UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Thu, 23 Apr 2026 21:08:41 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/algumas-vacinas-podem-causar-autismo Thu, 05 Jun 2025 16:06:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=10040

As vacinas são um dos principais avanços da ciência no combate a infecções preveníveis e no controle de epidemias. No entanto, nos últimos anos, tem sido um desafio manter os índices de imunização da população brasileira dentro dos níveis ideais, em parte devido à disseminação de desinformação sobre seus possíveis efeitos. Mesmo sem evidências científicas que sustentem essa crença, a ideia de que “algumas vacinas podem causar autismo” ainda divide opiniões. Segundo a pesquisa “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil” de 2023, quase 35% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente, com essa afirmação.

O movimento antivacina, que voltou a ganhar força especialmente após a pandemia de Covid-19, tem contribuído para esse cenário. Entre os argumentos frequentemente resgatados pelos opositores da vacinação está a polêmica em torno de um artigo publicado, em 1998, pelo médico inglês Andrew Wakefield.

No estudo, ele sugere uma ligação entre a vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em 12 crianças. O artigo foi desmentido em 2004, e Wakefield perdeu sua licença médica, porém essa associação levou a uma queda nas taxas de vacinação e ao fortalecimento de grupos contrários à imunização.

O que é autismo?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dois grupos principais de sintomas: déficits na comunicação e interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento e/ou interesses. 

A psicóloga Franciele Farias explica que algo que auxilia no entendimento das causas do autismo é saber diferenciar Doença e Transtorno: “Quando falamos em doença, falamos de uma causa específica e definida que a gente consegue muitas vezes detectar por meio de exames, como por exemplo uma gripe que é causada por um vírus. Agora, quando falamos de transtorno, trata-se de algo multifatorial e que não possui uma causa tão bem definida”.

Ela especifica que o TEA é considerado um espectro devido à grande variabilidade de apresentações do transtorno: “atualmente classificamos em Nível 1, 2 e 3 de suporte, sendo  que, quanto maior o nível, maior o suporte necessário”. A psicóloga explica que cada indivíduo terá um conjunto único e uma apresentação única do transtorno. Ou seja, algumas pessoas podem ter mais dificuldade na leitura social, outros podem apresentar grandes alterações sensoriais, alguns podem apresentar comprometimento intelectual e/ou de linguagem, entre outras características. 

Segundo ela, existem muitas pesquisas que investigam as possíveis causas do autismo e, hoje, constatou-se que o autismo tem uma base genética importante. Isso explica porque não é incomum que, em uma família, mais de uma pessoa seja diagnosticada com o transtorno, aponta a psicóloga. Além de causas genéticas, pesquisas indicam problemas na gestação ou no parto como fator de risco. 

Sobre tratamentos e intervenções, Franciele explica que, muitas vezes, os familiares ao identificarem que algo não vai bem no desenvolvimento das crianças optam por “esperar mais um pouco para ‘ver se melhora’ por medo de um possível diagnóstico. Ou, até mesmo, recebem essa orientação de pediatras desatualizados: ‘cada criança tem seu tempo, vamos esperar, não é nada demais’”. Ela reforça que, embora seja um medo compreensível, na realidade, o diagnóstico precoce é um dos melhores preditores de um prognóstico positivo no transtorno do espectro autista: “quanto antes iniciarmos a intervenção, melhor para o desenvolvimento da criança. Isso acontece por causa de algo que chamamos de neuroplasticidade: a neuroplasticidade é a capacidade do nosso cérebro de se moldar e aprender a partir das experiências. Temos capacidade de aprendizagem durante toda nossa vida, mas essa capacidade é muito aumentada nos primeiros anos de vida”. 

A psicóloga esclarece que, atualmente, existem muitas pesquisas que mostram as potencialidades da intervenção, “especialmente quando realizada de forma precoce, intensiva, com uma equipe multiprofissional e com o envolvimento da família para dar continuidade às estimulações em casa”. Ela reforça que, apesar de o diagnóstico muitas vezes ser um momento de angústia para os responsáveis, trata-se de um “ponto de partida para o desenvolvimento de novas habilidades e possibilidades de formação de novos aprendizados, de trabalhar a funcionalidade e melhorar a qualidade de vida da criança e sua família com as intervenções adequadas”.

Alexandre Schwarzbold, médico infectologista e professor do Departamento de Clínica Médica da UFSM, conta que, depois do estudo de Wakefield, inúmeros outros trabalhos científicos foram realizados para investigar a suposta relação entre vacinas e autismo. A conclusão foi sempre a mesma: vacinas não causam autismo. Muitos desses estudos utilizaram a meta-análise, metodologia que reúne e analisa dados de diversas pesquisas sobre um mesmo tema, priorizando aquelas com maior rigor científico. Um exemplo dado pelo docente é um estudo publicado na revista científica Vaccines, em 2014, conduzido por pesquisadores australianos. Eles analisaram dados de mais de 1 milhão de crianças e confirmaram que não existe associação entre vacinas e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Mesmo sem evidências científicas que sustentem essa crença, a ideia de que algumas vacinas poderiam causar autismo ainda divide opiniões. Segundo a Pesquisa de Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil de 2023, quase 35% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente, com essa afirmação.

Rigor na aprovação das vacinas

Antes de uma vacina ser liberada para a população, ela passa por diversas etapas para ser aprovada por uma agência reguladora. No Brasil, essa função cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O professor Alexandre Schwarzbold explica que as vacinas precisam ser embasadas em estudos e documentos submetidos, pelas instituições responsáveis, à agência que então avalia sua eficácia e segurança.

As etapas de segurança monitoram a frequência e a incidência de eventos adversos e sua gravidade – ou seja, se são leves, moderados, severos, se apresentam risco de vida ou se houve, por exemplo, morte nos estudos clínicos de teste de vacinas. Assim, pode-se avaliar estatisticamente se um evento adverso ocorre ao acaso ou se pode ser atribuído exclusivamente à vacina.

“Todas as vacinas passam por testes rigorosos de segurança”, reforça Alexandre. “Os estudos clínicos, que em geral demoram de meses a anos, envolvem vários voluntários em etapas diferentes antes da aprovação para a população em geral. Então, todo país que registra e distribui vacinas, como o Brasil, tem que atender a rigorosos padrões tanto de qualidade quanto de segurança”, defende o especialista.

Esse controle rígido em relação aos processos de segurança garante que a maioria dos efeitos colaterais sejam leves e temporários, como dor no local da aplicação e febre, que costumam durar de um a três dias. Por outro lado, as doenças que as vacinas previnem, como poliomielite, sarampo, caxumba, pneumonia e meningite, podem ter consequências muito mais graves do que qualquer efeito colateral decorrente da imunização.

Estratégias para combater a hesitação vacinal

Para Alexandre, a disseminação de informação correta e a educação em saúde são fundamentais para reduzir a hesitação vacinal. Ele destaca que a uniformização do discurso com base científica entre sociedades médicas é essencial, ressaltando a importância das estratégias adequadas de comunicação: “É importante que a linguagem seja uniformizada, especialmente entre os profissionais de saúde que indicam vacinas, como pediatras, infectologistas e pneumologistas”, reforça o médico.

Hoje, a circulação de fake news se tornou mais fácil, pois qualquer pessoa pode publicar conteúdos na internet sem passar por filtros ou avaliação de especialistas quanto à qualidade e veracidade. “A pessoa pode ter uma boa comunicação e não ter consistência científica. Por isso, é importante o julgamento de pares. Não se pode acreditar que um único médico seja detentor da razão”, enfatiza Alexandre Schwarzbold. O infectologista defende que não se pode tomar casos isolados de efeitos colaterais graves como regra ao abordar a vacinação com a população. Segundo ele, é fundamental que os profissionais de saúde enfatizem o impacto positivo das vacinas, destacando que a imensa maioria das pessoas se protege com segurança por meio da imunização.

Queda na adesão às vacinas no Brasil

Apesar de o Brasil já ter sido referência mundial, a adesão às campanhas de vacinação tem caído significativamente no país. Como consequência, doenças erradicadas, como sarampo e poliomielite, voltaram a circular. Desde 2016, o Brasil não atinge as metas de cobertura vacinal para grande parte das vacinas da rede pública, expondo novamente a população a problemas que já estavam controlados e aumentando o risco de surtos.

Para reverter esse cenário, é essencial que pais e responsáveis recebam informações claras e baseadas em evidências científicas. O professor Alexandre Schwarzbold destaca que os riscos da vacinação são mínimos diante dos benefícios: “o número de crianças que têm complicações com vacinas é ínfimo e nem se compara com o de crianças afetadas por doenças imunopreveníveis quando não vacinadas.” 

Como exemplo, ele menciona o sarampo, uma doença com alto índice de mortalidade: “O impacto positivo da vacinação supera infinitamente qualquer risco de efeitos colaterais. Vacinas funcionam, protegem e salvam vidas”, afirma o infectologista. Ele destaca que, no caso do sarampo, a imunização evitou mais de 23 milhões de mortes em duas décadas no mundo todo. “A vacinação é essencial para proteger crianças e adolescentes, pois eles ainda não têm um sistema imunológico totalmente desenvolvido. Sem essa proteção, estão vulneráveis a doenças que podem ter consequências graves, incluindo a morte”, reforça o infectologista.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI)

Criado em 1973, o PNI tem levado mais de 20 tipos de imunizantes aos brasileiros e acumulado conquistas notáveis, como a erradicação da varíola e da poliomielite. O Brasil consolidou-se mundialmente como um dos países com a política de vacinação mais abrangente e bem-sucedida.

Antes da criação do PNI, as ações de imunização no país eram episódicas, sem continuidade planejada e com cobertura limitada. A partir do programa, passou-se a adotar um plano nacional unificado e equitativo, garantindo o acesso às vacinas em todas as regiões do país, independentemente da distância ou do tamanho da população.

Em 1980, uma grande mobilização contra a poliomielite fez com que a incidência da doença caísse de 1,2 mil para pouco mais de 100 casos em um ano. Outro exemplo bem-sucedido foi a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, que, em 1992, imunizou quase 50 milhões de crianças em apenas quatro semanas – um êxito sem precedentes em um país de dimensões continentais.

O Brasil recebeu o certificado de eliminação da poliomielite em 1994 e implementou estratégias para controlar doenças como sarampo, tétano neonatal, tuberculose, difteria, tétano acidental e coqueluche. Atualmente, o PNI oferta gratuitamente 17 vacinas para crianças, sete para adolescentes, quatro para adultos e idosos e três para gestantes, além das vacinas contra a Covid-19 e a gripe. Mais de 300 milhões de doses são distribuídas anualmente em cerca de 40 mil salas de vacinação espalhadas por todo o país.

VEREDITO: MITO! Vacinas não causam autismo. As causas do Transtorno do Espectro Autista têm origem genética e não estão associadas às tecnologias de imunização.

Texto: Júlia Zucchetto
Ilustração: Evandro Bertol
Edição: Luciane Treulieb
Revisão: Fabiana Coradini

 

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Embora a ciência tenha comprovado há séculos que a Terra é um geoide, ou seja, quase uma esfera, com os polos um pouco achatados e a região do meio (o Equador) um pouco mais larga, a teoria da Terra plana ainda encontra adeptos pelo mundo. De acordo com a Pesquisa de Percepção Pública da Ciência e Tecnologia, realizada em 2023, quase 20% dos entrevistados dizem “concordar em partes”, “discordar” (em partes ou totalmente) ou não saber/não responder à afirmação de que a Terra é redonda. Isso significa que uma em cada cinco pessoas duvida do formato do planeta.

Cássio Wollmann, professor do departamento de Geociências da UFSM, revela que conspiracionistas se apoiam em interpretações equivocadas sobre a curvatura da Terra para embasar seus argumentos, alegando que a linha do horizonte deveria desaparecer completamente se a Terra fosse curva. “Eles ignoram que a Terra não é uma esfera perfeita, mas sim um geoide, o que faz as distâncias da linha do horizonte variarem de acordo com a latitude de onde a pessoa observa”, destaca Wollmann. O pesquisador explica que, se a Terra fosse plana, a vida no planeta seria impossível, pois a gravidade faria com que ela se desintegrasse: “A gravidade aglutina a matéria, então uma Terra plana se fragmentaria em vários pedaços menores.”

As redes sociais e o fortalecimento do terraplanismo

A teoria da Terra plana ganhou força nos últimos anos, principalmente com o advento das redes sociais, que facilitam a disseminação de informações falsas. A doutoranda em Filosofia da UFSM, Elizabete Echer, ressalta que, embora a internet ofereça um acesso sem precedentes à informação, nem sempre o conteúdo encontrado é confiável. “Há uma escolha deliberada de ignorar evidências contrárias às crenças pessoais”, afirma. 

Nesse sentido, outro fator que contribui para a persistência dessa teoria é o que Elizabete chama de “Indústria Conspiratória”. Segundo as pesquisas que ela vem desenvolvendo, as teorias da conspiração geram visualizações e agora há um mercado para isso, evidenciado pelo aumento de canais do YouTube sobre o tema. Assim, “uma única postagem conspiratória pode alcançar milhares de pessoas em horas, alimentando um ciclo de desinformação e reforçando a polarização da opinião pública”, revela a filósofa.

Box - Teorias da conspiração x verdade “oficial ou fática”

Teorias da conspiração estão associadas à criação de uma explicação alternativa, que normalmente contraria a versão oficial de um determinado fato ou acontecimento, através de uma distorção fantasiosa. Tratam-se de crenças explicativas para eventos de grande impacto social baseadas na crença de que a verdade “oficial” é uma mentira.

Cássio Wollmann observa que o terraplanismo tem perdido força entre gerações mais jovens, mas ainda é um fenômeno relevante. Para ele, a divulgação científica desempenha um papel essencial nesse cenário. “A ciência não pode ser polêmica; ela deve ser uma tranquilizadora da humanidade”, afirma.

Veredito: COMPROVADO! A Terra é redonda.

Texto: Júlia Zucchetto
Ilustração: Vinicius Gumisson Motta
Edição: Luciane Treulieb
Revisão: Fabiana Coradini

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"Qual é o seu signo?" Você provavelmente sabe a resposta para essa pergunta. E vai além: se você é de Áries, já deve ter ouvido que é determinado e que não leva desaforo para casa; se é de Touro, é provável que já tenha sido chamado de comilão; e, se for de Leão, talvez tenha ouvido que é vaidoso. Mas será que a astrologia realmente influencia nossa personalidade? A resposta é não. Não há evidências científicas que sustentem essa relação, embora a crença seja comum entre uma parcela da população. De acordo com a Pesquisa de Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil de 2023, aproximadamente 1 em cada 4 brasileiros acredita que o horóscopo influencia a personalidade das pessoas, com 24,9% concordando totalmente com essa afirmação.

Para entender por que a astrologia pode ser um bom assunto para puxar papo na mesa de bar, mas não tem comprovação científica e não deve ser usada como explicação para comportamentos e características individuais, é preciso diferenciar crenças de fatos científicos. Enquanto a astrologia se baseia em interpretações simbólicas e tradições culturais, a ciência exige evidências, testes e reprodutibilidade para validar uma afirmação.  

Astrologia x astronomia

Astrologia é a prática que sugere que a posição dos corpos celestes no momento do nascimento influencia a personalidade e o destino das pessoas. Mas é importante não confundir astrologia com astronomia, que é a área que estuda os astros — como planetas, estrelas e cometas — com base em evidências e experimentação. A física Alessandra Buffon pontua que a astronomia tem embasamento científico, enquanto a astrologia é historicamente entendida como uma pseudociência: "Não há nada científico que prove que determinado planeta, em uma determinada constelação, modifique o comportamento de alguém", destaca.

Entender o céu

Práticas de observação do céu são realizadas desde a Antiguidade. O movimento da Lua, por exemplo, era acompanhado na agricultura para determinar os melhores momentos de plantio e colheita. Com o tempo, os métodos de observação dos astros foram aperfeiçoados com o uso de novos instrumentos, como a luneta utilizada por Galileu, no século 15, e os desenhos que ele fez a partir de suas observações.

Além de estudar o céu para fins científicos e práticos, civilizações antigas também relacionaram os astros a crenças e interpretações sobre a vida na Terra — e é nesse contexto que surgem os signos do zodíaco. Alessandra explica que cada signo corresponde a uma constelação que aparecia atrás do Sol em determinado período do ano. “Por isso falamos que o sol estava na constelação de gêmeos quando nasci, seria essa a ideia”, exemplifica. No entanto, ela alerta que a astrologia ainda segue modelos da Antiguidade, sem levar em conta mudanças ocorridas ao longo dos séculos: "Por conta do movimento de rotação e translação da Terra, além da inclinação do eixo terrestre, a configuração do céu hoje não é a mesma de quatro mil anos atrás, mas isso não foi atualizado pelos astrólogos", esclarece.

Alessandra também questiona a astrologia ao destacar um ponto frequentemente ignorado: já na Antiguidade, havia 13 constelações no céu, e não apenas 12, como considera a astrologia. A explicação remonta à Grécia Antiga, onde políticas de organização da sociedade se baseavam no número 12 — como no calendário gregoriano, que seguimos até hoje. “O calendário tem 12 meses, então o que foi feito foi colocar cada constelação em ‘uma casinha’, em cada mês”, detalha a professora. No entanto, ela ressalta que essa divisão não corresponde à realidade astronômica. “As constelações têm tamanhos diferentes. A de Escorpião, por exemplo, é muito grande, e demora mais dias para que o sol passe por ela, enquanto a de Libra é bem menor”, diz a Alessandra. Segundo ela, a astrologia desconsidera essas variações e impõe um tempo fixo de 30 dias para cada signo, algo que não condiz com a observação científica: “Esse é outro erro dos astrólogos. É mais fácil provarmos os erros deles do que eles provarem o que estão falando”, afirma.

“Eu até brinco em sala de aula com os meus alunos: se você nasceu quando essa 13ª constelação estava no céu, então você não tem personalidade”, comenta a física. Enquanto professora de Ensino Médio, Alessandra aborda o tema em sala de aula, com os alunos, além de já ter estudado como a astrologia era percebida por outros educadores. Em um artigo de 2022, ela e outros dois autores investigaram como a astrologia era compreendida por alunos do curso de Pedagogia em uma universidade privada no Paraná. O estudo mostrou que “a maioria dos indivíduos era suscetível à manipulação da descrição de sua personalidade, confiando nos resultados, apesar de serem vagos e generalistas”.

O efeito Forer e a ilusão das descrições genéricas

Se não há comprovação científica, por que tantas pessoas acreditam nas previsões astrológicas? Um dos motivos é o chamado Efeito Forer, nomeado em referência ao psicólogo norte-americano Bertram Forer. Ele realizou um experimento com voluntários do exército, submetendo-os a uma suposta avaliação de personalidade. O texto usado no teste era, na verdade, uma compilação de trechos retirados de descrições de diferentes signos astrológicos e continha afirmações ambíguas logo na primeira linha: 'Você tem necessidade de ser amado e admirado pelos outros, mas também tende a ser crítico consigo mesmo'. Forer percebeu que descrições genéricas, especialmente quando carregadas de elogios sutis, costumam ser aceitas como verdadeiras. Nosso cérebro tende a selecionar memórias que confirmam essas afirmações vagas, ao mesmo tempo em que ignora informações que poderiam contrariá-las.

Alessandra também aplica um teste em sala de aula. Ela entrega a cada aluno um papel com uma descrição vaga de personalidade, sem revelar que todos receberam exatamente o mesmo texto. “Todos ficam surpresos quando percebem que é o mesmo texto do colega. O que acontece é que cada um se identifica com um trecho específico”, relata.

O que realmente define nossa personalidade?

A psicóloga Clarissa Tochetto, docente do curso de Psicologia da UFSM, explica que a personalidade é moldada por um conjunto de fatores, combinando aspectos genéticos (aquilo que carregamos desde nascer) e a interação com o mundo e com as pessoas ao longo da vida. “A personalidade é um conjunto de traços. Cada pessoa tem os seus, eles são relativamente estáveis e refletem formas individuais de se colocar no mundo, o que se traduz em comportamentos”, afirma a docente. 

Clarissa também destaca por que tantas pessoas se identificam com descrições genéricas, como as da astrologia ou de testes de personalidade na internet. “Não têm embasamento científico algum, mas as pessoas gostam de ouvir coisas sobre si, serem avaliadas. E se a descrição for positiva, elas vão querer se encaixar”, aponta. A pesquisadora ressalta que essas descrições não se comparam às análises feitas por profissionais, como psicólogos e psiquiatras, que seguem métodos e técnicas científicas e podem trazer resultados sobre a personalidade que não são necessariamente positivos ou agradáveis.

A teoria mais aceita na Psicologia sobre personalidade é a Big Five, ou teoria dos cinco grandes fatores, cujos estudos começaram na década de 1930. Ao longo do tempo, essa abordagem foi validada por diferentes pesquisadores e em diversas culturas, sempre chegando a cinco fatores que, combinados entre si, explicam a personalidade humana: neuroticismo, extroversão, socialização, conscienciosidade e abertura à experiência. Para evitar pseudociências que empregam termos psicológicos sem embasamento científico, Clarissa recomenda optar por testes baseados nessa teoria.

Na conversa com amigos, ok! Mas, cuidado!

Segundo as especialistas, a astrologia pode ser usada como forma de descontração, seja para iniciar uma conversa na mesa de bar, brincar com amigos ou até mesmo puxar assunto em aplicativos de relacionamento. No entanto, é preciso atenção quando essa prática passa a determinar decisões: “A priori, não faz mal, mas você não pode usar a astrologia para justificar as suas ações, principalmente se elas prejudicarem outras pessoas”, destaca Clarissa. A psicóloga alerta que isso vale também para ações positivas: “Usar a astrologia para justificar coisas boas que acontecem na vida também é problemático, porque, se algo só aconteceu porque o universo quis, o mérito da conquista fica em segundo plano”, pontua.

Alessandra também aponta riscos quando a prática deixa de ser apenas uma diversão e passa a envolver perdas financeiras. Ela ressalta a necessidade de cautela com especialistas em astrologia: “Acho preocupante quando algumas pessoas usam esse conhecimento astrológico para enganar outras e lucrar com isso”, afirma.

Esse alerta se torna ainda mais relevante diante do crescente interesse pela astrologia. O número de aplicativos para gerenciamento de mapas astrais não para de crescer, a astrologia é levada em conta em decisões importantes por muitos profissionais, e alguns astrólogos chegam a ter longas filas de espera para os atendimentos. 

A busca por previsões, no entanto, não é um fenômeno recente — trata-se de uma prática enraizada na cultura e que pode trazer conforto em momentos de incerteza. Ainda assim, o alerta permanece: “Astrologia é pseudociência. Não gaste seu dinheiro com isso”, adverte Alessandra.

 

Veredito: MITO! Não há evidências científicas de que o signo do horóscopo influencie a personalidade das pessoas. A crença na astrologia se baseia em descrições vagas e generalistas, que dão a ilusão de precisão, mas não resistem à análise científica. A personalidade humana é complexa e moldada por fatores genéticos e ambientais, conforme demonstram estudos psicológicos rigorosos.

 

 

Repórter: Milene Eichelberger
Ilustração: Evandro Bertol
Edição: Luciane Treulieb
Revisão: Fabiana Coradini

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O DNA, ou ácido desoxirribonucleico, é uma das moléculas responsáveis por carregar a informação genética necessária para o desenvolvimento, funcionamento e reprodução de um organismo. Ele está presente nas células vivas, desempenhando um papel essencial na transmissão de características de geração para geração. 

Contudo, ainda há dúvidas entre a população brasileira sobre sua presença em diferentes tipos de células, como as das plantas. De acordo com a pesquisa Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil mais recente, a afirmação “As células das plantas não têm DNA; só as células animais possuem DNA.” confundiu parte dos entrevistados: quase 30% deles concordou totalmente com o enunciado, 11,4% concordou em partes e 17,5% não soube responder.

DNA: de bactérias a alfaces e seres humanos

A sequência de nucleotídeos, moléculas que formam o DNA e o RNA, é responsável pelo armazenamento e pela transmissão da informação entre as gerações de indivíduos de uma espécie. Como explica a professora Lenira Sepel, “em qualquer célula, seja de uma bactéria, de uma alface ou de um humano, sempre haverá DNA”. Ela destaca ainda que o DNA é a única forma pela qual as células conseguem armazenar informações de maneira estável e transmiti-las de uma linhagem para outra.

Embora o DNA esteja presente em todos os seres vivos, a forma como ele é armazenado varia entre diferentes tipos de células. A principal diferença entre bactérias, plantas, fungos e animais está no local onde o DNA é mantido. As bactérias, por exemplo, são células simples, conhecidas como procariontes, e não possuem compartimentos celulares internos; por isso, o DNA fica disperso no citoplasma. Já as células de plantas, fungos e animais são mais complexas, classificadas como eucariontes, e contam com um sistema de membranas internas que organiza diferentes ambientes, incluindo o núcleo, onde o DNA é protegido.

Já as partículas virais não são formadas por células, mas todas possuem ácidos nucleicos que armazenam sua informação genética. Com base na molécula utilizada para esse armazenamento, os vírus podem ser divididos em dois grandes grupos: os vírus de DNA e os vírus de RNA, também conhecidos como retrovírus. Estes últimos são os únicos que utilizam moléculas de RNA como material genético.

DNA das plantas

O DNA das plantas contém as "instruções" necessárias para produzir proteínas, que fazem as células operarem corretamente e garantem o funcionamento do organismo como um todo. Essas proteínas ajudam as plantas a realizar todas as suas funções, como crescer, se reproduzir e se adaptar às mudanças do ambiente. É por meio dessas proteínas que as células conseguem reagir ao que acontece ao seu redor e às diferentes fases do ciclo de vida da planta.

Por exemplo, quando começa o período de produção das flores, vários genes que estavam inativos começam a ser ativados. De forma simplificada, podemos dizer que a transcrição desses genes gera RNAs que serão transformados em proteínas responsáveis pela produção das flores. Esses genes carregam as informações para determinar a cor e o formato das pétalas. Se uma planta terá flores com pétalas de borda lisa ou recortada, depende dos genes que ela herdou. O mesmo acontece com todas as outras características hereditárias que a planta manifesta.

Uma das explicações para a associação do DNA apenas às células animais é o fato de que as plantas são menos "percebidas" no ambiente. A professora Lenira Sepel explica o conceito de "cegueira botânica", que se refere à dificuldade de reconhecer as plantas como seres vivos, o que leva a não atribuir a elas as características essenciais de qualquer organismo. Ela sugere que mudanças no ensino escolar, como "observar, nomear e registrar as plantas presentes nos ambientes", têm um impacto importante na ampliação da percepção da diversidade vegetal que nos acompanha no cotidiano.

Biotecnologia e alimentos transgênicos

O uso do DNA de plantas tem impulsionado avanços significativos na ciência, especialmente no melhoramento agrícola. Com o desenvolvimento da genética molecular, o processo de aprimorar plantas tornou-se mais rápido e eficiente, permitindo, por exemplo, a criação de plantas transgênicas, que podem incorporar características inéditas às espécies. A professora Lenira Sepel explica: “A possibilidade de transferir DNA de uma bactéria para uma planta foi uma inovação da biotecnologia do século 20, que estimulou pesquisas para produzir vegetais mais adaptados às necessidades humanas, como melhorias nutricionais e no cultivo.”

No Brasil, alimentos transgênicos são vistos como uma solução potencial para combater a fome e garantir a segurança alimentar. Segundo a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), a biotecnologia pode melhorar a produção de alimentos e permitir o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas. No entanto, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor aponta riscos associados aos transgênicos, como o aumento de alergias e a resistência a antibióticos, devido a compostos introduzidos no processo de engenharia genética.

Além disso, a resistência de algumas plantas transgênicas a agrotóxicos pode favorecer o surgimento de superpragas, levando a um aumento no uso de pesticidas e impactos ambientais negativos. A professora Lenira alerta para esses riscos e questiona: “Como uma sociedade que não reconhece as plantas como seres vivos, com células contendo DNA, pode discutir com sabedoria a aplicação dessas biotecnologias?”

 

Veredito: MITO! As células das plantas também contêm DNA, que é essencial para toda a operação celular e o funcionamento do organismo. Assim como nas células animais, o DNA nas células vegetais armazena as informações genéticas necessárias para o desenvolvimento e funcionamento da planta.

 

Texto: Júlia Zucchetto
Ilustração: Vinicius Gumisson Motta
Edição: Luciane Treulieb
Revisão: Fabiana Coradini

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A evolução é um dos conceitos centrais da Biologia e explica como as espécies se transformam ao longo do tempo. Ela também mostra como os seres humanos compartilham uma longa história de adaptações que nos conectam a outros animais. Apesar de amplamente aceita na comunidade científica, a ideia de que “Os seres humanos evoluíram e descendem de outros animais” ainda enfrenta resistência em parte da população brasileira. De acordo com a Pesquisa de Percepção Pública da Ciência mais recente, 35,5% dos entrevistados discordam totalmente da ideia da evolução humana e outros 9,1% discordam em parte. 

O que é evolução?

Evolução é o termo utilizado para se referir ao processo de mudança pelo qual as populações passam ao longo do tempo, acumulando alterações que permitem sua adaptação aos ambientes. “Trata-se de um processo contínuo, inacabado e não linear”, afirma Camilo Silva Costa, biólogo e doutorando em Educação em Ciências na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ele explica que esse processo é guiado por mecanismos da evolução, como a Seleção Natural. Esse conceito, introduzido por Charles Darwin, em 1859, no livro "A Origem das Espécies", diz que as espécies evoluem ao longo do tempo por meio de um processo em que indivíduos com características vantajosas em determinado ambiente têm maior chance de sobreviver e deixar descendentes. “Por exemplo, há seres humanos adaptados a viverem em altas altitudes, como o povo tibetano na Ásia Central. Essas adaptações mostram como a seleção natural age no contexto do ambiente”, completa o especialista.

Ancestralidade comum

As evidências para a evolução humana vêm de diversas áreas, incluindo arqueologia, paleontologia, genética e anatomia comparada. “Os fósseis mostram nosso parentesco a partir da ancestralidade comum, quer dizer, que todos nos originamos de uma mesma espécie”, explica Camilo. Para exemplificar, ele propõe comparar a anatomia das patas dianteiras de vertebrados: as nadadeiras das baleias, as asas dos morcegos e as mãos humanas: “É o que chamamos de órgãos homólogos, ou seja, são estruturas que reforçam a origem de um ascendente comum”. 

No caso dos humanos, a evolução é traçada a partir de um grupo de primatas que viveu na África há milhões de anos, incluindo espécies do gênero Australopithecus, precursoras do gênero Homo. Camilo conta que esse grupo se dividiu em duas linhagens que começaram a evoluir independentemente. Uma delas permaneceu na floresta tropical africana, no noroeste da África, dando origem aos chimpanzés que conhecemos hoje; e a outra migrou para os campos abertos, nas savanas do leste africano, dando origem ao gênero Homo.

Fósseis encontrados ao longo do tempo mostram uma transição gradual entre características basais, presentes em Australopithecus afarensis, e outras presentes em espécies mais recentes, como Homo erectus e Homo sapiens. Além disso, estudos genéticos confirmam que os seres humanos compartilham uma alta porcentagem de seu DNA com outros primatas, como chimpanzés e bonobos, nossos parentes vivos mais próximos. Esses dados reforçam a ideia de uma ancestralidade comum. Embora muitas pessoas associem erroneamente a evolução à ideia de que “descendemos dos macacos”, o que a ciência afirma é que humanos e outros primatas compartilham um ancestral comum. Esse ancestral não era igual aos macacos atuais, mas sim uma espécie basal, que deu origem a diferentes linhagens, incluindo a humana. Portanto, não somos descendentes diretos de macacos como os que conhecemos hoje, mas sim primos evolutivos.

Rejeição à ideia

Apesar das evidências científicas, muitas pessoas ainda rejeitam a ideia de que os seres humanos evoluíram ao longo do tempo. Para o biólogo Camilo Silva Costa, a complexidade e a longa duração do processo evolutivo podem tornar sua compreensão mais desafiadora: “é muito mais fácil crer que o ser humano foi criado [criacionismo] do que acreditar que esse foi um processo longo de milhões de anos, muitas ramificações, adaptações, perdas e ganhos”.

O criacionismo é uma visão que interpreta de forma literal textos religiosos, como a Bíblia, para explicar a origem da vida. Contudo, é fato que o criacionismo carece de fundamentação científica e não oferece (nem busca oferecer) explicações testáveis para os fenômenos biológicos. Por outro lado, a evolução é respaldada por linhas robustas de evidências, incluindo fósseis que documentam a transição gradual entre espécies, semelhanças genéticas que indicam ancestralidade comum e registros geológicos que corroboram as sucessivas mudanças na biodiversidade ao longo de bilhões de anos.

Entender a evolução humana é fundamental não apenas para a ciência, mas também para a sociedade. Segundo o especialista, o estudo da evolução ajuda a interpretar processos adaptativos, genéticos e ambientais: “Não é apenas uma exploração do nosso passado, mas uma ferramenta essencial para enfrentar os desafios do presente e do futuro. A partir da evolução, conseguimos interpretar e olhar para a ciência que nos rodeia de forma mais crítica”, conclui.

 

Veredito: COMPROVADO! Os seres humanos evoluíram ao longo do tempo e compartilham uma conexão ancestral com outros animais.

 

Texto: Luciane Treulieb
Ilustração: Vinicius Gumisson Motta
Revisão: Fabiana Coradini

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/existem-curas-para-o-cancer-que-foram-escondidas-do-publico-por-causa-de-interesses-comerciais Thu, 05 Jun 2025 15:29:58 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=10030

O câncer é uma condição complexa que resulta do crescimento desordenado de células malignas. Apesar de existirem tumores benignos que não causam danos ao organismo, os tumores malignos se caracterizam pela capacidade de invadir outros órgãos e estruturas do corpo, tornando-se, assim, o câncer.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), o câncer ocorre devido a mutações genéticas nas células, que passam a ter as 'instruções' para seu crescimento e divisão alteradas. Em outras palavras, segundo o órgão federal, “na presença de qualquer erro nestas instruções (mutação), pode surgir uma célula doente que, ao se proliferar, causará um câncer”. Trata-se de uma doença multifacetada, com mais de cem tipos distintos, cada um com sintomas e tratamentos específicos. Os mais comuns no Brasil são os cânceres de pele, próstata, mama, cólon e reto, pulmão e estômago. 

A Pesquisa de Percepção Pública da Ciência, realizada em 2023, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), revelou que 52% dos brasileiros acreditam totalmente que “existem curas para o câncer que foram escondidas do público por causa de interesses comerciais”. Esse dado reflete um cenário de desinformação que preocupa especialistas, especialmente diante do impacto que o câncer tem na saúde pública global.

Para cada caso, um tratamento personalizado

Segundo Vanessa Rigo, docente do Departamento de Clínica Médica da UFSM, com enfoque em Cancerologia, não é possível estabelecer somente um tipo de cura para o câncer, pois a doença resulta de danos celulares causados por diversos fatores, como estilo de vida e genética. Além disso, o que chamamos de câncer, como se fosse uma doença única, pode afetar diferentes regiões do corpo, o que exige tratamentos personalizados, considerando as características genéticas do tumor e do paciente.

Para a médica, o principal motivo para as pessoas acreditarem que ‘existe uma cura para o câncer que está sendo escondida da sociedade’ está relacionado à desinformação e à falta de noções científicas sobre o que é o câncer: "A falta de conhecimento leva as pessoas a enxergarem o câncer como uma infecção, tratável com um remédio, e não lhes permite compreender que se trata de uma doença particular em cada indivíduo, ligada à sua genética". Segundo ela, se houvesse uma maior educação sobre os diferentes tipos de câncer, a porcentagem de pessoas que acreditam em soluções milagrosas seria reduzida. 

Nesse sentido, o acesso limitado a informações científicas de qualidade contribui para a propagação de ideias equivocadas. Embora os avanços científicos sobre o câncer sejam amplamente documentados, muitos avanços médicos são divulgados em jargões técnicos, o que torna o entendimento do público leigo mais desafiador, permitindo que mitos se espalhem. A falta de entendimento da população sobre como funcionam ensaios clínicos, processos regulatórios e desenvolvimento de medicamentos reforça a crença de que a cura pode estar sendo ocultada.

Teoria da conspiração

A ideia de que a cura do câncer está sendo escondida por interesses comerciais é uma teoria da conspiração bastante difundida na internet há anos. O argumento central é que a indústria farmacêutica teria incentivos financeiros para esconder uma possível cura, pois garantiria a continuidade da venda de tratamentos caros aos pacientes. No entanto, especialistas e instituições científicas apontam que essa teoria não se sustenta diante das evidências.

Em um artigo publicado no site da organização Worldwide Cancer Research, pesquisadores explicam que não seria lucrativo para as big pharmas esconder a cura: “levaria décadas para testá-la em cada tipo e estágio do câncer. Esse tipo de teste requer grandes quantias de dinheiro. Qual seria o benefício de esconder uma cura? Grandes empresas farmacêuticas investem bilhões no desenvolvimento de novos medicamentos. Se uma delas tivesse encontrado a cura, eles gostariam de reivindicar essas despesas de volta”.

Além disso, milhares de pesquisadores em todo o mundo trabalham na busca por tratamentos mais eficazes contra o câncer em diversas universidades, hospitais e centros independentes. “Esse número de pessoas poderia realmente manter tal segredo?”, questiona o texto da Worldwide Cancer Research. 

O pesquisador inglês Robert Grimes estudou a probabilidade matemática de teorias da conspiração. Para um artigo publicado em 2016, ele criou um modelo usando conspirações médicas reais para estimar quanto tempo levaria para algo assim ser descoberto, dependendo da quantidade de pessoas envolvidas. Ele estimou que, se apenas as maiores empresas farmacêuticas estivessem envolvidas em esconder a cura do câncer, ainda haveria cerca de 714 mil pessoas que saberiam de algo. E, com tantas pessoas envolvidas, seus cálculos mostram que levaria cerca de 3 anos anos para alguém contar o segredo.

Como prevenir o câncer?

Vanessa Rigo explica que, embora uma cura universal para o câncer não seja possível, algumas medidas preventivas são eficazes, como no caso do câncer de colo de útero. A vacinação contra o HPV em meninos e meninas em idade escolar pode prevenir quase cem por cento dos casos da doença. 

‘’Existem estratégias que nos permitem prevenir tipos específicos de câncer, mas uma medida única, uma medicação para evitar o desenvolvimento geral, de todos tipos de câncer, nunca será possível”, esclarece a especialista. 

Cerca de dois terços dos casos de câncer decorrem de maus hábitos de vida, enquanto o restante se relaciona à genética, segundo Vanessa Rigo. Portanto, manter uma vida saudável é o ponto central para evitar um possível desenvolvimento da doença. E, nesse sentido, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) apresenta recomendações para evitar os principais tipos de câncer: 

  • Não fumar.
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados.
  • Praticar atividades físicas regularmente.
  • Utilizar protetor solar e evitar exposição ao sol entre 10h e 16h.
  • Fazer vacinas contra HPV e hepatite B.
  • Realizar exames preventivos regularmente.

Embora as recomendações gerais para prevenção do câncer sejam amplamente aplicáveis, cada tipo de câncer apresenta características próprias, o que demanda abordagens específicas para a prevenção e tratamento. O diagnóstico precoce, por sua vez, desempenha um papel fundamental, aumentando significativamente as chances de cura. 

Mais informações detalhadas sobre prevenção e tratamento podem ser encontradas no site do INCA.

Veredito: MITO! Não existem curas para o câncer que foram escondidas do público por causa de interesses comerciais.

 

Texto: Laurent Keller e Luciane Treulieb
Ilustração: Vinicius Gumisson Motta
Edição: Luciane Treulieb
Revisão: Fabiana Coradini

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-gas-carbonico-co%e2%82%82-e-um-gas-que-contribui-para-produzir-o-efeito-estufa Tue, 03 Jun 2025 18:00:42 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=10027

O efeito estufa é um fenômeno da natureza essencial para a vida na Terra. Ele mantém o planeta aquecido, com temperaturas adequadas para a sobrevivência de seres vivos. Metano (CH₄), óxido nitroso (N₂O), gases fluorados e dióxido de carbono - também chamado gás carbônico (CO₂) - são exemplos de gases presentes na atmosfera terrestre que contribuem para produzir o efeito estufa. Esses gases absorvem a radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre e reemitem essa energia de volta para a atmosfera, impedindo que o calor escape para o espaço. 

Apesar da relevância do efeito estufa para o equilíbrio climático, o entendimento da população sobre o fenômeno ainda apresenta lacunas significativas. Embora 54% dos entrevistados concordem totalmente com a afirmação de que “o gás carbônico (CO₂) é um gás que contribui para produzir o efeito estufa”, a pesquisa Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil de 2023 revela que 17% dos participantes não souberam responder à questão, e 5% discordaram totalmente da informação. Esses dados evidenciam a necessidade de esclarecer o papel do gás carbônico nesse processo e melhorar a compreensão pública sobre o efeito estufa.

Gás carbônico

O gás carbônico é uma molécula composta por um átomo de carbono (C) e dois átomos de oxigênio (O). A maior parte dos gases da atmosfera é composta por nitrogênio (78%) e oxigênio (21%). Apesar de sua concentração ser baixa na atmosfera (cerca de 0,04%, ou seja, 400 ppm ou partes por milhão), o CO₂ tem um grande impacto no efeito estufa.

Da revolução industrial aos dias de hoje

Se, de um lado, sem o efeito estufa o planeta Terra seria frio e inabitável; de outro, desde a Revolução Industrial, as emissões de gás carbônico têm aumentado muito, de forma exponencial, intensificando o fenômeno e causando desequilíbrios climáticos.

A industrialização trouxe avanços para as cidades e estimulou a urbanização. Com isso, as pessoas passaram a consumir mais alimentos e produtos processados, elevando a produção nas fábricas e, consequentemente, as emissões de gás carbônico. Além disso, o crescimento da população global e o aumento da expectativa de vida têm gerado maior demanda por alimentos, o que levou à ampliação de áreas de plantio e criação de animais. Esse processo inclui o desmatamento, que agrava o efeito estufa: as árvores, que absorvem gás carbônico e liberam oxigênio, deixam de cumprir esse papel ao serem cortadas ou queimadas, liberando mais CO₂ na atmosfera.

Segundo Simone Erotildes Ferraz, doutora em Meteorologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o problema maior não está no pequeno agricultor ou em práticas isoladas, mas na escala das emissões globais, particularmente nas atividades das grandes indústrias e no desmatamento. “Não é o pequeno agricultor que planta arroz ali em Agudo (RS) que vai afetar a atmosfera, mas as grandes empresas”, afirma a especialista. A agropecuária também contribui significativamente para as emissões de gases de efeito estufa, como o metano (CH₄), liberado pelo gado durante a ruminação.

Consequências do efeito estufa intensificado

As consequências do aumento das emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa já são visíveis. A temperatura média global está subindo, e os impactos se manifestam em diferentes formas:

  • Expansão térmica dos oceanos: o aquecimento da água faz com que seu volume aumente, resultando na elevação do nível do mar e na invasão de áreas costeiras.
  • Derretimento das geleiras: isso altera a salinidade dos oceanos, afetando a vida marinha.
  • Eventos climáticos extremos: secas severas, chuvas intensas e outros fenômenos climáticos rigorosos estão se tornando mais frequentes.

Simone Erotildes alerta que estamos próximos de um ponto crítico. “É muito complicado resolver isso. Estamos chegando a um ponto de não retorno, do qual não conseguiremos mais voltar para as condições de antes da industrialização”, explica.

Como mitigar os impactos?

A professora Débora Regina Roberti, do Departamento de Física da UFSM, destaca que ações globais são fundamentais. “Nas últimas COPs (Conferências das Nações Unidas sobre Mudança Climática) foram ou têm sido  desenvolvidas tentativas para diminuir a emissão de gases e evitar que a temperatura suba. Mas a gente já passou um grau e meio da média adequada”, afirma.

Entre as soluções globais discutidas, estão:

  • Adoção de energias renováveis e eficiência energética.
  • Redução do desmatamento e incentivo à preservação florestal.
  • Acordos internacionais para limitar as emissões dos principais países e empresas poluidoras.

Em escala individual, as ações também têm sua importância:

  • Reduzir o uso de automóveis, optando por transportes coletivos ou bicicletas.
  • Diminuir o consumo de carne, especialmente carne bovina.
  • Fazer o descarte correto de resíduos.

No entanto, Débora Roberti enfatiza: “Essas medidas individuais são insuficientes sem mudanças significativas nas políticas globais e nas práticas de grandes emissores de gás carbônico”.

Veredito: COMPROVADO! O gás carbônico (CO₂) é um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa.

Texto: Jéssica Mocellin
Ilustração: Evandro Bertol
Edição: Luciane Treulieb
Revisão: Fabiana Coradini

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/antibioticos-servem-para-matar-virus Tue, 03 Jun 2025 17:42:02 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=10025

Um dos mitos mais comuns sobre medicamentos é a crença de que antibióticos podem tratar infecções virais, como gripes e resfriados. Segundo a última edição da pesquisa de Percepção Pública da Ciência e Tecnologia de 2023, 71,8% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente, com a afirmação de que “antibióticos servem para matar vírus”. No entanto, a verdade é que esses medicamentos atuam exclusivamente contra bactérias e são ineficazes contra vírus. O uso inadequado não apenas impede o tratamento correto da doença, mas também representa um sério risco à saúde pública, contribuindo para o aumento da resistência microbiana.

O que são antibióticos?

Os antibióticos são substâncias que combatem infecções causadas por bactérias, podendo matá-las ou inibir sua multiplicação. Eles compõem a gama de medicamentos conhecidos como antimicrobianos, que inclui, também, os antifúngicos, antivirais, antimaláricos e anti-helmínticos.

Segundo a professora Terimar Ruoso, do Departamento de Ciências da Saúde do campus da UFSM de Palmeira das Missões, todo medicamento age a partir de sua interação com um alvo específico e, no caso dos antibióticos, sua interação sempre se dá com alguma estrutura bacteriana. Ela explica que o medicamento deve ser utilizado pelo tempo necessário para eliminar todas as bactérias responsáveis pela infecção, um período que geralmente varia entre sete e 14 dias.

Às vezes, as pessoas fazem uso de antibiótico quando estão com infecções virais e podem acreditar que foram curadas por esse medicamento. Porém, isso não é verdade. O que acontece é que, para ‘funcionar’, o antibiótico atua em conjunto com a reação do nosso sistema imunológico. Em casos de virose tratadas com antibióticos, como não há bactéria, a melhora dos sintomas não ocorre devido ao medicamento, mas pela reação do próprio organismo. 

Vírus x bactérias

As bactérias surgiram há cerca de 3,5 bilhões de anos e são caracterizadas por sua adaptabilidade, sobrevivendo a diversas mudanças no planeta. Elas têm uma estrutura celular organizada e podem se reproduzir de forma autônoma, desde que o ambiente ofereça condições adequadas a elas. Já os vírus não possuem estrutura celular (são acelulares) e são dependentes de outro ser vivo para se reproduzirem. Além disso, são muito pequenos, em torno de cem a mil vezes menores que as bactérias - o que contribui para replicação abundante e dispersão facilitada.

Resistência microbiana e riscos associados

O uso incorreto de antibióticos, como tomá-los em excesso ou utilizá-los para tratar infecções causadas por vírus (como resfriados e gripes), é um problema comum. Isso contribui para o surgimento da resistência microbiana, que acontece quando as bactérias se tornam capazes de resistir e sobreviver aos efeitos dos medicamentos que deveriam eliminá-las. Assim, os antibióticos que antes eram eficazes perdem a capacidade de combater certas infecções.

Como resultado, as bactérias mais sensíveis são destruídas pelo antibiótico, mas as resistentes sobrevivem e se multiplicam, tornando o tratamento mais difícil. Infecções causadas por essas superbactérias apresentam maior risco de complicações, como explica a professora Rosmari Horner, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da UFSM: “As infecções persistem no corpo, aumentando o risco de propagação a outras pessoas, podendo levar a complicações graves nos pacientes e até mesmo a óbitos, já que os medicamentos se tornam ineficazes”.

Nesse contexto, a resistência aos antibióticos está tornando infecções que antes eram tratáveis muito mais difíceis de controlar. Doenças como pneumonia, tuberculose e sífilis se tornaram desafiadoras de combater porque as bactérias que as causam desenvolveram resistência aos tratamentos disponíveis.

Automedicação e Covid-19

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), em 2024, colocou o Brasil como recordista em automedicação, revelando que 86% dos entrevistados tomam medicamentos sem orientação de um prescritor, mesmo com a exigência de receita médica para a compra de antibióticos em farmácias e drogarias no país.

No mesmo ano, o Conselho Federal de Farmácia divulgou um levantamento sobre o aumento na venda de antimicrobianos, incluindo antibióticos. Segundo os dados, em 2019, foram vendidas cerca de 170 milhões de unidades desses medicamentos, e esse número continuou crescendo nos anos seguintes. Em 2022, as vendas saltaram para 228 milhões de unidades.

O aumento da venda dos antimicrobianos ocorreu simultaneamente à pandemia de Covid-19, com o boom da automedicação, associada à comercialização do “kit covid” - que contava com a azitromicina, um antibiótico comumente utilizado para tratamento de infecções do trato respiratório. Isso levou a Anvisa a publicar, em agosto de 2021, uma Nota Técnica reforçando que os antibióticos não são indicados no tratamento de rotina da Covid-19, já que a doença é causada por vírus e esses medicamentos atuam apenas contra bactérias.

 

Veredito: MITO! Os antibióticos não servem para matar vírus. Seu uso em infecções virais só é recomendado caso haja uma infecção bacteriana associada. Por isso, não utilize antibióticos sem prescrição profissional e sempre siga corretamente as orientações do seu médico.

Orientações da Anvisa sobre o uso de antibióticos:

  • Use antibióticos somente quando indicados por receita de um profissional qualificado;
  • Não compartilhe seu antibiótico com terceiros nem use antibióticos que sobraram do tratamento de amigos ou familiares;
  • Mesmo que esteja se sentindo melhor, termine o tratamento conforme indicado pelo profissional na receita;
  • Previna infecções com medidas simples: faça sexo seguro, mantenha sua vacinação em dia, lave sempre as mãos e cubra o nariz e a boca quando for espirrar;
  • Não espere que antibióticos curem doenças provocadas por vírus, como gripes ou resfriados; esses medicamentos tratam apenas doenças bacterianas.



Texto: Júlia Zucchetto
Ilustração: Vinicius Gumisson Motta
Edição: Luciane Treulieb
Revisão: Fabiana Coradini

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/temperatura-de-ebulicao-da-agua-depende-da-altitude Tue, 03 Jun 2025 17:36:17 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=10023

A água é a substância mais abundante na natureza e é essencial para a sobrevivência dos seres vivos, pois contribui com o equilíbrio da biodiversidade, a regulação do clima e a manutenção da umidade do ar, além de ser fundamental para a agricultura e a geração de energia. 

Apesar de diversas características da água serem ensinadas na escola, como sua composição química (duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio), a capacidade de dissolver substâncias (é chamada de “solvente universal”), e os seus três estados físicos (sólido, líquido e gasoso), nem sempre esses conhecimentos são absorvidos pelas pessoas, que ainda apresentam incertezas sobre noções básicas relacionadas à água. Por exemplo: a pesquisa Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil de 2023 mostrou que os brasileiros ainda têm dúvidas quando confrontados com a seguinte informação: “A água não ferve sempre a 100 graus Celsius (°C) em um recipiente aberto. Depende da altitude”. Das pessoas entrevistadas, 27,8% discordaram, em parte ou totalmente, da noção científica apresentada, e 20,2% não souberam responder. Já as que concordam totalmente com a informação somam 35,6%.  

Para esclarecer essa questão, conversamos com o professor Mateus Henrique Köhler, do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Maria, que explica como mudanças na altitude e na pressão atmosférica afetam a temperatura de ebulição e outras propriedades da água, desmistificando crenças frequentes sobre o comportamento dessa substância.

Para começar: o que é altitude? 

A altitude consiste na distância vertical entre um ponto da Terra em relação ao nível do mar (que corresponde à altitude zero). Quando um ponto está abaixo do nível do mar, a altitude é negativa. Já quando o ponto está acima do nível do mar, a altitude é considerada positiva.

A altitude é inversamente proporcional à pressão atmosférica: ou seja, quanto maior a altitude, menor vai ser a pressão. Por exemplo, em uma montanha - que fica acima do nível do mar -  a altitude é maior e a pressão atmosférica é menor, e isso influencia fenômenos como a temperatura de ebulição da água e a sensação térmica. 

Temperatura de ebulição da água x altitude

A partir dessas informações, é possível explicar por que a água não ferve sempre a 100°C em um recipiente aberto. Segundo o professor Mateus, é importante considerar que, além da altitude, a pressão também interfere no ponto de ebulição da água. Segundo ele, “é correto afirmar que, ao nível do mar, em um recipiente aberto, a água ferve a 100°C. Porém, em altitudes mais elevadas, onde a pressão atmosférica é menor, a água ferve a temperaturas mais baixas.”  Ele traz como exemplo o fato de que, no Monte Everest, na Cordilheira do Himalaia, a mais de 8 quilômetros de altitude, a água entra em ebulição muito mais rápido, a aproximadamente 71°C.

Ele explica que, além da altitude, o recipiente estar aberto também interfere diretamente no ponto de ebulição da água, pois a pressão atmosférica diminui com o aumento da altitude - ou seja, quando o recipiente está aberto, a pressão atmosférica e a pressão interna da água são equivalentes, levando ao ponto de ebulição de 100°C ao nível do mar. Contudo, se o recipiente for fechado, o professor esclarece que a dinâmica muda: “ao fecharmos o recipiente, poderíamos aumentar a pressão interna, elevando o ponto de ebulição”. 

Como a água se comporta em situações do cotidiano?

Essas condições se aplicam somente à água, as demais substâncias têm propriedades específicas e, por isso, apresentam comportamentos distintos quando expostos às mesmas situações. 

“A água é conhecida particularmente por apresentar diversos comportamentos que chamamos de anômalos, por serem muito diferentes daqueles que ocorrem em outras substâncias. Esse é o fato, inclusive, pelo qual dizemos que a água é fundamental para a vida como a conhecemos”, comenta o professor.  A água é uma das únicas substâncias encontradas nos estados sólido, líquido e gasoso sob as temperaturas normalmente medidas na Terra. Entre suas especificidades, está o alto calor específico: a água absorve muito calor antes de começar a aquecer efetivamente. O elevado índice de calor específico de água ajuda a regular as variações da temperatura do ar - explicando a mudança gradual de temperatura entre estações do ano, especialmente na proximidade do mar.

No nosso cotidiano, podemos observar essas peculiaridades da água em ações comuns, como cozinhar. Segundo o professor Mateus, um exemplo é o uso da panela de pressão, em que a água pode ferver a temperaturas muito superiores a 100°C: “essa pressão adicional também faz com que os alimentos experimentem temperaturas mais elevadas, proporcionando aquela maciez típica de produtos cozidos em panelas de pressão.”

Esse é, inclusive, um dos mitos mais comuns sobre o cozimento de alimentos. Mateus explica que “deixar a panela de pressão no fogo alto não faz o alimento cozinhar mais rápido, pois se a água já estiver fervendo, mesmo recebendo mais energia, sua temperatura permanecerá igual - da mesma forma que deixar a água do café fervendo por mais tempo não aumenta sua temperatura”. Afinal, deixar a água ferver por mais tempo não faz com que sua temperatura aumente, já que durante a passagem de um estado físico para outro a temperatura permanece constante.

Veredito: COMPROVADO! A variação da altitude determina o ponto de ebulição da água e ela não ferve sempre a 100ºC em um recipiente aberto. 

Texto: Júlia Zucchetto
Ilustração: Vinicius Gumisson Motta
Edição: Luciane Treulieb
Revisão: Fabiana Coradini

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/se-as-abelhas-forem-extintas-o-mundo-acaba Fri, 15 Jul 2022 13:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9405 Ferrão, zumbido, picadas dolorosas e mel. Essas são algumas das coisas que nos vêm à cabeça quando pensamos em abelhas. Mas nem toda abelha ferroa - várias delas são inofensivas, como é o caso dos meliponíneos - e a função delas vai muito além da produção do mel. Esses insetos são muito importantes para as plantas.


De acordo com a professora Márcia d’Avila, do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria, do campus de Frederico Westphalen (UFSM - FW), as abelhas têm uma relação íntima com as flores. “Podemos dizer que 90% das plantas precisam de um agente externo para fazer a polinização cruzada, e, somente com a polinização, vai haver a produção de frutos e de sementes”. Segundo d’Avila, já foram feitos vários experimentos que comparam a polinização da abelha com a polinização humana/manual, e chegou-se à conclusão que as abelhas são muito mais eficientes.

Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma abelha sobre uma flor amarela. A fotografia está em plano fechado e macro. A flor tem pétalas pequenas, finas e alongadas, em grande quantidade. O miolo tem folhas menores na direção vertical. O caule é verde e fino e está em desfoque. A abelha tem cabeça com pelos marrons, olhos em formato oval e na cor preta; o corpo dela é alongado e tem listras amarelo escuras e pretas; a parte final do corpo é preto e pontudo; as pernas são finas e tem uma dobra em ângulo de 90 graus, na qual está presa uma bolota de pólen, na cor amarelo alaranjado. As asas são pequenas e transparentes, com bordas marrons. O fundo é preto e desfocado.

Isso porque esses insetos têm todo o corpo adaptado para a polinização. Elas têm uma “tremidinha” no corpo que faz com que o grão de pólen entre e se acomode no aparelho reprodutor da planta de forma mais eficiente, o que resulta em maior produção de frutos e com mais qualidade.

Descrição de imagens: gif de uma abelha, em detalhe, sobre a pétala de uma flor amarela. A abelha é amarela e preta e tem as asas amarekadas; ela tem olhos redondos, pequenos e na cor preta; o movimento do gif está na bunda da abelha, que faz um movimento de 'tremida' para cima e para baixo, de maneira sutil.

Menos plantas, menos abelhas

Assim como as abelhas são extremamente importantes para as plantas, as flores são essenciais para a manutenção da vida das abelhas. Por isso, se ocorrer a redução da cobertura vegetal - ou seja, de plantas que as abelhas necessitam para a sua alimentação e realizar a polinização - as espécies de abelhas irão diminuir.

 

“Se uma espécie de planta é extinta e esta for a principal fonte de alimento para algumas espécies de abelhas, essas abelhas serão extintas. Ou o contrário, uma determinada espécie de abelha sendo extinta, a planta que necessita exclusivamente dessa abelha para a sua polinização também acaba sendo extinta”, destaca a professora Márcia d’Avila.

 

Como explica d’Avila, com a diminuição da flora e desses insetos, os alimentos também vão diminuir e, mesmo que os humanos tentem implementar uma polinização manual, não conseguiriam polinizar a mesma quantidade de plantas no mesmo tempo em que as abelhas fazem. 

 

Conforme a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), mais de 75% das culturas que alimentam o mundo dependem de alguma forma da polinização de insetos e outros animais, como borboletas, pássaros e morcegos. Por isso, sua ausência pode acabar com espécies como café, maçãs, amêndoas, tomates, cacau, entre outros alimentos.

 

Com o desaparecimento da espécie e, portanto, de algumas plantas, uma gama de herbívoros, como os insetos, coelhos e veados, também passariam fome e, por consequência, seriam extintos. 

 

“Esses animais também são fonte de alimento para outros animais. Ou seja, em pouco tempo iria faltar alimento para os carnívoros do topo da cadeia alimentar, porque o alimento deles não teve alimento, que não teve planta e, assim, seria um colapso geral (nos ecossistemas)”, ressalta a professora.A professora de Engenharia Florestal destaca ainda que ocorreria um grande desequilíbrio ambiental no ciclo da água, no regime de chuvas e haveria mudanças no clima. “É um efeito cascata. As plantas e as abelhas são a base do planeta. Seria a mesma coisa que se tirasse a luz do sol: o planeta também iria entrar em colapso, porque sem a luz do sol as plantas não se desenvolvem. As plantas são a base para tudo”, destaca.

Evite agrot´´oxicos para proteger as abelhas!

Existem cerca de 20 mil espécies de abelhas conhecidas no mundo. No Brasil, esse número fica em torno de três mil espécies. Porém, muitas delas são extintas antes mesmo de serem descobertas. Conforme destaca a professora Márcia D’avila, as abelhas estão cada vez mais ameaçadas pela ação humana, e os apicultores e meliponicultores sofrem com isso há bastante tempo.

 

Além do desmatamento, a aplicação indiscriminada de produtos químicos também contribui para a extinção desses insetos. No momento em que uma abelha de uma determinada colonização é infectada, ela leva o problema para dentro do enxame e afeta todas as outras abelhas. “Quando é aplicado pesticidas nas culturas no período de floração das plantas, as abelhas que visitarem estas flores serão afetadas”, ressalta D’avila.

 

De acordo com a organização não-governamental Greenpeace Brasil,  entre dezembro de 2018 e março de 2019, mais de meio bilhão de abelhas foram encontradas mortas em diversas regiões do nosso país. Isso porque o Brasil é um dos países que mais utilizam veneno nas plantações, via pulverização aérea e terrestre.

Veredito final: Se as abelhas fossem extintas, o mundo acabaria em alguns anos. De acordo com a professora Márcia d’Avila, do curso de Engenharia Florestal da UFSM - campus Frederico Westphalen, é difícil dizer com exatidão em quantos anos, mas não demoraria muito tempo. Esses insetos desempenham um papel muito importante no ecossistema e sua extinção afetaria a vida de muitos outros seres (plantas, animais e humanos).

Expediente

Reportagem: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Fotografia: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/aspirina-e-aas-fazer-mal-suspeita-dengue Mon, 20 Jun 2022 13:23:20 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9344 Com o aumento dos casos de dengue no Brasil, uma dúvida que surgiu entre a população é sobre o uso de medicamentos como aspirina e ácido acetilsalicílico (AAS) para o tratamento da doença. Segundo o Ministério da Saúde, em 2022 os casos de dengue no Brasil cresceram 43,9%. O Rio Grande do Sul já registra, neste ano, mais do que o dobro do número de casos autóctones confirmados em 2021 - quando a contaminação acontece dentro de um mesmo local. No ano passado, foram 3.906 casos e, neste ano, já são 10.536 casos. 

O professor Eduardo Flores, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva (DMVP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), afirma que esse aumento pode estar relacionado a dois fatores. O primeiro é que em 2020 e 2021 pode ter havido subnotificação e, portanto, o que se registra nesses anos não é um aumento de casos, mas sim das notificações. O segundo ponto é o favorecimento das  condições climáticas para a proliferação e a reprodução dos mosquitos, o que pode ter beneficiado esse aumento.

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e em tons de azul marinho de um homem confuso entre dois mosquitos da dengue. O homem está de frente, em primeiro plano, da cintura para cima. Ele tem pele branca, cabelos raspados e em tonalidade escura, olhos redondos e brancos, bigode ralo; veste camiseta azul marinha. Segura uma cartela de AAS na mão, em cores vermelha e branca. Ao lado do seu ouvido, na esquerda da imagem, mosquito da dengue preto com pintas brancas, e um balão de fala ao lado, com a frase "Não toma! Vai fazer mal". Na direita da imagem, ao lado do ouvido do homem, outro mosquito da dengue, e, ao lado, balão de fala com a frase "Toma sim!". O fundo é uma parede de tijolos em cinza escuro.

De acordo com o professor, os aumentos de casos de dengue no Brasil estão relacionados a segunda variável. O calor e o clima úmido proporcionam maior proliferação do mosquito, enquanto na temporada de temperaturas mais frias a reprodução tende a diminuir. Por isso os picos de casos de dengue nas regiões sul e sudeste ocorrem no final do verão e no início do outono, entre fevereiro e março, que é quando há maior população de mosquito circulando e, consequentemente, mais atividade do vírus.

Eduardo Flores explica que o vírus da dengue é dividido em quatro grupos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Cada um dos tipos causa doenças parecidas, mas raramente circulam ao mesmo tempo e no mesmo local. De acordo com o pesquisador, por existirem quatro tipos de dengue, uma pessoa só poderá ser infectada pelo vírus um total de quatro vezes ao longo da vida. É importante ressaltar que, se contrair um tipo de dengue, após o período de infecção, o indivíduo se torna imune ao tipo contraído.

Os sintomas da doença são a febre alta acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, fraqueza, dor atrás dos olhos e erupções cutâneas - pequenas manchas vermelhas presentes em  20% ou 30% dos casos. A Revista Arco preparou um mitômetro para saber se, em caso de suspeita da doença, faz mal ingerir medicamentos como ácido acetilsalicílico (AAS) e aspirina.

O problema da automedicação

Por apresentar sintomas comuns, a dengue pode ser confundida com outras doenças, como a gripe. De acordo com Ana Paula Ferreira, farmacêutica da Farmácia Escola da UFSM, os  medicamentos utilizados no tratamento de gripes e resfriados não são indicados em caso de suspeita de dengue. A farmacêutica alerta para prestar atenção em casos registrados na região, uma vez que os sintomas podem estar relacionados à dengue, além de evitar os medicamentos com salicilatos na composição, principalmente o ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios em geral, como Diclofenaco, cetoprofeno, ibuprofeno e nimesulida.

 

A farmacêutica Melina Renz, também da Farmácia Escola, lembra que, embora não seja tão comentado, outro tipo de medicamento que deve ser evitado são os corticoides. Esse tipo de anti-inflamatório não é recomendado por não existirem estudos que comprovem a eficácia no tratamento da doença. Segundo a farmacêutica Claudia Silveira,  também da Farmácia Escola, a automedicação para alguém que já tem uma doença pré-existente pode agravar o quadro, uma vez que muitas pessoas desconhecem seu organismo e não sabem se têm alergia a algum medicamento.

 

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertam sobre a  importância de observar a composição do medicamento, para evitar aqueles contra indicados no caso de suspeita de dengue. Ana Paula ressalta que, em caso de dúvidas e na ausência de acesso a um médico ou posto de saúde, pode-se consultar um profissional farmacêutico, a fim de tirar dúvidas sobre os medicamentos que devem ser evitados em caso de suspeita da doença.

Reações e efeitos da Aspirina e Ácido acetilsalicílico (AAS)

Ana Paula Ferreira esclarece que o ácido acetilsalicílico (AAS),  anti-inflamatório não esteróide, também conhecido como Aspirina, é uma droga usada para ‘afinar o sangue’: ela diminui a agregação plaquetária, o que minimiza a coagulação sanguínea. Uma das consequências da dengue, em sua forma mais grave, é a hemorragia. No momento que a pessoa ingere um medicamento que dificulta a coagulação, há mais chances de que a hemorragia aconteça.

Eduardo Flores informa que a dengue hemorrágica é a forma grave da doença:  em geral, entre 95% e 99% das pessoas têm febre, ficam em repouso e se recuperam. No entanto, até 2% dos casos se agravam na chamada dengue hemorrágica. Esse tipo da doença ocorre principalmente quando o indivíduo foi infectado com um tipo de dengue e tem nova infecção com outro tipo entre dois e quatro anos depois da primeira vez. A imunidade prévia  não protege contra o tipo diferente de dengue, e ainda pode agravar o caso.

De acordo com Ana Paula, a orientação geral é evitar os anti-inflamatórios, uma vez que eles mexem com a  cascata da agregação plaquetária e  podem causar sangramentos. Os derivados do Ácido Acetilsalicílico (Aas) são os que têm mais efeitos nesse sentido. A farmacêutica ressalta que não são somente  medicamentos de uso oral que podem ter consequências no agravamento do caso. O Gelol - analgésico em forma de pomada utilizado para tratamento de contusões, reumatismos, dores musculares e torcicolos - tem Salicilato de metila na composição e inclui  na bula a recomendação de não ser utilizado em caso de suspeita de dengue. Mesmo que pequena, o Gelol pode promover uma absorção de seus componentes, e não é possível saber de que forma o organismo infectado pela dengue vai reagir à substância.

Em caso de suspeita de dengue

Marila Marchiori, farmacêutica da Farmácia Escola UFSM, afirma que a principal recomendação ao ter febre alta, dor de cabeça, dor nos olhos e cansaço, é fazer tratamento não medicamentoso por meio da ingestão de  bastante líquido e procurar atendimento médico.

Não existe um tratamento específico para a dengue, o que se faz é um tratamento sintomático, utilizando medicamentos que aliviam os sintomas da doença mas não agem sobre a causa. Claudia Silveira chama a atenção para a nomenclatura dos medicamentos, uma vez que muitos são conhecidos pelo nome comercial e não atentam para a composição, que pode ter contraindicação. Por isso, aconselha-se sempre a leitura da bula ou a busca por informações sobre o medicamento com o farmacêutico.

Veredito final: Comprovado!

Em caso de suspeita de dengue, não tome ácido acetilsalicílico (AAS) ou aspirina. Esse é um medicamento que dificulta a coagulação, o que facilita a ocorrência de hemorragia - uma das consequências da dengue em sua forma mais grave. A orientação geral é evitar anti-inflamatórios, porque todos são potenciais causadores de sangramentos. Os derivados do Ácido Acetilsalicílico são os mais propensos a esse efeito. Sempre procure um médico e, antes de ingerir um medicamento, leia a bula e/ou tire suas dúvidas sobre o medicamento com o farmacêutico.

Expediente:Reportagem: Karoline Rosa, acadêmica de Jornalismo e voluntária;Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;Relações Públicas: Carla Isa Costa;Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/covid-longa-imprevisivel-e-debilitante Mon, 13 Jun 2022 12:29:23 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9325 Mesmo após dois anos de pandemia, os especialistas em saúde ainda tentam entender as implicações da Covid-19. Estudos mostram que os problemas causados pela doença não terminam com o fim da infecção: muitas pessoas que se recuperaram do vírus ainda sofrem com os impactos da enfermidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 10% a 20% das pessoas que tiveram Covid-19 sofrem com esses sintomas após se recuperarem da fase aguda da doença. A OMS considera como “Covid Longa” ou “Condição Pós-Covid” os sintomas que surgem em até três meses após a contaminação, que duram pelo menos dois meses e não podem ser explicados por um diagnóstico alternativo.

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de um menino em frente a uma covid-19 em forma de monstro. O menino tem pele branca, cabelos pretos e bagunçados, olhos fechados e aparência cansada. Usa máscara branca e boné verde marinho com aba vermelha. Veste blusa vermelha com gola "v". O monstro covid está com as mãos no ombro do menino, é arredondada, tem cor verde pastel claro; nas extremidades, tem nove pontos achatados; os olhos são pretos; está com a boca aberta, a goela em verde escuro e os dentes pontudos na cor creme. Acima do moço, um ícone de bateria com um risco vermelho. O fundo é roxo em tom de malva com textura de pinceladas de tinta.

“A Covid Longa são todas essas situações clínicas que acontecem a partir do momento da infecção aguda. São manifestações que podem ocorrer em qualquer parte do corpo, de maneira permanente ou transitória, principalmente nas áreas neurológica, metabólica, cardíaca e renal”, explica o médico infectologista Alexandre Schwarzbold, professor de Medicina no Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e membro consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

No entanto, pesquisas recentes, como o estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado em periódico da Oxford, apontam que cerca de metade dos 646 pacientes com Covid-19 acompanhados por 14 meses apresentam sequelas que podem perdurar por mais de um ano. É o caso de Emerson Silveira de Oliveira, paciente do Ambulatório Pós-Covid do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Emerson teve 50% do pulmão comprometido e ficou 17 dias entubado. Mesmo após um ano de ter contraído a doença, ele ainda sofre com as sequelas e está afastado do trabalho. "Após a minha internação, fiquei com a voz rouca, sentia muita falta de ar e tive que fazer cirurgia na traqueia devido ao longo tempo de intubação. Agora estou fazendo fisioterapia para a parte muscular, sinto muita câimbra e fraqueza nas pernas. Estou focado em me recuperar e retomar a minha vida normal”, relata.

Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de um homem, de perfil, sentado e com o braço para a frente, apoiado em uma estrutura de metal. ele tem pele branca, cabelos lisos, curtos e na cor preta; usa máscara cirúrgica branca e veste moletom cinza. No braço, usa um medidor de pressão na cor cinza escuro. Atrás, aparelho elétrico de hospital na cor branca, sobre mesa bege. Ao fundo, parede acinzentada e cama elástica pequena e azul escura.

Sequelas e sintomas

Uma pesquisa publicada na Clinical Medicine, periódico especializado em medicina, conduzida por cientistas de Londres, Nova Iorque e Portland, identificou 203 sintomas associados à Covid Longa, que envolvem dez órgãos diferentes do corpo humano. O estudo foi realizado com dados de 56 países e envolveu mais de 3 mil pessoas. A conclusão é que 56 dos 203 sintomas identificados persistiram por sete meses. Os mais prevalentes são fadiga e dificuldades respiratórias, seguidas por perturbações do olfato e paladar, dor no peito, névoa mental e perda de memória, bem como perturbações do sono.

 

O professor Schwarzbold aponta que as manifestações clínicas da Covid Longa vão desde pequenas perdas de forças e de memória até casos de problemas psicológicos como depressão, crises de ansiedade e estresse pós-traumático. Além disso, a condição também pode gerar problemas mais graves como manifestações renais, endócrinas e mudanças metabólicas que a pessoa não tinha antes do vírus, como diabetes, alteração no colesterol e hipertensão.

 

“A Condição Pós-Covid tem esse aspecto de se manifestar em diferentes órgãos e também pode agravar quadros que já existiam. Uma pessoa com uma comorbidade, mesmo que controlada, pode ter uma piora nesse problema”, afirma. É o caso de Zaíra Oliveira de Lucena, estudante de 21 anos que apresentou sequelas após dois meses da infecção pelo coronavírus. Zaíra se contaminou em janeiro de 2021 e sofreu com alterações no olfato por mais de seis meses, além de lidar com queda de cabelo e crises de enxaqueca que permanecem até hoje. No entanto, o problema maior foi o agravamento de uma condição que ela tinha no estômago. “Eu tinha um problema de gastrite, que se agravou muito após a minha infecção pelo vírus. Emagreci mais de dez quilos por causa disso, e todo médico que me atendia falava que o agravamento se deu por causa da Covid. A única solução era esperar os sintomas passarem. Foram meses desesperadores”, relata.

O que sabemos até agora

A condição parece surgir como resultado da inflamação causada pelo vírus, mas o mecanismo que causa a covid longa ainda é desconhecida pelos especialistas. Schwarzbold explica que, apesar de o coronavírus entrar pelas vias respiratórias e causar ali a maior parte dos sintomas, ele tem capacidade de se espalhar por todo o organismo e agir em diferentes órgãos. “Quando nos infectamos, o nosso corpo reage e causa um processo pulmonar que libera proteínas inflamatórias chamadas citocinas. Elas se espalham pelo corpo todo e acabam estimulando a inflamação em vários órgãos, o que pode causar o surgimento das manifestações pós-Covid. Essa é a explicação mais aceita pela comunidade científica até o momento”, afirma o especialista.

 

O professor ressalta que as vacinas podem diminuir as chances do desenvolvimento da Covid Longa por agirem na diminuição da inflamação. Para ele, o fluxo de casos hospitalares de manifestações Pós-Covid diminuíram conforme os índices de vacinação aumentavam. É importante ressaltar que a Pós-Covid pode atingir qualquer pessoa que se recuperar da doença. A tendência é que casos mais graves tenham sequelas mais permanentes e quadros leves tenham sequelas mais transitórias. “Nos casos mais leves as manifestações tendem a durar apenas alguns meses e depois desaparecem. Já em muitos casos graves as pessoas realmente ficam com sequelas, que podem evoluir para doenças crônicas e a pessoa não volta a ter uma normalidade”, atenta Schwarzbold.

Orientações e recomendações

Apesar das pesquisas sobre a forma de identificar e tratar a vida de pessoas com covid longa ainda estarem em andamento, é possível seguir algumas recomendações. Schwarzbold orienta que, após um mês da infecção pelo vírus, o paciente faça uma revisão dos seus exames para ver como estão as funções sistêmicas do organismo. Essa orientação é voltada principalmente para os indivíduos que têm comorbidades: é importante ir ao médico especialista e reavaliar o quadro. “Se há uma suspeita de covid longa, seja por sintomas ou alterações em exames pós-covid, é preciso procurar atendimento médico. Há uma tendência de procurar tratamento apenas para as sequelas mais graves. Entretanto, é fundamental buscar ajuda médica para as outras questões, pois elas também podem interferir bastante na qualidade de vida das pessoas”, destaca o professor.

 

A OMS recomenda a vacinação como a melhor forma de minimizar os casos de Covid Longa. “Os governos precisam levar isso a sério e fornecer cuidados integrados, apoio psicossocial e licença médica para os pacientes que sofrem com essa condição. A OMS continua a trabalhar com parceiros e grupos de pacientes para acelerar a pesquisa e desenvolver as melhores práticas clínicas, inclusive em reabilitação para o tratamento da Covid Longa”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da organização, em uma coletiva de imprensa em maio deste ano.

O Ambulatório Pós-Covid da UFSM

O Ambulatório Multiprofissional de Reabilitação Pós-Covid do HUSM iniciou suas atividades em janeiro de 2021. Com o objetivo de proporcionar acompanhamento das manifestações sistêmicas causadas pelo coronavírus e de buscar entendimento rápido das sequelas da doença, o ambulatório já avaliou cerca de 90 pacientes e inseriu 70 no programa de reabilitação.

 

O serviço é disponibilizado às pessoas que ficaram internadas no HUSM por conta da Covid-19, e agora recebe também pacientes do Hospital Regional de Santa Maria. Conta com especialistas das áreas de pneumologia, psiquiatria, serviço social, nutrição, fisioterapia e fonoaudiologia. “Aqui funciona como uma triagem, aplicamos testes e avaliamos para depois encaminhar para as áreas específicas. O paciente que entrar aqui vai ter toda a assistência de qualidade e gratuita pelo SUS, isso é um diferencial porque a gente oferece atendimento com todos os especialistas que ele precisar”, diz a professora Adriane Pasqualoto,  responsável pelo ambulatório.

 

De acordo com Adriane, todos os pacientes atendidos têm algum sintoma de Covid Longa. As queixas mais recorrentes são limitações funcionais como falta de ar, dificuldade de caminhar longas distâncias, fraqueza e dores musculares. Entretanto, alguns também relatam alterações no sono, na memória, queda de cabelo, dificuldade para engolir alimentos e distúrbios psicológicos.

 

O tratamento é definido conforme as necessidades individuais do paciente. São duas sessões semanais de fisioterapia e uma de outra especialidade, com duração de 50 a 60 minutos, por no mínimo oito semanas. Além disso, o paciente também é acompanhado por até dois anos. “O trabalho do ambulatório é importante para os estudos sobre as sequelas da Covid e ajudar a entender todas as implicações da doença”, destaca Adriane.

Expediente:

Reportagem: Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Design gráfico: Vinícius Bandeira, acadêmico de Desenho Industrial e estagiário;

Edição de Arte: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/inicio-fim-pandemia Mon, 21 Feb 2022 19:35:01 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9018 Desde o fim de novembro de 2021, quando a variante Ômicron foi detectada pela primeira vez, uma onda de novos casos surgiu. O aumento mais significativo se deu após as comemorações de final de ano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a onda de casos como um 'tsunami'. No dia 27 de dezembro de 2021, o mundo chegou a registrar o pico de 1,4 milhão de casos. Um dos motivos foi o relaxamento das restrições, por conta do avanço da cobertura vacinal: 54% da população mundial recebeu o esquema completo, segundo o Our World in Data. Diferentemente das variantes anteriores, como a Delta e a Alfa, a Ômicron causa infecções menos graves, ou seja, provoca menos hospitalizações e óbitos, mas é altamente transmissível. Por apresentar essas especificidades e pelo aumento da vacinação mundial, começou-se um debate na comunidade científica: a variante seria um indício do início do fim da pandemia? 

Novas variantes são um processo natural

Quando o vírus invade um hospedeiro, ele se replica dentro da célula. Durante esse processo, pode ocorrer uma diversidade de alterações no código genético desses novos vírus, o que representa novas mutações. Em alguns casos, essas modificações apresentam vantagens evolutivas para o vírus. O médico epidemiologista da Vigilância em Saúde de Santa Maria e professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Marcos Antônio de Oliveira Lobato, comenta que as mudanças no padrão da pandemia ocorrem por alguns fatores: 
  • As características das variantes têm relação com a Teoria da Evolução de Darwin - apenas algumas mutações passam pela barreira ou pelo desafio seletivo. Essa seletividade faz com que o vírus fique com maior ou menor letalidade, que se reproduza mais rapidamente ou que apresente melhor resistência ao sistema imunológico do hospedeiro.
  • Precisa-se analisar o contexto biológico e social no qual surgem as variantes. A vacina não impede que o vírus circule, contudo, impede que casos mais graves da doença ocorram.
De acordo com o Instituto Butantan, a Ômicron é considerada pela OMS uma variante de preocupação, que carrega mais mutações e, por isso, é mais transmissível. A nova variante tem um poder de transmissão ainda maior do que as demais: Alfa, Beta, Gama e Delta. Ainda segundo o Instituto, estudos mostraram que a variante é capaz de infectar mais rapidamente os tecidos respiratórios superiores - cavidade nasal, garganta e parte superior da traquéia - em vez dos pulmões. Isso indica uma razão pela qual pessoas infectadas desenvolvem uma doença menos grave quando comparadas com a Delta, por exemplo. A partir disso, o médico infectologista Alexandre Vargas Schwarzbold, docente do Departamento de Clínica Médica da UFSM, comenta que não é a vacina que mudou as características do vírus, mas que o vírus se adaptou a uma população imunizada. “Poderia ter demorado mais para se adaptar. A Ômicron ‘engoliu’ a Delta pela capacidade de transmitir”, explica o especialista que participou do estudo da Universidade de Oxford em parceria com Astrazeneca e Fundação Oswaldo Cruz para verificação da segurança e da eficácia do imunizante. De acordo com Schwarzbold, todas essas características da nova variante do vírus mostram que “ela veio para ficar”. Para o infectologista, quando o vírus começa a ter muitas mutações, ele começa a perder a capacidade patológica de letalidade. “Essa é a razão pela qual acredito que vírus muito transmissores começam a ficar mais leves”, argumenta.

A infecção não significa ineficácia da vacina

A nova variante tem uma facilidade maior de infectar pessoas imunizadas, mas isso não significa a ineficácia das vacinas contra a Covid-19. “Nosso foco agora tem que ser se é grave ou não, se hospitaliza ou não, se a pessoa tem tendência a morrer por ser infectada. Os cientistas que desenvolveram a vacina nunca mentiram sobre a função dela. As vacinas servem para as pessoas não morrerem, e elas estão cumprindo muito bem esse papel”, afirma Schwarzbold.  De acordo com um estudo publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, no dia 21 de janeiro de 2022, a terceira dose ou a dose de reforço obteve 90% de eficácia na prevenção de internações durante o período de dezembro de 2021 a janeiro de 2022. Os resultados também comparam pacientes com as duas doses, após pelo menos seis meses da segunda imunização, e foi apresentado 57% de eficácia no intervalo de tempo analisado. Posto isso, o estudo concluiu que as pessoas com a dose de reforço estão menos propensas a serem infectadas pela Ômicron.  Ademais, quanto maior o número de pessoas no mundo com o esquema vacinal completo, menor é a circulação do vírus. Lobato explica que as pessoas vacinadas transmitem em uma escala menor, e em alguns casos, podem nem transmitir. Por isso, a menor circulação leva a uma menor chance de reprodução do vírus e, por consequência, diminui a possibilidade de novas mutações. 

É o início do fim da pandemia para o mundo ou só para a Europa?

Em anúncio à imprensa, no dia 3 de fevereiro, o diretor regional da OMS na Europa, Hans Kluge, afirmou que o momento da pandemia no velho continente “deve ser visto como um ‘cessar-fogo’ que pode trazer uma paz duradoura”. O cenário mais animador na Europa deve-se a três principais fatores: diminuição no número de hospitalizações pela menor gravidade da variante Ômicron; a proteção das vacinas e o final do inverno.  A imunização completa chega a 69,29% na Europa e ocorre o relaxamento de algumas medidas de segurança, como o uso de máscaras. O destaque é Portugal, com 91,42% dos habitantes completamente imunizados. Mas esta não é a realidade de toda a região. Na Bósnia e Herzegovina, por exemplo, a taxa está em 25,93%. A realidade da América Latina e Caribe é mais desigual. De um lado, Cuba, Argentina, Equador, Brasil e Costa Rica com mais de 70% dos habitantes com vacinação completa - sem contar a dose de reforço. De outro, 14 países que não atingiram 40% de imunização, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde. Um exemplo é o Haiti, o país mais pobre da região, que tem 0,86% população com esquema completo. A África é o continente que menos vacinou. Conforme dados da OMS, apenas 11% da população adulta africana está imunizada. Há desertos de imunização. Em Burundi, país que enfrenta crise humanitária, o esquema completo chegou para apenas 0,07% dos 12,5 milhões de habitantes. A situação é semelhante na República Democrática do Congo e no Chade, países com problemas sociais onde a imunização não atingiu 1%, de acordo com dados da Our World in Data. Dessa forma, enquanto houver desigualdade vacinal em outros territórios, em especial nas populações mais vulneráveis, há chances maiores de surgirem novas mutações, por conta da circulação do vírus. 

Vamos conviver com a Covid-19?

É um consenso entre pesquisadores e a comunidade científica que a humanidade vai precisar conviver com o vírus Sars-Cov-2. Schwarzbold e Lobato comparam este com o vírus Influenza: todos os anos pessoas são infectadas com ele e surgem novas variantes. Um exemplo é a H1N1 que, entretanto, tem número de infecções e hospitalizações estáveis.  É provável que, ao longo do tempo, a Covid-19 se torne uma doença endêmica - limitada a populações de determinadas localidades geográficas. Com isso, sua taxa de incidência e transmissão serão previsíveis. Porém, para que os números de casos se estabilizem e as internações diminuam, esse cenário esperado pela comunidade científica só será possível com o avanço da vacinação mundial. 

Veredito final: É possível

A humanidade vai estar mais perto do início do fim da pandemia quando a cobertura vacinal não for tão desigual em diversos países.  Expediente: Reportagem: Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e bolsista do projeto Divulga Ciência; Design Gráfico: Cristiele Luíse, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista; Ilustração mitômetro: Giovana Marion, designer Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vacinacao-infantil-covid-19-segura Fri, 04 Feb 2022 13:54:38 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8949 Com a inclusão, pelo Ministério da Saúde, de crianças de 5 a 11 anos na campanha nacional de imunização contra a Covid-19,  os estados brasileiros iniciaram a vacinação desse grupo nas últimas semanas. O país tem cerca de 20 milhões de pessoas nessa faixa etária e já soma aproximadamente 1450 mortes de crianças de até 11 anos em decorrência do coronavírus. Diante da grande disseminação de fake news e questionamentos sobre o assunto, muitas pessoas ainda se perguntam se a vacinação infantil é segura.

Ilustração horizontal e colorida de uma criança vestida de Homem Aranha sendo vacinada. A criança usa uma roupa vermelha com detalhes em azul e textura de teia de aranha. Ao lado, uma enfermeira de pele negra, tem cabelo crespo preso em coque, usa máscara pff2 azul e veste jaleco branco. Ao fundo, parede branca de ladrilhos e cartazes em tons de rosa, branco e azul.

Segundo o estudo VacinaKids, realizado no final do ano passado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mais de 80% dos pais pretendem vacinar seus filhos, mas 12,8% ainda estão hesitantes. Dentre os motivos do receio, estão: medo das reações adversas à vacina, não acreditar que crianças ficariam em estado grave se pegassem Covid-19 e/ou subestimar a gravidade da pandemia. A discussão da vacinação infantil se deu em meio à alta de casos da doença e ao avanço mundial da variante Ômicron - no Brasil, ela já é a responsável por 97% dos casos de Covid-19, segundo estudo das redes Vírus e Corona-ômica BR, vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Por isso, mais de 30 nações também já iniciaram a imunização deste público.

Atualmente, duas vacinas para uso infantil estão aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):  a Comirnaty, da farmacêutica Pfizer, e a Coronavac, da farmacêutica Sinovac. A primeira, destinada ao público de 5 a 11 anos, é aplicada em duas doses com intervalo de 8 semanas e têm uma dosagem diferente da vacina que já vinha sendo aplicada em adolescentes e adultos. O imunizante infantil possui 0,2 ml e a tampa do frasco é da cor laranja, já para maiores de 12 anos a vacina da Pfizer possui 0,3 ml e tem a cor da tampa roxa, com o intuito de facilitar a identificação. A Coronavac, por sua vez, tem seu uso liberado para a faixa etária de 6 a 17 anos, porém não pode ser aplicada em crianças imunocomprometidas. A dosagem é a mesma utilizada em adultos (0,5 ml) e também possui duas doses com intervalo de 28 dias. 

Descrição da imagem: Infográfico quadrado e com fundo amarelo pastel. No centro superior, em azul marinho e em caixa alta, o título "Vacina Infantil Comirnaty da Farmacêutica Pfizer". Abaixo, box com fundo branco. São dois blocos, o da esquerda com ilustração e o da direita com o texto. Linha um: ilustração preta de duas pessoas em ícone, e o texto "Público: 5 a 11 anos". Linha dois: Ilustração de um calendário em branco, azul e preto, e o texto "Aplicada em duas doses, com no mínimo 21 dias de intervalo, mas no Brasil, atualmente, é aplicada com um intervalo de 8 semanas". Linha três: Ilustração de duas seringas com líquido laranja, e o texto "Dosagem diferente da vacina para adultos; crianças recebem o imunizante com 0,2ml ou 10 microgramas e pessoas acima de 12 anos recebem 0,3ml". Linha quatro: ilustração de dois frascos, um com tampa laranja e um com tampa azul, e ao lado, o texto "A vacina infantil tem a tampa do frasco laranja e a adulta possui a tampa na cor roxa". Linha cinco: ilustração de gráfico circular laranja com 95%, e o texto "A Comirnaty possui 95% de eficácia". Descrição da imagem: Infográfico quadrado e com fundo verde musgo. No centro superior, em branco e em caixa alta, o título "Vacina Infantil Coronavac da Farmacêutica Butantan". Abaixo, box com fundo branco. São dois blocos, o da esquerda com ilustração e o da direita com o texto. Linha um: ilustração preta de duas pessoas em ícone, e o texto "Público: 6 a 17 anos". Linha dois: Ilustração de um calendário em branco, azul e preto, e o texto "Aplicada em duas doses, com 28 dias de intervalo". Linha três: Ilustração de um "X" vermelho e o texto "Não aplicada em crianças imunicomprometidas". Linha quatro: Ilustração de uma seringa com líquido azul e, abaixo, o texto "Mesma dose: 600 Su em 0,5ml". Ao lado, ilustração de um frasco, com tampa rosa e líquido rosa claro claro e, abaixo, o texto "Mesma formulação que aquela aplicada em adultos". Abaixo, um botão verde com o texto "Informações disponibilizados pela Anvisa".

A segurança e a importância da vacina infantil

As vacinas aprovadas para uso pediátrico foram consideradas seguras não só pela Anvisa, mas também pela agência reguladora de medicamentos americana, a Food and Drug Administration (FDA), e pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Além disso, a agência brasileira contou com a consulta e acompanhamento de um grupo de especialistas. “O olhar de especialistas externos foi um critério adicional adotado pela Anvisa para que o uso da vacina por crianças fosse aprovado dentro dos mais rigorosos critérios”, afirmou o órgão em nota no site oficial.

 

Participaram da análise para aprovação da vacina especialistas da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIm) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). As três últimas também enviaram uma nota técnica recomendando a liberação. A segurança e eficácia da vacina infantil da Pfizer também foi confirmada pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, após análise da aplicação de 8,7 milhões de doses em crianças no período de 3 de novembro a 19 de dezembro de 2021. 

 

Segundo o Instituto Butantan, a Coronavac tem um altíssimo perfil de segurança, sendo, dentre os imunizantes disponíveis, o que causa efeitos adversos mais leves e em menor quantidade. Além disso, os ensaios clínicos e os dados de efetividade feitos no Chile e na China já mostraram que a vacina estimula o sistema imune a combater o vírus. A autorização também levou em conta a necessidade de ampliar as alternativas disponíveis para essa faixa etária.

 

O médico infectologista e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Alexandre Vargas Schwarzbold, afirma que é fundamental imunizar a população pediátrica para o controle da pandemia e explica por que é preciso ampliar a vacinação infantil:  "As crianças vão passar a ser o principal alvo do vírus, pois o restante da população está imunizada. Em locais como o Brasil, que tem tido sucesso com a vacinação, o vírus vai procurar populações suscetíveis, como a população pediátrica, para continuar circulando”.

 

O professor ainda reforça que, além de as crianças estarem mais expostas, elas passam a ser vetores de transmissão, ou seja, podem se infectar e transmitir para pessoas mais vulneráveis. Logo, quanto mais o vírus se espalha, mesmo em casos leves, maior a chance de surgimento de novas variantes.

Reações e efeitos adversos da vacina infantil

Uma das principais preocupações dos pais ou responsáveis são as possíveis reações e efeitos da vacina no organismo da criança. O CDC constatou que, dentre as 8,7 milhões de doses da vacina infantil da Pfizer aplicadas, foram notificados 4.249 eventos de reações, o que representa apenas 0,049%. Destas, 97,6% desses efeitos foram leves, como dor no local da injeção, fadiga ou dor de cabeça. Conforme dados do Instituto Butantan, a Coronavac também apresentou resultados positivos quanto aos eventos adversos: 86% dos casos de reação à vacina registrados em crianças não são do tipo grave.

 

Um dos efeitos adversos mais comentados é a ocorrência de miocardite, uma inflamação no músculo cardíaco que pode se manifestar como Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). A SIM-P é uma condição rara que afeta os vasos sanguíneos de crianças e adolescentes. Entretanto, segundo o CDC, foram constatados apenas 11 casos de miocardite após a aplicação da vacina e todos tiveram uma evolução favorável, com nenhuma ocorrência de morte.

 

Schwarzbold também ressalta que o relatório americano mostra que isso foi um evento raríssimo e que a doença não deve ser uma preocupação de efeito pós-vacina. “A miocardite pode afetar, na verdade, as crianças que são infectadas pelo coronavírus. No Brasil tivemos hospitalizações por conta disso e com muitas complicações. Essa é uma razão para incentivar a vacinação, de modo a evitar que o vírus cause efeitos no coração da criança. A vacina infantil é segura e eficaz para população pediátrica" afirma o infectologista.

Gravidade da Covid-19 em crianças

De acordo com o Instituto Butantan, em dezembro do ano passado, a Covid-19 foi constatada como a segunda maior causa de mortes de crianças entre 5 e 11 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito. Apesar de o vírus ser considerado menos grave em crianças quando comparado a adultos, elas ainda assim ficam doentes e podem ter evoluções desfavoráveis. Em dezembro de 2021, a Fiocruz emitiu uma nota técnica para informar que o Brasil, até 4 de dezembro de 2021, hospitalizou 19,9 mil pessoas abaixo de 19 anos com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Destas foram notificados 1.422 óbitos, sendo 208 de crianças de 1 a 5 anos e 796 de 6 a 19 anos.

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria também divulgou uma nota de alerta para a importância da vacinação infantil: “A presença de uma variante como a Ômicron, com maior transmissibilidade, mesmo se comprovada sua menor gravidade, torna grupos não vacinados (como crianças menores de 12 anos) mais vulneráveis ao risco da infecção e suas complicações, conforme vem sendo observado em outros países com presença dessa variante”.

 

Em relação aos casos de  SIM-P, provocados pela infecção da Covid-19, foram notificados no Brasil, até 27 de novembro de 2021,  2.435 casos suspeitos em crianças e adolescentes de zero a 19 anos. Desses, 1.412 (58%) casos foram confirmados, e 85 evoluíram a óbito, segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

 

Para Schwarzbold, mesmo que o vírus não afete as crianças de forma grave, elas podem ter manifestações clínicas que têm potencial de atrapalhar o desenvolvimento neuropsíquico-motor. “Essas crianças podem ter dores de cabeça e principalmente, como muitos adultos, fadiga, inclusive crônica. O chamado pós-covid e as sequelas para população pediátrica podem ser muito incômodos e desconfortáveis para o aprendizado”, explica o professor.

Ilustração vertical e colorida de uma escala em formato ondulado, com ilustrações circulares nas extremidades inferior e superior. Na ilustração superior, roxa, mulher com cabelos brancos, lisos e compridos usa capuz roxo escuro; ela tem pele parda e um olhar sério. Abaixo da ilustração, há uma nuvem de fumaça roxa. Na escala, os elos coloridos se intercalam com os elos transparentes. Há quatro elos coloridos, de cima para baixo: roxo, bordô, marrom forte e marrom fraco. Abaixo do último elo, ilustração circular de uma cientista de dele branca, cabelos curtos e ondulados, que usa óculos redondos e segura nas mãos um frasco transparente com fumaça verde saindo. Ao lado esquerdo inferior, há uma etiqueta com a frase "Comprovado".

Veredito final: Comprovado!

A vacinação infantil é segura, necessária e eficaz.

Expediente:Reportagem: Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista;Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vacinacao-gestantes-covid-e-segura Wed, 02 Feb 2022 12:19:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8932  

Circulam nas redes sociais alegações de que as vacinas contra a Covid-19 não são seguras, podem causar sérios problemas, inclusive a morte da mãe e/ou do feto. A professora Rossana Pulcineli, chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr), garante que essas narrativas são criadas sem nenhum respaldo científico.

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida de uma mulher gestante sendo vacinada. Ela tem pele negra, cabelos azuis e cacheados. Está sentada e veste blusa rosa, calça verde e calçado rosa. Ao lado direito,. uma enfermeira com jaleco branco, máscara azul, cabelos castanho escuros e ondulados. Ela te uma seringa nas mãos e pressiona contra o braço da gestante. O fundo da imagem é texturizado, em bege, e tem desenhos de uma escrivaninha, janelas e cartazes na parede.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi criado em 1973 e é reconhecido internacionalmente, além de integrar o plano da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda na década de 1970, um calendário vacinal da gestante foi elaborado para contemplar vacinas essenciais que prevenissem problemas graves para a saúde da mãe e do bebê. Conhecida como imunidade passiva, as doses de proteção aplicadas na mãe durante a gravidez estarão presentes ao longo da amamentação e dos primeiros meses de vida do bebê. Isso garante a proteção da criança até que ela tenha idade para receber sua própria dose das vacinas recomendadas no calendário vacinal do recém-nascido. 

 

A vacinação contra qualquer doença faz parte da medicina preventiva, que se tornou ainda mais importante com a pandemia de Covid-19. Em abril de 2021, o Ministério da Saúde autorizou a vacinação para o grupo de gestantes. Em maio do mesmo ano, o órgão suspendeu a aplicação de doses e, com isso, surgiram muitas dúvidas sobre a seguridade do imunizante mesmo após o ministério autorizar novamente a aplicação nos meses seguintes.

Qual a importância da vacinação em gestantes?

Segundo a OMS, nem toda vacina pode ser aplicada durante a gestação, mas todas aquelas recomendadas pelo órgão são comprovadamente seguras e, por isso, existe um calendário a ser seguido. As gestantes são consideradas integrantes do grupo prioritário em campanhas de vacinação, uma vez que o ato beneficia a mãe e o bebê, particularmente os menores de seis meses de idade. Segundo o mesmo órgão, fazem parte da carteira de vacinação das gestantes três tipos de vacinas:

  • as que integram o calendário nacional de vacinação: hepatite B, dupla adulto (dT), tríplice bacteriana (dTpa);

  • as indicadas em situações especiais; 

  • as pertencentes às campanhas de imunização, como é o caso da influenza.

Essas vacinas integram o calendário de recomendações básicas, elaborado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Além dessas, campanhas especiais em casos de epidemias e pandemias – como a da Covid-19 - devem ser incluídas. 

 

Integrantes do grupo de risco para doenças respiratórias, as gestantes foram incluídas pelo Ministério da Saúde no PNI contra Covid-19 em abril de 2021. Porém, em maio, o mesmo órgão aconselhou a suspensão temporária da vacinação de gestantes sem comorbidades. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, explicou, em nota, que a liberação ocorreu após análises técnicas, debates com pesquisadores e avaliação dos dados epidemiológicos. Estimativas apresentadas naquele mês mostravam que, no Brasil, a letalidade da Covid-19 em grávidas era de cerca de 10%, enquanto a da população em geral era em 2%. 

 

Em agosto de 2021, o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG),  o Centers for Disease Control and Prevention e a Society for Maternal-Fetal Medicine – três institutos reconhecidos internacionalmente - recomendaram que todas as gestantes passassem pela vacinação contra Covid-19. A partir de então, novas descobertas que envolviam o funcionamento dos antígenos forneceram evidências tranquilizadoras sobre a segurança das vacinas contra a Covid-19, em especial aquelas fabricadas a partir  de mRNA.

 

Rossana Pulcineli afirma que, no Brasil, não há registro de caso clínico de aborto, má formação do feto ou parto prematuro relacionado à vacinação contra o coronavírus. Pelo contrário, a vacina é capaz de trazer benefícios ao bebê ainda dentro da barriga da mãe, como a transmissão de anticorpos. 

 

Segundo dados do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 Vacinação (OOBr Vacinação), que realiza análises dos casos de vacinação contra Covid-19 em gestantes e puérperas, em 2021, cerca de 15% das gestantes que precisaram de internação e não eram vacinadas vieram a óbito. O número de mortes cai para 5% entre as vacinadas com a primeira dose, e 3% entre aquelas com a vacinação completa. O OOBr não registrou nenhum caso de morte da mãe ou do feto relacionado à vacinação.

Infográfico quadrado e com fundo branco e detalhes em bordô. No centro superior, o título, em caixa alta: "Proporção de mortes por covid entre gestantes". Abaixo, em fonte menor, o texto "Fonte: Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 Vacinação (OOBr Vacinação). Abaixo, o gráfico, dividido em três linhas. Há uma texto seguido de números em formato de gráfico circular vazado. Na primeira linha, o texto "Gestantes não vacinadas", e o número "15%". Na segunda linha, o texto "Gestantes com a primeira dose" e o número "5%". E na terceira linha, o texto "Gestantes com o quadro vacinal completo" e o número "3%". Abaixo, na parte inferior, a frase "O OOBr não regisytrou nenhum caso de morte da mãe ou do feto relacionado à vacinação". O gráfico tem moldura fina bordô e fundo branco.

Conforme informa Rossana, não existe tempo gestacional correto para a imunização. “Se a mulher descobre que está grávida e ainda não se vacinou, deve tomar a vacina hoje mesmo, ou amanhã - se hoje não der tempo”. Caso a gestante não tenha se vacinado no início da gestação, ela poderá procurar a vacina mesmo que já esteja próximo à data do parto. A estatística de complicações no parto e a possível prematuridade do bebê aumentam caso a mãe contraia Covid-19 e evolua para um quadro grave, situação  que pode ser evitada a partir da vacinação.

 

Quanto à marca da vacina, Letícia Bellusci, ginecologista obstetra, explica que há dois tipos de vacinas que são recomendadas para gestantes: a Coronavac e a Pfizer. Para ambas, devem ser respeitados os mesmos prazos de aplicação entre primeira e segunda dose recomendados para o restante da  população. Da mesma forma, após a aplicação é possível sentir alguns efeitos colaterais, como febre, indisposição e dor no corpo e no braço que recebeu a vacina, mas nenhum deles afeta a saúde da mãe ou do feto. Os efeitos não devem causar preocupação e geralmente desaparecem em dois ou três dias, segundo Letícia.  Para ela, “a única forma para reduzir a mortalidade materna, sem dúvidas, é vacinando o maior número de gestantes possíveis.”

Como agem as vacinas autorizadas para gestantes

A Pfizer e a Coronavac são, atualmente, as vacinas autorizadas para aplicação em gestantes no Brasil. A especialista Rossana Pulcineli ajuda a explicar como cada uma age no organismo humano.

 

O imunizante do Laboratório Pfizer/BioNTech teve sua segurança, qualidade e eficácia aferidas e atestadas pela equipe técnica de servidores da Anvisa ainda em 2020. Produzido a partir do RNA mensageiro (RNAm), ele age  nas seguintes etapas:

 

  • Utilizando uma fita de RNA mensageiro - molécula que leva instruções para a síntese de proteínas e para outras funções biológicas, a vacina codifica um antígeno específico da doença, neste caso, o coronavírus.

  • Quando o RNAm é inserido no organismo, as células usam a informação genética para produzir o antígeno, ou seja, o vírus é desativado.

  • O antígeno se espalha pela superfície das células e é reconhecido pelo sistema imunológico, que entende que a proteína não faz parte do organismo, e passa a produzir anticorpos para combater a doença. 

  • A vacina de RNA mensageiro, portanto, educa o organismo a responder ao vírus, quando esse for infectado. Rossana Pulcineli  baseia suas falas em pesquisas do OOBr e declara que a vacinação com a Pfizer é segura e não oferece riscos à gestante, assim como a vacina da Coronavac.

  • A tecnologia empregada na Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan, é a do vírus inativado, que também é utilizada na vacina contra a poliomielite. Para produção do imunizante, o vírus é inativado - ou seja, morto - com o uso de substâncias químicas, irradiação ou calor, e torna-se incapaz de causar infecção ou efeitos patológicos nas pessoas.

Anticorpos de mãe para filho

Rossana Pulcineli explica que, após tomar as duas doses da vacina, o sistema imunológico produz anticorpos do tipo IgG, ou imunoglobulina G, classificados como de memória, uma vez que protegem o organismo de invasões futuras. Esse tipo de defesa pode passar pela placenta e chegar até o bebê. Com isso, há grandes chances de o feto adquirir anticorpos. Rossana ressalta que ainda não se sabe por quanto tempo e qual o nível de eficácia desses anticorpos no sistema imunológico da criança. Além disso, anticorpos do tipo IgA, ou Imunoglobulina A, também são gerados e podem ser transportados até o  recém-nascido por meio do  leite materno. 

 

Quase metade das crianças e adolescentes brasileiros mortos por Covid-19 em 2020 tinham até dois anos de idade; um terço dos óbitos até 18 anos ocorreram entre os menores de um ano, e 9% entre bebês com menos de 28 dias de vida. As informações são de um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que analisa dados do  Sistema de Informação sobre Mortalidade Infantil (SIM), do Ministério da Saúde. 

 

De acordo com a pesquisadora, ainda que tenha curta duração, tal proteção é fundamental no início da vida, enquanto o sistema imunológico do bebê ainda “aprende” a lidar com as ameaças externas.

Veredito final: Comprovado 

 

A vacinação contra Covid-19 é segura e necessária. Não há comprovação científica de que as vacinas apresentam riscos à saúde da gestante ou do feto.

Ilustração vertical e colorida de uma escala em formato ondulado, com ilustrações circulares nas extremidades inferior e superior. Na ilustração superior, roxa, mulher com cabelos brancos, lisos e compridos usa capuz roxo escuro; ela tem pele parda e um olhar sério. Abaixo da ilustração, há uma nuvem de fumaça roxa. Na escala, os elos coloridos se intercalam com os elos transparentes. Há quatro elos coloridos, de cima para baixo: roxo, bordô, marrom forte e marrom fraco. Abaixo do último elo, ilustração circular de uma cientista de dele branca, cabelos curtos e ondulados, que usa óculos redondos e segura nas mãos um frasco transparente com fumaça verde saindo. Ao lado esquerdo inferior, há uma etiqueta com a frase "Comprovado".

Expediente:

Reportagem: Tayline Alves Manganeli, acadêmica de Jornalismo e voluntária.

Ilustração: Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista.

Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

Referências de dados utilizados: 

Ministério da Saúde. Calendário de Nacional de Vacinação: adolescente [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2020. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/vacinacao/calendario-vacinacao#adolescente

[1] Francisco, Rossana Pulcineli Vieira, Lucas Lacerda, and Agatha S. Rodrigues. 'Obstetric Observatory BRAZIL-COVID-19: 1031 maternal deaths because of COVID-19 and the unequal access to health care services.' (2021). Disponível em: http://observatorioobstetrico.shinyapps.io/vacinacao-covid19/

 

Instituto Butantan. Vacina Coronavac: tecnologia. São Paulo (SP): 2021. Disponível em: http://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/vacina-coronavac-tecnologia

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/autoteste-covid-confiavel Thu, 27 Jan 2022 14:07:59 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8905 O debate sobre a adoção do autoteste de Covid-19 permeia as redes sociais desde as festas de final de ano. Pessoas que viajaram ao exterior e adquiriram autotestes relatam sobre a praticidade de realizar a testagem, uma vez que é feita pelo próprio indivíduo. Além disso, nas redes sociais, principalmente no Twitter, houve questionamentos acerca de o autoteste não ser vendido no Brasil.

Ilustração horizontal e em tons de azul e cinza. No centro, detalhes de uma mão que segura um teste de antígeno e um cotonete. A mão tem pele branca e unha comprida. O teste é cinza, horizontal, com um visor em que aparece uma linha vermelha abaixo da letra "C". Ao lado, há a letra "T". Ao lado do visor, um círculo. O cotonete é comprido e branco. O fundo é azul pastel.

Disponível nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, os autotestes são iguais aos demais testes de antígeno disponíveis nas farmácias do Brasil ou fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Neste tipo de testagem, não é necessário o auxílio ou supervisão de um profissional de saúde. No Brasil, não há liberação de autotestes para doenças infectocontagiosas passíveis de notificação compulsória, classificação em que se encontra a Covid-19. Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) declarou que não está totalmente segura quanto à precisão dos resultados apontados em autotestes. Segundo o órgão, alguns critérios devem ser analisados, como medidas de segurança, observação de limitações, advertências, cuidados e condições para o armazenamento e intervalo de leitura para o resultado. Na categoria dos autotestes, há tipos permitidos no país, como os para diabetes, HIV e gravidez.

 

O médico infectologista e docente na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Alexandre Vargas Schwarzbold, defende a adoção dessa nova maneira de testagem, que pode auxiliar inclusive na triagem de possíveis casos positivos. “A capacidade de a pessoa se autodiagnosticar é muito bem-vinda em saúde pública”. Alexandre pondera, no entanto, que pode haver dificuldade na realização do teste, uma vez que, nos casos em que é preciso fazer swab - tipo de cotonete esterilizado que é usado para a coleta de material para a realização do exame -, o incômodo pode prejudicar a coleta correta do material. O infectologista aponta ainda que, se não é liberado pela Anvisa, há motivo prudente, uma vez que o órgão tem laboratórios e comissões técnicas especializadas para avaliar a qualidade dos autotestes. “Eu acho que é um erro não adotar, mas não da Anvisa, provavelmente do Ministério da Saúde por não ter isso como estratégia”, complementa Alexandre. No Reino Unido, o governo implementou o autoteste como política pública por meio da distribuição gratuita. Os kits podem ser retirados em farmácias, mas os indivíduos também podem receber em casa por meio de pedidos na internet ou por telefone. Há instruções de realização do teste, e os resultados positivos devem ser registrados em um site ou aplicativo em até 24 horas.

Como funciona o autoteste:

O autoteste de Covid-19 é uma testagem de antígeno, isso significa que ele detecta proteínas produzidas pelo Sars-CoV-2, e é similar ao chamado teste rápido, feito em farmácias. O kit do autoteste costuma conter  um swab nasal estéril, que serve para coleta do material, o tampão de extração, a tampa do filtro, o dispositivo de teste e o reagente - líquido que apresenta resultado positivo ou negativo a partir do contato com o material genético do vírus.

Infográfico vertical e em tons de azul pastel e cinza. Os testos estão em caixa alta e em preto. No centro superior, o título "Como funciona o autoteste de Covid". Abaixo, no lado esquerdo, o número um e, ao lado, imagem de uma mulher de pele parda e cabelos rosa inserindo um cotonete no nariz. Ao lado, o texto "retirada da amostra". Abaixo, o número dois e, ao lado, o texto "processo químico". Ao lado, imagem de um cotonete dentro de um recipiente com um líquizo azul. Abaixo, o número tres; ao lado, uma plaquinha em que o líquido pinga sobre um círculo azul; ao lado, o texto "testagem". Abaixo, o número quatro e, ao lado, na horizontal, a plaquinha cinza, que tem um visor abaixo das letras "C" e "T" e um círculo; abaixo, o texto "resultados possíveis". Abaixo, ilustração de três visores da plaquinha de testagem: com duas linhas vermelhas, é positivo; com uma linha vermelha no "C", é negativo; e com uma linha vermelha no "T", é inválido. O fundo é azul pastel.

Diferenças entre o teste PCR, o teste de antígeno e o autoteste de antígeno

Teste PCR: considerado o teste ‘padrão ouro’ na medicina, o Polimerase Chain Reaction - reação em cadeia da polimerase, em português - é considerado o modelo mais adequado de testagem. Alexandre explica que o PCR é o teste que permite o melhor resultado e é o mais confiável, uma vez que ele é o mais sensível dentre os tipos disponíveis. “Ele é um teste molecular, é aquele que identifica o material genético do organismo. Nesse caso, do vírus que está ou não no organismo”, afirma. Por isso, quando apresentar resultado positivo, é indicativo de que a pessoa está contaminada com Covid-19. O infectologista exemplifica que a identificação segue a mesma lógica de um teste de DNA: não há como identificar o material genético de um organismo em outro. No caso da variante ômicron, a identificação do resultado positivo é confiável até mesmo no primeiro dia após contato com pessoas contaminadas.

 

Teste de antígeno: encontrado facilmente nas farmácias, o teste de antígeno é menos sensível que o PCR. De acordo com Alexandre, quando o resultado revela um quadro positivo, as chances de condizer com a realidade são muito altas. Já quando o teste mostra negativo, há possibilidade de ocorrência do que os especialistas chamam de “falso-negativo”, quando a testagem não foi feita no tempo correto de espera e, por isso, não descarta a chance de a pessoa estar infectada. “A grande e única vantagem do teste de antígeno é que, além de barato, ele pode ser feito em qualquer local. O resumo da ópera é: se os dois [antígeno e PCR] deram positivo, confie no resultado, os dois são positivos sempre. Agora, o teste de antígeno feito muito cedo com resultado negativo não exclui a possibilidade de infecção”, afirma Alexandre.

 

Autoteste de antígeno: Sua metodologia de funcionamento é igual ao teste de antígeno realizado em farmácias. A diferença é que neste há um kit para que as pessoas levem para casa. Alexandre frisa que este tipo de testagem é um dilema, uma vez que não há garantia quanto à técnica de sua realização. O autoteste de antígeno necessita de uma coleta adequada para ter resultados confiáveis. No caso de coleta por swab nasofaríngeo - em que um cotonete é introduzido através do nariz e que é muito incômodo e pode gerar ardência - há dificuldade de a pessoa realizar a coleta de material em si mesma. No entanto, existem autotestes que utilizam a saliva como material para a coleta, a chance de ter uma boa evidência é bem maior. A venda deste tipo também não é permitida no Brasil.

Ilustração quadrada e colorida de um cotonete sendo inserido pelo nariz de uma pessoa. O desenho do rosto da pessoa não tem detalhes, apenas o caminho do nariz, nasofaríngeo, faringe, etc. O cotonete branco entra no nariz e vai até o final do canal, antes de dobrar no caminho que segue para a garganta. Esse é o local em que fica o nasofaríngeo. O fundo é azul pastel.
O cotonete é inserido pelo nariz até atingir o nasofaríngeo.

Vantagens do autoteste de antígeno

 A indicação é que o autoteste seja feito entre o quarto e o quinto dia dos sintomas e/ou do contato com pessoas positivadas. A vantagem, segundo Alexandre, diz respeito a não circulação do vírus, uma vez que as pessoas não precisam sair de casa para fazer o teste. Ele pode ser comprado antecipadamente pelo indivíduo que armazena o teste para quando precisar. Esses testes poderiam gerar maior autonomia às pessoas perante manifestação dos sintomas ou após o contato com alguém que testou positivo para a doença, evitando assim filas e esperas longas por um teste. A Anvisa, em sua nota técnica, fala que a simplicidade da execução do teste não garante a segurança da utilização e dos resultados. Em janeiro deste ano, o órgão se reuniu para discutir sobre os pedidos de liberação da ferramenta, feitos pelo Ministério da Saúde. A primeira reunião da pauta ocorreu no dia 19 de janeiro. No entanto, a Anvisa decidiu pelo pedido de mais informações sobre a forma da inclusão do autoteste nas políticas públicas contra a Covid-19. 

Veredicto final: Depende

 

A confiabilidade do autoteste de antígeno para a Covid-19 depende das condições de coleta de material para a análise e do tempo certo em que a testagem deve ser feita, que, segundo especialistas, é de quatro a cinco dias após o início dos sintomas ou o contato com pessoas positivadas.

Ilustração vertical e colorida de uma escala em formato ondulado, com ilustrações circulares nas extremidades inferior e superior. Na ilustração superior, roxa, mulher com cabelos brancos, lisos e compridos usa capuz roxo escuro; ela tem pele parda e um olhar sério. Abaixo da ilustração, há uma nuvem de fumaça roxa. Na escala, os elos coloridos se intercalam com os elos transparentes. Há quatro elos coloridos, de cima para baixo: roxo, bordô, marrom forte e marrom fraco. Abaixo do último elo, ilustração circular de uma cientista de dele branca, cabelos curtos e ondulados, que usa óculos redondos e segura nas mãos um frasco transparente com fumaça verde saindo. Expediente:Reportagem: Tayline Alves Manganeli, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;Design gráfico: Joana Ancinelo, acadêmica de Desenho Industrial e voluntária;Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; e Martina Pozebon, acadêmica de Jornalismo e estagiaria;Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vacinas-oferecem-riscos-a-saude Wed, 04 Aug 2021 11:00:42 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8611 Desde a implementação do Plano Nacional de Imunização (PNI), em 1973, o Brasil é referência mundial em políticas públicas de vacinação. O programa que fornece para a população todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é considerado um case de sucesso. Ao longo dos anos, as ações realizadas pelo PNI foram responsáveis por quedas nos índices de incidência e prevalência de muitas doenças infecciosas preveníveis pela vacinação, como o sarampo.

Em um cenário de pandemia da Covid-19, é difícil imaginar como seria uma sociedade sem os avanços da ciência e sem a existência de vacinas, especialmente no Brasil, onde elas são disponibilizadas de maneira gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através do PNI.

Se, durante décadas, a vacinação no Brasil praticamente não sofria com especulações, graças à cultura de vacinação que esteve muito presente no cotidiano do brasileiro e que, inclusive, possibilitou a erradicação de doenças como a poliomielite, atualmente há quem questione a proteção das vacinas. Circulam nas redes sociais alegações que dizem que as vacinas não são seguras e podem causar doenças e levar à morte. 

Mesmo que algumas pessoas neguem a importância das vacinas, a maioria da população brasileira confia nos avanços da ciência. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada em julho, apontou que 94% da população pretende se vacinar contra a Covid-19. Esse é o maior índice de pessoas dispostas a se vacinar contra o coronavírus desde o início da pandemia.

Professor do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM, Gilmor José Farenzena garante que essas narrativas são levantadas sem nenhum respaldo científico. “Dentro do contexto técnico-científico atual, não se questiona o papel desempenhado pelas vacinas. Elas se constituem em uma das medidas mais importantes de prevenção em saúde pública”. 

De uma maneira geral, a vacinação apresenta poucos riscos à saúde de uma pessoa. Evidentemente, existem casos em que pessoas têm reações adversas à determinada vacina. Um exemplo é a reação alérgica grave chamada de anafilaxia, que pode acontecer após a vacinação contra a Covid-19, mas que, de acordo com Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, não atinge mais do que cinco indivíduos a cada um milhão de vacinados no país. Logo, ao olhar para a literatura científica atual, percebe-se que esse número é muito pequeno em relação ao custo-benefício dos imunizantes. 

As reações adversas variam de acordo com o imunizante e com o organismo do indivíduo, e vão desde reações leves que são comuns, até reações mais graves que acontecem em raríssimos casos.

Como descobrir quando não é aconselhável tomar alguma vacina

Existem pessoas que apresentam contraindicações na aplicação de determinados imunizantes. Nesses casos, é preciso estar atento para evitar reações adversas graves. Segundo o professor Farenzena, as contracontraindicações gerais para o uso de vacinas são: a presença de infecções agudas febris, reações alérgicas aos componentes dos imunizantes e a manifestação de adventos graves em uma dose anterior. Porém, Farenzena esclarece que, mesmo nessas situações, em alguns casos, profissionais da saúde avaliam que o custo-benefício da vacinação se sobressai. “Muitas vezes, se opta pela realização do procedimento em uma unidade de saúde capaz de prestar atendimento imediato se isso se fizer necessário”, complementa.

Se há o conhecimento prévio - ou suspeita - de algum fenômeno alérgico aos componentes de uma vacina, o indivíduo deve procurar um médico antes de se imunizar para evitar qualquer tipo de risco à sua saúde. 

A importância coletiva da vacinação

O principal objetivo do processo de imunização é a proteção coletiva da população. Quanto maior for o número de indivíduos imunizados contra um vírus ou bactéria, por exemplo, menor será a circulação desse agente e, consequentemente, menor será o número de pessoas passíveis a adoecer nessa determinada população. Nesse caso, ao se vacinar, além de se auto proteger contra doenças imunopreveníveis, você protegerá outras pessoas. 

Em países como Israel, onde os índices de vacinação contra a Covid-19 estão bem avançados em relação ao Brasil, os gráficos mostram que a estratégia de imunização tem sido efetiva principalmente na diminuição dos casos de internação hospitalar.

Veredito final: Improvável!

Não há comprovação científica de que as vacinas apresentam riscos à saúde das pessoas, exceto em casos raros quando há contraindicações.

Expediente:

Repórter: Luís Gustavo Santos, acadêmico de Jornalismo e voluntário

Ilustrador: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/07/22/revista-arco-8-anos-de-ciencia-e-cultura-da-ufsm Thu, 22 Jul 2021 18:42:22 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=56344 No dia 22 de julho, a Revista Arco comemora 8 anos de existência. Desenvolvido, inicialmente, pela Coordenadoria de Comunicação Social da UFSM em parceria com o curso de Jornalismo, o projeto começou com a coordenação de Luciane Treulieb e Lucas Missau. A proposta era fazer uma revista científica e cultural que divulgasse as produções da universidade através de uma linguagem acessível e de um visual atraente, de maneira que os conhecimentos não ficassem restritos à comunidade acadêmica. No início de sua história, em 2013, o foco das produções era direcionado às edições impressas – que, em geral, tinham um processo de elaboração trimestral -, porém, hoje, a Arco também conta com conteúdos inéditos produzidos para a plataforma digital, situada em um domínio da UFSM. Só no ano de 2021, já foram aproximadamente 40 reportagens que contam com mais de 300 mil visualizações. “Ao longo do tempo, e até devido à dificuldade em obter recursos para imprimir, fomos nos dando conta de que valia a pena investir mais no ambiente digital - inclusive pela possibilidade de alcançar um público maior e mais diverso. Então começamos a produzir, além das matérias para a Arco impressa, conteúdos específicos para o site, que atualmente é onde estão nossos principais esforços. A parceria com o LEx foi fundamental nesse momento”, comenta Luciane Treulieb, servidora técnico-administrativa da UFSM e editora-chefe da revista.  Além das reportagens publicadas duas vezes por semana no site, a Arco desenvolve, neste momento, a 12ª revista impressa, que será em homenagem aos 60 anos da UFSM. A publicação também tem um objetivo pedagógico, na medida que promove a prática da profissão para alunos de cursos como Jornalismo, Produção Editorial, Desenho Industrial e Relações Públicas, tanto do campus sede como de Frederico Westphalen. Atualmente, a equipe conta com 9 bolsistas, 5 voluntários e 7 estagiários, além dos coordenadores. Ainda, há a busca por explorar outros formatos jornalísticos – como em quadrinhos, em checagens, e em produções sonoras. O podcast “Arco no Fone” é um exemplo que já está em prática e conta com 5 episódios, disponíveis nos principais agregadores. Além disso, a editoria “Mitômetro” foca no combate à desinformação, com a checagem de informações que estejam sendo muito discutidas nas redes sociais - em especial, no momento, relacionadas à Covid-19.  Segundo Maurício Dias, servidor técnico-administrativo e editor digital da revista, “Um dos princípios da política editorial da Coordenadoria de Comunicação é a participação pedagógica e, nesse sentido, trabalhar com diferentes formatos a partir da revista é uma forma de atender a esse objetivo. A oferta de conteúdo hoje é muito variada. As pessoas consomem conteúdo de diferentes maneiras e o tempo todo. E esse conteúdo informativo é acessado junto com o institucional, o publicitário e o de entretenimento. E é a partir daí que precisamos pensar como fazer que [o conteúdo jornalístico] chegue e, também, de que maneira as pessoas vão acessar”.  Ainda há o envio quinzenal da Newsletter da Arco e a busca pela interação com o público e por uma maior circulação dos conteúdos da revista por meio de conteúdos exclusivos nas redes sociais da revista. Para conferir e acompanhar os posts no Facebook e no Instagram, é @RevistaArco.  Ilustração do banner: Filipe Duarte, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista da Arco Redação: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Arco]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/mascara-pff2-mais-eficaz-coronavirus Thu, 24 Jun 2021 19:10:13 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8506 A pandemia da Covid-19 já perdura no mundo há mais de um ano e o uso de máscaras é uma das principais medidas sanitárias adotadas para o controle da doença. Apesar do desenvolvimento e da disponibilização de vacinas contra o vírus, muitos países apresentam lentidão e escassez de vacinas nas campanhas de imunização. Visto isso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e conforme apuração da Revista Arco, o uso de máscaras ainda é fundamental para combater o coronavírus.

Com mais de 18 milhões de casos, cerca de 507 mil mortes no Brasil e a falta de perspectiva para o fim da pandemia, a preocupação com a proteção individual levou algumas pessoas a procurarem pelos melhores equipamentos. Segundo as tendências de busca do Google Trends, as pesquisas por máscaras PFF2 e N95 dispararam nos últimos meses, e perfis de redes sociais como “Qual a máscara?” e “PFF para todos” fazem campanhas ativas de conscientização sobre esses modelos. Mas, afinal, por que essas máscaras são as mais eficazes contra o coronavírus?

Antes de respondermos essa pergunta, é preciso entender como funciona a proteção das máscaras para evitar a transmissão do vírus da Covid-19. De acordo com Marcos Antônio de Oliveira Lobato, professor do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM e médico epidemiologista da Vigilância em Saúde do município de Santa Maria, o coronavírus se transmite basicamente pelo ar. 

“Temos muitas evidências que comprovam que ele se transmite por gotículas, e uma gotícula não vai muito mais que 1,5m/2m. Portanto, o uso de máscaras é a melhor forma de proteção. Para uma pessoa se infectar, é preciso que ocorra a aspiração de uma gotícula, ou que ela entre em contato pela mucosa, boca, nariz ou até pelos olhos. Todas as máscaras, nesse sentido, diminuem a quantidade de gotículas que vão para o ambiente, mesmo as mais simples. A questão é que não diminuem o suficiente, em alguns casos, e aí entra o diferencial das PFF's", afirma o professor. 

Propriedades protetivas da PFF2

A nomenclatura PFF diz respeito à “peça facial filtrante”. As máscaras desse tipo são construídas parcial ou totalmente de material filtrante que cobre o nariz, a boca e o queixo, sendo muito utilizadas por profissionais da saúde. No Brasil, existem três tipos: a PFF 1, 2 e 3 - tal numeração se relaciona à capacidade de filtragem de partículas do ambiente pela máscara. A PFF1 tem capacidade de filtrar em torno de 80% do ar, a PFF2 filtra cerca de 94% e a PFF3, mais utilizada em meio industrial, permite a passagem de apenas 1% das partículas, possuindo uma capacidade de filtragem de 99%.

Contudo, deve-se ter atenção ao comprar máscaras PFF com a finalidade de se proteger contra o vírus; elas devem ser dos modelos sem válvula. Ainda que as opções com válvula sejam mais confortáveis, elas protegem apenas o usuário, deixando as pessoas do entorno expostas. Isso porque elas permitem que o ar saia sem filtragem - então, se alguém contaminado com a Covid-19 utilizar essa máscara,  poderá infectar outras pessoas, praticamente como se não estivesse usando proteção alguma. 

Segundo o professor Lobato, os modelos tipo PFF não bloqueiam apenas a saída de gotículas pela pessoa que está utilizando a máscara, mas também impedem que as gotículas que estão no ar sejam aspiradas. Além disso, esses respiradores protegem também contra aerossóis contendo vírus e bactérias. Os aerossóis são diferentes das gotículas, pois possuem  partículas menores e que permanecem mais tempo no ar, logo quando inaladas podem penetrar mais profundamente no trato respiratório.  

Por isso as máscaras PFF vão além de um sistema de filtragem comum. Elas têm a capacidade de filtrar partículas que normalmente passariam em máscaras de pano, por exemplo - o que se deve a sua propriedade eletrostática.

“Quando a gente passa um balão no cabelo provocando fricção e consegue ver que os fios se grudam no balão, é devido à eletrostática. Acontece esse mesmo fenômeno nas máscaras PFF, pois, na sua confecção, os fabricantes aplicam um tratamento que faz com que parte das fibras da máscara possuam essa propriedade, que atrai alguns tipos de partículas e as retém, não as deixando passar para que  a gente não aspire essas partículas”, explica o epidemiologista.

Ainda segundo o professor, a máscara PFF 2, apesar de não filtrar 100% o ar, reduz significativamente a carga viral aspirada, deixando o vírus em uma dose não infectiva, uma quantidade insignificante. Portanto, mesmo que a pessoa esteja exposta a uma grande quantidade de vírus, num local de alto risco de contaminação ela tem chances mínimas de infectar-se utilizando a máscara corretamente.

Como usar e conservar a PFF 2

Além de oferecerem maior proteção contra a Covid-19, as máscaras do tipo PFF possuem o benefício de suportarem o uso por muito mais tempo que as máscaras comuns, podendo ser utilizadas por até oito horas, sem necessidade de troca. Outra vantagem é que elas não são descartáveis: a PFF2 pode ser usada mais de uma vez, desde que alguns cuidados sejam tomados. 

Após o uso, é preciso deixar a máscara em ambiente arejado, de preferência com sol, por até três dias, antes de reutilizá-la. O professor Lobato recomenda que pessoas que precisam sair todos os dias comprem uma máscara para cada dia da semana e revezem o uso entre elas. “Depois de 3 ou 4 dias usando a mesma PFF2, vai ser necessário descartá-la. Fazendo o intervalo, você pode reutilizá-la sem problemas por até um mês. Apenas quem trabalha em lugares com altíssimo risco de contaminação, como os profissionais de saúde e os profissionais que fazem o teste de identificação da Covid-19, terá que sempre descartar as máscaras “ diz o professor.

Lobato também atenta, que caso a máscara fique muito suja ou úmida, será necessário descartá-la. É importante também não utilizar nenhum produto químico para limpar a máscara. Álcool, alvejante ou até mesmo lavar com água e sabão fazem com que ela perca a sua capacidade de filtragem e a sua propriedade eletrostática. Para pessoas que desejam uma proteção ainda maior, o professor recomenda o uso do face shield juntamente à máscara PFF2.

Todas as máscaras são importantes 

Os modelos do tipo PFF, apesar de serem os mais seguros, não anulam o uso de outros tipos de máscaras pelas pessoas que não os possuem. O professor Lobato explica que todas as máscaras, mesmo as de baixa qualidade, são importantes para o controle do vírus. O que pode ser feito para melhorar a capacidade de filtragem das máscaras comuns é usar duas de pano com dupla camada ou uma de pano e uma cirúrgica, por períodos curtos de duas a quatro horas.

As máscaras do tipo N95 também são boas aliadas na prevenção do coronavírus. O professor Lobato explica que N95 é uma denominação americana e que ela filtra quase a mesma quantidade que uma PFF2 - enquanto a PFF2 filtra 94%, a N95 filtra 95%. 

É importante, contudo, verificar a origem da N95 para comprovar sua confiabilidade, seja averiguando se a importação dela foi autorizada pela Anvisa ou se ela foi certificada pelo Inmetro e se tem liberação para o uso. “As máscaras são importantes. Elas fazem a diferença sim. Máscaras funcionam, distanciamento social funciona, ventilação de ambientes funciona. Se as pessoas podem ter uma PFF2, comprem!”, ressalta o epidemiologista.

Veredito final: Comprovado!

Desde que utilizada da forma correta e tomando os cuidados necessários para a reutilização, a máscara PFF2 é sim a mais eficaz e recomendada contra o coronavírus.

Expediente

Repórter: Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Ilustradora: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vacinas-covid-19-previnem-diferentes-variantes Mon, 07 Jun 2021 14:23:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8482 Desde dezembro de 2020, quando cientistas identificaram a cepa B.1.1.7 na Inglaterra, ouve-se falar sobre as variantes, cepas, mutações e linhagens do novo coronavírus. Com as descobertas científicas, surgem questionamentos sobre a eficácia das vacinas existentes contra as novas cepas do vírus Sars-CoV-2. 

Ao ser exposto a algum antígeno - vírus ou bactérias, por exemplo - o sistema imunológico humano tem a capacidade de produzir anticorpos para combatê-lo. Contudo, mesmo com os estímulos e o desenvolvimento de respostas mais ou menos específicas aos antígenos, há a possibilidade de se desenvolver doença, com diferentes níveis de manifestação clínica. No caso do vírus SARS-CoV-2, a doença é a Covid-19. Cientistas ainda investigam por que algumas pessoas são naturalmente mais resistentes e outras não. O objetivo de toda vacina é instigar no nosso organismo uma resposta eficiente a esses antígenos. É como uma “memória imunológica” que vai estimular a produção de anticorpos quando nosso sistema imunológico for atacado por agentes infectantes. 

Existem diferentes tipos de tecnologia de vacinas que são capazes de defender nosso organismo quando há exposição a esses microorganismos. Vacinas que utilizam vírus mortos ou enfraquecidos, vacinas que não usam vírus inteiros, mas sim pequenas proteínas virais e, mais recentemente, imunizantes com novas tecnologias baseadas em entregar ao nosso sistema imune apenas um pedaço da informação genética viral para que o corpo aprenda a se defender de uma potencial exposição, que são as vacinas de RNA.

Huander Andreolla, professor do curso de Biomedicina da Universidade Franciscana (UFN), salienta que, ao contrário de algumas mentiras que circulam na internet, o material genético do vírus não é capaz de interagir ou alterar o código genético humano. Em janeiro, a Revista Arco publicou um mitômetro sobre as vacinas de RNA

Contudo, com as descobertas de novas variantes, será que a eficácia das vacinas ainda é a mesma? Andreolla afirma que são muitas as possibilidades dependendo da tecnologia usada em cada vacina e da variante em questão. A eficácia das vacinas para novas mutações é estudada apenas em locais onde essas variantes circulam de maneira predominante. Assim, se analisa qual é a taxa de pessoas expostas ao vírus e devidamente imunizadas que desenvolveram a doença em comparação às pessoas que não tiveram a doença. “São estudos observacionais cujas conclusões dependem da imunização e, obviamente, da exposição durante um determinado período de tempo. Esses estudos são denominados estudos de caso-controle", afirma.

O professor Andreolla salienta que remédios e vacinas passam por atualizações constantes, especialmente quando há o surgimento de novas cepas. “As pesquisas não são finalizadas quando o remédio ou a vacina estão com a bula devidamente redigida e disponível à sociedade”, afirma. Porém, ele alerta que a demora na imunização e a falta de controle da circulação do vírus são fatores que dificultam a obtenção de efetividade dos imunizantes.

O que é uma variante?

Primeiramente é preciso entender que as mutações de um vírus são um processo natural de sua biologia. Ao entrar em uma célula, o vírus se replica e dá origem a milhares de cópias. Durante esse processo, pode ocorrer uma diversidade de alterações no código genético desses novos vírus, o que representa novas mutações. Na maioria das vezes, elas não deixam o vírus mais forte ou mais transmissível, mas, em alguns casos, essas modificações apresentam vantagens evolutivas para o vírus. Desse modo, uma nova variante se distingue do vírus selvagem (original) por apresentar uma sequência genética viral diferente. O professor Huander Andreolla explica que o local onde ocorreram essas mutações no código genético do vírus são determinantes para entender se a nova variante carrega novas características de virulência, como resistência aos anticorpos ou outra estratégia de escape do sistema imunológico.

Mutação, variante, cepa e linhagem

Os quatro termos científicos estão relacionados com a evolução de um vírus:

Classificação das variantes

Existem milhares de variantes do coronavírus, mas a maioria delas não apresenta mudanças significativas no seu comportamento a ponto de ser considerada mais mortal ou transmissível. As variantes que mostram alterações em seu comportamento são classificadas em três níveis:

  • Variantes de interesse (VOI - Variant of Interest, em inglês) são mutações com potencial de afetar a transmissão, o diagnóstico ou a terapia da doença. Há evidência de aumento no número de casos e expansão geográfica do vírus.
  • Variantes de preocupação (VOC - Variant of Concern, em inglês) são mutações que, além das características das VOI, apresentam evidências de impacto em diagnóstico, tratamento e vacinação, aumento na transmissibilidade e maior gravidade e letalidade. 
  • Variantes de altas consequências (VHC - Variant of High Consequences, em Inglês) são mutações que, além das características das VOC, apresentam evidências claras de que as medidas de prevenção ou contramedidas médicas reduziram significativamente a eficácia em relação às outras variantes que circulavam anteriormente. É associada com gravidade e aumento de hospitalização de infectados. 

Conheça algumas variantes já identificadas

Quais as vacinas disponíveis até o momento?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o momento existem 17 vacinas aprovadas, além de outras centenas que estão com estudos em andamento no mundo inteiro. Conheça algumas:

O que dizem os estudos das vacinas sobre as novas variantes?

  • Pfizer / BioNTech: Uma pesquisa realizada com 105 profissionais de saúde no Japão indica que aproximadamente 90% das pessoas que receberam duas doses da vacina da Pfizer apresentaram anticorpos considerados eficazes contra sete variantes do coronavírus. Os pesquisadores da Universidade Municipal de Yokohama apontaram que 94% dos indivíduos produziram quantidade suficiente de anticorpos contra as cepas britânica e brasileira; 90% contra a cepa da África do Sul e 97% contra a da Índia.
  • Oxford / AstraZeneca: Em abril, a Fiocruz publicou um estudo que indica que os anticorpos induzidos pela vacina de Oxford se mostraram mais eficazes contra a cepa B.1.1.7 (Reino Unido) e a cepa P.1 (Brasil) e menos eficaz contra a cepa B.1.351 (África do Sul). Contudo, a farmacêutica AstraZeneca anunciou que está produzindo uma versão modificada da vacina que seria adaptada para combater a cepa B.1.351.
  • CoronaVac: Uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) apontou que a CoronaVac é eficaz contra a variante P.1 (Brasil). Além da P.1, recentemente, a Sinovac divulgou dados que mostram que o imunizante é eficaz contra as cepas P.2 e N.9, ambas também associadas ao Brasil. Em fevereiro, o Butantan anunciou que sua vacina apresentou bom desempenho contra as cepas B.1.1.7 (Reino Unido) e 1.351 (África do Sul).
  • Sputnik V: Segundo informação divulgada por Denis Logunov, vice-diretor do Instituto Gamaleya de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia, Sputnik V seria eficaz contra as cepas B.1.1.7 (Reino Unido) e B.1.351 (África do Sul). O estudo com os dados ainda não foi publicado. 
  • Janssen: Ainda não se tem estudos que apontem para a eficácia contra as cepas já identificadas. Em janeiro, o laboratório Johnson & Johnson divulgou resultados dos ensaios clínicos da fase 3 da sua vacina. A eficácia foi de 72% nos Estados Unidos, 66% em países da América Latina e 57% na África do Sul. Essas diferenças podem ser consequência do predomínio das variantes P.1 (Brasil) e 1.351 (África do Sul) identificadas nas regiões, mas são necessárias mais pesquisas.
  • Moderna: A farmacêutica Moderna informou que, após pesquisa clínica, publicada como preprint - sem a revisão de outros cientistas - no site MedRxiv, sua vacina seria eficaz contra as cepas P.1 (Brasil) e 1.351 (África do Sul), após a aplicação de uma terceira dose (dose de reforço). Segundo a empresa, a aplicação de duas doses fornecerá alguma proteção para as variantes, mas a eficácia terá menos durabilidade. As pesquisas publicadas como preprints não estão em sua versão final e podem sofrer alterações após avaliações de outros especialistas da área, mas dão indícios dos resultados. Em janeiro, a Moderna já havia publicado uma nota afirmando que seu imunizante seria eficaz contra a cepa B.1.1.7 (Reino Unido).

Veredito final: É possível!

Como foi apontado no decorrer da checagem, os cientistas trabalham para atualizar as vacinas de acordo com as necessidades impostas por novas variantes virais.

Expediente

Repórter: Luís Gustavo Santos, acadêmico de Jornalismo e voluntário

Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/animais-domesticos-contraem-covid-19 Wed, 02 Jun 2021 19:38:27 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8478 Desde o último ano, quando decretado o estado de pandemia de Covid-19, a população mundial se encontra cada vez mais ávida por descobrir informações sobre essa nova doença que afeta diretamente a convivência social. Diversas áreas da ciência estudam os seus impactos na saúde e na sociedade e, mesmo a prioridade ser estudos que permeiam a saúde humana, a Medicina Veterinária também segue na pesquisa sobre as consequências do novo vírus para os animais domésticos.

No início da pandemia, existia o consenso entre os estudiosos da área de que era possível a contaminação do novo coronavírus em animais, porém acreditava-se que ela não seria desenvolvida a partir do contato com o mesmo vírus que acomete a Covid-19 nos humanos. Isso porque a Sars-CoV-2 (nome oficial definido para a Covid-19 que causou a pandemia, que significa “síndrome respiratória aguda grave – coronavírus 2″) faz parte de uma vasta família de vírus, a Coronaviridae. Esta se divide em duas subfamílias, sendo a Orthocoronavirinae a que engloba os gêneros de vírus Betacoronavirus, o causador da pandemia,  e o Alphacoronavirus - que afeta animais domésticos, como cães e gatos.

Enquanto o Betacoronavirus causa febre, tosse seca, dores, desconfortos e os demais sintomas relacionados à Covid-19, o Alphacoronavirus causa diarréia em cães e gatos, especialmente em filhotes, mas se cura naturalmente. Os pontos de atenção referentes a ele seriam, no caso dos cães, o vírus vir acompanhado por uma parvovirose; e, nos gatos, a existência de alguma mutação, o que poderia causar uma peritonite infecciosa felina.

Naquela época, não havia respostas sobre o contágio dos animais com o Betacoronavirus (“nosso” Covid-19). Contudo, o assunto voltou à tona após a divulgação dos primeiros casos de animais positivados no Rio Grande do Sul em março deste ano. A auxiliar administrativa Rossana Siega se familiarizou com o acontecimento divulgado. Após pessoas do seu convívio diário terem testado positivo para o novo coronavírus, suas gatas começaram a apresentar os mesmos sintomas da doença. “Todos meus quatro gatos ficaram gripados e precisaram tomar remédios, eles tinham coriza, sintoma febril e muito espirro”, conta.

Com os avanços dos estudos na área, a Arco apurou: afinal, foi comprovado que animais são contaminados pelo “nosso” coronavírus (Betacoronavirus)?

A resposta é: talvez. Essa incerteza se deve ao fato de a Covid-19 ser considerada uma doença “recente”, e de os estudos, os quais levam tempo para obterem respostas conclusivas, estarem ocorrendo simultaneamente ao avanço da pandemia. Segundo uma notícia da Fiocruz, a partir de estudos publicados pela revista científica internacional Plos One, já foram encontrados resquícios do vírus em animais a partir de pesquisas por teste RT-PCR (o que utiliza o swab nasal), bem como alguns animais apresentaram testes clínicos compatíveis com a doença. Ainda assim, não se pode confirmar que estes sejam vítimas da doença causada pelo novo coronavírus, porque o fato de eles possuírem o vírus não significa que desenvolvam a doença. Outro caso possível é do vírus encontrado no organismo estar fragmentado, o que significa que apenas parte do vírus é encontrada,  não tendo a capacidade de desenvolver a doença.

Saulo Tadeu Lemos Pinto Filho é professor do Departamento da Clínica de Pequenos Animais na UFSM e responsável pelo canal de atendimento de dúvidas Disk Pet Covid-19. Ele explica que são necessárias mais pesquisas para realmente afirmar que os animais que possuem sintomas compatíveis com a infecção por Covid-19 são afetados pelo Betacoronavirus como nós humanos - visto que doenças respiratórias, que causam sintomas semelhantes ao vírus, são muito comuns em cães.

“Coronavírus não é a primeira coisa que pensamos quando vemos esses sinais, mesmo se o animal fizer o teste e tiver o vírus, ainda não se pode dizer com certeza que é por conta da Covid-19, que ele tem a doença”, aponta o docente.

Em abril de 2021, novos dados foram descobertos: em uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em conjunto com a Universidade Texas A&M, foram identificados anticorpos neutralizantes do novo coronavírus em um gato e um cachorro de rua do Rio de Janeiro. Significa uma comprovação: eles têm contato com o vírus e desenvolvem os anticorpos. Mas, da mesma forma que explicado anteriormente, não diz respeito à questão de contrair a infecção.

Transmissão e abandono

Sobre a questão da transmissão, o que se sabe até então é que os animais podem ser contaminados por humanos da mesma forma que nós transmitimos o vírus para objetos. Humanos contaminados podem, por exemplo, espirrar próximo de seus animais e ocasionar a fixação do vírus na superfície corporal destes. Em consequência, outros humanos que encostam na superfície contaminada do animal e seguem com as mãos para vias oronasais, podem contrair o vírus também. 

Mas os animais podem transmitir para humanos a infecção, como nós humanos nos transmitimos entre si? Não há indícios. De fato, ainda não se tem certeza, visto que os estudos estão em andamento, mas não há nenhuma comprovação ou casos que demonstraram tal afirmação. Este é um assunto delicado, visto as consequências que podem causar. “A divulgação de confirmações de animais com Covid-19 gera muita revolta da comunidade científica, porque não se tem certeza. E quando se difunde isso na mídia, muitas pessoas vão acreditar e isso gera polêmica, desespero, causando consequências, como o abandono”, ressalta Saulo.

Ou seja, até então, é apenas comprovado que os animais podem transmitir o novo coronavírus pela superfície do corpo. É necessário muito cuidado em relação à veracidade das informações ao se lidar com novas informações sobre a transmissão do vírus por animais, pois o medo que a suposta maior exposição da família ao vírus gera na população pode ter como consequência que mais pessoas cometam o crime do artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais: o abandono e maus tratos de animais. O pesquisador da UFSM ressalta: “O animal pode ser veículo como qualquer outra coisa, como algum objeto que compro, por exemplo.”

Como manter a segurança do animal na pandemia

Rossana Siega relata que, quando suspeitou que seus animais estavam com Covid-19,  leu sobre o tema e entrou em contato com uma médica veterinária antes de tomar qualquer medida. A profissional a orientou sobre as medicações que deveriam ser dadas aos gatos. Pensando que muitas pessoas não têm a consciência do que fazer nessas situações que envolvem o possível contato do animal com o novo coronavírus (Betacoronavirus), pedimos para o professor Saulo Tadeu Lemos Pinto Filho indicar alguns cuidados que se pode ter para garantir a segurança de cães e gatos:

  • Caso o animal só faça as necessidades fora de casa, leve-o para um lugar isolado e, ao chegar em casa, higienize as suas patinhas e o pelo com um pano úmido, com água e sabão (sem necessidade de encharcar). Dar banho todo dia após voltar da rua não é indicado, pois pode causar outra série de problemas de pele;

 

  • Se alguém da família estiver com suspeita ou tenha positivado o novo coronavírus, é importante que se isole também do animal de estimação, seguindo as mesmas medidas de segurança social, para garantir que ele estará seguro contra uma possível infecção ou contágio na superfície de pelos;

 

  • Para o caso de desconfiança que o animal esteja com o Betacoronavirus, é necessário levá-lo ao veterinário (ou pedir para alguém, caso esteja em isolamento). Ele dará os encaminhamentos necessários, além de investigar se outras doenças possam estar afetando e causando os sintomas no animal.

A novidade para a segurança animal é que na Rússia já está em desenvolvimento uma vacina para pets, a Carnivak-Cov, elaborada pelo Centro Federal de Saúde Animal. Segundo o site Isto É Dinheiro, o imunizante foi registrado em março, depois de testes que comprovaram a eficácia na produção de anticorpos em animais. O primeiro lote será ofertado apenas dentro das regiões da Rússia, porém, vários países já demonstraram interesse.

Veredito final: É possível! 

É possível que animais domésticos possam contrair Covid-19 na mesma versão que assola os humanos. Porém, são necessárias mais pesquisas para realmente afirmar com alguma certeza.

Expediente

Repórter: Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo e voluntária

Ilustradora: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/reinfeccao-covid-19-escova-de-dente Thu, 22 Apr 2021 13:20:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6543

Apesar de a pandemia do novo coronavírus ter completado um ano em março de 2021, ainda existem muitas dúvidas relacionadas ao vírus e à sua capacidade de transmissão. Além disso, a cada dia surgem novos questionamentos, o da vez é: “Posso ter Covid-19 novamente se eu seguir utilizando a mesma escova de dentes?”. A informação de que uma reinfecção é possível está circulando pelas redes sociais e divide opiniões, porém Fabrício Zanatta, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Odontologia na UFSM, explica que a afirmação deve ser descartada. Zanatta afirma que os cremes dentais possuem em sua composição agentes detergentes, quimicamente muito semelhantes ao sabão usado para lavagem das mãos, eliminando a possibilidade de o vírus se manter ativo nas cerdas. 

Não há evidências, também, que demonstrem que os protocolos de desinfecção das escovas irão prevenir a contaminação ou a recontaminação. Mesmo assim, pelo princípio da precaução, o professor sugere o seguinte protocolo:

Em caso de teste positivo, mantenha sua escova longe da escova de outras pessoas 

Pessoas com o diagnóstico positivo do vírus devem se isolar e o mesmo deve ser feito com seus objetos pessoais. Segundo Fabrício, um estudo observacional conduzido pela BMC Oral Health durante quinze dias na Espanha - 15 a 30 de abril de 2020, quatro semanas após o início do confinamento no país - demonstrou que o compartilhamento do mesmo recipiente de armazenamento da escova e creme dental estão associados a uma maior probabilidade de transmissão do vírus. 

A mesma pesquisa ainda mostrou que a troca da escova, após o ciclo ativo da doença, reduziu a probabilidade de transmissão. É fundamental que a escova do indivíduo contaminado seja isolada e que o protocolo de descontaminação seja adotado, sob a perspectiva de redução da probabilidade de transmissão do vírus para outras pessoas da casa, mas não da sua reinfecção.

Atenção! O vírus não vai embora com a escovação

Durante a fase ativa da doença, Fabrício explica que a cavidade bucal é uma fonte constante de SARS-CoV-2. Mesmo que se realize uma adequada higienização dos dentes e sejam seguidos todos os passos para a redução da carga viral, após alguns minutos, a boca será novamente colonizada pelo vírus - proveniente da respiração, das glândulas salivares que injetam constantemente saliva e das bolsas periodontais (caso o paciente seja portador de doença na gengiva). Portanto, para evitar a transmissão, “é fundamental o uso da máscara”, destaca o especialista. 

No âmbito dos cuidados odontológicos, as medidas preventivas caseiras devem continuar a ser realizadas da melhor maneira possível - higiene dos dentes e língua, com escova dental e dentifrício fluoretado (pasta de dente com flúor em sua composição), não esquecendo a higienização entre os dentes com escovas interdentais ou fio dental -, assim como as visitas no dentista para as consultas de manutenção.

E, um passo essencial: Não compartilhe informações antes de avaliar sua veracidade. “Nesse cenário caótico, é fundamental que a população saiba avaliar em quem e no que confiar. De maneira indireta, essas questões corroboram muito para o contexto atual da pandemia. Precisamos de mais educação virtual, no sentido de não espalhar fake news sem checar, pois o avanço da nossa sociedade não depende somente de seus governantes, mas de esforços de todos os cidadãos”, aponta o professor.

Veredito final: Mito!

Não há possibilidade de uma reinfecção da Covid-19 caso você continue utilizando a mesma escova de dentes.

Expediente

Repórter: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Ilustradora: Julia Dutra, acadêmica de Publicidade e Propaganda e bolsista

Mídia Social: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista, e Ana Ribeiro, acadêmica de Produção Editorial e voluntária

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vacinas-rna-contra-covid-19 Thu, 14 Jan 2021 13:20:32 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6360 Questionamentos a respeito das imunizações unem teoria da conspiração e falácia da autoridade

Nas últimas semanas de 2020 viralizaram nas redes sociais trechos de uma entrevista da médica estadunidense Christiane Northrup em que ela diz que vacinas de RNA, como a da Pfizer, contra a Covid-19 alteram o DNA humano. Segundo checagem do Aos Fatos, o vídeo circulou primeiramente em redes de língua inglesa entre outubro e novembro e chegou ao Brasil com seu conteúdo legendado em dezembro, principalmente no WhatsApp. Dentre as diversas informações enganosas, também é dito na gravação que a imunização faz parte de um plano de dominação mundial da Fundação Bill e Melinda Gates com o uso de dados biométricos. 

Christiane Northrup é obstetra e ginecologista. Estudou na Faculdade de Medicina de Darmouth e no Centro Médico Tufts da Nova Inglaterra, como ela mesma afirma no vídeo. Para além do currículo, é possível dizer que a única informação verdadeira no vídeo é a de que as vacinas RNA nunca foram utilizadas em humanos. Trata-se de uma nova tecnologia só aplicada em animais, até a recente aprovação de sua eficácia.

Essa é a primeira vacina de RNA que estamos experimentando, mas seus estudos não são tão recentes. “Desde os anos 2000, quando eu estudava no doutorado, já via e lia sobre estudos de vacinas com RNA, sempre experimentais”, conta o biólogo Daniel Graichen,  diretor do Laboratório de Genética Evolutiva da UFSM no campus Palmeira das Missões. 

Para Daniel, a Covid-19 teria infectado intensamente as populações de países ricos, que por sua vez investiram maciçamente em pesquisa para desenvolver essas vacinas no seu estágio final em 2020. E quando tem muito dinheiro investido, a velocidade do conhecimento científico é rápida. Ele ainda ressalta: “não é porque os governos são bonzinhos que fizeram isso, nós temos outras viroses que acometem populações pobres no mundo há muito tempo e nós não temos vacina para essas doenças ainda”.

A nova vacina RNA

No vídeo, a médica diz “isso (a vacina) mudará fundamentalmente o DNA das pessoas”, algo que Daniel afirma ser desconexo da realidade, pois a vacina não é de DNA, mas sim de RNA. “O RNA é uma molécula extremamente instável, tanto que é um desafio para os pesquisadores estudarem RNA, a simples presença dele com água já o degrada”, conta o professor. Para a vacina funcionar, foi necessário encontrar maneiras de estabilizar parcialmente o RNA.

Na metodologia das novas vacinas, o RNA é encapsulado numa microesfera de lipídio e é injetada no nosso músculo. Quando entra na célula, é despejado dentro do citoplasma sem chegar ao núcleo. Sendo assim, ele chega até a membrana externa e não até a membrana nuclear, onde está o DNA. A célula reconhece o RNA mensageiro e rapidamente uma proteína é sintetizada, Em seguida, ele é degenerado. 

A partir do momento em que esse RNA é traduzido em proteína, tornam-se pequenas partículas as quais não chegam no núcleo. “Não vamos ter a partir da vacina um DNA exógeno em nosso corpo, ele vai ser uma molécula de RNA passageira que logo será degradada”, explica Daniel. O tempo até a degradação é de alguns minutos, não chega a uma hora.

A necessidade dessa estabilidade é o que ocasiona a principal diferença logística dessa vacina em relação às outras ao redor do mundo. O armazenamento da vacina da Pfizer precisa de uma temperatura de -75 graus Celsius, do contrário a instabilidade do RNA torna ela insegura. Já vacinas como a Coronavac, produzida no Instituto Butantan, que usam um vírus morto pelo calor, podem ser armazenadas de 2ºC a 8ºC.

A dominação mundial

Em outro momento do vídeo, a médica obstetra traz a seguinte afirmação: “o que eu gosto menos nisso, ainda menos do que o habitual, relativamente aos metais tóxicos contidos nas vacinas, que literalmente transformam nossos corpos numa antena, com 5G”. O raciocínio segue com a citação de termos das ciências biológicas, como “chimera” e “luciferase”, e a união de diversas informações que concluem a existência de um plano mundial da Fundação Bill e Melinda Gates para unir dados biométricos à criptomoedas. Para Daniel Greichen, “deu pra ver que ela não tinha noção dos conceitos mais básicos”.

Sobre a suposta presença de metais tóxicos na vacina, Daniel conta que muito tempo atrás, no século XX, as primeiras vacinas contra varíola até tinham alguns metais para gerar resposta imunológica. Mas em nenhuma das vacinas que são usadas no Brasil atualmente, por exemplo, se usa metal pesado como adjuvante.

Quando nos é injetado um antígeno, alguma proteína do vírus, ele vai ser reconhecido pela nossa estrutura física e surgirá uma resposta para isso. Em alguns casos são colocados junto alguns elementos na intenção de atrair a atenção para uma resposta imunológica mais forte. Podem ser usados salmonina, agarose ou qualquer outra substância que seja estranha mas que chame atenção do corpo.

O mais próximo de um metal que pode ser encontrado em algumas vacinas é o hidróxido de alumínio. “Todo mundo toma hidróxido de alumínio: que é quando tem azia e toma um golão de hidróxido de alumínio, é um antiácido muito mais puro e muito pequeno”, explica o professor. No processo de vacinação, logo em seguida o hidróxido de alumínio é neutralizado e exterminado via sistema excretor. Também são usadas proteínas como a do ovo, por isso algumas vacinas são proibidas para quem tem alergia.

A falácia da autoridade: "o médico falou”

No início do vídeo, a entrevistadora Polly Tommey, britânica conhecida pela produção de documentários antivacinação, pede para que Christiane se apresente e em seguida conclama sua experiência para comentar o temor sobre a vacina. A obstetra prontamente responde enumerando feitos de sua carreira:

“Eu sou a autora de três livros mais vendidos do New York Times incluindo: Women’s Bodies Women’s Wisdom, The Wisdom of Menopause e Goddesses Never Age. Eu participei de 8 especiais da televisão pública de grande sucesso, eu estive no Programa da Oprah Winfrey 10 vezes e em todos os inúmeros programas da TV como Dr. Oz e Rachel Ray e notícias noturnas na NBC, entre outros.”

Sobre isso, Daniel comentou ter visto com estranheza o momento onde ela começou a enumerar a carreira de maneira intensiva e chamou o ato de falácia da autoridade. Para o professor, uma das piores falácias é a falácia da autoridade na ciência, afinal “não é porque alguém é importante, que alguém já publicou muito, que essa pessoa não possa falar besteira”, avalia.

A falácia ou apelo à autoridade, do latim Argumentum ad Verecundiamm, diz respeito à atitude de recorrer a uma certa autoridade para indicar verdade sobre o tema em debate, mesmo que não exista legitimidade. É possível encontrar essa estratégia cotidianamente em campanhas publicitárias,  nas quais são usadas personalidades famosas como autoridades mesmo que não tenham nenhuma especialização na área a qual o produto se refere. Por exemplo, atores e atrizes indicando remédios e cursos de idiomas sem que sejam médicos ou professores de línguas.

No caso da médica obstetra e ginecologista Christiane Northrup, seus livros sobre saúde da mulher não usam de metodologia científica e participações em programas de TV não a legitimam como especialista na área de genética e biologia molecular. Diferentemente de Daniel Graichen, que é professor com formação em Ciências Biológicas Bacharelado pela UFSM, fez mestrado em Genética e Biologia Molecular e doutorado em Genética e Biologia Molecular, ambos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, além de ter pós-doutorado em Ciências Biológicas na UFSM.

Para prevenir esse tipo de falácia é importante sempre ter em mente que, mesmo no caso de uma autoridade legítima, a verificação do argumento é sua relação com a verdade. Quando se tratam de novas descobertas extraordinárias, como uma suposta vacina que altera o DNA humano, é necessário apresentar evidências também extraordinárias. “Eu não posso chegar aqui e inventar pra você uma história sem mostrar as evidências muito fortes que aquela minha história está sendo corroborada”, comenta Daniel.

Veredito final: Mito!

Não há possibilidade alguma de uma vacina alterar o DNA de quem a recebeu e nem das próximas gerações.

Expediente

Repórter: Lucas Felipe Silva, acadêmico de Jornalismo e estagiário

Ilustradora: Amanda Pinho, acadêmica de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/uso-da-mascara-ainda-e-eficiente Thu, 03 Dec 2020 18:51:11 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6314 Postagens que questionam proteções artesanais e profissionais são falaciosas e prejudicam medidas de controle à pandemia

Já ultrapassada a marca de oito meses desde que a pandemia do novo coronavírus foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), algumas publicações em redes sociais colocam em xeque a necessidade do uso de máscaras no combate à pandemia. 

Em 3 de novembro, a deputada federal Bia Kicis (Partido Social Liberal - PSL) postou em seu perfil do Facebook um estudo em que, segundo ela, estavam comprovados uma série de problemas relacionados ao uso da máscara, além de a classificar como uma suposta proteção não  comprovada. A publicação teve mais 22 mil interações entre curtidas e reações, 13 mil compartilhamentos e 1,7 mil comentários. Um mês depois, os números da pandemia voltam a crescer no Brasil, atingindo a marca de 6.436.650 casos confirmados em todo país, 331.279 no Rio Grande do Sul e 8.148 em Santa Maria.

Como atestado pela checagem do Projeto Comprova, a publicação da deputada mistura estudos distintos para chegar a uma conclusão sem evidências - que contraria resultados da própria pesquisa citada. O primeiro estudo, relacionado ao uso prolongado da máscara N95 por profissionais da saúde na linha de frente do combate à covid-19, aponta possíveis efeitos - como acne, coceira nasal, suor ao redor da boca e dificuldade para respirar em situação de esforço físico. Mesmo assim, a conclusão dos pesquisadores do Instituto de Pesquisas Kattan Kolathur, na Índia, é que a máscara tem vital importância para proteger a saúde dos trabalhadores na pandemia.

Outra informação imprecisa é a citação feita pela deputada de que as pessoas respiram gás carbônico ao usarem máscara, atribuída ao médico Alessandro Loiola, que não participou do estudo citado e já teve vídeos bloqueados no YouTube por contrariar, sem provas, dados da OMS. A suposição tem origem em um vídeo publicado nas redes sociais pelo médico João Vaz, em que alerta ainda sobre suposta acidez no sangue. Especialistas como o pneumologista Gustavo Prado contestam essas afirmações e insistem que as máscaras recomendadas por autoridades de saúde permitem entrada e saída de gases no ambiente, ajudam na prevenção de contágio da covid-19 e não tornam o sangue ácido.

Combate à propagação do vírus

Desde o início da pandemia, as máscaras foram apresentadas como uma das melhores ferramentas para combater o vírus, uma vez que, devido à sua característica de transmissão por gotículas pelo ar, elas diminuem as chances de uma pessoa infectada transmitir o novo coronavírus. Conforme novas pesquisas foram realizadas, descobriu-se que a máscara também pode prevenir casos mais graves de SARS-CoV 2, uma vez que a proteção diminui a carga viral da transmissão. É o caso do estudo realizado nos Estados Unidos, na Universidade Johns Hopkins e na Universidade da Califórnia.

Enquanto a vacina não chega à população, o uso das máscaras de pano funciona como uma barreira ao diminuir a quantidade de vírus que uma pessoa infectada expele. Bem como reduzir a carga viral que pessoas não contaminadas entram em contato. Outra evidência dos benefícios do uso das máscaras pôde ser vista em países e regiões que já tinham o costume de usá-las para o controle de infecções - como a Coréia do Sul, Cingapura, Taiwan e Japão. Durante a pandemia, eles tiveram um número menor de mortes e de casos graves. 

Teoria do queijo suíço

Para Liane Righi, professora do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM e enfermeira sanitarista, aqueles possíveis 15 dias sem sintomas e com transmissibilidade tornam a doença mais complexa. Por isso, as pessoas precisam se comportar como se estivessem com o vírus, usando máscara, já que podem estar contaminadas.

A professora reitera que o uso da máscara não está associado a outros métodos de proteção, o que chama de teoria do queijo suiço para explicar: “tem furo aqui, tem furo, tem furo, então precisa ter várias camadas de proteção”. A máscara é uma camada de proteção, lavar as mãos é outra camada de proteção, evitar aglomeração é outra, não fazer visitas é outra. “Então você, com isso, consegue evitar que o furo vá do início ao fim e cause a doença, alguma barreira dessas consegue segurar”, afirma.

A máscara a ser usada deve estar seca e limpa. Ela tem que ser confortável: nem muito grande nem pequena, para que não seja necessário arrumar com o tempo. Antes de retirar a máscara é importante lavar as mãos. Quando for tirá-la, pegue pelo elástico e coloque em uma embalagem plástica caso não esteja  em casa. Para mais informações sobre como usar e higienizar sua máscara, clique aqui.

Veredito final: comprovado!

Desde que feita de forma adequada, como mostrado na ilustração, usada de forma correta e combinada com outras barreiras, como álcool gel e o distanciamento, a máscara contribui para o combate à pandemia.

Expediente

Repórter: Lucas Felipe Silva, acadêmico de Jornalismo e estagiário

Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial

Mídia Social: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas

Editora de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo

Editor Chefe e supervisor do estágio: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/boldo-sintomas-coronavirus Fri, 31 Jul 2020 16:07:36 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6247 Publicação nas mídias sociais atribui à planta poder de solucionar a pandemia Circula nas redes sociais digitais uma postagem que afirma que chá de boldo combate os sintomas do novo coronavírus.  A fake news, compartilhada mais de 20 mil vezes por contas pessoais no Facebook, alega que “enquanto o governo gasta bilhões no combate contra a doença”, um homem teria descoberto que o chá – geralmente usado para problemas gastrointestinais – combate os sintomas em três horas. Segundo o site oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda não há nenhuma substância que tenha apresentado resultados na prevenção ou cura do novo coronavírus. Estão em produção testes clínicos com diversos medicamentos – tradicionais e naturais – e a entidade irá informar a população em caso de novidade. Além disso, não há qualquer outro estudo científico que comprove a eficácia do chá de boldo para o combate ao vírus. A verdade é que chás caseiros podem aliviar sintomas leves da doença, mas nenhum tem efeito terapêutico. Devido à maioria das pessoas contaminadas pela covid-19 apresentar casos leves do vírus, especialistas explicam que o uso de chás pode oferecer maior conforto, mas que não possuem nenhuma relação com a eventual cura, e que os sintomas já iriam se dissipar naturalmente. Segundo o supervisor da residência em infectologia no HUSM e doutor em epidemiologia, Fabio Lopes Pedro, na utilização de algum composto são envolvidos os conceitos da beneficência e da não-maleficência. O primeiro se refere ao uso da substância porque ela irá trazer alguma vantagem ou melhora; e o segundo é relacionado com o fato de ela não fazer mal ou trazer prejuízos. No caso dos chás, ele afirma que não há contraindicação, pois, a princípio, esses compostos naturais não têm nenhum fator de maleficência. Apesar de também não trazerem nenhuma vantagem diretamente relacionada ao novo coronavírus, eles podem auxiliar de outras formas. “É importante ressaltar que qualquer ingestão de chás ou outros compostos naturais conhecidos - como é o caso do boldo - pode levar a algumas melhoras, especialmente do grau de hidratação. E têm sido visto nos pacientes que internam que a hidratação é um componente bastante importante”, declara o especialista.

Uma alternativa à medicina tradicional

Vale lembrar que a medicina alternativa funciona – e isso é comprovado cientificamente. Além disso, ela é fonte de renda para diversos agricultores familiares. O uso dessas técnicas se desenvolve constantemente e inclusive compõe campo de pesquisa na UFSM – confira a reportagem que fizemos em 2019. Os problemas são os diversos boatos espalhados que relacionam o uso de plantas medicinais com a cura da Covid-19. Assim como qualquer medicamento tradicional, os excessos são prejudiciais à saúde. O boldo é um exemplo disso, já que é muito usado para tratar problemas digestivos, de fígado, dores de cabeça e até pedras na vesícula. A planta tem outras propriedades como antioxidantes e anti-inflamatórias, mas o seu uso prolongado apresenta riscos de toxicidade (pode provocar vômito, diarreia e até aborto, em casos extremos).

A piada que virou boato

A relação entre o chá de boldo e a covid-19 existe desde fevereiro, quando postagens em forma de meme representavam o uso do chá como cura da doença. O motivo do humor era em relação aos chás serem utilizados por muitas das avós dos internautas como forma de medicar qualquer doença. A perspectiva mudou quando, alguns meses depois, o vídeo de um homem que anunciava ter curado a si mesmo e a sua esposa viralizou na internet. A mesma fake news, mais tarde, se espalhou em forma de texto, mas também contou com outros conteúdos que referenciavam a substância como uma “cura milagrosa”. Apesar de o burburinho nas redes sociais em relação à propagação de notícias falsas, comunidades científicas seguem com a busca por uma vacina contra o novo coronavírus. No momento, cerca de 136 vacinas estão em desenvolvimento em todo o mundo. A mais avançada é a da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Os pesquisadores anunciaram recentemente que a vacina é “segura e induziu resposta imune”. Ela já está na fase 3 - que é a última antes da aprovação e distribuição - e compete a liderança com pelo menos outras quatro vacinas, desenvolvidas na China e na Rússia, segundo dados da OMS. No Brasil, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lidera os testes da vacina inglesa em voluntários desde o final de junho. Além disso, a Fundação Oswaldo Cruz afirma que já possui um acordo informal com a AstraZeneca - a organização farmacêutica que adquiriu a vacina de Oxford - e está no aguardo da possível aprovação para iniciar sua produção em território brasileiro. Até lá, devemos seguir com as medidas de segurança e de higiene recomendadas pela OMS. Mitômetro Coronavírus é um projeto de checagem de fatos da revista Arco voltado para a temática da pandemia com o objetivo de combater a desinformação. O projeto é desenvolvido pela equipe da revista e tem a colaboração de egressos do curso de Jornalismo da UFSM. Compreenda os selos: Comprovado – fato com evidências científicas e que pode ser explicado a partir de relatórios, documentos e pesquisas confiáveis e com metodologias factíveis.  É possível – selo para uma checagem com elementos reais. Não há comprovação 100% em função de determinados indícios, detalhes ou situações. Depende – é o meio termo entre o que é mito e a verdade. Não existe um consenso entre as fontes e os especialistas. Também usado para quando faltam evidências ou para destacar que o fato pode ocorrer em uma determinada situação.  Improvável – refere-se a uma situação com pouquíssima possibilidade de ser real.  Mito – não existe possibilidade alguma de ser verdade. Existem evidências que provam o contrário. Enquadram-se aqui as teorias da conspiração, as lendas da internet e as noticias falsas. Expediente Repórter: Mirella Joels, acadêmica de Jornalismo Ilustradora: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial Editor: Maurício Dias, jornalista]]>