Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com Universidade Federal de Santa Maria Mon, 12 Sep 2022 22:43:49 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com 32 32 Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2022/09/12/ufsm-vai-contar-com-o-primeiro-laboratorio-do-interior-do-rs-com-nivel-de-biosseguranca-3 Mon, 12 Sep 2022 22:43:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=59657
Um dos principais equipamentos no interior do laboratório é a cabine de biossegurança, que é onde os pesquisadores vão manipular as amostras

Desde que o mundo foi pego de surpresa pela pandemia de Covid-19, buscam-se respostas sobre o modo de contaminação do novo coronavírus (Sars-Cov-2), de como ele provoca a síndrome respiratória aguda grave e, principalmente, de formas eficazes de tratamento e profilaxia. Com a criação do Laboratório de Nível de Biossegurança 3 (NB-3) de Neuroimunologia, que vai começar a funcionar em breve, a UFSM dá um passo adiante para que seus pesquisadores possam buscar por si próprios, e de forma segura, respostas satisfatórias para esses questionamentos. Este é o primeiro laboratório com a classificação NB-3 do interior do Rio Grande do Sul. Além do novo coronavírus, o laboratório também oferece condições para a pesquisa de outros microrganismos que causam doenças potencialmente letais, incluindo vírus que provocam doenças como a Aids, febre amarela, gripe A, dengue, Zika e Chikungunya e bactérias como o bacilo de Koch (causador da tuberculose).

O laboratório localiza-se no prédio 15B do campus sede da UFSM. De acordo com a sua coordenadora, professora Micheli Mainardi Pillat, a ideia de adaptar um laboratório do prédio para o nível NB-3 surgiu ainda no início da pandemia. Ela relata que, quando professores e acadêmicos dos programas de pós-graduação em Farmacologia e Ciências Farmacêuticas começaram a fazer pesquisas com o novo coronavírus (contando com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul – Fapergs), aproximadamente 60% do trabalho tinha de ser feito em Porto Alegre, em um laboratório da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), já que a UFSM não dispunha de um laboratório no qual se pudesse trabalhar com a cultura do vírus.

Esses programas de pós-graduação da UFSM já tinham o espaço físico e alguns dos equipamentos necessários para a instalação de um laboratório NB-3, como um ultrafreezer com capacidade de resfriamento de – 80 ºC e uma autoclave de barreira (usada para a esterilização de materiais). As adaptações foram realizadas pela empresa Biosafe Biossegurança Brasil, especializada no projeto e construção desse tipo de laboratório e que foi também responsável pelo treinamento dos professores, técnicos e alunos que vão atuar no Laboratório NB-3 Neuroimunologia.

Entrada – No laboratório NB-3, é permitida somente a entrada de um número restrito de pesquisadores e técnicos autorizados, e para os quais a porta somente abre por meio da verificação por sensor biométrico. O espaço é aberto apenas para a entrada e saída das pessoas autorizadas e das amostras em pesquisa. E, para isso, existe um protocolo complexo que precisa ser rigorosamente obedecido.

Antes de uma pessoa entrar no laboratório NB-3, ela tem de passar por duas antecâmaras. A primeira delas (também conhecida como “antecâmara limpa”) é para a higienização das mãos e para vestir o equipamento de proteção individual (EPI), que inclui máscara PFF 2 ou N 95, máscara face shield, macacão, avental, luvas, óculos de proteção, calçados de segurança e propés. Como essas peças são todas descartáveis, e podem ser usadas somente uma vez, sempre que uma pessoa sai do laboratório deve despir o EPI na segunda antecâmara – também conhecida como “antecâmara suja”, pois recebe os pesquisadores e técnicos após saírem do laboratório.

Para alguém entrar no laboratório, tem de atravessar três portas – localizadas entre o corredor do prédio e a primeira antecâmara; entre a primeira e a segunda antecâmara; e entre a segunda antecâmara e o interior do laboratório. As três portas funcionam por sistema de intertravamento, ou seja, para abrir uma delas, é necessário que as outras duas estejam totalmente fechadas.

No final de julho, os professores, técnicos e alunos que vão atuar no laboratório passaram por um treinamento, que incluiu a manipulação do display onde constam as condições de pressão, temperatura, umidade e renovação do ar

Ar, pressão, temperatura e umidade – No corredor do prédio, ao lado da porta de acesso à “antecâmara limpa”, há um medidor analógico para o controle da pressão no seu interior; logo abaixo, está um display digital que – além da pressão no interior do laboratório e das duas antecâmaras – informa também condições como temperatura, umidade e renovação do ar no interior desses recintos.

Tanto o laboratório como as duas antecâmaras têm um sistema de pressurização que garante que a pressão seja negativa no interior desses recintos. Esse é um expediente importante para obstruir a saída e propagação dos vírus e bactérias pesquisados no laboratório. Isso porque um ambiente com pressão menor “suga” o ar quando se comunica a um ambiente com pressão maior. Por isso, a cada porta que se abre para entrar no laboratório, a pressão decai gradativamente. Na primeira antecâmara, ela é de – 10 Pa; na segunda, é de – 20 Pa; por fim, dentro do laboratório, a pressão é de – 40 Pa.

A pressurização desses ambientes é sustentada por um sistema centralizado e duplicado de condicionamento, exaustão e renovação do ar, para cujo funcionamento foi necessária a construção de uma verdadeira “casa de máquinas” no lado de fora. Além de realizar 27 trocas de ar por hora dentro do laboratório, fica a cargo desse sistema a manutenção da temperatura ambiente em cerca de 20 ºC e a umidade relativa do ar em aproximadamente 65%. A duplicação do sistema de ar é necessária para, no caso de falha no ar-condicionado principal, um outro de reserva entrar em operação. O laboratório também é protegido contra quedas de energia elétrica, pois está conectado a um gerador no lado de fora do prédio. E, para o caso de uma eventual emergência, foi instalado um sistema de alarme.

Dentro do laboratório – O protocolo de segurança exige que, sempre que um pesquisador ou técnico entrar no laboratório, precisa estar acompanhado de pelo menos dois auxiliares – um dentro e outro do lado de fora do recinto. Caso o pesquisador necessite de algo que não esteja no laboratório, o auxiliar que fica de sobreaviso na parte externa pode levar até ele utilizando-se do pass through, que consiste em uma pequena caixa para passagem de materiais, comunicando o interior com o exterior do laboratório.

Além da cabine de biossegurança (à esq.), um dos principais equipamentos com os quais o laboratório conta é a autoclave de barreira (à dir.), que serve para a esterilização de materiais

Entre os principais equipamentos que ficam dentro do laboratório (em uma área de aproximadamente 35 m2), além de alguns já mencionados (como a autoclave de barreira e o ultrafreezer de – 80 ºC), um dos principais é a cabine de biossegurança, que é onde os pesquisadores vão manipular as amostras. Com uma capacidade de recirculação de 70% do ar em seu interior e de filtragem dos outros 30%, essa cabine tem como finalidade obstruir a contaminação dos agentes biológicos manipulados e a sua propagação para fora desse equipamento.

O laboratório conta também com uma estufa, uma centrífuga, um microscópio ótico, uma geladeira e um computador para registrar os resultados das pesquisas. Outra adaptação importante no interior do laboratório foi a colocação de cantos arredondados entre a parede e o piso, para evitar o acúmulo de sujeira. Para o laboratório entrar em funcionamento, falta somente a instalação de uma bancada de aço inox.

Treinamento e amostras – Além do projeto e construção do Laboratório NB-3 Neuroimunologia, a empresa Biosafe foi também responsável pelo treinamento dos pesquisadores que vão atuar nele. Realizado de 25 a 27 de julho, o treinamento na UFSM foi ministrado para 10 pessoas (entre professores, servidores técnico-administrativos e alunos) pela pesquisadora Camila Pereira Soares. Ela é doutoranda em Microbiologia na Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação do professor Edison Luiz Durigon, que é um dos principais virologistas do país.

Durigon e sua equipe foram os primeiros no Brasil a isolar o novo coronavírus em laboratório. Também foram responsáveis por cultivar o vírus e enviar amostras inativas para vários laboratórios da rede de vigilância sanitária, para serem usadas como material de controle em testes do tipo PCR. Os cultivos de vírus realizados pela equipe de Durigon também têm abastecido laboratórios NB-3 de todo o país com amostras vivas do novo coronavírus. Isso inclui o laboratório da UFSM, que receberá em breve amostras de três cepas: a de Wuhan (causadora da primeira onda de Covid-19), a P1 (responsável por um surto significativo da doença que teve Manaus como epicentro) e a ômicron (variante de preocupação com alta disseminação identificada no final de 2021).

Texto: Lucas Casali

Fotos: Luis Ferraz

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Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/12/03/palestra-vai-abordar-as-perspectivas-e-o-futuro-do-campus-de-palmeira-das-missoes-pos-pandemia Fri, 03 Dec 2021 19:54:43 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=57407 Na próxima terça-feira (7), às 19h, o professor Rafael Lazzari ministra a palestra “Perspectivas e o futuro do 55BET Pro Palmeira das Missões pós-pandemia”, a qual integra a programação do aniversário de 15 anos do campus.

Docente do Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas, Lazzari é ex-diretor do campus. Em sua palestra, ele vai abordar as perspectivas de crescimento do campus neste cenário pós-pandemia, inserções no mercado de trabalho e sociedade.

Aberto à comunidade acadêmica e público em geral, a palestra será transmitida pelo canal do Youtube UFSM 55BET Pro Palmeira das Missões.

Com informações da Assessoria de Comunicação do 55BET Pro de Palmeira das Missões

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Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/11/25/conferencia-na-jai-abordou-desafios-para-o-tratamento-e-vacinas-contra-a-covid-19 Thu, 25 Nov 2021 22:29:41 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=57306
Professora da USP Anna Sara Levin foi a palestrante

O quarto dia de programação da 36ª Jornada Acadêmica Integrada (JAI) iniciou com a palestra plenária intitulada “Covid-19: desafios de tratamento e vacinas”, que teve a presença da professora Anna Sara Levin, do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). A transmissão, feita pelo Youtube, contou com uma manifestação inicial proferida pela professora coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da UFSM, Clarice Rolim. O evento teve duração de uma hora e 10 minutos e encerrou com uma intervenção artística.

A apresentação da professora Anna Sara Levin foi dividida em duas partes. A primeira foi para explanação de pesquisas realizadas durante este período de pandemia em pacientes com o vírus da Covid-19 e seus possíveis tratamentos. A segunda parte contou com dados sobre as vacinas, a eficácia destas e possíveis problemáticas com as diferentes variantes.

Ao início da primeira parte, Levin explica as fases da doença, sendo uma a fase viral e a outra a resposta inflamatória. O estudo base para essa explanação busca entender os impactos de determinadas medicações nas pessoas e na saúde pública, a fim de facilitar o atendimento e desobstruir os sistemas de internações. O modelo matemático é dividido em cinco categorias com diferentes estágios da doença e medicações para cada etapa. Questionada sobre a última categoria (a mais leve da doença) – quanto à duração do contágio, a pessoas expostas sem desenvolvimento da doença, e à utilização das medicações nestas pessoas –, a professora explica que não se tem um tratamento específico, eficaz e relativamente barato para estes casos a não ser as vacinas. Além disso, a professora apresentou as drogas ainda em fase de pesquisas desenvolvidas pela Merck e Pfizer.

Durante o segundo momento da apresentação, Levin falou da importância das vacinas em hospitalizações e transmissões. Apresentou as vacinas disponíveis, sua eficácia comprovada e a ação de cada uma delas em determinadas variantes. Ademais, explanou a adesão da vacinação a nível mundial e ressaltou o fato de o nosso país estar em evidência nos três momentos de um estudo sobre o comprometimento das pessoas com a vacinação, mesmo em uma época em que as vacinas contra a Covid-19 ainda não estavam disponíveis. Após isso, a professora apresentou dois exemplos de eficiência de vacinação durante a pandemia: um no Hospital das Clínicas de São Paulo e o segundo na cidade de Botucatu (SP).

Ao fim da palestra, o espaço foi aberto para perguntas. Indagada sobre a quarta onda de Covid-19 nos países europeus e sobre qual a eficácia das vacinas nestes casos, a professora relata que provavelmente nestas situações são muitas coisas envolvidas. “Neste caso deve haver um movimento antivacina razoável, uma vacina que não tenha uma imunidade duradoura (ao longo do tempo perde sua imunidade), a presença de variantes muito mais transmissíveis e o relaxamento das medidas não farmacológicas. Um movimento para abandono de uso de máscaras, por exemplo”, relatou a professora. A palestra foi encerrada pela docente Clarice Rolim agradecendo a presença e explanação de Anna Sara Levin.

Texto: Letícia Almansa Klusener, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Lucas Casali

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Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/11/24/o-comunitarismo-como-forca-social-no-brasil-pandemico-foi-tema-de-conferencia-na-jai Wed, 24 Nov 2021 23:08:54 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=57285
Raquel observa a existência de dois tipos de coletivos: os que já existiam e os criados durante o período da pandemia

Na tarde desta quarta feira (24), foi apresentada a palestra temática intitulada “O comunitarismo como força social no Brasil pandêmico”, conduzida pela professora Liliane Dutra Brignol, do Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM, e ministrada pela professora Raquel Paiva, do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O objetivo foi apresentar o comunitarismo como estrutura social e a comunicação comunitária com sua atuação nos espaços periféricos. Tudo isso diante da inação das instituições governamentais desde março de 2020, quando a pandemia da Covid-19 era a responsável por 15 mil desempregados e 27 mil pessoas abaixo da linha da pobreza.

Objeto de estudo e trabalho da professora desde 1992, grande parte da apresentação foi direcionada às comunidades, citando inicialmente o teórico fundador da temática, o sociólogo alemão Ferdinand Tönnies, que traça um paralelo entre gemeinschaft (comunidade) e gesellschaft (sociedade) e explora três formas de comunidades: consanguínea, territorial e de espírito. Outro autor abordado foi o italiano Roberto Esposito, que trabalha com a origem da palavra comunitas, reforçando a pertinência desse conceito.

Cidadania, solidariedade e inclusão social foram conceitos abordados por Raquel, que definem a comunicação comunitária. “A questão da comunidade é tão antiga porque ela traz consigo a própria relação dos seres humanos com os outros e, consequentemente, a natureza dessa relação”, explica. No Brasil, com a chegada da Covid-19 no ano de 2020, foi registrado o surgimento de inúmeros coletivos através do impacto global causado pela pandemia, principalmente em ambientes com disparidade social e econômica e descaso governamental.

Esses coletivos – adaptados no contexto de cada cidade – realizaram campanhas educativas e levaram informações científicas através de parceria com universidades e a Fundação Oswaldo Cruz. Raquel ainda destaca o descaso do governo, que durante o período pandêmico foi responsável pelo compartilhamento de diversas fake news para a população. E ela ainda salienta a importância da mídia durante esse processo, que foi responsável por mostrar números de mortos e infectados diariamente no país, o que não seria feito pelo Governo Federal.

Muito além da informação e educação, os coletivos foram responsáveis pela distribuição de máscaras, álcool em gel, sabão e água. Em alguns casos, até a instalação de pias coletivas em espaços empobrecidos. Com o agravamento da crise sanitária, econômica e a tímida ação pública, foi iniciado o procedimento de oferecer dinheiro para o pagamento de contas de água, luz e gás. Eles ainda foram os responsáveis por fornecer cestas básicas para aqueles sem condições de comprar alimentos.

Raquel conta sobre a pesquisa que está sendo desenvolvida na cidade do Rio de Janeiro, onde os coletivos estão sendo mapeados, entrevistas estão sendo realizadas e as atividades estão sendo acompanhadas. Apesar de estar em andamento, alguns elementos já podem ser observados. Foram observados dois tipos de coletivos: os que já existiam e os criados durante o período da pandemia. Todos eles estão conectados a um território específico na cidade. Em favelas maiores, existe mais de um coletivo atuando na região.

Por fim, ela ainda acrescenta que é importante destacar que esses grupos são formados por voluntários das próprias localidades onde atuam, e também reforça que as redes sociais assumem um grande papel ao conectar os coletivos, estejam eles em qualquer parte do mundo. Esses movimentos têm conseguido atuar não só em questão da pandemia, mas também em questões como violência policial, violência de gênero e defesa da infância.

Esses e outros diversos tópicos foram apresentados durante a palestra, que na sua parte final foi direcionada para a realização de perguntas e leitura de comentários dos espectadores. A transmissão foi feita pelo canal da JAI no Youtube, onde a gravação na íntegra está disponível.

Texto: Vitória Faria Parise, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Lucas Casali

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Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/10/07/professoras-ufsm-e-ufpel-realizam-pesquisa-para-avaliar-saude-mental-durante-a-pandemia Thu, 07 Oct 2021 20:20:30 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=56868 A pesquisa intitulada “Pandemia de Covid-19 no Brasil: avaliação de estados emocionais, cotidianos e dispositivos virtuais de ajuda e suporte mútuo à população” é coordenada pelas professoras Éllen Cristina Ricci, do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e Tatiana Dimov, do Departamento da Terapia Ocupacional da UFSM. Qualquer pessoa acima de 18 anos que more no Brasil pode participar da pesquisa. Basta preencher o formulário on-line, que inclui questões quanto à escala de ansiedade, depressão e estresse.

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Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/07/30/grupo-pallind-lanca-vocabulario-tematico-digital-da-pandemia-nesta-segunda-feira Fri, 30 Jul 2021 05:09:59 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=56406 O Grupo de Estudos Palavra, Língua e Discurso (Pallind) vai lançar na próxima segunda-feira (2) o Vocabulário da Pandemia do Novo Coronavírus, que será disponibilizado on-line no Observatório de Informações em Saúde da UFSM. O lançamento será transmitido ao vivo a partir das 9h no canal do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) no Youtube, contando com a presença dos pesquisadores do projeto e representantes das instituições parceiras. A ideia de criar o vocabulário partiu de uma proposta de contribuição da área das ciências humanas e, de modo especial, dos estudos da linguagem na compreensão e enfrentamento da situação pandêmica do novo coronavírus.

A iniciativa faz parte do projeto intitulado “A história das palavras e a dicionarização: ditos e não-ditos em tempos de pandemia no Brasil do século 21”, coordenado pela professora Verli Petri (bolsista de produtividade PQ 2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), docente do Departamento de Letras Vernáculas da UFSM. Contando com participação de 26 pesquisadores, o projeto tem a colaboração das seguintes instituições parceiras: institutos federais Farroupilha (IFFar) e de Santa Catarina (IFSC), universidades federais da Fronteira Sul (UFFS), do Paraná (UFPR) e do Pampa (Unipampa), Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó) e Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI).

Visando à ampla consulta pública, à instrumentalização dos leitores brasileiros e à divulgação linguístico-científica, o vocabulário é constituído nesta primeira fase por 16 verbetes – a previsão é que ao final sejam 40. As definições foram elaboradas a partir de pesquisas em sites de notícias e comparadas com o que está posto nos dicionários, vocabulários e glossários disponíveis na web. Dentre os verbetes que serão disponibilizadas nesse primeiro momento, destacam-se “coronavírus”, “distanciamento social”, “colapso”, “imunização”, “ensino remoto”, “luto”, “medo”, “sobrevivente”e “vacina”, entre outros.

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Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/06/22/pos-em-comunicacao-promove-live-sobre-saude-mental-nesta-quinta-feira Tue, 22 Jun 2021 22:53:57 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=56111 “Mantendo a cabeça no lugar em tempos de trabalho e estudo remoto” é o tema da live que terá como convidado o professor Vitor Crestani Calegaro nesta quinta-feira (24). A transmissão será pelo canal do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Poscom) da UFSM no YouTube e tem previsão de uma hora de duração, com início às 15h. A mediação ficará a cargo da doutoranda Juliana Motta.

Fruto de mais uma parceria entre a Representação Discente, a Comissão de Publicização, o projeto Poscom Juntes em Casa e a Coordenação do Poscom, a atividade prevê uma sessão de perguntas da audiência com resposta ao vivo pelo professor. Estudantes do Poscom também serão convidados a enviar seus questionamentos antecipadamente, ao longo desta semana.

Vitor Calegaro é professor adjunto do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM, atua como médico psiquiatra na Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed) e é coordenador do programa de pesquisa, ensino e extensão CovidPsiq, com foco na saúde mental durante a pandemia de Covid-19. No Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), ele criou e coordena o Programa de Acompanhamento às Vítimas de Violência (Provivi). Coordena, também, o Ambulatório de Psiquiatria do Centro Integrado de Atendimento a Vítimas de Acidentes (Ciava), inicialmente criado para atendimento das vítimas do incêndio da boate Kiss, além de coordenar o atendimento psiquiátrico do Ambulatório Pós-Covid, dedicado ao tratamento da síndrome pós-terapia intensiva, e o Programa de Residência Médica em Psicoterapia.

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Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/05/25/ufsm-convida-voluntarios-para-testes-de-uma-nova-vacina-contra-a-covid-19 Tue, 25 May 2021 17:10:18 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=55887 A UFSM iniciará em breve o teste clínico da vacina da empresa chinesa Sichuan Clover Biopharmaceuticals Inc, autorizada em abril deste ano. Assim, a Universidade abre o convite para voluntários acima de 18 anos que não tenham contraído a Covid-19 até o momento. 

O coordenador do estudo na UFSM será o médico infectologista Alexandre Vargas Schwarzbold, chefe da Unidade de Pesquisa Clínica do HUSM-EBSERH. Ele também esteve à frente dos testes da vacina Oxford/AstraZeneca no último ano.

 

Como participar?

  • Preencha o formulário presente neste link 

Lembrando que o preenchimento do formulário não garante a participação na pesquisa, apenas a inscrição. Ao término do estudo, os dados de todos os participantes serão deletados, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais

Como funcionarão os testes?

  • Todos os voluntários farão parte de um sorteio e serão divididos em dois grupos. 
  • Uma parte receberá a vacina em duas doses. A outra, chamada de grupo controle, receberá um placebo. 
  • Ao final da pesquisa, estimada em 13 meses depois do começo, será revelado de qual grupo o voluntário faz parte.

 

A pesquisa está na fase 2 de 3. Nela, o objetivo é avaliar a sua eficácia, incluindo a capacidade de gerar resposta imune e avaliar a sua segurança.  Os testes serão realizados em pelo menos mais cinco países: África do Sul, Bélgica, China, Espanha, Polônia e Reino Unido.

 

Assessoria de Comunicação do Gabinete do Reitor

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Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/05/21/covidpsiq-conheca-os-resultados-finais-da-pesquisa-sobre-saude-mental-na-pandemia Fri, 21 May 2021 19:33:16 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=55853 Na tarde da quinta-feira (20), a UFSM realizou a live “Saúde mental: resultados finais da pesquisa CovidPsiq”. O coordenador do projeto Covid Psiq, o médico psiquiatra e professor do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM, Vitor Crestani Calegaro, apresentou os resultados finais da pesquisa sobre os impactos da pandemia na saúde mental do país.

O projeto, denominado oficialmente como “Monitoramento da evolução da sintomatologia pós-traumática, depressão e ansiedade durante a pandemia de COVID-19 em brasileiros”, começou ainda em abril de 2020. O objetivo do projeto foi avaliar o impacto emocional da pandemia, tendo em vista que tanto o contexto pandêmico quanto o isolamento social trazem grandes impactos, como a solidão, os problemas financeiros e sobrecarga de trabalho. Estas situações podem levar a consequências graves na vida das pessoas, como o aumento do consumo de substâncias, a violência doméstica e até a ideação suicida. A pesquisa foi feita em quatro etapas, cada uma com um questionário online e aberto ao público, com foco em diferentes áreas. Cerca de 6100 pessoas, entre estudantes, docentes, profissionais da saúde e população brasileira em geral com mais de 18 anos,  participaram como voluntários.

O projeto é desenvolvido pela Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed) da UFSM, e conta com uma equipe de mais de 70 pessoas, entre médicos psiquiatras, psicólogos, professores, residentes e alunos de graduação e pós-graduação, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Franciscana (UFN) e Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Durante a live, o reitor da UFSM, professor Paulo Afonso Burmann, relembrou da importância dessa pesquisa para colocar em prática ações em prol da saúde mental. “Essa parceria vem mostrar para nós, além de um diagnóstico da situação, uma sinalização de possíveis caminhos ou medidas que devemos nós, como gestores e gestoras públicas, adotar, no sentido de mitigar os efeitos de quaisquer alterações que possam ser apresentadas nesse cenário em relação à saúde mental”, afirmou. 

Os resultados

De acordo com os dados expostos durante a transmissão, 75% dos voluntários são mulheres e 25% são homens. Do total, 50,4% têm idades entre 18 e 29 anos. Entre os participantes, 1175 são estudantes da UFSM, 911 estudantes de outras instituições. Dentre o total de estudantes, 61,1% estão em graduação e 38,9 em pós-graduação. Ainda teve a participação de 94 estudantes moradores da residência estudantil da UFSM.

Cerca de 70% dos estudantes concordam, totalmente ou parcialmente, com a afirmação de que sentem que a instituição fornece amparo necessário para os estudos. Cerca de 30% dos estudantes precisam trabalhar fora para manter o seu sustento. A análise estatística da pesquisa mostrou que quanto menor a idade, maior foi o número de participantes com sintomas de depressão, ansiedade, estresse, estresse pós-traumático e alcoolismo e que estudantes apresentaram mais sintomas de estresse pós-traumático e depressão do que a população em geral. Com esses dados é possível perceber que a assistência estudantil e a compreensão oferecidas pela universidade são essenciais para atenuar esses sintomas, mesmo em estudantes que enfrentam jornadas duplas de trabalho e estudo.

O projeto

O projeto Covid Psiq desenvolve, além da pesquisa, atividades de ensino e extensão. Durante o ano foram realizadas lives semanais com convidados, em sua maioria especialistas, levando ao público discussões sobre tópicos relevantes ligados à saúde mental. Em 2020 também foi realizado o primeiro Fórum Latinoamericano de Saúde Mental na Pandemia, que tinha como objetivo compartilhar estudos e criar redes colaborativas de estudos sobre o tema na América Latina. O evento teve a participação de mais de 700 pesquisadores, estudantes e profissionais da saúde. Ainda está em curso atividades de ensino para capacitação de especialistas e profissionais em geral, para lidar com assuntos relacionados à saúde mental, com parceiras que incluem a Prefeitura Municipal de Santa Maria e outras instituições. Em breve, terá início o projeto de extensão “Resilieight”, um programa de reforço da resiliência a fim de promover a saúde mental e prevenir transtornos mentais decorrentes de situações de estresse e trauma, em que o professor Vitor Calegaro faz 8 recomendações para a manutenção da saúde mental e o bem estar no contexto da pandemia de COVID-19.

A gravação da live está disponível no canal do Covid Psiq no Youtube.  No site oficial do projeto é possível encontrar mais informações sobre a pesquisa, lista de integrantes da equipe, vídeos das lives e também orientações para manter a saúde mental. Também é possível encontrar mais conteúdos sobre o projeto na página no Facebook.

Reportagem: Ana Laura Iwai, bolsista da Agência de Notícias da UFSM
Edição: Davi Pereira

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Coronavírus – UFSM-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/2021/04/19/suas-duvidas-sobre-vacinacao-e-a-nova-fase-da-pandemia-respondidas Mon, 19 Apr 2021 16:54:21 +0000 http://www.55bet-pro.com/?p=55549 Na última quinta-feira (15), foi transmitida a Live tira-dúvidas: Vacinação e nova fase da Pandemia, no canal do Youtube da UFSM. 

Os especialistas doutor Alexandre Schwarzbold, professor do Departamento de Clínica Médica, a doutora Maria Denise Schimith, professora do Departamento de Enfermagem e Ana Paula Seerig, secretária adjunta de saúde de Santa Maria, responderam dúvidas da comunidade sobre a vacinação e a segunda fase da pandemia.

Acompanhe aqui as respostas para as perguntas enviadas ao vivo através da Live e pelas redes sociais da Universidade.

  • Como está o andamento da vacinação em Santa Maria? E nos demais campi da Instituição? 

Em Santa Maria, até o dia 15 de abril, foram recebidas 87.215 doses, entre 1ª e 2ª dose. Desse total, foram aplicadas 83% das vacinas. A dificuldade maior na cidade é o quantitativo de vacinas recebidas, que é menor do que a população que precisa receber o imunizante. 

De acordo com a Vigilância Epidemiológica de Palmeira das Missões, no município, 82,7% das vacinas que receberam foram aplicadas. 22,9%  da população está coberta com a primeira dose e 3.6% com a segunda dose.

Em Cachoeira do Sul, a média é semelhante e em Frederico Westphalen, o número beira 85,1% de doses aplicadas. 

*Informações de 15/04/2021

  • Qual a perspectiva de vacinação de toda a população no RS? E no Brasil?

Temos a limitação de fabricação e importação da matéria prima básica. É muito difícil falar em datas e tempos reais, já tivemos várias quebras na rotina e de expectativas. A cada semana, o Estado informa qual vacina e qual dose vem e para que público alvo deve ser disponibilizada, então não temos perspectiva de quando isso será possível.  

  • Qual o maior problema enfrentado pelas equipes de vacinação? 

É a disponibilidade de vacinas. Outro problema enfrentado são as dúvidas existentes na hora da vacinação: funcionamento do imunizante, reações, tempos entre as doses, além da descrença de muitos sobre a importância da vacinação. Um dos fatores que mais prejudica nesse momento é um movimento nacional de dúvida e descrença com a ciência. As vacinas que são aplicadas são seguras, aprovadas  pela Anvisa, testadas. O intervalo entre as doses é definido de forma científica. 

  • Por ser um momento tão esperado por todos, nós vemos seguidamente muitas demonstrações de carinho da população na hora da vacinação. Como é para vocês esse momento?

É muito emocionante. Recebemos pessoas com cartazes, mensagens de “viva a ciência”, “defenda o trabalhador de saúde”, recebemos muito carinho! 

  • O que vocês diriam para pessoas que não acreditam na vacinação e na importância dessa forma de combate a pandemia?

Até a metade do século passado a principal causa de mortes na humanidade eram doenças infecciosas. A mudança só aconteceu por conta da vacinação. As vacinas são produtos de desenvolvimento científico de mais de um século. As pessoas precisam conhecer história, conhecer os indicadores brasileiros das doenças imunopreveníveis. Zeramos sarampo, varíola, poliomielite. Diminuímos as mortes por H1N1, também com vacinação. As pessoas têm anticorpos e reagem diariamente a patógenos a que são expostas, devido a vacinas que receberam quando criança. O imunizante ter sido rapidamente desenvolvido é um benefício, um trunfo da ciência, conseguimos avançar em função da emergência. As vacinas possuem muito mais benefícios do que riscos!

  • Entre a Coronavac e a vacina de Oxford, por exemplo, por que a primeira tem uma diferença na aplicação de um mês entre a primeira e a segunda dose, e na segunda essa diferença é de três meses?

Os intervalos entre as doses do esquema completo de vacinação são definidos por pesquisa. São definidos conforme a melhor resposta imunológica encontrada nos estudos clínicos. Por isso, cada imunobiológico tem intervalos diferentes para completar o esquema vacinal, buscando a melhor resposta imunológica.

  • Como as vacinas existentes se comportam com as novas variantes do Covid-19? Já existem estudos sobre isso?

Como as novas variantes são recentes, as pesquisas ainda não são conclusivas. O que se pode dizer é que entre uma pessoa vacinada e uma não vacinada, as novas variantes afetam mais a não vacinada.

Além disso, já há estudos mostrando que tanto a variante britânica quanto a circulando no Brasil com mais prevalência (P1) ambas vacinas mantém um bom nível de eficácia. Apenas na variante sul-africana a vacina de Oxford perde um pouco da eficácia. Mas essa variante não circula nesse momento de modo prevalente no Brasil. 

  • O que pode acontecer se uma pessoa deixar de tomar a segunda dose da vacina, como tem se noticiado nas últimas semanas?

Nenhuma das vacinas do Brasil, nem de qualquer lugar do mundo, que seja feita para ser aplicada em duas doses, protege apenas na primeira aplicação. Elas começam a estimular o sistema imune na primeira dose. Sobre a vacina de Oxford, por exemplo, a  partir de 22 dias da primeira dose, a eficácia é de 70%, mas, depois de quatro meses sem a aplicação da segunda dose, esse valor passa a ser muito próximo do zero. A segunda dose é fundamental para a pessoa estar, de fato, imunizada. 

  • Na perspectiva coletiva, se somente uma porcentagem da população for vacinada e a outra não, o que isso significa? É possível prever consequências maiores que as que já temos?

O impacto de uma imunização parcial é a redução da imunidade coletiva. Mas, além disso, o grande problema é a emergência de novas variantes do vírus. E essa nova variante vai encontrar novos hospedeiros que não foram expostos a ela em momentos anteriores, prolongando a pandemia.

  • É possível escolher a vacina que será aplicada? A segunda dose precisa ser da mesma vacina? Ou é possível trocar?

O laboratório da vacina, doses (1a ou 2a), grupos prioritários são definidos por Resolução da Comissão Intergestores Bipartite do RS (CIB-RS) e as doses já vêm com destino certo. Portanto, é muito difícil individualizar a possibilidade de escolha do fabricante da vacina, até porque não seria universal, não daria para dar essa opção para todos e todas. Todas são aprovadas pela ANVISA, qualquer uma, cujo esquema vacinal for completado, vai proteger contra casos graves. A orientação é terminar o esquema vacinal com a mesma vacina. 

  • O local de vacinação da segunda dose precisa ser o mesmo? Ou a pessoa pode receber a vacina em outro município?

Dentro de Santa Maria, as planilhas (com nome, CPF, data de nascimento, nome da mãe) que foram coletadas na aplicação da primeira dose são enviadas para o local onde ela ocorreu para se colher a assinatura da segunda dose. Portanto, aqui em Santa Maria, a segunda dose deve ser feita no mesmo local da primeira. No entanto, a vacina é para todo o território nacional, outro município deve aplicar a segunda dose, sim.

  • A vacina é a melhor solução para sairmos dessa crise? Se sim, o que falta para vacinar em massa a população brasileira? 

Não há dúvida de que a solução final de uma crise sanitária e uma epidemia de transmissão respiratória tão prolongada é através da vacinação. Toda epidemia viral e de transmissão respiratória é extinta quando não temos mais indivíduos suscetíveis. 

Os modelos matemáticos e de previsão levam em conta uma modelagem que pode ser descrita como SIR: Suscetíveis, Infectados e Recuperados. Se o processo de vacinação é lento, são cada vez menos pessoas recuperadas, com chance de reinfecção e com tempo de imunidade mais curto. A vacinação, no entanto, não é a única solução nem estratégia: as medidas restritivas são fundamentais nesse período, não apenas para reduzir o número de pessoas suscetíveis, mas, também, para que a produção de vacinas ganhe fôlego e chegue a todos. 

Não há dúvidas de que nos próximos meses teremos redução da transmissão de acordo com a resposta das vacinas. Já temos exemplos pelo Brasil e mundo, com uma diminuição importante de hospitalização em idosos. Em Israel, a vacinação em massa teve um impacto brutal na redução de hospitalizações em qualquer faixa etária. 

Hoje o grande problema para a vacinação em massa da população é o baixo número de vacinas produzidas e disponibilizadas. Em momento de crise, apenas o Butantã e a Fiocruz não dão conta da necessidade que temos na produção de imunizantes. É uma fragilidade do sistema. É preciso pensar em estratégias preventivas nas estruturas fabris no Brasil, descentralizando e ampliando a produção local de vacinas.

  • A vacina testada aqui na UFSM, a de Oxford/AstraZeneca, também está sendo aplicada? Como está sendo participar dessa pesquisa? E qual a importância disso para a Universidade? 

Sim, a vacina de Oxford foi, junto com a vacina da Pfizer, a primeira produzida no mundo. Foi, também, a primeira vacina publicada nos meios científicos. É, hoje, a que mais foi aplicada. Essa foi uma experiência fantástica e que nos permitiu sermos, no país, um local de aplicação e testes, mas não só. Essa experiência nos permitiu, também, vislumbrar a possibilidade de produzir vacinas dentro da Instituição. 

  • Ainda existe um grupo de risco específico com as novas variantes de Covid?

Todas as pessoas suscetíveis estão em risco para as atuais e novas variantes do coronavírus, pessoas que não foram vacinadas. O aumento de internações e mortes entre pessoas mais jovens nos informa que essa faixa etária está mais suscetível agora. Os jovens devem redobrar os cuidados, pois casos graves estão acontecendo entre eles.

  • Ainda é necessário desinfetar compras e superfícies?

Houve alguns estudos dizendo que as superfícies não mantêm o vírus em uma capacidade de infecção. Mas há que se pensar nas mãos, quando tocam estas superfícies e depois tocam o rosto. Estas sim podem ser um veículo de transmissão. 

Então, a higienização é fundamental, tanto das compras quanto dos objetos de uso do dia a dia.  

  • É possível que tenhamos uma 3ª onda da pandemia no Brasil?

É possível termos uma 3ª onda a partir de setembro ou outubro, mas isso está absolutamente na dependência da imunidade coletiva e na vacinação. Se demorar mais meses para vacinar um percentual importante da população, seguramente, pelo esgotamento das medidas restritivas, as pessoas voltarão a se exporem e teremos novos picos. Em epidemias prolongadas, em que não se achou a cura e não se obteve uma imunização mais rápida, é  esperado  termos vários picos, que se sobrepõem e se intercalam. 

  • Com essa nova fase, que traz aumento tanto de números de casos quanto de números de internações e de mortes, deve-se aumentar os cuidados? Se sim, quais seriam esses maiores cuidados que essa fase exige? 

Sim, estamos no pior momento epidemiológico da pandemia! Cuidados como distanciamento físico de pessoas que não são do seu convívio, uso correto de máscaras (cobrindo boca e nariz, sem folgas), higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel 70 % (principalmente sempre antes e depois de  tocar no rosto) são imprescindíveis nesse momento. Importante é, quem está nos grupos prioritários, fazer a vacina, com esquema completo, 1a e 2a doses.

  • Qual  máscara é mais apropriada para este momento da pandemia? As máscaras PFF2 são mais eficazes que as outras? (Caso a PFF2 seja a mais indicada, qual é a recomendação para quem não tem acesso?)

As máscaras mais apropriadas são as com bom ajuste no rosto, que não fiquem caindo, pois acabamos colocando a mão e a contaminando. Recomenda-se, para uso no dia a dia, máscaras cirúrgicas com tripla camada ou de pano com tripla camada. A PFF2 deve ser usada por quem está exposto a aerossóis, trabalhadores da saúde em atuação, trabalhadores da limpeza de estabelecimentos de saúde, por exemplo.

  • Pode explicar por que a idade média das internações e mortes está baixando? Os jovens devem redobrar o cuidado agora? O quão perigoso é para os jovens? 

Todas as pessoas suscetíveis e não vacinadas estão em risco para as atuais e novas variantes do coronavírus. O aumento de internações e mortes entre pessoas mais jovens nos informa que essa faixa etária está mais suscetível agora. Os jovens devem redobrar os cuidados, pois casos graves estão acontecendo entre eles por se exporem mais, e possivelmente pela maior transmissibilidade ou virulência das novas cepas.

  • É possível que países como o Brasil sejam autossuficientes na produção de vacinas, sem depender de insumos de outras nações? 

Não há dúvidas de que é possível atingir esta autossuficiência, porém, para isso é necessário um esforço nacional maior e uma descentralização de parques fabris. 

O Brasil é um dos poucos países que possui capacidade de produção local. No exemplo da Vacina de Oxford, houve um acordo de transferência de tecnologia, e para isso é necessário produzir o insumo principal, chamado de IFA, um ingrediente farmacêutico ativo. Assim, é provável que a partir do segundo semestre deste ano seja possível fazer uma produção maior de vacinas no país. 

  • Como o Projeto de Lei Federal PL5595/20, que torna a educação básica e superior um serviço essencial, pode impactar no retorno às aulas presenciais? Isto poderia acontecer no pior momento da pandemia?

A área educacional é sem dúvidas um ponto crítico nesta discussão sobre as vacinas. Por mais que enquadrar as instituições de ensino como um serviço essencial tenha benefícios, por enquadrar os profissionais da área entre o grupo prioritário de vacinação, há que levar em consideração a escassez de vacinas. 

É um grande perigo trazer os alunos de volta às aulas presenciais sem a imunização, tendo em vista que o estado do Rio Grande do Sul segue em um momento crítico da pandemia.  

  • Qual a opinião de vocês sobre a liberação da compra de vacinas por empresas privadas? Há um risco de redução na oferta feita pelo SUS?

A vacinação precisa ser pensada de forma coletiva, já que apenas uma pessoa vacinada não recebe salvo-conduto para seguir sua vida normalmente. Para que a pandemia seja controlada, é necessário que a vacina chegue para todos de maneira equânime. Além disso, as fabricantes das vacinas estão vendendo apenas para os governos. Portanto, não é possível a população comprar vacinas.

  • Baseado em que a Anvisa aprova as vacinas? Em que tipo de experimentos?

Os experimentos são clínicos, em etapas, dividindo os participantes em grupos, um grupo recebe a vacina e o outro placebo, acompanham-se esses participantes e se observa como a doença acontece nos dos grupos. A eficácia da vacina é definida pelo comparativo de adoecimentos entre os dois grupos, o que recebeu a vacina e o que não recebeu. A Anvisa considera registrar vacinas que apresentem 50% ou mais de eficácia, ou seja, que o grupo não vacinado apresentou 50% ou mais de adoecimento, comparado ao vacinado. Além disso, a ANVISA inspeciona as plantas de produção das vacinas e avalia os dados de segurança dos estudos clínicos.

  • Qual o critério que a UFSM está adotando para vacinar a comunidade acadêmica (docentes, TAES e acadêmicos)?

Não é a UFSM que define os critérios de vacinação e escolhe quem será vacinado. Primeiramente é seguido o que foi definido pela campanha nacional de vacinação contra o coronavírus e seus grupos prioritários. Em relação a vacinação de estudantes ou profissionais da área de saúde, esse é um critério Estadual. A Secretaria Municipal de Saúde recebe uma resolução da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) com os profissionais que vão entrar na vacinação. Alguns alunos da área da saúde que estão trabalhando em campo já foram imunizados e outros devem receber a vacinação nos próximos dias. Há um controle muito rígido sobre esta questão, e quem define isso não são as instituições. 

  • Qual é o alerta sobre o uso indiscriminado de medicamentos do “tratamento precoce” que não tem comprovação científica?

Só no Brasil existe essa discussão, sobre poder fazer um tratamento preventivo. Só existe um medicamento que comprovado cientificamente que diminui os sintomas do vírus, porém ele ainda não está disponível em nosso país e tem um acesso muito restrito e caro. Esse kit de medicamentos para tratamento precoce é um grande perigo para a saúde, já que existe uma grande população que tem risco cardíaco contra um desses medicamentos, e isso sem falar nos efeitos dos dois combinados. 

  • A vacina de Oxford realmente tem baixa eficácia contra a variante sul-africana? A variante encontrada em Sorocaba-SP, semelhante à africana, representaria uma ameaça aos planos da Fiocruz?

A vacina de Oxford realmente tem menor eficácia contra a variante sul-africana. No entanto, essa variante é muito pouco prevalente aqui, então não seria um problema. A vacina da Oxford tem boa cobertura nas outras variantes, inclusive na  brasileira, P1 e P2, e na britânica. Quanto à ameaça aos planos da Fiocruz, depende da prevalência dela, em caso isolado não, porque existe a imunidade celular que protege contra as variantes.

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