UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Mon, 27 Apr 2026 06:01:39 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2025/11/24/estudante-da-medicina-da-ufsm-e-finalista-em-premiacao-de-psiquiatria-com-estudo-que-desafia-narrativas-sobre-uso-de-telas-e-tdah Mon, 24 Nov 2025 14:09:48 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=71456 Foto colorida horizontal de dois homens jovens sentados em poltronas à frente de uma parede azul. O jovem da direita é o estudante Ricardo. À esquerda dele, outro homem segura o microfone. À frente deles, a plateia.
Estudante Ricardo Bombardelli durante o Congresso Gaúcho de Psiquiatria

O estudante Ricardo Kaciava Bombardelli, do sexto semestre de Medicina da UFSM, foi finalista entre os melhores trabalhos de psiquiatria da infância e adolescência no XVII Congresso Gaúcho de Psiquiatria. O estudo investigou se o aumento do uso de telas - como televisão, computador, celular e videogame - estaria associado ao aumento de sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ao longo do tempo. O resultado surpreendeu: a pesquisa mostrou que essa relação não se confirma.

O trabalho, orientado pelo professor chefe do Departamento de Neuropsiquiatria, Mauricio Hoffman, analisou dados de uma coorte brasileira acompanhada ao longo de oito anos, considerada uma das maiores e mais robustas do país em saúde mental do desenvolvimento. A pesquisa utilizou três momentos de coleta: quando os jovens tinham cerca de 10 anos, depois aos 14 e novamente por volta dos 18.

 

Estudo inédito no país sobre TDAH

O professor explica que a equipe utilizou um modelo estatístico capaz de observar oscilações individuais ao longo dos anos, e não apenas comparar grupos. “A gente consegue medir o além da média de cada jovem. Se, em determinado momento, ele aumentou o tempo de tela além do que era típico para ele mesmo, e se isso gerou um aumento também atípico nos sintomas”, disse o orientador.

O estudo aplicou escalas de desatenção e hiperatividade respondidas pelos pais, e verificou diariamente o tempo de exposição a telas. Segundo Hoffman, isso permitiu analisar tendências reais de comportamento, isolando confundidores importantes. Ele destaca que efeitos como psicopatologia materna, por exemplo, influenciam tanto na atenção dada ao filho quanto no uso de telas - algo que a análise conseguiu mensurar. “O que encontramos é que o tempo de tela geral não tem impacto duradouro nos sintomas de desatenção. Pelo menos não em longo prazo”, afirmou. O orientador da pesquisa ressalta que efeitos curtos, como irritabilidade após muitas horas seguidas, podem existir, “mas não algo que permaneça anos depois”.

 

Questionar a narrativa dominante

Para o acadêmico Ricardo, o estudo nasceu de uma inquietação: a distância entre o que a mídia repete e o que a ciência mostra. “A gente vê muita notícia dizendo que as telas estão ‘gerando’ TDAH nas crianças. Sempre achei estranho que isso se disseminasse tanto sem estudos sólidos por trás”, questionou.

Ao mergulhar na literatura, estudante e orientador observaram resultados inconsistentes entre estudos anteriores, muitos com metodologias frágeis. A partir disso, os pesquisadores decidiram aplicar um modelo que permitisse analisar a direção dos efeitos - se o tempo de tela aumentava sintomas ou se os próprios sintomas faziam as crianças usarem mais telas.

Ricardo explica: “Talvez a criança com sintomas elevados busque mais estímulos, então ela vai para a tela. A gente não sabia se era isso ou o contrário. Nosso objetivo era entender essa direcionalidade”.

Foto colorida horizontal do estudante Ricardo em pé com microfone na mão direita, próximo à boca, e controle na mão esquerda, usado para comandar a apresentação visual projetada no telão. Atrás dele, um painel azul e um parte da apresentação com desenhos de telas. À frente dele, algumas pessoas
Ricardo apresentou estudo decorrente de oito anos de coleta de dados sobre uso de telas e TDAH

Reconhecimento em congresso e futuro na pesquisa 

O Congresso Gaúcho de Psiquiatria é um dos principais eventos científicos estaduais da área. Promovido pela Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), o encontro reúne psiquiatras, profissionais da saúde mental, pesquisadores e estudantes para discutir avanços, apresentar estudos e debater temas atuais da psiquiatria. O congresso é reconhecido pela relevância acadêmica e por promover a atualização profissional e a circulação de pesquisas inéditas na área. A 17ª edição aconteceu de 4 a 6 de setembro em Porto Alegre.

Ser finalista no congresso foi uma surpresa para Ricardo Bombardelli. “Eu fiquei bem nervoso na hora de apresentar”, contou. “Tinha 40 ou 50 pessoas me olhando, e eu tremia um pouco. Mas, depois, ver as professoras vindo falar comigo, pedindo para eu explicar a pesquisa… foi muito gratificante”, acrescentou. Para o estudante, representar a UFSM em um congresso regional de destaque foi simbólico. “Se não fosse o ambiente acadêmico aqui, o estímulo da universidade e do meu orientador, eu não teria chegado até aqui”, revelou

Ricardo já sabe que quer seguir na pesquisa. Ele revela que só escolheu Medicina por causa da psiquiatria. E,  hoje, o estudante se vê ainda mais perto desse caminho: “Eu sempre quis trabalhar com saúde mental e com pesquisa. Agora estou mexendo com estatística, programação, comportamento… tudo o que eu queria”.

 

Texto: Isadora Bortolotto, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos: APRS/Divulgação

Edição: Maurício Dias

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Desde 2015 na UFSM, o projeto Comunidade de Fala busca acolher aqueles que sofrem de transtornos psicológicos e já ajudou milhares de pessoas a mudarem de vida, graças a ensinamentos sobre a importância de manter uma saúde mental em dia.
O TV 55BET Pro Entrevista desta semana recebe o criador do Comunidade de Fala, o jornalista, Richard Weingarten, e a psiquiatra do HUSM, Martha Noal, que foi uma das idealizadoras do projeto em Santa Maria. Confira!

http://youtu.be/9lV0L5zzAKM?si=sRn4hEPiI0aNrtCp
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/resquicios-dos-manicomios-nas-maos-do-estado Wed, 13 Sep 2023 14:44:33 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9803

Nos manicômios judiciários os dias parecem se repetir. Carlos (*nome fictício*) geralmente acorda cedo. Ele sabe que entre 8h e 8h30min, precisa estar na fila para pegar seus remédios. Próximo ao meio dia, o almoço é servido. Depois desses compromissos, ele pode tomar banho, descansar, passear no pátio ou fazer outras atividades na hora que deseja. À noite, geralmente se reúne com os colegas para jogar cartas. Essa é a rotina de Carlos e de algumas das outras 193 pessoas que vivem no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), em Porto Alegre.

Mas nem todo dia é de paz. Alguns destes pacientes, com doenças ou transtornos mentais, ainda têm surtos, dificuldades e precisam de atenção psiquiátrica profissional. Amparo que, nem sempre, os três médicos que atuam no local conseguem dar conta pela sobrecarga de atividades. Agora, imagine estes mesmos indivíduos, com as mesmas necessidades, sem os cuidados de ninguém. 

A situação pode se tornar real até maio de 2024. Este é o prazo que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou para a interdição total e o fechamento dos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico em todo o país. A determinação põe fim ao sistema de internação manicomial. A problemática é: não há um planejamento efetivo de para onde vão as pessoas que ainda precisam de tratamento e estão no IPF, único manicômio ainda ativo no Rio Grande do Sul.

Dados nacionais e estaduais

Desde de setembro de 2023, médicos realizam a perícia de cessação de periculosidade dos pacientes que atualmente estão no IPF, ou seja, uma avaliação da evolução do tratamento de saúde mental, para que possam ser desinternados. Nessa decisão, a maioria dos pacientes encontram uma oportunidade de recomeçar a vida fora dos campos do estado. Mas, um desafio também é imposto ao poder público: entender para onde vão os pacientes que ainda precisam de tratamento ou que não têm subsídio familiar fora dos muros do IPF. O judiciário ainda não tem essa resposta.

“Um dos pacientes está com a desinternação desde 2013. A medida de segurança já foi extinta. Só que ele não tem para onde ir. Ele requer cuidados, tem que fazer um tratamento. O IPF é a única alternativa que tenho para ele. Já houve ação judicial contra o Estado, município, para que comprassem vaga em residencial terapêutico. Até hoje a ação não foi cumprida”, exemplifica Alexandre Pacheco, juiz da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas da Comarca de Porto Alegre (VEPMA), que toda sexta-feira vai até o local e conversa com os pacientes sobre suas situações.

http://www.youtube.com/watch?v=zWAfGmBmZDA&feature=youtu.be&ab_channel=UniversidadeFederaldeSantaMariaUFSM

O juiz explica que o Instituto segue ativo no estado, mas com menos investimento público do que precisaria. Com isso, estruturas antigas e falta de profissionais dificultam a residência dos pacientes antes mesmo do prazo determinado pelo CNJ. “São três médicos (clínico e peritos) que trabalham apenas no turno da manhã. Se o paciente tem um surto agora de tarde, só vai ser atendido amanhã de manhã”, revela.

Além da defasagem de médicos, não há uma equipe multidisciplinar, como neurologistas, educadores físicos e terapeutas educacionais. Atualmente, três psicólogos e assistentes sociais trabalham no local. Para os cuidados de higiene, cinco enfermeiros e técnicos assistem aos pacientes.

“Haverá momentos em que não vai haver ninguém. Essa defasagem faz com que muitos pacientes que não têm autonomia, não consigam tomar banho sozinhos. Ficam sem banhos, higiene pessoal e outras questões. Então vai se tendo um ambiente, que eu diria, violador de preceitos e direitos fundamentais”. Alexandre Pacheco juiz da VEPMA

Por conta da falta de estrutura adequada, antes da resolução do CNJ, o Poder Judiciário do Rio Grande do Sul já havia determinado uma ampliação da interdição do IPF. Desde junho de 2023, não entram novos pacientes no local.

Rotina no IPF

Lei da Reforma Psiquiátrica 

A resolução do CNJ cria novos amparos para o cumprimento do que foi ordenado na Lei 10.216, de 2001. Conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica, ela transformou a discussão sobre o funcionamento dos manicômios no campo jurídico e determinou o fechamento gradual dos institutos manicomiais no Brasil.

“Significou retirar as pessoas de estabelecimentos de privação de liberdade e encaminhá-las para a rede de saúde pública. Trata-se de uma mudança de compreensão com as pessoas em medida de segurança. Elas são sujeitos que exigem assistência social e de saúde, e não de privação de liberdade, afastamento de pessoas e subtração de direito”, comenta a professora da Universidade Federal de Santa Maria, Fernanda Martins, doutora em Ciências Criminais.

Além disso, a lei reconhece a ineficácia de uma internação vitalícia. Desde 2001, o prazo máximo para cumprimento da medida de segurança é equivalente ao descrito na lei para o crime. Por exemplo, se o delito cometido foi um furto qualificado (pena máxima de oito anos), o paciente permanece na instituição da medida em até oito anos. Depois, não precisa mais da intervenção estatal. A liberação não significa uma cura da condição, mas que o sujeito não precisa mais do Estado acompanhando seu tratamento.

[caption id="attachment_9816" align="alignleft" width="501"] Cadeado em grade[/caption]

A reforma foi proposta em 1989. Mas o movimento que lutava pelos direitos das pessoas em manicômios, chamado de Luta Antimanicomial, teve início décadas antes. 

Sandra Maria Sales Fagundes, psicanalista e mentaleira do Fórum Gaúcho de Saúde Mental explica que o movimento ganhou força na década de 1970, durante um encontro de trabalhadores de saúde mental realizado em Bauru (SP) que discutiu mudanças para o sistema psiquiátrico brasileiro. A inclusão de uma equipe multiprofissional foi uma das pautas importantes nesse progresso. “É preciso pensar que existe uma experiência sobre a doença e não somente um diagnóstico – precisa de muita escuta e respeito à construção do sujeito”, conta a profissional. 

Mesmo após a Reforma Psiquiátrica, a luta antimanicomial segue ativa e protagonizada por profissionais de saúde e usuários do sistema psiquiátrico brasileiro. Sandra Fagundes argumenta que a divulgação do movimento não deve parar, mesmo com a ordenação formal de fechamento dos manicômios: “A lei não é o objetivo último. E todos nós sabemos que a lei pode ser morta, um papel morto. Porque ela precisa propor vida e ser aplicada. A luta pela destitucionalização do sofrimento e pelo cuidado e amparo na cidade é viva.”

O dia 18 de maio foi definido como Dia Nacional da Luta Antimanicomial e oportuniza que as entidades sociais reforcem o movimento. As atividades, como as promovidas pelo Fórum Gaúcho de Saúde Mental, são uma forma de manter na memória da população as violações vividas pelos pacientes e para garantir que não se repitam. 

É importante reforçar que a luta não é contra os profissionais que ocupam posições dentro dos manicômios restantes. É imprescindível que médicos e enfermeiros éticos estejam nestes locais e inviabilizem, cada vez mais, o antigo método de desrespeito que se desenvolveu dentro das instituições ao longo da história.

Manicômios no passado: uma marca da falha humana

Geralmente marcados por isolamento do paciente do meio familiar e social, aprisionamento sem prazo e baixa preocupação com a individualização dos tratamentos, os manicômios violavam os direitos humanos e não eram eficazes no exercício da sua função. O método manicomial não estava atrelado necessariamente a um tipo de instituição. Também estava presente em hospitais psiquiátricos que não tinham entrada judicial.

[caption id="attachment_9817" align="alignright" width="499"] Os pacientes possuem enfermeiros e medicamentos caso sintam desconfortos[/caption]

População pobre, ex-escravizados, migrantes e mulheres costumavam ser o perfil desses locais, conforme explica Sandra Fagundes. "Eram recolhidas pessoas que não tinham onde morar e por isso entravam em crise psíquica. Por exemplo, escravos que migravam para as cidades, estrangeiros que não conseguiam se comunicar e mulheres que saiam dos padrões definidos pela sociedade." 

Em meados dos anos 1980 e 1990, “ser louco” serviu como justificativa para anular esses indivíduos da sociedade e não oferecer espaço para tratamento. A psicanalista afirma que, nessa época, a maioria dos diagnósticos ainda não existia e diferentes doenças e transtornos mentais eram tratados da mesma forma. 

“Medicamentos eram um método para conter as pessoas e não para entendê-las. O louco funcionou como um sugador e exterminador da subjetividade”. Sandra Fagundes conclui que vê esses procedimentos como uma forma de pôr a doença entre parênteses e impedir que os pacientes se reintegrarem na sociedade.

O termo “descaso” resume a experiência de Solange Gonçalves Luciano no Hospital Psiquiátrico São Pedro (HPSP), em Porto Alegre. A mulher de 54 anos foi internada três vezes. Após passagens por instituições psiquiátricas e hospitalares, ela não recorda o ano e nem quanto tempo ficou no local em cada internação. Na primeira vez, com 20 e poucos anos, acordou no local sem saber como havia chegado.

Embora a missão da instituição seja divulgada como a de “cuidar do doente mental e a de formar recursos humanos para esta finalidade”, Solange guarda traumas do período em que viveu lá “Eu tenho uma arte que acho muito significativa, onde eu estou no São Pedro de pernas pra cima numa maca contida e sendo medicada. Escrevi a frase ‘Nos ajude a tratar todo e qualquer lugar no qual nos tratamos’”.

Em 2010, uma amiga da área da saúde que atuava no Fórum Gaúcho de Saúde Mental conseguiu tirá-la de lá. Hoje, com memórias de aflição, é militante da luta antimanicomial e se denomina uma ‘sobrevivente dos escombros manicomiais’. Solange encontrou na arte uma forma de compartilhar sua história e seguir na conscientização do tema para novas gerações.

A Oficina de Criatividade, um espaço de reabilitação psicossocial do SUS, que acontece na antiga estrutura do HPSP (hoje com área de internação desativada), proporciona o desenvolvimento de habilidades artísticas, como música, desenho e fotografia de Solange, que até pouco tempo atrás não a permitiam descobrir.

Durante a conversa, a sobrevivente contou a paixão pelo desenho que descobriu em 2014 e compartilhou uma música autoral com a reportagem da Agência de Notícias. Na letra, ela conta das suas vivências enquanto paciente da instituição. Escute abaixo um trecho:

http://www.youtube.com/watch?v=s7XftGfkVm0&ab_channel=UniversidadeFederaldeSantaMariaUFSM

Solange também destacou que mesmo nas dificuldades vividas, encontrou muitos profissionais no caminho que a ajudaram a não perder a esperança. “Tem muitos bons… 90% maltratam, mas também aqueles 10% que se tu consegue chegar perto, te acolhem e te ouvem… faz a diferença. Eu costumo dizer que são as ‘mãos azuis’ que quebram as regras da instituição manicomial e conseguem nos alcançar.”

Texto: Paula Appolinario e Thais Immig, estudantes de jornalismo
Edição: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas
Fotos: Guilherme Machado, estudante de Relações Públicas
lustrações: Lucas Zanella, estudante de desenho industrial e Daniel Michelon De Carli, designer 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/07/20/seminarios-de-pesquisa-em-saude-mental-iniciam-na-quinta-22 Tue, 20 Jul 2021 14:00:05 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=56329
O Departamento de Neuropsiquiatria e o Programa de Residência Médica em Psiquiatria da UFSM-Husm promovem uma série de Seminários de Pesquisa em Saúde Mental. Serão seis aulas online, nas quais pesquisadores brasileiros nas áreas de Psiquiatria e Saúde Mental irão apresentar trabalhos autorais publicados em periódicos de alto impacto.
 
As aulas serão transmitidas pelo canal do Departamento no YouTube a partir de quinta-feira (22), às 13h. Será uma aula por mês, até dezembro. O público-alvo são acadêmicos da graduação e pós-graduação das áreas da Saúde e Ciências Sociais de qualquer instituição de ensino. Não é preciso fazer inscrição antecipada.
 
A programação completa e mais informações podem ser encontradas no site do Departamento.
 
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/11/03/saude-mental-dos-idosos-na-pandemia-e-tema-de-live-do-covidpsiq-nesta-terca-3 Tue, 03 Nov 2020 14:07:36 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=54313

Descrição de imagem: imagem em formato quadrado, com o fundo da imagem na cor bege, com bordas formadas por ondulações na cor roxa, com efeito de bolhas de ar. No ângulo superior esquerdo, lê-se “LIVE”, em letras maiúsculas, na cor roxa. À direita, na mesma linha horizontal, um abaixo do outro, há o logo do Facebook (quadrado azul, de ângulos arredondados, com a letra F minúscula ao centro, na cor branca) e o logo do Youtube (retângulo vermelho, de ângulos arredondadas, com um triângulo branco ao centro, indicando à direita). Em seguida, no mesmo sentido, há o logo do projeto COVID Psiq (rosto humano, de perfil, delineado na cor roxa, com a imagem de uma árvore, cuja copa está no lugar do cérebro) e o brasão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), formado pelos seguintes elementos: três archotes de fogo, que simbolizam os três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão; a flor-de-lis, simbolizando a purificação, e os archotes com a chama do conhecimento, representando a luz que ilumina o caminho para a sabedoria; o brasão, denotando moral e respeito; a frase em latim “Sedes Sapientiae”, que significa sede (lugar, casa) da sabedoria*. Na base do brasão, há a sigla CAEd (Coordenadoria de Ações Educacionais). Abaixo, lê-se o título da live, “Saúde mental dos idosos na pandemia de COVID-19”. Abaixo, em linha horizontal, dentro de círculos na cor roxa, há as fotos dos ministrantes da live. No sentido da esquerda para a direita, primeiramente, há a foto de Bruno Luiz Guidolin, médico psiquiatra, tratando-se de homem de pele clara, cabelo e barba castanhos, expressão sorridente, usando óculos de grau, camisa social branca, paletó e gravata na cor azul-marinho. À direita, há a foto da Profa. Dra. Melissa Agostini Lampert, médica geriatra, tratando-se de mulher de pele clara, cabelos lisos e castanhos na altura dos ombros, expressão sorridente e vestindo blusa de gola alta marrom. Na sequência, há a foto do Prof. Dr. Vitor Crestani Calegaro, médico psiquiatra, tratando de homem de pele clara, cabelos curtos e castanhos e expressão sorridente. Usa óculos de grau e barba. Veste camisa social bege, blusa pull over, nas cores marrom e preta, e casaco preto. Por último, encontra-se a foto de Juliana Motta, jornalista, mulher de pele clara, cabelos loiros e lisos até os ombros, com um leve sorriso e vestindo blusa lilás. A identificação dos ministrantes encontra-se abaixo das respectivas fotografias. Abaixo, centralizado, há informações sobre data e horário de realização da live, “Dia 3 de novembro”, “20h”. Na base da imagem, lêem-se as informações sobre o acesso à transmissão da live: “Para acompanhar, acesse youtube.com/c/covidpsiq ou nosso Facebook COVIDPsiq”.A Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed) e o Projeto CovidPsiq da UFSM realizam a live “Saúde mental dos idosos na pandemia de Covid-19″ nesta terça-feira (3), às 20h, pelo canal no YouTube e no Facebook do CovidPsiq.

Participam o médico psiquiatra Bruno Guidolin, a médica geriatra Melissa Agostini Lampert, o médico psiquiatra Vitor Crestani Calegaro e a jornalista Juliana Motta. 

 

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DESCRIÇÃO DA IMAGEM I (em anexo): imagem em formato quadrado, com fundo na cor bege. No ângulo superior esquerdo e no ângulo inferior direito, há uma arte gráfica, formada por uma linha circular e um núcleo, ambos na cor roxa. Na parte superior, lê-se “LIVE”, em letras maiúsculas, na cor roxa. À direita, na mesma linha horizontal, um abaixo do outro, há o logo do Facebook (quadrado azul, de ângulos arredondados, com a letra F minúscula ao centro, na cor branca) e o logo do Youtube (retângulo vermelho, de ângulos arredondadas, com um triângulo branco ao centro, indicando à direita). Em seguida, no mesmo sentido, há o logo do projeto COVID Psiq (rosto humano, de perfil, delineado na cor roxa, com a imagem de uma árvore, cuja copa está no lugar do cérebro) e o brasão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), formado pelos seguintes elementos: três archotes de fogo, que simbolizam os três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão; a flor-de-lis, simbolizando a purificação, e os archotes com a chama do conhecimento, representando a luz que ilumina o caminho para a sabedoria; o brasão, denotando moral e respeito; a frase em latim “Sedes Sapientiae”, que significa sede (lugar, casa) da sabedoria*. Na base do brasão, há a sigla CAEd (Coordenadoria de Ações Educacionais). Abaixo, lê-se o título da live, “Violência no contexto da pandemia”. Abaixo, centralizadas, distribuídas em duas linhas, há as informações sobre data e horário do evento, “Dia 20 de outubro”, “20h”. Na base da imagem, lêem-se as informações sobre o acesso à transmissão da live: “Para acompanhar, acesse youtube.com/c/covidpsiq ou nosso Facebook COVIDPsiq”. *Fonte da descrição do brasão da UFSM: Identidade Visual (http://www.55bet-pro.com/identidade-institucional/), em 11 de outubro de 2020.A Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed) e o projeto CovidPsiq promovem a live “Violência no contexto da pandemia” nesta terça-feira (20), às 20h. A atividade pode ser acompanhada por todos os interessados pelo YouTube ou no Facebook do CovidPsiq.

Participam a professora de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina, do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein Andrea de Abreu Feijó; a delegada de polícia Débora Aparecida Dias, que atua na Delegacia Especializada ao Atendimento à Mulher e na Delegacia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância e é doutoranda em Ciências Jurídicas pela Universidade Autônoma de Lisboa; a doutora em Psiquiatria Alcina Juliana Soares Barros, diretora científica da Associação de Psiquiatria Cyro Martins, em Porto Alegre; a jornalista e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Midiática da UFSM Juliana Motta; e o professor do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM e médico psiquiatra na Caed Vitor Crestani Calegaro, pesquisador responsável pelo projeto CovidPsiq.

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imagem em formato quadrado, com o fundo da imagem na cor bege, com bordas formadas por duas linhas paralelas, na cor roxa. Os quatro ângulos têm forma côncava. No ângulo superior esquerdo, lê-se “LIVE”,em letras maiúsculas, na cor roxa. À direita, na mesma linha horizontal, um abaixo do outro, há o logo do Facebook (quadrado azul, de ângulos arredondados, com a letra F minúscula ao centro, na cor branca) e o logo do Youtube (retângulo vermelho, de ângulos arredondadas, com um triângulo branco ao centro, indicando à direita). Em seguida, no mesmo sentido, há o logo do projeto COVID Psiq (rosto humano, de perfil, delineado na cor roxa, com a imagem de uma árvore, cuja copa está no lugar do cérebro) e o brasão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), formado pelos seguintes elementos: três archotes de fogo, que simbolizam os três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão; a flor-de-lis, simbolizando a purificação, e os archotes com a chama do conhecimento, representando a luz que ilumina o caminho para a sabedoria; o brasão, denotando moral e respeito; a frase em latim “Sedes Sapientiae”, que significa sede (lugar, casa) da sabedoria*. Na base do brasão, há a sigla CAEd (Coordenadoria de Ações Educacionais). Abaixo, lê-se o título da live, “Relacionamentos amorosos e vida sexual na pandemia”. Abaixo, em linha horizontal, dentro de círculos na cor roxa, há as fotos dos ministrantes da live. No sentido da esquerda para a direita, primeiramente, há a foto de Patrícia Fabrício Lago, psiquiatra e psicanalista. Trata-se de mulher de pele clara, cabelos loiros na altura do queixo, expressão sorridente e vestindo blusa preta. Em seguida, há a foto de Lina Wainberg, psicóloga. Trata-se de mulher de pele clara, cabelos loiros repicados na altura do pescoço, expressão sorridente e vestindo blusa branca. A seguir, encontra-se a foto de Juliana Motta, jornalista, mulher de pele clara, cabelos loiros e lisos até os ombros, com um leve sorriso e vestindo blusa lilás. Por fim, há a fotodo Prof. Dr. Vitor Crestani Calegaro, médico psiquiatra, tratando de homem de pele clara, cabelos curtos e castanhos e expressão sorridente. Usa óculos de grau e barba. Veste camisa social bege, blusa pull over, nas cores marrom e preta, e casaco preto. A identificação dos ministrantes encontra-se abaixo das respectivas fotografias. Abaixo, centralizado, há informações sobre data e horário de realização da live, “Dia 13 de outubro”, “20h00min”. Na base da imagem, lêem-se as informações sobre o acesso à transmissão da live: “Para acompanhar, acesse youtube.com/c/covidpsiq ou nosso Facebook COVIDPsiq”.*Fonte da descrição do brasão da UFSM: Identidade Visual (http://www.55bet-pro.com/identidade-institucional/), em 11 de outubro de 2020.A Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed) da UFSM e o projeto CovidPsiq promovem live com a temática “Relacionamentos amorosos e vida sexual na pandemia” nesta terça-feira (13), às 20h, pelo canal no YouTube ou no Facebook.

A atividade terá participação da médica psicanalista Patrícia Fabrício Lago, colaboradora do Centro de Estudos Luiz Guedes e professora colaboradora da Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica; da psicóloga Lina Wainberg, integrante do comitê de Sexualidade da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul e diretora de titulação da Sociedade Brasileira em Sexualidade Humana; da jornalista Juliana Motta, doutoranda e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Midiática da UFSM; e do professor do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM Vitor Crestani Calegaro, pesquisador responsável pelo projeto CovidPsiq. 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/10/05/projeto-covidpsiq-discute-a-dependencia-de-internet-em-tempos-de-pandemia-em-live-nesta-terca-6 Mon, 05 Oct 2020 12:51:12 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=53867

imagem em formato quadrado, com o fundo da imagem na cor bege. No ângulo superior esquerdo, lê-se “LIVE”, em letras maiúsculas, na cor roxa. À direita, na mesma linha horizontal, um abaixo do outro, há o logo do Facebook (quadrado azul, de ângulos arredondados, com a letra F minúscula ao centro, na cor branca) e o logo do Youtube (retângulo vermelho, de ângulos arredondadas, com um triângulo branco ao centro, indicando à direita). Em seguida, no mesmo sentido, há o logo do projeto COVID Psiq (rosto humano, de perfil, delineado na cor roxa, com a imagem de uma árvore, cuja copa está no lugar do cérebro) e o brasão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), formado pelos seguintes elementos: três archotes de fogo, que simbolizam os três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão; a flor-de-lis, simbolizando a purificação, e os archotes com a chama do conhecimento, representando a luz que ilumina o caminho para a sabedoria; o brasão, denotando moral e respeito; a frase em latim “Sedes Sapientiae”, que significa sede (lugar, casa) da sabedoria*. Na base do brasão, há a sigla CAEd (Coordenadoria de Ações Educacionais). Abaixo, lê-se o título da live, “Dependência de Internet em tempos de pandemia”. Abaixo, em linha horizontal, dentro de círculos na cor roxa, há as fotos dos ministrantes da live. No sentido da esquerda para a direita, primeiramente, há foto do Dr. Alvaro Garcia Rossi, médico oftalmologista, tratando-se de homem de pele clara, cabelo castanho, com um leve sorriso, usando óculos de grau, camisa social branca, gravata listrada e jaleco branco. Em seguida, há a foto de Leonardo Waihrich Guterres, médico ortopedista e traumatologista, tratando-se de homem de pele clara, barba e cabelos castanhos, usando óculos de grau, vestindo camisa social azul clara, gravata azul-marinho e jaleco branco. Na sequência, há a foto de Daniel Tornaim Spritzer, médico psiquiatra, tratando-se de homem de pele clara, barba e cabelo castanhos, usando óculos de grau e com expressão sorridente. Por último, há a foto do Dr. Vitor Crestani Calegaro, tratando de homem de pele clara, cabelos curtos e castanhos e expressão sorridente. Usa óculos de grau e barba. Veste camisa social bege, blusa pull over, nas cores marrom e preta, e casaco preto. A identificação dos ministrantes encontra-se abaixo das respectivas fotografias. No ângulo inferior esquerdo, há informações sobre data e horário de realização da live, “Dia 6 de outubro”, “20h00min”. No ângulo inferior direito, dentro de uma ondulação na cor roxa, lêem-se as informações sobre o acesso à transmissão da live: “Para acompanhar, acesse youtube.com/c/covidpsiq ou nosso Facebook COVIDPsiq”. Fonte da descrição do brasão da UFSM: Identidade Visual (http://www.55bet-pro.com/identidade-institucional/), em 04 de outubro de 2020.O projeto CovidPsiq da UFSM realiza live com a temática “Dependência de internet em tempos de pandemia” nesta terça-feira (6), às 20h, pelo YouTube e Facebook.

Os participantes serão o psiquiatra da infância e adolescência pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) Daniel Spritzer; o ortopedista e traumatologista Leonardo Waihrich Guterres; o oftalmologista Alvaro Garcia Rossi; e o psiquiatra e professor Vitor Crestani Calegaro, pesquisador responsável pelo projeto CovidPsiq.

O evento é promovido pela Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed) da UFSM.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/arco-entrevista-psiquiatra-vitor-calegaro Mon, 27 Jan 2020 19:20:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6164 Pesquisador comenta a relação entre personalidade, psicopatologia e resiliência nos sobreviventes da boate Kiss

Sete anos se passaram desde a noite que mudou Santa Maria. Dia 27 de Janeiro de 2013, 2h30min. A data e hora que marcaram a vida de inúmeras pessoas e famílias. O incêndio da boate Kiss deixou 242 vítimas, a maioria delas jovens. Dos sobreviventes, 623 precisaram receber atendimento médico.  O maior desastre da história do Rio Grande do Sul ocorreu devido a uma série de falhas e irregularidades. Um artefato pirotécnico que não deveria ser aceso; um extintor de incêndio que não funcionou; um alvará que estava vencido; uma boate superlotada; uma única porta de saída; uma espuma tóxica e altamente inflamável e janelas de banheiros lacradas com madeira. A Rua dos Andradas, 1925, tornou-se o endereço do terceiro incêndio mais mortal do mundo ocorrido em boate.  Desde a tragédia, o professor do Departamento de Neuropsiquiatria, Vitor Crestani Calegaro, atende sobreviventes e familiares. Atualmente ele também atua como supervisor no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) e coordena o ambulatório de psiquiatria do Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Acidentes (CIAVA), criado após o ocorrido. Em dezembro de 2019 o psiquiatra defendeu sua tese de doutorado, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nela, investigou, de 2015 a 2017, a relação entre personalidade, psicopatologia e resiliência nos sobreviventes da boate Kiss.  Neste mês se aborda a campanha Janeiro Branco, destinada à conscientização e cuidado da saúde mental e emocional. Transtornos que englobam a saúde psicológica são tão graves quanto os que se referem à saúde física e precisam ser cuidados com seriedade. A Revista Arco conversou com o pesquisador Vitor Calegaro, que detalhou um pouco seus estudos em relação às consequências do trauma causado em pessoas diretamente expostas à Kiss e também sobre como esta pesquisa é relevante para o avanço científico na área.  Arco Você esteve envolvido com o incêndio da boate Kiss desde o início, através da realização de atendimentos aos sobreviventes. Como após alguns anos esse veio a ser o assunto de sua pesquisa no doutorado e como ela foi desenvolvida? Vitor Calegaro Houve uma motivação acadêmica, justamente por estarmos num ambiente universitário. Nós já atendíamos diversos sobreviventes e sentíamos um dever de utilizar esta situação de catástrofe para a construção de conhecimento, onde pudéssemos dar um retorno para a sociedade, aprendermos algo com esta tragédia e fazermos o aprendizado retornar para as pessoas. Começamos com um projeto guarda-chuva em janeiro de 2015: um estudo de acompanhamento dos pacientes do ambulatório de psiquiatria. Um braço dessa pesquisa foi minha tese, que é um estudo transversal, o qual compara pessoas diretamente expostas à boate Kiss (que foram e tiveram contato com o local), e desenvolveram alguma psicopatologia (doença mental), com outras que estavam bem naquela época (dois anos depois do ocorrido). Ela foi realizada dentro do HUSM, no ambulatório de psiquiatria e no ambulatório de pneumologia, que era onde a gente encontrava muitas das pessoas que não faziam acompanhamento psiquiátrico, que estavam lá para uma consulta de rotina, sendo que várias não tinham transtornos mentais. A amostra final contou com 198 pacientes, divididos em subgrupos: 120 sobreviventes; 68 policiais e bombeiros e 10 familiares.  Arco A partir das suas observações, que consequências foram constatadas  nos indivíduos diretamente expostos à Kiss no que se refere à saúde mental? As consequências na saúde mental são diversas. Normalmente, quando se fala em catástrofe, tragédia ou trauma, como um primeiro diagnóstico se pensa o Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT), que é algo mais especificamente relacionado ao trauma. No TEPT, depois que a pessoa vive uma situação de ameaça de morte, por mais de um mês persiste com sintomas intrusivos (pensamentos e lembranças recorrentes e angustiantes). Depois passa a evitar as lembranças internamente, evita pessoas, lugares, situações e também desenvolve uma série de reações cognitivas (como sentimento de culpa) e no humor (fica deprimida), além do sintoma de ativação, quando passa a estar sempre preparada para reagir a alguma situação futura. Nós, a partir da revisão da literatura existente no assunto, percebemos que esse é só um dos diagnósticos e só recentemente isso vem sendo tratado na literatura, uma coisa de vanguarda.  Então, dentro de um dos artigos da tese, analisamos os diagnósticos como um todo. Quando conversávamos com os pacientes aplicamos uma série de questionários. Um deles dá diagnósticos em psiquiatria. Fizemos uma análise de classe latente e conseguimos distinguir três grupos de pessoas. Com os primeiros dois anos, qualquer diagnóstico é crônico, então identificamos que: 50% das pessoas não tinham nenhum diagnóstico de transtorno mental, que era um grupo resiliente; um grupo intermediário, de 25%, tinha uma forma de TEPT que passamos a chamar de TEPT parcial, quando a pessoa tem alguns sintomas, mas não todos; e um grupo de 25% com TEPT completo. Mas, das pessoas com TEPT completo, pelo menos metade tinha também depressão e algum transtorno de ansiedade. Ali chegamos a uma das conclusões: o trauma não desencadeia somente o TEPT. Essa é uma maneira como a psicopatologia se expressa, mas existem diversas outras, como depressão e transtornos de ansiedade (transtorno do pânico, fobia social, transtorno de ansiedade generalizada). Para nós isso ficou muito claro com essa amostra, já que a maioria dos sobreviventes não possuía nenhum transtorno antes da Kiss e passou a ter diversos problemas após.  Arco E como algumas dessas pessoas adoeceram tanto após o trauma enquanto outras, além de se recuperarem, se tornaram resilientes?  Vitor Calegaro Em primeiro lugar, quando a gente fala de resiliência precisamos ver de que estamos falando. A resiliência hoje é um termo que está muito no senso comum e as pessoas atribuem muitas coisas diferentes a ela. Resiliência, a rigor, deve ser entendida como um conceito dinâmico. A pessoa sofreu um trauma, quando é que ela diz que é resiliente? Resiliência não é não ter sofrimento. A pessoa tem um sofrimento e depois de um tempo breve ela retoma o seu funcionamento normal e segue a sua vida, vai reduzindo os sintomas e ficando bem. Na tese, quando falamos de resiliência estamos falando de outro conceito, que é traço de resiliência. É a ideia de que há pessoas com certas características associadas à personalidade que as tornam mais resilientes, mais capazes de enfrentarem os estressores na vida. Comparamos as pessoas que tinham esse traço de resiliência com as que tinham sintomas de estresse pós-traumático e outras doenças mentais. Vimos que quem tem mais desse traço de resiliência realmente têm menos sintomas. Elas têm um enfrentamento da situação traumática de uma forma mais adaptativa ao estresse e conseguem seguir a vida com menos sofrimento. A resiliência envolve também sofrimento, mas é algo momentâneo, o indivíduo consegue retomar sua vida, crescer com a experiência. Aqui entra a força de ego, que, em termos médicos, é quando a pessoa é otimista, consegue virar a página, sabe procurar ajuda mas sem ficar dependente de alguém. Porém, uma boa parte dessa resiliência também é biológica, há coisas na sua genética que a tornam mais adaptável aos estressores, enquanto quem tende a desenvolver transtornos mentais já possui uma genética de vulnerabilidade. E é dependendo dessa genética que a psicopatologia se expressará no futuro, se será TEPT, transtorno de personalidade, esquizofrenia, transtorno de ansiedade, uso de drogas… Arco É possível alguém desenvolver esse traço de resiliência, mesmo que não o tenha em sua genética? Vitor Calegaro Essa é a pergunta que todos os pesquisadores da área estão tentando responder. Na tese, a gente percebeu que o traço de resiliência é associado a características da personalidade e, dentro delas, conseguimos inferir que uma parte dessa resiliência é biológica e se refere a uma tendência inata que temos de sentir medo, que é a esquiva do dano. Outra parte se refere a características psicológicas, que é o autodirecionamento, como a capacidade da pessoa ir em direção ao objetivo, ser criativa em relação à resolução de problemas, ser flexível, não ficar se culpando, ter um senso de responsabilidade de que ela pode possuir a própria vida. Além disso, tem um outro traço que é de autotranscendência, a expansão de limites pessoais. Do ponto de vista mais biológico, geneticamente herdado, há uma grande tendência familiar para a pessoa ter esse traço esquiva do dano e podemos observá-lo desde os dois ou três anos de idade. Mas isso pode ser moldado desde a infância,  através do condicionamento. Hoje não há uma terapia, uma intervenção preventiva, ou então de promoção da saúde, mas tecnicamente isso poderia ser feito sim. Essa é justamente uma grande contribuição do nosso estudo: se a gente pode rastrear esses traços precocemente, antes de desenvolver o trauma, a gente pode intervir em pessoas mais vulneráveis para que elas se tornem mais resilientes. Por exemplo, sob esse aspecto do medo, seria através do condicionamento desde a infância e adolescência. Com relação à parte mais psicológica, que é do autodirecionamento, também, através de estratégias de enfrentamento voltadas à resolução dos problemas sem ficar muito preso a uma emocionalidade negativa. Já no traço de autotranscendência isso poderia ser trabalhado através de meditação e relaxamento. Arco Sobre o transtorno de estresse pós-traumático e outras psicopatologias, elas surgem logo após o acontecimento ou pode demorar algum tempo até se manifestarem?  Vitor Calegaro Na maioria das vezes elas já começam nas primeiras horas, sendo que, dentro dos três primeiros dias, isso é normal. É chamada de reação aguda ao estresse e cada transtorno desses tem um tempo específico para ser diagnosticado. A maioria das pessoas que irão desenvolver já tem sintomas desde o início e persiste com eles por mais tempo que o que seria esperado. Mas existem pessoas que contrariam essa regra. Que no início não têm muitos sintomas e vão piorando gradualmente, de forma que podem fazer o diagnóstico depois dos seis meses. E essa é uma preocupação que nós temos. Os estudos de acompanhamento de vítimas de outros desastres mostram que algumas pessoas vão desenvolver muito gradualmente, ao longo de anos, só que vão piorando com o passar do tempo. É uma minoria que tem essa característica, mas é possível sim e, quando isso acontece, em geral os transtornos são graves e têm muitas outras consequências em termos de saúde. Arco E é possível curar esses transtornos com o decorrer do tempo?  Vitor Calegaro Alguns sim, outros não. Algumas pessoas conseguem, de fato, obter uma recuperação concreta, falando especificamente do TEPT. Outros não conseguem, apesar dos melhores tratamentos disponíveis, tanto em termos de psicoterapia, quanto de medicação. No caso da resolução completa dos sintomas, a probabilidade disso acontecer é quando o transtorno não é tão crônico assim. Quando passam-se anos que a pessoa tem um transtorno, a tendência é que ela siga com esses sintomas por um tempo indeterminado e aí vai depender de muitas coisas: como foi para ela esse trauma, as perdas que teve… é muito variável, pode durar alguns poucos anos ou até a vida inteira. Isso motiva muito os pesquisadores a irem em busca de novos tratamentos, porque o TEPT crônico impacta demais na saúde da pessoa e na vida dela. Tanto em termos de trabalho, estudo, relacionamentos interpessoais, como também na saúde física. Ela tende a ter mais doenças físicas, doenças cardíacas, metabólicas, uma série de coisas. Arco Você falou inicialmente que as amostras foram divididas em três grupos. Os resultados observados foram diferentes entre os sobreviventes, os policiais e bombeiros e os familiares?  Vitor Calegaro Sim. Tirando os familiares, toda a amostra foi exposta diretamente ao acidente e teve contato com a fumaça. Sobre bombeiros e sobreviventes, no que estudamos com relação à personalidade, nesses traços que falei, não houve muita diferença. O que encontramos numa amostra encontramos em outra. O que torna este achado mais robusto. Não é porque era personalidade dos estudantes, não. Mesmo em bombeiros, que possuem outro tipo de vida, esses traços foram encontrados associados. Em um dos artigos separamos por idade e sexo, e mostrou que os resultados são os mesmos, independente disso. Em outro incluímos os familiares e mais doenças, as psicopatologias. Ali houve diferença. Quem é sobrevivente ou familiar tem mais probabilidade de ter uma doença mental do que os bombeiros. Ser bombeiro, no caso, é um fator protetor e isso está coerente com o que vimos na literatura e pode ter muito a ver com o treinamento que recebem e com a pessoa estar mais habituada a situações de estresse. Mas eu diria que, mesmo pra eles, essa situação foi muito peculiar. Nos relatos eles nos disseram que a tragédia impactou de maneira muito grande suas vidas.  Arco Por fim, com relação ao trabalho desenvolvido, existem outros estudos semelhantes na área?  Vitor Calegaro Existem. Referem-se, em geral, a situações de terrorismo ou de catástrofes ambientais. Sobre o World Trade Center é o que mais estudos existem, já que morreram muitas pessoas. O diferencial do nosso e que o torna muito raro é que a amostra é muito homogênea. A maioria é um grupo de estudantes universitários, de 20 a 30 anos, que não possuía nenhum transtorno mental prévio. Isso torna-o uma grande contribuição para a comunidade científica.   Repórter e Mídia Social: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo Ilustradora: Lidiane Castagna, acadêmica de Desenho Industrial Editor: João Ricardo Gazzaneo, jornalista]]>
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Roupas coloridas, “paz e amor”, busca pela liberdade. Esses elementos foram muito utilizados e discutidos nos anos 60. A década, marcada pela expansão da contracultura, tem como um dos seus símbolos o festival Woodstock “Três dias de paz e música”, que aconteceu em 1969. Outro lema desse período é “sexo drogas e rock’ n' roll”. Os exageros marcaram o festival, que culminou em duas mortes por overdose. Cinquenta anos depois do Woodstock, alguns vícios seguem os mesmos, outros mudaram e nem sempre são percebidos. O consumismo é um deles.

Para os consumidores, novembro é um mês muito aguardado. A Black Friday (inauguração de compras natalinas) traz a promessa de produtos com preços acessíveis na última sexta do mês. Só no comércio online, o dia de promoções teve 17,8 bilhões de dólares como faturamento global em 2018. A data de compras possui uma nova concorrência: 11 de novembro, o Dia dos Solteiros. Comemorado na China, estendeu-se para o Brasil com o Aliexpress e outros sites de compra. Nesta data, somente a Alibaba (empresa que tem a Aliexpress como filial) arrecadou cerca de 38,4 bilhões de dólares em vendas.

Tanta compra não pode ser apenas necessidade. Para entender um pouco mais sobre a compulsão do consumo entrevistamos a psiquiatria e doutoranda em Ciências Médicas pela UFRGS, Nathália Janovik, que realizou a palestra “Compras compulsivas: a busca da felicidade na sociedade de consumo?” durante o I Simpósio “Sexo, drogas e rock’ n’ roll: adição e sexualidade em pauta”, promovido pela Liga de Psiquiatria, em parceria com o Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM.

A Liga existe há cinco anos e conta com 20 alunos orientados pelo professor de Psiquiatria e Saúde Mental, Vitor Crestani Calegaro. Os estudantes Fernando Girardi e Giovanna Blanco, membros da Lliga, comentam que a escolha do tema foi pensada para que pessoas de outro curso pudessem participar. Para Giovanna, “são temas que a gente não tem acesso durante o curso, mas que são importantes para nossa prática, porque são coisas que a gente vai se defrontar o tempo todo, independente da especialização que escolher”. Ela ressalta a necessidade de debater essas questões para saber como encaminhar o paciente. O simpósio contou com palestras com profissionais de outras áreas, de dentro e fora da medicina como: jornalismo, infectologia, neurologia e psicologia.

Arco - Como a psiquiatria define o consumismo?

Nathália Janovik - Em tempos pós-modernos, eu diria que a definição de consumismo não é uma exclusividade restrita da psiquiatria. Uma das características mais evidentes da sociedade atual é o apelo ao consumismo, definido puro e simplesmente pelo maior acesso e consumo de bens materiais, tecnológicos e de serviço. O papel da psiquiatria neste cenário é observar quando, como e se tal comportamento passa a interferir negativamente - sendo causa e/ou consequência - na saúde mental do indivíduo.

 

Arco -  Quando o hábito de comprar torna-se compulsão? 

Nathália Janovik - A resposta para essa pergunta é muito ampla mas, em linhas gerais, um comportamento que passa a ser repetido ao longo do tempo, de forma a, ou proporcionar prazer, ou aliviar algum sentimento de angústia, e sem que o indivíduo tenha controle sobre ele, mesmo na presença de consequências negativas, pode ser encarado como uma compulsão. Isso serve para comer, comprar, jogar, entre outros.

 

Arco -O consumismo pode ser considerado um vício? É indício de alguma doença?

Nathália Janovik - O consumismo, por si só, não é critério suficiente para afirmarmos que essa conduta corresponde a alguma doença. É necessária a avaliação de outros fatores, como as emoções envolvidas neste processo, contexto sócio-cultural no qual o indivíduo está inserido e prejuízos associados ao comportamento.

 

Arco - Existe uma faixa etária ou classe social que é mais afetada? As crianças estão inclusas nessa compulsão?

Nathália Janovik - Em geral, as mulheres são quatro vezes mais afetadas do que os homens. A prevalência mundial desta doença varia entre 6% e 8%, e, no Brasil, essa taxa gira em torno de 3%, sem tanta distinção entre classes sociais. As crianças não estão incluídas neste diagnóstico, muito embora valha a ressalva de que, cada vez mais precocemente, se observa o contato imediato de crianças/adolescentes com itens de consumo e gratificação imediata, em substituição ao afeto e fortalecimento de vínculos.

 

Arco - Quais são os indícios da compulsão por compras?

Nathália Janovik - Começamos a pensar em compras compulsivas quando o indivíduo percebe uma sensação de angústia e ansiedade, que antecedem o ato de comprar, e que geralmente só aliviam depois que isso acontece. Além disso, as pessoas acometidas por essa doença não conseguem controlar o impulso de comprar, apesar de seus grandes esforços, e gastam muito mais tempo do que o planejado neste comportamento, o que, muitas vezes, acaba por limitar o seu repertório comportamental a comprar.

 

Arco  - A internet potencializa o impulso de comprar? Como lidar com isso?

Nathália Janovik - Não tenho dúvidas de que o apelo tecnológico e a facilidade de acesso a informações favorece o aparecimento dessa doença. Hoje em dia, se quisermos fazer quaisquer compras, desde supermercado até roupas, pela internet, está tudo ali, literalmente na palma das nossas mãos. E tudo isso, claro, atrelado a “crédito facilitado e ótimas condições de pagamento”! É importante salientar que, embora sejam quadros complexos, existe tratamento especializado para isso, que inclui psicoterapia, uso de medicação e/ou grupos de ajuda, como os “Devedores Anônimos”, semelhante aos grupos de Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA). Buscar ajuda é o primeiro passo!

Repórter: Mirella Joels, acadêmica de Jornalismo

Ilustradora: Beatriz Dalcin, acadêmica de Publicidade e Propaganda

Mídias Sociais: Nataly Dandara e Nathalia Pitol, acadêmicas de Relações Públicas

Editora de Produção: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo

Editor Chefe: Maurício Dias, jornalista

 

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vamos-falar-sobre-o-suicidio Thu, 21 Sep 2017 21:00:42 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=2274 Para além da chegada da primavera, o mês de setembro é iluminado por mais tons de amarelo, afim de trazer à luz um assunto que, para muitos, ainda é tabu: o suicídio. No Brasil, o movimento começou a tomar força em 2014, quando monumentos históricos e praças passaram a receber tons de amarelo e ganhar maior visibilidade da população. Nesse mesmo ano, o Brasil foi considerado o oitavo país do mundo com a maior taxa de suicídios, a partir de um estudo feito pela Organização Mundial da Saúde. O estudo ainda aponta que a cada 40 segundos - o tempo que você vai levar pra ler esse parágrafo, talvez - uma pessoa comete suicídio no mundo. Os dados alarmantes servem para reforçar a importância do assunto. Mas como devemos tratá-lo? A melhor saída é ocultar os fatos ou fazer questão de falar sobre isso? É um problema a ser tratado em âmbito familiar ou deve compor também os debates de saúde e segurança pública? Na busca pelo compartilhamento de boas respostas a esses questionamentos, ocorre em Santa Maria o 4º Encontro Regional de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio, uma iniciativa que recebe apoio de diversas entidades santa-marienses que lutam pela causa. Três dias após o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, ocorrido no dia 10 de setembro, a UFSM sediou espaço para palestras e rodas de conversas para tratar do suicídio a partir de vários aspectos: desde o apoio nas crises até um debate aprofundado sobre possíveis abordagens da rede de atenção psicossocial. Em um desses momentos, palestrou o psiquiatra Renato Piltcher, que atualmente trabalha em Porto Alegre. Confira a entrevista que a nossa equipe fez com o psiquiatra Renato Piltcher: Arco: Por que o suicídio ainda é tabu? Renato Piltcher: O suicídio é menos tabu atualmente, mas ainda assim o é. Da mesma forma que outros assuntos considerados tabus, ele mexe com questões que nos assustam, às vezes nos excitam, nos deixam com receio, pensando se a gente seria ou não capaz daquilo. O tabu tem relação com a cultura, com aquilo que nós homens escrevemos e construímos. Tabu é aquilo que é secreto, que não pode ser mencionado, é perigoso ou indevido. Outra coisa que colabora para que o suicídio seja tabu é aquele senso comum de que “se falar disso, aí vai fazer as pessoas se suicidarem” – o que, quero deixar bem claro, que é inverdade. Existem, inclusive, religiões que não dão para o suicida o direito de ser enterrado ou receber os mesmos rituais que a morte natural traz. Em algumas legislações, o suicídio é considerado crime. Não bastando a pessoa em desespero atentar contra sua vida, em alguns lugares com pouca sensibilidade, é capaz que algum juiz processe a pessoa pelo que ela fez. O outro motivo é uma espécie de desafio de alguma coisa que ou a religião ou a lei dos homens está a proibir. Arco: Qual o panorama mundial de faixa etária nos casos de suicídio? Renato Piltcher: Existem duas faixas de pico para tentativas de suicídio: dos 15 aos 30 anos.  Existem vários fatores que podem explicar maior incidência dos 15 aos 30 anos: as responsabilidades exigidas de um adolescente que entra na fase adulta; há uma incidência de depressão e esquizofrenia pela primeira vez nessa faixa etária; a turbulência da adolescência; o turbilhão de informações da internet. Como é uma época em que as doenças são menos frequentes – não é comum morrer por “mortes” naturais devido a doenças – a representação estatística do suicídio fica muito maior. Tanto que as mortes violentas – seja por suicídio, seja por acidente de carro – são a maior causa de morte dos 15 aos 24 anos. Estima-se que, do ano 2000 para o ano de 2014, houve um incremento próximo a 10% na frequência de morte por suicídio nessa faixa etária. A outra faixa etária de pico de morte por suicídio é na faixa da terceira idade. As pessoas acima dos 70 anos têm, por vezes, condições físicas ou emocionais mais debilitadas. Elas fazem uma tentativa de suicídio, geralmente, por métodos letais como ingestão de medicamentos, enforcamento ou tiro. Arco: E com relação a gênero? Há alguma diferença entre homens e mulheres? Renato Piltcher: Exceto no caso da China - onde a maioria de suicídios é cometido por mulheres – todos os países do mundo têm a maior taxa de suicídios cometidos por homens, mesmo sendo as mulheres as que tentem com mais frequência. Se pensa que para cada suicídio exista pelo menos de 10 a 100 tentativas.  É muito mais frequente a tentativa, inclusive, porque dentro de cada um a ambivalência entre “viver” ou “morrer” é enorme; e também porque muitos lugares dificultam o acesso a meios mais violentos. Em lugares onde armas são facilmente alcançadas a pessoa pode, em um momento de impulsividade, agarrar uma arma e, em um segundo, terminar com sua vida. Já em lugares onde o indivíduo é forçado a buscar outro método, isso já pode dar tempo suficiente para despertar a vontade de viver dentro da pessoa ou também para que alguém em torno possa intervir e ajudar.  Arco: Entre os estados brasileiros, o Rio Grande do Sul tem maior incidência de casos de suicídio, e, inclusive, Santa Maria é apontada como uma das cidades com maior índice. A que se deve isso? Renato Piltcher: Uma explicação é a mesma de por que achamos que na Escandinávia, por exemplo, os casos são mais comuns que no Brasil. Na verdade, isso não quer dizer que haja maior incidência lá, acontece que os casos são mais notificados. Tanto as famílias quanto os profissionais da saúde são mais eficientes em notificar isso e, logo, a estatística sobe. Muitas vezes, o motivo do suicídio é notificado como “acidente” pela família que atravessa fenômenos como “vergonha” após o ocorrido. Já nesses países, as notificações são muito mais verazes. Dentro do Brasil, o Rio Grande do Sul, comparado a outros estados – parte por sua colonização e fortes traços da cultura europeia-, é um lugar onde se notificam casos também com maior veracidade. Outra especulação se refere a áreas indígenas. Os índios sofreram uma aculturação, um dizimar brutal na região sul, e isso pode estar diretamente relacionado a casos de suicídio nessas culturas. Além disso, existem estudos sobre o nível de agrotóxicos na alimentação terem ligação aos casos do suicídio; uma vez que as pessoas ingerem de alguma maneira o agrotóxico, o dano causado no corpo leva anos para ser reduzido. A área fumageira, bastante comum no sul do país, normalmente possui muito agrotóxico e isso pode ser um dos motivos pelos quais as taxas de suicídios são maiores. Além de fatores culturais, se tem também maior acesso aos meios com a questão da caça e o uso das armas de fogo. Arco: Neste ano, uma questão levada a plebiscito foi a revogação do Estatuto do Desarmamento. Caso aprovada, isso poderia aumentar os números de suicídios no país? Renato Piltcher: Acho que as políticas públicas deveriam se preocupar mais em facilitar o acesso à “arma do conhecimento”, à escolaridade com liberdade. Isso é uma arma poderosa. Os Estados Unidos, que é um país de “referência” no sentido da busca pela “guerra às drogas” não conseguem melhorar os seus índices, por exemplo. É necessário pensar em outras experiências. Dar arma para a população achando que isso vai reduzir a criminalidade é um equívoco e, além disso, pode dar brechas e “inflamar” momentos de desespero dos indivíduos, tanto nas relações interpessoais como para consigo mesmo. Sem dúvida, portanto, mais armas poderiam estar ligadas a um maior número de suicídios no país. Arco: Além de ser um problema que deve ser enfrentado por profissionais do ramo da saúde e da segurança pública, o ramo da comunicação também encontra sérios desafios nesse assunto. Como devemos tratar o suicídio? Renato Piltcher: A mídia tem sim uma importante participação e deve achar um equilíbrio nesse sentido, que deve ser dinâmico. A mídia deve noticiar as coisas sem espetacularizar, deve proporcionar através do seu texto um pouco de reflexão. O que se vê muito hoje é uma espécie de “quem grita mais alto, quem fala a palavra mais horrenda” e isso é muito errado ao tratarmos de um assunto tão delicado como é o suicídio. Deve-se pensar bem no que se faz, abordando com profundidade a questão. Reportagem e fotos: Tainara Liesenfeld]]>