12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Fri, 29 Jul 2022 19:19:01 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico 12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/inovacao-no-reconhecimento-de-bacterias Mon, 11 Apr 2022 13:43:38 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9051

Conhecimentos de engenharia aplicados à análise microbiológica foram a base para que os alunos de mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica da UFSM Adriano Jaime e Charles Habb desenvolvessem um dispositivo inovador. Sob a orientação do professor Juliano Barin, pesquisador em Tecnologia e Ciência de Alimentos, os alunos foram capazes de identificar contaminação bacteriana em poucas horas. Eles pensaram em trazer uma
solução útil e com impacto social para o problema levantado pelo Laboratório de Tecnologia de Alimentos da Universidade: o tempo necessário para se identificar o contágio bacteriano.

Ilustração horizontal e colorida com fundo azul Bic. São quatro mini ilustrações sobre fundo branco. Três são retangulares e pequenas, dispostas na vertical esquerda. E a quarta é quadrada e grande e está na metade direita. A ilustração maior é de um equipamento preto, com formato semelhante a um CPU de computador de mesa. Ele tem os cantos arredondados, é vertical, tem contornos em vermelho, um círculo vazado na parte inferior e um símbolo em branco no centro superior: é uma forma abstrata com curvas circulares no centro de um círculo vazado. Na parte superior, há uma abertura na qual está anexo um quadrado preto. Está sobre fundo branco com sombra bege. Agora, a descrição das três ilustrações pequenas, de cima para baixo. A primeira tem dois tubos de ensaio transparentes e com tampa preta. O primeiro tem líquido azul, e o segundo, líquido azul com pontos coloridos espalhados. Ao lado, círculo com o líquido azul em zoom, e vários elementos coloridos em amarelo, rosa e verde pastel. O fundo é branco com sombra em rosa pink. A segunda ilustração mostra dois equipamentos conforme o descrito anteriormente. Estão lado a lado, na diagonal. O da direita tem uma luz verde acima do círculo inferior. Está em fundo branco com sombra bege. A terceira Ilustração é de um computador de mesa preto. Na tela, janela com fundo rosa, lista colorida com fundo preto e gráfico de barras azul claro. Ao lado do computador, a mesma lista do computador em um dispositivo vertical. O fundo é branco e a sombra é rosa. O fundo da Ilustração é azul Bic.

Diferentemente do método tradicional, conhecido como método da contagem em placas, o qual necessita da observação a olho nu por dias para saber se houve infecção, o dispositivo oferece uma resposta rápida, precisa e barata, através de uma instrumentação eletrônica. Atualmente, ele está sendo desenvolvido para aplicações em alimentos como o leite e determinação da presença da bactéria Salmonella, principal causadora de infecções alimentares, em ração animal.

“Existe um leque de aplicações, nada impede que o instrumento seja utilizado em outros segmentos: na saúde, por exemplo, para saber se há contaminação no sangue; em frigoríficos, para fazer o controle ambiental; na indústria alimentícia, pode ser usado em restaurantes ou em supermercados. Quanto mais vamos pesquisando, descobrimos várias outras áreas em que ele pode ser aplicado”, conta Adriano.

 

Outro benefício do aparelho é o seu fácil uso: não é necessário o auxílio de técnicos ou ter qualquer  conhecimento específico para utilizá-lo – ele é 100% automatizado. Para Adriano, esse é o principal diferencial do equipamento. Só é necessário fazer a coleta, apertar um botão e, em poucas horas, o cliente já tem o resultado.

 

O projeto, que faz parte da tese de doutorado de Charles, é inovador, pois promove a junção entre a eletrônica e a tecnologia. Adriano explica que eles não criaram um instrumento novo, e sim um novo método de análise: “O procedimento, que já existe, é usado para outras coisas. Nós trouxemos ele para a contagem bacteriana; é aí que está a nossa inovação”.

 

A partir do projeto, os engenheiros decidiram fundar a startup Auftek e inscreveram a proposta para o Programa Centelha, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o qual visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar o empreendedorismo no Brasil. Dentre as 784 propostas submetidas ao programa em janeiro de 2020, o dispositivo ficou entre as 28 contempladas e recebeu recursos financeiros e suporte para transformar sua ideia em um negócio de sucesso.

 

Adriano relata que o investimento do programa foi muito importante para a continuação das pesquisas em meio à pandemia da Covid-19 – com os laboratórios da UFSM fechados, eles tiveram que comprar boa parte do material. O dispositivo também foi contemplado pelo Programa Techfuturo, parceiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). Com esses investimentos, a startup conseguiu montar nove protótipos do dispositivo, e os pesquisadores pretendem ter um produto mínimo viável validado e em funcionamento para comercialização até janeiro de 2022.

Infográfico horizontal e colorido em três partes. São três ilustrações e três blocos de texto. As Ilustrações estão acima dos blocos. As Ilustrações são retangulares e os blocos de texto, verticais. Da esquerda para a direita. Ilustração um: desenho de dois tubos de ensaio transparentes e com tampa preta. O primeiro tem líquido azul, e o segundo, líquido azul com pontos coloridos espalhados. Ao lado, círculo com o líquido azul em zoom, e vários elementos coloridos em amarelo, rosa e verde pastel. O fundo é branco com sombra rosa. Abaixo, sobre fundo branco com sombra rosa, em preto e dividido em dez linhas, o texto: "Dois tubos são preparados com o mesmo meio de cultura - que é o que dá condição de as bactérias se proliferarem, mas a amostra só é colocada em um deles". Segunda Ilustração: mostra dois equipamentos pretos em formato de CPU de computador de mesa. Estão lado a lado, na diagonal. Os equipamentos têm os cantos arredondados, são vertical, têm contornos em vermelho, um círculo vazado na parte inferior e um símbolo em branco no centro superior: é uma forma abstrata com curvas circulares no centro de um círculo vazado. Na parte superior, há uma abertura na qual está anexo um quadrado preto. O equipamento da direita possui uma luz verde acima do círculo inferior. Está sobre fundo branco com sombra bege. Abaixo, o bloco de texto, sobre fundo branco com sombra bege, em preto e dividido em oito linhas: "Ambos tubos são colocados no equipamento, o qual compara de existe uma alteração elétrica entre o tubo sem e o com a amostra". Terceira Ilustração: tem computador de mesa preto. Na tela, janela com fundo rosa, lista colorida comigo fundo preto e gráfico de barras azul claro. Ao lado do computador, a mesma lista do computador em um dispositivo vertical. O fundo é branco com sombra rosa. Abaixo, o bloco de texto sobre fundo branco com sombra rosa. Está em preto e dividido em dez linhas: "Por não haver necessidade de contagem manual, esse novo método eletrônico já consegue detectar e mensurar a alteração no momento em que ocorre". O fundo é liso na cor azul Bic.
Expediente:
Reportagem: Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo;
Ilustração e diagramação: Amanda Pinho, acadêmica de Produção Editorial.
Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (dezembro de 2021).
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12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-despertar-do-conhecimento Mon, 11 Apr 2022 13:43:14 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9053

Uma das instituições mais antigas do mundo é a universidade. Ingressar nela é o sonho para 17,2 milhões de brasileiros, conforme dados de 2018 da Associação Brasileira de Estágios. No entanto, poucos conhecem sua história. Confira a seguir como as primeiras universidades surgiram e sua evolução até os formatos atuais.

Ilustração horizontal e colorida de pessoas no interior de um prédio. A ilustração é vista de fora, com três pilares com teto arredondado, na cor marrom claro e detalhe em moldura de dourado. Nas partes superiores, logomarcas de universidades, e no centro superior de cada pilar, brasão dourado. No meio de cada pilar, é possível ver o interior da universidade. No primeiro, da esquerda para a direita, mesa retangular com banco acoplado na cor marrom. Há seis pessoas atrás da mesa, sendo dois homens e quatro mulheres, duas pessoas negras e quatro brancas. A mulher ao fundo tem pele negra está mexe um frasco. A segunda tem pele branca e está inclinada sobre um papel branco e grande. O terceiro é homem, tem pele branca e está com um jaleco branco e estetoscópio. A quarta é mulher, tem pele branca e está inclinada sobre um telescópio. O quinto é homem, veste capa preta e está em frente a uma máquina de escrever vermelha. A sexta é mulher, tem pele negra e olha em um microscópio. No pilar do centro, homem de pele parda, cabelos curtos e escuros, olhos escuros, veste vestido preto e entrega um papel branco com a escrita "Diploma" para uma mulher negra, de cabelos e olhos escuros, que veste bata e capelo verdes. No pilar da direita, mesa retangular marrom com banco acoplado. Atrás da mesa, seis pessoas, sendo três mulheres e três homens, e três pessoas negras e três brancas. No fundo, o primeiro é homem, branco, está em frente a uma balança de pesos cinza. A segunda é mulher, de pele branca, está em frente a um globo. A terceira é mulher, de pele nega, está com um livro aberto nas mãos, de capa vermelha. O quarto é um homem, de pele negra, usa óculos e está em frente a um ábaco. O quinto é um homem, de pele parda, segura um crânio nas mãos. A sexta é uma mulher, de cabelos ruivos e pele branca, segura uma caneta em frente a uma tela branca. No fundo, o chão de ladrilhos em cinza e branco.

As primeiras universidades do mundo

As primeiras instituições do Ocidente surgiram na Idade Média e espalharam-se rapidamente por toda a Europa. Essa época foi marcada pelo renascimento das cidades, crescimento do comércio e pela influência das escolas do século 12. Tudo isso levou à necessidade de se criar um novo espaço de construção e preservação do conhecimento. As primeiras universidades foram a de Bolonha, na Itália, fundada em 1088, e a de Paris, na França, em torno de 1200. Após alguns anos, surgiram instituições de ensino superior de Oxford, Nápoles, Cambridge, Montpellier, Coimbra e Lisboa.

Educação superior medieval

A Universidade de Paris recebeu o título de studium generale, ou seja, Estudos Gerais, concedido somente às instituições que possuíam as quatro faculdades: Artes, Teologia, Decretos e Medicina. A educação universitária se preocupava em dominar os conhecimentos encontrados em livros e os considerava como verdades absolutas. Não havia um ponto de vista crítico nem inovador. No entanto, os livros eram raros e caros nesse período. Por isso, as aulas se davam a partir da leitura das obras pelos mestres e por meio de debates públicos. Assim, a educação era muito mais voltada para o domínio dos discursos formais e da argumentação do que para a aquisição de saberes.

Heranças e tradições

Apesar de os modelos universitários atuais serem muito diferentes dos de antigamente, ainda mantêm características e tradições daquele período. Por exemplo, as nomeações e as diferenças entre bacharelado, licenciatura, mestrado e doutorado. As noções de créditos ou horas necessários para a conclusão de curso, bem como as bancas avaliadoras datam da Idade Média. Algumas instituições antigas mantiveram tradições seculares – na Universidade de Coimbra, por exemplo, é possível encontrar resquícios das vestimentas medievais. Até hoje, são usadas longas capas pretas pelos estudantes, característica adotada pela escritora J. K. Rowling ao descrever as vestimentas dos personagens na saga Harry Potter.

O surgimento no Brasil

O sistema universitário foi trazido para a América Espanhola no século 16, com instituições no México, Chile, Cuba e Argentina. No Brasil, o ensino superior só chegou três séculos depois. Durante a colonização portuguesa, a Companhia de Jesus era responsável pela educação, e seu objetivo era a difusão da fé católica. Alterações significativas só ocorreram com a vinda da Corte Portuguesa, em 1808. Surgiram o Curso de Cirurgia da Bahia, a Escola de Direito em Olinda, a Faculdade de Direito de São Paulo, o Curso de Medicina no Rio de Janeiro e a Escola Nacional de Engenharia. Após a Independência e a Constituição de 1824, discutiu-se a necessidade do sistema nacional de educação. O ensino superior só foi instalado em 1930.

Maio de 68

Demandas estudantis marcaram a década de 60 e ocasionaram grandes mudanças sociais e políticas mundialmente. O movimento conhecido como Maio de 1968 teve início na França e consistiu em uma série de protestos por parte de jovens universitários que exigiam reformas no sistema educacional. Os eventos também atingiram a classe trabalhadora, ao provocar a maior greve geral da Europa. Os ideais do movimento foram o estopim para uma grande revisão de valores da época fortalecendo demandas em diversos países. No Brasil, por exemplo, o movimento impulsionou os opositores da ditadura militar e incentivou a união na Passeata dos Cem Mil, que marcou a reação contra o regime.

Modelos universitários Modernos

O século 20 foi marcado por profundas transformações no ensino superior: em vez de se aceitar passivamente os ensinamentos, passou-se a estimular questionamentos. A universidade deu voz a novas áreas, ganhou mais autonomia e se consolidou como esperança de transformação socioeconômica. Somente entre as federais no Brasil, são mais de 1,2 milhão de estudantes e mais de 191 mil servidores, entre técnicos e professores. Para a pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM Eugenia Barichello, “a sociedade descobriu que a universidade poderia auxiliá-la em problemas específicos; a partir de então a universidade passa a ter um compromisso social mais efetivo”.

Origens da UFSM

A Universidade Federal de Santa Maria, fundada em 1960 pelo professor José Mariano da Rocha Filho, foi a primeira instituição federal criada fora de uma capital. A UFSM liderou o movimento de interiorização, apesar da resistência das situadas nas capitais, nas quais eram feitos os maiores investimentos. Logo a partir disso, como observa a professora Eugenia, a UFSM definiu sua vocação como uma universidade comprometida com a  realidade social, com a educação formativa e permanente à população do interior e, posteriormente, aos estudantes dos mais diversos lugares do Brasil.

Expediente:

Reportagem: Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo;

Ilustração: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial.

Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (dezembro de 2021).

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12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/cidadania-em-extensao Mon, 11 Apr 2022 13:42:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9054

“É uma lição de vida e até de cidadania”. O trecho do poema escrito por Rômulo Chaves, compositor de Palmeira das Missões, descreve o lema do projeto Rondon. O poema foi um pedido do amigo, professor do Departamento de Ciências da Saúde da UFSM em Palmeira das Missões, Gianfábio Pimentel Franco, como forma de  homenagem à participação da Universidade na edição de 2019, da qual ele fez parte.

Colagem horizontal e colorida de três imagens. A primeira, na esquerda da imagem, em tamanho grande, é de um mapa do Brasil, em formato ilustrado. As cores da região Sul estão em tons de roxo, da região Sudeste em rosa, da região Centro-Oeste em laranja, da região Norte em verde e da região Nordeste em amarelo. Um ícone de avião está sobre os estados da região Sudeste. Uma linha pontilhada sai do Rio Grande do Sul e vai até Rondônia, em amarelo. A fotografia ilustrada está presa com um clip. Ao lado, duas Fotografias presas com fita azul. A primeira, na parte superior direita, onze pessoas em frente a uma van branca. Oito estão em pé, e três agachadas, que seguram uma bandeira da Universidade Federal de Santa Maria. Cinco são mulheres e seis são homens. O fundo é um céu azul com nuvens. Abaixo, fotografia horizontal de 21 pessoas que vestem colete amarelo sobre camiseta bege, ou camiseta amarela. Todos usam crachá, e alguns usam chapéu de tecido. Onze pessoas estão em pé, sendo seis mulheres e cinco homens. O último veste uniforme militar. Dez pessoas estão agachadas ou sentadas, sendo oito mulheres e dois homens. O ambiente é escuro e iluminado por luzes da rua. O fundo é branco com textura.

Criado em 1967 pelo Governo Federal, o projeto Rondon visa contribuir para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes. Isso é feito através de uma parceria entre diferentes ministérios, governos estaduais e municipais e instituições de ensino superior. A iniciativa envolve a participação de professores e estudantes na execução de ações que utilizam habilidades dos universitários para colaborar com o bem-estar social, a gestão pública e a qualidade de vida dos moradores do local onde elas ocorrem. Para os estudantes, além de favorecer a vida acadêmica, a experiência é uma oportunidade de vivenciar outras culturas e realidades, bem como desenvolver responsabilidade social e coletiva.

 

Nas duas primeiras décadas, o projeto Rondon envolveu 350 mil universitários em todas as regiões do país. Ainda em seus anos iniciais, ele se conecta com a história da UFSM de maneira muito direta: em 1969, José Mariano da Rocha Filho, criador da Universidade e reitor vigente da época, participou como conselheiro do projeto. Após, Mariano teve interesse em fazer com que as ações rondonistas fossem mais eficazes na região. Assim, criou o 55BET Pro Avançado de Boa Vista, em Roraima. Dessa forma, todo mês, acadêmicos da UFSM iam até o 55BET Pro
Avançado trabalhar e dar continuidade aos serviços prestados, principalmente nas áreas de saúde e educação. Isso aconteceu até o fechamento da sede, em 1985, mas a parceria com o estado ficou registrada através do nome da “Avenida Roraima”, coluna espinhal do campus da UFSM Santa Maria.

Ilustração quadrada e colorida de uma imagem ilustrada de um mapa do Brasil. As cores da região Sul estão em tons de roxo, da região Sudeste em rosa, da região Centro-Oeste em laranja, da região Norte em verde e da região Nordeste em amarelo. Um ícone de avião está sobre os estados da região Sudeste. Uma linha pontilhada sai do Rio Grande do Sul e vai até Rondônia, em amarelo. A fotografia ilustrada está presa com um clip. O fundo é branco.

Em 1989, o projeto Rondon foi extinto e, posteriormente, retomado em 2004. Desde então, ocorreram mais de 80 operações, as quais contemplaram 1.213 municípios e envolveram 22.897 rondonistas e mais de dois milhões de beneficiados. Em 2019, entre os dias 11 e 28 de julho, dois professores do Departamento de Ciências da Saúde da UFSM Palmeira das Missões, acompanhados de oito acadêmicos dos cursos de Enfermagem, Pedagogia, Educação Especial, Direito e Dança, participaram da Operação João de Barro do Projeto Rondon, no município de Santa Rosa do Piauí. Como comentado antes, entre eles estava o professor Gianfábio, que conta, neste diário, como foi participar da última edição presencial da maior ação extensionista do país.

Nossos mestres têm destino de sair em empreitada*

Participar de um projeto dessa magnitude nos impõe diversas demandas – sejam pessoais e/ou profissionais. Em primeiro lugar, é árdua a tarefa de se dispor. Nos meses de julho, comumente as operações nacionais convergem com as férias escolares e universitárias – e, delas, abdica-se, para geralmente se deslocar para estados com condições sociais, econômicas, culturais e climatológicas opostas às nossas.

 

Dificilmente há tempo hábil de preparação, pois, a partir da seleção do edital da instituição e do Ministério da Defesa, há no máximo seis meses para organizar as oficinas, selecionar os professores, os coordenadores, os adjuntos e os estudantes, além de providenciar materiais de apoio e logística institucional. Quando o grupo não pertence ao mesmo campus, há ainda mais dificuldade. Em nosso caso, quatro membros são de Palmeira das Missões e seis de Santa Maria.

Ilustração quadrada e colorida de um kit rondoneiro, composto por uma mochila, uma garrafa, uma camiseta e um chapéu de tecido. A mochila é preta, grande, e tem, na parte superior, a logomarca do projeto Rondon, em amarelo, verde e azul. Na frente esquerda da mochila, garrafa de plástico branco com bico, com a logomarca do projeto. Na frente direita da mochila, camiseta amarela dobrada e, sobre ela, chapéu de tecido bege com a logomarca do projeto Rondon. O fundo é branco.

As tratativas administrativas, normalmente amparadas pela Pró-Reitoria de Extensão, aconteciam por via digital, telefônica, mas principalmente, com deslocamentos de mais de 460 quilômetros (ida e volta) – isso tudo em um único dia – para, no mínimo, uma reunião, assinatura de documentos, entrevistas, spots, dentre outras atividades.

 

Cada município participante da operação, juntamente com o professor que realizou a viagem precursora, criou o Comitê Rondon local, com vistas a organizar a logística e as articulações para a efetiva ocorrência da operação. São levantados pontos como alojamento, refeições, deslocamentos, locais das oficinas, dentre outras atribuições contidas no edital do Ministério da Defesa e no acordo de cooperação entre município e estado.

Cruzar rumos e culturas, sem receio da estrada

A viagem iniciou às 5h, em Palmeira das Missões, com deslocamento de três integrantes da equipe. Houve paradas em Ijuí e Santa Maria para agregar ao elenco os outros participantes. Em Porto Alegre, com outras instituições de ensino, embarcamos às 17h40 com destino a Brasília, onde às 21h fizemos conexão para Teresina. A aeronave estava repleta de rondonistas com suas camisetas personalizadas.

 

Chegamos em Teresina às 23h30. Éramos aguardados pelo 25º Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro, que nos direcionou ao quartel. Nos encontramos com a instituição parceira, a Universidade do Vale do Paraíba (Univap) e, após uma breve refeição, fomos descansar nos alojamentos com o apagar das luzes, à 1h25. Às 6h, com a alvorada festiva, fomos acordados e direcionados ao café da manhã. Após, retiramos os kits do rondonista, compostos por chapéu, mochila, squeeze, crachá, camisetas e coletes. À tarde, realizamos um passeio guiado por alguns pontos da capital piauiense. Já no quarto dia da experiência, fomos despertados com a alvorada festiva às 5h.

Ilustração horizontal e colorida, em tons de verde, marrom e azul, de uma paisagem do semiárido. Há vários pés de cactos grandes e com vários caules espalhados pela imagem. Também tem arbustos pequenos, em vários tons de verde. O chão é marrom. Ao fundo, montanhas em tons de marrom. O céu é azul com quatro nuvens pequenas.

Tomamos café e recebemos os catanhos (pequeno lanche para a viagem). Em ônibus fretados, duas equipes foram deslocadas, por volta das 7h20, para Santa Rosa do Piauí, a 287 quilômetros de Teresina. Uma viagem em torno de 5 horas, por estradas sinuosas, às vezes não pavimentadas, estreitas e desertas, mas com belas paisagens!

Gente que o tempo reuniu, com alegria, por ali

A recepção em Santa Rosa do Piauí foi fantástica. Fomos recebidos pela equipe de trabalho da prefeitura, liderada pela Secretária de Educação. A recepção aconteceu na escola municipal onde ficaríamos hospedados. Havia balões e cartazes de boas-vindas, uma verdadeira festa. Nos transpareceu naquele momento o desejo para que a operação fosse um sucesso. Cada integrante que descia do ônibus foi recebido com um abraço e encaminhado aos alojamentos que ficavam nas salas de aula. Havia três alojamentos (das meninas, dos meninos e dos professores), uma cozinha, um espaço comum para montagem das oficinas, uma secretaria para utilização de computador e impressora, três banheiros e uma quadra esportiva. Foram designadas equipes de cozinheiras que forneciam três refeições diárias. Quatro, às vezes. Uma verdadeira fartura.

Ilustração horizontal e colorida de uma paisagem em tons de verde, marrom e azul. Na parte esquerda da Ilustração, seis pessoas de camiseta amarela, calças caqui verde militar e chapéus de tecido bege caminham. Atrás, duas casas pequenas com paredes bege, janela e porta acinzentadas e telhado marrom. Atrás das casas, floresta de árvores verde escuros. Na parte central da imagem, arbustos em tons de verde, gramínea sobre chão marrom e fileira de árvores em verde escuro ao fundo. Na parte direita da imagem, três árvores e uma palmeira em destaque, em tons de verde. O chão é marrom e o céu é azul.

Na viagem precursora, foram levantadas necessidades de adequações na escola para que pudesse receber os rondonistas. Foram realizadas inúmeras mudanças, como a instalação de chuveiros nos banheiros. Todas as salas de aula – que se transformaram em quartos – contavam com climatização e ventiladores, o que amenizou muito o calor da cidade nessa época do ano.

Pra irradiar conhecimento pelo céu grande da vida!

A comunidade foi excelente anfitriã. Os líderes comunitários, bem como os agentes públicos, nos trataram com muito carinho e atenção. Tínhamos toda a estrutura necessária para deslocamento e qualquer atividade dentro ou fora do município. No total, foram realizadas aproximadamente 40 oficinas nas diferentes áreas do conjunto A (UFSM). Entre os conjuntos A e B (Univap), foram aproximadamente 53 oficinas. A população buscou participar da maior parte.

Uma oficina muito esperada e de grande repercussão foi a de eletrocardiograma (ECG). Santa Rosa do Piauí não conta com Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nem serviço hospitalar de Pronto Atendimento. Nesse sentido, uma dificuldade encontrada pelos profissionais de saúde da cidade eram os atendimentos às urgências e emergências cardiológicas, pois possuíam apenas uma ambulância improvisada para transporte dos pacientes até a cidade de Oeiras, que fica a aproximadamente 50 quilômetros e é a mais próxima com Bombeiros, Samu e hospital.

Pensando na qualidade do atendimento, diagnóstico e manejo adequado, o município adquiriu um  eletrocardiógrafo, porém os profissionais não sabiam utilizá-lo. Com a oficina realizada pelos participantes do projeto Rondon, os profissionais da saúde receberam uma capacitação teórico-prática para o uso e interpretação básica do exame de ECG, possibilitando a implementação do serviço no município, o que qualificou a assistência.

Fotografia vertical e colorida de onze pessoas em frente a uma van branca. Oito estão em pé, e três agachadas, que seguram uma bandeira da Universidade Federal de Santa Maria. Cinco são mulheres e seis são homens. O fundo é um céu azul com nuvens.
Saída do grupo que representou a UFSM no projeto Rondon em 2019.
Fotografia horizontal e colorida de pessoas em uma sala aberta, uma sala de aula. Na parte direita da imagem, tem um quadro branco com bandeirolas coloridas, e uma frase "Viva São João". Em frente, três mulheres de pele branca, cabelos escuros; elas vestem camiseta amarela, calças jeans e chapéu de tecido. Em frente a elas, um grupo de crianças negras pequenas. Elas olham para a frente. As paredes da sala são brancas. O fundo é luminoso e tem árvores.
Estudantes de uma oficina com a comunidade.

Nossa gente é parecida, no que tem dentro de si

No décimo dia, alguns integrantes contraíram uma virose. As oficinas foram reorganizadas e os rondonistas foram medicados e ficaram em repouso. Em geral, o maior problema nas viagens e expedições como esta é a “diarréia do viajante”, uma situação transitória adaptativa alimentar que costuma ocorrer pela água ou alimentos – não necessariamente contaminados, mas diferentes. Entre professores e alunos, acredito que tenham sido uns cinco acometidos. Todos foram tratados e restabelecidos em sua saúde. Essa situação gerou baixa no efetivo, pois tivemos que realocar estudantes nas oficinas e adiar outras. Mas o cronograma foi cumprido na totalidade.

 

No décimo segundo dia (22/07), acordamos com uma situação desagradável: fomos vítimas de vandalismo. Roupas no varal foram furtadas, rasgadas e espalhadas pelo pátio. Apesar de a escola possuir um vigia em tempo integral e um militar, em algum momento noturno, houve a invasão do pátio. Foi algo bem pontual. Não havia nenhum tipo de resistência da comunidade. Na verdade, esse fato de pequeno potencial ofensivo foi para chamar a atenção da equipe, especialmente das meninas do grupo. Realizamos um boletim de ocorrência na cidade vizinha e, posteriormente, localizamos o infrator e os objetos furtados foram recuperados.

Amizade foi bandeira: a mais humana das conquistas!

A heterogeneidade do grupo é aspecto importante nas relações interpessoais e multidisciplinares: há os medos, as expectativas, as frustrações, a primeira vez de muitos longe de casa e do conforto do lar, as manias. Seriam dezessete dias a mais de 3,7 mil quilômetros longe de casa.

 

Ser mediador desse turbilhão de emoções é o maior desafio dos coordenadores docentes, até porque eles mesmos estão suscetíveis à ebulição de sentimentos. Eu havia participado da Operação Catirina em 2010, em Arari, Maranhão. Atuei como professor-adjunto. Também havia participado como estudante na graduação, quando o projeto foi chamado Universidade/Juventude Solidária, na década de 1990. Ter participado em outras  operações facilitou principalmente na ambientação e nas adversidades do nordeste brasileiro – em relação ao clima, à comida e à cultura.

 

Como os estudantes estão mais próximos do final do curso, em geral acima do 7o semestre, eles já possuem uma bagagem teórica e prática significativa de sua graduação. O maior desafio foi que eles trabalhassem juntos de forma interdisciplinar. Para minha surpresa, a interação entre os membros do grupo da UFSM foi fantástica, bem como com os outros estudantes e professores da Univap. Eles amadureceram muito ao longo dos dias.

 

Os desafios impostos pela distância de casa e as novas realidades mexeram bastante com o físico e o emocional da equipe toda. A união e o trabalho colaborativo geraram um processo familiar no grupo. A insegurança inicial foi superada pela autonomia e a excelência na execução das tarefas. Certamente saíram mais cidadãos do que profissionais, mais aprendizes do que instrutores.

Alma linda e brasileira, obrigado Piauí!

Procuramos, dentro dos horários de trabalho ou de folga, participar das festividades e atividades do município, como uma forma de conhecer a culturalidade local e se integrar de forma efetiva e igualitária. O ponto forte do município era a noite, especialmente na praça central, onde havia vários estabelecimentos de bebida e comida. Outra particularidade da cidade e região são os carros e motos adaptados para os chamados “paredões e pancadões” de som, que tocam, em alto volume, músicas regionais.

O último dia do projeto culminou com a feira municipal anual, chamada de AgroRosa. Nesse dia, houve o   encerramento do projeto no município e a entrega de certificados e presentes. Recebemos uma bela homenagem da administração municipal, incluindo um certificado de Honra ao Mérito. Também presenteamos o município com um poema escrito por um amigo e compositor de Palmeira das Missões.

Ao término da operação João de Barro, fizemos um excelente vínculo com a comunidade, tanto que até hoje nos comunicamos e trocamos informações. A relação entre os integrantes da Univap e UFSM até hoje também perdura. Participaram dessa operação Jonata de Mello, Daiana Cristina Wickert, Renato Vargas Fernandes, Jéssica Reis, Clara Rossato Bohrz, Ana Júlia Rodrigues Nunes, Débora Pinheiro Pereira, Geovana Wertonge e Leonardo Bigolin Jantsch (coordenador adjunto).

Fotografia horizontal de 21 pessoas que vestem colete amarelo sobre camiseta bege, ou camiseta amarela. Todos usam crachá, e alguns usam chapéu de tecido. Onze pessoas estão em pé, sendo seis mulheres e cinco homens. O último veste uniforme militar. Dez pessoas estão agachadas ou sentadas, sendo oito mulheres e dois homens. O ambiente é escuro e iluminado por luzes da rua.

*Os entretítulos dessa matéria são trechos retirados do poema “Ao Piauí”, escrito por Rômulo Chaves

Expediente:
Reportagem: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo;
Ilustração e diagramação: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial.
Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)
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12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/compromisso-com-o-futuro-em-favor-da-terra Mon, 11 Apr 2022 13:42:00 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8962

Representantes da comunidade internacional se reuniram na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em setembro de 2015, para firmar um compromisso pela sustentabilidade do planeta. Na ocasião, 193 países decidiram adotar como guia o documento “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”. Trata-se de um plano de ação para construir um caminho sustentável até 2030, com metas para erradicar a pobreza e promover a dignidade humana dentro dos limites da Terra. Tais preocupações se mostram ainda mais pertinentes pelo fato de que, de 2014 a 2020, foram registrados os sete anos mais quentes da história, segundo dados da Agência Espacial Americana (Nasa) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.

Ilustração horizontal e colorida de um mapa da Universidade Federal de Santa Maria vista de cima. O mapa está na diagonal esquerda. No canto inferior esquerdo, a Avenida Roraima e o arco, em azul. A Avenida corta a ilustração em uma reta até a metade, quando contorna um bosque. Vários prédios estão espalhados pelo mapa, principalmente nas cores branco, azul, verde, cinza e laranja. Depois do arco, do lado direito, prédios do CTISM. Do lado esquerdo, prédio laranja, outro branco. Mais adiante, posto de combustível e prédios dos bancos. Do lado direito, prédios do Centro de Tecnologia em laranja e azul claro. Na extremidade direita, prédio do curso de Arquitetura, Restaurante Universitário 2 e caixa de água. Há outros prédios brancos, cinzas e azuis. Do lado esquerdo, Hospital Universitário em verde, e atrás, prédios dos cursos de saúde em verde, cinza e azul. Mais adiante, do lado direito, fileira de cinco prédios brancos, com detalhes em cores diferentes (amarelo, azul, vermelho, laranja e verde). Do lado esquerdo, biblioteca central em bege. Mais adiante, a ponte seca, e logo após, do lado esquerdo, o Restaurante Universitário 1, em azul. Logo após, uma fileira de cinco prédios brancos grandes, dois prédios brancos pequenos e dois prédios cinzas pequenos, que são as Casas do Estudante. Do lado direito, três prédios brancos com anexos. O primeiro é o Centro de Artes e Letras e os demais pertencem ao Centro de Ciências Rurais, que tem a biblioteca de vidro entre eles. A Avenida se divide em duas ruas, uma para a direita e outra para a esquerda. Na frente, um bosque de árvores altas e com copa densa. Indo para a esquerda, o obelisco de espelhos do Reitor Fundador. Seguindo a rua, no canto superior esquerdo, o estádio em laranja, branco e azul. Na frente, fileira de prédios: um branco grande, dois brancos pequenos, dois brancos com detalhes em azul também pequenos, e a Reitoria, prédio grande e horizontal em cinza. Atrás dos prédios, bosque de araucárias. Na frente da Reitoria, prédio pequeno de um andar e com tijolos a vista. Do lado, o Centro de Convenções, prédio grande, em branco e cinza, e ao lado, a Casa de Comunicação, prédio azul e branco. Voltando à avenida, indo para o lado direito, o planetário em branco e amarelo, prédio redondo com cúpula arredondada. Logo, dobrando à esqueça, a Biblioteca do Centro de Ciências Sociais e Humanas, e ao lado, os três prédios do CCSH. Ao lado, as estufas do Colégio Politécnico, e os prédios do mesmo, em cinza, marrom e branco. O chão é verde.
Três anos após o acordo entre as nações, em 2018, a Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da UFSM participou de um encontro nacional organizado pela ONG suprapartidária REDE ODS BRASIL, que aconteceu em Brasília-DF. Desde então, uma equipe institucional trabalha em ações baseadas na Agenda 2030 da ONU e nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Estes funcionam como um roteiro para acompanhar e revisar ações que integram três dimensões do crescimento baseado na sustentabilidade: a econômica, a social e a ambiental.
 

O grupo é coordenado pelo Pró-Reitor Adjunto de Extensão, Rudiney Soares Pereira, que conta ter sido incumbido de pensar no processo de implantação da Agenda 2030 junto de várias mãos e muitas cabeças pensantes. A comissão de trabalho reúne técnico-administrativos e docentes de vários setores da Universidade e dos quatro campi. Em 2019, o grupo elaborou um diagnóstico que classifica mais de 11,8 mil ações de ensino, pesquisa e extensão alinhadas a um ou mais ODS.

Essas atuações contribuíram para o bom posicionamento da UFSM, que está empatada na 14a posição dentre as universidades brasileiras que melhor trabalham com os 17 ODS, segundo a revista britânica Times Higher Education (THE). No ranking geral, divulgado em 2021, a Instituição está entre a 401ª a 600ª colocação, e demonstra tendência de crescimento no índice, uma vez que em 2018 era avaliada em 10 Objetivos e na última lista se destacou em 14.

Energia limpa e acessível

O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2016/2026 da UFSM definiu diretrizes da política de gestão ambiental para o período de 10 anos. No documento, a Universidade assume o compromisso de reduzir o consumo energético e de estimular a geração própria de energia, tendo como pretensão que os edifícios se qualifiquem como de máxima eficiência energética. As novas construções devem se enquadrar no conceito de Zero Energy Building – edificações com microgeração de energia que supram o consumo total ou parcial.

Ainda não existem edifícios de energia zero no campus de Camobi, mas há estudos e estimativas na busca pela geração própria de energia solar. A Pró-Reitora Adjunta de Infraestrutura (Proinfra) e professora no programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (PPGAUP), Ísis Portolan, explica que há mais potencial em obter autossuficiência energética em edificações com até dois andares, por não serem prédios muito grandes. Os edifícios da Casa do Estudante II (CEU II), por exemplo, são objeto de pesquisa de professores da Engenharia Elétrica para a implementação de energia fotovoltaica.

Em 2020, a capacidade instalada de produção máxima das usinas fotovoltaicas na UFSM era próxima de 170 quilowatts pico. Juntamente das duas novas estações a serem instaladas no campus Santa Maria em 2021, de 400kWp cada uma, e uma em Cachoeira do Sul, pode-se chegar a 1 gigawatt instalado nas estruturas da Universidade. Na sede, a instalação permitirá o uso da energia por parte do Centro de Educação Física e Desportos com sobras para a CEU, de onde por enquanto a distribuição produzida não passará, pois se trata do espaço com maior despesa energética do campus.

Ilustração colorida de um posto de combustível elétrico. A ilustração é de cima para baixo, e tem como destaque o telhado solar, que é quadriculado e tem doze placas solares na cor azul marinho. Em cada uma das extremidades, dois postes brancos sobre retângulo branco. No meio dos postes, ponto de recarga em branco, com fios pretos acoplados. No lado direito, carro vermelho instalado ao lado do ponto de recarga, com os fios pretos conectados. O chão é verde. O fundo é branco.

Água potável e armazenamento das chuvas

Ilustração quadrada e colorida de uma estufa. A ilustração está na diagonal esquerda e vista de cima para baixo. A estufa tem estrutura branca e paredes e telhado transparentes. A estrutura tem três postes finos e três arcos no telhado. No interior da estufa, plantas como margaridas rosas, planta com cachos amarelos e cinco prateleiras com três andares de mudas verdes. Ao lado direito da estufa, conectado a ela por um cano preto, caixa de água azul sobre estrutura de metal branco. O chão é verde. O fundo é branco.

O compromisso de encarar a sustentabilidade hídrica também está contemplado no PDI, com a busca do envolvimento da comunidade e a total transparência no uso da água. No prédio 37 da CEU II, a UFSM investiu na construção de dois blocos com tecnologias sustentáveis, como caixas d’água ligadas a cisternas que armazenam a água da chuva para uso nos vasos sanitários. No Colégio Politécnico, o armazenamento beneficia também o setor de floricultura.

Fora dos muros da Universidade, o Projeto Captação, da ONG Engenheiros Sem Fronteiras, é exemplo de ação pela sustentabilidade hídrica em Santa Maria. Gabrielli Morelato Hosono faz parte do Captação desde 2019 e conta que o grupo implementa sistemas de retenção de água da chuva. Isso é possível por meio de doações de pessoas e empresas, principalmente de lojas de materiais de construção. A primeira aplicação do projeto foi construída em 2018 em um prédio usado pelo Centro de Tecnologia para experimentos, onde fica a sede da ONG. Em 2019, o grupo construiu outro sistema de retenção de água no Colégio Marista, localizado no centro da cidade e, em 2020, aplicaria o projeto na comunidade Dom Ivo, no bairro Passo D’areia, ação adiada por causa da pandemia.


Para Nadyanni Andres, integrante do Comitê Ambiental da CEU II, uma possibilidade do reuso da água seria utilizar a própria estrutura da CEU para a horta comunitária do prédio 60, feita por estudantes. A utilização de cisternas na manutenção de hortas destinadas à comunidade interna e assistida diretamente pelas políticas de assistência estudantil é uma opção, mas o manejo da água apresenta outros caminhos autossustentáveis. Podem-se citar a redução da poluição, a melhora da qualidade da água e a colaboração no objetivo de acesso ao saneamento e higiene iguais e adequados a todos.

O FUTURO

Ilustração quadrada e colorida de um prédio de três andares. A parte da frente do prédio está recortada, mostrando seu interior. O prédio está na diagonal esquerda e de cima para baixo. Tem paredes brancas, e no teto, sete placas de energia solar. Na parede, há uma faixa azul. Na parte da frente, são seis apartamentos. Cada um tem uma cama beliche marrom, com colchão bege, uma escrivaninha marrom com cadeira em encosto azul e notebook cinza e preto sobre a escrivaninha, além de uma porta marrom. O chão é verde e o fundo é branco.

Quando há recursos financeiros, as inovações criadas na UFSM são utilizadas pela própria instituição. A pista multiuso é um exemplo de ideia de alunos e professores implementada pela Proinfra. Trata-se de um espaço multimodal para carrinhos de bebê, pessoas cegas e aquelas que usam cadeira de rodas, bicicletas e skates, que percorre todo o campus sede e ajuda na mobilidade interna e na integração com o bairro Camobi. Ao vislumbrar 2030, Ísis projeta ciclovias que liguem o campus até lugares distantes como o bairro Tancredo Neves e as cidades da Quarta Colônia, o que fomentaria o cicloturismo.

Como os prédios da Universidade foram construídos principalmente nas décadas de 1960 e 1970, a maioria não é muito eficiente em relação à sustentabilidade, e são necessárias transformações para torná-los sustentáveis, ou seja, para que causem menos impactos ambientais e busquem maior eficiência no uso de recursos naturais. Essas mudanças parecem mais distantes com a queda de investimento para construções, por parte da União, desde 2012. Ainda assim, para os próximos dez anos, a Pró-Reitora Adjunta cita a possibilidade de reformas
como a aplicação de brises – dispositivo para impedir a incidência direta de radiação solar – de proteções solares nas fachadas, a criação de mais janelas e a instalação de paredes verdes.

Ísis ressalta que não apenas as construções precisam de atenção, mas também é necessário preservar as áreas verdes com vegetação arbórea, ampliando-as para a área rural da UFSM. Nadyanni, domiciliada na Universidade, almeja que haverá lugares onde, em 10 anos, o alimento dos moradores da Cidade Universitária será produzido comunitariamente na CEU II. E sabe o córrego ao lado do posto de combustível? Para Ísis, em um futuro com investimentos adequados, poderemos esquecer o mau cheiro de 2020 e imaginar uma água límpida com possibilidade de passeios de caiaque em 2030.

Mas e em 2050? Para a professora, as edificações, hoje com 50 anos, já terão passado pelas modificações estruturais necessárias, terão captação da água da chuva, energia solar e equipamentos de alta eficiência energética. Os sistemas de mobilidade estarão ainda melhores e a Universidade, mais acessível e integrada à sociedade, agradável enquanto local de trabalho e, definitivamente, vista não só como lugar para ter aulas.

E por que não imaginarmos a UFSM como provedora de energia e novas tecnologias de uso d’água para toda Santa Maria e região? É um questionamento feito pela líder do Projeto Captação, Gabrielli. Para ela, em concordância com Ísis, com a produção de energia aumentando gradativamente, podemos vislumbrar os carros elétricos como algo usual, tendo no campus sede um ponto de carga elétrica – que já existe. O eletroposto referido é parte de um projeto com o Centro Internacional de Energias Renováveis (Cibiogas) e a concessionária Copel, do Paraná, e fez da UFSM a primeira universidade no Rio Grande do Sul a instalar um posto para recargas rápidas de veículos elétricos – e de maneira gratuita. Mas a Universidade está acostumada a ser pioneira, pois antes já havia sido a primeira a receber um veículo elétrico para pesquisas em terras gaúchas, fato ocorrido em 2020.

Rudiney ainda cita como objetivo tornar a UFSM uma universidade de excelência, mais igualitária e universal. Ele pondera que as universidades são “instituições de Estado, não de governo, e apesar de os governos muitas vezes criarem todas as restrições ou obstáculos para que não cresçam, elas continuam crescendo”. Caminhando em seu crescimento como agente transformador local, regional e nacional, em 2050 a projeção da UFSM é de uma universidade mais internacionalizada, com mais fluxo de pessoas de vários lugares do mundo e mobilização pelo reconhecimento do trabalho da nossa comunidade acadêmica em nível internacional. 

 

Pensar no futuro ajuda na elaboração de um plano de ações como as discutidas aqui. Mas também pode  contribuir para a mudança de cultura a partir da implementação de pequenas práticas cotidianas, como separar o lixo adequadamente, privilegiar a luz natural em vez de lâmpadas e trocar, quando possível, o ar-condicionado pelas janelas abertas.

Expediente:
Reportagem: Lucas Felipe da Silva, acadêmico de Jornalismo;
Ilustração e diagramação: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial.
Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)
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12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-passado-da-pesquisa-na-ufsm Mon, 11 Apr 2022 13:41:51 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8947

Classificada em 15º lugar entre as universidades do Brasil no ranking geral de 2021 da Scimago Institutions Rankings, a Universidade Federal de Santa Maria tem uma história marcada por pioneirismos e por sua grande representatividade no âmbito nacional e internacional de educação. O ranking, que levou em consideração 7.533 instituições, tem como fonte o Scopus (um banco de dados de resumos e citações de artigos para  jornais e revistas acadêmicas). As classificações levantadas para a análise foram referentes à pesquisa, sociedade e inovação.

No âmbito da pesquisa – o qual contemplava o volume, o impacto e a qualidade dos resultados –, a UFSM se encontra em 334º lugar. Em comparação com o seu contexto (uma seção oferecida pelo site que posiciona as instituições a partir da localização geográfica e de realidades semelhantes), a sua posição entre as universidades foi a de 16º lugar, e a de 11º entre as do Brasil. Esses resultados podem ser considerados um reflexo do passado da instituição. Nele, a pesquisa foi um aspecto que continuamente teve destaque, desde a época das idealizações do que seria a Universidade, do seu desenvolvimento e expansão científica, chegando, por fim, até a UFSM que vivemos hoje.

AS BASES FUNDADORAS

Fundada como Universidade de Santa Maria (USM) pelo professor José Mariano da Rocha Filho em 1960, representou um passo em direção à democratização do acesso à universidade no Brasil: foi a primeira universidade federal no interior do país. Até então, as instituições estavam localizadas em sua maioria nas capitais e, por motivos históricos e geográficos, nos litorais. Ainda assim, a localização central da cidade de Santa Maria em relação ao estado do Rio Grande do Sul foi um fator importante para incitar a criação de uma universidade no coração do estado.

A comunidade santa-mariense, que vivenciava em seu dia a dia o iminente crescimento econômico e social da cidade, também teve uma parcela de participação. Além dos diversos investimentos advindos de diferentes setores da cidade, em 1948 foi criada a Associação Santa-Mariense Pró-Ensino Superior (ASPES), que serviria como força política direcionada à implantação das faculdades que permitiriam a criação da Universidade. A imprensa também era um espaço que proporcionava visibilidade e estímulo aos empreendimentos, relatando os  acontecimentos que marcaram o desenvolvimento desse processo.

Na época, a cidade contava com a Faculdade de Farmácia, dirigida por Mariano da Rocha, a qual seria posteriormente incorporada à Universidade de Porto Alegre. Isso proporcionou, a partir de 1950, a presença do professor no Conselho Superior da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o que representaria o primeiro passo para a criação de outros cursos em Santa Maria. 

A conexão do primeiro reitor da UFSM com a instituição da capital foi fundamental, pois seria a partir de suas vivências como líder estudantil e professor que surgiriam muitos dos eixos formadores da educação e da pesquisa na UFSM. Em 1960, ocorreria a criação oficial da Universidade Federal de Santa Maria, na época, contando com quatro cursos: Farmácia, Medicina, Odontologia e o Ensino Politécnico. Em seu projeto fundador, existiam quatro principais eixos: a democratização do acesso à universidade; a territorialidade; o compromisso social e a cidadania; e a inovação e internacionalização – aspecto que norteou a pesquisa da Universidade.

INOVAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO

Desde os princípios fundadores da UFSM, a pesquisa foi considerada um elemento formativo da instituição. O acesso a equipamentos  tecnológicos avançados e a visão de mundo cosmopolita foram aspectos transpostos à Universidade, decorrentes da preocupação com a investigação científica, por parte do reitor fundador.

Antes mesmo de a UFSM ser criada (ou seja, no período de funcionamento de apenas algumas faculdades), a inovação que Mariano da Rocha tanto buscava se estabelecia, entre outras formas, através da internacionalização. Com a vinda de renomados professores das mais diversas áreas do conhecimento, seriam criados projetos que colocariam a Universidade em destaque nacional e mundial, e que também resultariam na criação de cursos de pós-graduação.

Para o professor dos programas de pós-graduação em Educação e em História, Jorge Luiz da Cunha, que também é coordenador do Núcleo de Estudos sobre Memória e Educação, esse é um dos aspectos mais interessantes referentes à criação da Universidade, na medida em que ele promoveu a diversidade dentro da instituição: “Ainda que fosse a primeira universidade no interior de um estado brasileiro, o projeto original previa uma expansão transnacional, abrindo vagas para pessoas que viessem de qualquer país da América (especialmente da América do Sul) e que pudesse construir uma consolidação de padrões de formação de cultura a partir da educação que garantisse a democracia”.

Segundo Cunha, embora tenha havido resistências por parte de instituições com sede em capitais em relação ao desenvolvimento da Universidade e deste contexto – muito por conta de sua localização no interior do estado –, o efeito disso foi extremamente positivo, visto que resultou em novos conceitos de educação, de desenvolvimento social e econômico, e de garantia da democracia.

“UMA UNVERSIDADE SEM PESQUISA É COMO PLANETA QUE GIRA EM TORNO DE SÓIS. SOMENTE A UNIVERSIDADE CAPAZ DE DESBRAVAR NOVOS RUMOS, ATRAVÉS DA PESQUISA, PODERÁ SER CONSIDERADA, EFETIVAMENTE UM SOL COM LUZ PRÓPRIA, COM CALOR VIVIFICANTE”. 

José Mariano da Rocha Filho, no livro Os 50 Anos da Nova Universidade

Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida com fundo verde acinzentado. A ilustração está no centro. No lado esquerdo da ilustração, andaime preto, de ferro, na horizontal, com um guincho no topo. O guincho é quadrado e amarelo e está ligado a uma barra horizontal com duas espias nas pontas; na espia da direita, o gancho amarelo segura um cilindro cinza escuro. Abaixo do cilindro, microscópio branco com detalhes em cinza escuro. Do lado esquerdo do laboratório, três tijolos quadrados na cor marrom avermelhado; em cada um deles cresce uma muda de planta verde. Do lado direito do microscópio, na horizontal, lupa com corpo cinza escuro. A lupa é segurada por dois homens minúsculos com macacão cinza e camiseta e capacete de proteção amarelos. Acima, estante de três andares na cor marrom avermelhado; há uma escada preta apoiada na estante; sobre ela, um homem minúsculo de macacão cinza, camiseta e capacete de proteção amarelos; ele tem nas mãos um pincel e, na sua frente, um globo terrestre nas cores azul e verde. O fundo é verde acinzentado.

Para Jorge Luiz Cunha, a importância do simbolismo da criação da UFSM como a primeira universidade no interior do país se relaciona diretamente com a interpretação que fazemos da cultura brasileira. Quando uma universidade no interior é criada, abre-se espaço para uma maior representatividade e participação da sociedade, ao serem incluídas nas pautas de ensino e pesquisa camadas da população que, na época, encontravam-se muito distantes do ensino superior. “Eu acho que essa é a grande estratégia política da criação de uma universidade no interior. Nós passamos a criar a possibilidade de, a partir da pesquisa – um conceito que diz respeito ao ensino, à extensão e à produção de novos conhecimentos – nos aproximar da realidade”.

Nesse sentido, a existência de uma universidade como a UFSM representa, em toda a sua história, uma aproximação e uma abertura de perspectivas para a realidade fora das capitais. Esse aspecto caminha em conjunto com a diversidade proporcionada e promovida pela internacionalização, também presente ao longo de todo o percurso da instituição. A luta pela garantia da democracia e pelo acolhimento das diversidades – para os parâmetros da época –, já citados por Cunha, são princípios trazidos do passado e adaptados ao presente. Visto que, apesar dos grandes avanços que podem ser percebidos a partir desse projeto de democratização da educação e de promoção da cidadania, ainda hoje há muito o que evoluir como sociedade em busca de uma universidade para todos.

Assim, olhar para o passado da Universidade Federal de Santa Maria é ver o seu papel nessa luta, além de ser essencial para que se entenda o presente e se construa um futuro melhor. “Eu acredito que precisamos recuperar memórias do início da história da UFSM sobre novos conceitos aplicados no campo hoje. Eu acho que lembrar disso é uma estratégia para reagirmos a essa pandemia, que não é simplesmente relacionada à saúde, mas uma pandemia social, política, e cultural”, complementa Cunha.

A PESQUISA ATRAVÉS DOS ANOS

A história da pesquisa na UFSM revela a participação de célebres cientistas – muitos deles estrangeiros – e o senso de pioneirismo.  Apresentamos, a seguir, alguns dos principais marcos das primeiras décadas dessa trajetória – até 1991, ano em que ocorreu a 1ª Jornada de Pesquisa da instituição:

1959

Os professores austríacos Richard e Mariana Wasicky e Richard Joachimovitz chegam a Santa Maria. Eles lecionaram nas faculdades de Farmácia e Medicina. Richard Wasicky havia sido professor do Departamento de Farmácia da Universidade de Viena. Ministrava aulas simultaneamente na UFSM e na Universidade de São Paulo. Em Santa Maria, lecionava Farmácia, Química, Botânica e Farmacognosia.

Descrição da imagem: Fotografia antiga em preto e branco de uma mulher em frente a uma mesa com equipamentos. A foto é em preto e branco. A mulher está de pé, em perfil, e tem pele clara, cabelos escuros e ondulados na altura do pescoço; está com a cabeça para baixo; usa camisa clara e calça escura; está com as mãos em uma bandeja clara com objetos circulares transparentes. A mesa é escura e larga, e está na parte direita da imagem. Na parte esquerda, armários de madeira escura e portas de vidro, e parede clara.

1961

Arthur e Ana Primavesi, também austríacos, tornam-se docentes na UFSM. Permaneceram na Universidade por 15 anos e criaram o Instituto de Solos e um dos primeiros programas de pós-graduação, o de Biodinâmica e Produtividade do Solo, em 1972.

1962

O Instituto da Fala é criado na UFSM pelo otorrinolaringologista e professor Reinaldo Fernando Coser. O instituto, na época único na América do Sul, destinava-se ao desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão na área da adição, fala e linguagem.

Fotografia preto e branca de três pessoas em volta de uma mesa com dois equipamentos. Na esquerda, mulher de pele clara e cabelos escuros está sentada; ela veste camisa e calça claras, e usa um fone de ouvido headset escuro na cabeça. Está de perfil. Em sua frente, mesa comprida com tampo claro. Em cima, dois equipamentos: o de trás é escuro e o da frente é claro. Do outro lado da mesa e em frente a cada um dos equipamentos, dois homens de pele clara, cabelos curtos e escuros, vestem roupas claras e olham para o equipamento claro. O fundo é uma parede com textura de material acústico.
Descrição da imagem: Fotografia quadrada e em preto e branco de pessoas ao redor de uma casa no meio de um campo. A casa é pequena, com madeira e telhas de barro, em cor clara e telhado escuro. Na frente da casa e em frente à porta, cerca de 20 pessoas de roupas formais, a maioria de pele clara, estão em pé. Ao fundo, um carro escuro. É um campo grande, com vegetação baixa. Ao fundo, bosque de árvores e céu com nuvens.

1969

Thomas Tafael começa a trabalhar como professor assistente no Departamento de Zootecnia, onde implantou o projeto “Fazenda de Peixes”. Também lecionava nos cursos de biologia dos peixes e gestão de piscicultura na graduação e pós-graduação.

1970

É criado o primeiro curso de pós-graduação, o Mestrado em Educação, na Faculdade Interamericana de Educação (FIE). Ele fez parte de um projeto desenvolvido a partir de um convênio entre o governo brasileiro e a Organização dos Estados Americanos (OEA) e tinha como objetivo a integração educacional entre os países latino-americanos para a formação de recursos humanos. Eram disponibilizadas 30 bolsas por ano, sendo 15 para brasileiros e 15 para estrangeiros.

Descrição da imagem: Fotografia horizontal e em preto e branco de nove pessoas sentadas atrás de mesas de madeira, em meio círculo. Estão em uma sala de paredes claras e seis janelas amplas. As mesas estão dispostas em formato de meia lua; são mesas de madeira com tampo claro e estrutura escura. São quatro homens e cinco mulheres. Um dos homens tem pele escura, e o restante tem pele clara.

1974

Criação da Pró-Reitoria de Ensino e Pós-Graduação.

“Com a instalação, na UFSM, da Faculdade Interamericana de Educação, houve a necessidade de criar uma estrutura administrativa que possibilitasse fazer a gestão da pós-graduação.”

Paulo Schneider, atual Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa

1983

A Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa é criada. O primeiro Pró-Reitor foi o professor Zosymo Lopes dos Santos, que originalmente tinha atuação como docente e pesquisador na área da Farmácia.

“(…) no mesmo ano, para estimular a pesquisa, foi regulamentado o Fundo de Incentivo à Pesquisa (FIPE). Este tinha como objetivo fundamental auxiliar e incentivar os pesquisadores a incorporar a atividade de pesquisa no seu cotidiano acadêmico. A incorporação da pesquisa à pós-graduação foi fundamental para destacar, dar mais personalidade e importância às atividades de pesquisa desenvolvidas, aumentando com isto a capacidade de concorrência entre os pares nas agências de fomento à pesquisa.”

1985

É estabelecida a estrutura administrativa da pesquisa, com a criação dos Gabinetes de Projetos (GAP) vinculadas às unidades de ensino da Universidade. Isso possibilitou um registro contínuo dos projetos de pesquisa desenvolvidos, uma padronização das produções e um maior controle da instituição, por meio da cobrança de relatórios técnicos parciais e finais.

1986

É criada a primeira edição do Catálogo da Produção Intelectual da UFSM, organizada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP). Nela, os docentes da instituição tinham a oportunidade de publicar os seus trabalhos, em formato semelhante ao que hoje se observa na Plataforma Lattes.

“A Plataforma Lattes do CNPq surgiria apenas em 1999, mas a UFSM já fazia seus movimentos no sentido de informatizar seus registros de pesquisas. Nesse processo, os Gabinetes de Projetos foram e ainda são um importante suporte ao planejamento e controle para os pesquisadores e para a instituição.”

1991

Ocorre a 1ª Jornada de Pesquisa. Posteriormente, em 1998, ela chegaria ao que é conhecida atualmente como a Jornada Acadêmica Integrada (JAI).

Expediente:

Reportagem: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo;

Ilustração e Diagramação: Yasmin Facchin, acadêmica de Desenho Industrial.

Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)

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12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/geoparques-gauchos-buscam-o-titulo-de-patrimonios-mundiais Mon, 11 Apr 2022 13:41:36 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8948

Você sabia que o território da Quarta Colônia, na região entral do Rio Grande do Sul, e a cidade de Caçapava do Sul, na região dos Pampas, em breve contarão com o título de Geoparques Mundiais da Unesco?

 

A Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da UFSM trabalha nisso há bastante tempo. No entanto, foi em julho de 2020, por meio de uma carta de intenções e de um relatório com as atividades já desenvolvidas nos territórios, que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu a candidatura dos dois geoparques

Descrição da Imagem: Ilustração horizontal e colorida em formato de lego de uma paisagem natural. A ilustração é vista de cima, tem uma cachoeira no lado esquerdo, que desemboca em um rio no canto esquerdo inferior. No rio, homen dentro de um barquinho com remos e cara de pescar. Ao lado do rio, gramado com arbustos na cor verde escuro, árvores com copas frondosas e quadradas e flores na cor rosa, além de algumas pedras na cor cinza. Na metade direita, uma estrada marrom cortando gramado. Ela tem formas retas. Na estrada, uma mulher de pele negra está parada em frente a uma pedra grande e cinza, sobre a qual há um fóssil de crânio. Ao lado, arbustos, pedras e árvores.

Até aquele momento, as cidades da região encontravam-se como aspirantes – ou candidatas – a Geoparques Mundiais. Entretanto, foi em dezembro de 2021 que o Ministério das Relações Exteriores, com o apoio da UFSM e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), enviou à entidade o pedido oficial para a certificação dos territórios.

 

Após o envio dos documentos, a Unesco designa uma equipe de técnicos para avaliar o território. A visita in loco, além de conferir os dados informados nos dossiês, também é uma forma de apresentar as singularidades dos municípios e os esforços empreendidos pelas comunidades locais. A visita nos territórios de Caçapava está prevista para o primeiro semestre de 2022.

 

As atividades que envolvem os municípios dos dois geoparques gaúchos acontecem há bastante tempo, porém foi a partir de 2018 que a UFSM adotou o projeto como estratégia institucional e de desenvolvimento regional. Atualmente, os geoparques estão entre as grandes apostas da Universidade e contam com inúmeros projetos, empresas juniores, docentes, discentes e técnico-administrativos em educação (TAEs).

 

“Toda a articulação com os poderes executivo, legislativo e Condesus [Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável] também é realizada para suporte interno e externo. Assim, conseguimos materiais para os municípios, projetos arquitetônicos, de sinalização”, relata a chefe da Subdivisão de Geoparques da PRE, Natália Huber.

MAS AFINAL, O QUE É UM GEOPARQUE?

Os geoparques são reconhecidos pela Unesco como territórios em que a memória da Terra é preservada e utilizada de forma sustentável, através do artesanato, da gastronomia e do turismo. Esses patrimônios geológicos-morfológicos também se destacam pelas suas estruturas e belezas naturais encontradas em suas paisagens, em suas rochas, solos, fósseis, relevos, águas e minerais.

Atualmente, existem 147 Geoparques Mundiais da Unesco, em 41 países, sendo somente um deles localizado no Brasil: o Geoparque Araripe, no Ceará. Ter esse reconhecimento significa ganhar visibilidade e, futuramente, conseguir recursos para diferentes setores, como o da  Economia, da geodiversidade, da biodiversidade e da sustentabilidade.

VIVÊNCIAS

Ilustração horizontal e colorida de pessoas em uma paisagem. As pessoas estão Ilustradas no estilo lego. No centro da imagem, mulher de cabelos castanhos escuros e lisos presos em rabo de cavalo, veste roupa azul. Ao lado dela, um balão de fala com um ponto de exclamação em azul. Na frente dela, seis pessoas em três fileiras. São duas mulheres e quatro homens com roupas em tons pastel. Elas estão em pé, sobre um chão de terra, em uma estrada elevada. Nos lados da estrada, gramas, arbustos e pés de cactos em diferentes tons de verde. Aí fundo, paisagem de campo, com vários arbustos e algumas montanhas.

A geóloga Ana Paula Correa, idealizadora do Guaritas Turismo – empresa turística de Caçapava do Sul que realiza trilhas na região –, explica que a sua vivência no local, desde quando nasceu, fez com que estudasse Geologia na Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Agora, a aluna do curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGGEO) na UFSM desenvolve pesquisas sobre geomorfologia, geoconservação e patrimônio.

Para ela, a identidade turística do geoparque contribui para o desenvolvimento da cidade e, por isso, a estratégia do Guaritas Turismo é unir  lazer, esporte e conhecimento sobre o território.

Ilustração horizontal e colorida de uma rua com uma loja de doces. A ilustração segue o formato de legos, e é vista de cima para baixo, na horizontal direita. No canto superior direito, a tenda de loja, em verde militar e com o nome em letra cursiva: "Nice Vales". Embaixo da tenda, uma bancada com bolos e, na frente, homem de cabelos curtos, castanhos e em corte moicano, veste camisa marrom e calça azul. Ao lado da loja, na calçada quadriculada, duas pessoas estão paradas uma ao lado da outra. Uma é uma mulher negra e outro um homem branco. A parte esquerda da Ilustração tem a continuação da calçada

A experiência de Ivanice Campos, proprietária de uma loja de doces e bolos artesanais, é semelhante. Desde muito nova, ela enxergava Caçapava do Sul como cidade turística e, aos 16 anos, saiu do município com o intuito de estudar turismo. No entanto, o seu sonho tomou um rumo diferente: ao voltar para Caçapava, aos 34, começou a se interessar por confeitaria. Hoje, a dona do Nice Cakes desenha a cidade nos produtos que confecciona. “Outra ideia que tenho é produzir geleias com produtos daqui (pitaya, laranja e butiá – frutas abundantes na região). Já fiz o curso de geleias patrocinado pelo projeto”.

Ilustração horizontal e colorida de uma banca de feira. A ilustração está na horizontal, de cima para baixo. A banca em destaque tem a tenda listrada em tons de creme e vermelho bordô. O nome, na tenda, é 'Teco Cracker'. Na tenda, biscoitos quadrados enfileirados. Os biscoitos são brancos com o desenho de um dinossauro amarelo no centro. A banca da esquerda tem tenda azul, e a banca da direita tem um detalhe pequeno da tenda marrom. É uma banca de pãezinhos enfileirados.

O morador de Dona Francisca Wanderley Brothaus, responsável por produtos coloniais produzidos na agroindústria de panificados Brothaus, conta que a família trabalha na lavoura e produz seus panifícios com fermento natural oriundos da batata. O produtor ainda relata que, através do projeto, a família produziu uma bolacha natural de mel, a Teco Cracker – homenagem ao dinossauro descoberto em Dona Francisca, o tecodonte – e a ideia é produzir um café colonial assim que o geoparque estiver funcionando.

A inspiração em dinossauros vem dos vestígios (ossos, pegadas, troncos) já encontrados pela região. Entre eles, estão alguns dos animais mais antigos, como os tecodontes, rincossauros, dicinodontes, procolofonídeos e esfenodontídeos.

Quando esses fósseis são encontrados, cabe ao Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA/ UFSM), localizado em São João do Polêsine, analisálos e protegê-los. Esse patrimônio paleontológico é um dos principais requisitos para a certificação do Geoparque Quarta Colônia como Geoparque Mundial da Unesco.

 

 

EMPREENDIMENTO LOCAL

Para um negócio se desenvolver, é preciso um bom senso de empreendedorismo. Despertar esse aspecto entre a comunidade é o papel da coordenadora do Departamento de Administração da PRE, Debora Bobsin, que, por meio do projeto Geoparques, busca promover tanto o avanço de novos negócios quanto o fortalecimento de comércios já existentes. Seja com capacitações, assessorias técnicas ou pequenas consultorias, ambas realidades são auxiliadas.

 

Segundo a administradora, com esses projetos as comunidades têm compreendido melhor o que são os geoparques e o potencial que possuem para o seu negócio e para os municípios. “No final das contas, a gente pode dizer que eles estão começando a se reconhecer como um geoparque. É um trabalho bem de formiguinha. Precisamos ir, ao longo do tempo, construindo essa cultura dentro da comunidade e fortalecendo o pertencimento deles naquele espaço geográfico”, destaca.

Expediente:

Reportagem: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo;

Diagramação e ilustração: Filipe Duarte, acadêmico de Desenho Industrial.

Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)

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12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/ufsm-60-anos-de-pesquisa-e-desenvolvimento-a-servico-da-sociedade Mon, 11 Apr 2022 13:40:54 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9050

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que completou em 2020 seus 60 anos, tem se desenvolvido a partir de uma gestão pública inovadora, de diálogo, democrática e planejada para melhor investir os recursos públicos em ensino, pesquisa e extensão, em nome da coletividade. Essas ações foram delineadas, com a mais expressiva participação da comunidade, a partir do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e do Plano de Gestão, ambos com metas e indicadores claros. A UFSM é uma universidade pública, de todas as ideologias, crenças, cores, gêneros, raças e etnias, que aposta em políticas públicas para educação, ciência e tecnologia. É a 10ª universidade do mundo em produção científica feita por mulheres. Está entre as 300 mais inclusivas do mundo e figura entre as 14 melhores do Brasil. Tem um dos maiores e melhores programas de Assistência Estudantil da América Latina e é a universidade mais empreendedora e inovadora do Sul do país, ocupando a 9ª posição no ranking de universidades empreendedoras brasileiras. É, ainda, a 25ª universidade mais sustentável do Brasil e a 2ª entre as universidades federais no Rio Grande do Sul (Green Metrics 2020).

Ilustração horizontal e colorida de parte da UFSM. No canto inferior direito, o arco de entrada da UFSM, em azul, e o mural azul com "UFSM" em branco. Passando no arco, uma avenida cinza. Atrás e na frente, árvores com copas densas. No lado esquerdo, dois prédios brancos com janelas cinzas e pilares e detalhes em azul. Os prédios são horizontais e estão de perfil. No prédio da frente, há o número '42'. Entre os prédios, árvores com tronco marrom e copa verde escuro. Do lado direito deles e do lado da avenida cinza, gramado verde claro. O céu é azul pastel e as duas nuvens em azul claro.

Com mais de 27 mil estudantes e 6 mil trabalhadores, já formou mais de 180 mil profissionais, grande parte exercendo liderança ativa junto às suas comunidades. Tem uma produção científica de alto nível, que contribui para a formação de cientistas, fomenta um parque científico, tecnológico e de inovação, com 39 empresas de base tecnológica incubadas e mais de 30 empresas juniores, as quais, no conjunto, geram mais de 300 empregos diretos. Isso coloca a UFSM como a instituição mais atuante na criação de um robusto ecossistema voltado ao
desenvolvimento regional. Em termos de internacionalização, a UFSM tem forte inserção, com foco na troca de experiências com países de todos os continentes, o que lhe confere posições de liderança e destaque nacional e internacional nesse quesito. As projeções reais indicam fortemente que a instituição está a um passo de alcançar o IGC 5 (Ministério da Educação), ainda em 2022, para se classificar como universidade de excelência.

 

Além disso, é um polo de agrotecnologia voltado ao setor produtivo da pequena, média e grande propriedade. Atua em áreas de energias alternativas, em pesquisas em biocombustíveis, energia eólica e fotovoltaica, em projetos estratégicos de tecnologia para a defesa nacional. Tem excelência em petroquímica, novos materiais para saúde e engenharias, processamento de alimentos, tecnologia aeroespacial e de telecomunicações, clima e alterações climáticas; já são dois nanossatélites em operação no espaço, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com a Agência Espacial Brasileira (AEB).

 

Durante a pandemia iniciada em 2020, a UFSM atuou fortemente no combate ao coronavírus e garantiu o ensino remoto para a totalidade dos seus estudantes, consciente das dificuldades e prejuízos, mas firme nas suas convicções e responsabilidades. A instituição mantém uma estrutura que lhe permitiu realizar mais de 100 mil testes RT-PCR para detecção do coronavírus, gratuitamente a toda a rede pública de saúde do Rio Grande do
Sul. É responsável, juntamente com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), pelo Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Inserido no SUS, o HUSM é o maior hospital público do interior do Rio Grande do Sul, dando cobertura a uma população regional estimada em 2 milhões de pessoas.

 

Tudo isso em meio a uma crise orçamentária que se agrava a cada ano. Desde 2014, os cortes orçamentários representaram uma queda aproximada de 350 milhões de recursos, que teriam sido investidos na instituição e estariam circulando na economia local e regional. É neste cenário que, apostando na determinação, no comprometimento e na atenção de servidoras e servidores públicos da educação, de estudantes e da comunidade regional, seguiremos lutando em defesa da universidade pública, democrática, inclusiva e gratuita e mantendo a convicção de prestar o melhor serviço de ensino, pesquisa e extensão, para servir e atender às demandas da sociedade.

*Paulo Afonso Burmann foi reitor da UFSM de 2014 até 2021.
Diagramação e ilustração: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial
Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (Dezembro 2021)
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12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/fim-de-festa Mon, 11 Apr 2022 13:39:50 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9036
Expediente:
Reportagem: Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo;
Ilustração: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial;
Editor convidado: Augusto Paim, jornalista.
Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (Dezembro 2021)
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12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/ferramenta-de-luta Mon, 11 Apr 2022 13:39:05 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=8967

Rodrigo Kuaray Mariano, 27 anos, Guarani Mbya, nascido e criado em tekoá (aldeia), menino de poucas perspectivas, mas de muitos sonhos. Inicialmente queria cursar Biologia, mas por um impulso – ou melhor, por vontade de Nhanderu – no momento da inscrição para o vestibular, optei por um curso diverso daquele
que sempre pensei.

Cursar Direito na Universidade Federal de Santa Maria foi uma das melhores coisas que pude vivenciar. Desde o ano de 2015, ano em que iniciei meus estudos na instituição, pude perceber muitas evoluções, tanto na minha formação profissional como pessoal, e umas das principais foi sobre novas percepções de mundo e também a possibilidade de um olhar mais crítico e politizado em relação a certos assuntos.

Ao longo da caminhada acadêmica, pude me afirmar, ainda mais, como uma pessoa comprometida na defesa de ideais e projeto de povo, de superação da segregação histórica que meu povo e os povos indígenas em geral sofrem.

A conquista da graduação em Direito me possibilitou muitos caminhos, mas sempre existiu um que era e é ainda o principal: a atuação por justiça social e defesa dos direitos dos povos indígenas. Então, a partir do exposto, é possível afirmar que a UFSM foi uma ponte que me possibilitou alcançar lugares diferentes daqueles que eram os mais próximos à minha realidade.

Ilustração horizontal e colorida de um homem indígena. Ele está na esquerda da Ilustração, tem pele marrom, cabelos pretos, lisos e curtos. O rosto é redondo, olhos escuros, nariz e boca em tamanho médio. Usa colares grandes de contas circulares. Um deles é bege e o outro preto. Veste camiseta azul marinho. Está em primeiro plano e segura nas maos uma folha de papel bege como linhas em azul. Atrás dele, desenho da estátua de Thêmis, símbolo do Direito. Ela está na cor laranja claro, usa vestido liso e uma venda nos olhos. Na mão direita, levantada, segura uma balança de pesos, e na esquerda, que está para baixo, uma espada. O fundo tem textura de pinceladas e é na cor rosa claro.

Nesta imagem, está ilustrado um momento que tem um significado muito grande na minha vida: ela marca o início de uma trajetória que não pretendo deixar. Logo nos primeiros dias após minha formatura, já em atuação pela Comissão Guarani Yvyrupa – CGY, organização indígena, representante do povo Guarani do Sul e Sudeste do Brasil, acompanhei uma comitiva de lideranças indígenas da região Sul em mobilização em Brasília-DF. No dia 11 de fevereiro de 2020, realizei visitas aos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal e entreguei, simbolicamente, uma petição de habilitação da Comissão Guarani Yvyrupa em um Recurso Extraordinário que trata dos direitos dos povos indígenas aos seus territórios.

Para finalizar, sobre a UFSM, é importante destacar que é uma instituição pública de muita qualidade e que está preocupada na formação crítica dos e das estudantes, que me proporcionou novos horizontes e possibilidades e, o mais importante de tudo, considero que o Direito é, em minha vida, uma ferramenta de luta, e a UFSM me proporcionou conhecer, estudar, me apropriar, e agora me utilizar disso para a conquista de meus ideais e do
meu povo.

Expediente:

Texto: Rodrigo Kuaray Mariano, primeiro indígena do povo guarani a estudar no curso de Direito da Universidade Federal de Santa Maria.

Diagramação e ilustração: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial.

Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)

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12ª Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/educacao-popular-como-alternativa Mon, 11 Apr 2022 13:38:56 +0000 http://www.55bet-pro.com/midias/arco/?p=9052

As noites no prédio da Antiga Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no centro da cidade, têm um movimento diferente – não só de alunos universitários, mas de quem ainda quer chegar lá. Nos corredores do 6o andar, as expectativas e dúvidas sobre a temida prova do Enem e a faculdade são as mesmas, do jovem de 18 que está no ensino médio à senhora de 60 que decidiu voltar a estudar.

Ilustração horizontal e colorida de uma roda de pessoas sentadas em cadeiras verde água. Na frente de algumas, há mesas escolares. São nove pessoas: seis mulheres e três homens, quatro pessoas brancas e cinco pessoas negras. Em duas carteiras, há cadernos abertos e xícaras com líquido preto fumegante. Em uma cadeira há outra ficará com líquido preto fumegante, ao lado de uma mulher branca de óculos preto, cabelos castanhos claros, que está com a boca aberta e uma mão levantada; veste camiseta preta e calça azul. Uma mulher, de costas no canto inferior direito, está com uma caneta preta sobre o caderno. Há duas mochilas cinzas e uma vermelha perto de cadeiras ou pendurada em cadeiras. A roda de pessoas está em primeiro plano. Em segundo plano, quadro escolar verde escuro azinzentado e com moldura de madeira clara. O quadro é retangular, horizontal e comprido. No fundo, parede bege.

Desde 7 de março de 2000, o Pré-Universitário Popular Alternativa democratiza o acesso ao ensino superior de pessoas sem condições financeiras para pagar um cursinho particular. Até hoje, mais de 3 mil vagas já foram abertas. Além disso, possibilita que acadêmicos de graduação e pós-graduação da UFSM e de outras instituições ganhem experiência em sala de aula, como educadores.

 

O projeto é vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, que abriga o cursinho e cuida do financeiro. Já o Laboratório de Metodologia de Ensino (Lamen), órgão do Centro de Educação, orienta a parte político-pedagógica. Na coordenação executiva, responsável por gerir o espaço físico, os educandos e educadores, estão alunos bolsistas da UFSM e voluntários.

 


“É um lugar acolhedor, onde você não só recebe conteúdo, mas compartilha conhecimentos e troca experiências com pessoas que estão na faculdade, o que é muito positivo para estarmos preparados”, diz Vinicius dos Santos Borges, que foi aluno do Alternativa, passou no Enem e hoje cursa Engenharia Florestal na UFSM – seu sonho.

 

Fui professora de redação do Vinicius na segunda passagem dele pelo cursinho, em 2019. Na turma, o olhar crítico e as experiências de vida, que muitos compartilhavam, davam rumo aos debates sobre temas atuais –como trabalho informal, situação indígena e saúde mental – que depois virariam redações. As correções, ao longo do ano, diminuíam. As notas aumentavam. E era visível o orgulho deles com a própria evolução.

 

O projeto, pautado pela educação popular, também oferece atividades extracurriculares e formações pedagógicas para educandos e educadores. A equipe de biologia, por exemplo, fazia o Sábado da Biologia, com aulas práticas nos laboratórios da UFSM. Em 2020, com aulas a distância devido à pandemia do coronavírus, encontros online abordaram educação sexual e desastres ambientais.

 

Atualmente, 120 novos alunos ingressam por ano, selecionados de acordo com critérios socioeconômicos. Cerca de 50 chegam até o final. Muitos acabam desistindo porque precisam procurar emprego, ajudar financeiramente em casa ou não têm dinheiro para a passagem de ônibus. “Nossa principal dificuldade continua sendo a evasão ao longo do período letivo”, diz Júlia Bolzan Cardoso, uma das coordenadoras do pré-universitário.

 

Para Vinicius, o cursinho representa exatamente o que está em seu nome: a alternativa para os santa-marienses que não têm condições de pagar um cursinho particular. “Cada um que faz parte do projeto faz por que ama, pois são todos voluntários. Muitos ex-alunos que foram beneficiados voltam como professores para fazer a sua parte em retribuição e gratidão”, diz o ex-aluno.

 

Depois do Enem 2019, recebi mensagens de alguns alunos felizes com o desempenho na prova e na redação. Não havíamos debatido em aula sobre o tema daquele ano, o acesso ao cinema, mas eles sabiam o que fazer. E essa é a essência da educação popular: acolher, preparar e abrir caminhos. Vida longa ao Alternativa!

Expediente:
Reportagem: Andressa Motter (jornalista formada pela UFSM que foi professora de redação no Alternativa em 2018);
Ilustração e diagramação: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial..
Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (Dezembro 2021)
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