UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 29 Apr 2026 20:55:39 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/05/13/felizcidade-promove-saude-e-bem-estar-para-idosos-de-santa-maria Tue, 13 May 2025 11:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=69081

O envelhecimento saudável é um desafio global. Em uma sociedade que, muitas vezes, marginaliza corpos que envelhecem, iniciativas como o projeto Feliz(c)idade, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ganham ainda mais relevância. Coordenado pela professora Melissa Braz, do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia, a iniciativa foi uma das selecionadas pelo edital PROEXT-PG e busca criar espaços voltados para o cuidado integral de pessoas idosas.

Entre as atividades desenvolvidas pelo projeto Feliz(c)idade estão ações junto aos grupos Corpo Mais, Mexe Coração e Renascer. Esses grupos já existiam anteriormente, e o projeto passou a atuar com eles a partir de 2024. Cada um deles trabalha aspectos específicos do envelhecimento, combinando atividades físicas, rodas de conversa e práticas voltadas à saúde física e emocional. O grupo Corpo Mais é focado na promoção de saúde com ênfase em exercícios: há uma turma de ginástica e outra de dança. O Renascer surgiu da necessidade de acolher mulheres com histórico de câncer de mama, muitas delas em fase de reabilitação. Já o Mexe Coração é composto por idosos, na maioria mulheres com idade superior a 70 anos, que participam regularmente de atividades físicas orientadas, em especial aulas de dança (veja mais detalhes sobre cada grupo no final da matéria).

Saberes partilhados

Os temas abordados nas atividades dos grupos costumam surgir das demandas dos próprios participantes. No grupo Renascer, por exemplo, entre os temas mais recentes solicitados estão alimentação, cuidados com a pele no verão e questões relacionadas à memória e às demências. “Elas pediram pra gente fazer atividades cognitivas nos encontros”, conta a professora Melissa. Além das discussões e atividades físicas e educativas, os grupos celebram datas comemorativas, como Páscoa e São João, fortalecendo os vínculos afetivos e promovendo o bem-estar coletivo.

A integração entre ensino, pesquisa e extensão é uma das marcas do Feliz(c)idade. O projeto permite que os estudantes do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia vinculem seus temas de pesquisa às ações desenvolvidas com a comunidade. “A gente vem incorporando o conhecimento dos mestrandos às atividades de extensão, popularizando o que eles têm estudado com os participantes do grupo”, destaca Melissa Braz. 

A enfermeira e mestranda em Gerontologia Jéssica Ferreira dos Santos relata que a experiência tem sido marcante em sua trajetória acadêmica. “Pude vivenciar, de forma direta, desafios e potenciais inerentes ao processo de envelhecimento e refletir sobre como as interações intergeracionais enriquecem tanto a vida dos idosos quanto a formação acadêmica e pessoal de quem dedica cuidados a eles”, afirma.

Ressignificar o envelhecer

O impacto do projeto na vida dos participantes vai além da promoção da saúde física e cognitiva. Melissa Braz salienta os aspectos emocionais e sociais que emergem, especialmente no grupo Renascer - voltado a mulheres que já passaram ou estão em tratamento oncológico. “Algumas mulheres chegam nervosas, numa fase muito sensível do tratamento, logo depois que recebem o diagnóstico, antes de passar por uma cirurgia”, relata. Nesse contexto, o acolhimento oferecido pelo grupo – tanto pelos estudantes e profissionais envolvidos quanto pelas demais participantes – torna-se fundamental. A convivência entre pessoas que compartilham experiências semelhantes é uma das forças do projeto. “Elas comentam essa importância de estar no meio dos pares, das pessoas que já viveram situações que elas estão vivendo”, afirma Melissa.

Nos demais grupos, os relatos também mostram transformações significativas. No Corpo Mais, por exemplo, o exercício físico se revela um catalisador de bem-estar. “As pessoas contam que muitas vezes chegavam deprimidas, cansadas, sem energia para nada, e agora percebem outra relação com o corpo”, relata a professora. Com mais disposição, elas voltam a realizar tarefas diárias com autonomia e prazer — seja brincar com os netos ou retomar rotinas já esquecidas.

De acordo com o professor Gustavo Duarte, coordenador do projeto Corpo Mais, a proposta atual amplia o olhar sobre o envelhecimento, promovendo encontros entre diferentes gerações. “Antes eu trabalhava só com o público 60+. Hoje, abri o grupo para incentivar essas relações a partir dos 40 anos. É uma forma de as pessoas se prepararem para o seu envelhecimento. E os idosos não ficam só num gueto, num grupo só com gente da mesma idade”, explica.

A professora aposentada de Educação Física, Vera Regina Duarte, de 74 anos, conta que decidiu participar do projeto Corpo Mais por gostar muito de dançar e por sentir necessidade de se exercitar. “Esses encontros significam muito pra mim. Além de conhecer outras pessoas, são momentos de muita descontração e alegria. Participando desse projeto, aprendi a necessidade de nos exercitar e conviver com pessoas diferentes do nosso círculo de amizade”, declara. Já a costureira aposentada Eva dos Santos de Oliveira, de 79 anos, participa do grupo Renascer e do Mexe Coração: “Aprendi muito sobre o câncer de mama, e gosto muito de todas as atividades e das colegas. A cada dia faço novas amizades”, reforça.

Envelhecimento ativo

O envelhecer ativo é a tônica do projeto. “A gente não está olhando pro ‘não’. A gente está olhando para as possibilidades”, resume Melissa Braz. O foco está na valorização do que cada pessoa ainda pode fazer — e não nas limitações impostas pelo tempo.

As atividades físicas visam preservar a autonomia, estimular a confiança e promover qualidade de vida. Cada exercício respeita as condições individuais, com o objetivo de fortalecer o protagonismo na própria saúde. Afinal, como destaca a coordenadora, o perfil das pessoas idosas mudou: muitas são ativas, engajadas e determinadas a viver com plenitude.

[caption id="attachment_305" align="alignright" width="719"] Idosos participam em atividade do Grupo Corpo Mais[/caption]

Essa visão é compartilhada pelo professor Gustavo, que ressalta o valor do envelhecimento ativo e da busca por bem-estar. “Ao participar do projeto, as mudanças são muitas, desde a parte física que a gente trabalha — questões de equilíbrio, memória, fortalecimento muscular — até o prazer que a dança e a ginástica proporcionam”, afirma. Ele também observa que os alunos idosos são os mais assíduos e quase não faltam às aulas do projeto. “Valorizam o tempo presente”, complementa.

Visibilidade para o envelhecer

O envelhecimento já não se parece com o que víamos há poucas décadas. Vivemos mais, com mais qualidade de vida, acesso à informação e participação social. Ainda assim, como ressalta Melissa Braz, os corpos envelhecidos seguem sendo marginalizados. “É um grupo que não tem as necessidades ouvidas nem satisfeitas. Nosso papel é dar visibilidade para essas pessoas, proporcionar saúde e qualidade de vida”, enfatiza. Ao coordenar o projeto de extensão, ela destaca a importância de romper com essa invisibilidade e construir espaços em que as pessoas idosas possam se expressar, compartilhar vivências e seguir aprendendo.
Para Melissa, os encontros promovem transformações profundas, tanto para quem participa quanto para quem coordena. Conviver com as pessoas idosas, para ela, é uma aula constante sobre sonhos, sabedoria e resistência. Ouvir as histórias, desejos e planos de quem já percorreu tantos caminhos ajuda a ressignificar o envelhecer — inclusive para quem está só começando a pensar nessa fase da vida. A troca geracional também marca a trajetória do professor Gustavo Duarte. Ele observa que os idosos oferecem lições valiosas sobre presença e valorização da vida cotidiana: “A maioria dos idosos que faz ginástica e dança comigo valoriza, no dia a dia, as pequenas coisas, não só as grandes. Isso é um grande aprendizado, né? Que eu levo para a minha vida e tento passar para os alunos também”, finaliza.

Como participar?

A participação nos grupos do projeto Feliz(C)idade é aberta à comunidade. Os encontros seguem durante todo o ano letivo da Universidade e fazem uma pausa apenas durante o recesso acadêmico.

Projeto Corpo Mais

Responsável: Gustavo Duarte

Para quem: Pessoas a partir de 40 anos 

Local: CDA (complexo Didático Artístico, ao lado do CEFD, no campus da UFSM)

Dia: Quartas-feiras 

Horários:

Ginástica e Ritmos : 14h

Grupo de Danças: 15h

Inscrições: A partir de agosto. As orientações serão divulgados no site do CEFD

Mexe Coração

Responsável: Marlon Crespani

Para quem:  Idosos a partir de 60 anos

Local: Antiga Reitoria – UFSM

Dia e horário: Segundas e quintas-feiras, às 15h

Inscrições: O ingresso ocorre prioritariamente por convite de participantes já integrados ao projeto

Grupo Renascer

Responsável: Melissa Braz

Para quem: Mulheres com câncer de mama

Periodicidade: Quinzenal. Próximo encontro será dia 13 de maio
Dia e horário: Terças-feiras, às 14h

Local: prédio do CEREST, Alameda Santiago do Chile, 435, próximo ao Hemocentro de Santa Maria

Inscrições: Não é necessário processo seletivo nem inscrição prévia. Basta chegar com um pouco de antecedência no local e conversar com a responsável

Mais informações: (55) 99975-7026 (professora Melissa)

Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista

Ilustração: Evandro Bertol, designer

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Saberes partilhados

Os temas abordados nas atividades dos grupos costumam surgir das demandas dos próprios participantes. No grupo Renascer, por exemplo, entre os temas mais recentes solicitados estão alimentação, cuidados com a pele no verão e questões relacionadas à memória e às demências. “Elas pediram pra gente fazer atividades cognitivas nos encontros”, conta a professora Melissa. Além das discussões e atividades físicas e educativas, os grupos celebram datas comemorativas, como Páscoa e São João, fortalecendo os vínculos afetivos e promovendo o bem-estar coletivo. [caption id="attachment_306" align="alignright" width="493"] Participantes do Projeto Renascer reunidas após conversa sobre alimentação[/caption] A integração entre ensino, pesquisa e extensão é uma das marcas do Feliz(c)idade. O projeto permite que os estudantes do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia vinculem seus temas de pesquisa às ações desenvolvidas com a comunidade. “A gente vem incorporando o conhecimento dos mestrandos às atividades de extensão, popularizando o que eles têm estudado com os participantes do grupo”, destaca Melissa Braz. A enfermeira e mestranda em Gerontologia Jéssica Ferreira dos Santos relata que a experiência tem sido marcante em sua trajetória acadêmica. “Pude vivenciar, de forma direta, desafios e potenciais inerentes ao processo de envelhecimento e refletir sobre como as interações intergeracionais enriquecem tanto a vida dos idosos quanto a formação acadêmica e pessoal de quem dedica cuidados a eles”, afirma.

Ressignificar o envelhecer

O impacto do projeto na vida dos participantes vai além da promoção da saúde física e cognitiva. Melissa Braz salienta os aspectos emocionais e sociais que emergem, especialmente no grupo Renascer - voltado a mulheres que já passaram ou estão em tratamento oncológico. “Algumas mulheres chegam nervosas, numa fase muito sensível do tratamento, logo depois que recebem o diagnóstico, antes de passar por uma cirurgia”, relata. Nesse contexto, o acolhimento oferecido pelo grupo – tanto pelos estudantes e profissionais envolvidos quanto pelas demais participantes – torna-se fundamental. A convivência entre pessoas que compartilham experiências semelhantes é uma das forças do projeto. “Elas comentam essa importância de estar no meio dos pares, das pessoas que já viveram situações que elas estão vivendo”, afirma Melissa. Nos demais grupos, os relatos também mostram transformações significativas. No Corpo Mais, por exemplo, o exercício físico se revela um catalisador de bem-estar. “As pessoas contam que muitas vezes chegavam deprimidas, cansadas, sem energia para nada, e agora percebem outra relação com o corpo”, relata a professora. Com mais disposição, elas voltam a realizar tarefas diárias com autonomia e prazer — seja brincar com os netos ou retomar rotinas já esquecidas. De acordo com o professor Gustavo Duarte, coordenador do projeto Corpo Mais, a proposta atual amplia o olhar sobre o envelhecimento, promovendo encontros entre diferentes gerações. “Antes eu trabalhava só com o público 60+. Hoje, abri o grupo para incentivar essas relações a partir dos 40 anos. É uma forma de as pessoas se prepararem para o seu envelhecimento. E os idosos não ficam só num gueto, num grupo só com gente da mesma idade”, explica. A professora aposentada de Educação Física, Vera Regina Duarte, de 74 anos, conta que decidiu participar do projeto Corpo Mais por gostar muito de dançar e por sentir necessidade de se exercitar. “Esses encontros significam muito pra mim. Além de conhecer outras pessoas, são momentos de muita descontração e alegria. Participando desse projeto, aprendi a necessidade de nos exercitar e conviver com pessoas diferentes do nosso círculo de amizade”, declara. Já a costureira aposentada Eva dos Santos de Oliveira, de 79 anos, participa do grupo Renascer e do Mexe Coração: “Aprendi muito sobre o câncer de mama, e gosto muito de todas as atividades e das colegas. A cada dia faço novas amizades”, reforça.

Envelhecimento ativo

O envelhecer ativo é a tônica do projeto. “A gente não está olhando pro ‘não’. A gente está olhando para as possibilidades”, resume Melissa Braz. O foco está na valorização do que cada pessoa ainda pode fazer — e não nas limitações impostas pelo tempo. As atividades físicas visam preservar a autonomia, estimular a confiança e promover qualidade de vida. Cada exercício respeita as condições individuais, com o objetivo de fortalecer o protagonismo na própria saúde. Afinal, como destaca a coordenadora, o perfil das pessoas idosas mudou: muitas são ativas, engajadas e determinadas a viver com plenitude. [caption id="attachment_305" align="alignright" width="719"] Idosos participam em atividade do Grupo Corpo Mais[/caption] Essa visão é compartilhada pelo professor Gustavo, que ressalta o valor do envelhecimento ativo e da busca por bem-estar. “Ao participar do projeto, as mudanças são muitas, desde a parte física que a gente trabalha — questões de equilíbrio, memória, fortalecimento muscular — até o prazer que a dança e a ginástica proporcionam”, afirma. Ele também observa que os alunos idosos são os mais assíduos e quase não faltam às aulas do projeto. “Valorizam o tempo presente”, complementa.

Visibilidade para o envelhecer

O envelhecimento já não se parece com o que víamos há poucas décadas. Vivemos mais, com mais qualidade de vida, acesso à informação e participação social. Ainda assim, como ressalta Melissa Braz, os corpos envelhecidos seguem sendo marginalizados. “É um grupo que não tem as necessidades ouvidas nem satisfeitas. Nosso papel é dar visibilidade para essas pessoas, proporcionar saúde e qualidade de vida”, enfatiza. Ao coordenar o projeto de extensão, ela destaca a importância de romper com essa invisibilidade e construir espaços em que as pessoas idosas possam se expressar, compartilhar vivências e seguir aprendendo. Para Melissa, os encontros promovem transformações profundas, tanto para quem participa quanto para quem coordena. Conviver com as pessoas idosas, para ela, é uma aula constante sobre sonhos, sabedoria e resistência. Ouvir as histórias, desejos e planos de quem já percorreu tantos caminhos ajuda a ressignificar o envelhecer — inclusive para quem está só começando a pensar nessa fase da vida. A troca geracional também marca a trajetória do professor Gustavo Duarte. Ele observa que os idosos oferecem lições valiosas sobre presença e valorização da vida cotidiana: “A maioria dos idosos que faz ginástica e dança comigo valoriza, no dia a dia, as pequenas coisas, não só as grandes. Isso é um grande aprendizado, né? Que eu levo para a minha vida e tento passar para os alunos também”, finaliza.

Como participar?

A participação nos grupos do projeto Feliz(C)idade é aberta à comunidade. Os encontros seguem durante todo o ano letivo da Universidade e fazem uma pausa apenas durante o recesso acadêmico. Projeto Corpo Mais Responsável: Gustavo Duarte Para quem: Pessoas a partir de 40 anos Local: CDA (complexo Didático Artístico, ao lado do CEFD, no campus da UFSM) Dia: Quartas-feiras Horários: Ginástica e Ritmos : 14h Grupo de Danças: 15h Inscrições: A partir de agosto. As orientações serão divulgados no site do CEFD Mexe Coração Responsável: Marlon Crestani Para quem:  Idosos a partir de 60 anos Local: Antiga Reitoria – UFSM Dia e horário: Segundas e quintas-feiras, às 15h Inscrições: O ingresso ocorre prioritariamente por convite de participantes já integrados ao projeto Grupo Renascer Responsável: Melissa Braz Para quem: Mulheres com câncer de mama Periodicidade: Quinzenal. Próximo encontro será dia 13 de maio Dia e horário: Terças-feiras, às 14h Local: prédio do CEREST, Alameda Santiago do Chile, 435, próximo ao Hemocentro de Santa Maria Inscrições: Não é necessário processo seletivo nem inscrição prévia. Basta chegar com um pouco de antecedência no local e conversar com a responsável Mais informações: (55) 99975-7026 (professora Melissa) Reportagem: Luciane Treulieb, jornalista Ilustração: Evandro Bertol, designer]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/08/08/curso-tecnico-em-cuidados-de-idosos-promove-forum-para-discutir-qualidade-de-vida-da-pessoa-idosa Tue, 08 Aug 2023 11:10:06 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63251

Quais são os desafios para cuidar de uma pessoa idosa, no contexto da nossa região? Como é possível melhorar a qualidade de vida de pessoas idosas e, ao mesmo tempo, a condição de trabalho dos seus cuidadores? É por meio de perguntas como essas que o II Fórum Integração Ensino-Serviço do Curso Técnico em Cuidados de Idosos vai guiar suas discussões no dia 15 de agosto, no Auditório do Colégio Politécnico da UFSM. 

O evento busca, além de aproximar o Colégio das instituições nas quais os alunos do curso realizam estágio, ampliar a discussão sobre o tema de cuidados com pessoas idosas em diferentes situações, contemplando também aqueles que possuem familiares idosos ou cuidam diretamente deles. Será debatida a conjuntura da população idosa do município de Santa Maria, assim como os desafios da formação de cuidadores de pessoas idosas. A primeira edição do evento ocorreu em 2019 e, desde então, são levantados debates sobre a profissão a fim de qualificar seu atendimento às demandas sociais, além de possibilitar uma avaliação das expectativas profissionais e educacionais de técnicos já formados e estudantes da área para promover melhorias no curso.

 A programação, que tem início às 9h da manhã, conta com mesa de abertura e espaços para interação entre os participantes. No turno da tarde, após intervalo, está planejado um momento artístico-cultural, seguido por uma mesa redonda sobre a valorização e reconhecimento da profissão Técnico em Cuidados de Idosos. O fórum será encerrado às 17h, depois de um café com plenária. 

O evento é aberto a egressos, estudantes – incluindo aqueles que já tiveram vínculo com o curso e não puderem concluí-lo – assim como à comunidade com interesse no tema. As inscrições devem ser feitas por meio do formulário até o dia 13 deste mês.  Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail: tecnico.cuidadosdeidosos@55bet-pro.com

Conheça mais sobre o Curso Técnico em Cuidados de Idosos

O cuidado especializado para aqueles que, com a idade, necessitam de apoio e auxílio é o valor central da formação do Curso Técnico em Cuidados de Idosos oferecido pelo Colégio Politécnico da UFSM. O conhecimento técnico e científico vem para oferecer uma formação que é única: são apenas cinco cursos em todo o país, atendendo a uma demanda por um campo de trabalho que cresce cada vez mais. Ao final do curso, os alunos estão capacitados  para atuar no cuidado de idosos nos aspectos físico, mental, cultural e social, contribuindo para a autonomia do idoso e para a melhoria de sua qualidade de vida. Para conhecer essas e outras informações sobre o curso, além de saber um pouco do dia a dia deste profissional, confira o vídeo institucional do curso no canal do YouTube da instituição. O material foi produzido em uma parceria da Assessoria de Comunicação do Colégio Politécnico, Coordenação do Curso Técnico em Cuidados de Idosos e Coordenadoria de Tecnologia Educacional da UFSM.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/09/01/maioria-dos-idosos-nao-tem-plano-de-saude-e-depende-unicamente-do-sus Wed, 01 Sep 2021 05:51:17 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/agencia-da-hora/?p=454 [caption id="attachment_455" align="aligncenter" width="1024"] Apenas 22% da população idosa do país possui algum Plano de Saúde. Foto: Foto: Jorge Maruta/USP Imagens[/caption]

Quem procura um plano de saúde para idosos sabe as dificuldades encontradas na hora de fechar um contrato. São poucas as empresas com cobertura para idosos, o custo mensal é alto e os fornecedores impõem várias exigências, sempre visando o lucro que a instituição pode ou não obter com cada indivíduo.

A técnica de Enfermagem Berenice Broc procurou durante meses um plano de saúde para seu pai, João Broc, agricultor de 72 anos que trabalhou na lavoura durante anos, desde a juventude até a sua aposentadoria, porém não encontrou algum que estivesse dentro das condições financeiras que seu João poderia pagar. “Não achamos muitas opções de convênio e as que chegaram até nosso conhecimento tinham um custo mensal muito alto”, informou.

Ao analisarmos sete planos de saúde oferecidos para pessoas com idade superior a 60 anos, constatamos que os preços variam entre R$ 1.090,43 até R$ 11.129,74 mensais. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada em 2020 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com dados referentes ao ano de 2019 (antes da pandemia do novo coronavírus), sete em cada dez brasileiros, ou mais de 150 milhões de pessoas, dependem exclusivamente do SUS para tratamento.

A pesquisa mostrou que, em 2019, 59,7 milhões de pessoas, o correspondente a 28,5% da população do país, possuíam algum plano de saúde, seja ele médico ou odontológico. Dessa forma, 71,5% dos brasileiros não figuram como contratante de qualquer plano privado de saúde, e têm no sistema público de saúde sua única possibilidade para tratamentos, atendimento hospitalar, e outros serviços.

Outra pesquisa, realizada pelo Instituto de Estudos em Saúde Suplementar (IESS) em março de 2020, descobriu que cerca de 6,6 milhões de idosos com mais de 60 anos possuíam planos de saúde de assistência médico-hospitalar no Brasil, representando 14% do total de beneficiários da saúde suplementar e 22% da população brasileira idosa. Com base no levantamento, a maior parte destes idosos é de classe média alta e se concentram em São Paulo e no Rio de Janeiro. No total, São Paulo tem 2,5 milhões de beneficiários com 60 anos ou mais e o Rio de Janeiro 01 milhão.

Reportagem: Vinícius Chequim

Matéria produzida na disciplina Redação Jornalística II, do curso de Jornalismo do 55BET Pro da UFSM em Frederico Westphalen, no 1º semestre de 2021, ministrada pela Professora Luciana Carvalho.

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Sabemos o quanto as mudanças impactam diretamente no nosso cotidiano, seja um novo trabalho, uma nova experiência ou até uma mudança de visual. Com o passar do tempo, à medida que vamos envelhecendo, a dificuldade de lidar com as mudanças tende a crescer. Com a pandemia do novo coronavírus, as mudanças foram mais rápidas. Muitos serviços que eram feitos de modo presencial passaram a ser oferecidos em aplicativos de celular. Até mesmo as relações interpessoais precisaram, em alguns momentos, migrar para as plataformas da internet. Com isso, houve um crescimento no número de idosos que acessa a rede. 

Em 2021, foi registrado um aumento no número de pessoas com mais de 60 anos que acessa a internet no Brasil. Segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o percentual passou de 68%, em 2018, para 97% em 2021. A maioria, 84%, acessa a internet via smartphones, crescimento de 8 pontos percentuais em relação a 2018. 

[caption id="attachment_439" align="aligncenter" width="1024"] Pandemia levou mais idosos para o digital. Foto: Pixabay[/caption]

De acordo com pesquisa desenvolvida pelo Sesc São Paulo e pela Fundação Perseu, os idosos, além da dificuldade no aprendizado do mundo digital, sentem-se excluídos. A técnica de enfermagem Osmarina Itelvina Telles, de 58 anos, relata ter dificuldade no uso das tecnologias, tanto no mercado de trabalho quanto na vida pessoal.

Osmarina trabalhou em uma clínica médica em que não utilizava sistemas digitais para os pacientes, apenas o uso de fichas físicas. A mesma coisa se repetiu quando trabalhou, até a aposentadoria, no Hospital Divina Providência (HDP), em Frederico Westphalen. Anos depois, voltou para a clínica médica como secretária, tendo que trabalhar com o sistema para atualizar dados de pacientes e marcar consultas. “Tenho bastante dificuldade com o sistema, principalmente na hora da digitação ou com o próprio computador”, revela.

Ela destaca que sofre preconceito ao demonstrar alguma dificuldade. “Já percebi muitos olhares de impaciência, que pareciam querer corrigir algo”, afirmou. Além dos desafios para adquirir habilidades com o computador e demais tecnologias, o preconceito também acaba dificultando ainda mais esse processo. Ao ser questionada sobre o que gostaria de modificar no trabalho ou na vida, Osmarina ressalta a importância da humanização com cada pessoa, do cuidado, da paciência. “O que realmente importa é a compreensão com quem tem dificuldades, com quem está realmente precisando de ajuda, pois se cada pessoa se ajudar, de alguma forma, tudo no final acaba dando certo”, finaliza.

Reportagem: Ana Julia Broc Juvenassi

Matéria produzida na disciplina Redação Jornalística II, do curso de Jornalismo do 55BET Pro da UFSM em Frederico Westphalen, no 1º semestre de 2021, ministrada pela Professora Luciana Carvalho.

 

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Descrição de imagem: imagem em formato quadrado, com o fundo da imagem na cor bege, com bordas formadas por ondulações na cor roxa, com efeito de bolhas de ar. No ângulo superior esquerdo, lê-se “LIVE”, em letras maiúsculas, na cor roxa. À direita, na mesma linha horizontal, um abaixo do outro, há o logo do Facebook (quadrado azul, de ângulos arredondados, com a letra F minúscula ao centro, na cor branca) e o logo do Youtube (retângulo vermelho, de ângulos arredondadas, com um triângulo branco ao centro, indicando à direita). Em seguida, no mesmo sentido, há o logo do projeto COVID Psiq (rosto humano, de perfil, delineado na cor roxa, com a imagem de uma árvore, cuja copa está no lugar do cérebro) e o brasão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), formado pelos seguintes elementos: três archotes de fogo, que simbolizam os três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão; a flor-de-lis, simbolizando a purificação, e os archotes com a chama do conhecimento, representando a luz que ilumina o caminho para a sabedoria; o brasão, denotando moral e respeito; a frase em latim “Sedes Sapientiae”, que significa sede (lugar, casa) da sabedoria*. Na base do brasão, há a sigla CAEd (Coordenadoria de Ações Educacionais). Abaixo, lê-se o título da live, “Saúde mental dos idosos na pandemia de COVID-19”. Abaixo, em linha horizontal, dentro de círculos na cor roxa, há as fotos dos ministrantes da live. No sentido da esquerda para a direita, primeiramente, há a foto de Bruno Luiz Guidolin, médico psiquiatra, tratando-se de homem de pele clara, cabelo e barba castanhos, expressão sorridente, usando óculos de grau, camisa social branca, paletó e gravata na cor azul-marinho. À direita, há a foto da Profa. Dra. Melissa Agostini Lampert, médica geriatra, tratando-se de mulher de pele clara, cabelos lisos e castanhos na altura dos ombros, expressão sorridente e vestindo blusa de gola alta marrom. Na sequência, há a foto do Prof. Dr. Vitor Crestani Calegaro, médico psiquiatra, tratando de homem de pele clara, cabelos curtos e castanhos e expressão sorridente. Usa óculos de grau e barba. Veste camisa social bege, blusa pull over, nas cores marrom e preta, e casaco preto. Por último, encontra-se a foto de Juliana Motta, jornalista, mulher de pele clara, cabelos loiros e lisos até os ombros, com um leve sorriso e vestindo blusa lilás. A identificação dos ministrantes encontra-se abaixo das respectivas fotografias. Abaixo, centralizado, há informações sobre data e horário de realização da live, “Dia 3 de novembro”, “20h”. Na base da imagem, lêem-se as informações sobre o acesso à transmissão da live: “Para acompanhar, acesse youtube.com/c/covidpsiq ou nosso Facebook COVIDPsiq”.A Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed) e o Projeto CovidPsiq da UFSM realizam a live “Saúde mental dos idosos na pandemia de Covid-19″ nesta terça-feira (3), às 20h, pelo canal no YouTube e no Facebook do CovidPsiq.

Participam o médico psiquiatra Bruno Guidolin, a médica geriatra Melissa Agostini Lampert, o médico psiquiatra Vitor Crestani Calegaro e a jornalista Juliana Motta. 

 

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Durante o período de distanciamento social que vivenciamos, um dos grupos que precisam de maior atenção são os idosos — não apenas por estarem no grupo de risco do novo coronavírus (covid-19), mas também por precisarem de cuidados especiais com a saúde e com as tarefas cotidianas. Tendo em vista o convívio entre cuidadores de idosos e a terceira idade, o Programa de Extensão Pacto-UFSM vem desenvolvendo uma série de materiais e atividades de escuta e orientação profissional como forma de auxiliar neste momento, que se mostra tão difícil para grande parte da população.

O Pacto – Programa de Apoio aos Cuidadores da Terapia Ocupacional, ação de extensão vinculada ao curso de Terapia Ocupacional do Centro de Ciências da Saúde da UFSM, atua desde 2018 com trabalhos voltados aos cuidadores de idosos formais (que atuam nas Instituições de Longa Permanência para Idosos, ou ILPIs) e informais (na sua maioria familiares do idoso). Coordenado pela professora Kayla Araujo Ximenes Aguiar Palma, o programa desenvolve mini capacitações dentro das ILPIs, além de encontros com cuidadores de idosos que sofrem com o Mal de Alzheimer — doença que afeta, prioritariamente, a região da memória do paciente —, dando suporte a esses cuidadores através de atividades de relaxamento, de escuta, assim como palestras.

Durante o período de distanciamento social ocasionado pela pandemia de covid-19, na qual foram suspensas as ações presenciais de extensão da UFSM, o projeto continua atendendo virtualmente esses cuidadores, através de materiais informativos enviados via redes sociais digitais. Entre os materiais encaminhados pelo grupo de extensionistas, produzidos em parceria com os alunos da disciplina Terapia Ocupacional em Gerontologia II, de  estão algumas informações sobre os cuidados a serem tomados durante este período, atividades para o estímulo cognitivo e emocional do idoso, sugestões de organização da rotina cotidiana e também cuidados com a saúde do cuidador. O programa de extensão também divulga, nas redes sociais, materiais com sugestões de atividades para serem desenvolvidas em casa.

A professora do departamento de Terapia Ocupacional e coordenadora do Pacto-UFSM, Kayla Araujo Ximenes Aguiar Palma, reforça que, nesse período que vivenciamos, é fundamental redobrar os cuidados com os idosos e com os cuidadores. “Os cuidadores familiares, que estão 24h em contato com esse cuidado, precisam se cuidar para que não desenvolvam estresse crônico”, comenta a professora. A terapeuta ocupacional destaca que o cuidador também precisa dedicar alguns momentos de lazer para si, praticando atividades que goste, assistindo um filme ou dormindo.

Uma das dicas do programa, para reduzir os impactos desse período, é tentar manter, ao máximo, a rotina do idoso. “Se tomavam café juntos, continuem tomando; se praticavam caminhadas, façam algum exercício físico pela casa; se faziam terapia ocupacional ou fisioterapia, tentem fazer alguma das indicações do T.O. ou do fisioteapeuta. Tentem estimular a capacidade cognitiva e funcional do idoso o mais perto do habitual”, destaca Kayla. A professora finaliza lembrando a importância de seguir tanto as orientações de higiene e cuidado repassados pela mídia quanto as atividades com idosos, para que eles não fiquem focados apenas nas notícias, “deprimindo-se, já que se fala tanto na morte do sujeito idoso pela doença”.

Para ter acesso ao material ou conversar com os participantes do projeto, os interessados podem entrar em contato através do Facebook e do Instagram do Programa.

Texto: Wellington Felipe Hack, do Núcleo de Divulgação Institucional da PRE

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/01/14/pedagoga-aos-71-anos-a-historia-da-idosa-que-se-formou-no-ultimo-sabado-na-ufsm Tue, 14 Jan 2020 19:56:55 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=50977 [caption id="attachment_50978" align="alignright" width="374"]Foto vertical colorida mostra a formanda com vestes típicas sentada em uma poltrona em um fundo de cortinas e ao lado uma mesa com castiçal Dona Almeri Moura Pereira colou grau no último sábado (11)[/caption]

“Ninguém sabe tudo. A pessoa pode ter 100 anos, mas sempre vai ter alguma coisa para aprender. As dificuldades nós que criamos”. A afirmação é de dona Almeri Moura Pereira, orgulhosa de sua trajetória. Aos 71 anos, ela acaba de se formar em Pedagogia na UFSM, após cinco anos se revezando entre a rotina em sala de aula e as aventuras de viver em um ambiente dominado por jovens.

Natural de Sobradinho (RS), ela conta, emocionada, que decidiu voltar a estudar depois que o marido faleceu, suas duas filhas foram morar longe e começou a se sentir sozinha em casa. Como forma de amenizar a solidão e de se distrair, entre 2011 e 2012 começou a frequentar as aulas do EJA (Educação para Jovens e Adultos) e, a partir dessas aulas, acabou gostando de estudar. “Peguei amor pelo estudo. Em um ano e meio eu fiz o EJA, com 60 e poucos anos de idade. Quando terminei, quis fazer vestibular”, relembra.

Professora municipal por um período em Sobradinho, sua paixão sempre foram os números. Por isso, o curso de Matemática foi a primeira escolha no vestibular na UFSM. Aprovada, cursou durante dois semestres no ano de 2013, mas achou difícil e resolveu trancar a graduação. Voltou para Sobradinho, mas decidida a não parar de estudar.

Em 2014, aos 65 anos, prestou o vestibular novamente e foi aprovada em segundo lugar no curso de Pedagogia do Centro de Educação, campus sede da UFSM. Foi em 2015, então, que começou a jornada de dona Almeri no curso almejado. A expectativa era de que a graduação possibilitaria que ela trabalhasse como professora novamente - e com os números que tanto ama.

Conseguiu vaga na Casa do Estudante (CEU) e passou a dividir quarto desde o começo da graduação. Apesar de enfrentar alguns empecilhos, durante a faculdade fez amizades e conquistou o coração de muitas pessoas. Sempre foi respeitada pelos alunos, pelos colegas e pelos professores, e nos estágios realizados era chamada de “avó” pelas crianças. “Os pequenininhos me adotaram como vovó. Eles queriam sempre estar no meu colo brincando, me agarrando. No meu último dia eles não queriam que eu fosse embora, escreveram cartinhas”, conta.

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) também foi um obstáculo, tanto que o escreveu à mão. “Já estou acostumada com o computador, mas escrevendo parecia que eu raciocinava melhor, eu gravava melhor na minha mente. Escrevi quase um caderno todo em uma noite, eu amanhecia escrevendo”, explica.

No final, a dedicação valeu a pena. Seu trabalho abordou a inclusão de surdos na Universidade, e a nota foi dez. Homenageada durante a apresentação do TCC, ela se emociona ao contar que o professor tocou violão e cantou a música “Tocando em frente”, de Almir Satter. “Chorei muito, ele cantou uma música muito a ver comigo”, comenta.

Dona Almeri se formou no último sábado (11), no Centro de Convenções da UFSM, durante a colação de grau conjunta do Centro de Educação, e foi homenageada no discurso de alunos e professores.

Sensibilizada, ela diz que vai sentir saudades da rotina na Universidade. “A UFSM me preencheu, me satisfez. Eu amo a UFSM e espero que continue esse sistema, com essa dedicação que eles têm”, afirma. O objetivo, agora, é trabalhar na área de Pedagogia, lecionar para crianças e “continuar contribuindo para a sociedade”.

Além de dona Almeri, outras três pessoas com 70 anos ou mais já se formaram na graduação na UFSM, segundo dados da Coordenadoria de Planejamento Informacional.

Assista ao vídeo da TV 55BET Pro com depoimentos de dona Almeri:

http://www.youtube.com/watch?v=V7xFBe1tUC0&feature=youtu.be

Texto: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias

Imagens do vídeo: Carolina Ambrós, acadêmica de Produção Editorial, bolsista da TV 55BET Pro

Fotos: Arquivo pessoal

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-terceira-sexualidade Thu, 09 Aug 2018 20:24:13 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=4196

A sexualidade floresce com a adolescência e anda lado a lado com a vida adulta, mas há quem diga que encontra seu limite quando alcança o envelhecimento. Intimidade, carícias, beijos, afeto, contato pele a pele... Essas são expressões da sexualidade que não estão, necessariamente, ligadas à reprodução, e nesse contexto surgem algumas perguntas: até que ponto a sexualidade é aceita socialmente sem o objetivo procriativo? A felicidade pelo prazer sexual pode ser almejada pelas pessoas idosas?

Com um olhar subjetivo acerca do aumento da expectativa de vida da população brasileira e das mudanças nas configurações familiares modernas, a pesquisadora Tatiane Rocha Razeira se insere no contexto de uma casa para idosos a fim de entender como idosos e idosas institucionalizadas vivenciam o cotidiano e suas sexualidades. Um olhar intimista é direcionado às individualidades existentes no âmbito de uma das instituições (asilo, abrigo, centro de convivência para idosos) existentes em Santa Maria, as quais, segundo ela, são estigmatizadas socialmente e vistas como forma de exclusão e isolamento de idosos à espera da morte.

Duas vezes por semana, de março de 2015 a abril de 2016, a pós-graduanda em Gerontologia pela UFSM realizava atividades que envolviam os idosos por cerca de 45 minutos e aproveitava o tempo no local para conversar com os moradores da casa, com a equipe de enfermagem e com as cuidadoras. O resultado são 164 páginas de diários de campo, que dão vida e são inseridos, em parte, na dissertação Cenas do cotidiano e da sexualidade de pessoas idosas institucionalizadas, apresentada em 2016.

Na dissertação, as fantasias que envolvem o universo da sexualidade são realçadas através do Kama Sutra, obra literária escrita na Índia há aproximadamente 2 mil anos por Mallanaga Vatsyayana. Tatiane nomeou as pessoas descritas no trabalho a partir da proximidade com as interações afetivas e amorosas expressas nos personagens da literatura. Como resultado, a pesquisa mostrou que o grande desafio da temática é fazer com que as pessoas idosas consigam manifestar suas sexualidades sem se sentirem culpadas; e que a institucionalização, atualmente, mostra-se como uma alternativa possível, e até mesmo necessária, às configurações familiares contemporâneas. Essas transformações no corpo e na vida de pessoas em processo de envelhecimento estão disponíveis nos relatos selecionados a seguir.

 

DESCRIÇÃO DO ESPAÇO

Na sala de televisão ficam muitas pessoas, principalmente as que possuem pouca mobilidade, as quais repousam sonolentamente em cadeiras retráteis, os olhos ficam semiabertos, assim como os lábios, por onde timidamente escorre a saliva que repousa na boca espaçosa e ociosa. Algumas delas gemem, outras balbuciam algumas palavras incompreensíveis; umas assistem à televisão, enquanto outras observam seu entorno, como se estivessem procurando alguém ou alguma coisa. Talvez em busca de si mesmas, de quem foram, ou em quem se transformaram, enfim, de sua ipseidade.

CASAL NA CASA

Quando cheguei à casa, o casal Satakarni e Malayevati estava na sala, começaram a namorar ali na casa; convidei-os para a roda de conversa, mas agradeceram e foram subindo as escadas para o quarto. Ela segurou meu braço e, em tom moderado de voz, disse que não era nada comigo, mas é que o marido dela é muito ciumento e não gosta que ela fique se mostrando; disse que obedecia para não dar briga. Antes do namoro, realizavam as atividades físicas; ela gostava e participava ativamente, ele também participava. Satakarni é casado, presenciei a visita da esposa dele na casa no dia que ele apresentou a namorada para a esposa. A esposa apoiou a relação, disse que ficava feliz por ele ter uma companhia, já que entre eles agora só existia amizade.

A FAMÍLIA E O ASILO

Conversei com Vita e sua esposa, que tinha ido visitá-lo. Ela é uma senhora muito elegante, cabelos castanhos curtos escovados, maquiagem leve e perfume suave; é professora do estado aposentada. Ela estava sentada junto de Vita no sofá de dois lugares, seu braço direito repousava nos ombros dele, de vez em quando ela fazia um cafuné no cabelo. Ela disse que tinha vindo namorar, que sente muita saudade dele, que sofreu e sofre muito com a decisão de deixar ele ali na casa; com os olhos marejados, confessou que não foi fácil decidir; conversou com familiares e filhos, e no início sentia vergonha de dizer que ele estava no asilo. O sofrimento é imenso, mesmo sabendo que não tinha mais condições de cuidar e suprir todas as necessidades dele. [...] ‘mas a força a gente tira de Deus, sem ele não ia conseguir enfrentar tudo isso’.

AUTOIMAGEM

[...] estava lá, sentada na cama, olhando em direção à janela, Maharashtra deslizava a escova de plástico desgastada pelos curtos e poucos cabelos castanhos iluminados por ralos fios brancos. Em tom de desabafo, diz que não se olha mais no espelho, só no do banheiro que é pequeno e dá pra ver só o rosto, e faz tempo que não vê seu corpo inteiro refletido no espelho. ‘Pra que olhar? Eu me sinto como um pêssego murcho, por fora! Mas por dentro eu me sinto viva e penso até naquilo, eu tô viva! É isso que importa, não é?’

IMPOTÊNCIA

‘[...] mas ele não funciona mais! Eu pego, puxo, puxo, mas dá em nada, daí a gente fica na vontade’. O relato dela foi reafirmado por uma das funcionárias, que confirmou que ela manipula o pênis dele no banho que chega a cortar, ele reclama e ela vai pedir pomada pra passar. Segundo ela: ‘minha filha diz que ele tá pior que eu, o que eu quero com ele?’ A família não é favorável à relação, pois ele é casado e já tem 84 anos, mas ela não se importa com a opinião da família, disse que continuaria com o namoro.

SEXUALIDADE

A pesquisadora pergunta aos idosos Dandakya, Maharashtra, Bali, Dravida e Aparatika o que eles(as) entendiam por sexualidade:

[...] após pensarem por alguns segundos, Dandakya respondeu para mim: ‘é tá junto com alguém, em relação né, dormindo junto, com intimidade’. Para Aparatika, ‘é sexo e amor, entre um homem e uma mulher, daí vêm os filhos, depois os netos, é ter uma família’. E Dravida completou: ‘quando a gente fica velha, nem pensa mais nisso, é como se a gente deixasse de ser mulher’.

FUNCIONÁRIOS E SEXUALIDADE DOS IDOSOS

O técnico em enfermagem que trabalha na casa relatou que algumas idosas querem que ele dê o banho nelas, e que, durante o banho, fazem insinuações verbais e gestuais, pedem para ele passar o sabonete várias vezes pelo corpo e em partes específicas (aproximou a mão da região genital e do peito). Ele disse que leva tudo com bom humor, que hoje acha isso normal, mas no início ficava um pouco constrangido. Perguntei se na formação dele em algum momento tinham sido desenvolvidas as temáticas, ele respondeu que foi trabalhado algo relacionado com doenças.

LIMITAÇÕES DO CORPO

[...] Vidushaka estava no quarto, estendendo a cama vagarosamente e com certa dificuldade. Relatou que sentia muita dor na coluna, nos joelhos e nas pernas, cada dia uma dor. Mas, segundo ele, ‘antes tinha um corpo, jogava bocha, caminhava pra lá e pra cá, saia lá de casa e ia na Acampamento a pé, agora tô virado em dor, uma carcaça’.

MASTURBAÇÃO

Em conversa com uma das técnicas em enfermagem, perguntei se ela já tinha presenciado algum tipo de expressão da sexualidade por parte de algum(a) idoso(a). Ela ressaltou que existe um cuidado relativo ao que poderia ser algum tipo de abuso, quando percebem que a pessoa é mais saidinha com as outras, ficam de olho. 'À noite, na hora de dormir, os quartos ficam com as portas abertas, é que muitos tomam medicamentos para dormir, então fica tudo tranquilo, mas tem muita coisa que a gente finge que não viu e não ouviu e outras a gente acostuma. Na casa, tinha um senhor que se masturbava a qualquer hora ou lugar, então a gente o levava para o quarto e deixava terminar. Algumas idosas tinham medo dele, outras pediam para tirar ele da sala, mas a gente entende a situação dele, tá com vontade. Mas, à noite, eu pedia para as gurias do turno ficarem de olho nele'.

BOM PARTIDO

'Ele não é como os velhos daqui, ele nem é velho, caminha, vai aonde quer, volta pra casa dele e não depende de ninguém para comer, ir no banheiro… ele seria um bom companheiro, porque eu não quero um velho de fralda, que não faz mais nada [fez um gesto com as mãos em forma de concha para baixo e para cima], nem que seja para esquentar meus pés, beijar, fazer carinho e conversar. Tu não acha ele um homem bonito? Bem arrumado e não tem cheiro de urina, eu tô certa ou não de querer uma pessoa assim?'

FILHOS, DE QUE ADIANTA?

‘Sempre fui chineiro, não tinha uma mulher, mas várias, fui noivo, mas ela não aguentou, por isso não casei, mas agora queria ter uma companheira, pra esquentar os pezinhos de noite [risos]. Eu acho linda uma morena que vem aqui, é filha de uma das idosas acamadas, pra ela eu dava casa, comida e roupa lavada [risos], até me aquietava, podia ter filhos e eles me cuidarem’. Rapidamente Maharashtra exclamou: Eles não cuidam da gente, olha, eu tô aqui e tenho três filhos, o que adianta?’

DOR DA MORTE

Estávamos sentados na varanda, quando ela, a irmã dele, desceu do quarto, abraçou e agradeceu a enfermeira, despediu-se das pessoas idosas que estavam na sala. Maharashtra perguntou como ele estava, ela respondeu sem graça que ele estava bem e tratou de sair da sala. Foi caminhando pela rampa, carregando no braço esquerdo uma sacola de papel com alguns pertences, segundo a enfermeira era o radinho de pilha, o relógio, o óculos e a Bíblia; as roupas e os calçados deixou para doação. Na outra mão, segurava o ventilador e, no coração, acredito que o que carregava era tristeza e a certeza de que uma vida toda coube em uma sacola.

Reportagem: Claudine Friedrich

Diagramação e Ilustração: Giana Bonilla e Juliana Krupahtz

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