UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Sat, 02 May 2026 01:02:02 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/12/17/nova-descoberta-revela-pela-primeira-vez-a-face-de-um-dinossauro-conhecido-ha-25-anos Tue, 17 Dec 2024 18:00:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67969 [caption id="attachment_67970" align="alignleft" width="696"] Paleontóloga Lísie Damke com o crânio fossil de Saturnalia tupiniquim (crédito Rodrigo Temp Müller)[/caption]

O primeiro dinossauro brasileiro foi descoberto em Santa Maria em 1936, mas só foi oficialmente descrito em 1970, recebendo o nome de Staurikosaurus pricei. Quase três décadas depois, em 1999, um novo dinossauro foi anunciado para o município. Recebido com grande entusiasmo pela comunidade científica, o réptil foi batizado de Saturnalia tupiniquim. Com cerca de 230 milhões de anos, ele se destacou por ser um dos dinossauros mais antigos já conhecidos no mundo. Apesar de boa parte do esqueleto fóssil ter sido preservada, a região facial não foi recuperada. Portanto, até então, não era possível determinar como foi a verdadeira face desse dinossauro. Esse cenário muda a partir de agora, com uma nova descoberta anunciada por pesquisadores da UFSM.

Os fósseis estudados foram escavados em 2018 no sítio fossilífero Cerro da Alemoa, localizado em Santa Maria. Depois disso, eles passaram por um minucioso processo de limpeza, que envolve a remoção da rocha que reveste os fósseis. Essa etapa revelou a presença de três indivíduos, sendo que um deles preservou o crânio quase completo. Ao observar a anatomia dos ossos que compõem a face do dinossauro, os pesquisadores ficaram surpresos com sua morfologia delicada e grácil. Assim, carinhosamente apelidaram o espécime de “Gracinha”. 

[caption id="attachment_67971" align="alignright" width="638"] Sítio fossilífero Cerro da Alemoa em 2023[/caption]

Com base nas dimensões dos fósseis, foi possível determinar que eles pertenceram a dinossauros com aproximadamente 1,50 metros de comprimento. Ainda, a ocorrência de características únicas permitiu atribuí-los a espécie Saturnalia tupiniquim. Diante dessa constatação, a descoberta de materiais cranianos trouxe à tona uma série de novos dados a respeito desse dinossauro. A espécie teria um crânio relativamente curto e afunilado, com dentes em forma de punhal e munidos de serrilhas. Essas características são típicas de animais carnívoros. A curiosidade é que a espécie pertence à linhagem de dinossauros conhecidos por seu tamanho gigantesco, pescoço longo e dieta herbívora. No entanto, a explicação para isso é que Saturnalia tupiniquim foi um membro muito primitivo dessa linhagem, mantendo uma dieta carnívora e um tamanho corporal reduzido, características comuns aos seus ancestrais.

Uma espera de 25 anos

A descoberta de um crânio quase completo de Saturnalia tupiniquim também contribui para encerrar uma discussão que perdura há 25 anos. Com base nos poucos ossos cranianos descritos em 1999, pesquisadores sugeriram que a espécie teria um crânio pequeno em comparação com outros dinossauros de idade similar. Essa característica ajudaria a agrupar Saturnalia tupiniquim com dinossauros gigantes e herbívoros. Novas estimativas publicadas em 2019, baseadas em tomografias dos materiais recuperados em 1999, deram mais respaldo a essa hipótese. No entanto, foi apenas com a recente descoberta que essa hipótese pôde ser definitivamente confirmada. De fato, Saturnalia tupiniquim possuía um crânio relativamente pequeno. Os pesquisadores acreditam que essa característica, juntamente com sua dentição carnívora, pode ter ajudado a espécie a realizar movimentos rápidos com a cabeça para capturar presas.

Fim das pesquisas?

Após uma espera de 25 anos, o quebra-cabeças do Saturnalia tupiniquim finalmente está se aproximando de seu desfecho — ou quase. Paleontólogos destacam que ainda há muito a ser descoberto sobre esse dinossauro. Atualmente, novas pesquisas estão em andamento, envolvendo mais fósseis e diferentes abordagens, com o objetivo de desvendar outros aspectos da vida dessa criatura que habitou a região central do Rio Grande do Sul há 230 milhões de anos. Com essas investigações, espera-se compreender melhor o desenvolvimento desse dinossauro, seu comportamento e as interações com os outros organismos que coexistiram com ele em seus ecossistemas. Nos próximos anos, mais informações sobre esse fascinante dinossauro de Santa Maria deverão ser reveladas.

A equipe

A pesquisa foi conduzida por Lísie Damke, ao longo de sua pesquisa de Mestrado em Biodiversidade Animal (UFSM), sob orientação do Dr. Rodrigo Temp Müller (CAPPA/UFSM). Também participaram do estudo os pesquisadores Dr. Max Cardoso Langer (USP) e Dr. Átila Augusto Stock Da-Rosa (UFSM). A pesquisa recebeu apoio do CNPq, INCT Paleovert, CAPES e FAPESP.

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia

Quem tiver interesse em conhecer os dinossauros da região central do RS, assim como outros fósseis, pode visitar o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM) no município de São João do Polêsine. O município faz parte do Geoparque Quarta Colônia UNESCO. O CAPPA/UFSM fica aberto para visitação de segunda a domingo em horário comercial e a visita não tem custo.

Texto: Cappa
Fotos: Rodrigo Temp Müller

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2024/11/04/projeto-da-ufsmonumento-natural-alemoa Mon, 04 Nov 2024 13:21:58 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=67377 Mapa com a localização do Monumento Natural da Alemoa
Monumento Natural da Alemoa está localizado entre o final da Av. João Pozzobon e o início da Av. Evandro Behr

Há milhões de anos, o lugar conhecido por Sítio da Alemoa ou Sanga da Alemoa, localizada nas proximidades do Trevo do Castelinho - entre o final da Avenida João Pozzobon e o início da Avenida Evandro Behr -, foi habitado por animais que viveram antes dos dinossauros. Com a finalidade de sensibilizar a comunidade sobre a importância de preservar o local, que tem relevância para a paleontologia mundial, o professor Átila da Rosa, do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Maria, desenvolve um projeto de extensão desde 2023.

Este importante sítio fossilífero tem recebido iniciativas de preservação desde a década de 1960. Rico em fósseis e com uma história que remonta a descobertas significativas desde o início do século XX, o Monumento Natural da Alemoa se encontra sob proteção e em processo de valorização para fins educacionais e turísticos, de acordo com a Portaria nº 18/SMA, de 23 de dezembro de 2020, que instituiu o espaço como um ambiente especialmente protegido.

Riqueza paleontológica do sítio

 

De acordo com o professor Átila da Rosa, pelo menos nove espécies diferentes de fósseis foram identificadas, resultado de centenas de coletas no Monumento Natural da Alemoa. Entre as espécies encontradas estão cinodontes, rincossauros, pseudosúquios, herrerasaurídeos, lagerpetídeos, silessaurídeos e sauropodomorfos.

Os cinodontes são vertebrados relacionados aos répteis que deram origem aos mamíferos, enquanto os rincossauros são répteis herbívoros com crânios triangulares e bicos ósseos. Os pseudosúquios, geralmente carnívoros, são ancestrais dos dinossauros, pterossauros, crocodilos e tartarugas. Já os herrerasaurídeos são dinossauros primitivos, possíveis antecessores dos terópodes, incluindo o Tyrannosaurus rex. Os lagerpetídeos e silessaurídeos são considerados dinossauromorfos basais, associados, respectivamente, aos pterossauros e dinossauros ornitísquios. Por fim, os sauropodomorfos englobam os saurópodes, dinossauros quadrúpedes e herbívoros que, em suas formas basais, apresentavam hábitos e posturas diferentes.

Infográfico mostra animais pré-históricos encontrados no sítio da Alemoa

A luta pela preservação

 

Na década de 1960, a construção de um estádio de futebol na área foi interrompida graças à intervenção do então reitor da UFSM, professor José Mariano da Rocha. Posteriormente, em 1980, a criação da "Comissão Pró-Sítio da Alemoa" resultou na doação de 1,4 hectare para pesquisa paleontológica, em troca da aprovação de um loteamento na região. Ao longo dos anos, diversas escavações revelaram fósseis valiosos, como o dinossauro Staurikosaurus pricei, e a área foi oficialmente tombada em resposta a uma Ação Civil Pública em 2000.

Em 2022, a partir da Portaria nº 18/SMA, a área foi transformada em uma unidade de conservação (UC) de proteção integral na modalidade monumento natural. O local foi , denominado "Monumento Natural Paleontológico Sanga da Alemoa - MONAlemoa". Esse novo status legal reforça a importância do local para a educação e o turismo.

Foto colorida horizontal de que foca em um pequeno fragmento de fóssil sendo apontado
Fragmento de fóssil encontrado no Monumento Natural da Alemoa

O passado

O professor Átila destaca a relevância do Scaphonyx fischeri para o Museu Gama d'Eça, ao mencionar que “o rincossauro Scaphonyx fischeri foi escolhido como representante da seção de paleontologia após a doação de um esqueleto quase completo coletado por Atílio Munari”, além de um crânio completo que foi encontrado pelo padre Daniel Cargnin. Ambos foram paleontólogos amadores que contribuíram significativamente para o conhecimento da paleontologia em Santa Maria. As escavações continuam a revelar uma diversidade de vida antiga, incluindo as espécies já mencionadas, como os cinodontes e os rincossauros. Esses répteis da era Mesozóica têm evidências que datam do período Triássico.

Segundo o pesquisador da UFSM, sabe-se disso por dois tipos de datação: a relativa e a absoluta. A datação relativa está, baseada no conjunto de fósseis e em sua comparação com bacias sedimentares de outros lugares do mundo, e nesse caso a importante presença de rincossauros, que tiveram uma grande ascensão apenas na idade do Carniano (entre 237 e 227 milhões de anos atrás, no Triássico). Já a datação absoluta, quando amostras de rocha pertencentes aos blocos de onde foram extraídos o sauropodomorfo “Saturnalia tupiniquim” foram processadas em laboratório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, para recuperação de cristais de zircão, um mineral que contém quantidades necessárias de urânio para a datação alcançada de 233 milhões de anos. Assim, as duas informações corroboram a ideia de que se trata deste intervalo específico de tempo.

Foto colorida horizontal de formação geológica com cor marrom
Área do Monumento Natural da Alemoa

Perspectiva para o turismo

Questionado sobre as estratégias de turismo do sítio, o pesquisador menciona os projetos significativos em desenvolvimento para impulsionar o turismo na região. “Existe um projeto de construção de dois espaços voltados à educação e turismo no sítio, um museu e um centro de recepção de visitantes, conectados por passarelas aos locais de escavação”, conta.

Átila enfatiza que as descobertas realizadas na Alemoa são vastas e impactantes. Desde os vestígios orgânicos encontrados em 1902, que levaram à identificação do primeiro réptil triássico da América do Sul, o Scaphonyx fischeri, até as coletas de fósseis por expedições internacionais, a área se consolidou como um importante laboratório natural. Além de Staurikosaurus pricei, os pesquisadores também identificaram novas espécies, como Saturnalia tupiniquim e o cinodonte Alemoatherium huebneri.

Preservação e educação

O Monumento Natural da Alemoa está sob a gestão da prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e temi uma área de escavação que representa uma ravina na borda norte do Cerro da Alemoa. Entretanto, todos os 20 hectares preservados apresentam a mesma rocha abaixo do nível atual do solo. O professor Átila lembra que, na década de 1960, toda essa região não tinha a vegetação que vemos hoje, caracterizava-se como um grande afloramento - exposição de rocha - a céu aberto, onde se podiam reconhecer ao menos oito locais de escavação. A maioria dos afloramentos foi soterrada pelo crescimento urbano e pela expansão de árvores exóticas, como Pinus sp - originário do hemisfério Norte - e Eucalyptus sp - originário da Austrália.

O sítio, portanto, se torna um verdadeiro laboratório natural. Além de fomentar o turismo da região, também abriga pesquisadores que estão empenhados em descobrir, a cada dia, espécies milenares, uma vez que a área é um testemunho de formas de vida que existiram há milhões de anos.

Texto: João Pedro Sousa, acadêmico de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Arte: Daniel Michelon De Carli

Fotos: Divulgação

Edição: Maurício Dias

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