UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 22 Apr 2026 12:24:43 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/04/14/fossil-de-nova-especie-de-reptil-com-bico-de-papagaio-e-descoberta-na-quarta-colonia Tue, 14 Apr 2026 23:00:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72438 Uma mulher branca e morena veste uma camiseta preta com a inscrição “Cappa UFSM”. Ela segura fósseis paleontológicos com ambas as mãos. Ao fundo estão armários móveis, próprios para fins arquivísticos. A pesquisa sobre o fóssil da nova espécie de rincossauro foi desenvolvida como parte da dissertação de mestrado de Jeung Hee Schiefelbein (foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption] Paleontólogos da UFSM publicaram, na última terça-feira (14), um novo estudo no periódico científico Royal Society Open Science, no qual descrevem uma nova espécie com base em um crânio fóssil de aproximadamente 230 milhões de anos. O exemplar foi descoberto no município de Agudo, localizado no território do Geoparque Mundial Unesco Quarta Colônia, em um sítio fossilífero que já revelou alguns dos dinossauros mais antigos do mundo. A região central do Rio Grande do Sul tem sido palco de diversas descobertas paleontológicas, incluindo alguns dos dinossauros mais antigos do mundo, bem como uma ampla diversidade de répteis e outras criaturas pré-históricas. Entre os fósseis mais abundantes da região estão os rincossauros. Esses répteis quadrúpedes e herbívoros são caracterizados pela presença de um bico pontiagudo e por um aparato mastigatório único, composto por múltiplas fileiras de pequenos dentes utilizados para esmagar e processar vegetais. O estudo recém-publicado apresenta um novo rincossauro, denominado Isodapedon varzealis, que compartilha características com uma espécie europeia. A pesquisa foi desenvolvida como parte da dissertação de mestrado de Jeung Hee Schiefelbein, atual aluna de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob a orientação do paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller. Também participaram do estudo os alunos de doutorado do mesmo programa Maurício Silva Garcia e Mariana Doering. O achado – O crânio fóssil de Isodapedon varzealis foi escavado em um sítio fossilífero localizado no município de Agudo, em 2020. Posteriormente, o material foi cuidadosamente preparado no laboratório do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM, por meio de um processo que visa remover a rocha que envolve o fóssil. Por se tratar de um material frágil, foram utilizadas ferramentas delicadas, como bisturis e agulhas. Após a remoção do sedimento, as características anatômicas puderam ser analisadas em detalhe. [caption id="attachment_72440" align="alignleft" width="601"]A imagem mostra quatro figuras: um globo terrestre, com uma seta indicando o lugar da descoberta; uma foto dos fóssil encontrado, com setas indicando a órbita e o bico do crânio; uma ilustração do rincossauro em vida; e, ao seu lado, a silhueta de um homem, para efeito de comparação do tamanho. Com base no tamanho do crânio, estima-se que o indivíduo encontrado teria entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento (ilustração do animal em vida por Caio Fantini)[/caption] Os pesquisadores identificaram características incomuns em relação aos rincossauros conhecidos dessas camadas rochosas, indicando tratar-se de uma espécie ainda desconhecida. O material fóssil atribuído à espécie inclui um crânio parcial, no qual os maxilares e as mandíbulas se destacam pela morfologia incomum. Nos rincossauros, os dentes do maxilar estão organizados em duas ou mais “placas” divididas por uma fenda, geralmente formando partes bastante assimétricas entre si. No caso da nova espécie, as duas placas apresentam proporções mais simétricas. Dessa forma, a nova espécie foi denominada Isodapedon varzealis, em que “Isodapedon” significa “placas dentárias iguais”, em referência à simetria observada, e “varzealis” faz alusão ao local onde o fóssil foi encontrado, em Agudo, na região conhecida como “Várzea do Agudo”. Um réptil com “bico de papagaio” Com base no tamanho do crânio, estima-se que o indivíduo encontrado teria entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento. Como outros rincossauros, tratava-se de um animal quadrúpede e herbívoro. Seu crânio, amplo e de formato triangular, apresentava um bico pontiagudo, semelhante ao dos papagaios. Esse bico pode ter auxiliado tanto no corte de plantas quanto na escavação do solo em busca de raízes e tubérculos. No período em que Isodapedon varzealis viveu, há cerca de 230 milhões de anos, a espécie atuava como um consumidor primário no ecossistema. É provável que tenha sido presa de répteis maiores, incluindo formas aparentadas aos ancestrais de jacarés e crocodilos, além dos primeiros dinossauros. Como, até o momento, há registro de apenas um crânio da espécie, seu tamanho máximo ainda é incerto. No entanto, comparações com outros rincossauros sugerem que poderia atingir até cerca de 3 metros de comprimento, tornando-se uma presa consideravelmente mais difícil de capturar para a maioria dos carnívoros do sítio onde a nova espécie foi encontrada. Uma ponte entre Brasil e Europa Uma análise das relações de parentesco da nova espécie indicou que o animal possui fortes afinidades com Hyperodapedon gordoni, da Escócia. Esse parentesco, que à primeira vista pode parecer incomum, não é tão improvável. De fato, outra espécie proveniente do mesmo sítio fossilífero de Isodapedon varzealis, o precursor de jacarés e crocodilos Dynamosuchus collisensis, também apresenta um parente próximo registrado em camadas da Escócia. [caption id="attachment_72441" align="alignright" width="664"]A ilustração mostra como seria a aparência do Isodapedon varzealis em vida. O rincossauro aparece ao centro da imagem, em primeiro plano; à direita, em segundo plano, aparecem outros dois rincossauros; mais ao fundo, na parte de cima da imagem, está um antepassado dos jacarés e crocodilos, o qual seria um provável predador dos rincossauros. A paisagem é constituída por um curso d’água, em cujas margens se encontra uma escassa vegetação rasteira. Em primeiro plano na imagem, um rincossauro da espécie Isodapedon varzealis em uma paisagem há 230 milhões de anos (ilustração: Caio Fantini)[/caption] Essa distribuição pode ser explicada pelo fato de que, há cerca de 230 milhões de anos, durante o Período Triássico, os continentes estavam unidos, formando a Pangeia. Essa configuração permitia que as faunas de diferentes regiões do planeta se dispersassem por amplas áreas do supercontinente. Dessa forma, a nova espécie reforça a ideia de que as faunas triássicas da América do Sul compartilhavam componentes semelhantes com as faunas da Europa da mesma época. Diversidade de rincossauros no Brasil Além de um registro fóssil bastante abundante, os rincossauros descobertos no Brasil também demonstram que o grupo foi altamente diverso em termos de número de espécies. Isodapedon varzealis eleva para seis o total de espécies conhecidas de rincossauros no Triássico brasileiro. No entanto, essas seis espécies não coexistiram integralmente, já que algumas viveram em momentos distintos, separados por milhões de anos. Ainda assim, a nova espécie provém de camadas nas quais outras três já foram registradas, indicando que o grupo atingiu um pico de diversidade justamente em um período marcado pelo surgimento e diversificação de outros grupos, como os dinossauros. Essa coexistência de múltiplas espécies de rincossauros pode ser explicada pela adoção de diferentes estratégias alimentares. É possível que cada espécie tenha se especializado no consumo de tipos distintos de vegetação, o que ajudaria a explicar as variações no aparato mastigatório. Esse cenário reforça a importância dos rincossauros como consumidores primários nos ecossistemas que testemunharam a origem e a diversificação inicial dos dinossauros. Centro de Pesquisa Paleontológica da UFSM O fóssil de Isodapedon varzealis está tombado no acervo científico do Cappa/UFSM, localizado no município de São João do Polêsine. O centro integra o Geoparque Quarta Colônia Unesco e abriga uma importante coleção de fósseis do Triássico brasileiro, além de manter uma exposição aberta a visitação gratuita. O estudo foi conduzido por Jeung Hee Schiefelbein, Maurício Silva Garcia, Mariana Doering e Rodrigo Temp Müller. A pesquisa recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (INCT) Paleovert. O acesso livre e gratuito ao artigo científico foi viabilizado pela Capes. Texto: Cappa/UFSM]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/16/paleontologos-da-ufsm-reconstroem-o-cerebro-de-um-precursor-dos-pterossauros-os-repteis-voadores Mon, 16 Mar 2026 12:48:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72177 [caption id="attachment_72179" align="alignright" width="593"] Paleontóloga analisa a caixa craniana do réptil (Foto: Rodrigo T. Müller)[/caption]

Paleontólogos da UFSM publicaram, na última sexta-feira (13), um novo estudo no periódico científico Palaeontology, no qual apresentam a reconstrução do cérebro de um réptil extinto a partir de tomografias computadorizadas. As análises foram realizadas com base em um fóssil de 233 milhões de anos, encontrado no município de São João do Polêsine (RS), no território do Geoparque Quarta Colônia Unesco.

Frequentemente confundidos com dinossauros, os pterossauros foram répteis que dominaram os céus durante a Era Mesozoica e desenvolveram a capacidade de voo antes mesmo das aves. Embora esses animais tenham sido abundantes nos Períodos Jurássico e Cretáceo, sua origem no Período Triássico ainda é pouco compreendida. Dentre as diversas adaptações que essa linhagem apresentou para o voo, as mudanças no cérebro estão entre as que mais chamam a atenção e despertam curiosidade. A chave para entender como o cérebro dos pterossauros evoluiu para permitir o voo está em compreender como era o cérebro de seus precursores, para que as diferenças entre eles possam ser discernidas.

Entretanto, há poucos fósseis no mundo de precursores dos pterossauros que preservem bem a região do crânio que abriga o cérebro. Nesse contexto é que um fóssil brasileiro ajudou a entender como foi o cérebro desses precursores dos répteis voadores. O novo estudo, liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria e com a participação de cientistas dos Estados Unidos, Argentina e Alemanha, investigou detalhes da anatomia do fóssil de um lagerpetídeo descrito em 2023. A pesquisa faz parte da tese de doutorado de Lísie Vitória Soares Damke, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob a orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller.

[caption id="attachment_72180" align="aligncenter" width="1024"] Reconstrução artística de Venetoraptor e modelo 3D do cérebro (Ilustração: Caio Fantini)[/caption]

Como estudar o cérebro de um animal extinto?

Os lagerpetídeos foram répteis esguios que representam os precursores mais próximos dos pterossauros. Contudo, ao contrário de seus parentes voadores, os lagerpetídeos não possuíram a capacidade de voar. É justamente por isso que existe tanto interesse em compreender como era o cérebro desses animais, já que analisá-lo pode ajudar a revelar quais características surgiram nos pterossauros a partir do momento em que o grupo se tornou capaz de levantar voo. Contudo, como o cérebro é uma estrutura composta por tecidos moles, que raramente se preservam no registro fóssil, estudar sua anatomia é uma tarefa desafiadora.

Para contornar essa limitação, cientistas utilizam tomografias computadorizadas para preencher digitalmente as cavidades do crânio que correspondem ao espaço que seria ocupado pelo encéfalo. Em seguida, as estruturas internas são separadas digitalmente, o que permite a criação de um modelo tridimensional aproximado do cérebro. É a partir desse modelo que os pesquisadores conseguem inferir hábitos e comportamentos por meio de medidas e análises baseadas em animais atuais.

[caption id="attachment_72181" align="aligncenter" width="1024"] Infográfico do réptil (Ilustração: Matheus Fernandes Gadelha)[/caption]

Nem do céu nem da terra: um réptil que vivia na copa das árvores

Foi por meio desses procedimentos que o grupo de pesquisadores conseguiu reconstruir o cérebro do lagerpetídeo brasileiro Venetoraptor gassenae. Esse réptil com cerca de 1 metro de comprimento possuía um bico pontiagudo, garras longas, membros delgados e locomovia-se de maneira bípede. Embora ele não fosse capaz de voar, acredita-se que ele se deslocava entre as copas das árvores, utilizando suas garras recurvadas para se prender nos galhos.

O excelente grau de preservação dos elementos cranianos fossilizados ajudou a revelar detalhes importantes da anatomia do cérebro e do ouvido interno desse animal. Uma das estruturas que mais chama a atenção no modelo tridimensional é o flóculo do cerebelo, uma estrutura associada ao equilíbrio e à estabilização da visão durante os movimentos da cabeça. Na espécie estudada, essa estrutura é bastante desenvolvida, sugerindo que esses animais já possuíam um controle refinado dos movimentos da cabeça e da visão.

A pesquisa também apontou que partes dos canais semicirculares, estruturas do ouvido interno que fazem parte do labirinto ósseo e são fundamentais para o equilíbrio dos organismos, apresentam um aumento notável em comparação com alguns outros répteis. Essas habilidades podem ter sido úteis para ajudar esse animal a caçar suas presas e/ou a se locomover com maior facilidade entre as árvores. Nos pterossauros, o flóculo do cerebelo também é muito grande, mas a presença dessa estrutura bem desenvolvida em Venetoraptor gassenae demonstra que essa condição não era exclusiva de répteis voadores.

Próximos passos

Embora tenha sido possível reconstruir boa parte do cérebro de Venetoraptor gassenae, ainda existem regiões desconhecidas, pois os ossos que as envolviam em vida não se preservaram. Entre elas estão os bulbos olfatórios, regiões do encéfalo responsáveis pelo sentido do olfato. O grupo de pesquisadores espera encontrar novos fósseis da espécie que preservem a região do crânio associada a essas estruturas, o que poderá permitir, no futuro, inferir a capacidade olfativa do animal. Para isso, continuam realizando escavações no sítio fossilífero que revelou os fósseis de Venetoraptor gassenae em 2022. A equipe também possui diversos achados inéditos em fase de preparação em laboratório ou em estudo, o que sugere um cenário promissor para os próximos anos no que diz respeito à investigação dos lagerpetídeos e à origem dos pterossauros.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM

O fóssil de Venetoraptor gassenae está depositado no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM), localizado no município de São João do Polêsine. O centro integra o Geoparque Quarta Colônia Unesco e abriga uma importante coleção de fósseis do Triássico brasileiro, além de uma exposição aberta à visitação gratuita.

O estudo foi conduzido por Lísie V.S. Damke, Leonardo Kerber, Mario Bronzati, Maurício S. Garcia, Martín D. Ezcurra, Sterling J. Nesbitt e Rodrigo T. Müller. A pesquisa recebeu apoio do CNPq, INCT Paleovert, CAPES e Alexander von Humboldt Foundation.

O artigo intitulado “Braincase anatomy and palaeoneurology of Venetoraptor gassenae, a lagerpetid pterosauromorph from the Late Triassic of southern Brazil” foi publicado no periódico Palaeontology.

Fonte: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/03/03/novo-dinossauro-do-maranhao-revela-conexao-entre-america-do-sul-e-europa-ha-120-milhoes-de-anos Tue, 03 Mar 2026 19:43:40 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=72104 A imagem ilustra dois dinossauros da espécie Dasosaurus tocantinensis. Junto a eles, está um outro lagarto muito menor, o que ajuda o público a ter uma ideia da dimensão gigantesca desses dinossauros. Os três répteis dessa arte gráfica encontram-se em uma clareira com solo arenoso, a qual está inserida dentro de uma floresta. Reconstituição artística de Dasosaurus tocantinensis (arte gráfica: Jorge Blanco)[/caption] Uma descoberta feita no interior do Maranhão está ajudando a reconstruir a história da dispersão dos grandes dinossauros herbívoros no início do Cretáceo. Pesquisadores brasileiros descreveram uma nova espécie de saurópode que viveu há cerca de 120 milhões de anos (Aptiano), em um momento em que América do Sul, África e Europa ainda mantinham conexões terrestres. O animal foi nomeado Dasosaurus tocantinensis e pertence ao grupo dos titanossauriformes, linhagem que inclui alguns dos maiores vertebrados terrestres de todos os tempos. O estudo liderado por Elver Mayer, da Universidade Federal do Vale do São Francisco, com coautoria de cientistas de diversas universidades brasileiras, foi publicado no periódico internacional Journal of Systematic Palaeontology e contou com a participação do paleontólogo Leonardo Kerber, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM, que integrou as escavações e a equipe responsável pela análise do material. [caption id="attachment_72107" align="alignright" width="397"]A foto mostra um homem deitado em um solo pedregoso. Ele tem pela branca, usa boné e óculos escuros e está vestido com uma camiseta vermelha, calças jeans e botas marrons. Ao seu lado está um osso de um dinossauro, fóssil cujo comprimento praticamente equivale à altura do homem deitado. Para dar uma ideia da dimensão gigantesca do dinossauro encontrado, o paleontólogo da UFSM Leonardo Kerber deita-se ao lado de um dos fósseis escavados no Maranhão[/caption] O nome Dasosaurus vem do grego: “dasos”, que significa floresta ou bosque, e “sauros”, que quer dizer réptil. A escolha faz referência ao local onde os fósseis foram encontrados, dentro da região conhecida como Amazônia Legal, que abrange grande parte das áreas de floresta amazônica no Brasil. O nome também dialoga com o próprio estado do Maranhão. Uma possível origem do nome Maranhão é a palavra portuguesa “emaranhado”, ligada à ideia de vegetação densa e entrelaçada. Assim, o nome do dinossauro conecta tanto a paisagem florestal da região quanto a identidade geográfica do local da descoberta. O nome da espécie, D. tocantinensis, faz referência ao rio Tocantins, um dos grandes rios da América do Sul. A região onde os fósseis foram encontrados, no estado do Maranhão, leva o nome desse rio, já que fica próxima às suas margens orientais O aspecto mais relevante da nova espécie está em suas relações evolutivas. As análises filogenéticas indicam que Dasosaurus tocantinensis é o parente mais próximo conhecido de Garumbatitan morellensis, espécie descrita na Espanha. Essa proximidade anatômica é sustentada por características compartilhadas nas vértebras caudais e no fêmur, sugerindo que ambas as espécies formam um grupo exclusivo dentro de Somphospondyli. Modelagens biogeográficas realizadas pelos pesquisadores apontam que essa linhagem pode ter se originado na Europa e, posteriormente, dispersado para a América do Sul entre aproximadamente 140 e 120 milhões de anos atrás, possivelmente via norte da África. Esse cenário reforça a hipótese de que, no início do Cretáceo, ainda existiam rotas terrestres que permitiam a circulação de grandes dinossauros entre porções da Laurásia e de Gondwana, antes da abertura definitiva do Oceano Atlântico. Os fósseis foram encontrados em 2021 no município de Davinópolis (MA), em um corte rochoso associado a obras de infraestrutura, durante atividades de monitoramento paleontológico. O material estava preservado em sedimentos atribuídos à porção inferior da Formação Itapecuru, datados do Aptiano. O conjunto fossilífero corresponde a um único indivíduo e inclui vértebras da cauda, costelas, ossos do antebraço, elementos da pelve, fêmur, tíbia, fíbula e ossos do pé. O fêmur preservado mede cerca de 1,5 metro de comprimento, o que indica um animal com aproximadamente 20 metros de comprimento total, situando-se próximo ao limite entre saurópodes de médio e grande porte. O espécime está depositado no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão (CPHNAM), em São Luís, onde permanece acessível para estudos científicos. [caption id="attachment_72109" align="alignleft" width="630"]A imagem (nas cores preto, branco e azul) mostra uma silhueta do dinossauro em questão, tando ao lado a silhueta de um homem, como escala de comparação de tamanho. A imagem mostra em azul quais foram os ossos encontrados na escavação[/caption] Do ponto de vista anatômico, Dasosaurus tocantinensis apresenta uma combinação única de características. Entre elas, destacam-se três cristas alongadas nas vértebras caudais associadas à inserção muscular e uma saliência lateral bem desenvolvida no fêmur, além de proporções ósseas que indicam uma condição intermediária entre formas mais basais e titanossauros mais derivados. Essas características ajudam a esclarecer etapas importantes da evolução dos titanossauriformes e ampliam o conhecimento sobre a diversidade de saurópodes no norte do Brasil, região ainda pouco explorada em comparação com outras áreas do país. O estudo também incluiu análises histológicas do tecido ósseo, permitindo avaliar padrões de crescimento e remodelação. Os resultados indicam uma combinação de traços observados em titanossauriformes mais primitivos e em titanossauros mais avançados, sugerindo que certas adaptações esqueléticas típicas do grupo já estavam em desenvolvimento no início do Cretáceo. Assim, além de revelar uma nova espécie, a descoberta contribui para compreender quando e como se consolidaram características fundamentais dos grandes dinossauros herbívoros que dominaram os ecossistemas terrestres do Cretáceo. Texto: Cappa]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2026/01/28/paleontologos-da-ufsm-descobrem-cranio-fossil-com-menos-de-1-centimetro-no-centro-do-rio-grande-do-sul Wed, 28 Jan 2026 12:10:57 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71903 [caption id="attachment_71905" align="alignright" width="565"] Fóssil do Sauropia macrorhinus (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

Paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) publicaram nesta quarta-feira (28) um novo estudo no periódico científico Scientific Reports apresentando um pequeno crânio fóssil de uma espécie inédita. O fóssil, encontrado no interior do Rio Grande do Sul, revela detalhes inéditos sobre os ecossistemas terrestres que existiam há cerca de 240 milhões de anos, antes da ascensão dos dinossauros.

Durante o Período Triássico (entre 251 e 201 milhões de anos atrás), logo após a maior extinção em massa da história da Terra, a vida passou por um intenso processo de recuperação e diversificação. Foi nesse intervalo que surgiram vários grupos emblemáticos de vertebrados, incluindo os primeiros dinossauros, pterossauros e uma série de répteis hoje completamente extintos. Entre esses grupos estavam os pararépteis, uma linhagem antiga que sobreviveu a grande extinção, mas desapareceu antes do fim do Triássico.

Foi nesse contexto que uma nova descoberta no sul do Brasil trouxe informações inéditas sobre esse enigmático grupo de vertebrados. O estudo, liderado pelo paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller, descreveu uma nova espécie de pararéptil, Sauropia macrorhinus, com base em um crânio quase completo medindo apenas 9,5 milímetros de comprimento, menor do que uma unha. Devido ao seu tamanho minúsculo, o exemplar é o menor tetrápode já registrado em depósitos triássicos da América do Sul.

[caption id="attachment_71906" align="alignleft" width="633"] Paleontólogo analisando o fóssil (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

A descoberta e os desafios

O fóssil foi encontrado no município de Novo Cabrais (RS) pelo paleontólogo Lúcio Roberto da Silva, durante uma saída de campo realizada em conjunto com o médico Pedro Lucas Porcela Aurélio. As rochas que preservaram o exemplar pertencem a depósitos com cerca de 240 milhões de anos, uma época em que os ecossistemas eram dominados por ancestrais dos jacarés e crocodilos, e os continentes ainda estavam unidos, formando a Pangeia.

Em virtude do tamanho extremamente reduzido, os paleontólogos precisaram realizar a limpeza do fóssil com agulhas, sob lupas de aumento. Em seguida, o paleontólogo Leonardo Kerber submeteu o material a tomografias computadorizadas, que revelaram detalhes impossíveis de observar a olho nu. Com esses dados em mãos, os pesquisadores reconstruíram modelos tridimensionais do crânio, permitindo uma análise muito mais minuciosa. Assim, foi possível constatar a presença de características únicas, indicando que se tratava de um animal até então desconhecido pela ciência.

[caption id="attachment_71907" align="aligncenter" width="1024"] Detalhes do Sauropia macrorhinus (Ilustração do animal em vida por Caetano Soares)[/caption]

Características da nova espécie

Com base no tamanho do crânio, estima-se que o animal tivesse cerca de 5 centímetros de comprimento total. De modo geral, ele se assemelharia a um pequeno lagarto, caminhando sobre quatro patas e com olhos grandes. Entre suas principais características destacam-se as narinas amplas e os dentes grandes, em forma de pino, que provavelmente eram usados para se alimentar de pequenos invertebrados.

Por ser tão diminuto, é possível que o fóssil pertença a um indivíduo que ainda não havia atingido o tamanho máximo. Essa condição inspirou o nome do animal: Sauropia combina o termo grego sauros (“lagarto”) com a palavra regional “piá”, usada no sul do Brasil para se referir a uma criança. Já o nome da espécie, macrorhinus, faz referência às narinas proporcionalmente grandes.

A análise do grau de parentesco de indicou que Sauropia macrorhinus pertence ao grupo de pararépteis conhecido como Procolophonoidea. Esses animais são particularmente raros no registro fóssil do Triássico Médio da América do Sul, com apenas duas espécies descritas até o momento. Em geral, os procolofonóides eram animais pequenos, com menos de 30 centímetros de comprimento, e desapareceram pouco depois do surgimento dos dinossauros. Esse grupo apresentou uma grande diversidade de hábitos alimentares. Algumas espécies tiveram uma dieta baseada em insetos, enquanto outras eram capazes de consumir vegetação mais dura e fibrosa. Essa diversidade alimentar indica que os procolofonóides exploraram diferentes nichos ecológicos nos ecossistemas do Triássico.

[caption id="attachment_71908" align="alignright" width="447"] Sítio fossilífero em Novo Cabrais (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

Uma nova peça do quebra-cabeça

Reconstruir as teias alimentares de ambientes pretéritos é um desafio para os pesquisadores, uma vez que essa ação depende da descoberta de muitos fósseis. Nos últimos anos, diversos novos achados oriundos da região central do Rio Grande do Sul têm tornado mais clara como era a composição dos ecossistemas de 240 milhões de anos atrás. Contudo, nunca um animal tão pequeno havia sido encontrado em meio aos fósseis de outros organismos muito maiores naqueles sítios fossilíferos.

Assim, a descoberta do pequeno Sauropia macrorhinus traz mais uma peça para compor o quebra-cabeça que os paleontólogos tentam reconstruir. A nova espécie pode ter feito parte da dieta de outros predadores ligeiramente maiores, como o pequeno precursor dos crocodilos chamado de Parvosuchus aurelioi, com menos de 1 metros de comprimento.

Assim, além de representar um dos poucos fósseis de procolofonóides com 240 milhões de anos na América do Sul, Sauropia macrorhinus mostra que os ecossistemas do Triássico Médio no sul do Brasil eram mais ricos e diversos do que se imaginava, abrigando não apenas grandes herbívoros e predadores, mas também uma fauna diversa de pequenos vertebrados. Esses animais desempenhavam papéis variados nas teias alimentares terrestres, muito antes do domínio ecológico dos dinossauros.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM

O fóssil de Sauropia macrorhinus está depositado no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), localizado no município de São João do Polêsine, no Rio Grande do Sul. O centro integra o Geoparque Quarta Colônia UNESCO e abriga uma importante coleção de fósseis do Triássico brasileiro, além de uma exposição aberta à visitação gratuita.

O estudo foi conduzido por Rodrigo Temp Müller, Lúcio Roberto da Silva, Pedro Lucas Porcela Aurélio e Leonardo Kerber. A pesquisa recebeu apoio do CNPq e INCT Paleovert.

O artigo intitulado “The smallest tetrapod from the Middle Triassic of South America: a new procolophonoid parareptile from the Ladinian of Southern Brazil” foi publicado no periódico Scientific Reports e está disponível no link.

Fonte: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM

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Tainrakuasuchus bellator viveu há cerca de 240 milhões de anos (Imagem: Caio Fantinia)Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) descreveram uma nova espécie de réptil que viveu há cerca de 240 milhões de anos. O fóssil, encontrado na região central do Rio Grande do Sul, pertence a um predador aparentado a uma espécie descoberta na Tanzânia.

Há cerca de 240 milhões de anos, durante o Período Triássico, o mundo era bem diferente do que conhecemos hoje. Todos os continentes estavam unidos em um único supercontinente, a Pangeia. No centro dessa imensa massa de terra, estendia-se um vasto deserto, o que fazia com que a vida se concentrasse principalmente nas regiões que margeavam essa área árida. Foi nesse cenário que surgiram os primeiros dinossauros. Entretanto, quem realmente dominava os ecossistemas daquele tempo eram os precursores de jacarés e crocodilos, conhecidos como pseudossúquios.

No passado, esses animais foram muito mais diversos e abundantes do que hoje, ocupando os mais variados papéis ecológicos. Entre eles, destacavam-se carnívoros de médio a grande porte, que atuavam como os principais predadores do período. Apesar disso, a diversidade desses predadores ainda é pouco conhecida, já que fósseis de algumas linhagens de pseudossúquios permanecem extremamente raros no registro fóssil.

Foi nesse contexto que uma nova descoberta trouxe informações inéditas. Em maio de 2025, no município de Dona Francisca (RS), a equipe liderada pelo paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller encontrou um esqueleto parcial, preservando partes da mandíbula, da coluna vertebral e da cintura pélvica. Após a coleta, os fósseis passaram por um minucioso processo de preparação em laboratório, no qual a rocha que os envolvia foi cuidadosamente removida. Com os detalhes anatômicos revelados, os pesquisadores confirmaram que se tratava de uma espécie até então desconhecida para a ciência. O animal recebeu o nome de Tainrakuasuchus bellator e foi descrito oficialmente no periódico científico Journal of Systematic Palaeontology.

Principais características

Com base nos fósseis preservados, estima-se que o esqueleto de Tainrakuasuchus bellator tenha pertencido a um animal com cerca de 2,5 metros de comprimento e aproximadamente 60 kg. A forma dos dentes indica que se tratava de uma espécie carnívora. Além disso, o animal possuía um pescoço relativamente longo em relação ao seu porte, característica que provavelmente lhe conferia maior mobilidade na hora de capturar presas.

A mandíbula delgada reforça a hipótese de que fosse um caçador ágil, capaz de realizar movimentos rápidos e precisos para agarrar suas presas. O dorso era revestido por placas ósseas conhecidas como osteodermos, estruturas que também estão presentes em jacarés e crocodilos modernos e funcionam como uma espécie de armadura natural. Quanto à postura, mesmo sem a preservação dos membros locomotores, é provável que fosse um animal quadrúpede, já que seus parentes próximos se deslocavam apoiados nas quatro patas.

O nome Tainrakuasuchus deriva da junção das palavras guarani tain (“dente”) e rakua (“pontudo”) com o grego suchus (“crocodilo”), em referência aos dentes afiados do animal. Já o epíteto específico bellator, de origem latina e com o significado de “guerreiro” ou “lutador”, é uma homenagem ao povo do Rio Grande do Sul, simbolizando sua força, resistência e espírito de luta, especialmente diante das recentes enchentes que atingiram o estado.

Fóssil de Tainrakuasuchus bellator

Uma antiga conexão entre Brasil e África

[caption id="attachment_71364" align="alignleft" width="708"] Estima-se que o Tainrakuasuchus bellator tenha pertencido a um animal com cerca de 2,5 metros de comprimento e cerca de 60 kg.[/caption]

Embora sua aparência lembre superficialmente a de um dinossauro, Tainrakuasuchus bellator não pertence a esse grupo. Na verdade, trata-se de um representante de outro grupo de répteis, conhecido como Pseudosuchia. Esse grupo reúne formas extintas que, ao longo da evolução, deram origem aos ancestrais distantes dos jacarés e crocodilos atuais.

Uma das formas mais claras de distinguir a nova espécie dos dinossauros está na estrutura do quadril. Nos dinossauros, a região da bacia onde o fêmur se articula apresenta uma abertura característica, formando uma espécie de encaixe para o osso da perna. Já em Tainrakuasuchus bellator, essa área é fechada por uma parede óssea robusta.

De acordo com as análises conduzidas pela equipe de pesquisadores, entre os membros já conhecidos de Pseudosuchia, o parente mais próximo de Tainrakuasuchus bellator é Mandasuchus tanyauchen, espécie descrita a partir de fósseis encontrados na Tanzânia. Essa conexão inesperada entre animais da América do Sul e da África pode ser compreendida pelo contexto geográfico do Período Triássico. Naquele tempo, os continentes ainda estavam unidos em um único supercontinente, a Pangeia, o que permitia a livre dispersão dos organismos entre regiões que hoje se encontram separadas por oceanos.

Como consequência, as faunas do Brasil e da África compartilhavam diversos componentes em comum, refletindo uma história evolutiva e ecológica entrelaçada.

Diversidade de predadores que antecedeu a ascensão dos dinossauros

Os fósseis de Tainrakuasuchus bellator revelam que esse animal foi um predador ativo. Suas armas principais eram os dentes pontiagudos e recurvados, perfeitos para agarrar e segurar presas, impedindo que escapassem.

Apesar de seu porte relativamente grande, Tainrakuasuchus bellator não era o maior caçador de seu tempo. O mesmo ecossistema abrigava gigantes como o Prestosuchus chiniquensis, um predador que ultrapassava os 7 metros de comprimento e tinha força suficiente para dominar presas de grande porte. Em contraste, também viviam ali predadores muito menores, como o Parvosuchus aurelioi, que possuía menos de 1 metro de comprimento e provavelmente se alimentava de animais pequenos e ágeis, como lagartos ou anfíbios.

Essa variedade de tamanhos e estratégias de caça mostra que o ambiente em que Tainrakuasuchus bellator viveu era extremamente diverso, com diferentes espécies ocupando nichos específicos. Havia desde caçadores de topo, capazes de enfrentar presas robustas, até pequenos predadores especializados em capturar animais velozes.

Além de destacar a complexidade desse ecossistema do Triássico, a nova espécie também ajuda a entender um momento-chave da história da vida: o período que antecedeu a ascensão dos dinossauros. Ela mostra que, no território que hoje corresponde ao sul do Brasil, os répteis já formavam comunidades variadas e adaptadas a diferentes formas de sobrevivência.

Mais do que isso, o achado revela que a diversidade encontrada aqui não foi um fenômeno isolado. Ecossistemas igualmente ricos, habitados por predadores da linhagem dos pseudossúquios em diferentes tamanhos e formas, existiam em outras regiões da Pangeia nesse mesmo período, mostrando que essa diversidade não se limitava apenas ao sul do Brasil.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica

Os fósseis de Tainrakuasuchus bellator, assim como uma série de outros espécimes, estão depositados no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), localizado no município de São João do Polêsine, Rio Grande do Sul. O município faz parte do Geoparque Quarta Colônia UNESCO. No centro de pesquisa, há uma exposição de fósseis que pode ser visitada gratuitamente.

O estudo foi conduzido pelo paleontólogo da UFSM Dr. Rodrigo Temp Müller e contou com a participação dos discentes do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM Mauricio Silva Garcia, Lísie Vitória Soares Damke, Fabiula Prestes de Bem, André de Oliveira Fonseca, Mariana Doering, Jeung Hee Schiefelbein e Vitória Zanchett Dalle Laste. A pesquisa recebeu apoio do CNPq e do INCT Paleovert.

Texto: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/03/26/estudo-apresenta-as-mais-antigas-evidencias-de-brigas-entre-dinossauros Wed, 26 Mar 2025 19:52:26 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=68643 Fóssil de Gnathovorax cabreirai, um herrerassaurídeo com lesões ósseas preservadas no maxilar (foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption] Paleontólogos da UFSM publicaram nesta quarta-feira (26) um estudo no periódico científico The Science of Nature onde apresentam evidências de que os primeiros dinossauros carnívoros de grande porte brigavam entre si. Os pesquisadores encontraram marcas de lesões ósseas cicatrizadas em crânios fossilizados de dinossauros escavados no Brasil e na Argentina. As lesões indicam que esses dinossauros teriam se envolvido em disputas agressivas, possivelmente por comida, território ou parceiros. A pesquisa foi realizada pelo estudante de doutorado Maurício Silva Garcia, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob supervisão do paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller. Além disso, também contou com a colaboração do paleontólogo argentino Ricardo Martínez, da Universidad Nacional de San Juan. Durante a pesquisa, foram examinados fósseis de herrerassaurídeos, um grupo de dinossauros predadores que viveu há cerca de 230 milhões de anos. Com garras longas e dentes afiados, alguns herrerassaurídeos poderiam ter ultrapassado 6 metros de comprimento. Estes dinossauros são alguns dos mais antigos já descobertos e são importantes para se entender a origem e evolução inicial do grupo. De acordo com os resultados do estudo, quase metade dos crânios analisados apresentava sinais de ferimentos cicatrizados, sugerindo que esses dinossauros mordiam uns aos outros durante confrontos. Essas lesões representam a evidência mais antiga conhecida de confronto intraespecífico entre dinossauros. Este comportamento é observado de forma semelhante em diversos animais que vivem atualmente, especialmente crocodilianos. Análises minuciosas dos fósseis revelam que as marcas não foram causadas após a morte do animal ou por outros predadores. Em vez disso, elas demonstram sinais de cicatrização, o que indica que os ferimentos ocorreram enquanto os dinossauros ainda estavam vivos. Estudos prévios também já reportaram esse tipo de comportamento em dinossauros que viveram em períodos posteriores, como o Tyrannosaurus rex, mas esta é a primeira vez que tais evidências foram encontradas em dinossauros do período Triássico. Isso revela que o comportamento de disputas territoriais e hierárquicas pode ter surgido já durante o início da evolução dos dinossauros. [caption id="attachment_68646" align="alignleft" width="518"] Dois Gnathovorax se enfrentam em uma paisagem triássica do sul do Brasil há 230 milhões de anos (ilustração: Caio Fantini)[/caption] O estudo destaca como a análise de patologias em fósseis pode ajudar em um melhor entendimento da origem e evolução do comportamento em dinossauros. Essas marcas oferecem pistas sobre como essas criaturas interagiam milhões de anos atrás, logo no início da evolução dos dinossauros, oferecendo uma janela para entender o comportamento e a ecologia desses animais extintos.

Cappa

Os restos fósseis de um dos dinossauros estudados, o Gnathovorax cabreirai, assim como uma série de outros achados, estão depositados no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM, que fica localizado no município de São João do Polêsine, integrante do Geoparque Quarta Colônia Unesco. No centro de pesquisa há uma exposição de fósseis que pode ser visitada sem custo. O artigo intitulado Craniofacial lesions in the earliest predatory dinosaurs indicate intraspecific agonistic behavior at the dawn of the dinosaur era (“Lesões craniofaciais nos primeiros dinossauros predadores indicam comportamento agonístico intraespecífico no início da era dos dinossauros”) pode ser acessado aqui. A pesquisa recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Paleovert. Texto: Cappa]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/02/25/novo-reptil-fossil-ajuda-a-entender-como-eram-os-ecossistemas-antes-do-surgimento-dos-dinossauros Tue, 25 Feb 2025 14:25:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=68347 [caption id="attachment_68351" align="alignright" width="443"]foto vertical colorida de um homem ante um microscópio com um pequeno fóssil Rodrigo Temp Müller com o fóssil de "Retymaijychampsa" (Foto: Janaína Brand Dillmann)[/caption]

Antes que os dinossauros dominassem o planeta, uma diversidade de outros répteis ocupava os ecossistemas da Era Mesozoica. Por volta de 237 milhões de anos, ainda no Triássico Médio, os dinossauros eram representados por espécies precursoras, que não eram tão diversas nem abundantes. Em contraste, diversos grupos de organismos já estavam bem estabelecidos. Muitos pertenciam à linhagem que daria origem aos jacarés e crocodilos atuais, enquanto outros faziam parte do grupo que eventualmente deu origem aos mamíferos.

Além disso, havia linhagens únicas que surgiram e desapareceram ao longo do Período Triássico. Entre elas, destaca-se o grupo chamado de Proterochampsidae, composto por várias espécies de répteis carnívoros que habitaram a região que hoje corresponde à América do Sul entre 237 e 228 milhões de anos atrás. Esse grupo de répteis é particularmente interessante porque ocupa uma posição crucial na árvore evolutiva dos répteis, sendo um dos mais proximamente aparentados à linhagem que deu origem tanto aos jacarés e crocodilos quanto aos dinossauros.

Dessa forma, compreender a evolução dos proterochampsídeos é fundamental para esclarecer quais características podem ter contribuído para o sucesso evolutivo desses grupos durante a Era Mesozoica. No entanto, os fósseis de proterochampsídeos ainda são relativamente escassos, especialmente aqueles que preservam as partes do esqueleto responsáveis pela locomoção.

Já um novo achado oriundo do município de Paraíso do Sul (RS) traz mais dados para essa questão e ajuda a preencher uma lacuna que existia na árvore evolutiva dos proterochampsídeos. O novo fóssil foi entregue ao Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta da Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM) em janeiro de 2024 por meio de uma doação realizada por Pedro Lucas Porcela Aurélio. No centro de pesquisa, os materiais doados por Aurélio ficaram sob os cuidados do paleontólogo Rodrigo Temp Müller, que iniciou o trabalho de preparação e limpeza dos fósseis. Por estarem envoltos por uma camada espessa de rocha, os elementos precisaram ser preparados com o uso de marteletes pneumáticos e ácido.

Durante essa etapa, o paleontólogo identificou algumas espécies ainda desconhecidas, dentre elas o fóssil de um membro posterior (perna) completo e articulado. Esse material em questão apresentava uma constituição peculiar, sendo mais robusto do que normalmente se esperaria para um animal daquele tamanho. Ao comparar as características ósseas da perna fossilizada, foi possível constatar que se tratava de um proterochampsídeo, mas diferente de todos os outros já conhecidos. Assim, o fóssil foi reconhecido como uma nova espécie e recebeu o nome de Retymaijychampsa beckerorum em um estudo publicado no periódico científico Acta Palaoentologica Polonica.

Nome e características

Retymaijychampsa beckerorum é uma das mais antigas espécies de proterochampídeos já descobertos, tendo por volta de 237 milhões de anos. Com base nas medidas da perna fossilizada, é possível estimar que o pequeno réptil teria cerca de 80 cm de comprimento. Porém, como ainda são conhecidos poucos materiais da nova espécie, não se descarta a possibilidade de que a espécie poderia ter atingido tamanhos maiores. Com base em comparações com outros proterochampídeos, pode-se afirmar que o réptil foi quadrupede e carnívoro, uma vez que todos outros proterochampsídeos possuíam esse hábito alimentar. Dentre as características que mais chamam a atenção, destaca-se a robustez dos ossos da perna, indicando que a espécie possuía membros posteriores bastante fortes, possivelmente utilizados para impulsionar o animal em investidas rápidas na tentativa de emboscar presas. De fato, por meio da combinação de palavras do grego e do guarani, a configuração única da perna serviu de inspiração para o nome do gênero, que significa "crocodilo de perna forte". Já o nome da espécie é uma homenagem a família Becker, dona das terras onde o fóssil foi descoberto.

[caption id="attachment_68350" align="aligncenter" width="1024"]arte colorida horizontal com o fóssil e desenhos do animal "Retymaijychampsa beckerorum" é mais antigo que os primeiros dinossauros (Ilustração: Caio Fantini)[/caption]

Preenchendo uma lacuna evolutiva

A maior parte dos proterochampsídeos é conhecida através de fósseis cranianos, sendo que outras partes do esqueleto são geralmente incompletas ou mal preservadas. Assim, a descoberta de Retymaijychampsa beckerorum, que é conhecido através de uma perna completa, ajuda a entender melhor como foi a anatomia do membro posterior desses animais durante sua origem. Embora expresse características comuns do grupo, como uma forte assimetria entre os elementos que constituem o pé, o animal revela também características únicas, como o formato do fêmur e a robustez dos elementos. Essas condições mostram que os proterochampídeos podem ter sofrido algumas mudanças na forma de locomoção durante sua evolução.

Outro ponto importante da descoberta de Retymaijychampsa beckerorum diz respeito ao seu posicionamento na árvore evolutiva dos proterochampsídeos. Há uma divisão principal dentro desse grupo que resulta na existência de duas linhagens principais. A mais abundante é composta por formas com membros locomotores mais gráceis e que aparentam ter hábitos terrestres. A outra linhagem é composta por menos espécies, possui membros locomotores mais robustos e é geralmente associada a hábitos de vida semi-aquáticos. De acordo com análises que reconstroem os graus de parentesco, constatou-se que a nova espécie pertence a segunda linhagem. Até então, nenhuma espécie tão antiga quanto Retymaijychampsa beckerorum havia sido reportada para essa segunda linhagem. Desse modo, a descoberta ajuda a preencher uma lacuna que existiu por muito tempo na árvore evolutiva desses répteis. 

[caption id="attachment_68352" align="alignleft" width="547"]imagem colorida horizontal com desenho do que seria o animal em seu habitat "Retymaijychampsa beckerorum" (Ilustração: Caio Fantini)[/caption]

As buscas seguem no sítio fossilífero

Após Aurélio revelar o enorme potencial fossilífero da localidade de Paraíso do Sul, os pesquisadores passaram a realizar buscas constantes na área. Durante o ano de 2024 foram descobertos diversos novos fósseis no sítio fossilífero que preservou os fósseis de Retymaijychampsa beckerorum. Para os paleontólogos, o que mais chama a atenção no sítio fossilífero da família Becker é o fato de os esqueletos frequentemente serem encontrados articulados, uma condição muito rara para fósseis dessa idade. Dessa maneira, os fósseis se tornam mais informativos, uma vez que tendem a preservar mais partes do esqueleto. No momento, a equipe liderada por Müller trabalha na triagem e preparação de fósseis escavados no sítio durante trabalhos de campo conduzidos ao longo do último ano. Os paleontólogos esperam apresentar alguns dos novos achados ainda em 2025.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica

Os restos fósseis do Retymaijychampsa beckerorum, assim como uma série de outros achados, estão depositados no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM), em São João do Polêsine. O município faz parte do Geoparque Quarta Colônia Unesco. No centro de pesquisa há uma exposição de fósseis que pode ser visitada sem custo.

O estudo foi conduzido pelo paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller. A pesquisa recebeu apoio do CNPq e INCT Paleovert.

O artigo intitulado “A new proterochampsid archosauriform from the Middle–Upper Triassic of Southern Brazil” foi publicado no periódico “Acta Palaeontologica Polonica” e pode ser acessado gratuitamente através do link.

Fonte: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM

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Uma imagem com importantes achados paleontológicos depositados no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi destaque na seleção anual das melhores imagens científicas de 2024 da Revista Nature, uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo.

[caption id="attachment_67991" align="alignleft" width="689"] Imagem: Reprodução/Nature. Fotografia: Diego Vara/Reuters[/caption]

 A foto apresenta um exemplar de Prestosuchus chiniquensis, escavado pelo paleontólogo Sérgio Furtado Cabreira. O réptil pertence à linhagem crocodiliana e viveu há 237 milhões de anos, durante o Período Triássico, em uma descoberta que reforça a relevância do Brasil, e em particular da região central do Rio Grande do Sul, para a paleontologia mundial. Na imagem, ao lado do Prestosuchus, o paleontólogo Rodrigo Temp Müller, do CAPPA/UFSM, segura um dos mais antigos fósseis dos precursores dos dinossauros já encontrados: um exemplar de Gondwanax paraisensis, um réptil que também remonta ao Triássico.

Excelência da pesquisa paleontológica na UFSM

A região de Santa Maria, conhecida mundialmente por abrigar um dos mais ricos patrimônios fossilíferos do mundo, tem sido essencial para a compreensão da evolução dos vertebrados terrestres. Localizado em São João do Polêsine, o CAPPA/UFSM tem se destacado na pesquisa, na formação de novos cientistas e na divulgação científica sobre a história evolutiva dos vertebrados: “É incrível ver como a pesquisa paleontológica que produzimos na UFSM tem conquistado reconhecimento mundial, impulsionando cada vez mais a internacionalização da nossa Universidade”, ressalta Temp Müller.

Texto: Luciane Treulieb, jornalista

Imagem: Reprodução/Nature. Fotografia: Diego Vara/Reuters

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Monumento Natural da Alemoa está localizado entre o final da Av. João Pozzobon e o início da Av. Evandro Behr

Há milhões de anos, o lugar conhecido por Sítio da Alemoa ou Sanga da Alemoa, localizada nas proximidades do Trevo do Castelinho - entre o final da Avenida João Pozzobon e o início da Avenida Evandro Behr -, foi habitado por animais que viveram antes dos dinossauros. Com a finalidade de sensibilizar a comunidade sobre a importância de preservar o local, que tem relevância para a paleontologia mundial, o professor Átila da Rosa, do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Maria, desenvolve um projeto de extensão desde 2023.

Este importante sítio fossilífero tem recebido iniciativas de preservação desde a década de 1960. Rico em fósseis e com uma história que remonta a descobertas significativas desde o início do século XX, o Monumento Natural da Alemoa se encontra sob proteção e em processo de valorização para fins educacionais e turísticos, de acordo com a Portaria nº 18/SMA, de 23 de dezembro de 2020, que instituiu o espaço como um ambiente especialmente protegido.

Riqueza paleontológica do sítio

 

De acordo com o professor Átila da Rosa, pelo menos nove espécies diferentes de fósseis foram identificadas, resultado de centenas de coletas no Monumento Natural da Alemoa. Entre as espécies encontradas estão cinodontes, rincossauros, pseudosúquios, herrerasaurídeos, lagerpetídeos, silessaurídeos e sauropodomorfos.

Os cinodontes são vertebrados relacionados aos répteis que deram origem aos mamíferos, enquanto os rincossauros são répteis herbívoros com crânios triangulares e bicos ósseos. Os pseudosúquios, geralmente carnívoros, são ancestrais dos dinossauros, pterossauros, crocodilos e tartarugas. Já os herrerasaurídeos são dinossauros primitivos, possíveis antecessores dos terópodes, incluindo o Tyrannosaurus rex. Os lagerpetídeos e silessaurídeos são considerados dinossauromorfos basais, associados, respectivamente, aos pterossauros e dinossauros ornitísquios. Por fim, os sauropodomorfos englobam os saurópodes, dinossauros quadrúpedes e herbívoros que, em suas formas basais, apresentavam hábitos e posturas diferentes.

Infográfico mostra animais pré-históricos encontrados no sítio da Alemoa

A luta pela preservação

 

Na década de 1960, a construção de um estádio de futebol na área foi interrompida graças à intervenção do então reitor da UFSM, professor José Mariano da Rocha. Posteriormente, em 1980, a criação da "Comissão Pró-Sítio da Alemoa" resultou na doação de 1,4 hectare para pesquisa paleontológica, em troca da aprovação de um loteamento na região. Ao longo dos anos, diversas escavações revelaram fósseis valiosos, como o dinossauro Staurikosaurus pricei, e a área foi oficialmente tombada em resposta a uma Ação Civil Pública em 2000.

Em 2022, a partir da Portaria nº 18/SMA, a área foi transformada em uma unidade de conservação (UC) de proteção integral na modalidade monumento natural. O local foi , denominado "Monumento Natural Paleontológico Sanga da Alemoa - MONAlemoa". Esse novo status legal reforça a importância do local para a educação e o turismo.

Foto colorida horizontal de que foca em um pequeno fragmento de fóssil sendo apontado
Fragmento de fóssil encontrado no Monumento Natural da Alemoa

O passado

O professor Átila destaca a relevância do Scaphonyx fischeri para o Museu Gama d'Eça, ao mencionar que “o rincossauro Scaphonyx fischeri foi escolhido como representante da seção de paleontologia após a doação de um esqueleto quase completo coletado por Atílio Munari”, além de um crânio completo que foi encontrado pelo padre Daniel Cargnin. Ambos foram paleontólogos amadores que contribuíram significativamente para o conhecimento da paleontologia em Santa Maria. As escavações continuam a revelar uma diversidade de vida antiga, incluindo as espécies já mencionadas, como os cinodontes e os rincossauros. Esses répteis da era Mesozóica têm evidências que datam do período Triássico.

Segundo o pesquisador da UFSM, sabe-se disso por dois tipos de datação: a relativa e a absoluta. A datação relativa está, baseada no conjunto de fósseis e em sua comparação com bacias sedimentares de outros lugares do mundo, e nesse caso a importante presença de rincossauros, que tiveram uma grande ascensão apenas na idade do Carniano (entre 237 e 227 milhões de anos atrás, no Triássico). Já a datação absoluta, quando amostras de rocha pertencentes aos blocos de onde foram extraídos o sauropodomorfo “Saturnalia tupiniquim” foram processadas em laboratório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, para recuperação de cristais de zircão, um mineral que contém quantidades necessárias de urânio para a datação alcançada de 233 milhões de anos. Assim, as duas informações corroboram a ideia de que se trata deste intervalo específico de tempo.

Foto colorida horizontal de formação geológica com cor marrom
Área do Monumento Natural da Alemoa

Perspectiva para o turismo

Questionado sobre as estratégias de turismo do sítio, o pesquisador menciona os projetos significativos em desenvolvimento para impulsionar o turismo na região. “Existe um projeto de construção de dois espaços voltados à educação e turismo no sítio, um museu e um centro de recepção de visitantes, conectados por passarelas aos locais de escavação”, conta.

Átila enfatiza que as descobertas realizadas na Alemoa são vastas e impactantes. Desde os vestígios orgânicos encontrados em 1902, que levaram à identificação do primeiro réptil triássico da América do Sul, o Scaphonyx fischeri, até as coletas de fósseis por expedições internacionais, a área se consolidou como um importante laboratório natural. Além de Staurikosaurus pricei, os pesquisadores também identificaram novas espécies, como Saturnalia tupiniquim e o cinodonte Alemoatherium huebneri.

Preservação e educação

O Monumento Natural da Alemoa está sob a gestão da prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e temi uma área de escavação que representa uma ravina na borda norte do Cerro da Alemoa. Entretanto, todos os 20 hectares preservados apresentam a mesma rocha abaixo do nível atual do solo. O professor Átila lembra que, na década de 1960, toda essa região não tinha a vegetação que vemos hoje, caracterizava-se como um grande afloramento - exposição de rocha - a céu aberto, onde se podiam reconhecer ao menos oito locais de escavação. A maioria dos afloramentos foi soterrada pelo crescimento urbano e pela expansão de árvores exóticas, como Pinus sp - originário do hemisfério Norte - e Eucalyptus sp - originário da Austrália.

O sítio, portanto, se torna um verdadeiro laboratório natural. Além de fomentar o turismo da região, também abriga pesquisadores que estão empenhados em descobrir, a cada dia, espécies milenares, uma vez que a área é um testemunho de formas de vida que existiram há milhões de anos.

Texto: João Pedro Sousa, acadêmico de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Arte: Daniel Michelon De Carli

Fotos: Divulgação

Edição: Maurício Dias

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[caption id="attachment_67192" align="alignright" width="666"]imagem colorida horizontal mostra a ilustração do dinossauro, abaixo o esqueleto dele, do lado superior esquerdo um globo terrestre apontando o local onde foi encontrado Detalhes do "Gondwanax paraisensis" (Ilustração: Matheus Fernandes Gadelha)[/caption]

Um paleontólogo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) publicou na última semana um estudo no periódico científico Gondwana Research descrevendo uma nova espécie de réptil que viveu há 237 milhões de anos. O animal traz novas pistas sobre a origem dos dinossauros. O artigo intitulado “A new 'silesaurid' from the oldest dinosauromorph-bearing beds of South America provides insights into the early evolution of bird-line archosaurs” pode ser acessado gratuitamente pelo link.

O surgimento dos dinossauros foi um dos processos evolutivos mais importantes da história da vida na Terra, uma vez que esses répteis dominaram os ecossistemas terrestres por mais de 150 milhões de anos. Entretanto, a ascensão dos dinossauros ainda é um tema muito desafiador de se investigar, especialmente pela escassez de fósseis de seus precursores. O Brasil é conhecido mundialmente por abrigar alguns dos mais completos e bem preservados fósseis dos mais antigos dinossauros do mundo, com aproximadamente 230 milhões de anos. Por outro lado, embora essenciais para se entender a origem do grupo, fósseis de precursores de dinossauros mais antigos ainda são muito raros.

Compreender como foram os precursores dos dinossauros poderá ajudar a entender quais as características que foram cruciais para a o seu sucesso evolutivo. Ao longo dos últimos anos, foram reportados achados desse tipo para camadas fossilíferas com aproximadamente 237 milhões de anos no Brasil. Contudo, esses fósseis são usualmente fragmentários e pouco informativos.

[caption id="attachment_67193" align="alignleft" width="541"]foto colorida quadrada com um homem de barba e camiseta branca manuseando e tendo à frente um esqueleto sobre uma bancada Rodrigo Temp Müller com o fóssil do "Gondwanax paraisensis" (Foto: Janaína Brand Dillmann)[/caption]

Fósseis foram doados para o CAPPA/UFSM

Uma adição a esse cenário se deu agora com a descrição de uma nova espécie chamada de Gondwanax paraisensis. Os fósseis da nova espécie foram descobertos no município de Paraíso do Sul por Pedro Lucas Porcela Aurélio. Depois de recolhidos, os materiais foram doados por Aurélio para o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA/UFSM) em janeiro de 2024.

Durante a triagem dos fósseis recebidos pelo CAPPA/UFSM, o paleontólogo Rodrigo Temp Müller notou alguns elementos com características interessantes. O paleontólogo levou os materiais para o laboratório e iniciou um minucioso trabalho de preparação, com uso de ácido e marteletes pneumáticos. Após dias de trabalho, parte do esqueleto de um réptil até então desconhecido foi finalmente revelada. Uma descrição formal da espécie e suas implicações foram apresentadas em um artigo científico publicado por Müller no periódico Gondwana Research. A pesquisa recebeu apoio do CNPq e INCT Paleovert.

Os detalhes do esqueleto fossilizado sugerem que o material pertence a um animal da linhagem dos dinossauros, podendo ser um dinossauro propriamente dito ou um parente muito próximo. Com aproximadamente 237 milhões de anos, esse é um dos fósseis mais antigos dessa linhagem já descobertos. Com base nas dimensões dos elementos preservados, estima-se que o Gondwanax paraisensis teria atingido cerca de um metro de comprimento. Uma vez que não foram recuperados dentes ou outros elementos cranianos, não foi possível inferir seus hábitos alimentares. Ainda assim, a maioria dos animais relacionados a ele foram herbívoros ou onívoros, o que torna bastante provável que ele também tivesse esse tipo de dieta. Quanto ao nome, “Gondwanax” significa “lorde do Gondwana”, referindo-se ao futuro domínio que os dinossauros exerceriam na porção de terra conhecida como Gondwana (região Sul do Supercontinente Pangeia). Já “paraisensis” é uma homenagem ao município de Paraíso do Sul.

[caption id="attachment_67194" align="alignright" width="541"]foto colorida horizontal de uma mão segurando um pequeno osso de cor escura, e logo abaixo, em uma bancada branca, outros ossos Fêmur do "Gondwanax paraisensis" (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]

Importância do Brasil no cenário internacional

O Gondwanax paraisensis foi classificado como membro do grupo denominado “Silesauridae” devido a características diagnósticas presentes no fêmur (osso da coxa). Contudo, existe um debate sobre a posição que os “silessaurídeos” ocupavam na árvore evolutiva dos dinossauros. Alguns pesquisadores acreditam que esses animais podem ter sido precursores muito próximos dos dinossauros, enquanto outros sugerem que, em vez de precursores, eles eram dinossauros verdadeiros. Esse conflito de hipóteses ocorre justamente porque os “silesaurídeos” apresentam características típicas de dinossauros, mas também possuem algumas que ainda parecem bastante primitivas.

Essa condição é observada nos elementos ósseos de Gondwanax paraisensis. Por exemplo, o fêmur não apresenta uma das principais cristas para ancoragem de músculos, que é comum em dinossauros. Já o seu sacro (região que conecta a cintura com a coluna) parece bastante avançada, uma vez que apresenta mais vértebras do que outros “silessaurídeos” com idade similar. Essa incomum combinação de características pode indicar que o Gondwanax paraisensis locomovia-se de maneira distinta dos outros precursores dos dinossauros. Ainda, a ocorrência do Gondwanax paraisensis em camadas fossilíferas que já haviam revelado outros fósseis de “silessaurídeos” indica que esses dinossauromorfos
foram bastante diversos, mesmo durante as fases iniciais da evolução do grupo.

A descoberta do Gondwanax paraisensis em rochas com aproximadamente 237 milhões de anos na região central do Rio Grande do Sul destaca a importância do Brasil no cenário internacional do estudo da origem dos dinossauros. Enquanto há cerca de 10 anos os fósseis de dinossauros eram comemorados com enorme entusiasmo pelos paleontólogos que realizavam escavações no Rio Grande do Sul, hoje eles se tornaram
mais abundantes, levando os pesquisadores a buscar vestígios ainda mais antigos, como o Gondwanax paraisensis. O achado demonstra que, além de preservar alguns dos dinossauros do mundo, o Brasil também abriga fósseis dos répteis que marcaram o início da história evolutiva dos dinossauros, revelando detalhes até então desconhecidos dessa trajetória que transformou os ecossistemas terrestres durante a Era Mesozoica.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica

Os restos fósseis do Gondwanax paraisensis, assim como uma série de outros fósseis, estão depositados no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA/UFSM) que fica localizado no município de São João do Polêsine. O município faz parte do Geoparque Quarta Colônia
Unesco. No centro de pesquisa há uma exposição de fósseis que pode ser visitada sem custo.

Fonte: CAPPA/UFSM

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/10/11/ufsm-participa-de-descoberta-de-nova-especie-de-tatu-extinto-no-parana Fri, 11 Oct 2024 12:21:17 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67176 [caption id="attachment_67177" align="alignright" width="504"]imagem colorida horizontal mostra um tatu em um ambiente natural Reconstrução artística do "Parutaetus oliverai" (Por Márcio L. Castro)[/caption]

Os tatus são mamíferos fascinantes, conhecidos por sua armadura natural: uma carapaça dura e articulada que cobre boa parte de seu corpo, funcionando como uma defesa eficaz contra predadores. Eles vivem principalmente nas Américas, com a maior concentração de espécies na América do Sul. No entanto, sua diversidade era muito maior no passado, como demonstram os fósseis encontrados em várias regiões do continente. O Brasil é um dos principais locais de descobertas desses fósseis, incluindo alguns dos registros mais antigos de tatus.

Recentemente, a pesquisadora Tabata Klimeck, da UFSM, junto com seus colegas Martin Ciancio (Museo de La Plata, Argentina), Fernando Sedor (Museu de Ciências Naturais, UFPR) e Leonardo Kerber (Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/CAPPA, UFSM), descreveu uma nova espécie de tatu extinto, chamada Parutaetus oliveirai.

[caption id="attachment_67178" align="alignleft" width="505"]foto colorida retangular com uma mão aberta e dentro dela 4 pequenos pedaços de ossos quadrados, do tamanho de uma unha Osteodermos de "Parutaetus oliveirai"[/caption]

Os fósseis dessa nova espécie, compostos por osteodermos (as placas que formam a carapaça), foram encontrados na Formação Guabirotuba, em Curitiba, Paraná. Após uma análise minuciosa, utilizando microtomografia computadorizada, os cientistas identificaram essa nova espécie com base em características únicas desses osteodermos, e descobriram que ela é relacionada aos Euphractinae, um grupo que inclui o tatu-peludo ou tatu-peba, muito comum no Brasil.

Além disso, a equipe observou que esses osteodermos apresentavam um número maior de forames, onde pelos se inseriam. Essa característica indica que a espécie possuía uma cobertura de pelos mais densa em comparação com outras formas próximas. Essa característica se alinha com um período mais frio ocorrido no final do Eoceno.

A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado de Tabata Klimeck no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM e representa uma importante contribuição para o estudo da evolução e adaptação dos tatus no passado e ajuda a entender a origem da biodiversidade do país.

O artigo pode ser conferido no link.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/08/01/novo-fossil-descoberto-pela-ufsm-ja-esta-em-exposicao-no-museu-gama-deca Thu, 01 Aug 2024 14:57:55 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=66437 [caption id="attachment_66439" align="alignright" width="602"]foto colorida horizontal de um fóssil (osso) sobre uma superfície branca Fóssil original do "Cornualbus primus" ficará em exposição até dezembro[/caption]

O Cornualbus primus, um fóssil inédito descoberto pela UFSM, foi apresentado a Santa Maria e ao mundo na noite desta quarta-feira (31) no Museu Gama D’Eça, onde estará em exposição desta quinta (1º) até dezembro. O espécime foi um pararéptil (grupo de animais que possui a mesma linhagem evolutiva dos répteis) de aproximadamente 30cm. Herbívoro, o animal provavelmente possuía hábitos noturnos e era um escavador que vivia em tocas. 

O fóssil pertence ao grupo dos procolofonóides, que eram semelhantes a lagartos e foram os últimos sobreviventes dos pararépteis no período Triássico, que ocorreu entre 250 e 200 milhões de anos atrás. 

[caption id="attachment_66442" align="alignleft" width="600"]foto colorida horizontal de pessoas aplaudindo e olhando para pedaços do fossil em uma pequena redoma de vidro Apresentação do novo fóssil ocorreu no Museu Gama d'Eça[/caption]

Descoberto na formação geológica Santa Maria, onde os arenitos possuem idade de 240 e 230 milhões de anos, o primus ajuda a preencher uma lacuna dos pararépteis do Triássico, pois ele viveu na parte que pode ser considerada como “o meio” desse período, enquanto os outros fósseis encontrados na região, como o Procolophon trigoniceps e o Soturnia caliodon, viveram no início e no final do Triássico, respectivamente.

A descoberta do fóssil ocorreu em 2017, no entorno do autódromo de Santa Maria, pelo professor Leopoldo Witeck Neto, e foi o tema da tese de doutorado em Biodiversidade Animal de Eduardo Silva Neves, que estudou a nova espécie. Parte da tese será publicada em um artigo na revista britânica Journal of Systematic Paleontology e tem como co-autores Átila Augusto Stock da Rosa (orientador, UFSM), Sean Modesto (Universidade Cape Breton, Canadá) e Sérgio Dias da Silva (UFSM).

“Esse artigo é fruto de muito trabalho e tempo dedicado, além dos desafios, como achar que as coisas não vão dar certo ou de que ele não é relevante o suficiente. Mas chegar hoje e ver o auditório do museu lotado dá a certeza de que valeu a pena”, destacou Neves. 

Após a exposição, o fóssil será substituído por uma réplica e o material original será objeto de novas pesquisas no Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE). O material ainda passará pelo processo de datação para estimar a idade do animal de forma mais precisa com base em sua ossada.

[caption id="attachment_66440" align="alignright" width="600"]foto colorida horizontal de um homem em frente a um telão com o título da apresentação sobre o fóssil descoberto Pesquisador Eduardo Neves durante a apresentação da nova espécie de pararéptil[/caption]

Processo de descoberta de uma nova espécie

Eduardo conta que, quando recebeu as primeiras imagens do fóssil e a descrição da formação geológica onde ele foi descoberto, ficou empolgado imediatamente por saber que se tratava de uma nova espécie. Para comprovar isso, o pesquisador conta que começou a analisar fósseis semelhantes ao redor do mundo.

“O grupo dos procolofonóides está espalhado pelo mundo inteiro - África, Ásia, América, Europa, Oceania e até na Antártica. Com a comparação das características do fóssil e da formação geológica onde foi achado, que nos permite estimar a idade que o animal tem, comprovamos que era uma nova espécie”, detalha o pesquisador.

O material também passou por uma tomografia computadorizada, onde foi revelado que, além do crânio, havia dentro da rocha onde ele foi encontrado membros posteriores. Ainda foi possível analisar a sua dentição. “Seria muito perigoso fazer essa análise de forma mecânica, pois poderíamos danificar o fóssil. Sem a tomografia ou corremos esse risco, ou não realizamos a análise para preservar o material”, explica.

Durante a apresentação para a comunidade foi explicado que há poucos exemplares de procolofonóides no mundo com crânio tão completo.

O trabalho para manter o conhecimento e descobertas ao alcance da comunidade

[caption id="attachment_66441" align="alignleft" width="600"]foto colorida horizontal de pessoas em pé aplaudindo Público lotou o auditório do Museu Gama d'Eça[/caption]

“A Universidade produz muitas pesquisas que ficam restritas às suas áreas de conhecimento. O museu é um espaço de extensão e divulgação científica, onde o público em geral acessa o acervo e as pesquisas de forma acessível”, destaca o museólogo e diretor do Gama D’Eça, Bernardo Duque de Paula. Ele ainda destaca que o museu possui em seu acervo coleções de paleontologia, que contam com outros fósseis descobertos em Santa Maria, além das áreas de arqueologia, história e entomologia.

O museu está aberto para visitação de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, sem fechar ao meio-dia. Em caso de visitas realizadas em grandes grupos de pessoas, como escolas, é necessário entrar em contato com o museu para a realização de um passeio guiado. O contato pode ser feito pelos números (55) 3220-9306 e (55) 3220-9308 ou pelo email museueducativogamadeca@55bet-pro.com.

A pró-reitora adjunta de Extensão, Jaciele Sell, afirmou que a descoberta inédita mostra a relevância do trabalho paleontológico feito pelos pesquisadores da UFSM. Ela também ressaltou a importância dos espaços museais como um espaço de acolhimento e conhecimento dentro da Universidade para a população de Santa Maria e da Região Central. 

Além do Gama D’Eça, a UFSM conta com espaço de pesquisa em paleontologia em São João do Polêsine, com o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa), espaço de pesquisa e extensão que exibe fósseis descobertos e pesquisados na região da Quarta Colônia. “O Cappa recebe visitas de escolas e da população em geral. Além da divulgação científica, o centro apoiou a consolidação da Quarta Colônia como um geoparque mundial da Unesco”, destacou Jaciele.

Texto: Bernardo Silva, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Ana Alícia Flores, estudante de Desenho Industrial
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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Um fóssil quase completo de um dinossauro que teria vivido há aproximadamente 230 milhões de anos foi encontrado recentemente por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). As fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul em maio deste ano aceleraram os processos de erosão dos sítios fossilíferos e expuseram os ossos do animal, que foi descoberto em São João do Polêsine, perto de Santa Maria. 

Confira, a seguir, o relato do paleontólogo Rodrigo Temp Müller, que coordenou a equipe responsável pelo achado de um dos dinossauros herrerassaurídeos mais completos já descobertos na história. 

Equipe

Antes de dar início ao relato, gostaria de dar crédito aos envolvidos nesse achado. Além de mim, essa descoberta também teve a participação de outras pessoas através do trabalho de campo ou de laboratório, são elas: Fabiula Prestes de Bem, Lísie Vitória Soares Damke, Janaína Brand Dillmann, Mauricio S. Garcia, Jeung Hee Schiefelbein, Tamara Rossato Piovesan e Vitória Zanchett Dalle Laste.

Dia 15 de Maio (quarta-feira)

[caption id="attachment_66324" align="alignright" width="507"] Gnathovorax cabreirai (Imagem: Márcio L. Castro)[/caption]

Depois de um longo período de chuvas intensas, houve finalmente uma trégua e elas começaram a cessar. Estávamos ansiosos para iniciar o trabalho de prospecção. Imaginávamos que todo aquele volume de água teria acelerado muito a erosão nos sítios fossilíferos, o que poderia revelar novos fósseis - e também acabar destruindo-os, caso não os resgatássemos a tempo. Combinei com o grupo de estudantes que trabalha comigo que, naquela tarde, iríamos visitar os sítios fossilíferos próximos.

No início da tarde, reunimos as ferramentas e equipamentos e partimos entre cinco pessoas para o primeiro ponto de parada, um sítio que fica muito próximo à área urbana de São João do Polêsine. Esse local é chamado de Sítio Marchezan. Nele, foi descoberto o esqueleto completo do Gnathovorax cabreirai, um dinossauro que pertence ao grupo chamado de Herrerasauridae. Esses dinossauros eram predadores de topo de cadeia. Tinham dentes afiados, garras longas e uma postura bípede. Foram os primeiros dinossauros predadores de grande porte a existir, com algumas formas chegando a atingir até seis metros de comprimento. 

Então, agora que você já tem uma ideia de quão incrível é o fóssil do Gnathovorax cabreirai, vai entender o motivo pelo qual, sempre que pisamos nesse sítio, temos aquela sensação de que podemos encontrar outro fóssil parecido com ele. Mas não foi dessa vez. Depois de uma minuciosa varredura, concluímos que não havia qualquer fóssil para ser coletado naquele momento. Mas aquele dia ainda iria nos surpreender.

Quando voltamos ao veículo e partimos para a próxima parada, já estávamos na metade da tarde. Depois de percorrer apenas 1,2 quilômetros, chegamos ao sítio fossilífero Predebon. Trata-se de uma área de exposição de rocha do Período Triássico na beira de um açude que pode ser visto da rodovia. Nesse local, já coletamos muitos fósseis de rincossauros, que são répteis que conviveram com os dinossauros e são caracterizados pela presença de um bico. Depois de andar um pouco pela área do sítio, me deparei com um material fóssil em exposição. Havia uma espécie de lâmina óssea bastante danificada e também um osso cilíndrico fraturado. Ambos estavam inseridos na rocha, porém, apresentavam sinais de erosão. Nós já sabemos que os dinossauros, diferentemente de outros animais que viveram com eles, possuíam a parede óssea muito fina, exatamente como a daquele osso cilíndrico. Todos reuniram-se em volta do achado, enquanto eu e um dos alunos começamos a expor parcialmente os restos fósseis. Estávamos animados com a possibilidade de se tratar de um dinossauro, já que eles são componentes raros das faunas daquela idade. A empolgação cresceu quando constatamos que a lâmina óssea fragmentada era parte do ílio, um osso da cintura pélvica. Familiarizados com a anatomia dos ossos de dinossauros, foi fácil reconhecermos que se tratava de uma cintura pélvica associada aos ossos da perna de um dinossauro herrerassaurídeos, tal qual o Gnathovorax cabreirai.

Havíamos achado no sítio Predebon o que buscamos em um sítio vizinho! Mas ainda era cedo para comemorar. O sol já começava a baixar e havia previsão de chuva. Não tínhamos como remover os materiais fósseis naquele momento. Eles eram muito frágeis, seria necessário escavar toda a rocha para levá-los de maneira adequada ao nosso centro de pesquisa. Como forma de proteger o fóssil durante aquela noite, aplicamos uma camada de gesso sobre ele. Seria o suficiente para impedir que fosse perdido em breve, mas precisávamos dar continuidade à coleta o quanto antes, uma vez que não sabíamos se as fortes chuvas poderiam retornar. Não sei se todos da equipe sonharam com o fóssil naquela noite, mas tenho certeza que mal podiam esperar para continuar o trabalho no dia seguinte.

Dia 16 de maio (quinta-feira)

O dia amanheceu frio e com uma chuva fina. Não é a condição ideal para realizar a coleta de um fóssil, mas estávamos lidando com um tempo instável, podendo começar a chover mais forte a qualquer momento. Portanto, organizamos os materiais necessários para dar continuidade à escavação e retornamos para o sítio. O plano era escavar no entorno dos fósseis para conseguirmos extrair um bloco inteiro de rocha contendo eles. Depois de algumas batidas com a picareta, mais elementos ósseos surgiram. Estávamos felizes que a quantia de ossos daquele fóssil estava aumentando, isso significava que teríamos um esqueleto mais completo. Por outro lado, precisaríamos aumentar a área de escavação para extrair um bloco ainda maior.

Enquanto alguns membros do time se dedicavam à escavação, outros continuaram o trabalho de buscas por mais fósseis no sítio. Não demorou para que os alunos anunciassem uma série de descobertas. Eram vários materiais mais fragmentários de rincossauros espalhados em diferentes pontos. Esses fósseis foram sendo recolhidos e catalogados. Já no ponto principal de coleta, os ossos não paravam de surgir. Tínhamos a certeza de que estávamos diante de um achado incrível. Podíamos observar vértebras, costelas, o fêmur, tíbia e ossos da cintura pélvica. Em virtude do grande volume de fósseis, tivemos que prosseguir com muita cautela. Nas partes mais delicadas, utilizamos marretas e talhadeiras para quebrar a rocha. Já nos pontos em que havia menor possibilidade de ocorrer mais fósseis, conseguimos utilizar a picareta, que é um instrumento maior. Próximo do fim da tarde, quase todo o bloco de rocha estava delimitado. Antes de encerrarmos o trabalho, aplicamos mais uma camada de gesso por cima dos novos elementos ósseos. O fóssil estava bem protegido para aguardar por mais uma noite.

Dia 17 de maio (sexta-feira)

Retornamos pela manhã para darmos continuidade ao trabalho de escavação. Seguíamos animados com a descoberta e esperávamos finalizar a extração do bloco de rocha naquele dia. Trabalhamos durante o dia todo. Um outro bloco menor com restos de um rincossauro foi finalizado, enquanto parte da equipe seguia quebrando a rocha no entorno do bloco com os fósseis do dinossauro. Como as dimensões do bloco já estavam delimitadas e toda a superfície superior estava revestida por gesso, a maior parte do trabalho pôde ser feita com picaretas. Enquanto um ou dois membros da equipe investiam com as picaretas contra a rocha, outros removiam o rejeito com enxadas. Esse processo foi sendo repetido durante o dia todo.

Próximo do fim da tarde, o bloco estava totalmente delimitado. Agora precisávamos engessar as partes que faltavam.  Tínhamos o sol a nosso favor, era um dia relativamente mais quente do que os anteriores, o que tornava o processo de secagem do gesso mais rápido. Depois de repetir o processo de mistura do gesso algumas vezes e aplicar um tecido misturado a ele na volta do bloco, tínhamos o material totalmente protegido para o transporte. Foi nesse momento que nos deparamos com o próximo desafio. Quando rolamos o bloco de rocha para aplicarmos o gesso na base, foi possível notar que tínhamos algo muito pesado para carregar. Precisaríamos de uma estratégia para levar o bloco até a caçamba da camionete. Decidimos que faríamos isso utilizando uma espécie de padiola com pedaços de madeira e cordas. É algo que utilizamos com frequência, mas aquele bloco era um pouco mais pesado do que o habitual. Como ele já estava protegido, optamos por deixar o transporte para o dia seguinte.

Antes de encerrar o dia de trabalho, preparamos uma padiola – uma espécie de maca – improvisada no nosso centro de pesquisa. Não sabíamos o peso exato do bloco, mas a equipe achou que seria importante realizar um “teste-piloto”. Eu, que peso por volta de 115 quilos, acabei servindo de cobaia. O grupo conseguiu me erguer tranquilamente e a padiola resistiu perfeitamente. Não imaginando que o bloco seria muito mais pesado, fomos todos descansar para nos preparar para o último dia da coleta. 

Dia 18 de maio, sábado

Naquela manhã de sábado, aquele esqueleto fóssil deixaria o local em que ele permaneceu inerte por 230 milhões de anos. Estacionamos a camionete o mais próximo possível do local em que o bloco repousava. O primeiro passo do trabalho de transporte foi acomodar o bloco na padiola. Foi durante esses primeiros movimentos que notamos que a tarefa de transporte seria bem mais árdua do que gostaríamos. Aquele bloco era muito mais pesado do que imaginávamos, hoje estimamos que ele passou de 200 quilos. Ao baixá-lo na padiola, escutamos alguns rangidos vindos da madeira, o que significava que ela poderia quebrar durante o translado. Uma das alunas que fazia parte da equipe ficou encarregada de prender o bloco com as cordas, para tentar evitar problemas. A experiência dela como escoteira sempre nos ajuda nesses momentos.

O bloco estava na posição e devidamente amarrado à padiola. Era hora de começar o transporte. Discutimos um caminho que parecia o menos acidentado até a parte de cima do barranco, onde a camionete nos aguardava. Contamos até três e erguemos juntos o bloco. Andávamos alguns metros e fazíamos uma pausa para nos reorganizar. Uma das madeiras cedeu, mas conseguimos seguir caminho. Levaram alguns vários instantes até que conseguíssemos depositar o bloco na caçamba da camionete. O feito foi comemorado com alegria por todos. Tínhamos conseguido resgatar o esqueleto do dinossauro com êxito!

Dia 20 de maio (segunda-feira)

Na segunda-feira, retornamos ao sítio Predebon para procurar elementos que pudessem ter ficado entre o rejeito da coleta ou até mesmo no entorno. Também precisávamos continuar a coleta de alguns restos de um rincossauro que surgiu ao lado do dinossauro que havíamos coletado. Para nossa alegria, encontramos ainda na rocha a escápula do dinossauro e algumas falanges. Esses materiais foram extraídos e embalados.    

Dia 21 de maio (terça-feira)

No dia seguinte, ainda na parte da manhã, fomos até outro sítio que fica no município de Dona Francisca. Como passamos os últimos dias coletando os fósseis de São João do Polêsine, não havíamos conseguido verificar outros sítios que também tinham sido atingidos pelas chuvas. No local, recolhemos alguns fragmentos que estavam espalhados pela superfície e também coletamos partes de um dicinodonte que estavam expostas na rocha. Os dicinodontes são parentes muito distantes dos mamíferos. Eles são herbívoros, quadrúpedes e caracterizados por um par de presas grandes. Não identificamos nada que necessitasse uma escavação. Sendo assim, retornamos mais uma vez até o sítio Predebon em São João do Polêsine para recolher alguns últimos materiais.

Foi no turno da tarde que finalmente voltamos a atenção para o bloco com o dinossauro. Iríamos iniciar o trabalho de “preparação”. Isso significa expor todos os elementos ósseos através da remoção do sedimento que os reveste. Mas, primeiro, foi necessário serrar o gesso. Depois de remover o gesso da parte superior, levamos o bloco até o laboratório e começamos uma limpeza superficial. Ver aquele fóssil tão bem preservado ali foi incrível. Cada aluno que passava por ali ficava maravilhado. Não só por se tratar de um dinossauro com muitos ossos preservados, mas também pela qualidade da preservação. Era possível notar detalhes muito delicados dos ossos.

Mas ainda restava algo para nos deixar completamente satisfeitos. Sem dúvida, quando se estuda fóssil de vertebrados, o que mais chama a atenção é o crânio. É através dele que conseguimos ter um vislumbre da “face” da criatura extinta. Contudo, até aquele momento, nós não tínhamos partes do crânio preservadas. Claro, já significaria um achado incrível, mas paleontólogos sempre têm aquela sensação de que debaixo da próxima rocha haverá algo. Foi o que aconteceu: conforme removíamos o sedimento mais grosso, surgiram estruturas pontiagudas e com bordas serrilhadas. Dentes. Os dentes que 230 milhões de anos atrás amedrontaram animais menores e perfuraram a carne de outros menos afortunados. Junto aos dentes, surgiram as partes do crânio. Pronto, nossa descoberta estava completa. Todos comemoraram entusiasmados. Estávamos diante de um dos dinossauros herrerassaurídeos mais completos já descobertos na história.

Julho

Do momento da descoberta até agora, identificamos quase todos os elementos ósseos no bloco. Nosso grupo de pesquisa tem trabalhado muitas horas na preparação do material. O sedimento que reveste os ossos fósseis é lentamente removido com uso de bisturis, enquanto uma mistura com resina é aplicada sobre os fósseis para garantir a sua preservação. Uma das revelações mais recentes foi a região do crânio que aloja o cérebro. Essa porção está intacta. Poderemos extrair informações inéditas sobre o encéfalo dos primeiros dinossauros a partir dessa região. Com base no tamanho dos elementos ósseos que já observamos, podemos estimar que o dinossauro teria em torno de 2,5 metros de comprimento, mas ele morreu antes de atingir o tamanho máximo. Esperamos remover todos os ossos da rocha durante os próximos meses. Depois disso, realizaremos estudos comparativos para definir a espécie do dinossauro e entender melhor como viveu esse predador que habitou nossa região tanto tempo atrás.

Financiamento

A pesquisa realizada pela equipe recebe apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Texto: Rodrigo Temp Müller, paleontólogo Cappa/UFSM
Edição: Luciane Treulieb, jornalista
Arte Gráfica: Daniel Michelon De Carli, designer

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Um paleontólogo da UFSM publicou nesta quinta-feira (20) um estudo no periódico científico Scientific Reports descrevendo uma nova espécie de réptil fóssil oriundo do município de Paraíso do Sul, na região central do Rio Grande do Sul. A descoberta revela o primeiro registro brasileiro de um grupo chamado de Gracilisuchidae, o qual era conhecido apenas na Argentina e China.

Antes do surgimento dos dinossauros, os ecossistemas foram dominados por precursores dos mamíferos e répteis de diversas linhagens. Dentre essas linhagens, uma das mais diversas foi a que posteriormente deu origem aos jacarés e crocodilos. Contudo, durante o Período Triássico, essa grande linhagem foi muito mais diversa do que é atualmente, com muitas formas terrestres ocupando o papel de predadores de topo de cadeia, enquanto outras desenvolveram couraças com espinhos para se proteger. Fósseis desses répteis são registrados em sítios fossilíferos do Brasil. Entretanto, um dos grupos mais enigmáticos dessa antiga linhagem ainda não havia sido registrado no país. Isso mudou quando o paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller, notou um fóssil diferente em meio a uma doação de materiais recebida pelo Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) em janeiro de 2024, a qual foi cedida pelo entusiasta da paleontologia Pedro Lucas Porcela Aurélio.

[caption id="attachment_66085" align="alignleft" width="634"]Paisagem do Triássico Médio-Superior do Sul do Brasil mostrando um grande dinossauro se alimentando da carcaça de um animal menor enquanto dois pequenos lagartos competem por restos de alimento Paisagem do Triássico Médio-Superior do Sul do Brasil mostrando um grande "Prestosuchus chiniquensis" se alimentando da carcaça de um dicinodonte enquanto dois indivíduos de "Parvosuchus aurelioi" competem por restos de alimento (Ilustração: Matheus Fernandes Gadelha)[/caption]

Revisando os fósseis recebidos, o paleontólogo da UFSM selecionou exemplares para iniciar o trabalho de preparação, que consiste na remoção do fóssil de dentro da rocha que o reveste. Depois de algumas horas de preparação, partes da cintura pélvica (popularmente conhecida como bacia) foram reveladas. Entretanto, o paleontólogo destaca que o momento mais emocionante do processo foi quando a região da órbita do animal se revelou após a remoção de uma camada de rocha. Nesse momento, ficou claro que o crânio daquele organismo também estava preservado.

Após “libertar” o fóssil da rocha, iniciou-se o processo de diagnose. Trazendo uma série de características incomuns, foi possível constatar que aquele fóssil pertencia a um animal ainda desconhecido para o Brasil. Porém, o paleontólogo sabia que havia fósseis com características similares em outros lugares. Exemplares descobertos na Argentina e na China, os quais pertenciam a pequenos répteis predadores, possuíam muitas características compartilhadas com a nova descoberta. Esses animais fazem parte de um grupo chamado de Gracilisuchidae, uma das muitas linhagens de répteis que existiram durante o Período Triássico. Sabe-se que os únicos parentes próximos viventes dos gracilissuquideos são os jacarés e crocodilos, entretanto, diferente das formas viventes, os gracilissuquideos foram animais completamente terrestres, com os membros situados diretamente abaixo do corpo. Eles existiram entre 247 e 237 milhões de anos atrás, ainda antes do surgimento dos dinossauros.

[caption id="attachment_66086" align="alignright" width="565"]foto colorida horizontal mostra no detalhe duas mãos sob uma luminária manejando um pedaço do fóssil Fóssil de "Parvosuchus aurelioi" durante o processo de preparação (Foto: Janaína Brand Dillmann)[/caption]

Um pequeno predador

Preservando um crânio completo, parte da coluna vertebral, cintura pélvica e membros posteriores, o novo fóssil recebeu o nome de Parvosuchus aurelioi. O primeiro nome significa “Crocodilo pequeno”, já que o fóssil pertenceu a um animal que teria atingido apenas um metro de comprimento, enquanto que “aurelioi” presta homenagem a Pedro Lucas Porcela Aurélio, pela sua paixão pela paleontologia e prospecção, a qual levou à descoberta do fóssil em questão.

Conforme Aurélio comunicou à equipe do Cappa/UFSM durante a doação, o material foi encontrado em uma localidade situada no município de Paraíso do Sul. Portanto, o Parvosuchus aurelioi torna-se o primeiro fóssil único do município. A localidade fossilífera que produziu os fósseis é composta por rochas com aproximadamente 237 milhões de anos, uma idade que representa a transição entre o Triássico Médio e o Triássico Superior.

Com base na forma dos dentes, é possível determinar que o Parvosuchus aurelioi se alimentava de outros animais. Além disso, a constituição leve do esqueleto revela que ele foi um animal veloz. Porém, com apenas 1 metro de comprimento, o Parvosuchus aurelioi não foi capaz de caçar os grandes herbívoros que existiram 237 milhões de anos atrás no Rio Grande do Sul. Essas grandes presas faziam parte da dieta de outros predadores muito maiores, como o Prestosuchus chiniquensis, que chegava a atingir até sete metros de comprimento. O Parvosuchus aurelioi teve que se preocupar em procurar presas menores. Essa descoberta é particularmente interessante porque até o momento não havia fósseis tão pequenos de membros da linhagem que deu origem aos crocodilos em camadas com essa idade no Brasil.

Gracilisuchidae no Brasil

O primeiro fóssil de um gracilissuquideo foi descoberto na Argentina e descrito em 1972. No ano seguinte, um animal similar foi descrito para a China. Anos mais tarde, em 2001, outro gracilissuquideo foi descoberto na China. Após este, nenhum outro fóssil inequívoco de Gracilisuchidae foi registrado em outros países. Assim, depois de mais de duas décadas sem novos achados, o Parvosuchus aurelioi volta a chamar a atenção para esse grupo de répteis tão peculiar. Ainda se sabe pouco sobre a biologia dos gracilissuquideos. Contudo, um dos aspectos interessantes sobre eles é que nenhum membro desse grupo chegou a atingir grande tamanho corpóreo, chegando no máximo a alcançar um metro de comprimento. Além disso, os fósseis inequívocos mais recentes do grupo têm cerca de 237 milhões de anos. Para se ter ideia, os fósseis mais antigos de dinossauros são encontrados em rochas com aproximadamente 230 milhões de anos.

Mas a descoberta do Parvosuchus aurelioi também lança luz sobre outro fóssil brasileiro. Em 2022, uma equipe de pesquisadores brasileiros apresentou o Maehary bonapartei, um réptil com cerca de 30 centímetros de comprimento que foi descoberto no município de Faxinal do Soturno, Rio Grande do Sul. Na época, acreditou-se que o Maehary bonapartei fosse um membro do grupo que deu origem aos pterossauros (um grupo de répteis voadores que existiu durante a Era Mesozoica). Já em 2023, um outro estudo sugeriu que esse réptil pudesse ser um gracilissuquideo.

[caption id="attachment_66087" align="alignleft" width="639"]foto colorida horizontal de um homem de barba segurando à frente um pequeno fóssil. A imagem dele está um pouco desfocada Paleontólogo Rodrigo Temp Müller com o fóssil de "Parvosuchus aurelioi" (Foto: Janaína Brand Dillmann)[/caption]

No novo estudo apresentando o Parvosuchus aurelioi essa hipótese é corroborada. As datações do sítio fossilífero em que o Maehary bonapartei foi descoberto indicam uma idade de 225 milhões de anos. Dessa maneira, o Parvosuchus aurelioi e o Maehary bonapartei nunca conviveram, sendo separados por mais de 10 milhões de anos. Essa é uma informação interessante, já que se novos achados venham a confirmar que Maehary bonapartei foi mesmo um gracilissuquideo, o grupo pode ter existido na região que hoje é o Brasil por um longo intervalo temporal, algo que ainda não foi observado para esse grupo em outros lugares do mundo.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica

Os restos fósseis do Parvosuchus aurelioi, assim como uma série de outros fósseis, estão depositados no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa), um centro de pesquisa da UFSM que fica localizado em São João do Polêsine. O centro conta com uma exposição de fósseis que pode ser visitada sem custo.

O estudo foi conduzido pelo paleontólogo da UFSM Rodrigo Temp Müller. A pesquisa recebeu apoio do CNPq. O artigo intitulado “A new small‑sized predatory pseudosuchian archosaur from the Middle‑Late Triassic of Southern Brazil” foi publicado no periódico “Scientific Reports” e pode ser acessado gratuitamente pelo link.

Fonte: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM

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Estudar os fósseis e vestígios do passado requer tempo e paciência, afinal, cada etapa é importante!

🦕 Em 7 de março é comemorado o Dia Do Paleontólogo, profissional que, com muito trabalho, ajuda a responder perguntas sobre a evolução dos seres vivos que há séculos intrigavam a humanidade.

🦖 Na UFSM, o CAPPA desenvolve atividades paleontológicas na região da Quarta Colônia, onde estão localizados os dinossauros mais antigos do mundo.

🏛️ No local, uma exposição apresenta ao público um pouco da vida há milhões de anos. E essa é justamente a nossa parada: a exposição do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica, em São João do Polêsine. Confere só!

 

http://youtu.be/cWVYt3A9ASg?si=PZGyG2S8NCBbCXP4
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Em janeiro deste ano, Átila Da-Rosa, docente do Departamento de Geociências da UFSM, recebeu uma homenagem inesperada: um fóssil descoberto pela equipe do Laboratório de Paleobiologia do 55BET Pro São Gabriel da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) recebeu o seu nome. 

O fóssil Kwatisuchus rosai, encontrado em 2022 em uma fazenda no município de Rosário do Sul, apresenta características inusitadas. O anfíbio possui semelhanças com fósseis encontrados na região que hoje é conhecida como Rússia, o que desafia os limites do conhecimento sobre a Pangeia (o supercontinente, que existiu há cerca de 300 milhões de anos) já que, mesmo com a ligação das regiões, barreiras como cadeias montanhosas bloqueariam o acesso das espécies. 

O nome do bicho faz referência ao termo tupi “Kwati”, que significa “focinho comprido”, e “rosai”, em homenagem a Átila. O professor da Unipampa e líder do grupo  responsável pela descoberta, Felipe Pinheiro, conta que a ideia da homenagem surgiu de forma natural, pois o trabalho de Átila abriu caminho para que chegassem a esse resultado. “O Átila pavimentou a estrada que seguimos em nossas pesquisas desde 2015. Em anos anteriores, ele foi protagonista no reconhecimento, descrição e coleta de fósseis em sítios fossilíferos do início do Triássico. Seu trabalho permitiu a descoberta do Kwatisuchus e de inúmeros outros fósseis que a equipe da Unipampa recuperou e estudou nos últimos anos”. 

O encontro de Felipe com Átila aconteceu em meados de 2008, ano em que Felipe finalizou a graduação na Universidade Federal do Ceará (UFC), mas ele conta que já admirava a relevância do professor da UFSM para a Paleontologia antes disso: “Suas contribuições sobre a geologia e Paleontologia do Rio Grande do Sul já eram familiares para mim antes de conhecê-lo pessoalmente”. Outros integrantes do grupo da Unipampa também foram impactados pelo trabalho dele, como Arielli Machado, pesquisadora da Unipampa, que foi aluna de Átila na UFSM, e os pesquisadores Voltaire Paes Neto e Estevan Eltink, que já colaboraram com ele em outros projetos.

Em 25 anos de atuação como docente na UFSM, Átila continua a construir seu legado na pesquisa, mas já se consolidou como um dos grandes nomes da Paleontologia por meio de sua contribuição nos estudos voltados, principalmente, ao Rio Grande do Sul. “Poucos contribuíram como o Átila na compreensão holística de como era a região onde hoje fica Santa Maria durante o período Triássico. Isto é, na integração da informação obtida pelos fósseis e aquela proveniente das rochas. Sua pesquisa paleontológica com um forte viés geológico nos ensina a jamais ignorar as pistas deixadas pelas rochas, as únicas testemunhas dos ambientes do passado”, destaca Felipe.

Em homenagem ao dia do paleontólogo, a equipe da Arco conversou com Átila sobre questões que vão desde os desafios encontrados em mais de duas décadas de dedicação à pesquisa até sua percepção sobre a área de atuação e a motivação para continuar formando novos cientistas. Confira o que ele disse:

Arco- O que o motivou a escolher a Paleontologia como carreira?

Átila Da-Rosa - Na infância,  queria ser astronauta ou piloto de Fórmula 1. Na cidade onde eu morava, Bagé, vi uma "pedra da Lua" (meteorito) em exposição, doada pela Nasa, e aquilo me fascinou, tanto pela parte científica quanto pela exploração do espaço. 

Já na adolescência, sabia que não queria seguir a área do Direito, em que toda a família trabalhava. Queria um trabalho no campo. Um dia, um geólogo deu uma palestra no meu colégio, e eu me encantei pelo assunto. Feito o vestibular para geologia, no primeiro semestre já sabia que faria isso pelo resto da vida. No final do curso, já tentava me espelhar nos grandes professores que tive, e escolhi ser um professor/pesquisador, na interface entre a Geologia e a Paleontologia. Assim, fiz mestrado e doutorado na área, e depois concurso público para a UFSM, onde trabalho há 25 anos.

Arco- Como você descreveria o papel da Paleontologia para a sociedade?

Átila Da-Rosa - Essa é uma pergunta difícil, e não corriqueira, mas importante. Em primeiro lugar, penso que a ciência deve sempre procurar a evolução da Humanidade, para que possamos aprender com o passado e melhorar nossas previsões para o futuro. Em segundo lugar, a Paleontologia, por si só, já atrai a atenção da população, que tem muita curiosidade pela vida no passado. Nosso papel então está em promover a tradução dessas informações,  para que saibam que nosso planeta é único em Biodiversidade, e que sua manutenção depende de uma série de fatores, positivos ou negativos para nós, ao longo do tempo geológico.

Penso que o paleontólogo, como qualquer cientista, deve buscar não apenas a excelência em sua área de atuação, mas incluir nisso a extensão, como uma forma de retorno do conhecimento às comunidades envolvidas.

Arco- Qual a melhor e a pior parte de ser um pesquisador e atuar na área?

Átila Da-Rosa- Fazer ciência no Brasil ainda é difícil, apesar dos anos de ouro em investimentos na Educação, Ciência e Tecnologia nos anos 2000. Nossos pesquisadores são bem reconhecidos em diversas partes do mundo, para onde geralmente vão quando não há vagas, bolsas ou recursos por aqui. Essa "fuga de cérebros" é talvez a coisa mais frustrante para um pesquisador. 

Na Paleontologia, a melhor parte é poder acompanhar todo o processo, desde a coleta em campo ao preparo em laboratório, e posterior publicação em um periódico científico e também a repercussão na mídia local.

Arco- Recentemente, você recebeu uma homenagem com a nomenclatura do fóssil anfíbio encontrado no Rio Grande do Sul. O que isso representou para você?

Átila Da-Rosa- Uma grande honra! Diz o poeta cubano José Martí que uma pessoa deveria plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro para se sentir completa. Receber uma homenagem dessas é muito mais do que isso! É ser eternizado na ciência por colegas muito queridos. 

Eles pediram uma reunião online comigo, alegando que precisavam conversar sobre um artigo. Achei que queriam ajuda na parte geológica. Comecei a ler atentamente, então perguntaram se eu tinha gostado do nome. "Nome?!", pensei, e corri para a descrição do fóssil. Fiquei tão emocionado, que comecei a chorar. E só consegui dizer, "muito, muito, muito obrigado, me deixaram sem palavras!"

[caption id="attachment_9947" align="alignnone" width="1024"] Imagem do Kwatisuchus rosai, cujo fóssil foi encontrado em 2022 e homenageia Átila Da-Rosa[/caption]

Arco- A homenagem foi graças ao seu trabalho pioneiro na localização de sítios fossilíferos que remetem ao período Triássico, incluindo no local em que o Kwatisuchus rosai foi encontrado. O que essas descobertas representam para o estudo paleontológico da região?

Átila Da-Rosa- A Formação Sanga do Cabral foi definida formalmente em 1980, e dela sempre se conheceu fósseis fragmentários, encontrados em poucos afloramentos. Minha preocupação sempre foi a de encontrar novos sítios, para todas as formações geológicas com que trabalho. Isso seguramente ajuda a ampliar o conhecimento sobre os ambientes, climas e biotas [conjunto de organismos que habitam ou habitaram em um determinado ambiente] do passado.

No caso da descoberta do Kwatisuchus, três coisas chamam a atenção: a) a presença de anfíbios compartilhando o papel de predadores topo de cadeia, com répteis arcossauromorfos, b) a identificação de ambientes de planícies, com rios rasos, temporários e de alta energia, com raríssimos registros lacustres, c) a semelhança desses fósseis com representantes da parte norte da Pangeia, trazendo perguntas intrigantes sobre sua evolução.

Arco- Como foi desenvolvido o trabalho que resultou nessas descobertas?

Átila Da-Rosa- O Felipe Pinheiro, desde que assumiu o cargo na Unipampa 55BET Pro São Gabriel, vem revisitando os sítios conhecidos, e buscando novos, bem como alguns "esquecidos" pela Paleontologia. Neste sítio em particular, a Granja Palmeira, eu e um colega, o professor Sérgio Dias da Silva, tínhamos descrito sua geologia e alguns fósseis. O Felipe continuou procurando fósseis lá, até que encontraram esse belíssimo exemplar. Depois foram para o laboratório, preparar o material e comparar com as formas conhecidas no mundo todo, com a grata surpresa de ser semelhante a formas russas.

Arco- Quais são as características dessas localidades?

Átila Da-Rosa- Cada formação geológica é caracterizada a partir de suas diferenças quanto ao tipo e cor do sedimento, estruturas e fósseis existentes em relação a outras formações. 

A Formação Sanga do Cabral é caracterizada por arenito finos alaranjados, contendo concreções carbonáticas [nódulos mineralizados por carbonato de cálcio, gerados pela infiltração de água em solos] e níveis com conglomerados e arenito mais grossos, com estratificação cruzada. Essas feições são bem visíveis nos cortes de estrada (rodovias e ferrovias), ou em ravinas formadas pela erosão.

Arco- Você se dedica, principalmente, ao estudo do período Triássico. Quais são as especificidades desse período e o que desperta seu interesse nele?

Átila Da-Rosa- O Triássico é o primeiro período da Era Mesozoica, também conhecida como "Era dos dinossauros" ou "Era dos grandes répteis". Tudo o que aconteceu nesse período remete ao processo de reorganização da vida e dos ambientes, logo após o principal evento de extinção em massa de nosso planeta. Assim, o estudo da Formação Sanga do Cabral se reveste de importância única, pois é um dos poucos lugares do mundo onde se preservam rochas e fósseis desse período.

Arco- O que te motiva a continuar formando novos profissionais da área?

Átila Da-Rosa- A finitude das coisas. A ciência se mantém pelo aprendizado, pela formação de recursos humanos. Sempre haverá fósseis para cavar e estudar, mas é preciso sempre formar pessoas para essa continuidade.

Arco- Qual mensagem você deixaria para quem tem interesse na área ou está em período de formação?

Átila Da-Rosa- Qualquer profissão a ser escolhida deve sempre ser algo que te dê vontade de estar ali todo dia, o "brilho no olho", e um retorno financeiro mínimo.  Para isso, é preciso estudar e se preparar, e preferencialmente fazer algum estágio num laboratório de Paleontologia. Perto de sua cidade sempre pode ter um laboratório,  um professor e fósseis esperando por você!

Reportagem: Júlia Weber, estudante de jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Fotografia: Ana Alicia Flores, acadêmica de Desenho Industrial, bolsista da Agência de Notícias
Edição: Luciane Treulieb, jornalista



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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/02/06/cientistas-apresentam-o-esqueleto-mais-completo-ja-descrito-para-um-superpredador-de-240-milhoes-de-anos Tue, 06 Feb 2024 23:11:20 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65139 Reconstrução artística de Prestosuchus chiniquensis, em arte de Márcio L. Castro[/caption] Foi publicado na última semana, no periódico científico The Anatomical Record (dos EUA), um estudo apresentando detalhes do esqueleto de um predador de cerca de 240 milhões de anos. A equipe liderada pela paleontóloga Bianca Mastrantonio, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), descreveu o esqueleto mais completo de Prestosuchus chiniquensis já encontrado até o momento. Coletado em rochas do município de Dona Francisca, o fóssil foi estudado por uma equipe de pesquisadores de quatro instituições e dois países. O estudo contou com a colaboração de paleontólogos do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM. “Prestosuchus é um animal icônico”, pontua Bianca. “Foi o maior predador que já habitou nosso estado, e na época em que viveu estava entre os maiores predadores do mundo.” [caption id="attachment_65141" align="alignleft" width="430"] Acima, foto do bloco original. Abaixo, desenho esquemático dos ossos preservados. Os elementos do crânio foram marcados em cinza e os ossos pós-cranianos, em branco (arte gráfica: Téo Veiga de Oliveira)[/caption] A espécie foi descoberta há quase um século, em uma expedição empreendida pela Universidade de Tubinga (da Alemanha) no ano de 1928, na região de Chiniquá, no município de São Pedro do Sul. Contudo, era conhecida principalmente por esqueletos incompletos e fragmentados. “Isso sempre foi um problema”, explica o professor Cesar Schultz, da Ufrgs, coautor do estudo. “Para que possamos atribuir vários fósseis a uma mesma espécie, precisamos que eles preservem os mesmos ossos. E no caso de Prestosuchus, muitos dos fósseis conhecidos eram de diferentes partes do esqueleto, sem sobreposição de elementos”. “Essa é a beleza deste esqueleto”, comemora a paleontóloga argentina Julia Desojo, da Universidade Nacional de La Plata, que também participou do estudo. “Temos quase todos os ossos do crânio preservados, e a maior parte do esqueleto pós-craniano. Esse nosso espécime será um dos principais materiais de referência para a espécie.” “Essa é uma das conclusões do estudo” explica o pesquisador Marcel Lacerda, do Museu Nacional. “Por sua completude, o novo material agora permite comparar espécimes fragmentários, e confirmar que a maior parte deles, coletados no último século, são todos da mesma espécie.” Prestosuchus foi um animal quadrúpede e carnívoro. “Evolutivamente falando, ele está na raiz de uma linhagem chamada Loricata, que viria a dar origem aos atuais jacarés e crocodilos”, avalia a paleontóloga Letícia Rezende de Oliveira, do Cappa/UFSM. [caption id="attachment_65142" align="alignright" width="504"] Parte da equipe de autores do estudo, durante trabalho desenvolvido com o espécime, em 2023. Da esq. para a dir.: Flávio Pretto e Letícia Rezende, ambos do Cappa/UFSM, e Bianca Mastrantonio, da Ufrgs, que liderou a equipe. Na foto, a pesquisadora está segurando um dos fêmures (osso da coxa). Por esse osso, que mede quase meio metro de comprimento, pode-se ter uma noção da escala do animal[/caption] A equipe ainda levou um fragmento do úmero do animal até o Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde aspectos de sua biologia foram inferidos a partir de análises histológicas. “Analisando os ossos microscopicamente, pudemos identificar que o animal estava crescendo de forma lenta, além de apresentar várias linhas de crescimento, que sugerem que esse animal já fosse um adulto”, aponta o paleontólogo Brodsky Farias, da Ufrgs. “E provavelmente o animal ainda estava em fase de crescimento.” “Isso não surpreende”, aponta o paleontólogo Flávio Pretto, do Cappa/UFSM. “O indivíduo que estudamos nesse trabalho teria um pouco mais de quatro metros de comprimento. Mas conhecemos outros fósseis do animal que eram pelo menos duas vezes maiores.” O fóssil descrito pelo grupo de pesquisadores faz parte do acervo tombado da Ufrgs. O público pode encontrar uma réplica dele (uma cópia feita por Flávio Pretto) em São João do Polêsine, na mostra permanente do Cappa. Em seu acervo, o Cappa conta com outro fósseis de Prestosuchus, que estão sendo estudados no momento, com o objetivo de completar o esqueleto da espécie. A pesquisadora Bianca Mastrantonio ressalta que, mesmo com quase cem anos desde a descoberta dos primeiros fósseis, ainda há segredos a desvendar sobre a biologia de Prestosuchus, e conclui: “Ainda temos trabalho pela frente”. Texto: Cappa]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/02/01/uma-mordida-impressionante-unindo-paleontologia-e-engenharia-cientistas-gauchos-recriam-o-habito-de-caca-de-um-predador-extinto-ha-mais-de-230-milhoes-de-anos Thu, 01 Feb 2024 14:31:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=65109 [caption id="attachment_65110" align="alignright" width="385"] Parecidos, mas nem tanto: nos modelos analisados no novo estudo, observa-se a convergência evolutiva na prática. De cima para baixo, o crânio do proterocâmpsio, "Proterochampsa nodosa" (a), com um focinho alongado e achatado, similar ao de crocodilianos viventes, como o gavial-da-malásia, "Tomistoma schlegelii" (b), e o aligátor "Alligator mississippiensis" (c).[/caption]

Compreender os hábitos de vida de animais que há muito tempo desapareceram de nosso planeta é um desafio que intriga paleontólogos há séculos. Isso porque esses cientistas têm nos ossos fossilizados sua única evidência para reconstruir a história de vida desses seres do passado.

Isso não impediu uma equipe de pesquisadores gaúchos de investigar a fundo os hábitos alimentares de um animal extinto há mais de 230 milhões de anos. Usando tecnologias avançadas e a criatividade, especialistas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) reconstruíram o hábito alimentar da espécie Proterochampsa nodosa, um réptil que viveu no Rio Grande do Sul há cerca de 230 milhões de anos. Descoberto há mais de 40 anos no município de Candelária, esta é a primeira vez que o animal é submetido a análises biomecânicas, em um estudo inédito.

“Os proterocâmpsios são animais curiosos, porque seu crânio lembra muito o dos atuais jacarés e crocodilos, apesar de não terem nenhum tipo de parentesco evolutivo”, explica Daniel Simão de Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, que liderou o estudo. “O interessante, contudo, é que eles adquiriram essa morfologia antes de os primeiros crocodilos aparecerem em nosso planeta”.

Foi essa aparente semelhança que inspirou o estudo publicado no periódico norte-americano The Anatomical Record. No trabalho, os cientistas reconstruíram a morfologia do crânio e da mandíbula do animal, e identificaram os pontos onde a musculatura se alojava. Isso permitiu que eles estimassem, músculo a músculo, a força com a qual o animal era capaz de morder suas presas.

“Foi um processo longo”, explica Daniel. “O primeiro passo envolveu tomografar os ossos do crânio do animal, e isolar os elementos digitalmente, para criar um modelo virtual do crânio. Foi a partir desse modelo que pudemos então reconstruir a musculatura do animal”.

A partir dos modelos gerados, os pesquisadores estudaram a mordida do animal utilizando softwares de simulação virtual. Com base em tecnologias empregadas na Engenharia Mecânica, os cientistas puderam, pela primeira vez, analisar como a ação dos músculos impactava o crânio da espécie.

[caption id="attachment_65111" align="alignleft" width="461"] Acima, iustração esquemática da reconstrução da musculatura do crânio de "Proterochampsa nodosa". Cada uma das cores representa um grupo muscular distinto, que foi posteriormente mapeado no modelo biomecânico. Abaixo (b), reconstrução artística do animal em vida. Arte de Márcio L. Castro[/caption]

“Foi realizada uma análise biomecânica do crânio, usando técnicas numéricas”, explica o professor Tiago dos Santos, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSM, que participou do estudo. “Aplicando virtualmente as forças dos músculos sobre os ossos da mandíbula, fomos capazes de estimar os esforços mecânicos experimentados pela estrutura óssea do animal, em diversos cenários de mordida”.

Entre as descobertas, os cientistas desvendaram que o animal era capaz de desferir mordidas poderosas, comparáveis a dos aligátores modernos. 

“Esse olhar multidisciplinar é um aspecto interessante do nosso trabalho. Unindo especialistas de diferentes áreas, da Biologia à Engenharia, conseguimos ver o Proterochampsa de uma forma que ninguém havia visto antes”, avalia o paleontólogo Flávio Pretto, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM. “Em uma época em que os dinossauros estavam recém surgindo em nosso planeta, já tínhamos um animal capaz de subjugar suas presas com uma mordida impressionante”.

Comparando os modelos a animais viventes com morfologias similares, como o aligátor americano e o gavial-da-malásia, os pesquisadores compararam a performance de suas mordidas.

[caption id="attachment_65112" align="alignright" width="570"] Simulação da mordida de "Proterochampsa nodosa". À esquerda, distribuição dos esforços na mandíbula do animal. As cores mais claras indicam os locais onde os esforços mecânicos se concentravam, quando o animal desferia sua mordida com força máxima. À direita, reconstrução artística do animal em vida. Arte de Márcio L. Castro[/caption]

“A evolução por vezes gera animais com morfologias similares”, explica o professor Felipe Pinheiro, do Laboratório de Paleobiologia da Unipampa. “É um fenômeno que conhecemos como Convergência Evolutiva, que frequentemente vemos no registro fóssil. A pergunta por trás disso é: será que por terem a mesma forma, esses animais se comportavam de maneira similar?”.

A resposta é que, ainda que fossem capazes de gerar forças de mordida poderosas, os proterocâmpsios sobrecarregavam sua mandíbula com esforços mecânicos consideráveis – muito maior que o sofrido por animais viventes – o que aponta que talvez esse não fosse um hábito usual daqueles animais.

[caption id="attachment_65113" align="alignleft" width="512"] De volta à vida. Na reconstrução (arte de Márcio L. Castro), uma dupla de Proterochampsa às margens de um rio, há 230 milhões de anos. É possível que alguns proterocâmpsios, como o "Proterochampsa nodosa", vivessem em corpos de água rasa, caçando diferentes animais, como fazem alguns crocodilianos hoje em dia[/caption]

“Talvez o Proterochampsa guardasse sua mordida poderosa para ocasiões especiais, de modo a poupar sua estrutura de eventuais lesões. Provavelmente fosse um animal generalista, e caçasse desde presas pequenas, até animais maiores, da mesma forma que fazem os jacarés atuais”, conclui Daniel.

“Essa é a beleza e a dor-de-cabeça da Paleontologia”, brinca Flávio. “Enquanto os zoólogos podem observar o comportamento dos animais que estudam diretamente na natureza, na Paleontologia, precisamos dar uma volta um pouquinho mais longa, e usar da ciência e da criatividade que temos à disposição para tentar reconstruir o passado remoto da melhor maneira possível. É um desafio definitivamente instigante”.

Na simulação abaixo, os pesquisadores reconstruíram a distribuição de esforços mecânicos (áreas com cores quentes), e a deformação sofrida pela mandíbula de Proterochampsa nodosa. No estudo, os pesquisadores simularam diferentes tipos de mordida, testando a performance do animal em vários cenários hipotéticos.

 

 

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A descoberta de uma nova espécie de cinodonte, animal antepassado dos mamíferos, em Dona Francisca, na região central do estado, foi publicada na segunda-feira (29) na revista científica norte-americana The Anatomical Record. O estudo foi realizado por uma equipe de pesquisadores liderada pelo paleontólogo Leonardo Kerber, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Universidade Federal de Santa Maria.

As informações agora divulgadas são referentes a um achado de 2009, feito pelos paleontólogos Lúcio Roberto-da-Silva e Sérgio Cabreira, no município de Dona Francisca. No local, situado em camadas de rocha sedimentar formadas durante o Período Triássico, entre 241-236 milhões de anos atrás, foi encontrado um crânio completo, acompanhado de mandíbula. A descoberta ocorreu nas terras da Família Bortolin, em uma área que se tornou crucial para entender o passado distante da região. O crânio pertencia a um cinodonte, um elo evolutivo entre “répteis” e mamíferos, que habitou a região antes mesmo do surgimento dos dinossauros. Espécimes tão completos deste intervalo de tempo são raros, o que tornou o achado ainda mais valioso. Entretanto, por anos, não se sabia exatamente quem era aquele animal.

Mais de uma década após a coleta, os pesquisadores retomaram os estudos sobre o fóssil. A identificação precisa da espécie exigiu comparações minuciosas com dezenas de fósseis de coleções científicas no Brasil, Alemanha e Inglaterra. O processo incluiu ainda a tomografia do espécime por meio de um microtomógrafo de alta resolução, proporcionando uma visão de estruturas anatômicas não visíveis externamente. Os resultados mostraram que o animal apresentava características únicas que não se alinhavam com nenhuma espécie conhecida de cinodonte.

[caption id="attachment_65090" align="alignright" width="659"] Reconstrução artistica de Paratraversodon (Por Júlia D'Oliveira)[/caption]

Paratraversodon franciscaensis

Em homenagem ao município onde foi encontrado, os pesquisadores batizaram a nova espécie de Paratraversodon franciscaensis. Esta designação não apenas reconhece a importância do local, mas também destaca a singularidade do achado.

O animal era um herbívoro, do grupo dos Traversodontidae. O estudo revelou ainda que diferentemente dos mamíferos atuais, é provável que o fosse um animal ectotérmico, ou seja, tivesse "sangue frio", assemelhando-se aos comportamentos térmicos observados em lagartos e crocodilos. Naquela época, durante o Triássico, a maioria dos animais possuía esse tipo de metabolismo, já que as temperaturas eram muito mais elevadas do que as de hoje em dia. Além disso, as evidências sugerem que esses animais não possuíam um corpo coberto por pêlos, diferindo das características típicas dos mamíferos modernos.

Com informações e foto do CAPPA

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/11/24/paleontologo-da-ufsm-participa-de-atividades-em-acelerador-de-particulas-na-franca Fri, 24 Nov 2023 19:07:35 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64643 O paleontólogo da UFSM Leonardo Kerber esteve no ESRF no período de 16 a 20 de novembro (foto: arquivo pessoal)[/caption] Paleontólogo vinculado ao Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da (Cappa) e ao Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, Leonardo Kerber tem atuado na busca por respostas sobre os cinodontes não-mammaliaformes, ancestrais diretos dos mamíferos. Seu enfoque na análise de fósseis utiliza, desde 2016, a tecnologia de tomografia computadorizada. Recentemente, Kerber ampliou os horizontes de sua pesquisa ao participar ativamente, no período de 16 a 20 de novembro, de uma série de atividades no European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), instalação de pesquisa de ponta localizada em Grenoble, na França. Neste centro de referência internacional, fósseis desses animais foram submetidos a uma minuciosa e revolucionária técnica de escaneamento, alcançando uma resolução muito maior do que a alcançada em tomógrafos brasileiros. Foram levados até lá fósseis de cinodontes probainognátios, incluindo as espécies Prozostrodon brasiliensis e Trucidocynodon riograndensis. Também foram tomografados fósseis de outros países, como Estados Unidos, Tanzânia e China. O ESRF é um dos mais poderosos aceleradores de partículas do mundo, conhecido como um “síncrotron”. Trata-se de uma fonte de luz síncrotron, produzida quando partículas carregadas, como elétrons, são aceleradas a velocidades próximas à da luz e dirigidas ao redor de um anel magnético gigante. Esse processo gera raios X de alta energia e outras radiações eletromagnéticas que são utilizadas em uma ampla gama de pesquisas científicas, em áreas como física, química, biologia, ciência dos materiais e, também, paleontologia. Cientistas de todo o mundo usam as instalações do ESRF para realizar experimentos e análises de alta precisão em uma variedade de amostras, incluindo fósseis e estruturas biológicas complexas. A tecnologia de ponta oferecida pelo ESRF é crucial para estudos que requerem detalhes de resolução extremamente alta, como os utilizados na pesquisa paleontológica mencionada. O principal objetivo desse estudo inovador é desvendar os segredos internos do crânio desses cinodontes. Em particular, a equipe almeja reconstruir detalhadamente o complexo sistema do ouvido interno desses seres, buscando esclarecer e interpretar a origem da endotermia nos mamíferos modernos. Além da significativa participação de paleontólogos brasileiros, o projeto conta com o apoio e a expertise de destacados pesquisadores de países como Portugal, Estados Unidos, França, Inglaterra e Argentina. Esse esforço conjunto promete revelar informações cruciais sobre a evolução e os processos que levaram à origem dos mamíferos. A próxima etapa do projeto consiste na análise dessas tomografias, a fim de observar a anatomia interna dos crânios. Com informações do Cappa]]> UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/11/24/museu-gama-deca-sedia-exposicao-sobre-paleontologia-a-partir-de-quarta-29 Fri, 24 Nov 2023 13:50:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64630
A abertura da exposição "Paleontologia: muito mais que dinossauros" será realizada na quarta-feira (29), às 10h30, no segundo andar do Museu Gama d'Eça (Rua do Acampamento, 81, centro de Santa Maria).
 
A exposição busca apresentar ao público parte da coleção de fósseis do Museu Gama d'Eça e do Laboratório de Paleobiologia e Estratigrafia (LEP), bem como comunicar, de forma lúdica, o conhecimento científico produzido pelas pesquisas paleontológicas, que permitem entender um pouco mais sobre os animais, plantas e o ambiente em que viveram há milhares ou até milhões de anos atrás.
 
A exposição estará aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e nos primeiros sábados de cada mês, das 9h às 17h. Trata-se de uma exposição de longa duração, com previsão de ficar pelo menos durante o ano de 2024.
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/11/24/novo-fossil-de-dinossauro-e-encontrado-pelo-cappa-ufsm-em-restinga-seca Fri, 24 Nov 2023 13:33:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=64625 [caption id="attachment_64627" align="alignright" width="755"]Imagem colorida horizontal de um dinossauro, corpo longilíneo, cor térrea, ao fundo árvores Reconstrução em vida do dinossauro em um ambiente triássico (Arte: Johhny Pauly)[/caption]

Um estudo publicado no periódico científico The Anatomical Record em 16 de novembro apresentou o segundo registro de um dinossauro para o município de Restinga Sêca. O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Maurício S. Garcia, Flávio A. Pretto, Sérgio F. Cabreira, Lúcio R. da Silva e Rodrigo T. Müller, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) da UFSM.

O achado é particularmente significativo pelo fato de que fósseis de dinossauros ainda são raros no município de Restinga Sêca, Rio Grande do Sul. O espécime em questão consiste de um ílio esquerdo – osso que faz parte da cintura – descoberto por Dionatan Cabreira enquanto ajudava o pai, Sérgio, a procurar fósseis. As características ósseas indicam que o fóssil pertenceu a um dinossauro de um grupo chamado de Herrerasauria. No mundo, dinossauros desse grupo são conhecidos no Brasil, Argentina e Estados Unidos. Surpreendentemente, o estudo revelou mais semelhanças com as formas encontradas na América do Norte.

[caption id="attachment_64628" align="alignleft" width="612"]foto colorida horizontal mostra em destaque uma mão segurando um osso basicamente do mesmo tamanho, abaixo uma mesa com outros ossos Ilío de um dinossauro escavado em Restinga Sêca (Foto: Jeung Hee Schiefelbein)[/caption]

Os herrerassauros compreendem um grupo intrigante de dinossauros que existiram por volta de 230 milhões de anos atrás, no Período Triássico. Esses animais representam os primeiros dinossauros predadores de médio a grande porte, podendo atingir até 6 metros de comprimento. Embora a condição fragmentária do novo fóssil impeça o seu reconhecimento em nível de espécie, a descoberta sugere a presença de uma diversidade oculta de dinossauros no Triássico do Rio Grande do Sul, já que ele é diferente de todos os outros herrerassauros brasileiros.

Esse fato destaca a importância de se analisar espécimes fragmentários para que se quantifique com maior precisão a diversidade de formas extintas. Por fim, a descoberta destaca o Brasil como um local crucial para a pesquisa paleontológica, fornecendo informações valiosas sobre os estágios iniciais da evolução dos dinossauros e adicionando um capítulo importante à rica história dos dinossauros sul-americanos.

A pesquisa recebeu apoio do CNPq e da Capes e foi desenvolvida como parte da dissertação de mestrado de Maurício Silva Garcia, pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller, do Cappa/UFSM.

O fóssil está tombado na coleção científica do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/UFSM em São João do Polêsine.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/09/15/visita-dinopolis Fri, 15 Sep 2023 14:02:59 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63721 Após a assinatura dos acordos de cooperação com Geoparque de Maestrazgos, a comitiva da UFSM, ligada aos Geoparques Caçapava e Quarta Colônia, realizou uma visita técnica às instalações da Fundação Dinópolis, que além da pesquisa paleontológica realiza divulgação científica através de seu museu e parque temático, localizado em Teruel capital da província homônima.  

O grupo foi recepcionado por  Alberto Cobos, gerente geral da Fundação, e pelo paleontólogo  Luis Mampel, que atua em Dinópolis e também em Maestrazgo. O parque temático recebeu mais de 55 mil visitantes no último verão (entre os meses de junho e agosto no Hemisfério Norte), quase o dobro dos habitantes do município de Teruel.

[caption id="attachment_63734" align="alignright" width="559"] Representantes dos geoparques brasileiros em visita à Fundação Dinópolis[/caption]

O objetivo da visita foi conhecer as instalações da Fundação e adquirir conhecimentos para expandir a divulgação científica interativa nos geoparques, em especial o da Quarta Colônia, destaque por seus fósseis raros. “Eles possuem um centro de pesquisa, assim como o CAPPA (Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica), mas também possuem um grande museu e parque temático. É um lugar incrível e seria um sonho termos algo parecido”, afirma o pró-reitor de Extensão, Flavi Lisboa Filho.

Dinópolis é um dos maiores museus de paleontologia do mundo e também inclui sete centros paleontológicos ao longo da província de Teruel, que também estiveram no itinerário de visitas. Os territórios guardam espécies como o Aragossauro, primeiro dinossauro espanhol, encontrado na cidade de Galve ou a extraordinária descoberta em Riodeva do Turiasaurus riodevensis, o maior dinossauro da Europa. Além de fósseis e réplicas ilustrativas, as atrações do parque incluem dinossauros em 3D. 

http://www.youtube.com/embed/8TrcElp3nE8?feature=oembed

Um sonho para a região

[caption id="attachment_63722" align="alignright" width="620"] No parque é possível encontrar réplicas de dinossauros em tamanho real[/caption]

Flavi explica que o espaço em Dinópolis tem diversas formas de interatividade, com réplicas e fósseis originais de muitos dos animais encontrados na região, o que ajuda a dar uma dimensão do tamanho, do modo de vida e do ambiente em que eles viviam. 

As réplicas existentes no local são produzidas dentro do Centro de Investigação do Dinópolis, que comporta dois laboratórios: o primeiro é para realizar o trabalho paleontológico em si, da escavação, e o segundo é para a paleoarte, ou seja, a produção das réplicas. Além disso, o espaço também conta com um parque temático com diversas atividades para serem realizadas, com atrações em 3D e interativas, por exemplo, através de realidade virtual. “O mais bacana é pensar que tudo isso pode ser feito, também, na nossa região central, em especial na Quarta Colônia, que é berço dos dinossauros mais antigos do planeta, do período triássico. Me chamou atenção quando ouvimos eles explicarem que as pessoas vão à Dinópolis porque é lá que vão encontrar os principais afloramentos de fósseis que existem na Espanha. Não é 'só' para ver um dinossauro, mas é para ver os dinossauros, réplicas ou originais, no lugar em que eles realmente viviam, onde habitavam. Nós também temos essas condições”, comenta o pró-reitor. 

Além das experiências e trocas de ideias, a equipe dos geoparques também retorna com sonhos na bagagem: “Estar aqui nos fez sonhar, nos fez perceber que essa é uma possibilidade real de valorização dos achados paleontológicos da nossa região. É possível pensarmos para além do que já existe, que é incrível, mas dando conta, também, dos fósseis que foram encontrados em Santa Maria, ou em Caçapava que, embora não sejam únicos do mundo, também são fósseis de animais da Megafauna, exemplo da preguiça gigante, que poderiam estar contemplada no espaço museológico ou em um parque temático como o que conhecemos”, reflete Flavi.

Durante a visita ao espaço, a equipe do local se colocou à disposição dos geoparques para dar o apoio necessário para o avanço do projeto, realizando trocas e parcerias que possibilitem com que a ideia se concretize. Flavi destacou, no entanto, que para que tal sonho seja, de fato, efetivado, é necessário, além da “boa vontade” dos envolvidos, de investimento, público, privado, ou misto. “Inicialmente, um projeto assim demanda bastante investimento até que o parque ou museu consiga ter autonomia financeira. A primeira parte nós já temos, que são as descobertas feitas pelo Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM, que funciona em São João do Polêsine, no território do Geoparque Quarta Colônia. Agora, é preciso investimentos. Além disso, conhecer um espaço como esse, que tem recebido uma quantidade bastante significativa de visitantes, e saber que, atualmente, ele se mantém com os recursos que arrecada de bilheteria nos dá uma perspectiva de que esse investimento pode dar retorno, inclusive, de ordem financeira para o território. Nós já temos as condições fundamentais para desenvolver algo nesse sentido, que é a singularidade de nossa região e as descobertas realizadas. A partir de agora, podemos avançar de maneira mais qualificada na construção de uma proposta para que um espaço assim se torne uma realidade para nós também”, finaliza o pró-reitor.

Conheça um pouco mais das atrações de Dinópolis

http://www.youtube.com/watch?v=ULAj_KAeq5g

Texto: Bernardo Silva, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos e vídeos: arquivo pessoal Jaciele Sell e Flavi Lisboa
Edição Mariana Henriques, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/08/16/fossil-que-muda-paradigma-da-origem-dos-dinossauros-e-pterossauros Wed, 16 Aug 2023 15:05:51 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=63346

[caption id="attachment_63349" align="alignright" width="700"] O Venetoraptor gassenae viveu por volta de 230 milhões de anos atrás
(Ilustração: Caio Fantini)[/caption]

A descoberta de um novo fóssil na região central do Rio Grande do Sul traz pistas inéditas sobre a origem de dinossauros e pterossauros ao revelar que essas criaturas evoluíram a partir de uma amplitude de formas muito maior do que se pensava. O achado foi feito por um grupo de pesquisadores de diferentes países, liderado por paleontólogo do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e está descrito na edição desta quarta (16) da revista “Nature”, um dos mais importantes periódicos científicos do mundo.

Dinossauros e pterossauros são alguns dos organismos fósseis mais populares. Eles dominaram a Terra durante a Era Mesozoica por aproximadamente 165 milhões de anos, sendo extintos 66 milhões de anos atrás, após o impacto de um enorme asteroide. Enquanto a extinção desses animais sempre foi tema de muitos estudos, as suas origens ainda são pouco compreendidas. Isso ocorre em virtude da escassez de fósseis de seus precursores, os quais são muitas vezes incompletos, fragmentários e mal preservados. Como resultado, até hoje não se sabia como era o plano corpóreo completo, a biologia e a ecologia desses precursores. Contudo, um fóssil escavado no território do Geoparque Quarta Colônia, na região central do Rio Grande do Sul, traz novas e importantes pistas sobre essas questões. 

Descoberta no município de São João do Polêsine, em 2022, pelo paleontólogo do Cappa/UFSM Rodrigo Temp Müller, a nova espécie recebeu o nome de Venetoraptor gassenae. “Venetoraptor” significa o raptor de Vale Vêneto, em referência a uma localidade turística chamada de “Vale Vêneto” no município de São João do Polêsine. Já o nome “gassenae” faz homenagem a Valserina Maria Bulegon Gassen, uma das principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia.

Como era o Venetoraptor

A nova espécie media aproximadamente 1 metro de comprimento, pesava entre 4 a 8 quilogramas, e locomovia-se adotando uma postura bípede, tendo as mãos livres para manusear presas ou escalar árvores. O animal carrega uma combinação de características incomuns, como um bico raptorial e mãos proporcionalmente grandes que são munidas de garras longas e afiadas.

O pequeno réptil viveu por volta de 230 milhões de anos atrás e pertence a um grupo extinto chamado de Lagerpetidae. Esses animais são considerados os parentes mais próximos dos pterossauros, os répteis voadores que dividiram a Terra com os dinossauros. Porém, diferente dos pterossauros, o Venetoraptor gassenae e os outros lagerpetídeos não foram animais voadores.

Esqueleto e reconstrução em escala do Venetoraptor gassenae

Detalhes da anatomia do Venetoraptor gassenae (Ilustração: Caio Fantini)

Estudo traz grande contribuição à paleontologia

[caption id="attachment_63352" align="alignleft" width="601"] Fóssil de Venetoraptor gassenae (Foto: Janaína Brand Dillmann)[/caption]

Venetoraptor gassenae é um dos precursores dos pterossauros mais informativos já descobertos, permitindo, pela primeira vez, um olhar mais detalhado na face desses répteis enigmáticos. O bico raptorial incomum antecede àquele dos dinossauros em aproximadamente 80 milhões de anos. Em aves modernas, bicos semelhantes são atribuídos a diversas funções, como rasgar carne ou o consumo de frutas duras. Associado com as grandes garras em forma de foice, o bico pode ter sido usado para lidar com potenciais presas. Além disso, as garras podem ter ajudado o Venetoraptor gassenae a escalar árvores. 

Combinando as novas informações produzidas a partir da descoberta do Venetoraptor gassenae com outras descobertas recentes de precursores de dinossauros e pterossauros, os pesquisadores foram capazes de observar que a variedade de formas desses precursores foi muito maior do que se imaginava. Essa alta diversidade indica que a linhagem que originou os dinossauros e pterossauros passou por um primeiro grande pulso de diversificação antes do estabelecimento dos répteis mais famosos da Era Mesozoica. Desta maneira, o sucesso evolutivo dos dinossauros e pterossauros foi resultado da sobrevivência diferencial em meio a um conjunto mais amplo de variação ecológica e morfológica. 

A descoberta de um réptil com uma morfologia tão incomum não apenas lança luz sobre mais um componente dos ecossistemas triássicos que testemunharam a origem dos dinossauros e pterossauros, como também demonstra que uma extraordinária diversidade de organismos desconhecidos ainda está escondida nas rochas ao redor do mundo.

Descoberta dos fósseis

Os fósseis do Venetoraptor gassenae foram escavados em uma localidade fossilífera denominada “Sítio Buriol”, no município de São João do Polêsine, sul do Brasil. Além dele, no local também já foram encontrados fósseis de dinossauros primitivos, parentes de crocodilos com placas dérmicas, outros precursores de pterossauros e répteis herbívoros chamados rincossauros.

Os elementos ósseos do Venetoraptor gassenae estão perfeitamente preservados, representando um dos lagerpetídeos mais bem preservados já encontrados. Os fósseis ficarão em exibição no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/UFSM, no município de São João do Polêsine, o mesmo município em que ele foi descoberto.

UFSM na Nature

[caption id="attachment_63353" align="alignright" width="410"] Escultura de Venetoraptor gassenae em vida (Foto: Maurílio Oliveira)[/caption]

A Nature é uma revista científica interdisciplinar britânica, publicada pela primeira vez em 1869. É um dos principais e mais citados periódicos científicos do mundo, com mais de 9 milhões de leitores por mês. Esta é a primeira vez que um estudo liderado por pesquisadores da UFSM é capa da edição semanal do “braço principal” da Nature. O paleontólogo Rodrigo Temp Müller, que encabeça o estudo, comemora: “Sinto muito orgulho de termos conseguido alcançar a capa de um dos maiores periódicos científicos do mundo. Isso mostra que a pesquisa paleontológica que produzimos no Brasil, na UFSM, está em um nível muito elevado”.

A pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa da UFSM, Cristina Wayne Nogueira, também celebra a dimensão e o impacto desse espaço. “Esta publicação é um reconhecimento do trabalho de excelência dos nossos pesquisadores. Ela demonstra que a instituição produz ciência de altíssimo nível e também a consolidação do ecossistema de pós-graduação e pesquisa na UFSM, sua posição de referência em produção de conhecimento de excelência, conferindo visibilidade e reputação institucional em nível internacional”.

Equipe

Participaram do estudo Rodrigo Temp Müller (Universidade Federal de Santa Maria, Brasil), Martín D. Ezcurra (Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Argentina), Mauricio S. Garcia (Universidade Federal de Santa Maria, Brasil), Federico L. Agnolín (Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Argentina), Michelle R. Stocker (Virginia Tech, Virginia, EUA), Fernando E. Novas (Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Argentina), Marina B. Soares (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), Alexander W. A. Kellner (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil) e Sterling J. Nesbitt (Virginia Tech, Virginia, EUA).

O estudo teve financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientıfico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ), da Agencia Nacional de Promoción Científica y Técnica e da Paleontological Society.

Com informações do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM
Ilustração de capa: Caio Fantini

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2023/07/12/fossil-de-dinossauro-jovem Wed, 12 Jul 2023 17:24:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=62970 Em 1998, o morador Tolentino Flores Marafiga notificou a equipe de paleontologia da UFSM sobre a presença de um possível material fóssil em uma estrada na localidade de Água Negra, entre São Martinho da Serra e Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. No local, os paleontólogos constataram que a descoberta se tratava de um esqueleto fóssil de um dinossauro ainda desconhecido. Após ser escavado e estudado, o dinossauro foi batizado em 2004 como Unaysaurus tolentinoi, o “Lagarto de Água Negra do Tolentino”. Durante os anos seguintes, muitos pesquisadores analisaram os fósseis do Unaysaurus tolentinoi para avaliar características e desenvolver estudos. Contudo, havia algo escondido entre os restos do dinossauro que não foi notado até o início de 2023. 

Grupo de Unaysaurus com destaque para o novo filhote descoberto em São Martinho da Serra (Ilustração por Caetano Soares)

Analisando os fósseis de Unaysaurus tolentinoi, o paleontólogo do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA), Rodrigo Temp Müller, notou algo inesperado. Em meio a alguns materiais fragmentários, deparou-se com ossos muito pequenos que não poderiam pertencer ao dinossauro. Depois de revisar todos os fragmentos, concluiu que havia elementos pertencentes a um pé e algumas vértebras de um outro dinossauro misturados aos fósseis do Unaysaurus tolentinoi. Um estudo minucioso da anatomia desses novos fósseis revelou que eles pertenceram a um Unaysaurus tolentinoi juvenil.

Quem era esse dinossauro

[caption id="attachment_62972" align="alignleft" width="583"] Comparação entre os fósseis do indivíduo adulto e o juvenil de Unaysaurus com destaque para as garas (por Rodrigo Temp Müller)[/caption]

De acordo com o primeiro fóssil, o Unaysaurus tolentinoi foi um dinossauro herbívoro que andava sobre duas patas e atingia cerca de 2,8 metros de comprimento. Através de análises, os pesquisadores determinaram que o indivíduo juvenil teria cerca de 1,3 metros de comprimento em vida. Para assegurar-se de que o novo material não se trata de um dinossauro pequeno ao invés de um juvenil, os pesquisadores avaliaram atributos como o grau de fusão entre os elementos ósseos e a textura da superfície dos fósseis. As diferentes linhas de investigação apontaram que o novo material realmente pertence a um indivíduo juvenil. 

Conforme datações publicadas em 2018, as rochas que preservaram os fósseis dos dois indivíduos têm cerca de 225 milhões de anos, pertencendo, portanto, ao Período Triássico. Esse é um momento muito importante da história de vida na Terra pelo fato de que muitas linhagens estão surgindo e se estabelecendo, incluindo a linhagem dos dinossauros. O Unaysaurus tolentinoi é um desses dinossauros que viveu no instante subsequente a origem dos dinossauros. Portanto, ele traz informações sobre como eram os dinossauros alguns poucos milhões de anos após o seu surgimento.


Reconstituição dos esqueletos de Unaysaurus (Ilustração por Maurício Garcia)

Importância da descoberta

O achado de um novo fóssil de Unaysaurus tolentinoi é interessante pelo fato de que, até então, nenhum outro material pôde ser atribuído a Unaysaurus tolentinoi. Como o novo fóssil preserva algumas estruturas desconhecidas para o esqueleto de Unaysaurus tolentinoi, a anatomia da espécie passa a se tornar um pouco mais conhecida. Ainda, como os dois indivíduos estavam associados, a descoberta revela que esses dinossauros podem ter vivido em grupos com indivíduos de diferentes estágios de desenvolvimento. Essa é uma importante informação sobre a biologia dessas criaturas, uma vez que outras descobertas de dinossauros que viveram em um momento próximo geralmente mostram indivíduos de tamanhos equivalentes vivendo em grupos, mas dificilmente indivíduos em diferentes estágios de desenvolvimento. Os pequenos restos fósseis de um dinossauro que sucumbiu ainda muito jovem e que se mantiveram “escondidos” por 25 anos reforçam a importância de se revisar constantemente os materiais depositados em coleções científicas, mesmo àqueles já bem estudados.

Além do paleontólogo da UFSM, Rodrigo Temp Müller, também participaram do estudo os alunos do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, Maurício Silva Garcia, Fabiula Prestes de Bem, Lísie Vitória Damke, André de Oliveira Fonseca e o professor da UFSM, Átila Augusto Stock da Rosa. A pesquisa recebeu apoio da FAPERGS, CNPq e CAPES.

O estudo completo pode ser encontrado no site do periódico científico.

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