UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Wed, 29 Apr 2026 20:55:39 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/06/08/colegio-politecnico-produz-mudas-nativas-para-estudo-e-reflorestamento-de-areas-afetadas Tue, 08 Jun 2021 12:02:16 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=55979

O Colégio Politécnico da UFSM, por meio do Setor de Espécies Nativas e de Práticas Ambientais (Senpa), desenvolve o projeto de produção de mudas de diversas espécies, com ênfase nas frutíferas nativas, para estudo, avaliação e doação para áreas que precisam de reflorestamento. O projeto, em atividade desde 2018, tem como princípio básico fazer com que o estudante consiga entender todos os passos para a formação e produção de uma muda, conhecendo o período de maturação das espécies, a época maturação dos frutos, bem como os procedimentos na coleta, no beneficiamento, no armazenamento e nos cuidados desde a semeadura até a muda formada.

No processo, leva-se consideração o tipo de substrato, as embalagens, o manejo e o plantio das mudas no local definitivo, como explica Renato Trevisan, professor do Colégio e orientador do projeto “Produção de mudas e implantação de espécies florestais de frutíferas nativas”. O professor também é responsável pelo Setor de Espécies Nativas que foi criado devido à necessidade de auxiliar nas disciplinas para as aulas práticas.  

Dentre as principais espécies propagadas estão a pitangueira, a jabuticabeira, o araçazeiro, a goiabeira serrana, o ingazeiro, o guabijuzeiro, o sete-capote, a guabirobeira, o pinheiro-brasileiro, a cerejeira-do-rio-grande, o araticum, o butiazeiro, entre diversas outras espécies ligadas aos biomas da Mata Atlântica e do Pampa. O cultivo destas frutíferas nativas está associado à produção diversificada de outros alimentos presentes nas unidades de produção familiar, bem como da recuperação das florestas nativas para promover uma compensação ambiental.

Além disso, existe a possibilidade de serem utilizadas com sucesso como fonte de renda e em parques e jardins como fins paisagísticos e, por fim, recuperar a importância destas frutíferas muitas vezes negligenciadas pela população. Nesse sentido, a qualidade de mudas destas espécies, bem como o desenvolvimento, é determinante para atender a essa demanda e uma produção diversificada. 

O Senpa fica localizado no Colégio Politécnico da UFSM, em uma área que, além de ser destinada ao cuidado de ovelhas, era utilizada como depósito de materiais. Há cerca de três meses, foram doadas aproximadamente duas mil mudas de diferentes espécies de nativas para a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Agudo.

A doação teve como objetivo auxiliar na reativação do viveiro florestal do município e incentivar os produtores locais para o plantio de mudas na recuperação de áreas degradadas e, no futuro, utilizar os frutos, através do consumo in natura ou processados, como mais uma fonte de renda na propriedade. “Nossa ideia é aumentar a produção, visto que, através da Cooperativa de Estudantes do Colégio Politécnico, foi adquirida uma estufa que nos possibilitará aumentar a produção de mudas e parte delas poderão ser doadas a produtores interessados e futuramente, comercializar”, afirma Renato.

Para o futuro, a expectativa é aumentar o número de mudas produzidas para ofertá-las, incentivando o plantio, e dar continuidade aos trabalhos ligados a técnicas de germinação das sementes das espécies, além de estudar formas de armazenamento de sementes para prolongar a sua viabilidade, disponibilizando-as num maior período do ano, maximizando a produção. Outra linha de estudo que vem se buscando é a propagação assexuada, ou seja, utilizar partes de uma planta mãe como estacas, gemas (enxertia) e alporquia.

Renato ainda destaca que “parte dos alunos, quando vem para o Senpa, se apaixona com o trabalho que vem sendo feito. Nas aulas presenciais, a troca de experiências é muito bonita, tocar na terra e fazer a semente germinar dá um brilho e é muito gratificante". 

Texto: Assessoria de Comunicação do Colégio Politécnico

 
 
 
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Líder de projetos da Itapoty e membro do Gigante Guarani conta sobre as propostas e as perspectivas do programa

“Quem planta por cima, protege por baixo”: esse é um dos lemas do programa Gigante Guarani, que atua nas áreas das Cuestas Basalticas e no interflúvio dos rios Tietê e Paranapanema, no estado de São Paulo. A iniciativa - que foi elaborada em 2008 pela Rede de ONGs do Ecótono da Cuesta em parceria com a Faculdade de Ciências Agrônomas  e o Instituto de Biociências da Universidade Estadual de São Paulo - conta com apoio de diversas ONGs e instituições, de maneira que se integra em projetos de reflorestamento, educação de agricultores familiares em práticas agroecológicas e conscientização ambiental.

O projeto atual busca promover a restauração de 200 hectares da Mata Atlântica. Entre os espaços que o Programa tem recuperado estão pontos de recarga do Aquífero Guarani, considerado um dos maiores reservatórios de água subterrânea do planeta, com 1.200.000 km² – equivalente a quase 5 vezes o estado de São Paulo. O manancial, que abrange em maior parte o Brasil - mas também a Argentina, o Uruguai e o Paraguai - foi considerado sobre-explorado em 2014 por uma publicação da NASA que media, a partir de satélites, as mudanças em relação ao tamanho dos aquíferos.

Além disso, o reservatório está ameaçado pela pecuária extensiva e, principalmente, pela agricultura convencional, com a consequente infiltração de substâncias tóxicas na água. Assim, associado ao projeto também está o desenvolvimento de uma produção agroecológica em Áreas de Proteção Permanente, que são protegidas com a função de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o solo e o bem-estar de populações humanas.

A revista Arco conversou com Murilo Gambato de Mello, graduado pelo curso de Ecologia da UNESP, líder de projetos da Itapoty e mobilizador no Gigante Guarani para conhecer mais sobre o seu funcionamento e quais as perspectivas para o futuro. A ONG Gigante Guarani foi uma das convidadas do 1° Fórum Primavera da Articulação Floresta Viva: (In)Formar e Reflorestar, organizado pela UFSM.

ARCO - Ainda que já houvesse um trabalho histórico de entidades ambientalistas na região, o Programa Gigante Guarani foi elaborado a partir da criação da Rede de ONGs do Ecótono da Cuesta. Como foi esse processo do surgimento do programa e quais aspectos foram levados em consideração no seu planejamento?

Murilo de Mello - O Programa Gigante Guarani surgiu da necessidade de ampliar a sinergia entre as ações já desenvolvidas pelas ONGs no Ecótono da Cuesta, bem como de propiciar e valorizar a parceria com a UNESP e com as prefeituras da região, possibilitando atrair e captar recursos financeiros em escala maior, recursos estes extremamente necessários para executar os trabalhos de campo. Os principais aspectos que fundamentaram a concepção deste programa foram as linhas de atuação das ONGs envolvidas; as demandas socioambientais mais relevantes na região - levantadas através de mapeamentos do uso do solo, inventários de biodiversidade e diagnósticos participativos- ; políticas públicas; e interfaces com as linhas de pesquisas dos laboratórios da UNESP parceiros do programa.

 

ARCO - No seu ponto de vista, qual a importância da pluralidade de organizações na criação e no desenvolvimento do projeto?

Murilo de Mello - A pluralidade de organizações garante além de um “olhar mais aguçado” e sistêmico para o território onde o projeto está sendo desenvolvido, uma forma mais eficiente de atuação, pois cada instituição possui sua expertise e uma equipe capacitada para tal. Essa pluralidade também permite uma articulação institucional mais fortalecida, o que representa um ganho em termos de sinergia e troca de conhecimentos práticos.

 

ARCO - Um dos objetivos nesta fase é promover a restauração de 200 hectares da Mata Atlântica, junto com uma produção agroecológica. Como essas ações se relacionam com a preservação do Aquífero Guarani?

Murilo de Mello - O programa tem como foco principal desenvolver ações ecológicas sobre áreas de recarga do Aquífero Guarani, essas áreas de recarga compreendem partes do território onde as rochas areníticas - que contém o referido aquífero - estão próximas da superfície, possibilitando assim que a água das chuvas infiltre no solo e nas rochas, abastecendo o aquífero. Portanto, restaurar o máximo possível das matas nativas, adotar práticas eficientes de conservação do solo que favoreçam a infiltração de água e utilizar métodos de produção agrícola mais ecológicos - que utilizem menos produtos químicos - são fundamentais para a manutenção e proteção deste gigante aquífero.

 

ARCO - Entre as metodologias do programa estão práticas agroecológicas, o planejamento de paisagens sustentáveis, o fortalecimento da cadeia de restauração ecológica e geração de tecnologia. Pode explicar um pouco mais sobre como cada uma dessas atividades são aplicadas?

Murilo de Mello - As atividades citadas são desenvolvidas preferencialmente de forma integrada ao longo dos anos, e também através de projetos específicos. Explicando, cada uma destas atividades depende de financiamento (captação de recursos) para que aconteçam no campo, desta forma, sempre buscamos captar recursos que possibilitem a integração destas frentes de atuação.

Em termos práticos, para a realização de uma etapa do programa, inicia-se com uma ação de planejamento da paisagem, que envolve o mapeamento do uso do solo em uma determinada região concomitante com a mobilização e sensibilização dos/as proprietários/as rurais e do poder público local. Nesta fase, define-se as áreas prioritárias a serem restauradas, as metodologias a serem utilizadas, as vocações e as possibilidades para adoção de práticas agroecológicas na produção. Nas propriedades rurais que aderem ao projeto, são realizados mapeamentos mais detalhados do uso do solo, e o planejamento para a restauração da vegetação nativa. Junto a isso, são passadas informações sobre práticas agroecológicas que podem ser implantadas e os benefícios destas. Áreas demonstrativas de sistemas agroflorestais (SAF) também são implantadas em algumas propriedades rurais.

Projetos específicos para o desenvolvimento da agroecologia na região são realizados a partir destes mapeamentos e diagnósticos de campo, voltados principalmente para a agricultura familiar e assentamentos rurais. Quanto ao fortalecimento da cadeia de restauração, as ações inicialmente desenvolvidas objetivam mapear e identificar matrizes de árvores nativas da região, para a coleta de sementes, apoiar na estruturação de viveiros públicos (UNESP e CEDEPAR), capacitar mão de obra, e aumentar a demanda para os trabalhos de restauração da vegetação nativa na região. 

A geração de tecnologia acontece através de pesquisas científicas, visando aprimorar as técnicas de restauração utilizadas para cada tipo de solo, e testando o método de restauração a partir de “chuva de sementes” - chamado de “muvuca”.

 

ARCO - Outro objetivo interessante do Gigante Guarani é a mobilização social através da divulgação. Como isso é desenvolvido através das redes sociais e, na sua perspectiva, qual a importância desse processo para uma sustentabilidade de longo prazo?

Murilo de Mello - A comunicação e a mobilização social foram incluídas como um dos objetivos desta fase com o intuito de reforçar para a sociedade em geral sobre a urgente necessidade do engajamento dos diversos setores na efetivação de ações em larga escala de restauração e preservação da vegetação nativa. Para tal, foi criado um site específico para divulgação do projeto, e dentro deste site existe um mecanismo para que qualquer pessoa ou empresa possa fazer doações para a restauração de áreas, bem como, proprietários/as rurais podem cadastrar suas áreas a serem restauradas pelo projeto.

Cabe ressaltar que o Gigante Guarani foi motivo de reportagem especial do Globo Rural no ano de 2020. Todo esse esforço de divulgação, tem como finalidade, além de sensibilizar a sociedade para a questão ambiental e ajudar a manter a esperança em um mundo melhor, de atrair novos parceiros e financiadores que permitam a continuidade e a ampliação das ações no médio e no longo prazo.

 

ARCO - Além de contar com o apoio do BNDES para a reflorestação, o projeto recebeu financiamentos do Ministério do Meio Ambiente ao longo dos anos. Qual a importância do poder público para o desenvolvimento do projeto e como você avalia o contexto atual nesse sentido?

Murilo de Mello - O poder público é sempre um parceiro importante e fundamental, pois essa parceria ocorre nas 3 esferas: municipal (prefeituras), estadual (universidades e instituições de pesquisa e extensão rural), e federal (financiador). Facilitando e apoiando o desenvolvimento das ações em campo, gerando conhecimentos e também fomentando diálogos para a elaboração de políticas públicas municipais, regionais e estaduais, ampliando assim os resultados do projeto.

Em relação ao contexto atual, vemos transtornados o descaso do governo federal em relação à questão ambiental e às instituições federais envolvidas diretamente com essa agenda, dificultando o desenvolvimento de algumas atividades que dependem da articulação com instituições federais e da captação de recursos financeiros atrelados a estas. Por outro lado, o apoio proveniente dos municípios e das instituições estaduais se manteve o mesmo, mostrando o que já sabemos há tempos: da importância do engajamento e do fortalecimento dos municípios e de suas políticas públicas na manutenção e na ampliação de uma agenda ambiental positiva.

 

ARCO - Quais são os principais desafios atualmente para o Gigante Guarani e qual a perspectiva para o futuro do programa?

Murilo de Mello - Temos um desafio prático, que é o de garantir a boa manutenção das áreas onde foram plantadas mudas das árvores nativas, manutenção esta que requer um monitoramento constante (mensal), e a disponibilidade de recursos financeiros para “cuidar dos plantios”, o que exige também o apoio constante dos/as proprietários/as rurais.

Outro desafio é ampliar as fontes de captação dos recursos financeiros, recursos esses indispensáveis para a realização com sucesso das atividades de restauração da vegetação nativa, conservação do solo, mobilização social, transição agroecológica e fortalecimento de políticas públicas. Pelo fato do programa ter como foco as áreas de recarga do Aquífero Guarani, as perspectivas para o futuro são ao mesmo tempo otimistas - por conta da causa envolvida (água potável para milhões de pessoas) - e muito desafiadoras - por conta da extensão da área da recarga e da necessidade do engajamento “pra valer” de todos os setores da sociedade, engajamento esse que reflita em ações duradouras, e estas requerem o investimento constante de recursos financeiros em larga escala.

O sonho coletivo é que o programa evolua e transforme-se na Agência Guardiã da Recarga do Aquífero Guarani, composto por uma gestão tripartite: poder público, ONGs e setor privado. E que administre um “fundo financeiro abundante”, alimentado anualmente por recursos provenientes do setor privado e de instituições internacionais. 

*Conheça mais sobre o projeto no site ou no Instagram.

 

 

Expediente

Repórter: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Ilustradora: Julia Dutra, acadêmica de Publicidade e Propaganda e bolsista

Mídia Social: Nathália Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista

Editor: Maurício Dias, jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-ciencia-do-reflorestamento-pelo-eucalipto Wed, 10 May 2017 12:48:40 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1378 As árvores possuem o tronco geralmente retilíneo e cilíndrico e a copa quase sempre é rala e alongada. Vastas extensões de terra, com um eucalipto alinhado metodicamente ao lado do outro, constroem a paisagem de muitas viagens pelas estradas do Brasil e de outros países. Os eucaliptos chegaram ao Brasil em 1825, como plantas ornamentais no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e são, no cenário atual, relevantes economicamente devido à capacidade de adaptação às mais diversas condições de clima e solo, além da importância ambiental.   Nativos da Austrália e de outras ilhas da Oceania, onde constituem parte dominante da flora, os eucaliptos são árvores — em casos raros, arbustos — de rápido crescimento e ampla diversidade — ao todo, são mais de 700 espécies. No Brasil, o eucalipto é uma das principais fontes de matéria-prima de produtos como celulose, carvão vegetal, móveis, compensados e postes. As folhas das árvores permitem que se extraia um óleo, que aparece no dia a dia em forma de chás, balas, sabonetes, perfumes, produtos de limpeza e xaropes.   A manutenção da diversidade das espécies em florestas naturais, a contenção do desmatamento e a busca por madeiras que gerem alto lucro industrial são demandas dos cenários ambiental e econômico e colaboram para que o eucalipto seja significativo nesses dois espaços. A silvicultura desse gênero, isto é, os métodos implantados para recuperar e aperfeiçoar a povoação florestal, tendo em vista a necessidade de mercado e o uso racional das árvores, está presente no Brasil há mais de cem anos.   Devido à tamanha importância do eucalipto, o professor do Departamento de Ciências Florestais da UFSM Mauro Schumacher e o professor do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental Márcio Viera organizaram um livro a respeito do tema. “Este livro tem muitas dicas técnicas para estudantes, pesquisadores e empreendedores da área florestal, e não apenas grandes empresas, mas também pessoas da comunidade em geral, que lidam com bosques ou áreas de eucaliptos para lenha, por exemplo”, comenta o professor Mauro Schumacher.   A ideia inicial era a produção de um material didático menor, de circulação interna, mas foi expandida e gerou a obra Silvicultura do Eucalipto no Brasil, lançada em 2015 pela Editora UFSM, que reúne artigos escritos por professores e técnicos ligados à área. Em 308 páginas, o livro tem como propósito esclarecer aspectos técnicos e científicos sobre as atividades e processos produtivos envolvidos na silvicultura do eucalipto.   “O que valoriza esse livro é o fato de não ser produzido apenas por pesquisadores da Universidade. A obra reúne vários especialistas, que tratam de temas como a origem do eucalipto, as primeiras sementes, melhoramento genético, escolha do solo, colheita, sistemas agroflorestais. Ou seja, tem uma gama muito grande de professores e profissionais que contribuíram em diferentes vertentes”, ressalta o professor Mauro Schumacher.   Melhoramento genético e incentivo estatal O crescimento da utilização de produtos de origem florestal tem estimulado a criação de programas de reflorestamento no Brasil, assim como projetos de melhoramento genético, o que é comum quando se desenvolve uma espécie longe do seu centro de origem. “Creio que o próximo passo no desenvolvimento da espécie seja a seleção de materiais genéticos mais específicos para determinados usos, sejam novos clones ou cruzamentos com finalidades específicas para as nossas condições, como materiais mais apropriados para madeira serrada e para condições de cultivos diferentes dos utilizados tradicionalmente até então”, observa o engenheiro agrônomo e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) Regis Pereira Venturin.   A professora da Faculdade de Ciências Biológicas e Agrárias da Universidade Federal do Estado de Mato Grosso Juliana Garlet afirma que o Brasil é o grande detentor mundial da tecnologia de produção dessa espécie e por isso também é o maior produtor de eucalipto do mundo. “Sem dúvida, uma das principais perspectivas de avanço tecnológico é a liberação do eucalipto geneticamente modificado ocorrida em 2015, em que o Brasil é o primeiro país a possibilitar que isso ocorra e que dá a previsão de aumento de 20% na produtividade. Além da transgenia, o aumento da mecanização no processo de produção, a intensificação da silvicultura de precisão e melhorias no monitoramento florestal com o uso de Vants (veículos aéreos não tripulados) são outras perspectivas a serem citadas”.   A redenção do “deserto verde” As primeiras tentativas de reflorestamento do eucalipto — isto é, a regeneração natural ou intencional de florestas e matas — aconteceram no início do século 20 e não obtiveram sucesso no Brasil, devido ao equivocado modo de implantação da técnica. No entanto, a demanda de mercado fez com que a lei 5.106, do ano de 1966, propusesse uma série de incentivos fiscais a empreendimentos florestais, o que gerou o aparecimento de pessoas contrárias ao método e às isenções conseguidas, baseando seus discursos no insucesso inicial. De acordo com o professor Schumacher, a obra desmitifica essas declarações. “Afirmações como as de que eucalipto seca e degrada o solo, que destrói a fauna e a flora, faz com que se perca a biodiversidade são falácias, sem respaldo científico algum”, assegura Schumacher.   Regis Venturin, pesquisador da EPAMIG e co-autor de um capítulo sobre agrossilvicultura no livro Silvicultura do Eucalipto no Brasil, complementa: “Isso é um mito que vem sendo desmentido ao longo do tempo. A planta de eucalipto é extremamente eficiente em captar e armazenar nutrientes e recursos que ela necessita, assim é muito competitiva enquanto está estabelecida. Todavia não é diferente de outras tantas espécies cultivadas ou nativas do Brasil. O que observamos é que dentro de um plantio de eucalipto temos um sub-bosque diverso [que pode abrigar outras espécies vegetais] e, a partir da retirada da espécie, se não for mais cultivado, temos uma rápida recuperação da condição original, obviamente com os impactos normais de qualquer cultivo".   O livro Silvicultura do Eucalipto no Brasil possui nove capítulos, contou com a colaboração de 21 profissionais da área e aborda assuntos como produção de mudas, desbastes e derramas, manejo de solos, insetos-praga na cultura, exportação e ciclagem de nutrientes, agrossilvicultura e melhoramento genético. A obra, que também está disponível na versão digital, pode ser obtida na Livraria UFSM ou através do site da Editora UFSM (editoraufsm.com.br).   Repórter: Bernardo Zamperetti Diagramação: Juliana Krupahtz]]>