UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Mon, 30 Mar 2026 21:18:32 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/cursos/graduacao/santa-maria/ciencias-economicas/2023/08/08/divulgacao-exame-de-proficiencia-celpe-bras Tue, 08 Aug 2023 13:01:05 +0000 http://www.55bet-pro.com/cursos/graduacao/santa-maria/ciencias-economicas/?p=2114

A Comissão Organizadora do Exame Celpe-Bras  (Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa), na UFSM, informa que as inscrições para a segunda edição de 2023 do exame deverão ser realizadas de 07 a 18 de agosto, na página http://celpebras.inep.gov.br/celpebras/. A prova será aplicada no período de 24 a 26 de outubro de 2023. O valor da taxa de inscrição é de R$ 200,00, e o pagamento deve ser realizado através de GRU, impreterivelmente até o dia 21 de agosto de 2023. O comprovante de pagamento da taxa de inscrição deve ser enviado, de forma digitalizada, para o email  celpebrasufsm@gmail.com , impreterivelmente, até o dia 21 de agosto de 2023. O candidato que não realizar o pagamento da inscrição e não entregar os documentos exigidos dentro dos referidos prazos, não terá sua inscrição homologada e, portanto, não poderá realizar o exame.

Celpe-Bras - Exame para obtenção do Certificado de proficiência em língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras) é aplicado em 127 postos no Brasil e no exterior. Seu objetivo é permitir a comprovação oficial da proficiência em Língua Portuguesa. O Inep é responsável pela aplicação do Exame, com apoio do Ministério da Educação e em parceria com o Ministério das Relações Exteriores. O Exame é realizado nos Postos Aplicadores credenciados, geralmente instituições de educação Superior, representações diplomáticas, missões consulares,centros e institutos culturais brasileiros e estrangeiros, e outras instituições interessadas na promoção e na difusão da língua Portuguesa.

Mais informações através do email celpebrasufsm@gmail.com

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A Comissão Organizadora do Exame Celpe-Bras  (Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa), na UFSM, informa que as inscrições para a segunda edição de 2023 do exame deverão ser realizadas de 07 a 18 de agosto, na página http://celpebras.inep.gov.br/celpebras/. A prova será aplicada no período de 24 a 26 de outubro de 2023. O valor da taxa de inscrição é de R$ 200,00, e o pagamento deve ser realizado através de GRU, impreterivelmente até o dia 21 de agosto de 2023. O comprovante de pagamento da taxa de inscrição deve ser enviado, de forma digitalizada, para o email  celpebrasufsm@gmail.com , impreterivelmente, até o dia 21 de agosto de 2023. O candidato que não realizar o pagamento da inscrição e não entregar os documentos exigidos dentro dos referidos prazos, não terá sua inscrição homologada e, portanto, não poderá realizar o exame.

Celpe-Bras - Exame para obtenção do Certificado de proficiência em língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras) é aplicado em 127 postos no Brasil e no exterior. Seu objetivo é permitir a comprovação oficial da proficiência em Língua Portuguesa. O Inep é responsável pela aplicação do Exame, com apoio do Ministério da Educação e em parceria com o Ministério das Relações Exteriores. O Exame é realizado nos Postos Aplicadores credenciados, geralmente instituições de educação Superior, representações diplomáticas, missões consulares,centros e institutos culturais brasileiros e estrangeiros, e outras instituições interessadas na promoção e na difusão da língua Portuguesa.

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No dia 01/12/2022 ocorreu mais uma sessão do II Ciclo de Debates em Linguística Sistêmico-Funcional, promovido pelo Grupo SAL (Sistêmica, Ambientes e Linguagens) em parceria com o Laboratório de Língua Portuguesa (LabPort – UFSM).

As professoras doutoras Gláucia Cristina Maia Réga Serra (Universidade de Brasília) e Ana Paula Carvalho Schmidt (UFSM) apresentaram os resultados de suas teses, intituladas, respectivamente, “A nominalização em artigos de opinião sob o olhar da Linguística Sistêmico-Funcional” e “O Brasil imaginado por candidatos à  presidência: uma abordagem sistêmico-funcional do discurso eleitoral”. A mediação esteve a cargo da Prof.ª Dr.ª Edna Cristina Muniz da Silva, da Universidade de Brasília.

A sessão de ontem encerrou o evento de 2022. A primeira foi realizada no dia 20 de novembro deste ano e contou com a participação de mais quatro pesquisadoras do Grupo SAL. Para o ano de 2023, novos eventos estão sendo programados.


As duas sessões podem ser visualizadas abaixo:



Texto: divulgação

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Se você circula pelos espaços da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) já deve ter ouvido esses diferentes modos de falar que se diferenciam no ritmo, entonação, ênfase e até no uso das palavras. São os sotaques presentes na Universidade, fenômeno fonético em que determinados indivíduos pronunciam palavras de forma particular

A UFSM é um espaço diverso. A professora do  Departamento de Letras Clássicas e Linguística, Célia Della Méa, destaca que uma das formas de perceber essa multiplicidade geográfica existente nela é por meio dos sotaques dos acadêmicos. “Eu penso que a sala de aula é um laboratório de fonética, porque nunca temos uma turma que seja só daqui [de Santa Maria]”, afirma a docente.

A variação linguística, área de estudo da sociolinguística, explica como diferentes culturas dão origem a diferentes formas de expressão da língua. A alteração pode ser: 

  • Diatópica: quando está associada aos aspectos geográficos;
  • Diastrática: ligada ao grupo social do indivíduo falante;
  • Diacrônica: relacionada aos fatores históricos; 
  • Diafásica: associada ao contexto comunicativo, como situações formais e informais. 

Assim, o sotaque é uma das formas de perceber a variação linguística por meio do som, mas ela também pode ser identificada na construção de frases e no significado de palavras e expressões utilizadas na comunicação. 

A UFSM é uma universidade, que, só na graduação, tem cerca de 20.900 estudantes. Destes, 16.870 são de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. São, portanto, mais de 4 mil alunos que saem de suas regiões e estados de origem para estudar em Santa Maria. De acordo com o portal ‘UFSM em Números’, depois do Rio Grande do Sul, São Paulo é o estado que mais tem representação (944 estudantes). Depois, vêm os estados de Santa Catarina (399), Paraná (290), Rio de Janeiro (264), Minas Gerais (217) e Bahia (101). Todos os estados brasileiros estão representados no espaço da UFSM.  Além disso, a nacionalidade dos estudantes estrangeiros da graduação contempla 20 países.

Perceber o sotaque

Para quem chega a Santa Maria para estudar, o sotaque dos outros é um dos primeiros choques culturais. João Pedro Sousa percebeu essa diferença ao chegar na rodoviária de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Calouro de Jornalismo na UFSM, João Pedro é natural de Marabá, cidade que fica no interior do Pará. Ele estranhou a pronúncia do ‘r’ quando uma vendedora perguntou sobre o troco. “Chegando em Santa Maria, eu não percebi o meu sotaque. Eu percebi o sotaque de vocês, a forma que vocês falam e que é bem diferente da que eu conhecia”, relembra João Pedro. 

Essa percepção foi parecida para Anna Claudya da Silva, estudante de Produção Editorial e natural de Barueri, em São Paulo. “Quando eu vim para cá, percebi a diferença de sotaques, mas não do meu sotaque”, comenta Anna Claudya. A estudante conta que colegas e amigos que atentaram que o sotaque e as expressões linguísticas dela são diferentes. “Só fui perceber essa diferença quando cheguei aqui”.

A professora Célia aponta que a diversidade de sotaques existente em nosso país também é resultado do contato entre línguas locais e estrangeiras que aconteceram ao longo da história e que impactaram de formas distintas nas cinco regiões do Brasil. “A língua também é um componente de identidade das pessoas. O sotaque é uma forma de identidade e todo esse conjunto de variedades que nós temos se marca na língua. As pessoas manifestam a diversidade através da língua”, ressalta. 

Emily Aguiar, que está no quinto semestre de Engenharia Florestal, veio para Santa Maria em 2020. Mas, por conta da pandemia, voltou para sua cidade natal, em São Luís, no Maranhão. Foi neste ano que, ao retornar à UFSM, percebeu as diferenças na fala. “Falaram que meu sotaque é gostoso de ouvir, e eu acho divertido, porque gosto de conhecer pessoas novas e lugares novos”, afirma Emily. 

João Pedro lembra que percebeu o próprio sotaque só após a entrada na universidade: “As pessoas comentam que eu tenho um sotaque muito forte, muito presente, mas antes eu não percebia isso, acho que pelo fato de estar com as pessoas que eu convivi e que falam da mesma forma. Isso não era uma pauta”, explica.

Estranhamentos da linguagem

Expressões linguísticas também são diferenças encontradas nas regiões do país. Lagartear, bergamota, rótula, sinaleira e pão cacetinho são termos característicos usados no Rio Grande do Sul. Emily relata que o conceito de ‘lagartear’ é algo que ela começa a entender agora, e que ainda estranha outras expressões. “Não tem quem faça eu falar cacetinho. Eu vou na padaria e falo ‘quero quatro pães desse aqui’, e aponto para o que eu quero, que no caso é o pão francês”, conta. Outro episódio que marcou a estudante foi a primeira vez que o cardápio do Restaurante Universitário teve ‘tatu ao molho’ como opção proteica. “Eu fiquei: ‘como assim estão servindo tatu?’, porque na minha cabeça era tatu de verdade e não o corte que chamam de tatu”, recorda. 

Para Felipe Borges, estudante de Engenharia Aeroespacial e natural de Caldas Novas, em Goiás, apesar de encontrar expressões diferentes, elas não se tornaram barreiras de comunicação, já que muitas vezes o contexto permitia o entendimento. Uma palavra, em específico, foi mais difícil de compreender: “As pessoas falaram bastante de rótula, e eu pensei que era a papelaria, mas na verdade as pessoas chamam a rotatória de rótula, e eu levei um tempo para descobrir isso”, conta. A referência é a um local que fica no Bairro Camobi, em que fica localizada a UFSM, e que leva a expressão no nome por ficar próxima a uma rótula.

Mudanças e adaptações


Pierre Jácome Nascimento (23) encontrou dificuldades para entender o sotaque e o modo de falar do estado gaúcho. O estudante de Artes Visuais veio de Araçatuba, no interior de São Paulo, em 2019. “Mas depois de um tempo [o sotaque] começou a ficar do meu cotidiano e acabei me acostumando, tive até dificuldades em falar algumas coisas quando voltei para lá [Araçatuba] por causa da pandemia”, comenta.

A professora Célia explica que é comum haver a adaptação ao modo de falar a partir da convivência com sotaques diferentes. “Como nós nascemos e estamos em um determinado meio, a gente acaba adotando aquele meio. Não por imitação e sim por questões culturais, e os sotaques estão ali, essas variações linguísticas estão ali”, destaca. De acordo com ela, a adaptação também pode ocorrer de forma planejada com o treinamento do aparelho fonador por meio de trabalhos com fonoaudiólogo, algo muito utilizado em novelas em que atores precisam representar formas de falar particulares de determinado personagem.

Para quem já está há um tempo em Santa Maria, percebe diferenças no modo de falar, seja na incorporação das expressões comuns do local, seja na incorporação de elementos do sotaque. Régis Diniz é estudante de Direito na UFSM e está em Santa Maria desde 2016, quando decidiu se mudar de São Paulo. Apesar de entender que seu modo de falar ainda carrega características da capital paulista, percebe que seu sotaque já mudou. “Acontece, realmente, essa incorporação da forma de falar, do jeito de se expressar, e também a utilização de algumas frases e termos que são pertencentes a um lugar”, reflete.

Outra pessoa que acredita que perdeu um pouco de seu sotaque e incorporou o da cidade gaúcha é o estudante de Farmácia André Lucas Pacheco, natural de Barra do Corda, no interior do Maranhão, e que já está em Santa Maria há cinco anos. “Eu acho que a experiência de estar em um lugar em que tem pessoas de vários lugares é uma coisa que te enriquece muito, porque tu conhece diversas realidades”, ilustra. Um elemento que percebe em sua fala é que o som do ‘s’, que ele pronunciava com chiado, não é mais tão presente. No entanto, quando fala com a família no telefone, o sotaque maranhense volta.

Preconceito linguístico 

Lívia Maria Fernandes Crescêncio, 18 anos,  cursa Gestão Ambiental e também é de Marabá. Ela está em Santa Maria há cinco meses, mas há seis anos mora no sul do país. Na cidade anterior, Palmeira das Missões, percebeu muita diferença no sotaque e, inclusive, conta que já sofreu preconceito por conta disso. “Eu falava muito rápido e as pessoas não entendiam. Confesso que perdi bastante meu sotaque, tem várias palavras que eu falava e não falo mais”, relata.

 

A docente do curso de Letras explica que existe a ideia de valor social em relação às variações linguísticas, o que gera preconceitos a determinados modos de falar. Normalmente, as pessoas não querem se adaptar ao “R” marcado, porque é considerado “caipira”, enquanto outros sons são aceitos com mais facilidade e até admirados. “Depende muito do valor linguístico que aquela variedade tem para aquela comunidade”, esclarece Célia.

Expediente:

Reportagem: Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária, e Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Design Gráfico: Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista, e Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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Em meados de 2015, um grupo de senegaleses atendidos pela assessoria jurídica e documental do Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional da UFSM (Migraidh - saiba mais no box abaixo) manifestou interesse em melhorar a sua competência comunicativa em língua portuguesa. Com isso, sob a coordenação da professora Maria Clara Mocellin, do Departamento de Ciências Sociais, e estudantes Luís Augusto Bittencourt  Minchola (Direito) e Alessandra Jungs de Almeida (Relações Internacionais), surgiram as Rodas de Conversa, atividade de extensão que visa auxiliar migrantes da cidade de Santa Maria com a aprendizagem e a aquisição da língua portuguesa.

Ilustração horizontal e colorida de sete pessoas sentadas em uma roda. São cinco mulheres e dois homens, sendo três pessoas negras e quatro pessoas brancas. Acima, onze balões de fala: cinco são brancos e os outros tem bandeiras de países no interior: Brasil, Venezuela, Palestina, Paquistão, Senegal e Benin. O fundo é cinza.

Partindo da resposta a uma demanda específica, as Rodas de Conversa revelaram-se mais do que um espaço de ensino-aprendizagem de uma língua adicional, constituindo-se como um ambiente de interculturalidade e acolhimento. Ao longo de seus quase sete anos, já passaram pelo projeto - além de senegaleses - paquistaneses, palestinos, e, mais recentemente, beninenses e venezuelanos. Cada um deles tem a capacidade intrínseca de fazer-nos questionar diariamente a nossa prática extensionista e revisitar com frequência nossa resposta para a pergunta como eu olho para o Outro?

Nesse sentido, ressaltamos a tentativa de construção das Rodas de Conversa como um espaço interdisciplinar, marcado por integrantes do Migraidh oriundos das áreas de Ciências Sociais, Direito, Relações Internacionais, Psicologia e Letras, o que traz para o espaço diferentes perspectivas teóricas. Assim, a atividade renova-se a cada ano, sob os olhares de seus participantes, destacando-se nessas discussões a aproximação da prática das Rodas de Conversa com os pressupostos do Português como Língua de Acolhimento.

Relacionado, inicialmente, ao contexto do programa Portugal Acolhe,  o termo Português como Língua de Acolhimento refere-se ao ensino da língua para um público majoritariamente adulto em um contexto de migração internacional (1). Dentre as diversas implicações que essa característica determina, destaca-se o papel da língua para que o indivíduo possa acessar, com mais facilidade, outros direitos no país recebedor, tais como documentação, saúde, trabalho e educação, além de toda dimensão social e afetiva que é muitas vezes determinada pela capacidade - ou  não - de falar o idioma da comunidade na qual se está inserido. 

Tais especificidades sugerem, portanto, uma organização dos encontros especialmente direcionada para o contexto real de vida dos migrantes e para suas necessidades e objetivos mais imediatos.  Assim, as discussões, os materiais e os aspectos linguísticos trabalhados procuram abordar as experiências e desafios vivenciados no dia a dia, o que demanda uma atuação atenta e sensível por parte dos extensionistas. Muitas vezes, essa atuação estende-se, inclusive, para o auxílio em aspectos da vida prática, tais como: acompanhamento até a Polícia Federal ou imobiliárias, ajuda com gerenciamento de mudanças, orientação sobre matrícula em atividades escolares, e participação em celebrações e festividades religiosas.  

Tal direcionamento, como se percebe, ultrapassa o ensino-aprendizagem de uma língua adicional, e engloba a desconstrução de estereótipos, o estabelecimento de vínculos, e a construção de amizades e afetos. Assim, as diferenças que mundo afora, não raro, motivam exclusão e práticas xenófobas, resultam, nas Rodas de Conversa, na construção, dia após dia, de uma competência intercultural, direcionada para a compreensão do Outro na sua singularidade. Nas Rodas de Conversa, aprende-se que estar no mundo para enxergar, ouvir e aprender com a diferença é mais do que satisfazer uma exigência moral da vida em sociedade, é recuperar aquilo que também nos constitui enquanto sujeitos.

 

O Migraidh e a luta pelo direito humano de migrar

 

Diante da urgência e da complexidade do tema das migrações internacionais, o Migraidh surge em 2013 sob a coordenação da professora Giuliana Redin, do Departamento de Direito. Pautado sempre pelo reconhecimento do migrante como sujeito pleno de direitos, em 2015 o Migraidh firma convênio com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e torna-se o representante da Cátedra Sérvio Vieira de Mello na UFSM (2), assumindo um compromisso com a promoção de conhecimento e de ações voltadas à atenção integral de refugiados e imigrantes, o que se reflete nos eixos de sua atuação.

Na pesquisa, o Migraidh engloba seis diferentes linhas, nas áreas de Direito (linha Proteção e Promoção dos Direitos Humanos de Migrantes e Refugiados no Brasil, coordenada pela professora Giuliana Redin); Ciências Sociais (linhas Fluxos Migratórios Internacionais, Projeto Migratório e Alteridades, coordenada pela professora Maria Clara Mocellin, e Múltiplas Cidadanias e Processos Migratórios, coordenada pela professora Maria Catarina Chitolina Zanini); Comunicação (linha Comunicação Midiática e Migrações Transnacionais, coordenada pela professora Liliane Dutra Brignol); Psicologia (Psicanálise e Migrações: efeitos clínico-políticos dos deslocamentos, coordenada pela professora Marluza Rosa); e Letras (linha Estudos de Política de Línguas, coordenada pela professora Eliana Sturza). 

O coletivo também firma seu comprometimento com a agenda da Cátedra Sérgio Vieira de Mello a partir da promoção do diálogo com a comunidade e de atividades de educação em Direitos Humanos, como as duas edições do Curso de Capacitação de Servidores Públicos, promovidas, respectivamente, nas datas de junho de 2017 e dezembro de 2021; elaboração e defesa de notas técnicas; participação em congressos sobre a temática das migrações;  promoção de oficinas para sensibilização sobre o contexto migratório; publicações de divulgação gratuita (3); e diversas participações em outros espaços, tais como cursinhos populares, escolas e mesas de discussão em eventos e debates produzidos por outros cursos da UFSM.

Além de atividades voltadas à educação da comunidade para a temática das migrações, o Migraidh também consolida sua atuação através de um programa de extensão, denominado Assessoria a Imigrantes e Refugiados. Coordenado pela professora Giuliana Redin, o programa engloba assessoria jurídica e documental, atendimento psicológico clínico (promovido a partir de um convênio com o Núcleo de Psicanálise do curso de Psicologia da UFSM), acolhimento e ensino de língua portuguesa. A diversidade em termos de pesquisa e extensão evidencia o caráter dinâmico e interdisciplinar do campo das migrações e reafirma o princípio fundamental do Migraidh: o compromisso com a atenção integral ao sujeito migrante a partir da sua subjetividade, orientado pelo entendimento do ato de migrar como um direito humano.   

 

(1) Para familiarizar-se com o tema, sugere-se a leitura: GROSSO, Maria José dos Reis. Língua de acolhimento, língua de integração. Horizontes de Linguística Aplicada, v. 9, n. 2, p. 61-77, 2010. Disponível em <http://doi.org/10.26512/rhla.v9i2.886> (2) Para informações sobre a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, consultar:  http://www.acnur.org/portugues/catedra-sergio-vieira-de-mello/ (3) A mais recente publicação do grupo Migraidh (REDIN, Giuliana (org.). Migrações Internacionais: Experiências e desafios para a proteção e promoção de direitos humanos no Brasil. Santa Maria: Editora UFSM, 2020l)  pode ser adquirida gratuitamente no site da editora da UFSM através do endereço eletrônico: http://editoraufsm.com.br/migracoes-internacionais-530.html 

Expediente:

Texto: Roberta Petry - licenciada em Letras-Português e Literaturas da Língua Portuguesa pela UFSM e participante do MIGRAIDH;

Design gráfico: Joana Ancinelo, acadêmica de Desenho Industrial e voluntária;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/pronome-neutro-inclusao Fri, 12 Nov 2021 17:55:06 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8748 O uso do termo “amigue” em uma postagem na página do Facebook da Universidade Federal de Santa Maria gerou uma série de comentários ofensivos à instituição. A publicação sobre o Dia do Amigo, em julho deste ano, trouxe o chamado pronome neutro como uma forma de incluir pessoas que não se identificam com gêneros binários - feminino e masculino. Apesar da falta de consenso, principalmente por parte daqueles que não respeitam a comunidade LGBTQIA+, a linguagem neutra é tema de pesquisas acadêmicas. 

Os pronomes são marcas linguísticas de indicação de gênero para outros elementos da linguagem, como substantivos ou adjetivos. Essas palavras são classificadas de acordo com o gênero que indicam, seja feminino ou masculino. “Pronomes neutros são categorias gramaticais. Quando tratamos do tema da marca de gêneros não binários na linguagem, estamos, antes de tudo, tratando de uma questão relativa à linguagem inclusiva”, explica a professora Eliana Rosa Sturza, do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFSM. 

A professora salienta que o uso dos pronomes neutros para se referir a sujeitos, lugares e objetos é uma das formas gramaticais para a aceitação do outro e de seu gênero. Os termos neutros são normalmente utilizados para se referir a seres ou coisas neutras em gênero ou que não se integram nos gêneros binários. Na prática, trata-se da adição de uma terceira letra - além do “a” e “o” - como vogal temática. 

Por exemplo, quando alguém se identifica com o gênero feminino, podemos nos referir a esta como “ela” ou “dela”. Quando é masculino temos “ele ou “dele”. E quando uma pessoa não se identifica com os padrões de gênero, ou seja, é não-binária, podemos usar os pronomes “elu” ou “delu”. 

Além dos pronomes, os substantivos e os adjetivos também podem ter a vogal temática substituída. Ao falarmos de uma pessoa trans, por exemplo, em vez de falarmos “amiga” ou “amigo”, podemos usar “amigue”. No lugar de “bonita” ou “bonito”, pode-se adotar o adjetivo neutro “bonite”.

Liberdade de escolha

A utilização de termos neutros vai além da teoria: a  polêmica se dá devido às mudanças que o seu uso causa na língua portuguesa. Porém, a linguagem inclusiva está diretamente vinculada ao respeito e à diversidade. “A importância do uso da linguagem neutra e da adequação de gênero responde a um movimento político de inclusão, que ocorre conforme a sociedade incorpora novas formas no uso da língua”, ressalta a professora Eliana. Essa inclusão também permite que pessoas não-binárias tenham a liberdade de escolher aquele pronome que as deixa confortável. 

Abel Rodrigues, acadêmico do curso de Serviço Social da UFSM, é uma pessoa não-binária, mas opta pelo uso dos pronomes masculinos. “Eu acredito que isso é muito individual, uma questão de conforto. Cada pessoa se sente melhor com determinados pronomes. Para mim, são os masculinos. O uso de pronomes neutros é muito importante para a inclusão de pessoas não-binárias na sociedade, tendo em vista que, ao contrário da ilusão das pessoas, elas existem”, comenta.

Inclusão e diversidade na academia

Debates como o da inclusão pela língua portuguesa através do uso de pronomes, substantivos e adjetivos neutros não se mantêm apenas no âmbito social e político, mas também se tornam objeto de estudo e aplicação na academia. A professora Eliana Rosa Sturza é uma das entusiastas da inclusão da linguagem neutra na UFSM. “A universidade historicamente e, por princípio, se coloca na vanguarda, está atenta ao que ocorre ao seu redor e absorve daí suas grandes questões, suas posições frente aos temas que estão no centro do debate. Não seria e não deve ser diferente em relação à linguagem inclusiva”. A professora salienta que, na UFSM, já existe uma série de políticas que acolhem as demandas necessárias para promover o respeito à diversidade, como a resolução da Política de Igualdade de Gênero, aprovada em 13 de outubro deste ano, e a resolução que assegura o uso do nome social por pessoas trans, de  junho de 2015. Para ela, a linguagem inclusiva é mais uma destas políticas .

Eliana orientou o Trabalho de Conclusão de Curso em Letras de Camilla Cruz sobre uso da linguagem inclusiva no ambiente acadêmico. A professora já questionou textos de documentos como regimentos, regulamentos e formulários da UFSM. Mais da metade do corpo docente da universidade é de mulheres, mas a instituição ainda não utiliza o gênero feminino quando se refere, por exemplo, a um cargo de gestão exercido por uma mulher. Isso ocorre porque ainda se adota uma regra gramatical de referir o cargo, e não a pessoa que o ocupa. “Como coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Letras me causava espanto ver que nas capas das versões de teses para entrega na biblioteca, muitas vezes, o título de uma mulher vinha destacado como doutor e não doutora”, relata Eliana. A flexibilização do uso dos pronomes - feminino, masculino ou neutro - se dá como uma forma não apenas de inclusão, mas de empoderamento e de respeito para com a identidade de cada pessoa.

Apesar das polêmicas em torno do uso da terceira vogal temática, é importante lembrar que qualquer idioma é dinâmico e sofre alterações em função do uso. A língua portuguesa falada no Brasil é diferente da de Portugal. A escrita também passou por mudanças. Basta lembrar que não escrevemos mais “farmácia” com “ph” e que “aterrizagem” com “z”, que já foi erro de grafia, é considerada tão correta quanto “aterrissagem”. O idioma também tem convenções, como o Novo Acordo Ortográfico, que unificou a escrita em oito países que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.  

Trata-se muito mais do que o uso do pronome neutro, mas sim da adaptação de toda a língua para que inclua pessoas de gêneros binários e não-binários. Para Eliana, o uso da linguagem inclusiva é uma posição política que tem ligação com o respeito às diversidades. “A adequação de gênero responde a um movimento político de inclusão. A importância do seu uso vai ocorrer conforme  a comunidade vai incorporando as formas no uso da língua, e quem faz essa incorporação/inclusão são os falantes da língua”.

Expediente

Reportagem: Alice Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária

Ilustração: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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A participação da UFSM na produção de curso remoto e de glossários com o objetivo de auxiliar professores do Ensino Fundamental em atividades didáticas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular

Inovação é a palavra-chave para descrever o período da pandemia do novo coronavírus quando o assunto é educação. O impedimento da aplicação do ensino tradicional devido aos protocolos de distanciamento social fortaleceu outras propostas como a educação remota. As adaptações necessárias durante o contexto não foram necessariamente fáceis e, com certeza, têm ressignificado a relação entre alunos e professores. Porém, a comunidade docente da área – tanto escolar, quanto acadêmica – já se engajava na busca por diferentes alternativas no que se refere ao aperfeiçoamento das práticas educacionais.

Na UFSM, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Linguagem (NEPELIN), vinculado aos cursos de Licenciatura em Letras e coordenado pela professora Francieli Matzenbacher Pinton, tem promovido para a comunidade interna e externa atividades que contemplam o tripé ensino, pesquisa e extensão. Por meio disso, o grupo busca inspirar professores da rede básica de ensino a refletir, ressignificar e se apropriar de uma visão crítica dos objetos teórico-práticos do âmbito educacional. Foi assim que recentemente aconteceu o curso remoto “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental: possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa”, com o intuito de oferecer uma reflexão sobre pesquisas relacionadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Pedagogia dos Multiletramentos – que se refere à aprendizagem conectada ao uso de diferentes recursos semióticos e uso dos novos meios de comunicação.

BNCC e novas possibilidades de ensino

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo do Conselho Nacional da Educação (CNE) que define o conjunto de aprendizagens essenciais para todos os alunos das etapas e modalidades da Educação Básica. Esse documento está em fase de implementação nas escolas e apresenta em sua fundamentação pedagógica a teoria dos Multiletramentos que, em alguma medida, ainda é desconhecida pela maioria dos professores.

A pedagogia de multiletramentos, termo criado na década de 1990 por um grupo de acadêmicos da New London Group, refere-se principalmente a dois grandes aspectos: a multiculturalidade e a multimodalidade. O primeiro aspecto diz respeito à diversidade de produções culturais letradas em efetiva circulação social, considerando um conjunto de textos híbridos de diferentes campos caracterizados por um processo de escolha pessoal e política. O segundo aspecto corresponde à construção de significados a partir da combinação de diferentes recursos semióticos, por exemplo, gestos e escrita. A temática dos multiletramentos é recorrente nas pesquisas do NEPELIN, por exemplo, as dissertações de Jeniffer Streb Silva e de Gabriela Pereira, bem como a tese de Cleiton Reisdorfer.

O curso remoto “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental: possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa”, resultado da dissertação em andamento de Rosana Maria Schmitt pelo Programa de Pós-Graduação em Letras, promovido também pelo NEPELIN, aconteceu entre outubro de 2020 e janeiro de 2021. Inicialmente a proposta previa a oferta de 25 vagas para professores de língua portuguesa em formação inicial e continuada. Entretanto, a adesão foi de mais de 300 inscritos em poucas horas de inscrição, e o grupo resolveu ampliar as vagas. O curso foi organizado em seis módulos, que totalizam 60 horas/aulas, distribuídas em encontros síncronos e assíncronos. Além disso, foram disponibilizados compartilhamentos em fóruns e atividades didáticas ao final de cada módulo. Dentre as temáticas abordadas, os ministrantes promoveram a análise crítica da BNCC e a reflexão acerca dos fundamentos da pedagogia dos multiletramentos e das práticas de linguagem a serem desenvolvidas no contexto escolar, como leitura, análise linguística/semiótica, produção textual e produção oral.

A atividade foi coordenada pela professora Francieli Matzenbacher Pinton e ministrada por Ana Paula Regner, Camila Steinhorst, Caroline Teixeira Bordim, Francieli Matzenbacher Pinton, Gabriela Eckert Pereira, Jéniffer Streb da Silva, Luciane Carlan da Silveira, Paula Luza, Romário Volk, Rosana Maria Schmitt, Taís Vasques Barreto e Verônica Lorenset Padoin, integrantes do grupo.

De modo geral, houve uma participação expressiva de professores da educação básica que se esforçaram para concluir sua formação remota durante o período letivo e pandêmico. O relato da participante Anna Cervo, professora de Língua Portuguesa, traduz sua experiência com o curso: “Com a possibilidade dessa formação, me despi dos ‘preconceitos’ em relação à BNCC por conta da promessa de análise crítica a ser realizada. De início, já gostei dos artigos sugeridos! Me detive, nessas primeiras leituras, à estrutura da BNCC e penso que, se bem estudada, questionando seu processo de constituição, podemos conseguir realizar um trabalho interessante em sala de aula”.

Além disso, o curso contribuiu para o empoderamento docente e proporcionou reflexões sobre os objetos e práticas de ensino.  “No contexto acadêmico, penso que existem duas grandes contribuições: o empoderamento autoral das professoras que elaboraram o material, especialmente da Camila Steinhorst, graduada em Letras pela UFSM, e da Taís Barreto, mestranda em Estudos Linguísticos; e a divulgação científica no contexto da educação básica”, afirma a professora Francieli, coordenadora do grupo e do projeto de extensão.  

Glossários produzidos pelo NEPELIN

Para os organizadores do curso, o documento da BNCC precisa ser lido criticamente a fim de que se possa construir atividades que realmente contemplem a agência e a voz dos estudantes. Nesse sentido, com o objetivo de atender às possíveis necessidades dos professores em formação continuada, foram elaborados os Glossários de termos técnicos-científicos do componente curricular Língua Portuguesa e de Gêneros e Suportes textuais.

Os glossários têm por objetivo auxiliar o processo de elaboração de atividades didáticas com foco nos campos de atuação e nos gêneros textuais propostos pela BNCC, como fanfics, trailer honesto, fotoblogger, vídeo-minuto, poemas, artigos de opinião, entre outros. A ideia é que o professor possa acessar uma rápida definição do gênero e, por meio do QR Code, visualizar um exemplar do gênero e/ou suporte textual. “Esses materiais visam auxiliar o professor em sua prática docente, já que o documento cita inúmeros gêneros textuais, especialmente emergentes, que podem ser explorados em sala de aula”, conforme destaca Rosana Schmitt.

No contexto educacional, o professor ainda pode disponibilizar o Glossário de Gêneros e Suportes para que os alunos pesquisem definições, acessem os QR Codes e visualizem os diferentes exemplares de gêneros. A professora Francieli complementa que os materiais podem ser entendidos como material paradidático, pois  os estudantes podem elaborar seu próprio glossário a partir de exemplares de gêneros produzidos pela turma.

“A elaboração do glossário objetivou auxiliar o professor que está na escola, contribuindo para o seu processo de formação continuada. Acredito que publicações como esta são significativas para a Educação Básica, especialmente para o ensino de Língua Portuguesa, já que dialogam de forma produtiva e crítica com o contexto escolar”, comenta Taís Barreto, mestranda em Estudos Linguísticos.

“Penso que o glossário tem muito potencial, porque reúne gêneros de diversas esferas de atividade e exemplos para que o professor possa se apropriar desse conteúdo, sem ter que pesquisar muitas horas. Acredito que essa publicação ajuda ainda mais aquele professor que tem uma carga horária altíssima de aulas e não possui condições adequadas de trabalho, ou seja, tempo hábil para o processo de planejamento pedagógico", complementa Camila Steinhorst, que também destaca o processo coletivo e colaborativo.

A expectativa do grupo é de que sejam disponibilizadas versões impressas para o acervo das bibliotecas escolares. Além disso, os organizadores esperam promover em breve outra edição do curso remoto para ampliar a troca entre professores. Outra proposta futura do NEPELIN é organizar um curso para os estudantes da rede pública com foco nos gêneros textuais emergentes propostos pelas BNCC.

Para o grupo de organizadores e ministrantes, a atividade foi, além de tudo, um lembrete sobre o papel da universidade: “A reflexão sobre a BNCC, proposta pelo grupo, neste contexto pandêmico, tem proporcionado aos professores e professoras repensar suas práticas, acessar textos teóricos e metodológicos e, especialmente, compartilhar saberes com seus pares que estão inseridos em diferentes lugares do Brasil. A diversidade desses saberes fortalece a proposta do grupo de professores que organizaram e ministraram os módulos neste curso. Ademais, reforça o compromisso da UFSM com a formação de professores da Educação Básica”, conclui a professora Francieli Matzenbacher Pinton.

Expediente

Repórteres: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Natália 55BET Prozzi, acadêmica de Jornalismo

Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista

Editor: Maurício Dias, jornalista

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Participação da UFSM em reflexões acerca da inovação no ensino e na produção de glossários auxilia professores do Fundamental a desenvolverem didáticas

Inovação é a palavra-chave para descrever o período da pandemia do novo coronavírus quando o assunto é educação. O impedimento da aplicação do ensino tradicional devido aos protocolos de distanciamento social fortaleceu outras propostas como a educação remota. As adaptações necessárias durante o contexto não foram necessariamente fáceis e com certeza têm ressignificado a relação entre alunos e professores. Porém, a comunidade docente da área -  tanto escolar, quanto acadêmica - já era caracterizada pela busca de diferentes alternativas no que se refere ao aperfeiçoamento das práticas educacionais.  Na UFSM, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Linguagem (NEPELIN), vinculado aos cursos de licenciatura em Letras, tem promovido para a comunidade interna e externa atividades que contemplam o tripé ensino, pesquisa e extensão. Através disso, o grupo busca inspirar professores da rede básica de ensino a refletir, ressignificar e se apropriar de uma visão crítica dos objetos teórico-práticos do âmbito educacional que são utilizados ao longo do tempo. Foi assim que recentemente aconteceu o curso remoto “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental: possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa”, com o intuito de oferecer uma  reflexão sobre pesquisas relacionadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Pedagogia dos Multiletramentos – que refere à aprendizagem conectada ao uso dos novos meios de comunicação e à diversidade de significados que podemos encontrar nas diferentes esferas da vida.

Fundamentação pedagógica e novas possibilidades de ensino

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo do Conselho Nacional da Educação (CNE) que define o conjunto de aprendizagens essenciais para todos os alunos das etapas e modalidades da Educação Básica. O multiletramento é definido por tal como aspecto importante no ensino de linguagens na medida que prepara o jovem para a vida social e profissional, ao ampliar o conhecimento através do conceito de cidadania, democracia e inclusão, além de promover a prática e o aprofundamento em relação ao uso das novas tecnologias.  O multiletramento, termo criado na década de 1990 por um grupo de acadêmicos da New London Group, refere-se a dois grandes aspectos da representação da atualidade: a variedade de convenções de significados nas diferentes esferas da vida e a multimodalidade resultante dos novos meios de comunicação. O primeiro aspecto diz respeito à alfabetização que explore as variantes da língua – de maneira que os alunos estejam aptos a transitar pelos vários ambientes sociais nos quais as articulações de comunicação podem ser diferentes. É justamente por causa dessa diversidade que um padrão linguístico único não é mais suficiente.  Já a multimodalidade é relacionada às mudanças em relação ao registro da palavra provocadas pelos novos meios de comunicação. As diferentes formas de registro – como gravação e transmissão -, sejam elas orais, visuais, auditivas, gestuais, tácteis ou espaciais, possuem seus próprios padrões e significados. Portanto, é considerado necessário um aprendizado que abranja as representações destas, particularmente potencializadas pelos meios digitais.

Importância do multiletramento

A temática do multiletramento é recorrente nos âmbitos de pesquisa do NEPELIN e conta com diversos projetos relacionados, entre mestrandos e doutorandos. Já o evento “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental” promovido pelo núcleo da UFSM aconteceu em outubro de 2020, de maneira remota. De acordo com a mestranda e organizadora da atividade, Rosana Maria Schmitt, o curso foi dividido em módulos de 60 horas-aulas que foram distribuídos em encontros síncronos e assíncronos - ou seja, em atividades de comunicação em tempo real e atividades que não dependiam da conexão entre os participantes ao mesmo tempo - além de momentos reflexivos ao final de cada módulo.

As atividades contemplaram aspectos teóricos e metodológicos da BNCC e do ensino de língua portuguesa. Entre as temáticas das discussões, estiveram a análise crítica em relação à BNCC,  os fundamentos da pedagogia dos multiletramentos, práticas de linguagem e o uso de diferentes plataformas e recursos digitais para o desenvolvimento das atividades. O curso também foi organizado por Francieli Pinton, coordenadora do NEPELIN, e por Gabriela Pereira, mestranda do núcleo.

“Com a possibilidade dessa formação, me despi dos ‘preconceitos’ em relação à BNCC por conta da promessa de análise crítica a ser realizada. De início, já gostei dos artigos sugeridos! Me detive, nessas primeiras leituras, à estrutura da BNCC e penso que, se bem estudada, questionando seu processo de constituição, podemos conseguir realizar um trabalho interessante em sala de aula”, disse professora de Porto Alegre.

Além disso, o curso visava contribuir para o empoderamento do docente e proporcionar uma reflexão sobre os objetos e práticas de ensino. Inicialmente a proposta era de uma oferta de 25 vagas para professores de língua portuguesa em formação inicial e continuada. Entretanto, a adesão foi de mais de 300 inscritos. 

Materiais sobre ensino-aprendizagem

Para Rosana, o documento da BNCC precisa ser lido criticamente pelos professores da educação básica a fim de que possam implementar atividades que realmente contemplem a agência e a voz dos estudantes. Nesse sentido, com o objetivo de contemplar as possíveis necessidades dos professores em formação continuada, foram elaborados os glossários de termos técnicos-científicos do componente curricular Língua Portuguesa e de gêneros e suportes textuais.  Os glossários têm por objetivo auxiliar o professor de língua portuguesa a elaborar suas atividades didáticas com foco nos campos de atuação e nos gêneros textuais propostos pela BNCC - como crônicas, resenhas, poemas, artigos de opinião, entre outros. A ideia é que o professor possa acessar uma rápida definição do gênero e, por meio do QR Code, visualizar um exemplar do gênero e/ou suporte textual. “Esses materiais visam auxiliar o professor em sua prática docente, já que o documento cita inúmeros gêneros de texto, especialmente emergentes, que devem ser explorados em sala de aula”, destaca Rosana. No contexto educacional, o professor pode disponibilizar o Glossário de Gêneros e Suportes para que os alunos pesquisem as definições, acessem os QR Codes e visualizem os diferentes exemplares de gêneros. O material pode ser considerado paradidático, de maneira que auxilia no processo de ensino-aprendizagem ao enriquecer o conhecimento de maneira complementar, além de facilitar o desenvolvimento de atividades curriculares e extracurriculares. Neste caso, os estudantes podem também elaborar seus próprios glossários a partir dos exemplares de gêneros produzidos pela turma.  “A elaboração do glossário objetivou auxiliar o professor que está na escola, contribuindo para o seu processo de formação continuada acerca da Base Nacional Comum Curricular. Acredito que publicações como esta são significativas para a Educação Básica, especialmente para o ensino de Língua Portuguesa, já que dialogam de forma produtiva e crítica com o contexto escolar”, afirma a participante do NEPELIN e mestranda em Estudos Linguísticos – PPGL UFSM, Taís Vasquez Barreto. A expectativa do projeto é de disponibilizar em breve as versões impressas para o acervo das bibliotecas escolares. Outra proposta futura do NEPELIN é organizar um curso para os estudantes da rede pública com foco nos gêneros textuais emergentes propostos pelas BNCC. Além disso, o expressivo número de interessados no curso fez com que os organizadores da atividade “Multiletramentos na BNCC do Ensino Fundamental: possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa” avaliassem a demanda significativa e elaborassem uma lista de espera para as novas edições. A expectativa é de que uma nova edição seja ofertada em maio de 2021.   Para o grupo de organizadoras, a atividade foi, além de tudo, um lembrete sobre a responsabilidade da universidade: “A reflexão no curso sobre a BNCC, neste contexto pandêmico, tem proporcionado, aos professores e professoras, repensar suas práticas, acessar textos teóricos e metodológicos e, especialmente, compartilhar saberes com seus pares que estão inseridos em diferentes lugares do Brasil. A diversidade desses saberes fortalece a proposta do grupo de professores que organizaram e ministraram os módulos neste curso. Ademais, reforça o compromisso da UFSM com a formação de professores da Educação Básica”.  Expediente Repórteres: Natália 55BET Prozzi, acadêmica de Jornalismo; e Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista  Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista Mídia Social: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista Editor: Maurício Dias, jornalista]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2019/03/20/inscricoes-para-o-exame-celpe-bras-seguem-ate-28-de-marco Wed, 20 Mar 2019 11:13:07 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=46992 site do Celpe-Bras. A prova será aplicada no período de 28 a 30 de maio. O valor da taxa de inscrição é de R$ 200,00, e o pagamento deve ser realizado através de GRU, impreterivelmente até o dia 29 de março 2019. O comprovante de pagamento da taxa de inscrição e o comprovante de inscrição devem ser enviados, de forma digitalizada, para o email celpebrasufsm@gmail.com , impreterivelmente, até o dia 29 de março. O candidato que não realizar o pagamento da inscrição e não entregar os documentos exigidos dentro dos referidos prazos, não terá sua inscrição homologada e, portanto, não poderá realizar o exame.
O exame para obtenção do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras) é aplicado em 127 postos no Brasil e no exterior. Seu objetivo é permitir a comprovação oficial da proficiência em Língua Portuguesa. O Inep é responsável pela aplicação do exame, com apoio do Ministério da Educação e em parceria com o Ministério das Relações Exteriores.
Mais informações através do email celpebrasufsm@gmail.com.
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Em extensão territorial, o Brasil é o maior país da América Latina e possui fronteira com dez países. Para quem vive em cidades fronteiriças, visitar o país vizinho não é difícil. Em algumas delas, como é o caso de Chuí no Brasil e Chuy no Uruguai, só é necessário atravessar uma rua. A proximidade física faz convergirem culturas e idiomas diferentes, e, para os moradores desses locais, saber se comunicar com o vizinho de uma nacionalidade diferente é importante. Na Argentina, existe uma espécie de curso técnico em língua estrangeira, em que alunos do ensino secundário (que corresponde ao Ensino Médio brasileiro) podem ter uma carga maior de aulas em estudos de língua estrangeira, como inglês e português. A partir dessa experiência, começou a ser planejada uma maneira de ampliar o ensino de português na Argentina e o de espanhol no Brasil. Entre 2004 e 2005, os ministérios da Educação dos dois países começaram o projeto das Escolas Interculturais Bilíngues de Fronteira, em cidades como Passo de Los Libres/Uruguaiana e Bernardo de Irigoyen/Dionísio Cerqueira. O objetivo era promover a integração de culturas e idiomas entre escolas municipais brasileiras e argentinas, a partir das séries iniciais. Primeiramente, o projeto foi financiado pela Unesco; porém, institucionalizou-se e tornou-se um programa, com recursos fixos. Em 2009, incluiu Paraguai e Uruguai e, desta maneira, passou a fazer parte do setor educacional do Mercosul. Com a entrada do Paraguai, o programa foi adaptado e deixou de adotar a palavra “bilíngue” no nome, pois em países como Paraguai e Bolívia algumas crianças saem de casa falando apenas guarani. A ideia do programa é oportunizar à criança o aprendizado de conteúdos através do uso de dois idiomas em sala de aula. Para isso, as professoras das escolas trocam de cidade de uma a duas vezes por semana. Na escola brasileira, por exemplo, no dia em que os alunos têm aula de matemática e as professoras fazem a troca, eles aprendem a matéria com alguma atividade ensinada em espanhol. Sendo assim, o aluno não aprende sobre o idioma, mas no idioma. Para a formação continuada dos professores que cruzam as fronteiras, entra a função das universidades. Na UFSM, o programa é coordenado pela professora do curso de Letras Eliana Sturza, desde 2009. Junto a alunos de graduação e pós-graduação, Eliana acompanha as atividades de extensão, planeja oficinas, seminários e palestras, e desenvolve projetos de pesquisa e trabalhos acadêmicos sobre o Projeto Escola Intercultural de Fronteira (PEIF) e seus resultados. Por motivos de proximidade física, a UFSM trabalha na fronteira do Brasil com a Argentina. A professora Cecília Saueressig, coordenadora do PEIF na Escola Municipal Ubaldo Sorrilho da Costa, em São Borja, conta que é difícil manter o funcionamento do programa, porque a Argentina ainda não o institucionalizou. No entanto, em sua escola ocorrem oficinas para as séries iniciais. As crianças aprendem em espanhol sobre o alfabeto, numerais, profissões e canções. De acordo com a experiência de Cecília, há uma dificuldade de aprendizado maior das crianças brasileiras do que das argentinas, pois do lado de lá eles assistem aos canais de televisão e escutam a música brasileira. O PEIF contribui para mudar isso: “a diferença e o distanciamento estão diminuindo”, completa a professora. Por depender da afinidade de gestões políticas entre os países, o programa enfrenta dificuldades. No entanto, como informa Eliana Sturza, a realização das atividades depende muito do comprometimento das escolas e dos responsáveis. “Deve-se pensar que o programa vai contribuir para a formação dos alunos. É aquilo que se pode fazer localmente. A escola pode fazer essa ligação, estimular essa cidadania, através do compartilhamento de experiências, e também eliminar preconceitos”, ela finaliza.
Repórter: Myrella Allgayer Ilustradora: Carolina Delavy Chagas
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