UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Thu, 05 Mar 2026 00:21:30 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/10/31/premio-meninas-olimpicas-celebra-10-anos-de-incentivo-a-participacao-feminina-em-olimpiadas-cientificas Fri, 31 Oct 2025 10:36:11 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71160 [caption id="attachment_71161" align="alignright" width="596"]foto colorida horizontal de um grupo de pessoas lado a lado, algumas agachadas á frente, outras de uniforme de saia vermelha e camisa branca segurando diplomas, em um amplo ambiente interno iluminado por um lustre Entrega da premiação ocorreu na Assembleia Legislativa do RS[/caption]

Na tarde da última sexta-feira (24), em cerimônia realizada no Salão Júlio de Castilhos, na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, a Procuradoria Especial da Mulher, com o apoio do Movimento Meninas Olímpicas da UFSM, promoveu a entrega da 10ª edição do Prêmio Meninas Olímpicas.

O Movimento Meninas Olímpicas, fundado em julho de 2016, constitui um ecossistema de olimpíadas científicas voltado para meninas, com o propósito de ampliar a presença feminina em espaços estratégicos da sociedade, como o meio político, empresarial e científico. A iniciativa busca incentivar a participação igualitária das meninas na Computação e nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

O prêmio foi criado a partir de uma proposta da professora da UFSM 55BET Pro Frederico Westphalen Nara Martini Bigolin, coordenadora do Movimento Meninas Olímpicas e do Torneio Feminino de Computação, com o intuito de dar maior visibilidade às meninas que participam dessas olimpíadas, reafirmando a importância da inserção feminina nas áreas de conhecimento e nas ciências exatas.

Durante a cerimônia, Nara destacou a trajetória de uma década do movimento: “Conhecemos o potencial que toda a mulher tem, apenas lhe faltam oportunidades. A presença de meninas nas premiações de olimpíadas é inversamente proporcional as oportunidades que essas olimpíadas abrem”, ressaltou. A docente também realizou a entrega das medalhas do Torneio de Física para Meninas, referentes aos anos de 2023 e 2024. A UFSM esteve representada pela professora Eliane Pereira dos Santos, vice-diretora do 55BET Pro da UFSM-FW.

Com 10 anos de atuação, o Movimento Meninas Olímpicas segue popularizando e incentivando a participação feminina em olimpíadas científicas, promovendo oportunidades e inspirando novas gerações de meninas a ocuparem espaços de destaque na ciência.

O evento foi transmitido ao vivo pelo canal da Assembleia Legislativa no YouTube.

Foto: Divulgação

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/04/22/professora-da-ufsm-fw-recebera-premio-mulheres-na-ciencia Mon, 22 Apr 2024 12:15:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65659 [caption id="attachment_65660" align="alignright" width="500"] Professora Nara durante uma fala para estudantes[/caption]

A professora da UFSM campus Frederico Westphalen, Nara Martini Bigolin, do Departamento de Tecnologia de Informação, foi agraciada com o Prêmio Mulheres na Ciência Amélia Império Hamburger da Câmara de Deputados. Ele é concedido a três cientistas que se destacaram pelas suas contribuições para a pesquisa científica nas áreas de ciências exatas, naturais e humanas. A premiação serve para reconhecer a excelência da participação feminina na solução dos grandes desafios da humanidade e um estímulo à capacitação de mais mulheres cientistas.

Nara é Cientista da Computação, Filósofa, Palestrante, Membro da Ordem Nacional do Mérito Educativo e Professora de Computação na UFSM. Ela possui graduação em Informática (PUC/RS) e em Filosofia (Universidade Paulista), fez mestrado em Ciência da Computação (UFRGS) e doutorado na área de Inteligência Artificial pela Universidade de Sorbonne (Sorbonne Université - Pierre et Marie Curie. Além disso, também coordena duas olimpíadas nacionais: Torneio Feminino de Computação (geral) e o Torneio de Física para Meninas (adjunta).

A professora foi agraciada pela premiação graças às suas ações em dois projetos coordenados por ela: o Projeto Movimento Meninas Olímpicas, que objetiva tornar as olimpíadas de conhecimento mais inclusivas e igualitárias; e o projeto Computação na Educação Básica, que busca transformar a educação básica do Brasil. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 4 de junho em Brasília.

Nara destaca que o prêmio é um incentivo para continuar na luta por estas pautas, pois, o mundo olímpico é um mundo competitivo e masculino. “Através deste prêmio há uma oportunidade de divulgar as ações e resultados do  Movimento Meninas Olímpicas, assim como divulgar meu protagonismo na criação e implementação de uma nova disciplina - Computação, em todos os anos da Educação Básica”, comenta a professora. 

Meninas Olímpicas

O projeto teve início em 2015. A iniciativa surgiu quando uma das fundadoras do Movimento, participou, no mesmo ano, de um encontro de treinamento para olimpíadas internacionais de matemática, em São Paulo. Ao todo eram 33 alunos convidados, além deles haviam professores e organizadores, todos homens, sendo ela era a única menina presente. Ao observar este fato em outros eventos, as irmãs Mariana Groff e Natália Groff, filhas da professora Nara, criaram o Movimento Meninas Olímpica com a coordenação da docente. 

O Movimento tem como objetivo aumentar a presença das mulheres em espaços estratégicos, como no meio político, empresarial ou científico da sociedade, através do incentivo à participação igualitária das meninas em olimpíadas de conhecimento nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

“Esperamos que um dia as mulheres sejam 50% nos em espaços de poder e prestígios na sociedade para alcançarmos  uma sociedade mais igualitária, inclusiva e inovadora”, diz a professora. Ela ainda comenta que se não houver meninas nas olimpíadas hoje, não haverá mulheres na ciência amanhã.

O projeto já tem nove anos de ações sendo desenvolvidas e o movimento tem proposto prêmios às meninas que participam das olimpíadas, tanto nas olimpíadas de conhecimento, quanto junto ao Poder Legislativo, através de Projetos de Lei no Senado, Câmara Federal, Assembleias Legislativas e Câmara de Vereadores. Além disso, também fomenta a criação de olimpíadas femininas nacionais, apoio às olimpíadas, incentivo da participação do Brasil nas olimpíadas europeias e a criação e organização de eventos olímpicos. Ainda, o projeto realiza o levantamento de dados sobre a sub-representação feminina em olimpíadas científicas nas áreas de STEM.

Computação para a Educação Básica

Em 2015, a professora Nara, após convidar alguns estudantes de 12 anos para assistir suas aulas de Programação no Curso de Graduação de Sistemas de Informação, percebeu que estudantes do fundamental II tinham mais facilidades para aprender os fundamentos da Computação que alunos de 18 anos. Segundo a Nara, assim nasceu a ideia de criar uma nova disciplina de Computação na Educação Básica. “Após 9 anos de muito convencimento e um árduo trabalho de elaboração das normas para  Computação na EB, o CNE aprovou as normas em 2022. Em 2023 o Senado e a Câmara Federal derrubaram um veto presencial e a disciplina passou a ser obrigatória", afirma ela.

Futuro

Duas visões de futuro se tornaram realidade em menos de uma década: a Educação Básica com uma nova disciplina, a Computação, e o mundo olímpico mudando, através da representatividade, possibilitando as meninas saírem da invisibilidade. “Essas duas inovações certamente mudarão os rumos da Educação Pública Brasileira", comemora a professora Nara.

Texto: Mariane Machado, estudante de jornalismo e voluntária da Agência de Notícias
Foto: Arquivo pessoal de Nara Bigolin
Edição: Mariana Henriques, jornalista

 

 

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/04/11/alunas-da-ufsm-recebem-o-premio-meninas-olimpicas Thu, 11 Apr 2024 12:36:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65610 [caption id="attachment_65611" align="alignleft" width="492"] Maria Isabela (esq.) e Giovana receberam o prêmio em solenidade na Assembleia Legislativa do estado[/caption]

As acadêmicas da UFSM Giovana Borelli e Maria Isabela Vendruscolo Montagner ganharam, nesta quarta-feira (10), o prêmio Meninas Olímpicas em solenidade promovida pela Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Giovana cursa Ciência da Computação e Maria Isabela faz Engenharia Civil. Ambas receberam a condecoração por terem ganhado medalha de ouro na 25ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), em 2023, quando estudavam no Colégio Tiradentes da Brigada Militar de Santa Maria.

O prêmio foi criado a partir de iniciativa da professora Nara Martini Bigolin do 55BET Pro da UFSM de Frederico Westphalen, que gravou depoimento exibido ao final da solenidade. A partir de uma mobilização nacional e projeto de resolução do Senado Federal, a premiação visa valorizar e reconhecer a participação de meninas em olimpíadas científicas.

O prêmio foi entregue pela deputada Sandra Covatti, da Procuradoria Especial da Mulher, pelo deputado Valdeci Oliveira e pela deputada Eliana Bayer (na foto à direita). No total, 34 meninas receberam o prêmio por terem ganhado medalhas de ouro em olimpíadas científicas na área de Matemática, Física, Química e Astronomia.

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/10/29/entrevista-meninas-olimpicas-e-o-protagonismo-cientifico-das-mulheres-em-olimpiadas-cientificas Fri, 29 Oct 2021 17:48:07 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=57071

Se observarmos como são constituídas as relações de gênero, ainda hoje, percebemos a grande diferença na ocupação de espaços de poder, participação em espaços públicos e diferenças salariais entre homens e mulheres. O mesmo ocorre no cenário científico e de Olimpíadas de conhecimento, tanto no Brasil quanto no exterior, com a baixa participação de meninas nessas competições. 

Foto colorida com duas meninas em destaque. As duas estão sorrindo e com medalhas no pescoço.
As irmãs Natália e Mariana Bigolin Groff já receberam mais de 80 medalhas olímpicas (Arquivo Pessoal)

Foi visando incentivar o protagonismo feminino nesses espaços que, em 2016, foi criado o Movimento Meninas Olímpicas. Coordenado pela professora Nara Martini Bigolin, docente do curso de Sistemas de Informação, da UFSM campus Frederico Westphalen, e idealizado também por suas duas filhas, Natália e Mariana Bigolin Groff, que são medalhistas olímpicas nas áreas da ciência e da linguística. 

O movimento trouxe impacto positivo na representação feminina em olimpíadas. Em 2020, por exemplo, ocorreu o 1º Torneio Brasileiro de Computação, que teve a coordenação da Professora Nara, e encorajou a participação das meninas na Olimpíada Brasileira de Informática. A mesma, que até o ano de 2020 tinha em torno de 10% de meninas medalhistas na modalidade programação, passou a ter 25%.  Conversamos com a professora sobre a importância e o impacto do projeto nestes cinco anos.

Como é desenvolvido o projeto Meninas Olímpicas? 

Através de ações de conscientização em relação à desigualdade de gênero nas olimpíadas de conhecimento junto às coordenações de olimpíadas do Brasil, além de participar ou coordenar olimpíadas apenas para meninas, como o Torneio Feminino de Computação (na segunda edição) e Olimpíada Feminina de Matemática do Estado da Bahia (em sua primeira edição). Outra ação muito importante é junto às Assembleias Legislativas do Brasil com a criação de um prêmio anual permanente chamado Prêmio Meninas Olímpicas.

O projeto meninas olímpicas começou em 2016 com o objetivo de construir espaços para mulheres na matemática, mas já em 2019 havia uma atuação de destaque também em outras áreas do conhecimento. Como a senhora compreende esse movimento e sua importância? 

O movimento começou atuando nas áreas de Matemática, Química, Informática, Física desde 2016, pois essas áreas são as mais críticas. Hoje atuamos em todas as áreas como Economia, Biologia, Astronomia e outras olimpíadas menores.

Ao longo desses 5 anos do movimento incentivando e acompanhando meninas em olimpíadas de conhecimento, qual o impacto percebido nas meninas em receber esse auxílio ao acesso aos estudos e as olímpiadas? 

O impacto foi enorme, pois as meninas começaram a tentar e ter resultados espetaculares. Os resultados apareceram nas premiações em várias olimpíadas nacionais e internacionais. 

Como um movimento de incentivo às alunas, que já possui notoriedade nacional e internacional, como você percebe a importância social do Movimento Meninas Olímpicas? 

Esse movimento é um divisor de águas no mundo olímpico. A minoria feminina em olimpíadas era um tema inexistente. Hoje todas as olimpíadas do Brasil e algumas internacionais debatem o assunto e desenvolvem ações afirmativas.

Em uma fala anterior, você ressalta a disparidade de premiação entre mulheres e homens, principalmente, na área das ciências exatas. A senhora acredita que o projeto é um movimento impulsionador para transformar essa realidade?

Esse movimento já transformou muitas realidades e continua transformando todos os dias. No Rio Grande do Sul, por exemplo, em 2014 as meninas eram apenas 4 medalhistas de ouro, em 2016 passou a 9 e em 2018 foram 15 meninas. Depois que organizamos o Torneio Feminino de Computação, as meninas premiadas na modalidade programação Nível 1 da Olimpíada Brasileira de Informática passou de 10% para 25%. As meninas eram inexistentes nas equipes internacionais, este ano tivemos 15 meninas nas equipes internacionais, sendo que, na Informática, uma brasileira teve o melhor desempenho feminino do mundo. Nas olimpíadas internacionais de química, raramente a equipe de 4 pessoas tinha meninas. Em 2018, uma menina conquistou o 1º ouro para o Brasil e, neste ano, a equipe era composta por 75% de meninas. Todos os anos, temos resultados inéditos quanto a participação feminina nas olimpíadas internacionais. Os 5 anos de existência do Movimento Meninas Olímpicas transformou o mundo olímpico. Hoje ser menina olímpica é um orgulho nacional.

Foto colorida. Em pé, três mulheres no palco do plenário da Assembleia legislativa do Rio Grande do Sul. Ao centro, a professora Nara segura um buquê de flores. Ao seu lado, suas duas filhas.
Professora Nara Bigolin (centro) já recebeu o prêmio Mulher Cidadã do RS pela Assembleia Legislativa

Na matemática existem estudos mostrando que meninas e meninos têm igual aptidão para a matéria, porém, ao chegar na adolescência, parece que o interesse pela matemática e a participação em competições na área diminui entre elas. Como você compreende essa desmotivação por parte das meninas?

O sistema machista e patriarcal tira todas as oportunidades das meninas. Segundo a ONU, 87% das meninas a partir de 12 anos fazem atividades domésticas, contra 11% dos meninos, ou seja, enquanto as meninas lavam a louça e cuidam dos irmãos, os meninos estudam matemática. Não se trata de perder interesse, mas não ter oportunidades iguais. 

As mulheres ainda ocupam menos espaços de poder e prestígio na sociedade. Você acredita que o projeto é um incentivador para que meninas e mulheres atinjam cada vez mais espaços de poder? 

Eu realmente acho que esse projeto pode tirar o Brasil da posição de um dos países mais machistas do mundo e permitir que nossas meninas olímpicas de hoje sejam as mulheres nos espaços de poder amanhã. Sem conhecimento e treinamento adequado é muito difícil as mulheres ascenderem ao poder. O sucesso desse projeto é sem dúvida devido ao desempenho das fundadoras do movimento, as irmãs Natalia e Mariana Groff, que além de obterem mais de 80 medalhas em olimpíadas de conhecimento, são o exemplo vivo de que é possível ser protagonista através do conhecimento. Hoje a Mariana estuda em Stanford nos Estados Unidos e a Natalia, na escola internacional United World College Maastricht, na Holanda.

Reportagem: Katiana Campeol, estagiária de Jornalismo
Edição: Davi Pereira, jornalista
Fotos: Arquivo pessoal

]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/04/22/projeto-desenvolvido-na-ufsm-inspira-o-premio-meninas-olimpicas Thu, 22 Apr 2021 15:02:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=55578

Hoje, 22 de abril, é o Dia Internacional das Mulheres em Tecnologias da Informação e Comunicação. A data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem o propósito de alertar para a quantidade de mulheres na área de tecnologia, e é celebrada na 4ª quinta-feira de abril de cada ano. Dentro desse contexto, foi aprovado, na Sessão Extraordinária Virtual da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, na tarde da última terça-feira (20), o Projeto de Resolução 38/2019, que instituiu o Prêmio Meninas Olímpicas. 

A premiação objetiva homenagear as estudantes brasileiras de escolas públicas que tenham representado o Brasil em olimpíadas científicas nacionais e internacionais, reconhecendo o esforço e a dedicação delas, além de criar um espaço de representatividade para inspirar outras meninas. 

O reconhecimento às estudantes gaúchas se dará em três categorias, desde o sétimo ano do Ensino Fundamental até o Ensino Médio. A solenidade acontecerá anualmente, em uma data próxima ao Dia Internacional da Mulher.

Este é o único prêmio no Brasil que foi protocolado em várias Assembleias Legislativas (AL), tendo em vista que cada uma terá suas próprias premiações. Atualmente, foi aprovado no Rio Grande do Sul e está em andamento nas Comissões das ALs da Bahia, São Paulo, Amazonas, Roraima e Minas Gerais , além da Câmara dos Deputados.

Tudo isso é resultado do trabalho desenvolvido por um projeto na UFSM, o Movimento Meninas Olímpicas, coordenado pela Professora Nara Martini Bigolin.

 

Movimento Meninas Olímpicas

Quando pensamos nas relações de gêneros é sabido que ainda estamos distantes da tão buscada igualdade, principalmente nos espaços de poder e na Ciência. Essa situação é facilmente percebida por meio de diferenças salariais, índices de violência, baixa participação de mulheres em espaços públicos e de poder. Isso não é diferente no âmbito da ciência e das Olimpíadas Científicas, tanto no Brasil quanto no exterior, já que os números de meninas participantes e premiadas nesses espaços ainda é bastante reduzido. 

Foi esse cenário que estimulou, em 2016, a criação do  Movimento Meninas Olímpicas, uma ação que visa ao empoderamento de mulheres, através do incentivo à participação feminina em Olimpíadas Científicas. 

[caption id="attachment_55587" align="alignleft" width="264"]obmep Natália e Mariana Bigolin Groff (Foto: Arquivo pessoal)[/caption]

A iniciativa mais ampla foi idealizada por Natália e Mariana Bigolin Groff, medalhistas olímpicas em áreas da ciência e da linguística. Juntas, elas já conquistaram mais de 60 medalhas. Além de premiadas, as duas também são filhas da professora Nara Martini Bigolin, docente do curso de Sistemas de Informação, da UFSM campus Frederico Westphalen. Inspirada nisso, a professora desenvolveu e atualmente coordena, na UFSM, o Projeto Meninas Olímpicas, que objetiva aumentar e apoiar a participação feminina nesses espaços, ampliando suas áreas de interesse, e por consequência, de atuação no mercado de trabalho. 

 

 

Por que é importante?

Atualmente, apenas 10% de meninas são premiadas nas principais olimpíadas científicas do Brasil e menos de 5% nas olimpíadas internacionais. Este é também o percentual de mulheres eleitas, mulheres presidentes de grandes empresas e  pesquisadoras em centros de pesquisa de excelência, demonstrado nos gráficos abaixo, elaborados pelo projeto.

dados-olimpiadas

Além disso, segundo a ONU, de 144 países avaliados quanto à igualdade de salários entre gêneros, o Brasil ocupa a 129ª posição, ou seja, pior que países como Irã, Iêmen e Arábia Saudita, conhecidos pelos direitos restritos das mulheres. 

O aumento da representatividade feminina nas áreas das Ciências e Tecnologias significa impactar o interesse de meninas e sua disposição para seguir essas carreiras, afetando diretamente o mercado de trabalho e o futuro da ciência brasileira. Trazendo essa reflexão para o meio olímpico, é notável a predominância masculina entre participantes e premiados, especialmente nas Ciências Exatas.

Nara explica que este é um problema persistente e profundo: “As  meninas são 50% das premiadas no 6º ano e terminam 5% no Ensino Médio. Nossa maior descoberta está relacionada ao percentual idêntico da sub-representação das  meninas em olimpíadas de conhecimento com as mulheres em espaços de poder, ou seja, as meninas são eliminadas dos espaços de decisão no ensino fundamental II. Se não resolvermos esse problema na educação básica, não sairemos das piores posições do mundo quanto à desigualdade de gênero e violência contra a mulher”, reflete a professora.

O incentivo à participação de meninas em olimpíadas científicas permitirá elevar este percentual e, como consequência, aumentar a participação das mulheres em pontos estratégicos da sociedade, criando um maior equilíbrio entre os gêneros no Brasil. 

 

Resultados

O movimento já apresenta resultados desde o início, que podem ser observados pelos indicadores de participação feminina nas olimpíadas da área de Exatas como Informática, Física e Matemática. 

Conforme o movimento foi se tornando mais forte no Brasil e no mundo, diversas olimpíadas criaram prêmios específicos para homenagear as meninas com os melhores desempenhos, como demonstra a imagem elaborada pelo projeto:

premios

De acordo com informações obtidas pelo projeto, em 2014 o Rio Grande do Sul tinha apenas 4 meninas como medalhistas de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas  (Obmep). Em 2016, quando foi feita a primeira homenagem, esse número foi para 9. E em 2018, subiu para 15. Ou seja, o número dobrou a cada 2 anos, a partir desta ação afirmativa.

Um exemplo citado pela professora Nara é de que, na primeira vez em que um prêmio de matemática foi destinado apenas para meninas, a ganhadora não havia ido tão bem na olimpíada, então houve certa resistência em entregar o troféu. Já no próximo ano, a menina que conseguiu ouro na Olimpíada Paulista de Matemática, quando questionada como conseguiu este feito, disse: “Eu vi a foto da menina que ganhou ano passado e pensei: se ela consegue, eu também consigo”. “Quando se vê uma foto de medalhistas apenas com meninos, as meninas, muitas vezes, nem tentam, porque não se reconhecem neste espaço. E agora, com essa representatividade, as meninas estão tentando e tendo resultados espetaculares”, afirma Nara.

A professora também incentivou a participação do Brasil na Olimpíada Europeia de Matemática para Meninas - EGMO, em 2017. Outro impacto positivo na representação feminina dentro desses espaços pode ser visto através do 1º Torneio Brasileiro de Computação, que aconteceu no ano de 2020 e teve a coordenação de Nara. A partir dos resultados dessa competição, mais meninas sentiram-se encorajadas a participarem da Olimpíada Brasileira de Informática. A participação, que até o ano de 2020 era em torno de 10% de meninas medalhistas na modalidade programação, passou a ser de 25%. 

Neste ano, as seletivas de Química e de Informática foram encabeçadas por meninas, o que nunca havia ocorrido antes. Além do fato de que, pela primeira vez, o Brasil será representado na Olimpíada Europeia de Informática para Meninas - EGOI 2021, que será sediada na Suíça. “O Movimento Meninas Olímpicas vem mudando a vida de muitas meninas ao redor do Brasil e do mundo.” completa a coordenadora do projeto.

 

Presença mundial e premiações

[caption id="attachment_55588" align="alignleft" width="292"]nara e filhas Nara Bigolin e seus filhos (Foto: Arquivo pessoal)[/caption]

Em 2018, o Movimento e suas criadoras foram homenageados na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO 2018),  na Romênia - a olimpíada mais prestigiada do mundo. O Movimento inspirou, também, a criação do  Troféu Maryam Mirzakhani, em homenagem à única mulher que ganhou a Medalha Fields, o Nobel da Matemática. 

A professora Nara foi eleita, em 2018, Mulher Cidadã do RS, pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, e recebeu a Medalha da Ordem Nacional do Mérito Educativo, pela Presidência da República, devido a sua contribuição para a igualdade de gênero no Brasil.

 

Texto: Paola Jung e Mariana Henriques / Assessoria de Comunicação do Gabinete do Reitor

]]>