UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sun, 19 Apr 2026 16:37:52 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/01/28/iniciativa-da-ufsm-promove-o-contato-de-criancas-com-a-cultura-popular-por-meio-do-lazer Tue, 28 Jan 2025 20:31:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=68185 Idealizado pela professora de Educação Física Ariane Corrêa Pacheco e pelo professor de Dança Jessé da Cruz, o Programa “Brinca + UFSM: lazer e cultura popular em movimento” surgiu em 2024 com o intuito inicial de fomentar projetos de extensão voltados às infâncias e integrar uma rede de apoio para as mães estudantes da universidade. Atualmente, o projeto prioriza a participação de crianças que residem na Casa do Estudante Universitário (CEU), além de filhos de servidoras e de estudantes da UFSM, bem como alunos da rede pública de Santa Maria que se encaixam na faixa etária do programa. Em 2024, o Brinca + UFSM contou com o apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e promoveu oficinas vinculadas ao teatro, dança e educação física.

Práticas e metodologias – A iniciativa conta com a participação de alunos da Educação Física, Dança e Teatro, que desenvolvem atividades com as crianças, tais como: jogos, brincadeiras dirigidas relacionadas à cultura popular, contação de histórias, lendas e peças teatrais. Essas atividades são realizadas no turno oposto ao horário escolar dos pequenos e servem como uma ferramenta para o desenvolvimento da cidadania. O programa não tem como objetivo reforçar os conteúdos escolares, mas sim proporcionar a construção de vínculos entre as crianças, oferecer suporte às mães universitárias, ajudando-as a equilibrar os estudos com a criação de seus filhos, e construir saberes relacionados à cultura popular. “O acolhimento não está distante da formação e o objetivo do programa é garantir o acesso ao direito social de estudar e o direito das crianças ao lazer e à formação. Enquanto instituição pública, temos essa responsabilidade”, comenta a coordenadora.

Para acompanhar os editais de participação, é possível acessar o perfil no Instagram @brincamaisufsm ou entrar em contato pelo e-mail brincamais@55bet-pro.com.

Texto: Subdivisão de Divulgação e Editoração da Pró-Reitoria de Extensão

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/01/08/fortalecer-as-infancias-para-transformar-territorios Wed, 08 Jan 2025 17:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67998

A defesa das infâncias envolve a criação de políticas que valorizem a diversidade e a inclusão social. O projeto ‘Coletivo Fluir: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis’  busca articular ações que fortaleçam o trabalho colaborativo entre a Universidade e a comunidade, com foco na criação de espaços de escuta e acolhimento em territórios de vulnerabilidade.

A iniciativa  foi contemplada pelo Edital Proext-PG UFSM Além do Arco e é coordenado por Taciana Camera Segat, professora do Departamento de Metodologia do Ensino e do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão Educacional da UFSM. Para compreender mais sobre os impactos sociais esperados e a relevância da extensão universitária na formação acadêmica, conversamos com a coordenadora do projeto, que compartilha suas reflexões e perspectivas nesta entrevista.

Como o projeto visa impactar a sociedade? 

Este projeto reafirma o compromisso com a defesa dos direitos das crianças e das infâncias, organizando o trabalho a partir da criação de territórios que se estruturam na potência e na multiplicidade das relações entre espaço, tempo, sujeitos e formação. São territórios educativos intersetoriais (TEI) que evidenciam as situações de vida/existência reveladas pelas crianças, tomando-as como referência para construir resistências e lutas coletivas. Essas lutas incluem práticas formativas, políticas, educativas e de gestão educacional e intersetorial do cotidiano.

Exemplos disso são as ações realizadas pelo Coletivo Fluir durante a calamidade climática no Rio Grande do Sul em 2024, que foram ganhando concretude nas relações com crianças, famílias, professores, gestores e outros setores da sociedade, sempre em uma perspectiva intersetorial. O projeto se compromete com ações e políticas que possam fazer resistência à exclusão, promovam inclusão social e fortaleçam uma cultura política educacional que defende a diversidade e as diferenças, vendo as infâncias como possibilidades de futuro.

Por que isso é importante? 

A preocupação deste coletivo com a defesa das infâncias se movimenta pela possibilidade de criar ações, articuladas a partir da Universidade, que promovam políticas intersetoriais em defesa das crianças em situação de vulnerabilidade. Essas ações buscam criar, nos territórios, espaços de escuta e acolhida. Parte-se do princípio de que as formas de compreensão das crianças e das infâncias não podem ser entendidas como naturais e universais. Essas diferentes infâncias são produzidas de forma heterogênea, em diferentes lugares e de diferentes formas, tendo como base diferentes contingentes educacionais, psicológicos, culturais, sociais, políticos, regionais e econômicos. 

É nesse contexto, marcado por fragilidades, que se encontram as crianças e suas famílias, e também as escolas, gestores/as, professores/as e profissionais que participam de diálogos e projetos intersetoriais. É um cenário marcado por tensões, problematizações e indagações e que tem mobilizado o pensamento e a atitude de resistência do Coletivo Fluir em defesa das infâncias. Acreditamos que é importante a criação de ações e políticas que têm como base princípios educativos, éticos, estéticos e criativos, corresponsáveis pelo futuro das crianças e pela construção de uma cidade educadora.

Como participar de projetos de extensão influenciou a tua carreira? 

Permitiu que eu compreendesse como a produção de conhecimentos entre a universidade e a comunidade se fortalece no processo de investigação e do trabalho colaborativo.

Qual é a importância de um edital como o Proext-PG para estimular a extensão na pós-graduação? 

Um edital desta natureza é de extrema importância, considerando que tem impulsionado de forma significativa a participação dos alunos da pós-graduação nas ações de extensão, redimensionando o processo formativo dos alunos e vinculando estes percursos formativos às necessidades educacionais e sociais da comunidade local e regional. Além disso, reforça a estreita relação das ações de ensino, pesquisa e extensão. 

Por que graduandos e pós-graduandos deveriam participar de projetos de extensão? 

A participação de estudantes em projetos de extensão possibilita a criação de espaços criativos para problematizar e construir conhecimentos. Esses espaços oportunizam a compreensão e a mobilização de perspectivas profissionais, além de fortalecer processos de interação dialógica que conectam os estudantes às demandas reais da sociedade. 

Em 2026, quando finalizam os meses previstos para a execução do projeto, que mudanças você imagina que terão ocorrido nas comunidades apontadas como os principais público-alvo do projeto?

 Em 2026, imaginamos:

  • O “desemparedamento” das crianças
  • O fortalecimento do trabalho colaborativo entre coletivos de professoras das escolas de Educação Infantil
  • A implementação de disciplinas extensionistas na pós-graduação, com práticas pedagógicas voltadas para a interação transformadora com as comunidades externas.

Os impactos sociais serão considerados quando atingirmos também a construção de acervos material e tecnológico para a produção e constituição de Territórios Educativos Intersetoriais à disposição do trabalho com as infâncias e a ampliação da população-alvo no que se refere a escolas participantes, crianças, famílias e comunidades envolvidas, além de profissionais em formação.

Texto: Luciane Treulieb, jornalista

Ilustração: Evandro Bertol, designer 

Aluata Comunicação e Ciência

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/2025/01/08/fortalecer-as-infancias-para-transformar-territorios Wed, 08 Jan 2025 17:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/projetos/extensao/proext-pg/?p=275

A defesa das infâncias envolve a criação de políticas que valorizem a diversidade e a inclusão social. O projeto ‘Coletivo Fluir: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis’  busca articular ações que fortaleçam o trabalho colaborativo entre a Universidade e a comunidade, com foco na criação de espaços de escuta e acolhimento em territórios de vulnerabilidade. 

A iniciativa  foi contemplada pelo Edital Proext-PG UFSM Além do Arco e é coordenado por Taciana Camera Segat, professora do Departamento de Metodologia do Ensino e do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão Educacional da UFSM. Para compreender mais sobre os impactos sociais esperados e a relevância da extensão universitária na formação acadêmica, conversamos com a coordenadora do projeto, que compartilha suas reflexões e perspectivas nesta entrevista.

  1. Como o projeto visa impactar a sociedade? 

Este projeto reafirma o compromisso com a defesa dos direitos das crianças e das infâncias, organizando o trabalho a partir da criação de territórios que se estruturam na potência e na multiplicidade das relações entre espaço, tempo, sujeitos e formação. São territórios educativos intersetoriais (TEI) que evidenciam as situações de vida/existência reveladas pelas crianças, tomando-as como referência para construir resistências e lutas coletivas. Essas lutas incluem práticas formativas, políticas, educativas e de gestão educacional e intersetorial do cotidiano.

Exemplos disso são as ações realizadas pelo Coletivo Fluir durante a calamidade climática no Rio Grande do Sul em 2024, que foram ganhando concretude nas relações com crianças, famílias, professores, gestores e outros setores da sociedade, sempre em uma perspectiva intersetorial. O projeto se compromete com ações e políticas que possam fazer resistência à exclusão, promovam inclusão social e fortaleçam uma cultura política educacional que defende a diversidade e as diferenças, vendo as infâncias como possibilidades de futuro.

  1. Por que isso é importante? 

A preocupação deste coletivo com a defesa das infâncias se movimenta pela possibilidade de criar ações, articuladas a partir da Universidade, que promovam políticas intersetoriais em defesa das crianças em situação de vulnerabilidade. Essas ações buscam criar, nos territórios, espaços de escuta e acolhida. Parte-se do princípio de que as formas de compreensão das crianças e das infâncias não podem ser entendidas como naturais e universais. Essas diferentes infâncias são produzidas de forma heterogênea, em diferentes lugares e de diferentes formas, tendo como base diferentes contingentes educacionais, psicológicos, culturais, sociais, políticos, regionais e econômicos. 

É nesse contexto, marcado por fragilidades, que se encontram as crianças e suas famílias, e também as escolas, gestores/as, professores/as e profissionais que participam de diálogos e projetos intersetoriais. É um cenário marcado por tensões, problematizações e indagações e que tem mobilizado o pensamento e a atitude de resistência do Coletivo Fluir em defesa das infâncias. Acreditamos que é importante a criação de ações e políticas que têm como base princípios educativos, éticos, estéticos e criativos, corresponsáveis pelo futuro das crianças e pela construção de uma cidade educadora.

  1. Como participar de projetos de extensão influenciou a tua carreira? 

Permitiu que eu compreendesse como a produção de conhecimentos entre a universidade e a comunidade se fortalece no processo de investigação e do trabalho colaborativo.

  1. Qual é a importância de um edital como o Proext-PG para estimular a extensão na pós-graduação? 

Um edital desta natureza é de extrema importância, considerando que tem impulsionado de forma significativa a participação dos alunos da pós-graduação nas ações de extensão, redimensionando o processo formativo dos alunos e vinculando estes percursos formativos às necessidades educacionais e sociais da comunidade local e regional. Além disso, reforça a estreita relação das ações de ensino, pesquisa e extensão. 

  1. Por que graduandos e pós-graduandos deveriam participar de projetos de extensão? 

A participação de estudantes em projetos de extensão possibilita a criação de espaços criativos para problematizar e construir conhecimentos. Esses espaços oportunizam a compreensão e a mobilização de perspectivas profissionais, além de fortalecer processos de interação dialógica que conectam os estudantes às demandas reais da sociedade. 

  1. Em 2026, quando finalizam os meses previstos para a execução do projeto, que mudanças você imagina que terão ocorrido nas comunidades apontadas como os principais público-alvo do projeto?

 Em 2026, imaginamos:

  • O “desemparedamento” das crianças
  • O fortalecimento do trabalho colaborativo entre coletivos de professoras das escolas de Educação Infantil
  • A implementação de disciplinas extensionistas na pós-graduação, com práticas pedagógicas voltadas para a interação transformadora com as comunidades externas.

Os impactos sociais serão considerados quando atingirmos também a construção de acervos material e tecnológico para a produção e constituição de Territórios Educativos Intersetoriais à disposição do trabalho com as infâncias e a ampliação da população-alvo no que se refere a escolas participantes, crianças, famílias e comunidades envolvidas, além de profissionais em formação.

Texto: Luciane Treulieb, jornalista

Ilustração: Evandro Bertol, designer 

Aluata Comunicação e Ciência

 

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/agosto-dourado-aleitamento-materno Mon, 30 Aug 2021 13:46:06 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8641 “O leite materno é a base da vida”. Essa frase é da professora Beatriz da Silveira Porto, do Departamento de Pediatria e Puericultura do Centro de Ciências da Saúde da UFSM. Para ela, que também é Coordenadora do Comitê de Aleitamento Materno do HUSM/UFSM, o leite materno é o melhor alimento para o bebê - mesmo prematuro, pois tem um grande poder para o desenvolvimento e é determinante na saúde do mesmo.  “É um alimento espécie-específico, aprimorado por milhares de anos para o filhote humano. É um alimento vivo, produzido especificamente para o bebê e, por isso, o mais indicado sob qualquer ponto de vista”, complementa. O leite materno está ligado ao desenvolvimento nutricional, metabólico, imunológico, motor e cognitivo.

Entre os benefícios do aleitamento materno desde os primeiros minutos de vida está a formação da microbiota intestinal, também conhecida como flora intestinal. Ela é um conjunto de microorganismos, formado de bactérias, que vivem e se desenvolvem no intestino, mas que são benéficas para a saúde humana e a influenciam do nascer até a idade adulta. A microbiota não existe no intra-útero, ou seja, dentro do útero da mãe, e começa a ser formada a partir do nascimento do bebê. “Ela começa a se desenvolver no momento que o neném nasce. Então aquele primeiro alimento que você coloca é aquele que vai dar a base para aquela plantação, e isso vai até o resto da vida”, explica Beatriz. 

Outra vantagem do leite materno como alimento principal é na prevenção de doenças. Isso acontece pela prevenção de gatilhos que podem ser ativados nos dois primeiros anos de vida de um ser humano. Estes podem ser de herança genética, que são maleáveis nesse período. Para Beatriz Silveira Porto, quando há um desbalance importante nesse início, há possibilidade de ativação desses gatilhos e, como consequência, problemas de saúde na idade adulta. Com a amamentação, a criança está mais protegida dessa ativação. Como exemplos ela cita a proteção contra obesidade, síndromes metabólicas, doenças cardiovasculares e diabetes. 

Além disso, o leite materno também ajuda no desenvolvimento cerebral e no aumento dos índices de quociente intelectual. É possível observar os pequenos progressos que a criança tem nos primeiros meses de vida, como a descoberta dos dedos, mãos e pés, os movimentos dos braços e pernas, o olhar atento para o mundo à sua volta. Com o passar dos meses, o bebê começa a segurar objetos, fazer sons e buscar a repetição dos sons que ouve. O ganho de peso também tem a ver com isso: “Nos primeiros três meses de vida, ela [a criança] ganha tanto peso, a velocidade de crescimento dela é tão grande que é como se a gente fosse de cinquenta para noventa quilos em três meses”, explica Beatriz.

Agosto Dourado e a livre demanda

Agosto Dourado é considerado o mês do incentivo ao aleitamento materno. A cor faz referência ao leite materno, avaliado como “alimento de ouro”, uma vez que tem tudo que o bebê necessita para um crescimento saudável. Além disso, a intenção é que haja incentivo ao aleitamento por livre demanda. 

O movimento é mundial, e o lema da Semana de Aleitamento Materno deste ano, que aconteceu de 1º a 7 de agosto, foi “Proteger o Aleitamento Materno: Uma responsabilidade compartilhada”. Paola Souza Castro Weis, enfermeira assistencial no HUSM e consultora em Aleitamento Materno, explica que o tema leva em conta que amamentar é um direito de todos. “O bebê que é alimentado no peito demanda mais, com certeza. A gente defende a amamentação por livre demanda, que é quando o bebê vai mamar sempre que precisar”, reitera. Ela expõe que, nesse sistema, a metabolização do alimento é mais rápida, assim como a evacuação. Por ser um alimento ajustado ao bebê, a metabolização é feita naturalmente e o estômago esvazia mais rapidamente. Por isso que um bebê mama em intervalos curtos, geralmente de duas em duas horas.

Beatriz Silveira explica que a livre demanda é fundamental, uma vez que está relacionada aos mecanismos de autorregulação do bebê e que são importantes também para a idade adulta. “Quando a criança tem esse sistema de autorregulação protegido nos primeiros meses, ela leva isso para a idade adulta, os distúrbios alimentares são mais raros, porque ela preservou esse sistema de autorregulação que também é da espécie”. Paola diz que é por esse motivo que a chupeta não é recomendada, uma vez que o exercício de sucção que deveria ser feito na mama é feito no bico artificial. Por causa do formato, o movimento não é o mesmo e, no caso da chupeta, é incorreto, o que confunde o movimento que deveria ser feito na sucção do leite do seio da mãe.

Quem determina a produção do leite materno é o bebê

A indicação profissional é de que o aleitamento materno se inicie em até uma hora após o nascimento, de preferência nos primeiros minutos de vida. Essa prática facilita a pega correta do seio da mãe, o que propicia que o bebê tenha mais agilidade em sugar o leite. “Logo após o nascimento, o bebê está alerta e se posicionará instintivamente, abocanhando corretamente o mamilo e a aréola, sendo muito importante para o sucesso do aleitamento”, explica Beatriz. A recomendação é de que ele saia do útero direto para o peito. Se houver banho e outros procedimentos antes, a criança poderá estar sonolenta e cansada, o que dificulta a pega correta e, logo, a amamentação, desde o início do processo. 

Em casos em que não há pega correta desde o início, a produção de leite da mãe pode cair e ser prejudicada por fatores como nervosismo e estresse. Marinez Casarotto, médica pediatra neonatologista e chefe da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do HUSM, conta que a mãe produz o leite conforme a necessidade do bebê, e que a demanda muito frequente é mais intensa nos primeiros dias de vida. Já Paola Weis explicita que essa produção de leite materno é diretamente ligada à sucção, que precisa ser frequente no início para que a produção se ajuste. É como se fosse uma fábrica comandada pelo bebê: “o peito não é estoque, ele é fábrica, ele não tem que estar cheio para amamentar. Conforme amamenta, ele vai produzindo e alimentando o bebê”. Beatriz complementa a metáfora ao dizer que a fábrica trabalha sob demanda a partir dos sinais do mamar: é a sucção que ativa a produção de leite para a próxima mamada. 

A sucção gera impulsos sensoriais no mamilo e faz com que as terminações nervosas que ficam no seio levem os estímulos - ou “avisos”, para a glândula adeno-hipófise, que fica no cérebro, e é responsável por produzir e liberar a prolactina e a ocitocina, os dois hormônios da amamentação. A prolactina atua nas células alveolares mamárias, produzindo o leite; e a ocitocina ativa o reflexo da “descida” do leite, que é liberado nos ductos e seios lactíferos até os orifícios do mamilo, pelos quais o bebê suga. “Por isso que é importante que haja sempre a sucção, porque se a sucção parar, a fábrica vai entender que não tem mais saída, que o produto não tá vendendo mais, então não precisa mais fazer, né?”, detalha a coordenadora. Esse processo se relaciona com a autorregulação que, para Beatriz, é um dos mecanismos fantásticos do aleitamento.

Há casos, no entanto, em que a produção do leite materno cai ou cessa completamente. Um dos motivos, de acordo com as três profissionais, é quando não há sucção da mama, ou então quando os ductos lactíferos estão cheios, com muita produção, e esta não é liberada pelos seios e mamilos. Segundo Beatriz Silveira, a ausência da ocitocina também pode contribuir nesta interrupção da produção, e esta inibição pode ser por fatores como preocupação, estresse, dúvidas e até mesmo a dor. Beatriz destaca que a ocitocina é o “hormônio do amor”, uma vez que é favorecida quando a mãe está confiante, quando olha, interage e ouve os sons do bebê. “Por isso, se diz que a produção do leite materno decorre de uma complexa interação neuro-psico-endócrina, necessitando um olhar atento e amplo dos profissionais e da rede de apoio”. Ela salienta que todos os mecanismos de promoção, proteção e orientação ao aleitamento materno são importantes para a manutenção do mesmo a longo prazo. É a partir desse princípio que o Comitê de Aleitamento Materno do HUSM da UFSM atua.

A promoção do aleitamento materno é um trabalho multiprofissional

O Comitê de Aleitamento Materno do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) é um grupo multiprofissional que atua a partir de ações de promoção e proteção do aleitamento materno. Eles definem diretrizes, protocolos e fluxos dentro do HUSM, além de promover capacitações sobre amamentação tanto para as mães quanto para os diversos profissionais envolvidos. A equipe é formada por professores, enfermeiras (os), médicas (os), obstetras, pediatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogas (os), psicólogas (os), assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, e também conta com o apoio de estudantes residentes, residentes médicos e multiprofissionais. 

Beatriz Silveira destaca que o processo da amamentação é amplo e não envolve apenas aspectos técnicos, mas também emocionais e fisiológicos. “A fisiologia do aleitamento envolve muitos aspectos emocionais. A própria estimulação dos hormônios da lactação dependem de disposições emocionais, também de anatômicas e fisiológicas”, comenta. O sucesso da amamentação envolve muitas etapas e, por isso, é importante que a equipe do comitê seja multidisciplinar. “São vários contextos, precisa, justamente, esse apoio mais multidisciplinar que enxergue toda essa integralidade, todos os aspectos em um contexto mais integral da saúde”, expõe. Cada um dos profissionais tem um ponto de abordagem e ajudam, a partir de seus conhecimentos específicos, para o sucesso da amamentação.

Uma das maneiras de atuação do comitê é a partir de capacitações que ensinam, para a mãe, a pega correta e os pormenores do processo, e para os profissionais do hospital, as necessidades de acompanhamento da execução da amamentação. Paola conta que a capacitação para os funcionários surgiu do comitê: “Mas não apenas aqueles que atuam diretamente com o aleitamento materno, a capacitação vai desde o porteiro até a copa, então afeta todos os profissionais”. A ideia é que todos saibam o que é melhor para a criança.

Outra função do comitê é por meio da extração do leite materno quando os bebês estão nas unidades de internação do HUSM - que incluem a Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal, o Alojamento Conjunto, a Unidade de Tratamento Intensivo Pediátrico e a Unidade de Internação Pediátrica, seja por terem nascido prematuros, seja por terem alguma doença ou problema que necessite de mais cuidados. Nesses casos, não há possibilidade de amamentação no seio da mãe. A fim de não perder o contato com o leite materno, os profissionais do comitê auxiliam na extração do leite e administram ele ao bebê. Marinez Casarotto explica que é feita a oferta somente do leite fresco, in natura, em até 12 horas depois da extração, uma vez que ainda não há banco de leite no hospital.

Nem sempre a extração é possível, uma vez que muitas mães não são de Santa Maria e não têm condições de estar presentes no hospital cem por cento do tempo: às vezes tem outros filhos pequenos em casa ou não conseguem se deslocar até a cidade todos os dias, principalmente quando a internação é duradoura. Nesses casos, os profissionais precisam ofertar a fórmula láctea em substituição ao leite materno. Beatriz explica que há boas fórmulas lácteas disponíveis no mercado, alinhadas com o perfil de macronutrientes e micronutrientes do leite humano, mas que, ainda assim, as características nutricionais do último são superiores a qualquer fórmula. Por exemplo, as gorduras de cadeia longa presentes no leite materno são difíceis de mimetizar nas fórmulas, tanto na proporção quanto na especificidade. Com as fórmulas, nem sempre há a absorção de todos os nutrientes presentes pelos bebês, justamente por essa dificuldade de reprodução de todas as características do leite materno.

Paola revela que uma das conquistas do comitê é a necessidade de prescrição da fórmula láctea por um médico. “Antes a gente tinha a fórmula ali, disponível. Hoje ela não é mais disponibilizada, ela só é ofertada com prescrição médica”. Essa prescrição segue protocolos rígidos, que definem em quais situações há a prescrição dessa fórmula. A intenção é o incentivo ao aleitamento materno em todas as situações em que este for possível.

Além do comitê, o HUSM possui um Posto de Coleta, que permite a realização das coletas de leite das mães, do envase no lactário e da administração aos bebês internados - de cada mãe para seu bebê. O posto de coleta é vinculado ao Banco de Leite de Rio Grande. A diferença entre o primeiro e o segundo é que o banco de leite é uma unidade que faz todas as etapas do processamento, desde a promoção do aleitamento por meio das atividades de coleta, quanto do processamento e controle de qualidade do leite que é produzido nos primeiros dias após o parto. O posto de coleta não possui as fases de processamento e análise do leite; neste, o leite é coletado na mãe e administrado em seu bebê. Nos bancos de leite humano, cuja estrutura é mais completa, há a possibilidade de doação de leite de mães com excesso de produção para outros bebês que não os seus. O leite também dura mais tempo, já que é processado. 

Um dos próximos passos do Comitê de Aleitamento Materno do HUSM é a busca da instalação de um Banco de Leite Humano em Santa Maria. As profissionais entrevistadas contaram que é uma das prioridades do hospital, e que, para isso, há necessidade de investimento em equipamentos, materiais, profissionais e ampliação da área do atual Posto de Coleta. No entanto, devido à estrutura e às ações que já existem, é um objetivo palpável.

Expediente

Reportagem: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Ilustrador: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Eloíze Moraes estagiária de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/cantina-escolar-alimentacao-saudavel Mon, 23 Aug 2021 16:21:49 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8634 Lei nº 15.216, de 30 de julho de 2018, que dispõe sobre a promoção da alimentação saudável e proíbe a comercialização de produtos que colaborem para obesidade, diabetes e hipertensão em cantinas e similares instaladas em escolas públicas e privadas do Rio Grande do Sul. A partir dessa perspectiva, a professora Vanessa Ramos Kirsten, do curso de Nutrição da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), deu início ao projeto “Cantina Saudável: a gente apoia esta ideia”, proposto como uma atividade de extensão no campus da UFSM em Palmeira das Missões. Segundo a docente, “o objetivo inicial era mapear as cantinas do município, ou seja, quais escolas tinham e quais escolas não tinham cantina. E, entre aquelas que tinham, como eram? O que vendiam?”. O início do projeto coincidiu com a época em que a lei estadual que promovia a alimentação saudável foi criada.  Além de ser uma atividade de extensão, o projeto também ficou vinculado a uma disciplina de educação alimentar nutricional, no curso de Nutrição do campus. Após o mapeamento feito nas cantinas das escolas em Palmeira das Missões, o foco passou a ser ajudá-las a oferecer opções mais saudáveis aos alunos.

Desenvolvimento do projeto

Em 2016, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico (CNPq) lançou um edital de apoio a projetos relacionados à segurança alimentar. A iniciativa buscava fomentar núcleos e grupos de ensino, pesquisa e extensão com expertise em segurança alimentar e nutricional. O objetivo era apoiar a produção, a humanização, a socialização e a popularização de conhecimento e tecnologias relacionadas ao tema no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Além disso, buscava formar e fortalecer uma rede de instituições para o intercâmbio de pesquisadores sobre o tema na América do Sul. Uma das exigências da chamada pública era que o projeto não fosse apenas de pesquisa, mas também de extensão, e que pudesse gerar um curso sobre o tema de pelo menos 160 horas.

O projeto “Cantina Saudável” participou da seleção por meio de uma proposta pensada para o território do Noroeste Colonial - uma região do Rio Grande do Sul que abrange 34 municípios. A ideia era realizar um curso para implementar cantinas saudáveis nas escolas das cidades da região. Para tal, a partir do mapeamento realizado previamente, um diagnóstico mais completo seria feito com as escolas que tinham cantina, levando em consideração aspectos dos alimentos e a higiene dos locais. A iniciativa foi selecionada e ficou entre os primeiros lugares na chamada pública do CNPq.

O desenvolvimento do projeto foi interinstitucional, pois teve parceria com outras instituições gaúchas. Uma delas foi a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): "A Mariana Balestrin, uma egressa nossa, fazia doutorado lá, em saúde da criança e do adolescente. Então o doutorado dela também faz parte desse projeto", conta a profesora Vanessa. O curso de Sistemas de Informação, da Universidade de Passo Fundo (UPF), também auxiliou na proposta, através do desenvolvimento de um aplicativo criado para ajudar os pesquisadores na coleta de dados sobre as escolas: "Informações sobre os alimentos comercializados e as condições higiênicas das cantinas foram obtidas", explica a docente. Posteriormente, tal aplicativo foi patenteado e validado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. Houve também uma parceria com o professor Oscar Agustín Torres Figueredo, do Departamento de Engenharia Florestal do campus de Frederico Westphalen da UFSM. O edital do CNPq exigia um intercâmbio com algum país latinoamericano que, no caso do projeto da UFSM, foi realizado no Paraguai. “O professor Oscar é paraguaio, então nós fizemos um intercâmbio para conhecer as cantinas do seu país de origem”, destaca Vanessa, ressaltando que as características das cantinas foram semelhantes às analisadas no Rio Grande do Sul. Um dos pontos realçados pelos pesquisadores é de que o país não tem políticas públicas muito fortes para a alimentação escolar.  Após o mapeamento de mais de 300 escolas, feito através de ligações telefônicas, o grupo percebeu que só 8% das escolas tinham cantina. Um número baixo, em virtude de a maioria das cidades da região serem pequenas, de aproximadamente 4 mil habitantes, e com características majoritariamente rurais. O estudo detectou a presença de cantinas em escolas privadas e públicas - porém, em sua maioria, em instituições privadas. “Nós utilizamos como protocolo de coleta dessas informações o manual da cantina saudável, que é do Ministério da Saúde, publicado em 2010”, relata a professora.  Com o apoio da professora Carla Brasil, do Departamento de Alimentos e Nutrição do campus de Palmeira das Missões, o grupo utilizou um checklist, ou seja, uma lista de checagem validada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para avaliar as condições das cantinas. A análise concluiu que havia baixa preocupação com os alimentos que eram oferecidos. As poucas escolas que ofereciam alimentos in natura, como sucos e frutas, eram de escolas privadas, mas essas instituições também ofereciam alimentos ultraprocessados. O mais grave, segundo a professora Vanessa, foram questões de risco sanitário: “A maioria das cantinas não tinham nem água potável para higienizar as mãos”.  Outra etapa do projeto foi a realização de um ensaio clínico. Nele, os responsáveis pelas cantinas que faziam parte do estudo foram separados em dois grupos: um deles faria um curso (que teve de oito a dez semanas de duração) e o outro receberia só o manual. Tal experimento fez parte da pesquisa da doutoranda Mariana Balestrin. Para Vanessa, algo que chamou a atenção nessa fase foi a desconfiança dos proprietários das cantinas: “As pessoas não nos viam como agentes para ajudá-los, as pessoas nos viam como fiscalizadores. Esse é um grande problema que a gente tem nessa área de pesquisa” revela Vanessa.

Alimentação na prática

Para muitas famílias, a venda de alimentos na escola é uma facilidade que garante o lanche das crianças de segunda a sexta-feira, pois muitos pais têm uma jornada de trabalho integral, o que dificulta o preparo do lanche para seu filho levar ao colégio. Segundo Geonice Hauschildt, vice-diretora do colégio Antônio Alves Ramos Pallotti, de Santa Maria, na escola, o estímulo a uma alimentação saudável pode ser estabelecido em sala de aula - o que vai desde o professor de ciências até o de educação física. “Já fizemos, por exemplo, espetinho de frutinhas com a educação infantil, mostrando a necessidade que a criança tem de consumir alimentos saudáveis”, conta Geonice. Na cantina do colégio Pallotti, chefiada por Cristina de Carvalho, não há mais guloseimas à venda. Agora, as balas são diet, sem açúcar. “Nós substituímos os lanches fritos pelos assados, inclusive ofereço sucos sem a adição de açúcar. No começo, com a nova lei, a aceitação foi difícil, mas temos diversas opções para substituir por lanches saudáveis”, comenta. Segundo Cristina, saladas de frutas e sanduíches são opções que possuem boa aceitação entre os alunos da instituição.

Desenlaces do projeto

Com a conclusão do projeto, em 2019, e o início da pandemia, a professora Vanessa teve a ideia de criar um curso de extensão, que foi disponibilizado na plataforma Moodle da UFSM para a população em geral. Houve 1,3 mil inscritos, e 315 pessoas terminaram os oito módulos, sendo que, entre os interessados, poucos deles eram proprietários de cantinas: “Eram mais estudantes de nutrição, nutricionistas, professores e funcionários de escolas”, revela a professora.  O curso está sendo transformado em livro, cujo objetivo é oferecer meios para a comunidade escolar promover uma alimentação saudável e adequada. “A gente pensa não só no caminho da cantina, mas quais são os ambientes, dentro da escola, que promovem (ou não) a alimentação saudável. Não é só a alimentação escolar, é o que traz de casa, o entorno da escola e a cantina, e como todos esses atores da escola podem se ajudar”, conclui Vanessa.
Expediente Repórter: Ana Luiza Deicke, acadêmica de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) e estagiária Ilustrador: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Eloíze Moraes estagiária de Jornalismo Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas
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