar em casa e buscar formas de orientá-los e tirar dúvidas, na busca por um ensino efetivo. “Ficamos tempo demais rejeitando o advento da cultura digital e o impacto nos pegou de surpresa”, destaca Adriana Veiga, professora de Fundamentos da Educação, do Centro de Educação da UFSM.

Para professor Amarildo Trevisan, que trabalha a questão das tecnologias no ensino há alguns anos, existia um grande preconceito em relação ao ensino à distância por parte dos professores. “Sabemos o quanto os docentes resistem em função das péssimas condições de trabalho e também da dificuldade de operacionalização nas próprias escolas. E sabemos das dificuldades até mesmo no campus para acessarmos a internet", afirma.

Necessidade do ensino remoto evidencia desigualdades

Apesar de perceber a importância das tecnologias no que se refere a dar continuidade às aulas presenciais e aproximar professores e alunos mesmo que à distância, o ensino remoto fez com que enxergássemos, de forma ainda mais clara, as desigualdades sociais e econômicas de estudantes, professores e famílias. “Temos o conhecimento de um número expressivo de estudantes que só acessam a internet quando os pais retornam do trabalho”, afirma Helenise Sangoi Antunes, professora titular do departamento de Metodologia de Ensino, do Centro de Educação da UFSM.

Para Helenise, são muitos os desafios que a pandemia tem trazido para a formação de novos professores, mas destaca as desigualdade do país em relação ao acesso à internet um dos mais difíceis: “Frequentar a escola e a universidade de forma presencial era a garantia do acesso democrático ao conhecimento, mas que a situação da pandemia acabou extinguindo esta possibilidade”.

Um levantamento realizado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC), divulgado no dia 29 de abril deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta essa igualdade: uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. Em números totais, isso representa cerca de 46 milhões de brasileiros que não acessam a rede. Das pessoas que não têm acesso à rede, 41,6% dizem que o motivo para não acessar é não saber usar. Uma a cada três (34,6%) afirma não ter interesse. Para 11,8% delas, o serviço de acesso à internet é caro e para 5,7%, o equipamento necessário para acessar, como celular, laptop e tablet, é caro.


A alfabetização se tornou um desafio no ensino remoto


Para a professora Helenise, o mais difícil é a construção de ações educativas que promovam o aprendizado das crianças no processo de leitura e escrita. Ela explica que existem situações muito complexas de lidar, principalmente no que se refere à baixa escolaridade dos pais, que muitas vezes não têm condições para contribuir no processo de alfabetização dos seus filhos.

Atualmente, a falta do convívio entre professores e alunos é um dos maiores obstáculos. A alfabetização é um processo de construção da leitura e escrita que pressupõe a interação próxima entre professor e as crianças, onde o professor precisa ter o domínio teórico-prático do conhecimento para desafiar as crianças nesse processo tão instigante. De acordo com a professora, “é importante investir recursos públicos na formação inicial e continuada de professores e também na escola e universidade pública para que se possa ter condições de atender com qualidade as demandas de aprendizado das crianças e jovens brasileiros, porque para muitos o acesso ao conhecimento formal se dá somente nestes espaços”.

Criar metodologias alternativas com os recursos que as crianças possuem dentro das suas próprias casas, construção de jogos para a alfabetização e a busca de uma aproximação com as famílias são algumas das estratégias que estão sendo colocadas em prática. “Mas não podemos nos encantar com esta situação vivenciada no ensino remoto, pois as relações interpessoais presenciais são fundamentais e indispensáveis para a formação integral do ser humano, principalmente quando estamos abordando sobre crianças em processo de alfabetização”, ressalta.

Interação entre universidade e escolas pode auxiliar nos desafios da pandemia

Assim como os professores universitários, quem ensina em escolas públicas também está sofrendo com as mudanças impostas pela pandemia. Para os professores Amarildo Trevisan e Adriana Veiga, os obstáculos pairam sobre as tecnologias também. No caso das escolas, muitas vezes o problema está nas condições precárias, que dificultam o acesso à banda larga.

Os docentes do Centro de Educação destacam que a ajuda deve vir de políticas públicas e orçamentárias, mas a Universidade também pode atuar junto às escolas e colaborar na transformação da educação básica. “Os cursos de licenciatura poderão aproximar-se ainda mais da escola para mapear as necessidades e contribuir para solucioná-las. Devemos sair do casulo e também criar uma universidade mais popular, no sentido de estar com toda gente, buscando a escuta e a inserção comunitária”, argumenta a professora Adriana.

Helenise Sangoi aponta que a Universidade tem aprendido com a Escola e vice-versa. Estágios, criação de projetos e iniciativas para unir as ações interdisciplinares entre os centros de ensino e os desafios que as escolas tem no seu cotidiano são alguns dos frutos dessas interações. “Podemos ver na Universidade Federal de Santa Maria e nas demais universidades do país que têm construído ações estratégicas para a formação continuada de professores e na superação das dificuldades no acesso ao ensino remoto”, diz Sangoi.

Para o professor Amarildo Trevisan, antes da Universidade acolher essas escolas, é preciso que a instituição se transforme internamente e supere seus próprios preconceitos ao uso das tecnologias. “Nós temos que passar por uma mudança de mentalidade interna e de mudança de estruturas, além de desburocratizar a relação com o setor governamental do Estado, procurando otimizar essa relação e superar possíveis ambiguidades, dicotomias e distanciamentos”, aponta.


Quem será o professor pós-pandemia?

Dúvida pertinente nos últimos meses, “Quem será o professor pós-pandemia?” desperta diferentes respostas em quem está envolvido com a educação em tempos de coronavírus. O professor pós-pandemia irá trabalhar mais a questão das tecnologias nas suas aulas ou irá retirá-las completamente depois de um período totalmente dominado por elas? Ele será mais valorizado? Ele continuará o mesmo? Mudará suas formas de ensino?

Para o professor Trevisan, o docente do futuro será um professor híbrido, com habilidades pedagógicas do presencial e também mais atento à evolução tecnológica. “De agora em diante, precisaremos trabalhar com o ensino híbrido e não tanto criar dependência dos alunos do trabalho operatório do professor, mas incentivá-los a buscar trabalhar o ensino também como forma de inserção no universo da pesquisa. Acho que, sem dúvida, esse é o caminho: um ensino híbrido que vai incluir muito mais e se aliar mais à questão da pesquisa do que era anteriormente”, comenta.

Já para a professora Adriana Veiga, o professor sobrevivente e resiliente à pandemia será um profissional mais amadurecido e mais comprometido. “Eu tenho visto professoras iniciantes, recém egressas da universidade, 'colocando a mão na massa', literalmente. Enfrentam as condições absurdas das comunidades periféricas para auxiliar as famílias e as crianças, alcançando alimentos, pois de barriga vazia não se aprende”, relata.

Por fim, a professora Helenise Sangoi acredita em uma maior valorização da sociedade com os docentes. “O professor do futuro pós-pandemia está sendo construído com as vivências que estão tendo no momento presente com o ensino remoto. Consigo projetar que será um profissional mais valorizado pela sociedade, pois as famílias estão conhecendo mais de perto o trabalho dedicado do professor, da educação infantil ao ensino superior, bem como, a complexidade e os desafios enfrentados por esta profissão”.

Reportagem: Eloíze Moraes e Vitória Parise, acadêmicas de Jornalismo e bolsistas da Agência de Notícias da UFSM
Edição: Davi Pereira

Ilustração: Renata Costa, Acadêmica de Produção Editorial e bolsista da Revista Arco

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Visando incentivar a capacitação dos seus servidores neste momento de suspensão das atividades presenciais, a UFSM informa que estão abertas as inscrições para o curso Tecnologias Digitais para Educação: Gravar e Editar Áudios e Videoaulas, que terá noções introdutórias ao uso de ferramentas digitais no ensino remoto, sendo uma das capacitações relacionadas à formação dos docentes dentro do escopo da UFSM em Rede.

O curso é uma parceria entre a Prograd e a Progep, financiado por meio de recursos do Fundo de Incentivo ao Ensino (Fien), sendo coordenado da professora Liziany Muller Medeiros.

Será realizado na modalidade EaD, no período de 13 de outubro a 1º de novembro, contemplando 60 horas. Serão ofertadas 250 vagas para servidores da UFSM. As inscrições podem ser feitas até sexta-feira (9). 

Descrição completa dos conteúdos a serem abordados no curso e inscrição disponíveis no Portal de Capacitação.  

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/10/02/capacitacao-no-avea-moodle-para-o-ensino-remoto-recebe-inscricoes-ate-quarta-7 Fri, 02 Oct 2020 11:23:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=53835

A Equipe de Capacitação do NTE informa que estão abertas as inscrições para a 3ª turma da Capacitação no AVEA Moodle para o Ensino Remoto de 2020. As inscrições vão até 7 de outubro e podem ser feitas pela página do NTE  ou em Capacitações.

O público-alvo do curso são professores da UFSM em exercício que ainda não realizaram curso de capacitação no NTE, professores da UFSM em exercício que já realizaram curso de capacitação no NTE, tutores selecionados em edital UAB/UFSM que ainda não realizaram curso de capacitação no núcleo e tutores selecionados em edital UAB/UFSM que já realizaram curso de capacitação no núcleo.

Dúvidas podem ser sanadas pelo e-mail equipecapacitacao@nte.55bet-pro.com.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/teletrabalho-ead-pandemia Thu, 01 Oct 2020 13:51:47 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6274 A existência da internet tal qual conhecemos é um resultado da criação da World Wide Web, por Tim Berners-Lee, no início dos anos 90. O sistema proposto por Berners-Lee é baseado em uma organização de documentos na rede a partir de hipertextos, cuja conexão se dá a partir de hiperlinks. O famoso WWW representa a popularização da internet – antes usada apenas para fins militares e acadêmicos. Desde então, passamos a viver em uma era conectada. No decorrer dos anos, a importância da internet no contexto social apenas cresceu, ao ressignificar os mais diversos aspectos de nossas vidas: a informação, a comunicação, o consumo, os comportamentos, o transporte, a educação e o trabalho.

Em 2020, a pandemia do novo coronavírus também provocou mudanças nas nossas vida e,  consequentemente, na relação que temos com a rede. No âmbito profissional, ela aproximou ainda mais o trabalho e a internet – de maneira que, ao seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), muitas empresas encontraram no trabalho remoto a forma de evitar aglomerações e preservar a saúde de colaboradores e clientes. As escolas e as universidades seguiram o mesmo caminho ao explorar a educação à distância como alternativa para a longevidade do distanciamento.

Assim, para muitos de nós, foi exigida uma acelerada mudança: aquela tendência que já observávamos no mercado há algum tempo, agora faz parte de nossas rotinas. Nos vimos rodeados por e-mails, mensagens no Whatsapp, reuniões e aulas em forma de videoconferências. Mas afinal, quais são as principais diferenças entre as atividades online e as presenciais? E como tudo isso nos afeta psicologicamente?

O teletrabalho

O termo teletrabalho – também conhecido como Home Office – refere-se a qualquer atividade laboral realizada remotamente. A origem mundial é imprecisa, mas é citada ainda no século 19, com o uso telégrafo.  A aplicação a partir da internet começou a se desenvolver no Brasil após os anos 2000, porém foi incluído pela primeira vez em uma pesquisa nacional pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012. Desde então, os estudos representam um aumento - entre alguns anos, flutuante - das suas taxas ao longo dos anos. Entre elas, foi reportada uma alta de 44% na vigência entre 2012 e 2018.

Contudo, só no ano de 2017 o teletrabalho foi regulamentado no país, a partir da Lei nº 13467/2017. Entre as observações está que os processos, em suas especificidades, deveriam ser acordados entre o chefe e o trabalhador, de maneira que este tenha recursos para efetuar as atividades remotas e, caso não os tenha, o empregador os forneça. O acompanhamento também vale a mesma regra de negociação. Essa regulamentação foi um marco para a metodologia, que estava mais presente entre as empresas. Ela era observada pelo mercado como uma maneira de aumentar a flexibilidade da jornada de trabalho, diminuir a mobilidade urbana e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Durante a pandemia da COVID-19, segundo dados do IBGE (entre 16/08 e 22/08), 8.3 milhões de brasileiros trabalharam remotamente.

O ensino à distância

O estudo à distância surgiu no país também a partir do início do século 20, com cursos de qualificação profissional. O termo se refere a quaisquer mediações didático-pedagógicas que, por meio de tecnologias de comunicação e informação, apliquem-se com diferença de espaço ou tempo no contato entre professores e alunos. Antes mesmo das redes digitais, os cursos eram desenvolvidos ao longo do século passado por meio de correspondência, rádio e televisão. O EAD era uma ferramenta para ampliar o acesso à educação, ao letramento e à inclusão social de adultos. Então, com o passar o tempo, começaram a serem oferecidos cursos para o nível de ensino fundamental, e na década de 1970, cursos superiores.  Nos anos 1990, o advento da internet comercial provocou um crescimento de universidades que ofereciam esse método de ensino, o que foi reforçado em 1996, com a criação da Secretaria de Educação à Distância (SEED), do MEC. Nesse ano, também se estabeleceram legislações que identificaram essas práticas, e garantiram, por exemplo, a validade de diplomas.

Hoje, entende-se que podem existir diferentes classificações para esses cursos: os que são predominantemente à distância, com encontros mensais ou semestrais na sede da organização; os semi-presenciais (ou híbridos), com uma quantidade maior de encontros, por exemplo, semanalmente; e os cursos presenciais com apenas contribuições à distância. Quanto à sua popularidade, é estimado que o número de alunos do ensino superior na modalidade EAD será maior do que na presencial em 2022. Esses dados são de um estudo da Associação Brasileira Mantenedora de Ensino Superior (ABMES), em parceria com a empresa Educa Insights. A projeção inicial era de 2023, porém o processo foi acelerado pela pandemia do novo coronavírus – com as quedas nos índices de emprego e renda da população, as orientações da OMS para o distanciamento social e o aumento de ofertas de cursos dessa modalidade.

A verdade é que antes mesmo da covid-19 o EAD já era uma tendência crescente: o ensino à distância atingia mais de 2 milhões de matrículas em 2018, o que representava uma participação de 24,3% do total de matrículas de graduação, segundo o último Censo da Educação Superior, do MEC. O porquê do seu destaque tem relação com suas mensalidades serem mais acessíveis e, assim como uma das vantagens do Home Office, por dispensar a locomoção – e o seu tempo – até o local de ofício.

Experiência no campus Frederico Westphalen

No campus da UFSM em Frederico Westphalen, as aulas online já eram exploradas. Desde 2017, o projeto “Produção de Videoaulas e o Streaming de vídeo no EaD” é desenvolvido com o objetivo de estudar metodologias para a modalidade e de entender mais acerca da tecnologia streaming de vídeo e da sua integração em Ambientes Virtuais. As videoaulas produzidas foram aplicadas nos cursos de Bacharelado em Sistemas de Informação e Licenciatura em Computação, e tinham como finalidade servir como um material de apoio para as aulas presenciais.

Segundo a coordenadora do projeto, doutora em Sistemas de Computação e professora associada da UFSM, Adriana Soares Pereira, outro objetivo era proporcionar maior aproximação entre aluno e professor. A partir das experiência que obteve, ela destaca a importância da criação de um roteiro para as aulas em EAD que leve em consideração as particularidades da disciplina e os seus alunos: “A didática está muito relacionada com o conteúdo, então tivemos que pensar em possíveis dificuldades que o aluno já teve [com a disciplina presencial]. Por exemplo, em uma disciplina mais prática - ensinando a usar um software -, nós tivemos que gravar o professor falando e conectar ao mesmo tempo a imagem no computador, para mostrar passo a passo como usar aquela ferramenta”. A professora lembra que a contribuição do estudante  é necessária – de maneira que, ao dar sua opinião, ele auxilia para uma melhor adaptação por parte dos professores.

Ainda assim, Adriana acredita que no futuro educacional existirá público tanto para a modalidade EAD quanto para a presencial: “Eu vejo que o perfil do aluno está em primeiro lugar: cada um de nós tem um perfil de aprendizado diferente - então se eu aprendo mais com vídeos, outra pessoa aprende mais lendo textos. Então existem alunos que realmente não conseguem estudar e aprender dessa forma”, explica. Ela complementa que existem cursos que necessitam dos encontros presenciais para as aulas práticas.

Por fim, a professora imagina que após esse momento, os alunos irão exigir uma maior diversidade de metodologias oferecidas por seus professores, que terão a necessidade de ir além de apenas as aulas presenciais. Os docentes deverão buscar se capacitar e explorar essas novas tecnologias: “uma das vantagens de fazer uma videoaula é que o aluno pode a assistir várias vezes e se ficar alguma dúvida, voltar e ouvir de novo”, exemplifica.  

As consequências

O teletrabalho e o ensino à distância são exemplos de uma sociedade que caminha para a convergência digital. As duas modalidades têm características e vantagens semelhantes e, para algumas pessoas, são opções que facilitam a produtividade e se encaixam com o seu estilo de vida. Entretanto, não são todos que se adaptam bem e preferem essas metodologias; e a pandemia do novo coronavírus também tem forçado esse grupo a participar dessa transição, quase que súbita, desde o começo do ano.

São tempos singulares que implicam em uma necessidade de maior empatia por parte de empresas e instituições de ensino. Para os que tiveram que se adaptar repentinamente, não foi fácil - sem falar que não são todos que têm as ferramentas ou o espaço adequado para o desenvolvimento de atividades à distância. Isso, juntamente com o confinamento, pode trazer consequências negativas para a saúde mental de qualquer um - confira a outra matéria da Arco sobre os efeitos colaterais do distanciamento físico. Já em abril de 2020 – aproximadamente um mês após a COVID-19 ter sido declarada como uma pandemia pela OMS - a startup de tecnologia Behup conduziu uma pesquisa com 1.561 participantes no país, e concluiu que 53,8% dos participantes disseram estar um pouco ou muito mais estressados e 60,3% um pouco ou muito mais ansiosos após as primeiras semanas de quarentena.

Segundo a doutora em psicologia, Adriane Rubio Roso, que também realizou estudos pós-doutorais em Comunicação na UFSM e em Psicologia Social, na Universidade de Harvard, a pandemia pode nos impactar integralmente, apesar de muitas vezes não notarmos: “Algumas pessoas sentem dores de cabeça, dores nas costas, ansiedade, estresse, insônia e podem não correlacionar esses sintomas com o que estamos vivendo. Certamente, eles podem ser decorrentes de problemas que antecedem à pandemia, e, agora, podem estar se exacerbando em decorrência do que ela dispara em nós: medo da própria morte, medo da perda de entes queridos, medo de perder o emprego, medo da solidão, entre outros.”.

Adriane também destaca que os impactos da pandemia não são os mesmos para todos – já que eles dependem das condições sócio-estruturais, econômicas e afetivas de cada um. Ela observa que as pessoas que já tinham o costume de ficar mais em casa e focar em relações sociais no círculo privado aparentam lidar melhor com o isolamento social. Por outro lado, pessoas com vida social mais agitada no espaço público e pessoas que sofrem grande risco de contágio – como profissionais da área de saúde na linha de frente – o estresse proporcionado pelo período é maior. 

Quanto às consequências psicológicas da pandemia do novo coronavírus e a sua relação com fatores sociodemográficos, a UFSM se faz presente no âmbito científico:  está em desenvolvimento o COVIDPsiq, grupo de pesquisa liderado pelo professor e doutor Vitor Calegaro, que tem como objetivo monitorar a evolução de sintomas pós-traumáticos relacionados ao vírus em brasileiros – como depressão e ansiedade. O projeto, que conta com o apoio da Prefeitura de Santa Maria, da Universidade Franciscana e da Lauduz COVID-19 – Saúde Pública Online, entre outras instituições, terá quatro fases. A primeira delas foi divulgada no início de junho e contou com 3.633 participantes que tinham a partir de 18 anos anos – em grande parte, do Rio Grande do Sul e de Santa Maria. Dentre suas coletas, concluiu-se que a saúde mental de 65% dos participantes piorou pouco ou muito com o distanciamento social, com destaque para o aumento de sintomas pós-traumáticos relacionados com menor escolaridade – e idade inferior -, menor renda – assim com estudantes e desempregados-, histórico de transtornos mentais e uma maior exposição  à mídia.   

O fenômeno das videoconferências

À medida que empresas e instituições de ensino se viram obrigadas a migrar para o ambiente virtual, uma ferramenta que tem sido muito utilizada como uma forma de reestruturar a convivência são as videoconferências. Esse fenômeno ocupou espaço nas relações tanto no teletrabalho – com reuniões – quanto no ensino à distância – com aulas online. Apesar de ser uma boa alternativa para manter o contato, o uso de aplicativos como Zoom, Skype, Teams, Google Meet e Google Hangouts pode provocar uma exaustão ainda maior do que se os encontros fossem presenciais. No exterior, o cansaço após as videoconferências está sendo chamado de “Zoom Fatigue” – em tradução literal, Fadiga de Zoom.

Baseado nisso, a Harvard Bussiness Review publicou um artigo para explicar o que acontece nesse processo. O site, com revistas, livros e conteúdos digitais é produto do Harvard Business Publishing, que tem como objetivo refletir sobre práticas de gestão de negócios. Segundo o estudo, a fadiga proporcionada pelas videoconferências é consequência de um conjunto de questões. A primeira delas é a facilidade que temos de nos distrair nesses contextos: enquanto estamos em uma chamada de vídeo, temos ao nosso redor diversos estímulos que facilitam a perda de foco – as notificações e o celular na mão nos atraem para a tentação de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, como por exemplo ouvir a fala dos colegas e também checar as redes sociais.  Além disso, temos contato com uma pequena imagem de nós mesmos – o que nos torna extremamente conscientes de cada detalhe e cada movimento que fazemos. Por fim, temos a sensação de que para absorver todas as informações e demonstrar o devido interesse, devemos estar constantemente prestando atenção na tela. Isso não acontece em trocas presenciais, pois eventualmente nos sentimos livres para olhar para a janela, ou ao redor da sala.

No geral, devemos entender que ao participarmos das videoconferências, o nosso cérebro não funciona normalmente. Fora outras questões como confusões por problemas de rede e silêncios desconfortáveis, também perdemos uma parcela de linguagem corporal. O psicólogo e cineasta David Cohen afirma em seu livro “A linguagem do corpo” que ao nos comunicarmos, absorvemos informações sem nem perceber: “Responder instintivamente ou com intuição não é mágica. O que realmente estamos fazendo é reunir, quase instantaneamente, dezenas de pequenas pistas que captamos da linguagem corporal das pessoas”. O contato apenas através das telas nos priva dessa absorção inconsciente das reações e nos obriga a dispor de um esforço a mais na busca por um “retorno externo”. Isso, no caso de muitas pessoas em uma chamada, é cognitivamente cansativo.

A pesquisadora Adriane Roso ressalta que não mudamos nosso caráter e nosso modo de pensar no ambiente on-line, porém destaca a falta de contato físico nas interações. “O contato físico é uma experiência vital, que nos acompanha desde o nascimento. [...] Sob este prisma, a interação online exige dos humanos novas formas de expressão e reconhecimento de afetividade", comenta. Sobre as novas tecnologias, ela afirma que “não sabemos o suficiente sobre os efeitos delas na constituição da subjetividade. Algo está mudando. Algo vai mudar. Essas mudanças deverão ser foco de atenção de diferentes campos do saber de modo a encontrarmos caminhos alternos recorrendo à potencialidade do trabalho interdisciplinar.”

Dicas: como encontrar o equilíbrio?

O segundo semestre letivo do ano de 2020 na UFSM se iniciará no dia 19 de outubro sob o Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) - confira o calendário completo aqui. Os alunos que decidirem por se matricular e desenvolver suas atividades de graduação ou pós-graduação durante este período terão de se adaptar à vigência do ensino à distância. Ao levar em consideração as particularidades de cada um e a importância de uma manutenção da saúde mental durante todo esse período, é extremamente importante ter uma rotina equilibrada entre o lazer e as obrigações.  

Visto isso, leia abaixo algumas dicas inspiradas no artigo da Harvard Business Review para vivenciar esse período da maneira mais saudável possível: 

1) Em uma videoconferência, evite fazer muitas coisas ao mesmo tempo

Ao tentar fazer muitas coisas, você não vai conseguir se concentrar em nenhuma e pode perder informações importantes

2) Respeite seus limites e tenha períodos de descanso entre tarefas e chamadas de vídeo

Ter de 5 a 15 minutos para poder tomar uma água, levantar da cadeira e se alongar é essencial

3) Cuide da sua saúde: se alimente bem e pratique exercícios físicos

Isso vai evitar o cansaço em demasia e o estresse

4) Tente manter uma rotina

Busque ter horários usuais para dormir, acordar, trabalho e lazer. Isso vai lhe ajudar a manter uma rotina equilibrada e vai dar uma sensação de maior controle do contexto atual

5) Não deixe a internet tomar conta do seu cotidiano

Faça questão de ter momentos longe das telas: leia um livro ou passe um tempo com seu pet ou sua família

Dicas para professores ou chefes

1) Analise se a videoconferência é realmente necessária

Às vezes, ela pode ser substituída por um e-mail ou por uma ligação normal

2) Deixe disponível a opção de não ligar a câmera eventualmente

Principalmente em chamadas mais longas, isso pode ajudar a reduzir um pouco o estresse

Caso necessário, não hesite em buscar apoio psicológico. A UFSM oferece apoio psicopedagógico e suporte psicológico na modalidade on-line através do Núcleo de Apoio à Aprendizagem da CAED. Saiba mais.

Expediente

Reportagem: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista

Edição de produção: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição geral: Maurício Dias, jornalista

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A Equipe de Capacitação do NTE informa que estão abertas as inscrições para a 3ª turma da Capacitação no AVEA Moodle para o Ensino Remoto de 2020. As inscrições vão até 07/10 e podem ser feitas pela página do NTE  ou em Capacitações.

O público-alvo do curso são professores da UFSM em exercício que ainda não realizaram curso de capacitação no NTE, professores da UFSM em exercício que já realizaram curso de capacitação no NTE, tutores selecionados em edital UAB/UFSM que ainda não realizaram curso de capacitação no núcleo e tutores selecionados em edital UAB/UFSM que já realizaram curso de capacitação no núcleo.

Dúvidas podem ser sanadas pelo e-mail equipecapacitacao@nte.55bet-pro.com.

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Visando incentivar a capacitação dos seus servidores neste momento de suspensão das atividades presenciais, a UFSM informa que estão abertas, até 3 de setembro, as inscrições para o Curso de Introdução ao uso de Ferramentas de Webconferência e Edição de Vídeos: Aplicações para Reuniões e Aulas Remotas, o qual tem como objetivo introduzir os servidores da Instituição ao uso de ferramentas digitais no ensino remoto, sendo uma das capacitações relacionadas à formação dos docentes dentro do escopo da UFSM em Rede.

A capacitação é uma parceria entre a Prograd e a Progep, sendo realizada na modalidade EaD, no período de 8 de setembro a 4 de outubro, contemplando 30 horas. Serão ofertadas 150 vagas para servidores da UFSM.

A descrição completa dos conteúdos abordados no curso e a inscrição podem ser acessadas no Portal de Capacitação.

Em caso de dúvidas, pode-se entrar em contato pelo e-mail ned@55bet-pro.com.

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Visando incentivar a capacitação dos seus servidores neste momento de suspensão das atividades presenciais, a UFSM, por meio da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, informa que estão abertas, até sexta-feira (28), as inscrições para o Curso de Tutorial de Google Jamboard – Turma 2/2020, o qual tem como objetivo a capacitação de professores da Instituição para o uso da ferramenta que faz parte do G Suite for Education chamada Google Jamboard, sendo uma das capacitações relacionadas à formação dos docentes dentro do escopo da UFSM em Rede.

A capacitação será ministrada pelos professores Giovani Rubert Librelotto e Bruno Augusti Mozzaquatro, na modalidade EaA, no período de 1º a 15 de setembro, contemplando 20 horas. Serão ofertadas 40 vagas para docentes da UFSM.

A descrição completa dos conteúdos abordados no curso e a inscrição podem ser acessadas no link

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Estão abertas as inscrições para mais uma turma da Capacitação para Utilização do Google Classroom. O curso tem como objetivo proporcionar aos docentes da UFSM a fluência tecnológico-pedagógica para mediação da aprendizagem no ambiente virtual Google Classroom. 

A capacitação, proposta por meio de ação conjunta entre a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e a Pró-Reitoria de Graduação, irá apresentar o Google Classroom e como a ferramenta pode auxiliar os docentes da instituição a desenvolverem as atividades no Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE).

O curso será ministrado pela professora Claudia Smaniotto Barin, na modalidade a distância (plataforma Google Classroom), no período de 8 a 21 de setembro, contemplando 20 horas. Os materiais do curso, como videoaulas e atividades, ficarão disponíveis para serem acessados pelo participante no horário de sua preferência.

Estão sendo ofertadas 40 vagas para servidores docentes da UFSM. As inscrições poderão ser realizadas até o dia 3 de setembro, no Portal de Capacitação. O critério de seleção será a ordem de inscrição.

Mais informações poderão ser obtidas com o Núcleo de Educação e Desenvolvimento, pelo e-mail ned@55bet-pro.com.

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A webinar "O papel do professor no contexto da pandemia" ocorre nesta quinta-feira (13), às 14h, com transmissão via Farol. Os participantes serão o vice-reitor da UFSM, Luciano Schuch, e o professor, bacharel em Ciência da Computação e mestre em Design Estratégico Gustavo Reis. A atividade é comemorativa aos 60 anos da UFSM.

A promoção é da UFSM em REDE, um portal com informações e dicas sobre como implementar o ensino remoto apoiado em tecnologias. O portal está organizado em quatro áreas temáticas que contemplam o planejamento das aulas ou atividades; recursos para promover a interação e a atividade mediado pelas TIC; como avaliar o estudante; assim como depoimentos de professores e estudantes acerca do atual momento.

Webinar O Papel do professor no contexto da pandemia

 

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