UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sat, 14 Mar 2026 14:04:52 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/06/18/ufsm-da-inicio-a-recuperacao-ambiental-da-sanga-lagoao-do-ouro Wed, 18 Jun 2025 11:08:34 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=69560

Se você passou recentemente pelo Prédio 26 do Centro de Ciências da Saúde da UFSM, talvez tenha notado máquinas em operação, equipes trabalhando no solo e uma movimentação diferente às margens do curso d’água que corta o campus. Essa movimentação tem um motivo: a Sanga Lagoão do Ouro está passando por uma importante obra de recuperação ambiental.

Mapa da área de intervenção na Sanga Lagoão do Ouro

A intervenção faz parte de um projeto que utiliza técnicas sustentáveis de engenharia natural para conter a erosão, recuperando as margens com vegetação nativa e materiais locais.

A execução da obra de recuperação ambiental da Sanga Lagoão do Ouro está sendo conduzida pelo Setor de Planejamento Ambiental da Pró-Reitoria de Infraestrutura (PROINFRA). O projeto técnico foi elaborado pelo Laboratório de Engenharia Natural (LabEn), do Departamento de Ciências Florestais, a partir de uma demanda da própria PROINFRA.

A iniciativa integra as exigências para a renovação da Licença de Operação Ambiental da Universidade, emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A proposta foi pensada para atender às exigências legais e, ao mesmo tempo, promover uma solução sustentável para a recuperação da sanga.

[caption id="attachment_69562" align="alignleft" width="302"] A pesquisadora Rita Sousa, do LabEn, explica detalhes da obra de recuperação da Sanga Lagoão do Ouro (Foto: Sofhia Krening)[/caption]

De acordo com Rita Sousa, engenheira biofísica e pesquisadora de pós-doutorado no LabEn, o processo de elaboração do projeto percorreu diferentes etapas até chegar à obra atual. “Começamos com o projeto conceitual, etapa em que fizemos visitas à sanga para identificar os trechos mais afetados pela erosão. Depois, com o apoio do Departamento de Engenharia Rural, realizamos o levantamento topográfico da área. A partir dessas informações, elaboramos o projeto básico, definindo quais técnicas de engenharia natural seriam aplicadas em cada ponto. Por fim, desenvolvemos o projeto executivo, que serve como base para a licitação da obra”, explica.

Rita destaca que a recuperação da sanga envolve mais do que aspectos técnicos: também exige cuidado com a vegetação presente nas margens. Segundo ela, espécies exóticas como taquareiras e pinus predominavam no local, representando riscos tanto à segurança das pessoas quanto ao equilíbrio do córrego. “Essas espécies podem cair, obstruir o fluxo da água e agravar a erosão. Por isso, na primeira semana da obra, realizamos a remoção dessas plantas, que estavam instáveis”, comenta.

Com a área limpa, a equipe avançou para a fase de preparação do terreno. “Aqui nesta área será aplicada a técnica de enrocamento vivo, que combina a colocação de rochas com o plantio de espécies nativas entre os espaços das pedras, ajudando a estabilizar o solo e integrando soluções naturais e técnicas de engenharia”, diz Rita.

Trabalho conjunto entre laboratórios fortalece projeto de recuperação da sanga

[caption id="attachment_69563" align="alignright" width="316"] Produção de mudas nativas no Viveiro Florestal da UFSM envolve coleta, cultivo e preparo para o plantio nas margens da sanga. (Foto: Sofhia Krening)[/caption]

A recuperação da Sanga Lagoão do Ouro é fruto da cooperação entre dois laboratórios do Departamento de Ciências Florestais da UFSM. O LabEn é responsável pelo desenvolvimento técnico da obra, enquanto o Laboratório de Silvicultura e Viveiro Florestal (Labsilvi) atua na produção das mudas que serão utilizadas no plantio, a partir de espécies nativas adaptadas às margens de rios e córregos.

A professora Maristela Machado Araújo, coordenadora do Labsilvi, explica que o processo envolve desde a coleta até a produção das mudas no Viveiro Florestal da UFSM. “Nossa participação é na coleta de propágulos, como sementes e estacas, e na produção de mudas de espécies nativas reófilas. Essas espécies desenvolvem um sistema radicular capaz de estabilizar as margens dos rios, além de apresentarem ramos flexíveis para suportar a força do fluxo d’água”, destaca.

Maristela também ressalta o envolvimento da comunidade acadêmica na ação. “A produção de mudas envolve estudantes da graduação e da pós-graduação em Engenharia Florestal. Em relação ao plantio, estamos otimistas: cerca de 90% da demanda já está pronta”, afirma. Ela observa, ainda, que, como as mudas são produzidas em recipientes, precisam ser plantadas em breve para manter a qualidade e garantir o bom desenvolvimento.

A pesquisadora Cláudia Costella, também do Labsilvi, reforça que o trabalho exigiu um grande esforço técnico e logístico para garantir a diversidade de espécies vegetais utilizadas no projeto. “Serão plantadas cerca de 15 mil mudas ao longo do trecho da sanga. Algumas espécies, como a Calliandra brevipes, são produzidas por sementes. Já o Phyllanthus, por exemplo, precisa ser multiplicado por estacas. Então, tivemos que ir até o ambiente natural, coletar os galhos e trazer para o viveiro”, explica.

Espécies nativas utilizadas na recuperação da Sanga
[caption id="attachment_69565" align="alignright" width="311"] A pesquisadora Cláudia Costella, do LABSILVI, mostra a produção de mudas por estaca. (Foto: Sofhia Krening)[/caption]

Ela relata que, em alguns casos, foi necessário deslocar a equipe para outros municípios em busca das espécies-alvo. “Uma das coletas foi feita em São Martinho da Serra. Mobilizamos parte da equipe para realizar a coleta diretamente no local. Foi desafiador, mas o resultado é um conjunto de mudas bem adaptado ao ambiente da sanga”, conclui.

Valorização da vegetação nativa e importância da área de preservação permanente

A obra de recuperação da Sanga Lagoão do Ouro integra a Área de Preservação Permanente (APP) da UFSM. As APPs são faixas protegidas por lei, geralmente localizadas às margens de rios, córregos e nascentes, com a função de conservar a vegetação, proteger o solo e preservar a qualidade da água. No campus sede da Universidade, a sanga e sua vegetação desempenham esse papel fundamental.

Com cerca de 11 km de extensão total, a Sanga Lagoão do Ouro teve 676 metros selecionados para esta etapa da obra, dividida em quatro áreas prioritárias. Os trabalhos começaram no trecho próximo ao Prédio 26, do Centro de Ciências da Saúde, onde o curso d’água possui aproximadamente 306 metros e concentra três pontos com erosão acentuada.

Além de conter os processos erosivos, o projeto também busca ampliar a biodiversidade e aumentar a segurança da comunidade universitária, especialmente durante períodos de chuva intensa. “Durante as enchentes recentes, houve transbordamento da água, e a força do fluxo agravou ainda mais o processo erosivo. Com a introdução das espécies nativas e as técnicas de engenharia natural, esperamos reduzir esse impacto e recuperar a funcionalidade ambiental da sanga”, explica Rita Sousa.



Texto e foto de capa: Camila Londero, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Design: Daniel Michelon de Carli
Edição: Mariana Henriques

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Se você costuma andar pelo campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em algum momento já passou pela Sanga Lagoão do Ouro, um curso d’água que liga a parte norte a parte sul da UFSM. A Pró-Reitoria de Infraestrutura (PROINFRA), em parceria com o Laboratório de Engenharia Natural (LabEN), está dando passos significativos em direção à sustentabilidade ambiental com o desenvolvimento de um projeto inovador para a proteção e revestimento vegetal das margens e leito da Sanga. A proposta, parte da renovação da Licença de Operação da UFSM, promete ser um marco no equilíbrio entre a engenharia e a preservação ambiental.

O Setor de Planejamento Ambiental, da PROINFRA, é o órgão responsável por tratar das questões ambientais da UFSM. Segundo Nicolli Reck, Engenheira Sanitarista e Ambiental e Coordenadora de Gestão Ambiental, o LabEN apresentou ao setor um documento referente ao "Projeto Conceitual de Proteção e Revestimento Vegetal". Esse documento destaca uma abordagem inovadora, com técnicas de Engenharia Natural que marcam um significativo avanço na busca por práticas sustentáveis em contraposição às soluções tradicionais de Engenharia Civil. O projeto visa não apenas solucionar os processos erosivos na Sanga Lagoão do Ouro, mas fazê-lo de maneira ecologicamente consciente.

Como vai funcionar o projeto

O plano se desdobrará em três fases distintas: projeto conceitual, projeto básico e projeto executivo. A fase conceitual, apresentada no documento, destaca a análise detalhada dos processos erosivos, propondo soluções que incorporam a vegetação como um elemento construtivo vivo.

O Engenheiro Florestal e professor Dr. Fabrício Sutili, juntamente com a Engenheira Biofísica e pesquisadora de pós-doutorado Rita Sousa, lideram o projeto. De acordo com a pesquisadora, a Engenharia Natural é muito utilizada mundialmente em obras de proteção e estabilização de margens e leitos de rios, córregos ou semelhantes: “as plantas deixam de ser consideradas apenas do ponto de vista estético, passando a desempenhar funções de elemento vivo construtivo, podendo ser utilizadas de forma isolada, ou combinadas com materiais inertes”, afirma Rita. Além disso, o projeto se alinha aos princípios da sustentabilidade, promovendo a utilização consciente dos recursos naturais.

A Engenharia Natural, apesar de seu uso em constante crescimento, ainda enfrenta desafios em comparação com as técnicas tradicionais de construção. Para Rita, o desafio está na falta de conhecimento sobre essas técnicas:

O maior desafio é a aplicação destes conceitos que seguem uma visão de uma engenharia que é mais ecológica, mas tem resultados técnicos iguais aos das obras tradicionais, e que são ainda mais potencializados do ponto de vista ambiental”, diz a pesquisadora.

Dessa forma, a UFSM destaca-se como uma instituição comprometida com a inovação sustentável, buscando soluções que transcendem as demandas convencionais da engenharia, assumindo um papel crucial na disseminação de abordagens inovadoras, como a engenharia natural. O projeto da Sanga Lagoão do Ouro representa um passo significativo na busca por práticas mais responsáveis e ecológicas no campo da engenharia.

 

Texto: Camila Londero, acadêmica de Jornalismo
Foto: Camila Londero

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