UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sat, 25 Apr 2026 17:40:33 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/orgaos-suplementares/radio/2024/06/26/gritos-do-silencio-terapias-de-conversao-um-simbolo-de-retrocesso-e-ataques-a-comunidade-lgbtqia-no-brasil Wed, 26 Jun 2024 18:19:26 +0000 http://www.55bet-pro.com/orgaos-suplementares/radio/?p=7791

No dia 12 de outubro de 2023, a influenciadora de direita e apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro, Karol Eller, cometeu suicídio aos 36 anos, em São Paulo. O fato ocorreu após uma declaração sua nas redes sociais, feita em setembro do mesmo ano, gerar grande repercussão. No texto, a influenciadora alegava renegar sua homossexualidade. “Sim, eu renunciei à prática homossexual, eu renunciei vícios e renunciei os desejos da minha carne para viver em Cristo”, escreveu Eller.

Momentos antes do fatídico episódio, a influenciadora postou em suas redes sociais uma mensagem que indicava um possível suicídio: “Me perdoem por causar toda essa dor aos que me amam. Se cuidem por aqui”. Na publicação, não mais disponível, Eller ainda divulgou um endereço na zona Sul de São Paulo e se referiu ao serviço do Corpo de Bombeiros. Karol foi vítima de um processo que pauta a reorientação sexual, popularmente conhecido como “cura gay”.

Uma breve história das terapias de conversão

As terapias de reorientação sexual, também chamadas terapias de conversão, não estão presentes apenas na história de Karol Eller. Segundo o artigo “Terapias de Conversão: Histórico da (Des)Patologização das Homossexualidades e Embates Jurídicos Contemporâneos”, de Marcos Roberto Vieira Garcia (Universidade Federal de São Carlos) e Amana Rocha Mattos (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), na década de 50, nos Estados Unidos, diversos estudiosos da psicologia e medicina iniciaram pesquisas justificadas pela ideia de que a orientação sexual de um indivíduo poderia ser mudada. 

Na época, o termo “homossexualismo” era amplamente utilizado na comunidade médica para categorizar a homossexulidade como doença. Na estrutura da palavra, o sufixo “ismo” representa uma condição patológica. Mas em 1973 e 1975, a Associação Americana de Psiquiatria e Associação Americana de Psicologia, respectivamente, retiraram a homossexualidade da lista de transtornos mentais e psicológicos. Posteriormente, no dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Sáude (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID).

No Brasil, apenas em 1999, o Conselho Federal de Psicologia proibiu que seus profissionais registrados promovessem ou utilizassem quaisquer técnicas de terapia voltadas a alterar a orientação sexual de um indivíduo. Entretanto, o assunto permanece visível no discurso de comunidades religiosas conservadoras e políticos brasileiros, bem como do ex-deputado e pastor Ezequiel Teixeira (PTN-RJ), autor de um projeto de lei que visa legalizar a “cura gay”.

O Projeto de Lei em discussão

Também em outubro de 2023, por 12 votos a 5, a Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que proíbe o casamento homoafetivo e a união estável entre pessoas do mesmo sexo. O texto sugere que uniões homoafetivas sejam encaixadas em outra modalidade de união civil, o que faz com que o termo “casamento” seja utilizado apenas por casais heterossexuais. Após o reconhecimento da proposta, o presidente da Comissão de Previdência e Família, Fernando Rodolfo (PL-PE), declarou ao jornal Folha de S. Paulo que, se houver tempo disponível, irá pautar a regulamentação das Terapias de Reorientação Sexual no Brasil.

O que Rodolfo afirma querer retomar é o PL 4931/2016, apresentado em 2016 pelo ex-deputado e pastor evangélico Ezequiel Teixeira. O projeto se opõe à resolução da OMS de retirar a homossexualidade da CID e prevê a legitimação das terapias de conversão, proibidas em 1999 pelo Conselho Federal de Psicologia. O documento ainda reafirma a homossexualidade como doença e proíbe que os profissionais da psicologia realizem qualquer atividade que favoreça o não-tratamento da “patologia”.

A resposta de Erika Hilton

Em resposta à declaração do presidente da comissão, a deputada federal Erika Santos Silva (PSOL-SP), conhecida como Erika Hilton, apresentou um projeto de lei que define as terapias de conversão como tortura. “A conduta criminosa de tratamento de ‘cura gay’ deve ser igualada a tortura, portando deve ser coibida, assim como amplamente investigadas as vítimas já submetidas a tamanha violência, para que vidas sejam preservadas”, afirma em trecho do documento.

Além de deputada federal pelo estado de São Paulo, Erika é ativista e modelo e possui um repertório na política brasileira marcado pela luta por direitos das pessoas negras e LGBTQIAPN+. Em 2022, a política conquistou o seu cargo de deputada federal com 256.903 votos e, no mesmo ano, foi reconhecida como uma das “100 mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo” pela BBC.

A cura gay não existe”, reforça psicóloga

Para a psicóloga Gabriela Quartiero, que atua na Casa Verônica, serviço vinculado à Universidade Federal de Santa Maria que promove a equidade de gênero na comunidade acadêmica, a discussão do PL de Teixeira na comissão representa um ataque à comunidade. “Eu acho que é uma violência escancarada o que a gente vivencia hoje contra as pessoas LGBT. Porque no momento em que algumas pessoas heterossexuais e cisgêneras acham que podem converter outras pessoas, isso sim é uma violência”, explica.

De acordo com Quartiero, o profissional da psicologia deve acolher os indivíduos da comunidade LGBTQIAPN+ e proporcionar um lugar de escuta em que eles se sintam seguros. “A pessoa precisa se sentir segura. Ela precisa se sentir confortável para falar sem medo de ser julgada, porque muitas vezes ela já está se julgando. Não é necessário que haja mais alguém a julgando”, afirma a psicóloga. 

“Solidão e frustração são sentimentos muito presentes, porque essas pessoas se isolam ao não se sentirem pertencentes ao mundo. Elas tentam se diminuir ao máximo para entrarem numa caixinha heterocisnormativa”, explica a profissional sobre algumas consequências psicológicas de sofrer preconceito por ser da comunidade LGBTQIAPN+. “A cura gay não existe e nós temos que lembrar que pessoas LGBT, possuem subjetividade também, possuem histórias de vida, nomes e experiências e não se pode pensar em apagar isso”, conclui Quartiero.

“Militância transforma”, diz ativista

Para a militante do movimento LGBTQIAPN+ e integrante da ONG Igualdade, Marquita Quevedo, o conservadorismo político em Santa Maria permite discussões excludentes nas pautas governamentais. “É um espaço político com uma bancada evangélica, ruralista e militar que cresceu muito. Eu acredito que a gente ainda tem que avançar muito enquanto pessoas LGBT nesses espaços de poder, só assim a gente vai conseguir mudar essa realidade e ter representatividade no espaço político. Eu acredito muito nisso, acredito na política, acredito que essa militância transforma”, declara.

No Brasil, desde 2019, a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero é declarada crime pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, conforme dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil é o país com mais ocorrências de assassinato contra pessoas LGBTQIAPN+. “Mesmo com lei dizendo que discriminar é crime, a gente ainda precisa discutir no Senado, discutir no nosso espaço de poder, pensar numa política pública de segurança que de fato proíba esse tipo de fala e de comportamento contra a nossa população”, destaca Quevedo.

Por fim, a ativista fala sobre os perigos da influência religiosa nas pautas constitucionais. “Trazer esse debate religioso para dentro de nossos lares e das nossas famílias é muito perigoso. O Brasil é um estado laico e não cabe, no espaço político, pregar em nome de uma religião ou crença. É muito perigoso esse discurso de ódio, violento, usando uma palavra de Deus”, alerta.

Pedro Pagnossin

Repórter do Gritos do Silêncio, estudante de Jornalismo pela UFSM. Contato: pedro.moro@acad.55bet-pro.com

Foto: Acervo de imagens sem copyright.

Revisão: Kemyllin Dutra, repórter do Gritos do Silêncio, estudante de Jornalismo pela UFSM. Contato: kemyllin.dutra@acad.55bet-pro.com

Publicação: Elisa Bedin, repórter do Gritos do Silêncio e estudante de jornalismo pela UFSM. Contato: elisa.bedin@acad.55bet-pro.com

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/08/24/oficina-de-praticas-teatrais-e-ofertas-para-homens-da-comunidade-lgbtqiapn Thu, 24 Aug 2023 20:24:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63486 neste link. Um dos objetivos da oficina é a experimentação dos princípios do Teatro do Oprimido, prática desenvolvida pelo teatrólogo Augusto Boal. Serão realizados exercícios e jogos de percepção do grupo, envolvendo foco, atenção e consciência corporal. Também serão promovidas discussões a respeito das opressões as mais diversas em corpos de homens da comunidade LGBTQIAPN+. As práticas teatrais serão desenvolvidas pelo formando Thayuã Rodrigues. Mais informações podem ser obtidas junto à Casa Verônica UFSM, pelo e-mail casaveronica.pre@55bet-pro.com ou pelo Whatsapp (55) 9.9159-8978. Texto: Assessoria de Comunicação da Casa Verônica]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/08/24/casa-veronica-convida-artistas-lesbicas-a-participar-de-exposicao-na-proxima-semana Thu, 24 Aug 2023 20:16:26 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63484 A Casa Verônica (órgão vinculado à Pró-Reitoria de Extensão) – em parceria com o Setor de Atenção Integral ao Estudante (unidade da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis), o Coletivo Voe e o Ambulatório Transcender – está com cadastro aberto para artistas lésbicas interessadas em participar da exposição “Olhares Lésbicos”. A mostra acontece na segunda (28) e terça-feira (29), das 10h30min às 14h, no hall do Restaurante Universitário I. As inscrições podem ser feitas até esta sexta-feira (25), por este link. A realização da exposição é alusiva ao Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado no dia 29 de agosto. A data simboliza a luta contra a lesbofobia, machismo e misoginia e busca refletir sobre a importância de políticas públicas para pessoas lésbicas. Mais informações podem ser obtidas junto à Casa Verônica UFSM, por meio do Whatsapp (55) 9.9159-8978 ou pelo e-mail casaveronica.pre@55bet-pro.com. Texto: Assessoria de Comunicação da Casa Verônica]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/08/18/casa-veronica-inicia-a-campanha-eu-decidi-me-reconhecer Fri, 18 Aug 2023 21:35:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63396 A Casa Verônica, órgão vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da UFSM, que aborda o uso do nome social na instituição. Seu objetivo é dar visibilidade ao direito e incentivar a cultura de respeito na universidade. Nesse sentido, a equipe da casa criou um site para a campanha, onde – além das peças gráficas criadas para ela – constam instruções sobre como travestis e transexuais podem solicitar o uso do nome social na instituição, direito que é garantido pela resolução Nº 010/2015, desde que a pessoa seja maior de idade. No caso de menores de 18 anos, é necessária a autorização dos pais ou responsáveis. De acordo com o site, “a solicitação de inclusão ou de retirada do nome social por estudantes da UFSM deverá ser feita mediante requerimento a ser protocolado no Departamento de Arquivo Geral da UFSM e destinado à Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) ou à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), conforme a matrícula do acadêmico”. As peças gráficas disponíveis no site são estampadas por estudantes da universidade que utilizam o nome social. Na página, constam ainda links de acesso a outras legislações e normativas relacionadas ao tema.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/08/10/casa-veronica-apresenta-atividades-pela-igualdade-de-genero-e-enfrentamento-a-violencia-na-ufsm Thu, 10 Aug 2023 19:01:01 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63293 A solenidade reuniu representantes de unidades da UFSM e de outras instituições e entidades[/caption] A vice-reitora da UFSM, Martha Adaime, enfatizou o papel da Casa Verônica como centro articulador e de referência para o desenvolvimento de ações sobre gênero e enfrentamento às violências na UFSM. Para a gestora, é fundamental o fortalecimento das ações e dos serviços que são desenvolvidos pelo espaço, especialmente nas campanhas educativas sobre a temática. Martha finalizou reforçando o compromisso da universidade para se tornar uma instituição mais igualitária e atenta às demandas da comunidade acadêmica. A Casa Verônica UFSM foi criada por meio da Política de Igualdade de Gênero da instituição, aprovada em 2021. Sua atuação é pautada pelo atendimento às pessoas em situação de violência de gênero e na promoção da igualdade nos campi da UFSM. Em 2023, com apoio de uma emenda parlamentar, a casa passou a contar com uma equipe multiprofissional para o desenvolvimento de suas ações. O evento contou com a presença da equipe da casa, gestores da UFSM, equipe da Pró-Reitoria de Extensão e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, do Centro de Referência da Mulher, da Delegacia do Idoso e Combate à Intolerância e de representantes do poder Legislativo municipal e federal, além da comunidade acadêmica da UFSM. Serviços – Atualmente, a Casa Verônica UFSM é composta por profissionais da psicologia, da administração, do direito, da assistência social e da comunicação, todas com atuações vinculadas às pautas de gênero e identidade, promoção da igualdade e assistência aos casos de violência. O espaço é o centro de referência na temática dentro da universidade, desenvolvendo ações de prevenção, enfrentamento, educação e mobilização nas temáticas de gênero. Todas as estudantes, docentes, servidoras técnico-administrativas em educação e terceirizadas podem acessar gratuitamente os serviços da casa. Para a comunidade acadêmica da UFSM Santa Maria, os atendimentos são realizados de forma presencial. Já para a comunidade dos campi de Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul, os atendimentos acontecem de forma on-line. Para saber mais e solicitar atendimento, basta acessar o site 55bet-pro.com/casaveronica. Atividades: Acolhimento psicossocial – Acolhimento realizado por profissionais da psicologia e do direito ou da assistência social para pessoas em situação de violência de gênero ou questões relacionadas à temática; Grupos – Grupos terapêuticos, temáticos e de apoio para o acolhimento e convivência da comunidade acadêmica relacionados às temáticas específicas da Casa; Orientação Jurídica Orientação sobre questões institucionais e orientações legais para vítimas de violência de gênero ou questões relacionadas à temática; Acompanhamento aos órgãos judiciais e de segurança – Serviço destinado às vítimas de violências nos campi da UFSM que buscam atendimentos e suporte junto aos órgãos externos à instituição; Atividades de suporte aos centros e unidades Orientações e apoio às pró-reitorias, unidades e centros sobre temas relativos às pautas de gênero e suas diversas complexidades; Atividades formativas – Realização de cursos, palestras e outras ações formativas para a conscientização e educação sobre temas relacionados às áreas de atuação da Casa Verônica; Rodas de conversas Promoção de atividades coletivas com estudantes e servidores/as para o compartilhamento de informações sobre temas relativos às pautas de gênero e suas diversas complexidades; Comunicação Promoção de campanhas comunicacionais sobre assuntos relacionados à Casa Verônica e suporte à produção de conteúdos midiáticos sobre as pautas de interesse. Texto e fotos: Assessoria de Comunicação da Casa Verônica]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/06/12/gabinete-do-reitor-e-casa-veronica-realizam-seminario-sobre-questoes-de-genero Mon, 12 Jun 2023 21:54:44 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=62492 Diferenças entre gênero e sexualidade foram abordadas durante o seminário[/caption] Na manhã desta segunda-feira (12), foi realizado o Seminário da Gestão com o tema “Questões de gênero no contexto universitário”. O encontro aconteceu no Salão Imembuí (2º andar da reitoria) e foi promovido pelo Gabinete do Reitor UFSM. A ação contou com a participação de integrantes da Casa Verônica UFSM: Gabriela Quartiero (psicóloga), Fernanda Alves (psicóloga), Bruna Denkin (administradora) e Elizandra Tatsch (advogada), além do estudante de Artes Visuais Bernardo Guterres. Durante o seminário, foram apresentados os eixos de atuação da Casa Verônica UFSM, além de seus serviços e da sua equipe; as medidas institucionais de apoio à comunidade LGBTQIAPN+; e os conceitos básicos sobre a comunidade, tais como o significado da sigla e as diferenças entre gênero e sexualidade. Para a psicóloga da Casa Verônica UFSM Fernanda Alves, ações como essa são importantes para desconstruir a ideia de que temas como gênero e sexualidade são secundários dentro da universidade, demonstrando que a temática está presente em todos os lugares e nos discursos ouvidos. “É muito importante que os gestores consigam identificar as diferenças, além de fazer esse exercício de se retirarem de um lugar de detentores do saber e perceberem que existem realidades distintas”, diz a psicóloga. Texto e foto: Assessoria de Comunicação da Casa Verônica]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/06/06/casa-veronica-cadastra-interessados-em-expor-produtos-na-feira-lgbtqiapn Tue, 06 Jun 2023 21:27:23 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=62457 Em alusão ao Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado no dia 28 de junho, o projeto Viva o 55BET Pro e a Casa Verônica UFSM divulgaram nesta terça-feira (6) o cadastro para estudantes e servidores LGBTQIAPN+ interessados em expor e comercializar seus produtos durante a edição especial do Viva o 55BET Pro do Orgulho. Serão aceitos para a Feira LGBTQIAPN+ produtos artesanais, artísticos ou culturais, bem como projetos vinculados à UFSM que abordem a temática. Em virtude das restrições estabelecidas pelas normas sanitárias, não serão aceitas inscrições para exposição e comercialização de gêneros alimentícios. O cadastro para a feira é destinado exclusivamente a pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queers, intersexuais, assexuais, pansexuais e não binárias. O evento está previsto para acontecer no dia 25 de junho, das 14h às 18h, no Largo do Planetário. O formulário de inscrição pode ser acessado aqui. Mais informações podem ser obtidas com a Casa Verônica UFSM, pelo e-mail casaveronica.pre@55bet-pro.com ou pelo WhatsApp (55) 9.9159-8978.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/05/10/pos-em-comunicacao-da-ufsm-convida-para-palestra-sobre-genero-feminismos-e-midiatizacao Wed, 10 May 2023 19:45:13 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=62165 aqui.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/05/04/ccsh-recebe-exposicao-que-promove-a-visibilidade-de-pessoas-trans Thu, 04 May 2023 21:09:21 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=62076 A exposição fotográfica itinerante apresenta imagens de lideranças, militantes e figuras importantes da comunidade trans[/caption] Na tarde de terça-feira (2), iniciou-se a Exposição Visitrans, no hall do prédio 74C do campus sede. A exposição fotográfica itinerante apresenta imagens de lideranças, militantes e figuras importantes da comunidade trans e tem como objetivo celebrar a diversidade, dar visibilidade e construir espaços para reflexão e sensibilização sobre as pautas LGBTfobia e transfobia. O projeto é uma iniciativa do Diretório Acadêmico Quilombo dos Palmares, junto do Coletivo Heleniras, Presente. Um dos banners homenageia Verônica Oliveira. Conhecida como Mãe Loira, ela foi uma ativista trans santa-mariense que mantinha uma casa de acolhimento para pessoas da comunidade LGBTQIA+. Foi assassinada em 2019, vítima da LGBTfobia. A Casa Verônica, vinculada ao Observatório de Direitos Humanos (ODH) e à Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da UFSM, é uma homenagem a Mãe Loira e sua memória na comunidade. É um espaço de acolhimento às pessoas em situação de violência de gênero da UFSM. Nela são desenvolvidas atividades educativas, atendimento psicossocial e orientação jurídica. A exposição encerra-se nesta sexta-feira (5) com uma roda de conversa sobre o tema “O seu feminismo incluí mulheres trans?”, que começa às 16h30min no auditório do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH), localizado no 2º andar do prédio 74C. A atividade será conduzida por Gabiela Quartiero, do Coletivo Voe, e por representantes da Casa Verônica. Com informações e foto da Subdivisão de Comunicação do CCSH]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/04/11/abertas-as-inscricoes-para-o-2o-festival-internacional-lgbtqia-de-volei Tue, 11 Apr 2023 12:46:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=61797 Como se inscrever – A inscrição no evento é por equipe e custa R$ 350,00. O pagamento da taxa poderá ser feito via Pix ou transferência bancária (os dados constam no cronograma). Após o pagamento, a equipe deve enviar, por Whatsapp para o número +55 55 9 9113-3023, o comprovante do depósito e aguardar a comprovação de recebimento da comissão organizadora. As informações para pagamento estão disponíveis abaixo: Titular da conta corrente: J. Avila Eventos Banco: Itaú Agência: 0330 Conta corrente: 22.942 8 Chave Pix: (CNPJ) 18.258.435 0001 04 Premiação – Serão premiadas as três equipes mais bem colocadas no festival, as quais receberão medalhas e troféus. Também será condecorado o atleta MVP (Most Valuable Player), ou seja, aquele jogador que mais se destacar durante os jogos. Atendendo a sugestão de Tiffany Abreu, madrinha do 2º Festival Internacional LGBTQIA+ de Vôlei, a equipe mais animada na arquibancada também será premiada. Outras informações constam no regulamento do festival, que conta com o apoio da UFSM, Associação Voleibol Futuro e Prefeitura de Santa Maria.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/agencia-da-hora/2022/06/28/junho-mes-da-invisibilidade-lgbt-em-frederico-westphalen Tue, 28 Jun 2022 15:40:41 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/agencia-da-hora/?p=669

Em junho, celebra-se ao redor do mundo o Mês do Orgulho LGBTQIA+, movimento iniciado em 28 de junho de 1969, nos Estados Unidos, após uma série de protestos que uniu a comunidade LGBT a fim de denunciar a violência policial direcionada a essa população. Muito tempo se passou desde o fim da década de 1960, direitos foram conquistados e avanços culturais foram concretizados. Contudo, o preconceito persiste e faz de Frederico Westphalen uma cidade hostil aos membros desses grupos que aqui vivem.

Uma pesquisa feita pela Agência da Hora mostrou que as políticas públicas e campanhas que promovem o combate à homofobia precisam melhorar urgentemente na cidade: dos 70 moradores ouvidos, 88,6% afirmam já terem presenciado ou passado por uma situação de LGBTfobia, e 61,4% não se sente confortável em praticar atividades de lazer junto aos seus parceiros em público na região.

[caption id="attachment_670" align="aligncenter" width="527"] Foto: Léo Pinheiro / Fotos Públicas[/caption]

“Acredito que para tornar Frederico mais inclusivo, a população poderia começar a aceitar a pluralidade de pessoas que a UFSM trouxe. E de como essa pluralidade beneficiou a cidade. Poderiam criar mais ambientes em que pessoas LGBTQIA+ pudessem compartilhar seus afetos, sem julgamento ou olhares repreensivos. A maioria dos locais na cidade são pensados para pessoas hétero”, relata uma das entrevistadas.

A pluralidade proporcionada pela migração de estudantes da UFSM/FW não é representada nas propagandas de empresas locais ou postagens nas redes sociais oficiais do governo da cidade, o que dá continuidade a um pensamento conservador que está enraizado na população frederiquense.

 

Texto: Ana Alice Viana e Thayssa Kruger
Revisão: Luciana Carvalho

 

 

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Verônica Oliveira, conhecida como Mãe Loira, tinha 40 anos quando foi assassinada a facadas no centro de Santa Maria na madrugada de 12 de janeiro de 2019. Morta devido à LGBTfobia, Verônica tinha uma casa de acolhimento para pessoas da comunidade LGBTQIA+ que eram também vítimas de preconceito em suas casas. Tendo em vista tantas lutas importantes travadas por Mãe Loira, nesta segunda-feira (27) o Observatório de Direitos Humanos (ODH), da Pró-Reitoria de Extensão (PRE), apresentou um novo espaço que leva o seu nome: a Casa Verônica, situada na sala 204, nos fundos da Biblioteca Central da UFSM. A apresentação contou com a presença da vice-reitora, Martha Adaime, e representantes das comunidades acadêmica e externa.

O espaço multiprofissional é um serviço criado pela Política de Igualdade de Gênero da Universidade. Sancionada em novembro de 2021, conforme a Resolução UFSM N. 064, a política busca promover a igualdade de gênero na UFSM por meio de mecanismos institucionais. Por meio dela foi instaurado o Comitê de Igualdade de Gênero, composto por docentes, técnico-administrativos educacionais, discentes e comunidade externa, como representantes de movimentos sociais da cidade.

A professora do Centro de Educação (CE) Márcia Paixão comenta que uma das ações do comitê é o monitoramento de projetos já existentes sobre o assunto produzidos no campus e a integração destes, assim como também, agora, a articulação nas atividades da Casa Verônica. "Temos muitas iniciativas acontecendo aqui no campus e precisamos deste espaço para juntar tudo isso e fazer com que, de fato, a promoção da igualdade e a justiça de gênero possam acontecer", afirma.

A servidora técnico-administrativa Bruna Denkin, encarregada da administração da Casa Verônica e da implantação da Política de Gênero, conta que os serviços serão voltados aos três eixos do Programa de Política de Igualdade de Gênero: educação, responsabilização e assistência. “Na parte de educação temos por objetivo desenvolver ações de divulgação de educação em relação às questões de gênero, como, por exemplo, rodas de conversa e palestras. Na parte de responsabilização, a ideia é trabalharmos articulados com os setores apropriados da Universidade para pensar como proceder em casos de violência de gênero. E a parte de assistência, que é a principal atividade da Casa, há de ser composta por uma equipe multiprofissional, onde serão contratados advogada, psicóloga e assistente social para dar apoio, orientação jurídica e psicossocial para pessoas em situação de violência de gênero”, complementa. 

As responsáveis trabalham agora visando à implementação dos serviços na Casa Verônica. Bruna relata que o prazo de entrega para o funcionamento do espaço é de no máximo dois meses. A equipe está em contato com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) para a contratação de profissionais das áreas de Direito, Psicologia e Assistência Social. Os interessados podem entrar em contato para cadastro na Fundação, necessitando ser uma pessoa jurídica. 

Memorial para Verônica e roda de conversa

A denominação do novo espaço multiprofissional da UFSM foi escolhida pela comunidade. Foram recebidos mais de 1.500 votos, sendo 40% para Verônica. Agora o Observatório de Direitos Humanos está com uma campanha para resgate da trajetória e manutenção da memória de Verônica. A ideia é produzir um memorial com fotos com ela junto a pessoas que fizeram parte da sua caminhada. As imagens podem ser encaminhadas pelo e-mail casaveronica.pre@55bet-pro.com

Após a apresentação da Casa Verônica, ocorreu uma roda de conversa sobre gênero e a memória de Verônica, com pessoas influentes da luta feminista, no Espaço de Convivência da Biblioteca Central. Através dos links é possível conferir a roda de conversa e a apresentação da Casa realizadas nesta segunda-feira. 

Texto: Letícia Klusener, acadêmica de Jornalismo, voluntária da Agência de Notícias
Fotos: Ana Alicia Flores, acadêmica de Desenho Industrial, bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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No dia 28/06, terça-feira, o Hall do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) será palco de diversas atividades que fazem parte da programação especial em comemoração ao Mês da Diversidade, no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. 

O evento DIVERSIFICAUNI tem por organizadores o PET Educação Física, em parceria com o Laboratório de Improvisação e Coreografia- LICOR, Grupo LGBTCHÊ é o Grupo GEDCG.

Entre as atividades previstas, haverá apresentação de dança, apresentação artística com Valdemir Oliveira, Exposição de arte e Roda de conversa sobre o Mês da Diversidade. E importantes nomes convidados a palestrar:

Coordenadora Cassiana Marques – Coordenadoria da Saúde e Qualidade de Vida do Servidor da UFSM;
Prof. Dr. Gustavo Duarte – Comitê de Gênero da UFSM e Coordenador do LGBTCHÊ;
Prof. Ms. Valdemir Oliveira (UEA/AM);
Profa. Dra. Martha Adaime – Vice Reitora da UFSM;
Renata Quartiero – Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero OAB/Santa Maria.
Profa. Dra. Angelita Jaeger – Coordenadora do Grupo de Estudos em Diversidade, Corpo e Gênero.

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Conferência ministrada por Rita Von Hunty, drag queen, influenciadora digital e professora, marca ativismo institucional na Justiça Federal do Rio Grande Sul em apoio à causa LGBTQIA+

Patrick Costa Meneghetti

Santa Maria

Elegantemente vestida, inspirada no visual de uma professora de ciências humanas da década de 70, usando uma blusa marrom, turbante na cabeça e brincos de pérola da mesma cor, em tom de sobriedade, sentada na sala da sua casa, como se estivesse apresentando uma de suas tradicionais lives. Assim, Rita Von Hunty, ou Dona Rita, como prefere ser chamada, iniciou a Conferência “Diversidade de Gênero, Visibilidade LGBTQIA+”, promovida pelo Grupo de Trabalho em Direitos Humanos, Equidade de Gênero, Raça e Diversidades, da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, em homenagem ao Dia do Orgulho LGBTQIA+, que é celebrado anualmente em 28 de junho.

Rita Von Hunty é a persona drag queen de Guilherme Terreri, ator formado pela UNIRIO e professor de língua e literatura inglesa formado pela USP. Hoje atua no cinema e no teatro, apresenta um programa de TV, Drag Me As A Queen, e possui um canal no Youtube com mais de 800 mil inscritos, Tempero Drag, além de ministrar cursos e formações que discutem, através dos Estudos de Cultura, temas centrais da vida em sociedade.

Quando abriu o microfone, Rita primeiro questionou, surpreendendo os presentes, já que em palestras e conferências organizadas pela Justiça Federal para os seus servidores, eles primeiro escutam e, somente ao final, tomam a palavra. Com um tom moderado de voz, ela perguntou: Por que não existe mês do orgulho hetero? O que significa gênero e sexualidade? Desde quando, por que e para que se faz esse debate? Existem pessoas heterossexuais e cisgêneros na sigla? A professora Rita, então, trabalhou o tema “Diversidade de Gênero, Visibilidade LGBTQIA+” através das respostas dadas pelo público, que pôde abrir o microfone para falar diretamente com ela, numa espécie de sala de aula invertida.

Ao explicar o significado da sigla LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Queer, Interssexuais e Assexuais), Rita destacou a importância de reconhecer essa luta e se colocar como Aliada ou Aliado neste processo, atribuindo outros significados para a letra A da sigla. Ou Aliades, utilizando a linguagem politicamente correta, que tem como objetivo descrever expressões, políticas ou ações que evitam excluir ou marginalizar grupos que são vistos como desfavorecidos ou discriminados, especialmente grupos definidos por gênero, orientação sexual ou cor.

A servidora e também membro-fundadora do GT em Direitos Humanos da Justiça Federal do RS, Magali Dantas, fez a abertura da Conferência afirmando que “a visibilidade e a luta pela garantia dos direitos humanos das pessoas levando em consideração sua diversidade de gênero e de orientação sexual, apesar de ser um princípio constitucional, não é óbvio. Necessita de debate e movimento constante contra o preconceito, a discriminação, a exclusão e as violências físicas, psicológicas e simbólicas que são cotidianas”.

Para Magali Dantas, a presença de Rita Von Hunty em uma instituição conservadora como é a Justiça Federal do Rio Grande do Sul representa uma importante ação do GT, configurando o que ela chama de ativismo institucional, já que o próprio Grupo foi criado a partir da iniciativa dos servidores. A servidora enfatiza que o conservadorismo da Justiça Federal é comprovado com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo os quais a maioria dos membros do Poder Judiciário brasileiro são homens, brancos, heterossexuais e católicos. A informação apresentada por Magali faz parte de um levantamento feito pelo CNJ em 2018 com base na resposta de 11,3 mil juízes, o que corresponde a 62% dos magistrados. 

A aprovação pela Direção da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul para que Rita Von Hunty fosse convidada como Conferencista ocorreu após pedido do GT em Direitos Humanos, devidamente justificado, incluindo embasamento teórico sobre a importância da visibilidade LGBTQIA+. “O processo foi muito bem fundamentado, trazendo literatura de direitos humanos, inclusive a literatura utilizada no Poder Judiciário”, afirma Magali.

O advogado Paulo Iotti, considerado um dos LGBTQIA+ mais influentes do Brasil por sua atuação, em 2019, no Supremo Tribunal Federal (STF) para a  equiparação da homofobia ao crime de racismo, afirma que o Tribunal tem sido excelente na proteção das minorias. Segundo ele, que é também doutor em direito constitucional, em relação à tutela de direitos do grupo LGBTQIA+, é preciso reconhecer que significativa parte das conquistas alcançadas se concretizou por meio de decisões paradigmáticas do Supremo Tribunal Federal. 

No entanto, Paulo chama a atenção de que é preciso ir além de palestras e conferências, embora reconhecendo a contribuição delas para a visibilidade e respeito à comunidade LGBTQIA+. O advogado destaca a importância de ações práticas no dia da Justiça Federal e cita como um exemplo de ação concreta a inclusão no cadastro funcional dos servidores de um campo que reconheça as diferentes identidades de gênero, não se limitando ao sexo masculino ou feminino.

Para Dona Rita, os avanços em relação aos direitos da comunidade LGBTQIA+ se devem à intervenção do Poder Judiciário, já que  o Poder Legislativo sequer levantou o debate. Agradecida e, segundo ela, honrada por estar conversando com integrantes do Poder Judiciário, o Poder da República mais importante para os avanços envolvendo a causa LGBTQIA+, Rita Von Hunty acredita no papel das instituições e da educação. “É necessário fazer pontes entre educação e lei”, finalizou ela. 

A escolha do mês de junho para a celebração e reflexão sobre a temática LGBTQIA+ faz referência à revolta de Stonewall, ocorrida em Nova York, no dia 28 de junho de 1969, quando um grupo enfrentou a frequente violência policial sofrida por homossexuais. Desde 1970, todo mês de junho é dedicado a celebrar o que a comunidade já conquistou e reivindicar o muito ainda a conquistar. E é também um período de promoção de ações afirmativas para esclarecer as pessoas sobre a diversidade de orientações sexuais e identidades de gênero.

Repórter: Patrick Costa Meneghetti

Imagens: XXXXX (se for o caso)

Edição digital e publicação: Emily Calderaro (monitora)

Professor responsável: Reges Schwaab

* Trabalho experimental desenvolvido na disciplina de Reportagem em Jornalismo Impresso em 2021/1, período em que trabalhamos de modo remoto em razão da pandemia do novo coronavírus.

Contato: meiomundo@55bet-pro.com

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Imagem colorida horizontal mostra um print de tela de computador com um slide apresentado durante a atividade, onde se lê em branco sobre fundo vermelho "saúde mental", e ao lado, sobre fundo branco, algumas dicas, como atividade física, tempo e qualidade de sono e lazer
A atenção à saúde mental foi um dos tópicos abordados pela psicóloga

No dia 03/02, a Coordenadoria de Ações Educacionais (CAEd) da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFSM, por meio da Subdivisão de Apoio à Aprendizagem, promoveu a roda de conversa “O retorno às atividades acadêmicas presenciais: expectativas e ansiedades”, via Google Meet, com a psicóloga Bianca Zanchi Machado. O evento foi aberto a estudantes, servidores da UFSM e comunidade externa por meio de inscrições, que se esgotaram rapidamente.

A necessidade surgiu das demandas percebidas nos atendimentos psicológicos dos estudantes na CAEd. Com formação em Psicologia, especialização em Educação e Direitos Humanos e mestrado e doutorado em andamento pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSM, Bianca conhece a realidade dos estudantes universitários desde 2017, quando começou a atuar como bolsista de pós-graduação no atendimento psicológico da CAEd, o que atualmente é realizado de forma online. 

Em sua fala na roda de conversa, ela ponderou sobre os dois lados dos quase dois anos de aulas remotas. Por uma perspectiva, há a parte negativa, com os alunos que não conheceram seus professores e colegas, sem terem experienciado o campus também. Por outra, há a parte positiva, com aqueles que moram longe de Santa Maria, em outra cidade ou até em outro estado, e puderam estudar sem estar presente na cidade e, assim, sem gastos financeiros. 

Durante a conversa, alguns alunos manifestaram suas expectativas pela volta às aulas, enquanto outra manifestou sua insegurança em retornar devido à Covid-19. Diante disso, a psicóloga recomendou o respeito às opiniões divergentes de cada um, para não permitir que elas separem as pessoas.

Sair do casulo

A psicóloga contou que, no início da pandemia, quando as pessoas precisaram se isolar, houve o sentimento de frustração, pelos planos interrompidos, e o sentimento de ansiedade, pela incerteza do futuro. Agora, é o mesmo sentimento, mas direcionado ao exterior. Em relação aos estudantes que perderam tempo de convívio social durante esse tempo, Bianca acredita que eles estão momentaneamente frustrados, mas não permanentemente.

“É bem compreensível que se sintam assim. Mas acredito que ninguém saiu ileso, sem perdas, desta pandemia, e ainda há tempo para conhecer e curtir esse período tão importante da vida”, diz. Ela acrescenta que, mesmo bem depois do esperado, os universitários poderão viver suas próprias experiências, como conhecer as bibliotecas, os professores e colegas, dentre outras. Segundo ela, isso não deixa de ser uma oportunidade. Além do mais, os alunos irão se reconhecer entre si nesse sentimento de frustração e, assim, conseguirão ressignificá-lo com seus grupos de colegas ou, caso entendam necessário, poderão recorrer à assistência psicológica estudantil.

Quanto à questão da substituição de experiências, isto é, se a casa substituiu a universidade por inteiro na vida do estudante, Bianca acha que os processos apenas foram adaptados. “O acadêmico aprendeu junto dos seus professores a se relacionar, a se comunicar e a se desenvolver através do ensino remoto. Ainda que nem todos os alunos tenham se adaptado totalmente, não vejo com apenas perdas.”

Ela exemplifica com seu trabalho cotidiano de atendimentos psicológicos, onde observou que boa parte das atividades (disciplinas, projetos, pesquisas e até a extensão) foram reinventadas e possibilitadas como experiência formativa. “Penso que foi possível descobrir e se desenvolver em muitos aspectos – atendo-se ao fato de que nem todos tiveram as mesmas condições dentro deste contexto”, complementa.

Rotina para ter rotina

Na roda de conversa, Bianca deixou claro no que os estudantes precisam se ater para estarem bem mentalmente, já que, durante a pandemia, pessoas que já tinham tendência a desencadearem transtornos o fizeram. Primeiro, é necessário ter uma rotina organizada, de acordo com a realidade de cada um e o quanto se sente confortável desenvolvendo tantas tarefas por dia. Segundo a psicóloga, ao visualizar seus afazeres, o aluno sabe quais são suas prioridades e irá focar nelas. No entanto, ele deve respeitar seus limites e deixar um tempo livre para descanso.

Outra situação citada por Bianca é na hora da rematrícula do semestre, quando recomenda-se a não sobrecarga de disciplinas, porque existem outras atividades que demandam tempo do universitário.

Bianca enumera recomendações para a saúde mental: a qualidade do sono, pois quantidade de tempo para dormir não é sinônimo de qualidade; a atividade física, quando o estudante pode escolher uma modalidade de esporte ou ginástica de sua preferência; e o lazer. Para tudo isso acontecer, a psicóloga reafirmou o poder da rotina. Ter uma rotina organizada pode auxiliar na criação de bons hábitos, na potencialização do desempenho acadêmico/profissional, no aumento da produtividade, em manter o foco nas prioridades e também na diminuição dos níveis de ansiedade e estresse.

Exposição às mídias

Outro ponto levantado é a exposição às mídias, o contato excessivo das pessoas com celular e computador. Segundo Bianca, isso se torna nocivo quando há o bombardeamento de notícias e notificações, difíceis de serem absorvidas de uma só vez por uma só pessoa. Com isso, há quem desenvolveu receio ao ouvir áudios de Whatsapp, por exemplo, por medo de escutar algo negativo. Mesmo nesse cenário, foram as próprias mídias que possibilitaram o funcionamento de atividades durante o isolamento, é o que aproximou os distantes. Por isso, entende como é difícil desligar-se delas. “Nossa vida gira em torno disso”, acrescentou. De sugestão, Bianca pediu que haja o distanciamento desses aparelhos em alguns momentos, como antes de dormir. 

Durante o bate-papo com os alunos, um deles lembrou da falta de etiqueta digital de alguns colegas, professores, dentre outros. Isto é, quando enviam demandas em finais de semana ou em horários impróprios, o que gera ansiedade em quem recebe. Como solução, a psicóloga recomendou, se há a possibilidade, programar uma mensagem automática que alerte o remetente que ele só receberá sua resposta em outro momento.

A psicóloga também sugeriu a criação de um email exclusivamente para fins de trabalho e para ser acessado só no computador. Assim, a pessoa não será importunada facilmente com notificações. A seguir, outra aluna concordou e contribuiu ao debate afirmando que o maior problema das atividades remotas se dá por não haver um “fim de expediente” e as pessoas emendarem o trabalho até altas horas, já que ele é feito em casa e não em um lugar separado. Com isso, Bianca acredita que quando as aulas presenciais voltarem o cenário mudará, o envolvimento com as atividades e as relações com os colegas e amigos irá ocupar boa parte do tempo e a atenção dos estudantes.

Ansiedade não deve ser vilã

No decorrer da conversa, Bianca explicou aos alunos sobre a ansiedade, a qual possui um lado positivo, porque previne as pessoas de coisas inesperadas, tornando-as atentas e prontas para reagir caso precisem. Normalmente, ela surge em situações diferentes do cotidiano. Quando ela é um transtorno, é porque surge em situações corriqueiras demais, sem necessidade, e, portanto, impede o indivíduo de fazer coisas normais. Segundo a psicóloga, essa constatação não inclui especificidades, como pessoas com fobia social.

No caso da volta às aulas presenciais, estar ansioso é esperado. Para amenizar os níveis de ansiedade, ela indica: planejar este retorno; conversar com os colegas; fortalecer os laços; buscar apoio dos professores e dos serviços disponíveis na UFSM; dentre outros. Já para aqueles com atividades estritamente remotas e com pouco convívio social, ela aconselha iniciar por conta própria e desempenhar pequenas atividades na rua, como ir ao mercado ou à casa de algum amigo.

Serviços oferecidos pela CAEd

A CAEd/UFSM oferece atendimento psicológico para estudantes. Para saber se uma consulta se faz urgente, Bianca elencou fatores alarmantes, como a falta de disposição contínua, quando se perde a vontade de fazer algo que se gosta; a irritabilidade, quando coisas simples causam irritação, ofende-se por qualquer motivo; a negatividade, quando há muitos pensamentos no estilo “isso vai dar errado” ou “não está bom o suficiente”; a ansiedade, citada anteriormente, e a angústia, quando há um sentimento ruim, o qual não faz bem à pessoa e às suas relações. A psicóloga afirmou que o atendimento não resolve sozinho o problema do paciente, ele precisa ter comprometimento, disponibilidade e desejo em sua melhora.

Os atendimentos da CAEd são diversos, podendo ser individuais e grupais. Os grupos são divididos em formandos e graduandos em geral, envolvendo rodas de conversa sobre saúde mental, acessibilidade para pessoas com deficiência e ações afirmativas para grupos étnicos, LGBTQIA+ e em vulnerabilidade socioeconômica. Há também acompanhamento psicopedagógico, que não é voltado apenas para quem tem alguma dificuldade no aprendizado, mas também avalia a rotina e a organização, além de auxiliar na criação de hábitos. “Às vezes temos dificuldades e organizamos uma rotina que não funciona e aqui é explicado o porquê”, explica. Outra categoria de atendimento são as monitorias de apoio de estudos, as quais também são oferecidas em alguns cursos de graduação.

Na CAEd há grupos tira-dúvidas das disciplinas de física, química, português e matemática. A psicóloga recomenda esses serviços, pois imagina que no retorno ao presencial muitas dificuldades podem aparecer aos alunos, inclusive defasagens no aprendizado, oriundas do Ensino Médio.

Para inscrições e mais informações, pode-se procurar o site da CAEd e sua página no Facebook. Também há os emails caed@55bet-pro.com e suportepsicologicocaedufsm@gmail.com

Respeito e empatia no retorno

Em sua mensagem final, a psicóloga afirmou que será necessário fortalecer o exercício do respeito e da empatia neste retorno. Com consideração ao espaço do outro e consciência do impacto que a atitude de um indivíduo tem na vida de todos. “Precisa-se respeitar as opiniões diversas sobre esse contexto, divergir sem ofender – sempre lembrando que a Universidade é espaço de conhecimento, de pensamento crítico e é onde devemos aprender e perpetuar a capacidade de refletir sobre nosso contexto de vida”, conclui.

Texto: Gabrielle Pillon, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias da UFSM
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

Fonte: 55bet-pro.com

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/pronome-neutro-inclusao Fri, 12 Nov 2021 17:55:06 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8748 O uso do termo “amigue” em uma postagem na página do Facebook da Universidade Federal de Santa Maria gerou uma série de comentários ofensivos à instituição. A publicação sobre o Dia do Amigo, em julho deste ano, trouxe o chamado pronome neutro como uma forma de incluir pessoas que não se identificam com gêneros binários - feminino e masculino. Apesar da falta de consenso, principalmente por parte daqueles que não respeitam a comunidade LGBTQIA+, a linguagem neutra é tema de pesquisas acadêmicas. 

Os pronomes são marcas linguísticas de indicação de gênero para outros elementos da linguagem, como substantivos ou adjetivos. Essas palavras são classificadas de acordo com o gênero que indicam, seja feminino ou masculino. “Pronomes neutros são categorias gramaticais. Quando tratamos do tema da marca de gêneros não binários na linguagem, estamos, antes de tudo, tratando de uma questão relativa à linguagem inclusiva”, explica a professora Eliana Rosa Sturza, do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFSM. 

A professora salienta que o uso dos pronomes neutros para se referir a sujeitos, lugares e objetos é uma das formas gramaticais para a aceitação do outro e de seu gênero. Os termos neutros são normalmente utilizados para se referir a seres ou coisas neutras em gênero ou que não se integram nos gêneros binários. Na prática, trata-se da adição de uma terceira letra - além do “a” e “o” - como vogal temática. 

Por exemplo, quando alguém se identifica com o gênero feminino, podemos nos referir a esta como “ela” ou “dela”. Quando é masculino temos “ele ou “dele”. E quando uma pessoa não se identifica com os padrões de gênero, ou seja, é não-binária, podemos usar os pronomes “elu” ou “delu”. 

Além dos pronomes, os substantivos e os adjetivos também podem ter a vogal temática substituída. Ao falarmos de uma pessoa trans, por exemplo, em vez de falarmos “amiga” ou “amigo”, podemos usar “amigue”. No lugar de “bonita” ou “bonito”, pode-se adotar o adjetivo neutro “bonite”.

Liberdade de escolha

A utilização de termos neutros vai além da teoria: a  polêmica se dá devido às mudanças que o seu uso causa na língua portuguesa. Porém, a linguagem inclusiva está diretamente vinculada ao respeito e à diversidade. “A importância do uso da linguagem neutra e da adequação de gênero responde a um movimento político de inclusão, que ocorre conforme a sociedade incorpora novas formas no uso da língua”, ressalta a professora Eliana. Essa inclusão também permite que pessoas não-binárias tenham a liberdade de escolher aquele pronome que as deixa confortável. 

Abel Rodrigues, acadêmico do curso de Serviço Social da UFSM, é uma pessoa não-binária, mas opta pelo uso dos pronomes masculinos. “Eu acredito que isso é muito individual, uma questão de conforto. Cada pessoa se sente melhor com determinados pronomes. Para mim, são os masculinos. O uso de pronomes neutros é muito importante para a inclusão de pessoas não-binárias na sociedade, tendo em vista que, ao contrário da ilusão das pessoas, elas existem”, comenta.

Inclusão e diversidade na academia

Debates como o da inclusão pela língua portuguesa através do uso de pronomes, substantivos e adjetivos neutros não se mantêm apenas no âmbito social e político, mas também se tornam objeto de estudo e aplicação na academia. A professora Eliana Rosa Sturza é uma das entusiastas da inclusão da linguagem neutra na UFSM. “A universidade historicamente e, por princípio, se coloca na vanguarda, está atenta ao que ocorre ao seu redor e absorve daí suas grandes questões, suas posições frente aos temas que estão no centro do debate. Não seria e não deve ser diferente em relação à linguagem inclusiva”. A professora salienta que, na UFSM, já existe uma série de políticas que acolhem as demandas necessárias para promover o respeito à diversidade, como a resolução da Política de Igualdade de Gênero, aprovada em 13 de outubro deste ano, e a resolução que assegura o uso do nome social por pessoas trans, de  junho de 2015. Para ela, a linguagem inclusiva é mais uma destas políticas .

Eliana orientou o Trabalho de Conclusão de Curso em Letras de Camilla Cruz sobre uso da linguagem inclusiva no ambiente acadêmico. A professora já questionou textos de documentos como regimentos, regulamentos e formulários da UFSM. Mais da metade do corpo docente da universidade é de mulheres, mas a instituição ainda não utiliza o gênero feminino quando se refere, por exemplo, a um cargo de gestão exercido por uma mulher. Isso ocorre porque ainda se adota uma regra gramatical de referir o cargo, e não a pessoa que o ocupa. “Como coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Letras me causava espanto ver que nas capas das versões de teses para entrega na biblioteca, muitas vezes, o título de uma mulher vinha destacado como doutor e não doutora”, relata Eliana. A flexibilização do uso dos pronomes - feminino, masculino ou neutro - se dá como uma forma não apenas de inclusão, mas de empoderamento e de respeito para com a identidade de cada pessoa.

Apesar das polêmicas em torno do uso da terceira vogal temática, é importante lembrar que qualquer idioma é dinâmico e sofre alterações em função do uso. A língua portuguesa falada no Brasil é diferente da de Portugal. A escrita também passou por mudanças. Basta lembrar que não escrevemos mais “farmácia” com “ph” e que “aterrizagem” com “z”, que já foi erro de grafia, é considerada tão correta quanto “aterrissagem”. O idioma também tem convenções, como o Novo Acordo Ortográfico, que unificou a escrita em oito países que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.  

Trata-se muito mais do que o uso do pronome neutro, mas sim da adaptação de toda a língua para que inclua pessoas de gêneros binários e não-binários. Para Eliana, o uso da linguagem inclusiva é uma posição política que tem ligação com o respeito às diversidades. “A adequação de gênero responde a um movimento político de inclusão. A importância do seu uso vai ocorrer conforme  a comunidade vai incorporando as formas no uso da língua, e quem faz essa incorporação/inclusão são os falantes da língua”.

Expediente

Reportagem: Alice Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária

Ilustração: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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A comunidade LGBTQIA+ luta diariamente por respeito e espaço. Apesar do aumento de eleitos autodeclarados lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, a comunidade ainda é minoria nas câmaras.

As conquistas da comunidade são reflexos dos anos de luta e resistência da população LGBTQIA+. Foto: Sharon McCutcheon / Pixabay.

As eleições de 2020 entraram para a história pela diversidade e representatividade nas câmaras municipais do Brasil. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponíveis em boletins da Aliança Nacional LGBTI+, 48 candidatos LGBTQIA+ foram eleitos e 93 eleitos para suplência, além de 16 pessoas aliadas à causa eleitas e outras 42 para suplência, somando um total de 450.854 votos para LGBTQIA+ eleitos.

Desses, o grande destaque foi para os candidatos e candidatas trans, cujo número de eleitos aumentou 275%, somando 30 vereadores e vereadoras, segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Além do crescimento da presença nas câmaras, os candidatos também conquistaram grandes marcas, como é o caso da professora Duda Salabert (PDT). A primeira vereadora transexual eleita de Belo Horizonte (MG), também fez história com o maior número de votos na história da Câmara Municipal.  

Apesar dessas conquistas, a comunidade LGBTQIA+ ainda precisa lutar diariamente para alcançar o respeito e o espaço necessários, inclusive na política. Giovani Culau Oliveira, cientista social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), presidente da União da Juventude Socialista no Rio Grande do Sul e, agora, vereador da cidade de Porto Alegre pelo Movimento Coletivo (PCdoB), esclarece que a principal luta é para garantir que o povo possa se enxergar na política e nos espaços de tomada de decisão, por isso a ocupação na Câmara de Vereadores, bem como a primeira bancada negra eleita, mostram os avanços dessa luta na cidade de Porto Alegre.

[caption id="attachment_429" align="aligncenter" width="960"] Giovani Culau se tornou o vereador mais jovem de Porto Alegre. Foto: @airtonsilvaj / Facebook Giovani Culau.[/caption]

No Brasil, a violência contra a população LGBTQIA+ é alarmante. Segundo relatório feito pelo Grupo Gay da Bahia disponível na UOL, em 2019 foram 329 mortes violentas de pessoas LGBT vítimas da LGBTfobia, sendo 297 homicídios (90,3%) e 32 suicídios (9,7%). Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outros institutos, baseada nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS) que levou em conta notificações entre 2015 e 2017, mostrou que que a cada hora um LGBT é agredido no Brasil.

O grupo da comunidade mais violentado é o das pessoas transgêneros. O boletim do primeiro semestre de 2021 feito pela ANTRA mostra que 89 pessoas trans foram mortas nesse período. Destes, foram regitrados 80 assassinatos e 9 suicídios, e relatadas 33 tentativas de assassinatos e 27 violações de direitos humanos.

O documento da ANTRA ainda relata que “qualquer pesquisa simples em um mecanismo de busca na internet, denuncia o quanto a violência direcionada a pessoas trans segue presente no cotidiano dessas pessoas. Assustadoramente, observamos o mesmo cenário em que, 8 entre cada 10 notícias com as palavras ‘travesti’ ou ‘mulher trans’ na aba notícia nos principais mecanismos de busca, encontramos resultados de notícias relacionadas a violência e/ou violações de direitos humanos”. Além disso, o boletim também apresenta recomendações que devem ser incorporadas judicialmente para o enfrentamento da transfobia e para a segurança das pessoas trans.

Confira o boletim do primeiro semestre de 2021 realizado pela ANTRA.

Sabe-se que, mesmo que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, conhecida como homofobia ou LGBTfobia, tenha passado a ser considerada crime pelo Supremo Tribunal Federal em junho de 2019, ainda vemos casos homofóbicos todos os dias, inclusive no âmbito político. O vereador Giovani Culau relata que, no dia do Orgulho LGBTQIA+, a bancada sofreu ataques LGBTfóbicos dentro da Câmara. Os ataques, feitos por outra vereadora, mostram que a presença da comunidade nesses espaços incomoda, e revelam a importância da luta para criar políticas públicas para avançar na busca por igualdade.

Outro caso recente foi o vídeo homofóbico de Clésio Salvaro (PSDB), prefeito de Criciúma - Santa Catarina, que exonerou um professor da Rede Pública de Ensino o acusando de ter utilizado conteúdo inapropriado em sala de aula. Além da demissão do professor de Artes, o prefeito ainda publicou um vídeo com falas preconceituosas e declarando que “não tolera viadagem”. Segundo o portal ND Mais, a comunidade LGBTQIA+ de Criciúma, juntamente com a vereadora Giovana Mondardo (PCdoB), organizou uma parada LGBTQIA+ no dia 28 de agosto, em apoio ao professor e em protesto às falas homofóbicas do prefeito. O ato reuniu mais de mil pessoas e ainda arrecadou meia tonelada de alimentos.

[caption id="attachment_430" align="aligncenter" width="800"] Além da Parada LGBTQIA+, famosos como os cantores Criolo e Caetano Veloso declararam apoio ao professor e repudiaram as ações do prefeito. Foto: Giovane Marcelino / Reprodução ND Mais.[/caption]

Esse preconceito, que não reconhece a diversidade, a pluralidade do povo e não respeita a existência da comunidade, “nos faz ser um país com altos índices de violência contra a população LGBTQIA+, um país em que a população LGBTQIA+ sofre com evasão escolar, sofre com dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, em especial a população de travestis e transexuais”, esclarece o presidente da UJS Gaúcha.

Todas essas estatísticas confirmam a necessidade de termos cada vez mais políticas públicas voltadas para a segurança e qualidade de vida da população LGBTQIA+. A graduanda de Psicologia na UFSM e de Serviço Social na UNNINTER, militante da União da Juventude Socialista (UJS), Lays Regina Nardes Jost, afirma que é preciso muita coragem para enfrentar toda a violência com a qual se convive no âmbito da política partidária e no exercício de práticas eleitorais. Ela conta que seu ingresso na política partidária, enquanto militante, ocorreu nas eleições de 2018, em função justamente da identificação com a pauta LGBTQIA+. “Acredito que isso foi um marco divisor na minha vida, foi nesse início de militância que eu também tive coragem de ‘vestir-me de arco-íris’”, relata Lays.

Para a estudante, é tão difícil conseguir esse espaço pois “vivemos uma democracia não em sua essência, e sim controlada pela estrutura capitalista, patriarcal e heteronormativa”. Jost explica que não é interessante para a estrutura que LGBTs ocupem cadeiras de poder e prestígio político, porque assim o discurso questionador de resistência também terá espaço.

O vereador Giovani Culau reforça que precisamos construir um conjunto de mudanças importantes nas regras eleitorais, para que não só a população LGBTQIA+, mas também mulheres, negros e as demais minorias consigam ocupar mais a política e dar voz ao povo. Além disso, necessitamos de uma educação emancipadora, “que construa cidadãos e uma sociedade que respeitem as mulheres, os LGBTQIA+, os negros e negras e os povos indígenas. Não podemos aceitar uma sociedade intolerante, violenta, preconceituosa, e pra isso a educação tem um papel estratégico e importantíssimo em nossa luta”, finaliza o cientista social.

Lays Jost também conclui, assim como Giovani, que uma mudança só poderá acontecer com uma educação emancipadora, laica e popular, em que todos possam ter conhecimento sobre nossos direitos e deveres enquanto cidadãos e seres humanos. “Eu realmente acredito na mudança, mas também acredito que ela só vai acontecer quando nos dermos conta, de fato, da nossa realidade, do lugar que ocupamos e da realidade do outro de forma empática, reconhecendo os privilégios que temos ou os que não temos e nos questionarmos sobre como e o que podemos fazer hoje e no futuro para que convivemos gentil e serenamente com o outro. Na minha percepção de hoje, penso que esse pode ser um caminho a ser trilhado para que todos consigam falar de forma respeitosa e pra que todos sejam ouvidos atentamente no âmbito político”, finaliza Lays.

Reportagem: Caroline Schneider Lorenzetti

Matéria produzida na disciplina Redação Jornalística II, do curso de Jornalismo do 55BET Pro da UFSM em Frederico Westphalen, no 1º semestre de 2021, ministrada pela Professora Luciana Carvalho.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/esporte-alem-das-quatro-linhas Fri, 13 Aug 2021 15:18:10 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8624 O ano de 2021 entrará para a história do esporte não só pela realização da Eurocopa e das Olimpíadas, adiadas em 2020 devido à pandemia, mas também por questões e bandeiras levadas por atletas que vão muito além das fronteiras de suas modalidades e de seus países. As edições de ambas competições refletem o aumento da diversidade. A Eurocopa, disputa entre seleções europeias que ocorre a cada quatro anos, já havia atingido um marco histórico na sua penúltima edição, em 2016. A final entre Portugal e França contou com mais jogadores de origem africana do que europeia. Dos 22 jogadores que iniciaram a partida, 12 eram negros. Ao somar os reservas, o número sobe para 15 dos 28 atletas que participaram da partida. Éder, nascido em Guiné-Bissau, saiu do banco de reservas para entrar para a história com seu gol, marcado durante a prorrogação, que rendeu à seleção portuguesa o primeiro título. Nesta edição do campeonato europeu, 15% eram imigrantes ou filhos de imigrantes, o que tornou este torneio o mais diverso até então. Outro fator que marcou a 16ª edição da Eurocopa foi o aumento do protagonismo de jogadores negros nas principais seleções. Dos cinco times campeões do Velho Continente da Copa do Mundo, três tinham atletas negros com a camisa 10. Kylian Mbappé (França), Raheem Sterling (Inglaterra) e Leroy Sané (Alemanha) usaram o número reservado ao principal jogador do time. A final de 2021 do Mundial não bateu o recorde da edição anterior, mesmo assim foi multicultural. Pela seleção inglesa, cinco jogadores negros, entre titulares e reserva, participaram da partida. A campeã Itália, por sua vez, tinha em seu elenco três jogadores nascidos no Brasil. Rafael Tolói, Emerson Palmieri e, principalmente, Jorginho foram peças importantes da campanha que rendeu o bicampeonato para a Squadra Azzurra. Os Jogos Olímpicos de Tóquio trouxeram mais do que aquilo que o público espera do evento mais importante do esporte, como os melhores atletas e histórias que serão lembradas por gerações. O maior legado não foram as estreias bem sucedidas do surf e do skate, mas sim a maior diversidade já vista em uma Olimpíadas. Segundo levantamento do site Out Sports, 183 atletas LGBTQIA+ participaram da última edição das olimpíadas. O número é três vezes maior que o recorde anterior, dos jogos de 2016 no Rio de Janeiro, que contou com  56 atletas. Se fossem uma delegação, os atletas LGBTQIA+, com 11 medalhas de ouro, 12 de prata e 9 de bronze, ficariam em sétimo lugar no quadro de medalhas. Estariam à frente de países como Holanda, Alemanha, França, Itália e Brasil - que fez sua melhor campanha em uma olimpíada, com 7 medalhas de ouro, 6 de prata e 8 de bronze. A edição também foi a que contou com maior participação feminina, que correspondeu a 48,9% do total de atletas. A marca deve ser superada em breve, já que a previsão é que a edição de Paris, em 2024, seja a primeira com representação igualitária entre mulheres e homens.

Política e esporte: juntos e misturados

As manifestações políticas no esporte começaram a se intensificar no ano de 2020, muito por influência do movimento Black Lives Matter (BLM) - que surgiu em 2013, nos Estados Unidos, com o objetivo de combater a supremacia branca, e ganhou destaque com as mobilizações após George Floyd ser assassinado por um policial de Minneapolis, Minnesota. Há quem não goste desses atos por acreditar que “política e esporte não se misturam”. Neste sentido, pode-se citar a regra 50 da Carta Olímpica, que proíbe “qualquer tipo de manifestação ou propaganda política, religiosa ou racial em instalações olímpicas”. Entretanto, por influência do aumento das manifestações políticas nas mais diversas modalidades esportivas, o Comitê Olímpico Internacional (COI) flexibilizou a norma e passou a permitir atos políticos nos ambientes desportivos e antes do início das competições. Por outro lado, as manifestações no pódio - como os punhos erguidos de Tommie Smith e John Carlos em referência aos Panteras Negras nas Olimpíadas de 1968 - seguem proibidas. Rubens Guilherme Santos, estudante de Jornalismo e integrante do Ponta de Lança, portal de notícias focado no esporte, cultura e política no continente africano, destaca a importância de desconstruir a ideia de incompatibilidade entre esporte e política. “O esporte é mais um espaço de interação/disputa social e política da sociedade”, argumenta. A própria história brasileira reforça que a separação entre esporte e política não passa de um mito. Muito antes de os atletas usarem o esporte como espaço de atos políticas em prol da igualdade, políticos já o usavam em manifestações a favor de seus próprios interesses. “As pessoas querem que os esportistas sejam apolíticos, falam que futebol, política e religião não se misturam, mas essa aproximação é histórica. A Era Vargas e a ditadura civil militar, por exemplo, se aproveitaram do esporte para conseguir alavancar os seus objetivos políticos”, explica Taiane Lima, mestranda do Programa de Pós-Graduação em História da UFSM. Mesmo assim, atletas que ousam cruzar a fronteira ou reagir a uma injustiça podem sofrer por isso. Um exemplo trazido por Taiane é o de Taison, jogador do Internacional com passagem de 11 anos pelo Shakhtar Donetsk da Ucrânia. No clássico ucraniano entre Shakhtar e Dínamo de Kiev, parte da torcida adversária proferiu insultos racistas ao atleta, que reagiu e foi expulso. Além da suspensão automática gerada pelo cartão vermelho, a Associação Ucraniana de Futebol puniu Taison com um jogo de suspensão. “Ele foi punido, não as pessoas que praticaram o ato racista”, destaca. Para Taiane, o atleta não deve deixar de se posicionar por medo de críticas ou punições, já que sua influência pode ajudar a chamar a atenção do público para causas importantes. “Esporte e política se misturam sim e essas pessoas têm relevância, elas não são alienadas, elas precisam se posicionar. Sempre terá alguém para criticar, dizer que não pode. Mas outras pessoas irão perceber e olhar com mais atenção para essas pautas", defende.

Unidos até que as derrotas os separem

O estudante Rubens  explica que a maior parte dos atletas que representam as seleções europeias são da segunda ou terceira geração de imigrantes africanos no continente. As dificuldades enfrentadas pelas suas famílias, como ausência de políticas públicas que lhes assegurassem direitos básicos, além da resistência em reconhecer os filhos de imigrantes como cidadãos europeus, tornaram o esporte a única ferramenta possível para ascender socialmente. “O futebol passa a ser um ambiente de inclusão de jovens em busca de superar as adversidades da vida”, observa. O talento desses jogadores que viam no futebol a sua única chance de conseguir uma vida melhor passou a auxiliar os clubes europeus. Não demorou muito para que esses atletas fossem incorporados às seleções. “A diversidade étnica propiciou o ápice de muitas seleções de futebol. O caso mais conhecido é o da França”, afirma Rubens.  No final da década de 1990, surgiu a geração mais vitoriosa da história da seleção francesa até o momento. Pela diversidade étnica de seus jogadores, a equipe ficou conhecida como “black-blanc-beur” (negra, branca e árabe). Em 1998, o time conquistou o título inédito da Copa do Mundo. Dois anos depois, os bleus conquistaram o bicampeonato da Eurocopa. Essa geração foi tão bem sucedida que se tornou propaganda de uma França multicultural. Em 2018, a seleção francesa voltaria a conquistar o mundial, com um time que conseguiu ser mais multiétnico. Dos 23 jogadores convocados, 14 tinham ascendência africana.  A história no esporte também é feita de derrotas. E quando uma seleção multirracial é derrotada, logo surgem aqueles que apontam a diversidade como problema. “A atribuição de fracassos e reveses a atletas negros e negras infelizmente é comum no futebol, espaço que, muitas vezes, serve de descarrego de preconceitos”, afirma Rubens. Nem mesmo a geração francesa de 1998 escapou disso. As campanhas sem título da seleção, somadas à forte polarização presente nos debates sobre migração na Europa, fizeram com que as tensões raciais ressurgissem rapidamente e com força na França.  Talvez o caso mais conhecido pelos brasileiros seja o de Moacyr Barbosa na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil. Dias antes da final contra o Uruguai, o país todo comemorava o título antecipadamente. Na final, a seleção saiu na frente, parecia confirmar o que todos achavam saber. A seleção uruguaia fez o gol de empate, mas o clima ainda era de festa, o resultado dava o título para o Brasil. Porém, aos 34 minutos do segundo tempo,  a seleção uruguaia conseguiu virar o jogo e calar os 200 mil espectadores presentes no estádio do Maracanã, construído especialmente para a competição. O fatídico episódio ficou conhecido como Maracanaço. Barbosa, homem negro, era goleiro da seleção brasileiro e foi eleito como o culpado pela derrota. Ao falar sobre o ostracismo ao qual foi condenado pela derrota, o ex-goleiro disse: “No Brasil, a pena máxima (de prisão) é de 30 anos, mas pago há 40 por um crime que não cometi”. Barbosa carregou esse fardo por quase 50 anos, até sua morte em 2000. No entanto, Barbosa não foi o único a sofrer as consequências do racismo. Após a derrota, criou-se a crença de que pessoas negras não servem para jogarem em posições defensivas. “Há poucos goleiros negros, poucos zagueiros negros, porque, quando se precisa de confiança, parece que o jogador negro ou a jogadora negra não é adequado. Então a gente percebe que esse acontecimento da copa de 1950 impacta até hoje”, pondera Taiane. Até hoje, as derrotas são catalisadoras do racismo. A final da Eurocopa de 2021, que foi decidida nos pênaltis, é um exemplo. Após o final do jogo, torcedores ingleses lotaram as redes sociais de Jadon Sancho, Marcus Rashford e Bukayo Saka com ofensas racistas pelos pênaltis desperdiçados na final. Algumas ofensas diziam para que os jogadores, que ajudaram a levar a seleção inglesa para sua primeira final em 55 anos, fossem embora da Inglaterra e voltassem para a África.

A questão da representatividade

Daiane dos Santos, que, em 2003, tornou-se a primeira atleta brasileira a ser campeã mundial de ginástica e a primeira mulher negra a ganhar uma medalha de ouro na modalidade, viveu um dos momentos mais marcantes das Olimpíadas de Tóquio. Como comentarista de ginástica, ela contou como sofreu com o racismo e a segregação enquanto competia. Outros atletas da seleção se recusaram a usar o mesmo banheiro que ela, por isso havia um banheiro para os atletas brancos e outro para ela. O momento de maior emoção para a ginasta foi quando Rebeca Andrade conquistou a primeira medalha olímpica feminina para o Brasil. A atleta sempre foi fã de Daiane e tinha ela como referência. Ao presenciar a vitória de Rebeca, aos prantos, Daiane lembrou que a primeira medalha de ouro em mundiais do Brasil na ginástica, entre homens e mulheres, foi conquistada por ela, uma mulher negra. Agora, mais uma vez, uma mulher negra levou a primeira medalha brasileira na ginástica olímpica. “Diziam que a gente não podia estar nesses lugares”, recordou. Uma das principais formas de se perceber o racismo é por meio das ausências, entre elas a falta de referência de pessoas negras tanto na mídia quanto no esporte. “A grande questão da representatividade é se olhar nas diversas modalidades do esporte e não se enxergar. Parece que é um esporte apenas para pessoas brancas. Ainda mais quando se é criança e está desenvolvendo esta consciência”, explica Taiane. No entanto, a historiadora adverte que é preciso mais do que referências para que uma pessoa negra possa se tornar medalhista olímpica. É preciso investimento, não apenas nos clubes que formam atletas, mas principalmente em comunidades mais pobres, que concentram a maior parte da população negra. Sem investimento, modalidades elitizadas continuarão praticamente inacessíveis para jovens negros e periféricos. Por mais que alguns consigam contornar as dificuldades, a diversidade nessas modalidades se torna a exceção, não a regra. Rubens acredita que o esporte auxilia no combate de qualquer tipo de preconceito. Mas, para isso, é preciso que a diversidade vá além dos atletas, que, não raro, são vistos apenas como mão de obra para as conquistas desportivas. A diversidade deve se estender aos cargos políticos de entidades esportivas, espaços que pouco mudaram sua demografia ao longo dos anos. “Não é falta de interesse. É falta de oportunidade e discriminação”, conclui Taiane. Expediente Repórter: Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e bolsista Ilustrador: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista Mídia Social: Samara Wobeto e Eloíze Moraes, acadêmicas de Jornalismo e bolsistas Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/10-producoes-cientificas-ufsm-lgbtqia Mon, 28 Jun 2021 14:20:34 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8512 Discriminação, revolta e luta pela liberdade de ser quem é. Junho é considerado o Mês do Orgulho LGBTQIA+ e a história sobre esse simbolismo começa no dia 28 de junho de 1969, considerado o marco inicial pela luta dos direitos civis da comunidade. Esse dia é reconhecido pela Revolta de Stonewall, que aconteceu no bairro East Village de Nova York, Estados Unidos, no bar gay de mesmo nome - Stonewall Inn.

Na época, em um contexto que era crime não ser heterossexual no país, assim como estritamente proibido o uso de roupas que não fossem “apropriadas para o seu gênero” - o que poderia até resultar em prisão -, o bar representava um espaço de liberdade para seus frequentadores. Isso, no entanto, contrastava com a constante opressão policial que cercava o ambiente, marcada por invasões policiais no estabelecimento. Porém, em 28 de junho de 1969, isso seria diferente: ao contrário do costume, os policiais surgiram em um horário de maior movimento, por volta da 1h da madrugada, prendendo diversos clientes e alegando “conduta inapropriada”. Com a grande quantidade de pessoas no local, o transporte dos presos foi atrapalhado, demorando para ser efetuado. Ao mesmo tempo, fora do bar, se formava uma multidão de manifestantes, que só aumentava ao passar das horas.

Após uma tentativa da polícia de escoltar uma mulher para fora, o público reagiu violentamente, o que resultou em um confronto direto entre as autoridades e a comunidade LGBTQIA+. O conflito, que só foi dispersado às 4h da madrugada, não registrou nenhuma morte, porém deixou diversas pessoas feridas. Em 1970, 10 mil pessoas se reuniram para comemorar 1 ano da revolta, o que deu origem às Paradas LGBTQIA+ que acontecem por todo o planeta. Em homenagem à data e levando em consideração a importância da luta contra as desigualdades e da inclusão – inclusive no âmbito acadêmico-, a Revista Arco traz uma lista de produções científicas da UFSM relacionadas ao tema LGBTQIA+. A escolha foi feita a partir das produções mais recentes e considerando diferentes áreas do conhecimento:

1- LGBTCHÊ

Tipo de Produção: Projeto de Extensão

Participantes: Felipe Machado (bolsista); Oneide Alessandro Silva dos Santos (participante); Sergio Pinheiro Cezar (participante); Gustavo de Oliveira Duarte (orientador);

Área: Centro de Educação Física e Desportos

Enfoque: O desenvolvimento de cursos de extensão para professores e alunos da rede pública de Santa Maria (RS) sobre relações de Gênero e Sexualidade na formação básica e profissional. O projeto tem como objetivo diminuir conflitos e combater a violência de gênero sofrida por alunos, muitas vezes relacionada a conceitos da cultura gaúcha - marcada por padrões normativos referentes às definições de feminilidade e masculinidade.

*Resumo editado a partir do texto dos autores.

2- Design Gráfico de Cartazes: Momentos históricos da cultura LGBTQIA+ 

Tipo de Produção: Trabalho de Conclusão de Curso

Participantes: Douglas Mastella dal Forno (autor); Volnei Antônio Matté (orientador);

Área: Centro de Artes e Letras – Curso de Desenho Industrial

Enfoque: O desenvolvimento e apresentação de cartazes que promovem a história, as conquistas e as lutas das minorias LGBTQIA+. Para isso, a aplicação de conceitos do design gráfico e princípios teóricos da comunicação visual, composição visual e seus elementos subjetivos, estruturais e gráficos.

*Resumo editado a partir do texto dos autores.

3- "Será que realmente existe isso?”: Reflexões acerca da bissexualidade e da pansexualidade femininas

Tipo de Produção: Trabalho de Conclusão de Curso

Participantes: Danieli Klidzio (autora); Monalisa Dias de Siqueira (orientadora);

Área: Centro de Ciências Sociais e Humanas – Curso de Licenciatura em Ciências Sociais

Enfoque: A reflexão sobre a bissexualidade e a pansexualidade femininas, considerando as suas especificidades enquanto orientações sexuais também reivindicadas como identidades. Trabalho feito a partir de entrevistas individuais com mulheres jovens residentes em Santa Maria (RS) e familiarizadas com o contexto universitário; além da realização de um grupo focal. O objetivo era tensionar alguns estereótipos relacionados a essas identidades, contextualizando e analisando criticamente a perspectiva acerca delas e considerando concepções históricas da sexualidade.

*Resumo editado a partir do texto dos autores.

4- Violência pós-morte contra travestis de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil 

Tipo de Produção: Artigo Científico

Participantes: Martha Helena Teixeira de Souza; Richard Miskolci; Marcos Claudio Signorelli; Fernando de Figueiredo Balieiro; Pedro Paulo Gomes Pereira;

Área: Centro de Ciências da Saúde

Enfoque: A descrição e análise de violências vivenciadas por travestis, inclusive após a morte. É um estudo baseado em metodologia qualitativa por meio de uma pesquisa etnográfica, sendo desenvolvida entre 2019 e 2020 – e foi decorrente do assassinato de cinco travestis na cidade de Santa Maria (RS). Outro objetivo é compreender esse tipo de violência que se manifesta no pós-morte e que busca apagar a história e os rastros da existência travesti.

*Resumo editado a partir do texto dos autores.

5- Estratégias de coping na população transgênero brasileira: relações com saúde mental plena

Tipo de Produção: Projeto de Pesquisa

Participantes: Luiza Pereira Rodrigues (autora e participante); Anelise Schaurich dos Santos (co-autora); Naiana Dapieve Patias (orientadora);

Área: Centro de Ciências Sociais e Humanas – Departamento de Psicologia

Enfoque: A identificação das principais violências vivenciadas pela população transgênero brasileira, das suas formas de enfrentamento (coping), e da relação desses elementos com a saúde mental plena dessa comunidade. Os dados serão coletados via internet e serão referentes a indivíduos transgêneros maiores de idade e integrantes de grupos na rede social Facebook voltados à temática trans.  

*Resumo editado a partir do texto dos autores.

6- A (in)visibilidade de famílias homoafetivas durante atendimentos nos serviços de saúde 

Tipo de Produção: Dissertação de Mestrado

Participantes: Marielle Kulakowski Obem (autora); Nara Marilene Oliveira Girardon-Perlini (orientadora);

Área: Centro de Ciências da Saúde – Programa de Pós-graduação em Enfermagem

Enfoque: Investigar a percepção de famílias homoafetivas sobre o atendimento recebido em serviços de saúde. O estudo foi de abordagem qualitativa, contando com a participação de nove famílias residentes em cidades do interior do Rio Grande do Sul. O referencial foi a partir do interacionismo simbólico, que estuda a compreensão da ação humana a partir de interações sociais. É levantada a reflexão acerca da invisibilidade dessas famílias, no título como (in)visibilidade, na medida que essas famílias são vistas pelos profissionais da saúde, mas não reconhecidas por eles como tal.  

*Resumo editado a partir do texto dos autores.

7- Velcro Seguro: o guia de saúde sexual para mulheres lésbicas e bissexuais com vulva

Tipo de Produção: Trabalho de Conclusão de Curso

Participantes: Nicolle Christine Sartor (autora); Juliana Petermann (orientadora);

Área: Centro de Ciências Sociais e Humanas - Curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda

Enfoque: O desenvolvimento de um material informacional sobre a saúde sexual de mulheres lésbicas e bissexuais com vulva. Eram abordados aspectos como transmissão e prevenção de IST, métodos de sexo seguro, exames preventivos e anatomia da vulva. Após a produção, houve a análise da resposta do público-alvo a partir de entrevistas com mulheres lésbicas e bissexuais.

*Resumo editado a partir do texto dos autores.

8- O amor que não ousa dizer o nome: o discurso de ódio LGBT+Fóbico e a criminalização da homotransfobia pelo Supremo Tribunal Federal

Tipo de Produção: Trabalho de Conclusão de Curso

Participantes: Pablo Domingues de Mello (autor); Rosane Leal da Silva (orientadora); Marília de Nardin Budó (coorientadora);

Área: Centro de Ciências Sociais e Humanas – Curso de Direito

Enfoque: A observação sobre de que forma o discurso de ministros e ministras no julgamento da criminalização da homotransfobia (2018) contribuiu para a reprodução do discurso legitimador do Sistema Penal e, consequentemente, para a reprodução e manutenção da violência contra a comunidade LGBT+. Isso foi feito a partir de uma análise de discurso, refletindo sobre outras questões como a invisibilidade de vítimas em situações de violência.

*Resumo editado a partir do texto dos autores.

9- O ethos midiatizado de Marco Feliciano: uma análise da formação institucional de discursos sobre o controle do ethos privado

Tipo de produção: Dissertação de Mestrado

Participantes: Marina Martinuzzi Castilho (autora); Aline Roes Dalmolin (orientadora);

Área: Centro de Ciências Sociais e Humanas – Programa de pós-graduação em Comunicação

Enfoque: A investigação sobre a influência do pastor e deputado federal Marco Feliciano em acionar discursos de controle sobre conduta privadas, principalmente acerca da sexualidade humana. Isso foi feito a partir da análise de suas manifestações em mídias sociais - com um olhar específico para o canal no Youtube e para o uso, na época, da hashtag #ANossaFamíliaMereceRespeito. Por fim, a análise de discurso e reflexões sobre a midiatização como elemento estruturante em eventos modernos, discursivos e culturais. 

*Resumo editado a partir do texto dos autores.

10- Não é uma realidade de todo mundo: acesso ao SUS por pessoas trans do município de Santa Maria a partir da normativa 2.803/2013

Tipo de produção: Trabalho de Conclusão de Curso

Participantes: Daniel da Silva Stack (autor); Mari Cleise Sandalowski (orientadora);

Área: Centro de Ciências Sociais e Humanas – Curso de Licenciatura em Ciências Sociais

Enfoque: A investigação sobre como a população trans no município de Santa Maria utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS) para a transição de gênero – garantida gratuitamente pelo sistema mediante o Código Internacional de Doenças (CID). Além disso, a identificação de quais parâmetros sociais facilitam o acesso ao tratamento hormonal pelo SUS, pela rede privada e na auto-hormonização. Foi uma pesquisa qualitativa feita através de entrevistas.

*Resumo editado a partir do texto dos autores. 

Expediente

Repórter: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Ilustrador: Filipe Duarte, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/06/26/dia-do-orgulho-lgbtqia-conheca-iniciativas-de-acolhimento-da-ufsm Fri, 26 Jun 2020 13:04:12 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=52664

No dia 28 de junho é comemorado no mundo inteiro o Dia do Orgulho LGBTQIA+. A data foi criada em referência à Rebelião de Stonewall, que aconteceu nesse mesmo dia em 1969, nos Estados Unidos, e foi um marco para a comunidade gay, que durante três dias enfrentou a polícia em defesa do movimento. Desde então, várias mobilizações ocorrem em todo o mundo como forma de celebrar a data e também para conscientizar a população sobre o combate ao preconceito. 

A UFSM conta com diversas iniciativas de acolhimento da comunidade LGBTQIA+ no ambiente acadêmico. Conheça algumas delas:

Grupo de Vivências LGBTQIA+

O Grupo de Vivências LGBTQIA+ é um projeto de extensão que existe desde agosto de 2016. Coordenado pela professora Cláudia Kessler, conta com a participação da psicóloga Fernanda de Oliveira Alves. Funciona com encontros semanais, todas às quartas, às 17h30, na Satie-Prae, em cima do Restaurante Universitário. Desde o início da pandemia, as atividades presenciais do grupo estão suspensas. A reunião semanal foi substituída apenas um grupo no Whatsapp para trocar informações.

O Grupo de Vivências LGBTQIA+ foi uma iniciativa que surgiu a partir de uma experiência que a professora Cláudia teve na Universidade de Amherst, na época que foi realizar sua pesquisa de doutorado. Lá existia um projeto semelhante, e isso deu a ideia de criar um espaço seguro para conversar sobre essa temática no ambiente universitário. 

Segundo Cláudia, o projeto demonstra que o espaço educacional pode ser inclusivo. É um local onde todo mundo se beneficia em ter um ambiente saudável, em que todas as pessoas se sintam acolhidas e pertencentes. Segundo ela, as questões de gênero têm sofrido ataques a partir de uma categoria acusatória denominada "ideologia de gênero", a qual busca suprimir a diferença e impor uma única maneira de ser, viver e estar no mundo. “Falar sobre gênero e sexualidade é algo fundamental, pois faz parte do nosso dia a dia e nos afeta em diversos momentos (pensemos, por exemplo, nos modelos masculinidades e feminilidades que nos são impostos socialmente). A educação (não apenas em nível universitário) deve se adaptar aos novos tempos e dar mais atenção a pessoas que têm sido excluídas. Não me refiro apenas à comunidade LGBTIA+, mas também às pessoas com deficiências e todas as demais que não de adequam a normas sociais”, comenta.

A psicóloga Fernanda de Oliveira Alves realiza o acompanhamento dos encontros, e conta que tem uma questão bem pessoal com os temas que envolvem gênero e sexualidade dentro da prática da psicologia. De acordo com ela, falta aprofundamento e conhecimento de alguns profissionais para lidar com essas questões, seja no âmbito clínico ou educacional. A troca de experiências no grupo é aberta e diversa, o que torna tudo mais interessante.

“Descobrimos formas de enfrentamento que se fortalecem no coletivo, os participantes conseguem observar no outro algo que estão a caminho de compreender em si. Eu aprendo muito com o pessoal do grupo e prezo bastante pela liberdade da palavra. Meu papel é escutar, receber, mostrar como várias possibilidades existem para eles/elas. Esse movimento do grupo faz com que as pessoas passem a se movimentar na vida, na forma que agem e se identificam”, acrescenta Fernanda.

Nome social

Em julho de 2015 foi divulgada a resolução que garante o uso do nome social por travestis e transexuais na UFSM. O nome social é uma questão muito importante, é o modo como a pessoa se identifica, diferente do nome oficialmente registrado, que não reflete sua identidade de gênero. Pode ser utilizado em cadastro de dados e informações de uso social; comunicações internas; endereço eletrônico; crachá; lista de ramais e nome de usuários em sistemas de informática. Para solicitar a inclusão ou retirada do nome social, servidores e alunos devem protocolar um requerimento no Departamento de Arquivo Geral da UFSM. Menores de 18 anos devem apresentar uma autorização, por escritos, dos responsáveis legais.

Coletivo Voe

Ligado ao Observatório de Direitos Humanos (ODH) da Pró-Reitoria de Extensão (PRE), o Coletivo Voe é formado por estudantes, pesquisadores e ativistas que, reunidos em prol da defesa da diversidade sexual e de gênero, promovem espaços de formação sobre gênero, corpo e sexualidades. 

Relatos de vivências em vídeos

Em 2019, para marcar o Dia do Orgulho LGBTQIA+, foi lançado um material em parceria do Projeto Diversidade, TV 55BET Pro e Estúdio 21. O material compartilha uma série de vídeos que relata as vivências de pessoas de diversas identificações de gênero e orientações sexuais. Essa série de vídeos, disponível no YouTube, compartilha o conhecimento de sete pessoas, abordando diversos assuntos do cotidiano, como mercado de trabalho, nome social, autoidentificação, descoberta/aceitação, movimento LGBT+ na cidade, padrão de beleza, preconceito e religião. O principal objetivo do projeto é impulsionar a visibilidade das diferentes experiências (lésbicas, gays, bissexuais e transgênero) por meio do trabalho audiovisual.

Texto: Vitória Faria Parise, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista da Agência de Notícias

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O Grupo de Vivências LGBTQIA+, projeto de extensão coordenado pela professora Cláudia Kessler, terá recomeço no dia 18 de março. O encontro inicia às 17h30, no Setor de Atenção Integral ao Estudante (Satie) da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), que fica acima do Restaurante Universitário, no campus sede.

O projeto é aberto para pessoas de toda a comunidade de Santa Maria e da região, principalmente para aquelas que não têm alguém para conversar sobre a temática LGBTQIA+. A psicóloga Fernanda de Oliveira Alves realiza o acompanhamento dos encontros.

Não é necessário agendar a participação. Os encontros são realizados todas as semanas, nas quartas-feiras. Para estudantes, pode ser fornecido certificado de participação para ACGs. 

Mais informações na página do grupo no Facebook.

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O colegiado do Curso de Especialização em Estudos de Gênero da Universidade Federal de Santa Maria manifesta pesar e repúdio diante do assassinato de Verônica Oliveira na madrugada do 12 de dezembro de 2019. Verônica era uma referência na militância LGBTQIA+ na cidade de Santa Maria, além de administrar um alojamento para mulheres trans na mesma cidade, oferecendo acolhimento a uma população cujas vidas são marcadas pela resistência diária à transfobia. O brutal assassinato de Verônica ocorreu em seguida dos assassinatos de Carolline Dias e de Nemer da Silva Rodrigues, ambos perpetrados barbaramente no dia 07 de setembro deste mesmo ano. Esses tristes e recorrentes acontecimentos refletem a trágica realidade que posiciona o Brasil, segundo dados da ONG Internacional Transgender Europe, como o país onde mais ocorrem assassinatos de travestis e transexuais no mundo.  Os assassinatos de Verônica, Carolline e Nemer no mesmo semestre não são fortuitos, revelam a realidade do transfeminicídio, a dizimação da população trans como resultado direto da transfobia. Em tempos nos quais o discurso de ódio está autorizado e reproduzido em posicionamentos públicos irresponsáveis em nosso país, faz-se necessário o envolvimento direto das autoridades em todas as iniciativas necessárias à promoção dos direitos humanos, ao respeito à diversidade e ao combate implacável à violência de gênero, em todas as suas formas. Exigimos resposta urgente dos poderes públicos em nível federal, estadual e, em especial, um envolvimento urgente do poder público municipal para responder à violência transfóbica na cidade e evitar que outros casos de transfeminicídio ocorram.

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