UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Tue, 21 Apr 2026 01:30:43 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/16/evento-vai-abordar-impactos-de-tempestades-severas-e-solucoes-para-o-rs Thu, 16 Apr 2026 21:02:26 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72524 formulário de inscrição, onde também está disponível a programação completa. Outras informações constam no perfil da Sict/RS no Instagram.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/27/ufsm-lidera-rede-pioneira-de-monitoramento-de-co%e2%82%82-em-lavouras-e-pastagens-do-sul-do-brasil Fri, 27 Mar 2026 11:04:39 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72204 [caption id="attachment_72209" align="alignright" width="647"] Rodrigo, Débora e Murilo monitoram dados no LABGEE (Foto: Ricardo Bonfanti)[/caption]

Uma rede de medição de carbono instalada em áreas agrícolas do Rio Grande do Sul está revelando, com precisão inédita, como diferentes sistemas de produção agropecuária interagem com o clima. Coordenado pela UFSM, por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), o projeto utiliza torres de fluxo, um equipamento semelhante à estação meteorológica, porém equipado com sensores mais precisos. Essas torres são consideradas o método mais avançado do mundo para medir continuamente a emissão e a absorção de gases de efeito estufa em lavouras e pastagens.

A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.

À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam a importância deste trabalho, que, ao mesmo tempo em que ressalta o papel do manejo adequado das áreas agrícolas e desmistifica a produção rural - quando bem feita - como vilã das mudanças climáticas, projeta novos mercados e fortalece a internacionalização da UFSM.

Sensores medem CO₂ em tempo real

Ao todo, nove torres de fluxo estão instaladas em diferentes sistemas produtivos do Sul do país, incluindo lavouras de soja, trigo, milho e arroz irrigado, além de pastagens naturais do bioma Pampa. Os equipamentos estão distribuídos em propriedades nos municípios gaúchos de Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.

As torres de fluxo são equipadas com sensores altamente sensíveis, capazes de registrar de forma contínua as absorções e emissões de gases do efeito estufa de uma área. Os instrumentos realizam 10 medições por segundo, identificando se, por exemplo, o dióxido de carbono (CO) está sendo liberado para a atmosfera ou absorvido pelas plantas - e, após, armazenado no solo. “A metodologia em si é única no mundo, só ela que faz isso. É a mais avançada e universalmente aceita”, explica Rodrigo.

Além da medição dos gases, os equipamentos registram variáveis meteorológicas, como temperatura do ar e do solo, radiação solar e precipitação. Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.

Com esse monitoramento contínuo, os cientistas conseguem calcular o chamado fluxo de carbono, que representa o saldo (balanço) entre o carbono retirado da atmosfera pelas plantas durante a fotossíntese e aquele liberado por processos naturais, como respiração das plantas, decomposição da matéria orgânica e atividade de organismos vivos. O acompanhamento permite identificar em tempo real, ao longo do dia, dos meses, das estações e dos anos, quando um sistema produtivo atua como emissor ou absorvedor de carbono.

De meia em meia hora, por três anos

“É preciso no mínimo 10 medidas por segundo da concentração do CO₂ e da velocidade vertical do vento na atmosfera. Com uma análise estatística destes dados se obtém o fluxo, e então é possível dizer, a cada meia hora, se um sistema emitiu ou absorveu”, explica Débora.

Como as medições são realizadas continuamente, a cada meia hora, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano o comportamento das emissões e absorções em cada área monitorada. Com um ano completo de dados, já é possível calcular o balanço anual de carbono de um sistema agrícola, pecuário ou natural e identificar práticas que aumentam a absorção ou as emissões.

No entanto, para garantir resultados mais robustos, o monitoramento precisa se estender por períodos maiores, já que as condições climáticas variam de um ano para outro - no caso, três anos é o período mínimo determinado pelos pesquisadores para captar melhor estas variações. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, salienta Débora.  

[caption id="attachment_72258" align="alignleft" width="396"] Uma das nove torres instaladas pela UFSM (Foto: Divulgação)[/caption]

Pioneirismo e investimentos

A professora Débora destaca o pioneirismo do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LABGEE), que acumula mais de 30 anos de experiência em monitoramento com torres de fluxo, com atualização constante das tecnologias utilizadas. “Nosso grupo, nos anos 1990, já participava de projetos na Amazônia. Mais tarde começamos a usar nos sistemas de manejo do Rio Grande do Sul, e começamos a monitorar mais continuamente a partir de 2010”, afirma.

O conjunto dos equipamentos utilizados no projeto representa um investimento de cerca de R$ 5 milhões, obtido pelo LABGEE ao longo dos anos por meio de projetos financiados por diferentes agências.

Trabalho interdisciplinar

A interdisciplinaridade é essencial para o êxito do projeto. Pesquisadores da Física, da Agronomia, da Meteorologia, trabalhando juntos, contribuem para o melhor entendimento dos resultados, que são utilizados por diversos grupos na UFSM, incluindo a área de sensoriamento remoto, e também de outras universidades. "É um trabalho bem amplo, e os resultados são compartilhados", destaca Débora.

Rodrigo exemplifica que, enquanto para as Ciências Rurais a ênfase maior é no armazenamento do carbono no solo, a Física se interessa pela contribuição dos gases para o aquecimento global, e a Economia estuda a venda e remuneração de créditos de carbono. "A fixação e emissão de carbono é um assunto que permeia vários grupos de pesquisa na UFSM, com diferentes óticas, e todos estão, de certo modo, dependentes de uma metodologia de quantificação, de como saber se um sistema produtivo, seja industrial ou agropecuário, está emitindo ou absorvendo. Aí é que entra esta metodologia, que é uma maneira mais moderna de quantificar", ressalta.

Protagonismo e reconhecimento internacional

O trabalho motiva tanto os produtores rurais envolvidos, que, com o manejo correto, visualizam no futuro monetizar créditos de carbono, quanto alunos de cursos como Física, Meteorologia, Agronomia e Engenharia Ambiental, que participam ativamente dos estudos e, mensalmente, visitam as propriedades nas quais as torres estão instaladas, sob a coordenação do meteorologista Murilo. "Nosso protagonismo é também na formação de recursos humanos para trabalhar com essa metodologia, que não é simples", destaca Débora.

A referência da UFSM na área não é de hoje. "Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. O grupo que tem o maior protagonismo é o nosso. Inclusive, por 20 anos, fizemos em Santa Maria o Congresso Brasileiro de Micrometeorologia, evento bianual que recebia a comunidade nacional e internacional", lembra Débora.

O reconhecimento internacional só cresce. Atualmente, os dados obtidos pelas torres de monitoramento estão entrando em um banco de dados mundial, sendo utilizados por grupos de pesquisa de inúmeros países. "Somos um grupo muito internacionalizado, com inúmeras parcerias. Também recebemos muitos pesquisadores estrangeiros e enviamos alunos de doutorado e pós-doutorado para países como Portugal e Estados Unidos", acrescenta a pesquisadora.

[caption id="attachment_72210" align="alignright" width="566"] Dados são apresentados aos produtores participantes (Foto: Divulgação)[/caption]

Importância ambiental e potencial econômico

A agricultura é frequentemente apontada como uma das fontes de emissão de gases de efeito estufa, mas os estudos conduzidos pela UFSM mostram que sistemas produtivos bem manejados, como é o caso dos que estão sendo monitorados, também podem remover carbono da atmosfera, contribuindo para reduzir o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

As medições feitas pelas torres de fluxo permitem identificar quais práticas agrícolas aumentam essa capacidade de captura, como o uso de plantas de cobertura, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária e manejo adequado das pastagens. “Quanto mais planta tiver no solo, sem intervalos, maior é a absorção, porque o que absorve o CO da atmosfera e coloca no solo são as plantas, por meio da fotossíntese. Sistemas sem pousios são os que mais absorvem”, destaca Rodrigo.

Além de contribuir para reduzir o aquecimento global, essas práticas podem melhorar a fertilidade do solo e abrir oportunidades para geração de créditos de carbono na agropecuária, que podem ser comercializados com empresas interessadas em compensar suas emissões.

Estimativas indicam que, se metade das áreas de pastagens naturais do Pampa fosse utilizada para geração de créditos de carbono, seria possível produzir cerca de 3,3 milhões de créditos por ano. Considerando um valor médio de US$ 10 por crédito, o potencial de receita chegaria a US$ 33 milhões anuais.

Além disso, práticas que aumentam a captura de carbono — como rotação de culturas, plantas de cobertura e manejo adequado do solo — tendem a melhorar a fertilidade e a estrutura do solo, contribuindo também para maior produtividade agrícola.

 

 

O que mostra o monitoramento

Os resultados das pesquisas conduzidas pela UFSM têm indicado que práticas agrícolas adequadas podem transformar lavouras e pastagens em aliadas importantes no combate às mudanças climáticas, ao ampliar a captura de carbono e reduzir emissões de gases de efeito estufa.

No arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno nas lavouras reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. As lavouras que cultivam soja e trigo, muito comuns na região, podem absorver até três vezes mais CO₂ por hectare se intercaladas por plantas de cobertura. A produção de bovinos em pastagens do Pampa pode absorver CO₂ pelo correto manejo da pastagem, compensando as emissões de metano pelo gado, aliando a produção de uma carne de qualidade com absorção de gases do efeito estufa.

Já a lavoura de trigo, segundo Rodrigo, é uma grande absorvedora de CO₂, mas deixá-la parada, sem cultivo, a torna uma emissora de CO₂. De maneira geral, conforme ele, as lavouras do RS têm potencial de serem absorvedoras de CO₂ e poderiam ser utilizadas para venda de créditos de carbono.  

Próximos passos: novas culturas e créditos de carbono

Os estudos conduzidos pela UFSM seguem em andamento e buscam ampliar o conhecimento sobre como diferentes práticas agrícolas influenciam o balanço de gases de efeito estufa nos sistemas produtivos do Sul do Brasil. Os pesquisadores esperam que os dados obtidos possam orientar estratégias de produção mais sustentáveis, apoiar políticas públicas e fortalecer o papel da agropecuária na mitigação das mudanças climáticas.

Assim que cada um dos sistemas produtivos que estão sendo monitorados atualmente completar três anos de dados gerados, outras culturas poderão ser contempladas, como a integração entre lavoura e pecuária e a fruticultura.

Outro passo futuro, assim que houver dados de três anos em cada sistema, é trabalhar em projeto piloto de crédito de carbono. "Como esse trabalho não é em nível de pequenos experimentos, mas sim em nível de fazenda, esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono", afirma Débora.

Texto: Ricardo Bonfanti
Arte gráfica: Daniel Michelon De Carli

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Após a destruição deixada pelo tornado que atingiu a região Sul do país no dia 8 de novembro, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizaram uma visita de campo no Paraná, nos municípios de Rio Bonito do Iguaçu, que teve cerca de 90% dos imóveis destruídos após a passagem dos ventos, e Guarapuava, que registrou áreas de mata devastadas. A missão, realizada entre os dias 10 e 12 de novembro, ocorreu a pedido da Defesa Civil do Paraná, que solicitou apoio técnico e científico da Universidade para categorizar com maior precisão o fenômeno que atingiu a região.

A equipe foi formada pelo meteorologista da UFSM Murilo Machado Lopes e por Luís Manoel do Rosário Ferraz, chefe do Núcleo de Infraestrutura do Centro de Ciências Naturais e Exatas, que atuou como fotógrafo durante a viagem. Conforme Murilo, a visita de campo é essencial para analisar os danos deixados pelo tornado e determinar sua intensidade. “A gente observa estruturas destruídas, torção de vigas e colunas, objetos arremessados e danos em árvores, como quebra, arrancamento de casca e detritos presos. Também conversamos com moradores e coletamos vídeos. Esse método é padrão: toda classificação de tornado é feita com base em visitas de campo”, explica.

As características do tornado

De forma didática, Murilo explica que a tempestade teve múltiplas causalidades. Segundo ele, a formação de um ciclone extratropical favoreceu as condições atmosféricas necessárias para o tornado. “O sistema organizou a atmosfera, intensificou ventos em altura, reforçou o transporte de umidade da Amazônia e formou uma frente fria. O contraste de massas de ar permitiu tempestades duradouras e com rotação”, descreve o meteorologista.

Murilo esclarece ainda que “um ciclone é um fenômeno com dimensão de milhares de quilômetros, que causa frentes frias, por exemplo. Já um tornado é um fenômeno associado a uma nuvem de tempestade, com formação e área afetada que duram minutos e abrangem poucos quilômetros”.

Em primeira análise, a equipe constatou que o tornado do Paraná atingiu intensidade equivalente a F4 na Escala Fujita, sistema americano que classifica a intensidade de tornados com base nos danos observados. A estimativa representa ventos entre 330 e 420 km/h. “Os danos observados, como colapso estrutural, paredes destruídas, objetos arremessados e descascamento de árvores, são característicos dessa categoria”, acrescenta.

A Escala Fujita vai de F0 a F5. Quanto maior o número, mais devastador é o tornado. Murilo contextualiza que a principal diferença de um F4 para um F5 é que, na categoria máxima, as estruturas costumam ser removidas por completo, enquanto no F4 elas permanecem no local. Ele também comenta que tornados F4 são raros, inclusive nos Estados Unidos, país com maior incidência desses eventos.

Murilo destaca ainda que, depois dos EUA, a América Latina é a segunda região mais propensa a tornados no mundo, por estar em uma posição estratégica para a formação de um corredor atmosférico. Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Bolívia compõem esse cenário, sendo que o Sul do Brasil concentra, até o momento, 70% dos tornados registrados no país.

Foto horizontal e colorida de uma área totalmente devastada, com escombros espalhados por todo o chão. No centro, há uma construção parcialmente de pé, com paredes azul-claro e sem telhado. Dois homens, um usando colete refletivo de capacete, e outro de boné, observam os danos enquanto caminham pelo local. Ao fundo, é possível ver um bairro rural e campos agrícolas, reforçando a dimensão da destruição.
Cerca de 90% dos imóveis foram destruídos em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná
Foto horizontal e colorida e aérea de uma extensa faixa de mata tombada ao longo do curso de um rio. Árvores estão arrancadas ou deitadas, formando um rastro claro da passagem de vento extremo. Em contraste, ao redor aparecem lavouras verdes e áreas agrícolas preservadas. A imagem evidencia a força e o caminho do ciclone sobre a vegetação nativa.
Região de mata afetada pelo tornado no interior de Guarapuava, no Paraná

O rastro de destruição

[caption id="attachment_71395" align="alignright" width="602"]Foto horizontal e colorida de um cenário de destruição extrema: restos de casas, móveis, estruturas metálicas e telhados estão espalhados pelo chão. Uma fileira de portas indica o que antes parecia ser um bloco de residências ou salas. Ao fundo, prédios ainda de pé contrastam com a área totalmente demolida. A paisagem evidencia a força do evento climático que atingiu a região. Estruturas de Rio Bonito do Iguaçu foram completamente varridas pelo tornado[/caption]

Segundo a equipe, a destruição vista nos locais visitados foi marcante. O fotógrafo Luís Ferraz relata o sentimento de impotência diante dos rastros do desastre. “É uma sensação de impotência. No filme é uma coisa, ao vivo é outra. Vimos carros de ponta-cabeça, araucárias grossas quebradas ao meio, contêiner arrastado por dezenas de metros”, relembra.

Entre as histórias que ouviu, Luís destaca os diálogos com moradores de Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava. “Uma das histórias mais marcantes foi de uma mulher que tinha três apartamentos para alugar: o tornado destruiu completamente o prédio. Dois inquilinos estavam desaparecidos até o momento em que conversei com ela. Outra situação marcante foi de um pai que achou que os filhos tivessem sido levados pelo vento. Por alguma razão, as crianças ficaram protegidas pela única parede que restou”, conta.

A resiliência também chamou atenção. “Uma agricultora contou que ouviu um barulho contínuo, como uma explosão prolongada, era o tornado chegando. A família se escondeu como pôde. Eles tinham acabado de pagar a primeira parcela de um galpão novo… e perderam tudo. Não tinham seguro. Também me marcou ver professores revirando os escombros da escola para salvar livros. Um gesto de enorme dedicação”, reflete o fotógrafo.

UFSM e os fenômenos meteorológicos

O trabalho da UFSM no monitoramento e na classificação de tempestades não é recente. Segundo Murilo, o acompanhamento dos fenômenos meteorológicos pela Universidade é fortalecido pela Rede Voluntária de Observadores de Tempestades (Revot), iniciativa criada em 2010 pelo curso de Meteorologia da UFSM. Além da observação, o projeto capacita a comunidade sobre conceitos básicos de meteorologia e técnicas de identificação de nuvens, rajadas de vento e granizo.

Murilo relembra outras visitas de campo. “Fizemos uma em 2018, em Passo Fundo, quando houve um surto de tornados. Em 2023, em São Martinho da Serra, onde foi registrado um tornado de intensidade entre F1 e F2, e, no mesmo ano, em São Luiz Gonzaga, onde uma microexplosão destruiu parte da cidade”, relata.

O meteorologista destaca ainda a importância do Revot para o avanço científico. “Com esse levantamento, conseguimos estudar como esses eventos variam ao longo dos anos e em diferentes condições climáticas. Também queremos adaptar a Escala Fujita para a realidade brasileira, porque o padrão das construções aqui é diferente daquele para o qual a escala foi criada. Esse trabalho melhora a classificação dos tornados e pode aprimorar previsões e alertas”, afirma.

Revot e a extensão universitária

A atuação do Revot reforça o compromisso da UFSM com a extensão universitária. Além do monitoramento, o projeto funciona como uma ponte entre conhecimento acadêmico e comunidade, promovendo capacitações, oficinas e atividades de observação. “A Rede tem um caráter educacional muito forte, porque os alunos participam diretamente dos projetos e aprendem na prática como esses fenômenos acontecem”, explica Michel Baptistella Stefanello, coordenador substituto do curso de Meteorologia.

Segundo Michel, essa interação com a comunidade e com diferentes setores é fundamental para ampliar a cultura de preparação frente aos eventos extremos. “Os alunos acabam interagindo com distintos setores, contribuindo para melhorar a vida da população”, afirma.

A integração é também transdisciplinar. O curso já atua com áreas como engenharia elétrica, agronomia e hidrologia, especialmente em temas relacionados à transição energética, agroclimatologia e gestão hídrica. “Hoje não dá mais para pensar que os efeitos das mudanças climáticas vão acontecer, eles já estão acontecendo. Por isso, atuar junto de outras áreas é essencial para desenvolver estratégias de adaptação e mitigação”, completa.

Michel destaca ainda que a visita de campo no Paraná fará parte da formação dos estudantes. “A visita do Murilo e a análise dos danos causados pelo ciclone vão trazer uma bagagem enorme para os alunos. Devemos propor atividades em sala para que ele apresente o relato da experiência e discuta tanto a previsão quanto a análise final do fenômeno”, relata.

O futuro dos dados coletados

Com o retorno à UFSM, Murilo explica que os dados coletados serão analisados e usados na elaboração de estratégias para aprimorar modelos de previsão, protocolos de alerta e resposta, entre outros aspectos. “Com o material que coletamos em campo, vamos conseguir reconstruir a dinâmica do ciclone: identificar a trajetória, estimar a velocidade dos ventos, comparar os padrões de destruição e entender em que momento a tempestade ganhou intensidade. Esses dados vão gerar mapas de danos, análises de impacto e um relatório técnico detalhado para a Defesa Civil”, pontua.

O pesquisador reforça que os dados também serão incorporados a bancos acadêmicos e modelos numéricos que auxiliam na previsão desses eventos. “A ideia é transformar toda essa informação em conhecimento aplicado, melhorar alertas, qualificar respostas emergenciais e ampliar a capacidade de antecipar tempestades semelhantes no futuro.”

Como se proteger durante uma tempestade?

Durante tempestades severas, a prioridade é reduzir a exposição ao vento, proteger-se de objetos arremessados e evitar áreas de risco. Confira algumas orientações:

  • Procure abrigo imediato: entre em uma construção sólida.

  • Fique longe de janelas: rajadas podem quebrar vidros e lançar estilhaços.

  • Abaixe-se em cômodos internos: banheiros e corredores são mais seguros.

  • Desconecte aparelhos elétricos: relâmpagos podem causar danos e choques.

  • Evite árvores isoladas e estruturas metálicas: risco elevado de descargas.

  • Não atravesse áreas alagadas: enxurradas rasas podem arrastar pessoas e veículos.

  • Em caso de aviso de tornado: vá para um cômodo interno pequeno e resistente; abaixe-se, proteja a cabeça e aguarde a passagem.

Texto: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias
Fotos: Luís Manoel Ferraz
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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O 1º Ciclo de Palestras sobre Comunicação de Riscos de Desastres será realizado no dia 5 de novembro, a partir das 8h, no Salão de Atos da Universidade Franciscana, em Santa Maria. Promovido pela 3ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil do Rio Grande do Sul, o evento terá como foco os profissionais e estudantes de comunicação, considerando que seu papel é fundamental para a divulgação ágil e responsável de informações relativas a riscos de desastres, contribuindo para a proteção de vidas e promoção da resiliência das comunidades.

Duas professoras da UFSM estarão entre as conferencistas. Aline Roes Dalmolin, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do projeto de extensão "Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia", vai falar, às 11h, sobre o papel da imprensa e das mídias sociais na comunicação de riscos de desastres.

Já a partir das 13h30, Nathalie Tissot Boiaski, professora adjunta dos cursos de graduação e pós-graduação em Meteorologia, vai abordar o tema "Linguagem do clima: entendendo os termos técnicos da meteorologia".

As inscrições são gratuitas, limitadas e podem ser realizadas até o dia 31 de outubro pelo link.

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A UFSM será sede, no dia 16 de outubro, do seminário "Prevenção, preparação e resposta a desastres: sensibilização e qualificação dos planos de contingência municipais - O olhar do MP", promovido pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS). O objetivo é fomentar a articulação entre MPRS, Defesas Civis estadual e municipais, municípios e sociedade civil, a fim de qualificar a elaboração, revisão e implementação dos planos de contingência municipais.

O seminário será realizado das 14h às 17h40, no Auditório Sérgio Pires (anexo ao prédio 17, do CCNE). 

A programação inclui a participação de professoras da UFSM. Nathalie Tissot Bioaski vai abordar "O papel da Meteorologia da UFSM no enfrentamento de eventos climáticos extremos no RS", e Andrea Valli Nummer irá explanar sobre "PMRR Santa Maria: estratégia essencial para prevenção e mitigação de riscos de desastres".

Programação completa, link para inscrições e mais informações no site do MPRS.

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A UFSM é a primeira instituição do Brasil a oferecer curso gratuito de Pós-Graduação Lato Sensu em Mudanças Climáticas, na modalidade EaD, ofertado juntamente com a Universidade Aberta do Brasil (UAB), da Capes.

O curso de especialização em Mudanças Climáticas tem como objetivo capacitar e atualizar profissionais multidisciplinares com o conhecimento, as habilidades e as atitudes necessárias para atuarem como agentes de mudança e, desta forma, compreender os desafios e as oportunidades no enfrentamento das mudanças climáticas.

Pretende-se, ainda, apresentar o estado da arte sobre as mudanças climáticas, tendo como referência os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU; identificar o que é consenso científico e as áreas que necessitam de mais pesquisas para compreender as mudanças climáticas e, sobretudo, seus impactos; apresentar o marco internacional e políticas sobre mudanças climáticas e explicar as principais questões em negociação; descrever as consequências esperadas da mudança climática e o papel da adaptação; fornecer uma base racional para a mitigação da mudança climática e propor ações em setores-chave; analisar os principais desafios e oportunidades no enfrentamento das mudanças climáticas.

Tema cada vez mais relevante

A mudança climática já está alterando os padrões de temperatura e o regime pluviométrico no Brasil: episódios de secas prolongadas e ondas de calor, intercalados com eventos de chuva extrema e ondas de frio, já são uma realidade em muitas regiões do país, sobretudo no Rio Grande do Sul. Estima-se que os eventos climáticos extremos, tais como secas, enchentes repentinas e inundações fluviais causam prejuízos anuais de pelo menos R$13 bilhões, segundo o Banco Mundial. 

Em contrapartida, o relatório sobre Clima e Desenvolvimento para o País, preparado pelo Banco Mundial, mostra que o Brasil pode expandir sua economia e mitigar a mudança climática com investimentos relativamente modestos em agricultura, combate ao desmatamento, energia, cidades e sistemas de transporte.

Para Nathalie Boiaski, professora dos cursos de graduação e pós-graduação em Meteorologia da UFSM e membro da comissão de criação do curso, o que falta para o país protagonizar o caminho da economia verde é educação e difusão do conhecimento. Estudos globais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) de 2021 mostraram que 95% dos professores de ensino fundamental e médio acreditam que o ensino da mudança climática é importante, todavia, menos de 30% têm recursos suficientes para ensinar sobre o tema. Adicionalmente, 70% dos jovens afirmaram ter dificuldades para explicar o que é mudança climática.

Esse tema, essencial para professores, acadêmicos, empreendedores, ativistas e formuladores de políticas públicas, ganha uma relevância ainda maior em um mundo que enfrenta desafios ambientais crescentes: secas prolongadas, incêndios florestais, enchentes, temperaturas extremas, e os inúmeros efeitos da tripla crise planetária, que inclui mudança climática, poluição e perda da natureza e da biodiversidade.

Inscrições até 25 de agosto

O público-alvo do curso são docentes da educação básica e superior, profissionais da Defesa Civil, gestores de organizações públicas, meteorologistas, engenheiros, profissionais das Ciências Agrárias, das Ciências Sociais Aplicadas, das Ciências Biológicas e das Ciências da Saúde que atuam no setor público ou privado. O curso tem carga horária de 360 horas, com duração de 18 meses.

Serão ofertadas 150 vagas em diferentes polos da UAB/UFSM, sendo 120 destinadas para ampla concorrência, 18 para candidatos autodeclarados pretos, pardos, indígenas ou quilombolas e 12 vagas para Pessoas com Deficiência (PcD), conforme a Resolução UFSM N. 068/2021.

As inscrições estão abertas até 25 de agosto. O edital geral e específico do processo seletivo estão disponíveis na página da PRPGP. 

Mais informações na página do curso ou pelo e-mail esp-mudancas-climaticas@55bet-pro.com. 

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Lançamento do documentário “Caça Tormentas: A ciência atrás das tempestades”

No dia 17 de junho será lançado o documentário “Caça Tormentas: A ciência atrás das tempestades”, produzido por estudantes da Pós-Graduação em Meteorologia da UFSM. O lançamento ocorrerá às 16h, no auditório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e convida toda a comunidade acadêmica para prestigiar essa iniciativa.

O documentário revela os bastidores das atividades de campo voltadas à observação e análise de tempestades severas . A produção conta com registros da Estação Meteorológica Móvel da UFSM, entrevistas com docentes e ainda imagens impressionantes.

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Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores catástrofes climáticas de sua história. As enchentes afetaram 478 cidades, deixando mais de 600 mil pessoas desabrigadas, e mais de 180 mortes. No dia 1° de maio, Santa Maria foi registrada como a cidade com o maior volume de chuva no mundo, chegando a 214 milimetros em apenas 24 horas. 

Durante esse período, o curso de Meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em conjunto com a Rede Voluntária de Observadores de Tempestades (REVOT), desempenhou um papel crucial na produção e disseminação de informações meteorológicas. Professores, estudantes, técnicos administrativos e voluntários colaboraram em uma força tarefa que atuou de maio até junho de 2024. O grupo se reunia diariamente para elaborar e fornecer boletins e previsões do tempo, auxiliando assim, as defesas civis da região central do estado a planejar suas ações. 

O professor Vagner Anabor, um dos coordenadores do Grupo de Modelagem Atmosférica da UFSM, lembra que as previsões meteorológicas apontavam acumulados de chuva entre 100 e 150 milímetros para a região central. Na manhã do desastre, já haviam sido registrados 30 milímetros — um sinal preocupante, considerando que esse volume representa quase um terço da média mensal da região. “Decidimos entrar em contato com a Reitoria. A UFSM, então, adotou providências para conter o fluxo de pessoas no campus, minimizando riscos. Pouco depois, estabelecemos um canal direto com a Defesa Civil regional”, relatou.

A partir desse contato, foi montado um Serviço Emergencial de Previsão do Tempo e Monitoramento de Fenômenos Severos, com atuação de professores, alunos da graduação e pós-graduação e integrantes da REVOT. Anabor destaca: “Nós monitoramos a intensidade da chuva nas barragens da região, os volumes acumulados mais críticos e também a possível intensificação ou enfraquecimento do sistema.” A equipe trabalhou de forma contínua por aproximadamente um mês, fornecendo boletins meteorológicos diários.

O professor de meteorologia e coordenador da REVOT, Ernani de Lima Nascimento, destacou que houve um esforço de organização interna para garantir a atuação coordenada entre o curso e os projetos de extensão: “Existia esse cuidado, pois essa ação junto à Defesa Civil era algo bem do curso de Meteorologia. E quando havia alguma sobreposição com o tipo de previsão do projeto REVOT, em um evento que era mais voltado ao granizo e vendaval, sempre tinha alguém do projeto que entrava naquele dia e dava sua contribuição. A ação foi mais ampla por conta da forma da demanda.” Ele também salientou a importância dessa atuação emergencial e impacto para os estudantes: “Esse foi um caso verdadeiramente operacional. Os alunos puderam colocar a mão na massa, participando de uma situação de crise e dando a sua contribuição para reduzir o impacto daquilo, então a gente percebia esse sentimento neles” afirmou.

[caption id="attachment_69323" align="alignleft" width="690"] Radar meteorológico da UFSM[/caption]

Os boletins meteorológicos eram emitidos diariamente, com um resumo dos ocorridos nas últimas 24 horas e uma previsão das próximas 72 horas. Além da análise contínua do volume de chuvas, o grupo monitorava as condições atmosféricas para identificar a possibilidade de vendavais e granizo — fenômenos que poderiam comprometer ações de resgate e provocar novos danos, como destelhamentos. A equipe também prestava suporte logístico às operações aéreas, emitindo previsões para o pouso seguro de aeronaves que transportavam mantimentos ao estado. “Auxiliamos equipes que transportaram quase 3 mil quilos de insumos. Esse apoio meteorológico foi essencial para garantir segurança nos voos em meio a condições climáticas adversas”, afirma Anabor.

Vagner Anabor, destacou também destacou a importância da utilização dos novos equipamentos e do investimento feito na área, com destaque para a instalação, em 2023, de um radar meteorológico de dupla banda X-Ka, fruto de um acordo com o Instituto de Física Atmosférica de Pequim e a Agência Espacial Chinesa. O radar permite o monitoramento detalhado de nuvens de tempestade em um raio de até 100 quilômetros. “Esse radar tem uma função muito específica: observar internamente as nuvens de tempestade. Ele é fundamental para fazermos observações de longo prazo e entender como as mudanças climáticas estão afetando as características dessas tempestades, especialmente no Rio Grande do Sul. Isso é essencial para compreender fenômenos extremos como os que vivenciamos em 2024”, enfatiza.

Monitoramento contínuo e preparação para o futuro

Atualmente, o projeto segue atuando na UFSM auxiliando com previsões. Em maio de 2025, Santa Maria passou por um novo episódio de chuvas intensas e o grupo novamente forneceu suporte através do trabalho desenvolvido. Em contato com a reitoria da UFSM, forneceu boletins desde as primeiras horas do dia, auxiliando na antecipação de riscos e decisões operacionais.

De acordo com o Meteorologista, Murilo Lopes, Santa Maria chegou a acumular 200 mililitros em um período de dois dias. “Estamos sempre atentos para estes cenários. O contato com a reitoria é direto, para que todas as decisões possam ser tomadas com antecedência, evitando que alguma situação mais grave ocorra no campus” , comentou. 

Murilo também apontou a relevância do conhecimento científico como ferramenta contra a ansiedade climática: “O conhecimento ajuda a preparar as pessoas. Se a pessoa não estiver capacitada ela vai ter uma certa temeridade em relação a fenômenos atmosféricos, e isso leva ao pânico, leva a ações ruins. Agora, se elas tiverem este conhecimento, elas vão saber como agir em uma situação extrema, então isso é super importante. Além de claro o conhecimento científico para além da universidade.”

Para ele, os eventos extremos dos últimos anos demonstram que as universidades têm não apenas o saber, mas também o potencial de oferecer respostas concretas à sociedade em momentos de crise. “A situação de 2024 envolveu toda a equipe da Meteorologia. Isso mostrou que temos capacidade de propor soluções e aplicar métodos que realmente funcionam. Se esses eventos se tornarem mais comuns, temos um modelo de atuação pronto para ser replicado”, concluiu.

O que é a Rede Voluntária de Observadores de Tempestades? (REVOT)

A Rede Voluntária de Observadores de Tempestades (REVOT) é uma iniciativa do curso de Meteorologia da UFSM, criada em 2010. O projeto busca capacitar a comunidade, através de treinamentos, em que voluntários aprendem a observar as mudanças climáticas, sabendo antecipar situações de risco. Os treinamentos — presenciais e remotos — abordam desde conceitos básicos de meteorologia até técnicas de observação de nuvens, rajadas de vento e granizo.

Desde 2022, cerca de 200 pessoas já participaram das formações. As observações climáticas são registradas em um formulário online, que qualquer pessoa pode responder, porém, os cursos buscam, através dos treinamentos, garantir registros mais padronizados. 

A REVOT atua em parceria com a Cruz Vermelha Brasileira de Santa Maria, a Defesa Civil do estado de Santa Catarina, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas e com a  Organização Internacional de Emergências Terrestres, Aéreas e Marítimas do Brasil.

 

Texto: Ellen Schwade, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Design gráfico: Daniel De Carli
Foto: Ana Alicia Flores

Edição: Mariana Henriques

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/05/29/catastrofe-climatica Thu, 29 May 2025 20:32:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=69289

Abril e maio de 2024. Neste período, o Rio Grande do Sul entrou em colapso. Chuvas intensas atingiram 471 das 497 cidades gaúchas, aproximadamente 95% dos municípios, e deixaram mais de 600 mil pessoas fora de casa - os dados são da Defesa Civil do estado. A falta de uma preparação adequada do Poder Público para conter as enchentes ocasionou diversas consequências que perduram até os dias de hoje, um ano após a calamidade.

Na Região Central, mais especificamente no município de Silveira Martins, a coproprietária da loja Massas do Vale, Cleci Bianchi, ainda sente os impactos da catástrofe em seu negócio. “Eu perdi todo o estoque de massas. Eu perdi tudo. A gente tinha um gerador, que só conserva, não congela. Eu consegui [retomar], mas não muito, porque não tinha estrada nem ponte para as pessoas virem buscar [os produtos]. Até agora difícil. Muito difícil”, revelou.

Outra vítima naquela cidade foi Maria Fighera. Ela conta que no dia 30 de abril de 2024, em um momento de descanso logo após o almoço, sua família ouviu um barulho estranho e, ao olhar para o lado de fora, notou deslizamentos em um morro próximo à estrutura do seu empreendimento. Além dos presentes precisarem sair de casa, o maquinário utilizado foi levado com as enchentes e os animais, mortos.

Ela conta que, embora o prejuízo financeiro tenha sido grande, nenhuma vida humana foi perdida. “Ficamos mais de um mês sem poder sair de carro. Só pudemos sair depois que veio uma retroescavadeira que abriu a estrada, fazendo um desvio. Ficamos 15 dias sem luz, 20 dias sem internet. Ainda bem que tínhamos em casa um gerador, só faltava a gasolina”, relembrou. A única forma de saber sobre a situação dos vizinhos era pessoalmente.

Santa Maria está entre os municípios atingidos e, consequentemente, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que precisou lidar com o acontecido. O 55BET Pro Sede teve de ser evacuado e as atividades acadêmicas suspensas por 20 dias. Na sequência, foi revelado que o acervo do Departamento de Arquivo Geral da Universidade, que ficava localizado no subsolo da Reitoria, foi comprometido.

Também afetada por toda essa situação, a Instituição recorreu ao ensino, à pesquisa e à extensão, com projetos voltados à mitigação dos danos causados tanto na cidade quanto fora, colocando-se na linha de frente da rede de apoio ao Estado. Ações foram desenvolvidas em diferentes esferas para entender a complexidade da aflição que o Rio Grande do Sul viveu ao mesmo tempo em que as vítimas eram auxiliadas. Contudo, isso não basta: a UFSM segue trabalhando para evitar que esse pesadelo aconteça novamente em território gaúcho.

Imagem colorida horizontal que destaca, em mapa do RS em azul, com fundo em marrom, o fato de que choveram 600 milímetros em um único dia em cidades da Serra Gaúcha

Universidade contribui para diminuir perdas no campo

Um exemplo de ação desenvolvida pela UFSM associada à catástrofe climática é o projeto de divulgação de boletins agrometeorológicos para profissionais envolvidos com o agronegócio em Cachoeira do Sul. A iniciativa, coordenado pela professora Zanandra Oliveira, foi criada em 2017 em uma parceria entre o curso de Engenharia Agrícola com o Grupo Metos, empresa que trabalha com o monitoramento climático.

A ideia é adquirir dados relativos aos horários, temperatura, umidade relativa, chuva e velocidade do vento em Cachoeira do Sul, em tempo real, para, dessa forma, gerar boletins informativos que ajudem os produtores a tomar as melhores decisões. As informações são disponibilizadas em uma página específica no site da UFSM todo início de mês com gráficos sobre o mês anterior, fazendo um comparativo. Como o trabalho começou há aproximadamente oito anos, ainda não é possível definir um padrão no município no que diz respeito ao clima.

“As informações meteorológicas são importantes para todas as áreas do conhecimento. A gente vai pensar nas engenharias, todo o planejamento de obras é muito importante. Para o curso de Engenharia Agrícola, a gente tem uma relação direta do clima com as atividades agropecuárias. Então, é fundamental. Seria impossível a gente realizar as atividades de ensino e de pesquisa sem ter acesso a essas informações. É o clima que explica a variabilidade da educação das culturas, o bem-estar dos animais de produção. É um instrumento fundamental e necessário para essa área do conhecimento”, destacou Zanandra.

No dia 3 de junho de 2024, as secretarias da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação e de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul divulgaram um relatório acerca das perdas na produção rural causadas pelas chuvas. De acordo com o documento, elaborado com dados coletados entre 30 de abril e 24 de maio, mais de 206 mil propriedades foram afetadas por todo o Estado, prejudicando 48.674 produtores. Ao todo, 19.190 famílias tiveram perdas relacionadas às estruturas dos empreendimentos, como galpões, armazéns e estufas.

Em território cachoeirense, também surgiu, em 2020, durante a pandemia, o projeto PaComê, que consiste na promoção de teorias acerca da preparação de alimentos e o conhecimento por trás da prática. A ação tem uma parceria com a Escola Estadual Coronel Ciro Carvalho de Abreu desde 2024 e tem os jovens alunos como os responsáveis por “colocar a mão na massa”, em uma horta localizada na instituição. O objetivo é construir uma rede de entusiastas sobre a saúde alimentar, o plantio agroecológico e a culinária com produtos naturais.

A professora da UFSM, Mariana Coronas, coordenadora da iniciativa, explica os benefícios da autoprodução, levando em conta os problemas que a cidade teve durante a catástrofe climática do ano passado: “Cachoeira ficou por alguns dias desconectada. Fecharam vários acessos. A gente ficou alguns dias com os supermercados desabastecidos principalmente de produtos perecíveis. Os produtores locais, mesmo que tenham tido suas perdas, continuaram produzindo. Ter essa produção local, em casa, te dá uma certa autonomia para que, eventualmente, quando acontecerem esses eventos, ainda tenha essa fonte”.

O professor da escola cachoeirense, Volni Oestreich, destaca um dos cuidados que o grupo procura ter durante a atividade: “nós evitamos ao máximo o uso de qualquer produto químico. Então, aqui, o aluno planta, rega, colhe e entrega na cozinha da cantina. Ele mesmo acaba conseguindo participar de todo o processo do plantio e cuidado durante o crescimento. Todos esses produtos são utilizados na escola, consumidos pelos alunos e professores”.

Uma das responsáveis por atuar é Vanderleia dos Santos, estudante do curso de Engenharia Agrícola da UFSM em Cachoeira do Sul. Ela fez ensino médio na Ciro Carvalho e, através do PaComê, retornou para ajudar os atuais alunos. “Agora, com as mudanças climáticas, o fato de a gente ter essa segurança alimentar, de produzir alimentos, de ter contato com algo mais sustentável também, faz a diferença. É bem mais gratificante, saudável, e a gente consegue mostrar para eles na prática”, comentou. Ainda, na visão da acadêmica, os jovens já estão bem mais conscientes com as práticas da ação.

Imagem colorida horizontal do mapa do RS, com fundo marrom, e caixa de texto com 80% das estradas gaúchas afetas

Resistir para diminuir os impactos de novos catástrofes

A catástrofe climática também chamou a atenção dos pesquisadores da UFSM no que diz respeito à infraestrutura ambiental dos municípios. O projeto “Resiliência de redes de transporte em eventos extremos”, coordenado pelo professor Felipe Caleffi, também do campus de Cachoeira do Sul, é um exemplo. A iniciativa tem como objetivo modelar, por meio de um simulador, todas as 497 cidades do Rio Grande do Sul para entender o efeito das fortes chuvas e como elas afetam o transporte público e o transporte de emergência, como ambulâncias, viaturas da polícia e caminhões dos bombeiros.

O grupo tem a parceria da Defesa Civil do Estado, entidade que estuda quais áreas do Rio Grande do Sul são as mais críticas e devem ser modeladas com mais urgência. Com o trabalho, espera-se que seja realizado um planejamento melhor quando as crises ocorrerem. “As cidades podem se planejar melhor para quando os próximos eventos ocorrerem. A gente imagina que em algum momento vá acontecer de novo. De posse desses dados, dessas simulações, a gente consegue entender melhor os cenários”, explicou Caleffi.

Conforme reportagem publicada pelo Instituto ClimaInfo, em 4 de junho de 2024, 80% das estradas gaúchas foram prejudicadas com a catástrofe climática - aproximadamente 13,7 mil quilômetros. No mesmo texto, mas com dados do G1, constata-se que 4.521 km de vias públicas foram afetadas, “distância mais do que suficiente para atravessar o Brasil de Norte a Sul (4.397 km) e de Leste a Oeste (4.320 km)”.

Na área da arquitetura e do urbanismo, é desenvolvido o projeto Santa Maria Mais Verde Mais Resiliente. A iniciativa, que tem como coordenador o professor Edson Luiz Bortoluzzi, busca aumentar a resiliência ambiental da cidade por meio da integração de políticas urbanas e da implantação de sistemas de espaços livres.

Segundo o docente, há pelo menos 20 anos são feitas discussões na Universidade acerca da promoção de uma infraestrutura sustentável. A iniciativa, contudo, surgiu realmente a partir das enchentes de maio de 2024. A ideia é propor o desenvolvimento de espaços ambientalmente adequados a fim de proteger possíveis vítimas, uma vez que, na visão de Bortoluzzi, o problema não é a enchente nem o deslizamento, mas a localização das moradias em áreas onde acontecem desastres climáticos.

“As pessoas atingidas são aquelas de mais baixa renda. Alguns ainda dizem ‘ah, invadiram aquele lugar’. Não, estão ocupando aquele lugar porque foi o que sobrou para elas. A questão da habitação é chave, fundamental”, detalhou o professor. A proposta também envolve a região da Quarta Colônia, em parceria com o Geoparque Quarta Colônia, e tem a intenção de, além de pensar na infraestrutura, investir simultaneamente no aspecto social que envolve a vulnerabilidade ambiental.

“A gente tem que ter espaços para caminhar, para fazer exercícios. [Tem] a questão da saúde mental, porque quando a gente fala em exercícios e parques não é só [sobre] saúde física, é a saúde mental também. E esses espaços verdes, essas áreas verdes (...) certamente tem que estar atrelados na ideia de reduzir as enchentes”, destacou Bortoluzzi.

Imagem colorida horizontal de mapa do RS com destaque com o total de 206 mil propriedades rurais afetadas durante as enchentes

‘Todo desastre tem uma linha do tempo’

É normal ocorrerem tempestades severas entre abril e maio, com ventos fortes e até mesmo granizo, no Rio Grande do Sul. Entretanto, a razão por trás da catástrofe climática diz respeito a uma situação de bloqueio das ondas atmosféricas. Isso significa que não houve uma intercalação entre períodos de chuva e tempo seco, o que fez com que a tempestade ficasse parada e o nível de água na Terra aumentasse. As informações são de acordo com o professor do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia e coordenador do Grupo de Modelagem Atmosférica de Santa Maria (GruMA) da UFSM, Vagner Anabor.

Ainda, segundo o docente, esse entrave ambiental durou cerca de duas semanas. Na Região Central, mais de 250 milímetros de chuva caíram em um único dia, enquanto lugares como a Serra Gaúcha sofreram com 600 milímetros por dia. Tipicamente, entre abril e maio, são cerca de 150 milímetros por mês. “Esses fenômenos foram muito intensos no estado do Rio Grande do Sul. Posso falar tranquilamente que é o maior desastre já ocorrido porque, para ter uma situação de desastre, a gente precisa ter: um fenômeno acontecendo, uma população exposta a esse fenômeno e que essa população exposta seja vulnerável, não esteja preparada”, afirmou Anabor.

A professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Márcia Amaral, evidencia a temporalidade da situação: “todo desastre tem uma linha do tempo. O desastre nunca começa quando eclode, começa muito tempo antes, e nunca termina em uma data específica. Ele perdura por longos anos na vida de uma comunidade”. Para ela, durante a crise climática, foi possível ver os governos do Estado convocando especialistas de fora para estudar a recuperação de toda a área atingida, mesmo que houvesse soluções “caseiras”, com muita expertise. “Nós criamos uma rede de emergência climática no Rio Grande do Sul reunindo mais de 100 cientistas e buscando justamente que essas pessoas tivessem alguma força junto à mídia, junto à imprensa e junto aos governos, para que esse conhecimento gerado dentro das universidades pudesse também ser acessado nos momentos práticos da recuperação do Estado”.

Na visão de Anabor, hoje, a UFSM forma os melhores previsores de tempo severo do Brasil, com as instituições de ensino superior gaúchas sendo referência na formação de profissionais da meteorologia. Contudo, pela falta de estrutura, os outros estados ficam com essa mão de obra. “A tecnologia que nós dominamos na UFSM permite prever e antecipar esses fenômenos com grande eficiência. A qualificação técnica e o preparo das comunidades é o que a gente precisa, encontrar meios de transferir essa informação lá para ‘a ponta’ da sistema, porque se uma pequena escola do interior não estiver preparada para o desastre e as pessoas não tiverem consciência do problema nem de como reagir a uma situação de emergência, por menor que seja o fenômeno, vai ser muito grave”, afirmou.

Outra ação desenvolvida pela Universidade foi a Sociologia do Alerta, coordenada pela professora do curso de Ciências Sociais, Mari Cleise Sandalowski, que está à frente do projeto Catástrofes Sócio Climáticas. A iniciativa surgiu durante as enchentes de 2024 com o questionamento de como a área das ciências sociais poderia contribuir. A resposta: realizando um mapeamento das características sócio-culturais das comunidades que sofreram com questões de ordem ambiental não só no último ano, mas desde a década de 1990.

Na primeira etapa, o que mais chamou a atenção da docente foi que, no Rio Grande do Sul, há uma ocorrência de eventos que destoa do resto do Brasil. Enquanto no país é possível identificar elementos de ordem climatológica com o passar do tempo, em território gaúcho, de 15 anos para cá, são eventos de ordem hidrológicas. Em Santa Maria, regiões de bairros como Tancredo Neves, Chácara das Flores, Itararé, KM3 e Camobi são as mais afetadas pelas ocorrências.

Na Sociologia do Alerta, uma questão que também é abordada é a memória dos moradores dessas localidades. Mari Cleise conta que não é simples fazer com que uma pessoa, apesar das claras questões ambientais, deixe um lugar. “Não é suficiente você simplesmente retirar as famílias de um local e alojá-las em outro. Você não leva em consideração a memória afetiva, os laços com a vizinhança, os laços familiares, a questão da rede de apoio. Como fica a questão afetiva? O que é um risco, afinal? Para uma população que muitas vezes está em uma situação de precariedade social, de baixa renda, que não tem acesso ao saneamento básico, à segurança pública, à educação dentro dos fatores. Essas questões também são de risco”, pontuou.

Imagem colorida horizontal de um mapa do RS em infográfico. A imagem traz a fala do professor Vagner Anabor: se uma pequena escola do interior não estiver preparada para o desastre e as pessoas não tiverem consciência do problema nem de como reagir a uma situação de emergência, por menor que seja o fenômeno, vai ser muito grave

Enfrentamento exige esforço conjunto

Uma coisa é certa: apesar das investidas de instituições como a UFSM e do próprio Governo Federal, fortes chuvas, acompanhadas de ventos intensos e descargas elétricas, seguirão acontecendo no Rio Grande do Sul. No período em que a catástrofe climática completou um ano, a Defesa Civil gaúcha emite diferentes alertas para moradores de diferentes regiões do Estado acerca de possíveis transtornos que poderiam ocorrer.

A Secretaria Extraordinária da Presidência da República de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul (SERS), criada em meio às enchentes por meio de uma Medida Provisória, hoje não tem mais status de ministério. A pasta, então comandada por Paulo Pimenta, foi extinta no dia 20 de dezembro.

O objetivo principal da SERS foi organizar as demandas do Rio Grande do Sul e facilitar o envio de verbas do Governo Federal que, ao todo, investiu R$ 98,7 bilhões em medidas de reconstrução e apoio ao Estado. Desse montante, R$ 42,3 bilhões já chegaram “às mãos” do povo gaúcho entre repasses aos municípios afetados, criação de novas casas, descontos em dívidas, reformas em escolas e unidades básicas de saúde e compra de medicamentos.

A agora Secretaria para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul integra a Secretaria-Executiva da Casa Civil, do ministro Rui Costa, e deverá ser extinta em 30 de maio deste ano. Emanuel Hassen de Jesus, o Maneco, ex-prefeito de Taquari que, em 2023, foi secretário de Comunicação Institucional da Secretaria de Comunicação Social, é quem hoje dirige o setor.

 

O enfrentamento de catástrofes climáticas exige muito mais do que ações emergenciais durante os episódios e medidas de reconstrução após os eventos extremos. É necessário que os poderes públicos municipal, estadual e federal, as instituições, a iniciativa privada e as comunidades estejam melhores preparados antes da ocorrência de tempestades, enchentes ou deslizamentos. Tudo começa com o entendimento de que o clima gaúcho sofre com situações extremas e que o ‘novo normal’, resultante do aquecimento global, intensifica isto. Diminuir riscos para todos abrange a compreensão de que o preparo deve levar em consideração aspectos ambientais, tecnológicos, econômicos, sociais e culturais.

Repórter Universitário é um projeto da Agência de Notícias e da TV 55BET Pro com o objetivo de produzir conteúdo multimídia e multiplaforma por estudantes de Comunicação Social sob a supervisão de técnicos da área

Reportagem digital: Pedro Pereira (jornalista)

Reportagem audiovisual: Milene Eichelberger (jornalista) 

Captação de imagens: Felippe Richardt (técnico em audiovisual), Leonardo Dalla Porta (publicitário) e Taiane Wendland (acadêmica de Produção Editorial, bolsista da TV 55BET Pro)

Edição de imagensFelippe Richardt (técnico em audiovisual) e Taiane Wendland (acadêmica de Produção Editorial)

Arte: Daniel Michelon De Carli (analista de TI e designer)

Edição: Mariana Henriques (jornalista) e Maurício Dias (jornalista)

Supervisão geral: Felippe Richardt (TV 55BET Pro) e Mariana Henriques (Agência de Notícias)

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Há um ano, em maio de 2024, os cursos de graduação e pós-graduação em Meteorologia da UFSM entraram para o quadro de instituições parceiras recomendadas para ensino e treinamento da Organização Meteorológica Mundial (WMO, de World Meteorological Organization), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para assuntos de Clima e Recursos Hídricos/Água. Com isso, a área de Meteorologia da Universidade tornou-se um polo de referência para a América do Sul, Caribe e países de língua portuguesa na África, possibilitando a vinda de estudantes estrangeiros e fomentando a internacionalização.

Desde então, o Programa de Pós-Graduação em Meteorologia (PPGMet) pode oferecer até 20 bolsas de mestrado e doutorado por ano para estrangeiros, totalmente financiadas pela WMO. Atualmente, mais de 30% dos alunos do PPGMet são estrangeiros que buscam qualificação e posteriormente regressam, levando as mais avançadas técnicas de previsão de tempo e clima para seus países. Há alunos de países como Cuba, Moçambique e Angola, entre outros.

"Essa colaboração com a WMO promove intercâmbios e capacitação de recursos humanos, ampliando o uso da infraestrutura existente e fortalecendo a inserção internacional do Brasil em instituições meteorológicas", avalia o professor Vagner Anabor, coordenador substituto do PPGMet.

Primeira e única brasileira 

Atualmente há apenas 14 instituições, de 11 países, credenciadas para o programa de bolsas da WMO. A UFSM é a única brasileira a figurar entre as mais relevantes para ensino e treinamento de meteorologia no mundo, ao lado da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos; University of Reading, do Reino Unido; Russian State Hydrometeorological University, da Rússia; Nanjing University, da China; entre outras.

Além disso, Vagner tem um mandato de vice-coordenação no Consórcio de Parceiros Colaboradores de Educação e Treinamento da WMO, que regulamenta e orienta as diretrizes para organização de cursos e treinamentos em meteorologia em 193 países-membros da WMO. Foi por meio desse trabalho que a UFSM tornou-se a primeira universidade brasileira a ser outorgada como centro de referência para ensino e treinamento da WMO. 

Em agosto de 2024, uma comitiva do Centro Virtual de Ensino e Treinamento em Meteorologia (CVEM), formado por uma rede de instituições de ensino na área e que tem vínculo com a WMO, esteve em Santa Maria para uma série de reuniões e visitas técnicas. A UFSM tem uma cadeira no conselho do CVEM, exercendo a liderança nas ações de pós-graduação. 

O relatório da comitiva só foi divulgado recentemente. De todas as instituições brasileiras avaliadas, a UFSM ganhou um destaque especial pelas ações desenvolvidas, principalmente com relação ao acordo com a WMO, aspectos de internacionalização, assistência estudantil e excelência acadêmica. 

Alguns dos destaques da Meteorologia da UFSM, conforme relatório do CVEM:

- Pioneira em comunicação meteorológica: oferece o primeiro curso de Meteorologia e Mídia do Brasil, agora regular, e desenvolveu a iniciativa "Comunicação Meteorológica Eficiente", em parceria com o IFSC, com edições em 2024;

- Corpo docente qualificado: 13 professores doutores e dois técnicos, com expertise em diversas áreas da meteorologia;

- Infraestrutura tecnológica: laboratórios, ferramentas multimídia e plataformas como Moodle e Google Scholar, apoiadas pela Coordenadoria de Tecnologias Educacionais;

- O programa de graduação segue diretrizes da WMO e do Escritório Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), com avaliações processuais (teóricas, práticas e debates);

- Uso de metodologias ativas (sala de aula invertida, avaliações formativas) e suporte contínuo aos alunos;

- Cooperação global: parcerias com França, China, EUA e Argentina, além de receber estudantes de diversos países.

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Na noite de ontem, o meteorologista e professor do curso de Meteorologia do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), Ernani Lima Nascimento concedeu uma entrevista ao "Jornal das Dez" da Globo News para discutir o impacto e as características do furacão Milton, que atualmente está causando estragos nos Estados Unidos.

[caption id="" align="aligncenter" width="602"]Imagem espacial e térmica do furacão Milton  Fonte WXNB: Imagem espacial e térmica do furacão Milton [/caption]

Durante a entrevista, o Professor Ernani destacou a importância de entender os padrões climáticos e os fatores que contribuem para a formação de furacões tão intensos como o Milton. Ele explicou que o furacão se desenvolveu de forma rápida devido a uma combinação de temperaturas elevadas da superfície do mar e condições atmosféricas favoráveis.

[caption id="" align="alignright" width="472"]Fonte G1 - Imagens da destruição Fonte G1 - Imagens da destruição[/caption]

Estamos observando um fenômeno climático extremo que exige atenção e preparação adequadas. A ciência meteorológica tem um papel crucial em prever e mitigar os impactos desses eventos”, afirmou o professor.

Além de fornecer uma análise detalhada sobre o furacão, Ernani também enfatizou a importância da pesquisa científica e do conhecimento produzido pelo CCNE. “É fundamental que continuemos a investir em pesquisa e educação para melhor compreender e enfrentar os desafios climáticos globais”, disse ele.

A participação do Professor Ernani na Globo News é mais um exemplo de como os docentes e pesquisadores do CCNE estão levando o nome da instituição e a ciência brasileira para o mundo. Sua expertise e dedicação são essenciais para promover uma maior conscientização sobre as mudanças climáticas e suas consequências.

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Para mais detalhes sobre a entrevista e as análises, acesse o site oficial da edição do dia 09/10/2024: http://globoplay.globo.com/v/13000618/?s=7625s.

Quer saber mais sobre o Professor Ernani,  clique aqui.

 

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/08/14/professores-da-ufsm-serao-palestrantes-da-conferencia-pan-americana-de-meteorologia Wed, 14 Aug 2024 19:50:50 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=66548 Conferência Pan-Americana de Meteorologia, de 19 a 23 de agosto de 2024, no campus sede da Universidade de São Paulo (USP). Entre os palestrantes e painelistas, estão professores do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia da UFSM, cujos nomes constam abaixo: - Simone Teleginski Ferraz, como membro da coordenação geral; - Damaris Pinheiro, na sessão temática “Aerossóis e transporte atmosférico”; - Vagner Anabor, na mesa-redonda “World Meteorological Organization initiatives (WMO): Virtual Teaching Center and Consortium of WMO Education and Training Collaborating Partners” e na sessão temática (e minicurso) “Comunicação Meteorológica Eficiente”; - Ernani de Lima Nascimento, na mesa-redonda “Mudanças climáticas: um futuro em risco: impactos das chuvas extremas no RS” e sessão temática “Nowcasting no Brasil e Cone Sul: cooperação regional para previsões eficientes”; - Felipe Denardin e Gervásio Annes Degrazia, na sessão temática “Poluição e micrometeorologia”. Além desses pesquisadores, diversos trabalhos serão apresentados por alunos de graduação e pós-graduação ligados à Meteorologia da UFSM.]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/08/06/projeto-da-ufsm-visa-estabelecer-um-sistema-de-alerta-eficaz-para-riscos-climaticos Tue, 06 Aug 2024 12:07:21 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=66465 [caption id="attachment_66488" align="alignright" width="795"]foto horizontal colorida com um grupo de pessoas em frente a uma casinha branca com grandes antenas tipo parabólicas em cima, em um campo aberto em dia de sol Pesquisadores na estação meteorológica da UFSM[/caption]

Em resposta às devastadoras enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul, o Comitê de Apoio para Eventos Extremos e Emergências (CARE) da UFSM foi criado com a missão de implementar iniciativas e projetos voltados para a gestão de eventos extremos e emergências. Um dos destaques dessa atuação é o Projeto Integrado de Monitoramento e Previsão Climática, Hidrológica e Geotécnica, que visa estabelecer um sistema de alerta eficaz para riscos climáticos.

Através da combinação de modernos sistemas de monitoramento e modelos meteorológicos, hidrológicos e geotécnicos, o projeto tem como objetivo prever os impactos de fenômenos climáticos extremos em pequenas bacias hidrográficas, buscando mitigar os efeitos devastadores dessas situações sobre as comunidades afetadas.

Atualmente, a UFSM conta com sistemas computacionais de alto desempenho que, de acordo com o coordenador principal do projeto, Vagner Anabor, precisam ser aprimorados, além de estações científicas de observação meteorológica. No entanto, é necessário ampliar esses recursos para que se possa ter um monitoramento equivalente em nível regional. Há previsão de aquisição de novas estações meteorológicas para o projeto.

O projeto conta com três coordenadores: Vagner Anabor, do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia da UFSM, lidera a coordenação principal; a parte de Geotecnia é supervisionada pelo professor do Departamento de Engenharia Civil Magnos Baroni; e a parte hidrológica está sob a responsabilidade do professor Daniel Allasia, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. 

Rede de monitoramento

“A proposta consiste em desenvolver uma rede de monitoramento meteorológico e hidrológico de alta resolução em pequenas bacias, ou seja, em bacias hidrográficas como a do Rio Soturno e rios da Quarta Colônia”, afirma Anabor. Segundo ele, essas áreas geralmente não são mapeadas nem monitoradas pelos sistemas hidrológicos nacionais, que priorizam grandes bacias. O Rio Soturno será monitorado pelo projeto, assim como os principais rios da Quarta Colônia.

Além de prever chuvas intensas, o projeto também permitirá prever condições de tempestades severas que produzem granizo, danos por ventos, e funcionará como sistema de monitoramento contínuo. De acordo com o professor, essas informações são fundamentais para o desenvolvimento regional, sobretudo de atividades relacionadas à agricultura, uma vez que podem ser usadas para um planejamento agrícola e previsões de secas.

O projeto começa com o monitoramento meteorológico e hidrológico, que fornece uma base de comparação com as previsões meteorológicas de chuvas de até sete dias. Essas previsões e os dados observados ajudam a prever quais serão os volumes de chuva. Então, essas informações entram no modelo hidrológico, que transforma os dados em nível de rio, velocidade da água, mancha de inundação e outras variáveis.

Da mesma forma, esses conhecimentos também são importantes para a parte de geotecnia, uma vez que as informações sobre chuvas são fundamentais para a estabilização de terrenos e encostas, permitindo se prever o impacto das chuvas tanto nos rios quanto na possibilidade de deslizamentos.

Informações para a Defesa Civil e comunidade

O projeto, com duração de dois anos, disponibilizará os dados coletados às comunidades por meio de um aplicativo e redes sociais. Como ainda está em fase de implementação, existe a previsão de instalação de sistemas e, posteriormente, a integração dos dados e a divulgação dessas informações via aplicativo. Esses serviços deverão estar disponíveis também para a Defesa Civil, órgão responsável por um conjunto de ações preventivas, de socorro, assistenciais e reconstrutivas, destinadas a evitar ou minimizar desastres naturais e acidentes tecnológicos, preservar a moral da população e restabelecer a normalidade social. Anabor enfatiza que o papel do projeto é informar a população para sua própria proteção, mas, sobretudo, amparar o trabalho da Defesa Civil.

O projeto está na fase de obtenção de recursos, por meio de contatos com prefeituras. Após o período de dois anos, o sistema deverá estar estruturado e poderá ser assumido de forma cooperativa com outras parcerias públicas ou privadas.

Texto: João Pedro Sousa, acadêmico de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Artes gráficas: Daniel Michelon De Carli, designer
Foto: Arquivo pessoal

Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/07/03/equipe-de-meteorologistas-da-ufsm-atua-em-sao-luiz-gonzaga Wed, 03 Jul 2024 18:01:23 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=66189

Em resposta à atual crise climática que assola o Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) vem implementando uma série de ações emergenciais para ajudar as comunidades mais afetadas. Entre essas iniciativas, está o trabalho de campo realizado por pesquisadores da meteorologia, em São Luiz Gonzaga, região atingida por ventos severos. Com o apoio da reitoria e do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), a equipe de pesquisadores da área da meteorologia se mobilizou para realizar um mapeamento detalhado dos danos na região. 

O grupo foi composta pelos docentes do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia (PPGMET), Ernani Nascimento e Vagner Anabor, pelo pós-doutorando Maurício Ilha, pelo Técnico Meteorologista da UFSM, Murilo Lopes, além dos estudantes de mestrado e doutorado no PPGMET, Elisvania Machado e Leonardo Furlan. A operação, essencial para a compreensão e mitigação dos impactos climáticos, contou com o suporte da Defesa Civil local e o uso de drones para capturar e analisar dados críticos sobre os fenômenos meteorológicos que atingiram a região.

De acordo com Murilo, o trabalho de campo começou após um temporal registrado no dia 15 de junho. Em uma resposta rápida, a equipe de meteorologia da UFSM se deslocou para o município de São Luiz Gonzaga na segunda-feira (17), antes que moradores da região pudessem modificar a cena onde ocorreu o fenômeno. Fazendo o uso de drones, os pesquisadores realizaram voos para capturar imagens aéreas que permitissem uma compreensão maior do processo de destruição e do espalhamento dos destroços causados pelos ventos. A análise dessas imagens ajudou a identificar se os danos foram provocados por tornados, microexplosões ou outros fenômenos meteorológicos. Além destas, imagens da câmera de segurança de um banco registraram o fenômeno ao vivo, o que também auxiliou no processo de identificação deste.

Região de São Luiz Gonzaga, após noite de chuvas intensas que provocaram danos graves em casas e em infraestruturas, causadas por uma microexplosão. Fonte: Curso de Meteorologia da UFSM

A identificação do fenômeno e como ele aconteceu 

[caption id="attachment_66191" align="alignleft" width="595"] Ilustração de como ocorre o fenômeno da microexplosão. Movimentos de ar frio descem das nuvens de tempestades muito rapidamente, podendo atingir uma área de até 4 km. (Fonte: Diagramação por Natália Huber da Silva)[/caption]

Para a realização do trabalho, foram utilizados drones convencionais para capturar imagens aéreas com qualidade de até 4K (ou Ultra HD, a segunda maior resolução do mercado). As imagens coletadas permitiram a análise da direção dos ventos e a confirmação de que o fenômeno foi uma microexplosão, caracterizada por danos divergentes espalhados na mesma direção. 

Segundo Murilo, as microexplosões são fenômenos meteorológicos associados a tempestades severas, caracterizadas por movimentos descendentes de ar frio dentro das nuvens de tempestade. Quando esse ar frio e pesado desce de forma rápida e atinge o solo, ele se espalha lateralmente, gerando ventos destrutivos em uma área com diâmetro inferior a 4 km. Esse espalhamento rápido do ar ao atingir o solo resulta em danos divergentes, o que diferencia as microexplosões de outros fenômenos como tornados, que causam danos convergentes.

O mapeamento foi realizado por meio de fotos georreferenciadas, ou seja, registradas por um sistema de coordenadas geográficas, assim localizando o local exato onde os danos foram observados. Deste modo, os pesquisadores delimitaram a extensão da área afetada, registrando desde danos menores – nas bordas do diâmetro do fenômeno – até os mais severos – no centro da área impactada. 

A área mapeada possui aproximadamente três quilômetros de diâmetro e inclui danos graves a:

  • Infraestruturas: com a destruição de galpões de cooperativas e quedas parciais de silos de grãos, galpões de concreto e alvenaria com paredes externas destruídas na periferia da cidade.
  • Quedas de árvores sobre casas: que causaram destelhamento de várias residências.

Esses danos são condizentes com os ventos da microexplosão, que atingiram até 150 km/h, possivelmente mais intensos em locais centrais do fenômeno. A microexplosão foi confirmada pela equipe após observar os danos causados pelo vento que se espalhou lateralmente ao atingir o solo da região.

Participação da Defesa Civil

A equipe da UFSM entrou em contato a Defesa Civil e com o Tenente Cristiano Machado para obter maior precisão na delimitação das áreas afetadas e identificar o tipo de estrago que ocorreu. Esse contato é importante uma vez que a Defesa Civil é a primeira a chegar aos locais atingidos por tempestades e outros eventos meteorológicos extremos. 

Os agentes forneceram indicações das áreas mais afetadas, estabelecendo contato com a prefeitura municipal e fornecendo imagens capturadas no dia seguinte à tempestade. Igualmente, estabeleceram diálogo com os moradores das áreas atingidas para que os pesquisadores pudessem coletar relatos. 

Essas informações foram essenciais para confirmar o fenômeno causador como sendo uma microexplosão.

Próximos passos

A equipe de meteorologistas da UFSM irá analisar os dados coletados com mais detalhes, buscando estimar a intensidade máxima das rajadas de vento registradas. 

Esses eventos serão classificados em uma escala semelhante à utilizada para tornados, para melhor compreensão da intensidade dos ventos durante esta microexplosão em São Luiz Gonzaga. 

A equipe também planeja elaborar uma nota técnica que detalhe a distribuição geográfica das velocidades mais altas da microexplosão ao longo da cidade afetada, delimitando, mais precisamente, a extensão dos estragos. Essa nota também incluirá uma caracterização da tempestade e do fenômeno de microexplosão, conforme identificado nas análises realizadas.

Texto: Subdivisão de Comunicação do CCNE

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/2024/07/03/equipe-de-meteorologistas-da-ufsm-atua-em-sao-luiz-gonzaga-resposta-emergencial-a-crise-climatica-no-rio-grande-do-sul Wed, 03 Jul 2024 17:05:32 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/?p=5113

Em resposta à atual crise climática que assola o Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) vem implementando uma série de ações emergenciais para ajudar as comunidades mais afetadas. Entre essas iniciativas, está o trabalho de campo realizado por pesquisadores da meteorologia, em São Luiz Gonzaga, região duramente atingida por ventos severos. Com o apoio da reitoria e do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), a equipe de pesquisadores da área da meteorologia se mobilizaram para realizar um mapeamento detalhado dos danos na região. 

A equipe foi composta pelos docentes do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia (PPGMET) Ernani Nascimento e Vagner Anabor, pós-doutorando Maurício Ilha, Técnico Meteorologista da UFSM Murilo Lopes e estudantes de mestrado/doutorado no PPGMET Pós Graduação Elisvania Machado e Leonardo Furlan. A operação, essencial para a compreensão e mitigação dos impactos climáticos, contou com o suporte da Defesa Civil local e o uso de drones para capturar e analisar dados críticos sobre os fenômenos meteorológicos que atingiram a região.

De acordo com Murilo, o trabalho de campo começou após um temporal registrado no dia 15 de junho (sábado). Em uma resposta rápida, a equipe de meteorologia da UFSM se deslocou para o município de São Luiz Gonzaga na segunda-feira (17), antes que moradores da região pudessem modificar a cena onde ocorreu o fenômeno. Fazendo o uso de drones, os pesquisadores realizaram voos para capturar imagens aéreas que permitissem uma compreensão maior do processo de destruição e do espalhamento dos destroços causados pelos ventos. A análise dessas imagens ajudou a identificar se os danos foram provocados por tornados, microexplosões ou outros fenômenos meteorológicos. Além destas, imagens da câmera de segurança de um banco (clique aqui para acessar) registraram o fenômeno ao vivo, o que também auxiliou no processo de identificação deste.

[caption id="attachment_5114" align="aligncenter" width="1024"] Região de São Luiz Gonzaga, após noite de chuvas intensas que provocaram danos graves em casas e em infraestruturas, causadas por uma microexplosão. Fonte: Curso de Meteorologia da UFSM[/caption]

A identificação do fenômeno e como ele aconteceu 

Para a realização do trabalho, foram utilizados drones convencionais para capturar imagens aéreas com qualidade de até 4K (ou Ultra HD, a segunda maior resolução do mercado). As imagens coletadas permitiram a análise da direção dos ventos e a confirmação de que o fenômeno foi uma microexplosão, caracterizada por danos divergentes espalhados na mesma direção. 

Segundo o técnico Murilo, as microexplosões são fenômenos meteorológicos associados a tempestades severas, caracterizadas por movimentos descendentes de ar frio dentro das nuvens de tempestade (Imagem 1). Quando esse ar frio e pesado desce de forma rápida e atinge o solo, ele se espalha lateralmente, gerando ventos destrutivos em uma área com diâmetro inferior a 4 km. Esse espalhamento rápido do ar ao atingir o solo resulta em danos divergentes, o que diferencia as microexplosões de outros fenômenos como tornados, que causam danos convergentes. 

[caption id="attachment_5116" align="alignnone" width="1080"] Ilustração de como ocorre o fenômeno da microexplosão. Movimentos de ar frio descem das nuvens de tempestades muito rapidamente, podendo atingir uma área de até 4 km. Fonte: Diagramação por Natália Huber da Silva, 2024.[/caption]

O mapeamento foi realizado por meio de fotos georreferenciadas, ou seja, registradas por um sistema de coordenadas geográficas, assim localizando o local exato onde os danos foram observados. Deste modo, os pesquisadores delimitaram a extensão da área afetada, registrando desde danos menores - nas bordas do diâmetro do fenômeno - até os mais severos - no centro da área impactada. 

A área mapeada possui aproximadamente três quilômetros de diâmetro e inclui danos graves a:

  • Infraestruturas: com a destruição de galpões de cooperativas e quedas parciais de silos de grãos, galpões de concreto e alvenaria com paredes externas destruídas na periferia da cidade.
  • Quedas de árvores sobre casas: que causaram destelhamento de várias residências.

Esses danos são condizentes com os ventos da microexplosão, que atingiram até 150 km/h, possivelmente mais intensos em locais centrais do fenômeno. A microexplosão foi confirmada pela equipe após observar os danos causados pelo vento que se espalhou lateralmente ao atingir o solo da região.

Participação da Defesa Civil

A equipe entrou em contato com esta organização e o Tenente Cristiano Machado, para obter maior precisão na delimitação das áreas afetadas e identificar o tipo de estrago que ocorreu. Esse contato é importante, uma vez que a Defesa Civil é a primeira a chegar aos locais atingidos por tempestades e outros eventos meteorológicos extremos. 

Os agentes forneceram indicações das áreas mais afetadas, estabelecendo contato com a prefeitura municipal e fornecendo imagens capturadas no dia seguinte à tempestade. Igualmente, estabeleceram diálogo com os moradores das áreas atingidas para que os pesquisadores pudessem coletar relatos. 

Essas informações foram essenciais para confirmar o fenômeno causador como sendo uma microexplosão.

Próximos passos

A equipe de meteorologistas da UFSM irá analisar os dados coletados, com mais detalhes, buscando estimar a intensidade máxima das rajadas de vento registradas. 

Esses eventos serão classificados em uma escala semelhante à utilizada para tornados, para melhor compreensão da intensidade dos ventos durante esta microexplosão em São Luiz Gonzaga. 

A equipe também planeja elaborar uma nota técnica que detalhe a distribuição geográfica das velocidades mais altas da microexplosão ao longo da cidade afetada, delimitando, mais precisamente, a extensão dos estragos. Essa nota também incluirá uma caracterização da tempestade e do fenômeno de microexplosão, conforme identificado nas análises realizadas.

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A atuação rápida e eficiente da equipe em São Luiz Gonzaga demonstra a importância da pesquisa acadêmica no enfrentamento de crises climáticas. Com a colaboração da Defesa Civil, métodos adequados de pesquisa e o uso de tecnologia avançada, os pesquisadores conseguem fornecer informações para a prevenção e mitigação de futuros desastres naturais, como este, no Rio Grande do Sul.

 

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE da UFSM.

Revisão e edição: Natália Huber da Silva, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/06/04/monitoramento-meteorologico-em-resposta-a-desastres-no-rio-grande-do-sul-e-realizado-pelo-curso-de-meteorologia Tue, 04 Jun 2024 17:10:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65969

Através da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o município está na linha de frente de uma batalha fundamental contra os desastres naturais causados pelas chuvas excessivas que ocorreram no final de abril e em maio deste ano. Segundo Vagner Anabor, docente do curso de Meteorologia do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), instrumentos meteorológicos instalados no campus universitário detectaram, no dia 29 de abril de 2024, volumes de chuva que ultrapassaram os 80 milímetros em poucas horas, uma quantidade que já representava um quinto da precipitação esperada para o mês inteiro. Esse cenário desencadeou uma resposta rápida e coordenada, envolvendo uma força-tarefa interdisciplinar, entre os pesquisadores do curso de Meteorologia da UFSM junto à Defesa Civil e o apoio de organizações humanitárias para ajudar a reduzir os impactos causados pelos eventos climáticos.

Previsões do curso

O docente relata que o curso de Meteorologia da UFSM, dentro de suas atividades rotineiras de previsão do tempo, vinha identificando um padrão de frente estacionária (tipo de frente que resulta quando uma frente fria ou quente deixa de se mover) que os preocupava. Todos os modelos mostravam volumes acumulados de chuva acima de 100 milímetros, chegando a mais de 200 milímetros em algumas localidades, em apenas 24 horas. No dia 29, os instrumentos instalados no sítio do radar meteorológico da Universidade permitiram identificar chuvas extremamente intensas, com mais de 30 milímetros acumulados nas primeiras horas do dia, sendo que a média anual de chuva na região é em torno de 120 a 150 milímetros mensais. Esse padrão anômalo de precipitação levou os pesquisadores a alertar a administração da Universidade sobre os perigos, resultando no contato imediato com a Defesa Civil.  

Montagem de uma força-tarefa: parcerias e ações humanitárias

Imediatamente, uma força-tarefa para a previsão de eventos meteorológicos extremos foi montada, contando com uma equipe interdisciplinar da área da meteorologia. A equipe incluiu o grupo de climatologia para avaliações de grande escala, um grupo de modelagem atmosférica para produtos de previsão do tempo, a Rede Voluntária de Observadores de Tempestades (REVOT), além de graduandos e pós graduandos vinculados a outros laboratórios do CCNE. Esta rede também teve a colaboração do grupo Prevotes, sob coordenação do professor Ernani de Lima Nascimento, igualmente docente do curso de Meteorologia da UFSM. O grupo organiza e realiza a previsão do tempo severo para toda a Região Sul do Brasil. Todos estes colaboradores, voluntariamente, se dedicaram a manter uma previsão operacional em regime de 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Esta equipe elaborou boletins meteorológicos diários contendo informações objetivas sobre os dados acumulados de chuva, previsões detalhadas focadas na quantidade de chuva, local de ocorrência, intensidade, ventos e temperaturas. A previsão é realizada diariamente, com um horizonte de informações para cinco dias, sendo três de previsão e os próximos dois dias de tendências meteorológicas. Estes boletins permitem uma orientação mais precisa para as operações da Defesa Civil, auxiliando nos sistemas de busca, salvamento e socorro, otimizando o uso dos recursos e maximizando a proteção da vida. 

[caption id="attachment_65970" align="alignleft" width="499"] Pesquisadores também auxiliaram a traçar rotas para aviões de ajuda humanitária[/caption]

O grupo de Apoio Aéreo em Situações Especiais (ASES Brasil), igualmente, solicitou apoio ao grupo de pesquisadores desta rede de especialistas. A  ASES realiza ações aéreas humanitárias, sendo já enumeradas mais de 60 missões de auxílio aos desastres no Rio Grande do Sul (RS), somando mais de 120 horas de voos. Transportaram, em pequenas aeronaves, mais de 3,5 toneladas de medicamentos e equipes da área de saúde para áreas remotas atingidas pelo desastre. Esses voos partiram de diversas regiões do Brasil, incluindo São Paulo, Goiás e Belém, trazendo recursos médicos essenciais para locais isolados do RS.

A ação também contou com a participação de importantes órgãos que visam a pesquisa, o fornecimento e transparência de dados, como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC); o curso de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel); e a Base Aérea de Santa Maria, representada pelo Major José Lourêdo Fontinele. De acordo com Anabor, “a sinergia das instituições no âmbito federal e também no âmbito regional permitiram ter a máxima eficiência possível dentro dessa fase de resposta emergencial, o desastre”.

Centro de prevenção de desastres: iniciativas e estrutura em Santa Maria

No contexto da proteção e redução de riscos de desastres, a adoção das metodologias recomendadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) é fundamental para garantir segurança durante a fase de reconstrução. Para isso, é necessário um sistema  de prevenção e mitigação para instruir as comunidades para a fase de preparo em caso de desastres anunciados e reduzir e despender recursos nas fases emergenciais, de reconstrução e reabilitação.

O INPE e a UFSM concordam que a criação de um sistema de prevenção é vital. O foco será a efetivação do Centro Brasileiro para Previsão e Estudos de Tempestades Severas. O Centro permitirá a transferência tecnológica entre práticas desenvolvidas na pesquisa, ensino e extensão. Assim, as tecnologias desenvolvidas pelo Grupo de Modelagem Atmosférica da UFSM são incorporadas aos sistemas já existentes nos centros meteorológicos e da defesa civil, melhorando a precisão das previsões de tempestades severas e permitindo uma resposta mais eficiente a eventos climáticos extremos. Estas incluem a adaptação e implementação de modelos numéricos de previsão do tempo e sistemas de alerta em centros meteorológicos operacionais, bem como por meio de treinamentos e capacitações oferecidas aos meteorologistas. Esses modelos e sistemas, que incluem algoritmos de previsão imediata do tempo e plataformas de monitoramento. 

Além disso, com o Centro Brasileiro para Previsão e Estudos de Tempestades Severas também será possível a condução de atividades com melhores técnicas, como a previsão do tempo de curtíssimo prazo (até três horas); a previsão do tempo de curto e médio prazo (até dez dias); e a previsão climatológica para escalas sazonal e intrasazonal.

Por que Santa Maria?

Em 1996, a cidade foi escolhida pelo INPE para abrigar a Coordenação Espacial do Sul (COESU), devido ao seu potencial em formação de recursos humanos e pesquisa, o que facilitou a escolha deste Centro a ser realizado no campus da UFSM. O prédio recebeu um investimento significativo em infraestrutura, incluindo geradores e no-breaks para operação contínua; sistemas independentes de água e comunicação; operação de equipes 24 horas por dia, 7 dias por semana; e instalações de hotel e restaurante dentro da edificação.

Por ficar localizada no centro do estado do Rio Grande do Sul, Santa Maria se torna estratégica para operações de resgate e salvamento, tendo benefícios como a previsão meteorológica de alta qualidade e um grande contingente militar para operações de terra e ar, essencial em desastres regionais e nacionais, sendo um dos maiores polos militares do Brasil.

Como a UFSM é reconhecida por sua capacidade de desenvolver e implementar projetos inovadores, a COESU será de grande serventia e um grande avanço para a comunidade acadêmica e para a sociedade. De acordo com Vagner Anabor, sua estrutura irá funcionar como um centro de operações contínuo, preparada para fornecer informações cruciais à população, mesmo em situações adversas. 

Apesar de o projeto inicial não ter avançado como previsto, a estrutura destinada ao Centro já foi providenciada e passou a abrigar as áreas de: ciência da alta estratosfera, clima espacial, satélites e meteorologia. Atualmente, o prédio recebe cursos de graduação e pós-graduação em Meteorologia, alinhando-se às atividades do CRS-INPE em Santa Maria.

Texto: Subdivisão de Comunicação do CCNE

 

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Através da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o município de Santa Maria está na linha de frente de uma batalha fundamental contra a desinformação sobre os desastres naturais causados pelas chuvas excessivas que ocorreram no final de abril e em maio deste ano. Segundo o Dr. Vagner Anabor, docente do curso de Meteorologia do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), instrumentos meteorológicos instalados no campus universitário detectaram algo alarmante, no dia 29 de abril de 2024: volumes de chuva que ultrapassaram os 80 milímetros em poucas horas, uma quantidade que já representava um quinto da precipitação esperada para o mês inteiro. Esse cenário desencadeou uma resposta rápida e coordenada, envolvendo uma força-tarefa interdisciplinar, entre os pesquisadores do curso de Meteorologia da UFSM junto à Defesa Civil e o apoio de organizações humanitárias para ajudar a reduzir os impactos causados pelos eventos climáticos.

[caption id="attachment_5067" align="alignright" width="532"] Docentes e acadêmicos de Meteorologia da UFSM / Foto: Vagner Anabor[/caption]

Previsões do curso

O professor Vagner conta que o curso de Meteorologia da UFSM, dentro de suas atividades rotineiras de previsão do tempo, vinha identificando um padrão de frente estacionária¹ que os preocupava. Todos os modelos mostravam volumes acumulados de chuva acima de 100 milímetros, chegando a mais de 200 milímetros em algumas localidades, em apenas 24 horas. No dia 29, os instrumentos instalados no sítio do radar meteorológico da universidade permitiram identificar chuvas extremamente intensas, com mais de 30 milímetros acumulados nas primeiras horas do dia, sendo que a média anual de chuva na região é em torno de 120 a 150 milímetros mensais. Esse padrão anômalo de precipitação levou os pesquisadores a alertar a administração da universidade sobre os perigos, resultando no contato imediato com a Defesa Civil.  

Montagem de uma força-tarefa: parcerias e ações humanitárias

Imediatamente, uma força-tarefa para a previsão de eventos meteorológicos extremos foi montada, contando com uma equipe interdisciplinar da área da meteorologia. A equipe incluiu o grupo de climatologia para avaliações de grande escala, um grupo de modelagem atmosférica para produtos de previsão do tempo, A Rede Voluntária de Observadores de Tempestades (REVOT), além de graduandos e pós graduandos vinculados a outros laboratórios do CCNE. Esta rede também teve a colaboração do grupo Prevotes, sob coordenação do Prof. Ernani de Lima Nascimento, igualmente docente do curso de Meteorologia da UFSM. O grupo organiza e realiza a previsão do tempo severo para toda a Região Sul do Brasil. Todos estes colaboradores, voluntariamente, “se dedicaram a muitas horas de trabalho; mantendo uma previsão operacional em regime de 24 horas por dia, 7 dias por semana”, conta o professor.

Esta equipe elaborou boletins meteorológicos diários  contendo informações objetivas sobre os dados acumulados de chuva, previsões detalhadas focadas na quantidade de chuva, local de ocorrência, intensidade, ventos e temperaturas. A previsão é realizada diariamente, com um horizonte de informações para cinco dias, sendo três de previsão e os próximos dois dias de tendências meteorológicas. Estes boletins permitem  uma orientação mais precisa para as operações da Defesa Civil, auxiliando nos sistemas de busca, salvamento e socorro, otimizando o uso dos recursos e maximizando a proteção da vida. 

[caption id="attachment_5061" align="alignleft" width="436"] Avião de ajuda humanitária onde os pesquisadores do curso de Meteorologia da UFSM ajudam na elaboração de rotas para o Rio Grande do Sul[/caption]

O grupo de Apoio Aéreo em Situações Especiais (ASES Brasil), igualmente, solicitou apoio ao grupo de pesquisadores desta rede de especialistas. A  ASES realiza ações aéreas humanitárias, sendo já enumeradas mais de 60 missões de auxílio aos desastres no Rio Grande do Sul (RS), somando mais de 120 horas de voos. Transportaram, em pequenas aeronaves, mais de 3,5 toneladas de medicamentos e equipes da área de saúde para áreas remotas atingidas pelo desastre. Esses voos partiram de diversas regiões do Brasil, incluindo São Paulo, Goiás e Belém, trazendo recursos médicos essenciais para locais isolados do RS.

A ação também contou com a participação de importantes órgãos que visam a pesquisa, o fornecimento e transparência de dados, como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC); ;o curso de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel); e a Base Aérea de Santa Maria, representada pelo Major José Lourêdo Fontinele. De acordo com o Prof. Vagner, “a sinergia das instituições no âmbito federal e também no âmbito regional permitiram ter a máxima eficiência possível dentro dessa fase de resposta emergencial, o desastre”.

 

Centro de prevenção de desastres: iniciativas e estrutura em Santa Maria

No contexto da proteção e redução de riscos de desastres, a adoção das metodologias recomendadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) é fundamental para garantir segurança durante a fase de reconstrução. Para isso, é necessário:

Sistema de prevenção e mitigação para:

  • Preparar as comunidades para a fase de preparo em caso de desastres anunciados;
  • Reduzir e despender recursos nas fases emergenciais, de reconstrução e reabilitação.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INPE) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) concordam que a criação de um sistema de prevenção é vital. O foco será a efetivação do Centro Brasileiro para Previsão e Estudos de Tempestades Severas, que permitirá:

  • Transferência tecnológica entre práticas desenvolvidas na pesquisa, ensino e extensão:

As tecnologias desenvolvidas pelo Grupo de Modelagem Atmosférica da UFSM são incorporadas aos sistemas já existentes nos centros meteorológicos e da defesa civil, melhorando a precisão das previsões de tempestades severas e permitindo uma resposta mais eficiente a eventos climáticos extremos. Estas incluem a adaptação e implementação de modelos numéricos de previsão do tempo e sistemas de alerta em centros meteorológicos operacionais, bem como por meio de treinamentos e capacitações oferecidas aos meteorologistas. Esses modelos e sistemas, que incluem algoritmos de previsão imediata do tempo e plataformas de monitoramento. 

  • Condução de atividades com melhores técnicas, como:
    • Previsão do tempo de curtíssimo prazo (até três horas).
    • Previsão do tempo de curto e médio prazo (até dez dias).
    • Previsão climatológica para escalas sazonal e intrasazonal.

Por que Santa Maria?

[caption id="attachment_5063" align="alignright" width="436"] Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais / Foto: Marta Seeger[/caption]

Em 1996, a cidade foi escolhida pelo INPE para abrigar a Coordenação Espacial do Sul (COESU), devido ao seu potencial em formação de recursos humanos e pesquisa, o que facilitou a escolha deste Centro ser realizado no campus da UFSM. O prédio recebeu um investimento significativo em infraestrutura, incluindo:

  • Geradores e no-breaks para operação contínua.
  • Sistemas independentes de água e comunicação.
  • Operação de equipes 24 horas por dia, 7 dias por semana.
  • Instalações de hotel e restaurante dentro da edificação.

Por ficar localizada no centro do estado do Rio Grande do Sul, Santa Maria se torna estratégica para operações de resgate e salvamento, tendo benefícios como a previsão meteorológica de alta qualidade e um grande contingente militar para operações de terra e ar, essencial em desastres regionais e nacionais, sendo um dos maiores polos militares do Brasil.

Como a UFSM é reconhecida por sua capacidade de desenvolver e implementar projetos inovadores, a COESU será de grande serventia e um grande avanço para a comunidade acadêmica e para a sociedade. De acordo com o professor Vagner, sua estrutura irá funcionar como um centro de operações contínuo, preparada para fornecer informações cruciais à população, mesmo em situações adversas. 

Apesar de o projeto inicial não ter avançado como previsto, a estrutura destinada ao Centro já foi providenciada e passou a abrigar as áreas de: ciência da alta estratosfera, clima espacial, satélites e meteorologia. Atualmente, o prédio recebe cursos de graduação e pós-graduação em Meteorologia, alinhando-se às atividades do CRS-INPE em Santa Maria.

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¹ Frente estacionária é um tipo de frente que resulta quando uma frente fria ou quente deixa de se mover. Quando volta a se mover, a frente volta a ser denominada fria ou quente. Fonte: Tempo João Pessoa, disponível em: http://tempojoaopessoa.jimdofree.com/.

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE da UFSM.

Revisão e edição: Natália Huber da Silva, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/2024/05/22/defesa-civil-do-rio-grande-do-sul-agradece-ao-curso-de-meteorologia-da-ufsm Wed, 22 May 2024 17:33:34 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccne/?p=5044

A meteorologia tem um papel fundamental na compreensão e previsão dos fenômenos climáticos, sendo indispensável para minimizar os danos causados por eventos extremos. Nas últimas semanas, o estado do Rio Grande do Sul tem sido testemunha de desafios cada vez mais intensos relacionados às mudanças climáticas. Chuvas torrenciais têm assolado regiões inteiras, desafiando os esforços de resposta e resgate, o que demonstra a urgência de informações meteorológicas precisas e adequadas.

Em resposta a essas crises, os especialistas do curso de Meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria e profissionais da Defesa Civil do Rio Grande do Sul trabalham em conjunto para lidar com eventos extremos. A equipe composta por docentes e estudantes fornece boletins meteorológicos precisos para, por exemplo, aprimorar as operações de resgate em áreas afetadas por chuvas intensas. 

A colaboração entre os pesquisadores e a Defesa Civil atingiu um marco significativo. Na última quinta-feira (16), a Defesa Civil do Rio Grande do Sul divulgou uma nota oficial destinada à coordenadora do Curso de Meteorologia da UFSM, Simone Ferraz; afirmando a importância e a eficácia do trabalho conjunto entre instituições acadêmicas e órgãos governamentais na gestão de crises climáticas.

Leia a nota na íntegra, abaixo:

 

No Instagram do curso de Meteorologia da UFSM também é possível, acompanhar boletins semanais, disponíveis no link a seguir: instagram.com/meteorologiaufsm.

 

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE da UFSM.

Revisão e edição: Natália Huber da Silva, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/03/05/ufsm-sedia-iniciativa-internacional-inedita-para-monitoramento-da-camada-de-ozonio-e-radiacao-solar Tue, 05 Mar 2024 11:38:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65291 [caption id="attachment_65294" align="alignright" width="657"]foto colorida horizontal mostra pessoas no alto de um prédio, reunidas em dois grupos, com equipamentos brancos espalhados. O dia está nublado Os equipamentos trazidos para o encontro são de diferentes locais do Brasil e da América do Sul[/caption]

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) da UFSM é a sede da 1ª Campanha Ibero-Americana de Calibração e Intercomparação de Instrumentos para Medição de Ozônio Total e Radiação Solar Ultravioleta, realizada em colaboração com a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) da Espanha e a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O encontro teve início no dia 19 de fevereiro e segue até sexta-feira (8), com a participação de aproximadamente 35 pessoas, incluindo alunos do curso de Meteorologia da UFSM, professores, pesquisadores nacionais e internacionais. 

Coordenado pela professora da UFSM e representante brasileira junto à Unep (órgão da ONU voltado à proteção do meio ambiente e à promoção do desenvolvimento sustentável) nas reuniões dos gerentes de pesquisa de ozônio (ORM - Ozone Research Managers) Damaris Kirsch Pinheiro, o evento reúne em Santa Maria pesquisadores da Argentina, Chile, Equador, Bolívia, Espanha, Portugal, Itália, Suíça e Alemanha, além de representantes de unidades do Inpe de São José dos Campos e Natal e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

O espectrofotômetro Brewer, utilizado para aferição dos níveis de radiação ultravioleta e de ozônio na atmosfera, foi desenvolvido entre as décadas de 1970 e 1980, e necessita de calibrações frequentes. É justamente a forma correta de realizar esses ajustes que está sendo ensinada durante o evento, com divisão em três etapas: reparo e manutenção, formação prática e teórica sobre como realizar a calibração e, por fim, a calibração dos equipamentos.

No momento, a sede do Inpe na UFSM conta com 10 equipamentos (nove espectrômetros e um calibrador), trazidos pelos grupos do Chile, Argentina, Bolívia e Equador. Todos eles estão conectados à rede europeia de Brewers, a Eubrewnet. Um dos destaques desta campanha é justamente a integração dos resultados à rede, uma iniciativa desenvolvida pela Aemet que permite o monitoramento em tempo real da camada de ozônio e dos níveis de radiação ultravioleta em todo o mundo. 

A professora Damaris destaca que anteriormente os instrumentos eram calibrados de forma individual, o que gera um custo cerca de três vezes maior do que a calibração em conjunto. Outra vantagem são as três semanas para o ajuste de equipamentos, que normalmente é realizado em poucos dias. Isso deve melhorar também a precisão dos dados coletados, já que todos os equipamentos precisam estar ajustados de forma idêntica ao calibrador.

O que o espectrofotômetro Brewer mostra

Os dados obtidos pelos espectrofotômetros são de grande importância para o cotidiano e saúde pública da população, em especial a de países abaixo da Linha do Equador, que está sujeita a níveis mais altos de radiação ultravioleta. “A Organização Meteorológica Mundial recomenda que não se saia de casa em caso de radiação extrema, e a nossa região possui nível alto ou extremo seis meses ao ano”, destaca a pesquisadora. Como a alternativa de não sair de casa não é viável, é preciso investir na prevenção.

“Com o nível de radiação, é possível saber a proteção necessária, um protetor solar, roupa de manga, cobertura total e também o tempo de exposição ao sol, que pode ser 10 minutos, nulo ou até por horas, como em alguns dias do inverno”, completa. 

[caption id="attachment_65295" align="alignleft" width="431"]desenho circular de um polo global, em tons de verde e azul Representação da abertura do buraco de ozônio no polo sul entre agosto e novembro (Reprodução/Nasa)[/caption]

Francisco Raimundo da Silva, que conduz experimentos com ozônio desde 1979 e atua como pesquisador do Inpe de Natal, detalha que o tom da pele é outro elemento a ser considerado ao se falar sobre exposição à radiação solar. Independente da tonalidade, os raios ultravioletas causam danos, mas em peles mais claras, o tempo de exposição segura é menor, enquanto em peles mais escuras o período é maior. 

Outro dado que pode ser obtido pelo Brewer é a concentração de ozônio na atmosfera, que impacta diretamente na intensidade da radiação, já que atua como escudo contra os raios solares. Na década de 1980, foi constatado que a camada diminuía gradualmente por conta da alta emissão de clorofluorcarbonetos (CFCs), gases utilizados como líquidos de refrigeração.

Por meio do protocolo de Montreal, que entrou em vigor a partir de 1989, foi estabelecida uma redução gradual da emissão de CFCs até sua eliminação total, prevista para 2040. O tratado internacional conseguiu reverter a degradação da camada de ozônio, que já está recuperada em alguns lugares, como no Equador. No entanto, é preciso continuar o monitoramento para saber se ela retornará aos níveis anteriores aos da década de 80 no Brasil e no mundo. “Esse é um problema que foi compreendido, mas não foi resolvido e nem se resolverá tão cedo, já que os gases que emitimos décadas atrás ainda estão na atmosfera e alguns ficam mais de 100 anos. É extremamente importante mantermos as medidas de ozônio”, salienta Damaris.

No polo antártico, há um buraco na camada de ozônio que abre de forma cíclica em agosto e dura de dois a três meses. Essa abertura traz dois efeitos, chamados de primário e secundário. O efeito primário é o aumento da radiação ultravioleta sobre os locais que estão abaixo do buraco, como ao sul do Chile. Já o efeito secundário é causado por massas de ar que carregam o ar com pouco ozônio das áreas de efeito primário para outras regiões, como o Brasil. Com isso, a concentração de ozônio é reduzida e a radiação solar pode chegar a níveis extremos.

O monitoramento realizado pelo Brewer mostra a chegada dessas massas de ar com pouco ozônio e permite previsões sobre a sua chegada, sendo possível avisar a população sobre os períodos com alta radiação solar.

[caption id="attachment_65296" align="alignright" width="821"]foto colorida horizontal de um homem falando ao microfone, de lado, olhando para um telão projetado na parede de fundo, em que aparece um texto em espanhol e uma imagem da terra vista do espaço Graças ao acordo firmado entre o Inpe e a Aemet, os instrumentos passarão a ser calibrados no período indicado pela estatal espanhola[/caption]

Parceria internacional para a manutenção dos equipamentos

Apesar da importância dos equipamentos, a questão financeira impedia que fossem regulados com a frequência correta. “Os instrumentos devem ser calibrados a cada dois ou três anos e aqui no Brasil estávamos há mais 10 anos sem nenhuma calibração”, afirma Damaris.

Para a realização do projeto, requerido pelo Ministério da Agricultura e da Pesca (Mapa), foi preciso captar recursos internacionais da Organização Meteorológica Mundial, do Fundo da Convenção de Viena e do Fundo Canadense de Brewers. Os espectrofotômetros brasileiros que não são do Inpe de Santa Maria irão retornar para a sede do Instituto em São José dos Campos, para as unidades de Natal e Cachoeira Paulista e para a Estação Comandante Ferraz, a base brasileira na Antártica. 

O Brewer é capaz de se manter em funcionamento sem a calibração. No entanto, esse processo é importante para recuperar dados anteriores do equipamento e garantir seu funcionamento correto.

A professora conta que a UFSM e o Inpe fecharam um acordo com a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet), pelo qual a estatal espanhola vai realizar a calibração dos equipamentos no período recomendado de dois a três anos.

Francisco destaca a importância da iniciativa inédita. “É muito importante termos isso na América do Sul e conseguimos pela luta da Damaris como coordenadora. Adoro o pessoal daqui e sou suspeito para elogiar a estrutura, gostaria que mais atividades do Inpe fossem realizadas aqui”, relata o cientista, que trabalha com o espectrofotômetro Brewer desde 1992.

Texto: Bernardo Silva, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Damaris Kirsch Pinheiro

Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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Começam nesta segunda-feira (19) e seguem até o dia 8 de março as atividades de um evento de grande importância internacional sediado pela UFSM nas dependências do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Trata-se da 1ª Campanha Ibero-Americana de Calibração e Intercomparação de Instrumentos para Medição de Ozônio Total e Radiação Solar Ultravioleta, em colaboração com a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) da Espanha e a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Durante as próximas semanas, a UFSM receberá mais de 20 especialistas e operadores de instrumentos de diversos países ibero-americanos, como Argentina, Bolívia, Chile e Equador. O foco desses profissionais será atualizar e calibrar os instrumentos utilizados na medição do ozônio e da radiação solar ultravioleta, atividades cruciais para monitorar a saúde da camada de ozônio e os níveis de radiação ultravioleta que atingem a superfície terrestre.
 
A campanha será dividida em três fases: uma primeira semana dedicada à atualização da instrumentação, uma segunda semana em que será ministrado um curso de formação de operadores pela Aemet e pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), e uma última semana em que será realizada a calibração propriamente dita. Os instrumentos calibrados serão integrados na rede Eubrewnet.
 
Um dos destaques desta campanha é a integração dos resultados à rede Eubrewnet, uma iniciativa desenvolvida pela Aemet que permite o monitoramento em tempo real da camada de ozônio e dos níveis de radiação ultravioleta em todo o mundo. Com isso, a UFSM consolida sua posição de referência na pesquisa atmosférica e fortalece os laços de cooperação entre os países ibero-americanos em questões ambientais e científicas de relevância global.
 
Com informações da Subdivisão de Comunicação do Centro de Tecnologia
 
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/11/14/minicurso-de-observadores-de-tempestades-ocorre-nesta-sexta-feira-em-frederico-westphalen Tue, 14 Nov 2023 20:36:37 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64543 formulário de inscrição. O treinamento é promovido pelo curso de graduação em Meteorologia da UFSM e pelo projeto de extensão Observatório de Comunicação Pública e Política, do 55BET Pro da UFSM em Frederico Westphalen. O apoio para a realização do evento é da ACI/CDL e do projeto de extensão Comunicare RP. Com informações dos cursos de Comunicação Social do 55BET Pro de Frederico Westphalen]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/11/01/ufsm-promove-treinamento-de-observadores-voluntarios-de-tempestades-em-frederico-westphalen Wed, 01 Nov 2023 13:10:08 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64376

No dia 17 de novembro, os projetos de extensão Observatório de Comunicação Pública e Política (Obcomp), da UFSM 55BET Pro Frederico Westphalen, e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades (Revot), do 55BET Pro em Santa Maria, promoverão o minicurso Treinamento da Rede Voluntária de Observadores de Tempestades, que pretende difundir técnicas de observação de tempo como forma de complementar as informações meteorológicas sobre tempestades. Neste sentido, o minicurso vai instruir sobre como e a quem reportar as ocorrências e onde obter informações confiáveis de avisos e alertas meteorológicos.

O treinamento será realizado no Salão Nobre da Associação Empresarial (ACI/CDL) de Frederico Westphalen, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h. O ministrante será o professor Ernani Nascimento, do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia da UFSM. Ele vai abordar pontos como noções básicas sobre tempestades, seus tipos, estruturas e fenômenos, entre outros. 

O projeto tem apoio da Cruz Vermelha e da Defesa Civil de Santa Maria, da Organização Internacional de Emergências Terrestres, Aéreas e Marítimas e da Plataforma de Registros de Tempestades Severas, que emite previsões diárias sobre ocorrência de tempestades.

As inscrições podem ser feitas pelo formulário. Serão disponibilizadas 80 vagas, abertas a quaisquer interessados.

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Ao longo de setembro e também em outubro, o Rio Grande do Sul vem acompanhando os desastres causados em diversas cidades do estado por conta de enchentes pouco antes vistas na história local. Infelizmente, pesquisas apontam que eventos catastróficos como estes se tornarão comuns com o passar do tempo, despertando na sociedade, além de medo, uma preocupação: como estabelecer formas de conviver com enchentes, sem que pessoas morram e cidades inteiras sejam destruídas a cada nova inundação? Na tentativa de responder a essa questão, uma dissertação de mestrado da UFSM buscou desenvolver um modelo de data science capaz de prever com maior eficácia a ocorrência de enchentes.

Atualmente, já existem sensores que realizam o monitoramento de rios e chuvas em variadas localidades, por meio de órgãos públicos como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Defesa Civil, conforme explica o mestre em Gestão de Organizações Públicas e autor da dissertação ‘’desenvolvimento de um modelo data science para prevenção de enchentes’’, Daniel de Barcelos.

Nesse sentido, é possível saber se choverá acima do esperado para determinada época do ano com até três dias de antecedência, se houver as estruturas e equipes adequadas para desempenhar essa análise, o que geralmente não acontece. Inclusive, o docente em Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Edson Piroli expõe que, no caso das cheias de Muçum, Roca Sales e Lajeado, era presumível a ocorrência de uma enchente horas antes de ela se efetuar, devido ao alto volume de chuva e a notificação de outras cidades que já haviam registrado estragos. “Neste caso, faltou um sistema de alerta eficiente para que as pessoas deixassem todas as áreas de risco em que estavam’’, relata Piroli.

Somada à esta observação, o docente em Meteorologia da UFSM Vagner Anabor comenta que indicadores climáticos de 2022 apontavam para a ocorrência de um El Niño potente, fenômeno que aumenta a quantidade de chuvas no sul do Brasil, para o segundo semestre de 2023, demonstrando que a ciência possui a competência de prever esse tipo de evento, mas a sociedade como um todo ainda não tem a capacidade de lidar com eventos climáticos desastrosos como os ocorridos durante setembro.

Então é possível impedir novas enchentes?

Infelizmente não, haja vista que inundações são processos naturais de acontecer com qualquer rio do planeta, com sua grandiosidade variando de acordo com o tamanho do próprio rio. O grande problema é que enchentes não deveriam provocar as destruições que têm sido registradas recentemente. Porém, com as ocupações de áreas próximas aos cursos d'água, se torna inevitável a ocorrência de desastres. Isso porque as construções ocupam regiões que, naturalmente, são alagadas em períodos de cheia, e as interferências nos solos provocam impermeabilidade da água da chuva. 

Contudo, vale destacar que, apesar de ser um processo natural, a quantidade de inundações tem aumentado nos últimos anos, justamente em consequência de um processo de ocupação urbana acelerada, sem planejamento prévio nem fiscalização de infraestrutura. Segundo dados apresentados na dissertação de Daniel de Barcelos, “o registro de inundações, enxurradas e alagamentos quase triplicou no Brasil no período de 2002 a 2012 em relação ao intervalo anterior, chegando a 9.712 ocorrências, contra 3.522 registradas entre 1991 e 2001’’. Para se ter uma ideia, Anabor cita os números ligados às chuvas de setembro no RS: apenas na primeira quinzena do mês, os volumes acumulados de chuva foram duas ou até três vezes maiores que o esperado para o período no estado. A estimativa de precipitação para a época é de 180 a 200 mm de chuva, mas em meio mês se alcançou 450mm. Em outubro, a situação segue preocupante.

Portanto, o que cabe à sociedade é estabelecer melhores formas de reagir aos alertas de possíveis enchentes e monitorar mais adequadamente o nível dos rios e as previsões de precipitação. É nesse sentido que o estudo do mestre em Gestão de Organizações Públicas desenvolveu um framework que auxilia no mapeamento de locais suscetíveis a enchentes, a partir de uma metodologia de design research e técnicas de data science, métodos que diferenciam este estudo dos demais já produzidos, conforme conta Barcelos.

No campo da computação, um framework “é um conjunto estruturado de conceitos, ferramentas e bibliotecas que fornecem uma base para o desenvolvimento de software, oferecendo uma estrutura que permite aos desenvolvedores criar aplicativos com mais facilidade, fornecendo abstrações’’, segundo informações da dissertação. Logo, é um dispositivo que colabora na realização de uma série de atividades que devem ser executadas para solucionar um problema de modo mais eficiente que os modelos de monitoramento atuais, no campo do acompanhamento de enchentes.

Conforme explica o acadêmico, o sistema funciona através de um algoritmo que aprende a fazer o monitoramento dos níveis de chuva e dos rios por meio dos dados fornecidos a ele, que, depois, são armazenados em uma planilha automaticamente, permitindo que o framework indique quando pode acontecer uma enchente em tempo real. 

Contudo, Barcelos não sabe informar, até o momento, com quanta antecedência o dispositivo é capaz de prever uma inundação, visto que o trabalho acadêmico só pôde utilizar dados antigos. Mas ele informa que, com os próximos avanços do framework, entraves como este devem ser resolvidos.

O autor da dissertação indica já estar em contato com algumas prefeituras, tanto do Rio Grande do Sul, quanto de Santa Catarina, para aprofundar os estudos com dados mais recentes e, assim, aprimorar a inteligência do algoritmo para o colocar em prática efetivamente.

Como amenizar o problema?

Se não é possível impedir que uma enchente ocorra, os estudiosos propõem medidas que possibilitem um convívio menos desastroso com ela. Quem explica em mais detalhes quais ações adotar é o professor aposentado da UFSM, que atuava principalmente com Educação Ambiental e na área de Recursos Florestais e Meio Ambiente, José Rocha. Segundo ele, primeiramente, seria necessário desentupir o fundo dos rios nos locais em que o leito costuma subir, a partir da identificação dos pontos de estrangulamento (áreas mais rasas com muitos resíduos no fundo), onde as enchentes tendem a invadir mais o território, já que a água corre pelas laterais do rio devido a sua falta de profundidade. Assim, essas regiões, que geralmente inundam, demorariam mais tempo para encher da mesma maneira que antes da limpeza.

Já pensando a longo prazo, o que Rocha sugere é que seja feito o plantio de árvores nas “coroas’’ de proteção de nascentes (regiões mais elevadas do percurso do leito), com o intuito de que a água infiltre no lençol freático, fazendo com que a água atinja o fundo do rio e, consequentemente, remova o depósito de dejetos dele, tornando-o limpo seguindo a mesma lógica que uma calha no telhado de casa, conforme analogia usada pelo docente. Tal providência não é algo inovador nem novidade, contudo o especialista afirma que a medida não é feita por conta do seu custo elevado e pela demora de, em média, cinco anos para que os resultados apareçam.

Outra medida imprescindível para que haja o controle em torno da situação dos rios é o manejo integrado de bacias hidrográficas, monitorando os solos, as florestas, as pastagens e o direcionamento das águas ligadas às bacias, por meio da coordenação de um comitê permanente. Deste modo, é possível reduzir o escoamento superficial e retardar inundações, além de mapear áreas de risco e impedir que sejam ocupadas.

Todavia, tais medidas devem ser tomadas junto ao acompanhamento dos sensores de monitoramento, como o framework desenvolvido por Daniel de Barcelos, realmente levando em consideração esses dados, o que para Edson Piroli só se efetivará se for criada uma cultura de convívio com condições ambientais extremas, reconhecendo os limites que a natureza oferece. Nessa lógica, o primeiro passo a ser tomado é reconhecer quais são as áreas suscetíveis a enchentes, a fim de estabelecer formas de reduzir prejuízos quando uma inundação acontecer nessas regiões, já que é difícil tornar viável a desocupação de tais localidades onde não deveriam haver moradias, comércios e demais ocupações permanentes.

Somado a isso, Piroli indica ser preciso educar a população sobre os perigos de residir em localidades suscetíveis a enchentes e sobre como proceder em uma situação de risco. ‘’Para onde ir? O que levar? Por qual caminho ir? Que estrutura haverá no local, e assim por diante. [Fornecer essas informações] é papel da Defesa Civil, dos bombeiros e do Estado, que precisa ter uma rede robusta de previsão de tempo integrada com monitoramento da distribuição das chuvas e dos efeitos destas nos rios de cada grande bacia do seu território. Esta rede precisa contar com equipes de especialistas capacitados e treinados. Tanto para as ações técnicas, quanto para as ações junto à população, preparando-a para episódios extremos’’, reforça o docente da UNESP.

Enquanto não são tomadas providências para que se reduzam os riscos de novas enchentes, resta ajudar as cidades que ainda sofrem as consequências das inundações de setembro. Para se voluntariar ou fazer alguma doação, entre em contato com a Pró-Reitoria de Extensão (PRE), por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Regional e Cidadania, por meio do e-mail coderc.pre@55bet-pro.com

Texto: Laurent Keller, acadêmica de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias
Infográfico: Daniel Michelon De Carli (foto de base: Agência Brasil - Defesa Civil do Ceará)

Arte capa: Daniel Michelon De Carli (foto da enchente: Agência Brasil - Fernando Mainardi-SEMA RS)
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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Fundado em 2010, o Grupo de Pesquisas Climáticas (GPC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem como missão reunir pesquisadores que estão envolvidos no estudo do clima, não apenas do curso de bacharelado em Meteorologia, mas também de outras áreas da Universidade. A Professora Dra. Simone Ferraz, coordenadora do GPC, conta que o grupo é dedicado a envolver estudantes de graduação e da pós-graduação, em suas atividades e projetos de pesquisa. Atualmente o grupo tem se destacado como um centro de inovação e aprendizado no campo da meteorologia e das mudanças climáticas na UFSM.

[caption id="attachment_4559" align="alignleft" width="239"] Logo do Grupo de Pesquisas em Clima (GPC) da UFSM.[/caption]

As linhas de pesquisa deste grupo abrangem uma ampla gama de tópicos relacionados ao clima, incluindo mudanças climáticas, agroclimatologia (estuda a interação dos fenômenos meteorológicos e seus impactos na cadeia produtiva do sistema agropecuário), eventos climáticos extremos e fenômenos como El Niño. O objetivo é compreender e explorar os diversos aspectos do clima não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil.

 

[caption id="attachment_4560" align="alignright" width="166"] Thais Rubert, bolsista do projeto que participou da gravação no vídeo de divulgação no CCNE[/caption]

Thais Rubert, bolsista do projeto, destacou como a participação no Grupo de Pesquisas Climáticas têm enriquecido sua jornada acadêmica. Além de adquirir conhecimento na área da meteorologia, Thais também teve a oportunidade de participar do Congresso Argentino de Meteorologia. Nesse evento, ela apresentou seu projeto de pesquisa, compartilhou seus resultados e interagiu com colegas e especialistas do mesmo campo. Essa experiência proporcionou a ela a oportunidade de trocar ideias e conhecimentos com outros estudiosos.

[caption id="attachment_4561" align="alignleft" width="205"] Professora Simone Ferraz gravando a sua participação no vídeo onde falou sobre as linhas de pesquisa e os objetivos do grupo[/caption]

A professora Simone enfatiza que os próximos anos serão dedicados à consolidação das pesquisas no grupo, além do compromisso de devolver à sociedade produtos de alta qualidade. Com sua visão de fomentar a pesquisa, promover a formação de jovens cientistas e contribuir para uma compreensão mais profunda do clima, o Grupo de Pesquisas Climáticas continua a desempenhar um papel importante no avanço do conhecimento climático e na educação de futuros e futuras especialistas.

 

Para conhecer a equipe, assista o vídeo de divulgação do GPC no instagram do CCNE, em: bit.ly/gpclimaticas.

 

Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE, Simone Ferraz, coordenadora do GPC e Thais Rubert, bolsista do GPC
Revisão e edição: Natália Huber, Chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

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