UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Fri, 06 Mar 2026 12:56:41 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/12/17/nova-descoberta-revela-pela-primeira-vez-a-face-de-um-dinossauro-conhecido-ha-25-anos Tue, 17 Dec 2024 18:00:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67969 [caption id="attachment_67970" align="alignleft" width="696"] Paleontóloga Lísie Damke com o crânio fossil de Saturnalia tupiniquim (crédito Rodrigo Temp Müller)[/caption]

O primeiro dinossauro brasileiro foi descoberto em Santa Maria em 1936, mas só foi oficialmente descrito em 1970, recebendo o nome de Staurikosaurus pricei. Quase três décadas depois, em 1999, um novo dinossauro foi anunciado para o município. Recebido com grande entusiasmo pela comunidade científica, o réptil foi batizado de Saturnalia tupiniquim. Com cerca de 230 milhões de anos, ele se destacou por ser um dos dinossauros mais antigos já conhecidos no mundo. Apesar de boa parte do esqueleto fóssil ter sido preservada, a região facial não foi recuperada. Portanto, até então, não era possível determinar como foi a verdadeira face desse dinossauro. Esse cenário muda a partir de agora, com uma nova descoberta anunciada por pesquisadores da UFSM.

Os fósseis estudados foram escavados em 2018 no sítio fossilífero Cerro da Alemoa, localizado em Santa Maria. Depois disso, eles passaram por um minucioso processo de limpeza, que envolve a remoção da rocha que reveste os fósseis. Essa etapa revelou a presença de três indivíduos, sendo que um deles preservou o crânio quase completo. Ao observar a anatomia dos ossos que compõem a face do dinossauro, os pesquisadores ficaram surpresos com sua morfologia delicada e grácil. Assim, carinhosamente apelidaram o espécime de “Gracinha”. 

[caption id="attachment_67971" align="alignright" width="638"] Sítio fossilífero Cerro da Alemoa em 2023[/caption]

Com base nas dimensões dos fósseis, foi possível determinar que eles pertenceram a dinossauros com aproximadamente 1,50 metros de comprimento. Ainda, a ocorrência de características únicas permitiu atribuí-los a espécie Saturnalia tupiniquim. Diante dessa constatação, a descoberta de materiais cranianos trouxe à tona uma série de novos dados a respeito desse dinossauro. A espécie teria um crânio relativamente curto e afunilado, com dentes em forma de punhal e munidos de serrilhas. Essas características são típicas de animais carnívoros. A curiosidade é que a espécie pertence à linhagem de dinossauros conhecidos por seu tamanho gigantesco, pescoço longo e dieta herbívora. No entanto, a explicação para isso é que Saturnalia tupiniquim foi um membro muito primitivo dessa linhagem, mantendo uma dieta carnívora e um tamanho corporal reduzido, características comuns aos seus ancestrais.

Uma espera de 25 anos

A descoberta de um crânio quase completo de Saturnalia tupiniquim também contribui para encerrar uma discussão que perdura há 25 anos. Com base nos poucos ossos cranianos descritos em 1999, pesquisadores sugeriram que a espécie teria um crânio pequeno em comparação com outros dinossauros de idade similar. Essa característica ajudaria a agrupar Saturnalia tupiniquim com dinossauros gigantes e herbívoros. Novas estimativas publicadas em 2019, baseadas em tomografias dos materiais recuperados em 1999, deram mais respaldo a essa hipótese. No entanto, foi apenas com a recente descoberta que essa hipótese pôde ser definitivamente confirmada. De fato, Saturnalia tupiniquim possuía um crânio relativamente pequeno. Os pesquisadores acreditam que essa característica, juntamente com sua dentição carnívora, pode ter ajudado a espécie a realizar movimentos rápidos com a cabeça para capturar presas.

Fim das pesquisas?

Após uma espera de 25 anos, o quebra-cabeças do Saturnalia tupiniquim finalmente está se aproximando de seu desfecho — ou quase. Paleontólogos destacam que ainda há muito a ser descoberto sobre esse dinossauro. Atualmente, novas pesquisas estão em andamento, envolvendo mais fósseis e diferentes abordagens, com o objetivo de desvendar outros aspectos da vida dessa criatura que habitou a região central do Rio Grande do Sul há 230 milhões de anos. Com essas investigações, espera-se compreender melhor o desenvolvimento desse dinossauro, seu comportamento e as interações com os outros organismos que coexistiram com ele em seus ecossistemas. Nos próximos anos, mais informações sobre esse fascinante dinossauro de Santa Maria deverão ser reveladas.

A equipe

A pesquisa foi conduzida por Lísie Damke, ao longo de sua pesquisa de Mestrado em Biodiversidade Animal (UFSM), sob orientação do Dr. Rodrigo Temp Müller (CAPPA/UFSM). Também participaram do estudo os pesquisadores Dr. Max Cardoso Langer (USP) e Dr. Átila Augusto Stock Da-Rosa (UFSM). A pesquisa recebeu apoio do CNPq, INCT Paleovert, CAPES e FAPESP.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia

Quem tiver interesse em conhecer os dinossauros da região central do RS, assim como outros fósseis, pode visitar o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM) no município de São João do Polêsine. O município faz parte do Geoparque Quarta Colônia UNESCO. O CAPPA/UFSM fica aberto para visitação de segunda a domingo em horário comercial e a visita não tem custo.

Texto: Cappa
Fotos: Rodrigo Temp Müller

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/02/06/cientistas-apresentam-o-esqueleto-mais-completo-ja-descrito-para-um-superpredador-de-240-milhoes-de-anos Tue, 06 Feb 2024 23:11:20 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65139 Reconstrução artística de Prestosuchus chiniquensis, em arte de Márcio L. Castro[/caption] Foi publicado na última semana, no periódico científico The Anatomical Record (dos EUA), um estudo apresentando detalhes do esqueleto de um predador de cerca de 240 milhões de anos. A equipe liderada pela paleontóloga Bianca Mastrantonio, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), descreveu o esqueleto mais completo de Prestosuchus chiniquensis já encontrado até o momento. Coletado em rochas do município de Dona Francisca, o fóssil foi estudado por uma equipe de pesquisadores de quatro instituições e dois países. O estudo contou com a colaboração de paleontólogos do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM. “Prestosuchus é um animal icônico”, pontua Bianca. “Foi o maior predador que já habitou nosso estado, e na época em que viveu estava entre os maiores predadores do mundo.” [caption id="attachment_65141" align="alignleft" width="430"] Acima, foto do bloco original. Abaixo, desenho esquemático dos ossos preservados. Os elementos do crânio foram marcados em cinza e os ossos pós-cranianos, em branco (arte gráfica: Téo Veiga de Oliveira)[/caption] A espécie foi descoberta há quase um século, em uma expedição empreendida pela Universidade de Tubinga (da Alemanha) no ano de 1928, na região de Chiniquá, no município de São Pedro do Sul. Contudo, era conhecida principalmente por esqueletos incompletos e fragmentados. “Isso sempre foi um problema”, explica o professor Cesar Schultz, da Ufrgs, coautor do estudo. “Para que possamos atribuir vários fósseis a uma mesma espécie, precisamos que eles preservem os mesmos ossos. E no caso de Prestosuchus, muitos dos fósseis conhecidos eram de diferentes partes do esqueleto, sem sobreposição de elementos”. “Essa é a beleza deste esqueleto”, comemora a paleontóloga argentina Julia Desojo, da Universidade Nacional de La Plata, que também participou do estudo. “Temos quase todos os ossos do crânio preservados, e a maior parte do esqueleto pós-craniano. Esse nosso espécime será um dos principais materiais de referência para a espécie.” “Essa é uma das conclusões do estudo” explica o pesquisador Marcel Lacerda, do Museu Nacional. “Por sua completude, o novo material agora permite comparar espécimes fragmentários, e confirmar que a maior parte deles, coletados no último século, são todos da mesma espécie.” Prestosuchus foi um animal quadrúpede e carnívoro. “Evolutivamente falando, ele está na raiz de uma linhagem chamada Loricata, que viria a dar origem aos atuais jacarés e crocodilos”, avalia a paleontóloga Letícia Rezende de Oliveira, do Cappa/UFSM. [caption id="attachment_65142" align="alignright" width="504"] Parte da equipe de autores do estudo, durante trabalho desenvolvido com o espécime, em 2023. Da esq. para a dir.: Flávio Pretto e Letícia Rezende, ambos do Cappa/UFSM, e Bianca Mastrantonio, da Ufrgs, que liderou a equipe. Na foto, a pesquisadora está segurando um dos fêmures (osso da coxa). Por esse osso, que mede quase meio metro de comprimento, pode-se ter uma noção da escala do animal[/caption] A equipe ainda levou um fragmento do úmero do animal até o Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde aspectos de sua biologia foram inferidos a partir de análises histológicas. “Analisando os ossos microscopicamente, pudemos identificar que o animal estava crescendo de forma lenta, além de apresentar várias linhas de crescimento, que sugerem que esse animal já fosse um adulto”, aponta o paleontólogo Brodsky Farias, da Ufrgs. “E provavelmente o animal ainda estava em fase de crescimento.” “Isso não surpreende”, aponta o paleontólogo Flávio Pretto, do Cappa/UFSM. “O indivíduo que estudamos nesse trabalho teria um pouco mais de quatro metros de comprimento. Mas conhecemos outros fósseis do animal que eram pelo menos duas vezes maiores.” O fóssil descrito pelo grupo de pesquisadores faz parte do acervo tombado da Ufrgs. O público pode encontrar uma réplica dele (uma cópia feita por Flávio Pretto) em São João do Polêsine, na mostra permanente do Cappa. Em seu acervo, o Cappa conta com outro fósseis de Prestosuchus, que estão sendo estudados no momento, com o objetivo de completar o esqueleto da espécie. A pesquisadora Bianca Mastrantonio ressalta que, mesmo com quase cem anos desde a descoberta dos primeiros fósseis, ainda há segredos a desvendar sobre a biologia de Prestosuchus, e conclui: “Ainda temos trabalho pela frente”. Texto: Cappa]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/11/24/novo-fossil-de-dinossauro-e-encontrado-pelo-cappa-ufsm-em-restinga-seca Fri, 24 Nov 2023 13:33:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64625 [caption id="attachment_64627" align="alignright" width="755"]Imagem colorida horizontal de um dinossauro, corpo longilíneo, cor térrea, ao fundo árvores Reconstrução em vida do dinossauro em um ambiente triássico (Arte: Johhny Pauly)[/caption]

Um estudo publicado no periódico científico The Anatomical Record em 16 de novembro apresentou o segundo registro de um dinossauro para o município de Restinga Sêca. O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Maurício S. Garcia, Flávio A. Pretto, Sérgio F. Cabreira, Lúcio R. da Silva e Rodrigo T. Müller, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM.

O achado é particularmente significativo pelo fato de que fósseis de dinossauros ainda são raros no município de Restinga Sêca, Rio Grande do Sul. O espécime em questão consiste de um ílio esquerdo – osso que faz parte da cintura – descoberto por Dionatan Cabreira enquanto ajudava o pai, Sérgio, a procurar fósseis. As características ósseas indicam que o fóssil pertenceu a um dinossauro de um grupo chamado de Herrerasauria. No mundo, dinossauros desse grupo são conhecidos no Brasil, Argentina e Estados Unidos. Surpreendentemente, o estudo revelou mais semelhanças com as formas encontradas na América do Norte.

[caption id="attachment_64628" align="alignleft" width="612"]foto colorida horizontal mostra em destaque uma mão segurando um osso basicamente do mesmo tamanho, abaixo uma mesa com outros ossos Ilío de um dinossauro escavado em Restinga Sêca (Foto: Jeung Hee Schiefelbein)[/caption]

Os herrerassauros compreendem um grupo intrigante de dinossauros que existiram por volta de 230 milhões de anos atrás, no Período Triássico. Esses animais representam os primeiros dinossauros predadores de médio a grande porte, podendo atingir até 6 metros de comprimento. Embora a condição fragmentária do novo fóssil impeça o seu reconhecimento em nível de espécie, a descoberta sugere a presença de uma diversidade oculta de dinossauros no Triássico do Rio Grande do Sul, já que ele é diferente de todos os outros herrerassauros brasileiros.

Esse fato destaca a importância de se analisar espécimes fragmentários para que se quantifique com maior precisão a diversidade de formas extintas. Por fim, a descoberta destaca o Brasil como um local crucial para a pesquisa paleontológica, fornecendo informações valiosas sobre os estágios iniciais da evolução dos dinossauros e adicionando um capítulo importante à rica história dos dinossauros sul-americanos.

A pesquisa recebeu apoio do CNPq e da Capes e foi desenvolvida como parte da dissertação de mestrado de Maurício Silva Garcia, pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller, do Cappa/UFSM.

O fóssil está tombado na coleção científica do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/UFSM em São João do Polêsine.

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/07/07/paleontologos-apresentam-novo-estudo-envolvendo-reptil-de-230-milhoes-de-anos-no-rs Thu, 07 Jul 2022 13:25:36 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=59075

Foi publicado na última sexta-feira (01), no prestigiado periódico britânico Zoological Journal of the Linnean Society, um novo artigo que envolveu a colaboração de pesquisadores do Centro de Apoio a Pesquisas Paleontológicas (CAPPA) da UFSM, da Unipampa e da PUCRS.

O trabalho é liderado pelo estudante de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, Daniel de Simão Oliveira, e contou com a colaboração dos paleontólogos Flávio Augusto Pretto (CAPPA/UFSM), Felipe Lima Pinheiro (Unipampa) e Marco Brandalise de Andrade (PUCRS). O estudo aborda a redescrição do arcossauriforme Proterochampsa nodosa, animal predador do Triássico Superior do Rio Grande do Sul.

[caption id="attachment_59077" align="alignleft" width="579"] Os paleontólogos Daniel de Simão Oliveira (à esquerda) e Marco
Brandalise de Andrade (à direita) supervisionam a coleta dos dados de
tomografia computadorizada, realizada no Instituto do Cérebro da PUCRS.[/caption]

Os proterocampsídeos eram répteis predadores de médio porte que viveram durante o período Triássico (há cerca de 230 milhões de anos). Até agora, fósseis desses animais foram encontrados, exclusivamente, em rochas do Triássico da Argentina e do Rio Grande do Sul. Várias espécies desse grupo apresentam características muito semelhantes aos jacarés e crocodilos de hoje em dia, como um focinho alongado, crânio largo e achatado, grandes dentes cônicos e narinas dorsais na ponta do focinho. Tais semelhanças levam os paleontólogos a acreditar que esses animais, provavelmente, teriam uma dieta e hábito de vida similar. Mas, apesar disso, os proterocampsídeos pertenciam a uma linhagem completamente separada dos crocodilianos e seus descendentes, que também já viviam na mesma época.

O estudo agora publicado trata da redescrição anatômica e reavaliação taxonômica de Proterochampsa nodosa, que é o fóssil de um crânio grande (42 cm), quase completo e com sua mandíbula articulada. O espécime foi escavado em rochas do município de Candelária na década de 1970, e descrito em 1982 pelo paleontólogo Mario Costa Barberena. A semelhança com jacarés e crocodilos (ainda que superficial) é o que inspirou o nome do animal (“Protero” = anterior/antigo + “champsa” = crocodilo), algo como “crocodilo antigo” em livre tradução. E esse animal também apresenta, ao longo de sua cabeça, a outra característica que dá nome à espécie: várias protuberâncias em forma de nódulos (“nodosa”). O material só havia sido brevemente descrito na época de sua descoberta e, nas últimas décadas, a relação de Proterochampsa nodosa com a outra espécie argentina, Proterochampsa barrionuevoi, se tornou incerta. Tais problemas levaram à necessidade de re-estudar e reavaliar a espécie.

[caption id="attachment_59078" align="alignright" width="641"] Detalhe do crânio e da mandíbula de Proterochampsa nodosa, que
foram separados virtualmente no novo estudo, a partir das tecnologias de
imagem.[/caption]

Um aspecto inovador do trabalho foi o emprego de tecnologias de tomografia computadorizada para acessar áreas do crânio que são impossíveis de se observar externamente. Por ter sido preservado com a boca fechada, até o momento se desconhecia a anatomia do palato do animal. Através das imagens de tomografia, os pesquisadores puderam, virtualmente, separar o crânio e a mandíbula. “Depois de 230 milhões de anos, o Proterochampsa finalmente abriu a boca novamente” brinca Daniel Oliveira, “e por isso pudemos avaliar em detalhe aspectos desconhecidos de sua anatomia”. Com base no trabalho, foi possível aprofundar e definir melhor as diferenças entre as espécies-irmãs do gênero Proterochampsa. “Confirmamos que os materiais argentinos e brasileiros são duas espécies diferentes, ainda que aparentadas”, reforça Felipe Pinheiro. 

Boa parte do estudo foi realizada durante o período de pandemia de Covid-19. “Tivemos a sorte de realizar as tomografias antes do período de lockdown, de modo que já tínhamos os dados brutos coletados em segurança”, comemora Marco Brandalise de Andrade, curador do Setor de Paleontologia do Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS, onde o fóssil está depositado. De posse dos dados digitais, os paleontólogos puderam trabalhar em rede, remotamente. “Foi um aspecto fundamental do nosso trabalho”, destaca o paleontólogo Flávio Pretto “pois pudemos trabalhar virtualmente, mesmo estando há quilômetros de distância do fóssil. Isso também vai nos permitir difundir esses dados com maior facilidade, pois os modelos do animal agora podem ser compartilhados em rede”.

[caption id="attachment_59080" align="aligncenter" width="1083"] Reconstrução do hábito de vida de Proterochampsa nodosa há 230 milhões de anos[/caption]

 

Texto e imagens: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA)
Arte: Márcio L. Castro

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-maior-esqueleto-de-dinossauros-do-rio-grande-do-sul Fri, 17 Jun 2022 13:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9333 Há cerca de 20 anos, a equipe do Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia (LEP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizava uma escavação de rotina em um sítio paleontológico na área urbana de Santa Maria quando descobriu um fóssil peculiar. 

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de um paleontólogo ajoelhado em um terreno arenoso. Ele tem pele parda, cabelos escuros, barba rala e escura; usa chapéu cinza e luvas brancas; veste camisa branco gelo por cima de camiseta cinza escuro, calça azul marinho e botas pretas; ele está ajoelhado e segura uma picareta cinza com cabo amarelo. O chão é arenoso em tom de laranja pastel, tem algumas pedras em marrom alaranjado. Abaixo do solo, ossos espalhados na terra marrom. Acima do terreno arenoso, vegetação baixa em verde musgo. Acima, o céu azul com nuvens. Dentes serrilhados e em formato de faca, juntamente com pernas musculosas e tamanho avantajado, faziam desse dinossauro, o “Saturnalião”, um animal temível. Do focinho até a ponta da cauda, ele devia medir cerca de quatro metros e meio de comprimento, fazendo dele o maior esqueleto de dinossauro já encontrado no Rio Grande do Sul. Apesar de não estar completo, comparações com animais de parentesco próximo nos permitem visualizar como seria o restante do esqueleto.
Descrição da imagem: ilustração horizontal e em preto de uma simulação de dinossauro do lado de um homem. A simulação está em ícones pretos. No centro do dinossauro, em branco, o nome "UFSM 11330"; imagens de ossos estão distribuídos no focinho, na mandíbula, no pescoço, nas pernas e no calcanhar. Ao lado, na direita da imagem, homem em pé, com altura maior que o dinossauro. Abaixo, linha com flechas dos dois lados, que vai da extremidade da boca até o fim da cauda do dinossauro, e o número "4,5m". O fundo é claro com textura de papel amassado.
Espécime UFSM 11330, o "Saturnalião", e seu tamanho comparado com um humano de cerca de 1,8 m de altura. Os fósseis conhecidos podem ser visualizados na silhueta.
Descrição da imagem: simulação colorida de um dinossauro marrom com pele escamosa. Ele está de perfil, tem a cabeça baixa na altura das costas, curvado, anda sobre duas patas e tem duas patas menores na parte da frente do corpo. Tem cauda longa, que começa grossa e termina fina. O olho é laranja, tem dentes pontiagudos e língua vermelha. Abaixo da cauda, há uma linha preta e o número "1m". O fundo é branco.
Reconstrução do dinossauro em vida. A cauda tem um metro de comprimento.
Porém, antes de conhecer melhor a história desse achado incrível, vamos entender por que os fósseis encontrados no Rio Grande do Sul são alguns dos mais importantes do mundo. Os dinossauros (grupo que inclui as formas não-avianas - extintas há 66 milhões de anos) e as aves constituem os fósseis mais amplamente reconhecidos pelo público geral Eles dominaram as paisagens da maior parte da Era Mesozoica, uma faixa do tempo geológico que se estende mais ou menos de 250 milhões de anos até 66 milhões de anos, e que é dividida em três períodos: Triássico, Jurássico e Cretáceo. Enquanto os dinossauros do Jurássico e Cretáceo, tais como Tyrannosaurus, Diplodocus ou Stegosaurus, já constam no imaginário popular, aqueles do Triássico ainda são pouco conhecidos, apesar de sua importância.
Descrição da imagem: linha dos tempos geológicos horizontal e colorida. Da esquerda para a direita: retângulo cinza com o texto "Pré-Cambriano", entre os números "4,5 vi" e "540 ma"; retângulo verde escuro com o texto "Era Paleozoica", entre os números "540 ma" e "252 ma"; retângulo maior em azul claro com o texto "Era Mesozoica", entre os números "252 ma" e "66 ma". Acima do retângulo da Era Mesozoica, três retângulos menores: o primeiro, roxo, tem o texto "Triássico", e está entre os números "252 ma" e "200 ma"; o segundo, em azul, tem o texto "Jurássico", e está entre os números "200 ma" e "145 ma". O terceiro, em verde vivo, tem o texto "cretáceo" e está entre os números "145 ma" e "66 ma". O último retângulo, em amarelo, tem o texto "Era Cenozoica" e está entre o número "66 ma" e a palavra "Presente". No retângulo do Triássico, há uma flecha vermelha e um ícone de dinossauro, em vermelho, e o número "233 ma". O fundo é branco.
Tabela do tempo geológico indicando a idade (em milhões de anos) aproximada do material estudado.
O Período Triássico se estende de 250 milhões de anos até 200 milhões de anos e começou com a maior extinção em massa já registrada. Essa extinção eliminou a maior parte da fauna do então supercontinente Pangeia, uma massa de terra única que abarcava todos os continentes que nós conhecemos nos dias de hoje. Tal extinção aconteceu ao longo de vários milhões de anos e reduziu muito a diversidade dos animais dominantes da época, como os sinápsidos (grupo que inclui os mamíferos, seus ancestrais e parentes próximos), o que permitiu que os arcossauros (grupo formado por aves, crocodilos, seus ancestrais e parentes próximos) os substituíssem nos ecossistemas continentais. Porém, foi somente em meados do Triássico que os primeiros dinossauros começaram a aparecer.
Descrição da imagem: mapa em imagem horizontal e em tons de vermelho vinho e verde escuro pastel. O mapa é da Pangéia. Lugares como Eurásia, América do Norte, América do Sul, África, Índia, Antártica e Austrália estão em um aglomerado só. Na localização da América do Sul, duas linhas pontilhadas estão ligadas a dois blocos de texto com listagem de tipos de dinossauros: Gnathovorax cabreirai; Staurikosaurus pricei; Saturnalia tupiniquim; Buriolestes schultzi; Bagualosaurus agudoensis; Nhandumirim waldsangae; Herrerasaurus ischigualastensis; Sanjuansaurus gordilloi; Chromogisaurus novasi; Eoraptor lunensis; e Panphagia protos. O fundo é na cor verde escuro em tom pastel.
Ilustração do supercontinente Pangeia, indicando a posição aproximada dos continentes atuais. Círculos vermelhos indicam as posições aproximadas das localidades na Argentina (à esquerda) e no Brasil (à direita) com os mais antigos dinossauros conhecidos, com a lista de espécies para cada um dos países.

Quando consideramos os registros inequívocos, ou seja, aqueles que temos “certeza” a partir da identificação dos esqueletos fósseis ou da datação das rochas, os mais antigos dinossauros são aqueles encontrados em rochas de cerca de 230 milhões de anos no Sul do Brasil e na Argentina. Existem registros de possíveis dinossauros que potencialmente seriam até mais antigos que esses, porém nem todos os autores concordam com a classificação desses materiais ou faltam estudos de datação dos sedimentos dos quais eles procedem para se ter certeza se seriam realmente mais antigos. No Brasil, tais fósseis são encontrados na Formação Santa Maria, que se estende de Leste a Oeste ao longo da depressão central do Rio Grande do Sul. Nem todos os fósseis achados nessas rochas são de dinossauros, mas, mesmo assim, eles são relativamente raros e considerados de extrema importância para a paleontologia mundial no que diz respeito à origem dos dinossauros.

É neste contexto que a equipe do LEP UFSM trabalhava no dia que encontraram um esqueleto incompleto em uma das ravinas avermelhadas do sítio “Cerro da Alemoa”, em Santa Maria. Os fósseis foram exumados em três datas diferentes, por conta do tamanho e da fragilidades dos elementos, e receberam o código UFSM 11330. Logo que foram escavados, os paleontólogos e estudantes sabiam que estavam diante de um animal relativamente grande e que se tratava de um dinossauro. Na época, apenas duas espécies brasileiras de dinossauros encontradas em rochas daquela idade (mais ou menos 230 milhões de anos) eram conhecidas: o Staurikosaurus pricei e o Saturnalia tupiniquim. Com as informações limitadas que tinham em mãos, a equipe considerou preliminarmente que o exemplar UFSM 11330 compartilhava mais semelhanças com Saturnalia; porém, o novo espécime apresentava o dobro do tamanho ou até mais, o que lhe conferiu o apelido de “Saturnalião”.
Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma elevação de terra do tipo arenosa, na cor marrom alaranjado. Há grama e vegetações rasteiras no solo e, ao fundo, árvores altas em verde escuro. No fundo, o céu azul.
Fotografia do sítio Cerro da Alemoa, em que foi realizada a coleta do material estudado.
Ao longo dos anos, outros pesquisadores e alunos iniciaram seus trabalhos de descrição do esqueleto fóssil do “Saturnalião”, mas nenhum trabalho seguiu adiante para publicação final em periódico científico. Foi somente em anos recentes que o “Saturnalião” viria a ser analisado novamente. Em 2017, eu já fazia parte do LEP e, durante uma visita à coleção de paleovertebrados no prédio da Antiga Reitoria, o curador e chefe do laboratório, professor Átila Da Rosa, me mostrou os elementos preservados daquele dinossauro e me ofereceu a oportunidade de trabalhar com o material. Essa pesquisa teve como resultado um artigo científico publicado no início de 2021, que viria a compor um dos quatro capítulos do meu Trabalho de Conclusão de Curso, que defendi no fim de 2019.
Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de um homem de pele branca acrocado sobre solo arenoso de cor marrom alaranjado. Ele tem cabelos escuros; usa máscara preta e chapéu cinza; veste camiseta cinza escura e colete bege, calça preta e botas brancas. Olha para um objeto que está nas mãos. Ao fundo, arbustos e árvores em verde escuro, e o céu ao fundo, claro.
Maurício Garcia em trabalho de campo em um sítio do Período Triássico no município de Agudo (RS). Fotografia por Janaína Dillmann.

Nesse artigo, em co-autoria com os pesquisadores Rodrigo Müller, Flávio Pretto, Átila Da Rosa e Sérgio Dias da Silva, nós reavaliamos o material disponível que constitui o “Saturnalião” e discutimos suas implicações. Após preparação e triagem dos fósseis encontrados, constatamos que, além dos restos pertencentes a um dinossauro, elementos de um rincossauro, tipo de réptil abundante que conviveu com os primeiros dinossauros nas paisagens do Triássico, estavam ali misturados. O esqueleto do “Saturnalião” é composto por ossos da cabeça, coluna vertebral e pernas do animal, vários dos quais são muito importantes para identificar a qual grupo de dinossauros pertenceu aquele indivíduo. 

Para nossa surpresa, o “Saturnalião” estaria mais próximo do grupo Herrerasauridae, que contempla animais carnívoros de médio a grande porte, como o Staurikosaurus, do que aos Sauropodomorpha, como Saturnalia, grupo que inclui os grandes dinossauros saurópodes, que milhões de anos à frente viriam a se tornar os maiores vertebrados terrestres que já existiram.
Descrição da imagem: simulação artística, horizontal e colorida, de um dinossauro alongado, de perfil, com pele verde escuro e acinzentada em alguns pontos. Ele está em uma floresta em tons de verde.
Representação paleoartística do espécime UFSM 11330, o "Saturnalião". Escultura e fotografia por Caetano Soares.
Ilustração horizontal e em tons de cinza de dois dinossauros em movimento. Eles estão sobre água. O primeiro, na esquerda, é do tipo Gnathovorax, está em pé sobre duas patas, tem corpo alongado, cauda grossa e cabeça pequena, e tem penugem na parte do pescoço. O outro, na direita da imagem, é do tipo Saturnalião, é um dinossauro alongado, comprido e robusto, está em pé sobre duas patas e tem outras duas pendentes; tem cauda alongada e grossa e cabeça grande.
Representação paleoartística de dois dos dinossauros encontrados no Triássico da região central do RS. À esquerda Saturnalia tupiniquim e à direita Gnathovorax cabreirai. Ilustração por Matheus Fernandes.

Apesar dos novos dados obtidos, a falta de alguns elementos diagnósticos, como o osso da coxa (fêmur), impediu a atribuição do espécime UFSM 11330, o “Saturnalião”, a uma espécie nova ou a alguma já conhecida. No entanto, o “Saturnalião” é, até então, o maior registro de um esqueleto de dinossauro no Rio Grande do Sul e adiciona à diversidade de herrerassaurídeos, que antes contava apenas com o já citado Staurikosaurus (encontrado em Santa Maria) e Gnathovorax cabreirai (encontrado em São João do Polêsine). Além disso, o grande tamanho do “Saturnalião” nos permite reforçar a ideia de que dinossauros predadores de grande porte estavam presentes há 230 milhões de anos  no Triássico do Sul do Brasil, e nos fornece uma visão mais completa da teia alimentar desta época.

Expediente: Texto: Maurício Garcia, bacharel em Ciências Biológicas pela UFSM e estudante de Mestrado em Biodiversidade Animal pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal - PPGBA/UFSM; Design gráfico: Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista; Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/05/03/um-novo-reptil-de-225-milhoes-de-anos-do-brasil Tue, 03 May 2022 17:13:04 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=58441

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, do Museu Nacional da UFRJ, da Universidade Regional do Cariri, da Universidade Federal do Pampa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da COPPE/UFRJ apresentaram um estudo de revisão sobre um pequeno réptil denominado Faxinalipterus minimus, proveniente de rochas do Triássico (cerca de 225 milhões de anos atrás) do Rio Grande do Sul.

Faxinalipterus foi descrito há mais de uma década (2010), sendo atribuído ao grupo Pterosauria, que reúne os primeiros vertebrados a desenvolverem o voo ativo. Originalmente, o fóssil de Faxinalipterus era composto por ossos do esqueleto pós-cranial e por uma parte do crânio (uma maxila com dentes), encontrados separadamente em duas expedições de campo, ocorridas em 2002 e 2005, no sítio fossilífero Linha São Luiz, localizado no município de Faxinal do Soturno. Assim, não era possível afirmar com certeza se todas as partes pertenceriam a um mesmo tipo de animal. Apesar disso, assumiu-se na época que todos os ossos pertenciam a uma única espécie, denominada Faxinalipterus minimus

A nova análise de Faxinalipterus, permitiu estabelecer de fato que existiam ali duas espécies distintas. Ou seja, a maxila pertenceria a outro animal. Isso foi possível com base na comparação com um novo fóssil encontrado recentemente no mesmo sítio Linha São Luiz. O novo fóssil é composto por um crânio incompleto, cuja maxila exibe as mesmas feições da maxila atribuída a Faxinalipterus, além de partes da mandíbula, partes de uma escápula e de vértebras. A maxila de Faxinalipterus, pode, então, ser incorporada à descrição do novo fóssil que recebeu o nome Maehary bonapartei. O estudo foi publicado em destaque pela revista PeerJ.

“Sempre houve uma grande dúvida se os dois exemplares atribuídos ao Faxinalipterus representavam uma mesma espécie, e se esta se tratava de um réptil alado” comentou Alexander Kellner, especialista em pterossauros que atualmente dirige o Museu Nacional/UFRJ. Tendo examinado o exemplar logo após a publicação em 2010, ele viu que diversos ossos poderiam estar mal identificados e a falta de características diagnósticas dos pterossauros, entre elas a ausência de feições específicas no úmero (osso do braço), como uma projetada crista deltopeitoral, que é típica dos pterossauros. Borja Holgado do Institut Català de Paleontologia Miquel Crusafont (Barcelona, Espanha) também especialista em pterossauros e atualmente pesquisador da Universidade Regional do Cariri (Ceará), analisou o material e concordou com as conclusões iniciais. "Estava claro para mim que se trata de um réptil primitivo que não pertencia aos pterossauros, pois não apresentava nenhuma feição inequívoca dessa linhagem" esclarece Holgado, para logo apontar: "Mas também o conhecimento presente das faunas de finais do Triássico indica que a disparidade de animais da época na qual datam os primeiros pterossauros era tão grande que encontram-se animais que à primeira vista poderiam lembrar pterossauros, mas realmente não são. Isso foi o que aconteceu com Faxinalipterus e Maehary ".

[caption id="attachment_58443" align="alignleft" width="661"] Crânio do Maehary[/caption]

“O material no qual o Faxinalipterus é baseado, é muito frágil e muito incompleto. Além disso, partes dos ossos estavam encobertas por rocha, necessitando uma preparação mais detalhada” comentou Cesar Schultz, da UFRGS, e um dos autores do trabalho de 2010 e da nova pesquisa que acaba de ser publicada. 

A preparação do material original requereu muita experiência, e foi realizada no Museu Nacional. “Felizmente tivemos a possibilidade de fotografar em detalhe todo o exemplar”, salientou Orlando Grillo, que teve o cuidado de reproduzir em forma de desenhos cada detalhe anatômico dos ossos de Faxinalipterus.

Foi com ajuda de um tomógrafo que o enigma foi sendo revelado. “A tomografia computadorizada tem sido uma ferramenta cada vez mais utilizada nos estudos paleontológicos” destaca Ricardo Lopes da COPPE/UFRJ. “É uma análise não-destrutiva que permite a visualização de detalhes anatômicos ainda recobertos pela rocha sedimentar onde o fóssil está preservado” complementa Olga Araújo, também da COPPE.

“No trabalho original de 2010, verificamos que os dentes presentes na maxila de Faxinalipterus eram muito espaçados entre si, o que é uma característica de pterossauros primitivos do Triássico. Porém, a tomografia da maxila demonstrou que os dentes não eram separados, pois muitos dentes haviam sido perdidos na fossilização. Com isso, o padrão da dentição e o próximo espaçamento entre os alvéolos (cavidades onde os dentes se inserem) não eram condizentes com pterossauros,” destaca Marina Soares. 

Após estes estudos, ainda pairava a dúvida sobre quem era, afinal, Faxinalipterus. A solução veio a partir do achado de um novo exemplar que havia sido coletado na mesma região de onde vieram os exemplares de Faxinalipterus. “Coletas sistemáticas têm sido realizadas pelo Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM, revelando uma série de novas espécies fósseis para o Triássico do Rio Grande do Sul” comentou Flávio Pretto. No sítio fossilífero Linha de São Luiz, no município de Faxinal do Soturno, já foram encontrados diversos fósseis, como parentes próximos dos mamíferos, dinossauros e outros répteis. A região onde foram realizadas as escavações fica localizada no território do Geoparque Quarta Colônia Aspirante UNESCO.

“Quando tivemos acesso ao estudo que estava sendo desenvolvido pela equipe do Museu Nacional, ficou claro que a maxila, até então referida à Faxinalipterus, era muito similar ao material que a gente estava estudando,” complementou Leonardo Kerber. “Definitivamente não se tratavam de exemplares de um pterossauro,” reforçou Felipe Pinheiro, da UNIPAMPA, pesquisador também especialista em répteis alados.

Usando uma base de dados anatômicos, a equipe estabeleceu que Faxinalipterus estaria proximamente relacionado aos lagerpetídeos, um ramo considerado como grupo-irmão de Pterosauria em estudos mais recentes. Juntos, lagerpetídeos e pterossauros formam um grupo mais abrangente denominado Pterosauromorpha. Neste contexto, a nova espécie Maehary bonapartei foi posicionada como o membro mais primitivo dentro de Pterosauromorpha. "Isto é, Faxinalipterus e Maehary não são pterossauros, porém são aparentados a eles. Especialmente Maehary se configura como um elemento-chave na elucidação de como as características anatômicas foram evoluindo ao longo da linhagem dos pterossauromorfos até os pterossauros propriamente ditos, totalmente adaptados ao voo", pontua Rodrigo Müller. "Essas espécies, com um comprimento estimado em 30 cm para Faxinalipterus e 40 cm para Maehary, demonstram a importância de prosseguir as coletas de fósseis nessa região".

O nome do gênero da nova espécie vem de Ma'ehary, uma expressão do povo originário Guarani-Kaiowa, que significa “quem olha para o céu” em alusão à sua posição na linha evolutiva dos répteis, sendo o mais primitivo dos Pterosauromorpha, grupo que inclui os tão fascinantes pterossauros. O nome específico é uma homenagem ao principal pesquisador de vertebrados fósseis da Argentina, José Fernando Bonaparte (1928-2020), falecido recentemente, e que atuou ativamente junto com paleontólogos brasileiros em afloramentos do Rio Grande do Sul, na coleta e descrição de muitos vertebrados extintos que viveram durante o período Triássico, incluindo Faxinalipterus.

Agora os pesquisadores seguem em busca de novos achados que ajudem a entender como sugiram as primeiras formas desse tão fascinante grupo, os pterossauros.

 

Texto: Alexander W.A. Kellner, Borja Holgado, Orlando Grillo, Flávio Augusto Pretto, Leonardo Kerber, Felipe Lima Pinheiro, Marina Bento Soares, Cesar Leandro Schultz, Ricardo Tadeu Lopes, Olga Araújo e Rodrigo Temp Müller
Ilustração: Marcio L. Castro

Foto: Rodrigo Temp Müller

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/nem-todo-fossil-e-de-dinossauro Mon, 07 Feb 2022 16:53:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8969 Google Imagens a palavra “paleontologia”, imediatamente surgem esqueletos de dinossauros em museus ou em um solo arenoso, reconstruções de dinossauros, alguns homens trabalhando com pincel, martelos geológicos… Entretanto, essa é apenas uma fração do que é feito na paleontologia. Este campo de estudo vai muito além disso, e claro, não é feito somente por homens! Ilustração horizontal e em tons terrosos. Na esquerda superior da imagem, uma caveira cinza. Abaixo, uma folha marrom sobre uma pedra. No centro, pedra com pegada em relevo. Na parte direita da imagem, ilustração de preguiça marrom, que olha para a esquerda. Ao lado das Ilustrações, há flechas e pontos de interrogação em preto. O fundo é textura de areia e ossos brancos espalhados. Quando pesquisamos na internet o que é fóssil, a Wikipédia nos traz o conceito, a partir de Tomassi e Almeida, autores da área, de que são “restos de seres vivos ou de evidências de suas atividades biológicas preservados em diversos materiais”. Isso significa que os dinossauros, por serem animais extintos naturalmente, são encontrados apenas e exclusivamente como fósseis. Mas nem todo fóssil é de dinossauro! Também são descobertos fósseis de outros vertebrados (como mamíferos, aves, peixes e répteis), de invertebrados (como os insetos) e de plantas. Além disso, são achados vestígios fósseis, como pegadas, mordidas, fezes e tocas, os quais recebem um nome específico: icnofósseis.  A paleontologia tem diversos ramos de estudos, cada qual com um nome específico. Explicarei alguns deles a seguir, de forma sucinta, para que alguns dos estudos dessa ciência sejam conhecidos.

Paleomastozoologia

É o ramo da paleontologia que estuda mamíferos fósseis. Dentre eles, estão os animais da megafauna - amplamente conhecidos nos filmes da Era do Gelo. Tatus gigantes, mastodontes, preguiças gigantes, tigres-dente-de sabre: uma fauna que atingiu proporções gigantescas e que foi extinta por fatores climáticos e ambientais.

Paleoneurologia

Trata-se do ramo da paleontologia que estuda a evolução neurológica ao longo do tempo. Os tecidos do sistema nervoso não são preservados, pois rapidamente se decompõem após a morte do animal, assim como outras partes moles, como sistema digestório e epitelial. Portanto, a paleoneurologia não trabalha diretamente com esses tecidos, mas por meio de impressões e/ou contornos internos que foram deixadas nos ossos. Trata-se de uma simulação muito próxima de como esses elementos do sistema nervoso seriam morfologicamente.
Imagem horizontal e colorida de ossos. Há seis ossos, de baixo para cima em ordem de tamanho. O primeiro é grande e o último, pequeno. No lado direito, roedor com pelagem marrom.
Roedor gigante que habitou o Brasil durante o Mioceno superior: Neoepiblema acreensis. Reconstrução feita por Márcio L. Castro

Paleobotânica

É o ramo da paleontologia que estuda vegetais, desde grãos de pólen, esporos e microestruturas até folhas, sementes, flores e troncos. Esses estudos são muito importantes para sabermos sobre mudanças climáticas globais e também sobre ecologia e interação com outros organismos. 

Montagem de fotografias em preto e branco, de impressões digitais de folhas em pedras. Há seis fotografias, as quatro primeiras, retangulares verticais, na parte superior. Abaixo, duas Fotografias retangulares horizontais e, ao lado, mais uma vertical.
Elementos florais encontrados na Bacia do Paraná (Permiano), no Rio Grande do Sul, Brasil.

Paleopatologia

Ramo da paleontologia que estuda a evolução das doenças ósseas, como tumores, fraturas e infecções. Dependendo do tipo de patologia, é possível identificar se esta foi a causa de morte do animal, ou investigar os seus hábitos de vida.
Imagem quadrada e em tons de cinza. Reconstrução virtual de ossos de alossauro, espécie de dinossauro. A imagem é dividida em a, b, c, d. A parte 'a', no lado esquerdo, mostra a reconstrução da escápula. É um osso cinza e curvo. As partes 'b' e 'c' estão no lado direito superior, são ossos cinzas iguais, com uma articulação no meio. A parte 'd', logo abaixo, é um raio x de um osso cinza sobre fundo preto. Há uma fissura no osso.
Escápula de Alossauro (dinossauro) com patologia. A linha pontilhada mostra a fratura.

Icnologia

Estuda vestígios deixados por animais, a exemplo de pegadas, traços de predação (mordidas), coprólitos (fezes), rastros de urina, tocas, entre outros. Esse estudo é muito importante para conhecermos a vida destes organismos, seus comportamentos, suas interações ecológicas e até mesmo sobre suas migrações.

Imagem quadrada e em tons terrosos. Ela é dividida em sete quadros. Todos eles tem fotos de pegadas de dinossauros. Há diferentes pegadas, com diferentes tamanhos e formatos. Há uma fita quadriculada em preto e branco ao lado das pegadas. Nas pegadas 'a', 'b' e 'e', a fita é pequena em comparação às pegadas. Nas pegadas 'd' e 'f', as pegadas são um pouco menores que a fita. E nas pegadas 'c' e 'g', as pegadas são bem menores que a fita. As pegadas estão em um piso quadriculado de pedra.
Pegadas de dinossauros encontrados em Araraquara (São Paulo).

Tafonomia

Ramo da paleontologia que estuda os processos que ocorreram desde a morte do indivíduo, o seu soterramento, até o seu encontro pelos pesquisadores. Existem muitas variáveis que ocorrem nesse processo, como predação do organismo ou rápido soterramento; transporte da carcaça ou não; possibilidade de pisoteio; transporte após fossilizar; quebra, polimento ou destruição do mesmo; entre outros. Essas variáveis podem se sobrepor de diversas formas.  Durante a minha graduação, estudei fósseis de cervos e camelídeos (camelos e lhamas) provenientes da costa marinha do Rio Grande do Sul. Esses afloramentos fossilíferos estão localizados no solo oceânico (ou seja, embaixo d'água) e são desenterrados pela ação de ondas e correntes marítimas e depositados na faixa de praia. O processo de transporte faz com que os restos fósseis ocorram de forma isolada, desarticulada (os ossos não estão mais conectados), fragmentada e desgastada.  No meu Trabalho de Conclusão de Curso, foi possível identificar uma predominância de alguns tipos de ossos em relação aos outros. Por exemplo, foram achados muitos astrágalos (osso localizado entre o pé e o tornozelo) e galhadas (chifres de cervos) em comparação com outros tipos de ossos, provavelmente porque galhadas e astrágalos são ossos muito resistentes e porque têm uma morfologia (estrutura) diferenciada. Outros ossos, como as costelas, são mais frágeis e mais suscetíveis à quebra. Também descobrimos o primeiro registro de bioerosão (uma deformação causada por algum organismo vivo) em uma galhada de cervo, que foram traços de alimentação feitos por um inseto. Esse achado é raro nesse tipo de ambiente, pois os fósseis acabam perdendo muita informação morfológica devido aos processos tafonômicos, como transporte, fragmentação, erosão e bioerosão.  Infográfico horizontal e em tons de roxo, azul e amarelo pastel. Ele é dividido em três partes: na esquerda, o ambiente terrestre, no meio, o ambiente marinho, e na direita, o ambiente costeiro. No ambiente terrestre, há vegetação rasteira e algumas poças de água. Há duas carcaças de cabeça de animais com chifres. Na segunda, uma mulher de roupa roxa está agachada com uma pá ao lado do fóssil. Todos os textos estão em preto e caixa alta com fundo branco. Ao lado do fóssil 1, o texto "Cervideos e camelídeos mortos por doenças, predação ou acidentes". Uma linha pontilhada liga esse box ao texto "Destruição". Outra linha pontilhada liga aí texto "Soterramento rápido", ao lado do fóssil 2. Uma linha pontilhada liga esse texto a "Fossilização coletada". Outra linha pontilhada liga o texto 1 a um outro fóssil, mais ao fundo, e ao texto "Soterramento lento", ligado aos textos "Destruição" e "Nesse ciclo o fóssil pode sofrer de transporte, pisoteio, osteofagia, carniceiros, incrustação, intemperismo". Esse texto também está ligado ao "Fossilização coletada" por uma linha pontilhada. O chão abaixo da linha da terra é roxo. No ambiente marinho, há água, azul clara, e, abaixo da linha da terra, há dois fósseis, sendo que um está mais ao fundo. Ao lado do fóssil 1, o texto "Soterramento" e, ao lado do fóssil 2, o texto "Exumação". Eles estão ligados por uma linha pontilhada branca, que liga-os ao texto "Destruição". Este texto e o fóssil 2 estão ligados ao texto "Nesse ciclo o fóssil pode sofrer de retrabalhamento, bioerosão, incrustação, fragmentação, transporte, abrasão". Este texto está ligado a outro, acima, já no ambiente costeiro: o texto está ao lado de um fóssil e uma mulher de roupa roxa, agachada ao lado do fóssil com uma pá nas mãos. O ambiente costeiro tem paisagem de coqueiros e areia. Abaixo, no centro inferior, uma linha branca e fina: no lado esquerdo, a palavra "Tempo", e no lado direito, uma flecha que aponta para a direita. Abaixo, em duas linhas, os textos "Perda de informações anatômicas" e "Ganho de informações tafonômicas". O céu é amarelo pastel. Expediente: Texto: Emmanuelle Fontoura Machado, bacharela em Ciências Biológicas pela FURG, mestra e doutoranda em Biodiversidade Animal pelo PPGBA - UFSM;Ilustrações: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista, e Cristielle Rodrigues, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas. Créditos das imagens: Imagem 01: Ferreira, J. D., Negri, F. R., Sánchez-Villagra, M. R., & Kerber, L. (2020). Small within the largest: brain size and anatomy of the extinctc Neoepiblema acreensis, a giant rodent from the Neotropics. Biology Letters, 16(2), 20190914. doi:10.1098/rsbl.2019.0914; Imagem 02: Adami-Rodrigues, K., Iannuzzi, R. & Pinto, I. D. (2004). Permian plant–insect interactions from a Gondwana flora of southern Brazil. Fossils and Strata, 51: 106–125. ISSN 0300-9491; Imagem 03: Christian Foth, Serjoscha W. Evers, Ben Pabst, Octávio Mateus, Alexander Flisch, Mike Patthey & Oliver W. M. Rauhut. 2015.  New insights into the lifestyle of Allosaurus (Dinosauria: Theropoda) based on another specimen with multiple pathologies. PeerJ 3: e940.; Imagem 04: Francischini, H., Dentzien-Dias, P., de Gobbi, V., & Adorna, M. (2018). As lendas e a ciência por trás dos répteis gigantes de Araraquara. Revista da Biologia, 18(1), 31-36.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/04/08/novo-reptil-fossil-brasileiro-da-pistas-sobre-a-origem-dos-misteriosos-tanistrofeideos Wed, 08 Apr 2020 19:39:42 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=51692

A nova espécie, batizada de Elessaurus gondwanoccidens - em homenagem ao personagem Aragorn, de “O Senhor dos Anéis” - ,indica que o grupo pode ter tido origem na América do Sul

[caption id="attachment_51693" align="alignleft" width="300"] Fóssil da nova espécie pode ajudar a compreender uma das primeiras linhagens de répteis após a extinção do período Permiano[/caption]

Uma nova espécie de réptil fóssil brasileiro é o primo próximo do misterioso grupo dos tanistrofeídeos, de acordo com estudo publicado em 8 de abril de 2020, no jornal de acesso livre PLOS ONE. O estudo conta com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria e da Universidade Federal do Pampa (Rio Grande do Sul).

Após a extinção do Permiano, há 252 milhões de anos, os répteis tomaram conta dos ecossistemas globais. Dentre as primeiras linhagens que apareceram após essa extinção estão os tanistrofeídeos, um grupo de animais de pescoço comprido cujos modos de vida ainda são um mistério, mas que foram bem-sucedidos no período Triássico. A evolução inicial desse grupo, entretanto, ainda é pouco compreendida, já que fósseis de seus representantes iniciais são extremamente raros. Os pesquisadores acreditam que os primeiros tanistrofeídeos podem ter surgido no início do Triássico, um intervalo temporal de onde os fósseis são especialmente raros.

"O fóssil foi encontrado em rochas do início do período Triássico, no mesmo afloramento de onde saíram outras espécies recentemente descritas, evidenciando uma fauna ainda não totalmente conhecida. Essa fauna se correlaciona apenas em parte com fósseis da África do Sul, mostrando a relevância do achado. Novos esforços de coleta coordenados pela UFSM e Unipampa foram capazes de recuperar inúmeros novos fósseis, incluindo duas novas espécies de répteis em menos de cinco anos” comenta Átila da Rosa, coautor do trabalho e responsável pela coleta do fóssil.

“Normalmente encontramos apenas ossos isolados em rochas do Triássico Inferior. Neste caso, um fóssil de um membro posterior relativamente completo foi encontrado, representando o primeiro achado de elementos pós-cranianos articulados dessa unidade fossilífera. Aos olhos de um paleontólogo, um fóssil desses revela uma enorme quantidade de informação, explica o Dr. Leonardo Kerber (CAPPA/UFSM), que integra a equipe.

Kerber ainda destaca a dificuldade na preparação do espécime, que foi realizada pela líder do estudo, Tiane Oliveira, durante seu mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação de Biodiversidade Animal da Universidade Federal de Santa Maria. “Foram quase dois anos até o que os ossos fossem totalmente expostos, uma vez que os mesmos foram preservados dentro de uma rocha extremamente difícil de ser removida sem danificar o fóssil.”

As comparações mostram que esse novo réptil fóssil, um esqueleto parcial composto por um membro posterior, pelve e vértebras da cauda é o parente mais próximo dos tanistrofeídeos. A nova espécie foi batizada de Elessaurus gondwanoccidens. O nome é em parte derivado da língua élfica de J.R.R. Tolkien, autor de “O Senhor dos Anéis”. Elessar é o nome élfico do personagem Aragorn, ou Passolargo. O nome faz referência às longas pernas do novo animal.

“Os tanistrofeídeos são répteis misteriosos, normalmente conhecidos por espécies muito especializadas encontradas na Europa. Elessaurus nos dá pistas sobre a origem do grupo, indicando que os seus primeiros representantes eram terrestres”, relata Tiane Oliveira (CAPPA/UFSM), autora principal do artigo científico.

A maior parte dos tanistrofeídeos são encontrados em rochas da metade ou final do Triássico, na Europa, Ásia e América do Norte. A presença de Elessaurus em depósitos continentais do comecinho do Triássico da América do Sul sugere que a origem do grupo pode estar associada a este continente. Além disso, Elessaurus mostra que os ancestrais dos tanistrofeídeos eram terrestres e, só na metade do Triássico, o grupo teria se adaptado à típica vida aquática.

“A nova espécie é uma importante peça no quebra cabeça de como os répteis começaram a dominar os ecossistemas terrestres após a extinção do Permiano, dando origem a uma diversidade incrível, que acabaria culminando nos famosos dinossauros”, finaliza Dr. Felipe Pinheiro (Unipampa), que também fez parte do estudo.    

Texto: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA/UFSM)
Ilustração: Márcio L. Castro

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2019/04/25/pesquisadores-da-ufsm-descobrem-fossil-de-preguica-gigante-em-cacapava-do-sul Thu, 25 Apr 2019 20:00:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=47498 Lestodon armatus é um mamífero que viveu no território da América do Sul no período Pleistoceno, até cerca de 12 milhões de anos atrás[/caption]

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria publicaram recentemente no periódico científico britânico “Historical Biology”, um artigo apresentando a coleta de fósseis uma preguiça-gigante. A descoberta é resultado da pesquisa de mestrado de Dilson Vargas Peixoto, Cícero Schneider Colusso e Leonardo Kerber, pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal, sob a orientação do professor Átila Augusto Stock da Rosa.

Os fósseis, que incluem fragmentos do crânio, dentes, pós-crânio, costelas, vértebras, entre outros, foram coletados em um novo sítio fossilífero. Após, o material foi limpo, preparado, consolidado e estudado pelo mestrando Dilson Peixoto em sua dissertação. De acordo com o professor Átila da Rosa, esse fóssil é importante pois, até o momento, os fósseis de preguiça gigante na região limitavam-se a achados das espécies Megatherium americanum e Eremotherium laurillardi, sendo este o primeiro registro para o afloramento e região.

O Lestodon armatus é um mamífero extinto pertencente ao gênero Milodonte, que viveu do território da América do Sul no período Pleistoceno, até cerca de 12 milhões de anos atrás. Chegava a medir aproximadamente 4,6 metros de comprimento e 2590 quilogramas. Há evidências que sugerem que o Lestodon chegou a ser caçado por humanos há cerca de 30 mil anos.

[caption id="attachment_47512" align="alignright" width="365"]Imagem de escavação, com pesquisadores agachados, retirando fóssil, e outro em pé apontando local da descoberta Escavação ocorreu no município de Caçapava do Sul[/caption]

A escavação ocorreu em 2012, durante uma atividade do Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia em conjunto com o professor Leopoldo Witeck Neto, do Colégio Politécnico da UFSM, em um curso de água apelidado de “Arroio do Lestodon”, afluente do Arroio Seival, no interior de Caçapava do Sul, região central do Rio Grande do Sul.

O fóssil encontrado ficará no Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia, do Departamento de Geociências, sala 1019, subsolo do prédio 17. Embora parte do material esteja guardado, para sua proteção, a pata está montada e em exposição.

Reportagem: Ana Laura Iwai, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Davi Pereira]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/08/31/estudo-sobre-fossil-de-aetossauro-de-santa-maria-e-publicado-em-revista-internacional Sat, 01 Sep 2018 00:51:59 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=44328 Plos One. A autora principal do trabalho é Ana Carolina Biacchi Brust, graduada em Ciências Biológicas pela UFSM e mestre em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). O fóssil, que faz parte da coleção do Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia da UFSM, foi tema do seu trabalho de conclusão do curso de graduação (TCC) e também da sua dissertação de mestrado. O artigo em questão intitula-se “Osteologia do primeiro crânio de Aetosauroides scagliai Casamiquela 1960 (Archosauria: Aetosauria) do Neotriássico do Sul do Brasil (Zona de Associação Hyperodapedon) e sua importância filogenética” (Osteology of the first skull of Aetosauroides scagliai Casamiquela 1960 (Archosauria: Aetosauria) from the Upper Triassic of southern Brazil (Hyperodapedon Assemblage Zone) and its phylogenetic importance). Um dos seus autores é o professor Átila Augusto Stock da Rosa, do Departamento de Geociências da UFSM, que foi o orientador do TCC de Ana Carolina. Constam ainda como autores, além deles, os professores da Ufrgs Cesar Leandro Schultz (orientador da dissertação) e Voltaire Dutra Paes-Neto, assim como a pesquisadora Julia Brenda Desojo, do Museu de Ciencias Naturales de La Plata, da Argentina. Este fóssil tem sua importância ressaltada por ser o primeiro registro de um crânio praticamente completo e bem preservado desta espécie, que permitiu reconhecer melhor a sua forma, bem como o entendimento de suas relações com aparentados na Argentina, Europa e América do Norte. Até então, o formato do focinho era desconhecido para esta espécie, chamada de Aetosauroides scagliai.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2018/08/29/fossil-de-animal-que-viveu-ha-cerca-de-230-milhoes-de-anos-no-rs-e-descoberto Wed, 29 Aug 2018 14:27:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=44275 Estudo publicado recentemente no periódico científico “Journal of South American Earth Sciences” apresentou fósseis de cerca de 230 milhões de anos, pertencentes a uma espécie até então desconhecida para a ciência. A descoberta é resultado da pesquisa de doutorado da paleontóloga Ane Elise Branco Pavanatto, pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, com o apoio de profissionais do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa).

O animal, que recebeu o nome Siriusgnathus niemeyerorum, faz parte do grupo dos cinodontes, linhagem que inclui os ancestrais dos atuais mamíferos. Os fósseis foram encontrados em um novo sítio fossilífero localizado no município de Agudo, na região central do Rio Grande do Sul, e remontam ao período Triássico.

Segundo Pavanatto, Siriusgnathus possuía o tamanho de um cachorro de porte grande e provavelmente era um animal onívoro, ou seja, se alimentava de plantas e de outros animais. O Siriusgnathus faz alusão à estrela Sirius da constelação de Canis Major (Cão Maior), em referência ao nome do grupo (Cinodontes, cino= cão; odontos= dentes). O nome também foi inspirado no personagem fictício Sirius Black da série literária e cinematográfica Harry Potter que, na saga, tinha a capacidade de se transformar em um grande cachorro preto. Essa referência também remete à coloração escura dos fósseis.

Segundo os pesquisadores, o achado da nova espécie mais uma vez demonstra que a paleontologia brasileira ainda guarda espaço para novas descobertas, as quais ajudam a contar a história da biodiversidade do planeta, desde tempos pretéritos.

Os paleontólogos seguirão com os trabalhos de escavação na região. O estudo foi financiado com recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do RS (Fapergs) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/post476 Thu, 06 Jul 2017 18:24:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/comunicacao/arco/2017/07/06/post476/ A indústria do cinema já produziu inúmeros filmes sobre dinossauros. A franquia de Jurassic Park, Jurassic World, o desenho animado e live-action de Flintstones, além da animação infantil Em busca do vale encantado, tratam desse tema. Os pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA) contam que esses filmes são muito importantes para despertar o interesse no mundo da ciência em jovens e crianças. Mas você sabia que esses filmes apresentam erros sobre a estrutura dos animais, os períodos históricos e a coleta de fósseis? O CAPPA listou alguns deles. Confira: Representação dos animais Alguns filmes erraram nas medidas e colocaram animais diferentes do seu tamanho real, além de adicionar penas e elementos que não são cientificamente comprovados:

1) Os pterossauros (aqueles répteis voadores que, a propósito, não são dinossauros) eram animais de constituição frágil e ossos muito finos e leves. Tudo isso para poder levantar vôo. Essa constituição frágil, e a leveza necessária para que o animal pudesse voar tornariam impossível que pterossauros pudessem carregar pessoas em vôo (mesmo que por poucos centímetros), como mostrado em cenas de Jurassic Park 3 (onde os heróis se vêem presos em uma gaiola com Pteranodon), e em Jurassic World. Seria o equivalente a um urubu levantar uma pessoa – nada verossímil.

2) O Dilophosaurus representado em Jurassic Park é muito menor do que o animal de verdade, que chegava a medir 6 metros de comprimento. No filme, o animal é representado menor do que uma pessoa.

3) Ainda sobre Dilophosaurus, no filme, o animal é representado com um colarinho ao redor do pescoço. Nenhum fóssil sugere a presença dessa estrutura, e os diretores do filme provavelmente se inspiraram no lagarto-de-gola atual (Chlamydosaurus kingii), que de fato possui essa característica. Ainda, ao contrário do que se vê em Jurassic Park, não existe nenhuma evidência de que o Dilophosaurus expelisse aquela substância pegajosa que eles “cospem” nos olhos das pessoas – é pura ficção científica.

4) O Mosasaurus (o grande predador aquático) que aparece em Jurassic World é representado com um tamanho muito maior do que o maior espécime que já foi descoberto do gênero, que tem cerca de 17 metros de comprimento.

Preparação dos fósseis O manuseio e coleta de fósseis também é diferente de como mostram alguns filmes: não se usam apenas pincéis e também não é possivel criar um dinossauro a partir do DNA de um mosquito.

5) Em Jurassic Park, os fósseis são expostos nas rochas apenas com uso de pincéis, enquanto que na realidade são necessárias várias ferramentas bem menos delicadas, como martelos e picaretas. Os pincéis só entram em cena durante a preparação mais detalhada, normalmente quando o fóssil já está seguro em um laboratório.

6) Recriar dinossauros a partir do DNA recuperado de mosquitos preservados em âmbar, como mostrado em Jurassic Park, não é possivel. Apesar de o âmbar (que é a resina vegetal fossilizada) preservar fósseis de maneira excepcional – há registros de insetos, penas, folhas, e até lagartixas inteiras em âmbar, a estrutura química do DNA não resiste tanto à passagem do tempo. O DNA acaba se degradando completamente em algumas centenas de milhares de anos. Os fósseis dos quais os cientistas extraem o DNA de dinossauros no filme têm 70 milhões de anos, ou até mais (nenhum registro de DNA resistiria tanto tempo).

Correção cronológica Algumas obras cinematográficas pecaram em como colocar animais que pertenceram a diferentes períodos juntos em cena.

7) Apesar do nome, a maioria dos dinossauros de Jurassic Park viveu durante o período Cretáceo, não Jurássico. Algumas exceções são o Brachiosaurus, Dilophosaurus e Stegosaurus, que são, sim, Jurássicos.

8) Os dinossauros foram extintos dezenas de milhares de anos antes do surgimento dos primeiros humanos. Desse modo, todas as representações de homens-das-cavernas convivendo com dinossauros, como por exemplo na série The Flintstones, são conceitualmente erradas.

9) Diferente do que aparece no filme Jurassic Park 3, o Tyrannosaurus e o Spinosaurus nunca entraram em confronto, já que eles viveram em momentos e lugares diferentes.

10) A animação “Em Busca do Vale Encantado” retrata diversos filhotes de dinossauros (e um pterossauro) em uma aventura em busca do vale que dá nome ao filme. Diversos desses dinossauros, contudo, viveram em períodos de tempo distintos, separados por milhões de anos. Desse modo, é impossível que tenham convivido. Ainda, apesar de termos evidências de que, em algumas espécies de dinossauros, os filhotes vivessem em pequenos bandos (cuidados por adultos), não há nenhuma evidência de que animais de diferentes espécies – filhotes ou não – cooperassem dessa maneira.

Colaboração CAPPA/UFSM Edição: Júlia Goulart Foto: Divulgação]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/post471 Wed, 07 Jun 2017 18:22:37 +0000 http://www.55bet-pro.com/comunicacao/arco/2017/06/07/post471/ O principal objeto de estudo da paleontologia são os restos de seres vivos do passado que foram preservados até os dias de hoje - os fósseis. Como não se tropeça em uma fonte de informação pré-histórica todo dia, localizar e coletar fósseis para estudo não é uma tarefa fácil. Para entender como funciona esse processo, fomos até o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), em São João do Polêsine, e conversamos com o paleontólogo Leonardo Kerber. Confira o que descobrimos:

  Não há uma fórmula exata para localizar, coletar e preparar um fóssil. No geral, existem cinco etapas nesse processo: prospecção, coleta, transporte, preparação e curadoria.   Prospecção Tudo começa na análise do mapa geológico da região em busca de áreas formadas pelas rochas sedimentares, que por seu processo de formação contribui para a conservação dos fósseis. Mas há um problema: seria inviável econômica e ambientalmente remover camadas de solo e vegetação para chegar até os fósseis. Por isso, os paleontólogos fazem pesquisas e identificam os afloramentos fossilíferos na superfície através do Google Earth, saídas a campo e relatos de moradores.  

Afloramento encontrado pela equipe do CAPPA/UFSM

  Após a indicação de que em determinado local há indícios de afloramento, os pesquisadores caminham e buscam os vestígios pré-históricos através do tato e observando o solo, para confirmar e posteriormente coletar o material encontrado. Normalmente apenas parte do fóssil está exposto, o que dificulta o trabalho. É corriqueiro voltar para casa sem descobertas. No entanto, quando algo é encontrado, começa uma nova etapa: a coleta.      Saiba mais: Como descobrir um sítio?    Coleta A coleta é a fase mais “suja” de todo esse processo. Para retirar o bloco de rocha que será levado para o laboratório, os pesquisadores escavam em volta do achado com uma margem de segurança variável estabelecida para não danificar o fóssil. Quando o bloco é isolado da rocha circundante, se aplica um envoltório de gesso para evitar tanto a quebra, como também proteger o material durante o transporte.  

             Equipe de paleontólogos delimita o tamanho da rocha a ser extraido

 

             Material isolado pronto para ser transportado

  Transporte Quando o bloco de gesso com o fóssil é totalmente destacado do resto da rocha, inicia-se a etapa do transporte. A forma de transporte varia muito de acordo com o tamanho do achado, já que pedaços menores, com fósseis pequenos, podem ser transportados facilmente com o carro. Em outras situações o bloco pode chegar a pesar algumas toneladas, sendo necessário o uso de maquinaria pesada, como guindaste e caminhão. No CAPPA, por exemplo, há um bloco que não passou pela porta do laboratório. A solução foi montar a estrutura de trabalho na garagem, onde o material está depositado. Ao chegar no laboratório começa uma nova etapa: a preparação.

      Preparação para o transporte do bloco de gesso para o laboratório

  Preparação A preparação consiste em separar o fóssil da rocha. Inicialmente o envoltório de gesso é aberto na parte superior. Então inicia-se um processo lento e cuidadoso, em que os pesquisadores usam ferramentas como espátulas, marteletes e talhadeiras para desprender o fóssil da rocha.  Durante essa etapa é aplicado sobre o fóssil a resina Paraloid diluída em acetona que penetra e endurece o material para evitar a quebra.    

Paleontólogos começam o trabalho de separação do fóssil da rocha

  Devido ao cuidado para não danificar o fóssil, esse procedimento pode levar meses ou até anos para ser concluído. Ao contrário do imaginário popular, os cientistas não ficam debruçados sobre o bloco durante todo o dia até que o trabalho esteja concluído. No CAPPA/UFSM, por exemplo, os paleontólogos dividem a atenção com a pesquisa e com o aprendizado dos pós-graduandos que frequentam o laboratório.   Curadoria Cada fóssil é numerado e catalogado no livro Tombo, que por questões de segurança possui uma versão online também. Os dados anotados vão desde o local e data de quando o fóssil foi coletado, até o nome dos coletores do material. Nessa fase, denominada curadoria, o fóssil é armazenado em um local apropriado de maneira organizada para que em caso de estudos posteriores sua localização seja fácil.  

É na sala

  Os fósseis são colocados em caixas de acrílico etiquetadas. Essas caixas vão para uma estante dentro de um armário deslizador. Como o fóssil não tem mais material orgânico nem tecido mole, não é necessário o controle da temperatura na sala onde são armazenados, apenas um desumidificador de ar atua na ventilação do local. No CAPPA/UFSM há uma sala especialmente destinada para esse fim.   Confecção de réplicas Outra parte do processo de conservação envolve a confecção de réplicas, que você pode conferir no vídeo com explicação do paleontólogo Flávio Pretto do CAPPA/UFSM.  

 

  Repórter: Felipe Backes Foto:Rafael Happke e divulgação CAPPA/UFSM Colaboração: Flávio Pretto]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/post462 Sat, 13 May 2017 00:56:12 +0000 http://www.55bet-pro.com/comunicacao/arco/2017/05/12/post462/ Fóssil raro de dinossauro do período Triássico é encontrado     As pessoas que passam pela rodovia que liga Santa Maria a São João do Polêsine nem imaginam que perto das plantações foi descoberto um dos mais antigos dinossauros do mundo: o Buriolestes schulzi. O pesquisador Rodrigo Temp Muller, técnico em paleontologia do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA-UFSM), contribuiu para a descrição do primeiro espécime encontrado, o que no meio científico é chamado de holótipo. Além disso, em seu doutorado o paleontólogo busca entender como se deu a origem e irradiação dos dinossauros pertencentes ao grupo Sauropodomorpha, grupo ao qual o animal descoberto pertence.   O animal foi batizado em homenagem ao paleontólogo Cézar Schultz e também à família Buriol, donos das terras em que o fóssil foi encontrado. Segundo Rodrigo, o animal é um dos primeiros a aparecer na escala evolutiva do grupo Sauropodomorpha. Atualmente, o pesquisador está aprofundando a descrição da espécie através da análise de outro fóssil coletado perto de onde o primeiro foi achado. “A gente nunca sabe o que vai encontrar, mas conhecemos os sítios que têm material onde esperamos achar mais [fósseis]. No caso dos dinossauros primitivos é difícil, mas nunca temos certeza do que vamos encontrar” - nos conta o paleontólogo.  

Essa descoberta trouxe novidades, como o fato do Buriolestes schultzi ser carnívoro, o que o distingue de outros animais do mesmo grupo, que são herbívoros. Ao nos mostrar o crânio do espécime, o pesquisador conta como é possível inferir, a partir da dentição, a alimentação do animal. “Os dentes são curvos, voltados para trás na forma de um punhal e eles têm serrilhas, que formam um ângulo reto em relação ao eixo do dente. Se pegarmos um outro animal do mesmo grupo, ele não vai ter esses dentes curvos para trás. Vai ter um dente reto e a serrilha vai formar um ângulo oblíquo, esse tipo de dente é mais específico para comer planta mesmo”, detalha Rodrigo.

  Do primeiro espécime, os pesquisadores não puderam recuperar o crânio completo, nem pescoço, mas a cauda se preservou. O novo fóssil tem quase todo o esqueleto axial, que são as vértebras e costelas. Juntando os dois é possível ter uma noção mais completa de como o animal era inteiro. Por estimativas, o Buriolestes schultzi teria aproximadamente um metro e meio de comprimento.   Para saber mais sobre como os paleontólogos classificam o tempo geológico acesse aqui.   Repórter: Luan Romero Foto: Rafael Happke]]>