UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 22 Apr 2026 11:40:44 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/2025/12/23/caminhada-internacional-na-natureza-consolida-expansao-historica-em-2025-e-se-destaca-como-referencia-na-regiao-central-do-rs-em-turismo-rural-sustentavel Tue, 23 Dec 2025 14:30:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/pre/?p=14638 Crescimento consistente coloca a Região Central do RS entre as principais referências em turismo rural comunitário

A Região Central do Rio Grande do Sul registrou, entre 2023 e 2025, um crescimento contínuo e expressivo na Caminhada Internacional na Natureza, iniciativa que integra Extensão Rural, turismo sustentável e desenvolvimento comunitário. O ano de 2025 marcou o maior salto da série histórica, com recordes de participação, envolvimento comunitário e movimentação econômica, alavancando o protagonismo do território no cenário brasileiro de ações integradas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

De 2023 a 2025, o projeto acumulou 3.428 pré-inscritos, 2.694 participantes efetivos, 1.195 cafés, 2.310 almoços, 376 pessoas na organização, 541 integrantes das comunidades e 155 expositores locais, consolidando-se como uma das iniciativas mais robustas de integração entre agricultura familiar, turismo, educação e desenvolvimento territorial no estado. Esses números refletem a capacidade de mobilização e o fortalecimento das redes de cooperação entre municípios, agricultores familiares, empreendimentos locais e instituições públicas.

2025: o grande salto da consolidação regional

O ano de 2025 apresentou o avanço mais expressivo desde o início da série, tornando-se um marco para o fortalecimento do turismo rural na região. Com 1.819 pré-inscritos e 1.470 participantes, distribuídos em nove municípios, o projeto atingiu níveis inéditos de engajamento comunitário e visibilidade institucional.

As caminhadas mobilizaram 201 organizadores, 352 membros das comunidades e 42 expositores, movimentando mais de R$ 69 mil em vendas de produtos locais — como agroindústrias familiares, artesanatos, hortaliças, panificados e itens típicos da cultura regional. Além disso, foram servidos 623 cafés e 1.054 almoços, reforçando o papel das comunidades na oferta gastronômica e na geração de renda.

O aumento expressivo desses indicadores demonstra não apenas a ampliação das atividades, mas o fortalecimento de processos formativos, culturais, econômicos e sociais que envolvem agricultores, estudantes, técnicos, gestores e famílias rurais.

 

Extensão Rural, ODS e universidade: um tripé de transformação territorial

A iniciativa do Programa do Geoparque de Assistência Técnica e Extensão Rural (PROGEATER) —- ação Caminhada Internacional na Natureza — se alinha de forma direta a diversos ODS, como o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ODS 4 (Educação de Qualidade), ODS 5 (Igualdade de Gênero), ODS 8 (Trabalho Decente), ODS 10 (Redução das Desigualdades), ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), ODS 12 (Consumo Responsável), ODS 13 (Ação Climática) e ODS 15 (Vida Terrestre).

Cada caminhada é um espaço de educação ambiental e patrimonial, de fortalecimento de redes sociais locais, estímulo econômico e valorização de práticas sustentáveis no meio rural. Tais aspectos são centrais nos princípios de Extensão Universitária definidos pelo Fórum de Pró-Reitores de Extensão.

A UFSM, por meio do Programa de Extensão Rural PROGEATER, desempenha papel estruturante no planejamento, execução e avaliação das ações, unindo ensino, pesquisa e extensão para promover o desenvolvimento territorial sustentável. Além de fomentar metodologias participativas com agricultores e comunidades, a universidade fortalece a formação de estudantes e professores, integra saberes tradicionais e científicos e amplia a visibilidade do turismo rural no estado.

Ao mesmo tempo, a ação reforça o papel da Extensão Rural pública, conduzida pela Emater/RS-Ascar, que atua na mobilização das comunidades, na valorização dos saberes locais, no apoio à produção agroindustrial e na organização dos roteiros.

Colaboração institucional que se torna referência nacional

O sucesso crescente da Caminhada Internacional na Natureza resulta da articulação entre prefeituras municipais, Emater/RS-Ascar e UFSM, constituindo um modelo de governança colaborativa raro no Brasil.

Nos territórios do Geoparque Quarta Colônia, do Projeto Geoparque Raízes de Pedra e em regiões vizinhas, essa cooperação cria uma rota estruturada de turismo de base comunitária, envolvendo escolas, empreendedores, comunidades e setores públicos em um processo que coloca o desenvolvimento local no centro da agenda.

O conjunto das ações faz do projeto um caso exemplar de como a Extensão Rural, quando articulada à Extensão Universitária e aos ODS, pode gerar impactos concretos, mensuráveis e sustentáveis. Com o avanço significativo de 2025, a Região Central do Rio Grande do Sul consolida-se como referência nacional na integração entre turismo rural, políticas públicas e desenvolvimento comunitário.

Um projeto que transforma e projeta o futuro dos territórios

Com o expressivo avanço de 2025 e os resultados acumulados entre 2023 e 2025, a Caminhada Internacional na Natureza reafirma seu papel como uma das iniciativas mais relevantes em Extensão Rural e turismo sustentável no Brasil. Além de integrar comunidades, qualificar territórios e gerar oportunidades, o projeto demonstra que políticas públicas articuladas com universidades e serviços de extensão podem produzir impactos reais e duradouros.

A expansão consolidada na Região Central do RS aponta para a continuidade do trabalho e para novas possibilidades de inovação, pesquisa e articulação regional, fortalecendo ainda mais a presença da UFSM, da Emater/RS-Ascar e das prefeituras na construção de territórios mais sustentáveis, educadores e resilientes.

A UFSM, por meio da Pró-Reitoria de Extensão (PRE) e do Programa do Geoparque de Assistência Técnica e Extensão Rural (PROGEATER), registrado no Colégio Politécnico e na Pró-Reitoria de Extensão da UFSM, apoia e participa desta iniciativa, em conjunto com a Emater-RS/Ascar, a gestão pública municipal, agricultores e demais representantes das comunidades rurais.

Para mais informações, os interessados podem acessar as redes sociais do projeto (@caminhadasufsm) ou a comunidade de avisos no WhatsApp

Texto: Programa do Geoparque de Assistência Técnica e Extensão Rural (PROGEATER) e Gabriele Mendes, bolsista de Jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Valéria Luzardo, bolsista de Revisão Textual da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/11/24/projeto-sentinela Mon, 24 Nov 2025 11:57:37 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71447 [caption id="attachment_71448" align="alignright" width="600"]A fotografia é horizontal, em close up e colorida. Um bugio- ruivo se segura em um galho no topo de uma árvore com folhas verdes. O bugio olha para o lado esquerdo da imagem e tem a boca aberta, em formato de O, como se estivesse vocalizando ou gritando. O fundo é composto por folhas desfocadas. Urro dos bugios pode ser escutado a quilometros de distância[/caption]

Os urros dos bugios não passam despercebidos. São sons graves e potentes que preenchem o ambiente e podem ser ouvidos a quilômetros de distância. Esse ronco marcante revela a presença dos primatas em diferentes locais, até em perímetros urbanos.

Os bugios são macacos do gênero Alouatta, encontrados em diversas regiões do Brasil. Eles variam de tamanho médio a grande, com pelagens ruivas ou pretas, dependendo da espécie. Sua alimentação é composta principalmente por flores, frutos e folhas.

Na sexta-feira (14), um bugio da espécie Alouatta guariba caiu na rede elétrica da Subestação Santa Maria 3, no Distrito Industrial. O acidente exigiu o desligamento temporário da energia na cidade. Após o resgate, o Zoológico São Braz prestou cuidados ao animal, que estava em coma e com graves queimaduras. O bugio não resistiu aos ferimentos e faleceu quatro dias após o incidente.

Os sentinelas

O Ministério da Saúde considera os bugios como “sentinelas” da presença do vírus amarílico. Quando esses primatas contraem o vírus da febre amarela, a maioria não sobrevive, funcionando como indicadores ambientais da circulação viral.

Um projeto de extensão do curso de Ciências Biológicas da UFSM Palmeira das Missões carrega o mesmo nome. O “Projeto Sentinela: etnobiologia e educação ambiental para a conservação dos bugios e de seu habitat” tem como principal objetivo contribuir para a conservação da fauna e da flora das localidades abrangidas, em especial os bugios, através da disseminação de conhecimento científico e da conscientização da população.

Em 2008 e 2009, o Rio Grande do Sul registrou um surto de febre amarela que afetou fortemente a população de bugios. Além das mortes causadas pelo vírus, muitos animais foram vítimas de violência motivada pela crença equivocada de que transmitiam a doença aos humanos. Diante desse cenário, o Projeto Sentinela foi criado em 2012. "Em Santa Maria, onde já tínhamos estudos de ecologia e comportamento dos bugios, percebemos uma grande diminuição da população. Em função disso, começamos a organizar o Projeto Sentinela”, relembra a coordenadora do projeto, Vanessa Barbisan Fortes, do departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas da UFSM.

O grupo recebeu capacitação do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) e passou a realizar capturas monitoradas de bugios para coleta de sangue e busca de anticorpos contra a febre amarela. Com o tempo, o projeto ampliou suas ações, atendendo a outras demandas relacionadas aos bugios.

Os bugios na cidade

[caption id="attachment_71449" align="alignright" width="600"]A fotografia é horizontal e colorida. A figura central é um bugio- ruivo, que está no galho de uma árvore. O animal, de pelagem marrom-avermelhada densa, olha fixamente para a frente, com expressão séria. O fundo da imagem é constituído por um tronco, à direita, e folhas verdes desfocadas. Tem se tornado mais recorrente ver bugios em áreas urbanas[/caption]

Atualmente, os registros de bugios em perímetros urbanos de Santa Maria têm aumentado. Nos últimos anos, dois casos de eletrocussão foram oficialmente identificados, mas conflitos com a população são recorrentes. “Uma das questões que têm se tornado mais relevante ultimamente é o monitoramento do aparecimento de bugios em regiões periféricas da cidade. Isso acontece porque estamos tendo uma urbanização acelerada, bastante intensa e que, às vezes, transforma o habitat dos animais. Temos bugios em praticamente todo o entorno de Santa Maria”, explica Vanessa. 

O projeto também recebe solicitações de resgate e translocação de animais.
“Às vezes existe algum conflito ou motivo para que o animal não permaneça em determinada área. Avaliamos a situação e, se for o melhor para o animal, colaboramos com os órgãos ambientais para realizar a translocação”, complementa a coordenadora.

Além disso, o Sentinela realiza o monitoramento ativo da saúde dos primatas, verificando se apresentam doenças ou outras ameaças.

Ameaças aos bugios

Segundo Vanessa, as fortes chuvas de maio de 2024 também afetaram a população de bugios. Em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Centro de Primatas Brasileiros, o projeto avalia especialmente a situação dos animais na região da Quarta Colônia. "Em um primeiro momento, os resultados parciais mostram que os bandos de bugios estão menores, com menos indivíduos do que antes das inundações, talvez porque tenham sobrado menos recursos para eles nas florestas. Muitas florestas foram bastante impactadas, teve muita queda de árvores", aponta a coordenadora.

A principal ameaça, atualmente, ao bem estar dos bugios é a urbanização desenfreada. Segundo Vanessa, a urbanização destrói o habitat e desmata áreas de convivência desses animais. Por isso, cada vez mais bugios podem ser vistos em áreas periféricas.

O projeto trabalha para mapear os animais que são vistos em áreas urbanas. “O que mais tem nos ocupado é o monitoramento do impacto das inundações sobre os bugios, o mapeamento dos bugios na zona urbana e as intercorrências que tem acontecido com os bugios. Registramos esses incidentes para tentar fazer um diagnóstico de como melhorar o ambiente urbano para que se torne mais amigável para esses animais que têm aparecido mais pela cidade”, conta Vanessa. 

O que devo fazer se encontrar um bugio perto da minha casa?

[caption id="attachment_71450" align="alignleft" width="599"]A fotografia é horizontal, em close up e colorida. Um bugio- ruivo se segura no galho de uma árvore e olha diretamente para a câmera com olhos atentos e redondos. A luz ilumina parte de seu corpo. O fundo é composto por folhas verdes desfocadas. Os bugios não são transmissores da febre amarela[/caption]

A presença dos animais na região urbana exige a conscientização da população. Caso um bugio seja encontrado na cidade, o primeiro passo é não estressá-lo: evitar chegar perto ou passar a mão. Se o animal estiver machucado, não é indicado que cidadãos sem experiência tentem cuidar deles. 

Os bugios não transmitem febre amarela e, em seu habitat natural, não costumam representar ameaça aos humanos. Porém, quando se sentem ameaçados, podem morder. Por isso, é essencial manter distância e acionar os órgãos responsáveis. “Se ele está em perigo mais iminente, em que seja preciso fazer um resgate, o ideal é que o animal, para ser capturado, seja sedado  por um órgão responsável para evitar um estresse desnecessário para o bicho”, explica Vanessa. 

Assim, se um bugio for visto no perímetro urbano, identifique se ele está correndo risco. Olhe ao redor e veja se há fiações que podem dar choque, se eles podem sofrer atropelamento ou se há cachorros que podem atacar. Se essas possibilidades são reais, entre em contato com a Polícia Militar ou com os Bombeiros. Se não houver risco iminente, mantenha distância e deixe que o bugio encontre seu caminho naturalmente, sem que haja estresses.

Se encontrar um bugio machucado, o primeiro passo é entrar em contato com o órgão que pode realizar o resgate. Mantenha o local que o bugio está seguro, mas não se aproxime e aguarde as pessoas responsáveis chegarem. 

A partir de dezembro de 2025, a UFSM poderá receber casos emergenciais de animais feridos no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), em parceria com o Ibama. O Hospital Veterinária da UFSM também recebe animais silvestres feridos. 

Contatos: 

  • Projeto Sentinela: ProjetoSentinelaUFSM no Facebook ou @projeto.sentinela_ufsm no Instagram;
  • Comando Regional de Polícia Ostensiva Central: 55 3226- 8895
  • Guarda Civil: (55) 3174-1552 ou 153
  • Patrulha Ambiental: (55) 98442 2872 
  • Secretaria de Município de Meio Ambiente: (55) 3174-1543

As denúncias podem ser feitas pelo site da Prefeitura de Santa Maria. Para isso: 

  1. Entre no link: http://www.santamaria.rs.gov.br/ ;
  2. Olhe na parte superior esquerda e clique em “Secretarias”;
  3. Clique na “Secretaria de Município de Meio Ambiente”;
  4. Então, olhe nos espaços abaixo do nome da secretaria e clique em “Controle e Bem- Estar Animal”; 
  5. Você terá o acesso á meios de contato: email e telefone  
  6. Ou você pode clicar no link do formulário para denúncia e adicionar as informações necessárias;

Texto: Jessica Mocellin, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotografias: Arquivo do Projeto Sentinela
Edição: Mariana Henriques

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O Jardim Botânico da UFSM abriu nesta semana as inscrições para o Concurso de Fotografia em celebração ao aniversário do espaço. A iniciativa convida a comunidade acadêmica e externa a registrar a beleza, a vida e as histórias presentes no Jardim.

O concurso busca valorizar o olhar dos visitantes e destacar diferentes dimensões da área verde por meio de cinco categorias: Paisagem, Flora e Fungos, Fauna, Pessoas e Natureza.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até a 05 de dezembro. O regulamento e as inscrições estão disponíveis no formulário online. 

Cada participante pode enviar até duas fotografias, sendo uma por categoria, seguindo os critérios técnicos, a declaração de autoria e cessão de uso previstos no regulamento. As imagens selecionadas serão divulgadas nos canais oficiais do Jardim Botânico e farão parte de uma exposição comemorativa.

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No último sábado (09), Restinga Sêca foi palco de um encontro que uniu turismo, cultura e preservação ambiental: a Caminhada Internacional na Natureza – “Caminhando com os Quilombolas: história e ancestralidade”. A atividade, parte do circuito mundial de caminhadas rurais, atraiu centenas de participantes de diferentes municípios e estados, superando as expectativas dos organizadores e movimentando o turismo local.

O evento foi realizado em parceria com a Prefeitura Municipal de Restinga Sêca, a Emater/RS-Ascar, o Programa do Geoparque de Assistência Técnica e Extensão Rural (PROGEATER) e Observatório de Direitos Humanos da Pró-Reitoria de Extensão da UFSM, e principalmente com o protagonismo das Comunidades Quilombolas. A caminhada percorreu aproximadamente 7 quilômetros pelo território da Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO.

O Observatório de Direitos Humanos da UFSM teve papel fundamental na participação de novos públicos ao disponibilizar um ônibus pelo projeto de Afroturismo na Região Central do RS, fomentado pela Fundação Cultural Palmares. A iniciativa busca valorizar e dar mais visibilidade às comunidades quilombolas, destacando sua força, resistência e potência cultural.

As comunidades e sua história
O trajeto passou por duas importantes comunidades quilombolas: São Miguel dos Carvalhos e Rincão dos Martimianos. Ao longo do percurso, moradores abriram suas casas e compartilharam histórias, saberes e tradições preservadas há gerações.

  • São Miguel dos Carvalhos é reconhecida por sua forte organização comunitária e por preservar práticas culturais e religiosas afro-brasileiras, além de desenvolver projetos ligados ao uso sustentável das frutas nativas.
  • Rincão dos Martimianos mantém viva a memória de seus antepassados por meio de festas, rituais e da gastronomia típica, sendo referência regional na produção de alimentos caseiros.

Durante a caminhada, a Comunidade Quilombola São Miguel dos Carvalhos e a Comunidade Quilombola Vovó Isabel, de Nova Palma, ofereceram um café da manhã típico. Já o Rincão dos Martimianos sediou o encerramento com uma feijoada preparada pelas famílias locais. No ponto final, ambas as comunidades em conjunto com a Comunidade Quilombola Vó Firmina e Vó Maria Eulina, do distrito barro Vermelho de Restinga Sêca, comercializaram peças de artesanato e de suas agroindústrias, fortalecendo a economia solidária. Ao total, foram movimentados mais de 5 mil reais na comercialização das gastronomias e produtos quilombolas durante o evento.

Outro destaque foi a banca “Sabores de São Miguel”, projeto do Núcleo de Estudos em Áreas Protegidas (NEAP/UFSM), que apresentou aos visitantes as propriedades medicinais e gastronômicas das frutas nativas da Mata Atlântica, conectando ciência e saberes tradicionais.

Mais que esporte, um ato de resistência e preservação

A Caminhada Internacional na Natureza realizada em Restinga Sêca foi muito mais do que um evento de esportes populares: foi um ato de resistência, valorização cultural e preservação ambiental. Além de promover o turismo rural sustentável e a conservação ambiental (ODS 15 – Vida Terrestre), a iniciativa reforçou o papel das comunidades quilombolas na redução das desigualdades (ODS 10) e na valorização da diversidade cultural (ODS 16). O protagonismo feminino também se destacou, evidenciando a contribuição para a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas (ODS 5).

Para Roberto Potácio da Rosa, liderança da comunidade São Miguel dos Carvalhos, a caminhada “superou as expectativas”. A professora Fabiana Rosa destacou que o evento “serviu para o fortalecimento das comunidades e para que as pessoas possam conhecer como é a vida e a história dos quilombolas”.

A presidenta da Associação do Quilombo Rincão dos Martimianos, Clédis Resende de Souza, afirmou: “Pela primeira vez estamos organizando esse evento na comunidade e a experiência foi muito boa, pois queremos investir no ramo de afroturismo”.

A caminhada também teve caráter internacional, com participantes de outros países. O nigeriano Oluwatimilehin Emmanuel Fabeku, 40 anos, doutorando em Educação na UFSM, ressaltou: “Essa caminhada, em especial, é muito importante, pois em Restinga Sêca encontrei pessoas negras. Essa é a minha identidade, quero me identificar com pessoas assim e conhecer a sua história”.

Já o angolano Bruno Madureira Sucumula, mestrando em Direito na UFSM, descreveu: “Essa caminhada foi um momento extraordinário, pois tive a oportunidade de conversar com as pessoas das comunidades quilombolas. Mais do que sete quilômetros de caminhada, foram mais de 300 anos de partilha, de conhecimento e de história. Descobri que, fora da África, existe um país muito plural e que respeita a diversidade cultural”.

O sucesso da caminhada reforça a vocação do Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO como destino turístico-cultural e mostra que, quando tradição, natureza e participação comunitária caminham juntas, o impacto positivo se espalha por toda a região.

Fortalecendo o Afroturismo na região

A UFSM tem colaborado em uma série de iniciativas que visam apoiar as ações das comunidades quilombolas da região central do estado. Iniciado em 2025, o projeto “Afroturismo no centro do Rio Grande do Sul: Identidade e Tradição” recebe fomento da Fundação Cultural Palmares para fortalecer a visibilidade e autonomia das comunidades quilombolas, promovendo a geração de renda, criação de conteúdos, materiais paradidáticos e outras ferramentas que fortaleçam a preservação da cultura negra local.

Ao final da caminhada, os turistas puderam conhecer o mural afroreferenciado, “Raizes que Florescem”, que compõe a fachada do salão comunitário do Quilombo dos Martimianos, realizado no âmbito do projeto pelo artista visual Antonio Jose Dos Santos Filho (Braziliano),  e presenciar o desfile de moda afro realizado por mulheres da comunidade que estão se formando no curso de Designer de Moda Afro fornecido pelo projeto Tecendo Novos Saberes, realizado pela UFSM com fomento do Programa Manuel Querino do Ministério do Trabalho.

“É necessário criar cada vez mais espaços para que as pessoas conheçam as comunidades quilombolas que também compõem a identidade de nossa região. Precisamos lembrar e reafirmar que a Quarta Colônia também é negra!” declara Victor De Carli Lopes, coordenador do Projeto de Afroturismo e coordenador de Cidadania da UFSM.


Para mais informações, os interessados podem acessar as redes sociais do projeto @caminhadasufsm ou na comunidade de avisos do WhatsApp. Para saber mais sobre ações de afroturismo, sigam as redes do Observatório de Direitos Humanos.

 

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O começo de tudo

[caption id="attachment_10686" align="alignright" width="300"] Desde seu início, o ”Flores para Todos” já atendeu 71 escolas do campo e beneficiou mais de 400 famílias que trabalham com a agricultura.[/caption]

A iniciativa “Flores para Todos na região da depressão central do Rio Grande do Sul” tem como objetivos principais agregar   renda aos agricultores familiares, diversificar a produção de flores e levar a jardinagem para o ambiente escolar. A   coordenadora do projeto,  professora Lilian Osmari Uhlmann, conta que a ideia surgiu em 2018, em uma reunião entre a Equipe Phenoglad da UFSM e a  Emater/RS, quando foi sugerida a possibilidade de levar até os produtores de flores o bulbo de gladíolo, para ensiná-los as práticas de  manejo. Assim, a ação teve início em cinco municípios da região de Santa Maria e passou a atuar também em escolas rurais, ensinando  alunos a cultivar flores como uma alternativa pedagógica para diversas   disciplinas.

“Nós vamos até as escolas, apresentamos o projeto e então fazemos a parte prática, de ensinar os alunos sobre o plantio de flores. Como esse trabalho é feito exclusivamente em escolas rurais, resgatamos esta memória de identidade rural que às vezes acaba sendo perdida”, explica a professora.

Espécies cultivadas

Após algum tempo auxiliando agricultores do Rio Grande do Sul, o projeto se expandiu para outros estados, despertando o interesse dos produtores em diversificar a produção. Assim, Lilian explica que, primeiramente, são realizadas pesquisas na universidade para verificar se determinada espécie de flor atende aos critérios necessários para integrar a pesquisa, como:

  • Cultivo a céu aberto;
  • Fácil manejo;
  • Baixo custo de produção;
  • Aceitação pelos consumidores;
  • Boa durabilidade.

De acordo com Lilian, existem “níveis” de produção, iniciando com o cultivo do gladíolo. Quando essa espécie já está bem aceita pelos agricultores,  eles podem escolher outros tipos de flores para cultivar, como  statice, girassol, dália e ornithogalum.

“Primeiramente, fazemos todo um trabalho de pesquisa, cultivando as flores em diferentes épocas para ver a adaptação; depois, levamos para os produtores e também para as escolas onde atuamos,” comenta Lilian.

Confira imagens de algumas espécies de flores que são cultivadas:

[caption id="attachment_10689" align="alignnone" width="240"] Statices colhidas em Vacaria-RS[/caption] [caption id="attachment_10690" align="alignnone" width="300"] Girassóis[/caption] [caption id="attachment_10688" align="alignnone" width="300"] Bulbos de ornithogalum[/caption]

Mesmo com empecilhos, a iniciativa continua

Durante a pandemia da Covid-19, a ação adaptou-se ao ambiente virtual, com vídeos para continuar oferecendo suporte aos participantes. Foram realizados dias de campo de forma online, uma vez que havia restrições para visitas presenciais.

Recentemente, o Rio Grande do Sul sofreu com enchentes em praticamente todo o estado, e, mais uma vez, o projeto se manteve ativo.

Os alagamentos ocorreram justamente na época de produção para o Dia das Mães, uma data na qual as vendas de flores são intensificadas.

Grande parte das flores que abasteceram o mercado nesse Dia das Mães veio do projeto, já que as fortes chuvas impediram a chegada da remessa tradicional de flores vindas de São Paulo.

Phenoglad Mobile

Através do aplicativo “Phenoglad Mobile”, os produtores rurais recebem auxílio para planejar a data de plantio e colheita do gladíolo. O app foi desenvolvido com base na pesquisa de mestrado de Lilian, já que uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos agricultores é ajustar a data  de plantio para que as flores estejam prontas nos períodos de maior demanda (festas de final de ano, Dia dos Namorados, formaturas, etc.).

O aplicativo está disponível para todos os municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e possibilita que o cultivador selecione se deseja saber qual a melhor época para plantio, ou se quer produzir visando a colheita em períodos específicos.

[caption id="attachment_10695" align="alignnone" width="428"] O público-alvo do projeto inclui principalmente mulheres que desejam obter independência financeira por meio da venda de flores.[/caption]

Presença em eventos

O projeto participa de diversos eventos, inclusive da Expointer, uma das maiores feiras agropecuárias da América Latina. Além disso, realiza dias de campo nas cidades onde está presente, com o objetivo de divulgar as produções e oferecer oficinas profissionalizantes. Confiras as datas dos próximos encontros:

[caption id="attachment_10692" align="alignnone" width="917"] 06/11- Dia de campo em Vacaria[/caption] [caption id="attachment_10694" align="alignnone" width="918"] 13//11- Dia de campo em Novo Cabrais[/caption]

Acompanhe o trabalho realizado pelo projeto nas redes sociais: 

Instagram: @phenoglad

Facebook: Equipe PhenoGlad

Email: phenoglad@gmail.com

Youtube: PhenoGlad


Texto: Myreya Antunes, da Subdivisão de Divulgação e Eventos da PRE.

Revisão: Valéria Luzardo, da Subdivisão de Divulgação e Eventos da PRE.

Imagens: Acervo do projeto Flores para Todos

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No domingo, 20 de outubro, Itaara promoveu um evento único com a emocionante Caminhada Internacional na Natureza. O encontro, iniciado na Capela São Geraldo, localizada no km 23, começou às 8h com uma apresentação da comunidade sobre São Geraldo, pároco da comunidade, marcando a importância da fé e da religiosidade no rural Itaarense. 

Após, os trabalhos de orientação foram conduzidos pelo extensionista rural Aliel Corrêa, do escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Itaara, dando as boas-vindas aos participantes e informando-os sobre as orientações da caminhada. Monique Chaves, supervisora do escritório regional da Emater/RS-Ascar Santa Maria, apresentou a proposta e também explicou o funcionamento da organização local através dos carimbos e do passaporte ao final da caminhada. 

O evento rural reuniu 161 entusiastas da natureza e de caminhadas que percorreram cerca de 12Km de nível moderado, sem muitos obstáculos. Eliane Amoretti, moradora de Itaara, que realizou o trajeto acompanhada de sua filha, destacou que foi uma experiência tranquila e enriquecedora, porque, além das belas paisagens, a caminhada também proporcionou que ambas conhecessem um pouco mais sobre a história do município.  

[caption id="attachment_10677" align="alignright" width="300"] Primeiro cemitério de Judeus Israelitas do Brasil em Itaara, RS.[/caption]

Participaram da organização da caminhada 16 pessoas, envolvendo a colaboração de instituições (ODS 16), servidores públicos, famílias rurais, a Emater/RS e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Teve o apoio do Grupo Escoteiros Boca do Monte, do Grupo Andantes, da Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Santa Maria, do Grupo Bandeirantes da Serra, do Caminho do Corredor Ecológico da Quarta Colônia e da Rede Brasileira de Trilhas. Alunos e servidores da UFSM lotaram um ônibus saindo do planetário da universidade para participar da caminhada. 

Para Kleber Ferretti, natural de Rio Verde – GO, e doutorando da UFSM, o ponto alto foi conhecer o cemitério dos primeiros imigrantes de judeus israelitas no Brasil, que fica localizado no trajeto pelo qual passa a caminhada. Outro ponto de destaque foi o almoço oferecido pela comunidade aos caminhantes e, também, a atenção das pessoas responsáveis pela recepção. 

Ao final da caminhada, foram servidos 180 almoços, com um cardápio que incluía risoto, churrasco, galeto, maionese, pão e saladas diversas. À tarde, foi realizada na comunidade a festa de São Geraldo, com uma apresentação da invernada artística do CTG Querência do Pinhal, um torneio de pênaltis e uma domingueira que ficou a cargo da banda CIA do Bailão. Além disso, o evento contou com feira de artesanatos e agroindústrias. 

A Caminhada na Natureza em Itaara reforçou o compromisso com a sustentabilidade, o fortalecimento da agricultura familiar e o turismo rural, mostrando que é possível aliar desenvolvimento econômico (ODS 8), preservação ambiental (ODS 11) e bem-estar social (ODS 3), em uma só caminhada. Na UFSM, a ação integra o Programa do Geoparque de Assistência Técnica e Extensão Rural (PROGEATER), que objetiva investir esforços em prol do desenvolvimento com foco no turismo rural e sustentável da Região Central do Estado do Rio Grande do Sul. 

 

Confira algumas fotos da caminhada: 


Texto: Ezequiel Redin, Maria Francisca de Mello e Michele Hennig Vestena. 

Fotos: Ezequiel Redin; Michele Vestena. 

Revisão: Catharina Viegas de Carvalho, da Subdivisão de Divulgação e Editoração da PRE.

Projeto UFSM: Programa do Geoparque de Assistência Técnica e Extensão Rural (PROGEATER) – Eixo: Fomento ao turismo rural – Caminhada Internacional na Natureza.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/01/24/jardim-botanico-promove-passeio-de-ferias-para-criancas Wed, 24 Jan 2024 11:47:09 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65057

O Jardim Botânico, em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão, o Centro de Ciências Naturais e Exatas e a Academia Internacional de Ecoesporte, promove o Passeio de Férias. As atividades são gratuitas e incluem trilha, Ecosporte, visita ao Jardim Sensorial, ao telhado verde, exposição, oficinas e recreação.  

A atividade é dividida em diferentes categorias, para crianças de 6 a 12 anos. Serão ofertadas 35 vagas por  passeio, conforme as datas disponibilizadas. A seleção será por ordem de inscrição que deve ser feita através do formulário até o dia 26 de janeiro, ao meio dia. 

O Passeio acontece sempre das 8h30min até às 11h45min. Para participar é importante o uso de roupa adequada, calçado fechado, protetor solar e repelente de insetos. Será feito, também, um lanche coletivo e cada um deve levar o seu alimento e garrafa de água.

Turmas disponíveis: 

30/01 e 06/02 - 6 a 7 anos (Kids A)
31/01 e 07/02 - 8 a 10 anos (Kids B)
02/02 e 08/02 - 11 a 12 anos (Teens)
01/02 e 09/02 - 8-12 anos (Adventure)

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/descoberta-besouro-murari Wed, 01 Sep 2021 13:54:17 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8645 Os cientistas Ivan Sazima, Geovane Siqueira e Aiah Lebbie têm algo em comum com Augusto Murari: eles emprestam seus nomes a plantas e animais. Ivan Sazima foi o responsável por identificar indivíduos da Pterinopelma sazimai (uma espécie de aranha azul). Geovane Siqueira descreveu um tipo de castanha chamada Alatococcus siqueirae. Aiah Lebbie descobriu a Lebbiea Grandiflora, um tipo de planta encontrada junto a pedras e cachoeiras. Augusto Bolson Murari coletou, em 2004, um tipo de besouro na cidade de Butiá, no Rio Grande do Sul. A coleta fez parte de sua pesquisa na área de entomologia florestal. O que ele não sabia era que, 17 anos depois de montar a armadilha e encontrar o inseto em uma acácia - um tipo de árvore frondosa -, o animal seria identificado como uma nova espécie de besouro. Por esse feito, o nome de Augusto está oficialmente ligado ao seu objeto de pesquisa: os escolitídeos. O besouro que ele descobriu recebeu o nome de Hypothenemus murariae, em uma homenagem póstuma publicada em artigo no início deste ano.

Augusto Murari se formou em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Santa Maria, em 2003. A área de entomologia florestal e o estudo dos insetos era uma de suas paixões, tanto que fez seu mestrado e começou o doutorado a partir da mesma linha de pesquisa. Mas não conseguiu concluir: pouco antes de escrever a tese, Augusto faleceu em decorrência de um linfoma de Hodkin - um tipo de câncer que se desenvolve no sistema imunológico - , em 18 de junho de 2011, aos 30 anos.

A descoberta do inseto

Durante muitos anos, Augusto Murari ia até matas, bosques ou florestas para montar armadilhas e coletar insetos. Às vezes ia sozinho, outras acompanhado do pai Ileo, da amiga Camila ou do namorado Luis. Augusto coletou escolitídeos para sua dissertação de mestrado e para sua tese de doutorado. Antes da defesa do mestrado, uma das coletas foi enviada a São Paulo para ser analisada na Universidade Estadual Paulista (Unesp). No campus de Ilha Solteira, o inseto foi analisado pelo professor e entomólogo Carlos Flechtmann.

Hypothenemus murariae é um besouro da subfamília Scolytinae. De tamanho pequeno, tem 2,3 milímetros de comprimento e um milímetro de largura. A identificação dos insetos é feita a partir de agrupamentos de características dentro de cada gênero.

Hypothenemus é um gênero de insetos bioindicadores de conservação ambiental”, diz o professor Carlos. O gênero é um animal broqueador fitófago, que se alimenta, em sua maioria, de árvores e arbustos, mas também de sementes, plantas trepadeiras e até frutos. Insetos broqueadores têm brocas - na mesma ideia de brocas de furadeiras -, que são usadas para quebrar as madeiras das quais se alimentam.

O professor explica que o termo “praga” é antropomórfico, ou seja, criado por e de interesse do homem. “Na natureza, em si, não há pragas. Todos têm um papel benéfico”. Os Hypothenemus são agentes que auxiliam na ciclagem da matéria orgânica. “Quando estão começando a morrer, as árvores são mais propensas a serem atacadas por essas brocas. Elas aceleram o processo de decomposição da madeira, que é um componente muito indigesto”, explica. Carlos descreve o processo: “eles broqueiam, quebram a madeira em pedaços menores, aí vêm bactérias e fungos, quebram em pedaços menores ainda e auxiliam na ciclagem de nutrientes. Então, põem de volta na natureza o que há de nitrogênio, fósforo, potássio, etc, na árvore, enfim, os nutrientes”. 

O inseto coletado por Augusto foi uma fêmea, encontrada em um plantio de acácia na Fazenda Menezes, da Empresa Seta, que fica no município de Butiá (RS). Para a coleta, ele utilizou uma armadilha feita com uma garrafa PET, na qual fez dois recortes para abrir duas janelinhas laterais, na metade da garrafa. Para atrair os animais, usava etanol - álcool de cozinha -, como odor; o besouro entrava pela janela, batia na parede interior e caía no fundo da garrafa, em que havia uma mistura de água, detergente e um pouco de sal, a fim de conservar os insetos. A cada 15 dias, as armadilhas eram verificadas, o álcool e a mistura líquida eram trocados e os insetos coletados e levados ao laboratório para identificação. 

O Hypothenemus murariae é uma espécie nova à ciência. O seu holotype (holótipo, em português) foi o besouro coletado por Augusto, o que significa que é o primeiro exemplar existente da espécie e que é usado para sua descrição. Animais holótipos recebem uma etiqueta vermelha e se encontram em museus de entomologia espalhados pelo mundo. O besouro coletado por Augusto está no Museu de Entomologia da UNESP (MEFEIS), em Ilha Solteira, São Paulo. 

Carlos Flechtmann tem os escolitídeos como seu objeto de estudo há vários anos. O professor e entomólogo utiliza as parcerias entre diferentes universidades e pesquisadores para estabelecer um alcance maior da pesquisa. Ele reconhece o objetivo do estudo como ambicioso: determinar a biodiversidade brasileira deste grupo de insetos. Para Carlos, “a ciência é impensável sem parcerias”. Augusto Murari, também carinhosamente chamado de “Guto” pelo entomólogo, foi uma delas. O contato dele com o estudante foi através de Ervandil Costa, que é professor na UFSM há 50 anos, e que orientou Augusto no mestrado e no doutorado. Ervandil ligou para Carlos e contou que tinha um aluno com interesse no estudo de escolitídeos. A partir disso, os entomólogos - o professor da Unesp e o estudante - se comunicaram para pensar e elaborar a coleta de insetos no Rio Grande do Sul. “Ele estava dando uma significativa contribuição para o conhecimento da biodiversidade de Santa Maria, que eu não tinha”, comenta. Carlos conta que, para Augusto, não havia mau tempo e que o estudante chegou a ir a Ilha Solteira para passar uma semana acompanhando as pesquisas e os trabalhos. “Olhei o material dele, analisei tudo e aí ele fez o mestrado dele em cima disso”. O professor foi membro da banca de dissertação de Augusto e relata que foi a primeira vez que veio até Santa Maria: “Cidade linda”.

O estudo da biodiversidade dos insetos é a muito longo prazo. Primeiramente, é necessário analisar e descrevê-los. Depois, há a etapa mais comprida: visitar todas as coleções de referência de insetos holótipos do gênero que existem no mundo para determinar que aquele tipo analisado é diferente de todos descobertos até então. Essa etapa também conta com parcerias de colegas entomólogos, principalmente de outras partes do planeta. Com a confirmação de que o inseto encontrado em um talhão de acácia era mesmo de uma espécie nova, Carlos decidiu homenagear Augusto: “Graças à contribuição e ao trabalho dele, que nunca recuou diante de problemas. Quando a gente vai a campo, problema com coletas é o que mais tem, sempre tem, não existe projeto perfeito. E ele sempre resolvia as coisas. Uma pessoa dessas tem que ter créditos”.

O registro do nome de uma espécie ou gênero de animal ou de plantas é feito a partir da publicação do estudo. Geralmente, o nome carrega características do animal ou o local em que foi encontrado. Também há registros de homenagens a pessoas famosas, como Beyoncé e Barack Obama, e até de personagens de desenho infantil, como o Bob Esponja. Assim como com os famosos, os casos de cientistas homenageados são menos comuns. Augusto é um desses cientistas e está ligado formalmente ao Hypothenemus murariae. Para a irmã Micheline, a homenagem é lisonjeante: “A gente sabia que ele estava empenhado em uma coisa que era de importância pra ele e agora fica esse legado. Pode ser uma coisa tão pequenininha, mas para nós, família, é muito grande e muito bom saber que ele vai ser lembrado com tanto carinho”.

O homem que deu nome ao besouro

Augusto Bolson Murari era um homem apaixonado pela entomologia florestal e pelos escolitídeos, mas também amava música e vídeogames. O interesse por plantas e animais vem desde cedo. Quem o conheceu descreve ele como uma pessoa determinada e organizada, um homem dedicado aos estudos e muito curioso. À primeira vista, era uma pessoa fechada e introvertida, mas quem conseguia se aproximar e cruzar a barreira que ele tinha com o mundo, conta que Augusto tinha um coração gigante e “vestia a camisa” pelos amigos. Uma das características que o definiam era a persistência. A irmã, Micheline, lembra que ele "não se rendia" e que testou muitos tratamentos durante os quase dez anos em que conviveu com o câncer.

Camila Carelli Neto foi uma das melhores amigas de Augusto. Os dois se conheceram no Laboratório de Entomologia do Centro de Ciências Rurais da UFSM. Camila era aluna de iniciação científica, enquanto Augusto já estava no mestrado. A engenheira florestal conta que tinha interesse em pesquisa e começou a colaborar com ele: “Eu acho que foi mais ou menos assim que começou nossa amizade”. A parceria do laboratório resultou em  estudos e pesquisas; Camila ajudou Augusto no desenvolvimento de um caderno entomológico para a disciplina de Entomologia Florestal. “Ele esboçava [o caderno] e queria evoluir isso, daí às vezes a gente marcava de fazer um trabalho em casa. Foi assim que a gente começou a abrir um pouquinho mais o laço de amizade”. A troca acadêmica virou relação de companheirismo, tanto em apresentações de trabalho quanto em luais que a turma de Camila fazia para juntar dinheiro para a formatura: “a gente estava sempre se prestigiando”. Augusto a ajudava na faculdade com a pesquisa, mas também em aspectos tecnológicos - como baixar músicas, filmes e jogos: “Ele era o meu suporte”. 

Ela lembra que dia de coleta era dia de acordar cedo, passar no laboratório e pegar os materiais: “A gente ia caminhando, fazia todo o percurso a pé, conversando, trocando ideias, enfim, era divertido”. Nos fragmentos de vegetação, as armadilhas eram instaladas, o material era recolhido, e o líquido, substituído. “Como tinha [que ir armando] armadilha por armadilha, a gente ficava até a metade da tarde, então sempre tinha que levar lanche, sanduíche, em determinadas épocas a gente colhia amoras pra comer e assim a gente ia conversando e passava boa parte do tempo juntos”. Camila conta que faziam questão de levar lanche e montar um piquenique no meio da floresta: “nada muito elaborado, mas pra gente tirar um tempinho em contato com a natureza”. Emocionada, Camila lembra que tem fotos suas que foram tiradas por Augusto durante as coletas, dela comendo amoras. “Como ele era muito tecnológico, naquela época era um dos poucos que tinha câmera digital e aí ele tirava as fotos, né? Era a visão do Augusto sobre mim, ali, de alguma forma”, conta.

Fotografia enviada por Camila Carelli Neto

Outra grande amiga de Augusto foi Charlote Wink, engenheira florestal formada pela UFSM e atualmente professora na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus Sinop: “[Ele] era uma pessoa muito aberta pra conviver, pra trocar experiências, né? Eu tava na graduação, ele já tava na pós, no mestrado, doutorado, então aprendia muito com a experiência que ele já tinha na área de entomologia e na área florestal também”. Charlote conta que os dois têm uma publicação juntos, da identificação de uma espécie de mariposa no Rio Grande do Sul: “A gente tinha aquela ligação na pesquisa, mas eu via que ia além dos muros da universidade, a gente era realmente amigos”. Mesmo introvertido, Charlote diz que Augusto vestia a camiseta pelos amigos: “se ele soubesse que algum amigo dele tivesse passando por uma dificuldade ou por uma injustiça, ele comprava a briga”.

Ervandil Costa, que foi professor de Augusto na graduação e orientador de seus trabalhos de mestrado e doutorado, comenta que ele sempre estava disposto a ajudar os outros estudantes e cooperar. “O que mais chamou nossa atenção [é que] ele era um cara muito querido, todo mundo queria bem o Augusto, não tinha empecilho de te ajudar”. Para Ervandil, Augusto foi um aluno impecável, que discutia as pesquisas e participava em sala de aula: “Ele era mais, assim, cientista, da ciência”. O docente acha que Augusto tinha pretensão de se tornar professor, pela quantidade de pesquisas publicadas e pelo interesse nesse tipo de trabalho: “Eu acho que seria um bom professor. Eu acho que ele queria, depois se preparar, através das publicações e do contato com os alunos, de falar com as pessoas, eu acho que ele tava pensando nisso também, né?”.

Este era o Augusto pesquisador e cientista. Quem era mais próximo dele conhecia o Augusto que amava os jogos do Mario e o videogame da Nintendo. Uma dessas pessoas é Luis Barbosa Bemme, que foi seu namorado nos últimos quatro anos de vida. Luis, que é formado em Matemática pela UFSM, conta que os dois se conheceram na internet: “A nossa relação foi uma discussão que a gente começou na internet, a gente começou discutindo e eu brincava com ele que, por vezes, enquanto a gente discutia, eu cliquei pra bloquear ele, e acabava voltando pra história porque parece que ele tinha uma necessidade de discutir”. Para Luis, eles eram muito parecidos, ambos gostavam de estudar, de ler, de músicas e do mesmo tipo de filmes e, por isso, a relação era muito tranquila. 

Quando se conheceram, ele ainda morava em Porto Xavier, sua cidade natal - localizada no Noroeste do Rio Grande do Sul, na fronteira com a Argentina. O primeiro ano do relacionamento foi a distância. Em 2008, Luis se mudou para Santa Maria para fazer o vestibular na UFSM, e eles continuaram juntos. “Os dias que ele estava bem, pelo menos uma vez por dia ele tinha que parar tudo que ele tava fazendo e jogar, então de noite eu já sabia, antes de dormir eu ia ler e ele ia jogar, era o seu momento de lazer”, conta. Luis lembra que Augusto assinava duas revistas de videogames, incluindo uma da Nintendo, que falava de lançamentos. Ele nunca trabalhava sem música e até baixava trilhas sonoras dos videogames para ouvir. “A música era uma constante”, relembra. Sua música preferida era Ironic, da Alanis Morissette. Também gostava muito da cantora Björk. “Era uma cantora que eu detestava, então a gente tinha um acordo que, quando eu tava em casa, não podia ouvir Björk, porque eu não curtia”, relembra. 

Camila relata que, nos momentos de lazer, Augusto e ela iam para o shopping Monet jogar fliperama ou então videogame: “mas daí o videogame tava tomando uma proporção muito evoluída e eu não conseguia mais acompanhar o Augusto”. Camila diz que o considerava como um irmão mais velho. Ele, inclusive, foi na formatura dela: “O que me marcou é que, na semana seguinte da formatura, ele falou que tava com dor nas costas e que achava que tinha sido de ir com sapato social, só que na verdade não era, né?”. 

O linfoma de Hodkin foi descoberto em 2001, quando Augusto estava na metade da graduação. Ele passou por vários tratamentos, que incluíam quimioterapias, radioterapias e tratamentos alternativos. Fez também um autotransplante, em 2009. Por um tempo, Augusto foi tido como curado e havia retomado, gradualmente, as atividades na universidade. Na metade de 2009, juntamente com dores nas costas muito fortes, houve um novo diagnóstico: de que a doença havia voltado. Charlote morava no centro de Santa Maria na época, e seu apartamento ficava entre o hospital e o apartamento de Augusto. Ela relata que, muitas vezes, quando saía do hospital, ele parava na casa dela para sentar e pegar um ar. 

Para Luis, o período entre 2009 e 2011 foi muito difícil. Recém-universitário e, na época, estudante de Matemática, ele comenta que fez dois anos do curso praticamente dentro do hospital: “Eu ia entre o hospital e a universidade, eu estive com ele a todo momento, né? A gente nunca deixou de ser um casal, eu acho que, apesar de, às vezes, viver num hospital, a gente sempre teve uma relação muito boa”. Luis lembra que pensou em trancar o curso, mas que Augusto dizia que, para continuarem juntos, a condição era que ele não parasse de estudar. “Ele era muito esperançoso”, destaca. Na época, já em 2010, Camila morava em Porto Alegre, e era através de Luis que ela tinha notícias de Augusto. 

Para Micheline, o irmão era muito estudioso, desde sempre. “O mano nunca deixou de estudar, ele ia pro hospital, levava o notebook dele, os livros, o material dele todo e lá ele ficava trabalhando”. Era pelo MSN que os dois conversavam, já que a família era de São Pedro do Sul e não conseguia estar o tempo todo acompanhando o tratamento.

Para o professor Ervandil, Augusto era muito honesto. Ele já tinha feito todas as coletas e análise da tese de doutorado, só faltava escrever. O professor e alguns colegas propuseram a Augusto que eles começassem a escrever a tese, para que ele pudesse publicar e defender. Augusto não aceitou, queria fazer ele mesmo o próprio trabalho. Outros amigos e colegas dele destacam o profissionalismo e o amor pela entomologia. Jardel Boscardin diz que ele era um entomologista nato e um profissional organizado, determinado e generoso. Juliana Garlet destaca que o amor pelo trabalho e a disponibilidade em compartilhar conhecimentos eram inspiradores: “serviram de inspiração para quem, assim como eu, estava começando na iniciação científica”.

Augusto faleceu em 18 de junho de 2011. Na época, Luis tinha 22 anos: “Eu nunca imaginei perder o Augusto. Eu sabia que, talvez, em algum momento, eu perdesse ele, mas eu sempre achava que ia ser depois”. Para ele, a perda foi um divisor de águas. O curso de matemática, que tem duração de cinco anos, foi finalizado em quatro, porque a faculdade foi uma válvula de escape depois da perda. No ano passado, Luis finalizou seu doutorado e conta que ficou arrasado: “pra mim foi muito forte porque parecia que eu tava encerrando um ciclo tanto pra mim quanto pra ele, porque era uma coisa que ele queria muito, né?”. Para Luis, a principal palavra que define Augusto é a determinação, tanto para querer viver quanto para estudar e descobrir coisas novas, e que ele define como um dos principais ensinamentos da relação deles: “Eu não me permito não seguir sabendo que eu tinha alguém que tinha esse desejo, essa força tão grande diante da vida”. Micheline finaliza dizendo que, às vezes, ainda sonha com o irmão:  “O sonho sempre é bom, sabe? Então é sinal, pra mim, que ele tá bem e que ele não sofre mais”.

Expediente

Reportagem: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Fotografia e bordado: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Eloíze Moraes estagiária de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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