UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sun, 22 Mar 2026 00:27:29 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/09/30/paleontologos-da-ufsm-e-da-unipampa-apresentam-o-mais-antigo-silessauro-das-americas Fri, 30 Sep 2022 11:48:44 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=59874 [caption id="attachment_59877" align="alignright" width="781"]ilustração horizontal colorida mostra o que seria uma floresta, com o animal descoberto à frente. Ele tem formato longilíneo, cauda longa, corpo em tom térreo e listras brancas difusas Reconstrução da paisagem do sul do Brasil no Triássico, período em que viveu o 'Gamatavus' (primeiro plano). Ao fundo, dois cinodontes do gênero 'Massetognathus' observam a cena (Arte: Márcio L. Castro)[/caption]

Nas últimas décadas, já vem se consolidado o fato de que os dinossauros do sul do Brasil estão entre os mais antigos do mundo. Mas agora, um novo estudo liderado por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA) da UFSM pode indiretamente sugerir que esses animais tenham aparecido no Brasil antes do que se imaginava.

Um estudo publicado nesta semana no periódico Journal of South American Earth Sciences descreve um conjunto de novos fósseis, datados em mais de 237 milhões de anos, entre os quais se reconheceu uma nova espécie de um grupo chave na evolução inicial desses animais. O animal, que em vida teria cerca de 1,5 metro de comprimento, foi batizado pelos especialistas de Gamatavus antiquus. A espécie foi reconhecida com base em um dos ossos do quadril, muito característico de um grupo de dinossauromorfos conhecidos como silessauros.

“É um grupo que até então não tinha sido recuperado em camadas tão antigas de nosso registro”, explica Flávio Pretto, paleontólogo do CAPPA que liderou o estudo. “Os dinossauros mais antigos que temos no Brasil têm por volta de 233 milhões de anos, mas sempre suspeitamos que pudesse haver algo nas camadas subjacentes”, acrescenta.

Apesar de o material recuperado ser incompleto, a equipe de cientistas conseguiu classificar o espécime como pertencente ao grupo supracitado. “A morfologia do ílio desses animais é bem característica, o que faz com que Gamatavus seja agrupado aos silessauros em todas nossas análises”, aponta Rodrigo Müller, co-autor do estudo. “A dúvida que paira é onde os silessaurídeos se encaixam na evolução dos dinossauros”, complementa Maurício Garcia. “Nossos estudos mais recentes têm proposto que eles poderiam ser uma linhagem ancestral aos dinossauros conhecidos como Ornithischia”. Essa proposta contrasta com as hipóteses de parentesco originais para esses animais. “Silessauros eram historicamente considerados um grupo externo à Dinosauria, porém próximo à ancestralidade do grupo”, afirma Debora Moro.

[caption id="attachment_59876" align="alignleft" width="664"]foto colorida horizontal mostra em detalhe pequenos ossos em uma superfície branca, com tres dedos de uma mão tocando em um deles Parte da assembleia fóssil que inclui 'Gamatavus antiquus': em destaque, o ílio que permitiu caracterizar a nova espécie[/caption]

O novo estudo não teve como objetivo avaliar essa questão. “Sejam os silessaurídeos dinossauros verdadeiros ou não, o fato é que preenchemos uma lacuna importante”, avalia Pretto Havia registros de silessauros em camadas geológicas similares em outras partes do mundo, como na Argentina, na Tanzânia e na Zâmbia.

“Nosso novo achado reforça o fato de que essas faunas, de localidades hoje tão distantes, no passado eram muito parecidas”, explica Voltaire Neto, da Unipampa. “De fato, no período Triássico, idade em que viveu o Gamatavus, os continentes todos estavam reunidos formando a Pangea. Faz muito sentido que a fauna e a flora desses lugares fossem parecidas, porque no passado eles estavam muito próximos geograficamente”, acrescenta.

Os novos materiais fazem parte do acervo do Laboratório de Paleontologia e Estratigrafia da UFSM, coordenado pelo paleontólogo Átila Da Rosa, que foi responsável por tombar e salvaguardar os fósseis da nova espécie. O fóssil foi coletado pelo professor Leopoldo Witeck Neto em 2003, em um barranco na margem da rodovia BR 158, em uma localidade conhecida como Picada do Gama, no município de Dilermando de Aguiar. É daí que vem o nome escolhido pelos cientistas para batizar a espécie. Gamatavus antiquus significa “o antigo tataravô do Gama”.

A expectativa dos paleontólogos é agora retornar ao sítio, quase duas décadas depois do achado original, em busca de mais evidências do Gamatavus, ou até mesmo de outros dinossauromorfos que tenham convivido com o animal. “É um achado tremendamente importante”, comemora Pretto. “Mesmo sendo por ora um pequeno fragmento, o Gamatavus é uma evidência concreta de que os silessauros, sejam eles dinossauros ou não, estavam por aqui há muito mais tempo do que imaginávamos. É apenas uma questão de tempo até que mais materiais sejam descobertos. Estamos bastante empolgados com as possibilidades”, afirma.

Ilustrações: paleoartista Márcio L. Castro
Foto: CAPPA/UFSM

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/e-possivel-produzir-gasolina-com-fosseis-dinossauros Fri, 10 Jun 2022 16:54:37 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9319  

Você já deve ter visto tiras de humor como esta:

Descrição da imagem: tirinha em tom de laranja e amarelo com três quadros. O primeiro é vertical em amarelo, com o texto "Todas as criaturas de Deus possuem um propósito na terra". No segundo quadrinho, ilustração de um dinossauro vermelho em frente a um homem de barba branca. Ao fundo, montanhas verdes. Ao lado do dinossauro, balão de fala branco com o texto "Senhor, qual o meu propósito?". Abaixo do homem, balão de fala branco com o texto "Virar petróleo!". No terceiro quadrinho, o dinossauro vermelho está cabisbaixo, na mesma paisagem de montanhas, e, ao lado, balão de fala com o texto "Ok".
Ilustração: Carlos Ruas

Ou postagens nas redes sociais como esta:

Descrição da imagem: captura de tela do twitter da conta "Faria Lima Elevator". O texto: "Como fazer gasolina caseira: primeiro enterre um dinossauro". O fundo é branco.

A crença de que é possível criar gasolina a partir de fósseis de dinossauros circula entre as pessoas há bastante tempo. Isso porque a palavra “combustível fóssil” remete aos fósseis e também porque, segundo algumas teorias, o petróleo é um derivado de restos de animais que viveram há milhões de anos na terra. 

 

Mas será que isso é verdade? A Arco preparou um mitômetro para descomplicar o assunto, verificar se é realmente possível criar gasolina caseira com fósseis e se a origem do combustível está ligada aos animais.

Para isso, consultamos o professor Edson Müller, do Departamento de Química da UFSM, e o pesquisador Átila da Rosa, do Departamento de Geociências da UFSM.

Qual a origem do petróleo?

Descrição da imagem: card quadrado e colorido com cinco dinossauros de brinquedo ao centro. Acima, em preto, o texto "Se petróleo é feito de dinossauros e plástico é feito de petróleo...". Abaixo da imagem, em preto, o texto "... dinossauros de plástico são feitos de dinossauro?". O fundo é branco.
Créditos: Alexandre Berbe/Pinterest

De acordo com Edson Müller, docente do Departamento de Química da UFSM, a teoria de que o petróleo é originário dos fósseis de dinossauros é equivocada. “O petróleo é um combustível fóssil e a origem da etimologia está relacionada com resquícios de animais e plantas. Ele acaba sendo produzido a partir da degradação desses animais e plantas quando são submetidos à alta temperatura e à alta pressão. Então obviamente pode estar relacionado com a questão de restos de dinossauros, mas não só restos de dinossauros”, explica. 

 

O pesquisador Átila da Rosa, do Departamento de Geociências da UFSM, completa explicando que o petróleo é formado pela maturação da matéria orgânica existente no plâncton marinho - organismos microscópicos, de origem animal (zooplâncton) e vegetal (fitoplâncton), que flutuam na superfície do mar.


“Quando morrem (os organismos microscópicos) seus corpos são depositados no fundo lamoso (do mar). Depois de soterrados, ocorre o processo de maturação da matéria orgânica e transformação em querogênio (parte insolúvel da matéria orgânica modificada por ações geológicas), que, por sua vez, se transforma em petróleo. Os dinossauros, ou quaisquer vertebrados marinhos, ocorrem em menor número, e embora sua matéria orgânica também se degrade, são insuficientes para formar tanto petróleo”, afirma o especialista.

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de uma cabeça de fóssil de dinossauro e uma bomba de combustível ao lado de um carro. No lado esquerdo da imagem, cabeça de fóssil grande atrás de três vasos com terra e ossos, ao lado, uma pá amarela. No lado direito, bomba de combustível vermelha e um carro amarelo. Um dos vasos está ligado à bomba de combustível por um cano verde marinho abaixo da terra, que é da cor laranja. Ao fundo, torre verde e esboço de uma indústria e uma torre petrolífera. O fundo é laranja com nuvens brancas.

Ok, a origem do petróleo está, em parte, ligada aos dinos, mas eu posso produzir gasolina caseira com os fósseis desses animais?

Não. O pesquisador Átila da Rosa ressalta que a finalidade dos fósseis, atualmente, está no aprendizado sobre os ambientes e climas do passado. “Servem para auxiliar a entender como e porque aconteceram transformações climáticas e ambientais em tempos remotos, e quais suas repercussões para a extinção de algumas espécies e surgimento de outras”, defende.

 

Ainda, segundo o especialista em química Edson Muller, o combustível é feito a partir da prospecção do petróleo (etapa de localização dos depósitos em bacias sedimentares a partir de análises e observações do subsolo na região), que é submetido a um processo de refino (feito por meio de processos químicos com a finalidade de melhorar o produto). 

 

Geralmente, utiliza-se uma torre de destilação e é possível produzir os diferentes derivados de petróleo: nafta (fração líquida do petróleo), gasolina e óleo diesel. Ou seja, é um processo complexo, não envolve fósseis de dinossauros e só um especialista pode realizá-lo.


“A gasolina é uma mistura bastante complexa. São adicionados antidetonantes para não comprometer o funcionamento do motor do automóvel e ela tem todo um controle de qualidade. Tem que tomar bastante cuidado com os vídeos da internet. Nós dependemos da produção da gasolina a partir do petróleo, o resto é um risco muito grande”, ressalta Muller.

Veredito final: Mito!

 

Não podemos fazer gasolina caseira com fósseis de dinossauros. A origem está ligada a animais e plantas, mas não significa que podemos produzir o combustível em casa. O processo de produção de gasolina é delicado e complexo e só pode ser realizado por especialistas!

Expediente:

Reportagem: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Design gráfico: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Relações Públicas: Carla Isa Costa;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/dinossauro-gigantesco Fri, 05 Nov 2021 13:50:23 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8733 Leonardo Kerber* Em abril de 2021, meu colega, o paleontólogo Elver Mayer, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), entrou em contato comigo para mostrar algumas fotos de fósseis em um barranco lamacento localizado no município de Davinópolis, interior do Maranhão, a quase 650 quilômetros da capital São Luís. O barranco estava próximo a uma obra de construção de uma ferrovia.  Os fósseis se tratavam de algumas vértebras e alguns fragmentos isolados - e, somente pelas imagens, não poderíamos ter ideia do que realmente se tratava. As fotos foram tiradas pelo arqueólogo Daniel Silva, e enviadas ao seu colega, o arqueólogo Jardel Stenio, ambos da empresa ArqueoLogística, que acompanhava a obra. Eles ficaram curiosos e as imagens foram enviadas para o paleontólogo Juan Cisneros, da Universidade Federal do Piauí, seu antigo professor do curso de graduação em Arqueologia, que, por sua vez, encaminhou as fotos para Elver, já que ele atuava em uma universidade não tão distante do município de Davinópolis. Inicialmente, cogitou-se que se tratavam de fósseis de uma preguiça-gigante, que são relativamente comuns no nordeste brasileiro. E, por isso, Elver, especialista em fósseis do Quaternário*, foi chamado para o desafio. Quando Elver compartilhou as fotos comigo, nós dois ficamos muito curiosos com o fato de estarem aparecendo ossos tão grandes naquela região. Nesse primeiro momento, Elver organizou os trâmites para o trabalho de campo junto à Agência Nacional de Mineração. Além disso, comunicou-se com o paleontólogo Manuel Medeiros, da Universidade Federal do Maranhão, que prontamente lhe passou uma série de informações sobre a área de estudo. Entretanto, como estávamos em um momento de aumento do número de casos de Covid-19, e a variante Delta acabava de chegar ao país, a logística para reunir mais paleontólogos para verificar a ocorrência de fósseis ficou comprometida.  Mesmo assim, com a documentação em mãos e contando com o suporte logístico da empresa que construiu a ferrovia e da equipe de arqueólogos que trabalhavam no local, Elver dirigiu de sua cidade até Davinópolis. Em campo, eles encontraram uma série de ossos de um grande animal – tratava-se de um dinossauro que provavelmente viveu entre 145 e 100 milhões de anos atrás - e não de um mamífero pleistocênico* como o cogitado preliminarmente pela foto de ossos aparecendo em meio ao sedimento lamacento. Durante uma semana, em meio a muita chuva e lama, foram recuperados dezenas de ossos do gigante. Entretanto, muito material ainda ficou para ser resgatado.  Foi na segunda etapa do trabalho de campo que eu entrei em ação. No início de junho, dirigi meu carro por pouco mais de 600 quilômetros, de Belém do Pará - onde atualmente desenvolvo projetos no Museu Paraense Emílio Goeldi -  até Davinópolis. No local, encontrei Elver e a equipe de trabalho e escavamos mais ossos do grande animal, vértebras, ossos longos, costelas, diversos pequenos fragmentos e, entre eles, um osso longo e grande, que fomos deixando para coletar por último.  Após embalarmos todos os demais fósseis, começamos a escavar esse osso longo e grande e, para nossa surpresa, era bem maior do que imaginávamos. No total, ele tem mais de um metro e meio, e não está completo - o que indica que era ainda maior. Provavelmente, trata-se de um fêmur desse animal gigantesco, mas ainda faltam muitos estudos para detalhar a identificação dos ossos. Ao todo, foram recuperados aproximadamente 35 elementos desse animal, além de uma série de outros fósseis menos completos, que irão fornecer dados sobre como era esse gigante. Como a equipe estava acostumada a fazer escavações minuciosas, todas as etapas de coleta foram extremamente detalhadas, com desenhos, fotos e vídeos mostrando a disposição dos fósseis no afloramento antes da coleta. Tudo foi devidamente registrado para auxiliar os paleontólogos a compreenderem como se formou aquela concentração de fósseis. Além disso, a equipe aproveitou para gravar um minidocumentário de divulgação científica sobre o achado, mostrando todas as etapas da coleta e entrevistas com funcionários da obra, arqueólogos e paleontólogos. Após a coleta e embalagem adequada dos espécimes, eles foram levados para um laboratório da Unifesspa, 55BET Pro São Felix do Xingú, onde serão agora preparados e estudados pela equipe do Grupo de Estudos em Paleontologia, coordenado por Elver. Existem muitas questões a serem respondidas sobre esse animal gigantesco. Começamos pela pergunta mais simples: quem foi esse animal? Será uma espécie já conhecida pela ciência, ou se trata de uma espécie ainda desconhecida? Depois que descobrirmos a identidade do gigante, teremos que descobrir qual era o seu tamanho e massa corpórea, como andava, como morreu, quem eram os outros animais que coabitavam nesse mesmo ambiente. Enfim, uma série de perguntas que a ciência brasileira irá responder nos próximos anos. Fiquem atentos para novidades! Notas *A escala de tempo geológico se divide em grupos e subgrupos identificados como éons, eras, períodos, épocas e idades.  *Cretáceo: terceiro período da Era Mesozoica, correspondente ao intervalo de tempo entre 145 e 66 milhões de anos atrás.  *Quaternário: último período da Era Cenozoica correspondente ao intervalo de tempo entre 2.58 milhões de anos atrás. Inclui as Épocas Pleistoceno e Holoceno (últimos 11,6 mil anos).

Expediente

Texto: Leonardo Kerber é doutor em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Geociências da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS) e paleontólogo do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM). Atualmente, atua como orientador do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da universidade e é colaborador  técnico entre o Museu Paranaense Emilio Goeldi e a UFSM Ilustradora: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/parque-dos-dinossauros Mon, 04 Oct 2021 16:14:01 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8691

Se recriar dinossauros parece coisa simples no cinema, paleontólogos, na vida real, são desafiados diariamente a extraírem de fósseis, muitas vezes frágeis, raros e pouco acessíveis, informações sobre animais há milhões de anos extintos da face da Terra. Modernas tecnologias têm sido aliadas desses cientistas em sua jornada para desvendar o passado. Ferramentas de digitalização e computação gráfica têm revolucionado a análise de fósseis, revelando hábitos, comportamentos e outras características, como peso e tamanho, de seres que vagavam por nosso planeta num passado remoto. 

A paleontologia é, por natureza, uma ciência de interface, um híbrido de geociências e biociências que tenta compreender a vida do passado. Há um quê de detetive no trabalho de quem segue essa carreira. Por meio de fósseis, que são vestígios raros e incompletos, cientistas se esforçam em reconstruir peça a peça aspectos da (paleo)biologia de organismos que desapareceram da Terra há milhões de anos, muitas vezes sem deixar descendentes. E ainda que os filmes de Hollywood explorem com maestria a temática dos dinossauros – fazendo parecer corriqueiro ver esses animais ganhando vida – um dos grandes dramas da vida de quase todos os paleontólogos reside no fato de que jamais teremos a satisfação de ver nossos objetos de estudo ao vivo e a cores. Enquanto biólogos empreendem expedições para observar seres vivos em seu hábitat natural, ao paleontólogo resta (com sorte) um punhado de fósseis para estudar. 

Não que fósseis não sejam importantes. São verdadeiros tesouros. Mas essas relíquias costumam resistir em ceder a informação que carregam consigo. Fósseis tendem a se preservar sepultados em espessas camadas de rocha, e removê-los dessa matriz é um trabalho delicado. Assim como a rocha é um envoltório duro, fósseis são inerentemente frágeis, e sua limpeza é quase um cabo-de-guerra: de um lado, pesa a ânsia por expor informações inéditas; do outro, a cautela necessária para preservar algo único. Geralmente, para evitar danos irreparáveis ao material, temos que optar por expor apenas uma porção do espécime. A própria raridade dos fósseis traz particularidades: o privilégio de visitar coleções paleontológicas ao redor do globo é para poucos, pois demanda recursos financeiros e contatos profissionais nem sempre ao alcance dos cientistas no Brasil.

Muitos desses obstáculos, no entanto, podem ser superados mais facilmente com a contribuição de um ramo fascinante que floresceu nas últimas décadas: a paleontologia virtual. Os avanços tecnológicos e o aumento da disponibilidade de ferramentas de digitalização e computação gráfica têm impulsionado métodos digitais de análise de fósseis. 

A transposição da morfologia de um fóssil para o meio digital oferece uma série de benefícios. Hoje é possível manipular virtualmente fósseis difíceis de se trabalhar (ossos frágeis, grandes, ou elementos pequenos, quase microscópicos). A digitalização de espécimes permite também construir bancos virtuais de dados morfológicos, facilitando o acesso remoto a coleções. Por fim, a criação de modelos digitais permite analisar os fósseis sob óticas antes impossíveis. É crescente o número de trabalhos envolvendo análises de estruturas internas a partir de tomografias computadorizadas de imagens de raios X, simulações biomecânicas de organismos extintos, além de diversas técnicas de reconstrução e preparação virtual de fósseis. Tudo isso permite recuperar, ou ao menos estimar, muito da informação perdida durante os processos de fossilização. Grosso modo, essas técnicas têm permitido a cientistas “ressuscitar” e “observar” os organismos que estudam, ainda que em ambientes simulados virtualmente.

De volta à “vida”: paleontologia virtual e simulações biomecânicas com modelos do rincossauro Teyumbaita sulcognathus (Triássico do RS, 233 Ma). Da esquerda para a direita: fóssil original, modelo gerado por tomografia computadorizada, malha de elementos finitos, modelo de estresse mecânico (em laranja) e reconstrução artística do animal. Modelagem e Simulação: Flávio A. Pretto. Reconstrução Artística: Márcio L. Castro.

Como se digitaliza um fóssil?

As metodologias de digitalização se dividem em dois grupos: as que modelam um fóssil por completo, incluindo sua estrutura interna; e as que capturam somente a superfície externa do material. No Brasil, o primeiro tipo de imagem explora, sobretudo, as tomografias computadorizadas. Já o segundo grupo é contemplado pelo escaneamento a laser e a fotogrametria, também já adotados no país. 

1- Tomografia computadorizada

Raios X e tomógrafos costumam estar mais vinculados à medicina do que à paleontologia. E de fato, quando Wilhelm Roentgen (1845-1923), professor de física em Wurzburg, Baviera, descobriu os raios X em 1895, provavelmente não tinha ideia de que, no futuro, revolucionaria um campo tão distante de sua área de pesquisa. A possibilidade de observar estruturas internas do corpo humano (ou de qualquer material, na verdade), revolucionou não só a medicina, mas as engenharias e as ciências naturais. A partir de 1970, com os tomógrafos de raios X, tal campo se aprimorou. Um tomógrafo de raios X realiza milhares de imagens, que virtualmente fatiam o corpo a ser analisado. O resultado é uma série de secções (slices tomográficos) que, combinados, podem ser usados para obter um modelo tridimensional das estruturas internas e externas de um objeto de estudo.

No Brasil, os pesquisadores têm tomografado fósseis principalmente fazendo uso de tomógrafos clínicos, disponíveis em boa parte das clínicas de imagem; e microtomógrafos, mais raros, normalmente vinculados a universidades ou institutos de pesquisa. Tomógrafos clínicos permitem escanear fósseis grandes; no entanto, há um limite de resolução de imagem desses aparelhos que dificulta o estudo de estruturas anatômicas muito pequenas. Essa limitação é suprida pelos microtomógrafos, que apresentam resolução bem maior do que a de tomógrafos médicos, mas aceitam apenas amostras pequenas, geralmente de até 10 centímetros, em seu espaço de análise. 

Quanto maior a resolução da imagem, mais detalhes os pesquisadores conseguem ver. Enquanto tomógrafos clínicos muitas vezes trabalham em uma escala de milímetros, microtomógrafos revelam imagens na escala de micrômetros (1 micrômetro [µm] = 0,001 milímetro [mm]). Existem outras tecnologias de escaneamento de fósseis por tomografia, como microtomografia industrial, tomografia de nêutrons e tomografia com luz síncrotron, com resoluções ainda maiores, mas esses equipamentos ainda são raros na América do Sul.

2- Escaneamento a laser e fotogrametria

O escaneamento de superfície, ou escaneamento a laser, só pode ser feito com um scanner de superfície, que, em essência, emite feixes de laser que refletem na superfície de um objeto, sendo captados por um sensor no próprio aparelho. Assim, o scanner calcula a posição de diversos pontos, montando um mapa tridimensional. Combinando essa nuvem de pontos num computador, é possível produzir um modelo tridimensional de considerável fidelidade. Scanners de última geração são inclusive capazes de captar as informações de cor dos fósseis, criando modelos 3D coloridos. Esses equipamentos, porém, ainda são caríssimos.

Por sua vez, a fotogrametria é uma técnica mais barata. Usa uma câmera fotográfica digital e softwares de processamento de imagens. O trabalho envolve a tomada de fotografias do espécime e de marcadores de posição, em diferentes ângulos. Ao importar as imagens para um computador, o software calcula o posicionamento das fotografias usando os marcadores. E, a partir das silhuetas do objeto que está sendo digitalizado, o programa combina as imagens em um sólido tridimensional. Por fim, esse modelo é “embrulhado” digitalmente nas diferentes fotografias, conferindo-lhe a cor do objeto. A fotogrametria tende a gerar modelos menos detalhados que em escaneamento a laser ou tomografias. No entanto, o rápido avanço dos softwares tem melhorado a qualidade dos modelos. A existência de aplicativos gratuitos de fotogrametria torna a opção atraente para pesquisadores.

São diversos os campos em que a modelagem e a digitalização têm se inserido na paleontologia para “trazer os fósseis de volta à vida”. De forma resumida, os estudos de paleontologia virtual se agrupam entre os que observam os fósseis por dentro, explorando sua anatomia interna; aqueles que tentam reconstruir informações perdidas no processo de fossilização; e por fim, os que criam ambientes virtuais de simulação.

No cérebro dos fósseis

Cada uma das regiões do cérebro é responsável por controlar funções específicas. Por exemplo, o olfato é majoritariamente processado nos bulbos olfativos, que costumam ser mais desenvolvidos nos animais que dependem desse sentido. Num caminho inverso, podemos inferir muito dos comportamentos e do hábito de vida de um animal observando o formato e a configuração de seu processador central (o cérebro) e dos órgãos sensoriais anexos. Isso abre uma janela de oportunidade para inferir comportamentos de animais extintos. O estudo da evolução morfológica das estruturas endocranianas é realizado majoritariamente através de moldes endocranianos (endocasts), que são representações tridimensionais de qualquer cavidade interna do crânio (como a cavidade nasal, ouvido, canais neurovasculares e, especialmente, a cavidade encefálica). 

Desde a primeira metade do século 19, pesquisas reconhecem a importância do estudo da anatomia interna do crânio para compreender a evolução do cérebro. Antes do advento da tomografia, essa informação só era disponível em espécimes com cavidades internas expostas em fósseis quebrados (natural ou propositalmente) ou fatiados manualmente. Era comum também o estudo de moldes naturais ou de látex, processos que comumente geravam danos ao fóssil. 

Atualmente, imagens de tomografia permitem preencher as cavidades internas virtualmente e gerar modelos tridimensionais das estruturas de interesse, numa dissecção virtual. Visto que estruturas como o cérebro deixam impressões de seu relevo nas cavidades ósseas que o alojam, um molde endocraniano virtual é uma representação fiel do órgão, produzida de maneira mais segura e rápida. Têm se criado verdadeiros bancos de dados de moldes endocranianos de animais extintos e viventes, permitindo avaliar o quanto essas estruturas variaram ao longo das linhagens. De acordo com conceitos estabelecidos pelo cientista estadunidense Harry J. Jerison, da Universidade da Califórnia, em 1973, a massa de tecido neural de uma determinada região do encéfalo se correlaciona com sua capacidade de processamento. Assim, comparando-se dimensões relativas de áreas cerebrais em diferentes espécies, pode-se indiretamente traçar hipóteses sobre a evolução das capacidades sensoriais e cognitivas de animais extintos. 

Dinossauros na balança

Descobrir o peso de um animal extinto é um desafio e tanto. De um dinossauro ou de um mamute, restam, em geral, ossos fossilizados, e mesmo esses têm sua massa alterada pela incorporação de minerais. Portanto, pesar um esqueleto fóssil não diz nada a respeito do animal original. Para conseguir essa informação é necessário realizar uma estimativa de massa. Historicamente foram desenvolvidos diversos métodos com esse propósito, normalmente comparando animais extintos com viventes de tamanhos similares. 

Para animais de tamanho muito grande (como dinossauros) ou de morfologias corporais muito diferentes de animais atuais, a margem de erro dessas estimativas tende a ser grande. Mas a paleontologia virtual tem trazido avanços na área. Por exemplo: ao se montar virtualmente um esqueleto digitalizado, é possível, a partir de algoritmos de embrulho, “envelopar” virtualmente o objeto de estudo em uma espécie de “casca” geométrica, que representa o volume mínimo que aquele animal teria hipoteticamente. Aplicando a esse volume uma densidade corporal (na maioria dos animais viventes em torno de 1000 kg/m³), pode-se estimar um valor mínimo de massa para o organismo modelado. 

Em muitos casos também, estudos anatômicos reconstroem os volumes musculares de animais extintos. Valendo-se desses dados, pode-se guiar reconstruções paleoartísticas digitais, literalmente esculpindo-se o animal sobre os ossos. Essas reconstruções podem ter seu volume facilmente calculado por softwares de manipulação de modelos tridimensionais. Novamente, aplicando-se um valor de densidade corporal, pode-se “pesar” virtualmente um animal do qual só restam os ossos.

Da engenharia à paleontologia

Uma das áreas da paleontologia virtual que mais tem crescido é a das simulações biomecânicas através de modelos digitais. Combinando dados de massa e de morfologia corporal, por exemplo, é possível calcular o centro de gravidade de um animal, o que é vital para se inferir se o seu equilíbrio em duas pernas era possível. E a relação entre a massa corporal e a resistência mecânica dos ossos dos membros que sustentam um animal nos permite estimar o quanto ele poderia forçar sua estrutura óssea. Animais corredores e saltadores, por exemplo, tendem a ter ossos muito robustos, apesar de apresentarem massa corporal comparativamente baixa, justamente para compensar o impacto excessivo gerado por essas atividades físicas extremas.

De fato, as análises de resistência mecânica do esqueleto, aliadas a técnicas digitais, têm trazido alguns dos avanços mais empolgantes referentes à paleobiologia de animais extintos. Um conceito que vem sendo empregado amplamente é a Análise de Elementos Finitos ou FEA (do inglês Finite Element Analysis). Esta metodologia é explorada há décadas por engenheiros e designers de estruturas para testar virtualmente um objeto antes de construí-lo, de modo a identificar falhas mecânicas que possam levar a rachaduras ou fraturas. Paleontólogos vêm desde o final dos anos 1990 replicando os mesmos exercícios com esqueletos virtuais de animais extintos. Em um crânio digitalizado, por exemplo, é possível modelar as propriedades físicas e mecânicas (como elasticidade e resistência) de ossos. Em seguida, aplicam-se sobre esse modelo diversas forças que simulem distintos cenários de mordidas, impactos ou outros estresses mecânicos de interesse, de modo a identificar, na estrutura óssea, quão resistente (e quão verossímil) é o comportamento inferido a um determinado animal. Desse modo, paleontólogos podem testar como o crânio de um tiranossauro resistia ao impacto de uma mordida de quase cinco toneladas sem se despedaçar, ou mesmo comparar a performance mecânica de diferentes morfologias, e como elas se comportavam hipoteticamente em diferentes situações de vida.

A inclusão de metodologias de análise digital, portanto, tem lançado um novo olhar sobre os fósseis e as próprias hipóteses levantadas para organismos extintos. Ao mesmo tempo em que as técnicas de digitalização nos proporcionam acessar coleções via internet e depositar bancos de dados tridimensionais em discos rígidos, elas nos permitem interagir com os fósseis de maneiras novas, virtualmente livres de risco para o patrimônio. E, embora cientistas ainda estejam longe de verem espinossauros e mamutes correndo livres pela natureza, de certo modo, comportamentos e hábitos desses animais vêm sendo “ressuscitados” dia a dia nas telas de computadores e nos dados de pesquisas científicas.

* Texto produzido por Flávio A. Pretto e Leonardo Kerber, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM. Originalmente publicado na Revista Ciência Hoje

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/12/12/projeto-cria-replicas-de-fosseis-para-captar-recursos-para-o-cappa-ufsm Wed, 12 Dec 2018 12:59:31 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=45994 [caption id="attachment_45995" align="alignleft" width="350"]Vários souvenires de fósseis, incluindo chaveiros e réplicas de crânios de dinossauros Réplicas de fósseis que serão utilizadas como souvenires no Cappa[/caption]

O projeto “Oficina de réplicas e souvenires do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia - CAPPA” tem como objetivo produzir e vender réplicas de fósseis de pequeno e médio porte, com alta resolução. A proposta, coordenada pelo professor e biólogo Flávio Augusto Pretto, do Cappa, do Centro de Ciências Naturais e Exatas, volta-se para a produção de réplicas para museus e souvenires para a Mostra Paleontológica do Cappa.

O intuito do projeto é difundir o acervo dos fósseis da região da Quarta Colônia, que está no Cappa, para outras instituições, além de disponibilizar aos visitantes peças e materiais sob aforma de souvenires. Há também a previsão de criar coleções didáticas, com base nos fósseis encontrados na região. Portanto, o projeto tem dois aspectos,comercial e museológico.

Museus do mundo inteiro vendem itens temáticos, como camisetas, chaveiros e réplicas de peças do próprio acervo. O valor proveniente da comercialização dos produtos tende a ser revertido na manutenção das exposições e fomentar a continuidade das pesquisas.

O aspecto museológico tem como objetivo garantir a preservação das peças mais frágeis e permutar com outras instituições e colecionadores. Os espécimes mais frágeis tendem a ser expostos com réplicas de alta fidelidade, enquanto os originais ficam resguardados em salas de reserva técnico-científica. Já a permuta de réplicas é considerada uma prática corriqueira e possibilita a disseminação do conhecimento paleontológico.

A cópia dos materiais é realizada tanto manual quanto digitalmente, incluindo processos de modelagem e impressão 3D. Como resultado, são obtidas réplicas em ABS ou em resina de poliéster, materiais duráveis, e que após o tratamento ficam com aparência similar ao real.

Visitação

A visitação é guiada pelos paleontólogos do centro. As visitas em grupos superiores a dez pessoas devem ser agendadas com antecedência através do e-mail: cappa@55bet-pro.com. Mais informações no site

Texto: Kelly Martini, assessora de imprensa da Fatec

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OS RESTOS MORTAIS DO FUNDADOR DA UFSM ESTÃO GUARDADOS NA INSTITUIÇÃO?

A edificação com 14 metros de altura de concreto e espelhos situada entre a Reitoria e o terminal de ônibus é um obelisco em memória a José Mariano da Rocha Filho, fundador da UFSM. Existem alguns mitos sobre essa construção; entre eles o de que sua forma triangular seria uma menção à maçonaria e o de que os restos mortais de Mariano da Rocha estariam no local. Pedro Saurin*, que foi o engenheiro do projeto, esclareceu que, diferentemente do que muitos pensam, o projeto não está relacionado aos maçons. Sua forma foi imaginada por Antonio Carlos de Lemos, membro da Associação dos Amigos do Memorial Reitor Mariano, como algo que “elevasse a memória de Mariano e refletisse o sol com esplendor, representando a luz do conhecimento”. Já a guarda dos restos mortais realmente está prevista no projeto do memorial. A ideia é que eles fiquem acolhidos em uma urna dentro do edifício. No entanto, ela ainda não está lá, assim como também falta concluir outras estruturas previstas na planta arquitetônica, como um espaço de visitação que apresente a história da UFSM e um lago em torno da passarela de concreto. O Memorial de Mariano da Rocha foi financiado via Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LIC) e pela própria família Mariano da Rocha.

POR QUE SÃO ENCONTRADOS TANTOS FÓSSEIS NA REGIÃO DE SANTA MARIA? 

A região central do Rio Grande do Sul, incluindo todas as cidades entre Mata e Venâncio Aires, está assentada sobre rochas sedimentares do período Triássico, formadas há mais de 200 milhões de anos. Essas rochas registram diversos ambientes do passado, relacionados aos rios e suas planícies de inundação (“várzeas”), cujos depósitos se transformaram respectivamente em arenitos e lamitos. Em cada exposição dessas rochas, natural ou artificial, podem aparecer os registros dos animais e vegetais do passado, conhecidos como fósseis. Já foram registrados fósseis de vertebrados, invertebrados e plantas, tanto de grande quanto de pequeno porte. Entre os vertebrados existem diversos répteis, como os dicinodontes e os cinodontes, que deram origem aos mamíferos, os arcossauros, procolofonoides, peixes, anfíbios e os dinossauros. Entre estes últimos se incluem os mais primitivos do mundo, como Staurikosaurus pricei e Saturnalia tupiniquim, dinossauros encontrados em Santa Maria.

É VERDADE QUE O COMPORTAMENTO DOS PORCOS PODE SER AFETADO PELA MÚSICA?

Os sons, de um modo geral, podem estimular os animais a demonstrarem comportamentos desejáveis ou desencadear reações de medo. A música em si tem o poder de influenciar o comportamento e as respostas fisiológicas de diversas espécies, de forma positiva ou negativa, dependendo do estilo considerado e da forma como ela é aplicada. Até mesmo plantas podem ter seu potencial de germinação alterado em razão do estilo musical ao qual são expostas. Trabalhos realizados pelo Laboratório de Ambiência e Bem-Estar Animal da UFSM em Palmeira das Missões indicam que leitões que ouviram música (A Valsa das Flores, de Tchaikovsky), durante a maternidade e creche, apresentaram menos manifestações de comportamentos de luta. Já suínos na fase de terminação tiveram maior ingestão diária de alimento quando submetidos ao rock and roll, embora o ganho de peso tenha sido maior em animais que ouviram música clássica ou que não ouviram música. Muitos estudos ainda devem ser realizados para que a música seja considerada um enriquecimento ambiental, e não um desencadeador de estresse para os animais. Colaboradores: professores Átila Augusto Stock da Rosa, Juliana Sarubbi e o engenheiro Pedro Saurin. Nota da editora: O engenheiro Pedro Saurin faleceu em julho de 2014. A entrevista que ele concedeu à Arco foi realizada em março de 2014.
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