UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Mon, 30 Mar 2026 15:01:32 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/10/15/jogos-universitarios-indigenas-da-regiao-sul-celebram-esporte-cultura-e-permanencia-estudantil-na-ufsm Wed, 15 Oct 2025 13:26:21 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=70983 [caption id="attachment_70984" align="aligncenter" width="971"] Autoridades e lideranças estiveram presentes na cerimônia de abertura dos Juirs[/caption]

Pelo segundo ano consecutivo, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) sediou, no sábado (11) e no domingo (12), a 2ª edição dos Jogos Universitários Indígenas da Região Sul (Juirs). Realizado nas dependências do Centro de Educação Física e Desporto (CEFD), o evento reuniu aproximadamente 400 participantes, entre lideranças, parlamentares e atletas representantes de comunidades indígenas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Os Jogos Universitários Indígenas da Região Sul são organizados pela Comissão Indígena da UFSM, com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), Pró-Reitoria de Extensão (PRE), Gabinete do Reitor, SEDUFSM, Observatório de Direitos Humanos (ODH) e Federação Universitária Gaúcha de Esportes (FUGE). O lema da edição de 2025, “Esporte como Resistência”, sintetiza o propósito do evento em transformar o espaço acadêmico em um território de ancestralidade e celebração coletiva.

A UFSM sagrou-se campeã geral pela segunda vez consecutiva. Além da UFSM, as seguintes instituições participaram da competição: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal da Fronteira Sul  (UFFS) - 55BET Pro de Chapecó, Erechim e Realeza, Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). As comunidades indígenas Guarita, Kaingang e Guarani também integraram os Jogos.

Estiveram presentes na cerimônia de abertura: a vice-reitora da UFSM, Martha Adaime; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Gisele Guimarães; a pró-reitora adjunta de Assuntos Estudantis, Cassiana Marques; o diretor do CEFD, Rosalvo Sawitzki, além de Luiz Bonetti, representando o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Também participaram o deputado federal Marcon, a ex-deputada federal Reginete Bispo e o representante do deputado estadual Valdeci Oliveira, Daniel Diniz.

A pró-reitora de Assuntos Estudantis, Gisele Guimarães, enfatizou o papel das políticas afirmativas e o protagonismo dos estudantes indígenas: “A gente nem consegue mais lembrar o que era a UFSM sem vocês. [Esses jogos demonstram a materialidade da assertividade das políticas afirmativas dentro das universidades. Ver vocês organizados em um evento bonito, colorido e diverso é a certeza de que estamos no caminho certo", disse.

A vice-reitora Martha Adaime complementou: “É lição de acolhimento, é lição de conjunto, de coletivo, de estar juntos. Dizer a vocês que a palavra é gratidão por todos os ensinamentos que vocês têm nos trazido”.

[caption id="attachment_70985" align="alignright" width="500"]Foto colorida e horizontal. Maira Andressa Amaral dá entrevista. Ela é indígena e seu cabelo liso está preso. Usa camiseta branca com detalhes dourados. Maira foi a campeã da prova de 100m rasos[/caption]

Modalidades disputadas e arbitragem

Os Juirs envolveram tanto modalidades tradicionais quanto esportivas contemporâneas. Foram disputadas as seguintes provas: arco e flecha; bodoque; corrida do maracá ; corrida com tora; corrida dos 100m; luta corporal; arremesso de lança; arremesso de peso; cabo de guerra; vôlei misto e futsal. Algumas modalidades, inclusive, foram arbitradas por acadêmicos do curso de Educação Física da UFSM.

“Esse convívio é um espaço de aprendizagem significativo. Os nossos alunos estão envolvidos com os jogos, organizando, arbitrando. E nós estamos aprendendo com isso”, destacou o diretor do CEFD, Rosalvo Sawitski, quanto à contribuição dos Jogos Universitários Indígenas ao Centro.

Entre os nomes de destaque das competições de atletismo, Maira Andressa Amaral, da Terra Indígena do Guarita e acadêmica da Unipampa, conquistou o primeiro lugar nos 100 metros rasos feminino. “Ano passado eu não consegui participar porque eu já estava lesionada no joelho. Aí eu tive que me cuidar pra poder participar esse ano,  tanto que eu já não praticava tanto esporte assim”, relata Maira. Ela ainda conta que a corrida não é o seu esporte favorito, prefere usar os pés para jogar bola: futsal, futebol e futebol sete, e que não esperava sagrar-se campeã nos 100m: “Não, isso não, eu estava mais pela participação mesmo, mas hoje dei sorte”.

Na categoria masculina, um dos corredores foi Renã Cardoso, da UFFS - 55BET Pro Erechim. Ele acabou não conseguindo integrar o pódio, mas afirma que os Juirs representam muito mais do que apenas disputas esportivas: “Para mim são muito importantes, dá uma grande visibilidade para nós indígenas, né? Porque esses jogos aqui não é só por diversão, nem por medalha, nem nada. É para mostrar a nossa cultura e também o que representa para a gente”.

Estrutura e acolhimento 

Diferente do ano passado, foram disponibilizados para as delegações indígenas os ginásios 3 e 4 do CEFD, como área de descanso. Parte dos participantes, porém, optou por montar acampamentos ao ar livre, uma escolha que também representa o vínculo cultural com a natureza. “A questão do acampamento fora também é um costume do movimento indígena. É uma coisa bem comum, a maioria do pessoal prefere ficar fora dos ambientes fechados para estar mais em contato com a natureza, que é de onde a gente vem”, explicou o acadêmico de Enfermagem Leonardo Kaingang, um dos organizadores e idealizadores dos Juirs.

O Restaurante Universitário (RU) proporcionou refeições comunitárias aos participantes, com cardápio escolhido pelos organizadores, composto por peixe, mandioca, arroz, feijão preto, alface e tomate. “O pessoal do RU foi extremamente solícito. Eles deram essa opção pra nós, porque a gente tem uma alimentação totalmente diferente da que é servida aqui. Escolhemos o peixe frito, que é uma das melhores proteínas, e espero que todas as delegações gostem”, confessa Leonardo.

[caption id="attachment_70986" align="alignleft" width="545"]Foto colorida e horizontal. Mão feminina faz pintura indígena simétrica no braço de uma mulher. Escolha da mais bela atleta foi uma das modalidades culturais do evento[/caption]

Noite cultural e etnomídia 

Além das modalidades esportivas, os Jogos Universitários Indígenas da Região Sul também contaram com uma noite cultural, realizada na noite do sábado (11). Dentre as performances culturais, o povo Tikuna, do campus da UFFS de Realeza (PR), realizou uma apresentação cultural, e DJs indígenas de outras universidades, como a UFPEL, também integraram a programação. “A noite cultural é o momento de maior descontração. Também tem a escolha da mais bela atleta e também a premiação”, explica Leonardo Kaingang.

Os Juirs também dispuseram de uma cobertura audiovisual realizada sob uma perspectiva indígena. O projeto Caipora – Etnomídia Indígena, desenvolvido na UFSM, acompanhou o evento com o intuito de registrar e comunicar a experiência dos jogos a partir da ótica dos próprios povos originários. “A gente tem cobrido os jogos nessa edição porque a Caipora é um projeto de etnomídia indígena, então o objetivo é que a gente consiga ajudar os parentes nos Jogos, trazendo uma perspectiva da mídia de forma étnica também, a partir da nossa cosmovisão”, explica o estudante de Direito e comunicador indígena Xainã Pitaguary, integrante da Caipora, quanto ao papel do grupo. 

Ele ressalta também a importância de registrar o evento como uma forma de afirmação e memória coletiva: “Os Jogos são um dos espaços mais importantes de eventos da UFSM. Nesse último período eu acho que tem uma importância muito grande, além do momento que a gente está vivendo de reafirmação da presença indígena na universidade. E trazer essa cobertura a partir do nosso viés, da nossa ótica, em um espaço que a gente possa controlar absolutamente, mas também que a gente possa registrar. É um espaço de eternizar esse lugar em uma rede própria, do próprio movimento indígena.”

[caption id="attachment_70987" align="alignright" width="543"]Foto colorida e horizontal. Uma criança corre sorridente em uma pista de atletismo da UFSM, sob luz natural. Ela usa camiseta esportiva escura e chinelos. Ao fundo, aparecem construções e vegetação ao lado direito, com cerca metálica acompanhando a pista. Crianças também marcaram presença nos Jogos Universitários Indígenas da Região Sul[/caption]

Legado e futuro

As competições e apresentações foram permeadas pela presença de crianças indígenas, que brincavam entre as quadras e arquibancadas, acompanhando as delegações. Leonardo comenta a importância de inserir o público infantil desde cedo em organizações como os Jogos Universitários Indígenas da Região Sul: “Os Jogos são para essas crianças que estão brincando aqui. Que coisa linda ontem ver dentro do ginásio as crianças brincando, correndo, se divertindo.  Os Jogos foram pensados dessa maneira: deixarmos um legado para nossas crianças, para que elas continuem o que nós estamos traçando hoje dentro das universidades”.

Leonardo também destaca que o movimento já se articula para ampliar o projeto para nível nacional. A ideia é que no ano que vem, ainda, o evento migre para outra universidade e que na edição seguinte, passe a rodar o Brasil. “Já estamos em negociação. Em 2027 ou 2028 estamos programando os Jogos Universitários Indígenas Nacionais”, revela o idealizador do Juirs. 

Confira mais imagens:

Texto: Marina Brignol, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Paulo Barauna, acadêmico de Desenho Industrial, bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/10/16/na-ufsm-jogos-universitarios-indigenas-da-regiao-sul-engrandecem-a-cultura-de-diferentes-etnias Wed, 16 Oct 2024 10:23:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67240 [caption id="attachment_67241" align="alignleft" width="499"] Primeira edição dos JUIRS contou com coletivos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná[/caption]

Aconteceu nos últimos sábado (12) e domingo (13) a primeira edição dos Jogos Universitários Indígenas da Região Sul (JUIRS), no 55BET Pro Sede da UFSM. O evento reuniu acadêmicos de diversas etnias de instituições de ensino superior do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, como também territórios convidados. As atividades foram realizadas na pista de atletismo e nos ginásios do Centro de Educação Física e Desportos.

A UFSM foi declarada campeã, mas também fizeram parte da disputa coletivos das seguintes instituições, nos dois dias: Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal da Fronteira Sul, Universidade Federal do Pampa, Universidade Federal do Rio Grande, Universidade Federal de Pelotas e Universidade Federal do Rio Grande do Sul. De fora das salas de aula, estiveram presentes as comunidades de Nonoai, Guarita, Kaingang e Guarani.

Os JUIRS foram realizados com o apoio do Gabinete do Reitor e da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), além do Ministério dos Povos Indígenas. O estudante do curso de Enfermagem da UFSM, Leonardo Kaingang, integrou a organização dos JUIRS exercendo a função de diretor-geral e explica: “os Jogos não são simplesmente a prática de esportes, mas sim toda a cultura que a gente traz dos territórios para dentro da universidade”.

Os primeiros JUIRS

[caption id="attachment_67242" align="alignright" width="501"] Com oito medalhas de ouro conquistadas, time que representou a UFSM foi declarado campeão[/caption]

A motivação para promover o evento se deu com a participação da delegação da UFSM no Acampamento Terra Livre, considerado a maior Assembleia dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil, em abril deste ano. Em uma roda de conversa, que envolveu acadêmicos situados em Santa Maria e discentes de toda a Região Sul, foi determinada a necessidade de colocar em prática as ideias e, em meados do mês de maio, o processo de fazer com que os jogos acontecessem começaram.

A pró-reitora de Assuntos Estudantis, Gisele Guimarães, revela que, quando o setor recebeu a proposta, seus olhos brilharam. “A PRAE, como grande parceira dos estudantes e, neste caso, especialmente dos estudantes indígenas, se encantou com o projeto. É um orgulho para a nossa Universidade. Somos referência em assistência estudantil no país, com muitos desafios a serem enfrentados, mas com os indígenas protagonizando muito do que acontece aqui”, destacou.

A acadêmica de Medicina da UFSM, Ligea Kaingang, também fez parte da organização dos JUIRS e define a experiência: “é incrível estar participando deste momento que, para nós, estudantes indígenas da Região Sul, é um momento histórico”. Ela não esconde o fato que desenvolver a iniciativa foi desafiador, mas garante que o comprometimento valeu a pena. “Ver todas essas pessoas que atenderam ao nosso chamado, de nos reunirmos, de trazerem suas culturas, suas vestimentas tradicionais, traz muita alegria”.

O reitor da Universidade, Luciano Schuch, também marcou presença na primeira edição do evento e reitera o apoio da instituição às causas indígenas. Em 2018, o 55BET Pro Sede recebeu a primeira Casa do Estudante Indígena do país, que hoje é moradia de indígenas de mais de 15 etnias distintas. “Os Jogos Universitários Indígenas têm como objetivo defender a cultura indígena. Essa diversidade é o que mais nos enriquece”, afirmou.

Na pista e nas quadras

[caption id="attachment_67243" align="alignleft" width="509"] Na visão do reitor, Luciano Schuch, a UFSM tem papel importante na luta ao lado das causas indígenas[/caption]

Entre o sábado e o domingo, foram disputadas nove modalidades nos naipes feminino e masculino: arco e flecha, corrida da tora, corrida do maracá, lançamento de lança, corrida de 100 metros, arremesso de peso, voleibol, futsal e bodoque, como também foi eleita a “atleta mais bela” da edição. Com oito medalhas de ouro, a UFSM foi declarada campeã dos JUIRS de 2024, à frente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que terminou em segundo lugar, com quatro medalhas de ouro.

Leonardo revela que a escolha dos esportes foi uma das partes mais fáceis no processo de organização, visto que foram selecionadas atividades tradicionais dos povos indígenas como também jogos conhecidos no país. Foram reunidas aproximadamente 300 pessoas somando todas as provas. “Inicialmente, pensávamos que se chegássemos a 100 convidados presentes seria um sucesso. Teve gente querendo participar que, infelizmente, não conseguimos comportar”, admitiu.

O estudante do curso de Medicina da UFSM, Albert Silva, foi o primeiro campeão dos JUIRS, na corrida de 100 metros. Ele conta que esta foi sua estreia em competições, mas, em sua aldeia, atividades parecidas acontecem habitualmente. “Esse evento é muito importante para trazer visibilidade para a cultura e para a vivência dos povos indígenas”, assegurou. Já a acadêmica de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, também atleta, Jennifer Vergueiro, diz que as atividades foram um pouco difíceis, embora tenham valido a pena pela experiência, e segue na mesma linha de raciocínio do representante de Santa Maria: “é bem importante porque é uma forma de mostrar um pouco da nossa cultura e mostrar que a gente também está aqui, que estamos vivos”.

Em casa

Diferente dos Jogos Universitários Gaúchos, chancelados pela Confederação Brasileira do Desporto Universitário, os JUIRS não foram disputados apenas por estudantes. O diretor geral do evento explica que o convite a territórios foi feito com a intenção de mostrar aos povos o trabalho que está sendo realizado na UFSM, principalmente pensando nos mais jovens. “A nossa maior alegria foi quando desceram muitas crianças das vans e dos ônibus. Eles estavam praticamente cheios de crianças. Para nós, povos indígenas, a criança é tudo. Não adianta você ter bens materiais, financeiros, ser bem-sucedido, se você não pensa nas crianças. Aqui, tudo é passageiro. Temos que deixar um legado para eles”, contou Leonardo.

Schuch reafirma que o papel da instituição é lutar ao lado das causas indígenas: “quando a gente começa a mostrar o nosso campus, também com estudantes de outras universidades, nós mostramos que aqui é o lugar para eles estarem estudando e trazendo suas famílias”. O objetivo do grupo por trás do evento é torná-lo fixo no mês de outubro e sediar outras vezes em Santa Maria para que, no futuro, seja realizada também uma etapa nacional das competições.

Texto: Kemyllin Dutra e Pedro Pereira, estudantes de Jornalismo
Fotos: Taiane Wendland, estudante de Produção Editorial e bolsista da TV 55BET Pro
Edição: Mariana Henriques, jornalista

 

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