UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 22 Apr 2026 11:25:19 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/27/ufsm-lidera-rede-pioneira-de-monitoramento-de-co%e2%82%82-em-lavouras-e-pastagens-do-sul-do-brasil Fri, 27 Mar 2026 11:04:39 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72204 [caption id="attachment_72209" align="alignright" width="647"] Rodrigo, Débora e Murilo monitoram dados no LABGEE (Foto: Ricardo Bonfanti)[/caption]

Uma rede de medição de carbono instalada em áreas agrícolas do Rio Grande do Sul está revelando, com precisão inédita, como diferentes sistemas de produção agropecuária interagem com o clima. Coordenado pela UFSM, por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), o projeto utiliza torres de fluxo, um equipamento semelhante à estação meteorológica, porém equipado com sensores mais precisos. Essas torres são consideradas o método mais avançado do mundo para medir continuamente a emissão e a absorção de gases de efeito estufa em lavouras e pastagens.

A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.

À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam a importância deste trabalho, que, ao mesmo tempo em que ressalta o papel do manejo adequado das áreas agrícolas e desmistifica a produção rural - quando bem feita - como vilã das mudanças climáticas, projeta novos mercados e fortalece a internacionalização da UFSM.

Sensores medem CO₂ em tempo real

Ao todo, nove torres de fluxo estão instaladas em diferentes sistemas produtivos do Sul do país, incluindo lavouras de soja, trigo, milho e arroz irrigado, além de pastagens naturais do bioma Pampa. Os equipamentos estão distribuídos em propriedades nos municípios gaúchos de Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.

As torres de fluxo são equipadas com sensores altamente sensíveis, capazes de registrar de forma contínua as absorções e emissões de gases do efeito estufa de uma área. Os instrumentos realizam 10 medições por segundo, identificando se, por exemplo, o dióxido de carbono (CO) está sendo liberado para a atmosfera ou absorvido pelas plantas - e, após, armazenado no solo. “A metodologia em si é única no mundo, só ela que faz isso. É a mais avançada e universalmente aceita”, explica Rodrigo.

Além da medição dos gases, os equipamentos registram variáveis meteorológicas, como temperatura do ar e do solo, radiação solar e precipitação. Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.

Com esse monitoramento contínuo, os cientistas conseguem calcular o chamado fluxo de carbono, que representa o saldo (balanço) entre o carbono retirado da atmosfera pelas plantas durante a fotossíntese e aquele liberado por processos naturais, como respiração das plantas, decomposição da matéria orgânica e atividade de organismos vivos. O acompanhamento permite identificar em tempo real, ao longo do dia, dos meses, das estações e dos anos, quando um sistema produtivo atua como emissor ou absorvedor de carbono.

De meia em meia hora, por três anos

“É preciso no mínimo 10 medidas por segundo da concentração do CO₂ e da velocidade vertical do vento na atmosfera. Com uma análise estatística destes dados se obtém o fluxo, e então é possível dizer, a cada meia hora, se um sistema emitiu ou absorveu”, explica Débora.

Como as medições são realizadas continuamente, a cada meia hora, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano o comportamento das emissões e absorções em cada área monitorada. Com um ano completo de dados, já é possível calcular o balanço anual de carbono de um sistema agrícola, pecuário ou natural e identificar práticas que aumentam a absorção ou as emissões.

No entanto, para garantir resultados mais robustos, o monitoramento precisa se estender por períodos maiores, já que as condições climáticas variam de um ano para outro - no caso, três anos é o período mínimo determinado pelos pesquisadores para captar melhor estas variações. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, salienta Débora.  

[caption id="attachment_72258" align="alignleft" width="396"] Uma das nove torres instaladas pela UFSM (Foto: Divulgação)[/caption]

Pioneirismo e investimentos

A professora Débora destaca o pioneirismo do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LABGEE), que acumula mais de 30 anos de experiência em monitoramento com torres de fluxo, com atualização constante das tecnologias utilizadas. “Nosso grupo, nos anos 1990, já participava de projetos na Amazônia. Mais tarde começamos a usar nos sistemas de manejo do Rio Grande do Sul, e começamos a monitorar mais continuamente a partir de 2010”, afirma.

O conjunto dos equipamentos utilizados no projeto representa um investimento de cerca de R$ 5 milhões, obtido pelo LABGEE ao longo dos anos por meio de projetos financiados por diferentes agências.

Trabalho interdisciplinar

A interdisciplinaridade é essencial para o êxito do projeto. Pesquisadores da Física, da Agronomia, da Meteorologia, trabalhando juntos, contribuem para o melhor entendimento dos resultados, que são utilizados por diversos grupos na UFSM, incluindo a área de sensoriamento remoto, e também de outras universidades. "É um trabalho bem amplo, e os resultados são compartilhados", destaca Débora.

Rodrigo exemplifica que, enquanto para as Ciências Rurais a ênfase maior é no armazenamento do carbono no solo, a Física se interessa pela contribuição dos gases para o aquecimento global, e a Economia estuda a venda e remuneração de créditos de carbono. "A fixação e emissão de carbono é um assunto que permeia vários grupos de pesquisa na UFSM, com diferentes óticas, e todos estão, de certo modo, dependentes de uma metodologia de quantificação, de como saber se um sistema produtivo, seja industrial ou agropecuário, está emitindo ou absorvendo. Aí é que entra esta metodologia, que é uma maneira mais moderna de quantificar", ressalta.

Protagonismo e reconhecimento internacional

O trabalho motiva tanto os produtores rurais envolvidos, que, com o manejo correto, visualizam no futuro monetizar créditos de carbono, quanto alunos de cursos como Física, Meteorologia, Agronomia e Engenharia Ambiental, que participam ativamente dos estudos e, mensalmente, visitam as propriedades nas quais as torres estão instaladas, sob a coordenação do meteorologista Murilo. "Nosso protagonismo é também na formação de recursos humanos para trabalhar com essa metodologia, que não é simples", destaca Débora.

A referência da UFSM na área não é de hoje. "Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. O grupo que tem o maior protagonismo é o nosso. Inclusive, por 20 anos, fizemos em Santa Maria o Congresso Brasileiro de Micrometeorologia, evento bianual que recebia a comunidade nacional e internacional", lembra Débora.

O reconhecimento internacional só cresce. Atualmente, os dados obtidos pelas torres de monitoramento estão entrando em um banco de dados mundial, sendo utilizados por grupos de pesquisa de inúmeros países. "Somos um grupo muito internacionalizado, com inúmeras parcerias. Também recebemos muitos pesquisadores estrangeiros e enviamos alunos de doutorado e pós-doutorado para países como Portugal e Estados Unidos", acrescenta a pesquisadora.

[caption id="attachment_72210" align="alignright" width="566"] Dados são apresentados aos produtores participantes (Foto: Divulgação)[/caption]

Importância ambiental e potencial econômico

A agricultura é frequentemente apontada como uma das fontes de emissão de gases de efeito estufa, mas os estudos conduzidos pela UFSM mostram que sistemas produtivos bem manejados, como é o caso dos que estão sendo monitorados, também podem remover carbono da atmosfera, contribuindo para reduzir o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

As medições feitas pelas torres de fluxo permitem identificar quais práticas agrícolas aumentam essa capacidade de captura, como o uso de plantas de cobertura, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária e manejo adequado das pastagens. “Quanto mais planta tiver no solo, sem intervalos, maior é a absorção, porque o que absorve o CO da atmosfera e coloca no solo são as plantas, por meio da fotossíntese. Sistemas sem pousios são os que mais absorvem”, destaca Rodrigo.

Além de contribuir para reduzir o aquecimento global, essas práticas podem melhorar a fertilidade do solo e abrir oportunidades para geração de créditos de carbono na agropecuária, que podem ser comercializados com empresas interessadas em compensar suas emissões.

Estimativas indicam que, se metade das áreas de pastagens naturais do Pampa fosse utilizada para geração de créditos de carbono, seria possível produzir cerca de 3,3 milhões de créditos por ano. Considerando um valor médio de US$ 10 por crédito, o potencial de receita chegaria a US$ 33 milhões anuais.

Além disso, práticas que aumentam a captura de carbono — como rotação de culturas, plantas de cobertura e manejo adequado do solo — tendem a melhorar a fertilidade e a estrutura do solo, contribuindo também para maior produtividade agrícola.

 

 

O que mostra o monitoramento

Os resultados das pesquisas conduzidas pela UFSM têm indicado que práticas agrícolas adequadas podem transformar lavouras e pastagens em aliadas importantes no combate às mudanças climáticas, ao ampliar a captura de carbono e reduzir emissões de gases de efeito estufa.

No arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno nas lavouras reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. As lavouras que cultivam soja e trigo, muito comuns na região, podem absorver até três vezes mais CO₂ por hectare se intercaladas por plantas de cobertura. A produção de bovinos em pastagens do Pampa pode absorver CO₂ pelo correto manejo da pastagem, compensando as emissões de metano pelo gado, aliando a produção de uma carne de qualidade com absorção de gases do efeito estufa.

Já a lavoura de trigo, segundo Rodrigo, é uma grande absorvedora de CO₂, mas deixá-la parada, sem cultivo, a torna uma emissora de CO₂. De maneira geral, conforme ele, as lavouras do RS têm potencial de serem absorvedoras de CO₂ e poderiam ser utilizadas para venda de créditos de carbono.  

Próximos passos: novas culturas e créditos de carbono

Os estudos conduzidos pela UFSM seguem em andamento e buscam ampliar o conhecimento sobre como diferentes práticas agrícolas influenciam o balanço de gases de efeito estufa nos sistemas produtivos do Sul do Brasil. Os pesquisadores esperam que os dados obtidos possam orientar estratégias de produção mais sustentáveis, apoiar políticas públicas e fortalecer o papel da agropecuária na mitigação das mudanças climáticas.

Assim que cada um dos sistemas produtivos que estão sendo monitorados atualmente completar três anos de dados gerados, outras culturas poderão ser contempladas, como a integração entre lavoura e pecuária e a fruticultura.

Outro passo futuro, assim que houver dados de três anos em cada sistema, é trabalhar em projeto piloto de crédito de carbono. "Como esse trabalho não é em nível de pequenos experimentos, mas sim em nível de fazenda, esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono", afirma Débora.

Texto: Ricardo Bonfanti
Arte gráfica: Daniel Michelon De Carli

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Após ter um projeto aprovado, em 2021, para o primeiro ciclo de observações do Telescópio Espacial James Webb (o qual foi lançado ao espaço no Natal daquele ano), o grupo atingiu recentemente mais um feito digno de espanto e admiração. Teve um projeto aprovado para o 12º ciclo de observações de um dos maiores telescópios do mundo: o observatório Alma (sigla para Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array). [caption id="attachment_70493" align="alignright" width="644"] O observatório Alma localiza-se no platô Chajnantor, na Cordilheira dos Andes [foto: A. Duro (ESO)][/caption]Encravado na Cordilheira dos Andes, mais precisamente no platô Chajnantor, a uma altura de aproximadamente 5 mil metros, e em meio ao deserto mais árido do mundo (o Atacama), o observatório Alma está registrado no Guinnes Book como o mais caro telescópio terrestre já construído. Estima-se que o seu custo de produção pode ter chegado a até US$ 1,4 bilhão, em um projeto conjunto que envolveu 21 países – da América do Norte, Europa e leste da Ásia, além do Chile, país anfitrião. As suas primeiras imagens foram geradas em 2011, ainda com apenas 11 das 66 antenas que constituem o observatório. O Alma é um gigantesco radiotelescópio, que combina os sinais captados por essas antenas metálicas redondas, as quais têm dois diâmetros diferentes: 54 delas medem 12 metros e as demais, 7 metros. De forma semelhante a antenas de aparelhos de rádio e TV, telefones celulares, radares e vários outros dispositivos (inclusive olhos de humanos e animais), os radiotelescópios captam sinais do espectro eletromagnético. Esses sinais consistem em ondas, que são usualmente agrupadas de acordo com o seu comprimento e frequência, bem como pela energia que emitem: alta energia (ultravioleta, raios X e raios gama), energia não tão alta (luz visível; ou seja, do violeta ao vermelho) e baixa energia (infravermelho, micro-ondas e ondas de rádio). [caption id="attachment_70494" align="alignleft" width="601"] Por estar ficar em meio ao deserto mais árido do mundo (o Atacama), o Alma pode observar o céu sem a interferência de poluição visual [foto: B. Tafreshi (ESO)][/caption]Como o seu próprio nome indica, o Alma é um telescópio construído com a finalidade de captar especialmente sinais de baixa energia – do espectro milimétrico e submilimétrico (milimiter/submilimiter array). O observatório está equipado para receber ondas com comprimento na faixa de 8,6 a 0,32 milímetros (ou 35 a 950 giga-hertz, em termos de frequência). “A luz nesses comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos vem de vastas nuvens frias no espaço, a temperaturas de somente algumas dúzias de graus acima do zero absoluto (-273,15 ºC), de algumas das mais antigas e mais distantes galáxias no nosso Universo. Astrônomos podem usar essa luz para estudar as condições químicas e físicas nessas nuvens moleculares, que são regiões densas de gás e poeira onde novas estrelas estão se formando. Essas regiões do Universo são frequentemente escuras e se mantêm escondidas da faixa visível da luz, mas elas brilham intensamente na parte milimétrica e submilimétrica do espectro”, conforme consta no texto de apresentação do Alma, em seu site. Interferometria – A técnica de combinar com precisão os sinais recebidos por duas ou mais antenas é conhecida como interferometria. No caso do Alma, as suas antenas operam de forma sincronizada, com um grau de precisão que pode chegar a até um milionésimo de um milionésimo de segundo. Um supercomputador é responsável por correlacionar os dados recebidos. Pesando mais de 100 toneladas cada uma, as antenas também podem ser deslocadas para diferentes locais no platô, transporte que é realizado por caminhões projetados especialmente para essa tarefa. [caption id="attachment_70495" align="alignright" width="546"] Em 2019, o projeto EHT, do qual o observatório Alma faz parte, divulgou a primeira imagem já registrada de um buraco negro[/caption] No caso de um radiotelescópio constituído por somente uma antena, o grau de resolução das imagens que produz depende do diâmetro dessa antena – além da faixa de comprimento de onda em que opera. Na interferometria, quanto maior a distância entre as antenas, maior o seu nível de resolução. Como o Alma é um observatório composto por 66 antenas móveis, ele funciona como um interferômetro gigante, podendo operar como se fosse uma só antena colossal de 16 quilômetros de diâmetro. A evolução da interferometria nos últimos anos possibilitou inclusive o surgimento de um telescópio de escala global, por meio do projeto Event Horizon Telescope (EHT), o qual combinou os sinais de oito grandes telescópios terrestres (incluindo o Alma), sincronizados por relógios atômicos, com o objetivo de registrar a primeira imagem de um buraco negro. Em abril de 2019, o EHT revelou que a empreitada foi bem-sucedida, ao exibir as imagens obtidas do buraco negro localizado no centro da galáxia Messier 87 (na Constelação de Virgem), a uma distância de 55 milhões de anos-luz da Terra. Buracos negros – Um lugar de densidade infinita, onde as noções de tempo e espaço colapsam, que suga a matéria e energia ao redor. Em se tratando do objeto mais estranho e misterioso do Universo, não é de se espantar que, apesar de um buraco negro ser totalmente escuro, a sua “sombra” possa ser observada, devido ao contrate com a luz emitida pelo disco de acreção. No âmbito da astrofísica, é comumente aceito que os buracos negros são as “singularidades” gravitacionais (ou de espaço-tempo) previstas na teoria geral da relatividade, por Albert Einstein. [caption id="attachment_70496" align="alignleft" width="535"] Ilustração artística de um buraco negro do tipo AGN, sigla em inglês para “núcleo galáctico ativo” (arte gráfica: Juan Carlos Algaba)[/caption] Em torno desse buraco de absoluto nada, entretanto, há uma espécie de fronteira (um ponto de não retorno) conhecido como “horizonte de eventos” – em inglês, event horizon, expressão da qual o EHT tirou o seu nome. No exterior dessa fronteira, forma-se o “disco de acreção”, constituído por uma acumulação de gás e poeira que gira em temperaturas e velocidades altíssimas. É esse redemoinho de matéria superaquecida que cria um contraste entre as áreas iluminadas e a região central. Parte dessa matéria será engolida pelo buraco negro e parte será ejetada. Acredita-se que todas as galáxias tenham buracos negros supermassivos em seu centro, embora poucos continuem ativos – esse é o caso, por exemplo, da Via Láctea. Já o buraco negro “fotografado” pelo EHT é do tipo supermassivo e ativo. Tem 6,5 bilhões de vezes a massa do sol, e continua capturando matéria. Por isso, no jargão astronômico, é classificado como núcleo galáctico ativo, ou simplesmente AGN – sigla em inglês para active galactic nucleus. Os AGNs são importantes objetos de estudo na astrofísica, pois os cientistas querem entender qual é o papel que desempenham na formação das estrelas e das próprias galáxias que os hospedam, por meio de processos como radiação, ventos e jatos. BAHLiderado pelo professor Rogemar André Riffel, do Departamento de Física da UFSM, o projeto aprovado pelo Alma intitula-se “Explorando a fase fria dos outflows em galáxias próximas com núcleos ativos” (Exploring the missing phase of outflows in nearby active galactic nuclei). Serão cinco as galáxias estudadas: NGC 5695, a 212 milhões de anos-luz; NGC 3884, a 349 milhões de anos-luz; NGC 1048A, a 534 milhões de anos-luz; UGC 8782, a 662 milhões de anos-luz; CGCG 012-070, a 711 milhões de anos-luz. O Grupo de Astrofísica também já havia observado algumas dessas galáxias em projetos anteriores, através dos telescópios Gemini (localizados no Chile e no Havaí) e do Telescópio Espacial James Webb. [caption id="attachment_70497" align="alignright" width="568"] Em 2022, o EHT divulgou a imagem de outro buraco negro: o Sagittarius A*, localizado no centro da Via Láctea[/caption] O projeto aprovado pelo Alma dará continuidade à pesquisa realizada por meio do Telescópio James Webb, na qual o grupo buscava mapear a cinemática da ejeção de gases moleculares (outflows) mornos e quentes produzidos na região interna de galáxias ativas. Agora estará em foco a radiação emitida por nuvens de gases frios produzidas pelos outflows. Essas informações permitirão “estudar com detalhes regiões onde estrelas estão se formando e investigar como o gás se comporta em diferentes ambientes do Universo”, informa o Grupo de Astrofísica da UFSM, em seu perfil no Instagram. Mais especificamente, serão observadas através do Alma transições de energia do monóxido de carbono (CO) e do monossulfeto de carbono (CS). Ambos os elementos se encontram na faixa de comprimento de onda entre 1,2 e 1,3 milímetro. Ao todo, o projeto da UFSM terá 7,5 horas de observação pelo observatório Alma, cujo 12º ciclo começa em 1º de outubro e tem encerramento previsto para 30 de setembro de 2026. A taxa de aprovação para esse ciclo foi de uma a cada sete propostas enviadas. Participantes – Além do professor Rogemar, também fazem parte do projeto aprovado os seguintes pesquisadores: Luis Colina Robledo e Ismael García-Bernete, ambos do Centro de Astrobiología (CAB), da Espanha; Marina Bianchin, doutora em Física pela UFSM, que agora está no Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC), da Espanha; Thaisa Storchi Bergmann e Rogério Riffel, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs); Miguel Pereira Santaella, do Instituto de Física Fundamental (Csic), da Espanha; Nadia Zakamska, da Johns Hopkins University, dos EUA. Pela UFSM, participam ainda quatro pós-graduandos em Física: Maitê Silvana de Zorzi de Mellos (mestranda), Gabriel Luan Souza de Oliveira (doutorando), José Henrique Costa Pinto Souza (doutorando) e Lucas Ramos Vieira (doutorando), o qual também é professor do Instituto Federal Catarinense (55BET Pro Concórdia). Texto: Lucas Casali]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/2025/04/17/curso-de-fisica-bacharelado-da-ufsm-recebe-nota-maxima-na-avaliacao-do-mec Thu, 17 Apr 2025 11:57:07 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/?p=5729

O Curso de Física – Bacharelado da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) recebeu conceito máximo (nota 5) na avaliação realizada pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). A visita da comissão avaliadora ocorreu entre os dias 19 e 21 de março, e envolveu uma análise criteriosa conduzida por professores designados pelo INEP.

A avaliação tem como objetivo verificar a qualidade dos cursos de graduação em instituições de ensino superior do país. O conceito obtido serve como um importante indicativo de excelência.

O processo avaliativo é dividido em três dimensões: organização didático-pedagógica, corpo docente e tutorial e infraestrutura. Ao todo, 57 indicadores compõem a avaliação do MEC, abrangendo itens como: objetivos do curso e perfil do egresso; estrutura e conteúdos curriculares; metodologia; atividades complementares; apoio ao discente; corpo docente e sua experiência e produção científica; atuação da coordenação, do colegiado e do Núcleo Docente Estruturante (NDE); espaço de trabalho para docentes e para o coordenador; salas de aula; acessos às bibliografias; laboratórios de informática; e laboratórios didáticos de formação básica e específica.

Para o coordenador do Curso de Física da UFSM, professor Muryel Pyetro Vidmar, a nota máxima é resultado do esforço coletivo de toda a comunidade do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE).

“O conceito cinco é importante tanto para a UFSM quanto para o curso de Física e o CCNE. Demonstra o alinhamento do trabalho da coordenação com a direção do CCNE, pró-reitorias e reitoria da UFSM. Ainda, essa conquista explicita a seriedade e qualidade desse trabalho coletivo que é desenvolvido diariamente com os docentes e técnicos administrativos, bem como demonstra o empenho e dedicação dos nossos estudantes.”

Após a divulgação do resultado, a coordenação do curso, o colegiado e os membros do NDE se reúnem para analisar o relatório final do MEC e discutir os pareceres com sugestões de melhorias. O momento é dedicado à troca de ideias, identificação de pontos positivos e desafios, além da busca por estratégias que garantam a continuidade da excelência nos próximos anos.

Texto: Tatiane Paumam, acadêmica do curso de Jornalismo da UFSM e bolsista na Subdivisão de Comunicação do CCNE.
Revisão e edição: Daíse dos Santos Vargas, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

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O Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) anuncia uma importante atualização no site dos Grupos Acadêmicos que compõem sua comunidade universitária. Formados por estudantes, professores e técnicos administrativos em educação, esses grupos se reúnem com o propósito de discutir, trabalhar e produzir conhecimento em diversas áreas relacionadas ao ensino, pesquisa, extensão e inovação universitária. 

Um levantamento anual destes grupos é realizado para que a comunidade tenha acesso às suas áreas de interesse e ao contato dos e das coordenadoras destes grupos. Estes são separados por áreas, organizadas conforme os seguintes temas: Biologia, Bioquímica, Educação, Estatística, Física, Geografia, Meteorologia e Química . Assim, neste ano de 2024, alguns grupos tiveram suas informações atualizadas e 12 grupos ingressaram na nossa página de Grupos Acadêmicos do CCNE. Confira as atualizações e novidades a seguir. 

BIOLOGIA:

Laboratório de Macroecologia e Conservação Marinha (LMCM)

Categoria: Ensino, Pesquisa e Extensão
Coordenadora: Profa. Dra. Mariana Bender
Contato: mariana.bender@gmail.com; malugallinaxavier@gmail.com
Site: benderlab.weebly.com

O Laboratório de Macroecologia e Conservação Marinha (LMCM) da UFSM está localizado no subsolo do prédio 17, sala 1005, na Universidade Federal de Santa Maria. Nosso grupo de pesquisa e extensão é dedicado ao estudo e divulgação da ecologia de peixes recifais, com ênfase nas áreas de macroecologia, ecologia funcional, histórica, pesqueira e serviços ecossistêmicos.

Através de nossas atividades, buscamos contribuir para a compreensão e conservação dos ecossistemas marinhos, promovendo a sustentabilidade e a preservação da biodiversidade. Nossos esforços estão direcionados para o desenvolvimento de pesquisas, que não só ampliem o conhecimento científico, mas que forneçam subsídios para políticas de conservação, uso sustentável e gestão de recursos e áreas recifais.

O LMCM colabora com outros laboratórios em todo o Brasil e no mundo, fazendo parte de uma ampla rede de pesquisa. No Brasil, esta rede inclui o Programa de Pesquisa em Biodiversidade PPBio – IntegraMar (CNPq), coordenado pela Dra. Mariana Bender. A rede IntegraMar conta com mais de 50 pesquisadores, e tem como objetivo desvendar a biodiversidade marinho-costeira do país integrando políticas públicas aos usuários destes recursos.

A diversidade dentro do nosso grupo é fundamental. O laboratório se orgulha de promover um ambiente inclusivo que valoriza diferentes perspectivas e experiências. Acreditamos que a diversidade fortalece a pesquisa, contribuindo para uma ciência mais representativa e impactante.

BIOQUÍMICA

Laboratório de Bioinformática e Evolução Viral – LaBEVir

Categoria: Pesquisa
Coordenador: Dennis Maletich Junqueira
Contato: dennis.maletich@55bet-pro.com

O Laboratório de Bioinformática e Evolução Viral (LaBEVir) está vinculado ao Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFSM e atua junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: Bioquímica Toxicológica (PPGBTox). O LaBEVir atua principalmente na análise de dados biológicos e epidemiológicos através de ferramentas de bioinformática e programação, visando elucidar padrões de evolução e disseminação de vírus de RNA, incluindo HIV, influenza, FeLV e vírus rábico. A equipe conta com alunos de graduação, mestrado e doutorado com ampla experiência nas áreas de virologia, biologia molecular, bioinformática, estatística e evolução. A experiência com a análise de dados moleculares permitiu, nos últimos anos, a consolidação de parcerias com importantes centros de pesquisa no Brasil, como o Instituto Pasteur/SP, Instituto Butantan/SP, Fiocruz/BA, Fiocruz/RJ, EMBRAPA e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

EDUCAÇÃO:

Grupo de Estudos e Pesquisas em TDIC – Ensino e Aprendizagem de Ciências (GEPTDIC)

Categoria: Pesquisa
Coordenador: Josemar Alves
Contatos: josemar.alves@55bet-pro.com; muryel.vidmar@55bet-pro.com

O Grupo GEPTDIC — criado e registrado no CNPq em 2023 — é constituído por estudantes de graduação, de pós-graduação (mestrado) e professores do Ensino Superior. As discussões e trabalhos do grupo estão organizados no sentido de investigar as potencialidades e as limitações da integração das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) no processo de ensino e aprendizagem de Ciências.

FÍSICA:

Strong Interacting Matter in Extreme Environments (SIMEE)

Categoria: Pesquisa
 Coordenador: Prof. Ricardo Luciano Sonego Farias
 Contatos:  Prof. Ricardo Farias: ricardo.farias@55bet-pro.com
Prof. Dyana Duarte: dyana.duarte@55bet-pro.com
Instagram: @simee_ufsm

A Cromodinâmica Quântica (QCD) é a teoria que explica a força nuclear forte, responsável por manter os núcleos dos átomos coesos, formando toda a matéria como a conhecemos. No grupo Strong Interacting Matter in Extreme Environments (SIMEE) estamos interessados em compreender os mecanismos envolvidos nesta força através de modelos efetivos, cujos resultados podem ser comparados com experimentos de colisões de íons em aceleradores de partículas – como o LHC e o RHIC – , com dados observacionais – como os obtidos a partir de da detecção recente de ondas gravitacionais – e com simulações computacionais.

Ciência POP – UFSM

Categoria: Extensão
Coordenadora: Prof. Dyana Cristine Duarte
Contato: dyana.duarte@55bet-pro.com
Instagram: @cienciapopufsm

O Grupo Ciência Pop – UFSM, criado em 2023, é constituído por estudantes de graduação e de pós-graduação das áreas de STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), bem como por professores do Ensino Superior. A iniciativa de extensão do grupo está organizada no sentido de: (i) desenvolver ações de divulgação e popularização científica baseadas nos projetos de pesquisa das diversas áreas da STEM da UFSM; (ii) disseminar, em linguagem acessível, conteúdos de teor científico para a população em geral; e (iii) valorizar o papel da mulher no âmbito da pesquisa acadêmica.

Laboratório de Gases do Efeito Estufa

Categoria: Pesquisa, Extensão e Inovação
Coordenadora: Débora Regina Roberti
Contato: labgeeufsm@gmail.com ; debora@55bet-pro.com 

O aquecimento global observado nas últimas décadas tem sido atribuído às atividades antrópicas que causam emissões dos gases de efeito estufa (GEE) para a atmosfera. As mudanças climáticas resultantes deste processo já foram percebidas pela sociedade global, que cada vez mais exige processos produtivos que minimizem as emissões de GEE e que os produtos resultantes sejam ‘carbono zero’. As cadeias produtivas que incorporarem esta demanda aos seus produtos, terão vantagens competitivas pela agregação de valor e abertura de novos e exigentes mercados nacionais e internacionais.

Neste contexto, um desafio técnico ainda existente é a correta estimativa das emissões dos GEE por um determinado setor da economia ou ecossistema. Inúmeras metodologias têm sido utilizadas. Especificamente para as medidas ambientais das emissões de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), o estado da arte é o método micrometeorológico de covariância dos vórtices turbulentos ou ‘eddy covariance’ que utiliza instrumentos reunidos em uma “torre de fluxo”. Este método integra as trocas de carbono totais de um ecossistema, quantificando a absorção e a emissão pelo conjunto de organismos nele existentes. O Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LabGEE), realiza pesquisas para quantificar as absorções e emissões de carbono (também denominado de balanço de C) em sistemas produtivos no RS utilizando torres de fluxo. Conjuntamente também determina o balanço de água e de energia. Estas pesquisas visam fornecer informações sobre os impactos das diferentes práticas nas absorções e emissões de C.

As torres de fluxo exigem equipamentos muito sensíveis e de alto custo, mas tem a significativa vantagem de permitir medidas contínuas ao longo do tempo (normalmente anos), que possibilitam inúmeras correlações com outras variáveis ambientais, como as causadas pelas ações humanas, possibilitando com isso avaliar formas de mitigar as emissões de carbono para a atmosfera. Além das trocas de CO2 e CH4, esta técnica permite estimar o consumo de água pelo ecossistema, através da evapotranspiração (fluxo de calor latente) e da energia disponível para aquecer a atmosfera (fluxo de calor sensível), as quais são relevantes em modelos hidrológicos, climáticos, de produção de grãos, entre outros.

GEOGRAFIA

Grupo de Pesquisa em Monitoramento e Planejamento Ambiental (GPMOPA)

Categoria: Pesquisa, Extensão e Inovação
Coordenadores: Pedro Daniel da Cunha Kemerich e Willian Fernando de Borba
Contatos: eng.kemerich@yahoo.com.br, pedro.kemerich@55bet-pro.com 
Site: http://www.55bet-pro.com/grupos/gpmopa
Instagram: @gpmopa

O grupo realiza pesquisa em áreas com potencial de contaminação ambiental, como aterros sanitários, cemitérios, mineração, dentre outras. Tem como principal objetivo elencar os impactos gerados pelas atividades e propor soluções para sua minimização. Também trabalha com o monitoramento e estudo dos recursos hídricos subterrâneos, incluindo um amplo levantamento dos usuários, potencialidades, demandas e qualidade físico-química das águas, a fim de garantir o correto gerenciamento dos recursos hídricos, preservando sua qualidade e quantidade para as futuras gerações. As metodologias empregadas contemplam levantamentos em campo utilizando métodos geofísicos, geológicos, pedológicos e geoquímicos, auxiliados por sensoriamento remoto, geoestatística aplicada, modelamentos e uso de ferramentas de SIG.

QUÍMICA

Laboratório de Microanalítica e Portabilidade (LABMAP)

Categoria: Pesquisa, Extensão e Inovação
Coordenador(a): Valderi Luiz Dressler
Contato: valderi.dressler@55bet-pro.com

O LABMAP está inserido no Departamento de Química da UFSM, realiza pesquisas junto ao Programa de Pós Graduação em Química, área de Química Analítica. Atua no desenvolvimento de metodologias analíticas para análise a campo de macro e micronutrientes, bem como contaminantes orgânicos e inorgânicos, em amostras ambientais, biológicas, fármacos e alimentos, utilizando métodos eletroanalíticos e espectrométricos.

Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas (LARP) e Centro de Ações Integradas para o Consumo Seguro de Alimentos e Conservação do Meio Ambiente (Centro SAMA)

Categoria: Pesquisa, Extensão e Prestação de serviço
Coordenador: Prof. Renato Zanella
Site: http://www.55bet-pro.com/laboratorios/larp 

O Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas (LARP) e o Centro de Pesquisa em Cromatografia e Espectrometria de Massas (CPCEM), criados em 2001, integram a estrutura do Departamento de Química da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e se destacam por desenvolver e aplicar métodos analíticos modernos para a determinação de resíduos de agrotóxicos, medicamentos veterinários, hormônios, fármacos, poluentes orgânicos persistentes e outros contaminantes em matrizes diversas. A qualificação da equipe permite o estabelecimento e aplicação de métodos modernos para determinação de resíduos e contaminantes em amostras de alimentos (frutas, vegetais, cereais, leite e derivados, mel, ovos, carnes (frango, gado e ovelha), pescados, vinho, dentre outros); amostras agroindustriais (plantas, farinhas, rações e café); amostras ambientais (água, solo, sedimento e ar) e biológicas (abelhas, animais silvestres, sangue e urina). O LARP é acreditado pela CGCRE/INMETRO desde 2013 e atua em projetos regulares de monitoramento que controlam os níveis de resíduos de  agrotóxicos e outros contaminantes em alimentos e amostras ambientais. 

Laboratório de Estudos de Propriedades e Interações Intermoleculares – LEPIIN vinculado ao Núcleo de Química de Heterociclos – NUQUIMHE

Categoria: Pesquisa e Extensão
Coordenadora: Caroline Raquel Bender
Contato: caroline.bender@55bet-pro.com
Instagram: @lepiin.ufsm

O LEPPIN tem por objetivo trabalhar na síntese e caracterização de novos materiais a base de nanopartículas (e.g., polímeros naturais e sintéticos, óxidos metálicos) e líquidos iônicos, para aplicações específicas na área de alimentos, cosméticos e/ou insumos farmacêuticos. Além da caracterização à nível macro e microscópico, o grupo de pesquisa tem interesse no reconhecimento e modulação de interações intermoleculares decorrentes nesses sistemas, que determinam as propriedades emergentes do novo material, através da utilização de experimentos de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) nos estados sólido e líquido. Além da pesquisa, o grupo realiza ações de extensão que visam à divulgação científica, inserção de jovens nas carreiras acadêmico-científicas e de mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

Laboratório de Superfícies e Macromoléculas – SM Lab

Categoria: Pesquisa e Inovação
Coordenadores: Daiani Canabarro Leite e Paulo Ricardo de Souza
Contato: ufsm.smlab@gmail.com
Instagram: @smlab_ufsm
Localizado no Prédio 13 do CCNE, sala 1131.

O SM Lab é um grupo de pesquisa liderado por professores da área de Físico-Química de Materiais. Nosso foco está no desenvolvimento e (auto)organização de sistemas (bio)poliméricos, associados ou não com surfactantes, substâncias bioativas e partículas inorgânicas. Os materiais desenvolvidos são processados na forma de filmes, hidrogéis e nanopartículas, com aplicações na área farmacêutica, biomédica e ambiental. O laboratório foi criado em 2024 e está cadastrado na plataforma de grupos do CNPq, podendo ser encontrado em: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/4071105387214685

Grupo de Química de Materiais

Categoria: Pesquisa e inovação
Coordenadora: Profa. Dra. Carolina Ferreira de Matos Jauris
Contato: carolina.matos@55bet-pro.com   
Redes sociais:
Instagram: @qgmate ; Facebook: gqmate/, X: gqmate

O Grupo de Química de Materiais (GQMate) tem como objetivo principal o desenvolvimento de nanomateriais sustentáveis, ou seja, nanomateriais planejados desde: i) a escolha preferencial por insumos naturais e origem nacional, pensando na geração de emprego e renda; ii) passando por uma síntese ambientalmente mais correta, através do uso de solventes como a água e uma redução de energia; iii) sem deixar de lado os aspectos de nanotoxicidade; iv) até suas aplicações, que visam aprimorar tecnologias destinadas a resolver desafios globais de sustentabilidade como a purificação de água, geração de energia e melhora na eficiência agrícola. 

O GQMate destaca-se pelo desenvolvimento ambientalmente amigável de nanomateriais baseados em grafeno, nanotubos de carbono, nanopartículas e nanocompósitos tecnológicos obtidos a partir de resíduos industriais. Além do desenvolvimento tecnológico de novos nanomateriais, o grupo busca compreender a ciência básica por trás de cada processo, para isso o GQMate conta com uma importante rede de colaboração de grupos da física, biologia e diferentes engenharias.

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Para mais informações sobre como participar ou para conhecer os demais grupos acadêmicos, clique aqui e, se desejar inserir informações e alimentar este site, entre em contato pelo e-mail: comunicacao.ccne@55bet-pro.com.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/02/29/ufsm-lanca-podcast-sobre-teoria-quantica-e-desinformacao Thu, 29 Feb 2024 12:42:35 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65273 A teoria quântica e o combate à desinformação científica são o foco do podcast O Q Quântico, lançado nesta quinta-feira, dia 29 de fevereiro. O Q Quântico é uma produção da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em parceria com a Universidade de Düsseldorf, da Alemanha. O podcast tem como objetivo discutir teoria quântica e suas possíveis relações com falas pseudocientíficas, abordando desde tecnologias atuais até curas milagrosas. 

Para um dos idealizadores do projeto, o pesquisador da teoria quântica e professor do Departamento de Matemática da UFSM, Leonardo Guerini, o período da pandemia despertou a convicção de que a comunidade científica precisa fazer um esforço maior para divulgar os conhecimentos que produz. “Olhando para a nossa área de pesquisa, a gente foi se dando conta de que poderia usar os conteúdos pseudocientíficos que estão presentes na internet, como saúde quântica, coaching quântico e vários produtos que se dizem quânticos, como um ponto de partida para discutir o que eles têm a ver (ou não) com os conceitos científicos da quântica”, destaca.

Pesquisadora de criptografia quântica na Universidade de Düsseldorf e também idealizadora do projeto, Gláucia Murta é ouvinte assídua de podcasts, que acompanham suas tarefas diárias, principalmente quando cozinha. “Eu acho que a importância de trazer a teoria quântica em um podcast é poder tratar de um tema que muitas vezes é visto como complexo e inacessível usando uma mídia que tem uma relação tão íntima com o ouvinte”, enfatiza a cientista. Para ela, o fato de a mídia sonora falar diretamente com o ouvinte é uma forma de aproximação que permite que o conteúdo se torne mais acessível. Luciane Treulieb, jornalista da UFSM que apresenta o programa ao lado dos cientistas, reforça o cuidado que a equipe teve ao adequar a linguagem para que pessoas que não são da área conseguissem entender mais sobre o assunto. “Meu papel no podcast é representar o público leigo, fazendo perguntas que o ouvinte faria e, sempre que possível, buscando aproximar a teoria quântica do dia a dia das pessoas”, ressalta. Para ajudar nessa tarefa, os roteiros d’O Q Quântico contaram com a consultoria da equipe do podcast Ciência Suja

O podcast O Q Quântico terá sete episódios, com lançamentos quinzenais, que vão confrontar questões da pseudociência com conceitos científicos como superposição, emaranhamento, dualidade onda-partícula, decoerência e consciência.

Sobre o podcast

Os episódios d’O Q Quântico estarão disponíveis em tocadores de podcasts como Spotify, Deezer, Amazon Music e também no YouTube. Mais informações sobre os episódios e conteúdos extras podem ser conferidos no site e no Instagram

Confira o teaser aqui

Escute o primeiro episódio aqui 

Sobre a equipe

O podcast é produzido por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e jornalistas.

Equipe do podcast, da esquerda para direita: José Vitor, Luciane, Leonardo, Samara e Gláucia.

Gláucia Murta: Física e pesquisadora em teoria da informação quântica e criptografia quântica na Universidade de Düsseldorf (Alemanha) e investigadora principal do cluster de excelência Matter and Light for Quantum Computing (ML4Q). Possui graduação, mestrado e doutorado em física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com doutorado sanduíche no Quantum Information Center in Gdańsk (KCIK) na Polônia. Também trabalhou como pós-doutoranda no QuTech na Delft University of Technology na Holanda.

Leonardo Guerini: Matemático e pesquisador de fundamentos da teoria da informação quântica. É professor no Departamento de Matemática da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Tem graduação e mestrado em Matemática pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutorado em Matemática pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutorado em Fotônica pelo Institut de Ciències Fotòniques (ICFO), vinculado à Universitat Politècnica de Catalunya. Também foi bolsista Serrapilheira de pós-doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e bolsista FAPESP de pós-doutorado no International Centre for Theoretical Physics – South American Institute for Fundamental Research (ICTP-SAIFR) em São Paulo.

Luciane Treulieb: Jornalista na UFSM, criadora e editora-chefe da Revista Arco, de jornalismo científico e cultural. Tem especialização em Divulgação e Popularização da Ciência pela Fiocruz, na qual estudou aspectos do jornalismo narrativo e ciência a partir da análise do podcast 37 graus. Também tem mestrados em Periodismo Documental, pela Universidad Nacional de Tres de Febrero (Argentina), e em Inovação na Comunicação de Interesse Público, pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Dirigiu o documentário “Depois daquele dia”, sobre a tragédia da Boate Kiss.

Samara Wobeto: Jornalista formada pela UFSM e mestranda em Comunicação no Poscom/UFSM, na linha de Estratégias Comunicacionais, com ênfase no estudo da acessibilidade no jornalismo. Faz parte do Grupo de Pesquisa Circulação Midiática e Estratégias Comunicacionais (Cimid/UFSM). Foi repórter bolsista na Revista Arco, e estagiária na TV 55BET Pro. Participou da 2ª turma do Programa InfoVacina, para reportar temáticas de saúde e vacinação. Fez os podcasts FuraBolha e Abaixo do Nível, além de participar do primeiro episódio do podcast Nossos passos vêm de longe

José Vitor Goulart Zuccolo: Jornalista recém-formado pela UFSM. Foi bolsista na função de social media no projeto C.Integra!, vinculado ao curso de odontologia/UFSM e bolsista do projeto O Q Quântico. Participou do programa Radar Esportivo, como produtor e apresentador, vinculado à Rádio Universidade, e que tem sua versão em podcast. 

Também contribuem para o projeto:

Mixagem: Felipe Barbosa

Suporte de gravação: Pablo Ruan

Música original: Pedro Leal David

Identidade visual e ilustrações de capa: Augusto Zambonato

Mídias sociais: Milene Eichelberger

Desenvolvimento do site: Daniel de Carli

Contato

Site:  http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-q-quantico

Instagram: http://www.instagram.com/oqquantico/ 

E-mail: oqquantico@gmail.com

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/2024/02/29/ciencia-com-o-ciencia-pop-ufsm-conheca-o-projeto-de-divulgacao-cientifica-na-ufsm Thu, 29 Feb 2024 11:59:09 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/?p=4799

Na tentativa de desmistificar o universo complexo da Ciência, um grupo interdisciplinar de docentes e estudantes da UFSM criaram o projeto de extensão "Divulgação científica nas áreas de STEM: POP SCIENCE UFSM".  Esse foi criado em 2023 e, desde então, tem se destacado como uma ponte essencial entre a academia e a comunidade em geral. Com o objetivo de popularizar o conhecimento científico nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Em um cenário acadêmico diversificado, essa iniciativa singular da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem se consolidado como um veículo para conectar o mundo da pesquisa científica com o público que vai além da cidade universitária.

Explorando as origens do projeto 

Após o impacto da pandemia e o retorno das aulas presenciais, a professora do departamento de Física, Luciana Renata de Oliveira, uma das colaboradoras do projeto, fez um convite a um grupo de estudantes para discutir sobre pesquisa e iniciação científica. A iniciativa nasceu com o propósito de proporcionar aos alunos o acesso direto à pesquisas que estavam sendo desenvolvidas dentro dos laboratórios da UFSM. Além disso, objetivou que os graduandos pudessem procurar por oportunidades de iniciação científica em plataformas mais acessíveis e descontraídas.

[caption id="attachment_4800" align="alignright" width="332"]Logo do projeto Ciência POP UFSM. Logo do projeto Ciência POP UFSM.[/caption]

Durante reuniões pós-pandemia, a Profa. do Departamento de Física, Dyana Cristine Duarte, coordenadora do Ciência Pop UFSM, contou que diversos temas foram abordados. Dentre eles, surgiram propostas de curso de programação em Python, liderado pelo professor Jáderson Schimoia, e uma parceria com o professor Lúcio Strazzabosco Dorneles em um projeto de ensino chamado “GET Grupo de Estudo Tradução”, focado na tradução de artigos científicos do inglês para o português. Com o envolvimento dos graduandos no “GET”, foi pensado em um canal para divulgar os materiais traduzidos, sendo o Instagram a rede social escolhida.

Porém em 2022, percebendo que os estudantes motivados pela diversidade de conhecimentos gerados em seus respectivos cursos de Física, Engenharias, Química, Ciências Biológicas e Metereologia decidiram ampliar o projeto. A parceria com o “GET” foi finalizada e o novo projeto chamado Ciência Pop UFSM, que ainda possui traduções de artigos, expandiu seu conteúdo com postagens informativas que abordassem a ciência e a tecnologia. Nossa preocupação inicial e principal objetivo era de que as postagens tivessem uma linguagem acessível e que elas pudessem ser lidas e entendidas por não-especialistas”, relata, Dyana. 

Com os participantes do projeto empenhados em dar continuidade ao trabalho, e a página do Ciência Pop UFSM ganhando mais visibilidade e engajamento com o passar dos meses, a professora Luciana convidou os docentes Dyana Duarte e Josemar Alves, do departamento de Física, a criarem uma proposta que o transformaria em um projeto de extensão. Atualmente, o Ciência Pop UFSM conta com a colaboração de quatro professores e soma a atuação de 20 estudantes que contribuíram e contribuem para a página do Instagram desde seu início.

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Quais critérios utilizados para a seleção dos conteúdos

De acordo com a professora Dyana, os conteúdos são escolhidos com base nos interesses dos próprios graduandos que participam do projeto: “Temos por premissa que eles são os que têm maior probabilidade de identificar quais são os tópicos de ciência e tecnologia de maior interesse do público mais jovem”.  E complementa que, desta maneira, é possível trazer mais diversidade de assuntos fazendo com que os estudantes que acompanham o Ciência POP UFSM no Instagram possam se identificar a partir das vivências daqueles que publicam o conteúdo.

É importante ressaltar que todos os participantes fazem parte dos cursos de Ciências Exatas e da Terra, Ciências Biológicas e Engenharias, então os conteúdos que interessam a eles estão, na maioria das vezes, relacionados a essas áreas. Por ser um projeto recente, ainda não existe uma metodologia concreta. Porém, o Ciência POP trabalha com quatro séries de postagens, todas escolhidas de maneira conjunta, de acordo com o interesse e motivação dos participantes:

[caption id="attachment_4801" align="alignleft" width="332"] Foto: Arquivo Ciência POP UFSM, 2024.[/caption]

 - Traduzindo: os alunos selecionam os últimos artigos de divulgação das revistas Nature, Science, Scientific American, etc. Após isso, realizam uma votação para decidir quais artigos irão traduzir.

- Curiosidades: os próprios alunos escolhem os temas sobre os quais eles querem “falar”. Esses temas podem ser relacionados com a pesquisa dos laboratórios em que eles fazem iniciação científica  ou, então, acerca de algum assunto que considerem interessante.

- CientistAS: breve descrição dos perfis das pesquisadoras, visando valorizar o espaço da mulher na ciência. A escolha dessas mulheres se dá a partir da indicação dos alunos que compõem o projeto ou de algum destaque que as pesquisadoras possam ter na mídia.

- Para além do arco: divulgação de eventos em que os alunos ou os professores da UFSM tenham participado.

Segundo Dyana, realizar as postagens da série “Tradução” é um dos principais desafios, pois além de se ter conhecimento mais aprofundado sobre o assunto, é difícil conseguir fazer o uso de uma linguagem acessível e sintética sem alterar os conteúdos originais. Por isso, uma das formas que os participantes encontraram para facilitar o entendimento e manter o interesse dos seus seguidores é utilizar recursos como imagens chamativas e frases curtas.

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Mulheres na Ciência

Além da divulgação científica, o projeto também tem como foco convidar graduandas da UFSM para fazerem parte do Ciência POP UFSM, garantindo uma representação inclusiva. Com isso, é incentivada, ativamente, a participação das mulheres para a área de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) tanto da comunidade interna quanto externa à UFSM. Um dos exemplos de representação feminina é a série “CientistAS”, em que são realizadas publicações que buscam destacar professoras e pesquisadoras da UFSM. 

Segundo a colaboradora do projeto, Luciana de Oliveira, a inclusão feminina sempre foi algo que chamava a sua atenção, por isso sentiu a necessidade de ter um grupo de divulgação dentro da UFSM que abordasse temas de representatividade feminina como um de seus pilares. “Com as nossas ações, acredito que estamos caminhando para uma maior inclusão e permanência de mulheres nas áreas da STEM.”

 Porém, a representação não fica apenas em publicações de conteúdos ou na divulgação de outras páginas de mulheres cientistas. A coordenadora do projeto, relata que, em 2023, o Ciência POP UFSM levou três graduandas do curso de Física para participarem de dois eventos em São Paulo, como forma de incentivo à participação de mulheres nas ciências.  Abaixo, algumas informações sobre os eventos:

  1. [caption id="attachment_4802" align="alignright" width="322"] Professoras Luciana e Dyana com a graduanda Julia Vitória Ribeiro no Increasing Diversity em São Paulo.[/caption] Increasing Diversity and Inclusion in Science (Aumentando a diversidade e inclusão na ciência): Encontro que visa capacitar cientistas em início de carreira, especialmente aqueles sub-representados em física e STEM, fornecendo ferramentas para avanço profissional, e discutir as dificuldades enfrentadas por esses grupos, propondo estratégias para reduzir as lacunas. Além de abordar a disparidade de gênero, o evento visa promover a inclusão e diversidade em STEM, reconhecendo que a colaboração de pessoas com diferentes origens e experiências é crucial para enfrentar os desafios globais.
  2. "Proposals to Boost STEM Participation in Underrepresented Groups(Propostas para impulsionar a participação em STEM de grupos sub-representados)": Evento que visa explorar e apresentar esforços para aumentar a participação de grupos sub-representados em carreiras STEM, com atenção especial às populações afro-brasileiras, indígenas e de baixa renda.

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Relatos: 

[caption id="attachment_4808" align="alignleft" width="322"] Exemplos de publicações informativas que realizam a divulgação científica através do Instagram do projeto Ciência POP UFSM (@cienciapopufsm).[/caption]

É possível perceber a inclusão e representação no CIÊNCIA POP UFSM? 

Para Júlia Vitória Ribeiro, acadêmica do curso de Física Bacharelado: 

“Os professores responsáveis escutam todas as ideias dos alunos e estão sempre abertos a ouvirem opiniões, sempre se ligando em datas importantes e dando importância para os integrantes, quando alguém apresenta um trabalho, mesmo não tendo relação com o projeto, é divulgado na página. Sem contar as homenagens que os integrantes recebem.”

Patricia Tomalak Liss, acadêmica do curso de Engenharia de Telecomunicações:

“Sim, percebo minha inclusão e representação como mulher no Pop Science (Ciência POP). A inclusão no meu ver acontece através dos post que temos para as mulheres na ciência, que também contam como representação. Já que eu já me sinto uma pesquisadora, ou melhor dizendo uma mulher na ciência.”

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À medida que o Ciência POP UFSM continua fazendo o possível para tornar a ciência acessível a todos, os integrantes convidam o público a se juntar a essa jornada de descobertas. Para acessar os conteúdos produzidos pelo grupo, basta visitar o Instagram: @cienciapopufsm, onde as publicações são compartilhadas todas as quartas-feiras, acompanhadas de materiais adicionais nos stories. Além disso, a equipe estende um convite a professores e estudantes interessados em divulgar suas apresentações, participações em congressos, reuniões e eventos nesta página a entrar em contato pela própria página do Instagram. 

 

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

Revisão e edição: Natália Huber da Silva, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.


 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/2023/12/18/vozes-femininas-reflexoes-sobre-as-mulheres-na-ciencia-no-workshop-in-complexity-of-water-and-ohter-liquids Mon, 18 Dec 2023 19:53:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/?p=4755

No início deste mês, a Universidade Federal de Santa Maria sediou a 14ª edição do Workshop in Complexity of Water and Other Liquids. O evento, com duração de três dias, foi organizado pelos docentes da UFSM Carolina Jauris, do Departamento de Química, Mateus Köhler do Departamento de Física, pelos docente da UFPel José Bordin da Universidade Federal de Pelotas  e pela docente da UFRGS Marcia Barbosa, atualmente Secretária de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A reunião aconteceu no auditório C, anexo ao prédio 18 do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE). O workshop visou reunir diversos grupos do Brasil e do exterior que trabalham com líquidos, interfaces líquido-sólido e soluções aquosas para discutirem sobre os mais recentes resultados na área. 

O primeiro dia foi direcionado ao evento satélite “Mulheres na Ciência” vinculado ao Workshop, que contou com a apresentação de teatro “A saga de Carlota” e a mesa redonda Parents In Science  - paternidade/maternidade na ciência em português - com a participação das cientistas renomadas Marcia Barbosa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carolina Brito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Lucimara Roman da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o debate foi mediado pela Profª Daiani Leite da UFSM. 

Cerimônia de abertura 

Durante a abertura do evento, a Profa. Carolina Jauris, do Departamento de Química da UFSM e integrante da Comissão Organizadora deste, iniciou, marcando o segundo ano consecutivo deste evento em Santa Maria, que ocorre desde 2010. Além de agradecer a todos os presentes, a docente chamou ao palco a Pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa (PRPGP) e docente do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, Cristina Nogueira, para proferir algumas palavras antes do início das apresentações.

[caption id="attachment_4758" align="alignleft" width="368"] Cerimonia de abertura pela Profa. Carolina Jauris[/caption]

Em sua fala, a Pró-reitora expressou sua admiração pela coragem das palestrantes da mesa redonda e das responsáveis pelo teatro, Carolina Brito e Marcia Barbosa em abordar "verdades inconvenientes", como a não valorização das mulheres  cientistas. Ela ressaltou um ponto marcante: a ausência, ao longo dos 60 anos da UFSM, de uma Vice-Reitora em gestões passadas e a recente inclusão de uma Vice-Reitora e Pró-Reitora de Pós-graduação e Pesquisa na nova gestão. Com isso, destacou a presença minoritária de mulheres em cargos de destaque na instituição, apontando a desigualdade de gênero nos níveis mais altos de gestão.

A professora também compartilhou sua experiência quanto à distribuição espacial em reuniões de gabinete, onde os homens sentam inicialmente nas cadeiras disponíveis, deixando as mulheres para trás. Ela revelou a mudança ao longo do tempo, com as mulheres se organizando para ocupar os lugares, formando um grupo coeso durante as reuniões.

A ciência como ela é: “A saga de Carlota” 

[caption id="attachment_4756" align="alignright" width="368"] Peça "A saga de Carlota", apresentado pelas cientistas Carolina Brito e Marcia Barbosa[/caption]

Carolina Brito, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e protagonista da peça, relata que suas experiências eram usualmente apresentadas em slides. Contudo, um momento desafiador surgiu quando teve que compartilhar esses episódios em um ambiente fora do ambiente acadêmico, sem recursos técnicos. Foi então que optou por transformar esses slides em uma peça teatral.

“A saga de Carlota” é uma peça que aborda temas relacionados à ciência, mas especificamente focada na figura de Carlota, nome da personagem principal, igualmente  cientista, como a atriz que a interpreta.

[caption id="attachment_4757" align="alignleft" width="368"] Trecho da apresentação no auditório Marie Curie, anexado ao prédio 17 da UFSM[/caption]

A narrativa  aborda momentos específicos da jornada de Carolina, revelando os desafios enfrentados desde a infância até seu doutorado. Dentre estes, estão questões como maternidade, assédio por parte de professores e colegas, participação feminina na esfera política, preconceitos acadêmicos, assédio de superiores e questões de diversidade racial. Frequentemente, ela apresentava um olhar crítico e cômico sobre o universo da pesquisa científica e suas nuances.

Para quem quer mais informações sobre a peça teatral, ela se encontra disponível no canal do Youtube NAPEAD através da playlist “Meninas na Ciência” também e pode ser ouvida em formato de podcast no site da UFRGS.

 

Mesa Redonda: “Parents In Science”

A mesa redonda propôs aprofundar as discussões sobre gênero e maternidade na ciência. Teve como objetivo explorar e compartilhar experiências  para promover a inclusão de diversas gerações de mulheres no campo científico, sendo mediada pela Profª Daiani Leite, do Departamento de Física da UFSM. A dinâmica do debate abordou temas tratados na peça teatral, ampliando para a questão mais complexa:a maternidade na ciência. Com o intuito de inspirar as mulheres presentes e destacar as questões persistentes relacionadas às mulheres na sociedade e no ambiente acadêmico, finalizaram com um diálogo interativo entre elas e o público. 

Na mesa de debate, o primeiro tópico abordado foi o fenômeno conhecido como “efeito tesoura” ou “funil”. Este efeito evidencia que, embora as mulheres sejam maioria na graduação e pós-graduação, essa representação diminui consideravelmente em áreas como pesquisadoras recém-contratadas, bolsistas de produtividade e cargos de liderança superiores, ou seja, representados pela ponta do funil ou da tesoura. Surgiu, então, a indagação sobre as experiências das palestrantes em relação a esse fenômeno ao longo de suas trajetórias e se isso continua sendo um problema. 

Lucimara Roman (UFPR) compartilhou sua visão, apontando que esse efeito tem uma amplitude considerável, e relembra que, em sua época de estudante, eram poucas mulheres que ingressavam em cursos como química, física e engenharia. Embora a situação atual seja diferente, a progressão dessas mulheres para posições de destaque ainda é limitada. Ela ressaltou, ainda, que esse tipo de obstáculo pode influenciar a autoconfiança, levando muitas a duvidarem de sua competência e, consequentemente, a se absterem de assumir cargos condizentes com seu potencial. Além disso, relembrou uma experiência pessoal durante seu mestrado na UFPR:

 “Fui a um congresso onde todos os alunos recebiam hospedagem e alimentação. Ao chegar para pegar meu quarto, o atendente disse que não havia quartos para meninas. Tive que procurar outro lugar e pagar com meu próprio dinheiro.” 

- Lucimara Roman (UFPR)

Na discussão, a mediadora, Profª. Daiani, retoma um aspecto crucial destacado nas respostas: a autoexclusão e a exclusão às mulheres imposta pela sociedade. Ela aponta que, muitas vezes, as mulheres agem somente quando têm certeza de que vão acertar, vivenciando uma constante vigilância para realizar as ações da maneira mais correta possível, visando evitar julgamentos. Isso se contrapõe à postura masculina, onde há uma maior disposição para assumir responsabilidades e riscos, independente do resultado, e, mesmo que não alcancem o sucesso, são menos julgados, recebendo uma avaliação como “ele não conseguiu, mas ao menos tentou”. Essa discrepância nos padrões de julgamento baseados no gênero pode impactar profundamente as mulheres no ambiente acadêmico e profissional.

A segunda questão em discussão foca em “como alcançar de maneira efetiva aqueles que precisam ouvir” o que foi discutido durante a mesa redonda. O público presente pode carregar preconceitos inconscientes, mas demonstra, ao menos, um mínimo interesse em compreender e aprender sobre o tema. No entanto, a preocupação central é como atingir aqueles que não estão presentes, mas que deveriam estar, ampliando o alcance das discussões para além do grupo atual.

[caption id="attachment_4759" align="alignright" width="426"] Mesa redonda composta pelas cientistas Lucimara Roman (UFPR), Marcia Barbosa (MCTI) e Carolina Brito (UFRGS) mediado pela Profª Daiani Leite da UFSM[/caption]

Marcia Barbosa (MCTI) recorda um evento da Sociedade Brasileira de Física em que esse tópico foi abordado pela primeira vez. Durante um encontro que reunia membros da comunidade, incluindo mulheres, surgiu uma discussão que, ao despertar a curiosidade, colegas interromperam suas atividades para criticar. Barbosa observa que esses críticos não haviam contribuído com artigos sobre o tema, mas todos defendiam apenas “opiniões” sobre o porquê não havia mulheres na ciência. Ela enfatiza a necessidade de apresentar dados, artigos e números concretos em vez de depender de suposições ou achismos. A pesquisadora destaca o impacto desse movimento e que começou a partir desta vivência criar um grupo dedicado a buscar dados, números e políticas concretas.

Para a terceira questão, a Profa. Daiani apresentou dados do artigo intitulado Bias against parents in science hits women harder - O preconceito contra os pais na ciência atinge  mais severamente as mulheres, traduzido para a língua portuguesa - , publicado neste ano, que explorou a perspectiva de pais e mães que atuam como professores. Este estudo revelou um viés negativo associado à maternidade, sugerindo que ser mãe pode ser percebido como um obstáculo para o avanço na carreira acadêmica, em vez de ser encarado como um caminho para o sucesso.

A sentença apresentada aos participantes desta pesquisa foi a seguinte: "Ter filhos não mudou as percepções dos meus colegas e chefia em relação ao meu comprometimento e competência em relação ao meu trabalho." Curiosamente, 63% dos pais concordaram com essa afirmação, enquanto 35% das mães concordaram completamente com a frase.

Neste contexto, foi proposto que as professoras e pesquisadoras Carolina e Lucimara compartilhassem suas experiências com a maternidade e respondessem à questão levantada na pesquisa, baseando-se em suas vivências pessoais, expressas a seguir.

Carolina Brito (UFRGS) compartilha uma perspectiva diferenciada sobre a maternidade aos 45 anos. Ela recorda que, até seus 39 anos, tinha uma visão diferente das mulheres grávidas, mas ao considerar as estatísticas que apontam para maiores complicações após os 35 anos, percebeu a dimensão biológica dessa questão. “Em que momento da minha vida, eu que me considero uma pessoa científica, ignorei a ciência?” , reflete Carolina; mas reconhece que, na vida acadêmica, é comum que as pessoas se estabeleçam tardiamente, complementando: “podemos tudo, exceto o que a biologia não deixa.” 

Sua experiência pessoal, como mãe de um bebê prematuro, foi intensa no início, mas que atualmente está tudo bem. Ela levanta a questão das dificuldades enfrentadas pelas acadêmicas, especialmente aquelas na graduação, que não têm direitos assegurados por lei, como licença maternidade. Em contraste, as estudantes de pós-graduação têm um período definido, embora insuficiente, de quatro meses. Este tempo é auxiliar no processo, mas não resolve a questão em sua totalidade. 

Em complemento, uma vitória a favor das mães pós-graduandas a nível nacional, neste ano, foi a aprovação do Projeto de Lei nº 1.741/2022. Este institui o direito à prorrogação de prazos de defesas de dissertação ou tese a mulheres que se tornaram mães durante a realização dos cursos. Com essa garantia, não precisarão se preocupar em produzir conteúdos e produtos científicos no período de licença maternidade, possibilitando se dedicar mais aos cuidados maternos. 

Desde o início, Lucimara Roman (UFPR) não planejava ser mãe, seu foco estava na carreira científica e a maternidade chegou trazendo um amadurecimento inesperado. Sentia que precisava planejar para conciliar o sucesso na ciência com a maternidade. Ter liberdade e apoio para equilibrar ambos seria seu desejo ideal, mas a realidade foi diferente. Ingressou como professora e consolidou seu laboratório. Quando viu seus primeiros alunos prontos para lidar com o laboratório durante sua licença maternidade, decidiu ter filhos, um total de três. 

Lucimara também relembra outra situação: antes do nascimento do filho previsto para outubro, ela comunicou ao chefe de Departamento sobre a necessidade de agilizar a busca por um professor substituto devido à licença maternidade. No entanto, o chefe não compreendia a urgência e chegou a questionar: “Lucimara, por que você está falando tanto disso? São apenas dois, três dias de aulas perdidas, que diferença faz, é só repor depois”. Lucimara teve que explicar: “Veja, eu não sou o pai, eu sou a mãe da criança”, relembrando o chefe de que o afastamento materno é de quatro a seis meses e não apenas 20 dias como o afastamento paterno - que é outra questão relevante a ser debatida. 

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Alguns comentários que surgiram durante o debate:

  • "Onde estão as pessoas pretas e como podemos incluí-las mais nestes ambientes?" Essa foi a primeira pergunta realizada pela Profa. Adjunta da UFSM Luciana de Oliveira que estava na plateia.

A Profa. Daiani, como mediadora, respondeu mencionando que não foi possível abordar o tema das mulheres pretas e indígenas, citando dados sobre uma pesquisa realizada pelo Parent in Science ainda deste ano onde é possível observar que de 1.192 bolsas ofertadas do painel do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) apenas 27,2% são para mulheres e nenhuma delas se autodeclara preta ou indígena para cargos de nível 1A (cargo alto, onde pesquisadoras que possuem liderança científica), o que evidencia mais um problema a ser enfrentado. 

Carolina (UFRGS) acrescentou que é difícil discutir sobre mulheres na ciência sem considerar a representatividade das mulheres pretas e indígenas. Ela ressaltou também a importância de ampliar essa discussão para incluir outras questões, como a presença de pessoas com deficiência. O consenso foi que a ausência dessas vozes no evento foi alarmante e merece ser abordada com urgência.

  • “Como diferenciamos o autoritarismo de uma pessoa com o machismo descarado?”, perguntou uma acadêmica de curso da área das ciências exatas que estava na plateia. 

Marcia (MCTI) respondeu apontando que entre o autoritarismo e o machismo não existem diferenças e que pode ser considerado como assédio moral. Ela enfatizou a importância de garantir que a instituição tenha estrutura para receber denúncias desse tipo. Além disso, aconselhou a buscar apoio dos colegas, pois a união nesse tipo de situação pode fortalecer as denúncias. Sugeriu recorrer a lugares como ouvidoria, comissão de graduação e chefia de departamento, enfatizando a importância de não enfrentar esse tipo de situação sozinha. “O poder e a proteção que a instituição tem uns com os outros sempre terminam fragilizando a estudante que faz a denúncia”, relata Marcia.

  • A terceira questão levantada por Alexsandra dos Santos, doutoranda em Física na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e mãe de Lorena, aborda a percepção da maternidade como um obstáculo, apesar de não ser subjetivamente um empecilho.

A estudante destaca a diferença entre igualdade de direitos e equidade, ressaltando que mulheres mães não necessariamente precisam dos mesmos direitos que os homens, pois as circunstâncias são distintas. Alexsandra menciona a atual licença maternidade de quatro meses da criança, contrastando com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) que recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, questão já enfatizada por Lucimara em sua fala. Além disso, aponta a falta de estrutura e suporte nas instituições acadêmicas, como a ausência de locais para retirar e armazenar o leite materno, fraldários, cadeirinhas e espaços de acolhimento para bebês. Assim, ressalta que a falta de infraestrutura comunica a exclusão das mulheres e dos pais que se preocupam com a paternidade ativa.

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Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

Revisão e edição: Natália Huber da Silva, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

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No último sábado (23), a Praça Saldanha Marinho, localizada no Centro de Santa Maria, recebeu a primeira edição do “CCNE na Praça”. O objetivo deste evento inédito foi de mostrar à comunidade local amostras do que os graduandos das áreas de ciências naturais e exatas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) aprendem durante os semestres, além de desmistificar estigmas relacionados aos cursos. Desde a manhã até o início da tarde, uma série de apresentações cativantes foram oferecidas, atraindo um público diversificado, composto por crianças, jovens, adultos e idosos garantindo grande  inclusão social nos temas apresentados.

O evento foi idealizado por três estudantes da disciplina de Assessoria de Relações Públicas da UFSM que atuam na Subdivisão de Comunicação do CCNE. A ideia inicial surgiu além da vontade destes três estudantes, igualmente, dos estudantes do CCNE, que em pesquisa realizada no início de 2023, responderam que gostariam de participar de eventos de divulgação e popularização científica fora da UFSM. Através do apoio da Subdivisão de Comunicação, da Direção do Centro, da Subdivisão de Patrimônio, Jardim Botânico da UFSM, Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica e dos cursos participantes, o 1º CCNE na Praça é considerado um evento que obteve sucesso, com a curiosidade e participação de centenas de pessoas que passaram pela Praça Saldanha Marinho neste sábado.

Exposição das Ciências Naturais do CCNE na praça

[caption id="attachment_4724" align="alignright" width="386"] Representantes do curso de Biologia da UFSM no CCNE na praça[/caption]

No estande da Biologia, os visitantes puderam ser transportados para além do visível a olho nu, a um universo microscópico. Através da visualização de processos e estruturas celulares, os visitantes que nunca tiveram contato com a microscopia ou até mesmo lentes comuns de aumento como a lupa, puderam visualizar a ciência do “não visível”, desconstruindo algumas de suas concepções inatas e ensinadas ao longo da vida. Entre lupas e modelos didáticos, animais taxidermizados e fixados criaram uma atmosfera interativa, enquanto plantas nativas exibiam a beleza da flora local. Os moldes para criação de réplicas de fósseis  e as culturas de bactérias e moscas-das-frutas despertaram a curiosidade dos presentes, explorando os segredos da vida em suas mais diversas formas.

Giulia Xavier, estudante do 6º semestre, comenta que a linguagem científica é complexa, então eles se esforçam para simplificar ao explicar para as crianças. Por exemplo, ao falar sobre moscas, eles dizem que as larvas são seus “filhotinhos”; ao abordar sobre o estágio pupal das moscas,dizem que esse é o momento em que as moscas imitam as borboletas e fazem um casulo. Mas ela reforça que a linguagem é variada: “Apareceram médicos aqui e eles já sabiam do que estávamos falando sem precisar adaptar nada”, diz Giulia.

[caption id="attachment_4725" align="alignleft" width="386"] Público observando os estandes de Ciências Biológicas[/caption]

A principal expectativa dos organizadores do estande da Biologia em relação ao que o público levará na memória é baseada nos temas apresentados. Uma atenção especial foi dada aos animais peçonhentos, como serpentes e aranhas. A intenção foi demonstrar que uma serpente ou aranha, com determinado padrão de cores, não representa uma ameaça e não precisa ser morta. Além disso,  a estudante entrevistada destacou a importância de apresentar alternativas a desafios mundiais à saúde e ao meio ambiente, como as microalgas que auxiliam na produção de oxigênio e as larvas com propriedades curativas. Giulia acredita que essa abordagem pode ter um impacto ambiental positivo, ajudando a desfazer estereótipos e contribuindo para uma melhor compreensão de processos naturais e preservação da biodiversidade.

 Para finalizar, a estudante espera que o conhecimento adquirido no evento seja ótimo, fazendo com que a comunidade internalize a ideia de respeito aos animais e a natureza e que essa experiência em praça pública possa despertar o interesse das pessoas em conhecer os laboratórios da UFSM e seus projetos, principalmente entre as crianças que futuramente estarão em processo de escolha profissional.“Que elas possam se apaixonar por um curso, igual à gente”, finaliza Giulia, considerando o ato como um dos aspectos mais relevantes da divulgação científica. 

[caption id="attachment_4723" align="alignright" width="386"] Representantes do curso de Geografia da UFSM[/caption]

No estande de Geografia, jogos didáticos como o Twister Cartográfico, transformaram o aprendizado em uma experiência divertida. Os posters expostos da residência pedagógica em licenciatura convidaram os visitantes a se integrarem no universo educativo, revelando novas perspectivas sobre o ensino da disciplina.

Júlia Landó e Alisson Soares, graduandos de Licenciatura em Geografia que atuam em uma escola de ensino básico no bairro Santa Marta, abordaram a divulgação de trabalhos que são realizados na escola.  Elementos lúdicos adaptados, como o Twister  com coordenadas geográficas, foram levados à praça na tentativa de tornar o tema mais acessível  à comunidade em geral.

[caption id="attachment_4731" align="alignleft" width="386"] Crianças participando dos jogos trazidos pelos representantes de Geografia[/caption]

A intenção foi promover conhecimento de geografia através do programa Residência Pedagógica Geográfica da UFSM, ressaltando a importância de tornar esses programas mais conhecidos. Alisson mencionou: "Queremos que as pessoas saibam mais sobre a geografia através da residência, já que muitos não têm essa informação". Ele enfatizou que o evento foi uma oportunidade de apresentar programas universitários para aqueles menos familiarizados com o ambiente acadêmico, algo semelhante à sua experiência antes de ingressar na licenciatura.

Júlia Landó complementou a discussão, ressaltando a importância da divulgação científica em eventos como esse para diminuir a distância entre a UFSM e a comunidade. A estudante destacou que muitas pessoas, especialmente na Zona Oeste e Zona Norte de Santa Maria, não têm conhecimento do que é produzido na universidade. "Trazer a divulgação científica em eventos como esse é interessante para que a comunidade possa ter uma visão das possibilidades e ter conhecimento do que é produzido na cidade", concluiu a graduanda.

Ciências Exatas do CCNE na praça

[caption id="attachment_4717" align="alignleft" width="386"] Representantes do curso de Estatística no CCNE na praça[/caption]

No estande do curso de Estatística, a diversão encontrou os números em uma série de atividades interativas. O público foi desafiado a prever suas alturas através de um questionário, enquanto testes de conhecimentos gerais ofereciam prêmios para aqueles que atingiam taxas de acerto mais altas. E, para os amantes de jogos de estratégia, o curso ofertou  rodadas de Poker, revelando como a Estatística está em toda parte, inclusive nas cartas que viram.

[caption id="attachment_4732" align="alignright" width="171"] Público interagindo no Jogo de Poker [/caption]

Beatriz Buffon, graduanda do 4º semestre de Estatística, compartilhou como planejaram a diversidade de atividades para atender às diferentes faixas etárias e níveis de conhecimento do público presente no evento. A estratégia incluiu a apresentação de testes de previsão de altura e conhecimentos gerais, utilizando modelos de probabilidade. Pôsteres com temas que estão em alta, como a inteligência artificial, foram usados para despertar o interesse pelo curso. Além disso, jogos de Poker também foram oferecidos, mostrando como a estatística está presente em situações cotidianas permitindo interações únicas que, segundo Beatriz, são menos comuns na rotina universitária. 

Quanto ao impacto da divulgação científica, a estudante acredita que é algo significativo, pois mesmo para aqueles que não fazem parte do meio acadêmico, o evento é capaz de atrair e demonstrar a importância da Universidade. Ela ressaltou como a educação é conduzida por meio de pesquisas e bolsas, evidenciando o trabalho dos cursos e incentivando a comunidade local a se engajar mais com a instituição.

 

[caption id="attachment_4722" align="alignleft" width="386"] Representantes do curso de Matemática[/caption]

O estande de Matemática ofereceu uma jornada interativa no mundo dos números e desafios lógicos. Dos jogos didáticos à visualização de situações geométricas, cada atividade foi um convite à descoberta. Além disso, os representantes dos cursos de Matemática apresentaram seus projetos de pesquisa e extensão, destacando programas como o Programa de Educação Tutorial (PET) e o Programa de Iniciação à Docência (PIBID). Para finalizar, os profissionais também explicaram sobre as oportunidades existentes nos campos de Bacharelado, Licenciatura e Pós-graduação em Matemática 

 

 

[caption id="attachment_4727" align="alignright" width="386"] Alguns materiais lúdicos trazidos pelos representantes de Matemática[/caption]

Daniel Morin Ocampo, professor do Departamento de Matemática do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), destacou a escolha de materiais lúdicos para permitir a manipulação pelos participantes, observando que a exploração prática leva à compreensão dos conceitos matemáticos. O objetivo é evidenciar a presença da matemática no cotidiano e aproximar o que é feito na universidade do público. Ele ressaltou que a divulgação ajuda a combater o preconceito em relação à matemática, buscando reduzir o medo associado à área. O propósito é contribuir para que as gerações futuras não enfrentem esses estigmas e se interessem mais pela matemática.

 

 

No estande do curso de Física, a ciência se tornou cativante com a apresentação de experimentos práticos e interativos, fazendo com que o público conhecesse conceitos fundamentais da física. Além de apresentações, os graduandos trouxeram “Quiz” de perguntas e respostas com direito a brindes. Para finalizar, houve informações sobre o curso, a UFSM e as diferentes formas de ingresso, proporcionando um panorama abrangente para os interessados no campo da Física.

[caption id="attachment_4720" align="alignleft" width="386"] Representantes do curso de Física do CCNE na praça[/caption]

André, estudante do 4º semestre de Bacharelado em Física,  enfatizou a importância dos experimentos práticos para mostrar como a física está presente no funcionamento de dispositivos, sem a necessidade imediata de compreender teorias, incentivando os interessados a buscar mais informações posteriormente, inclusive através dos panfletos distribuídos. 

Sobre os materiais escolhidos para apresentar ao público um dos exemplos foi o gerador de Van der Graaff, e conta que o equipamento utiliza eletricidade estática gerada por atrito. Reconhecendo a dificuldade de explicar o conceito para o público não familiarizado, eles optaram por simplificar, substituindo o termo “eletricidade” por ‘energia”. O graduando destacou que, embora o termo não seja utilizado em aulas, essa adaptação visa tornar a explicação mais didática e atrativa para a comunidade, desmistificando a percepção de que a física é uma disciplina difícil. 

Quanto ao papel da divulgação científica, o graduando enfatizou seu potencial em desmistificar a imagem dos cientistas como indivíduos inacessíveis e suas atividades como algo incompreensível para o público geral. Ele enfatizou a importância de mostrar à comunidade o trabalho desenvolvido em laboratórios, permitindo que as pessoas entendam melhor e se identifiquem com o processo científico, encorajando a compreensão e o envolvimento mais próximos com a ciência. Sobre as expectativas em relação ao impacto do evento, André expressou o desejo de que as pessoas possam lembrar da experiência ao considerar suas escolhas de carreira, especialmente aqueles interessados em seguir na área de física, esperando despertar maior interesse por essa disciplina.

Além dos cursos, também participaram os órgãos suplementares  do CCNE: o Jardim Botânico da UFSM e o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA)

[caption id="attachment_4718" align="alignright" width="386"] Vinicius Dias representando o Jardim Botânico da UFSM[/caption]

No estande do Jardim Botânico (JBSM), a natureza se revelou em exposições de banners explicativos sobre o espaço do JBSM, revelando curiosidades sobre plantas, animais e o telhado verde. Os graduandos fizeram uma exposição de espécies vegetais e animais taxidermizados (“empalhados”, no uso popular), proporcionando aos visitantes uma imersão na diversidade biológica regional. 

Vinícius Dias, bolsista do Jardim Botânico da UFSM (JBSM) e graduando em Gestão Ambiental na UFSM, explicou a variedade de atrações trazidas para o evento. O estudante enfatizou a importância de explicar, de forma simples, o processo de taxidermia dos animais e os benefícios de se ter um telhado verde,  com o intuito de familiarizar o público com esse local, por muitos, desconhecido. Ele destacou a divulgação das trilhas guiadas e novidades, como o jardim sensorial, visando dar visibilidade ao Jardim Botânico de Santa Maria, que não é amplamente reconhecido pela comunidade local.

O objetivo principal da exposição foi despertar a curiosidade dos visitantes. Vinícius notou que muitos compartilharam suas experiências pessoais, como terem se alimentado de animais semelhantes aos exibidos no estande, como por exemplo o Tatu-galinha. Ele também mencionou a interação com o público, explicando conceitos, como a associação entre fungos e algas, esclarecendo dúvidas sobre a identificação dessas para aqueles menos familiarizados com o tema.

[caption id="attachment_4729" align="alignleft" width="416"] Representantes do CAPPA que participaram do CCNE na praça[/caption]

O estande do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA) foi uma viagem no tempo, com exposições de réplicas de animais como dinossauros, cinodontes e hominídeos que viveram no em períodos pré-históricos. Uma experiência única para todos os entusiastas da paleontologia e da história natural.

Os paleontólogos do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA), Flávio Pretto e Leonardo Kerber, discutiram a seleção criteriosa de materiais e réplicas durante o evento. Eles destacaram a importância de escolher itens visualmente atrativos e seguros para exibição, buscando explicar termos complexos em linguagem acessível ao público geral. Leonardo Kerber, destaca que um dos objetivos do CAPPA foi abordar a diversidade de classes e espécies presentes na paleontologia, visando mostrar à comunidade que essa disciplina vai além do estudo exclusivo de dinossauros. Apresentaram fósseis de cinodontes, hominídeos e outros animais, estabelecendo conexões com a evolução humana.

[caption id="attachment_4730" align="alignright" width="230"] Crianças interagindo com os fósseis trazidos pelo CAPPA[/caption]

"Estamos oferecendo uma introdução ao assunto e convidamos as pessoas a aprenderem mais sobre paleontologia, inclusive visitando o CAPPA em São João do Polêsine. Lá, terão uma experiência mais abrangente. No entanto, nossa missão aqui é destacar o patrimônio fossilífero regional, pertencente à comunidade local", complementou Flávio Pretto.

Flávio e Leonardo afirmaram que ter conhecimento científico é exercer a cidadania, sendo uma forma de empoderamento. Reconhecer que a cidade possui patrimônios de renome mundial e está envolvida em pesquisas relevantes fortalece o senso de pertencimento da comunidade, não é algo só de países ricos, isso é coisa de brasileiro, e as pessoas têm o direito e a possibilidade de interagir”, e salientam que a mesma curiosidade que motiva um cientista paleontólogo é a que motiva qualquer pessoa. A dupla espera que após o evento a população consiga enxergar que a UFSM também realiza pesquisas de primeiro mundo.

 

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[caption id="attachment_4719" align="alignleft" width="389"] Representantes do Depto de Fitotecnia [/caption]

O CCNE na Praça também contou com a contribuição do Departamento de Fitotecnia da UFSM, que doou cerca de 100 mudas de plantas melíferas. A flor dessas plantas, como o manjericão verde e roxo, atraem as abelhas, que estão em processo de extinção a nível mundial, como as abelhas Jataí, que não possuem ferrão. A população teve grande aceitação, sendo doados todos os exemplares em apenas 1h30 de evento. Essas plantas, além de contribuírem para a diversidade de abelhas, são utilizadas para a culinária ou em infusões, como a hortelã e melissa.

 

 

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Para auxiliar na divulgação científica da UFSM, a Revista Arco também esteve presente, realizando a distribuição de cerca de 500 revistas à sociedade santa-mariense na Praça. A revista de jornalismo científico e cultural tem o intuito de popularizar o conhecimento gerado na UFSM em linguagem popular e acessível ao público em geral, ideia que muito se afiniza ao CCNE na Praça.

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O que o público falou do CCNE na Praça?

Maria Laura, professora de capoeira em Santa Fé, Argentina, e também professora de Comunicação Social na Argentina, participou visitando os estandes do evento. Quando questionada sobre qual exposição chamou a sua atenção, ela mencionou que não conseguia determinar exatamente qual havia sido o mais interessante, mas expressou seu gosto pelos fósseis apresentados pelos paleontólogos do CAPPA. 

Ao ser questionada sobre o motivo desse interesse, Maria Laura explicou que aprecia a sensação de se sentir insignificante diante de antiguidades tão imponentes. Ela enfatizou que ao contemplar esses vestígios de um passado distante, percebe que o mundo vai além das vidas individuais das pessoas, algo que a atrai profundamente.

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O CCNE na Praça não apenas proporcionou um dia repleto de interações científicas, mas também plantou sementes de conhecimento e conscientização na comunidade. A divulgação científica, através de atividades diversas e uma linguagem acessível, demonstrou seu potencial inspirando um olhar mais cuidadoso para o mundo ao nosso redor.

 

 

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

Revisão e edição: Natália Huber da Silva, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE

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O Simpósio Nacional do Ensino de Física (SNEF), organizado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), é o maior evento da área de ensino de Física do país, com mais de 50 anos de tradição, ocorre desde 1970. Apesar de estar em sua 25ª edição, o evento chega ao Rio Grande do Sul pela primeira vez em 2023 em um formato inédito. Com a iniciativa de segmentar o evento por diversas partes do Brasil, cerca de 1.500 pessoas de oito cidades podem acompanhar mais de perto palestras, oficinas, mesas-redondas e debates sobre inúmeros assuntos emergentes na área da Física. 

A nova configuração do evento foi mais um dos reflexos deixados pela pandemia de Covid-19. Porém, neste caso, com um impacto positivo para os oito núcleos distribuídos pelo país, sediados em Manaus, São Luís, Caruaru, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Volta Redonda, Curitiba e Santa Maria. Segundo o professor do Instituto de Física da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS) Dioni Pastorio, “o período pós-pandêmico trouxe muitos desafios, como a volta dos eventos presenciais em nível acadêmico, por isso, pela primeira vez, o evento acontece no formato multi-sede”. 

O núcleo do Rio Grande do Sul, que contou com mais de 100 inscritos, foi organizado por uma parceria entre o Departamento de Física da UFSM e o Instituto de Física da UFRGS, dois importantes centros de referência em estudos da área no Brasil. “A UFRGS é uma das pioneiras no país, com um programa de Pós-Graduação no Ensino de Física. A UFSM mantém dois programas, um de Pós-Graduação no Ensino de Ciências e outro de Ensino de Física e Educação Matemática, que também colaboram com esse evento. Então, para a comunidade santa-mariense, é um momento ímpar, pois consolida e mostra a importância de discutir temáticas, que são de pesquisa e também de ensino de Física”, destaca Pastorio.

Oportunidades para o ensino

Graduado e pós-graduado pela UFSM, Dioni não vem apenas para participar do Simpósio, mas também revisitar e retribuir à Instituição em que se especializou. “Voltar para cá é sempre importante. É como se pudesse dar uma devolutiva para a comunidade santa-mariense, trazendo esse evento de ensino de Física”, disse. Além de possibilitar, muitas vezes, o primeiro contato com a pesquisa para alunos de graduação e consolidar pesquisadores de diferentes áreas e instituições, que trazem as suas pesquisas e suas temáticas de interesse, o impacto do evento não está restrito apenas ao âmbito acadêmico. 

[caption id="attachment_64454" align="alignleft" width="580"]foto colorida horizontal com pessoas sentadas em uma sala de aula, em frente a computadores. As pessoas aparecem de frente. De costas, em pé e falando a elas, um homem Núcleo do Rio Grande do Sul contou com mais de 100 inscritos[/caption]

A educação da região, de forma geral, também é beneficiada com a iniciativa, por meio da participação de professores da Rede Básica de Ensino e de autoridades da área, como o titular da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de Santa Maria, José Luis Viera Eggres. Sendo um momento de formação continuada, o evento se torna acessível, não apenas para quem participa, mas para a formação de estudantes da Educação Básica, impactados pelo aprimoramento na capacitação de seus professores.

Outra iniciativa pensada pela organização para viabilizar o acesso ao simpósio foi a gratuidade para assistir às atividades. Mesmo com a  exigência de pagamento para a obtenção dos certificados, de acordo com as normas da SBF, a comissão do núcleo liberou o acesso gratuito para fins informativos a todos os interessados .

Experiências para os acadêmicos

Para Andressa, estudante do 4º semestre de Física Licenciatura, o evento é uma oportunidade única. “É a primeira vez que temos esse simpósio, que é extremamente importante para o ensino de Física, aqui, tão próximo da gente. Normalmente é um evento bem caro e de difícil acesso, em outros estados”, observou. Ter o contato com profissionais renomados na área e poder absorver um pouco do conhecimento compartilhado ao longo dos três dias de evento, ainda mais como parte da comissão organizadora, é "maravilhoso", segundo ela. A SBF ofereceu a oportunidade de alguns alunos participarem como membros da organização. 

Andressa participa também do Diretório Acadêmico da Física, convidado pelos organizadores para fazer a divulgação do evento dentro do próprio curso. No simpósio, ela auxiliou na orientação dos participantes, no deslocamento para as salas e contribuiu para tornar o evento mais acessível para as pessoas. A estudante associa a importância do evento para a divulgação científica. “Ainda mais nessa situação em que nos encontramos, do negacionismo, uma época bem nebulosa para a ciência, é imprescindível que existam eventos acessíveis como este, que agora foi aberto ao público em geral. Para a divulgação de fatos, para saberem o que a gente faz dentro da Universidade”, salienta.

O acadêmico do 2º semestre do mestrado no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Ensino de Física (PPGEMEF) Daniel Becker destaca as temáticas debatidas no simpósio, todas relacionadas aos assuntos estudados no ensino de Física. “O mais interessante é o espaço que temos para conversar sobre vários assuntos. Quando estamos presos à Instituição, conversamos com os nossos colegas, com as pessoas que estão à nossa volta e com os professores que conhecemos. Um evento como esse é importante, pois conseguimos dialogar com outros professores, de outras instituições, e falar de assuntos que, às vezes, não dá tempo de falarmos nas disciplinas”, relata Daniel.

[caption id="attachment_64456" align="alignright" width="563"]foto colorida horizontal com um homem de pé, com um telão pendurado em frente a um quadro negro, falando a um público que não aparece Oficina de programação de microcontroladores ministrada por professor do Instituto Federal Catarinense[/caption]

Atividades oferecidas para a comunidade

Uma das atividades oferecidas para os participantes na manhã de quinta-feira (9) foi a oficina de elaboração de vídeos didáticos com Inteligência Artificial, ministrada pelo professor de Físico-Química Universidade Federal do Pampa (Unipampa) do 55BET Pro de Bagé Márcio Marques Martins. Além de apresentar e explicar conceitos básicos de ferramentas de Inteligência Artificial, como o ChatGPT, o professor instruiu sobre a elaboração dos materiais audiovisuais e como utilizar a tecnologia de forma favorável no ensino. "Eu encaro ela [Inteligência Artificial] como uma aliada. Não tenho medo, mas devemos ter um certo receio dos maus usos”, destaca o professor. A segunda parte da oficina, que acontece na sexta-feira (10), é aberta aos interessados.

Outra atividade nesta sexta-feira, último dia de evento, destacada pelo professor Dioni Pastorio, é a mesa-redonda a ser integrada pelos professores Leonardo Albuquerque Heidemann (UFRGS) e Ítalo Gabriel Neide, da Universidade do Vale do Taquari (Univates), que discutirão a inovação no ensino de Física e o uso de tecnologias digitais nessa área. Além da palestra da convidada internacional do evento, a professora da Faculdade de Matemática, Astronomia e Física da Universidade Nacional de Córdova Laura Maria Buteler, que tratará da resolução de problemas do ensino de Física e concepções metodológicas de pesquisa.

A participação internacional também é motivo de comemoração, já que o núcleo do Rio Grande do Sul é um dos únicos, dos oito integrantes do simpósio, a contar com a presença de uma pesquisadora de fora do país. Pesquisadores de diversos estados e instituições também integram o quadro de palestrantes.

A programação completa do evento está disponível no site do Simpósio Nacional do Ensino de Física.

Texto: Júlia Maciel Weber, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Fotos: Ana Alicia Flores, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/11/01/25o-simposio-nacional-de-ensino-de-fisica-tera-atividades-na-ufsm Wed, 01 Nov 2023 11:19:09 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64353

A UFSM será uma das participantes do 25º Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), promovido pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), que ocorrerá de 8 a 10 de novembro, com programação nacional e local. O evento, voltado para professores da educação básica e do ensino superior e também para estudantes de Física (licenciatura, bacharelado e pós-graduação), ocorrerá em oito cidades do país simultaneamente.

Haverá eventos conjuntos com transmissão: abertura oficial e conferência de abertura; assembleia; e conferência de encerramento, com o atual presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e ex-ministro Renato Janine Ribeiro. Confira a programação geral.

A programação também inclui atividades nas cidades participantes. Em Santa Maria, serão realizadas palestras e mesas-redondas de forma presencial, nos prédios 17 e 18, do CCNE. Confira a programação local
 
Ainda é possível se inscrever até sexta-feira (3).
 
Mais informações no site do evento.
 
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/10/18/premio-tese-ufsm-entrevista-com-marina-bianchin-do-ccne Wed, 18 Oct 2023 10:39:08 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64136 [caption id="attachment_64137" align="alignright" width="602"] Marina Bianchin[/caption]

Graduada, mestre e doutora em Física, Marina Bianchin teve, praticamente, toda sua formação em escola pública. Formou-se em fevereiro de 2016; no mestrado em 2018; e no doutorado em 2022. Em outubro de 2022, iniciou pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Irvine, nos Estados Unidos. Atualmente trabalha com dados do telescópio espacial James Webb de galáxias luminosas no infravermelho. Sua aproximação com a área da pesquisa se deu em 2012, no primeiro ano da graduação quando foi contemplada com uma uma bolsa de Iniciação Científica.

Marina nasceu e cresceu em Marau, no norte do Rio Grande do Sul. Seus pais não têm formação acadêmica superior, “meu pai é agricultor e minha mãe atualmente é aposentada, mas foi auxiliar de enfermagem por quase 30 anos. Na família apenas duas tias fizeram licenciatura, e são professoras na rede estadual, e dois tios têm formação em contabilidade, mas ninguém atua no meio acadêmico”, diz. Ela conta que mesmo estando em um lugar para se dedicar aos estudos, morar longe - e sozinha - estava muito fora do esperado, ainda assim, recebeu apoio, principalmente, de sua mãe. 

Marina tem interesses variados, “adoro gatos e atualmente moro com a minha gata (Rita) de 9 anos, uma senhora rabugenta que foi confundida com um coelho pela fiscalização do aeroporto. Gosto de fazer trabalhos manuais como tricô e crochê, heranças da minha família, e já fiz roupas para mim e um par de meias para uma amiga. Descobri há pouco tempo que adoro viajar sem tanto planejamento... sair andando pelos lugares e ser surpreendida com o que se encontra”, conta. Marina escuta bastante música, “ultimamente mais MPB porque é uma forma de me reconectar com o Brasil morando fora.” Ainda, adora cozinhar e diz que pão-de-queijo é aprovado pelos estadunidenses. 

Com sua tese intitulada “Molecular and ionized gas kinematics in seyfert and qso hosts”, em português “Cinemática do gás molecular e ionizado em galáxias Seyfert e QSOs”, defendida em 2022 (sob a orientação do professor Rogemar Riffel), Marina recebeu a indicação à primeira edição do Prêmio Tese UFSM 2023, representando o Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE).

A Agência de Notícias, vinculada à Coordenadoria de Comunicação Social, conversou com Marina para saber um pouco mais sobre a pesquisa:

Você poderia explicar a sua tese e como surgiu o tema de pesquisa?

Uma das principais perguntas da astrofísica moderna é: como as galáxias evoluem? Galáxias têm entre dezenas de milhões a trilhões estrelas. A maioria delas possui um buraco negro supermassivo central (BNS). Quando o BNS está capturando matéria (gás e estrelas) ocorre a liberação de radiação e ventos de partículas, os quais  influenciam a evolução da galáxia. Utilizando telescópios modernos, determinamos as propriedades físicas destes ventos em múltiplas fases gasosas, o que é fundamental para responder à pergunta acima.  Foram realizadas diversas atividades de extensão abordando assuntos da tese, destacando-se o projeto aprovado para telescópio James Webb, liderado pela UFSM.

A ideia deste tema surgiu através de várias conversas com o meu orientador. Eu já tinha experiência com observações e análise de dados de galáxias ativas no infravermelho e gostaria de voltar para essa área depois de ter estudado aglomerados estelares durante o mestrado. Existem muitas questões em aberto sobre evolução de galáxias e do universo em geral, e estudar como o gás se move e se ele pode ser ejetado da galáxia podendo influenciar a formação de novas estrelas soava interessante para mim e meu orientador. Então, conjuntamente, optamos por este assunto.

Como foi o processo de produção e qual a maior dificuldade enfrentada?

Longo e tortuoso — como acredito que a produção de todas as teses seja — e permeado por uma pandemia. Felizmente tive apoio de amigos, do meu orientador, e da companhia da minha gata.

Considero que a maior dificuldade foi a reestruturação de algumas partes do projeto. Devido a problemas técnicos e à pandemia, várias observações com o telescópio Gemini foram canceladas fazendo com que eu tivesse que mudar um pouco o projeto e optar por alternativas para obter mais dados. Felizmente isso acabou abrindo portas para colaborações internacionais que mantenho atualmente.

Um fato interessante é que apesar do meu trabalho ser entendido como experimental, nunca realmente realizei uma observação utilizada na minha tese. Isso é cada vez mais comum na astronomia atual, onde astrônomos residentes realizam observações para grandes levantamentos ou projetos individuais. A ideia de que astrônomos passam a noite toda acordados realizando observações nem sempre é verdadeira. 

Ao que você credita a escolha da sua tese para representar o centro?

Acredito que alguns fatores possam ter contribuído para a escolha da minha tese. O tema do trabalho, a evolução das galáxias, é de grande relevância na astrofísica atual. No entanto, acredito que as teses de colegas dos outros PPGs do CCNE, e da própria física, também abordam temas atuais e relevantes para as suas respectivas áreas. O fato de eu ter escrito a tese em inglês e ter incluído os artigos como capítulos da tese e trazendo uma contextualização de toda a amostra ao final pode ter feito a diferença.

O que concorrer ao prêmio representa para você e qual a importância que você vê em premiações como essa?

Concorrer ao prêmio representa o reconhecimento do meu trabalho pelo Programa de Pós-Graduação em Física e o Centro Ciências Naturais e Exatas. É também uma honra muito grande ser indicada para representar o Centro no qual se deu toda a minha formação acadêmica de nível superior. 

Essas premiações são importantes pois reconhecem o trabalho desenvolvido por estudantes da universidade que, principalmente nos últimos anos, não eram a categoria mais valorizada. A divulgação que essas premiações recebem também contribui para mostrar à sociedade o que é feito dentro da universidade e isso pode aproximar mais pessoas dela.

Texto: Gabriela Leandro, estudante de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista
Arte gráfica: Daniel Michelon De Carli

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No momento crucial em que os jovens estudantes recentes egressos do ensino médio enfrentam o desafio de moldar seu futuro, uma das decisões mais importantes é escolher entre: ingressar diretamente no mercado de trabalho ou seguir o caminho da graduação universitária. Imagine essa escolha como um quebra-cabeça, onde cada peça representa uma direção potencial que definirá o caminho a ser percorrido. De outro lado, para egressos mais antigos que decidem retornar ou continuar os seus estudos e, até mesmo os que buscam uma mudança de carreira, o Descubra 2023 surge como um guia em meio à vasta oferta de oportunidades educacionais. 

Reconhecida por sua excelência acadêmica, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) abre as portas do Parque de Inovação, Ciência e Tecnologia (PICT) para receber estas pessoas que aspiram ingressar na universidade. O evento realizado nos últimos três dias de setembro, marcou a décima edição do Descubra 2023 e proporcionou uma jornada enriquecedora de exploração e descoberta. 

Nele, os próprios estudantes universitários assumiram o papel de apresentar os cursos aos visitantes, oferecendo um catálogo diversificado de conhecimentos. Os cursos técnicos e de graduação da UFSM,que abrangem desde as áreas artísticas e humanísticas até as ciências exatas e tecnológicas, permitiram aos participantes conhecer e experimentar o potencial de suas escolhas acadêmicas futuras.

Assim que os visitantes chegavam aos estandes do Centro de Ciências Naturais e Exatas, eram imediatamente cativados pelas apresentações envolventes dos acadêmicos da UFSM. As áreas de Ciências Naturais e Exatas se destacaram ao atrair a atenção do público com experiências memoráveis e curiosas. Desde jogos de poker até demonstrações com gelo seco, exposições de animais taxidermizados na área de biologia, jogos interativos, lunetas e experimentos que tornavam conceitos complexos de química acessíveis, entre uma variedade de outras técnicas expositivas. Durante as apresentações, os estudantes compartilharam com a Equipe de Comunicação do CCNE, suas paixões acadêmicas, o que os motivou a escolher seus cursos e quais foram as suas expectativas para os três dias de evento. 

Descubra os cursos de Ciências Naturais do CCNE

Ciências Biológicas

[caption id="attachment_4519" align="alignleft" width="247"] Estudantes representando o curso no primeiro dia de Descubra[/caption]

Yasmim, graduanda de Ciências Biológicas, alimentava muitas expectativas com relação ao Descubra, pois o público era muito maior em comparação com a edição anterior. O estande do curso estava repleto de animais taxidermizados (empalhados), alguns outros conservados em soluções em potes de vidro, além de plantas para serem observadas em microscópios e lupas. Tudo isso foi utilizado para demonstrar visualmente como é o curso.

"A biologia é uma disciplina muito ampla, com diversas práticas, então decidimos trazer um pouco de cada área e coisas que despertam o interesse das pessoas”, cita Yasmin. Ela também enfatizou que o curso oferece aos estudantes a oportunidade de ingressar sem terem decidido sobre atuar em alguma área específica, ressaltando a variedade de áreas do conhecimento nas ciências biológicas.

 Geografia - Bacharelado

[caption id="attachment_4508" align="alignright" width="347"] Estudantes representando o curso de Geografia - Bacharelado, Amanda e Maria Vitória (de óculos), são as centralizadas no meio do grupo.[/caption]

Para as estudantes de Geografia da UFSM, Amanda Rech e Maria Vitória Zancanaro, as expectativas eram muito altas. “Esse ano nós tivemos mais tempo para nos preparar. Ainda com a questão das inscrições de escolas, esses três dias terão bem mais fluxo e estamos preparadas!” Para explicar o curso aos visitantes, elas optaram por utilizar elementos visuais relacionados à graduação e à futura carreira delas como geógrafas. Na abordagem, elas se esforçaram para apresentar, sucintamente, todas as informações necessárias para que os visitantes pudessem fazer perguntas. 

Amanda complementa: “O curso é muito diverso e podemos abranger várias áreas. É isso que torna a Geografia a ciência que ela é”. Para finalizar, Maria Vitória diz: “A interação de geografia física e humana é o que aquece o coração da gente e é o que gostamos de ver: a união dessas áreas, mesmo sendo diversas e essa amplitude de conteúdos que podemos abordar.”

Geografia - Licenciatura

[caption id="attachment_4517" align="alignleft" width="347"] Raquel (à esquerda), na companhia de outra representante do curso de Geografia da UFSM.[/caption]

Raquel Trindade, estudante de Geografia - Licenciatura, sempre teve o sonho de se tornar professora, e essa paixão pela educação a acompanhou desde o ensino fundamental. No entanto, ela estava indecisa entre escolher História ou Geografia para seguir sua carreira. Eventualmente, optou pela Geografia devido à sua amplitude temática. Para Raquel, o curso de Geografia superou todas as suas expectativas. Ela não tinha ideia de como se sairia no curso e inicialmente estava até um pouco apreensiva, mas logo percebeu que era exatamente o que desejava. O curso proporcionou a oportunidade de viajar e conhecer diferentes lugares, incluindo sua cidade natal. Ela acredita que essa é uma maneira incrível de se conectar com o ambiente em que está inserida, compreendendo melhor a universidade, as pessoas ao seu redor e até mesmo aqueles que vêm de fora.

[caption id="attachment_4518" align="alignright" width="347"] Exposição com maquetes, pôsteres e amostras rochosas no estande do curso de Geografia.[/caption]

Os materiais utilizados para atrair a atenção do público incluíram amostras do laboratório de geologia, como quartzo e conglomerados. Igualmente foi exposta uma maquete que explicava os movimentos de rotação - Terra girando em torno de seu próprio eixo - e do sistema solar e as estações do ano, demonstrando o movimento de translação - da Terra em volta do Sol. A equipe também trouxe drones para despertar a curiosidade das pessoas, destacando o uso dessas geotecnologias, não apenas em trabalho de campo, mas também para mapeamento de áreas nos laboratórios. A estudante participa do projeto de pesquisa Laboratório de Geologia Ambiental (Lageolam), onde realiza trabalhos de campo em projetos com drones e promove o uso dessa tecnologia na geografia.

A estudante descreve que seu curso abrange diversas áreas, incluindo a geografia física e humana, bem como aspectos pedagógicos. Ela enfatiza que ser professor não se resume apenas a dar aula, mas envolve um processo de aprendizado sobre como funciona, incluindo a leitura e a compreensão do outro, de forma dialógica e democrática. “Eu acho que isso é uma das coisas mais incríveis para mim: o curso nos dá a oportunidade de ver o outro não apenas como aluno em uma relação hierárquica de autoridade, mas como alguém que podemos aprender de forma mútua.”

Para Raquel, a Geografia é uma disciplina que nos ensina a observar o mundo com olhos abertos. Muitas vezes, as pessoas passam despercebidas por vários temas emergentes ao seu redor, mas a Geografia nos incentiva a parar, refletir e analisar o porquê destes serem como são e se localizarem onde estão neste espaço e tempo.

Química - Licenciatura

[caption id="attachment_4522" align="alignleft" width="410"] Estudantes Luiz e Lucielle na estande da Química Licenciatura.[/caption]

Os representantes de Licenciatura em Química da UFSM, Luiz Eduardo e Lucielle Codeim, tinham como principal objetivo mostrar aos visitantes como a Química está presente no cotidiano e como é possível realizar experimentos simples para desmistificar a ideia de que esta é uma disciplina difícil. Além disso, Lucielle enfatizou que, além desta preconcepção, há também um estigma em relação à licenciatura, segundo sua visão. Buscaram destacar que a Licenciatura em Química oferece uma base sólida tanto no currículo como na formação pedagógica, o que a diferencia das outras habilitações em química.

Em relação aos experimentos escolhidos, os estudantes se empenharam em tornar conceitos abstratos da Química mais acessíveis e atraentes. Utilizaram cascas de limão e óleos essenciais para demonstrar como a Química está presente em locais e objetos que muitas vezes passam despercebidos. Luiz destaca que um dos diferenciais de escolher Licenciatura é que os graduandos têm disciplinas de práticas pedagógicas e, com a orientação da professora, eles conseguem fazer experimentos adequados para serem realizados em ambientes escolares com recursos limitados, e foi o que eles fizeram para o Descubra deste ano. 

Para caracterizar o seu curso, Lucielle enfatiza: “Professores, raramente, ficam sem emprego. A Licenciatura em Química se destaca, pois nosso curso é focado na formação didática. Estamos utilizando esse argumento para realçar nossa singularidade”.

Química - Bacharelado e Química Industrial

Jennefer Queiroz, Felipe Pulgati e Gabrielle Pereira, eram alguns dos responsáveis pelo estande do curso de Bacharelado em Química e Química Industrial da UFSM.

[caption id="attachment_4513" align="alignright" width="347"] Estudantes representando o curso de Química Bacharelado e Química Industrial.[/caption]

Gabrielle Pereira, que cursa Química Industrial, conta que as expectativas eram altas porque a divulgação deste ano tinha sido maior do que a edição anterior. Para a estudante o que torna esses experimentos atrativos para os visitantes é a demonstração da modificação ao vivo das cores. A estudante afirmou: "Eu acredito que as pessoas chegam curiosas para saber por que é colorido e o que está sendo feito". Ela ainda explicou que seguiram a mesma abordagem da edição anterior, que já tinha sido bem sucedida.

Entre os materiais utilizados para chamar a atenção dos estudantes e explicar sobre o curso estavam:

Slimes ou “gelecas”: Material gosmento confeccionado a partir de cola branca e uma solução de água boricada. Os acadêmicos demonstram como essa mistura cria uma substância viscosa e maleável, satisfatória de brincar.

Sublimação do Gelo Seco: Dióxido de carbono sólido em estado sólido, extremamente frio, que se transforma em gás carbono quando aquecido. Isso é uma reação química que absorve calor e faz o gelo seco "sublimar" diretamente para o estado gasoso.

Corantes Fluorescentes: Corantes que brilham no escuro quando expostos à luz ultravioleta. Esses corantes são principalmente orgânicos e proporcionam um exemplo interessante de luminescência, ou o popular “efeito neon”.

[caption id="attachment_4514" align="alignleft" width="347"] Felipe e Jennefer, representando o curso no segundo dia de Descubra.[/caption]

Felipe, conta que foi atraído para o campo da Química porque ele tinha curiosidade de entender como a natureza e o mundo funcionam:"Sempre quis ser cientista." Por outro lado, Jennefer tinha o desejo de trabalhar no controle de qualidade de indústrias e, ao ingressar no curso de Química, percebeu que poderia realizar esse sonho.

Para apresentar o curso, Gabrielle diz : "Meu curso é muito inovador, porque está presente em basicamente tudo". Felipe e Jennifer enfatizam que, além da teoria, o curso oferece uma parcela substancial de prática, tornando-o envolvente com aspectos que não são comuns no ensino médio. Eles destacam a importância de mostrar essa parte prática durante o Descubra, pois permite que os visitantes tenham um contato direto com a Química. Felipe deixa um recado sucinto e persuasivo: "Façam Química!"

Processos Químicos

[caption id="attachment_4506" align="alignright" width="347"] Renata (à direita) junto de sua colega de curso representando Processos Químicos[/caption]

Na estande de Processos Químicos da UFSM, uma das representantes era Renata Vieira. As expectativas da estudante para todos os dias do evento eram altas e, além da espera da visita dos estudantes de escolas estaduais e municipais, complementa: “A UFSM, está com novos cursos de extensão então eu acho muito importante essa visita do público para eles saberem e entenderem o que fazemos aqui dentro.’’ 

[caption id="attachment_4507" align="alignleft" width="247"] Experimento envolvendo petróleo[/caption]

Para explicar sobre o curso, Renata diz que trouxe experimentos que envolvessem o uso do petróleo que, segundo ela, é a “alma” do curso. "O petróleo desperta muita curiosidade, já que poucas pessoas têm contato com sua formação (o que é, e como é feito). Trouxemos uma variedade para que todos pudessem conhecer e se interessar por essa importante fonte de energia”. Igualmente, levaram experimentos que chamasse a atenção pelas cores, demonstrações interessantes, principalmente, para aqueles que não tem um conhecimento aprofundado em química. 

O recado que a estudante destaca - e pode ser motivo de atração de futuros estudantes - é em relação às bolsas de iniciação científica da UFSM: “A grande maioria dos nossos graduandos conseguem bolsas na área de petróleo e em pesquisas avançadas e essas bolsas são remuneradas, o que é interessante para a pessoa iniciar na pesquisa e já receber por isso.’’

 

Descubra os cursos de Ciências Exatas do CCNE

Estatística

No estande de Estatística da UFSM, João Souza, acadêmico do segundo semestre do curso, estava ansioso devido à diferença no público em comparação com a edição anterior. Ele comentou: "O pessoal está se aproximando mais do nosso estande, e parece que estamos mais expostos. Houve pessoas que demonstraram interesse e disseram que planejam ingressar no curso no próximo ano.”  João complementa que a profissão é uma área bastante lucrativa e que oferece muitas oportunidades de emprego, o que é surpreendente para muitos e que isso acontece porque a Estatística é uma área que muitas pessoas sequer conhecem como profissão.

[caption id="attachment_4510" align="alignright" width="347"] João Souza, primeiro ao lado direito do banner, na companhia de outros representantes do curso de Estatística da UFSM.[/caption]

Para explicar o funcionamento do curso, os estudantes trouxeram uma mesa de Poker. Mas como a Estatística se relaciona com o Poker? De acordo com o estudante, a estatística oferece as ferramentas para calcular probabilidades, tomar decisões informadas com base em riscos e recompensas, compreender a variância inerente ao jogo e analisar o comportamento dos oponentes. Além disso, os jogadores utilizam análises estatísticas para melhorar suas chances de sucesso a longo prazo, tornando-a um componente fundamental da estratégia de jogo.

João revelou que, na última edição do evento, por não ter visitado o estande de Estatística para obter informações, quase perdeu a oportunidade da sua vida, mas agora ele está extremamente satisfeito. Ele expressou sua confiança de que o curso o preparará adequadamente, afirmando: "Eu vou sair daqui como um cientista de dados!"

Ao caracterizar o curso, ele destaca: "Amor por tudo. Você reconhece sua importância nas empresas, o que resulta em aumento nas vendas e eficiência, e isso é muito gratificante. Trabalhamos em home office e temos uma remuneração boa. É um sonho."

Física - Bacharelado

[caption id="attachment_4515" align="alignleft" width="268"] Maitê, representando o curso no primeiro dia.[/caption]

Entre os responsáveis pelo estande de Física Bacharelado  da UFSM estavam os estudantes Maitê, André e Patrick. Maitê conta que os métodos utilizados para representar o curso são ótimos para a visualização: “Aqui, nós temos cargas elétricas, eletromagnetismo, eletricidade, temos óticas, o que é muito importante porque não basta só a teoria, se conseguimos fazer uma analogia com a nossa vida por exemplo, com raios tempestade, a pessoa tem uma memória, e vai conseguir visualizar e lembrar”.

Entre os experimentos apresentados, destacaram-se:

Gerador de Van de Graaff: Este experimento gera eletricidade estática. Quando ligado, produz eletricidade estática que pode ser percebida quando tocamos em sua superfície metálica, causando pequenos choques e produzindo ruídos.

Versão caseira do gerador: Demonstraram uma versão mais simplificada do gerador de eletricidade estática, que pode ser montada com uma latinha de Coca-Cola. Essa versão caseira permite que as pessoas experimentem o fenômeno em suas próprias casas.

Experimento com Laser: Envolve o uso de laser para explorar conceitos relacionados a objetos côncavos e convexos, geralmente estudado no ensino médio.

Experimento de Prismas de Newton: Esse experimento permite a visualização do espectro da luz solar. É semelhante ao que os cientistas fazem para estudar a composição das galáxias e estrelas distantes. Dependendo dos elementos presentes em um objeto, ele emite luz em faixas de cores específicas. 

[caption id="attachment_4516" align="alignright" width="347"] André e Patrick, representantes de Física no segundo dia de Descubra[/caption]

Os estudantes André e Patrick, também responsáveis pelo estande, compartilham suas razões para escolherem Física - Bacharelado. Para André, a escolha surgiu quando ele estava na dúvida de qual carreira seguir: “Abri a estrutura curricular de física da UFSM e percebi que eu faria todas as cadeiras, então fiz.” Patrick conta que interessava pela Física desde o ensino fundamental e que assistia muitos documentários que envolviam a temática. No entanto, o que chamou a sua atenção para ingressar no curso, além da estrutura curricular, foram as oportunidades de trabalho.

Quando convidados a caracterizar o curso, os estudantes oferecem suas perspectivas. Maitê o define somente em uma palavra: “Curiosidade”. Já, André e Patrick discorrem mais sobre:

“Apesar de parecer muito difícil no início, com muitos cálculos, quando você começa a aprofundar, percebe que é muito mais tranquilo. Quando você se especializa em algo, a Física começa a parecer mais intuitiva do que apenas uma série de cálculos.” André, acadêmico de Física Bacharelado na UFSM"

“Eu diria que depois de cursar Física, você tem muitas opções de atuação. Pode se envolver em pesquisa onde tem diversas áreas diferentes, como astronomia, física de partículas e computação quântica. Além disso, você pode trabalhar em perícias, ou em empresas que envolvem programação. São muitas possibilidades." Patrick, acadêmico de Física Bacharelado na UFSM.

Meteorologia

[caption id="attachment_4511" align="alignleft" width="347"] Paulo Henrique (com suéter verde) foi um dos graduandos responsáveis por apresentar o curso de Meteorologia UFSM aos visitantes.[/caption]

Paulo Henrique, estudante de Meteorologia da UFSM, era um dos representantes que recepcionou todos os visitantes do estande do curso de maneira animada e respondeu aos questionamentos. Sua expectativa, além das atividades supracitadas,  era de divulgar o curso, ampliar a visão da comunidade sobre as áreas de atuações e temáticas que a Meteorologia abrange e desmistificar a ideia de que o curso é apenas voltado para a previsão do tempo. “A Meteorologia é muito mais do que isso, durante o estudo da atmosfera como um todo. Então, todo o previsor do tempo é um meteorologista, mas, nem todo o meteorologista é um previsor do tempo”, aponta Paulo Henrique. 

Para o graduando, uma das características que mais representa seu curso é a sua capacidade de ser multifacetado e multidisciplinar, dentro das áreas das Ciências Naturais e Exatas. Ainda complementa: "O curso consegue abranger várias temáticas e dar ao aluno que está se formando uma compreensão completa sobre as diferentes áreas do CCNE, essa é a beleza do curso."

Matemática

[caption id="attachment_4512" align="alignright" width="347"] Luciano (de camiseta branca) ao lado da Coordenadora dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Matemática da UFSM, juntamente com outros estudantes responsáveis pelo estande.[/caption]

A coordenadora do curso de Licenciatura em  Matemática da UFSM, Profa. Carmem Mathias, conta que suas expectativas eram atrair os estudantes (através de jogos) para conhecer e informar o que é oferecido no curso de Matemática. Os métodos utilizados para apresentar o curso aos visitantes que paravam no estande incluíam jogos de raciocínio lógico e exercícios de habilidade de visualização.  Carmem explicou: "Por ser Matemática, assusta um pouco a gurizada, mas por ser Licenciatura, resolvemos trazer (o que já foi realizado em outras edições) objetos que são parte integral da Matemática, como artefatos e jogos que ilustram teoremas estudados em sala de aula e teorias de aprendizado.”

Luciano Henrique, um dos estudantes responsáveis pelo estande, destacou a importância do curso na formação de professores: “Como toda a licenciatura, além de abordar os conteúdos específicos da Matemática, por ser Licenciatura também oferece conhecimentos essenciais em educação. O conhecimento matemático é enriquecedor para a vida das pessoas.”

O estudante conta que o seu interesse pela Matemática surgiu durante o ensino fundamental e médio, onde demonstrou grande habilidade na disciplina. Inicialmente ele acreditava que, de maneira natural, teria o mesmo desempenho, mas logo percebeu que não seria tão simples. “Spoiler, não foi tão natural assim, mas com muito esforço, estou a caminho do final do curso e de futuramente concluir a minha graduação.”

 

O CCNE no Descubra 2023 revelou-se uma janela para um mundo de possibilidades educacionais e profissionais. Os estudantes universitários demonstraram, com entusiasmo, como seus cursos podem ser não somente acadêmicos, mas também experiências memoráveis e transformadoras. Desde o estudo do universo a discussões políticas, de microalgas à estatística para empresas, do estudo do petróleo à prática docente, cada curso oferece a oportunidade de se aprofundar em diversos campos, repletos de desafios e recompensas.

No evento, ficou claro que escolher uma carreira nas Ciências Naturais e Exatas significa optar por um caminho de descoberta, aprendizado contínuo e oportunidades infinitas. Aqueles que ousam se aventurar nessas áreas encontrarão um universo de conhecimento esperando para ser explorado, compreendido e compartilhado com o mundo.

 

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.
Revisão e edição: Natália Huber, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

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[caption id="attachment_4311" align="alignright" width="198"] Estudantes cantando ''Evidências da dupla Chitãozinho e Xororó'' no Calourokê do CCNE;[/caption]

Na segunda semana de agosto (7), no ambiente da Biblioteca Setorial do CCNE, servidores e veteranos do CCNE deram as boas-vindas aos calouros noturnos dos cursos de Licenciatura em Física, Matemática e de ingressantes de pós-graduações do CCNE. O evento organizado pela Subdivisão de Comunicação e Setor de Apoio pedagógico, escolheu a Biblioteca para a recepção, pois se destaca por oferecer um ambiente acolhedor e convidativo. Segundo a organizadora do evento e chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE, Natália Huber, a decisão de trazer atividades dinâmicas e animadas para um espaço conhecido por seu silêncio tradicional tinha como objetivo mostrar aos estudantes como a biblioteca do CCNE também é um espaço acolhedor. Além do ambiente iluminado com luzes coloridas que deram um toque de festividade, as organizadoras, os veteranos e coordenadores dos cursos foram os responsáveis por preparar um lanche coletivo, adicionando um toque pessoal e generoso à recepção.

 

Apresentação entre Calouros, Veteranos, Professores e Técnicos

Cada participante na entrada da Biblioteca recebeu um adesivo para identificação do seu nome e um interesse pessoal, facilitando as primeiras interações. A sessão de apresentações adotou um estilo descontraído, baseado em perguntas como “quem aqui gosta de……, dê um passo à frente” – uma abordagem eficaz para que os calouros compartilhassem suas paixões e formarem conexões iniciais com todos os presentes". De acordo com Eliane Cristina Amoretti, também responsável pela organização do evento e chefe do Setor de Apoio Pedagógico, "a ideia é que todos se conheçam a partir de gostos pessoais para quebrar aquele clima de seriedade entre professor e aluno".

[caption id="attachment_4307" align="aligncenter" width="1024"] Legenda foto: Apresentação entre os Calouros, Veteranos e Servidores na Biblioteca Setorial do CCNE.[/caption] [caption id="attachment_4313" align="alignright" width="300"] Foto: Vice-Diretor do CCNE, Prof. Dr. Hans Zimmermann, Eliane Cristina Amoretti do Setor de Apoio Pedagógico do CCNE e Fabiane Noguti, Coordenadora do Curso de Matemática realizando suas falas no Calourokê do CCNE. [/caption]

Após a brincadeira inicial, o segundo momento foi algo mais formal com apresentações oficiais dos Coordenadores dos Cursos de Graduação e Pós-graduação, Setor de Apoio Pedagógico do CCNE e a Subdivisão de Comunicação e Vice-Direção do CCNE, Prof. Dr. Hans Zimmermann. Entre todos os discursos de boas-vindas, a pauta a ser destacada foi a oferta de uma base de apoio nas jornadas acadêmicas aos novos estudantes pelos servidores da UFSM, principalmente estes que os receberam, do CCNE.

 

Os calouros conheceram Diretórios Acadêmicos e PETs

Os representantes dos cursos desempenham um papel abrangente, desde a recepção dos calouros até o acompanhamento informal durante a graduação. Isso envolve uma acolhida próxima desde o início do curso, que neste semestre aconteceu através de um convite da equipe da organização da Calourada. As apresentações oficiais foram complementadas pela interação com membros dos Diretórios Acadêmicos da Física (DAF) e da Matemática (DAMAT), que além das boas-vindas, explicaram seu papel representativo. Além disso, os Programas de Educação Tutorial (PET) da Física e da Matemática conversaram com os calouros sobre as oportunidades que o PET oferece aos estudantes, que vão desde palestras a apresentações de pesquisas tanto na UFSM como em outros estados ou países.

[caption id="attachment_4308" align="alignright" width="225"] Hellington Pereira, estudante de licenciatura em Matemática e Presidente do DAMAT conversando sobre o diretório acadêmico com a repórter do CCNE.[/caption]

Em entrevista para a Equipe de Comunicação do CCNE, Hellington Pereira, presidente do Diretório Acadêmico da Matemática (DAMAT), conta que geralmente os estudantes buscam o diretório para pedir ajuda em disciplinas específicas do curso, mas ressalta que o diretório também recebe graduandos de outras áreas. "Os  estudantes podem entrar em contato quando perceberem que o diretório pode oferecer assistência matemática independente do curso."

Hellington conta que os estudantes noturnos têm menos oportunidades de integração com os graduandos diurnos e que essa dinâmica pode impactar na realização de eventos semelhantes com o da Calourada. "Eu queria muito que tivesse uma recepção do DAMAT para recepcionar os calouros noturnos, igual fazemos com os estudantes do turno inverso. O desejo da realização existe mas, infelizmente ainda não é viável."

O recado que o presidente do DAMAT deixa aos calouros é de que eles não estão sozinhos. ‘’Nós, da matemática, estamos presentes em todos os lugares.’’ E faz um convite para os novos estudantes visitarem o diretório acadêmico. "Lá eles serão recepcionados por graduandos que estão em diferentes fases do curso." Hellington também aproveita para falar sobre a Atlética do CCNE que faz programações de jogos e festas com o objetivo de integrar os estudantes de diferentes cursos. "A atlética inclui quase todos os cursos de Ciências Naturais e Exatas, tem muita coisa no campo de matemática que eu gostaria que todos pudessem participar", conclui.

 

[caption id="attachment_4309" align="alignright" width="225"] Representantes do PET, conversando com os calouros sobre as atividades do PET.[/caption]

Em uma conversa descontraída, Andressa de Oliveira, veterana do curso de Matemática Bacharelado e participante do PET Matemática desde 2021, compartilhou suas perspectivas sobre o evento e o seu papel como veterana."É uma sensação diferente. Quando você é calouro, tudo é novo, você não sabe o que esperar e vendo isso como veterana, posso oferecer ajuda e compartilhar minha experiência com os novos estudantes." Além disso, aproveitou para deixar um recado: ‘“quando precisarem de uma ajudinha, é só bater na sala do PET!”

 

Expectativas das calouras do CCNE

A caloura de Licenciatura em Física, Giovana Ferreira, compartilhou seus sentimentos em relação à UFSM:. "Estou feliz, mas ao mesmo tempo nervosa. É muita gente nova, diferente do ciclo com o qual eu estava acostumada." Ela conta que inicialmente, sua escolha era Engenharia Mecânica, mas com o passar do tempo os conteúdos relacionados a Física começaram a chamar a sua atenção, o que resultou na escolha do curso. Suas expectativas são claras: "Quero aprender, fazer amizades e aproveitar bem o tempo aqui, porque depois a chance passa”.

Já Vanessa do Canto, caloura de Licenciatura em Matemática, diz que se sente motivada ao ingressar na Universidade. "Recomeçar a estudar depois de uma determinada idade, é empolgante. Ao mesmo tempo que a gente se impõe a alguns desafios, mas é gratificante." Vanessa conta que a escolha do curso são as oportunidades de trabalho mais rápidas e diz que suas expectativas estão altas em relação ao aprendizado e à convivência com pessoas da área.

Tímido início, crescimento vibrante: o Calourokê sob a luz das Meninas

[caption id="attachment_4310" align="alignright" width="300"] Dominado pelas meninas, a música “50 reais” da cantora Naiara Azevedo, no Calourokê de inverno do CCNE, na Biblioteca Setorial do CCNE.[/caption]

A sessão de karaokê foi conduzida pelos representantes dos Diretórios acadêmicos e PETs da Física e Matemática, que ficaram responsáveis pela organização da lista e chamada de cantores e cantoras. Com a empolgação das meninas presentes, o momento de cantoria deu início a um karaokê eclético. O repertório abrangeu artistas diversos como Taylor Swift, Los Hermanos e Raimundos. Teve o momento sertanejo com os cantores Chitãozinho e Xororó (uma escolha clássica em qualquer karaokê), Ana Castela, Luan Santana e finalizou com a extinta Banda Djavú. Essa mistura de estilos musicais capturou a ampla diversidade de gostos e personalidades presentes, adicionando um toque ainda mais memorável e divertido à ocasião. 

Passada uma semana, a equipe de Comunicação do CCNE reforça as boas-vindas aos novos e novas estudantes da UFSM e do Centro de Ciências Naturais e Exatas. O evento, que buscou fortalecer os laços entre calouros, veteranos e coordenadores, criando um ambiente caloroso e acolhedor, cumpriu com seu objetivo! Desejamos que cada passo desse caminho  seja dado com cautela, com boas amizades e cheio de momentos especiais.

 

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

Edição: Natália Huber, chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

 

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Nesta última quinta-feira (06), os estudantes de Licenciatura em Física (CCNE - UFSM) realizaram a segunda ação da disciplina “Planejamento de Ensino e Extensão”. Em parceria com a Direção e Professora de Ciências da Escola Municipal Júlio do Canto, localizada no mesmo bairro da UFSM (Camobi), os alunos do 9º ano foram convidados a participar da atividade. A professora responsável pela disciplina na UFSM, Dra. Inés Prieto Schmidt Sauerwein, explicou que o objetivo da visita foi proporcionar aos estudantes da escola uma experiência prática do conteúdo aplicado em sala de aula, porém de uma forma divertida e acessível.

 “Acreditamos que essa experiência pode despertar o interesse e a motivação pela Física ao mostrar que não é um 'bicho de sete cabeças' e que não se resume a fórmulas decoradas.’’
Inés Prieto

Segundo a professora, a disciplina que integra o Projeto Pedagógico de Curso (PPC), aprovado em 2022 e implementado no primeiro semestre de 2023 para o curso de Física - Licenciatura (diurno), oferece aos graduandos  a oportunidade de vivenciar três etapas que serão fundamentais para a formação dos futuros educadores: o planejamento, a implementação e a avaliação da ação de extensão. Os próprios estudantes planejaram as atividades e entraram em contato com a escola. Além de realizarem as visitas, garantiram o transporte por meio do sistema da Universidade. Deste modo, a organização desta logística também é uma experiência importante para que estes estudantes formem uma base sólida para o desenvolvimento de habilidades essenciais no contexto educacional, cita Inés.

 

A tão esperada atividade: a Corrida Maluca

Durante o período da manhã, os alunos da Escola Municipal Júlio do Canto tiveram a oportunidade de montar quatro modelos de carros junto aos estudantes de Física da UFSM. Esses carros foram projetados para utilizar diferentes tipos de forças, incluindo impulso com elástico, água, peso e ar, para realizar o movimento. Cada um deles terá uma velocidade diferente de acordo com o estímulo aplicado.

Para a construção dos carros, os materiais base utilizados foram palitos de churrasco e palitos de picolé. Além disso, materiais adicionais, como CDs, balões, elásticos, pilhas e conta de resina, foram usados para explorar outros princípios físicos durante a atividade.

De acordo com Matrégori Santos, estudante da disciplina de extensão, o objetivo era que o público-alvo  aprendesse sobre as noções básicas do movimento através do funcionamento dos carros. O automóvel montado por ele envolvia a propulsão a partir da força elástica.

[caption id="attachment_4317" align="alignleft" width="225"] Carro impulsionado pelo elástico[/caption] [caption id="attachment_4315" align="alignleft" width="225"] Carro impulsionado pela a água[/caption] [caption id="attachment_4316" align="alignleft" width="225"] Carro impulsionado pela gravidade[/caption] [caption id="attachment_4318" align="alignleft" width="225"] Carro impulsionado pelo ar[/caption]

 

 

 

 

 

 

     

 

   

“A extensão universitária é crucial para a educação nas bases.”
Elisane Cargnin

A vice-diretora da Escola Júlio do Canto, Dra. Elisane Cargnin, aponta que, nesta atividade, os alunos têm a oportunidade de sair do ambiente escolar e vivenciar interações diferentes, como o contato com acadêmicos, docentes externos e até com o motorista do transporte. Em relação ao conteúdo, observa: “Eles colocam em prática os conceitos que aprendem na escola. Ao montar esses carros, podem observar o que funciona e o que não funciona e isso vai além dos recursos didáticos tradicionais’’. Elisane diz que essa atividade também serve como uma porta de entrada para que os alunos considerem a disciplina de Física como uma possível profissão no futuro.

A professora de Ciências da escola, Dra. Joseânia Salbego, ratifica o discurso de que a colaboração entre a UFSM e as escolas-base é importante para os educadores. Isto porque, segundo ela, fortalece o trabalho realizado nas escolas e contribui para a formação dos alunos, o que possibilita o interesse pela educação e pela Universidade.

"Os professores que atuam em escolas-base são sonhadores e tentamos levar esse sonho de que a universidade é acessível para eles".
Joseânia Salbego

Joseânia ressalta que atividades como essas reforçam o que os professores das escolas básicas tentam transmitir em suas salas de aula, porém com menos recursos disponíveis. 

[caption id="attachment_4321" align="alignright" width="224"] Estudantes da Escola Municipal Júlio do Canto na Corrida Maluca[/caption]

Para as estudantes do 9º ano, Amanda Colaço e Clara Militz, o que elas mais gostaram foi a oportunidade de aprender coisas novas: ‘’Nunca passou pela nossa cabeça que dava para construir um carrinho como esse na Física’’. As alunas complementam que participar de uma atividade universitária antes de ingressar no ensino médio é algo importante e que serve como uma experiência prévia, caso decidam entrar em uma Universidade, futuramente.

Deste modo, a parceria entre o curso de Licenciatura em Física da UFSM e a Escola Municipal Júlio do Canto resultou em uma atividade prática que despertou o interesse dos estudantes do ensino fundamental pela disciplina. Essa colaboração fortaleceu o trabalho educacional, incentivando o envolvimento dos estudantes com a Universidade e ampliando suas perspectivas de estudo.

 


Contato da Escola Municipal Júlio do Canto: (55) 3226-1268. Endereço: Rua Bolívia, 119, Vila Soares do Canto - Camobi, Santa Maria - RS.

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.
Revisão e edição: Natália Huber, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

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No dia 28 de junho foi divulgado o resultado da 6ª Chamada Pública de Apoio à Ciência do Instituto Serrapilheira. O Instituto é conhecido por atuar no financiamento e apoio à pesquisa e divulgação científica no Brasil. Na seleção, o projeto de duas docentes vinculadas à Universidade Federal de Santa Maria foi selecionado.

Na categoria Física, uma das selecionadas é a professora Dyana Duarte, do Departamento de Física do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) da UFSM, com o projeto Existem fases exóticas no diagrama de fases da Cromodinâmica Quântica?”. Outra docente contemplada foi Renata Rojas Guerra, do Departamento de Estatística, também do CCNE. Ela foi selecionada na categoria “Matemática”, com o projeto “Modelos dinâmicos para variáveis ​​aleatórias duplamente limitadas: como prever indicadores de desenvolvimento sustentável medidos em taxas e proporções?”. Ambas receberão recursos do Instituto para desenvolver suas pesquisas pelo prazo de cinco anos.

Inovação para explicar a matéria do universo

Tudo ao nosso redor é formado por átomos - pequenas partículas que compõem aquilo que existe no universo, como pessoas, animais, objetos. Esses átomos são constituídos por partículas menores, chamadas prótons e nêutrons que, por sua vez, são formados por fragmentos ainda menores: os quarks e glúons. A teoria que descreve a interação entre essas partículas subatômicas, os quarks e glúons, e a forma como eles se unem para formar prótons, nêutrons e, por consequência, os átomos, é chamada de Cromodinâmica Quântica.

[caption id="attachment_62977" align="alignright" width="400"] Dyana Duarte teve projeto contemplado na categoria "Física" (Foto: Arquivo Pessoal de Dyana)[/caption]

É nesse cenário, que parece ser um pouco difícil de visualizar, que está focado o projeto da professora Dyana, que busca entender as implicações de dados coletados recentemente sobre ondas gravitacionais na Cromodinâmica Quântica. A docente explica que as ondas gravitacionais foram propostas por Einstein há mais de 100 anos, mas apenas muito recentemente puderam ser detectadas a partir de combinações de grandes telescópios ao redor do mundo. “A análise dos dados provenientes dessas observações nos oferecem – pela primeira vez – a possibilidade do estudo da matéria em ambientes extremamente densos como, por exemplo, as estrelas de nêutrons e buracos negros”, comenta a docente.

Para estudar essa “matéria”, conceito que na área física se aplica a tudo aquilo que tem massa e volume, é a Equação de Estado que explica como ela responde a diferentes forças e condições, relacionando propriedades como pressão, volume e temperatura. “Para objetos como as estrelas de nêutrons, por exemplo, é a Equação de Estado que descreve, entre outras coisas, como a massa da estrela varia conforme nos aproximamos de seu interior”, afirma Dyana.

No entanto, mesmo que esse assunto seja tema de estudo há muito tempo, com os novos dados sobre ondas gravitacionais algo parecia estar errado. “O diagrama de fases da cromodinâmica quântica é objeto de estudo na literatura há mais de 50 anos. No entanto, somente a partir de 2016 os cientistas passaram a ter a possibilidade de confrontar os resultados de simulações computacionais e modelos efetivos com dados observacionais, como os de ondas gravitacionais. O mais intrigante, no entanto, é que os dados mais recentes de ondas gravitacionais impõem restrições à Equação de Estado que não podem ser explicados por nenhum modelo existente na literatura”, afirma Dyana. Ou seja, os modelos não funcionam como o esperado quando confrontados com dados de ondas gravitacionais. A docente explica que, até então, não se tinha com o que comparar, então a única possibilidade era a construção de modelos teóricos. “Esses modelos funcionam muito bem para explicar outras situações físicas, mas quando o assunto é a Equação de Estado da matéria densa, a partir dos dados de ondas gravitacionais, tudo sugere que é preciso incluir mais ingredientes” comenta.

[caption id="attachment_62980" align="alignleft" width="620"] Primeira foto divulgada no site do Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory, um dos responsáveis pela primeira detecção de ondas gravitacionais, nesse caso, provenientes da colisão de dois buracos negros. (Créditos: The SXS Simulating eXtreme Spacetimes Project[/caption]

Partindo deste entendimento, o objetivo do projeto proposto pela professora é fazer um estudo de modelos teóricos, levando em consideração os dados recentes, como os das ondas gravitacionais, verificando se, com novos ingredientes e outros indicadores, será possível obter uma Equação de Estado que satisfaça os vínculos observacionais. “A parte inovadora de nossa proposta consiste em verificar se, ao incluirmos ingredientes não usuais, ou seja, partículas estranhas (e diferentes interações), em nossos modelos, seremos capazes de satisfazer as restrições previstas pelos dados observacionais, indicando a presença de fases exóticas no diagrama de fases da matéria densa. Trata-se de um estudo teórico, e as fases exóticas dependem de como vamos considerar os vários tipos de interação entre as diferentes partículas que compõem o sistema”.

Parece complicado, mas se entendermos que o estudo se concentra na base de tudo aquilo que existe no universo, a dimensão da pesquisa se torna ainda maior. Dyana comenta que, sendo a cromodinâmica quântica uma teoria sobre a força que mantém os núcleos dos átomos coesos e, mesmo estando ela bem estabelecida e com conclusões importantes acerca da descrição de resultados experimentais, como os de colisores de partículas, ainda não se tem um entendimento claro sobre o porquê de os quarks estarem confinados nos prótons e nêutrons, formando os núcleos. “Compreender melhor a Cromodinâmica Quântica representa entendermos mais sobre a estrutura e a natureza da matéria que compõe o universo como um todo” explica.

O projeto tem prazo de execução de cinco anos. O valor dos recursos obtidos para cada iniciativa ainda está em aberto, já que, inicialmente, a chamada se propunha a financiar 10 cientistas com dotações entre 200 e 700 mil reais. No entanto, através de uma parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e as Fundações de Apoio à Pesquisa de alguns estados, foi possível selecionar 32 propostas. Assim, os valores totais a serem destinados a cada uma estão sendo discutidos, mas estarão dentro do orçamento proposto.

No caso do projeto de Dyana, os recursos obtidos serão destinados para a aquisição de computadores com bom processamento para simulações numéricas; participação em eventos científicos nacionais e internacionais; visitas técnicas a colaboradores fora do Brasil; convite para pesquisadores fazerem visitas de curta duração à UFSM; e para realizar chamada(s) para bolsa(s) pós-doutorado. “O financiamento do Serrapilheira vai permitir maior mobilidade para os professores e alunos comunicarem seus resultados e conhecerem pesquisadores de diferentes instituições, através da participação em eventos da área, contribuindo para o desenvolvimento de nosso campo de atuação como um todo. Com isso, pretendemos formar jovens cientistas inspirados, qualificados e independentes, o que certamente irá fortalecer a área de Física Nuclear da UFSM e do Rio Grande do Sul de forma geral”, comemora a docente.

O projeto será desenvolvido pelo grupo Strong Interacting Matter in Extreme Environments (SIMEE) da UFSM, que conta com docentes, estudantes de pós-graduação e da Iniciação científica, além de professores da Universidad Nacional Autónoma de México, da Kent State University, e do Institute for Nuclear Theory, os dois últimos dos Estados Unidos. Se junta ao grupo uma rede de colaboração que envolve pesquisadores de diversas universidades do Brasil, como ITA, UERJ, UFSC, UFRJ, UNICAMP e UNESP, e de vários países como Alemanha, Argentina, Chile, Estados Unidos, Índia e México.

Projeto com impacto social

[caption id="attachment_62978" align="alignleft" width="400"] Renata Rojas Guerra vai desenvolver projeto que alia estatística e desenvolvimento sustentável (Foto: Arquivo Pessoal de Renata)[/caption]

A preocupação com o desenvolvimento sustentável também está presente entre as pesquisas contempladas. A Agenda 2030 das Nações Unidas é um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade, buscando equilibrar as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. Para isso, foram traçados 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) que buscam, através de ações concretas, a promoção dos direitos humanos, da igualdade de gênero, dos cuidados com o meio ambiente, entre outros temas. Esses 17 ODS dividem-se em 169 metas e 231 indicadores - e é aqui que a professora Renata começa a pensar seu estudo.

Integrante do Stat UFSM, um programa de extensão do curso de Estatística que tem feito um trabalho de divulgação dos ODS, na perspectiva de popularizar a importância do tema e sua relação com a estatística, Renata, ao olhar a lista de indicadores, percebeu que a maior parte deles são proporções da população que possuem alguma característica de interesse e, como são objetivos a serem alcançados até 2030, há a necessidade de acompanhar esses indicadores ao longo do tempo. “Uma forma de fazer isso é unindo teorias de distribuições de probabilidade, que é um dos temas que estudei no doutorado, com conceitos de séries temporais, que são bem famosos na economia mas pouco explorados no contexto de desenvolvimento sustentável.”, afirma a docente.

Assim, o projeto de Renata tem como objetivo propor métodos para entender o comportamento e fazer previsões de dados que são duplamente limitados e que variam ao longo do tempo. Ou seja, dados que possuem um valor mínimo e um valor máximo. “Um exemplo é o percentual de pessoas que têm acesso ao saneamento básico. Pode ser 0% na pior situação e, no melhor caso, vai ser 100%, então nesse caso estamos tratando de dados entre 0 e 100.”, explica.

[caption id="attachment_62981" align="alignright" width="599"] Para a pesquisa anterior, foi desenvolvido um site que calcula o percentual do volume útil de 11 usinas brasileiras[/caption]

Neste primeiro momento, o objetivo da iniciativa é contribuir para a gestão dos recursos hídricos no contexto da geração de energia. A professora destaca a importância do tema a partir da grande capacidade do Brasil para a geração deste tipo de energia, que é uma energia renovável. “Nós já fizemos um primeiro trabalho focando nas proporções de volume útil de 11 usinas brasileiras. Ao fazer previsões do volume útil dos reservatórios a gente pode fazer um planejamento para as situações em que esses níveis estarão muito baixos e evitar ao máximo o acionamento das termoelétricas, que, além de terem um custo maior, poluem mais”, completa.

Os primeiros resultados do projeto já foram premiados e Renata avalia que o próximo grande desafio é chegar nas indústrias, conversar com empresas e instituições ligadas ao setor energético e mostrar que essas novas metodologias podem ter utilidade para o setor. A professora também se diz animada com a iniciativa e com o potencial que enxerga na pesquisa. “Uma coisa que me empolga muito com esse projeto é a sua versatilidade e o potencial de transpor as barreiras da matemática através de diferentes tipos de aplicação. Os ODS abrangem diversos problemas ligados ao desenvolvimento sustentável”, relata. A professora ainda comenta sobre a possibilidade da utilização do modelo para pesquisas futuras. “Ainda no tema de geração de energia, podemos desenvolver novos métodos para prever o fator de capacidade de usinas eólicas e assim contribuir para a gestão de recursos ligados a esse tipo de energia. Além disso, também podemos trabalhar com taxas de mortalidade e auxiliar no monitoramento de gases do efeito estufa. De fato, uma vez propostos os modelos e fornecidos os códigos de computador, qualquer pesquisador ou cientista de dados poderá usá-los para analisar dados com essas características.” comenta Renata.

Com o recurso que será recebido da chamada, a equipe do projeto, que é composta por pesquisadores e estudantes de universidades brasileiras e estrangeiras, como UFSM, USP, da UFRGS e instituições da Suécia e Colômbia, pretende custear bolsas de iniciação científica, mestrado e pós-doutorado. Além disso, o restante do valor será aplicado em taxas para publicação de artigos, na divulgação de resultados em eventos e na aquisição de equipamentos, como computadores de alto desempenho, para realizar as simulações computacionais e garantir que os modelos funcionem adequadamente.

Jovens pesquisadores e mulheres na ciência

As duas professoras contempladas concordam ao afirmar que editais como este são ótimas oportunidades para profissionais que estão iniciando a carreira. Dyana comenta que esse tipo de chamada é um incentivo para jovens recém contratados, que, em geral, passaram por períodos de pós-doutorado em diferentes instituições, a continuarem desenvolvendo pesquisa de ponta nas universidades que passam a integrar permanentemente. O mesmo ponto de vista é trazido por Renata. “Eu vejo esta chamada como a mais importante para jovens cientistas brasileiros nas áreas de ciências naturais, matemática e ciência da computação. Ao tratar de pesquisas acadêmicas, a maior parte das chamadas é voltada para pesquisadores com muitos anos de carreira e alta produtividade, então o Instituto Serrapilheira nos dá uma grande oportunidade de ter autonomia para atuar em posição de liderança de um grupo de pesquisa”, reflete. Dyana acrescenta, ainda, sobre a importância de estar entre os contemplados principalmente fora do eixo Rio-São Paulo, já que, estar distante desses grandes centros dificulta, muitas vezes, a obtenção de recursos para a participação em congressos da área, viagens técnicas e aquisição de equipamentos.

Outro ponto em que as pesquisadoras concordam é em relação à importância das mulheres no meio científico. Recentemente, Renata ajudou a desenvolver um estudo que mostra a baixa proporção de mulheres fazendo cursos de graduação nas áreas de matemática e estatística e essa desigualdade aumenta ao longo da carreira, de acordo com os níveis alcançados, como mestrado ou doutorado. “No caso da chamada que eu participei, apenas 17% dos candidatos da matemática eram mulheres e eu fui a única que passou para a segunda fase. Esse é um padrão que se mantém em todas as chamadas. No ano passado, por exemplo, esse percentual foi de 14% e não haviam mulheres na segunda fase. É importante olhar para isso, porque o Serrapilheira faz um ótimo trabalho de incentivo à diversidade e à participação feminina, mas eu percebo que há a necessidade de fazer um trabalho de base, incentivando as meninas a atuarem nessa área desde o ensino médio e implementando estratégias que estimulem a permanência na universidade”, afirma a docente.

Dyana destaca duas características do edital que pensa serem importantes para contribuir com a inclusão de mulheres na ciência e com uma maior diversidade na pesquisa. A primeira delas é a extensão de dois anos no prazo para mulheres que tiveram filhos durante o período considerado pelo edital como elegível para concorrer à chamada e a segunda é a destinação de recursos extras para a formação de pessoas de grupos sub-representados. “Esses avanços são muito significativos na busca pela igualdade de gênero e diversidade nos grupos de pesquisa no Brasil. Pessoalmente, me sinto muito satisfeita por ter sido contemplada, e inspirada pela possibilidade de desenvolver este projeto juntamente com nosso grupo na UFSM”, finaliza Dyana.

A chamada pública

A sexta chamada do Serrapilheira destina-se ao financiamento de cientistas em início de carreira, que estejam interessados em grandes perguntas de suas áreas de atuação. Nesta edição foram 249 propostas inscritas e 32 pesquisas selecionadas, das áreas de ciências naturais, matemática e ciência da computação. Os projetos escolhidos receberão entre 200 mil reais e 700 mil reais cada, a serem distribuídos ao longo de cinco anos. A seleção, em duas etapas, é realizada por especialistas de renome em seus campos de conhecimento.

Texto: Mariana Henriques, jornalista
Arte de capa: Daniel Michelon De Carli

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Nesta última quarta-feira (5), estudantes do CCNE puderam participar de mais uma edição do Ciclo de Palestras do Programa de Educação Tutorial (PET) Física da UFSM. Este tem como objetivo divulgar as linhas de pesquisa, laboratórios e trabalhos em andamento no curso de física, proporcionando aos alunos a oportunidade de conhecer essas iniciativas e se orientarem para futuras participações na pesquisa. O evento recebe professores do Departamento de Física ou estudantes da graduação e pós-graduação que possuam amplo conhecimento como palestrantes dos respectivos assuntos abordados.

Neste dia, o convidado Prof. Dr. Jonas Maziero realizou uma apresentação sobre "Relações de Complementaridade Quântica a partir dos Axiomas da Mecânica Quântica". A complementaridade quântica - termo cunhado em 1928 pelo físico Niels Bohr - define que a relação entre matéria (partícula) e energia (onda) são complementares, não opostas. Durante a palestra, Maziero explorou as relações fundamentais entre as variáveis físicas na mecânica quântica¹, destacando a relação  de complementaridade entre essas duas áreas. Utilizando os princípios básicos (axiomas) da mecânica quântica, o palestrante demonstrou como essas relações podem ser entendidas e como podem contribuir para a compreensão dos fenômenos quânticos.

[caption id="attachment_4322" align="alignright" width="225"] Prof. Dr. Jonas Maziero no Ciclo de Palestras[/caption]

Em entrevista realizada pela equipe de Comunicação do CCNE, o professor conta que o interesse do estudo desta temática foi uma iniciativa dos estudantes. Ele complementa:

“Essa pesquisa fundamental é extremamente importante, pois é dela que surgem as descobertas que, no futuro, se tornarão aplicáveis em diversas áreas. [...] Espero que eles percebam e entendam o quanto tempo levamos para desenvolver ideias até chegarmos a uma teoria sólida, como é o caso da mecânica quântica nos dias de hoje e o quanto conseguimos explicar com esses avanços.”

Maziero lidera o "Grupo de Informação Quântica em Fenômenos Emergentes", ativo há nove anos. Este tem o foco na área da mecânica quântica, abordando temas como computação quântica, comunicação quântica e redes neurais artificiais. Através destas teorias, o grupo envolve a busca também por aplicações práticas, o que torna a pesquisa muito mais satisfatória aos estudantes. Para mais informações, a pessoa interessada pode entrar em contato com o Prof. Jonas pelo email: jonasmaziero@gmail.com.

A equipe do PET Física pretende continuar o Ciclo de Palestras na segunda quinzena do mês de agosto, tendo como convidado o Prof. Dr. Muryel Vidmar. Para mais informações sobre as próximas palestras, acompanhe a sessão de eventos do nosso site e as redes sociais do PET Física e do CCNE.

 

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.
Revisão e edição: Natália Huber da Silva, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

 

¹ A mecânica quântica estuda os sistemas da escala atômica ou subatômica, como os átomos, as moléculas, os prótons, os elétrons, dentre outras partículas subatômicas. Os estudos da mecânica quântica possibilitaram o entendimento de muitos fenômenos antes não explicados pela física, como a radiação de corpo negro e as órbitas estáveis do elétron. Saiba mais em: http://www.educamaisbrasil.com.br/enem/fisica/mecanica-quantica

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/07/03/pesquisa-da-ufsm-e-embrapa-mostra-que-o-trigo-absorve-mais-co2-do-que-emite Mon, 03 Jul 2023 13:17:57 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=62826 [caption id="attachment_62827" align="alignright" width="661"]foto colorida horizontal mostra uma extensão de terra que é para ser uma lavoura, com palha na terra, ao fundo uma área de mata, coxilhas, em um dia nublado, e em destaque um equipamento que parece uma placa solar em um tripé com uma antena em cima Torre de fluxo captou os dados em uma lavoura em Carazinho[/caption]

Uma pesquisa realizada pela UFSM e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontou que o trigo tem condições de absorver mais carbono do que emite, contanto que bem manejado, com a redução ao máximo dos períodos de entressafra (pousio), em que o solo fica sem outros cultivos. Com o objetivo de avaliar as diferenças entre emissão e retenção de carbono no sistema de produção trigo-soja, quantificando os fluxos de CO2 em uma lavoura comercial de grãos, o estudo apontou que, durante o ciclo produtivo, o trigo atua como “descarbonizante”, ajudando a reduzir os gases de efeito estufa da atmosfera.

Os resultados deram origem ao artigo "CO2 flux in a wheat/soybean succession in subtropical Brazil: a carbon sink", de autoria do então doutorando em Física da UFSM Gustavo Pujol Veeck e de outros pesquisadores, entre os quais o doutorando de Meteorologia da UFSM Tiago Bremm, a professora Lidiane Buligon, do Departamento de Matemática, o professor Rodrigo Josemar Seminoti Jacques, do Departamento de Solos, e a professora Débora Regina Roberti, do Departamento de Física, orientadora de Gustavo.

Débora explica que a UFSM já executou estudos semelhantes, mas este foi o primeiro em uma lavoura comercial, de dimensões maiores, e não em áreas experimentais. À Universidade coube o processamento dos dados coletados por pesquisadores da Embrapa Trigo em uma lavoura em Carazinho por meio de uma torre de fluxo. De acordo com a professora, a torre de fluxo, que abrange uma área de 30 a 40 hectares, permite uma resposta rápida sobre os fluxos de gases no sistema, gerando uma sólida base de dados em apenas um ano, enquanto outras técnicas de campo demandam até mais de cinco anos para uma resposta segura em relação ao balanço de carbono no ambiente.

Trigo "descarbonizante"

O balanço de carbono foi registrado em cada etapa do sistema de produção, abrangendo o cultivo do trigo, o pousio de primavera (entre a colheita do trigo e a semeadura da soja), o cultivo da soja e o pousio de outono (após a colheita da soja até a entrada da cultura de inverno). Para avaliar o balanço de CO2, a pesquisa considerou a retenção no sistema de produção e a emissão para a atmosfera, descontado o carbono que foi exportado nos grãos colhidos.

O balanço de carbono em cada etapa da produção de grãos, após descontada a quantidade extraída pelos grãos na colheita, mostrou que o trigo incorporou no sistema 75g de CO2 por metro quadrado (m2); a soja, apenas 3g CO2/m2; e os dois períodos de pousio emitiram 572g CO2/m2.

Assim, o trigo apresentou o que os pesquisadores chamam de “balanço negativo” de carbono, já que a cultura sequestra mais carbono do que emite para a atmosfera. A absorção da cultura do trigo durante o ciclo neutralizou as emissões dos períodos de pousio e garantiu a oferta líquida de 185g CO2/m2, ou seja, 1.850kg CO2 por hectare, comprovando a possibilidade de o trigo atuar como cultura “descarbonizante” na produção de grãos do sul do Brasil, região responsável por mais de 90% do trigo e por 30% da soja produzidos no país.

Os resultados da pesquisa apontam ainda os impactos negativos do pousio no sistema de produção de grãos em relação à emissão de CO2. Em apenas 30 dias, foi capaz de emitir 27% de todo o carbono que o trigo e a soja acumularam em 11 meses de cultivo. Dessa forma, o cultivo de inverno ajuda a equilibrar o sistema, já que a soja absorve praticamente o mesmo valor de CO2 que emite, enquanto o trigo retira CO2 da atmosfera. Alternativas para reduzir ou eliminar o pousio entre as culturas no outono, tornando o balanço de carbono ainda mais negativo, seriam plantas de cobertura, para produção de grãos e de forragens.

 

O trabalho no Laboratório de Gases de Efeito Estufa

Os dados coletados por pesquisadores da Embrapa na torre de fluxo em Carazinho foram analisados no Departamento de Física da UFSM pelo
Laboratório de Micrometeorologia, que recentemente se desmembrou também no Laboratório de Gases de Efeito Estufa. Este laboratório é especialista em estimativa de fluxo de gases do efeito estufa entre uma superfície e a atmosfera obtidos por torres de fluxo através da metodologia “Eddy Covariance” (ou covariância dos vórtices).

Este método estima os fluxos de gases entre uma superfície do solo e a atmosfera, através de uma covariância estatística entre as flutuações temporais da velocidade vertical do vento com as flutuações temporais da concentração de gases. A turbulência é o processo físico responsável por estes fluxos na atmosfera, estudado principalmente na área de micrometeorologia. Como os dados a campo podem ser afetados por intempéries e outros fatores, inúmeras técnicas estatísticas para fechamento de falha e processamento final dos fluxos são necessárias, inclusive redes neurais e inteligência artificial.

Esta metodologia é considerada o estado da arte na estimativa dos balanços de carbono em ecossistemas, pois é capaz de fornecer resultados precisos a cada 30 minutos e medidas contínuas a longo prazo, podendo, assim, determinar fatores de emissão em diferentes etapas na produção, apontando períodos que demandam aperfeiçoamento. 

O resultado, segundo Débora, foi traduzido para uma linguagem simples, acessível ao produtor e à assistência técnica, para que os conhecimentos possam ser adotados na lavoura, visando a um manejo mais eficiente das áreas agrícolas na retenção de carbono em prol de um sistema de produção de grãos mais sustentável.

Para a professora, o estudo mostra que o Rio Grande do Sul tem potencial enorme de absorção de carbono, ficando claro que a rotação de culturas e a cobertura permanente do solo trazem mais benefícios do que impactos ao meio ambiente. "É importante não só a título de pesquisa, mas de política pública, de como encaminhar a agricultura gaúcha, e mostra como a agricultura pode ser sustentável se bem manejada", destaca.

Este tipo de dado obtido pela pesquisa da UFSM e Embrapa também será fundamental quando o mercado de carbono estiver regulamentado, porque vai indicar se um determinado sistema de produção agropecuário é emissor ou absorvedor de carbono.

Texto: Ricardo Bonfanti, jornalista, com informações da Assessoria de Imprensa da Embrapa
Arte: Assessoria de Imprensa da Embrapa
Foto: Divulgação

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Marina durante 359ª Simpósio da União Astronômica Internacional (Foto: Arquivo pessoal)

Marina Bianchin,  egressa do Programa de Pós-Graduação em Física e do Grupo de Astrofísica da UFSM, recebeu o prêmio The Gruber Foundation Fellowships. O reconhecimento é destinado, anualmente, a jovens cientistas extremamente promissores na área de astrofísica e é financiado pela Fundação Gruber – uma fundação filantrópica que incentiva a pesquisa, premiando pesquisadores em diversas áreas – em parceria com a União Astronômica Internacional (IAU), e consiste em um valor de 25 mil dólares para financiar a pesquisa ou complementação salarial. Este ano, a bolsa foi concedida a três candidatos: Mohit Bhardwaj, da Índia, Pooneh Nazari, do Irã e Marina, sendo ela a primeira brasileira a receber o prêmio desde a sua criação, em 2000.

Marina cursou Física, bacharelado, mestrado e doutorado na UFSM. Formou-se em fevereiro de 2016; no mestrado em 2018; e no doutorado em 2022. Em outubro de 2022, iniciou pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Irvine, nos Estados Unidos. Atualmente trabalha com dados do telescópio espacial James Webb de galáxias luminosas no infravermelho. Sua aproximação com a área da pesquisa se deu em 2012, no primeiro ano da graduação quando foi contemplada com uma uma bolsa de Iniciação Científica. A estudante foi orientada pelo professor Rogemar Riffel, na graduação e no doutorado. Riffel conta que trabalha com Marina desde o início de sua formação e comenta do empenho que sempre teve: “Marina sempre demonstrou muito interesse pelo conhecimento e pela área, buscando se familiarizar com as técnicas e com a literatura específica. Na pós-graduação mostrou uma maturidade científica, comprometimento e um entusiasmo inspirador pela ciência.” diz. 

Marina conta que começou trabalhando com galáxias ativas e usou isso para aprender programação e ferramentas de análise de dados. Depois do primeiro ano de Iniciação científica, ela e Gabriele Ilha, na época, também, graduanda de Física, começaram a analisar os dados de observações no infravermelho da galáxia em interação. Em paralelo, também iniciou o estudo de aglomerados estelares jovens na Via Láctea, sob a orientação da, agora professora da Unipampa, Eliade Lima, que, na época, era pós-doutoranda do grupo. No doutorado, voltou a pesquisar galáxias ativas, focando na região central desses objetos e especificamente tentando entender como o gás se move nessas escalas. 

Toda a formação de Marina se deu na UFSM e, hoje, o vínculo que possui com a Universidade é na participação em projetos com o grupo de astrofísica, que envolvem, principalmente, o telescópio espacial James Webb. A doutora credita sua carreira e posição atual à Instituição, “com certeza eu não estaria onde estou sem a estrutura fornecida pela UFSM”, afirma. Quanto à premiação Marina diz: “eu sou a primeira brasileira a receber esse prêmio, mas ser a primeira brasileira que teve praticamente toda a sua trajetória escolar na rede pública tem um peso ainda maior. Apesar dos constantes ataques e ameaças sofridos pelas instituições públicas de ensino superior no Brasil, a formação é equivalente à obtida por pessoas em grandes centros”. 

Sobre o doutorado

O doutorado de Marina teve o objetivo de estudar os ventos emitidos por Núcleos Ativos de Galáxias (AGNs), determinando suas propriedades físicas e investigando o impacto desses ventos na formação de estrelas e, consequentemente, na evolução de galáxias. Hoje, sabe-se que a maioria das galáxias – inclusive a nossa – possui um buraco negro supermassivo (de milhões a bilhões de massas solares), mas somente em algumas delas, o buraco negro está capturando matéria. Ao capturar matéria, forma-se um disco de acreção – estrutura formada por materiais difusos em movimento orbital ao redor de um corpo central – no entorno do buraco negro que pode emitir grandes quantidades de energia. Esse fenômeno é chamado de Núcleo Ativo de Galáxia. Para descrever a evolução de galáxias, os modelos cosmológicos devem incluir o efeito dos ventos produzidos no disco de acreção, durante as fases em que o buraco negro está capturando matéria. O trabalho da Marina focou em determinar as propriedades físicas dos ventos de gás, que são os ingredientes dos modelos teóricos. 

Marina, também, participou de um projeto que está em execução pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), e atualmente está trabalhando com dados de outros projetos JWST na Universidade da Califórnia.

Texto: Gabriela Leandro e Tatiane Paumam, acadêmicas de jornalismo e voluntárias da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

Fonte: 55bet-pro.com 

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/06/22/pesquisadora-egressa-da-ufsm-e-a-primeira-brasileira-a-receber-premio-de-prestigio-na-area-de-astrofisica Thu, 22 Jun 2023 15:48:25 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=62582 [caption id="attachment_62655" align="alignright" width="669"] Marina durante 359ª Simpósio da União Astronômica Internacional (Foto: Arquivo pessoal)[/caption]

Marina Bianchin,  egressa do Programa de Pós-Graduação em Física e do Grupo de Astrofísica da UFSM, recebeu o prêmio The Gruber Foundation Fellowships. O reconhecimento é destinado, anualmente, a jovens cientistas extremamente promissores na área de astrofísica e é financiado pela Fundação Gruber - uma fundação filantrópica que incentiva a pesquisa, premiando pesquisadores em diversas áreas - em parceria com a União Astronômica Internacional (IAU), e consiste em um valor de 25 mil dólares para financiar a pesquisa ou complementação salarial. Este ano, a bolsa foi concedida a três candidatos: Mohit Bhardwaj, da Índia, Pooneh Nazari, do Irã e Marina, sendo ela a primeira brasileira a receber o prêmio desde a sua criação, em 2000.

Marina cursou Física, bacharelado, mestrado e doutorado na UFSM. Formou-se em fevereiro de 2016; no mestrado em 2018; e no doutorado em 2022. Em outubro de 2022, iniciou pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Irvine, nos Estados Unidos. Atualmente trabalha com dados do telescópio espacial James Webb de galáxias luminosas no infravermelho. Sua aproximação com a área da pesquisa se deu em 2012, no primeiro ano da graduação quando foi contemplada com uma uma bolsa de Iniciação Científica. A estudante foi orientada pelo professor Rogemar Riffel, na graduação e no doutorado. Riffel conta que trabalha com Marina desde o início de sua formação e comenta do empenho que sempre teve: “Marina sempre demonstrou muito interesse pelo conhecimento e pela área, buscando se familiarizar com as técnicas e com a literatura específica. Na pós-graduação mostrou uma maturidade científica, comprometimento e um entusiasmo inspirador pela ciência.” diz. 

Marina conta que começou trabalhando com galáxias ativas e usou isso para aprender programação e ferramentas de análise de dados. Depois do primeiro ano de Iniciação científica, ela e Gabriele Ilha, na época, também, graduanda de Física, começaram a analisar os dados de observações no infravermelho da galáxia em interação. Em paralelo, também iniciou o estudo de aglomerados estelares jovens na Via Láctea, sob a orientação da, agora professora da Unipampa, Eliade Lima, que, na época, era pós-doutoranda do grupo. No doutorado, voltou a pesquisar galáxias ativas, focando na região central desses objetos e especificamente tentando entender como o gás se move nessas escalas. 

Toda a formação de Marina se deu na UFSM e, hoje, o vínculo que possui com a Universidade é na participação em projetos com o grupo de astrofísica, que envolvem, principalmente, o telescópio espacial James Webb. A doutora credita sua carreira e posição atual à Instituição, “com certeza eu não estaria onde estou sem a estrutura fornecida pela UFSM", afirma. Quanto à premiação Marina diz: “eu sou a primeira brasileira a receber esse prêmio, mas ser a primeira brasileira que teve praticamente toda a sua trajetória escolar na rede pública tem um peso ainda maior. Apesar dos constantes ataques e ameaças sofridos pelas instituições públicas de ensino superior no Brasil, a formação é equivalente à obtida por pessoas em grandes centros”. 

Sobre o doutorado

O doutorado de Marina teve o objetivo de estudar os ventos emitidos por Núcleos Ativos de Galáxias (AGNs), determinando suas propriedades físicas e investigando o impacto desses ventos na formação de estrelas e, consequentemente, na evolução de galáxias. Hoje, sabe-se que a maioria das galáxias - inclusive a nossa - possui um buraco negro supermassivo (de milhões a bilhões de massas solares), mas somente em algumas delas, o buraco negro está capturando matéria. Ao capturar matéria, forma-se um disco de acreção - estrutura formada por materiais difusos em movimento orbital ao redor de um corpo central - no entorno do buraco negro que pode emitir grandes quantidades de energia. Esse fenômeno é chamado de Núcleo Ativo de Galáxia. Para descrever a evolução de galáxias, os modelos cosmológicos devem incluir o efeito dos ventos produzidos no disco de acreção, durante as fases em que o buraco negro está capturando matéria. O trabalho da Marina focou em determinar as propriedades físicas dos ventos de gás, que são os ingredientes dos modelos teóricos. 

Marina, também, participou de um projeto que está em execução pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), e atualmente está trabalhando com dados de outros projetos JWST na Universidade da Califórnia.

Texto: Gabriela Leandro e Tatiane Paumam, acadêmicas de jornalismo e voluntárias da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/05/12/grupo-da-ufsm-desenvolve-projetos-de-aprendizado-de-maquina-em-computacao-quantica Fri, 12 May 2023 21:52:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=61837 Os computadores que a humanidade em geral usa no dia a dia – incluindo os modelos mais modernos, rápidos, seguros e eficientes – estão por se tornar “clássicos” (na acepção de ultrapassados). Ao menos essa é a expectativa dos cientistas e pesquisadores da computação quântica, para os quais a expressão “computação clássica” é usada para se referir aos computadores que atualmente são acessíveis a pessoas comuns, seja para trabalho, lazer ou para a resolução dos mais diversos tipos de problemas. Na UFSM, o Grupo de Informação Quântica e Fenômenos Emergentes, coordenado pelo professor Jonas Maziero, do Departamento de Física, obteve recentemente a aprovação de dois projetos nessa área em editais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ao submeter o projeto intitulado “Computação quântica e aprendizado de máquina quântico”, o grupo de pesquisa foi contemplado com R$ 500 mil na chamada Nº 64/2022, que visa ao acesso às plataformas de computação na nuvem da Amazon Web Services. Na chamada Nº 26/2022, a UFSM consta como instituição parceria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no edital intitulado “Computação quântica na região Sul do Brasil: pesquisa básica, ensino e aplicações”, o qual envolve também a Universidade Federal do Paraná, a Universidade do Estado de Santa Catarina e o Instituto Senai de Inovação em Sistemas Embarcados. Esse projeto foi contemplado com R$ 420,4 mil, sendo R$ 68,1 mil para serviços de computação quântica na nuvem. Princípios quânticos – Teorias físicas estabelecidas antes ao século 20 (anteriormente ao advento da física quântica e da teoria da relatividade), principalmente aquelas que lidam com objetos visíveis a olho nu, incluindo as leis do movimento de Newton, as leis do eletromagnetismo e as leis da termodinâmica, são reunidas sob a denominação comum de “física clássica”. Ao investigar fenômenos na escala subatômica, a física quântica é notória pela complexidade das teorias erigidas pelos cientistas que a desenvolveram e pelos princípios de difícil compreensão, por sua natureza contraintuitiva, que ao longo do tempo têm intrigado inclusive a própria comunidade científica. Para exemplificar a mudança drástica de perspectiva trazida pela computação quântica, basta ver a sua abordagem do código binário, princípio fundamental da computação clássica. Os computadores traduzem todas as informações que armazenam ou que lhe são comunicadas através dos algarismos 0 e 1, correspondentes aos estados respectivos de “desligado” e “ligado”, informações repassadas aos transístores contidos dentro de um chip. Esse estado alternado de 0 ou 1 corresponde ao bit, a unidade mínima de informação na computação clássica. Os computadores quânticos, no entanto, funcionam conforme o princípio da sobreposição. De acordo com esse princípio da mecânica quântica, um elétron – antes de ser medido – se comporta como se estivesse simultaneamente em posições diferentes (horizontal e vertical, por exemplo). Da mesma forma, o processador de um computador quântico transcende a alternância do código binário entre 0 e 1, pois se comporta como se estivesse nos dois estados ao mesmo tempo. A esse dispositivo aparentemente paradoxal de dois estados divergentes (“desligado” e “ligado”), porém simultâneos, corresponde o qubit – a unidade básica de informação na computação quântica. Graças a isso, os computadores quânticos conseguem fazer alguns tipos de cálculos (como a fatoração de números inteiros em números primos) a uma velocidade milhões de vezes maior que a de qualquer computador clássico. É como se, dada uma determinada equação com muitas variáveis, o computador quântico calculasse todas as respostas possíveis paralelamente, incluindo as respostas erradas. E esse é um dos maiores problemas enfrentados no desenvolvimento da computação quântica: as elevadas taxas de erro, resultantes da sensibilidade das propriedades quânticas na interação com o ambiente. Além da sobreposição, outro princípio fundamental para a computação quântica é o do emaranhamento ou entrelaçamento. Essa é a designação de um sistema quântico formado por subsistemas fortemente correlacionados uns com os outros. Trata-se de um fenômeno observado no domínio subatômico, em que partículas interagem de tal forma que o comportamento de uma não pode ser descrito sem referência à(s) outra(s), mesmo que estejam separadas por grandes distâncias. Aplicado à computação quântica, o princípio do emaranhamento diz respeito à capacidade de fazer os qubits se interligarem. No estágio atual de desenvolvimento dos computadores quânticos, essa capacidade é, no entanto, de apenas algumas dezenas de qubits. E, nesse estágio inicial, a compra ou fabricação de computadores quânticos é acessível, em escala mundial, somente a poucas universidades e institutos de tecnologia de ponta e a corporações gigantes nessa área – como Google, Microsoft, Amazon, Intel, IBM e Rigetti. Para se ter uma ideia do domínio tecnológico necessário para a construção de um computador quântico, os seus processadores precisam ser refrigerados até algumas das temperaturas mais baixas já obtidas em laboratório, para garantir a estabilidade das partículas que compõem os qubits. O zero absoluto (0 grau na escala Kelvin, equivalente a - 273,15º Celsius) é impossível de se obter na prática. Então os processadores quânticos são mantidos a temperaturas entre 1 ou 2 graus acima disso. Como a aquisição de um computador quântico é algo fora da realidade econômica do Brasil (e da América Latina), pesquisadores locais que queiram desenvolver projetos nessa área precisam ou trabalhar com simuladores, ou comprar créditos para acesso on-line de computadores quânticos no exterior. É isso que proporciona o edital lançado pelo CNPq em parceria com a Amazon. O projeto do grupo de pesquisa da UFSM aprovado nessa chamada tem como foco o aprendizado de máquina, conceito que tem implicações em outros aspectos de grande relevância na computação atual, como a inteligência artificial e as redes neurais artificiais. Aprendizado de máquina – Embora o “aprendizado de máquina” (machine learning) e a “inteligência artificial” (artificial intelligence) sejam fortemente correlacionados, essas expressões não são sinônimas uma da outra. É difícil, no entanto, estabelecer uma fronteira entre esses dois campos. Em ambos os casos, os computadores (ou programas de computador) “aprendem” a reconhecer padrões a partir das bases de dados disponíveis. Atualmente, o campo do aprendizado de máquina tem mais relação com a elaboração de previsões e sugestões para o usuário, enquanto que o da inteligência artificial relaciona-se mais propriamente com a execução de ações. Um dos modelos usados na aprendizagem de máquina são as redes neurais artificiais (artificial neural networks), cuja criação é inspirada no funcionamento do cérebro humano. O grupo de pesquisa da UFSM leva em consideração que os modelos atuais de aprendizado de máquina “sofrem de problemas tais como a quantidade de dados de treinamento necessários e o elevado número de operações matemáticas que devem fazer. Assim, novas alternativas estão sendo consideradas, sendo o aprendizado de máquina quântico a principal”. O projeto, em sua metodologia, inclui a análise de como a arquitetura das unidades quânticas de processamento influenciam os modelos de aprendizagem de máquina, além de simulações numéricas (tanto em máquinas clássicas como em computadores quânticos) e a aplicação de diferentes métodos para a mitigação de erros. Tendo em vista que a evolução da computação clássica contribuiu, das mais diferentes formas, para o desenvolvimento da ciência e tecnologia, espera-se que no futuro os algoritmos quânticos possam proporcionar um novo salto nas diversas áreas do conhecimento. Isso inclui, entre outras áreas, “a química quântica (simulação de moléculas); transporte e logística (otimização de rotas, organização de estoques e agendas, controle portuário); física de materiais (descoberta de novos materiais, materiais supercondutores a altas temperaturas); machine learning (veículos autônomos, visão computacional, determinação de padrões); medicina (descoberta de novos fármacos, medicina personalizada); finanças (detecção de fraudes, otimização de portfólio); matemática (solução de equações diferenciais, solução de problemas de álgebra linear); segurança cibernética (quebra de códigos criptográficos)”, conforme consta no projeto desenvolvido em parceria entre UFSM e UFSC. Texto: Lucas Casali Arte: Lucas Zanella]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/02/10/observatorio-espacial-com-a-maior-camera-digital-do-mundo-tera-a-participacao-de-professores-da-ufsm Fri, 10 Feb 2023 12:53:35 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=61179 O Vera C. Rubin Observatory está sendo construído no Cerro Pachón, a uma altitude de 2.715 metros, em meio ao deserto do Atacama, no Chile[/caption] Um dos projetos científicos mais ambiciosos da atualidade está em construção no Chile, no deserto do Atacama, o qual, justamente por ser uma das regiões mais áridas do mundo, é considerado também um local ideal para a prática da observação astronômica. Isso porque lá as imagens telescópicas não sofrem a interferência de nuvens, nem da claridade artificial produzida por cidades e povoados. O Cerro Pachón, a uma altitude de 2.715 metros, foi o local escolhido para a construção do Vera C. Rubin Observatory, que vai abrigar o projeto Legacy Survey of Space and Time (LSST). Vizinho de outros dois grandes telescópios instalados no mesmo cerro (o Gemini Observatory South e o Southern Astrophysical Research Telescope), o LSST vai contar com a maior câmera digital do mundo para fotografar o espaço durante 10 anos, todas as noites, tendo quatro objetivos principais: fazer um inventário do sistema solar (identificando inclusive asteroides que podem colidir com a Terra), mapear a Via Láctea, observar transformações no espaço sideral (como o surgimento e desaparecimento de objetos e fenômenos, a variação no brilho de estrelas e galáxias, além de “rastros” deixados por supernovas) e avançar no conhecimento de dois dos grandes mistérios do Universo: a matéria escura e a energia escura. Para o professor Sandro Barboza Rembold, do Departamento de Física da UFSM, a maior inovação proporcionada pelo LSST será a observação, em intervalos curtos (de apenas 10 dias), dos fenômenos registrados no Vera C. Rubin Observatory. Pois, quando se estuda um fenômeno astrofísico, em geral não se têm informações quanto a eventos que mudam rapidamente, principalmente aqueles – a uma distância de milhões ou bilhões de anos-luz – que só podem ser observados através de telescópios potentes, como as galáxias com núcleo ativo. É o comportamento desse tipo de galáxia, que tem como núcleo um buraco negro supermassivo em atividade (cuja massa pode ser milhões ou bilhões de vezes maior que a do sol), que será estudado pelo grupo de pesquisa formado por Rembold, pelos professores Rogemar André Riffel e Jáderson da Silva Schimoia, ambos também da UFSM, e por dois docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): Thaisa Storchi Bergmann e Rogério Riffel. [caption id="attachment_61182" align="alignleft" width="581"] Construída para o LSST, a maior câmera digital do mundo tem capacidade de 3.200 megapixels e pesa mais de 3 toneladas[/caption] A participação desse grupo de pesquisa no LSST é possibilitada pelo Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA), cujas atividades são custeadas por instituições brasileiras de financiamento à pesquisa, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), entre outras. O LIneA foi concebido “para desenvolver uma infraestrutura de hardware e software para dar apoio à participação de equipes brasileiras, compostas de pesquisadores de diferentes instituições espalhadas geograficamente, em projetos geradores de grandes volumes de dados”, conforme informado no site do próprio laboratório. Serão os servidores computacionais do LIneA que, no Brasil, vão armazenar as imagens fornecidas pelo LSST. As mesmas serão disponibilizadas em “nuvem” para os pesquisadores, sem a necessidade de que cada um as descarregue em seus computadores. Isso seria inclusive inviável, tendo em vista a gigantesca quantidade de dados que será gerada pelo LSST. A maior câmera digital do mundo, construída para o projeto, tem capacidade de 3.200 megapixels e pesa mais de 3 toneladas. As imagens que ela vai captar serão tão grandes que seriam necessárias 1.500 TVs de alta definição para visualizar cada uma. Estima-se que, ao longo dos 10 anos do projeto, sejam gerados ao todo 500 petabytes de dados – equivalente a 500 mil terabytes. A câmera também vai explorar o Universo em diferentes comprimentos e frequências de onda, desde o ultravioleta próximo até o infravermelho próximo. Para participar do LSST, o grupo da UFSM e UFRGS conquistou cinco das 15 vagas disponibilizadas para pesquisadores vinculados a instituições brasileiras em chamada pública do LIneA, que também ofertava outras 60 vagas para jovens pesquisadores. Nessa chamada, o grupo de pesquisa teve aprovado o projeto com o título “Curvas de luz de galáxias hospedeiras de núcleos ativos altamente variáveis”. Entre os objetos que o grupo de pesquisa vai monitorar no LSST estão as galáxias de núcleo ativo emissoras de duplo pico. Essas galáxias têm um núcleo constituído por um buraco negro supermassivo que, no espectro ótico, apresenta dois picos (em comprimentos de onda diversos), os quais representam diferentes padrões de rotação dos gases que orbitam o núcleo. Para o estudo, o grupo de pesquisadores da UFSM e UFRGS vai monitorar, por meio das imagens captadas pelo Vera C. Rubin Observatory, aproximadamente 2 mil galáxias e outros 400 objetos mais próximos. [caption id="attachment_61183" align="alignright" width="605"] A previsão é que o telescópio do Vera C. Rubin Observatory esteja em pleno funcionamento a partir do final de 2024[/caption]

Quem foi Vera C. Rubin

Precedida por célebres físicos e astrônomos como William Thomson Kelvin, Henri Poincaré e Fritz Zwicky, a astrônoma americana Vera Florence Cooper Rubin (falecida em 2016), que dá nome ao observatório em construção no Chile, é um elo importante em uma cadeia de cientistas cujas teorias e descobertas forneceram fortes indícios da existência da matéria escura, apontando ainda caminhos inusitados quanto à especulação da natureza desse componente. Ao observar galáxias em formato espiral, Rubin chegou à conclusão de que a velocidade de rotação de estrelas localizadas nas extremidades da galáxia era praticamente a mesma das estrelas mais próximas do núcleo. A partir disso, ela deduziu que a gravidade da massa dos objetos visíveis não era suficiente para explicar esse fenômeno e que, portanto, a quantidade de matéria escura dentro da galáxia teria de ser muito maior que a da matéria visível. Essa e outras descobertas levaram a outro entendimento predominante na astrofísica atual quanto à natureza da matéria escura: a de que esse componente consiste em um tipo desconhecido de partículas subatômicas, e não de objetos de grande massa (como estrelas mortas, por exemplo), como se supunha nas primeiras investigações sobre o assunto. Matéria escura seria um componente sem luz própria, que não reflete luz e tampouco é afetado por magnetismo ou eletricidade. Além de ser um dos principais elementos responsáveis por unir várias estrelas em uma mesma galáxia (afora a força gravitacional das próprias estrelas), o conceito de matéria escura também é usado para explicar outros fenômenos cósmicos, como a atração que as galáxias exercem umas sobre as outras dentro de um mesmo aglomerado. Ainda mais enigmático é o conceito de energia escura, cuja presença no Universo seria mais que o dobro da matéria escura. De natureza igualmente desconhecida, a energia escura seria uma força aceleradora da expansão do Universo. Estima-se que, somadas, a matéria escura e a energia escura constituam aproximadamente 95% de tudo o que existe no cosmos. A previsão é que o telescópio do Vera C. Rubin Observatory esteja em pleno funcionamento a partir do final de 2024. Além da base de dados gigantesca que fornecerá para cientistas mundo afora, o LSST prevê ainda projetos de divulgação científica para o público em geral e a produção de materiais didáticos direcionados para crianças e adolescentes. Texto: Lucas Casali Fotos: Rubin Observatory/divulgação]]>