UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Fri, 24 Apr 2026 21:21:53 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/ensino/traduzindo_a_ciencia/conscientizacao-das-hepatites-virais-prevencao-diagnostico-e-tratamento-no-mes-de-julho Fri, 19 Jul 2024 02:40:34 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/ensino/traduzindo_a_ciencia/?page_id=247

Introdução

A campanha "Julho Amarelo: mês de luta contra as hepatites virais" visa reforçar ações de vigilância, prevenção e controle das hepatites. A cor amarela refere-se à icterícia, um sintoma comum da hepatite. Julho foi escolhido por incluir o Dia Mundial da Luta Contra Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho pela OMS. Hepatite é uma inflamação do fígado causada por vírus, medicamentos, álcool, drogas, doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas, e apresenta sintomas como cansaço, febre, enjoo, e icterícia. 

No Brasil, os tipos mais comuns são as hepatites A, B e C, enquanto a D é mais frequente no Norte, e a E é rara. O SUS oferece diagnóstico e tratamento gratuitos para todas as hepatites virais. As hepatites virais, são causadas por vírus classificados pelas letras do alfabeto em A, B, C, D e E.

Formas de transmissão

As hepatites A e E são transmitidas principalmente pelo contato fecal-oral, sendo prevalentes em áreas com infraestrutura precária de saneamento básico e higiene. A hepatite A é frequentemente adquirida através da ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes humanas que contenham o vírus, enquanto a hepatite E é comumente transmitida por água contaminada, especialmente em regiões onde as condições sanitárias são inadequadas. 

Por outro lado, as hepatites B, C e D são principalmente transmitidas através do contato com sangue ou fluidos corporais infectados. A hepatite B pode ser transmitida pelo contato sexual desprotegido, compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas, e de mãe para filho durante o parto. A hepatite C é frequentemente associada ao compartilhamento de agulhas durante o uso de drogas injetáveis e também pode ocorrer por via sexual ou através de transfusões de sangue não testadas. A hepatite D, por sua vez, ocorre apenas em indivíduos que já estão infectados pelo vírus da hepatite B, pois precisam do HBV para se replicar e se propagar. Esses tipos de hepatite viral requerem estratégias específicas de prevenção, como programas de vacinação para HBV e medidas rigorosas de controle de infecções em ambientes de cuidados de saúde e comunidades vulneráveis.

(Fonte: Elaborado por Douglas, 2024)

Sintomas

As hepatites virais podem apresentar uma variedade de sintomas, que podem variar dependendo do tipo de vírus (A, B, C, D, E). Os sintomas comuns incluem fadiga, febre, mal-estar, perda de apetite, náuseas, vômitos, dores abdominais e icterícia (amarelamento da pele e dos olhos). Em alguns casos, a infecção pode ser assintomática, especialmente nas fases iniciais ou em infecções crônicas, dificultando a detecção precoce da doença.

 

Formas de prevenção

A prevenção das hepatites virais envolve várias estratégias. A vacinação é altamente eficaz contra as hepatites A e B, e é uma medida preventiva crucial. Além disso, práticas de higiene rigorosas, como lavar as mãos frequentemente e garantir a segurança alimentar, ajudam a prevenir a hepatite A e E. O uso de preservativos durante as relações sexuais é essencial para reduzir o risco de transmissão das hepatites B e C. Evitar o compartilhamento de agulhas e seringas também é fundamental para prevenir a hepatite C.

 

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico das hepatites virais é realizado principalmente por meio de exames de sangue que detectam a presença de anticorpos ou material genético do vírus. O acompanhamento médico é essencial para monitorar a progressão da doença e planejar o tratamento adequado. O tratamento pode variar desde medidas de suporte para hepatite A e E, que geralmente se resolvem sozinhas, até o uso de antivirais para hepatites B e C. A adesão ao tratamento é crucial para evitar complicações a longo prazo.

Complicações

As hepatites virais podem levar a sérias complicações se não forem tratadas adequadamente. A infecção crônica por hepatite B ou C pode evoluir para cirrose, uma condição em que o tecido hepático saudável é substituído por tecido cicatricial, comprometendo a função do fígado. Além disso, a hepatite crônica aumenta significativamente o risco de desenvolver câncer de fígado. O impacto geral das complicações da hepatite pode ser devastador, afetando a qualidade de vida e aumentando a mortalidade.

Referências

ALVES, B. / O. / O.-M. Mês de luta contra as hepatites virais: “Julho Amarelo” | Biblioteca Virtual em Saúde MS. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/mes-de-luta-contra-as-hepatites-virais-julho-amarelo/>. Acesso em: 05 jul. 2024.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. fact sheets about hepatitis. Disponível em: <http://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hepatitis>. Acesso em: 05 jul. 2024.

 

Autores

Carolina Piccolo Carvalho, discente do curso de graduação em Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), participante do grupo Traduzindo Ciência, e-mail: carvalho.carolina@acad.55bet-pro.com, Lattes:  http://lattes.cnpq.br/3098931727210662 .

Douglas Gonçalves Friedrichs, discente do curso de graduação em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), participante do grupo Traduzindo Ciência, e-mail: Douglas.friedrichs@acad.55bet-pro.com, Lattes: http://lattes.cnpq.br/3554617523788031



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Em seu quarto dia de evento virtual, a 35ª Jornada Acadêmica Integrada da UFSM recebeu o pesquisador sênior da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas, professor Rodrigo Correa de Oliveira. Membro titular da Academia Brasileira de Ciência e PhD em Imunologia pela Johns Hopkins University, o cientista abordou um assunto bastante relevante no contexto atual: os principais desafios impostos pelos parasitas e vírus no desenvolvimento de vacinas. A apresentação foi mediada pelo Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação e Pesquisa da UFSM, Thiago Ardenghi.

“Existem enormes desafios no desenvolvimento de vacinas contra doenças e são diversos os fatores”, iniciou o professor Rodrigo Correa. A primeira barreira, segundo ele, está na complexidade do ciclo de vida dos parasitas. Como exemplo, citou a doença Esquistossomose - mais conhecida como barriga d’água - que ocorre dentro e fora do corpo humano. 

O professor detalhou o ciclo evolutivo, explicando que o início se dá com a liberação dos ovos do parasita através das fezes do infectado que, em contato com a água, eclodem liberando larvas que se alojam em caramujos. Os caramujos liberam novas larvas, infectando a água e, posteriormente, as pessoas. No homem, o ciclo passa pelo pulmão e outras partes do organismo. “Cada etapa que o parasita passa, interna ou externa, tem mudanças significativas que podem afetar e dificultar o processo de desenvolvimento de uma vacina”, explicou o pesquisador.

Fatores socioeconômicos influenciam na intensidade e prevalência de infecções por parasitas e vírus

Correa lembrou que o que comemos também pode afetar a resposta imune. Conforme explicou, o intestino - o maior órgão imunológico - está sujeito a receber diversos microrganismos, inclusive parasitas, e uma vez que estes interagem com as células do sistema imunológico do órgão, passam a ativar um número significativo da resposta imunológica de várias áreas. 

“Todo tipo de célula é ativada e essas células induzem uma resposta que pode ser inflamatória ou não, podem inclusive controlar. A complexidade dessa interação é outro fator que também é uma barreira muito grande para desenvolvermos uma vacina ”, comentou o professor.

O professor Rodrigo destacou que a intensidade de uma infecção, a prevalência dela e a sua forma clínica dependem do comportamento, da atividade socioeconômica e do microambiente em que o indivíduo está inserido. Explicou, ainda, que a resposta imunológica dos seres humanos pode ser influenciada por diversos fatores: co-infecções, interação materno-fetal, idade, genética dele e a própria genética do parasita.

“Infecção humana controlada” é alternativa para acelerar criação de vacinas

A palestra também abordou as três categorias de vacinas disponíveis hoje: microrganismos atenuados, microrganismos mortos e subunidades de proteínas. A primeira está sendo utilizada no Instituto Butantan. A segunda, destacou Rodrigo, mata o microrganismo e entrega ele inteiro no indivíduo induzindo uma resposta imunológica. E a terceira é a que todos os pesquisadores procuram produzir, pois não utiliza o microrganismo.

O convidado debateu sobre a alternativa de “Infecção humana controlada”, processo que acelera a criação de vacinas. Normalmente, são ensaios que infectam voluntários humanos com agentes infecciosos (conhecidos como agentes de desafio), acompanhando esse indivíduo durante todo o processo de infecção. Dessa maneira, promove-se a aceleração do teste, produzem-se informações críticas para o desenvolvimento da vacina, resposta imune e possíveis patologias, além da avaliação de novos medicamentos e diagnósticos mais rapidamente. 

Para ser cientista é preciso persistência

No final da palestra, o Pró-Reitor Thiago Ardenghi abriu espaço para as perguntas do público, onde o professor Rodrigo pôde falar um pouco sobre o futuro da ciência e sobre como ser um cientista de sucesso: “Persistência. Ciência não é fácil e por isso muitas pessoas desistem. Ciência é uma das coisas mais belas que se pode fazer, então se você quer trabalhar nisso, faça”, destacou.


A palestra pode ser acessada no Youtube. A 35ª Jornada Acadêmica Integrada acontece até o dia 23 de outubro e a programação completa pode ser acessasa no site da UFSM.

Reportagem: Eloíze Moraes, bolsista da Agência de Notícias da UFSM
Edição: Davi Pereira

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/como-funcionam-pesquisas-criacao-vacina Sat, 05 Sep 2020 15:46:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6265

Confira as etapas e saiba mais sobre os estudos que buscam imunizar contra a covid-19 

Pandemia, quarentena e expectativas: o novo coronavírus veio para colocar a nossa paciência à prova. A atenção está voltada à comunidade científica e, nossos diálogos cotidianos compreendem a produção de vacinas. A internet vai à loucura: os memes são uma forma bem-humorada para tratar da espera pela cura do novo coronavírus. Contam-se os dias para a descoberta que simbolizará a liberdade para a vida tal como a conhecíamos. A partir dos veículos de informação nos atualizamos sobre os avanços das pesquisas na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Alemanha, na China, na Rússia e no Brasil. Mas afinal, como é o processo para criação de uma vacina? Com mais de 25 milhões de casos e de 859 mil mortes ao redor do mundo, a COVID-19 passou a ser considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma pandemia no início de 2020. A partir disso, a indústria farmacêutica e os centros de pesquisa de todo o planeta entraram em uma grande corrida para descobrir uma forma de proteger as pessoas. Porém, os processos que envolvem a elaboração de uma vacina são rigorosos, principalmente porque existem várias etapas de testes antes que ela chegue ao cidadão.  Isso ocorre para se certificar de que a imunização é eficaz e segura, e torna todo o seu desenvolvimento mais lento, o que, muitas vezes, não combina com a urgência de uma pandemia.

Etapas do desenvolvimento da vacina

As pesquisas são divididas em três períodos, entenda cada um deles:

Etapa 1: Laboratorial

É restrita aos laboratórios e é composta pelas pesquisas iniciais e análises de possibilidades. O agente responsável pela doença é identificado e são ponderadas até centenas de moléculas e métodos para se definir a melhor composição da vacina.

Etapa 2: Pré-clínica

Aqui outros seres vivos começam a serem envolvidos na busca pela cura. Antes, os testes eram feitos in vitro ou com células, e agora são realizados em animais para comprovar os dados obtidos nas experimentações anteriores. Buscam-se animais cujos corpos reajam ao vírus de forma semelhante ao organismo humano. Em geral, são usados camundongos e macacos. Ainda assim, por mais que os resultados sejam encorajadores, não há garantia de que a vacina não cause danos quando aplicada em humanos. É para isso que existe a próxima etapa.

Etapa 3: Clínica

É a mais complexa e mais extensa - quando o produto começa a ser testado em seres humanos. O processo clínico se divide em três fases: Fase 1 – Tem como principal objetivo analisar a segurança do imunizador. São testados poucos voluntários, de 20 a 80 pessoas, geralmente adultos saudáveis. São levados em consideração potenciais efeitos colaterais, intensidade do produto e diferentes dosagens para evitar quaisquer danos. Além disso, já são possíveis algumas observações a respeito da resposta imunológica da vacina.   Fase 2 – Busca entender de maneira mais concreta a eficácia da vacina. Aqui, a quantidade de voluntários testados aumenta e pode chegar a centenas de pessoas. Os pesquisadores já têm conhecimento de dados importantes, como dosagem e efeitos colaterais esperados, por isso, o grupo a ser testado se torna mais heterogêneo, com pacientes considerados de risco. Para melhor análise da resposta imunológica, muitas vezes são utilizados grupos de controle – medicados apenas com placebo. Isso ajuda a observar de forma mais detalhada a eficácia da vacina e a reação do organismo a ela. Ainda são considerados apontamentos na sua segurança - como possíveis efeitos colaterais mais raros, que não apareceram durante a primeira fase de testes, e podem resultar em um ajuste na dosagem. Fase 3 – Avalia a eficiência e a segurança da vacina no público-alvo. A testagem envolve milhares de pessoas e as análises são levantadas a partir da observação da vacina no mundo real, ou seja, é esperado que os voluntários se exponham ao vírus para entender a eficácia do produto. Aqui, o uso do placebo é essencial para comparação dos resultados dos dois grupos. Para isso, existe um sistema chamado “duplo-cego”, no qual nem o cientista nem o voluntário sabe se a aplicação é da vacina ou do composto ineficaz. Assim, não há nenhuma mudança de comportamento que possa afetar os resultados. A exposição ao vírus deve acontecer por conta própria - por esse motivo, a terceira fase pode durar anos. Assim, os pesquisadores costumam procurar áreas de maior incidência da doença, com maiores riscos de contágio. Só após esta etapa e a aprovação dos órgãos regulatórios, ocorre a fabricação da vacina em maior escala, seguida pela distribuição. Mesmo depois de aprovada, segue em constante avaliação e observação.

Duração de pesquisa e produção do imunizador

É importante ressaltar que em relação aos processos de pesquisa para a vacina da COVID-19, não há demora. A comunidade científica está a todo vapor para achar resultados eficazes no desenvolvimento dessa imunização. A verdade é que essas pesquisas costumam levar anos, sem nem considerar o tempo de produção. No caso da Sars-CoV-2, o que acontece é que muitos processos foram radicalmente encurtados, graças a pesquisas prévias em estágio avançado sobre doenças como Sars e Mers - causadas por outras versões do coronavírus. Para as fases clínicas, em especial a 3, tem sido primordial a aplicação em ambientes com grande incidência da doença, para resultados mais rápidos e eficientes. É por isso que o Brasil tem sido um país escolhido para testes. Além disso, segundo o epidemiologista e supervisor do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da UFSM, Ricardo Heinzelmann, um fato importante tem sido a prioridade dos investimentos governamentais e privados no âmbito da saúde: “O ritmo de alocação de recursos públicos e privados de diversos países para desenvolvimento da vacina para COVID-19 impressiona. Orçamentos foram rapidamente revisados para que equipes de pesquisadores em diversas partes do mundo se dedicassem ao desenvolvimento desta vacina. Também o ritmo de celebração de acordos de cooperação técnicas internacionais entre instituições governamentais e não governamentais, com assinaturas praticamente imediatas de acordos ao passo de cada nova fase das vacinas”.  Porém, o especialistas alerta que o rigor científico precisa ser mantido para que os processos não sejam atropelados em nome das demandas mundiais. Apesar de grande repercussão e expectativas mundiais, recentemente o diretor executivo da OMS, Michael Ryan, afirmou que o fato de uma candidata à vacina para a COVID-19 chegar à fase 3 não significa que ela esteja “quase lá” para ser utilizada. “A fase 3 não significa ‘quase lá’. Significa que é a primeira vez que a vacina será aplicada na população em geral, em indivíduos saudáveis, para ver se ela os protegerá”, enfatizou. “Agora, é uma corrida para a vacina comprovar que é eficaz em um grande número de pessoas ao longo do tempo”, complementou.

Vacinas para Sars-CoV-2 e seus métodos

No contexto de acelerada busca pela vacina do novo coronavírus, são exigidos determinação e esforços internacionais. Isso promove uniões entre pesquisadores, laboratórios e nações - o que resulta em uma superação de obstáculos em conjunto. O fato é algo extremamente positivo na medida que proporciona diferentes análises acerca do problema. No sentido das pesquisas ao redor do globo, isso se representa de uma maneira mais concreta com a diversificação de metodologias utilizadas nas vacinas. Cada laboratório tem sua aposta, baseada em conceitos como eficiência, segurança, dosagem e velocidade. O último, porém, é o mais desafiador nessa conjuntura de pandemia, que demanda uma rapidez sem precedentes na busca de uma vacina. A consequência é o uso de métodos não tão convencionais e, muitas vezes, inovadores. Entenda sobre como podem ser classificados:

Corrida pelo protagonismo da cura do novo coronavírus

O que podemos afirmar é que nunca tivemos tantos recursos e uma ciência tão avançada para superarmos uma pandemia. Grandes investimentos e trabalho coletivo proporcionam o avanço nas pesquisas mundiais. É assim que já se apresentam opções promissoras na busca pela imunização do vírus. Atualmente, estão em desenvolvimento pelo menos 165 vacinas para o novo coronavírus, das quais, 34 estão nas etapas clínicas das testagens, segundo o relatório da OMS, de 3 de setembro. Delas, pelo menos sete já estão na fase 3.  A liderança é acirrada, porém o Reino Unido se classifica em primeiro lugar com a Vacina da Universidade de Oxford, apoiada pela farmacêutica AstraZeneca,  como anunciado pela OMS no final de julho. Com a metodologia a partir de vetores virais, é baseada em um adenovírus causador de resfriado, alterado com material genético do Sars-Cov-2. Os pesquisadores anunciaram recentemente que a vacina “é segura e produz resposta imune”. Os Estados Unidos também estão na corrida com dois desenvolvimentos principais: a Moderna/NIAID e a BioNTech/Pfizer, em parceria com a Alemanha. Em fase 3, as duas pesquisas utilizam o método de RNA na busca pela imunização. A que está em testes pelo laboratório da Moderna Inc., com apoio do  Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, já recebeu quase 1 bilhão de dólares em investimentos daquele governo e apresentou, em julho, bons resultados na produção de anticorpos em 45 voluntários. A fase 3, que se iniciou no final de julho, deve contar com cerca de 30 mil participantes nos Estados Unidos.  Já a iniciativa dos laboratórios Pfizer (americana) e BioNTech (alemã) não representa uma parceria inédita – os dois já haviam trabalhado juntos no desenvolvimento de vacinas baseadas em RNA para a prevenção de influenza em 2018. O resultado da recente parceria foi apresentado no estudo publicado na revista “Nature”, referente às fases 1 e 2. Segundo o texto, a vacina BNT162b1, induziu boa resposta imune e não teve efeitos colaterais graves nos voluntários adultos.  A China participa com outras três vacinas, que são respectivamente do Instituto Biológico de Pequim e Instituto Biológico de Wuhan/Sinopharm, da empresa Sinovac e do Cansino Biologics INC. As duas primeiras são elaboradas a partir de vírus inativado e a última utiliza o mesmo método da vacina de Oxford. Os testes realizados até o momento pela Sinopharm geraram resposta imunológica após duas doses e não causaram nenhum efeito colateral grave, segundo estudo publicado no periódico "Journal of the American Medical Association" (JAMA). A empresa realiza agora testes em estágio avançado fora do país, com destaque nos Emirados Árabes Unidos, com cerca de 15 mil voluntários – já que a China não tem casos novos suficientes para ser um local de testes útil. A Sinovac também já divulgou seus resultados da fase 2, porém em uma publicação sem revisão de outros especialistas. Segundo o estudo, feito com cerca de 600 participantes, não houve efeitos adversos preocupantes e 90% dos pacientes desenvolveram a resposta imune. A vacina está em testagem internacional. Por fim, a Cansino Biologics foi testada em cerca de 500 pessoas em Wuhan. Anunciada como segura e geradora de resposta imune em julho, em uma publicação na revista The Lancet. Mesmo assim, os voluntários ainda não teriam sido expostos ao novo coronavírus para checar a imunidade contra a COVID-19. Essa foi a primeira vacina chinesa a realiza testes em humanos, em março, porém as outras concorrentes – como a Sinovac e a Sinopharm - a ultrapassaram na transição para a fase 3. O produto, primeiro patenteado pelo governo chinês, está no processo de testes internacionais. Por último, a Rússia é outro país que integra a participação na corrida pela vacina contra o novo coronavírus. Chamada de Sputnik V, a imunização faz referência à corrida espacial entre a Rússia e os Estados Unidos na Guerra Fria. Sputnik I foi o primeiro satélite a orbitar a Terra, lançado pelos soviéticos em 1957.  O presidente, Vladimir Putin, anunciou no início de agosto o registro da vacina contra o coronavírus. Porém, isso tem sido motivo de questionamento e polêmica entre diversos especialistas. A pesquisa, que teve caráter militar, foi custeada por 4 bilhões de rublos - o equivalente a R$300 milhões - pelo Fundo de Investimento Direto da Rússia e é desenvolvida pelo Instituto Gamaleya. A polêmica se relaciona com o seu cunho extremamente secreto, em colaboração direta do Ministério de Defesa Russo. O que muitos especialistas criticam é o fato de, após o término da fase 1, os russos terem pulado diretamente para a fase 3 - e ao invés de fazerem amplos testes, querem começar a vacinação em massa e acompanhar os resultados. Ainda assim, o país não precisaria da aprovação da OMS para registrar a vacina – só o que acontece é que as entidades costumam pedir uma pré-qualificação, como um selo de qualidade da organização. No dia 4 de setembro foi publicada pela revista Lancet a pesquisa que a classifica como segura e eficaz. A vacina russa estaria no processo das que estão em testes no Brasil. Entenda mais sobre isso a seguir. 

Brasil no epicentro dos testes

O Brasil é um dos países mais afetados pelo novo coronavírus: está em 2º lugar no ranking da Covid-19, com mais de 3 milhões de casos e 122 mil mortes. Esse é o principal fator que nos torna um lugar para as testagens clínicas de vacinas em fase 3. Atualmente, são quatro vacinas em vigência de testes no nosso território. A vacina de Oxford/AstraZeneca, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz; a Sinovac, da China, em conexão com o Instituto Butantan; a Pfizer/BioNTech, com testes em São Paulo e Salvador; e a Jansen-Cilag, da farmacêutica americana Johnson & Johnson, ainda em fase 2 (vetor viral não-replicante), foi aprovada pela Anvisa para a realização de testes clínicos de fase 3 no Brasil. O governo do Paraná também estaria no processo de acordo com a vacina Sinopharm e Sputnik V. Em relação à aquisição após o encerramento dos testes, segundo Ricardo Heinzelmann, preocupa o fato do custo unitário ser elevado. “Podemos ter no Brasil o cenário de aquisição para as camadas sociais da população de maior poder de compra, adquirindo direto no setor privado, e uma importante parcela da sociedade sem condição de compra ter atraso no recebimento desta vacina por falta de orçamento do poder público”, alerta. Nesse sentido, o especialista salienta a importância de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), o qual garante que a situação brasileira não seja pior, além de ser o responsável por lidar com quaisquer problemas em relação à vacina posteriormente à distribuição – como já ocorreu antes. “Temos um governo federal que não conduz de forma adequada toda esta situação. Não há um plano nacional construído de forma intersetorial e em colaboração com estados e municípios para enfrentamento à pandemia. Não há um conjunto de ações articuladas de políticas das áreas de assistência social, educação, saúde, emprego e renda, coordenadas pelo governo”, destaca. Segundo Heinzelmann, a pandemia demonstrou que emergências de saúde pública podem afetar a economia mundial e uma das principais consequências disso é a revisão de orçamentos voltados para o estímulo à pesquisa no campo de infectologia e virologia. Estímulos esses, que em conjunto a uma fala clara por parte das autoridades nacionais – ao enfatizar medidas de proteção e distanciamento – e investimento na rede pública de saúde, teriam salvado muitas vidas. A corrida pelas vacinas continua e o futuro é incerto. Mas a esperança fica de que, após essa pandemia, ocorra uma mudança de conceitos em toda a sociedade. Expediente Repórter: Esther Klein, bolsista de Jornalismo Ilustradora: Beatriz Dalcin, bolsista de Publicidade e Propaganda Mídia Social: Nathalia Pitol, bolsista de Relações Públicas Editora de Arte: Marcele Reis, bolsista de Publicidade e Propaganda Editora de Produção: Melissa Konzen, bolsista de Jornalismo Editor Chefe: Maurício Dias, jornalista]]>