UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 01 Apr 2026 21:25:08 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/cursos/graduacao/santa-maria/administracao/2022/10/06/eibei-submissoes-ate-09-10-encontro-internacional-de-bioeconomia-empreendedorismo-e-inovacao-no-pantanal Thu, 06 Oct 2022 15:40:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/cursos/graduacao/santa-maria/administracao/?p=1745
SUBMISSÕES DE RESUMOS PRORROGADAS PARA 09/10/22!

SUBMETA O SEU TRABALHO (RESUMO) PARA APRESENTAR EM BANNER!

Haverá anais dos resumos para os trabalhos apresentados!

O I Encontro Internacional de Bioeconomia, Empreendedorismo e Inovação no Pantanal (EIBEI), a se realizar no 55BET Pro de Aquidauana (UFMS), entre 9 e 11 de novembro de 2022, está com submissões abertas para resumos em português, espanhol e Inglês em três eixos temáticos: Bioeconomia, Empreendedorismo e Inovação.

Sobre as datas:

Prazo para submissão de resumos em português, espanhol e inglês até 09 de outubro.

Divulgação oficial dos trabalhos aprovados e programação de apresentação: 31 de outubro.

CONFIRA AQUI COMO SUBMETER O SEU RESUMO:  http://periodicos.ufms.br/index.php/EIBEI/about/submissions

Mais informações sobre o evento em: http://eibeicpaq.ufms.br/

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O I Encontro Internacional de Bioeconomia, Empreendedorismo e Inovação no Pantanal (EIBEI), a se realizar no 55BET Pro de Aquidauana (UFMS), entre 9 e 11 de novembro de 2022, está com submissões abertas para resumos em português, espanhol e Inglês em três eixos temáticos: Bioeconomia, Empreendedorismo e Inovação.

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O primeiro dia do I Fórum Primavera da Articulação Floresta Viva: “(In)formar e Reflorestar”, na última segunda (23), contou com a presença de dois convidados que debateram a importância da informação e formação da opinião pública e articulações das questões socioambientais que envolvem os ataques sofridos pelos biomas florestais da Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica. 

Na primeira hora do evento, o jornalista Marcelo Canellas, convidado para a abertura do fórum, exibiu sua reportagem transmitida pelo Fantástico e premiada pelo Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, a mais tradicional premiação jornalística brasileira. Com o título “os defensores da floresta” a reportagem acompanha a operação da polícia na Amazônia que prendeu os dois líderes de um grupo acusado de invadir terras públicas e ameaçar os fiscais da floresta. 

O jornalista também contou que neste ano, dedicou-se especialmente à denúncia do desmonte das políticas ambientais que fragiliza a Amazônia e coloca em risco a integridade e a sobrevivência dos povos indígenas.

“Precisamos dar voz ao novo entendimento da relação dos homens com a floresta e da economia com a floresta. Eu acho que há esperança de que as pessoas tenham em mente que a floresta precisa ser preservada. Esse evento aqui que vocês estão liderando, pode ser um embrião de algo mais amplo em defesa dos biomas brasileiros. É uma iniciativa que tem tudo para ganhar a simpatia da sociedade, desde que ela ganhe o debate público,” cometa Canellas. 

Eduardo Malta Campos Filho, coordenador de projetos de restauração do ISA ( Instituto Socioambiental) de São Paulo,  foi o segundo convidado do dia de abertura do fórum . Ele conta que trabalha disseminando o método da muvuca, que é uma mistura de sementes nativas florestais de diferentes ciclos de vida com sementes de adubação verde, semeadas após preparo do solo com maquinário agrícola.  Também atua na organização dos grupos de coletores da ARSX (Associação Rede de Sementes do Xingu), além de outros grupos a partir da experiência do Xingu, como na região de Aracruz/ES, com índios Tupinikim e Guarani, coordenando a restauração ecológica na região.

O ISA é uma organização da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, fundada em 1994, para propor soluções de forma integrada a questões sociais e ambientais com foco central na defesa de bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos.

“A oportunidade das pessoas de entrarem na mata, juntar sementes e isso gerar renda é muito bom e como consequência as pessoas vão aprender mais sobre a mata, vão andar no próprio território, fiscalizando e conhecendo. Elas levam os jovens para conhecer e esses jovens aprendem sobre o território, sobre as plantas e seus usos, é um projeto muito virtuoso e de resistência”, finaliza Eduardo.

Sobre o Fórum

O Fórum é a primeira ação do projeto Articulação Floresta Viva, que abordará questões socioambientais, pluriculturais, multidisciplinares, internacionais, ecológicas e de diversidade para efetivação de projetos de reflorestamento nos biomas afetados pela destruição humana. O projeto conta com a participação das populações tradicionais das florestas e povos originários, instituições, organizações, governos, universidades e financiadores na produção de propostas e ações que permitam proteger a biodiversidade dessas florestas.

As atividades, promovidas pela Pró Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria (PRE/UFSM) a partir do projeto Articulação Floresta Viva, continuarão acontecendo nos dias 24,2 5,26 e 30 de novembro e 1,2 de dezembro. Nesses dias de evento acontecerão palestras e mesas compostas por importantes formadores de opinião e ativistas do campo ambiental que desenvolvem projetos de reflorestamento nos biomas Pantanal, Mata Atlântico e Amazônico.

As palestras irão ser transmitidas no período da tarde em dois horários, às 14 e 16 horas pelo canal do Youtube da PRE .

Reportagem: Ana Júlia Müller Fernandes, bolsista da Agência de Notícias da UFSM.
Edição: Davi Pereira

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/pantanal-em-chamas-riscos Thu, 12 Nov 2020 11:17:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6293 Em média, 59 campos de futebol foram desmatados por dia até agosto. Perspectiva é que a região da bacia hidrográfica onde está o bioma perca 64% da sua cobertura natural em 2050

Até 2018, 4,97% do território pantaneiro estava em áreas protegidas. Embora tenha ocorrido aumento significativo nas Unidades de Conservação (UCs) desde 2010, o bioma não alcançou o patamar de 10% de área protegida. Dez anos após a Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB), evento que propôs a meta, ela ainda não foi cumprida. 

Em 2000, quando existiam 147.160 hectares (ha) em áreas protegidas, o Pantanal recebeu uma boa notícia. O reconhecimento de Reserva da Biosfera Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) deveria garantir ações governamentais para conservar o meio ambiente e impulsionar o desenvolvimento sustentável. Mais adiante, o estudo Evolução das unidades de conservação no Pantanal no período de 1998 a 2018 levantou que havia 747.945 hectares em 33 áreas protegidas por suas características territoriais e ambientais relevantes. 

A preservação das áreas garante que se observem na região espécies já estão extintas em outros biomas. Um levantamento da revista Retratos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que existem 463 espécies de aves, 263 de peixes, 132 de mamíferos, 85 de répteis e 35 de anfíbios. As espécies encontradas na flora pantaneira chegam a 1.197, sendo 146 endêmicas, ou seja, que ocorrem apenas nessa região. 

De acordo com o documento do Herbário da Embrapa Pantanal, de 2009, a sobrevivência desses seres é possível graças à variedade e à combinação de solos, climas, altitudes, água e habitat. São esses aspectos que levam a região a ser considerada um bioma. Na maior superfície inundável interiorana contínua do mundo, a combinação se estende por 150.355 km², cobrindo 1,76% do território brasileiro. Suas características se apresentam em 35,36% da área do Mato Grosso (MT) e 64,64% do Mato Grosso do Sul (MS).

Nesta quinta, 12 de novembro, é o Dia do Pantanal. A data passou a ser comemorada a partir de 2008 em homenagem ao jornalista e ambientalista Francisco Anselmo de Barros. Como forma de protesto contra usinas de cana na região, Francelmo ateou fogo no próprio corpo, no centro de Campo Grande, após 25 anos de luta pela preservação do bioma.

Confira nesta segunda reportagem da série Pantanal em Chamas, o avanço do desmatamento, as consequências das queimadas para a Serra do Amolar, região montanhosa do Pantanal, e as perspectivas de recuperação da área degradada conforme ambientalistas do Greenpeace, do Instituto do Homem Pantaneiro e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Desmatamento na maior planície inundável do mundo

O bioma pantaneiro tem predominantemente 9.171.100 hectares de vegetação campestre, bem como outras coberturas naturais, como a área úmida. Com base em dados do IBGE, de 2002 a 2018 o Pantanal foi o bioma que menos perdeu áreas naturais - com características originais - para antropizadas - espaços que tiveram alguma alteração por consequência da atividade humana, como estradas, pastagens e lavouras. Até o ano final da análise, eram 13.209.600 hectares de áreas naturais e 1.746.300 de ha de áreas antrópicas. 

O estudo sobre mudanças de paisagens da Embrapa na Bacia do Alto Paraguai (BAP), situada no Brasil, Bolívia e Paraguai, simulou que até 2022 a área perderá metade da cobertura natural. Cerca de 36 milhões de hectares da BAP estão em solo brasileiro, o qual abrange parte da região pantaneira. A perspectiva é de que até 2050 a região esteja com 36% de sua cobertura natural. Em 2008, ela era de 60%. 

Os efeitos acumulados disso influenciam na fauna, na escassez de chuvas, no movimento da água que desce para o interior do solo, na vazão de rios, entre outras condições, como a atual seca no Rio Paraguai. Apesar disso, o Pantanal é onde ainda mais se tem preservação nativa na Bacia. 

Em 2019, o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil do MapBiomas, apontou que o Pantanal perdeu 16.521 hectares. Foi o bioma que teve a maior média diária de área desmatada por alerta, com 77 hectares. No Brasil, ao todo, 99% dos alertas validados no ano passado não tiveram nenhuma autorização para desmatamento – cadastro feito pelo Sistema Nacional de Controle de Origem do Produtos Florestais (Sinaflor). De janeiro a agosto de 2020, a região perdeu uma área equivalente a 14.336 campos de futebol - uma média de 59 campos devastados por dia.

O Brasil, que já foi protagonista em discussões internacionais sobre biodiversidade, como a criação de áreas protegidas estabelecidas nas metas de conservação de Aichi da última década, não assinou, em setembro deste ano, o Compromisso dos Líderes pela Natureza, que inclui o acordo de reverter a perda da biodiversidade até 2030.

Na prática, o governo brasileiro ignorou as quatro principais preocupações:

  • investir em recuperação “verde” para alcançar uma sociedade sustentável; 
  • desenvolver e implementar um projeto global de biodiversidade pós-2020; 
  • considerar de forma integrada, coerente e com ações eficazes, a inter-relação entre biodiversidade, a degradação ambiental e mudanças climáticas; 
  • acabar com os crimes ambientais; integrar e incluir a biodiversidade em políticas setoriais (como a industrial, alimentar, agricultura, entre outras). 

Ambientalistas condenam omissão governamental

Cristiane Mazzetti, porta-voz do Greenpeace em Desmatamento Zero e mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela London School of Economics, critica a omissão governamental. “É mais uma entre muitas sinalizações de que o meio ambiente não tem espaço na gestão atual. Está em curso um declínio acelerado das espécies devido à ação humana, 1 milhão delas estão em processo de extinção no mundo. Na gestão atual, a criação de novas áreas protegidas, incluindo unidades de conservação e terras indígenas, segue estagnada. Para piorar, muitas delas têm sofrido com a ação do fogo, invasões e desmatamento”, destaca. 

O que ameaça a existência da fauna pantaneira é a alteração do ambiente ou dos fatores que colaborem para a manutenção do meio. O desmatamento atinge diretamente, por reduzir espaços fundamentais para a vida de muitos animais. A degradação influencia nas condições propícias para os incêndios. “No Brasil, mais da metade das áreas desmatadas e degradadas não possuem nenhum tipo de uso, o que favorece o crescimento de vegetação de forma desordenada. E essa vegetação, no período seco, é um excelente combustível para os incêndios florestais”, explica Filippe Lemos Maia Santos, pesquisador do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA-UFRJ) e mestre em Meteorologia. 

De acordo com a coordenadora técnica do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Letícia Larcher, bióloga e doutora em Ecologia e Conservação, os incêndios “ameaçam a biodiversidade por efeitos indiretos que atrapalham o equilíbrio da cadeia alimentar e o equilíbrio de como as comunidades se relacionam”. Ou seja, há dificuldade em conseguir alimentos, redução do habitat, maior exposição aos predadores, dificuldade para reprodução e alimentos de difícil digestão. Os efeitos diretos são as mortes dos animais, como alerta a pesquisadora. 

A perda da qualidade ambiental pelos incêndios faz com que espécies em risco de extinção encontrem ainda mais dificuldade de sobrevivência, visto que exigem ambientes específicos para isso.

Serra do Amolar em combustão: 75% de área queimada

Com a seca, a baixa do Rio Paraguai dificulta o acesso a algumas áreas do Pantanal onde equipes de combate se mobilizam para diminuir os incêndios. Embora o Pantanal se destaque por características de planícies, há também regiões montanhosas e de alto desnível, como a da Serra do Amolar, onde chega a quase 800 metros acima do nível do mar. Na região, este ano, ocorreram grandes focos de incêndios.

Situada entre Cáceres (MT) e Corumbá (MS), na fronteira do Brasil com a Bolívia, a Serra faz parte do Maciço do Amolar, região que atua como reguladora da umidade local e da conservação das florestas, além de servir de abrigo aos animais no período da cheia. Próximo da Serra do Amolar está o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, tombado como patrimônio natural da humanidade pela UNESCO, e mais três Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), que formam 80% da preservação - e constroem um grande corredor de biodiversidade do Parque até as áreas protegidas na Bolívia.

Existem ali uma grande comunidade de felinos, como onças, e registros de seis espécies ameaçadas de extinção - anta, ariranha, tamanduá bandeira, tatu canastra, queixada e mutum de penacho -, de acordo com a coordenadora do IHP. De alguma forma, todos os animais que vivem ali estão ameaçados e tiveram seu ambiente modificado e ameaçado pelo fogo, que já queimou 75% da área, correspondente a 280 mil hectares. 

O deslocamento dos brigadistas que atuam no combate é, geralmente, feito a pé, “é extremamente cansativo, penoso e acabamos contando, quando é possível e agora é, com apoio de aeronaves que conseguem transportar as pessoas e colocá-los próximos à linha do fogo”, explica Alexandre Pereira do Ibama PrevFogo MS. 

Atualmente as linhas de combate são compostas por brigadistas do Ibama PrevFogo, ICMBio, corpo de bombeiro militar do MT e MS, reforços do corpo de bombeiro militar do PR, SC e DF, militares da força nacional, exército brasileiro e marinha. Depois do reconhecimento de cada área, escolhe-se a técnica de combate mais eficaz.

Recuperação do meio degradado

A restauração da biodiversidade se baseia na chuva e na recuperação do ciclo hidrológico do Pantanal de forma correta afim de proporcionar ambiente adequado e equilibrado. “Não há uma estimativa de quantos animais morreram nesse fogo ou quais espécies foram mais atingidas, isso está sendo feito um levantamento em conjunto com o ICMBio, Embrapa, UFMT, UFMS e outras intuições que trabalham todas com a mesma metodologia para tentar estimar o tamanho da perda para a biodiversidade. Ainda não sabemos como será essa recuperação, o número de perdas e ainda estamos tentando entender quais são as ações que precisamos fazer para tentar reverter o quadro”, esclarece Letícia. 

Alexandre é positivo quanto à recuperação após as queimadas, “o Pantanal tem o fogo como um agente natural desse ambiente e a questão das inundações é um outro fator estressante, fazendo com que todas as espécies animais e vegetais adquirissem um poder de recuperação bastante grande”.

Por outro lado, no próximo ano o IHP entende que as condições climáticas ainda serão as mesmas, somadas a baixa do Rio Paraguai e grandes quantidades de focos de incêndios. Letícia destaca que as soluções para reduzir os danos seriam através da implementação de brigadas permanentes na região, trabalhando no manejo, prevenção e ações imediatas de combate ao fogo. 

A representante do Greenpeace alerta para o atraso na contratação de brigadistas que iriam atuar no Ibama e ICMBio, mesmo com previsões de seca severa para a região em 2020. “E, após a crise ter se estabelecido no Pantanal, a ajuda do governo federal tardou a chegar e a situação só não ficou ainda pior em decorrência da atuação de moradores locais e da sociedade civil, que atuaram no combate. Além disso, a redução das atividades de fiscalização ambiental também podem ter influenciado na origem dos incêndios, onde uma investigação da Polícia Federal e um levantamento da ONG ICV apontam para o início do fogo em poucas fazendas”, diz Cristiane. 

O pesquisador do LASA, Filippe, confirma, baseado em estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que “nas próximas décadas, irá aumentar a frequência de eventos extremos de incêndios florestais decorrente do aumento da temperatura média global devido ao aumento de gases de efeito estufa”. De acordo com o Jornal USP sobre o Relatório IPCC, parte dessa solução estaria em ações protetivas e restaurativas de florestas que poderiam mitigar as emissões de carbono em até 25%, atitude que limitaria até 2030 o aquecimento global em 1,5ºC.

Assim como o IHP, Cristiane indica a necessidade de traçar um plano de proteção para o bioma em que esteja incluso ações preventivas, formação e treinamento dos brigadistas e fiscalização dos crimes ambientais. “No entanto, o que tem se observado por parte do governo é o contrário, omissão e enfraquecimento dos mecanismos de proteção ambiental”, crítica a porta-voz do Greenpeace em Desmatamento Zero.

A UFSM e vários parceiros também farão a sua parte para incentivar a recuperação ambiental com o 1º Fórum Primavera da Articulação Floresta Viva: Informar e Reflorestar, com atividades de 23 de novembro a 3 de dezembro.

Série Especial da Arco Pantanal em Chamas

Expediente

Repórter: Gabriel Araújo, acadêmico de Jornalismo da UFSM Frederico Westphalen e estagiário

Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Nathália Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista

Editor Chefe e supervisor de estágio: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/pantanal-em-chamas Fri, 06 Nov 2020 14:26:27 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6288 Mais de 4 mi hectares já queimaram no bioma em 2020. Em contrapartida, apenas 0,4% do orçamento do Ministério foi utilizado em política ambiental.  Em 2020, os incêndios florestais atingiram o menor dos seis biomas do Brasil, situado na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai, no centro-oeste brasileiro. O ano nem acabou e as queimadas na região pantaneira bateram o recorde histórico já registrado: até 25 de outubro foram 4.167.000 milhões hectares consumidos pelo fogo.  Desde o monitoramento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), observa-se que os anos em que mais houve áreas queimadas no Pantanal foram 2005 e 2019, com respectivos 2,7 mi e 2 mi de hectares. O Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA-UFRJ), a partir de um mapeamento experimental, indica que desde o início do ano até o dia 25 de outubro, 28% do Pantanal foi queimado. O levantamento aponta que, em relação a 2019, o bioma queimou 127,58% a mais no mesmo período - ou seja, de 1,8 milhões passou para 4,1 milhões de hectares em chamas. A queima se dá basicamente na vegetação nativa de pastos, gramíneas, florestas, cordilheiras e capões. Os incêndios não são fatos isolados. Para que aconteçam, existem diversas condições que os influenciam e estão ligadas diretamente ao triângulo do fogo: combustível, comburente e ignição. O primeiro é o que vai reagir ao segundo, condicionados ao clima e oxigênio. Para ocorrer um foco, é necessário uma fonte de calor que se dá pelo aquecimento, fagulhas ou centelhas de fogo ou até mesmo raios.  Na região, eles alcançam grandes proporções entre os meses de julho e agosto, mas podem se estender até setembro, com a entrada do período de estiagem e seca - época com pouca ou nenhuma chuva. É nesse momento que  ocorre o acúmulo em grande quantidade de vegetal seco, o qual se torna um combustível para focos de incêndios destruidores.  A média da umidade relativa do ar nos meses de agosto e setembro varia entre 10% e 15% e atua diretamente por influenciar na umidade desse material combustível, somado à temperatura média anual de 25,3°C. O outro impulsionador para a propagação do fogo é a velocidade do vento. Nos meses de agosto a outubro ficam acima de 2m/s (metros por segundo), aponta o documento 164 da Embrapa, de julho deste ano, “Uso do fogo para o manejo da vegetação do Pantanal”.

O uso do fogo no bioma e as origens dos incêndios

A origem dos focos de incêndios no Pantanal está atrelada à cultura do uso do fogo, atividade tradicional manifestada por pecuaristas desde 200 a 250 anos atrás, com a chegada do homem branco na região.  O resgate histórico do livro “O Pantanal e o sistema de pesquisa” indica que a região era habitada por povos originários de etnias guatós, xarayes, bororos, guaranis, guaxarapos kaiowas, paiaguás e guaikurús. Dizimados por guerras, os povos originários sofreram com doenças e escravidão imposta pelos brancos e não indígenas que chegaram à região no século XVIII. Hoje, restaram no Pantanal sete terras indígenas, que, juntas, tiveram mais de 300 mil hectares consumidos pelo fogo, de acordo com a estimativa do LASA-UFRJ. Entre as mais atingidas estão as Perigara, Baía dos Guató e Tereza Cristina. A cultura do uso do fogo também ocorre nas aldeias. No período colonial ocorreu o povoamento e a doação de terras para latifundiários, aspectos que levaram os dois Estados a serem o que são hoje: produtores ativos de pecuária. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017 (IBGE), no Mato Grosso (MT) há um espaço igual a 360,92 cidades de São Paulo onde os 118,7 mil estabelecimentos agropecuários estão situados. Para o Mato Grosso do Sul (MS), os 71,2 mil estabelecimentos desse eixo abrangem uma área equivalente a 200,91 cidades do tamanho da capital paulista. Em relação a 2006, o uso das terras no MT perderam 34,6% de pastagens plantadas, apesar das áreas de matas naturais também terem diminuído 37,7%. Para o mesmo período, no MS, as pastagens plantadas perderam 44,3% de área e as matas naturais tiveram um acréscimo de 22%. A dimensão produtiva se materializa em 6,8 cabeças de gado e 15,1 aves para cada habitante estimado do MT, e 6,9 bovinos e 10 aves para cada cidadão do MS.  A relação entre a pecuária e o uso do fogo se desenrola como ferramenta de renovação do pasto nativo com fins de brotar uma vegetação que até a queima não é palatável ao gado. O uso do fogo legal, por exemplo, é uma tentativa de controlar esse processo. A cultura existe na história do Pantanal e atua como um agente ecológico natural de perturbação e renovação do ambiente. A queima faz com que se mantenham os seus serviços ambientais, ecológicos e de conservação da biodiversidade.  “Por isso, muitas vezes, falamos que não é possível trabalhar com a exclusão total do fogo, o que ocorre aí são as origens desses incêndios florestais pelo uso inadequado do fogo numa frequência, período e época incorreta, resultando em incêndios de grandes estragos, com alta velocidade e intensidade de propagação, como observamos agora em uma grande destruição de áreas onde o fogo não deveria estar e acaba adentrando em regiões de florestas”, explica o analista ambiental do Ibama PrevFogo MS, Alexandre Pereira.  Dentre as origens, Alexandre aponta que está o uso irregular do fogo para a renovação de pastagem, feita geralmente por pecuaristas. Há também ações feitas por pescadores que precisam limpar uma parte da beira do rio para acessá-lo e populações ribeirinhas que utilizam o fogo para provocar fumaça e espantar mosquitos. Essas ações humanas e as condições climáticas secas são ideais para os incêndios, principalmente em um ano de uma não cheia do Rio Paraguai. “Um grande regulador do Pantanal dentro do seu sistema de pulsos de inundação que faz a água extravasar para as planícies na época da cheia e volta para a calha do rio na época da vazante e seca. Esse ano o pulso de inundação não ocorreu. Estamos em uma das maiores secas já observadas desde 47 a 50 anos atrás, quando foi a última seca pronunciada”, explica.

O que tem sido feito?

O Documento 164 da Embrapa Pantanal, Uso do fogo para o manejo da vegetação no Pantanal, indica que uma das formas de evitar os incêndios é com adoção e definição de critérios que considerem as condições e as épocas em que o uso do fogo pode ser permitido. Inclusive, recomenda o uso de geotecnologias como as do LASA-UFRJ e INPE para traçar medidas e se basear na fiscalização no período em que o uso do fogo para manejo de vegetação não é permitido. O Conselho Nacional da Amazônia Legal adotou a medida restritiva moratória do fogo para diminuir os riscos de incêndio em território brasileiro. A ordem proíbe queimadas legais por 120 dias a partir de 16 julho, com exceção de “práticas agrícolas de subsistência executadas pelas populações tradicionais e indígenas e no controle fitossanitário, desde que autorizado pelo órgão ambiental competente”. No MS, a Resolução Semac-Ibama nº 01, de 08 de agosto de 2014 proíbe queimadas controladas no Pantanal de 1º de agosto até 31 de outubro.  A porta-voz do Greenpeace em Desmatamento Zero, Cristiane Mazzetti, critica medidas como essas por não estarem acompanhadas de nenhum tipo de fiscalização. E ressalta, “Combate ao desmatamento e queimadas se dá a partir de políticas públicas, transparência e investimento em ciência. De uma maneira geral tem havido uma redução drástica no número de atividades de fiscalização no Brasil desde o início do governo Bolsonaro, e o pouco que existe em termos de multas ambientais, não têm sido cobrado. Cenário que faz parte de um plano que promove o desmantelamento da gestão ambiental no Brasil ao substituir técnicos por militares sem experiência, não punir criminosos ambientais e enfraquecer sistematicamente as entidades que historicamente atuam na proteção ambiental.”   Para “movimentar a economia do país”, o Banco Central lançou em setembro a nova cédula de R$ 200,00. Na estampa, uma homenagem ao lobo-guará, animal ameaçado de extinção típico do cerrado, mas também encontrado no Pantanal, ambos locais atingidos por incêndios de grandes proporções em 2020. Ações ministeriais para políticas ambientais de combate às mudanças climáticas, prevenção aos efeitos da desertificação, proteção à biodiversidade e outros, estariam no centro do Ministério do Meio Ambiente, sob responsabilidade do ministro Ricardo Salles. No entanto, o que se observa na prática é um investimento baixo comparado com outros setores. Até agosto de 2020 o valor total para os oito meses do ano foi de 0,4% do orçamento, um equivalente a R$ 105.409,00. Para o próximo ano, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) prevê uma redução dos investimentos para o meio ambiente em 35% comparado com 2020. Na próxima semana, confira a segunda etapa do especial Pantanal em Chamas Expediente Repórter: Gabriel Araújo, acadêmico de Jornalismo da UFSM Frederico Westphalen e estagiário Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista Mídia Social: Nathália Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista Editor Chefe e supervisor de estágio: Maurício Dias, jornalista]]>