2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Thu, 11 Feb 2021 17:11:06 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico 2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/viagens-que-a-ufsm-me-proporcionou Mon, 21 Dec 2020 19:29:00 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1496

Esta HQ foi publicada na editoria Recordações da 2ª edição da Revista Arco, de outubro de 2013.

* Augusto Paim é jornalista formado na UFSM, mestre em Teoria da Literatura (PUC-RS), tradutor e escritor.
Ilustrações: Mariana Michelotti Bolzan

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2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/sobre-existir-contra-o-vento Tue, 01 Oct 2013 19:35:33 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1498 Dias atrás, enquanto caminhava pela cidade, vi um menino que andava de bicicleta e, sem nenhum pudor ou medo, soltava as mãos do guidão e abria os braços como asas, feliz da vida, descendo a rua em alta velocidade.

Invejei-o. Como invejei aquele menino em uma fração de segundos que ele passou por mim! Invejei-o como há muito não invejava algo ou alguém.

Não o invejei só porque ele fazia isso com a tranquilidade e a maestria de um profissional, ou porque ainda por cima de tudo conseguia fechar os olhos e sorrir sentindo a brisa batendo em seu rosto enquanto o peso de seu corpo o levava sem destino, mas principalmente porque ele, embora corresse um risco real – já que não possuía nenhum equipamento de segurança e a via por onde andava não era das mais tranquilas com relação ao trânsito de outros veículos que o ultrapassavam desarvorados às seis da tarde – não se importava com o que acontecia ao seu redor.

Aquele menino não tinha antes nem depois. Senti inveja dele porque simplesmente não parecia estar indo para lugar algum. Ele sequer parecia ter vindo de qualquer lugar. A vida dele naquele instante era somente entrever sua existência gargalhar contra o vento, sem lhe passar pela cabeça o perigo da queda sobre a bicicleta desassegurada. Vida em estado puro, movimento-sopro que se refratava no instante de sua passagem.

Aquele menino era tudo o que eu também queria ser. Trajeto sem destino, ponto de partida misterioso, ponto de chegada sem controle.

Fração de vida que preferia, em uma breve passagem, ser por inteiro, esquecer os para sempre e os por enquanto inventando um soluço de tempo entre os dois.

Aquele menino era apenas existência contra o vento, riso solto, e só.

*Cristian Poletti Mossi é formado em Desenho e Plástica – Bacharelado e Licenciatura e atualmente cursa Doutorado em Educação na UFSM

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2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/la-bella Tue, 01 Oct 2013 19:25:55 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1492

A palavra “berço” muitas vezes é usada para passar a ideia de origem ou de conforto. Berço da Quarta Colônia, Silveira Martins está entre os lugares que conseguem conciliar bem os dois conceitos no mesmo espaço. Entre a típica e convidativa culinária local, a beleza simplista e a tranquilidade pacificadora, a Città Bianca (Cidade Branca), como era originalmente chamada por seus fundadores italianos, oferece paz de espírito de sobra para passar um final de semana tranquilo e revigorante.

O ensaio a seguir foi fotografado em uma auspiciosa tarde de domingo e foi feito em parceria com o curso de Turismo da Unidade Descentralizada de Educação Superior da UFSM em Silveira Martins (Udessm). O curso, que pretende formar profissionais com base no planejamento turístico sustentável, tem nas paisagens da cidade e de toda a Quarta Colônia de Imigração Italiana a matéria-prima necessária para ajudar no desenvolvimento turístico da região.

Texto e fotografia: Pedro Porto

*Confira o ensaio completo na versão flip.

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2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/um-sonho-em-construcao Tue, 01 Oct 2013 19:23:32 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1490

De pequena, Sandra queria ser pedreira. O tempo passou e ela cresceu. Deixou de ser menina e, sem oportunidade, deixou também o atípico sonho adormecer. Em vez de construir casas, passou a limpá-las e organizá-las. Sandra virou faxineira. Trabalhou de domingo a domingo, sem descanso, até que um dia, em 2010, viu um cartaz no mural da escola onde estudava, na comunidade da Vila Maringá, em Santa Maria. O cartaz convidava as mulheres do bairro a participarem de um curso de construção civil. Sandra conversou com as professoras da escola, informou-se e logo fez a inscrição. Foi o primeiro passo rumo à realização do sonho de infância adormecido.

Também foi o momento em que o caminho de Sandra Oliveira Santos cruzou pela primeira vez com o do Núcleo de Estudos sobre Mulheres, Gênero e Políticas Públicas (NEMGeP) da UFSM. Era o NEMGeP que estava oferecendo o curso para mulheres interessadas em trabalhar na área de construção civil. O programa de extensão Mulheres Conquistando Cidadania surgiu do engajamento do Núcleo na luta pela implementação do Plano Nacional de Políticas úblicas para Mulheres, que tem como um dos eixos fundamentais o estímulo à autonomia econômica das mulheres e à igualdade no mundo do trabalho, com inclusão social.

O Núcleo, formado em 2009, no curso de Enfermagem da UFSM, sob a coordenação da professora Maria Celeste Landerdahl, desenvolve diversas atividades relacionadas à saúde e cidadania das mulheres. Atualmente, além de acadêmicas da Enfermagem, o grupo possui integrantes de cursos como Serviço Social e Psicologia. Na mesma época em que o Núcleo surgiu, nasceu a ideia de implementar o Mulheres Conquistando Cidadania na cidade. “A partir desse momento, nós fomos nos sentindo comprometidas e responsáveis por estar criando novas frentes. Foi assim que começou. E em cada espaço que a gente sentia que tinha que lutar por direitos das mulheres a gente entrava. Nessa caminhada continuamos até hoje ”, conta Celeste.

De acordo com a professora, projetos como o Mulheres Conquistando Cidadania já vinham sendo implementados em outros municípios, inclusive no Rio Grande do Sul, com a proposta de qualificar mulheres de baixa renda para o trabalho na construção civil. “Seria uma alternativa à falta de trabalho ou ao trabalho doméstico remunerado informal. Uma possibilidade a mais de trabalho àquelas que desejassem um campo de atuação que propiciasse autonomia financeira”, explica a professora.

Para Celeste, a independência conquistada através do trabalho é entendida como um requisito importantíssimo para a promoção da cidadania e da saúde da mulher. A política atual considera as desigualdades de gênero e a falta de empoderamento das mulheres como questões que afetam a saúde feminina. “O que causa doença? Não é só comer alimento estragado. O tipo de relação que você mantém com as pessoas com quem convive pode causar doenças, sim. E colocar isso em uma política para mulheres é um avanço, porque temos que atacar isso. É uma questão de saúde pública”, afirma.

As atividades do Mulheres Conquistando Cidadania começaram em 2010. Incluindo Sandra, o programa teve 60 mulheres inscritas, todas de localidades onde o curso de Enfermagem desenvolvia ações de saúde. O curso profissionalizante foi dividido em dois eixos: técnico e político. O primeiro foi ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), contando com aulas de assentamento de cerâmica e de pintura predial interna e externa. O segundo eixo foi desenvolvido pelo NEMGeP, através de oficinas de saúde e cidadania, com rodas de conversas e dinâmicas. Dentre os temas discutidos, estavam assuntos como gênero e empoderamento, direitos das mulheres, políticas públicas para mulheres, violência e igualdade de gênero.

No final de 2010, o programa entregou os certificados de conclusão do curso profissionalizante a 38 mulheres, ampliando as possibilidades de independência econômica, empoderamento e melhor qualidade de vida para elas e suas famílias. “A Universidade tem um papel fundamental na mudança da sociedade, sempre por meio do conhecimento, para que as pessoas tenham um pensamento mais crítico. E é isso que a gente tem tentado fazer. Alguma coisa estamos conseguindo. Se a gente não pensar que está conseguindo, a gente para. Temos que acreditar que é possível. Sempre pra nós a mudança é possível”, fala Celeste.

Dentre as formandas, lá estava Sandra novamente, cheia de felicidade. Um mês depois, em janeiro de 2011, ela foi chamada para trabalhar em uma empresa de construção civil na cidade. “Comecei como servente e desde que eu entrei eles assinaram minha carteira, tudo regular. Antes eu não tinha isso. Depois passei a meio-oficial e agora sou pedreira profissional”, conta Sandra, com o orgulho de quem realizou um sonho de infância. Mas o sonho cresceu. Agora ela quer ser mestre de obras. Enquanto procura o curso profissionalizante para isso, segue sua rotina de trabalhadora, na empresa e em casa. Sandra está construindo com suas próprias mãos a futura casa da família.

Repórter: Camila Marchesan Cargnelutti

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2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/bebida-que-vira-combustivel Tue, 01 Oct 2013 19:20:20 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1488

São constantes as notícias que anunciam a apreensão, por parte da Receita Federal, de bebidas alcoólicas recolhidas em condições ilegais ou sem o selo do Imposto de Produto Industrializado (IPI). No final de contas, são milhares de litros que precisam de um destino, pois não podem permanecer para sempre estocados em depósitos. Legalmente, são três as formas pelas quais o material apreendido pode ser destinado: encaminhamento para leilão, doação para entidades sem fins lucrativos ou órgãos públicos e destruição ou inutilização.

Escolher a forma mais adequada, no entanto, exige analisar cada situação específica. No caso de Santa Maria, o delegado da Receita Federal do Brasil, Alexandre Rampelotto, destaca que a natureza fragmentada das apreensões inviabiliza, técnica e economicamente, a obtenção dos laudos que garantem que os produtos são próprios para o consumo. Sem esses laudos, não é permitido que os produtos apreendidos sejam doados. Além disso, o delegado cita as políticas governamentais de combate ao consumo de drogas lícitas, como o álcool, que vão na linha contrária à possibilidade de doação do mesmo. Já o encaminhamento das mercadorias para leilão foi descartado ao se considerar o impacto negativo que poderia gerar na economia local, ao criar concorrência com as empresas do ramo já estabelecidas na cidade.

Assim, a opção que se mostrou mais viável foi a destruição das mercadorias. O modo escolhido para que isso acontecesse havia sido, inicialmente, o despejo das bebidas em redes de tratamento de efluentes. Essas redes são locais em que produtos líquidos ou gasosos produzidos por indústrias ou resultantes dos esgotos domésticos são tratados e então lançados no meio ambiente. No entanto, a solução nem sempre se mostrava completamente eficaz. O despejo de uma quantidade tão grande de bebidas alcoólicas poderia dificultar o processo de tratamento e causar um problema ambiental. Consciente disso, o delegado viu na Usina Piloto de Etanol do Colégio Politécnico da UFSM uma alternativa. É o que ele destaca:

– No momento em que soubemos da existência de um projeto do Colégio Politécnico que utilizava uma destilaria modelo, iniciamos os contatos com a Universidade para saber do interesse em formar uma parceria no sentido de utilizar o resíduo da destruição de bebidas para a produção de álcool.

A PARCERIA

A Usina Piloto de Etanol entrou em funcionamento em 2009, ano em que começou a processar álcool a partir de resíduos de arroz, mandioca, batata, batata doce, entre outros. Em geral, o espaço serve para a realização de experiências e pesquisas de alunos dos mais diversos cursos da UFSM e do próprio Colégio Politécnico. Porém, essa demanda nem sempre mantinha as máquinas ocupadas, como seria o ideal. Com a parceria firmada entre a microdestilaria e a Delegacia da Receita Federal (DRF) de Santa Maria, em 2011, esse problema foi resolvido e o trabalho é contínuo.

Só no ano inicial do acordo, foram aproximadamente 30 mil litros de bebidas entregues à Usina. O delegado Alexandre explica como ocorre esse processo:

– Na prática, a destruição das bebidas ocorre ainda dentro do Depósito da Receita Federal na cidade, quando as garrafas são abertas e o conteúdo é misturado em recipientes de mil litros, o que descaracteriza completamente as mercadorias. É essa mistura que é entregue à Usina e depois passa pelo processo de destilação. As garrafas são quebradas e, juntamente com as embalagens, são destinadas a associações de coletores de materiais recicláveis da cidade.

Os resíduos entregues na Universidade são resultado, principalmente, de bebidas apreendidas em ações realizadas pela DRF de Santa Maria na sua área de abrangência, que compreende a região central e as fronteiras norte e oeste do Rio Grande do Sul. Entretanto, ao entenderem a importância da parceria, outras unidades da Receita Federal no estado também têm direcionado bebidas para serem entregues à destilação.

OS RESULTADOS 

Todo o conteúdo recebido é redestilado e dá origem a novos produtos, como álcool gel e álcool etanol. O último dá origem ainda ao álcool de uso doméstico (50GLº), utilizado no dia a dia para limpeza e desinfecção. A quantidade de álcool redestilado depende, no entanto, da concentração das bebidas recebidas, que possuem uma variação considerável na graduação alcoólica. Quanto mais alta esta for, maior é o volume produzido. O coordenador da Usina, professor Cícero Nogueira, destaca que a geração de combustível tem sido tão satisfatória que há uma nova ação em fase de implementação:

— Nós estamos implementando um posto de abastecimento, com sistema de filtro, bomba… Estamos com um estoque grande de álcool e, no momento em que isso ficar pronto, vamos fazer uma doação desse produto para a Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros. Isso porque tanto nós quanto a Receita não estamos utilizando todo o combustível gerado.

Após redestilados, parte dos produtos é entregue à Receita Federal e o restante fica armazenado na UFSM, onde é utilizado no próprio Colégio Politécnico, na desinfecção de laboratórios, limpeza do Restaurante Universitário e abastecimento da frota de veículos. O professor Cícero destaca o quão importante é a tomada de iniciativas como essa:

— A Receita Federal é uma instituição pública que tinha um problema ambiental a ser resolvido. A Universidade tinha a Usina instalada, porém com falta de matéria-prima. Esse é um exemplo de como é importante e necessária a ação da UFSM para além de seus muros. É uma ponte entre o meio acadêmico e a sociedade.

O sucesso da iniciativa despertou, inclusive, a atenção de outras unidades da Receita Federal. É o caso da DRF de
Divinópolis (MG). Alexandre conta que o delegado da cidade mineira esteve em Santa Maria, conheceu o projeto e já encaminhou parceria semelhante com uma universidade de sua região. São atitudes que pouco a pouco se disseminam e criam soluções simples para problemas que podem ter grande impacto.

Repórter: Daniela Pin Menegazzo

Ilustração: Projetar

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2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/1485 Tue, 01 Oct 2013 19:15:30 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1485

Atualmente, mais de 90% dos meios de transporte no mundo são movidos a gasolina ou óleo diesel, produtos derivados do petróleo. Você consegue imaginar o que aconteceria se um dia o petróleo acabasse? Embora não se saiba quando, é praticamente consenso entre os especialistas que, se continuarmos no ritmo atual de consumo, ele vai, sim, esgotar-se. A estimativa do fim depende de diversos fatores, como a descoberta de novas reservas e o aumento da produtividade e do consumo. “Há algumas décadas, a visão industrial era a de que os recursos eram inesgotáveis. Atualmente a única certeza que temos é de que os recursos são finitos”, assinala Clândia Maffini, professora do Programa de Pós-Graduação em Administração da UFSM.

A professora Clândia afirma ainda que encontrar novas tecnologias “constitui-se em condição para garantir o alcance de uma sociedade mais harmônica e justa”. A produção dessas tecnologias é essencial para alcançarmos um desenvolvimento sustentável, minimizando os impactos ambientais e garantindo fontes alternativas para o futuro. Nesse cenário, em que os biocombustíveis surgem como tecnologia alternativa de fonte energética, o Brasil tem se destacado e conquistado reconhecimento internacional.

Os biocombustíveis (etanol, álcool ou biodiesel) são gerados a partir de compostos de origem animal ou de produtos vegetais, como cana-de-açúcar, soja, milho e girassol, sendo então considerados combustíveis limpos e renováveis. Eles podem ser utilizados em motores, substituindo parcial ou totalmente o uso de combustíveis fósseis. Além disso, os biocombustíveis são biodegradáveis, decompondo-se facilmente, e a emissão de gás carbônico resultante de sua queima é menor que a dos combustíveis fósseis, reduzindo os impactos à natureza.

O que é desenvolvimento sustentável?

É um modelo de desenvolvimento, utilizado pela primeira vez pela ONU, na década de 80, que propõe harmonizar o crescimento econômico com a inclusão social e a proteção ambiental.

 CRESCENDO COM SUSTENTABILIDADE 

Para incentivar a produção e a utilização de biocombustíveis no Brasil, o governo criou o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Instituído em 2004, o programa objetiva implementar de forma sustentável a tecnologia do biodiesel, com enfoque no desenvolvimento regional e na inclusão social dos trabalhadores. Para tanto, também criou o Selo Combustível Social (SCS), concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário às empresas produtoras de biodiesel que promovem a inclusão social dos pequenos agricultores, através da aquisição de material da agricultura familiar e da prestação de assistência técnica.

Com o intuito de pesquisar os impactos do Selo no desenvolvimento sustentável, na ação e na estratégia das empresas produtoras de biodiesel no estado, a pesquisadora Rozali Araújo dos Santos desenvolveu sua dissertação de mestrado em Administração na UFSM, Selo Combustível Social: a perspectiva da indústria de biodiesel do Rio Grande do Sul, defendida em 2012. De acordo com Rozali, o interesse pelo tema despertou pelo fato de o biodiesel ser “uma inovação que traz consigo um viés ambiental e que no Brasil vislumbra a dimensão social, oriunda do Selo”.

“Hoje não existe crescimento sem desenvolvimento sustentável. E isto passa pela adoção de combustíveis mais limpos e com menos impactos ambientais”

Para obter o Selo, as empresas produtoras de biodiesel devem adquirir um mínimo de matéria-prima da agricultura familiar, variável de acordo com a região do país, e assegurar capacitação e assistência técnica gratuita aos agricultores contratados. Em contrapartida, recebem alguns benefícios do governo, como diferenciação ou isenção de impostos, acesso a melhores condições de financiamento e participação em leilões públicos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Desde 2010, todo o diesel comercializado no país deve possuir 5% de biodiesel misturado. A ANP realiza leilões que têm por objetivo garantir a mistura obrigatória de biodiesel prevista na lei. O combustível resultante leva o nome de B5, e a intenção do governo é ir aumentando aos poucos essa quantidade. Além de garantir mercado para o biodiesel produzido, a nova mistura diminui os gastos com a compra de petróleo, gerando economia, e reduz a emissão de gás carbônico na atmosfera, resultante da queima do combustível.

João Artur Manjabosco, gerente da Unidade de Negócios Biocombustíveis da Camera, localizada em Santa Rosa (RS) e uma das empresas participantes da pesquisa de Rozali, explica que, além da redução tributária na venda do biodiesel, também está garantido por lei que no mínimo 80% do biodiesel vendido nos leilões regulares da ANP devem ser de empresas detentoras do Selo. Aliada a essas vantagens, ainda há a dimensão social do programa: “Somos o único país no mundo que inovou, unindo produção de biocombustíveis com geração e distribuição de renda”, afirma.

Para André Roseira, do Departamento Comercial da Granol, empresa de Cachoeira do Sul que possui o Selo desde 2007 e que também fez parte do estudo de Rozali, as principais vantagens do SCS residem no fato de as empresas contarem com um novo mercado para o óleo produzido e para seus subprodutos, como a glicerina. Além disso, “os produtores passaram a ser mais bem atendidos na questão técnica e recebem valor melhor pelo seu produto, sendo valorizados na cadeia produtiva”, acrescenta.

As falas de João Artur e de André estão de acordo com as constatações da dissertação de Rozali, que notou no discurso das empresas participantes as expectativas, em torno do mercado, da maior participação nos leilões e da maior proximidade com os agricultores familiares. “No que diz respeito ao relacionamento com os agricultores familiares, as empresas vão além do obrigatório, promovendo cursos e palestras e incentivando feiras, além de buscarem uma interação maior com a comunidade”, ressalta Rozali.

COLHENDO ENERGIA  

Em sua pesquisa, Rozali também compilou algumas críticas dos empresários em relação ao Selo, constatando que elas
se concentravam principalmente na questão da adequação à realidade da região Sul e em relação ao desenvolvimento regional, que deixa de existir quando empresas de fora apenas adquirem o produto, sem realizar a contrapartida da prestação de assistência técnica. João Artur resume: “Entendemos que o Selo deveria ser regionalizado nas proximidades de cada usina. Hoje, usinas de outros estados compram lotes de soja de cooperativas aqui no Rio Grande do Sul, ou seja, da agricultura familiar, e rotulam isto como Selo Social. Entendemos que a proposição inicial do Selo era um pouco diferente”.

Conhecer os impactos do SCS nas estratégias, na inovação e no desenvolvimento sustentável, bem como as perspectivas e as críticas das empresas produtoras de biodiesel quanto ao Selo foram os objetivos principais do projeto de mestrado de Rozali. Segundo ela, ao longo da pesquisa foi possível perceber que as estratégias de uma empresa produtora repousam sobre o Selo. “O Selo proporciona inovação nos processos, principalmente de compra, e no desenvolvimento sustentável afeta as três dimensões – econômica, ambiental e social”.

Ciclo de vida do biodiesel

Ciclo de vida do biodiesel

A preocupação com a dimensão social do desenvolvimento sustentável existe também internamente nas empresas. A Camera, por exemplo, que possui o Selo Combustível Social desde 2011, formou um Núcleo de Agricultura Familiar visando ao acompanhamento e fornecimento de assistência técnica aos pequenos produtores rurais. “São muitas famílias incluídas e que recebem benefícios diretos, ou seja, distribuição de renda, bem como fixação destas famílias no campo. As empresas vão na linha dos objetivos do programa; afinal, o biodiesel é 100% renovável, uma energia produzida aqui, no interior do Brasil, gerando empregos, renda e oportunidades”, afirma João Artur, gerente da Unidade de Negócios Biocombustíveis da empresa.

“O Selo permite a aproximação do agricultor antes marginalizado pelo sistema, gera mais renda e impacta na economia local, regional e nacional”.

De acordo com a professora Clândia, atuar de forma mais sustentável torna-se condição necessária para a própria continuidade da ação empresarial. João Artur corrobora: “Hoje não existe crescimento sem desenvolvimento sustentável. E isto passa pela adoção de combustíveis mais limpos e com menos impactos ambientais”. Para Rozali, além de contribuir para a inclusão e para o desenvolvimento local, o Selo Combustível Social também assume um papel fundamental de conscientização sobre sustentabilidade: “A pesquisa permitiu verificar que o Selo permite a aproximação do agricultor antes marginalizado pelo sistema, gera mais renda e impacta na economia local, regional e nacional e tem como consequência a conscientização da necessidade do desenvolvimento sustentável”.

Repórter: Camila Marchesan Cargnelutti
Ilustrações e infográficos: Projetar
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2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/por-um-ar-mais-puro Tue, 01 Oct 2013 19:10:51 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1482

O que é um hidrocarboneto? Basicamente, é um composto químico formado por átomos de carbono e de hidrogênio. O óleo diesel, um derivado do petróleo, utilizado para abastecer veículos como ônibus, caminhões e camionetes, é constituído por hidrocarbonetos. Um motor movido a óleo diesel tem sua vida útil cerca de 30% maior que outro movido a gasolina, e ainda gasta menos combustível. Em contrapartida, este motor torna-se mais caro e menos ágil.

Dado o momento em que todos os olhares se voltam ao meio ambiente, é preciso estudar maneiras de diminuir a emissão de poluição. Uma das principais questões envolvendo o óleo diesel é justamente essa: a poluição a partir de sua queima. Quando um combustível sofre combustão, moléculas de nitrogênio e enxofre são liberadas na atmosfera. A quantidade dessas moléculas é maior no diesel, por isso ele é mais poluente que outros combustíveis, como a gasolina e o álcool. São essas moléculas que causam problemas para o meio ambiente, como a chuva ácida.

Contrabalanceando benefícios e desvantagens, uma coisa é certa: se o uso do diesel é indispensável, reduzir seus prejuízos na natureza é tão importante quanto.

Foi buscando exatamente isso que, em 2006, a Petrobras iniciou mais um projeto com o Laboratório de Análises Químicas Industriais e Ambientais (Laqia), dentro de um convênio que já existe desde 2004 com a UFSM. O projeto da empresa estatal com o grupo de pesquisa da Universidade concentra-se na busca de alternativas para o melhoramento do óleo diesel, com foco na redução dos compostos de enxofre e nitrogênio do combustível

REDUZIR E REMOVER 

O processo para melhorar a qualidade do diesel é feito em duas etapas. Quando se trabalha com reações químicas, temperatura e pressão são fatores muito importantes. Aumentar pressão e temperatura geralmente acelera a reação, mas isso acaba aumentando o grau de dificuldade para realizá-la.

Industrialmente, o processo de remoção do enxofre do óleo diesel é feito através de um processo de hidrogenação. Nesse processo, utiliza-se uma temperatura de 300 graus centígrados e 200 atmosferas de pressão. O resultado obtido é um diesel contendo de 100 a 500 partes por milhão (ppm) de enxofre. Segundo o professor do Departamento de Química e coordenador do projeto, Érico Marlon Moraes Flores, a hidrogenação não consegue remover todos os compostos de enxofre, uma vez que alguns deles são tão resistentes que permanecem no óleo diesel.

A equipe do Laqia propôs, então, uma mudança. Em vez de retirar as moléculas poluentes do combustível através da hidrogenação, resolveu partir para um processo de oxidação assistido por ultrassom. Nesse novo processo, consegue-se trabalhar com temperatura de 90 graus e pressão atmosférica, ou seja, sem a necessidade de adição de hidrogênio. O resultado foi surpreendente. Trabalhando com temperatura e pressão baixas, chegou-se à marca de cinco partes por milhão.

POR QUE ULTRASSOM? 

A energia do ultrassom é utilizada para acelerar reações químicas. Nesse caso, o uso do ultrassom dispensa temperatura e pressões muito altas, facilitando o processo. Ele aumenta a eficiência da reação e ainda diminui o uso de agentes químicos, solventes e reagentes. Por isso, é considerado uma tecnologia alternativa, já que permite trabalhar com condições não tão severas, reduzindo, assim, a energia utilizada no processo.

Conforme o professor Érico, o ultrassom possui ainda algumas peculiaridades em relação a outras radiações, como a formação de bolhas de cavitação. São elas as responsáveis pela rapidez do processo. Essas bolhas são pequenas gotículas de gás que surgem de maneira dissolvida no meio líquido.

Sob ação do ultrassom, essas bolhas começam a pulsar e vão aumentando de tamanho até que implodem. Ao implodir, elas promovem jatos de alta pressão e velocidade no meio líquido, chegando até 400 metros por segundo. Com o aumento da temperatura, há uma agitação muito grande no meio — o que facilita o contato dos reagentes e acaba acelerando a reação.

Sem o ultrassom, a reação de retirada das moléculas de enxofre e nitrogênio do diesel demora cerca de seis horas. Já, com o uso do ultrassom, esse tempo cai para cerca de quinze minutos, o que significa que a reação torna-se vinte e quatro vezes mais rápida.

MAIS PERTO DO QUE VOCÊ IMAGINA 

O projeto para melhorar a qualidade do diesel resultou em uma série de benefícios. A equipe do Laqia conseguiu desenvolver o método para remoção efetiva de enxofre e nitrogênio assegurando que o combustível estivesse dentro das especificações, e dentro das novas recomendações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP. E, além disso, utilizando uma tecnologia que gasta menos energia e, consequentemente, causa menos danos ao meio ambiente.

Até o final de 2012, além do óleo diesel comum, que contém 500 ppm de enxofre, os postos brasileiros disponibilizavam também um diesel menos poluente, o S50. A letra ‘S’ é o símbolo do elemento enxofre, e o número é o mesmo que o ppm, ou seja, 50 mg de enxofre por litro de diesel.

Atendendo a medida do Programa da Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, Proconve, em  janeiro deste ano o diesel S50 começou a ser substituído pelo S10, ou seja, com teor de enxofre ainda menor. Os benefícios do novo combustível são visíveis para quem abastece.

O advogado Walter Mendes Mucha, que faz uso do novo diesel para abastecer a sua camionete, diz perceber a diferença entre os combustíveis pelo cheiro produzido pelo diesel S10, segundo ele, menos forte que o do diesel comum. Ainda que quisesse abastecer com o diesel comum, Walter não poderia, já que sua camionete foi produzida para rodar apenas com o S10.

Desde o ano passado, os motores a diesel estão sendo fabricados para rodar somente com este tipo de diesel, podendo comprometer seu funcionamento caso sejam abastecidos com o comum. Caso o motorista insista, os postos de combustíveis podem exigir sua assinatura, responsabilizando-se pelos danos que o diesel comum possa vir a causar em seu veículo. Já o contrário não causa risco nenhum. Motores anteriores a 2012 podem abastecer sem problemas com o novo diesel.

Com o diesel S10, o lubrificante do veículo pode ser trocado em um maior intervalo de tempo, já que ele reduz a incidência de contaminantes do lubrificante. Além disso, esse combustível melhora a partida a frio, sistema que impulsiona o funcionamento dos veículos em dias de baixas temperaturas, e ainda diminui a emissão de fumaça branca, prejudicial ao meio ambiente.

Todas essas vantagens vêm do melhoramento do combustível, da redução do enxofre em sua fórmula. Mas isso depende da complexidade do processo de refinamento do combustível, o que custa caro. O resultado está na tabela de preços: o diesel S10 é mais caro que o comum.

DESPOLUIR É PRECISO 

Muitos dos processos industriais dependem da utilização de combustíveis em alguma etapa. Eles são necessários para que fábricas, usinas e veículos possam funcionar. Em contrapartida, a queima de combustíveis fósseis, que permitiu o desenvolvimento industrial, acarretou também a poluição do meio ambiente.

O enxofre é liberado na atmosfera a partir da queima do óleo diesel, da sua matéria prima, o petróleo, e também do carvão. Uma vez no ar, ele entra em contato com o oxigênio, ocasionando aquela nuvem escura que paira sobre os grandes centros.

No ar, as moléculas de enxofre causam inúmeros problemas à saúde. A exposição contínua a essa poluição pode causar irritação no nariz e garganta, ocasionando tosse e falta de ar, além de agravar doenças respiratórias, como asma e bronquite, e doenças cardiovasculares.

Em reação com a água presente na atmosfera, o enxofre é um dos causadores da chuva ácida. A chuva contém um pequeno grau de acidez naturalmente, mas a emissão de gases como o enxofre intensifica esse efeito a ponto de causar prejuízos ao meio ambiente.

Ao chegar até as nuvens, as moléculas de enxofre reagem, formando ácido sulfúrico, resultando na chuva ácida. Os principais problemas causados pelo fenômeno são a destruição da cobertura vegetal, como florestas e lavouras, a alteração de ecossistemas presentes em lagos e rios, a contaminação da água potável e, ainda, a destruição de monumentos e construções. Além disso, a chuva ácida pode cair em locais distantes de onde se originou a poluição. Isso se dá graças à ação dos ventos, que podem levá-la até quilômetros de distância.

O projeto de redução do enxofre no óleo diesel por meio do ultrassom segue em andamento. A pesquisa já rendeu a patente do projeto junto à Petrobras, uma menção honrosa pelo Prêmio Capes de Tese em 2012 e o Prêmio Inventor 2012 da Petrobras. Além disso, foi construído na UFSM o Centro de Estudos em Petróleo, o Cepetro, onde as pesquisas estão sendo desenvolvidas. Através da tecnologia alternativa, o diesel vai sendo melhorado para que o produto final resulte em um combustível menos poluente, um ar mais puro para o meio ambiente e para a população.

Érico, Cláudio e Paola, parte da equipe do Laqia no Cepetro

Érico, Cláudio e Paola, parte da equipe do Laqia no Cepetro

Repórter: Natascha Carvalho

Fotografia: Pedro Porto

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2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vidas-que-continuam Tue, 01 Oct 2013 19:06:52 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1480 Podemos compreender a morte como parte do curso da vida, mas a aceitação diante dela não costuma ser tão simples. Quando se trata de uma mãe ou pai dizendo adeus ao filho, a situação é ainda mais difícil. Como explicar essa inversão do que esperamos ser o ciclo natural de nossa existência? Não parece haver uma resposta que dê sentido às coisas. Há casos, porém, em que a morte não é necessariamente o fim e nos quais ela passa a ser vista como o recomeço para outra pessoa. É aqui que entra em cena a doação de órgãos.

A relação entre a doação e a morte de um filho foi abordada na UFSM pela pesquisa intitulada A perda de um filho: luto e doação de órgãos. Ela foi realizada pela psicóloga Ana Luiza Portela Bittencourt, pelo professor de Psicologia Alberto Manuel Quintana e pela professora de Medicina Maria Teresa Aquino de Campos Velho. O objetivo foi pensar sobre o sofrimento advindo da perda do filho e como isso se apresenta nas situações em que há a possibilidade de doação de órgãos.

 

A REALIDADE DO LUTO

A morte não é um evento individual, pois traz repercussões no desenvolvimento de pais, irmãos e amigos. Cada uma dessas pessoas é afetada de diferentes formas – afinal, o luto não segue sempre um padrão. No entanto, encará-lo quando se trata de alguém jovem torna-se mais difícil, pela prematuridade que é posta. É menos doloroso enfrentar a morte quando temos a noção de que o ente querido viveu o suficiente para realizar seus sonhos e alcançar a felicidade.

O luto constitui um processo de reorganização, é o momento em que são expressos os sentimentos decorrentes da perda. O professor Alberto Quintana ressalta que ele não deve ser ignorado pelos profissionais da saúde; pelo contrário, é uma fase que precisa ser valorizada e acompanhada. A vivência do luto permite o entendimento de que a morte é real e possibilita a retomada da rotina.

O que é morte encefálica?

É a definição legal de morte. Ela representa a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro. Isto significa que, como resultado de uma forte agressão ou ferimento grave no cérebro, o sangue que vem do corpo e supre o cérebro é bloqueado, e ele morre. 

 

A DOAÇÃO E A EQUIPE DE SAÚDE 

A doação de órgãos, com exceção daquelas feitas em vida, pode ser realizada quando é detectada a morte encefálica, ou morte cerebral, como é mais conhecida. Porém, ainda que o paciente tenha declarado o desejo de ser um doador, cabe à família autorizar ou não que isso aconteça. A grande dificuldade é que o processo precisa ocorrer de forma rápida e coincide com um momento em que a família ainda não foi capaz de assimilar a perda. Além disso, ainda há muitos mitos e dúvidas envolvendo o assunto. O professor Alberto cita ainda outro fator que pode influenciar na decisão:

— Observamos que quanto mais a pessoa se sente confiante e satisfeita com o atendimento que foi prestado à pessoa que faleceu, mais ela está inclinada a doar. Isso porque a doação depende muita da confiança na equipe que vai solicitá-la.

Também segundo a pesquisa, outra dificuldade é a de que, quando é dado o diagnóstico de morte encefálica, o possível doador ainda apresenta batimentos cardíacos e respira com a manutenção de equipamentos. Assim, muitos pais costumam ter receio de que a pessoa ainda esteja viva e sentem medo de causar algum dano a ela. Nesse sentido, a atuação da equipe de saúde é fundamental. É preciso que fique claro para a família o conceito de morte encefálica e que seja dado um tempo até a informação ser processada. Para isso, é importante que a equipe de saúde esteja pronta para responder a todas as dúvidas sobre o assunto e deixar os pais mais seguros sobre a decisão a ser tomada.

A forma como são conduzidas as campanhas em prol da doação de órgãos também é, na visão de Quintana, um dos empecilhos para que ações como essa sejam realizadas em mais ocasiões:

— Todas as campanhas têm uma proposta de nos fazer entender que é bom doar, que você pode salvar vidas. Na pesquisa que nós fizemos, quase a totalidade das pessoas era a favor da doação. Mas quando se perguntava se elas doariam os órgãos de alguém próximo que teve morte encefálica, a grande maioria respondia que não.

As pessoas sabem o quanto doar é positivo, mas ainda assim têm receio de fazê-lo. Essa é uma mentalidade que está ligada a uma série de questões, tais como: crenças, medo de violar o corpo, abordagem inadequada, falta de informação e tantas outras. Entre essas outras questões está também o desconhecimento, por parte da família, de que o ente gostaria de ter seus órgãos doados. Deixar isso claro é uma forma de fazer com que essa vontade seja respeitada.

Se por um lado a doação de órgãos é muito importante, é também fundamental a manutenção da ética por parte dos profissionais envolvidos no processo. A escolha por doar os órgãos do familiar não pode ser feita mediante pressão. O que precisa ocorrer é um consentimento informado, que se caracteriza quando há o entendimento da situação e, livre de qualquer controle por parte de outro, autoriza-se que o profissional realize o procedimento. Quando o contrário acontece, a decisão é baseada em pressões externas e a experiência pode ser traumática.

 

“Na pesquisa que nós fizemos, quase a totalidade das pessoas era a favor da doação. Mas quando se perguntava se elas doariam os órgãos de alguém próximo que teve morte encefálica, a grande maioria respondia que não”

 

O MOMENTO DE DECIDIR

Enquanto o momento da morte é de luto para alguns, pode adquirir um significado de uma vida que ressurge para outros. Foi o que motivou Ecilda Nunes e Claudiomiro Rodrigues a doar os órgãos do filho, Felipe da Silva Rodrigues, de 19 anos, quando foi diagnosticada a morte encefálica.

Felipe foi atropelado por uma motocicleta enquanto trabalhava e já chegou ao hospital em estado crítico. Foram dez dias até que viesse a confirmação da morte cerebral. Quando isso ocorreu, a família logo conversou e decidiu pela doação, como explica Ecilda:

— A gente veio para casa, junto com nossos outros dois filhos, e conversamos sobre o que fazer. Decidimos doar os órgãos dele, porque sabemos que tem muita gente que precisa. Naquele momento estávamos arrasados, mas sabíamos que aquele gesto ia ser a alegria de algumas pessoas que há tempos estavam na fila de espera.

Na própria família, Ecilda e Claudiomiro já haviam acompanhado o caso das sobrinhas, que possuíam problemas renais e precisavam de um transplante. Ambos conhecem o sofrimento causado pela espera. A doação é um ato de colocar-se no lugar do outro. Talvez esse seja um bom (e necessário) exercício a se fazer.

 

Repórter: Daniela Pin Menegazzo

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2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-voz-que-a-ditadura-nao-calou Tue, 01 Oct 2013 19:05:20 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1476

Estádio Chile, 1969. Nesse local, no Festival da Nova Canção Chilena, grandes nomes da música nacional apresentavam-se. Entre eles, estava o cantor Víctor Jara, que acabaria vencendo o festival daquele ano. No ano seguinte, engajado com a política e os problemas sociais do país, Jara esteve ao lado do candidato socialista à presidência da república, Salvador Allende.

Três anos depois, em 1973, Allende seria deposto por um golpe militar que colocou Augusto Pinochet no poder. Ainda nos primeiros dias da recém instaurada ditadura militar chilena, diversos lugares transformaram-se em verdadeiros campos de concentração, com interrogatórios, torturas e assassinatos sumários. Um desses locais foi o Estádio Chile, com capacidade aproximada de cinco mil pessoas.

Víctor Jara estava entre os presos políticos levados para lá logo depois do golpe. Dali, ele só sairia morto, após ser torturado durante dias. E foi nesse estádio que Víctor escreveu seu último poema, Somos cinco mil (Somos cinco mil aquí/En esta pequeña parte de la ciudad/Somos cinco mil/¿Cuántos somos en total/en las ciudades y en todo el país?). No local, hoje chamado de Estádio Víctor Jara, a cadeira onde o cantor escreveu a derradeira obra de sua vida é a única pintada de branco, no meio de todas as cadeiras verdes no ginásio.

 

A HISTÓRIA RECONSTRUÍDA EM UM LIVRO-REPORTAGEM

O livro-reportagem Un Temblor de Primaveras, escrito pelo egresso do curso de jornalismo da UFSM Maurício Brum, conta a história de Víctor Jara. O material foi apresentado como trabalho de conclusão de curso (TCC), em fevereiro de 2013, com mais de 300 páginas, entre o livro e a parte teórica.

A narrativa inicia-se no próprio Estádio Chile, com o festival da Nova Canção Chilena vencido por Víctor. Depois, em ordem cronológica, a primeira parte do livro é destinada à vida do cantor, desde a infância até os dias finais do governo de Allende, com a contextualização social e política da época. Na segunda parte, os detalhes dos dias em que Víctor esteve no Estádio Chile após o golpe, desde a prisão, no dia 12, até a sua morte, ocorrida em algum momento entre os dias 15 e 16 de setembro de 1973.

O interesse de Brum pela vida de Jara veio juntamente com o desejo de saber mais sobre a história do Chile e sobre o golpe de 1973. Ao conhecer também a obra do cantor, com a qualidade artística aliada à militância de esquerda, o jornalista pensou em produzir uma reportagem aprofundada sobre o tema. Em 2011, com a proximidade do TCC, aproveitou a oportunidade para desenvolver o livro-reportagem: “Eu já havia reunido alguns materiais e vinha lendo sobre o assunto, e pareceu a oportunidade perfeita, com um ano inteiro para me dedicar a uma pauta”.

Para o trabalho de pesquisa, levantamento de materiais e apuração, Brum esteve mais de três meses no Chile, em duas passagens pelo país. Ele aproveitou essas temporadas para aquisição de bibliografia não existente no Brasil, realização de entrevistas, visitação e busca de materiais nos acervos do Museu da Memória e dos Direitos Humanos e da Fundação Víctor Jara.

Desde 1993, existe em Santiago do Chile essa fundação que leva o nome do cantor. O espaço, criado para manter viva a memória do artista que tanto cantou as injustiças do seu país, apresenta para as novas gerações o legado musical – e de lutas sociais – que Jara deixou para o Chile após sua morte.

 

Repórter: Nicholas Lyra
Ilustração: Projetar
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2° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/vozes-dentro-de-uma-caixa-azul Tue, 01 Oct 2013 18:56:43 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1474

Uma sala de professores atravancada de caixas. Um mapa envelhecido da França colado na parede à direita de quem entra. Duas escrivaninhas, uma em frente à outra, uma mesa redonda entre elas e várias cadeiras ao seu redor. Uma estante com livros e caixas azuis de plástico que chamam a atenção em um espaço onde cada centímetro é disputado. A inscrição na porta de entrada identifica o lugar: Fundo Documental Neusa Carson (FDNC).

São mais de 500 documentos compondo o arquivo da pesquisadora que dá nome ao Fundo, pertencente ao Laboratório Corpus. Guardados em caixas azuis de plástico, estão provisoriamente empilhados na estante da sala da coordenadora executiva do projeto, Simone de Oliveira, pós-doutoranda em Letras da UFSM. A idealização de um Fundo Documental para guardar os arquivos da pesquisadora Neusa Carson partiu da professora do curso de Letras da UFSM e coordenadora geral do projeto, Amanda Eloina Scherer.

O acervo, doado por Hugo Carson – filho da professora –, atualmente está em fase de organização. A intenção, de acordo com Simone de Oliveira, é digitalizá-lo e disponibilizá-lo o mais breve possível. Dentre os materiais doados, estão artigos, trabalhos, certificados de participação em eventos e correspondências trocadas com pesquisadores e universidades nacionais e estrangeiras. No entanto, não existem registros em fotografias dos macuxis ou da pesquisadora em seu trabalho de campo – à época, os indígenas temiam que a máquina fotográfica pudesse “tirar a alma” dos retratados. Entre as raridades do acervo, estão os diários de campo da pesquisa de doutorado de Neusa, Phonology and Morphosyntax of Macuxi (Caribe).

Natural de Santa Maria, Neusa foi professora do curso de Letras da Universidade Federal de Santa Maria nas décadas de 60, 70 e 80. Em sua tese de doutorado, realizou um estudo de descrição do Macuxi, língua indígena do então Território Federal de Roraima. Para tanto, embrenhou-se na Roraima dos anos 80 e passou dias convivendo com as tribos indígenas da região. Seu objetivo era reunir dados sobre uma língua pouquíssimo estudada, visando à preservação da cultura e da história de seus falantes. Em seu diário, Neusa fez anotações atentas sobre a língua – fonologia, entonação, derivação – e sobre a cultura Macuxi.

Através dos apontamentos feitos pela pesquisadora, é possível visualizar diversos aspectos das tribos por onde passou. Além da descrição da língua Macuxi, ela escreveu sobre suas moradias, sua alimentação, sua rotina de trabalho e sobre a divisão de tarefas entre homens e mulheres. Explicou também alguns de seus rituais, lendas, celebrações e histórias. Seus ouvidos e olhos vigilantes perceberam ainda algo não tão explícito quanto os sons e o vocabulário de uma língua: o processo de desagregação cultural que os indígenas da região estavam sofrendo após o contato com os homens brancos.

Mais que um registro pessoal para suas pesquisas científicas, os diários de Neusa guardam as histórias de muitas pessoas que cruzaram o seu caminho. E, nas entrelinhas, também ficaram rastros da sua própria trajetória.

TRECHOS DO DIÁRIO DE CAMPO – NEUSA CARSON (BRASÍLIA, 15 A 18/04/84)

 

ALIMENTAÇÃO, MORADIA E CULTURA 

Suas malocas consistem de casas de quatro cantos, modernamente. Tradicionalmente, elas eram feitas circulares, com uma técnica especial. O material usado mais comumente é adobe (taipa) para as paredes, com cobertura de palha (buriti). Os macuxis vivem em vilas circulares em grupos de até 300 pessoas (aproximadamente 50 famílias).

Eles ainda caçam e pescam sendo esta a sua ocupação primária e uma fonte de nutrição para todos. As mulheres, tradicionalmente ocupam-se das lavouras ou roças de mandioca, feijão, milho e outras plantas deste tipo. O pão é feito por elas, de mandioca, depois de bem ralada. A mandioca, depois de fermentada de modo especial é também a base de dois tipos de bebida: “cassiri” e “pajuarú”.

O grupo vive entre 3 e 4 graus norte e 60 a 61 graus oeste. Seu território compõe-se principalmente de savana, o que quer dizer vegetação baixa e esparsa e palmeiras de buriti nas margens dos riachos. Os macuxi localizam-se na bacia do Rio Branco, especialmente seus afluentes Tacutu e Uraricuera. Ainda encontram-se caça, pesca e frutos em abundância nesta área. A área compreende 213.000 km² e aproximadamente 35.000 índios vivem aí. A área cultural é a Norte-Amazônica.

Antes de sair o sol, os familiares se reúnem para uma refeição. Esta consistia, na ocasião, de uma sopa e pão de beju feito de farinha de mandioca. Então a mulher segue para sua roça de mandioca; é um dia de muito sol, de verão. Lá, ela cuidadosamente corta os troncos superiores dos vários pés de mandioca, depois os arranca do solo ressequido, o que faz sua tarefa mais difícil.

Suas canções e rituais tradicionais estão desaparecendo gradualmente. Suas histórias geralmente apresentam hábitos humanos personificados através de animais.

MITOS E RITUAIS 

Para os rapazes se tornarem homens fortes e bons caçadores e pescadores eles devem passar por certos rituais que são dirigidos por um parente mais velho. Para ser bom pescador, um rapaz recebe pequenos cortes nas pernas e braços com espinho de arraia ou osso de aguti. Pode ser esfregada pimenta vermelha, ardida, nos cortes. E também um amendoin especial, sagrado é assado e esmagado em pó com uma pequena batatinha (alucinogênica) de uma planta, esmagada com outras raízes; todas são misturadas e passadas nas pernas do jovem caçador ao mesmo tempo que o pajé faz algumas preces, para que o homem tenha pernas ágeis e rápidas.

Após a primeira menarca (ou período menstrual) – eesem sá – quando a jovem é colocada em uma rede bem alta na casa, ela é ensinada sobre os costumes do seu povo. Ela aprende sobre o casamento (wémirima ou aniáyá), as relações sexuais (èskú), o nascimento (eesémpó). Ela não pode andar no sol quente logo após sua 1ª menstruação. Suas mãos e braços são colocados em um ninho de formigas pequenas, ardedeiras, para que as bebidas que ela prepara para seu marido sejam doces.

Em outros tempos costuma haver urnas funerárias onde tanto o homem quanto a mulher eram enterrados em uma posição fetal. Os objetos pessoais do morto, tais como colares, cestas, arco e flechas eram enterrados com o morto. A casa era destruída e reconstituída em uma nova posição ou em um estilo diferente. O nome do falecido não era dado a outra pessoa por vários anos […] Hoje em dia o índio é enterrado em sua própria rede e o seu cemitério não é muito longe de sua maloca.

 

CANÇÕES, DANÇAS E TRADIÇÕES 

Os indígenas costumavam ter celebrações festivais na época da troca de artefatos entre os grupos, com danças, cantos e comidas típicas. Os yanomani, grupo ainda dedicado à caça com arco e flecha e ainda dados a encontros menos amistosos com grupos, trocavam seus excelentes arcos e flechas pelas excelentes redes de algodão (as deles são de buriti) dos macuxi; ambos os grupos sempre prezaram muito as melhores canoas da região que é feitio dos maiongongues.

Enquanto trabalha, a vovó canta e conta histórias. As canções, cantadas pelas mulheres no seu trabalho falam sobre o pão que elas fazem para esperar a caça que o irmão ou o namorado irá trazer; as canções religiosas eram traduções dos cantos de igrejas cristãs, ensinadas pelos missionários; e danças antigas, como Tukui (“beija-flor”), cantada e dançada em celebrações inter-tribais.

Tukui é a palavra para beija-flor em macuxi. É uma dança para representar a amizade entre malocas e até tribos. A dança é executada quando os visitantes chegam, o que tradicionalmente ocorria mais ou menos na metade das estações (seca ou chuvosa). A tribo hospedeira serve comida e bebida especialmente preparadas para a ocasião e são trocados objetos de feitio das tribos, ao estilo de uma feira.

No passado os homens tocavam flauta de osso ou bambu (taquara) e usavam máscaras representando um macaco, um jacaré ou um peixe. Suas roupas, segundo vovó D. constava de um cocar e saia de folhas de buriti. Seus cabelos, especialmente os das crianças, era decorado com penas do peito do pato, preso com resina das árvores. Seus tornozelos eram decorados com castanhas para fazer o som de guizo. Em suas mãos havia um bastão para marcar o compasso.

CONTATO COM OS BRANCOS 

A cultura indígena tem sofrido mudanças através do contato com os colonizadores brancos o que provavelmente iniciou logo após a chegada de Cristóvão Colombo ao Mar Caribe. A propósito, Kariwa é a palavra para “homem branco” em vários dialetos caribes e também para “magro”, inclusive em macuxi.

Os brancos que aqui vieram primeiro (fim do século XVIII) trouxeram gado, que necessita enormes porções do território para sobreviver. Em tempos mais recentes, a construção de estradas e no momento a mineração de ouro, diamantes, estanho e bauxita em diferentes pontos do território atraem mais e mais pessoas alheias à cultura indígena do Território.

Alguns dos grupos indígenas tentam ajustar-se à nova situação. Alguns tornam-se criadores de gado. Alguns tentam estabelecer suas próprias minas, e alguns vendem canoas, farinha de mandioca e grãos para os colonizadores/mineradores/fazendeiros. Alguns indígenas simplesmente trabalham para os brancos nas fazendas e minas. Frequentemente eles são mal pagos, ou recebem roupas usadas e utensílios em troca, pelo seu trabalho. Embora não estejam bem habituados com a economia ou o sistema de pagamento do homem branco, isto não parece importante. De fato, se eles recebem dinheiro, há a tendência em usá-lo em quinquilharias, como óculos de sombra, pasta-executivo, rádios, relógios, bebidas e doces. As mulheres jovens muitas vezes se tornam prostitutas para os mineiros, e todo o grupo se torna portador de doenças previamente desconhecidas.

DESAGREGAÇÃO CULTURAL 

Hoje em dia o macuxi se veste como o branco, cozinha seu alimento, usando seus próprios utensílios, ou panelas e outros utensílios domésticos de alumínio. Eles principalmente fervem sua comida, e já usam o sal; iniciam o fogo riscando um fósforo, usam sabão para lavar a si e aos seus utensílios. Têm lâmpadas à querosene e alguns tem radinhos de pilha, toca-discos portáteis, filtros para água, fogão à gás e outros utensílios deste tipo.

É assim que os costumes antigos, e com eles a língua, são pouco a pouco deixados de lado. Portanto, a tendência, especialmente para os homens que deixam a tribo para procurar emprego é abandonar sua cultura. Desconhecendo os valores do homem branco, eles são deixados de mãos vazias. O resultado final é a desagregação cultural.

As mulheres tendem a permanecer na vila e ensinar sua língua aos filhos. Elas permanecem também monolíngues por mais tempo que os homens. Mas assim que as crianças iniciam sua escolarização, são forçados pelo sistema vigente a aprender português desde o 1º minuto.

*Optou-se por não corrigir pequenos deslizes de ortografia ou concordância para preservar a grafia original da pesquisadora em seu diário de campo

QUEM FOI NEUSA CARSON?

Foto: Fundo Documental Neusa Carson
Foto: Fundo Documental Neusa Carson

Neusa Coden Martins nasceu em Santa Maria (RS), no dia 27 de julho de 1944. Aos 21 anos, iniciou sua graduação em Letras – Inglês, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Imaculada Conceição, atual Centro Universitário Franciscano. Em 1968, então com 24 anos e recém-formada, tornou-se professora do curso de Letras da UFSM.

Pouco tempo depois, em 1970, viajou para os Estados Unidos, onde fez sua dissertação de mestrado e conheceu o norte-americano William Carson, com quem se casou, em 1972. Esse também foi o ano em que Neusa, retornando ao Brasil, tornou-se oficialmente professora assistente da UFSM.

Com a intensificação das pesquisas, Neusa passou a se interessar cada vez mais pelos estudos de Linguística e aprofundou as investigações sobre o que viria a ser sua tese de doutorado – um estudo de descrição do Macuxi, língua indígena do estado de Roraima.

Neusa Carson faleceu de câncer, no dia 16 de dezembro de 1987, aos 43 anos de idade.

Repórter: Camila Marchesan Cargnelutti

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