UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sat, 25 Apr 2026 17:40:33 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/03/10/recepcao-institucional-tenha-independencia-intelectual-e-se-deixe-surpreender-pela-vida-e-a-dica-do-jornalista-e-egresso-da-ufsm-marcelo-canellas-para-os-calouros Mon, 10 Mar 2025 18:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=68435

[caption id="attachment_68463" align="alignleft" width="700"] Além de Canellas, Lúcia Madruga (à esquerda) foi uma das convidadas desta segunda-feira[/caption]

Na manhã desta segunda-feira (10), mais um semestre letivo iniciou nos campi da UFSM. Para abrir o período de aulas, a Universidade promoveu uma palestra no 55BET Pro Sede com egressos para conversar com os novos acadêmicos sobre trajetórias e tirar dúvidas. Entre os convidados deste ano está o jornalista Marcelo Canellas, que dedicou 33 anos de sua vida à produção de reportagens especiais para diversos programas da Rede Globo e hoje mora novamente em Santa Maria.

Canellas foi aluno na década de 1980, justamente na época em que o Brasil vivia uma fase de redemocratização após mais de 20 anos de Ditadura Militar. Como o próprio profissional relata, as instituições de ensino superior públicas tinham seu funcionamento afetado de forma constante com cortes de verbas em tempos de hiperinflação. Por outro lado, o movimento estudantil, do qual fez parte, lutava a favor da educação constantemente.

Depois de ganhar mais de 50 prêmios e medalhas por conta de seu trabalho ver com os próprios olhos a evolução do mundo e do jornalismo, o profissional retornou a Santa Maria e hoje atua de forma independente. Na visão dele, os desafios para os estudantes acerca da promoção de fake news são muitos, mas há como combatê-las. Confira abaixo a conversa completa de Marcelo Canellas com a Agência de Notícias.

Agência de Notícias: Como você vê o impacto da sua passagem pela Universidade na construção da sua trajetória?

Marcelo Canellas: Eu fui estudante da UFSM justamente no período da redemocratização do Brasil, em meados dos anos 80, abrangendo o fim do governo Figueiredo, já nos estertores da ditadura. Vivi a inesquecível experiência da campanha das Diretas Já, a frustração da derrota dessa proposta no Congresso Nacional e o começo frustrante do governo Sarney.

Agência de Notícias: Em 33 anos de atuação como repórter especial somados às outras experiências que você teve, quais foram os desafios mais marcantes que você enfrentou ao longo da carreira?

Marcelo Canellas: Eu fui testemunha ocular de uma verdadeira revolução tecnológica que foi da máquina de escrever ao advento da internet. Eu vi, por dentro e ao longo de três décadas e meia, o auge da televisão como meio hegemônico de produção de informação e também o seu declínio com o surgimento das Big Techs. Meu grande desafio, em qualquer desses contextos, sempre foi o de arranjar espaço para contar histórias que falassem sobre as contradições do Brasil.

Agência de Notícias: Quais lembranças guarda da época de estudante da UFSM?

Marcelo Canellas: Quando saí da Globo, depois de 33 anos de empresa, resolvi voltar para Santa Maria. Hoje moro na cidade e trabalho, de forma independente, com projetos de documentário para plataformas de streaming. Continuo viajando em períodos de gravação, mas minha casa agora é em Santa Maria. Nas horas vagas me divirto produzindo vídeos curtos, que chamo de micronarrativas,  para postar no Instagram.

Agência de Notícias: Na sua visão, por que eventos de recepção aos calouros como o desse ano, que promovem o contato dos novos estudantes com egressos da Universidade que atingiram o reconhecimento mundo afora, são importantes?

Marcelo Canellas: A recepção aos calouros é importante por sua enorme carga simbólica. Quando um estudante entra numa universidade pública ele tem de saber que se torna fiador da esperança do povo brasileiro que, afinal de contas, é quem vai pagar pelos seus estudos. O contato com os egressos ajuda a entender o compromisso que todos temos de usar nosso trabalho para tornar esse país menos injusto e a vida do povo menos sofrida.

Agência de Notícias: De diferentes formas e por diferentes razões, o jornalismo mudou muito nas últimas décadas. Como você enxerga o futuro da profissão?

Marcelo Canellas: O grande desafio do jornalismo hoje é o de ter de lidar com a mentira como instrumento da política. A produção de fake news é um método de manipulação muito eficiente. O futuro do ofício de jornalista depende de nossa capacidade de desmascarar os mentirosos e de exercer a tarefa cidadã de reconectar as pessoas com a realidade objetiva.

Agência de Notícias: Que conselho você daria para os estudantes que estão começando agora o curso de Jornalismo?

Marcelo Canellas: Deixe o celular descansando sempre que possível. Leia livros. De tudo. Sempre. E prepare-se com as ferramentas do conhecimento para desmascarar os negacionistas e os manipuladores. Por fim, abandone as teses à priori, tenha independência intelectual e se deixe surpreender pela vida.

Entrevista: Pedro Pereira, jornalista

Fotos: Daniel Michelon de Carli

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/verdes-sonhos Mon, 28 Dec 2020 13:53:40 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1667 Teve um ano em que o ponto de partida do ônibus para o campus da UFSM era na Rua Professor Braga. Depois mudou para a Astrogildo de Azevedo. Não importa, a fila sempre foi imensa. Lembro das cartelinhas com as passagens destacáveis que comprávamos com antecedência, porque era mais barato, e enfiávamos naquelas pastas pretas que todo mundo usava, cada uma com o símbolo de sua faculdade. A minha, da Comunicação Social, tinha o desenho de uma gaiola aberta e um passarinho fugindo, alçando voo, com o famoso Poeminha do Contra, de Mario Quintana, escrito ao lado da gravura: Todos esses que aí estão/atravancando o meu caminho/eles passarão/eu passarinho! Aliás, enquanto 9 entre 10 diretórios e centros acadêmicos dos cursos de jornalismo pelo país afora levavam o nome de Vladimir Herzog, o nosso DACOM da UFSM fora batizado com o nome do poeta do Alegrete. O que não nos tornava menos contestadores.

Éramos todos poetas, claro, mas acreditando que um poema tinha a potência de um tiro. No ocaso da luta armada, alfinetávamos os generais do poder com versos que, em tempos de abertura política, nos mantinham no conforto de nossa revolta pequeno burguesa. O hall do prédio 21 era um furdunço permanente, com faixas, cartazes e desenhos contra a agonizante ditadura militar. Não havia internet e, na pré-história dos blogs, mais do que nos jornais laboratórios curriculares, queríamos mesmo era escrever na Pô-ética!, a revista independente de poesia que imprimíamos no mimeógrafo do diretório. Era a chance de ouro para xingar os milicos e cantar as gurias, quase sempre em versos de pé quebrado e rima pobre.

Ostentar uma careca reluzente e andar com a indefectível pastinha preta debaixo do braço era um flagrante sinal de status. Os bixos entravam no ônibus com orgulho e prestígio, mesmo depois de passar por trotes humilhantes em quase todas as faculdades. Não na Comunicação. Entrei para o curso de jornalismo com o cabelo batendo nos ombros e tive as melenas preservadas pelos veteranos, cujo trote foi convidar o Schmitão, colega mais velho e hábil ator de teatro, para fingir ser um professor carrasco que nos aterrou com exigências absurdas e uma prova rigorosíssima com peso 100 logo no primeiro dia de aula.

No ano seguinte, minha turma, já veterana, convenceu o mesmo Schmitão a se apresentar aos calouros como o pró-reitor de assuntos extraordinários responsável pela suposta extinção da faculdade de Comunicação Social e a transferência dos recém-ingressos para outras instituições bem longe de Santa Maria. Empunhando a lista de calouros num papel amarfanhado, Schmitão, de terno engomado e cara de fascista, anunciava a transferência de fulano para Rondônia, de sicrano para o sertão da Paraíba, e assim por diante. Houve choro, ranger de dentes e protestos acalorados, até que o primeiro desmaio nos obrigou a esclarecer tudo e desfazer o trote.

Passamos quatro anos reclamando de tudo e de todos. Da qualidade do transporte, do preço do RU, da falta de equipamentos, dos professores, do reitor, dos poderosos de Brasília, do presidente dos Estados Unidos, de qualquer um que fosse, na nossa concepção difusa, contra a educação pública e contra o povo brasileiro. Esse espírito contestatório, por mais que soe ingênuo para alguns, me formou como cidadão. Como continuo acreditando que é possível mudar o mundo, sonho de nós outros naqueles verdes anos, eu continuo reclamando. Talvez com mais foco, virtude que só a experiência confere, mas, creio, com a mesma ênfase de outrora. Só não tenho mais aquela cabeleira, mas o que está na cachola é a mesma aspiração de menino sonhador.

*Marcelo Canellas é jornalista formado na UFSM e repórter especial da Rede Globo. 

**O texto acima foi publicado originalmente na editoria Recordações da terceira edição da Arco, em janeiro de 2014.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/11/24/abertura-do-i-forum-primavera-da-articulacao-floresta-viva-debate-sobre-os-biomas-do-pantanal-mata-atlantica-e-amazonico Tue, 24 Nov 2020 11:51:01 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=54613

O primeiro dia do I Fórum Primavera da Articulação Floresta Viva: “(In)formar e Reflorestar”, na última segunda (23), contou com a presença de dois convidados que debateram a importância da informação e formação da opinião pública e articulações das questões socioambientais que envolvem os ataques sofridos pelos biomas florestais da Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica. 

Na primeira hora do evento, o jornalista Marcelo Canellas, convidado para a abertura do fórum, exibiu sua reportagem transmitida pelo Fantástico e premiada pelo Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, a mais tradicional premiação jornalística brasileira. Com o título “os defensores da floresta” a reportagem acompanha a operação da polícia na Amazônia que prendeu os dois líderes de um grupo acusado de invadir terras públicas e ameaçar os fiscais da floresta. 

O jornalista também contou que neste ano, dedicou-se especialmente à denúncia do desmonte das políticas ambientais que fragiliza a Amazônia e coloca em risco a integridade e a sobrevivência dos povos indígenas.

“Precisamos dar voz ao novo entendimento da relação dos homens com a floresta e da economia com a floresta. Eu acho que há esperança de que as pessoas tenham em mente que a floresta precisa ser preservada. Esse evento aqui que vocês estão liderando, pode ser um embrião de algo mais amplo em defesa dos biomas brasileiros. É uma iniciativa que tem tudo para ganhar a simpatia da sociedade, desde que ela ganhe o debate público,” cometa Canellas. 

Eduardo Malta Campos Filho, coordenador de projetos de restauração do ISA ( Instituto Socioambiental) de São Paulo,  foi o segundo convidado do dia de abertura do fórum . Ele conta que trabalha disseminando o método da muvuca, que é uma mistura de sementes nativas florestais de diferentes ciclos de vida com sementes de adubação verde, semeadas após preparo do solo com maquinário agrícola.  Também atua na organização dos grupos de coletores da ARSX (Associação Rede de Sementes do Xingu), além de outros grupos a partir da experiência do Xingu, como na região de Aracruz/ES, com índios Tupinikim e Guarani, coordenando a restauração ecológica na região.

O ISA é uma organização da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, fundada em 1994, para propor soluções de forma integrada a questões sociais e ambientais com foco central na defesa de bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos.

“A oportunidade das pessoas de entrarem na mata, juntar sementes e isso gerar renda é muito bom e como consequência as pessoas vão aprender mais sobre a mata, vão andar no próprio território, fiscalizando e conhecendo. Elas levam os jovens para conhecer e esses jovens aprendem sobre o território, sobre as plantas e seus usos, é um projeto muito virtuoso e de resistência”, finaliza Eduardo.

Sobre o Fórum

O Fórum é a primeira ação do projeto Articulação Floresta Viva, que abordará questões socioambientais, pluriculturais, multidisciplinares, internacionais, ecológicas e de diversidade para efetivação de projetos de reflorestamento nos biomas afetados pela destruição humana. O projeto conta com a participação das populações tradicionais das florestas e povos originários, instituições, organizações, governos, universidades e financiadores na produção de propostas e ações que permitam proteger a biodiversidade dessas florestas.

As atividades, promovidas pela Pró Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria (PRE/UFSM) a partir do projeto Articulação Floresta Viva, continuarão acontecendo nos dias 24,2 5,26 e 30 de novembro e 1,2 de dezembro. Nesses dias de evento acontecerão palestras e mesas compostas por importantes formadores de opinião e ativistas do campo ambiental que desenvolvem projetos de reflorestamento nos biomas Pantanal, Mata Atlântico e Amazônico.

As palestras irão ser transmitidas no período da tarde em dois horários, às 14 e 16 horas pelo canal do Youtube da PRE .

Reportagem: Ana Júlia Müller Fernandes, bolsista da Agência de Notícias da UFSM.
Edição: Davi Pereira

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