UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Fri, 24 Apr 2026 15:14:35 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccr/2024/01/24/vacina-bivalente-contra-covid-sera-oferecida-a-profissionais-vinculados-ao-hospital-veterinario-da-ufsm Wed, 24 Jan 2024 13:41:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/unidades-universitarias/ccr/?p=9474

A Universidade Federal de Santa Maria anuncia a disponibilidade da vacina bivalente contra a COVID-19 para profissionais que desempenham atividades no Hospital Veterinário Universitário. A iniciativa visa proteger os colaboradores essenciais, incluindo professores, profissionais de saúde, residentes, bolsistas e estagiários, contra os riscos associados à pandemia.

Os interessados, devidamente vinculados ao Hospital Veterinário da UFSM (HVU), são convidados a deixar seus dados na recepção do hospital, durante o turno da manhã, impreterivelmente até sexta-feira, 26 de janeiro de 2024. A coleta de informações será realizada pela colaboradora Leila, que estará disponível para auxiliar no processo.

A vacinação está programada para ocorrer na primeira semana de fevereiro, oferecendo uma camada adicional de proteção aos profissionais que desempenham um papel fundamental no Hospital Veterinário da UFSM. A data específica da vacinação será comunicada através deste mesmo veículo de comunicação, garantindo que todos os interessados estejam devidamente informados.

A UFSM reforça a importância da imunização para a segurança coletiva e incentiva a participação ativa de seus colaboradores nesse processo. A medida visa contribuir para a proteção da comunidade acadêmica e para o bom funcionamento das atividades desempenhadas no HVU.

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A Universidade Federal de Santa Maria anuncia a disponibilidade da vacina bivalente contra a COVID-19 para profissionais que desempenham atividades no Hospital Veterinário Universitário. A iniciativa visa proteger os colaboradores essenciais, incluindo professores, profissionais de saúde, residentes, bolsistas e estagiários, contra os riscos associados à pandemia.

Os interessados, devidamente vinculados ao Hospital Veterinário da UFSM (HVU), são convidados a deixar seus dados na recepção do hospital, durante o turno da manhã, impreterivelmente até sexta-feira, 26 de janeiro de 2024. A coleta de informações será realizada pela colaboradora Leila, que estará disponível para auxiliar no processo.

A vacinação está programada para ocorrer na primeira semana de fevereiro, oferecendo uma camada adicional de proteção aos profissionais que desempenham um papel fundamental no Hospital Veterinário da UFSM. A data específica da vacinação será comunicada através deste mesmo veículo de comunicação, garantindo que todos os interessados estejam devidamente informados.

A UFSM reforça a importância da imunização para a segurança coletiva e incentiva a participação ativa de seus colaboradores nesse processo. A medida visa contribuir para a proteção da comunidade acadêmica e para o bom funcionamento das atividades desempenhadas no HVU.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/quais-os-proximos-passos-da-vacinacao-contra-o-coronavirus Wed, 06 Jul 2022 12:17:55 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9375 Das quatro ondas de infecções às quatro doses de vacina, foram muitos os acontecimentos ocorridos em mais de dois anos de pandemia do coronavírus. Segundo o consórcio de imprensa que reúne dados das secretarias estaduais de saúde, mais de 179 milhões de brasileiros já receberam a primeira dose da vacina; mais de 167 milhões fizeram a segunda ou vacinas de dose única e mais de 100 milhões realizaram a terceira dose - o que, segundo o Plano Nacional de Imunização (PNI), corresponde atualmente ao ciclo básico de imunização contra o coronavírus.

As últimas mudanças do Ministério da Saúde em relação ao PNI incluíram a ampliação da terceira dose para adolescentes e da quarta dose para pessoas com idade a partir de 50 anos e uma dose adicional (quinta) para imunodeprimidos. A queda natural da imunidade seis meses após a vacina traz o questionamento sobre qual será o futuro da campanha de imunização.

Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida, em tons de azul e verde, de uma pessoa em uma estrada de terra no meio de uma paisagem. A estrada corta um gramado verde e desemboca no meio de duas montanhas. No meio das montanhas, ilustração de um frasco de vacina e uma seringa sobre uma estrela de doze pontas amarelo pastel. Na frente das montanhas, fileira de árvores do tipo pinheiros em tons de azul marinho e azul acinzentado. Sobre o gramado e ao lado da estrada, há uma placa de madeira em formato de flecha. O fundo é cinza.

Professor do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e um dos cientistas brasileiros que participaram no desenvolvimento da vacina de Oxford, Alexandre Schwarzbold apresenta duas hipóteses: a primeira seria realizar uma campanha de vacinação sazonal antes da chegada do inverno - período com maior incidência de vírus respiratórios, como a gripe (influenza A, B e C). A segunda é que, com a diminuição da circulação do vírus, a vacinação seja direcionada para perfis de risco como pessoas idosas e imunodeprimidas.

 

Ana Paula Seerig, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFSM e Secretária Adjunta de Saúde de Santa Maria, acredita que a campanha de vacinação contra o coronavírus passe a ser realizada no mesmo formato da vacina para gripe. 

Apesar de ainda não haver um posicionamento do Ministério da Saúde para a criação de uma campanha anual, mudanças futuras são uma certeza para a secretária. Ela relata que, com tantas alterações no decorrer da campanha, até mesmo os profissionais da saúde ficaram perdidos. “A gente brinca que hoje [a campanha] está assim, mas até de noite ou amanhã pode mudar. Com tantas mudanças, nós que somos profissionais da saúde, que lemos todas as notas e informações, às vezes temos que parar e pensar no que está acontecendo”, destaca.

Pandemia e Endemia

A diminuição do número de óbitos e de novos infectados por meio da vacinação fez com que o termo pós-pandemia se tornasse corriqueiro. Essa nomenclatura gera um debate sobre se o momento vivido atualmente seria uma epidemia, endemia e até se a pandemia realmente ficou no passado.

 

Como Schwarzbold explica, pandemia é uma epidemia - quando uma doença atinge diferentes localidades em nível municipal, estadual e nacional - em escala global. Já a endemia é quando a doença está dentro do seu nível histórico, controlada e sem risco de sobrecarregar o sistema de saúde.

 

O que torna difícil “bater o martelo” sobre a atual situação da Covid-19 é o fato de que o estágio de combate ao vírus muda de forma significativa ao redor do globo. O professor contextualiza que, ao mesmo tempo em que a China apresenta baixos índices epidêmicos por manter sua política de “covid zero”, alguns países africanos seguem com baixa cobertura vacinal e um número elevado de novos casos.

 

O pesquisador analisa que o Brasil, assim como Portugal, Espanha, Itália e outros países europeus, vive uma fase de transição entre pandemia e endemia por conta da sua ampla cobertura vacinal. Schwarzbold explica que, apesar da taxa de transmissão ser baixa em comparação com os momentos mais severos da pandemia, ela continua alta em comparação com outras doenças. “Antes da epidemia, não havia um vírus que se transmitisse tanto entre as pessoas. É preciso um organismo internacional, como a OMS, para dizer que o mundo inteiro está em nível endêmico. Existem alguns indicadores que apontam para uma endemia, mas eles precisam se manter estáveis por muito tempo”, ressalta. 

Um exemplo de local com nível endêmico, segundo o pesquisador, seria o município de Santa Maria, onde a Covid-19 não gera sobrecarga no sistema de saúde e também não apresenta taxa de transmissão muito maior do que outros vírus causadores de doenças respiratórias. No entanto, o professor ressalta que a grande circulação viral que se mantém em determinados locais do mundo pode gerar novas variantes capazes de trazer de volta o cenário epidêmico à cidade.

Desigualdade e impactos na saúde pública

Independentemente da nomenclatura - pandemia, epidemia, endemia - o caminho para que o coronavírus fique definitivamente para trás é mais distante do que deveria para algumas pessoas por conta da desigualdade. Segundo dados do site Our World In Data, ligado à Universidade de Oxford, aproximadamente 80% da população de países considerados de alta renda receberam pelo menos uma dose da vacina. Em países classificados como baixa renda, menos de 18% da população já recebeu a primeira dose do esquema vacinal.

 

No entanto, não é preciso cruzar fronteiras internacionais para perceber essa desigualdade. De acordo com o Mapa da Vacinação, no estado de São Paulo, quase 90% da população acima de 18 anos já fez a dose de reforço, enquanto em Roraima essa taxa é inferior a 22%.

 

Em sua atuação na linha de frente contra o coronavírus, Ana Paula Seerig relata contrastes dentro do município de Santa Maria. “Quando a gente vai nas comunidades mais distantes ou que tem um acesso reduzido ao serviço de saúde, ainda vê pessoas que não fizeram nenhuma dose de vacina”, conta a secretária adjunta de saúde. 

 

Segundo ela, a falta de infraestrutura como transporte urbano e a vulnerabilidade socioeconômica são os principais fatores que dificultam o acesso à vacinação por pessoas de regiões periféricas do município, que possui baixa cobertura de atenção primária (ações do sistema de saúde que visam prevenir doenças).

Além da dificuldade de acesso, a população mais pobre sofre os efeitos da doença de forma mais severa. “Quanto maior a desigualdade social, maior o risco à saúde. Uma pessoa com covid em um ambiente familiar que permita o isolamento, acesso a uma máscara de qualidade, à alimentação e à hidratação adequada é diferente de um paciente com covid em uma casa de dois cômodos, em que não é possível fazer o isolamento”, destaca Ana Paula.

A secretária adjunta de saúde ressalta o maior custo gerado no tratamento de casos graves da doença e até mesmo casos de covid longa, cujas consequências ainda não são totalmente conhecidas. Como gestora da equipe de saúde de Santa Maria, ela cita atendimentos a pessoas que contraíram a doença no ano passado e ainda apresentam dificuldades respiratórias, perda de memória e de olfato e que ainda precisam ser atendidas pelo sistema de saúde.

Atualizações e novas ferramentas para enfrentar o vírus

Outra novidade a caminho é o processo de atualizações nas vacinas para abranger variantes que não existiam no início do seu desenvolvimento. O professor destaca que, com uma cobertura mais ampla das variantes e menor circulação viral, a imunidade coletiva se torna possível por meio da vacinação.

 

A ômicron é a variante para qual os pesquisadores têm focado seus esforços, pelo fato de atualmente ser a que mais escapa do controle vacinal - apesar de a vacinação prevenir casos graves, ela não possui a mesma eficiência para diminuir a transmissibilidade. Além disso, a variante tem pelo menos quatro subvariantes. Segundo Schwarzbold, todas apresentam nível de gravidade semelhante à ômicron. “A atualização da plataforma serve para a vacina chegar na frente do vírus, para que ele não tenha tempo para mutar e que não se replique em quantidade suficiente para criar variantes de risco”, afirma o docente.

 

Alguns imunizantes ainda aguardam a aprovação da Anvisa para ingressarem no Plano Nacional de Imunização, como a vacina da Clover Biopharmaceuticals, que contou com a participação da UFSM em seus testes. O professor aponta que há possibilidade de o plano de vacinação contar com oito a dez fornecedores de imunizantes distintos, o que amplia as ferramentas de combate ao vírus. A parceria da UFSM com a Clover será retomada para os testes de uma vacina destinada para crianças com menos de cinco anos - que não são contempladas atualmente pelo PNI.

Além das vacinas, a UFSM irá realizar teste de medicamentos para o tratamento do coronavírus ainda neste ano. Segundo o professor, os medicamentos em si ainda são segredos industriais de três empresas distintas. Um dos remédios será aplicado em pacientes com comorbidades logo no início da doença, com o objetivo de evitar que ela evolua para casos graves. Os outros dois serão utilizados para combater a doença em estágio grave.

Inovações criadas durante a pandemia

Se, por um lado, a pandemia foi um período de muitas adaptações, por outro, também trouxe muitos avanços no campo científico, que serão úteis para combater outras doenças. O primeiro a ser destacado por Schwarzbold são as vacinas genéticas, lançadas pela primeira vez no mercado após 20 anos de desenvolvimento em laboratórios.

 

De acordo com o pesquisador, a tecnologia inédita no desenvolvimento de vacinas apresentou grande eficácia e segurança e tende a se tornar cada vez mais comum. "A utilização dessas vacinas irá avançar muito. A Modena já está estudando aplicar a vacina genética para vários vírus. Nós vamos ver um avanço muito grande no controle das doenças virais nas próximas décadas”, destaca. A vacina contra a chikungunya é outra desenvolvida em plataforma genética e que já está disponível.

 

Uma das vacinas em desenvolvimento é para o vírus sincicial respiratório, que causa pneumonia em idosos e em bebês, além de ser um dos responsáveis pelo desenvolvimento de bronquiolite em recém-nascidos. Há também a vacina para a dengue, que a UFSM irá desenvolver juntamente com o Butantan. Outra imunizante que está em fase de desenvolvimento é para a prevenção de uma forma grave de herpes que pode causar meningite.

Outra mudança foi a consolidação da aplicação heteróloga (com diferentes imunizantes), como por exemplo, receber a vacina da Coronavac na primeira e segunda dose e a da Pfizer na terceira. Apesar de conhecido, o conceito ainda não havia sido posto em prática de forma sistemática. Schwarzbold conta que, antes das pesquisas, a própria comunidade científica tinha dúvida sobre as consequências dessa aplicação, como queda na eficácia ou até mesmo efeitos colaterais graves. No entanto, os resultados dos estudos descartaram essas hipóteses. “As aplicações heterólogas - imunização com diferentes imunizantes - são as mais eficientes. Para o coronavírus, essa aplicação já é recomendada por muitos programas de imunização, inclusive do Brasil”, destaca.

Expediente: Reportagem: Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e voluntário; Design gráfico: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista; Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/03/17/ufsm-publica-normativa-que-regulamenta-o-controle-vacinal-na-instituicao Thu, 17 Mar 2022 18:34:21 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=57989

Nesta quarta-feira (16), a UFSM publicou a Instrução Normativa N. 01/2022 que objetiva operacionalizar a fiscalização do esquema vacinal para servidores, colaboradores e estudantes da UFSM, bem como para a comunidade externa.

A Normativa estabelece, primeiramente, que a vacinação será considerada completa após a segunda dose ou a dose única da vacina. Servidores e estudantes  deverão, através dos portais institucionais, responder ao questionário e anexar comprovantes vacinais, dando preferência para o certificado emitido pelo ConeceSUS. Se não for possível anexar esse certificado, alunos e servidores poderão anexar no portal a cópia digital escaneada da carteira de vacinação física. 

Em casos de contraindicação médica para a vacinação, o comprovante poderá ser substituído por declaração de condição assinada por médico com registro válido e ativo no Conselho Regional de Medicina. Os servidores deverão apresentar os comprovantes até o dia 02/04. Para os estudantes, o prazo é até o início das aulas de seus respectivos cursos. Os servidores que não se vacinaram também poderão optar pelo preenchimento de um termo de compromisso para a apresentação periódica de teste negativo do Covid-19, conforme orientações da Normativa.

Os colaboradores vinculados a empresas terceirizadas que prestam serviços na UFSM precisam comprovar a sua vacinação, caso contrário deverão ser substituídos pela empresa. Já a comunidade externa que tenha acesso à UFSM deverá apresentar o comprovante vacinal nas portarias dos prédios e/ou no acesso a qualquer dependência da universidade, com exceção dos hospitais universitário e veterinário, que possuem regramento próprio.

Documentos relacionados na Instrução Normativa

Declaração de comprometimento na realização do esquema vacinal completo – Covid-19
Termo de compromisso para apresentação periódica de teste – Covid-19
Declaração de responsável por menor de idade

Texto: Luís Henrique Ramires, acadêmico de Jornalismo e estagiário, e Mariana Henriques, Jornalista

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vacinacao-infantil-covid-19-segura Fri, 04 Feb 2022 13:54:38 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8949 Com a inclusão, pelo Ministério da Saúde, de crianças de 5 a 11 anos na campanha nacional de imunização contra a Covid-19,  os estados brasileiros iniciaram a vacinação desse grupo nas últimas semanas. O país tem cerca de 20 milhões de pessoas nessa faixa etária e já soma aproximadamente 1450 mortes de crianças de até 11 anos em decorrência do coronavírus. Diante da grande disseminação de fake news e questionamentos sobre o assunto, muitas pessoas ainda se perguntam se a vacinação infantil é segura.

Ilustração horizontal e colorida de uma criança vestida de Homem Aranha sendo vacinada. A criança usa uma roupa vermelha com detalhes em azul e textura de teia de aranha. Ao lado, uma enfermeira de pele negra, tem cabelo crespo preso em coque, usa máscara pff2 azul e veste jaleco branco. Ao fundo, parede branca de ladrilhos e cartazes em tons de rosa, branco e azul.

Segundo o estudo VacinaKids, realizado no final do ano passado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mais de 80% dos pais pretendem vacinar seus filhos, mas 12,8% ainda estão hesitantes. Dentre os motivos do receio, estão: medo das reações adversas à vacina, não acreditar que crianças ficariam em estado grave se pegassem Covid-19 e/ou subestimar a gravidade da pandemia. A discussão da vacinação infantil se deu em meio à alta de casos da doença e ao avanço mundial da variante Ômicron - no Brasil, ela já é a responsável por 97% dos casos de Covid-19, segundo estudo das redes Vírus e Corona-ômica BR, vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Por isso, mais de 30 nações também já iniciaram a imunização deste público.

Atualmente, duas vacinas para uso infantil estão aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):  a Comirnaty, da farmacêutica Pfizer, e a Coronavac, da farmacêutica Sinovac. A primeira, destinada ao público de 5 a 11 anos, é aplicada em duas doses com intervalo de 8 semanas e têm uma dosagem diferente da vacina que já vinha sendo aplicada em adolescentes e adultos. O imunizante infantil possui 0,2 ml e a tampa do frasco é da cor laranja, já para maiores de 12 anos a vacina da Pfizer possui 0,3 ml e tem a cor da tampa roxa, com o intuito de facilitar a identificação. A Coronavac, por sua vez, tem seu uso liberado para a faixa etária de 6 a 17 anos, porém não pode ser aplicada em crianças imunocomprometidas. A dosagem é a mesma utilizada em adultos (0,5 ml) e também possui duas doses com intervalo de 28 dias. 

Descrição da imagem: Infográfico quadrado e com fundo amarelo pastel. No centro superior, em azul marinho e em caixa alta, o título "Vacina Infantil Comirnaty da Farmacêutica Pfizer". Abaixo, box com fundo branco. São dois blocos, o da esquerda com ilustração e o da direita com o texto. Linha um: ilustração preta de duas pessoas em ícone, e o texto "Público: 5 a 11 anos". Linha dois: Ilustração de um calendário em branco, azul e preto, e o texto "Aplicada em duas doses, com no mínimo 21 dias de intervalo, mas no Brasil, atualmente, é aplicada com um intervalo de 8 semanas". Linha três: Ilustração de duas seringas com líquido laranja, e o texto "Dosagem diferente da vacina para adultos; crianças recebem o imunizante com 0,2ml ou 10 microgramas e pessoas acima de 12 anos recebem 0,3ml". Linha quatro: ilustração de dois frascos, um com tampa laranja e um com tampa azul, e ao lado, o texto "A vacina infantil tem a tampa do frasco laranja e a adulta possui a tampa na cor roxa". Linha cinco: ilustração de gráfico circular laranja com 95%, e o texto "A Comirnaty possui 95% de eficácia". Descrição da imagem: Infográfico quadrado e com fundo verde musgo. No centro superior, em branco e em caixa alta, o título "Vacina Infantil Coronavac da Farmacêutica Butantan". Abaixo, box com fundo branco. São dois blocos, o da esquerda com ilustração e o da direita com o texto. Linha um: ilustração preta de duas pessoas em ícone, e o texto "Público: 6 a 17 anos". Linha dois: Ilustração de um calendário em branco, azul e preto, e o texto "Aplicada em duas doses, com 28 dias de intervalo". Linha três: Ilustração de um "X" vermelho e o texto "Não aplicada em crianças imunicomprometidas". Linha quatro: Ilustração de uma seringa com líquido azul e, abaixo, o texto "Mesma dose: 600 Su em 0,5ml". Ao lado, ilustração de um frasco, com tampa rosa e líquido rosa claro claro e, abaixo, o texto "Mesma formulação que aquela aplicada em adultos". Abaixo, um botão verde com o texto "Informações disponibilizados pela Anvisa".

A segurança e a importância da vacina infantil

As vacinas aprovadas para uso pediátrico foram consideradas seguras não só pela Anvisa, mas também pela agência reguladora de medicamentos americana, a Food and Drug Administration (FDA), e pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Além disso, a agência brasileira contou com a consulta e acompanhamento de um grupo de especialistas. “O olhar de especialistas externos foi um critério adicional adotado pela Anvisa para que o uso da vacina por crianças fosse aprovado dentro dos mais rigorosos critérios”, afirmou o órgão em nota no site oficial.

 

Participaram da análise para aprovação da vacina especialistas da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIm) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). As três últimas também enviaram uma nota técnica recomendando a liberação. A segurança e eficácia da vacina infantil da Pfizer também foi confirmada pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, após análise da aplicação de 8,7 milhões de doses em crianças no período de 3 de novembro a 19 de dezembro de 2021. 

 

Segundo o Instituto Butantan, a Coronavac tem um altíssimo perfil de segurança, sendo, dentre os imunizantes disponíveis, o que causa efeitos adversos mais leves e em menor quantidade. Além disso, os ensaios clínicos e os dados de efetividade feitos no Chile e na China já mostraram que a vacina estimula o sistema imune a combater o vírus. A autorização também levou em conta a necessidade de ampliar as alternativas disponíveis para essa faixa etária.

 

O médico infectologista e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Alexandre Vargas Schwarzbold, afirma que é fundamental imunizar a população pediátrica para o controle da pandemia e explica por que é preciso ampliar a vacinação infantil:  "As crianças vão passar a ser o principal alvo do vírus, pois o restante da população está imunizada. Em locais como o Brasil, que tem tido sucesso com a vacinação, o vírus vai procurar populações suscetíveis, como a população pediátrica, para continuar circulando”.

 

O professor ainda reforça que, além de as crianças estarem mais expostas, elas passam a ser vetores de transmissão, ou seja, podem se infectar e transmitir para pessoas mais vulneráveis. Logo, quanto mais o vírus se espalha, mesmo em casos leves, maior a chance de surgimento de novas variantes.

Reações e efeitos adversos da vacina infantil

Uma das principais preocupações dos pais ou responsáveis são as possíveis reações e efeitos da vacina no organismo da criança. O CDC constatou que, dentre as 8,7 milhões de doses da vacina infantil da Pfizer aplicadas, foram notificados 4.249 eventos de reações, o que representa apenas 0,049%. Destas, 97,6% desses efeitos foram leves, como dor no local da injeção, fadiga ou dor de cabeça. Conforme dados do Instituto Butantan, a Coronavac também apresentou resultados positivos quanto aos eventos adversos: 86% dos casos de reação à vacina registrados em crianças não são do tipo grave.

 

Um dos efeitos adversos mais comentados é a ocorrência de miocardite, uma inflamação no músculo cardíaco que pode se manifestar como Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). A SIM-P é uma condição rara que afeta os vasos sanguíneos de crianças e adolescentes. Entretanto, segundo o CDC, foram constatados apenas 11 casos de miocardite após a aplicação da vacina e todos tiveram uma evolução favorável, com nenhuma ocorrência de morte.

 

Schwarzbold também ressalta que o relatório americano mostra que isso foi um evento raríssimo e que a doença não deve ser uma preocupação de efeito pós-vacina. “A miocardite pode afetar, na verdade, as crianças que são infectadas pelo coronavírus. No Brasil tivemos hospitalizações por conta disso e com muitas complicações. Essa é uma razão para incentivar a vacinação, de modo a evitar que o vírus cause efeitos no coração da criança. A vacina infantil é segura e eficaz para população pediátrica" afirma o infectologista.

Gravidade da Covid-19 em crianças

De acordo com o Instituto Butantan, em dezembro do ano passado, a Covid-19 foi constatada como a segunda maior causa de mortes de crianças entre 5 e 11 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito. Apesar de o vírus ser considerado menos grave em crianças quando comparado a adultos, elas ainda assim ficam doentes e podem ter evoluções desfavoráveis. Em dezembro de 2021, a Fiocruz emitiu uma nota técnica para informar que o Brasil, até 4 de dezembro de 2021, hospitalizou 19,9 mil pessoas abaixo de 19 anos com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Destas foram notificados 1.422 óbitos, sendo 208 de crianças de 1 a 5 anos e 796 de 6 a 19 anos.

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria também divulgou uma nota de alerta para a importância da vacinação infantil: “A presença de uma variante como a Ômicron, com maior transmissibilidade, mesmo se comprovada sua menor gravidade, torna grupos não vacinados (como crianças menores de 12 anos) mais vulneráveis ao risco da infecção e suas complicações, conforme vem sendo observado em outros países com presença dessa variante”.

 

Em relação aos casos de  SIM-P, provocados pela infecção da Covid-19, foram notificados no Brasil, até 27 de novembro de 2021,  2.435 casos suspeitos em crianças e adolescentes de zero a 19 anos. Desses, 1.412 (58%) casos foram confirmados, e 85 evoluíram a óbito, segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

 

Para Schwarzbold, mesmo que o vírus não afete as crianças de forma grave, elas podem ter manifestações clínicas que têm potencial de atrapalhar o desenvolvimento neuropsíquico-motor. “Essas crianças podem ter dores de cabeça e principalmente, como muitos adultos, fadiga, inclusive crônica. O chamado pós-covid e as sequelas para população pediátrica podem ser muito incômodos e desconfortáveis para o aprendizado”, explica o professor.

Ilustração vertical e colorida de uma escala em formato ondulado, com ilustrações circulares nas extremidades inferior e superior. Na ilustração superior, roxa, mulher com cabelos brancos, lisos e compridos usa capuz roxo escuro; ela tem pele parda e um olhar sério. Abaixo da ilustração, há uma nuvem de fumaça roxa. Na escala, os elos coloridos se intercalam com os elos transparentes. Há quatro elos coloridos, de cima para baixo: roxo, bordô, marrom forte e marrom fraco. Abaixo do último elo, ilustração circular de uma cientista de dele branca, cabelos curtos e ondulados, que usa óculos redondos e segura nas mãos um frasco transparente com fumaça verde saindo. Ao lado esquerdo inferior, há uma etiqueta com a frase "Comprovado".

Veredito final: Comprovado!

A vacinação infantil é segura, necessária e eficaz.

Expediente:Reportagem: Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista;Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.]]>
UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/12/29/dose-de-reforco-covid-19 Wed, 29 Dec 2021 10:45:05 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=57575

A UFSM aplicará a dose de reforço da vacina contra a Covid-19 na próxima quarta-feira, 05 de janeiro de 2022.  A iniciativa não é exclusiva para servidores da Instituição e podem comparecer todos aqueles que fizeram segunda dose até dia 05 de setembro de 2021. A vacinação será em formato drive thru e também para pedestres. 

A ação será no Centro de Eventos da Instituição, das 8h às 12h. É necessário apresentar a carteirinha de vacinação e um documento com foto no momento da vacina.

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/me-vacinei-e-agora Wed, 27 Oct 2021 12:28:52 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8726 Posicionado em quarto lugar no ranking entre países que mais aplicaram doses no mundo, o Brasil já conta com mais de 153 milhões de pessoas vacinadas pelo menos parcialmente contra Covid-19. Isso representa 71% da população brasileira, segundo dados desta terça-feira (26/10) do Mapa de Vacinação contra Covid-19 no Brasil, do G1 – o qual é baseado em informações do Consórcio de Veículos de Imprensa, com dados retirados de secretarias estaduais de saúde. Quando se trata de imunização completa, 52% da população já tomou as duas doses ou a dose única da vacina. Essas progressões colocam o Brasil em 62º lugar no ranking mundial referente à classificação proporcional, ou seja, considerando a quantidade de doses aplicadas em relação à população total de um país, segundo a Agência CNN.

Apesar dos avanços nas campanhas de vacinação e da consequente maior flexibilização das medidas de segurança em diversos estados brasileiros, muitas dúvidas permanecem sobre o contexto atual e o futuro da pandemia. Transmissão pós-vacina, passaporte vacinal, vacinação de crianças, dose de reforço, fim da pandemia: a Arco conversou com o professor do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM, Marcos Antônio Lobato, para tirar essas dúvidas.

Transmissão pós-vacina

Após a vacinação, seguimos transmitindo? Segundo Lobato, a resposta é sim: “São poucas as vacinas que conseguem nos impedir de transmitir. Por exemplo, a vacina da gripe não nos impede totalmente de contrair ou transmitir a doença. Isso já conhecido na ciência: não é sim ou não, não é branco ou preto. O fato de não haver essa certeza acontece por um motivo semelhante ao de algumas pessoas conseguirem resistir ao vírus, ou transmitirem menos, ou mal adoecerem: porque depende da resposta imune de cada pessoa. Mas, quando temos uma exposição à vacina, isso gera uma resposta imune melhor. O que acontece é que pessoas vacinadas, quando contaminadas, pela memória imunológica recorrente da imunização, têm uma resposta mais rápida ao vírus. Mas existe a possibilidade de nunca deixarmos de transmitir. Na verdade, é essa a expectativa da maioria dos cientistas do mundo e da própria OMS [Organização Mundial de Saúde].”

Vacina x imunidade natural

A imunidade natural se refere à que é construída a partir de uma contaminação prévia. No caso do coronavírus, ela era usada como uma justificativa para negacionistas da vacina relativizarem as campanhas e promoverem que a “imunidade de rebanho” só seria atingida a partir de uma infecção em massa. Porém, segundo estudo norte-americano publicado no CDC (Center for Desease, Control and Prevention), a possibilidade de uma reinfecção do vírus em casos de não vacinados é duas vezes maior do que entre as pessoas totalmente imunizadas pela vacina. 

Lobato explica: “O vírus precisa entrar no nosso corpo para manter a sobrevivência da espécie dele, e nós precisamos evitar que ele nos cause mal. É uma briga. Quem tem as melhores estratégias sobrevive. Os vírus têm essas estratégias envolvidas em enganar o nosso sistema imunológico, mas as vacinas são desenvolvidas estrategicamente para evitar isso. Os desenvolvedores das vacinas procuram características que possam estimular a nossa imunidade de maneira melhor, para [caso haja uma contaminação] provocar mais resposta imune. Por isso, quem é vacinado tem menos chance de ter a doença e de ‘repetir’ a doença, em comparação a quem não é vacinado, e tem o que chamamos de “imunidade natural”, por já ter contraído a doença. E daí, de onde vem a imunidade rebanho? Não vem. A imunidade natural com esse vírus não funcionou, se não o grande experimento natural da história do Brasil, que foi Manaus, não teria acontecido.

Vamos imaginar que temos um sistema de vigilância para detectar [o vírus]. A ‘arma de defesa’ é a mesma, mas, com a vacina, colocamos mais um ‘sensor’ – e, assim, a resposta é mais rápida.”

Vacinação de crianças

No Brasil, a vacinação de crianças menores de 12 anos ainda não foi permitida – como em alguns países como China e Chile. Lobato comenta:  “A regra geral é que, primeiro, testamos as vacinas em adultos, depois em idosos e, depois disso tudo, aplicamos nas crianças. Mas temos que ponderar o risco-benefício: com a Covid-19, nós descobrimos que as crianças têm muito menos probabilidade de adoecer gravemente do que todos os outros grupos etários. Isso nos dá mais tempo, eticamente falando, de estudar mais os efeitos possíveis nas crianças antes de aplicar em massa. O que não era o caso dos idosos: nós tivemos que ofertar antes, porque eles eram o grupo mais frágil, então a chance de ter danos colaterais, o risco disso, era compensado pelo benefício potencial.

E tivemos êxito, porque mesmo tendo menos pesquisas do que seria o ideal, as respostas foram boas entre os idosos - isso levando em conta a experiência que já tínhamos com outras vacinas. Não somos novatos nesse aspecto.”

Passaporte Vacinal

A implementação da exigência do passaporte vacinal na entrada de algumas atividades de lazer e estabelecimentos no Rio Grande do Sul aconteceu no início de outubro. Mas será que essa medida, que já havia sido adotada em outros estados, como em São Paulo, tem eficácia assegurada quando se trata de reduzir os riscos da flexibilização de tais atividades?

Nesse sentido, Lobato explica: “Existe uma certa controvérsia em relação a isso, mas, por princípio, o uso do passaporte vacinal faz todo o sentido. Se pensa assim: ‘qual é o objetivo de fazer a vacinação?’, é que toda a população se vacine e isso garanta que todo o espaço que frequentamos esteja mais protegido. Isso porque as pessoas irão contrair e transmitir menos, assim como ter menos probabilidade de adoecer - e estaremos protegidos contra o adoecimento grave e a morte. Se estamos entre um grupo que não está totalmente vacinado, teremos mais pessoas doentes circulando - mesmo entre as vacinadas -, carregando uma carga viral maior, e mais pessoas com chance de adoecer gravemente. 

Então, separar esses grupos e dizer que quem é vacinado tem mais liberdade de circular ou pode acessar espaços mais confinados, como teatros e cinemas, faz sentido. É como se a gente criasse artificialmente uma comunidade 100% coberta pela vacina. De certa forma, também estimula a vacinação para poder participar. É como todo mundo andar com cinto de segurança nos carros: eu estou me protegendo, mas estou protegendo o outro também.

Mas, ainda assim, tem que haver alguns cuidados, como todo mundo estar de máscara e o ambiente estar com muita ventilação.  Do ponto de vista coletivo, já tivemos muitas flexibilizações. Isso aconteceu porque tem mais gente vacinada. Parar o uso da máscara é o último passo, quando já tivermos o que chamamos de imunidade coletiva.  Isso significa que a pessoa que não está protegida, ao estar no meio de outras vacinadas, conta com uma barreira de proteção, que impede que essa pessoa tenha contato com outros não vacinados. Esse é um dos princípios da vacinação que gera imunidade coletiva. Não há a necessidade de se ter 100% de cobertura da população para isso.  Nos fenômenos de epidemia de transmissão que são com doenças como Covid-19 - doenças de transmissão ampla -, quando não conseguimos identificar exatamente quem transmitiu primeiro, precisamos manter alguns tipos de cuidado até atingirmos uma boa cobertura plena de vacinação em toda a população, pensando coletivamente.” 

Dose de reforço

A aplicação das doses de reforço em idosos e profissionais da saúde já é uma realidade no Brasil. Mas será que, no futuro, ela será aplicada em toda a população? Lobato diz que: “É provável, eu não tenho certeza disso ainda. Com mais certeza, mais evidências, os idosos e as pessoas com algum comprometimento da imunidade têm de receber. Mas, daí, o princípio é outro: a resposta imunológica dessas pessoas à vacina é menor do que das pessoas que têm imunidade plena - jovens, pessoas que não tomam medicamentos que diminuem a imunidade. E o reforço entre pessoas que têm imunidade plena e que são trabalhadores da saúde é justificado porque a exposição ao vírus no ambiente de trabalho ainda é muito grande, mesmo que não seja tão alta como antes. Então faz sentido o reforço para trabalhadores de saúde. E depois, é possível que sim, o resto da população toda. Mas isso não está confirmado, porque tem uma coisa para se ponderar, que é: não é melhor termos todos, no mundo todo, vacinados do que algumas pessoas com três doses? Inclusive tem um questionamento, até da OMS, de estarmos pensando na terceira dose enquanto há alguns países que não conseguiram vacinar nem 10% de sua população. E isso nos deixa em risco: entre essa população que não foi vacinada, onde o vírus ‘original’ ainda circula, pode surgir uma nova variante, inclusive que seja resistente às vacinas – que hoje estão nos protegendo. Isso é uma discussão de saúde global. Pandemias são coletivas, as decisões têm que ser coletivas.”

O fim de pandemia

Em relação ao fim da pandemia, Lobato ressalta: “A classificação de pandemia é feita pela Organização Mundial da Saúde. É a OMS que vai declarar o fim da pandemia. Existem parâmetros técnicos para isso: quando tivermos uma estabilidade e uma queda importante do número de casos, quando chegarmos perto do fim da transmissão, quando tivermos algo que é chamado um estado endêmico. A pandemia é um estado epidêmico, que significa que os casos continuam crescendo ao longo do tempo e que, se liberamos o comportamento para uma normalidade, eles irão aumentar - então temos que estar controlando.  A pandemia terminará quando nós chegarmos em uma dimensão de casos leves, graves e número de óbitos que seja estável, mas não existe um parâmetro de quantidade certo, ainda precisamos de um tempo para entender isso. Podemos projetar: se chegamos nos números de agora com cerca de 50% das pessoas com as duas doses, então devemos esperar ter um número muito melhor quando estivermos perto de 100% das doses”.

Expediente

Repórter: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Ilustrador: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vacinas-oferecem-riscos-a-saude Wed, 04 Aug 2021 11:00:42 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8611 Desde a implementação do Plano Nacional de Imunização (PNI), em 1973, o Brasil é referência mundial em políticas públicas de vacinação. O programa que fornece para a população todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é considerado um case de sucesso. Ao longo dos anos, as ações realizadas pelo PNI foram responsáveis por quedas nos índices de incidência e prevalência de muitas doenças infecciosas preveníveis pela vacinação, como o sarampo.

Em um cenário de pandemia da Covid-19, é difícil imaginar como seria uma sociedade sem os avanços da ciência e sem a existência de vacinas, especialmente no Brasil, onde elas são disponibilizadas de maneira gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através do PNI.

Se, durante décadas, a vacinação no Brasil praticamente não sofria com especulações, graças à cultura de vacinação que esteve muito presente no cotidiano do brasileiro e que, inclusive, possibilitou a erradicação de doenças como a poliomielite, atualmente há quem questione a proteção das vacinas. Circulam nas redes sociais alegações que dizem que as vacinas não são seguras e podem causar doenças e levar à morte. 

Mesmo que algumas pessoas neguem a importância das vacinas, a maioria da população brasileira confia nos avanços da ciência. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada em julho, apontou que 94% da população pretende se vacinar contra a Covid-19. Esse é o maior índice de pessoas dispostas a se vacinar contra o coronavírus desde o início da pandemia.

Professor do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM, Gilmor José Farenzena garante que essas narrativas são levantadas sem nenhum respaldo científico. “Dentro do contexto técnico-científico atual, não se questiona o papel desempenhado pelas vacinas. Elas se constituem em uma das medidas mais importantes de prevenção em saúde pública”. 

De uma maneira geral, a vacinação apresenta poucos riscos à saúde de uma pessoa. Evidentemente, existem casos em que pessoas têm reações adversas à determinada vacina. Um exemplo é a reação alérgica grave chamada de anafilaxia, que pode acontecer após a vacinação contra a Covid-19, mas que, de acordo com Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, não atinge mais do que cinco indivíduos a cada um milhão de vacinados no país. Logo, ao olhar para a literatura científica atual, percebe-se que esse número é muito pequeno em relação ao custo-benefício dos imunizantes. 

As reações adversas variam de acordo com o imunizante e com o organismo do indivíduo, e vão desde reações leves que são comuns, até reações mais graves que acontecem em raríssimos casos.

Como descobrir quando não é aconselhável tomar alguma vacina

Existem pessoas que apresentam contraindicações na aplicação de determinados imunizantes. Nesses casos, é preciso estar atento para evitar reações adversas graves. Segundo o professor Farenzena, as contracontraindicações gerais para o uso de vacinas são: a presença de infecções agudas febris, reações alérgicas aos componentes dos imunizantes e a manifestação de adventos graves em uma dose anterior. Porém, Farenzena esclarece que, mesmo nessas situações, em alguns casos, profissionais da saúde avaliam que o custo-benefício da vacinação se sobressai. “Muitas vezes, se opta pela realização do procedimento em uma unidade de saúde capaz de prestar atendimento imediato se isso se fizer necessário”, complementa.

Se há o conhecimento prévio - ou suspeita - de algum fenômeno alérgico aos componentes de uma vacina, o indivíduo deve procurar um médico antes de se imunizar para evitar qualquer tipo de risco à sua saúde. 

A importância coletiva da vacinação

O principal objetivo do processo de imunização é a proteção coletiva da população. Quanto maior for o número de indivíduos imunizados contra um vírus ou bactéria, por exemplo, menor será a circulação desse agente e, consequentemente, menor será o número de pessoas passíveis a adoecer nessa determinada população. Nesse caso, ao se vacinar, além de se auto proteger contra doenças imunopreveníveis, você protegerá outras pessoas. 

Em países como Israel, onde os índices de vacinação contra a Covid-19 estão bem avançados em relação ao Brasil, os gráficos mostram que a estratégia de imunização tem sido efetiva principalmente na diminuição dos casos de internação hospitalar.

Veredito final: Improvável!

Não há comprovação científica de que as vacinas apresentam riscos à saúde das pessoas, exceto em casos raros quando há contraindicações.

Expediente:

Repórter: Luís Gustavo Santos, acadêmico de Jornalismo e voluntário

Ilustrador: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/prograd/egressos/2021/06/09/douglas-mariano-coordenador-de-producao-no-nucleo-de-producao-de-soros-do-instituto-butantan-conta-sobre-sua-trajetoria-na-pesquisa-e-o-seu-trabalho-no-instituto Wed, 09 Jun 2021 15:30:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/pro-reitorias/prograd/egressos/?p=305 VOLVER - Para iniciarmos, nos conte como ingressou na carreira científica, quais desafios e recompensas em trabalhar com pesquisa? DOUGLAS - Eu iniciei a minha carreira científica enquanto cursava Ciências Biológicas, no ano de 2008, no laboratório de Bioquímica Toxicológica, sob a orientação do Dr. João Batista Teixeira da Rocha. Acabei optando por esta carreira uma vez que sempre fui uma pessoa curiosa e interessada pela ciência. Além disto, sempre pensei que por meio da pesquisa eu conseguiria fazer algo que pudesse ajudar a sociedade. Esta é uma carreira que exige muita dedicação, estudo e leitura, além de ter que dispender muitas horas da sua vida dentro de um laboratório, realizando vários testes e experimentos. Nem sempre os experimentos saem como o planejado ou obtemos os resultados que gostaríamos, o que muitas vezes gera frustrações. No entanto, no meu ponto de vista, todo o empenho investido torna-se gratificante uma vez que consigo terminar uma pesquisa e ajudo a contribuir com o desenvolvimento do conhecimento científico.   
VOLVER - Quais as lembranças que guarda da UFSM e como a instituição contribuiu para o seu ingresso na pesquisa? DOUGLAS - Eu guardo lembranças muitas boas desta época, pois além de ter sido um período de amadurecimento e desenvolvimento pessoal, acabei conhecendo várias pessoas e fiz vários amigos, que até hoje mantenho contato. Em termos profissionais, durante o curso de Ciências Biológicas, tive a oportunidade de conhecer vários professores/pesquisadores e suas respectivas linhas de pesquisa, que acabaram me incentivando, e muito, a trilhar o caminho da pesquisa. VOLVER - Você possui mestrado e doutorado em Toxinologia, nos conte mais um pouco sobre esse estudo. DOUGLAS - Após o término da graduação, acabei me mudando para São Paulo em 2012, onde realizei o meu mestrado no Instituto Butantan, no laboratório de Bioquímica e Biofísica, sob a orientação do Dr. Daniel Pimenta. Esta pós-graduação havia sido criado a pouco tempo e tem como objetivo estudar as diferentes biomoléculas presentes nas secreções cutâneas e nos venenos, produzidos pelos diferentes animais, em termos bioquímicos, farmacológicos ou imunológicos, por exemplo. Durante o meu mestrado, eu acabei estudando as biomoléculas presentes nas secreções cutâneas dos anfíbios, principalmente do anuro Pipa carvalhoi, com o intuito de caracterizá-las bioquimicamente e tentar entender o papel delas na biologia do animal. Para isto, aprendi técnicas cromatográficas para o fracionamento e purificação destas moléculas, assim como trabalhei com análises de espectrometria de massas destes materiais. Isso me encantou, o que me fez optar por fazer o meu doutorado no mesmo laboratório de pesquisa, realizado entre os anos de 2014 e 2018. Neste período aprofundei os estudos envolvendo as moléculas presentes nas secreções cutâneas dos anuros, assim como acabei estudando os componentes dos venenos de alguns animais, tais como formiga, serpentes, escorpiões, entre outros materiais biológicos. VOLVER - Em 2017 você recebeu a Menção Honrosa da Federação de Sociedades de Biologia Experimental, o que essa premiação representou na sua carreira como pesquisador? DOUGLAS - Neste trabalho eu fui colaborador de uma pesquisa científica realizada por uma aluna de doutorado, que na época estudava na USP. É sempre bom ter o seu trabalho reconhecido, pois nos incentiva a cada vez mais a seguir o caminho da pesquisa e a procurar novos desafios e descobertas. VOLVER - Como é trabalhar no Butantan? Nos conte um pouco sobre o seu trabalho e a sua pesquisa no Instituto. DOUGLAS - Eu adoro estar e trabalhar no Instituto Butantan, pois nem parece que estou morando em São Paulo. Isto porque é um local calmo e que possui uma ampla área verde, sendo possível observar a presença de vários animais, inclusive lagartos e até saguis durante determinadas épocas do ano. Além disto, por ser um parque, é um local frequentemente visitado por muitas famílias que buscam descansar, visitar os museus e passear pelo instituto. Eu comecei a trabalhar na Fundação Butantan em 2020, no Núcleo Estratégico de Venenos e Soros, pertencente ao Laboratório dos Artrópodes.Atualmente, ocupo o cargo de Coordenador de Produção no Núcleo de Produção de Soros. Resumidamente, estou envolvido na produção dos diferentes soros produzidos pelo Instituto Butantan, como por exemplo, os soros utilizados para o tratamento de picadas por animais peçonhentos (cobras, aranhas e escorpiões).  No meu trabalho eu estou envolvido no controle em processo e implementação de novas abordagens metodológicas para a produção dos soros, desde a etapa do antígeno utilizado na imunização dos cavalos, na resposta imunológica dos cavalos imunizados e até a etapa de processamento do plasma para a obtenção do soro hiperimune. VOLVER - Na sua opinião, qual a importância do Instituto Butantã para a sociedade? DOUGLAS - O Instituto Butantan é uma instituição que se dedica à pesquisa em saúde pública e produção de imunobiológicos desde o início do século XX. Atualmente, o Instituto Butantan ocupa uma posição de destaque, devido ao seu envolvimento na produção das vacinas contra o SARS-CoV-2, além de estar envolvida na produção da vacina Influenza, entre outras. No entanto, esta instituição também é mundialmente reconhecida devido a produção de 12 diferentes tipos de soros utilizados no tratamento de antivenenos, antitoxinas e soro antirrábico. A palavra soro refere-se a qualquer imunobiológico produzido em animais e utilizado no tratamento de enfermidades provocadas pela ação do veneno de animais peçonhentos, por toxinas de agentes infecciosos, como os causadores da difteria, botulismo e tétano, ou ainda, na profilaxia pós-exposição ao vírus da raiva. "No momento, o Instituto Butantan é o único produtor de soros no país com certificação. Sendo assim, os soros produzidos pelo instituto são de suma importância para a sociedade, pois ajudam a salvar milhares de vidas todos os anos no Brasil. Por conta disto, tenho uma grande satisfação no trabalho que estou envolvido." VOLVER - Relate a sua atual pesquisa, em que fase está e quais os principais resultados. DOUGLAS - Atualmente, a área em que trabalho está ajudando a produzir um novo soro, o soro hiperimune anti-SARS-CoV-2. A ideia deste soro é utilizá-lo em pacientes acometidos pela doença, em estado grave. No momento, este produto recebeu uma autorização da Anvisa para o início dos testes em humanos. VOLVER - Por que o conhecimento científico e o desenvolvimento da ciência são importantes para a área de conhecimento em que você atua? DOUGLAS - Ambos são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer área, uma vez que sempre há perguntas a serem respondidas e a cada resposta obtida, surgem-se novos questionamentos. Por exemplo, na área em que atuo estamos sempre procurando formas de melhorar o processo de produção do soro, seja estudando as toxinas presentes nos venenos, compreendendo a resposta imunológica dos cavalos ao entrarem em contato com o antígeno e até mesmo, em formas de melhorar a produção do soro durante as etapas produtivas da fábrica, como a inclusão de novas abordagens metodológicas ou inserção de novos equipamentos. E para isto, sempre recorremos ao conhecimento descritos na literatura científica. O conhecimento científico e o desenvolvimento da ciência "...são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer área, uma vez que sempre há perguntas a serem respondidas e a cada resposta obtida, surgem-se novos questionamentos." VOLVER - Como você se vê daqui 10 anos? Pretende continuar atuando em pesquisas? DOUGLAS - Eu não me vejo em outra área que não seja a da pesquisa. Isto porque eu adoro discutir ciência e me sinto realizado, ainda mais sabendo que o meu trabalho ajuda a contribuir com o desenvolvimento do conhecimento científico. Além disto, sinto uma imensa gratificação quando eu posso utilizar este conhecimento, mesmo que pequeno, em prol da sociedade.

Texto: Júlia Ferrari B Oliveira

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vacinas-covid-19-previnem-diferentes-variantes Mon, 07 Jun 2021 14:23:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8482 Desde dezembro de 2020, quando cientistas identificaram a cepa B.1.1.7 na Inglaterra, ouve-se falar sobre as variantes, cepas, mutações e linhagens do novo coronavírus. Com as descobertas científicas, surgem questionamentos sobre a eficácia das vacinas existentes contra as novas cepas do vírus Sars-CoV-2. 

Ao ser exposto a algum antígeno - vírus ou bactérias, por exemplo - o sistema imunológico humano tem a capacidade de produzir anticorpos para combatê-lo. Contudo, mesmo com os estímulos e o desenvolvimento de respostas mais ou menos específicas aos antígenos, há a possibilidade de se desenvolver doença, com diferentes níveis de manifestação clínica. No caso do vírus SARS-CoV-2, a doença é a Covid-19. Cientistas ainda investigam por que algumas pessoas são naturalmente mais resistentes e outras não. O objetivo de toda vacina é instigar no nosso organismo uma resposta eficiente a esses antígenos. É como uma “memória imunológica” que vai estimular a produção de anticorpos quando nosso sistema imunológico for atacado por agentes infectantes. 

Existem diferentes tipos de tecnologia de vacinas que são capazes de defender nosso organismo quando há exposição a esses microorganismos. Vacinas que utilizam vírus mortos ou enfraquecidos, vacinas que não usam vírus inteiros, mas sim pequenas proteínas virais e, mais recentemente, imunizantes com novas tecnologias baseadas em entregar ao nosso sistema imune apenas um pedaço da informação genética viral para que o corpo aprenda a se defender de uma potencial exposição, que são as vacinas de RNA.

Huander Andreolla, professor do curso de Biomedicina da Universidade Franciscana (UFN), salienta que, ao contrário de algumas mentiras que circulam na internet, o material genético do vírus não é capaz de interagir ou alterar o código genético humano. Em janeiro, a Revista Arco publicou um mitômetro sobre as vacinas de RNA

Contudo, com as descobertas de novas variantes, será que a eficácia das vacinas ainda é a mesma? Andreolla afirma que são muitas as possibilidades dependendo da tecnologia usada em cada vacina e da variante em questão. A eficácia das vacinas para novas mutações é estudada apenas em locais onde essas variantes circulam de maneira predominante. Assim, se analisa qual é a taxa de pessoas expostas ao vírus e devidamente imunizadas que desenvolveram a doença em comparação às pessoas que não tiveram a doença. “São estudos observacionais cujas conclusões dependem da imunização e, obviamente, da exposição durante um determinado período de tempo. Esses estudos são denominados estudos de caso-controle", afirma.

O professor Andreolla salienta que remédios e vacinas passam por atualizações constantes, especialmente quando há o surgimento de novas cepas. “As pesquisas não são finalizadas quando o remédio ou a vacina estão com a bula devidamente redigida e disponível à sociedade”, afirma. Porém, ele alerta que a demora na imunização e a falta de controle da circulação do vírus são fatores que dificultam a obtenção de efetividade dos imunizantes.

O que é uma variante?

Primeiramente é preciso entender que as mutações de um vírus são um processo natural de sua biologia. Ao entrar em uma célula, o vírus se replica e dá origem a milhares de cópias. Durante esse processo, pode ocorrer uma diversidade de alterações no código genético desses novos vírus, o que representa novas mutações. Na maioria das vezes, elas não deixam o vírus mais forte ou mais transmissível, mas, em alguns casos, essas modificações apresentam vantagens evolutivas para o vírus. Desse modo, uma nova variante se distingue do vírus selvagem (original) por apresentar uma sequência genética viral diferente. O professor Huander Andreolla explica que o local onde ocorreram essas mutações no código genético do vírus são determinantes para entender se a nova variante carrega novas características de virulência, como resistência aos anticorpos ou outra estratégia de escape do sistema imunológico.

Mutação, variante, cepa e linhagem

Os quatro termos científicos estão relacionados com a evolução de um vírus:

Classificação das variantes

Existem milhares de variantes do coronavírus, mas a maioria delas não apresenta mudanças significativas no seu comportamento a ponto de ser considerada mais mortal ou transmissível. As variantes que mostram alterações em seu comportamento são classificadas em três níveis:

  • Variantes de interesse (VOI - Variant of Interest, em inglês) são mutações com potencial de afetar a transmissão, o diagnóstico ou a terapia da doença. Há evidência de aumento no número de casos e expansão geográfica do vírus.
  • Variantes de preocupação (VOC - Variant of Concern, em inglês) são mutações que, além das características das VOI, apresentam evidências de impacto em diagnóstico, tratamento e vacinação, aumento na transmissibilidade e maior gravidade e letalidade. 
  • Variantes de altas consequências (VHC - Variant of High Consequences, em Inglês) são mutações que, além das características das VOC, apresentam evidências claras de que as medidas de prevenção ou contramedidas médicas reduziram significativamente a eficácia em relação às outras variantes que circulavam anteriormente. É associada com gravidade e aumento de hospitalização de infectados. 

Conheça algumas variantes já identificadas

Quais as vacinas disponíveis até o momento?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o momento existem 17 vacinas aprovadas, além de outras centenas que estão com estudos em andamento no mundo inteiro. Conheça algumas:

O que dizem os estudos das vacinas sobre as novas variantes?

  • Pfizer / BioNTech: Uma pesquisa realizada com 105 profissionais de saúde no Japão indica que aproximadamente 90% das pessoas que receberam duas doses da vacina da Pfizer apresentaram anticorpos considerados eficazes contra sete variantes do coronavírus. Os pesquisadores da Universidade Municipal de Yokohama apontaram que 94% dos indivíduos produziram quantidade suficiente de anticorpos contra as cepas britânica e brasileira; 90% contra a cepa da África do Sul e 97% contra a da Índia.
  • Oxford / AstraZeneca: Em abril, a Fiocruz publicou um estudo que indica que os anticorpos induzidos pela vacina de Oxford se mostraram mais eficazes contra a cepa B.1.1.7 (Reino Unido) e a cepa P.1 (Brasil) e menos eficaz contra a cepa B.1.351 (África do Sul). Contudo, a farmacêutica AstraZeneca anunciou que está produzindo uma versão modificada da vacina que seria adaptada para combater a cepa B.1.351.
  • CoronaVac: Uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) apontou que a CoronaVac é eficaz contra a variante P.1 (Brasil). Além da P.1, recentemente, a Sinovac divulgou dados que mostram que o imunizante é eficaz contra as cepas P.2 e N.9, ambas também associadas ao Brasil. Em fevereiro, o Butantan anunciou que sua vacina apresentou bom desempenho contra as cepas B.1.1.7 (Reino Unido) e 1.351 (África do Sul).
  • Sputnik V: Segundo informação divulgada por Denis Logunov, vice-diretor do Instituto Gamaleya de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia, Sputnik V seria eficaz contra as cepas B.1.1.7 (Reino Unido) e B.1.351 (África do Sul). O estudo com os dados ainda não foi publicado. 
  • Janssen: Ainda não se tem estudos que apontem para a eficácia contra as cepas já identificadas. Em janeiro, o laboratório Johnson & Johnson divulgou resultados dos ensaios clínicos da fase 3 da sua vacina. A eficácia foi de 72% nos Estados Unidos, 66% em países da América Latina e 57% na África do Sul. Essas diferenças podem ser consequência do predomínio das variantes P.1 (Brasil) e 1.351 (África do Sul) identificadas nas regiões, mas são necessárias mais pesquisas.
  • Moderna: A farmacêutica Moderna informou que, após pesquisa clínica, publicada como preprint - sem a revisão de outros cientistas - no site MedRxiv, sua vacina seria eficaz contra as cepas P.1 (Brasil) e 1.351 (África do Sul), após a aplicação de uma terceira dose (dose de reforço). Segundo a empresa, a aplicação de duas doses fornecerá alguma proteção para as variantes, mas a eficácia terá menos durabilidade. As pesquisas publicadas como preprints não estão em sua versão final e podem sofrer alterações após avaliações de outros especialistas da área, mas dão indícios dos resultados. Em janeiro, a Moderna já havia publicado uma nota afirmando que seu imunizante seria eficaz contra a cepa B.1.1.7 (Reino Unido).

Veredito final: É possível!

Como foi apontado no decorrer da checagem, os cientistas trabalham para atualizar as vacinas de acordo com as necessidades impostas por novas variantes virais.

Expediente

Repórter: Luís Gustavo Santos, acadêmico de Jornalismo e voluntário

Ilustradora: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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A UFSM iniciará em breve o teste clínico da vacina da empresa chinesa Sichuan Clover Biopharmaceuticals Inc, autorizada em abril deste ano. Assim, a Universidade abre o convite para voluntários acima de 18 anos que não tenham contraído a Covid-19 até o momento. 

O coordenador do estudo na UFSM será o médico infectologista Alexandre Vargas Schwarzbold, chefe da Unidade de Pesquisa Clínica do HUSM-EBSERH. Ele também esteve à frente dos testes da vacina Oxford/AstraZeneca no último ano.

 

Como participar?

  • Preencha o formulário presente neste link 

Lembrando que o preenchimento do formulário não garante a participação na pesquisa, apenas a inscrição. Ao término do estudo, os dados de todos os participantes serão deletados, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais

Como funcionarão os testes?

  • Todos os voluntários farão parte de um sorteio e serão divididos em dois grupos. 
  • Uma parte receberá a vacina em duas doses. A outra, chamada de grupo controle, receberá um placebo. 
  • Ao final da pesquisa, estimada em 13 meses depois do começo, será revelado de qual grupo o voluntário faz parte.

 

A pesquisa está na fase 2 de 3. Nela, o objetivo é avaliar a sua eficácia, incluindo a capacidade de gerar resposta imune e avaliar a sua segurança.  Os testes serão realizados em pelo menos mais cinco países: África do Sul, Bélgica, China, Espanha, Polônia e Reino Unido.

 

Assessoria de Comunicação do Gabinete do Reitor

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O Programa de Educação Tutorial - PET Enfermagem e a Coordenação do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) convida à participarem das palestras "Vacinas: o que diz a ciência? Da imunologia à prática", encontros que visam a explanação de conteúdos acerca das vacinas, para desmistificar a temática.

A primeira palestra ocorrerá no dia 26 de maio às 18:30 horas intitulada “Vacinas: mocinhas ou vilãs?” e a segunda, dia 02 de junho às 19:00 horas, abordando “As vivências e práticas no processo de vacinação contra à COVID-19”.

As inscrições estarão abertas até o dia 26 de maio pelo link: http://www.even3.com.br/vacinasoquedizaciencia.

 
Contamos com a sua presença, e colocamo-nos à disposição para dúvidas ou informações adicionais.
 
Atenciosamente
 
Programa de Edutação Tutorial (PET) Enfermagem.
 
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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/01/12/as-universidades-federais-e-a-superacao-da-pandemia Tue, 12 Jan 2021 19:24:27 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=54865

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) vem a público conclamar as autoridades responsáveis a acelerarem a disponibilização do Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a Covid-19 de execução abrangente e acessível a todos os brasileiros.

É sabido que o locus da ciência brasileira se encontra nas universidades públicas, as quais, desde o início da pandemia, se apresentaram para o enfrentamento do Coronavírus, a postos com seus laboratórios, seus pesquisadores, seus hospitais e toda a sua estrutura.

Da mesma forma, sabemos que o Sistema Único de Saúde (SUS) tornou possível que o Brasil dispusesse de um dos melhores e mais abrangentes programas públicos de imunizações do mundo, responsável pela prevenção, controle e extinção de várias doenças. Portanto, a vacinação contra a Covid-19 deve ocorrer exclusivamente por meio do SUS.

O que o Brasil necessita agora é de um Plano Operacional de Imunização, usando todas as vacinas aprovadas pela Anvisa, que contemple a todos os brasileiros gratuitamente, seguindo critérios de priorização técnicos e humanitários. A sociedade brasileira não pode e nem deve tolerar nenhum tipo de uso político da vacina, bem como não são aceitáveis quaisquer privilégios de qualquer natureza para acesso ao imunizante.

A saúde do povo e a economia do País exigem responsabilidade e ação imediata dos poderes públicos. Defendemos que toda a população brasileira tenha garantido seu direito à vacina, em campanha coordenada pelo Ministério da Saúde, envolvendo todos os entes federativos, com a eficiência e celeridade necessárias para garantir que tenhamos a superação dessa pandemia com a maior brevidade.

Ancorado na ciência, o momento deve ser de união e solidariedade. A vacina é um direito de todos!

Andifes - Brasília, 12 de janeiro de 2020

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2020/10/06/ufsm-iniciou-aplicacao-de-vacina-contra-a-covid-19-em-pessoas-com-alta-exposicao-a-doenca Tue, 06 Oct 2020 13:21:15 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=53891

O Hospital da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM), integrante da Rede Ebserh de Hospitais de Ensino, está entre os seis Centros de Pesquisa do país, que irão testar a nova vacina contra a Covid-19. Desde o dia 28 de setembro, 50 profissionais que atuam na área da saúde receberam a primeira dose da vacina, desenvolvida pela Universidade de Oxford (Inglaterra) em parceria com a empresa biofarmacêutica AstraZeneca e aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A UFSM irá vacinar mil voluntários - profissionais que atuam nas áreas da saúde, segurança pública, comércio e transporte
público - até o mês de novembro. Para participar, é preciso ser maior de 18 anos e ter alta exposição ao vírus. Os interessados devem fazer contato pelo telefone (55) 99163-6454.

Não poderá participar do estudo: quem já teve Covid-19, mulheres grávidas, pessoas em tratamento oncológico e/ou
alérgicas a paracetamol, a vacinas, entre outros.

Após registrar o interesse em fazer parte do estudo, o participante deve aguardar mensagem por whatsApp, quando será
marcada a primeira consulta presencial com a equipe de estudos. Ele será monitorado pelo período de um ano e terá que comparecer a, pelo menos, seis consultas. A primeira é a mais longa, dura cerca de 3h. Nesse dia, o participante irá assinar o termo de consentimento, além de fazer a anamnese (entrevista clínica), a coleta de sangue e verificar os sinais vitais, antes de receber a primeira dose da vacina. Após a aplicação, ficará em observação por cerca de 15 minutos.

"A participação no estudo é voluntária e não irá gerar qualquer custo pelo tratamento. Contudo, é preciso ficar claro que é um estudo randomizado. Isso significa que a metade dos voluntários irá receber vacina contra Covid-19 e outra metade - que nem nós médicos nem o paciente saberá - irá receber a vacina para meningite. O sorteio é feito pelo computador",  afirma Alexandre Vargas Schwarzbold, professor de Medicina da UFSM, médico infectologista no HUSM e chefe da Unidade de Pesquisa Clínica (UPC) do hospital.

A segunda dose da vacina será aplicada em 30 dias. Durante 12 meses, o participante será acompanhado por uma equipe
multiprofissional e contatado uma vez por semana. Se o participante apresentar sintomas respiratórios, ele será encaminhado para avaliação.

"Por isso, a quantidade de consultas pode variar. Se o voluntário apresentar febre, tosse seca, dificuldade respiratória, terá que retornar ao hospital para fazer o teste de Covid-19", explica a enfermeira Helena Noal.

O HUSM, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), será o único da Rede Ebserh a participar da pesquisa. No Rio Grande do Sul, além do Hospital Universitário de Santa Maria, participa do estudo o Hospital de Clínicas, de Porto Alegre. Os outros estados envolvidos na pesquisa são: Bahia, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Texto: Assessoria de Comunicação do HUSM

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UFSM - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/como-funcionam-pesquisas-criacao-vacina Sat, 05 Sep 2020 15:46:29 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=6265

Confira as etapas e saiba mais sobre os estudos que buscam imunizar contra a covid-19 

Pandemia, quarentena e expectativas: o novo coronavírus veio para colocar a nossa paciência à prova. A atenção está voltada à comunidade científica e, nossos diálogos cotidianos compreendem a produção de vacinas. A internet vai à loucura: os memes são uma forma bem-humorada para tratar da espera pela cura do novo coronavírus. Contam-se os dias para a descoberta que simbolizará a liberdade para a vida tal como a conhecíamos. A partir dos veículos de informação nos atualizamos sobre os avanços das pesquisas na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Alemanha, na China, na Rússia e no Brasil. Mas afinal, como é o processo para criação de uma vacina? Com mais de 25 milhões de casos e de 859 mil mortes ao redor do mundo, a COVID-19 passou a ser considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma pandemia no início de 2020. A partir disso, a indústria farmacêutica e os centros de pesquisa de todo o planeta entraram em uma grande corrida para descobrir uma forma de proteger as pessoas. Porém, os processos que envolvem a elaboração de uma vacina são rigorosos, principalmente porque existem várias etapas de testes antes que ela chegue ao cidadão.  Isso ocorre para se certificar de que a imunização é eficaz e segura, e torna todo o seu desenvolvimento mais lento, o que, muitas vezes, não combina com a urgência de uma pandemia.

Etapas do desenvolvimento da vacina

As pesquisas são divididas em três períodos, entenda cada um deles:

Etapa 1: Laboratorial

É restrita aos laboratórios e é composta pelas pesquisas iniciais e análises de possibilidades. O agente responsável pela doença é identificado e são ponderadas até centenas de moléculas e métodos para se definir a melhor composição da vacina.

Etapa 2: Pré-clínica

Aqui outros seres vivos começam a serem envolvidos na busca pela cura. Antes, os testes eram feitos in vitro ou com células, e agora são realizados em animais para comprovar os dados obtidos nas experimentações anteriores. Buscam-se animais cujos corpos reajam ao vírus de forma semelhante ao organismo humano. Em geral, são usados camundongos e macacos. Ainda assim, por mais que os resultados sejam encorajadores, não há garantia de que a vacina não cause danos quando aplicada em humanos. É para isso que existe a próxima etapa.

Etapa 3: Clínica

É a mais complexa e mais extensa - quando o produto começa a ser testado em seres humanos. O processo clínico se divide em três fases: Fase 1 – Tem como principal objetivo analisar a segurança do imunizador. São testados poucos voluntários, de 20 a 80 pessoas, geralmente adultos saudáveis. São levados em consideração potenciais efeitos colaterais, intensidade do produto e diferentes dosagens para evitar quaisquer danos. Além disso, já são possíveis algumas observações a respeito da resposta imunológica da vacina.   Fase 2 – Busca entender de maneira mais concreta a eficácia da vacina. Aqui, a quantidade de voluntários testados aumenta e pode chegar a centenas de pessoas. Os pesquisadores já têm conhecimento de dados importantes, como dosagem e efeitos colaterais esperados, por isso, o grupo a ser testado se torna mais heterogêneo, com pacientes considerados de risco. Para melhor análise da resposta imunológica, muitas vezes são utilizados grupos de controle – medicados apenas com placebo. Isso ajuda a observar de forma mais detalhada a eficácia da vacina e a reação do organismo a ela. Ainda são considerados apontamentos na sua segurança - como possíveis efeitos colaterais mais raros, que não apareceram durante a primeira fase de testes, e podem resultar em um ajuste na dosagem. Fase 3 – Avalia a eficiência e a segurança da vacina no público-alvo. A testagem envolve milhares de pessoas e as análises são levantadas a partir da observação da vacina no mundo real, ou seja, é esperado que os voluntários se exponham ao vírus para entender a eficácia do produto. Aqui, o uso do placebo é essencial para comparação dos resultados dos dois grupos. Para isso, existe um sistema chamado “duplo-cego”, no qual nem o cientista nem o voluntário sabe se a aplicação é da vacina ou do composto ineficaz. Assim, não há nenhuma mudança de comportamento que possa afetar os resultados. A exposição ao vírus deve acontecer por conta própria - por esse motivo, a terceira fase pode durar anos. Assim, os pesquisadores costumam procurar áreas de maior incidência da doença, com maiores riscos de contágio. Só após esta etapa e a aprovação dos órgãos regulatórios, ocorre a fabricação da vacina em maior escala, seguida pela distribuição. Mesmo depois de aprovada, segue em constante avaliação e observação.

Duração de pesquisa e produção do imunizador

É importante ressaltar que em relação aos processos de pesquisa para a vacina da COVID-19, não há demora. A comunidade científica está a todo vapor para achar resultados eficazes no desenvolvimento dessa imunização. A verdade é que essas pesquisas costumam levar anos, sem nem considerar o tempo de produção. No caso da Sars-CoV-2, o que acontece é que muitos processos foram radicalmente encurtados, graças a pesquisas prévias em estágio avançado sobre doenças como Sars e Mers - causadas por outras versões do coronavírus. Para as fases clínicas, em especial a 3, tem sido primordial a aplicação em ambientes com grande incidência da doença, para resultados mais rápidos e eficientes. É por isso que o Brasil tem sido um país escolhido para testes. Além disso, segundo o epidemiologista e supervisor do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da UFSM, Ricardo Heinzelmann, um fato importante tem sido a prioridade dos investimentos governamentais e privados no âmbito da saúde: “O ritmo de alocação de recursos públicos e privados de diversos países para desenvolvimento da vacina para COVID-19 impressiona. Orçamentos foram rapidamente revisados para que equipes de pesquisadores em diversas partes do mundo se dedicassem ao desenvolvimento desta vacina. Também o ritmo de celebração de acordos de cooperação técnicas internacionais entre instituições governamentais e não governamentais, com assinaturas praticamente imediatas de acordos ao passo de cada nova fase das vacinas”.  Porém, o especialistas alerta que o rigor científico precisa ser mantido para que os processos não sejam atropelados em nome das demandas mundiais. Apesar de grande repercussão e expectativas mundiais, recentemente o diretor executivo da OMS, Michael Ryan, afirmou que o fato de uma candidata à vacina para a COVID-19 chegar à fase 3 não significa que ela esteja “quase lá” para ser utilizada. “A fase 3 não significa ‘quase lá’. Significa que é a primeira vez que a vacina será aplicada na população em geral, em indivíduos saudáveis, para ver se ela os protegerá”, enfatizou. “Agora, é uma corrida para a vacina comprovar que é eficaz em um grande número de pessoas ao longo do tempo”, complementou.

Vacinas para Sars-CoV-2 e seus métodos

No contexto de acelerada busca pela vacina do novo coronavírus, são exigidos determinação e esforços internacionais. Isso promove uniões entre pesquisadores, laboratórios e nações - o que resulta em uma superação de obstáculos em conjunto. O fato é algo extremamente positivo na medida que proporciona diferentes análises acerca do problema. No sentido das pesquisas ao redor do globo, isso se representa de uma maneira mais concreta com a diversificação de metodologias utilizadas nas vacinas. Cada laboratório tem sua aposta, baseada em conceitos como eficiência, segurança, dosagem e velocidade. O último, porém, é o mais desafiador nessa conjuntura de pandemia, que demanda uma rapidez sem precedentes na busca de uma vacina. A consequência é o uso de métodos não tão convencionais e, muitas vezes, inovadores. Entenda sobre como podem ser classificados:

Corrida pelo protagonismo da cura do novo coronavírus

O que podemos afirmar é que nunca tivemos tantos recursos e uma ciência tão avançada para superarmos uma pandemia. Grandes investimentos e trabalho coletivo proporcionam o avanço nas pesquisas mundiais. É assim que já se apresentam opções promissoras na busca pela imunização do vírus. Atualmente, estão em desenvolvimento pelo menos 165 vacinas para o novo coronavírus, das quais, 34 estão nas etapas clínicas das testagens, segundo o relatório da OMS, de 3 de setembro. Delas, pelo menos sete já estão na fase 3.  A liderança é acirrada, porém o Reino Unido se classifica em primeiro lugar com a Vacina da Universidade de Oxford, apoiada pela farmacêutica AstraZeneca,  como anunciado pela OMS no final de julho. Com a metodologia a partir de vetores virais, é baseada em um adenovírus causador de resfriado, alterado com material genético do Sars-Cov-2. Os pesquisadores anunciaram recentemente que a vacina “é segura e produz resposta imune”. Os Estados Unidos também estão na corrida com dois desenvolvimentos principais: a Moderna/NIAID e a BioNTech/Pfizer, em parceria com a Alemanha. Em fase 3, as duas pesquisas utilizam o método de RNA na busca pela imunização. A que está em testes pelo laboratório da Moderna Inc., com apoio do  Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, já recebeu quase 1 bilhão de dólares em investimentos daquele governo e apresentou, em julho, bons resultados na produção de anticorpos em 45 voluntários. A fase 3, que se iniciou no final de julho, deve contar com cerca de 30 mil participantes nos Estados Unidos.  Já a iniciativa dos laboratórios Pfizer (americana) e BioNTech (alemã) não representa uma parceria inédita – os dois já haviam trabalhado juntos no desenvolvimento de vacinas baseadas em RNA para a prevenção de influenza em 2018. O resultado da recente parceria foi apresentado no estudo publicado na revista “Nature”, referente às fases 1 e 2. Segundo o texto, a vacina BNT162b1, induziu boa resposta imune e não teve efeitos colaterais graves nos voluntários adultos.  A China participa com outras três vacinas, que são respectivamente do Instituto Biológico de Pequim e Instituto Biológico de Wuhan/Sinopharm, da empresa Sinovac e do Cansino Biologics INC. As duas primeiras são elaboradas a partir de vírus inativado e a última utiliza o mesmo método da vacina de Oxford. Os testes realizados até o momento pela Sinopharm geraram resposta imunológica após duas doses e não causaram nenhum efeito colateral grave, segundo estudo publicado no periódico "Journal of the American Medical Association" (JAMA). A empresa realiza agora testes em estágio avançado fora do país, com destaque nos Emirados Árabes Unidos, com cerca de 15 mil voluntários – já que a China não tem casos novos suficientes para ser um local de testes útil. A Sinovac também já divulgou seus resultados da fase 2, porém em uma publicação sem revisão de outros especialistas. Segundo o estudo, feito com cerca de 600 participantes, não houve efeitos adversos preocupantes e 90% dos pacientes desenvolveram a resposta imune. A vacina está em testagem internacional. Por fim, a Cansino Biologics foi testada em cerca de 500 pessoas em Wuhan. Anunciada como segura e geradora de resposta imune em julho, em uma publicação na revista The Lancet. Mesmo assim, os voluntários ainda não teriam sido expostos ao novo coronavírus para checar a imunidade contra a COVID-19. Essa foi a primeira vacina chinesa a realiza testes em humanos, em março, porém as outras concorrentes – como a Sinovac e a Sinopharm - a ultrapassaram na transição para a fase 3. O produto, primeiro patenteado pelo governo chinês, está no processo de testes internacionais. Por último, a Rússia é outro país que integra a participação na corrida pela vacina contra o novo coronavírus. Chamada de Sputnik V, a imunização faz referência à corrida espacial entre a Rússia e os Estados Unidos na Guerra Fria. Sputnik I foi o primeiro satélite a orbitar a Terra, lançado pelos soviéticos em 1957.  O presidente, Vladimir Putin, anunciou no início de agosto o registro da vacina contra o coronavírus. Porém, isso tem sido motivo de questionamento e polêmica entre diversos especialistas. A pesquisa, que teve caráter militar, foi custeada por 4 bilhões de rublos - o equivalente a R$300 milhões - pelo Fundo de Investimento Direto da Rússia e é desenvolvida pelo Instituto Gamaleya. A polêmica se relaciona com o seu cunho extremamente secreto, em colaboração direta do Ministério de Defesa Russo. O que muitos especialistas criticam é o fato de, após o término da fase 1, os russos terem pulado diretamente para a fase 3 - e ao invés de fazerem amplos testes, querem começar a vacinação em massa e acompanhar os resultados. Ainda assim, o país não precisaria da aprovação da OMS para registrar a vacina – só o que acontece é que as entidades costumam pedir uma pré-qualificação, como um selo de qualidade da organização. No dia 4 de setembro foi publicada pela revista Lancet a pesquisa que a classifica como segura e eficaz. A vacina russa estaria no processo das que estão em testes no Brasil. Entenda mais sobre isso a seguir. 

Brasil no epicentro dos testes

O Brasil é um dos países mais afetados pelo novo coronavírus: está em 2º lugar no ranking da Covid-19, com mais de 3 milhões de casos e 122 mil mortes. Esse é o principal fator que nos torna um lugar para as testagens clínicas de vacinas em fase 3. Atualmente, são quatro vacinas em vigência de testes no nosso território. A vacina de Oxford/AstraZeneca, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz; a Sinovac, da China, em conexão com o Instituto Butantan; a Pfizer/BioNTech, com testes em São Paulo e Salvador; e a Jansen-Cilag, da farmacêutica americana Johnson & Johnson, ainda em fase 2 (vetor viral não-replicante), foi aprovada pela Anvisa para a realização de testes clínicos de fase 3 no Brasil. O governo do Paraná também estaria no processo de acordo com a vacina Sinopharm e Sputnik V. Em relação à aquisição após o encerramento dos testes, segundo Ricardo Heinzelmann, preocupa o fato do custo unitário ser elevado. “Podemos ter no Brasil o cenário de aquisição para as camadas sociais da população de maior poder de compra, adquirindo direto no setor privado, e uma importante parcela da sociedade sem condição de compra ter atraso no recebimento desta vacina por falta de orçamento do poder público”, alerta. Nesse sentido, o especialista salienta a importância de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), o qual garante que a situação brasileira não seja pior, além de ser o responsável por lidar com quaisquer problemas em relação à vacina posteriormente à distribuição – como já ocorreu antes. “Temos um governo federal que não conduz de forma adequada toda esta situação. Não há um plano nacional construído de forma intersetorial e em colaboração com estados e municípios para enfrentamento à pandemia. Não há um conjunto de ações articuladas de políticas das áreas de assistência social, educação, saúde, emprego e renda, coordenadas pelo governo”, destaca. Segundo Heinzelmann, a pandemia demonstrou que emergências de saúde pública podem afetar a economia mundial e uma das principais consequências disso é a revisão de orçamentos voltados para o estímulo à pesquisa no campo de infectologia e virologia. Estímulos esses, que em conjunto a uma fala clara por parte das autoridades nacionais – ao enfatizar medidas de proteção e distanciamento – e investimento na rede pública de saúde, teriam salvado muitas vidas. A corrida pelas vacinas continua e o futuro é incerto. Mas a esperança fica de que, após essa pandemia, ocorra uma mudança de conceitos em toda a sociedade. Expediente Repórter: Esther Klein, bolsista de Jornalismo Ilustradora: Beatriz Dalcin, bolsista de Publicidade e Propaganda Mídia Social: Nathalia Pitol, bolsista de Relações Públicas Editora de Arte: Marcele Reis, bolsista de Publicidade e Propaganda Editora de Produção: Melissa Konzen, bolsista de Jornalismo Editor Chefe: Maurício Dias, jornalista]]>