UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Tue, 21 Apr 2026 18:05:46 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/10/13/seminarios-oficinas-e-pesquisas-o-que-a-ufsm-levou-para-a-31a-feicoop Mon, 13 Oct 2025 11:08:20 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=70956 [caption id="attachment_70958" align="alignright" width="524"]Fotografia colorida horizontal que mostra uma mulher de roupas coloridas observando um microscópio. Acima dela há esqueletos de animais guardados em vitrines
Mostra de morfologia permitiu que o público observasse os animais tanto na vitrine quanto a nível microscópico[/caption]

Como uma das organizadoras da 31ª Feira Internacional de Cooperativismo (Feicoop), realizada de sexta-feira (10) a domingo (12) no Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, em Santa Maria, a UFSM promoveu uma série de oficinas e seminários sobre a agricultura familiar, mostrou trabalhos de pesquisa realizados na Universidade e orientou alguns dos pequenos empreendedores que expuseram na feira por meio da Incubadora Social. 

Nesta edição, o estande da UFSM não teve o mesmo tamanho das outras edições, pois o objetivo foi espalhar as ações pela feira. “Temos um pouco da UFSM espalhada por todas as partes da Feicoop, das empresas apoiadas pela Incubadora às palestras e oficinas, para ter um contato mais direto com o público”, afirmou Natália Rigui Trindade, administradora da Incubadora Social da Pró-Reitoria de Extensão (PRE).

No sábado (11), o Grupo de Trabalho em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (GT-SSAN), com o apoio do Observatório de Direitos Humanos (ODH), promoveu seminários nos turnos da manhã  e da tarde. O primeiro, intitulado “Mudanças climáticas e os desafios da soberania e segurança alimentar”, contou com a participação do secretário nacional de Economia Solidária substituto, Fernando Zamban, e do professor da Universidade de Santa Cruz do Sul João Pedro Schmidt.

Pela tarde, o grupo organizou o seminário “Agricultura urbana e periurbana como política pública: segurança alimentar e economia solidária”. Na manhã de domingo (12), ocorreu o encontro “Viabilidade da produção agroecológica na agricultura familiar: relatos de casos”.

“A Feicoop trabalha com a economia solidária e a soberania e segurança alimentar estão vinculadas com essa temática. Em todas as edições da feira o GT-SSAN promove atividades porque elas são de interesse do público”, afirmou Luciana de Oliveira, secretária executiva do Centro de Ciências Rurais (CCR).

Trabalhos desenvolvidos na Universidade

Quem circulou pela feira também encontrou o estande do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade), vinculado ao Departamento de Ciências Florestais do CCR. Entre as atividades realizadas pelo grupo estão trabalhos de restauração produtiva e campestre por meio da agroecologia.

O Departamento de Morfologia da UFSM, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde (CCS), levou alguns animais taxidermizados para a exposição. Entre as espécies selecionadas estavam algumas mais conhecidas, como boi, gato, ovelha, coelho, bode, e as que chamam a atenção do público, como o esqueleto de tartaruga e a cabeça de tubarão. Outra atração era a lâmina histológica, que permite a observação microscópica de tecidos de seres humanos e animais.

Texto: Bernardo Silva, acadêmico de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Daniel Michelon De Carli
Edição: Ricardo Bonfanti

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/2024/07/25/a-escolha-de-se-doar-a-ciencia Thu, 25 Jul 2024 20:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/experimental/revistatxt/?p=3915

Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

A morte não é um medo da enfermeira Martha Azevedo. Com 32 anos, ela comunicou à família o destino que deseja para seu corpo: a doação aos laboratórios e salas de aula do Departamento de Morfologia da UFSM. A profissional de saúde é uma das 54 inscritas no Programa de Doação Voluntária de Corpos, que registra um crescimento de 40% após a pandemia.

No Brasil, há 39 programas semelhantes. O Rio Grande do Sul concentra uma em cada quatro iniciativas no país. São dez espalhadas pelo Estado. A UFSM tem o quinto programa de doação mais antigo do Estado. Criada em 2016 para estudos e pesquisas, a iniciativa auxilia na formação acadêmica de mais de mil alunos por ano. Desde a fundação do projeto, 11 corpos foram doados e 54 intenções foram formalizadas.

Comunicar em vida o desejo de doar o próprio corpo é uma prática assegurada por lei desde 2002. O texto diz, no artigo 14, que “É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte”. Martha fala que o desejo de ser doadora surgiu durante a graduação em enfermagem, há seis anos: “Ter contato com um corpo foi essencial para minha formação. Fiquei pensando em uma forma de retribuir o gesto de quem já se foi, e também poder ajudar outros alunos assim como eu”, contou a enfermeira.

Crescimento de doadores

Fotografia horizontal, colorida, de metade de um crânio humano, de resina, da cor amarela. No lado esquerdo da imagem aparece parte da cavidade do nariz, um dos olhos e metade dos dentes. O fundo está desfocado e retrata uma sala de aula, com mesas e cadeiras brancas. Há um corpo deitado sobre uma das mesas, coberto por um tecido azul. Na parede branca existe um quadro verde-escuro fixado.
Crânio humano | Foto: Francine Castro

As intenções de doação cresceram na UFSM até 2019, mas foram prejudicadas com o início dos casos de Covid-19. Em 2020, o programa não recebeu nenhuma declaração. No entanto, o número aumentou depois de 2021 e chegou a sete em 2023, uma alta de 40% com o fim da pandemia. No primeiro semestre deste ano, o departamento recebeu cinco documentos.

Mais da metade das pessoas que manifestam formalmente a vontade têm idade superior a 40 anos e cerca de 60% são mulheres. No entanto, não há um perfil socioeconômico definido dos doadores, como informa o professor Carlos Eduardo Seyfert, coordenador do programa. “Tivemos, por exemplo, pessoas que são gratas à ciência, por serem curadas de câncer ou doença rara. Outros simplesmente querem encontrar uma forma de continuar sendo úteis após a morte”, afirmou.

A terapeuta Marisa Zuse, 54, é outro exemplo. Ela já comunicou à família sobre o desejo de destinar seu corpo à ciência. Residente em Santa Maria, tomou a decisão após um encontro com familiares, quando um estudante de Medicina comentou sobre os programas que existiam. “Na mesma hora já decidi. Posso contribuir de alguma forma. Quero ser útil”, completou. 

Gráfico de colunas verticais na cor amarelo-mostarda, mostra que em 2020 não houve doações. Em 2021 tiveram quatro. Em 2022, cinco. No ano de 2023, sete doações e em 2024, cinco. O fundo é branco.
Fonte: Departamento de Morfologia da UFSM

O que é feito com os corpos?

Os corpos que chegam no Departamento de Morfologia do 55BET Pro de Santa Maria passam por um processo de fixação. A etapa inclui formol ou salmoura para evitar a decomposição. Cerca de seis meses após a aplicação do produto, o corpo poderá ser usado. 

Os materiais são utilizados em aulas de anatomia humana, como informa o chefe do Departamento de Morfologia da UFSM, professor João Cezar Dias. Ele destaca a importância do contato direto com corpos humanos reais, que proporcionam a compreensão detalhada - algo que modelos anatômicos não conseguem replicar."Todos os cursos da saúde têm disciplinas de anatomia, às vezes mais de uma, inclusive. Nosso respeito é total, com todo corpo sobre a bancada. Mantemos a ética com quem está ali nos ajudando", afirmou João Cezar.

Como ser um doador?

Qualquer pessoa maior de 18 anos pode doar o corpo para fins acadêmicos e científicos. A única excessão é que não são aceitos corpos em caso de morte violenta, ou seja: decorrente de acidentes de qualquer natureza, homicídio ou suicídio. Isso porque os corpos devem ser submetidos à necropsia e, conforme necessidade da investigação, devem estar à disposição para exumação.

A declaração de doação de órgãos e restos mortais é feita com base em um modelo disponível no site da universidade (acesse aqui o documento). Para reconhecimento é preciso procurar um cartório ou realizar a assinatura digital por meio do cadastro online no Gov.br (acesse o serviço aqui). O professor orienta que pelo menos uma pessoa  - de preferência familiar - assine como testemunha, pois apesar de declarar o desejo em vida, a família é superior na decisão da destinação do corpo após a morte. O documento deve ser preenchido em três vias: uma é entregue diretamente no Departamento de Morfologia da UFSM e as outras duas ficam com o doador e a família. No caso do indivíduo manifestar interesse para a família em destinar o corpo para a universidade, mas não formalizar o desejo, a família pode optar por destinar mesmo assim.

Depois do falecimento, a família deve fazer contato com a Universidade para informar o óbito. É permitido que o corpo seja velado antes de ser encaminhado ao Departamento. A decisão cabe à família, que também arca com o custo do transporte entre a funerária e a UFSM.  Participar do programa não exclui a possibilidade de doar órgãos para transplante e é possível doar apenas partes do corpo.

Reportagem: Francine Castro e Tayline Manganeli

Contato: francine.castro@acad.55bet-pro.com/tayline.alves@acad.55bet-pro.com

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/02/16/mostra-de-ciencias-morfologicas Thu, 16 Feb 2023 11:17:25 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=61073 Esqueleto de um pato doméstico[/caption] Matéria básica ensinada nos cursos das áreas da saúde e da biologia, a morfologia estuda a estrutura e o funcionamento do corpo de seres humanos e animais, na constituição micro e macroscópica desses organismos. Com o intuito de despertar o interesse acerca da temática, a Mostra de Ciências Morfológicas da UFSM entrou em funcionamento na sala 3127 do prédio 19, localizado no campus sede da instituição. Lá estão expostas, permanentemente, peças do acervo didático da instituição, com materiais relacionados à morfologia micro, meso e macroscópica, que se soma a informações virtuais. De acordo com o responsável geral pela mostra, professor Marcelo Leite, a ideia de criação da exposição decorreu da demanda por visitações ao Departamento de Morfologia, que sempre recebeu visitantes, inclusive de fora do Rio Grande do Sul. Contudo, essas atividades aconteciam de forma esporádica, sem que houvesse uma rotina ou formato definido. Ocorreram até exposições temporárias em algumas oportunidades, mas foi somente no final de 2022, com o retorno das atividades presenciais no departamento, que uma mostra permanente foi criada. Na exposição, estão contempladas as seguintes áreas da morfologia: anatomia humana, anatomia animal, histologia e embriologia. Leite explica que estes conhecimentos estão apresentados de maneira integrada, “considerando que todas estas são apenas formas e tempos diferentes de se enxergar os organismos”. O professor comenta ainda que, na mostra, há modelos sintéticos de várias espécies de vertebrados, como esqueletos articulados e desarticulados, e órgãos de diferentes sistemas do corpo. Além disso, as peças permitem comparar estruturas saudáveis e patológicas, que podem estimular os visitantes a pensar sobre variados aspectos da vida cotidiana, como hábitos alimentares, vícios e estilos de vida. Já com o corpo humano, Leite comenta que o visitante é convidado “a pensar em relação a sua cosmovisão, suas crenças, sua responsabilidade social e civil, estimulando a formação de um ser consciente e comprometido consigo mesmo, com sua família e comunidade”. [caption id="attachment_61076" align="alignleft" width="640"] Em primeiro plano, o esqueleto de uma rolinha roxa[/caption] Para agregar aos materiais expostos, há também conteúdos virtuais complementares, que podem ser acessados por meio de QR codes, e servem para explorar curiosidades em torno do que está exposto. “O visitante vai observar fisicamente o esqueleto de um sabiá, por exemplo, e, acessando o QR Code da peça, vai visualizar uma ficha complementar com a foto real do pássaro, informações, curiosidades e até mesmo ouvir o som que ele produz”, exemplifica o professor. Somado a isso, também está sendo desenvolvida uma mostra virtual, organizada pelo professor Giovani Sturmer, que, quando finalizada, proporcionará a mais pessoas conhecer o acervo.

Como visitar

O espaço é destinado à visitação de grupos, mediante agendamento prévio, a ser realizado no site da Rota Cultural da UFSM. A mostra também estará aberta a visitas individuais no terceiro domingo de cada mês e durante eventos promovidos pela universidade. Para as visitas agendadas, a mostra funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30min, e no terceiro domingo de cada mês, das 14h às 17h30min. O responsável pela mostra reforça a importância de exibições como essa: “a Mostra de Ciências Morfológicas da UFSM espera facilitar e estimular a formação acadêmica e científica, ao promover significativas melhorias educacionais e sociais, no âmbito local, regional, nacional e – por que não? – mundial”. Confira algumas fotos do que pode ser encontrado durante a visita:
Anterior Próximo Texto: Laurent Keller, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias Fotos: Ana Alicia Flores: acadêmica de Desenho Industrial e bolsista da Agência de Notícias Edição: Lucas Casali]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/girine-se-site-divulga-conhecimento-cientifico-sobre-os-girinos-do-pampa Thu, 03 Nov 2022 14:49:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9526 Esta história começou na infância de Tiago Gomes dos Santos, que hoje é professor na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e, na época, brincava de ser cientista ao examinar lesmas, minhocas e baratas. Não demorou muito para que o assunto ficasse sério. Ingressou no curso de Ciências Biológicas na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e começou a trabalhar com anfíbios anuros, que têm como característica a ausência de caudas, assim como sapos, rãs e pererecas. No mestrado, optou por estudar os girinos, que continuaram na história acadêmica de Tiago: “De forma muito natural, foram inseridos em projetos de meus alunos de graduação e pós-graduação nos mais variados contextos, como descrição da morfologia, ecologia térmica, toxicologia e ecologia de comunidades”, destaca.

 

A partir desse histórico, surge o site Girinos do Pampa. Um projeto pessoal criado para diminuir a escassez de informações sobre as diferentes espécies de girinos, além de resumir e organizar o trabalho de inúmeros pesquisadores. Como o nome sugere, o site reúne conhecimento científico sobre dois elementos: os girinos e o pampa. Os primeiros são a fase larval dos anfíbios anuros, organismos presentes em inúmeras investigações científicas, como as taxonômicas, evolutivas, ecológicas, ou toxicológicas. Segundo Tiago, a escolha por destacá-los se dá pela falta de informações que ajudem na correta separação das espécies de uma determinada região. “O Pampa é o espaço geográfico em que vivo e tenho concentrado grande parte da minha pesquisa científica nos últimos anos e que, infelizmente, tem sido negligenciado de diversas maneiras, tanto pela falta de estudos quanto pelo baixo número de Unidades de Conservação ou pela falta de valorização pela população”, completa.

 

Descrição da imagem: Colagem horizontal e colorida de nove fotos de girinos em diferentes fases. Elas formam um xadrez com o fundo de cada imagem, que se intercala entre preto e branco.

Lançado durante a V Semana Salvem os Sapos, o site Girinos do Pampa tem como objetivo diminuir tal escassez, e traz não apenas informações sobre a identificação e classificação dos girinos, mas também dados sobre o bioma, no que diz respeito à origem, ao clima, à vegetação e às ameaças vigentes, como a agricultura extensiva e espécies exóticas invasoras.

Espaço em que arte e ciência se encontram

A iniciativa reúne a história de vida das espécies, notícias de divulgação científica e arte. A atividade artística acompanha Tiago desde a infância; assim, o site é usado também para compartilhar seus desenhos e pinturas. Na graduação, ele percebeu a conexão entre ilustrações e ciência. Para o professor, caracterizar os girinos por meio do desenho pode mostrar um detalhe que não ganha o destaque adequado em uma fotografia, ou trazer uma informação pouco disponível na literatura, sobre padrões de cores ou manchas observados em girinos vivos. “Fico fascinado com esse mundinho que nos passa despercebido, e encontrei assim uma forma de compartilhar com as pessoas o que vejo na lupa”, revela.

 

Além disso, o referencial teórico disponível no site é composto por artigos científicos, livros e plataformas digitais, com base em trabalhos anteriores produzidos por diversos pesquisadores. A iniciativa, além de contribuir com a divulgação científica e com o andamento de estudos na graduação e pós-graduação, busca atrair diferentes públicos que tenham curiosidade pela temática. "Entendo que esse é um canal promissor que pode facilitar a compreensão do assunto. Tenho recebido muitos retornos positivos e isso é bastante gratificante”, conta Tiago.

 

A plataforma está em constante construção e o foco, no momento, é a organização e a inserção de outras famílias de anfíbios, como Bufonidae e Leptodactylidae, ainda não disponíveis no site. A partir da adição de outras espécies, o objetivo é elaborar uma “chave de identificação de espécies”, ferramenta de comparação para auxiliar na correta identificação delas. O site tem apoio da ilustradora digital Bruna Borges, da Arila Studio, e do desenvolvedor web João Victor, da Urso Tech. O resultado dessa parceria e da iniciativa do menino que brincava de ser cientista é a difusão e a organização do conhecimento de forma acessível para diferentes públicos.

Fases de Desenvolvimento dos Anfíbios Anuros

  1. Embrião

Fase inicial, que inicia com a fertilização, inclui o desenvolvimento dos primeiros tecidos e órgãos, e finda com o aparecimento do que serão os órgãos respiratórios (brânquias).

  1. Filhote

Fase curta em que ocorre o aumento da cauda e o desenvolvimento de estruturas para a respiração.

  1. Girino

Fase em que os animais apresentam grande movimentação e alimentação. Nesse período, surgem as pernas (já externas ao corpo) e braços (visíveis apenas por transparência do corpo).

  1. Metamorfo

Fase final do desenvolvimento larval. Nesse período os braços rompem a pele do corpo, a boca se desenvolve e a cauda degenera (é absorvida). 

 

Representação das fases comuns do desenvolvimento larval em anuros no Pampa: A) embrião (Elachistocleis bicolor), B) filhote (Limnomedusa macroglossa), C) girino (Dendropsophus minutus), e D) imago ou metamorfo (Boana pulchella).

Expediente

 

Reportagem: Thais Immig, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

 

Design gráfico: Cristielle Luise e Luiz Figueiró, acadêmicos de Desenho Industrial e bolsistas;

 

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária; e Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista;

 

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;


Edição geral: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/15-fatos-sobre-cadaveres-que-voce-nem-fazia-ideia-que-eram-reais Mon, 30 Oct 2017 20:51:10 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2556 1 – Cadáveres originados de morte violenta ou suspeita não pode ser destinados para estudo Os corpos humanos estudados em universidades podem ser oriundos de doações voluntárias ou provirem do Instituto Geral de Perícias na condição de cadáver não reclamado (que não foram procurados/identificados por parentes ou responsáveis legais). No entanto, os cadáveres de morte provocada por mecanismos violentos ou suspeitos não deverão ser destinados a estudo, visto que há necessidade de esclarecer as circunstâncias em que se deu o fato. 2 - Antes da utilização para estudo, é preciso dissecar o cadáver A técnica de dissecção de cadáveres consiste na exposição de estruturas, através de cortes na pele, nos ossos, retirada de gordura, entre outros procedimentos que possibilitem maior visibilidade interna. Então, a dissecção acontece de acordo com a estrutura alvo - a região do corpo - que necessita estar disponível com maior urgência. Para isso, são utilizadas ferramentas como pinças e bisturis. Na UFSM, a dissecção é realizada por técnicos em anatomia e necrópsia, mas também pode ser feita por professores do Departamento de Morfologia e estudantes em monitoria.
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3 - Seis meses é o tempo médio para que o corpo esteja preparado para utilização Antes da dissecção, o ideal é que o cadáver passe um período de, aproximadamente, seis meses em conservação por produtos químicos, como o formol, para melhorar o processo de fixação. Mas nada impede de dissecar o cadáver sem fixador nenhum. Nos Estados Unidos, por exemplo, há centros de estudos com cadáveres frescos, o que é muito procurado por cirurgiões, já que a textura do cadáver fresco e do formolizado é diferente uma da outra. Leia mais sobre o assunto: +Doação pela ciência: estudante de Odontologia se cadastrou como doadora voluntária do corpo +A rotina na segunda trajetória: cadáveres humanos e animais participam da formação de profissionais na UFSM há cerca de cinquenta anos +Quando a história de vida segue ainda após a morte: doação voluntária de corpos é aposta para continuidade de estudos acadêmicos com cadáveres humanos 4 – Cadáveres de qualquer idade podem ser estudados De modo geral, os corpos estudados são de pessoas idosas, porém, há cadáveres de todas as idades e o estudo em corpos de diferentes faixas etárias é necessário. Na UFSM, existe um laboratório de fetos, que possui corpos de fetos conservados por mais de 30 anos; muitos deles são disponibilizados pelo HUSM, principalmente provindos de casos de aborto espontâneo.
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5 - A doação de órgãos pode ser feita antes da doação do corpo A doação do corpo para estudo pode acontecer mesmo após a retirada dos órgãos. As estruturas restantes sempre podem ser úteis para estudo. 6 – Pode haver um funeral antes de o corpo ser levado para a instituição de ensino Em caso de um corpo doado, o funeral sempre pode ser feito antes; é uma decisão familiar e os custos também devem ser arcados pela família. Quando se trata de um cadáver não reclamado - que não é identificado ou procurado por responsáveis - o corpo fica congelado no IML durante cerca de um mês até que a documentação esteja concluída e ele possa ser destinado à instituição de ensino. 7 - É possível doar apenas parte do corpo As doações voluntárias podem acontecer com corpos em parte ou no todo. Partes amputadas de corpos inteiros também podem servir para estudos em universidades.
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8  – Temperatura ambiente influencia no cheiro O produto químico mais utilizado na conservação de cadáveres é o formol. Na UFSM, quando os corpos chegam ao Departamento de Morfologia, o formol é injetado através de acesso arterial, para que penetre em todos os tecidos e garanta a fixação do corpo; o formol também é o fixador utilizado para garantir a conservação ao longo dos anos, sendo que a maior parte dos cadáveres são conservados em tanques de solução com 5% de formol. Há, no entanto, um outro método de utilização mais recente que é denominado Laskowsky, feito com outros produtos químicos e que apresenta distinto odor. Em menores quantidades, utiliza-se também a glicerina e até mesmo o cloreto de sódio (sal). Independentemente da conservação, em dias quentes o cheiro forte é mais perceptível. 9 - É ilusão a ideia de que os cabelos e as unhas crescem ainda após a morte O tamanho dos pelos pode dar a ilusão de que aumentou após a morte porque o corpo, quando vai a óbito, acaba perdendo tônus musculares - o tecido começa a perder consistência - e, com isso, passa por uma retração. Então, o pelo dá a impressão de que aumenta alguns milímetros, mas nunca, depois de dez anos do falecimento, o cadáver vai acabar com um cabelo estilo Rapunzel.
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10 – Na universidade, os corpos nunca são chamados pelo nome Com exceção dos cadáveres que não possuem documentos de identificação (indigentes), as universidades têm acesso aos dados da pessoa cujo corpo está sendo estudado. No caso de um cadáver não reclamado, a cópia da certidão de óbito fica em responsabilidade das universidades e, assim, tem-se informações sobre o cadáver. Com o Programa de Doação de Corpos, tem-se os dados dos doadores. Contudo, dentro da universidade, o nome é esquecido; os cadáveres são chamados de “peças” e identificados por números, geralmente. 11 - Não há remuneração pelo corpo humano doado Não é previsto nenhum tipo de remuneração para a pessoa, ou família da pessoa, que se propõe a doar o corpo.
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12 - Transporte do corpo doado fica por conta da família Pela doação voluntária, a família tem o dever de transportar o corpo até o Departamento de Morfologia da UFSM com o auxílio de uma agência funerária e, além disso, arcar com os custos desse transporte. Caso seja um corpo não reclamado, cabe à Universidade buscar o cadáver no Instituto Médico Legal (IML), com um veículo especial, e arcar com os custos. 13 - Existem corpos que estão na UFSM há cerca de 30 anos Há corpos humanos que são estudados na UFSM há cerca de 30 anos. Hoje em dia é mais difícil de conseguir corpos para estudo, principalmente humanos, tanto pela legislação quanto pelo aumento no número de escolas de saúde.
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14 - Corpos animais são mais fáceis de serem adquiridos A carência de cadáveres humanos é muito maior que a de animais, porque existe maior facilidade em conseguir doação animal e também é possível realizar a compra de material. Na UFSM, animais que vão a óbito no Hospital Veterinário Universitário, algumas vezes, são doados pelos próprios donos. Os gatos e cachorros existentes no Departamento de Morfologia vieram de doações. Ainda assim, ovelhas e carneiros são os animais presentes em maior quantidade, porque são comprados pela instituição. 15 –  O tempo de “vida” útil de cada corpo é indeterminado A vida útil depende das práticas de manipulação de cada cadáver e, por isso, é indeterminada. Porém, ao longo de anos de utilização, os corpos deixam de serem úteis para alguns estudos (as veias podem se deteriorar, por exemplo). Apenas quando chegam a este ponto é que passa a ser necessário o descarte. No entanto, os corpos que foram conservados durante anos não podem ser enterrados como uma pessoa normal por causa dos resíduos tóxicos; na UFSM, o Departamento encaminha para uma empresa que é responsável pelo descarte. As fotografias utilizadas nesta reportagem foram autorizadas pelo Departamento de Morfologia da UFSM. Reportagem: Claudine Freiberger Friedrich Fotografia: Rafael Happke]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-rotina-na-segunda-trajetoria Mon, 30 Oct 2017 20:48:17 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2520 Como é a rotina de uma vida acadêmica? É comum vermos reportagens relatando a história de professores e estudantes ao passarem pela universidade. Dentistas, zootecnistas, educadores físicos, médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, entre outros, são profissionais que, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tiveram um ponto em comum no currículo acadêmico: a passagem pelo Departamento de Morfologia. Entretanto, aqui não pretendemos nos deter no cotidiano desses estudantes. Queremos ir por um caminho além do tradicional, o de relatar a trajetória que é percorrida pelos protagonistas principais dos estudos anatômicos - os cadáveres - no principal cenário de atuação - o Departamento de Morfologia.

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“Quando o corpo chega aqui no Departamento, temos que prepará-lo. Através de acesso arterial, injetamos o formol, que irá penetrar nos tecidos para garantir a fixação do corpo. O período médio de fixação leva em torno de seis meses. Esse mesmo formol serve como conservante para o corpo ao longo dos anos.” Gian Marcon - Técnico em Anatomia e Necrópsia

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“O cadáver fechado é como um livro envolto em plástico. Quando temos um cadáver inteiro sem uso, precisamos dissecá-lo para utilizar. [...] No que consiste o processo de dissecar? É expor as estruturas que precisam ser estudadas. Não pegamos o cadáver formolizado e levamos para a sala de aula, porque primeiro é necessário fazer procedimentos, como incisão na pele, retirada de gordura. [...] Isso acontece conforme a demanda das aulas - às vezes se precisa mais de mão, ou de abdômen – então vamos dissecando o corpo como se fossem páginas de um livro. Rebatemos o tecido adiposo, as fáscias musculares... até chegar na estrutura alvo que necessitamos estudar. Seguimos o tipo de incisão preconizada para a região corporal que estamos precisando. Existem manuais de dissecção que explicam como proceder com cada passo.” Dorival Terra Martini - Professor de Anatomia Humana

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“Quando o cadáver chega, a gente faz injeção de formol através da artéria femoral. Então, deixamos a solução de formol penetrando nos tecidos através dos vasos sanguíneos por 24 horas. Apenas depois disso é que iniciamos a dissecção e, então, começam os estudos das estruturas. Inicialmente, fazemos dissecção das estruturas mais superficiais e, depois que elas já estiverem mais comprometidas devido ao desgaste natural pelo uso do material, voltamos a dissecar a fim de expormos estruturas mais profundas.” Gian Marcon - Técnico em Anatomia e Necrópsia

Leia mais sobre o assunto:

 

+15 fatos sobre cadáveres que você nem fazia ideia que eram reais

 

+Doação pela ciência: estudante de Odontologia se cadastrou como doadora voluntária do corpo

 

+Quando a história de vida segue ainda após a morte: doação voluntária de corpos é aposta para continuidade de estudos acadêmicos com cadáveres humanos

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“O profissional responsável pela dissecção é o técnico em anatomia e necropsia. Nós, professores, também dissecamos, mas não com a mesma frequência e intensidade que os técnicos. Alunos em monitoria ou que fazem parte de projetos podem acabar dissecando também.” Carlos Eduardo Seyfert - Professor de Anatomia Humana

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“A gente trabalha tanto com animal quanto com humano e o procedimento em si é o mesmo; os materiais utilizados são os mesmos. Para dissecar, utilizamos pinça, bisturi, tesoura, luvas, máscaras, botas. Conservamos os cadáveres em tanques de solução de formol a 5%, normalmente. [...] O material é recebido, processado e armazenado no subsolo do prédio 19. As aulas práticas com cadáveres humanos são no primeiro andar e as que utilizam cadáveres de animais são no subsolo do prédio. Conforme for solicitado pelos professores, a gente monta cada aula. A preparação começa um dia antes; tiramos o material do formol e deixamos escorrer o máximo de formol possível, para não ficar em muita solução e o cheiro forte em aula.” Gian Marcon - Técnico em Anatomia e Necrópsia

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“Conseguimos atender até quatro cursos de graduação ao mesmo tempo, com três turmas com cerca de trinta alunos e uma com sessenta. E temos material para tudo isso. De qualquer forma, na anatomia animal é bem mais tranquilo, porque temos um hospital veterinário aqui na Universidade e alguns animais que vêm a óbito acabam sendo encaminhados para o Departamento. Nas aulas práticas, são vários corpos e cerca de quatro ou cinco alunos para cada mesa. No curso de Medicina, trabalhamos com doze mesas. Não teremos um corpo inteiro em cada mesa, ,neste curso os doze grupos fazem rodízio em todas as mesas com três professores acompanhando às aulas.” Carlos Eduardo Seyfert - Professor de Anatomia Humana

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“Na disciplina de Anatomia e Escultura Dental, cada aluno deve trazer doações de dentes humanos. Para conseguir isso, levamos um termo de doação para que os dentistas nos cedam esses dentes. No laboratório dessa disciplina, existe um acervo de dentes secos - e são muitos, muitos mesmo -. A gente utiliza para estudar a anatomia, para aprender a identificar qual dente é, e também servem de amostra para pesquisas.” Bernardo Munareto  - Estudante de Odontologia

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“Durante as aulas, eu peço aos alunos que prendam os cabelos, que usem sapato fechado e luvas; o uso da pinça é facultativo; e ressaltamos sempre o respeito ao cadáver. Não permitimos fotografia nem filmagem dentro da sala de aula. Eu, no início do semestre, converso com os alunos sobre a importância, a nobreza deste estudo e a dificuldade que é para conseguir o material. Os problemas são raros... mas acontece, às vezes, de um aluno desmaiar, não conseguir comer no Restaurante Universitário depois da aula, de dificuldades com perda recente de familiares... O fato de olhar o rosto, às vezes, causa um certo desconforto. Com corpos recém doados, normalmente, se tapa o rosto. Alguns alunos não querem ter aula em cadáver inteiro, preferem com as estruturas isoladas; mas vai muito de cada turma.” Dorival Terra Martini - Professor de Anatomia Humana

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“Lembro que uma vez teve uma menina que, durante a aula, percebemos que estava passando mal. Olhamos pra ela e ela estava muito branca, mais branca que um papel, mas tinha saído de casa sem tomar café da manhã, eu acho. Depois tomou água, comeu alguma coisa e ficou bem, mas eram as primeiras práticas. [...] Durante as aulas, sempre recebemos orientações por parte dos professores para não fazer comentário de mau gosto e cuidar das peças para não deteriorar.” Jainara Medina Teixeira - Estudante de Fonoaudiologia

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“O sistema nervoso é extremamente frágil e, por isso, utilizamos peças sintéticas. Para os demais estudos, temos corpo humano. O material sintético vai ser normalmente um igual ao outro, podendo apresentar pequenas diferenças; já um estudo com cadáveres proporciona maior variedade no aprendizado, porque cada corpo possui suas particularidades, em relação à localização e trajeto de nervos, veias e músculos, por exemplo.” Jainara Medina Teixeira - Estudante de Fonoaudiologia

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“Corpos inteiros estão guardados em lugar de corpos inteiros, membro inferior em outro, coração por serem menores em caixas plásticas. Mesmo que os corpos venham inteiros, ao longo do tempo, é preciso separar em partes para vermos como são por dentro.” Carlos Eduardo Seyfert - Professor de Anatomia Humana

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“Aqui no Departamento, há um cavalo e uma vaca que vieram da Alemanha há cerca de quarenta anos. [...] As estruturas anatômicas humanas e animais são muito parecidas; há algumas especificidades em relação ao tamanho e à posição de estruturas.” Gian Marcon - Técnico em Anatomia e Necrópsia

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“Há corpos que já estão na UFSM há cerca de trinta anos. Antigamente, existia um maior número, mas hoje é mais difícil de conseguir, tanto pela legislação quanto pelo aumento no número de escolas de saúde. [...] Atualmente, não há uma falta, mas é um material escasso e se não renovarmos, um dia vão acabar.” Carlos Eduardo Seyfert - Professor de Anatomia Humana

 

As fotografias utilizadas nesta reportagem foram autorizadas pelo Departamento de Morfologia da UFSM.

 

Reportagem: Claudine Freiberger Friedrich

Fotografia: Rafael Happke

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/doacao-pela-ciencia Mon, 30 Oct 2017 20:45:51 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2560 O Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), desde 2016, instituiu o Programa de Doação Voluntária de Corpos, que busca garantir a continuidade dos estudos científicos com corpos humanos através da conscientização do sentido altruístico da doação. O Programa é coordenado pelo professor de anatomia humana do Departamento, Carlos Eduardo Seyfert, e disponibiliza informações aos possíveis doadores no encaminhamento da documentação necessária para a legalização do ato.

 

Laura Betina Lopes Pinheiro, 22 anos, natural de Três Passos (RS), é estudante do quinto semestre de Odontologia da UFSM e, no início deste ano, decidiu encaminhar a documentação para se cadastrar no Programa de Doação Voluntária de Corpos da Universidade. Na entrevista abaixo, Laura conta como foi o processo que despertou nela o interesse em doar o próprio corpo para a ciência:

 

ARCO: Por que você escolheu fazer faculdade de Odontologia?

Laura Betina: Na verdade, foi um pouco por teimosia. Eu fui secretária em um consultório odontológico e o dentista sempre dizia “Eu, se fosse começar de novo, não faria Odonto”. Aí, eu fiquei com isso na cabeça. A minha sobrinha também é dentista. Então, com um pouco de influência e um pouco de teimosia, eu resolvi fazer Odonto. E agora eu gosto, gosto bastante, sempre quis e estou bem realizada, bem feliz com o que encontro aqui.

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A: O contato com o material humano influenciou na  decisão de doar o corpo?

L: Durante o ensino médio, a gente fez algumas visitas em universidades. Mas foi na PUC e na UFRGS; a minha região [Três Passos] ficava mais perto de Porto Alegre e, por isso, a gente não veio pra cá [UFSM]. Ali, eu já tive contato com os laboratórios de anatomia, mas eu sabia que a gente teria contato com as peças [corpos] no curso de Odonto. Então, na faculdade, eu tive dois semestres da disciplina básica de anatomia geral e depois a disciplina de anatomia aplicada à Odontologia [que utilizou material humano para estudo]. Mas foi bem tranquilo. E isso [a doação] foi mais pela deficiência que a gente tem. Porque as nossas peças, os nossos cadáveres são muito antigos e, com a manipulação que a gente tem (tira do tanque, põe na mesa, leva pro laboratório, os alunos mexem, manipulam) acaba estragando. Mesmo que seja utilizado com todo cuidado, acaba estragando com o tempo, porque é muito frágil. Apesar de a gente ter tecnologia para fazer bonecos de plástico, não é a mesma coisa que ‘de verdade’. Então, eu pensei ‘poxa, não é certo da minha parte vir aqui, usar e depois não retornar para ciência’. Foi uma escolha bem pela ciência. Até porque enterrar, hoje em dia, não dá; os cemitérios estão superlotados, não existe mais lugar; e cremação, vai fazer o que com aquelas cinzas?

A minha primeira escolha, na verdade, é a doação de órgãos. Se eu puder doar, eu quero doar os órgãos e depois o resto do meu corpo pode ficar pra universidade. O porém é que a gente só pode doar os órgãos se for com morte encefálica então, na maioria dos casos, não se pode doar os órgãos.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

+15 fatos sobre cadáveres que você nem fazia ideia que eram reais

 

+A rotina na segunda trajetória: cadáveres humanos e animais participam da formação de profissionais na UFSM há cerca de cinquenta anos

 

+Quando a história de vida segue ainda após a morte: doação voluntária de corpos é aposta para continuidade de estudos acadêmicos com cadáveres humanos

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A: E como foi a reação da tua família quando soube da decisão de doar o corpo?

L: A família... a mãe não gostou muito. A gente perdeu o pai cedo e a mãe ainda não superou.  É bem difícil. Mas depois de várias conversas, eu disse ‘mãe, você precisa assinar, está ciente de que se acontecer alguma coisa…’. E a gente foi conversando, e conversando, devagar... e aí ela aceitou. Tenho amigas também que pretendem fazer Medicina, estão no cursinho e que apoiam. Disseram: ‘Ah Laura, quando a gente entrar também vai fazer [o cadastro para doação]’.

 

A: Você pretende doar para a UFSM?

L: Sim, pra UFSM. O termo de doação já está assinado, só que está na minha cidade, eu ainda não trouxe pra Universidade. Porque são três vias, uma para mim, uma pra família e outra pra Universidade. Inclusive eu conversei com o professor que era da disciplina, o professor Dorival; a gente conversou bastante antes, teve uma conversa bem séria. Ele me agradeceu.



Entrevista: Maria Helena da Silva

Texto: Claudine Freiberger Friedrich

Fotografia: Rafael Happke 

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