UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sat, 25 Apr 2026 17:40:33 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/04/24/projeto-da-ufsm-resgata-historia-e-cultura-da-imigracao-italiana-na-quarta-colonia Thu, 24 Apr 2025 13:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=68860 [caption id="attachment_68865" align="alignright" width="486"]foto colorida vertical de um homem e uma mulher em pé, em uma sala com objetos expostos, de frente para uma platéia, que não aparece Professores Marcos Zancan e Rosemar Vestena apresentando o livro em escola de Ivorá[/caption]

O ano de 2025 marca os 150 anos do início da imigração italiana no Rio Grande do Sul - um processo que deixou marcas profundas na história e na cultura do estado. Na região da Quarta Colônia, quarto centro de colonização italiana do Rio Grande do Sul, esse legado se preserva em traços linguísticos, culturais e históricos que atravessam gerações, embora ainda enfrente os desafios do esquecimento.

Para resgatar esse patrimônio, um projeto de extensão da UFSM está promovendo uma série de ações junto à comunidade local, com foco na valorização das raízes e no enfrentamento ao esquecimento e aos preconceitos que marcaram parte dessa trajetória.

Coordenado pelo professor Marcos Daniel Zancan, do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (Ctism), o projeto “História, língua e cultura de imigração italiana na Quarta Colônia” envolve ações como oficinas, palestras, cursos de línguas e até publicações bilíngues. Formado em Engenharia Elétrica e com 24 anos de atuação na UFSM, Zancan trabalhou por anos na área administrativa e de gestão acadêmica. Após esse período, decidiu investir em um projeto que resgata as próprias raízes e dialoga com a sua história familiar.

“Eu sou filho de imigrantes, fruto do preconceito, da perseguição. Meus pais viveram isso. O sotaque que carrego, as expressões que uso, me causaram bullying, tanto em Ivorá, de onde eu vim, quanto na Universidade. O projeto tem como ideia ajustar a história e os paradigmas criados em torno dos imigrantes. Queremos reconstruir a história verdadeira para valorizar a identidade cultural das pessoas da Quarta Colônia”, afirma o professor.

A iniciativa busca desmistificar a história da imigração italiana, reconstruindo narrativas e valorizando o legado deixado pelos imigrantes, muitas vezes apagado ao longo do tempo por causa da perseguição, do preconceito e da imposição de uma identidade cultural única.

Entre a fome e o esquecimento: a trajetória dos imigrantes

Os primeiros italianos chegaram à região fugindo da miséria, da fome e da guerra. “A Itália estava recém-unificada. Houve uma imigração em massa, e o governo brasileiro não estava preparado para receber tanta gente. Não houve assistência”, explica o professor. A situação se agravou durante o Estado Novo, quando as políticas de nacionalização passaram a proibir não apenas o uso de línguas estrangeiras, mas também diversas expressões culturais dos povos imigrantes. “Era proibido rezar ou ir ao mercado falando em outra língua. Pessoas foram presas por isso”, relata.

Esse processo de repressão linguística e cultural gerou consequências duradouras. “Os pais pararam de ensinar a língua, de transmitir a cultura. Forçaram uma aculturação. A autoestima das comunidades foi sendo destruída. Começaram a repetir aquele mantra de que eram pessoas de segunda categoria. A gente quer desconstruir isso”, aponta.

Língua vêneta: uma identidade em reconstrução

Uma das principais frentes do projeto é a valorização da língua vêneta — uma das línguas minoritárias da Itália. Os imigrantes que vieram para a Quarta Colônia eram originários do norte da Itália, mais especificamente da região do Vêneto, e trouxeram consigo sua língua regional. Antes da unificação italiana, em 1861, o território da península itálica era formado por diversos reinos, cada um com sua própria língua regional. Com a unificação, a língua italiana - tal como conhecemos hoje -  passou a ser baseada em variantes linguísticas da região central da Itália, especialmente da Toscana. Enquanto isso, outras línguas regionais, como o vêneto, foram progressivamente reprimidas ou invisibilizadas.

Reconhecida pela Unesco como idioma histórico da região de Vêneto, a língua vêneta é falada em diversas comunidades ao redor do mundo, como no Brasil, Argentina, México e Canadá — apesar de não ser oficial em nenhum país. “A língua vêneta não é um dialeto, é uma língua. Assim como não dá pra dizer que o espanhol é um português mal falado, também não dá pra dizer que a língua vêneta é um italiano mal falado. Na região de Vêneto, na Itália, se você chega falando italiano, é só mais um turista. Se chega falando a língua vêneta, te convidam para entrar em casa”, explica Zancan.

O projeto oferece cursos de língua vêneta e desenvolve diversas ações para valorizar as expressões culturais locais. Um dos principais destaques é o livro bilíngue "Ła beła połenta: Parché zeła tanto spesial?" ("A bela polenta: por que é tão especial?"), escrito, em português e língua vêneta, por Zancan e as professoras Rosemar de Fátima Vestena e Thais Scotti do Canto-Dorow, da Universidade Franciscana (UFN). O livro, inicialmente lançado como e-book, foi impresso com o auxílio da empresa Camnpal e está sendo distribuído em escolas da Quarta Colônia. Ele aborda a história da imigração italiana, a gastronomia, a cultura local e inclui até jogos digitais em língua vêneta.

Em setembro, a obra será lançada na região do Vêneto, na Itália, durante uma viagem que também marcará a participação do projeto no 12º Congresso Internacional de Investigação em Didática das Ciências, que ocorrerá em Valência, na Espanha, de 2 a 5 de setembro. No congresso, serão apresentados artigos desenvolvidos em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da UFN.

[caption id="attachment_68863" align="alignleft" width="484"] Integrantes do projeto levam oficinas para escola da rede municipal em Ivorá[/caption]

Oficinas culturais e conexão internacional

O projeto também leva oficinas temáticas para escolas e comunidades da Quarta Colônia. No ano passado, em 5 de agosto, foram realizadas oficinas em Ivorá, e agora, no próximo dia 28 de abril, elas retornarão, desta vez nas escolas de Nova Palma. As oficinas abordam os seguintes temas:

  • História, língua e cultura de imigração italiana na Quarta Colônia
  • Segredos do milharal: da terra ao céu
  • Pelas rotas do milho: da semente ao prato
  • No ritmo da bela polenta (oficina musical)

Essas atividades, que têm como foco a valorização da cultura local, são realizadas em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da UFN.

Além disso, o projeto planeja aproximar estudantes brasileiros e italianos por meio de uma proposta chamada Gemellaggio Scolastico. “Queremos conectar uma escola da região do Vêneto com uma escola daqui. Os alunos podem trocar cartas, fazer chamadas de vídeo. Isso é pertencimento. É reconhecer que a gente tem uma origem comum”, destaca o professor.

Quarta Colônia: muito além da paleontologia

Desde 2022, a Quarta Colônia é reconhecida como Geoparque Mundial da Unesco, principalmente por seu potencial paleontológico. Mas, para Zancan, é fundamental ir além. “A Quarta Colônia é muito mais do que a paleontologia. Temos um enorme potencial cultural, arquitetônico, religioso, gastronômico. Somos uma comunidade com forte descendência italiana e precisamos entender de onde viemos para projetar o futuro”, afirma.

O projeto está aberto à participação de professores, estudantes e demais interessados em contribuir com a valorização da identidade cultural da região. Para mais informações, é possível entrar em contato com o projeto pelo e-mail quartacolonia@ctism.55bet-pro.com ou acessar a página do projeto no Facebook.

Texto: Camila Londero, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Fotos: Arquivo/Facebook
Edição: Lucas Casali e Ricardo Bonfanti, jornalistas

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Em 1874, os primeiros imigrantes italianos chegavam ao Brasil. No ano seguinte, em 1875, chegavam ao Rio Grande do Sul, distribuindo-se, inicialmente, em quatro colônias de imigração: Conde D’Eu (atual Garibaldi), Dona Isabel (atual Bento Gonçalves), Campo dos Bugres (atual Caxias do Sul) e Silveira Martins (Quarta Colônia), a partir de 1877. Na bagagem, traziam muito pouco, mas uma grande esperança de uma vida melhor, em um novo país, uma vez que fugiam da severa crise econômica que ocorria no Reino da Itália, recém unificado.

As dificuldades de que fugiam na Itália não foram muito diferentes das que encontraram no Brasil, especialmente nas colônias de imigração no Rio Grande do Sul. Em terras devolutas, cobertas de matas, distante de outros povoados, tiveram que iniciar do zero uma nova comunidade. Sem estradas, sem assistência médica, religiosa e sem escolas, desbravaram a Serra Gaúcha e a Quarta Colônia. A fome sempre esteve presente, tanto na saída da Itália quanto na chegada ao Brasil.

Nesse cenário, destaca-se um alimento básico, fundamental, que matou a fome dos imigrantes, tanto na Itália, quanto no Brasil: a polenta. Um alimento que, no início da colonização, estava presente em todas as refeições diárias, desde o café da manhã até o jantar.

A importância da polenta para os imigrantes italianos, oriundos majoritariamente do norte da Itália (vênetos, lombardos, trentinos e friulanos, principalmente), é tão grande que até uma canção foi feita em sua homenagem ("A bela polenta"). Essa canção, típica do folclore vêneto, é
conhecida e cantada até hoje pelos descendentes de imigrantes italianos no Brasil, especialmente, no Rio Grande do Sul e na Quarta Colônia.

Assim, homenageando a imigração italiana, através da “polenta”, os professores Rosemar de Fátima Véstena e Thais Scottti do Canto-Dorow, do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade Franciscana (UFN) e o professor Marcos Daniel Zancan, coordenador do Projeto de Extensão “História, Língua e Cultura de Imigração Italiana na Quarta Colônia” (Projeto Quarta Colônia), do Colégio Técnico Industrial (CTISM) da UFSM, lançam o livro temático intitulado “A Bela Polenta: Por que é tão especial?”, bilíngue, em Língua Portuguesa e Língua Vêneta.

O livro, que atende tanto o público infantil quanto o público adulto, aborda aspectos históricos, folclóricos, musicais, teatrais, científicos e de culinária, trazendo desde a letra da canção, até aspectos botânicos relacionados ao milho, incluindo seu plantio e colheita. Inclui ainda diversas gravuras relacionadas à temática da polenta e um jogo para o público infantil, que, ao mesmo tempo que apresenta aspectos históricos, linguísticos e culturais relacionados à polenta e à imigração, também desenvolve a educação financeira do jogador.

Com o apoio da UFN, UFSM, Campal, Sicredi e Geoparque Quarta Colônia, o livro será impresso e disponibilizado para as escolas da Quarta Colônia. Para disseminar esse patrimônio cultural, os autores, por meio do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da UFN e do Projeto de Extensão da UFSM “História, Língua e Cultura de Imigração italiana na Quarta Colônia”, estão organizando oficinas temáticas, as quais serão ofertadas, gratuitamente, aos alunos das escolas dos municípios da Quarta Colônia, na ocasião da entrega dos livros.

O lançamento oficial do livro irá ocorrer no dia 3 de agosto, no município de Ivorá, em evento alusivo à culinária da imigração italiana, promovido pela Associação Vêneta de Ivorá, Projeto Quarta Colônia, UFSM, UFN e Unirio.

A versão e-book já está disponível no link.

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