UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Thu, 19 Mar 2026 06:22:38 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/02/03/artigo-internacional-destaca-transdoc-como-referencia-na-protecao-e-recuperacao-de-arquivos-em-desastres-naturais Tue, 03 Feb 2026 12:54:22 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71940

O Hub.doc acaba de alcançar um marco importante em sua trajetória acadêmica e institucional. Um artigo científico internacional que utiliza o Transdoc, laboratório associado ao Hub.doc, como estudo de caso, foi publicado na revista Archives and Records, uma das mais relevantes da área arquivística no mundo.

O artigo, intitulado A model of coordination and collaboration for the protection and recovery of archives affected by natural disasters, é assinado por Jonas Ferrigolo Melo, Juliano Silva Balbon e Moisés Rockembach, e analisa estratégias de proteção e recuperação de arquivos públicos afetados por desastres naturais, a partir das enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul em 2024. Esta é a primeira publicação internacional em revista científica resultante dos esforços da equipe de bolsistas de pós-graduação do Hub.doc desde o início de suas atividades.

Um problema estrutural

De acordo com o arquivista e pesquisador Jonas Ferrigolo Melo, o objetivo central do estudo foi investigar como as ações de salvamento e recuperação de arquivos públicos podem ser fortalecidas diante de situações de desastre em larga escala. Para isso, os autores analisaram dados numéricos e documentais sobre arquivos atingidos pelas enchentes, cruzando informações do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS) com o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).

Os resultados evidenciam uma fragmentação significativa nas respostas institucionais voltadas aos arquivos, marcadas pela ausência de padronização, pela baixa integração entre órgãos públicos e pela dependência excessiva de ações voluntárias. Um dos achados centrais do artigo é que os danos aos arquivos não estão incorporados aos sistemas oficiais de gestão de riscos e desastres, o que reduz sua visibilidade e dificulta a destinação de recursos específicos para sua preservação.

Esse cenário se reflete diretamente nos resultados práticos observados após as enchentes. Enquanto a UFSM conseguiu recuperar 100% de seu acervo, graças a uma ação imediata e coordenada de salvamento, outros órgãos públicos, especialmente em Porto Alegre, enfrentam perdas irreversíveis por falta de apoio institucional, priorização dos arquivos e alocação adequada de recursos.

O papel do Hub.doc e do Transdoc

A atuação do Hub.doc e do Transdoc se mostra ainda mais relevante no contexto atual. Segundo Jonas, o Hub.doc passou a assumir operações de salvamento de documentos de órgãos públicos afetados na capital gaúcha, reforçando a importância da colaboração institucional e da difusão de métodos eficazes para a preservação documental. “Se não fosse a colaboração institucional e a circulação de processos efetivos para salvar os documentos, provavelmente a perda documental seria ainda maior”, destaca Jonas.

Um modelo para políticas públicas

A partir das análises realizadas, o artigo propõe um modelo de coordenação e colaboração para tornar as respostas institucionais mais eficazes, integradas e sustentáveis em contextos de desastre. O modelo é composto por seis elementos interdependentes:

  • padronização de procedimentos de avaliação de danos;
  • integração de sistemas de informação;
  • formação e capacitação institucional;
  • uso estratégico de tecnologias;
  • obrigatoriedade de notificação de danos aos arquivos;
  • monitoramento contínuo das coleções afetadas.

O principal resultado do estudo, segundo os autores, é a demonstração de que a proteção de arquivos precisa deixar de ser uma ação pontual e reativa, passando a integrar de forma estruturante as políticas públicas de gestão de riscos, reconhecendo os arquivos como infraestruturas essenciais para a memória, os direitos e a governança.

Reconhecimento internacional e produção latino-americana

Publicada pela Archives and Records, revista internacional de alto impacto (Qualis Q1) vinculada à Archives and Records Association, dos Estados Unidos, a pesquisa representa um reconhecimento expressivo para seus autores e para o Hub.doc. Para Jonas, a publicação também tem um significado político e epistemológico. “É uma validação científica de uma pesquisa produzida a partir da América Latina, que tensiona a centralidade do Norte global na construção do conhecimento arquivístico. Mostramos que, no Rio Grande do Sul, temos experiências e pesquisas de alto nível, em pé de igualdade às produzidas em países norte-globais”, afirma.

Além disso, o artigo integra um dossiê temático sobre Sustentabilidade e Mudanças Climáticas, ampliando a visibilidade do debate sobre a relação entre arquivos, crise climática e resiliência institucional no cenário internacional.

Próximos passos

Os pesquisadores agora pretendem expandir e testar operacionalmente o modelo proposto, por meio de projetos piloto ou de sua aplicação em outros contextos regionais e nacionais. A expectativa é aprimorar o modelo a partir dessas experiências e publicar os resultados em uma revista brasileira, em língua portuguesa.

O grupo também se mostra aberto a colaborações com outros pesquisadores interessados em aplicar e desenvolver o modelo, reforçando o compromisso do Hub.doc com a produção de conhecimento colaborativo, aplicado e socialmente relevante.

Texto: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista no Hub.Doc
Imagens: Jonas Ferrigolo Melo, pesquisador do Hub.doc
Edição: Ricardo Bonfanti

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Conforme Débora Flores, coordenadora do Hub.Doc, a participação da equipe no evento buscou mostrar as tecnologias desenvolvidas na recuperação dos arquivos, além de compartilhar os métodos de como o Hub se estruturou após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. A participação da equipe da UFSM destacou iniciativas de recuperação documental e aplicação de tecnologias digitais na área da arquivologia. Entre os trabalhos apresentados, esteve o pôster “Resiliência e determinação no avanço da ciência: protegendo a memória da UFSM após as enchentes”, desenvolvido pelas arquivistas Débora Flores, Daiane Segabinazzi Pradebon e Neiva Pavezi. O estudo detalhou os métodos utilizados na restauração de documentos danificados pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, como o congelamento de arquivos e a criação de protocolos de recuperação emergencial. Realidade virtual e inteligência artificial foram abordados nas apresentações do grupo Outro destaque foi o projeto “Um modelo de recuperação de desastres para arquivos por meio da realidade virtual”, desenvolvido em parceria com o Grupo de Automação e Robótica Aplicada (Garra), coordenado pelo professor Anselmo Cukla, do Departamento de Processamento de Energia Elétrica da UFSM. A iniciativa utiliza vídeos e imagens em 360º para demonstrar, de forma imersiva, o processo de recuperação dos documentos, facilitando o treinamento e a troca de experiências entre profissionais da área. [caption id="attachment_71250" align="alignleft" width="446"]Foto vertical. Na imagem, aparecem três mulheres em pé, tendo ao fundo um pôster apresentado digitalmente em uma tela. A diretora do Arquivo Nacional, Mônica Lima (à esquerda), prestigiou a apresentação do pôster ao lado de Daiane Segabinazzi Pradebon (ao centro) e Débora Flores (à direita)[/caption] De acordo com Daiane, o principal objetivo do trabalho foi divulgar as ações de recuperação para o resto do mundo. “Essa tecnologia de realidade virtual permite que as pessoas vejam, na prática, a estrutura que montamos e o trabalho que desenvolvemos em relação à recuperação”, comenta. Segundo Anselmo, o trabalho interdisciplinar fortalece a produção de novas soluções tecnológicas dentro da universidade. “O uso de realidade virtual amplia as possibilidades de ensino e registro técnico, além de contribuir para o desenvolvimento profissional dos estudantes envolvidos”, avalia o professor. Além das apresentações ligadas à recuperação de acervos, os analistas de tecnologia da informação da UFSM Marcos Vinícius Bittencourt de Souza e Gustavo Zanini apresentaram pesquisas sobre preservação digital e inteligência artificial aplicada à arquivologia. O primeiro trabalho, “Repositórios institucionais brasileiros em risco”, apontou a necessidade de fortalecer políticas de preservação e planos de continuidade em repositórios digitais. Já o estudo “Ciência arquivística e aprendizado de máquina: classificação automática de documentos arquivísticos” apresentou métodos de uso de aprendizado de máquina para otimizar a organização de acervos físicos e digitais. Para a professora Débora Flores, a presença da UFSM no evento foi uma oportunidade de intercâmbio e visibilidade científica. “Participar de um congresso dessa dimensão permite mostrar que temos soluções desenvolvidas no Brasil que podem ser aplicadas em outras realidades. Foi uma troca importante com instituições que também enfrentaram situações de desastres”, afirma. Em concordância com o pensamento de Débora, a coordenadora Daiane Segabinazzi Pradebon disse que o evento salientou a inovação proposta pelo Hub.Doc. “No congresso, vimos que estamos no caminho certo. Conhecemos profissionais de locais como Valência e Caribe que passaram por situações difíceis com arquivos e conseguimos ter um panorama diferente. Essa vivência nos fez perceber que trouxemos uma inovação para a situação de recuperação de acervos no mundo”, finaliza. Sobre o Hub.Doc O Hub.Doc é um centro de pesquisa e inovação da UFSM dedicado à recuperação, digitalização e preservação de acervos atingidos por desastres. O projeto desenvolve tecnologias e métodos que garantem a proteção e o acesso a documentos históricos, e fortalecem a preservação da memória institucional e coletiva. Os avanços relacionados ao Hub.Doc e as iniciativas que serão desenvolvidas podem ser acompanhados pelo site e redes sociais do projeto: Site: hubdoc.55bet-pro.com Instagram: @hubdoc.gov.br Facebook: /hubdoc.br LinkedIn: @hubdocgovbr Youtube: @hubdocufsm Texto: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias Fotos: arquivo pessoal Edição: Lucas Casali]]>