UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Fri, 27 Mar 2026 10:26:20 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-kiss-antes-do-incendio Mon, 06 Dec 2021 16:56:44 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8788

AVISO DE GATILHO

Em percurso por um dispositivo virtual, é possível conhecer o interior da Boate Kiss antes do incêndio. Da rua, se vê a entrada - e também saída - do local que ficou marcado por ser uma das maiores tragédias no Brasil. Assistir ao vídeo* permite ampliar a compreensão da tragédia.

O percurso

http://youtu.be/edoqfbo-Bmw

Este vídeo mostra o caminho pelo interior da Kiss antes do incêndio e só foi possível por meio da reconstrução do ambiente em imagens 3D. A estrutura da boate é complexa, o que dificultou que pessoas encontrassem a saída na noite de 27 de janeiro de 2013. O local foi descrito como labirinto mais de uma vez.

O Dispositivo Interativo Digital resulta de um projeto da Universidade Federal de Santa Maria  (UFSM), em parceria com o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, a Fundação Escola Superior do Ministério Público e a Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Coordenado pela antropóloga e docente da UFSM, Virgínia Vecchioli, o dispositivo foi criado com o objetivo de ser utilizado durante o júri do caso, que iniciou dia 1º de dezembro em Porto Alegre e tem previsão de durar 15 dias. A ideia é que os sobreviventes possam identificar, a partir do percurso virtual, o local em que estavam quando perceberam o incêndio.

A tragédia

O incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria - RS, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro de 2013 e matou 242 pessoas, em sua maioria jovens. Além disso, outras 636 vítimas ficaram feridas e precisaram de atendimento e acompanhamento a longo prazo. O fogo começou durante o show da banda Gurizada Fandangueira, que usava artefatos pirotécnicos.  A casa noturna, que estava lotada e não tinha ventilação, saídas de emergência nem controle de incêndio, foi tomada pela fumaça tóxica proveniente da queima da espuma acústica. Os extintores não funcionaram, não havia chuveiros automáticos - também chamados de sprinklers - nem indicação da rota de fuga. Além disso, obstáculos como degraus, barras de ferro e muretas agravaram a dimensão da tragédia, uma vez que muitas pessoas tropeçaram, caíram ou ficaram presas ao tentar cruzar por elas.

Gabriel Rovadoschi Barros, 27 anos, é psicólogo e não foi chamado como testemunha do júri, mas com o dispositivo conseguiu mostrar para a família o local em que estava quando começou o incêndio. Ele presenciou a coletiva de imprensa sobre o julgamento, em que a ferramenta foi entregue ao Ministério Público, no dia 17 de novembro. Durante a apresentação na coletiva, o percurso virtual foi pausado para mostrar um exemplo de local em que havia sinalização, mas o extintor de incêndio estava ausente. No salão menor, ao lado de uma cabine de madeira, Gabriel estava parado quando percebeu a movimentação de pessoas correndo. De lá, ele não viu o início do incêndio.

Cabine de madeira, local onde Gabriel Rovadoschi Barros estava quando começou o incêndio.

Primeiramente, ele achou que fosse uma briga, mas, quando percebeu a fumaça, colocou a camiseta na frente do nariz e correu; não gritou para poupar energias; e tropeçou nos degraus que separavam os ambientes. Para Gabriel, elementos como barras de ferro, mesas e degraus que estavam no caminho dificultaram a saída de muitas pessoas. “Não tinha outra saída. Não tinha uma porta nos fundos. Não tinha uma janela para quebrar. Não tinha nada”, relembra.

Gabriel não conhecia muito bem a boate. Na época com 18 anos e estudante de Jornalismo na UFSM, era a segunda vez que ia até a Kiss. A primeira foi na noite anterior, em que conheceu uma menina do curso de Zootecnia que o convidou a ir à festa Agromerados. Segundo ele, a fila do dia 26 estava maior que a do dia anterior. Gabriel não teve sequelas físicas e pulmonares: apenas um hematoma roxo na perna, em formato de dedos, marcou a pele. Dos quatro amigos, dois faleceram e dois ficaram internados. A culpa por ter saído sem sequelas o acompanhou durante muito tempo. “Uma das coisas que mais me afeta até hoje é que no início do tumulto eu senti que peguei o lugar de alguém”. Entre silêncios, suspiros e voz afetada, ele afirma que hoje consegue reconhecer que essa não deve ser uma culpa dele. “Teve responsáveis por isso. Foi uma emboscada, um crime, acho que não tem outra palavra para definir”, diz.

Para Gabriel, o dispositivo é importante porque deu respostas de coisas que estavam só na lembrança. “Ao mesmo tempo que dói [rever], alivia, porque eu me dou conta de que não estava louco, que eu não aumentei a dificuldade da coisa, que ela foi mais difícil ainda do que eu imaginava”, desabafa. Ele acredita que o recurso é potente, mas não só como ferramenta para ser usada no júri: “Vai ajudar, para servir como recurso, para entender, para dar lugar, para tirar esse peso que eu tenho em ser a memória da tragédia. Acho que desloca e dá outras funções além de comprovar o absurdo que foi”.

Na busca por memória e justiça, a atuação de uma ONG quer conscientizar a população para que outras tragédias não aconteçam. A “Kiss: Que não se repita” (KQNSR) é ativa nas redes sociais e luta para que a tragédia não caia no esquecimento. Bel Bonotto, 33 anos, é do Rio de Janeiro e faz parte da equipe de comunicação da KQNSR. No incêndio, ela perdeu um amigo. A publicitária afirma que o dispositivo é uma maneira didática de evidenciar, para quem nunca esteve na boate como ela era um labirinto e tinha vários pontos cegos. “Através do dispositivo, é possível mostrar com clareza como era difícil ter noção de onde era a saída, ainda mais com a fumaça tomando conta do espaço no escuro, e também das debilidades - como a ausência do extintor de incêndio e do quanto a espuma tóxica dominava a área onde o artefato pirotécnico foi aceso”. No corredor que levava ao exterior, acima da porta deveria ter um aviso de “saída”; no entanto, a placa indicava o “caixa”.

http://youtu.be/0m1wJrKaS-w

O dispositivo

O projeto é fruto de uma pesquisa coordenada pela antropóloga argentina e professora na UFSM, Virgínia Vecchioli. A docente já esteve à frente de outros trabalhos de reconstrução virtual de ambientes destruídos, como é o caso do “El Campito”, de 2018, que retratou um campo de concentração na Argentina e também foi usado em júri. A partir de 2016, ao assumir o cargo na UFSM, Virgínia entrou em contato com os familiares das vítimas e conheceu a luta pela justiça. A partir desse encontro, surgiu a ideia da criação de um dispositivo que auxiliasse no júri do caso Kiss, que acontece em Porto Alegre. Com a mudança de cidade - inicialmente o julgamento estava previsto para ocorrer em Santa Maria -, as dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19 e as condições deterioradas da boate atualmente, que a tornam pouco segura, a visitação se tornaria inviável. A partir do uso do dispositivo como ferramenta do júri, é possível conhecer as condições e o interior da boate antes do incêndio.

Fachada da Boate Kiss: imagem gerada pelo escaneamento do Instituto de Criminalística do Distrito Federal.
Fachada da Kiss: imagem gerada no Dispositivo Interativo Digital.
Fachada da Kiss: imagem real, após o incêndio.

O projeto foi elaborado em quatro meses e a equipe era composta por sete pessoas. O trabalho técnico de desenvolvimento foi feito por Lucas Kolton, arquiteto especializado em design gráfico. Ele usou duas ferramentas: Unreal Engine - plataforma de criação de jogos usada na arquitetura para geração de imagens em realidade virtual - e o SketchUp - software que possibilita aplicar volumetria 3D. A construção da plataforma teve como base o escaneamento do local realizado pelo Instituto de Criminalística do Distrito Federal (DF) em fevereiro de 2013. Depois, com a planta da boate obtida a partir do escaneamento, os ambientes foram categorizados por meio de códigos. Cada uma das peças tinha uma pasta em que eram reunidas as referências, formadas por cerca de 200 fotografias coletadas dos volumes do processo. A pesquisa e a catalogação envolveram material fotográfico, audiovisual e escrito. Lucas explica que a simulação em realidade virtual foi um processo evolutivo, em que, a partir de reuniões semanais, havia discussão e acréscimo de elementos que faltavam. Virgínia conta que não foram necessárias visitas ao local, uma vez que os principais documentos utilizados já tinham detalhamento suficiente. 

Hall: imagem gerada pelo escaneamento do Instituto de Criminalística do Distrito Federal.
Hall: imagem do Dispositivo Interativo Digital.
Hall: imagem real, após o incêndio.

A equipe se atentou aos detalhes da arquitetura da boate, inclusive para representar desníveis no chão. No processo de construção do dispositivo virtual do projeto anterior, o El Campito, utilizaram-se relatos de testemunhas. Na reconstrução da Kiss, no entanto, não foi possível. Como o dispositivo é ferramenta de júri, deve apresentar isenção.

Salão menor: imagem gerada pelo escaneamento do Instituto de Criminalística do Distrito Federal.
Salão menor: imagem gerada pelo Dispositivo Interativo Digital.
Salão menor: imagem real, após o incêndio.

Marcelo Mendes Arigony, hoje delegado na 2ª Delegacia de Polícia de Santa Maria, era delegado de Polícia Regional na época da tragédia, e aponta que o dispositivo é importante para auxiliar os jurados no entendimento do caso. Arigony afirma que, por meio dele, é possível estabelecer rumos justos quanto à sentença que será proferida.  “É um instrumento disponibilizado para que aquelas pessoas possam produzir um julgamento mais justo, que é o que se espera de justiça que possa vir nesse caso”, completa. O delegado ainda salienta a validade jurídica do dispositivo virtual, uma vez que o juiz utiliza a prática de íntima convicção - em que tem o direito de apreciar o fato de maneira livre e de acordo com seu entendimento, por isso, pode usar de várias ferramentas a fim da maior compreensão possível.

Virgínia destaca a importância do dispositivo, que é pioneiro no Brasil. A distância entre o Foro Central de Porto Alegre (local da audiência) e a boate, em Santa Maria, torna mais difícil uma visita ao local do crime. “[Os jurados] não têm que se deslocar para fora da sala de audiências. A cena do crime entra na sala de audiências. E isso é uma grande inovação”, evidencia a pesquisadora. 

Flávio Silva é presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), e perdeu sua filha, Andrieli Righi da Silva, no incêndio. Para ele, o dispositivo é fundamental no júri, uma vez que mostra como era a casa noturna. “Com todos aqueles obstáculos pela frente, mostra-se claramente que eles não tiveram praticamente nenhuma chance de escapar com vida lá de dentro”, afirma.

Salão maior, com a visão do palco: imagem gerada pelo escaneamento do Instituto de Criminalística do Distrito Federal.
Salão maior, com a visão do palco: imagem gerada pelo Dispositivo Interativo Digital.
Salão maior, com visão do palco: imagem real, após o incêndio.

Depois do júri, o dispositivo será disponibilizado ao público e o intuito é que se torne um memorial virtual. O projeto também terá continuidade. Com o encerramento do processo, o objetivo é ouvir as vítimas e testemunhas para aprimorar o dispositivo. A ideia é que ele ultrapasse a plataforma virtual. O plano da AVTSM é que a boate física seja demolida após o júri, e que no local seja construído um memorial, que vai ao encontro da luta das organizações na busca por memória e justiça, para que tragédias como a da Kiss não se repitam. No projeto do dispositivo, o próximo passo idealizado pela pesquisadora e sua equipe é trabalhar com a realidade aumentada, a fim de oportunizar aos futuros visitantes conhecer a Kiss antes da tragédia e, dessa forma, permitir maior compreensão sobre sua dimensão. Lucas menciona que é possível inserir pessoas no dispositivo, de forma simulada e virtual. Dentro dessa proposta, está a ideia de usar relatos e depoimentos autorizados das vítimas e testemunhas para reconstruir o percurso de saída da Kiss após o início do incêndio.

*O vídeo mencionado foi fornecido à Revista Arco pela equipe responsável pelo trajeto e simula o percurso dentro da Boate Kiss, desde a entrada até a saída.

Expediente

Repórter: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Tayline Alves Manganeli, acadêmica de Jornalismo e voluntária

Créditos das imagens e vídeos: Dispositivo Interativo Digital

Tratamento de imagem: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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Projeto é um exemplo de como as a articulação entre as Ciências Sociais e o campo das tecnologias digitais podem resultar em produtos de alto impacto social. (Reprodução)

Um software que reconstrói o interior da boate Kiss em 3D poderá ser utilizado durante o julgamento pelo tribunal júri, previsto para começar em 1º de dezembro. A professora Dra. Virginia Vecchioli, antropóloga e docente dos programas de pós-graduação em Ciências Sociais e em Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Santa Maria, é quem coordena a pesquisa. 

Na UFSM, a professora desenvolve projetos de pesquisa e extensão voltados para a área da antropologia do direito e da antropologia da política. Voltando sua atuação tanto para o estudo do espaço profissional do direito, para os movimentos sociais de familiares de vítimas como para a área da memória coletiva. Segundo Vecchioli,“todos esses interesses se concentraram na realização deste dispositivo interativo digital que pela primeira vez no Brasil vai permitir que a cena do crime ingresse no plenário do júri e auxilie no trabalho da justiça”. 

Ela ressalta ainda que esse dispositivo se torna ainda mais relevante agora que o caso foi levado da comarca de Santa Maria para Porto Alegre. O projeto começou a ser planejado e idealizado em julho de 2021 e foi concluído em novembro de 2021. Do ponto de vista técnico, o processo começou com o modelo em 3D realizado pelo Instituto de Criminalística da Policia Civil do Distrito Federal, que em fevereiro de 2013 havia escaneado digitalmente a maior parte do interior da boate.

A equipe que realizou o projeto trabalhou também com base na grande quantidade de material fotográfico e audiovisual. O Ministério Publico disponibilizou a íntegra do processo, que é de domínio público, onde foram analisadas as mais de 90 pastas de documentos escritos, fotográficos e audiovisuais. A análise das mais de 20. 000 folhas, permitiu conferir à reconstrução em seu caráter fidedigno.  Assim, foi possível que do modelo original da boate fossem recriados os 3 ambientes faltantes, bem como inserir os detalhes do seu interior, como o design, os objetos, as texturas, a iluminação. Por último todo o trabalho foi exportado para um motor interativo, de modo que o usuário pode percorrer o interior de todos os ambientes. 

Uma curiosidade do projeto é que foi criada a possibilidade de percorrer o interior do local com a luz escassa, própria da casa noturna e com outra opção, desenvolvida especialmente para o júri, que tem a quantidade de luz suficiente para poder observar em detalhes todos os problemas que haviam no local. Virginia afirma que, do ponto de vista ético, é uma responsabilidade muito grande pois envolve vidas das pessoas protagonistas do caso, tanto dos réus quanto dos familiares das vítimas. Por isso, houve um cuidado extremo na verificação de cada um dos dados inseridos no dispositivo interativo. 

Na sua realização, foi montada uma equipe coordenada pela professora Virginia e integrada pelo arquiteto Lucas Oliveira Kolton e as bolsistas e estudantes voluntárias Laura Perim Luccca, Susana Bellinaso, Andressa Hinkelmann e Tauani Bisognin Ramos. Além de um assessor externo, o arquiteto Felipe Zenna Mota, responsável do desenho do futuro memorial físico da boate Kiss e Martin Malamud, responsável pelo de Huella Digital (Argentina) Segundo a professora, “depois que o júri finalizar, queremos continuar trabalhando sobre o dispositivo interativo para poder disponibilizar ele na internet e que seja de acesso de todos. Queremos também o integrar a um memorial virtual que estou desenvolvendo como projeto de extensão na UFSM".

Não é a primeira vez que um projeto da professora é acrescentado a um processo criminal. Um dispositivo interativo digital parecido com o que será utilizado no Juri da Kiss, recriou El Campito (localizado na guarnição Campo de Mayo), considerado o maior centro de detenção e repressão da ditadura militar argentina. Esta recriação foi usada como elemento de prova em julgamento na Argentina.

A professora Virginia Ressalta a importância social desses dispositivos de pesquisa: “Uma dimensão que quero colocar em destaque tem a ver com a contribuição das ciências sociais na produção de produtos de alto impacto social. A articulação inovadora entre pesquisadores com experiência na área das ciências sociais junto a pessoas formadas no uso das tecnologias digitais e interativas permite recriar a cena do crime quando estes espaços foram propositalmente derrubados – como no caso da ditadura argentina – ou deteriorados como no caso da Kiss. O que estes trabalhos permitem é concentrar todos os esforços em um único objetivo: a recriação do espaço. Todos os detalhes espalhados nos testemunhos, nas fotografias e nos vídeos cobram um sentido novo: sua confluência da conta da verdade dos fatos trágicos acontecidos.” A professora Virginia Vecchioli agradece ainda a confiança depositada nela pelo gabinete do Reitor, que abraçou a iniciativa permitindo contar com bolsas para a pesquisa. Além de um agradecimento equivalente aos promotores do caso que também confiaram em sua pericia profissional. 

Repórter: Katiana Campeol, estagiária de Jornalismo na Agência de Notícias da UFSM
Edição: Davi Pereira

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A Equipe de Capacitação da CTE informa que estão abertas as inscrições para o curso 'Oficina de Realidade Aumentada e Realidade Virtual na Educação' até 4 de julho de 2021. As inscrições podem ser feitas pela página da CTE ('Notícias') ou em Capacitações ('Notícias da Capacitação' ou 'CURSOS DE CAPACITAÇÃO').


Dúvidas podem ser sanadas e esclarecimentos obtidos pelo e-mail equipecapacitacao@nte.55bet-pro.com. O público-alvo do curso é formado por professores da UFSM, profissionais que atuam no sistema UAB/UFSM (tutores e professores pesquisadores), servidores   técnico-administrativos da UFSM, professores da rede básica de ensino (municipal, estadual e federal) e alunos de pós-graduação da UFSM.

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Esforço multidisciplinar e variadas fontes ajudam a reconstruir um dos principais pontos do aparato repressivo nos arredores de Buenos Aires (Imagem: Reprodução)

Um software de realidade virtual que reconstrói um dos principais centros clandestinos de detenção, tortura e extermínio no período da ditadura cívico-militar na Argentina pode ajudar a elucidar crimes contra a humanidade em julgamento ainda em andamento no país vizinho. A tecnologia foi desenvolvida pela professora Dra. Virginia Vecchioli, antropóloga e docente dos programas de pós-graduação em Ciências Sociais e em Patrimônio Cultural da UFSM. A professora participou como testemunha em audiência realizada no dia 21 de abril no Tribunal Oral Federal nº1 e o dispositivo foi usado como prova a pedido da acusação.  

Conhecido como “El Campito”, o centro de detenção reconstruído em detalhes pelo software ficava dentro da Guarnición de Campo de Mayo, nos arredores de Buenos Aires. Aquele centro esteve em funcionamento do início de 1976 ao final de 1978, e foi um dos maiores da Argentina – estudos estimam que entre 2 mil a 3,5 mil pessoas passaram por ali; em outras fontes consta um cálculo de até 5 mil pessoas. O Campo de Mayo também abrigava uma maternidade clandestina e outros campos de confinamento, constituindo um amplo aparato repressivo do qual só sobreviveram 25 pessoas. 

Projeto multidisciplinar busca esclarecer a repressão e prezar pela memória das vítimas

O projeto de reconstrução do “El Campito” começou em 2015 e foi apresentado ao público em 24 de março de  2018, aniversário do golpe militar de 1976. Surgiu com o intuito de contribuir com a compreensão das características da repressão em Buenos Aires e para ajudar a manter viva a memória das violações aos direitos humanos, para que nunca mais se repita esta história. Desde 2018, o tour virtual, feito em escolas de ensino médio, faz parte das atividades em homenagem às vítimas. Além disso, em 2019, o dispositivo interativo recebeu menção honrosa do Fundo Nacional das Artes da Argentina na categoria patrimônio imaterial.

O projeto conta com uma equipe interdisciplinar de antropólogos, sociólogos e museólogos da Universidade Nacional de General Sarmiento e a Equipe Huella Digital, um grupo de especialistas em ciências da computação e desenho de imagens audiovisuais, com sede na Faculdade de Arquitetura, Desenho e Urbanismo (FADU) da Universidade de Buenos Aires  (UBA).

Atualmente só restam ruínas dos prédios do “El Campito”, que foram propositalmente destruídos pelos militares. Para construir sua versão virtual em detalhes foram utilizados 90 depoimentos de testemunhas disponíveis nos processos judiciais, depoimentos de sobreviventes em arquivos audiovisuais, fotografias aéreas, documentos do arquivo da comissão da verdade (CONADEP), mapas aéreos, dados das fundações dos prédios obtidos pela equipe de antropologia forense, sentenças judiciais, livros de história, autobiográficos, e entrevistas realizadas com sobreviventes do centro clandestino. 

Metodologia pode esclarecer crimes políticos e tragédias como a da Boate Kiss

Mesmo com o processo criminal em andamento, a professora Vecchioli observa três contribuições do dispositivo. “Ele permite fazer aparecer no espaço virtual um lugar que foi destruído na realidade física; o centro clandestino ingressou na sala de audiências e foi conhecido por todas as partes, procuradores, advogados da defesa, da acusação e os magistrados; e, por último, os sobreviventes e outros testemunhos puderam fazer referência ao espaço construído do centro clandestino quando estão descrevendo para o tribunal as suas experiências”, explicou.

Conforme a diretora do projeto, a participação na audiência oral virtual coloca em evidência a robustez do trabalho realizado, assim como a importância de gerar conhecimentos e produtos de impacto direto na sociedade a partir de uma aliança inovadora entre metodologias de pesquisa próprias das ciências sociais com linguagens das ciências da computação e do desenho virtual.

Ainda, segundo a professora, o trabalho poderia ser utilizado para recriar outras experiências de violência ou tragédias coletivas. Um exemplo é o caso da tragédia da Boate Kiss, em que seria importante replicar a experiência, principalmente diante do júri. Se o tribunal pudesse contar com uma recriação digital da boate, as testemunhas teriam a possibilidade de localizar onde estavam no momento do incêndio e acompanhar todo o testemunho com o apoio do dispositivo virtual. 

No site do projeto é possível acessar o tour virtual, uma galeria de fotos do local e outras informações. A gravação do depoimento da professora Virginia Vecchioli na audiência e apresentação do projeto está disponível no YouTube.

Reportagem: Ana Laura Iwai, bolsista de Jornalismo da Agência de Notícias Edição: Davi Pereira

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Esforço multidisciplinar e variadas fontes ajudam a reconstruir um dos principais pontos do aparato repressivo nos arredores de Buenos Aires (Imagem: Reprodução)

Um software de realidade virtual que reconstrói um dos principais centros clandestinos de detenção, tortura e extermínio no período da ditadura cívico-militar na Argentina pode ajudar a elucidar crimes contra a humanidade em julgamento ainda em andamento no país vizinho. A tecnologia foi desenvolvida pela professora Dra. Virginia Vecchioli, antropóloga e docente dos programas de pós-graduação em Ciências Sociais e em Patrimônio Cultural da UFSM. A professora participou como testemunha em audiência realizada no dia 21 de abril no Tribunal Oral Federal nº1 e o dispositivo foi usado como prova a pedido da acusação.  

Conhecido como “El Campito”, o centro de detenção reconstruído em detalhes pelo software ficava dentro da Guarnición de Campo de Mayo, nos arredores de Buenos Aires. Aquele centro esteve em funcionamento do início de 1976 ao final de 1978, e foi um dos maiores da Argentina - estudos estimam que entre 2 mil a 3,5 mil pessoas passaram por ali; em outras fontes consta um cálculo de até 5 mil pessoas. O Campo de Mayo também abrigava uma maternidade clandestina e outros campos de confinamento, constituindo um amplo aparato repressivo do qual só sobreviveram 25 pessoas. 

Projeto multidisciplinar busca esclarecer a repressão e prezar pela memória das vítimas

O projeto de reconstrução do “El Campito” começou em 2015 e foi apresentado ao público em 24 de março de  2018, aniversário do golpe militar de 1976. Surgiu com o intuito de contribuir com a compreensão das características da repressão em Buenos Aires e para ajudar a manter viva a memória das violações aos direitos humanos, para que nunca mais se repita esta história. Desde 2018, o tour virtual, feito em escolas de ensino médio, faz parte das atividades em homenagem às vítimas. Além disso, em 2019, o dispositivo interativo recebeu menção honrosa do Fundo Nacional das Artes da Argentina na categoria patrimônio imaterial.

O projeto conta com uma equipe interdisciplinar de antropólogos, sociólogos e museólogos da Universidade Nacional de General Sarmiento e a Equipe Huella Digital, um grupo de especialistas em ciências da computação e desenho de imagens audiovisuais, com sede na Faculdade de Arquitetura, Desenho e Urbanismo (FADU) da Universidade de Buenos Aires  (UBA).

Atualmente só restam ruínas dos prédios do "El Campito", que foram propositalmente destruídos pelos militares. Para construir sua versão virtual em detalhes foram utilizados 90 depoimentos de testemunhas disponíveis nos processos judiciais, depoimentos de sobreviventes em arquivos audiovisuais, fotografias aéreas, documentos do arquivo da comissão da verdade (CONADEP), mapas aéreos, dados das fundações dos prédios obtidos pela equipe de antropologia forense, sentenças judiciais, livros de história, autobiográficos, e entrevistas realizadas com sobreviventes do centro clandestino. 

Metodologia pode esclarecer crimes políticos e tragédias como a da Boate Kiss

Mesmo com o processo criminal em andamento, a professora Vecchioli observa três contribuições do dispositivo. "Ele permite fazer aparecer no espaço virtual um lugar que foi destruído na realidade física; o centro clandestino ingressou na sala de audiências e foi conhecido por todas as partes, procuradores, advogados da defesa, da acusação e os magistrados; e, por último, os sobreviventes e outros testemunhos puderam fazer referência ao espaço construído do centro clandestino quando estão descrevendo para o tribunal as suas experiências", explicou.

Conforme a diretora do projeto, a participação na audiência oral virtual coloca em evidência a robustez do trabalho realizado, assim como a importância de gerar conhecimentos e produtos de impacto direto na sociedade a partir de uma aliança inovadora entre metodologias de pesquisa próprias das ciências sociais com linguagens das ciências da computação e do desenho virtual.

Ainda, segundo a professora, o trabalho poderia ser utilizado para recriar outras experiências de violência ou tragédias coletivas. Um exemplo é o caso da tragédia da Boate Kiss, em que seria importante replicar a experiência, principalmente diante do júri. Se o tribunal pudesse contar com uma recriação digital da boate, as testemunhas teriam a possibilidade de localizar onde estavam no momento do incêndio e acompanhar todo o testemunho com o apoio do dispositivo virtual. 

No site do projeto é possível acessar o tour virtual, uma galeria de fotos do local e outras informações. A gravação do depoimento da professora Virginia Vecchioli na audiência e apresentação do projeto está disponível no YouTube.

Reportagem: Ana Laura Iwai, bolsista de Jornalismo da Agência de Notícias
Edição: Davi Pereira

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A Equipe de Capacitação do NTE informa que estão abertas as inscrições para a 2ª turma da Oficina de Realidade Aumentada e Realidade Virtual na Educação de 2019. As inscrições vão até 24 de novembro e podem ser feitas pela página do NTE.

A oficina é direcionada para professores da UFSM, profissionais do sistema UAB/UFSM (tutores e professores pesquisadores), servidores técnico-administrativos da UFSM, professores da rede básica de ensino e alunos de pós-graduação da UFSM.

Mais informações pelo e-mail equipecapacitacao@nte.55bet-pro.com ou pelo telefone 3220-9512.

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Ouça esta reportagem:

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Para variar o tamanho da imagem no desktop, aperte Ctrl + / Ctrl -. Em dispositivos móveis, basta fazer movimento de pinça com os dedos. 

Reportagem: Gabriel de David, acadêmico de Jornalismo
Ilustração e diagramação: Lidiane Castagna e Pollyana Santoro, acadêmicas de Desenho Industrial
Locução: Marcelo De Franceschi

 
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