Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa Laboratório de Jornalismo Mon, 18 May 2026 23:33:47 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa 32 32 Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2025/12/17/milpa-lanca-e-book-sobre-jornalismo-e-memoria Thu, 18 Dec 2025 00:38:55 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=184 A obra reúne contribuições de pesquisadores brasileiros e colombianos

O milpa - laboratório de jornalismo (CNPQ/UFSM) lançou, nesta semana, o e-book Jornalismo e memória: escrituras possíveis, lugares (in)comuns. A publicação reúne capítulos assinados por pesquisadores brasileiros e colombianos dedicados ao estudo das relações entre a prática jornalística e a produção da memória coletiva e individual. O e-book traz textos em espanhol e em português, tem acesso aberto e está disponível no site da Editora FACOS-UFSM.

Os nove textos da coletânea (veja lista a seguir) são convites à reflexão sobre distintas práticas de pesquisa e procuram fomentar o diálogo de saberes na América Latina. Ao aproximar realidades dos dois países, o e-book proporciona o contato com as tarefas do jornalismo quando observado em realidades sociais complexas e em território cujas feridas ainda pulsam no imaginário e na realidade social. 

O projeto de pesquisa, do qual este livro é um dos produtos finais, é uma investigação nascida em solo colombiano, no contato com intensas experiências jornalísticas e de narrativa do conflito. Em sua fase final, a investigação “Escrituras possíveis, lugares (in)comuns: saberes, sujeitos e compreensões sobre o jornalismo narrativo latino-americano”, contou com apoio financeiro do edital 07/2024 da Capes, por meio do Programa Move La America, que proporcionou a vinda do doutorando Amaury Núñez González, da UdeA, para o doutorado sanduíche na UFSM, além de Auxílio Pesquisador Orientador, fomentando ações no escopo do projeto, em especial a realização do Simpósio Internacional Jornalismo e Memória, em maio e em junho de 2025, cujas intervenções e debates motivaram a elaboração dos textos presentes na obra.

A organização do livro é do professor Reges Schwaab (POSCOM/UFSM) e dos doutorandos Amaury Núñez González (UdeA/Colômbia) e Wellington Hack (UFSM). Assinam os textos os pesquisadores Jorge Bonilla, Raúl Hernando Osorio Vargas, Amaury Núñez González, da Colômbia; Angela Zamin, Marta Maia, Carlos Augusto Pereira dos Santos Júnior, María José Gonzalez Piris, Jorge Ijuim, Hila Rodrigues, Helena Paz de Andrade Pessoa, Felipe Adam, Josué Gris, Micael Olegário, Júlia Petenon e Reges Schwaab, do Brasil.

Informações técnicas:

GONZÁLEZ, Amaury Nuñez; SCHWAAB, Reges; HACK, Wellington (orgs.). Jornalismo e memória: escrituras possíveis, lugares (in)comuns. Santa Maria, RS : FACOS-UFSM, 2025.

ISBN 978-65-5773-110-9


Capítulos, autoras e autores:

  • La iconografia del conflicto: imagenes, memoria y atrocidad - Jorge Ivan Bonilla (Universidad Eafit/Colômbia)
  • Residencia en la transnarrativa: viajes transmodernos… sujetos y personas en tránsito - Raúl Hernando Osorio Vargas (UdeA/Colômbia)
  • Narrativas de la memoria: procesos creativos y formatos innovadores en la representación del pasado - Amaury Núñez González (UdeA/Colômbia)
  • Periodistas por las veredas del dolor - Angela Zamin (UFSM/Brasil)
  • Narrativas do jornalismo de posição contra o esquecimento: memória e testemunho sobre a ditadura - Marta R. Maia (UFOP/Brasil) e Carlos Augusto Pereira dos Santos Júnior (UFF/Brasil)
  • O Memoricídio e a ressurreição de Nísia Floresta: a autora, escritora, jornalista, tradutora, educadora não pode ser esquecida - María José Gonzalez Piris  e Jorge Ijuim (UFSC/Brasil)
  • Entre notícias e assombrações: jornalismo e memória em Mariana - Hila Rodrigues e Helena Paz de Andrade Pessoa (UFOP/Brasil)
  • Vozes inaudíveis: a invisibilidade feminina nas biografias publicadas no Brasil (1990-2020) - Felipe Adam (UFPel/Brasil)
  • Gestos, contextos e memórias do narrar de jornalistas brasileiros em reportagens do Prêmio Gabo (2013-2023) - Josué Gris, Micael Olegário, Júlia Petenon, Reges Schwaab (UFSM/Brasil)
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O jornalista e integrante do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), Micael dos Santos Olegário, participa neste mês de novembro da cobertura jornalística da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA). Micael é mestrando no Programa de Pós-graduação em Comunicação (Poscom) e pesquisa sobre práxis comunicativa e jornalismo socioambiental.

De 10 a 21 de novembro, a COP30 reúne diversas lideranças globais para discutir alternativas para lidar com a crise climática. Esta é a primeira vez que o encontro acontece no Brasil, na Amazônia. Repórter do #Colabora - Jornalismo Sustentável, Micael atuará na cobertura da conferência, com foco na escuta de pessoas e comunidades já atingidas pelas mudanças climáticas. 

O jornalista ficará na Casa do Jornalismo Socioambiental, espaço que vai hospedar jornalistas de diferentes estados do Brasil. A iniciativa é uma parceria entre 21 veículos de comunicação, entre eles, o #Colabora. O local também contará com uma programação de atividades sobre jornalismo e temas socioambientais, além de lançamentos de relatórios, ferramentas e outros produtos para a imprensa e a sociedade civil.

Natural de Caibaté (RS), no interior do Rio Grande do Sul, Micael se formou em jornalismo pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e ingressou no mestrado em 2024.

COP 30 | Leia as reportagens produzidas por Micael Olegário direto de Belém ]]>
Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2025/11/06/coordenador-do-milpa-integra-juri-do-47-o-premio-vladimir-herzog Thu, 06 Nov 2025 19:56:17 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=177 O professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (Poscom/UFSM) e coordenador do milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), Reges Schwaab, compôs o júri do 47.º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos (PVH). Ele atuou na categoria Produção Jornalística em Áudio, cujo trabalho premiado foi a audiossérie Dois Mundos, de Vinicius Sassine, Raphael Concli, Daniel Castro, Gustavo Simon e Magê Flores, publicada pela Folha de S. Paulo. A solenidade de premiação aconteceu em 27 de outubro de 2025, em São Paulo, seguida de uma roda de conversa com os vencedores, registrada no canal @tvpuc do Youtube.

O júri responsável pela seleção dos finalistas foi formado por 58 convidados. Em Sessão Pública de Julgamento realizada em 7 de outubro, a Comissão Organizadora elegeu os vencedores. O prêmio reconhece jornalistas, repórteres fotográficos e artistas que atuam na defesa da democracia, da paz, da justiça e dos direitos humanos. Nesta edição, foram recebidas quase 500 inscrições, divididas em oito categorias: texto, vídeo, áudio, multimídia, fotografia, arte e livro-reportagem. As produções premiadas podem ser conferidas no site do PVH.

O evento de 2025 também marcou os 50 anos do assassinato de Vlado, patrono do prêmio. No cronograma, em 25 de outubro, foi realizado um ato inter-religioso em memória do jornalista e de todas as vítimas da ditadura militar. No dia seguinte, 26 de outubro, foi inaugurado o Calçadão do Reconhecimento, que projeta a aplicação de quase dois mil tijolos gravados com o nome de cada um dos vencedores do PVH ao longo de suas edições.

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2025/10/25/pesquisas-de-integrantes-do-milpa-serao-levadas-a-40a-jai-ufsm-e-ao-8o-congresso-de-extensao-da-augm Sat, 25 Oct 2025 21:19:53 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=175 Entre os dias 3 e 7 de novembro, acontece a 40ª edição da Jornada Acadêmica Integrada da UFSM (JAI). Durante o evento, membros do milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM) irão apresentar duas pesquisas em andamento no grupo, focadas na compreensão do Jornalismo e de sua participação na constituição de outras formas de narrar a sociedade.

O texto “Uma epistemologia da apuração imersiva como método no jornalismo”, de autoria de Josué Ângelo Gris, sob orientação do professor Reges Schwaab, busca compreender como o método jornalístico da imersão é capaz de construir uma perspectiva decolonial na Comunicação. O trabalho é um recorte da pesquisa de mestrado em andamento no milpa, e articula diferentes formatos e denominações utilizadas pelo jornalismo para realizar um panorama geral de como a metodologia de apuração vem sendo acionada no jornalismo latino-americano.

O trabalho “Saberes (in)comuns: o conhecimento jornalístico em um não-lugar”, de Wellington Hack, também sob orientação do professor Reges Schwaab, articula bases dos Estudos em Jornalismo e da Filosofia na compreensão do conhecimento social produzido pela prática noticiosa. A partir de uma abordagem teórico-crítica, o trabalho realiza uma revisão conceitual dos trabalhos brasileiros que utilizam a noção do jornalismo como conhecimento no início da década de 2020. A pesquisa integra o trabalho de doutorado que vem sendo realizado no milpa e conta com apoio do CNPq.

8º Congresso de Extensão da AUGM

No final do mês de novembro, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, acontece o 8º Congresso de Extensão da AUGM. No evento, o doutorando Wellington Hack apresentará o trabalho “Filosofia em saberes (in)comuns: o jornalismo na educação popular pré-universitária”

A pesquisa é resultado de ações de extensão desenvolvidas com foco na Educação Básica que buscam unir a produção jornalística com o ensino de Filosofia. Por meio de uma leitura crítica de mundo, o trabalho ressalta os potenciais dessa união para a construção de novos imaginários coletivos e para fornecer instrumentos de emancipação às classes populares. O trabalho é apoiado pelo CNPq, Ministério da Educação e Pró-Reitoria de Extensão da UFSM.

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2025/10/07/milpa-realiza-primeiro-encontro-do-reporteria Tue, 07 Oct 2025 13:09:28 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=162 No último dia 30 de setembro, o milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), realizou o primeiro encontro do clube de leitura reporteria - o jornalismo vai aos livros. Voltada para estudantes de graduação e de pós-graduação da UFSM, a iniciativa busca proporcionar um espaço para o debate e a construção de saberes sobre a prática do jornalismo narrativo e da reportagem, especialmente desenvolvida em livros-reportagem.

A reunião abordou o livro O Nascimento de Joicy, da professora e jornalista Fabiana Moraes. Ao longo da conversa, foram debatidos aspectos da apuração e da escrita jornalística em estilo literário, a subjetividade e a ética da repórter na produção noticiosa e como pode se dar a construção de significados compartilhados a partir da história no jornalismo. Publicado em 2015, o livro é uma das principais referências brasileiras para o estudo de grandes reportagens e da relação entre fontes e jornalistas.

Ao abordar os processos empreendidos para além do jornalismo informativo diário, o reporteria busca ser um espaço para o diálogo sobre as narrativas de temas emergentes e sensíveis, ressaltando os gestos que fundamentam a reportagem. Os encontros também se constituem como um espaço para quem deseja conhecer, estudar ou desenvolver produtos que exploram o jornalismo em suas diferentes formas.

O próximo encontro do clube está previsto para o dia 21 de outubro, às 14h, na Sala Inovadora da Biblioteca do CCSH, com o livro Arrastados – os bastidores do rompimento da barragem de Brumadinho, o maior desastre humanitário do Brasil, de Daniela Arbex. 

As inscrições são gratuitas e abertas à comunidade acadêmica pelo site 55bet-pro.com/milpa. A participação gera certificado de horas ACG’s.

Sobre o nome reporteria

A expressão reporteria faz parte do jargão jornalístico em espanhol e congrega a apuração, a investigação rigorosa e a escuta atenta, ou seja, gestos que fundamentam a reportagem, no entrelaçamento sensível do sondar, do narrar e do reconhecer sujeitos, territórios e realidades.

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/reporteria Thu, 18 Sep 2025 17:58:48 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?page_id=155

O reporteria é o Clube de Leitura organizado pelo milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), dedicado ao universo do livro-reportagem e da literatura jornalística de não ficção, um espaço de diálogo sobre a narrativa de temas emergentes, métodos de escrita e de apuração jornalística, debatendo os gestos que fundamentam a reportagem. 

O reporteria é um espaço pensado para quem tem interesse e aprecia a narrativa de livros escritos por jornalistas, para quem tem a intenção de estudar essas produções, almeja desenvolver seu projeto experimental de final de curso nesse formato, ou vem movido pela curiosidade sobre outras formas de jornalismo para além da notícia e da cobertura diária, explorando distintos modos de contribuir para o debate público e para a transformação da realidade social.

A expressão reporteria faz parte do jargão jornalístico em espanhol e congrega a apuração, a investigação rigorosa e a escuta atenta, ou seja, gestos que fundamentam a reportagem, no enterlaçamento sensível do sondar, do narrar e do reconhecer sujeitos, territórios e realidades.

Roteiro de leituras e debates para 2026:

05/05/26 | 13h45 - Gaza está em toda a parte, de Alexandra Lucas Coelho

Junhoa confirmar

Julho - a confirmar

Setembro - a confirmar

Outubro - a confirmar

Novembro - a confirmar

Público: estudantes de graduação e pós-graduação da UFSM.

Local: Sala 4425 | Prédio 74C - CCSH.

Pré-requisitos: inscrição via formulário

Certificação: 2h por encontro 

Contato: milpa@55bet-pro.com

Vagas limitadas à lotação da sala.

Nossas leituras de 2026:

Gaza está em toda a parte

Em 7 de outubro de 2023, ao saber do ataque do Hamas ao Sul de Israel, a jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho comprou uma passagem para a região, que acompanha de perto há mais de 20 anos. Os voos, entretanto, estavam sendo cancelados e a viagem acabou em uma escala. Começava ali uma série de textos que assinaria, primeiro à distância e, depois, em Israel e na Palestina, quando foi possível viajar.

Nossas leituras de 2025:

O nascimento de Joicy

Fabiana Moraes traz uma reportagem arrebatadora, profunda e sensível. Apresenta Joicy, ex-agricultora do agreste pernambucano que busca o serviço público de saúde para uma cirurgia que mudaria seu corpo e sua vida. Em um ensaio especial, revela dores e alegrias ao produzir a reportagem. De forma pioneira, instala uma pertinente reflexão sobre o jornalismo de subjetividade.

Arrastados

Daniela Arbex, de forma impactante e delicada, reconstitui a trajetória das vítimas e dos trabalhos de resgate após o rompimento da barragem desativada da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). O trabalho de memória que segue o rastro de lama, por mais de 300 quilômetros de destruição, impede que mais uma catástrofe seja borrada em meio à banalidade do noticiário cotidiano.​

Dignidade!

Jornalistas e escritores acompanham o trabalho da organização Médicos Sem Fronteiras. Ensaios e reportagens revelam o intenso sofrimento e a luta pela vida em algumas das comunidades mais marginalizadas do planeta. A publicação celebra os 40 anos dos MSF. A escrita e a observação sensível contam e denunciam a violência que ceifa a dignidade das pessoas ao redor do mundo.

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2025/08/11/doutorando-do-milpa-realiza-oficinas-sobre-cronica-nos-geoparques-da-unesco Mon, 11 Aug 2025 18:04:25 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=144

O doutorando Wellington Felipe Hack (POSCOM/UFSM), integrante do milpa - laboratório de jornalismo, participou da Jornada Interdisciplinar de Formação de Professores em Educação Patrimonial, promovida pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria, em parceria com municípios que integram dois Geoparques Mundiais da UNESCO. O evento, realizado nos territórios da Quarta Colônia e de Caçapava do Sul, ofereceu capacitações para docentes da rede básica de ensino, integrando conhecimentos populares e científicos na valorização desses espaços singulares do mundo e no desenvolvimento de novas formas de trabalhos pedagógicos em sala de aula. 

As oficinas propostas pelo doutorando tiveram como tema “Nos fios da memória: leitura de produção de notícias e de crônicas nos Geoparques UNESCO”, focada na produção de textos a partir das singularidades dos territórios em que as comunidades escolares estão inseridas. As atividades buscaram repensar o jornalismo em sala de aula, tendo como núcleo os ideais presentes na concepção de um Geoparque. Além de explorar critérios mais formais e conceituais do acontecimento jornalístico, da notícia e da crônica, as oficinas também incentivam a reflexão sobre como informar e interpretar esses territórios por meio da produção jornalística.

“Participar deste momento é compreender que pesquisa, ensino e extensão, quando trabalhadas de forma conjunta, podem resultar em saberes novos que potencializam a teorização da prática. Mais do que isso, possibilita pensar e discutir com diferentes sujeitos a prática do jornalismo e estratégias para desenvolver outras formas de informar e formar as pessoas sobre a emergência climática”, comenta Wellington Hack. A proposta integra a pesquisa de doutorado Notícias (d)no fim do mundo: contribuições para uma filosofia não determinista no jornalismo, desenvolvida sob a orientação do professor Reges Schwaab.

As oficinas aconteceram nos dias 24 e 25 de julho e contaram com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Pró-Reitoria de Extensão da UFSM


O QUE É UM GEOPARQUE

Um território Geoparque é um espaço único e singular no mundo, reconhecido pela UNESCO através de um processo que envolve avaliação de aspectos culturais, geográficos, históricos e ambientais. Ao serem certificados com o título, busca-se promover o desenvolvimento sustentável por meio do turismo global, incentivando a preservação da memória e das características locais das comunidades. 

Para saber mais, acesse o site da PRE ou da UNESCO Brasil.

 

Texto: Wellington Hack.

Edição: Júlia Petenon. 

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A obra, em diálogo com perspectivas críticas latino-americanas, analisa os discursos de jornalistas fundadores da iniciativa amazônica independente Sumaúma: Jornalismo do centro do mundo. Ao investigar métodos de reportagem e discutir o lugar do jornalismo diante de crises comuns à América Latina, a pesquisa destaca práticas não-hegemônicas que emergem em resistência às estruturas tradicionais do campo.

A premiação, promovida pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), tem como objetivo valorizar a produção científica de qualidade da área em nível nacional, avaliando critérios como contribuição acadêmica, relevância e atualidade, abordagem teórico-metodológica e qualidade textual. O resultado foi divulgado no dia 24 de julho de 2025. Neste ano, a premiação ocorre em setembro, no Centro Universitário FAESA, em Vitória, ES. A pesquisadora receberá certificado e troféu.

A dissertação pode ser acessada no Manancial da UFSM.

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Amaury Nuñez González, Júlia Raquel Petenon e Reges Schwaab, membros do milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), tiveram seus trabalhos aprovados para apresentação no Intercom Nacional 2025. O evento acontecerá de forma híbrida, possibilitando participação virtual, entre os dias 11 e 15 de agosto, ou presencial, entre os dias 1 e 5 de setembro, em Vitória - ES.

O texto “O valor histórico da narrativa jornalística. O caso da Operação Orion (2002) em Medellín, Colômbia”, de autoria de Amaury Nuñez González, examina o valor histórico do jornalismo literário na construção da memória coletiva, focando na cobertura da Operação Orion, e propõe um diálogo interdisciplinar com o saber histórico e o campo da historiografia, destacando o potencial do jornalismo como forma de conhecimento e representação histórica. Ele será apresentado presencialmente, no Grupo de Pesquisa em Gêneros Jornalísticos. Amaury realiza estágio doutoral (sanduíche) no POSCOM/UFSM pelo programa Move La América/CAPES. 

O texto “A agroecologia e o ecofeminismo como bases epistemológicas para o jornalismo ambiental”, de autoria de Júlia Petenon, Isadora Pellegrini e Reges Schwaab, articula reflexões sobre o jornalismo ambiental a partir da agroecologia e do ecofeminismo, pensando como ambos provocam o jornalismo e suas práticas, já que os campos propõem visões horizontais e transformadoras sobre a relação entre o ser humano, os não humanos e suas relações nos territórios que compartilham. O trabalho será apresentado no Grupo de Pesquisa em Comunicação, Divulgação Científica, Saúde e Meio Ambiente

As datas de apresentação serão divulgadas no site do Intercom Nacional Etapa remota e Etapa Presencial.

 

Texto: Júlia Petenon (milpa/UFSM).

Revisão: Josué Gris (milpa/UFSM) e Reges Schwaab (milpa/UFSM).

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Prof. Dr. Jorge Iván Bonilla.
Profa. Dra. Patricia Nieto.
Prof. Dr. Raúl Hernando Osório Vargas.

A programação teve início em 27 de maio com a palestra online “A iconografia do conflito: imagens, memória e ética”, ministrada pelo Prof. Dr. Jorge Iván Bonilla, da Universidad EAFIT (Colômbia). O momento começou com um tributo a Sebastião Salgado (1944-2025). Jorge apresentou um repertório de imagens históricas para interpretar chaves de representação da guerra na Colômbia, recorrendo ao método iconográfico para vislumbrar como imagens que vêm do passado podem desempenhar um papel importante na compreensão, na reação e na mobilização social diante dos dramas do presente. A mediação foi realizada pelo doutorando Amaury Nuñez González (Universidad de Antioquia, Colômbia).

Em 5 de junho, a Profa. Dra. Patricia Nieto, da Universidad de Antioquia, apresentou a palestra online "O jornalismo e seus trabalhos pela memória", mediada pelo Prof. Dr. Reges Schwaab (Poscom/UFSM). A partir da experiência do projeto Hacemos Memoria, Patricia abordou como o jornalismo pode atuar na reconstrução da memória social em contextos de conflitos, especialmente no caso colombiano. Com base em casos reais, apresentou critérios e reflexões metodológicas para um jornalismo da memória.

Em 26 de junho, o Prof. Dr. Raúl Hernando Osório Vargas, também da Universidad de Antioquia, realizou a palestra online "Oratura e metodologias do jornalismo". Raúl destacou a importância da oratura e da história oral como fundamentos para metodologias jornalísticas mais sensíveis, dialógicas e plurais, abordando a necessidade de narrativas que extrapolem o jornalismo tradicional escrito e que valorizem saberes ancestrais, vozes excluídas e perspectivas interculturais. A mediação foi realizada pelo doutorando Wellington Felipe Hack (Poscom/UFSM).

Doutorando Amaury Nuñez González.
Da esquerda para a direita: doutorando Wellington Felipe Hack, Prof. Dr. Reges Schwaab e doutorando Amaury Nuñez González.

O doutorando Amaury Nuñez González, em intercâmbio sanduíche no Poscom, ministrou a palestra de encerramento do simpósio, em 1.º de julho, intitulada “Narrativas da memória: processos criativos e formatos inovadores na representação do passado”. Amaury abordou a fragmentação da experiência social contemporânea gerada pela aceleração tecnológica e a transformação dos dispositivos de comunicação, além de conceitos como filosofia da memória, memória coletiva, culturas da recordação e mídias da memória. A mediação também foi de Wellington.

 

Serviço: Os atestados de presença já estão disponíveis no Portal de Certificados UFSM​. O acesso ocorre pela busca do nome + último sobrenome do participante.

Dúvidas podem ser encaminhadas para milpa@55bet-pro.com.

Texto: Anna Júlia C. da Silva | Doutoranda (Poscom/UFSM)

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O jornalista e professor Felipe Boff, pesquisador do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), é o primeiro integrante do grupo a defender sua tese de doutorado. Felipe ingressou no milpa no mesmo ano da criação do laboratório, quando deu início à investigação cujos resultados foram apresentados em 12 de maio. Intitulada “A Operação Condor em livros de jornalistas: testemunho, memória e narrativa”, a tese, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (Poscom/UFSM).

O estudo observa e tensiona a construção da memória pelo jornalismo em dois livros sobre a Operação Condor, operação de repressão que promoveu ações de colaboração clandestina entre as ditaduras militares da América do Sul nas décadas de 1970-1980. “Operação Condor: O seqüestro dos uruguaios”, do brasileiro Luiz Cláudio Cunha, e “Las Cenizas del Cóndor”, do uruguaio Fernando Butazzoni, ancoradas no testemunho dos autores jornalistas.

Defesa de Felipe.

Por meio de uma análise narrativa e de entrevistas em profundidade, Felipe propõe uma reflexão sobre os modos de narrar e de lembrar. O trabalho está articulado a partir dos conceitos de testemunho, memória e narrativa, e discute as categorias de livro-reportagem e livro de repórter como expressões do jornalismo literário. “Entendo que, do mesmo modo que os livros dos jornalistas pesquisados, cumprimos também, com a tese, nosso ‘dever de memória’, como defendia o filósofo Paul Ricoeur, para com as vítimas do terrorismo de Estado”, argumenta o pesquisador.

Para Felipe, o trabalho de apuração dos jornalistas como fio condutor da narrativa aproxima as duas obras. O pesquisador conta que o tema surge de suas reflexões sobre o atual contexto de revisionismo histórico, de democracia ameaçada e de retrocesso em direitos, e é pensado como contribuição para lembrar à sociedade que o passado violento e autoritário das ditaduras não pode se repetir. 

Um dos diferenciais da tese partiu da ideia de Felipe Boff de realizar experimentações com fotografias, desenhos, anotações nas margens de livros e, ao final, na própria tese, como parte de seus movimentos metodológicos. O trabalho teve orientação do professor Reges Schwaab (Poscom/UFSM). A Banca Examinadora foi composta pelas professoras Claudia Caimi (PPGLET/UFRGS) e Marta Maia (PPGCOM/UFOP) e pelo professor Cássio Tomaim (Poscom/UFSM).

O texto completo está disponível no repositório Manancial, da UFSM. 

 


Texto: Júlia Petenon

Edição: Anna Júlia da Silva e Reges Schwaab

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A premiação homenageia o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista brasileiro Bruno Pereira e faz parte das comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre Reino Unido e Brasil. Na categoria Melhor Reportagem Socioambiental, venceu “O futuro do Marajó”, cobertura especial de Alice Martins Morais, publicada por ((o))eco. Já em Melhor Cobertura Socioambiental Local, a série “Impacto dos Agrotóxicos”, de Karyne Gomes, veiculada por O Povo+, foi a premiada. Cada vencedora recebeu R$ 10 mil.

A cerimônia ocorreu em 7 de junho de 2025, no Rio de Janeiro, durante o Festival 3i, que reúne profissionais de jornalismo digital, comunicadores indígenas, pesquisadores e representantes de organizações nacionais e internacionais. O evento contou com patrocínio do Google e Luminate, apoio da Ford Foundation, Instituto Serrapilheira, Embaixada Britânica, IFPIM (International Fund For Public Interest Media), ITS Rio, Projor, Cenarium, Aos Fatos e ESPM. São parceiros do evento: ICFJ (International Center for Journalists), JournalismAI, Pulitzer Center, SembraMedia e Greenpeace.

A participação no júri da premiação destaca a inserção de pesquisadores do milpa e do Poscom/UFSM em espaços de relevância voltados à inovação, ao jornalismo independente e à defesa de direitos socioambientais.

Anna Júlia C. da Silva, pesquisadora do milpa.
Cerimônia do Prêmio de Jornalismo Digital Socioambiental. Imagem: Gabi Falcão.

*Arte destacada: Ajor/Divulgação.

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2025/06/04/integrantes-do-milpa-apresentam-artigo-no-conbrascc Wed, 04 Jun 2025 22:08:23 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=119

O Congresso Brasileiro sobre Catástrofes Climáticas (ConBrasCC) reuniu pesquisadores para discutir os desafios e os impactos das mudanças climáticas na saúde, no meio ambiente e na sociedade. Realizado no Centro de Convenções da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o evento ocorreu entre os dias 29 e 31 de maio e contou com mais de 900 inscritos, de diversas regiões do país e áreas do conhecimento. Na programação, foi apresentado o artigo “Confluências para escutar e narrar emergências climáticas no Antropoceno”, de autoria de Micael Olegário e Reges Schwaab, pesquisadores do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM). O trabalho foi um dos 14 artigos completos aprovados para o Congresso.

A produção, apresentada no segundo dia do evento, é um artigo de reflexão, com caráter teórico e ensaístico, que tem como objetivo pensar formas de narrar diante das emergências climáticas. Segundo Micael, o texto se baseia no diálogo que utiliza de dois conceitos: confluência, do Nêgo Bispo, e paisagens multiespécies, da Anna Tsing, como convites e provocações para o campo da comunicação e do jornalismo narrativo, “na linha de escutar e prestar atenção aos sinais do Antropoceno e as relações entre humanos e não-humanos”. O autor explica que a aproximação com o jornalismo narrativo latino-americano tem como exemplo o realismo mágico do jornalista colombiano Gabriel García Márquez. 

Micael Olegário apresentando no ConbrasCC.

O que é o ConbrasCC

O ConbrassCC, que teve como tema “Enchentes e desmoronamentos – impactos, desafios e perspectivas para a gestão dos serviços de saúde”, foi pensado com o propósito de debater acerca das mudanças climáticas e da crescente dos eventos climáticos extremos no Brasil. Um dos focos do evento foi refletir sobre as consequências das enchentes no Rio Grande do Sul. Além disso, os debates e painéis serviram para colocar em discussão temas que possibilitam a produção de conhecimento, tecnologias e inovação para o fortalecimento de ações estratégicas que previnam agravos futuros. 

A primeira edição do ConBrasCC foi promovida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em parceria com o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) e com a  Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Focado principalmente na área da saúde, o evento destacou perspectivas sobre a gestão de serviços de saúde diante dos desastres climáticos, reforçando a intersecção entre pesquisa acadêmica e desafios práticos do setor.

O Congresso contou com palestras de representantes de entidades que estiveram na linha de frente no enfrentamento das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul - dentre eles gestores de hospitais universitários e representantes das forças de segurança. Além disso, o evento dispôs de momentos destinados a debater sobre a preparação para futuros extremos climáticos, com participação de outras áreas do conhecimento.

 


Texto: Júlia Petenon (milpa/UFSM).

Revisão: Micael Olegário (milpa/UFSM) e Anna Júlia da Silva (milpa/UFSM). 

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/eventos/http-55bet-pro.com-eventos-escrituraspossiveis Thu, 22 May 2025 01:06:04 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?post_type=eventos&p=111
Da esq. para dir.: Jorge Iván Bonilla, Patrícia Nieto, Amaury Nuñez González e Raúl Hernando Osório Vargas

Jornalismo e memória é tema de Simpósio Internacional

“Escrituras Possíveis, Lugares (in)comuns” aproxima pesquisadores brasileiros e colombianos em quatro momentos de diálogo

O milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), ligado ao Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFSM, promove a primeira edição do Simpósio Internacional Escrituras Possíveis, Lugares (in)comuns.

O evento, em formato híbrido, oportunizará o diálogo com quatro pesquisadores colombianos, dedicados à prática e à investigação acadêmica sobre jornalismo, memória e narrativas. As conversações almejam fomentar espaços para a escuta e para o intercâmbio de compreensões e de experiências, resultantes de seus estudos e de suas experimentações em torno do tema central da edição.

Os quatro momentos previstos estão distribuídos entre os meses de maio, junho e julho (programação a seguir), sendo parte das ações de bolsa de investigação financiada pelo Programa Move La America, da CAPES (Edital 07/2024).

As inscrições são gratuitas. Há possibilidade de participação em todos os momentos ou em parte deles. A indicação ocorre no momento da inscrição. O formulário ficará aberto sempre até às 11h de cada dia de programação. Os links para ingresso nas salas remotas serão enviados diretamente aos inscritos até 1h antes do início de cada momento. As pessoas presentes receberão certificado de participação.

Faça sua inscrição aqui. 

A certificação ocorrerá mediante marcação da presença na sessão. Os certificados digitais estarão disponíveis em até 48h após o último encontro, marcado para 1 de julho.

Importante: Momentos 1 e 2: em espanhol. Momento 3: em português. Momento 4: bilíngue.

Dúvidas ou informações complementares: milpa@55bet-pro.com.

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Programação completa

Momento 1 | 27 de maio de 2025 | 17h – 18h30 | 5:00pm-6:30pm (UTC-3) | Remoto / Espanhol

Tema: A iconografia do conflito: imagens, memória e atrocidade | La iconografia del conflicto: imagenes, memoria y atrocidad

Convidado: Prof. Dr. Jorge Ivan Bonilla – Universidad Eafit/Colômbia

Professor do Departamento de Comunicação da Universidade EAFIT, em Medellín. Doutor em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Nacional da Colômbia. Mestre  em Comunicação pela Pontifícia Universidade Javeriana e Comunicador Social: Jornalista pela Pontifícia Universidade Bolivariana.

Mediação: Doutorando Amaury Nuñez González

Universidad de Antioquia/Colômbia, bolsista Capes Doutorado Sanduíche no POSCOM/UFSM pelo programa Move La América/Capes

 

Momento 2 | 5 de junho de 2025 | 17h – 18h30 | 5:00pm-6:30pm (UTC-3) | Remoto / Espanhol

Tema: O jornalismo e seus trabalhos pela memória | El periodismo y sus trabajos por la memoria

Convidada: Profa. Dra. Patricia Nieto – Universidad de Antioquia/Colômbia

Professora da Faculdade de Comunicação e Filologia da Universidade de Antioquia (Medellín). Doutora em Comunicação, Jornalista e mestre em Ciência Política. Autora de livros que versam sobre memória e conflito armado na Colômbia, como “Os Escolhidos”, “O Céu Não Me Abandona”, “Jamais Esquecerei Seu Nome”, “Onde Pisei, a Grama Ainda Cresce”, os três últimos escritos com vítimas do conflito. Ganhadora do Prêmio Nacional Simón Bolívar e do Prêmio Nacional de Cultura. Diretora do projeto Hacemos Memoria.

Mediação: Prof. Dr. Reges Schwaab (POSCOM/Universidade Federal de Santa Maria)

 

Momento 3 | 26 de junho de 2025 | 17h – 18h30 | 5:00pm-6:30pm (UTC-3) | Remoto / Português

Tema: Oratura e metodologias do jornalismo | Oratura y metodologías del periodismo

Convidado: Prof. Dr. Raúl Hernando Osório Vargas

Professor da Faculdade de Comunicação e Filologia da Universidade de Antioquia. Doutor e mestre em Comunicação pela ECA-USP (Brasil) e graduado em Comunicação Social pela Universidade Jorge Tadeo Lozano de Bogotá . Autor de “El reportaje como metodología del periodismo: una polifonía de saberes”. 

Mediação: Doutorando Wellington Felipe Hack (POSCOM/UFSM)

 

Momento 4 | 1 de julho de 2025 | 14h – 16h |  2:00pm-4:00pm (UTC-3)

Híbrido (Auditório CCSH – Prédio 74C – 2º andar  + Google Meet) / Português e Espanhol

Tema: Narrativas da memória: processos criativos e formatos inovadores na representação do passado | Narrativas de la memoria: procesos creativos y formatos innovadores en la representación del pasado

Convidado: Doutorando Amaury Nuñez González

Universidad de Antioquia/Colômbia, bolsista Capes Doutorado Sanduíche no POSCOM/UFSM pelo programa Move La América/Capes

Mediação: Doutorando Wellington Felipe Hack (POSCOM/UFSM)

 

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Da esq. para dir.: Jorge Iván Bonilla, Patrícia Nieto, Amaury Nuñez González e Raúl Hernando Osório Vargas

Jornalismo e memória é tema de Simpósio Internacional

“Escrituras Possíveis, Lugares (in)comuns” aproxima pesquisadores brasileiros e colombianos em quatro momentos de diálogo

O milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), ligado ao Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFSM, promove a primeira edição do Simpósio Internacional Escrituras Possíveis, Lugares (in)comuns.

O evento, em formato híbrido, oportunizará o diálogo com quatro pesquisadores colombianos, dedicados à prática e à investigação acadêmica sobre jornalismo, memória e narrativas. As conversações almejam fomentar espaços para a escuta e para o intercâmbio de compreensões e de experiências, resultantes de seus estudos e de suas experimentações em torno do tema central da edição.

Os quatro momentos previstos estão distribuídos entre os meses de maio, junho e julho (programação a seguir), sendo parte das ações de bolsa de investigação financiada pelo Programa Move La America, da CAPES (Edital 07/2024).

As inscrições são gratuitas. Há possibilidade de participação em todos os momentos ou em parte deles. A indicação ocorre no momento da inscrição. O formulário ficará aberto sempre até às 11h de cada dia de programação. Os links para ingresso nas salas remotas serão enviados diretamente aos inscritos até 1h antes do início de cada momento. As pessoas presentes receberão certificado de participação.

Faça sua inscrição aqui. 

A certificação ocorrerá mediante marcação da presença na sessão. Os certificados digitais estarão disponíveis em até 48h após o último encontro, marcado para 1 de julho.

Importante: Momentos 1 e 2: em espanhol. Momento 3: em português. Momento 4: bilíngue.

Dúvidas ou informações complementares: milpa@55bet-pro.com.

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Programação completa

Momento 1 | 27 de maio de 2025 | 17h – 18h30 | 5:00pm-6:30pm (UTC-3) | Remoto / Espanhol

Tema: A iconografia do conflito: imagens, memória e atrocidade | La iconografia del conflicto: imagenes, memoria y atrocidad

Convidado: Prof. Dr. Jorge Ivan Bonilla – Universidad Eafit/Colômbia

Professor do Departamento de Comunicação da Universidade EAFIT, em Medellín. Doutor em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Nacional da Colômbia. Mestre  em Comunicação pela Pontifícia Universidade Javeriana e Comunicador Social: Jornalista pela Pontifícia Universidade Bolivariana.

Mediação: Doutorando Amaury Nuñez González

Universidad de Antioquia/Colômbia, bolsista Capes Doutorado Sanduíche no POSCOM/UFSM pelo programa Move La América/Capes

 

Momento 2 | 5 de junho de 2025 | 17h – 18h30 | 5:00pm-6:30pm (UTC-3) | Remoto / Espanhol

Tema: O jornalismo e seus trabalhos pela memória | El periodismo y sus trabajos por la memoria

Convidada: Profa. Dra. Patricia Nieto – Universidad de Antioquia/Colômbia

Professora da Faculdade de Comunicação e Filologia da Universidade de Antioquia (Medellín). Doutora em Comunicação, Jornalista e mestre em Ciência Política. Autora de livros que versam sobre memória e conflito armado na Colômbia, como “Os Escolhidos”, “O Céu Não Me Abandona”, “Jamais Esquecerei Seu Nome”, “Onde Pisei, a Grama Ainda Cresce”, os três últimos escritos com vítimas do conflito. Ganhadora do Prêmio Nacional Simón Bolívar e do Prêmio Nacional de Cultura. Diretora do projeto Hacemos Memoria.

Mediação: Prof. Dr. Reges Schwaab (POSCOM/Universidade Federal de Santa Maria)

 

Momento 3 | 26 de junho de 2025 | 17h – 18h30 | 5:00pm-6:30pm (UTC-3) | Remoto / Português

Tema: Oratura e metodologias do jornalismo | Oratura y metodologías del periodismo

Convidado: Prof. Dr. Raúl Hernando Osório Vargas

Professor da Faculdade de Comunicação e Filologia da Universidade de Antioquia. Doutor e mestre em Comunicação pela ECA-USP (Brasil) e graduado em Comunicação Social pela Universidade Jorge Tadeo Lozano de Bogotá . Autor de “El reportaje como metodología del periodismo: una polifonía de saberes”. 

Mediação: Doutorando Wellington Felipe Hack (POSCOM/UFSM)

 

Momento 4 | 1 de julho de 2025 | 14h – 16h |  2:00pm-4:00pm (UTC-3)

Híbrido (Auditório CCSH – Prédio 74C – 2º andar  + Google Meet) / Português e Espanhol

Tema: Narrativas da memória: processos criativos e formatos inovadores na representação do passado | Narrativas de la memoria: procesos creativos y formatos innovadores en la representación del pasado

Convidado: Doutorando Amaury Nuñez González

Universidad de Antioquia/Colômbia, bolsista Capes Doutorado Sanduíche no POSCOM/UFSM pelo programa Move La América/Capes

Mediação: Doutorando Wellington Felipe Hack (POSCOM/UFSM)

 

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2025/05/21/jornalismo-e-memoria-e-tema-de-evento-internacional Thu, 22 May 2025 00:46:09 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=112

Da esq. para dir.: pesquisadores colombianos Jorge Iván Bonilla, Patrícia Nieto, Amaury Nuñez González e Raúl Hernando Osório Vargas, palestrantes do evento.

 

“Escrituras Possíveis, Lugares (in)comuns” aproxima pesquisadores brasileiros e colombianos em quatro momentos de diálogo

O milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), ligado ao Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFSM, promove a primeira edição do Simpósio Internacional Escrituras Possíveis, Lugares (in)comuns

O evento, em formato híbrido, oportunizará o diálogo com quatro pesquisadores colombianos, dedicados à prática e à investigação acadêmica sobre jornalismo, memória e narrativas. As conversações almejam fomentar espaços para a escuta e para o intercâmbio de compreensões e de experiências, resultantes de seus estudos e de suas experimentações em torno do tema central da edição.

Os quatro momentos previstos estão distribuídos entre os meses de maio, junho e julho (programação a seguir), sendo parte das ações de bolsa de investigação financiada pelo Programa Move La America, da CAPES (Edital 07/2024). 

As inscrições são gratuitas. Há possibilidade de participação em todos os momentos ou em parte deles. A indicação ocorre no momento da inscrição. O formulário ficará aberto sempre até às 11h de cada dia de programação. Os links para ingresso nas salas remotas serão enviados diretamente aos inscritos até 1h antes do início de cada momento. As pessoas presentes receberão certificado de participação.

Faça sua inscrição aqui. 

A certificação ocorrerá mediante marcação da presença na sessão. Os certificados digitais estarão disponíveis em até 48h após o último encontro, marcado para 1 de julho. 

Importante: Momentos 1 e 2: em espanhol. Momento 3: em português. Momento 4: bilíngue.

Dúvidas ou informações complementares: milpa@55bet-pro.com.

Programação completa

Momento 1 | 27 de maio de 2025 | 17h - 18h30 | 5:00pm-6:30pm (UTC-3) | Remoto / Espanhol

Tema: A iconografia do conflito: imagens, memória e atrocidade | La iconografia del conflicto: imagenes, memoria y atrocidad

Convidado: Prof. Dr. Jorge Ivan Bonilla - Universidad Eafit/Colômbia

Professor do Departamento de Comunicação da Universidade EAFIT, em Medellín. Doutor em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Nacional da Colômbia. Mestre  em Comunicação pela Pontifícia Universidade Javeriana e Comunicador Social: Jornalista pela Pontifícia Universidade Bolivariana.

Mediação: Doutorando Amaury Nuñez González

Universidad de Antioquia/Colômbia, bolsista Capes Doutorado Sanduíche no POSCOM/UFSM pelo programa Move La América/Capes

Momento 2 | 5 de junho de 2025 | 17h - 18h30 | 5:00pm-6:30pm (UTC-3) | Remoto / Espanhol

Tema: O jornalismo e seus trabalhos pela memória | El periodismo y sus trabajos por la memoria

Convidada: Profa. Dra. Patricia Nieto - Universidad de Antioquia/Colômbia

Professora da Faculdade de Comunicação e Filologia da Universidade de Antioquia (Medellín). Doutora em Comunicação, Jornalista e mestre em Ciência Política. Autora de livros que versam sobre memória e conflito armado na Colômbia, como “Os Escolhidos”, “O Céu Não Me Abandona”, “Jamais Esquecerei Seu Nome”, “Onde Pisei, a Grama Ainda Cresce”, os três últimos escritos com vítimas do conflito. Ganhadora do Prêmio Nacional Simón Bolívar e do Prêmio Nacional de Cultura. Diretora do projeto Hacemos Memoria.

Mediação: Prof. Dr. Reges Schwaab (POSCOM/Universidade Federal de Santa Maria)

Momento 3 | 26 de junho de 2025 | 17h - 18h30 | 5:00pm-6:30pm (UTC-3) | Remoto / Português

Tema: Oratura e metodologias do jornalismo | Oratura y metodologías del periodismo

Convidado: Prof. Dr. Raúl Hernando Osório Vargas

Professor da Faculdade de Comunicação e Filologia da Universidade de Antioquia. Doutor e mestre em Comunicação pela ECA-USP (Brasil) e graduado em Comunicação Social pela Universidade Jorge Tadeo Lozano de Bogotá . Autor de “El reportaje como metodología del periodismo: una polifonía de saberes”. 

Mediação: Doutorando Wellington Felipe Hack (POSCOM/UFSM)

Momento 4 | 1 de julho de 2025 | 14h - 16h |  2:00pm-4:00pm (UTC-3)

Híbrido (Auditório CCSH - Prédio 74C - 2º andar  + Google Meet) / Português e Espanhol

Tema: Narrativas da memória: processos criativos e formatos inovadores na representação do passado | Narrativas de la memoria: procesos creativos y formatos innovadores en la representación del pasado

Convidado: Doutorando Amaury Nuñez González 

Universidad de Antioquia/Colômbia, bolsista Capes Doutorado Sanduíche no POSCOM/UFSM pelo programa Move La América/Capes

Mediação: Doutorando Wellington Felipe Hack (POSCOM/UFSM)

 

Organização

  • milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM)
  • Reges Schwaab (POSCOM/UFSM)
  • Amaury Nuñez González (UdeA - POSCOM/UFSM)
  • Wellington Hack (POSCOM/UFSM)

Apoio

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2025/03/28/milpa-da-inicio-as-atividades-do-ano Fri, 28 Mar 2025 19:46:11 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=109

Membros do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM) deram início aos trabalhos nos projetos previstos para o ano de 2025. A primeira reunião do grupo, na terça-feira, 25 de março, contou com a presença de mestrandos e de doutorandos do Laboratório, ligados ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (POSCOM/UFSM). 

O momento também serviu para dar as boas-vindas aos novos integrantes. Durante o encontro, foram discutidas as ações que serão desenvolvidas ao longo do semestre, com foco na pesquisa e em projetos de formação a partir de grupos de trabalho.

O milpa tem como objetivo fomentar ações de pesquisa, de formação e de experimentação prática em comunicação e em jornalismo. A coordenação é do professor Reges Schwaab. Integram o grupo, como pesquisadores discentes de doutorado, Anna Júlia da Silva, Tuãne Araújo e Wellington Hack. Os pesquisadores discentes de mestrado são Micael Olegário, Gabriel Masarro de Araujo, Josué Ângelo Gris e Júlia Raquel Petenon. Neste semestre, o milpa também conta com a participação do doutorando Amaury Núñez González, da Universidad de Antioquia (Colômbia), que realiza estágio sanduíche por meio do Programa Move La América, da Capes, sob orientação do professor Reges. 

Texto: Júlia Petenon (milpa/UFSM)

[caption id="attachment_110" align="alignnone" width="1024"] Parte das/os pesquisadoras/es do milpa no primeiro encontro geral de 2025. Da esquerda para direita: Amaury Nuñez González, Josué Gris, Micael Olegário, Wellington Hack, Júlia Petenon, Reges Schwaab e Tuãne Araújo (na tela). Imagem: Lucas Missau/UFSM.[/caption]

 

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2025/03/12/dissertacao-milpa-compos-2025 Wed, 12 Mar 2025 11:42:39 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=106 A dissertação "“O Lugar do Jornalismo Diante das Emergências Socioambientais nos Discursos de Repórteres”, de Anna Júlia Carlos da Silva, desenvolvida no milpa - laboratório de jornalismo (UFSM/CNPq), foi selecionada para representar o Programa de Pós-graduação em Comunicação (Poscom) no Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela 2025.

Com o intuito de valorizar a produção científica em Comunicação, a Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) realiza anualmente o Prêmio de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela (1933-2014), cujo nome homenageia um dos fundadores da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). A premiação promove um importante intercâmbio de conhecimento, além de incentivar a produção científica e o debate sobre os desafios e inovações na área da Comunicação.

O trabalho de Anna Júlia foi orientado por Reges Schwaab e selecionado a partir do Edital Unificado de Indicação para Premiações de Teses e Dissertações 2025 do Poscom (2/2025). A comissão de avaliação também definiu a tese representante do programa:  “A Trama Tecida por Mulheres Palestinas: relatos biográficos dos usos táticos de tecnologias digitais”, de Simone Munir Dahleh, orientada por Liliane Dutra Brignol.

Ao longo do ano, novas submissões para diferentes prêmios serão realizadas a partir dos trabalhos inscritos no edital. Em cada ocasião, as produções serão avaliadas por uma comissão, de forma a valorizar tanto as obras como a premiação em questão. 

Dissertação: “O Lugar do Jornalismo Diante das Emergências Socioambientais”

A pesquisa de Anna Júlia Carlos da Silva analisa os discursos de jornalistas independentes sobre suas práticas nas coberturas da emergência socioambiental latino-americana, destacando as formas de resistência e os potenciais transformadores presentes nessas abordagens. O estudo contribui para uma compreensão mais abrangente da prática jornalística como uma expressão subjetiva e social, a partir da observação da experiência da plataforma Sumaúma: Jornalismo do Centro do Mundo

O orientador, Reges Schwaab, relata que "a indicação do trabalho da Anna Júlia para representar o Poscom é motivo de alegria. A leitura que o trabalho recebeu reconhece a pertinência do tema, o esforço metodológico e o percurso analítico empreendido na dissertação. A atualidade e o enquadramento do tema permitem perceber a intencionalidade de contribuir criticamente com o campo das práticas jornalísticas, com o debate das identidades profissional e narrativa e sobre os desenhos que se estabelecem no encontro das mídias independentes com a abordagem das emergências socioambientais. Anna Júlia oferece uma costura conceitual pertinente e suas elaborações são fruto de uma observação e uma escuta atentas e cuidadosas”.

Texto: Programa de Pós-graduação em Comunicação (Poscom/UFSM).

Edição: Micael dos Santos Olegário, mestrando do Poscom e membro do milpa.

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No Poscom, Micael integra o grupo de pesquisa milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), coordenado pelo professor Reges Schwaab (Poscom/UFSM). O grupo investiga o jornalismo em contextos de emergências socioambientais, abordando questões relacionadas ao Antropoceno, ao pensamento decolonial e às interseccionalidades.

O Prêmio Abecip é promovido pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, fundada em 1967 em São Paulo. A premiação tem como objetivo reconhecer os jornalistas e veículos de comunicação que abordam, de forma clara e precisa, o crédito imobiliário e o mercado habitacional, oferecendo informações relevantes ao público. 

Em 2024, o prêmio recebeu 114 inscrições, de matérias publicadas em jornais e revistas (impressos e digitais), além de reportagens veiculadas por rádio, TV, internet e podcasts, de diferentes estados do Brasil. Ao todo, foram selecionadas apenas 10 materiais premiados. A comissão julgadora optou pelos trabalhos que mais se destacaram nas áreas de Crédito Imobiliário, Políticas Públicas, Custos e Preços da Habitação, Funding para o Crédito Imobiliário, Segurança Jurídica, Digitalização e Eficiência na Contratação do Crédito Imobiliário, e ESG – Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança). 

Texto: Anna Júlia C. da Silva | Doutoranda (Poscom/UFSM)

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A disciplina Estudos Avançados III - Comunicação, Antropoceno e Crise Climática tem carga horária de 30 horas e funcionará nas quintas-feiras, entre 13h30 e 15h30, na modalidade remota e em dinâmica bilíngue (português e espanhol). Os encontros iniciam em 12 de setembro e seguem até dezembro. Acolherá estudantes de mestrado e de doutorado do POSCOM, de outros programas de pós-graduação da UFSM ou de outras Universidades.

Estudantes regulares do POSCOM devem fazer sua matrícula conforme os procedimentos usuais. Estudantes de outros programas ou de outras Universidades, interessados em cursar a disciplina como Aluno Especial, podem solicitar sua matrícula conforme calendário da UFSM (saiba mais). Informações complementares podem ser obtidas pelo e-mail poscom@55bet-pro.com.

O professor Reges Schwaab, docente permanente da linha de Mídias e Identidades Contemporâneas do POSCOM, e coordenador do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), é o responsável pela disciplina. Reconhecer abordagens críticas e proposições de distintos saberes, especialmente os debates emergentes diante do Antropoceno, é um dos objetivos da proposta. Além disso, as atividades buscam fomentar conversações sobre a produção de conhecimento em Comunicação no contexto das Humanidades Ambientais e frente ao cenário de crise climática. 

Os distintos tópicos de estudo incluem novos vocabulários, as interseccionalidades e o reconhecimento da transversalidade do ecológico, com foco em pensar a criação, a investigação e a coexistência de modos de narrar o Antropoceno. Busca, ainda, trabalhar a pluralidade de mundos e a capacidade de imaginar futuros possíveis a partir do contexto latinoamericano.

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2024/06/28/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes Sat, 29 Jun 2024 01:26:45 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=89 “Futuros Possíveis: Comunicação, Informação e Desastres” foi tema de evento promovido pelos grupos milpa - laboratório de jornalismo, Mão na Mídia e Agenda 2030, da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen. Na programação, o painel “Jornalismo na Cobertura de Desastres” discutiu a tarefa de narrar acontecimentos de grande impacto que mobilizam o jornalismo tradicional e as mídias independentes. O momento contou com a participação da jornalista Sônia Bridi, da Rede Globo, e do jornalista Luís Gomes, do portal Sul21. A mediação foi realizada pela jornalista Anna Júlia C. da Silva.

Luís Gomes é jornalista e Mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com especialização pela Universidade da Califórnia em Los Angeles. Com experiência prévia no Portal Terra e no Diário Gaúcho, ele é repórter do site Sul21 desde 2015 e tornou-se sócio em 2020. Tem atuado em cobertura de questões ambientais, com foco especial na capital do Rio Grande do Sul. Em janeiro de 2022, já levantava questionamentos importantes em uma matéria publicada no portal: “Porto Alegre está preparada para os próximos eventos climáticos extremos?”. Agora, segue com uma cobertura abrangente das inundações, reportando o que está sendo considerado o maior desastre ambiental do estado. 

A transmissão pode ser revista neste link

Leia a transcrição do painel* com Luís Gomes, realizado no dia 5 de junho de 2024:

 

ANNA JÚLIA: A partir da tua experiência, qual é o papel do jornalismo diante dos desastres ambientais?

LUÍS: O papel do jornalismo se divide em três fases: antes, durante e depois dos desastres. Estava ouvindo a Sônia Bridi falar sobre o jornalismo ter falhado em pressionar os políticos e em cobrar medidas, e acho que esse é o momento central da cobertura de desastres: o antes. Pela minha experiência, no momento específico do desastre, nas primeiras horas, ou uma, duas, três semanas depois, como no caso do Rio Grande do Sul, em que já estamos há mais de um mês nessa situação, esse início é mais de Hard News, de cobertura da tragédia, dos eventos, de passar informações para as pessoas que precisam muito delas – para onde ir, a questão dos abrigos, onde tem água. É a necessidade de informação mais urgente, que foi um pouco também o que fizemos no Sul21.

Nosso site sempre foi voltado para fazer uma cobertura mais analítica sobre temas que não estão tão em pauta no dia a dia. Até pela sua natureza, um veículo pequeno não consegue acompanhar os Hard News, estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Voltamos nas coberturas para aprofundar questões importantes, e essa pauta ambiental é uma delas – depois vou falar mais sobre nosso histórico com o tema ambiental em Porto Alegre e os vários alertas que demos nos últimos anos. No momento do desastre, nossa cobertura vira mais Hard News e, ao longo do tempo, passamos a politizar, não no sentido de partidarizar a discussão, mas de voltar ao debate para procurar apontar responsabilidades. Acho que o Sul21 e o Matinal, outro veículo independente daqui, fizeram um trabalho muito importante ao apresentar as falhas no sistema de proteção contra cheias, no sistema de comportas e de manutenção, que já vinham sendo apontadas pelos próprios técnicos do DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgotos).

Resumindo minha fala, acho que essa cobertura, em um veículo independente como o nosso, se divide em três fases. O antes, que é estar sempre alertando para a possibilidade de um desastre acontecer – como você mesma disse, fizemos aquela matéria em janeiro de 2022 questionando se Porto Alegre estava preparada para eventos extremos, e se provou que não estava. O durante, que é um momento de foco em Hard News e, à medida que conseguimos dividir esse tempo com o aprofundamento dos temas, o depois, em que o desafio é não deixar o acontecimento cair no esquecimento e continuar debatendo e cobrando, especialmente para que medidas de fato sejam implementadas.

 

ANNA JÚLIA: Quais as potencialidades e os desafios de fazer jornalismo independente no contexto de desastres ambientais no Rio Grande do Sul? 

LUÍS: No Sul21, de forma bem clara, não conseguimos competir em noticiar primeiro e ter muitos furos que a imprensa tradicional tem. Então, o que fazemos é aprofundar. Um desses trabalhos que fazemos para aprofundar os temas ao longo dos anos é uma série de “especiais”. São cerca de cinco matérias que passamos três, quatro, cinco meses apurando e nos dedicamos realmente a debater os temas, trazendo vários especialistas, professores universitários, pessoas que se dedicam a vida inteira a estudar determinados assuntos.

A página de especiais do Sul21 tem vários temas que são totalmente ligados à questão ambiental ou se conectam diretamente. A começar pelo Caminhos do Lixo, Donos da Cidade, Fim da Linha (transporte público), Junho de 2023, Mineração, O Custo Oculto da Privatização, O Custo Oculto dos Agrotóxicos, Que Porto é Esse? Então, essa é uma potencialidade que a imprensa independente tem, inclusive acho que é um pouco a obrigação de fazer: preencher os espaços vazios de cobertura da grande imprensa, especialmente quando se trata de imprensa local. Porque, quais seriam os concorrentes do Sul21? Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio… só que eles têm uma magnitude com a qual é impossível competir.

Gostaria de chamar a atenção para uma discussão da cidade de Porto Alegre nos últimos 10 anos. Começamos em 2017 com o especial chamado Gentrificação, voltado para discutir os processos que estavam acontecendo na cidade, já desde antes da Copa, falando da remoção de famílias e de vilas inteiras para regiões mais afastadas. Esse primeiro especial não focou muito na questão dos impactos ambientais, mas mais nos impactos sociais. No fim das contas, uma coisa está relacionada com a outra.

Avançando para julho de 2020, temos o especial Que Porto é Esse? Quem ganha com as transformações na capital, que foi o grande alerta que demos para a população e para a própria prefeitura de Porto Alegre. O que percebemos foi que, ao longo da última década, especialmente a partir do governo de Nelson Marchezan Júnior [ex-prefeito, do Partido da Social Democracia Brasileira], passamos a ter um processo acelerado de desregulamentação do mercado imobiliário e do plano diretor da cidade, com aprovação de projetos que não se enquadram nas regras e exigem uma aprovação especial pelo Conselho Municipal. Ou seja, são projetos que não deveriam ocorrer e que são exceções, porque muitos, ou quase a totalidade deles, infringem a legislação ambiental vigente.

Um exemplo muito claro que quem conhece Porto Alegre vai perceber de imediato é o Pontal Estaleiro. Pelas regras, aquilo nunca poderia ter sido construído à margem do Rio Guaíba. Ele teve uma aprovação especial. Outro caso é a construção de um bairro privado na Fazenda do Arado, em Belém Novo. A ideia é construir centenas de moradias, concretando uma área de preservação ambiental que é um dos últimos banhados da cidade – o que salvou a região de Belém Novo de ser alagada nesta inundação, pois serviu como uma esponja, absorvendo a água. Acompanhamos esse caso há pelo menos 10 anos, porque ele também passou por uma longa discussão ambiental que foi atropelada no âmbito municipal. Nunca se olhou para essa questão da Fazenda do Arado e tantas outras, na minha opinião.

Qual é a consequência para a cidade de concretar a Fazenda do Arado e colocar um condomínio fechado no local? Isso foi questionado nesse especial, olhando para vários aspectos, não só o ambiental, mas também o econômico e o social.

Finalizamos essa trilogia com talvez o trabalho mais ambicioso que o Sul21 já fez: Os Donos da Cidade, em 2023. Acho que esse é o melhor trabalho que já fizemos. É uma série de reportagens que buscou analisar mais de 100 projetos especiais aprovados em Porto Alegre nos últimos cinco, seis anos, ou que estão em andamento ou que serão realizados nos próximos anos. Voltamos a falar de outros projetos, como a Cassol Centerlar. Dou esses nomes porque são importantes: a Cassol Centerlar está localizada junto ao dique do Sarandi que rompeu, na região mais dramática. Há também uma fábrica gigantesca da Coca-Cola e a loja da Havan, que teve uma grande discussão em Porto Alegre, mas não sobre ela estar localizada no entorno do Sarandi, uma área alagável que deveria ser de preservação ambiental. Mesmo quando se discute esses empreendimentos problemáticos, a questão ambiental muitas vezes fica em segundo, terceiro, quarto plano ou sequer é discutida.

Essa é a principal potencialidade e o principal dever de uma imprensa que se diz independente: existir para ocupar espaço e tentar fazer diferente. Se é para fazer a mesma coisa em uma escala menor, obviamente não conseguiremos, pois não temos os recursos, a expertise, as décadas de consolidação que a grande imprensa tem. Mas existe um vazio que não é preenchido pela grande imprensa, e é aí que devemos atuar, especialmente na questão ambiental. Ela tem que ser transversal, presente em todo tipo de pauta que fazemos.

Por isso trouxe o exemplo dos especiais do Sul21. A questão ambiental foi transversal nessa discussão nos últimos 10 anos de transformações em Porto Alegre. Podemos dizer: nós avisamos. Temos batido nessa tecla há muitos anos, discutindo se Porto Alegre estava ou não preparada para eventos climáticos extremos e, mais uma vez, a cidade mostrou que não estava.

ANNA JÚLIA: Como você tem decidido quais histórias contar em meio à tragédia?

LUÍS: É um pouco difícil, porque também temos uma limitação: na tragédia, o jornalista é ao mesmo tempo a vítima. Minha casa não foi alagada, mas tivemos colegas que ficaram mais de vinte dias sem conseguir chegar em casa, e por um tempo não conseguimos acessar a redação física. Tratávamos as pautas pelo WhatsApp. Achei muito importante sair de casa e visitar os lugares, às vezes sem uma pauta pronta.

Por exemplo, uma pauta que gostei de fazer e que consegui captar antes de muita gente foi quando visitei os abrigos uma semana após o início do desastre. Percebemos que haveria problemas na convivência nos abrigos e que não havia um plano para onde as pessoas iriam depois, no pós-enchente. Isso antecipou a discussão sobre as cidades provisórias, que cresceu a partir da segunda metade de maio, porque evidenciava que aquelas pessoas tinham perdido tudo e não teriam para onde voltar. Algumas tiveram suas casas destruídas, outras perderam grande parte da moradia em áreas de risco, especialmente nas ilhas de Porto Alegre, que estavam debaixo d'água no início da semana.

Mas essa não era minha pauta inicial. Pensei: “Vou ao abrigo e verei o que consigo captar.” Sempre confiei que, para algumas pautas, temos que ir atrás das pessoas e ver o que está acontecendo. Ao visitar o abrigo, ficou claro que já havia um constrangimento por parte dos voluntários, por não poderem oferecer perspectivas às pessoas. O que mais queriam saber era: “Quando poderei voltar para minha casa?”, “O que sobrou da minha casa?”. E ninguém podia dar essas respostas. O poder público já estava ausente, e eram os voluntários que faziam a maior parte do trabalho. Havia uma unidade de saúde nos principais abrigos, com uma equipe vinculada à prefeitura, mas todo o suporte às famílias era dado pelos voluntários, que também não sabiam muito bem como lidar. Muitos eram psicólogos com treinamento profissional para lidar com traumas, mas não com situações de trauma coletivo.

Hoje vemos que a questão das pessoas não terem para onde retornar gerou uma das pautas mais importantes no momento na cobertura local, que é a discussão das cidades provisórias.

 

ANNA JÚLIA: Quais impactos esse contexto trouxe para a sua rotina de trabalho e para a rotina de trabalho dos jornalistas que você têm convivido?

LUÍS: No meu caso específico, não fui diretamente afetado. Fiquei um dia sem água, luz e internet, mas consegui trabalhar durante todo o período. No primeiro momento, de Hard News, trabalhei até 14 horas por dia, especialmente naquele fim de semana em que a água subiu muito em Porto Alegre [nos dias 4 e 5 de maio]. Toda a redação funcionou em sistema de plantão diversas horas ao longo daquela semana, um período de trabalho muito intenso. Porém, quando as coisas começaram a se organizar novamente, voltamos àquele equilíbrio entre Hard News e aprofundamento.

Faz um mês que não fazemos nenhuma matéria que não esteja vinculada à questão ambiental; toda a cobertura do nosso site se voltou para isso. Temos muitos conhecidos que nos passam informações e aprofundamos nossa relação com essas fontes permanentes, que são voltadas para áreas afins do meio ambiente. Por exemplo, os hidrólogos do IPH (Instituto de Pesquisas Hidráulicas) da UFRGS, com quem tivemos uma grande parceria nesse período para fazer várias matérias.

Não sei quando teremos uma pauta que não tenha nenhuma ligação com as inundações. Diria que essa é a principal mudança na rotina: entender que essa é a pauta, e não apenas que temos que dar atenção total, mas que essa atenção deve ser exclusiva.

 

ANNA JÚLIA: Via chat do YouTube, temos uma última pergunta, de Josimari Quevedo (UFSM): a questão do plano diretor de Porto Alegre é icônica para entender as perdas diárias ambientais da cidade. Quais são os principais desafios do jornalista em chamar a atenção para essa problemática?

LUÍS: De fato, é icônico. Primeiro, vou traçar um breve histórico para quem não conhece. O plano diretor deve ser revisado a cada 10 anos. Ele foi revisado pela última vez em 2009 e deveria ter sido revisado novamente em 2019. O que aconteceu? Veio a pandemia, em 2020. Só que a pandemia foi uma desculpa, né? Porque o Marchezan nem tinha começado a revisar em 2019, quando o plano diretor já deveria estar sendo colocado para votação. Com a pandemia, os prazos foram suspensos e, no meio disso, o governo do Sebastião Melo [atual prefeito, do partido Movimento Democrático Brasileiro] assumiu. O que acontece no governo Melo? Ele inicia o processo de revisão, acho que em 2022, mas paralelamente faz duas grandes mudanças que praticamente inutilizam o processo de revisão do plano diretor: os planos específicos do Centro e do Quarto Distrito, localidades que eram os principais alvos do mercado imobiliário naquele período. Ou seja, para o Centro e o Quarto Distrito, eliminaram-se basicamente as regras do plano diretor. Nessas regiões, passou a valer que as alturas máximas para cada empreendimento seriam balizadas a partir de uma referência de cada quarteirão.

Em Porto Alegre, a discussão acaba sendo muito voltada para essa questão da altura, como se fosse resolver a situação do próprio mercado imobiliário, como se tivessem a capacidade de construir dezenas de prédios de 100, 150 metros de altura – o que é uma maluquice, considerando que a cidade hoje tem 30% do Centro e do Quarto Distrito com unidades habitacionais e escritórios vazios. Então, já existe uma demanda não preenchida que só iria aumentar. O desafio principal para discutir o plano diretor é justamente contrapor os interesses da prefeitura e do mercado imobiliário.

É preciso apontar: primeiro, não faz sentido, porque a cidade não tem como suprir essa oferta; segundo, muitos desses prédios estão sendo construídos na beira do Guaíba, com um impacto ambiental e social gravíssimo. Vão congestionar o sistema de trânsito e de saneamento. Não poderíamos deixar de falar disso numa discussão sobre a pauta ambiental. Já estamos operando no limite, com muito mais exceções do que deveríamos. Se tivermos em Porto Alegre um plano diretor cuja ideia da prefeitura é basicamente acabar com as restrições e deixar a cargo do empreendedor definir os limites, quais consequências teremos?

Há também o problema de ser ridicularizado por tentar tratar desses temas. Tem um empreendimento daqui que está em discussão desde o ano passado, um prédio de 41 andares na Duque de Caxias, que fere as regras de tombamento do museu de Júlio de Castilhos e não faz sentido do ponto de vista de proteção ambiental. Fizemos várias matérias chamando a atenção para isso. E logo a primeira coluna que saiu no jornal Correio do Povo, assinada pelo então diretor de jornalismo, ridicularizava as reportagens que questionavam o prédio – e, no caso, até então, só existiam reportagens do Sul21 sobre o tema. Nunca dão atenção para o que falamos, o Sul21 sequer existe para a grande imprensa. Mas, quando conseguimos pautar de alguma forma o debate e trazer uma discussão importante, como motivar ações judiciais, só lembram da gente para ridicularizar. Felizmente, por enquanto, a justiça barrou aquele prédio, porque, além de ele ser totalmente ilegal e contrariar as regras de tombamento, sequer tinha passado pelas próprias instâncias da prefeitura – ainda que já estivesse em construção.

Essa é a dificuldade dessa discussão urbana e ambiental na cidade: estamos discutindo coisas que já estão acontecendo mesmo antes de terem as aprovações e licenças todas encaminhadas. Esse prédio estava sendo construído por brechas na lei e, quando chamamos a atenção para isso, perceberam: “Bah, não pode, né? Tem uma lei do museu de tombamento que permite 15 andares, não 41”.

Em Porto Alegre, há um apelido para as pessoas que questionam essa ideia de desenvolvimento voltado para o mercado imobiliário. Todos que ousam questionar essa visão de progresso, que envolve concretar mais e subir prédios cada vez mais altos, são chamados de caranguejos. E eu brinco que os caranguejos são muito poucos, conheço todos pelo nome. Hoje, já me sinto quase um caranguejo honorário, de tantas matérias que fiz com esse pessoal, especialmente os integrantes de coletivos e os professores da UFRGS.

 

*Editado para fins de concisão.

Texto: Anna Júlia C. da Silva | Doutoranda (Poscom/UFSM) e pesquisadora discente do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM)

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Sônia Bridi é jornalista e escritora, referência em reportagens investigativas e na cobertura de questões sociais e ambientais. Foi correspondente da Rede Globo em Londres, Nova York, Pequim e Paris. No programa Fantástico, são destacadas produções assinadas por ela abordando de forma aprofundada as transformações do nosso tempo. “Terra, que Tempo é Esse?”, de 2010, “Planeta Terra: Lotação Esgotada”, de 2012, e “A Jornada da Vida”, de 2014, são alguns exemplos. Entre as suas principais coberturas, estão o desastre da região serrana do Rio de Janeiro, em 2011, e a tragédia humanitária dos Yanomami, em 2023. É autora dos livros “Laowai - Aventuras de uma repórter brasileira na China”, de 2008, e “Diário do Clima”, de 2012. 

A transmissão pode ser revista neste link

Leia a transcrição do painel* com Sônia Bridi, realizado no dia 5 de junho de 2024:

 

ANNA JÚLIA: Diante do cenário de mudanças climáticas e da repetição de eventos extremos, como você define o papel do jornalismo?

SÔNIA: Há muito tempo, temos repetido que não existe jornalista que não seja um jornalista do clima. O jornalista não vai estar prestando um papel, o seu papel como jornalista, se para cada assunto que ele for tratar, ele não estiver tratando também da questão climática. Todos os setores de nossa vida estão relacionados a essa pauta: nossos costumes, nossa cultura, nossa economia, a maneira como consumimos, produzimos energia, usamos a terra, nos deslocamos para o trabalho, tratamos o lixo, construímos infraestrutura urbana, desenvolvemos políticas públicas e, principalmente, fazemos política. A política tem ficado extremamente alienada das questões climáticas e nós jornalistas não temos feito o nosso trabalho de provocar e cobrar os políticos com a intensidade necessária para o momento que vivemos. Então, tratarmos das questões climáticas neste momento é fundamental. Hoje, ou você é um jornalista do clima ou você não está fazendo o seu trabalho de jornalismo como deveria ser feito.

E este trabalho se torna ainda mais urgente porque permitimos que a situação chegasse a esse ponto. Até este momento, nós já esquentamos o planeta quase um grau e meio. Hoje, foram divulgados dois relatórios bastante alarmantes que mostram que os últimos 12 meses foram os mais quentes da história. Assim, podemos afirmar que junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março, abril e maio foram os meses mais quentes já registrados. Isso não apenas em comparação com os dados instrumentais, mas também com evidências como marcos históricos, testemunhos, gelo, árvores, entre outros. Só esteve quente desse jeito há alguns milhões de anos e esse calor esteve relacionado a processos de extinção em massa. Logo, nós temos uma urgência muito grande e precisamos não só informar sobre o clima, mas também sobre o processo dos cientistas

Uma grande parte do descrédito que as pessoas têm na ciência, é porque infelizmente as nossas escolas e universidades não explicam como funciona um processo científico. Na pandemia, vimos que nem mesmo as faculdades de medicina. Tem médico que acha que se ele deu um remédio para um paciente e o paciente melhorou, isso é um estudo científico. Não é, isso não é uma comprovação de que o remédio funciona. Existe todo um processo de testagem e de garantias. E toda ciência trabalha assim. E quando a gente faz as matérias e diz que os cientistas estão afirmando isso ou aquilo, a gente tem que sempre responder como é que eles sabem isso. Explicar um pouco do processo científico ajuda não só as pessoas a se sentirem mais satisfeitas de compreender uma informação, mas aumenta a credibilidade da ciência, que tem sido bombardeada por mentiras profissionais como a gente tem visto nos últimos tempos. Enfim, acho que a tarefa é longa e árdua.

 

ANNA JÚLIA: Via chat do YouTube, temos uma pergunta de Heverton Lacerda (UFRGS): como os jornalistas podem furar as barreiras da estrutura de redação que estão ligadas de alguma forma ao comercial de grandes redações e ainda à direção geral dos donos das grandes redes?

SÔNIA: No meu caso, nunca senti uma pressão externa, digamos assim, comercial. Eu acho que o maior desafio para mim sempre foi convencer os meus colegas da gravidade da questão climática. Não há uma reunião de pauta em que eu participe e não traga pelo menos três pautas relacionadas ao clima e às questões ambientais, seja denúncia ou solução. Portanto, uma coisa é: devemos bombardear os chefes de redação com essas pautas. Trazê-las, sermos propositivos. Eu fiz isso e as coisas foram acontecendo; consegui cada vez mais espaço e hoje acredito que convencer se tornou muito mais fácil e conseguimos emplacar mais matérias.

É difícil assistir a um Jornal Nacional inteiro sem que o tema do clima seja abordado; é raro ver um Fantástico sem uma reportagem sobre meio ambiente, seja propositiva, de denúncia ou relacionada a algum outro assunto. E eu acho que essa nova geração de jornalistas que está nas redações já chega com esse conhecimento. A minha geração é cheia de negacionistas, jornalistas negacionistas do clima. É claro que eu estou falando de uma regra cheia de exceções, mas há uma tendência a tratar o clima e a questão ambiental como uma perfumaria, um assuntinho menor. Eu já ouvi coisas do tipo: “você é tão boa repórter, pena que se dedica tanto a ficar gastando tempo com essas matérias de meio ambiente”. Como se a sobrevivência da humanidade fosse um assunto pequeno. Então eu acho que a resistência das grandes redações não é tão grande assim, basta apresentarmos nossos projetos. 

Há uma dificuldade que se relaciona ao custo. Por exemplo, qualquer viagem para a Amazônia custa trinta, quarenta mil reais para uma equipe de televisão. Produzir matérias in loco, conversar com as pessoas, captar imagens, tudo isso demanda tempo e dinheiro, e dinheiro tem sido escasso nas redações brasileiras. As TVs e os jornais trabalham com publicidade. Então uma coisa que se pode fazer talvez é até botar o comercial como proativo, que tente comercializar, vender um determinado espaço que vai ser sempre dedicado a questões do clima. Porque qualquer empresa séria e constituída hoje tem um departamento de ESG (environmental, social e governance – traduzido para o português como ambiental, social e governança), e o E é de environmental (ambiental). As empresas estão sendo obrigadas a cada vez mais passar de greenwashing, de criar aquela imagem verde, para realmente agir verde. Então, acho que a gente tem que ser mais propositivo dentro das redações. 

Lembro da reação do meu chefe em 2009, quando sugeri uma série sobre lugares que já mostravam os efeitos das mudanças climáticas. Em 2009, ele achava que a gente iria ver mudança climática em 2070, 2080, mas já havia muitos exemplos. Quando provei isso a ele, fizemos a série, possivelmente a primeira na TV aberta mundial dedicada exclusivamente às mudanças climáticas, em horário nobre e com bastante tempo. Então, acho que a gente tem que ser mais propositivo com as chefias, porque às vezes eles já tem todo um planejamento, um espelho, uma programação, e ao chegarmos com uma coisa diferente temos que insistir, mostrar porque que é relevante e apresentar alternativas. Acho que a única maneira de dar a volta em todos os problemas para poder emplacar matéria é ser propositivo e insistente.

ANNA JÚLIA: Quais são os principais desafios que você costuma enfrentar ao cobrir desastres ambientais? 

SÔNIA: Eu acho que a maior dificuldade geralmente é o acesso, porque é quando acontece o desastre que o jornalista se desloca, e, às vezes, quando ele começa a se deslocar, o acesso já não é fácil. Nós vimos o que aconteceu no Rio Grande do Sul: havia jornalistas levando trinta, quarenta horas para conseguir chegar ao estado e fazer a cobertura. Aí, chegam em Porto Alegre e não conseguem ir para outros lugares. Então, há muita dificuldade de acesso. Também há dificuldade em conseguir enviar material, porque, quando há um desastre ambiental, há um desastre na infraestrutura, e essa infraestrutura acaba influenciando também a comunicação. Aí, você grava, tem um monte de arquivos, precisa subir pela internet, mas não tem uma internet confiável ou com velocidade. São problemas mais técnicos, né? Eu acho que precisamos estar preparados para ir a esses lugares. Quando você vai a um desastre ambiental, enfrenta um desafio físico. Você tem que saber se organizar para ir, não quer se tornar mais um problema, mais uma pessoa para socorrer, mais alguém a ser tratado no hospital. Então, você tem que ir com equipamentos de segurança e garantir que terá alimento por alguns dias, sem precisar usar os poucos recursos que as pessoas já têm. O jornalista não quer ser um estorvo diante de uma situação difícil.

Agora, no que se trata de falar com as pessoas, o desafio é controlar as emoções, porque é muito duro, numa hora tão difícil e trágica. Eu não fui para a cobertura no Rio Grande do Sul, porque fui diagnosticada com uma pneumonia na semana anterior e permaneci em tratamento. Aqui, tentei ajudar na redação, na pauta, enfim, com tudo o que pude. Mas, quando você está lá, compartilha a dor das pessoas. Você não quer sofrer mais do que a vítima, né? Então, é importante administrar suas emoções para que o repórter não se torne a notícia. Na televisão, essa linha é muito difícil e, às vezes, escorrega. Acho que esse é um desafio: estar muito aberto para ouvir as pessoas e dar o tempo delas. Numa tragédia, as pessoas querem desabafar; você não pode sair correndo de uma pessoa para outra. Deve dar o tempo necessário para a pessoa falar, desabafar, contar sua história. Às vezes, as pessoas começam a voltar no tempo 20 anos, e vão e voltam… faz parte do trauma que o discurso delas seja mais confuso, e precisamos ter paciência para ouvir.

Outro grande desafio é conseguir cobrir as etapas da notícia [o antes, o durante e o depois da tragédia], mas isso o Luís Gomes explicou muito bem. Há a etapa em que foi feito o aviso, o alerta de que as coisas podiam acontecer. Quando a tragédia ocorre, você deve se concentrar nela, mas não pode demorar muito para começar a apontar responsabilidades. Ainda mais num país como o nosso, onde temos que lidar com duas manifestações horríveis da mesma fonte, do mesmo movimento, que são o negacionismo e as mentiras plantadas e disseminadas de maneira profissional e planejada. Então, precisamos ter um momento ali, aquele tempo de cuidar, o resgate, o socorro, a ajuda humanitária e tal, mas também é necessário apontar as culpas e responsabilidades rapidamente. Tristemente, digo que me dói no coração saber que até hoje não há ninguém preso pelo que aconteceu na Boate Kiss. E ninguém vai pagar pelo que aconteceu com essa tragédia no Rio Grande do Sul. Ninguém pagou por Brumadinho, pelo Ninho do Urubu. Mas isso não deve ser razão para nos calarmos e pararmos de apontar os culpados. É preciso que isso seja feito no tempo certo, sem demorar muito.

 

ANNA JÚLIA: Como fazer uma cobertura eficaz e sensível, considerando o contexto de desastres?

SÔNIA: Na hora do desastre, você precisa ver o que está acontecendo agora, as consequências desse desastre. Uma cobertura sensível, eu acho, é a que deixa as pessoas falarem, que abre espaço para que elas contem as histórias do que está acontecendo ali. Mas, é preciso também haver uma compreensão de como tudo aconteceu, isso precisa ser feito, porque, quando compreendemos como tudo aconteceu, já estamos começando a desenhar a cadeia de responsabilidades.

Então, por exemplo, na semana seguinte à inundação no Rio Grande do Sul, no Fantástico, eu fiz a apuração e as artes que foram apresentadas pelas apresentadoras – porque eu estava em casa, com pneumonia, e isso era a contribuição que eu podia dar –, sobre como é a topografia da região, como as águas se movimentam, por que Porto Alegre inundou, como foi a sequência das comportas que falharam, das bombas que não funcionaram, mostrando a rapidez com que essa água subiu por causa dessa falha em todos os sistemas, enfim, todo esse processo. Por mais que essas coisas já tivessem sido ditas, uma coisa aqui, outra ali, eu acho que o Fantástico tem esse papel importante de agrupar aquelas informações que vão saindo picadas e colocar uma linha do tempo e um sentido nelas. Porque, quando você faz isso, já tem um caminho de responsabilidades, mostrando como as coisas aconteceram.

Enfim, acho que essas duas coisas precisam ser feitas: contextualizar o que e como aconteceu, tentar dar uma explicação mais completa do passo a passo de todas as coisas que influenciaram, mas também parar e ouvir as pessoas e entender como estão sendo atendidas. Eu me lembro que, quando estava na faculdade, tinha uma matéria do jornalista Ricardo Kotscho, da Folha de São Paulo, que era um estudo de caso em que ele mostrava uma inundação em São Paulo em que o prefeito estava em uma festa e não saiu. Então, você tem que mostrar como estão posicionadas e o que estão fazendo as autoridades. Nesse caso, algumas coisas foram muito bem feitas, como, por exemplo, a entrevista da jornalista Kelly Matos [Grupo RBS] com Hamilton Mourão [senador eleito pelo RS, do partido Republicanos], que revela muito sobre com quem se pode contar numa hora de desgraça.

 

ANNA JÚLIA: Via chat do YouTube, temos uma pergunta de Márcia Franz Amaral (UFSM): o que se espera do jornalismo neste momento pós-desastre que viveremos no Rio Grande do Sul. Quais as especificidades deste momento?

SÔNIA: Eu acho que existem várias frentes. Uma delas é um jornalismo que aponte as responsabilidades, não só em casos criminosos, mas também na política pública. Como a política pública é e foi negligenciada, isso precisa ser muito bem acompanhado. Outra coisa que podemos fazer, e eu produzi no Fantástico também nos bastidores, é o exemplo da matéria que foi feita em Nova York e em Londres sobre as cidades-esponja: podemos ajudar divulgando informações de que existem, sim, soluções baseadas na natureza, que podem tornar os ambientes mais resilientes.

Então, no Rio Grande do Sul, eu gostaria muito de ver um mapeamento de como está a vegetação nas cabeceiras do Rio Taquari, que permitiu que esse volume de chuva fosse absorvido e escoado para o rio com tanta rapidez. As margens desse rio são protegidas ou têm pasto e lavoura até a margem? Existe mata ciliar ao longo do rio e de seus afluentes? Qual é a cobertura de mata nativa nas propriedades dessa região? Está respeitando os 30% de reserva natural? Esse tipo de levantamento, eu acho, é fundamental até para ajudar a pautar a discussão de política pública.

Se você não tiver um ambiente resiliente... é como ter um paciente doente que qualquer gripe pode matar. Agora, se você tem um paciente mais resiliente, ele vai suportar melhor os ataques à sua saúde. E isso é muito verdadeiro para o meio ambiente. Se você tem rios com margens bem florestadas, cujos afluentes são igualmente bem cuidados, um sistema de microbacias bem mantido, com solo que absorve a água. Em um evento extremo como esse que aconteceu, provavelmente não vai evitar que tanta chuva ocorra, mas talvez evite a gravidade e a rapidez com que os danos se espalhem. A velocidade com que a água desceu essa serra pode ser um indicativo. Isso precisa de um estudo. Isso eu gostaria de ver, por exemplo. Isso é trabalho para nós. Trabalho para nós, jornalistas.

 

ANNA JÚLIA: Muito obrigada pelo relato, Sônia. Gostaria de fazer mais algum comentário?

SÔNIA: Eu queria dizer o seguinte: hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente e também o dia em que se completam dois anos desde que Bruno Pereira e Dom Phillips foram brutalmente assassinados no Vale do Javari, defendendo o que o Estado deveria estar defendendo, que é a integridade do território contra crimes ambientais.

Quando falamos, por exemplo, da proteção dos banhados, é porque os banhados são as cidades-esponja já prontas. Eles existem para isso, para absorver o impacto de grandes inundações. Quando acabamos com eles, criamos instabilidade. E eu acho que algo que precisamos sempre conectar é a questão da nossa segurança com a questão ambiental. As pessoas que morreram e que perderam tudo foram vítimas dos crimes ambientais.

Os analistas de economia agora finalmente estão falando do impacto econômico do clima, que vai impactar o PIB do Brasil e tal, mas quando você fala de licenciamento ambiental, muitas vezes você os vê dizendo que isso “atrapalha e atrasa obras, torna difícil fazer infraestrutura”. Há uma tendência a diminuir e desvalorizar a importância de rigorosos licenciamentos ambientais de proteção. Dizem, “ah, mas querem deixar 30% [de reserva natural] da terra, coitado do agricultor, não pode aproveitar a terra dele”. A terra é um bem público também. E se ele não cuidar dos 30% de preservação ambiental ou, enfim, de acordo com a legislação para cada tamanho de propriedade – 50%, 80% na Amazônia –, não vai ter nada para colher. A terra vai embora, o solo fértil vai embora.

Então, temos que conectar o clima com essa destruição de vidas, de formas de vida e de meios de vida – que são o seu trabalho, o seu emprego, a empresa que você tem, ou a vendinha, a sua casa, os seus móveis, a escola das suas crianças. Tudo isso se perde e é um gasto de infraestrutura absurdo comparado com o custo do plantio de árvores, reservas legais e licenciamento ambiental. Isso vira troco, é irrisório perto do desastre. E essas contas precisam ser feitas e escancaradas sempre que falarmos sobre os desastres. É isso, gente. Obrigada pelo convite.

 

*Editado para fins de concisão.

Texto: Anna Júlia C. da Silva | Doutoranda (Poscom/UFSM) e pesquisadora discente do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM)

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Milpa - Feed Customizado RSS-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/2024/05/23/serie-futuros-possiveis-promovera-evento-sobre-comunicacao-em-desastres Thu, 23 May 2024 15:46:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/laboratorios/milpa/?p=77 Os desafios da comunicação e informação no contexto de desastres será tema de evento promovido pela série Futuros Possíveis - Encontros de Pesquisa, no Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho. A iniciativa procura ampliar e aprofundar as reflexões em torno da área da comunicação diante da emergência climática e de desastres socioambientais, como o enfrentado pelo estado do Rio Grande do Sul neste mês de maio de 2024. "Futuros Possíveis: Comunicação, Informação e Desastres" é o título do encontro que poderá ser acompanhado, a partir das 13h45, em formato on-line via YouTube ou presencial na sala 19 do bloco 1 da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen (UFSM/FW). Haverá espaços reservados para perguntas e diálogo entre participantes e público. Não é necessário inscrição prévia para assistir. 

A organização do evento é realizada em uma parceria entre o milpa - laboratório de jornalismo, Grupo de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Poscom) da UFSM, e o Programa de Extensão Mão na Mídia, do Departamento de Ciências da Comunicação (Decom) da UFSM/FW. O encontro faz parte da programação do "Pensando Verde: Semana do Meio Ambiente", promovida pelo Grupo Agenda 2030, da UFSM/FW.

Inicialmente, haverá a participação de Fernanda Damacena, advogada com pós-doutorado em Direito Socioambiental e Sustentabilidade, com a palestra "Direito à Informação no Contexto de Risco e de Desastres". A mediação será do jornalista e mestrando Micael Olegário (POSCOM/UFSM). 

Em seguida, será aberto um painel com a participação da jornalista Sônia Bridi, da Rede Globo, e do jornalista Luís Eduardo Gomes, do portal Sul21, que irá tematizar o "Jornalismo na Cobertura de Desastres". A mediação será da jornalista e doutoranda Anna Júlia Carlos da Silva (POSCOM/UFSM).

 

Espaço para a pesquisa

Além da palestra e do painel temático, o evento terá um terceiro momento com uma roda de conversa sobre "A Pesquisa em Comunicação diante das Mudanças Climáticas". Estarão presentes a professora Ilza Maria Tourinho Girardi e a pesquisadora Eloisa Beling Loose, do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (PPGCOM/UFRGS); a professora Márcia Franz Amaral, do Grupo de Estudos em Jornalismo (POSCOM/UFSM); a professora Cláudia Herte de Moraes, do Programa Mão na Mídia (UFSM/FW); e o professor Reges Schwaab, do milpa - laboratório de jornalismo (POSCOM/UFSM).

Link para acesso à transmissão ao vivo: http://www.youtube.com/live/9lx9zk35Oc4

 

Fernanda Damacena é advogada, consultora e pesquisadora. Realizou pós-doutorado na área de concentração Direito Socioambiental e Sustentabilidade. É doutora e mestra em Direito, além de especialista em Direito do Estado. Visiting Research Fellow na UWA Law School - Austrália.

Sônia Bridi é jornalista, escritora e repórter especial, com vasta experiência em reportagens investigativas e coberturas de questões ambientais e sociais. Foi correspondente da Rede Globo em Londres, Nova Iorque, Pequim e Paris. Autora de Laowai - aventuras de uma repórter brasileira na China (2008) e Diário do Clima (2012).

Luís Eduardo Gomes é graduado e mestre em Comunicação Social, com especialização na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). É repórter do site Sul21 desde 2015 e sócio desde 2020. Possui passagens anteriores pelo Portal Terra e pelo Diário Gaúcho.

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Pesquisa articula o jornalismo socioambiental e uma perspectiva decolonial latino-americana para pensar os sujeitos jornalistas e sua elaboração acerca da prática diante do atual cenário ambiental

[caption id="attachment_74" align="alignnone" width="1024"] Aspecto de uma da plataforma Sumaúma, analisada na pesquisa. Fonte: reprodução.[/caption]

Em dissertação defendida no Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFSM, a pesquisadora Anna Júlia Carlos da Silva se debruça sobre uma das importantes iniciativas recentes no campo do jornalismo no contexto latino-americano. Ao focalizar práticas e discursos das repórteres da plataforma amazônica independente Sumaúma: jornalismo do centro do mundo, a estudante costura uma contribuição para pensar as demandas jornalísticas que afloram diante do cenário de emergências socioambinetais da América Latina.

Desenvolvida no âmbito do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), a dissertação está alicerçada na exploração do método de reportagem de plataformas independentes e não-hegemônicas e seus mecanismos de resistência à estruturas tradicionais no jornalismo. A partir disso, aponta potencialidades do campo na busca por transformação social, ambiental, econômica e política. Nas proposições analíticas, trabalha a prática jornalística não apenas como uma atividade institucional, mas como expressão da subjetividade das e dos profissionais, possuindo relação direta com os contextos social, temporal, georáfico e discursivo desse fazer.

Anna Júlia, filiada ao dispositivo teórico da Análise do Discurso de linha francesa, propõe um gesto de leitura dos dizeres de Eliane Brum, Jonathan Watts, Veronica Goyzueta, Talita Bedinelli e Carla Jiménez, co-fundadores da plataforma Sumaúma, especialmente fazendo trabalhar noções-conceito como sujeito, lugar e resistência, em uma amostra textual recolhida no primeiro ano de atividades da plataforma. Emergem daí vinte núcleos de sentido que, conceitual e analiticamente, são organizadores de cinco posições-sujeito das jornalistas: urgência e resistência, mudança de perspectivas, ação coletiva, criação de futuros e fazer jornalístico. A partir dessas aproximações, a pesquisa identifica a articulação do lugar social do jornalismo com um lugar discursivo de transformação, sendo sua formação discursiva central a da transformação e a forma-sujeito a de potencial transformador.

O trabalho teve financiamento parcial da Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, e foi orientado pelo professor Reges Schwaab. A avaliação final esteve à cargo das professoras e pesquisadoras Ana Cláudia Peres (Radis/FIOCRUZ) e Cláudia Herte de Moraes (UFSM FW).

A dissertação completa pode ser acessada aqui.

A pesquisadora, agora, amplia tal discussão em sua pesquisa de doutorado, novamente vinculada ao milpa e em andamento no POSCOM/UFSM. No doutorado, Anna Júlia Carlos da Silva segue com financiamento da CAPES para sua investigação, e mais uma vez sob orientação do professor Reges Schwaab.

 

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Em fase final da graduação, jovens têm oportunidade de conhecer a profissão por meio de estágios - Imagem: Canva

Micael dos Santos Olegário*

Entre ecos e fronteiras do sul, estudantes do curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) têm a oportunidade de colocar em prática novas formas de pensar e fazer o jornalismo na América Latina. João Carlos da Silva Neto, Josué Ângelo Gris, Yasmmin Soares Ferreira e Heloisa Gamero Marques, membros do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), estão no final da graduação e conseguiram vagas para realizar seus estágios curriculares em mídias jornalísticas independentes.

Ao buscar suas vagas de estágios, os quatro estudantes deram prioridade para veículos onde pudessem praticar os conhecimentos adquiridos durante a graduação, e aproximar-se de temas de seus interesses de pesquisa. Foi assim com João Carlos, que atua colabora com a produção das newsletters do Matinal Jornalismo, mídia independente de Porto Alegre. 

Nascido no sudoeste do Paraná, ele passou a morar em Frederico Westphalen por conta da graduação e, para o estágio, João fez sua mudança para a capital gaúcha. “Estar na Matinal é um processo em que abro os olhos para as contribuições que a graduação foi capaz de oferecer”, conta ele ao ser questionado sobre a experiência.

Buscar oportunidades em outros espaços também levou a estudante Yasmmin Ferreira a trabalhar no Estúdio Fronteira, uma agência independente de Porto Alegre. No estágio, Yasmmin produz reportagens para diferentes veículos como a Veja Saúde, além de colaborar com matérias do Giro Latino e do The Intercept Brasil. “A experiência é muito prática e estou aprendendo como lidar com o Jornalismo de maneira mais densa”, descreve a estudante.

Já Heloísa atua diretamente com as questões ambientais e climáticas por meio de seu estágio no portal ((o))eco - Jornalismo Ambiental. “É bem desafiador, principalmente por lidar com profissionais que estão há anos no mercado e no mesmo nicho ambiental”, relata.  Apesar dos desafios, ela avalia a experiência de modo positivo para seu processo de formação.

Também membro do milpa e estudante de jornalismo da UFSM, Josué encontrou uma oportunidade de estagiar no Sul21, site independente com sede em Porto Alegre e foco na cobertura contra-hegemônica. Ele cita que o processo para conseguir a vaga não foi fácil, com a necessidade de fazer diversos contatos com a equipe do veículo,  “Encontrar um veículo que se propõe a produzir jornalismo sob uma ótica alternativa - e que abriu as portas para um estudante de fora da capital do estado - tem sido gratificante”, ressalta o estudante que auxilia na produção de conteúdos para as redes sociais do Sul21.

Relação com a pesquisa

Em seus depoimentos sobre a experiência nos estágios, os estudantes relacionam o que estão vivendo nas redações com os temas tratados no grupo de pesquisa. “No milpa trabalhamos muito a questão ambiental, uma das demandas que mais tenho visto no estágio, além da humanização, tema que sou fascinada”, afirma Yasmmin Ferreira. Como exemplo prático da contribuição que o projeto trouxe para ela, a estudante cita a produção do podcast “Palavra Terra”,desenvolvido pelo milpa em 2023.

Heloísa atribui aos encontros do milpa o interesse pela temática ambiental que a levou a conhecer e estagiar no ((o)) eco. Como atua na seleção de notícias para a newsletter da Matinal, João Neto estabelece uma relação do seu trabalho com os depoimentos de outros jornalistas com os quais teve contato no grupo de pesquisa. “Consigo ver uma ponte muito importante entre as pesquisas que fizemos pelo milpa e as atividades do estágio, principalmente ao tentar entender como os jornalistas trabalham”, complementa o estudante.

Na visão de Josué, a possibilidade de refletir sobre a diversidade do jornalismo nas reuniões do projeto faz a diferença no momento de trabalhar na área. Além disso, ele faz uma recomendação para os atuais e futuros membros do grupo de pesquisa. “Busquem algo mais, não se contentem com o que foi proposto em aula. Tenham a certeza de que o milpa é esse espaço que pode proporcionar novos contatos - na pesquisa e na profissão - que impulsionam nossa formação”, destaca Josué.

 

Confira um dos conteúdos para redes sociais produzidos por Josué Gris:

http://www.tiktok.com/@sulvinteum/video/7338486189843844357

Confira algumas das produções de Yasmmin Ferreira para a Veja Saúde:

Couve muito além do suco detox: quais os benefícios reais da folha 

O que é o “pulmão de ferro”, dispositivo utilizado por Paul Alexander 

Acesse algumas das produções de Heloísa Gameira para ((o)) eco:

Quarto branqueamento em massa dos recifes de corais já atinge o Brasil

83% das espécies de raias e tubarões comercializadas no Brasil estão ameaçadas

Veja as newsletter em que João Carlos Neto colabora na produção:

http://www.matinaljornalismo.com.br/categoria/matinal/newsletter/

*Jornalista formado pela Unipampa e mestrando no Poscom/UFSM. Membro do milpa

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Maria Petrucci: “Pois, talvez mais do que tudo, o Antropoceno é sobre a percepção de que práticas políticas, gestos criativos, seleções ecológicas, histórias, conceitos, formulações, territórios, em suma, maneiras de dizer, explicar e habitar o mundo fazem um mundo". Imagem: Ed. Contratempo.

 

A série Futuros Possíveis - Encontros de Pesquisa abre sua programação pública de 2024 na próxima quarta, dia 24 de abril, às 15h30. O projeto recebe a escritora e pesquisadora Maria Petrucci, que lançou, em março, o livro Antropoceno: da crise climática à crise de pensamento (Ed. Contratempo). A convidada é mestre em Letras pela UFRGS, onde atualmente cursa o Doutorado. Integra o grupo de estudos Atlas do Antropoceno, da PUC-RS, e o grupo de pesquisa A Terra e Nós, vinculado ao CNPq. É professora e tradutora freelancer e autora do livro de ficção prelúdios (Víbora Edições).

O encontro será em formato híbrido. Presencialmente, na Sala de Reuniões do campus da UFSM Frederico Westphalen, sem necessidade de inscrição prévia. Para participar via Google Meet, é necessária inscrição até às 20h do dia 23 de abril (link abaixo). As informações para participação por videoconferência serão remetidas por e-mail na manhã do dia 24.

No livro, Maria Petrucci propõe uma aproximação detalhada e pertinente ao conceito de Antropoceno, debatido por várias áreas do conhecimento, das humanidades às ciências naturais, sobre a possível "nova época da Terra", que nos convida a questionar nossas práticas e, especialmente, imaginar novos modos de vida.

A série Futuros Possíveis promove reuniões quinzenais com o objetivo de estudar e de debater proposições de pensadores e de pesquisadores contemporâneos, de distintos campos de conhecimento. As perspectivas centrais de estudo compreendem abordagens sobre a Comunicação diante do Antropoceno e das Mudanças Climáticas.

A atividade tem coordenação dos professores Reges Schwaab e Cláudia Herte de Moraes, com a participação dos seus orientandos de graduação e de pós-graduação, bolsistas e voluntários de projetos de pesquisa, de ensino e de extensão, e também de estudantes interessados/as, independente de semestre e de curso. Neste ano, a doutoranda Anna Julia Carlos da Silva (POSCOM/UFSM) é a discente responsável pela dinâmica dos encontros. Para estudantes, a participação é certificada.

Os encontros são fruto de uma colaboração entre o milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM) e o projeto de extensão Mão na Mídia e estão em sua segunda edição.

Outras informações: milpa@55bet-pro.com.

Inscrições | Clique aqui para participar via Google Meet.

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