3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Thu, 11 Feb 2021 17:02:33 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico 3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/verdes-sonhos Mon, 28 Dec 2020 13:53:40 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1667 Teve um ano em que o ponto de partida do ônibus para o campus da UFSM era na Rua Professor Braga. Depois mudou para a Astrogildo de Azevedo. Não importa, a fila sempre foi imensa. Lembro das cartelinhas com as passagens destacáveis que comprávamos com antecedência, porque era mais barato, e enfiávamos naquelas pastas pretas que todo mundo usava, cada uma com o símbolo de sua faculdade. A minha, da Comunicação Social, tinha o desenho de uma gaiola aberta e um passarinho fugindo, alçando voo, com o famoso Poeminha do Contra, de Mario Quintana, escrito ao lado da gravura: Todos esses que aí estão/atravancando o meu caminho/eles passarão/eu passarinho! Aliás, enquanto 9 entre 10 diretórios e centros acadêmicos dos cursos de jornalismo pelo país afora levavam o nome de Vladimir Herzog, o nosso DACOM da UFSM fora batizado com o nome do poeta do Alegrete. O que não nos tornava menos contestadores.

Éramos todos poetas, claro, mas acreditando que um poema tinha a potência de um tiro. No ocaso da luta armada, alfinetávamos os generais do poder com versos que, em tempos de abertura política, nos mantinham no conforto de nossa revolta pequeno burguesa. O hall do prédio 21 era um furdunço permanente, com faixas, cartazes e desenhos contra a agonizante ditadura militar. Não havia internet e, na pré-história dos blogs, mais do que nos jornais laboratórios curriculares, queríamos mesmo era escrever na Pô-ética!, a revista independente de poesia que imprimíamos no mimeógrafo do diretório. Era a chance de ouro para xingar os milicos e cantar as gurias, quase sempre em versos de pé quebrado e rima pobre.

Ostentar uma careca reluzente e andar com a indefectível pastinha preta debaixo do braço era um flagrante sinal de status. Os bixos entravam no ônibus com orgulho e prestígio, mesmo depois de passar por trotes humilhantes em quase todas as faculdades. Não na Comunicação. Entrei para o curso de jornalismo com o cabelo batendo nos ombros e tive as melenas preservadas pelos veteranos, cujo trote foi convidar o Schmitão, colega mais velho e hábil ator de teatro, para fingir ser um professor carrasco que nos aterrou com exigências absurdas e uma prova rigorosíssima com peso 100 logo no primeiro dia de aula.

No ano seguinte, minha turma, já veterana, convenceu o mesmo Schmitão a se apresentar aos calouros como o pró-reitor de assuntos extraordinários responsável pela suposta extinção da faculdade de Comunicação Social e a transferência dos recém-ingressos para outras instituições bem longe de Santa Maria. Empunhando a lista de calouros num papel amarfanhado, Schmitão, de terno engomado e cara de fascista, anunciava a transferência de fulano para Rondônia, de sicrano para o sertão da Paraíba, e assim por diante. Houve choro, ranger de dentes e protestos acalorados, até que o primeiro desmaio nos obrigou a esclarecer tudo e desfazer o trote.

Passamos quatro anos reclamando de tudo e de todos. Da qualidade do transporte, do preço do RU, da falta de equipamentos, dos professores, do reitor, dos poderosos de Brasília, do presidente dos Estados Unidos, de qualquer um que fosse, na nossa concepção difusa, contra a educação pública e contra o povo brasileiro. Esse espírito contestatório, por mais que soe ingênuo para alguns, me formou como cidadão. Como continuo acreditando que é possível mudar o mundo, sonho de nós outros naqueles verdes anos, eu continuo reclamando. Talvez com mais foco, virtude que só a experiência confere, mas, creio, com a mesma ênfase de outrora. Só não tenho mais aquela cabeleira, mas o que está na cachola é a mesma aspiração de menino sonhador.

*Marcelo Canellas é jornalista formado na UFSM e repórter especial da Rede Globo. 

**O texto acima foi publicado originalmente na editoria Recordações da terceira edição da Arco, em janeiro de 2014.

]]>
3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/uma-viagem-dentro-da-viagem Tue, 07 Jan 2014 19:43:15 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1665

“As fotografias analógicas que compõem este ensaio são o resultado de andanças, olhar atento e visão sensível da realidade”, conta a professora da UFSM, que captou, revelou e tratou cada uma dessas imagens.

Para Raquel Fonseca, as fotografias comportam uma falsa objetividade que, muitas vezes, escamoteiam seu potencial subjetivo, surreal. Essas fotos revelam um pouco da vida parisiense através da particular visão da fotógrafa.

Ao lado, você pode conferir um trecho das anotações de Raquel sobre as fotografias que fez em Paris e, nestas páginas do Ensaio, também poderá embarcar numa viagem pelas subjetividades do real e da leitura.

“Há muitos anos caminho por Paris e do que ela me oferece devolvo-lhe em imagens captadas pelo meu olhar fotográfico. Como muitas cidades, Paris se revela indistintamente bela e intrigante, melancólica e indiferente, esnobe e miserável. Talvez sejam esses os ingredientes necessários para que o sonho não suplante a realidade de uma grande cidade, ainda que esta seja Paris. Paris possui os ruídos e  os movimentos das grandes cidades, mas ela soube criar sua poesia que a fotografia sabe revelar de maneira essencialmente fotogênica”. Raquel Fonseca.

 
Repórter: Camila Marchesan Cargnelutti
Fotografia: Darci Raquel Fonseca
Confira o ensaio completo na versão flip.
]]>
3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-africa-que-nao-lemos Tue, 07 Jan 2014 19:40:17 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1663

Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe: são esses países, no continente africano, que possuem o português como idioma oficial. Embora no Brasil o conhecimento geral da literatura de língua portuguesa fique restrito ao que é produzido no próprio país e na ex-metrópole Portugal, os países da África possuem vasta produção no âmbito literário.

Com o intuito de explorar e estudar mais a fundo a produção literária africana, surgiu no ano passado o projeto de pesquisa intitulado Ressonâncias e dissonâncias no romance lusófono contemporâneo: o imaginário pós-colonial e a (des)construção da identidade nacional, sob a coordenação do professor Anselmo Peres Alós, do Departamento de Letras Vernáculas da UFSM.

A articulação do projeto começou com a ideia de que os estudos do tema não ficassem restritos a disciplinas isoladas da grade do curso de Letras da Universidade. No bacharelado, por exemplo, a disciplina de Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa faz parte do último semestre da graduação, e o foco são as culturas nacionais que falam português. Além disso, existe uma disciplina de cultura brasileira e várias de literatura portuguesa:

— A ideia do projeto é criar uma massa crítica, para os alunos pesquisarem mais a fundo e darem continuidade ao que viram nas disciplinas. E aos que ainda não viram, para se familiarizarem com o conteúdo – explica Alós.

EXPERIÊNCIAS IN LOCO 

O interesse de Alós pela literatura africana remete ao período em que ele esteve em Moçambique, atuando em uma universidade do país, onde teve contato com as literaturas africanas, em especial a moçambicana. Por se tratarem de literaturas muito jovens (veja no quadro ao lado), ainda são pouco conhecidas no Brasil. Nesses países, onde o português é o idioma oficial, lê-se muito a literatura brasileira, principalmente em Angola, Cabo Verde e Moçambique. Esses são, também, os três países de língua portuguesa em que a produção literária é mais significativa no continente africano.

Dentro do grupo de pesquisa, é utilizado o viés da literatura comparada: estuda-se uma obra da literatura africana de língua portuguesa, comparando-a com outra narrativa:

— A noção chave de literatura comparada é a ideia de intertextualidade. Todo texto relê, parodia ou reescreve os textos anteriores a ele – detalha Alós.

Foi através da literatura comparada que o acadêmico do curso de Letras-Licenciatura, e integrante do projeto de pesquisa há um ano e três meses, Felipe Freitag, desenvolveu o trabalho Contares de um narrador-menino, ou o espreguiçar de um abacateiro. Nele, Freitag trabalha questões como identidade, nacionalidade e alteridade no romance Bom dia, camaradas, do autor angolano Ondjaki (pseudônimo de Ndalu de Almeida). A obra foi publicada em 2001, em Angola, e em 2003, em Moçambique. No romance, o personagem principal, um garoto angolano, rememora sua infância, e a partir disso surgem fatos ligados ao momento político e social de Angola após sua independência, em 1975. Freitag colocou o texto africano em contraponto à obra O Limite Branco, de Caio Fernando Abreu. E explica o motivo:

— Segundo a minha leitura, as duas obras têm um processo de formação da personagem. O Maurício [protagonista de O Limite Branco] está à procura da identidade sociocultural e da sexualidade, e as duas obras se encaixam na literatura de formação – conta.

O interesse do acadêmico pela literatura africana surgiu justamente pelo fato de se tratar de algo pouco conhecido no Brasil:

— Quem lê literatura africana aqui? – pergunta-se.

Outra integrante do projeto, Bruna Cielo, elogia a liberdade na escolha dos assuntos trabalhados no grupo, de acordo com a identificação de cada um. O interesse da acadêmica, que está há três meses no projeto, é na área da literatura feminina moçambicana:

— É uma literatura que trabalha com uma crítica social, contra o sistema paternalista moçambicano – explica.

Bruna trabalhou na análise da obra de Paulina Chiziane. A autora foi a primeira mulher moçambicana a publicar um romance, no ano de 1990, intitulado Balada de Amor ao Vento. Em função disso, chegou a sofrer inclusive ameaças de morte. Na obra, aparecem várias referências autobiográficas. O fato de se tratar de uma literatura jovem também desperta a atenção da estudante:

— Os países que a gente estuda tiveram um processo de nacionalização muito tardio. A partir da literatura, é construída a identidade nacional deles, e isso é muito interessante – considera.

ENTENDA 

As nações africanas de língua lusófona (destacadas em cor clara no mapa à esquerda) atingiram sua independência política na metade da década de setenta. O processo de descolonização da África, no entanto, iniciou um pouco antes, no começo da década de sessenta – com algumas exceções, como a Libéria (primeira nação africana a declarar independência), que se tornou independente em 1847, e países como o Egito e a Etiópia, nas décadas de 1920 e 1940, respectivamente.

O esquadrinhamento do mapa político do continente africano entre as potências colonizadoras europeias no século XIX, na Conferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885, desrespeitou uma série de identidades locais, que eram entendidas através de características étnicas e linguísticas, e não como estados-nação. O território dos zulus, por exemplo, é dividido em três países, atualmente nos territórios de Moçambique, África do Sul e Suazilândia.

IMPACTO NA LITERATURA 

Além de todos os problemas políticos e sociais que essas divisões à margem dos interesses locais acarretaram, isso influenciou diretamente na literatura dos países africanos, inclusive nos países de língua portuguesa. As divisões provocam, consequentemente, um acréscimo de valores dentro de identidades nacionais já constituídas, como explica o professor Alós:

— Quando se dá o processo de independência, se adota a língua do colonizador, mas os conflitos anteriores vão ser tematizados pela literatura – finaliza.

Repórter: Nicholas Lyra
]]>
3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/alfarroba-no-lugar-do-cacau Tue, 07 Jan 2014 19:37:59 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1661

No Oriente Médio, ela é uma velha conhecida. Há mais de 5 mil anos, os egípcios usam a alfarroba em suas receitas. Os árabes utilizam-na para a fabricação de uma bebida típica consumida durante o Ramadã, mês islâmico reservado aos jejuns religiosos. Já na tradição judaica, a árvore da alfarroba está numa antiga parábola sobre altruísmo. Nela, o feiticeiro Honi encontra um velho plantando um pé de alfarrobeira e, ao saber que os frutos só virão em 70 anos, questiona se o senhor espera mesmo viver para prová-los. A resposta: “Encontrei este mundo plantado com alfarrobeiras. Assim como meus antepassados plantaram para mim, vou plantar para meus descendentes”.

No Brasil, no entanto, a alfarroba ainda não é muito conhecida. Ela é uma leguminosa de cor, sabor e aroma semelhantes aos do cacau, mas possui algumas vantagens significativas em comparação àquele, contendo mais vitaminas e sais minerais e menos gordura. Também se diferencia por apresentar grande quantidade de açúcares naturais, o que foi constatado há muitos anos pelos egípcios: o hieróglifo que representa a vagem da alfarroba também significa “açucarado”. Da vagem da alfarrobeira é extraída a polpa, a qual, uma vez torrada e moída, forma uma farinha. Pelas características da leguminosa, essa farinha apresenta alto teor nutritivo, sendo utilizada como uma alternativa ao cacau na preparação de doces.

BEBIDA LÁCTEA COM ALFARROBA: NUTRITIVA E SABOROSA

Em seu mestrado em Ciências e Tecnologia dos Alimentos, Daniela Buzatti pesquisou uma das possíveis aplicações da alfarroba. A dissertação, Efeitos da substituição parcial de cacau por alfarroba em bebidas lácteas, foi defendida em 2013 na UFSM. O trabalho de pesquisa foi dividido em etapas. Na primeira, Daniela substituiu o soro líquido, utilizado normalmente na fabricação da bebida láctea, por soro em pó, conseguindo aumentar o teor de proteína sem aumentar o teor de gordura da bebida. Dessa forma, ela tornou-se mais rica nutricionalmente, equiparando-se ao valor nutritivo de um iogurte.

A etapa seguinte foi a elaboração das bebidas com a substituição parcial do cacau por alfarroba. Após, realizou-se a análise sensorial, contemplando os parâmetros de cor, odor, sabor e viscosidade. Nessa fase, cerca de 400 pessoas provaram e apontaram suas preferências entre as amostras contendo diferentes quantidades de alfarroba e cacau. Os resultados surpreenderam: em todos os parâmetros sensoriais, a bebida láctea com maior teor de alfarroba foi a preferida dos provadores. “As análises demonstraram que, nutricionalmente, as bebidas lácteas apresentaram alto teor de proteína devido à primeira etapa da pesquisa e, sensorialmente, aquelas com maior teor de alfarroba ganharam a preferência e a aceitação dos consumidores”, explica Daniela.

A única desvantagem apontada pela pesquisadora é o preço da alfarroba – como ainda não é produzida no Brasil, a importação encarece o processo. O clima seco e quente do Nordeste brasileiro permitiria a plantação de alfarrobeiras, diminuindo consideravelmente os valores, aponta o estudo de Daniela. A pesquisadora destaca também a importância das pesquisas que buscam desenvolver produtos diferenciados para a alimentação, mais saudáveis e nutritivos, se não para o usufruto imediato, tal como na parábola de Honi e a alfarrobeira, como um benefício para o futuro.

Repórter: Camila Marchesan Cargnelutti
Ilustração: Projetar
]]>
3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/lar-sustentavel-lar Tue, 07 Jan 2014 19:34:57 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1659

Um sonho. Talvez seja essa a melhor definição de uma casa popular para quem, depois de muitos planos e economias, consegue finalmente ter a sua casa própria. Para Marcos Vaghetti, professor do Departamento de Estruturas e Construção Civil da UFSM, uma simples casa popular serviu como inspiração para um grande projeto. Sonho de uns, inspiração de outros, a ideia se consolidou como projeto e, hoje, a Casa Popular Eficiente: um benefício ambiental aliado a um custo mínimo impulsiona grande pesquisa na área de tecnologias sustentáveis na Universidade.

O projeto nasceu em 2008, idealizado por Marcos Vaghetti, então professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Ulbra. “Destinado a um público de baixa renda, o diferencial era uma casa onde fossem utilizados materiais sustentáveis em sua construção”, explica o professor. O foco do projeto era minimizar os danos ao meio ambiente a partir de materiais alternativos na construção, mas sem perder de vista a qualidade de vida dos moradores.

A partir daí, um ano foi destinado à pesquisa de materiais que causassem o menor impacto ao meio ambiente. Então, chegou-se às mais diversas alternativas sustentáveis para compor a casa, desde as telhas tetra pak construídas a partir de caixas de leite, até o piso de PVC reciclado.

Atualmente, a construção civil é responsável por grande parte da emissão de resíduos que causam poluição, como o cimento, além de contribuir para o efeito estufa com a emissão de gases. O projeto da Casa Popular Eficiente promove essa mudança na lógica de produção, necessária para a preservação do ambiente.

EXPANDINDO SABERES

Com a vinda do professor para a UFSM, o projeto ganhou um novo caráter. A parceria com os cursos de Engenharia possibilitou que a casa se tornasse ainda mais ecologicamente correta. Além dos materiais sustentáveis, diferentes tecnologias, como a captação da água da chuva para utilização doméstica, passaram a ser pesquisadas para serem inseridas no projeto. “Além de fazer um produto sustentável para a sociedade, o projeto busca transmitir para esses futuros profissionais essa cultura ambiental”, considera Vaghetti.

Hoje a Casa Popular Eficiente é um dos projetos integrantes do Grupo de Estudo e Pesquisa em Tecnologias Sustentáveis, coordenado pelos professores Marcos Vaghetti e Elvis Carissimi. Compõem o grupo cerca de 30 alunos de graduação divididos em subgrupos. As engenharias Acústica, Civil, Elétrica, Sanitária e Ambiental e o curso de Arquitetura e Urbanismo se dividem, cada um em sua área específica, para agregar ao projeto as chamadas soluções sustentáveis.

As soluções sustentáveis são maneiras desenvolvidas para aproveitar os recursos naturais, como, por exemplo, a utilização da energia solar para produção de energia elétrica para a própria casa, e até mesmo o tratamento da água do chuveiro para reaproveitá-la para regar plantas.

Outro diferencial do projeto é que ele foi produzido pensando no microclima da região. Os sistemas de aquecimento e ventilação foram planejados de acordo com os fatores climáticos de Santa Maria, onde o calor predomina na maior parte do ano. O projeto ainda permite ampliações, tanto para os lados quanto para cima, facilitando uma possível reforma, o que é comum em casas populares.

Já em 2012, a possibilidade de construir a casa de fato, levantando o projeto do papel, impulsionou os estudos da casa, que tem 55 m² divididos em dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço. “Uma coisa é estudar um projeto, outra coisa é ter a materialidade, a casa construída”, destaca o professor. A construção da casa, no Centro de Eventos da UFSM, terminou em maio de 2013 e, a partir daí, os materiais e tecnologias empregados puderam ser analisados e testados.

Por se tratar de um projeto de pesquisa, devem ser necessários mais alguns anos para que o projeto esteja pronto para ser executado. Segundo Vaghetti, a Casa Popular Eficiente poderá servir de modelo para a construção de uma vila ecológica. “Além de gerar pesquisa dentro da universidade, é uma maneira de transferir pra sociedade uma casa sustentável, sem deixar de lado a qualidade de vida da população”, finaliza.

Infografia de casa sustentável

Repórter: Natascha Carvalho
Infografia: Projetar
]]>
3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/na-minha-casa-sempre-chove Tue, 07 Jan 2014 19:32:03 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1657
*Referência baseada no poema Chove? Nenhuma chuva cai de Fernando Pessoa

Começa a chover e você já aproveita para tirar o carro da garagem e lavá-lo, enquanto as crianças vão para o gramado refrescar-se com um banho de chuva. A piscina vai enchendo – ou se monta a de mil litros – e a alegria está garantida. A vizinha vai para a janela olhar o jardim se abrindo para receber as gotas de água do céu, e o cheiro de terra molhada invade o ambiente. Se for no verão santa-mariense, logo a chuva passa e o sol e o calor retornam. Mas já pensou poder aproveitar essa mesma chuva por mais tempo?

Foi o que propôs Roberval Bresolin em seu mestrado em Engenharia de Produção na Universidade Federal de Santa Maria. A dissertação, Aproveitamento de água de chuva sem tratamento em uma residência, defendida em 2010, apresentou alternativas para a captação da água da chuva e seu uso sem investimento em beneficiamento. A ideia do projeto surgiu quando Bresolin começou a planejar a construção de sua casa. A preocupação com questões ambientais, somada a necessidades básicas – e custosas – de utilização da água, como irrigação da horta e do jardim, levou-o a pensar em construir também um sistema de captação da água da chuva.

De acordo com Bresolin, o objetivo principal da pesquisa é mostrar que cada um pode e deve fazer a sua parte para a preservação ambiental, pensando globalmente e agindo localmente: “Com a simples ação de captar a água da chuva na nossa residência, nós podemos contribuir para a preservação da água e para demonstrar a importância da conscientização ambiental”.

DO PLANEJAMENTO À CONSTRUÇÃO 

Antes de formular e construir o projeto, Bresolin pesquisou outros sistemas de captação de água da chuva, comparando-os com o referencial teórico, a fim de identificar possíveis falhas e fazer melhorias no sistema a ser instalado em sua própria residência. A partir desse estudo e levantamento prévio, seguiu-se a etapa de calcular as dimensões de cada item do projeto, na qual foram estimados, por exemplo, a área do telhado e o tamanho que o reservatório deveria ter, de acordo com o número de moradores e as necessidades de água da residência.

Nessa etapa, calculou-se que para uma residência com cinco pessoas, necessita-se de uma cisterna com 10m³, que é capaz de abastecer as atividades que usam água da chuva na casa por uma média de 36 dias. “Isso quer dizer que com um reservatório de água de 10m³, em uma residência com cinco pessoas, pode ficar até 36 dias sem chover na cidade que eu vou ter água, seja para molhar a horta, encher a piscina ou usar no vaso sanitário”, explica o pesquisador. O cálculo foi feito considerando também as especificidades do clima santa-mariense, onde a média de tempo sem chuva é de 22 dias. Assim, a probabilidade de ficar sem água no reservatório é mínima.

Após o dimensionamento dos itens, é chegada a etapa da construção do sistema. Nessa fase, é importante buscar materiais alternativos para diminuir os custos da obra. Filtros industrializados, por exemplo, utilizados para a retenção de folhas e pequenos galhos que vêm junto com a água do telhado, são vendidos por valores muito elevados no Brasil. Em 2010, custavam aproximadamente R$ 920,00, mas o estudo mostra que é possível construir um filtro alternativo com um cano de PVC e uma tela por apenas R$ 24,00, reduzindo consideravelmente o custo final do sistema. Bresolin destaca a importância de trabalhar com materiais alternativos não somente para diminuir os custos, como também para despertar na população o interesse pela captação de água da chuva, já que com os materiais industrializados os valores ainda ficam muito elevados.

APROVEITE (MAIS) A CHUVA

Após a construção do sistema de captação planejado no mestrado, contendo, simplificadamente, calhas, tubulação, filtros e cisterna, a água da chuva está pronta para ser utilizada. No projeto de Bresolin, o reservatório é subterrâneo. “Como ela é armazenada em um local fechado, lacrado, sem pegar sol, não tem perigo de a água estragar ou apodrecer com o tempo – ela fica bem transparente e sem cheiro algum”, explica.

A água da chuva, assim captada, pode ser aproveitada em vários usos que não exigem água tratada, como na irrigação da horta e do jardim, na lavagem do carro e de calçadas, na piscina ou na descarga do vaso sanitário. De acordo com Bresolin, esses usos somados correspondem a cerca de 45% do consumo de água de uma residência, ou seja, com o sistema de captação de água pode-se reduzir em média 45% também da conta de água da moradia. “Em longo prazo, o investimento que você faz reflete na economia da casa, com uma redução bastante significativa do que se gasta normalmente em água. Em alguns anos, paga-se o investimento e o resto é economia”, afirma Bresolin.

O pesquisador coloca, no entanto, que o fundamental mesmo para definir a construção de um sistema de captação de água da chuva não é a questão financeira, e sim a questão ambiental. “Um projeto de captação tem que ser focado ambientalmente, porque o retorno financeiro, apesar de certo, só vem em longo prazo. Mas é a tranquilidade de saber que você está contribuindo para a preservação da água e do ambiente, que você está fazendo sua parte”.

O professor orientador da dissertação, João Hélvio Righi de Oliveira, também destaca a necessidade de encarar o custo dos equipamentos necessários para a construção do projeto de captação de água da chuva como um “investimento social em nível de cidadão”. Acrescenta ainda que o aproveitamento da água da chuva é necessário enquanto conscientização e compromisso com as gerações futuras.

Algumas possibilidades de uso da água da chuva
Algumas possibilidades de uso da água da chuva

UM ‘OBRIGADO’ DO FUTURO

Problemas relacionados à água são cada vez mais frequentes nos noticiários. Inundações, secas, contaminação, escassez. As notícias raramente são positivas. Alguns países já vivem situações bastante críticas e estudos recentes afirmam que 2/3 da população mundial sofrerão com escassez de água para consumo humano até 2050. Nesse contexto, a captação da água da chuva pode ser uma alternativa simples e prática de contribuir para a questão ambiental.

Bresolin acredita que assim cada um pode contribuir um pouco para a preservação do ambiente, mas acrescenta que também são fundamentais ações mais amplas com esse propósito, como políticas públicas e educação ambiental nas escolas. “Ensinando desde o primário a necessidade da preservação, nós podemos pouco a pouco mudar a mentalidade da população”, corrobora.

Apesar das vantagens e da simplicidade da captação da água da chuva, o sistema ainda não é muito utilizado. Conforme Bresolin, o principal entrave do projeto é o desconhecimento dos benefícios que ele pode proporcionar. Pensando nisso, a dissertação inclui também uma proposta de cartilha informativa para explicar à população e às instituições públicas os passos para a construção de uma cisterna para armazenamento da água da chuva e de como essa água poderia ser utilizada na residência, de forma a economizar a água tratada.

O professor João Hélvio lembra também do potencial de socialização da informação e dos benefícios que as pesquisas científicas podem trazer à sociedade, desempenhando um papel de conscientização do cidadão. “O leitor poderá ter a noção exata do custo necessário e a certeza que o investimento terá retorno e que teremos feito a nossa parte para a sustentabilidade do planeta”, finaliza.

Repórter: Camila Marchesan Cargnelutti
Ilustrações: Projetar
]]>
3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/sustentabilidade-que-vem-do-sol Tue, 07 Jan 2014 19:27:51 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1655

O que têm em comum cidades como a dinamarquesa Copenhague, a alemã Freiburg e Curitiba? Em todas elas, é possível perceber algum tipo de aplicação de ideias sustentáveis que as tornam referências mundiais. Em Curitiba, por exemplo, percebe-se o planejamento urbano voltado para a sustentabilidade. Em Copenhague, há uma grande estrutura para a utilização de bicicletas. Já em Freiburg, existem programas específicos voltados para o uso racional de automóveis.

A Alemanha, aliás, é a referência na produção de um dos modos mais eficientes de energia sustentável: o país é o recordista mundial de produção de energia solar. Desde o início deste século, o governo alemão incentiva, através de subsídios para a instalação de placas fotovoltaicas, a utilização do sistema. O país detém, atualmente, 36% de todas as placas fotovoltaicas do mundo.

O apoio estatal poderia ser o caminho para que algo semelhante ao cenário europeu acontecesse no Brasil. O chefe do Departamento de Processamento de Energia Elétrica e professor do Programa de Pós-Graduação em Energia Elétrica da UFSM, Luciano Schuch, afirma que falta no país um incentivo maior por parte do governo para que a energia solar possa se popularizar:

— Tem que haver uma política governamental para que uma indústria nacional de energia solar possa se desenvolver. Deve ser feita uma taxação de importação para que a indústria nacional possa competir. Se não, vem uma indústria alemã, por exemplo, com 10 anos na frente, e aí fica difícil competir – explica.

O custo da energia solar ainda é muito caro, mas vem sendo reduzido gradualmente. Há cerca de 15 anos, essa energia era utilizada apenas em satélites. Hoje, no entanto, já se tornou viável em vários países do mundo, em função do alto custo da energia convencional, além, é claro, do apelo pela sustentabilidade, que entrou em debate nos últimos anos. No Brasil, na maioria dos estados a energia solar já compensa financeiramente, mas isso ainda depende da localização e da concessionária de energia que atende a região.

No Rio Grande do Sul, no entanto, ela ainda não compensa, devido ao baixo custo da energia no estado aliado à taxa de insolação, que no sul do Brasil é inferior à dos demais pontos do país. Para o sistema industrial, o quilowatt-hora  da energia convencional é ainda mais barato, vindo a enfraquecer a justificativa da energia solar. Schuch, no entanto, comenta:

— O apelo para a indústria é justamente a questão da sustentabilidade. Em shoppings, condomínios e bancos, a utilização da energia limpa tem um retorno social. A empresa mostra que a sua marca usa energia limpa e se preocupa com isso – afirma.

UFSM CONTA COM EMPRESA PIONEIRA NA REGIÃO

As energias limpas estão cada vez mais presentes no cotidiano. Em função da preocupação com a questão ambiental envolvendo novas formas de gerar energia – menos agressivas, não poluentes e inesgotáveis –, os sistemas solares fotovoltaicos crescem a cada dia em aplicação e implantação. Foi pensando nisso que surgiu na UFSM a empresa Sonnen Energia. Há seis meses na Incubadora Tecnológica da Universidade, o projeto foi ideia de dois acadêmicos da UFSM, o aluno de mestrado Lucas Belinaso, e o doutorando Renan Reiter. Ambos estudaram sistemas fotovoltaicos recentemente: o trabalho de conclusão de curso de Lucas e a dissertação de mestrado de Renan foram sobre o tema.

Apesar de a empresa fazer parte da incubadora, os acadêmicos trabalham no prédio do Grupo de Eletrônica de Potência e Controle (Gepoc), sediado no Centro de Tecnologia. Acima deles, no telhado do Gepoc, estão instalados os 42 módulos fotovoltaicos que abastecem o prédio.

Lucas conta que a Sonnen foi criada para suprir a carência de empresas de energia solar e sistemas fotovoltaicos na região. Em 2012, a Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, permitiu, através de uma resolução, que as pessoas pudessem gerar sua própria energia em casa, para consumo (veja quadro).

PAINÉIS SOLARES EM CASA PODEM GERAR ECONOMIA NA CONTA DE LUZ

Desde dezembro de 2012, a Aneel estabeleceu, através de uma normativa nacional, a possibilidade de todas as concessionárias de energia elétrica do país (CEEE, AES Sul, etc.) realizarem o Sistema de Compensação de Energia Elétrica. Também conhecido como Net Metering, esse é um procedimento no qual as pessoas ou empresas instalam pequenos geradores e produzem sua própria energia elétrica – por meio de painéis solares fotovoltaicos, por exemplo.  A energia gerada a mais passa a ser abatida da conta. Não há movimentação de dinheiro, mas sim de quilowatts-hora (kWh). Os kWh gerados a mais podem ser utilizados num período de três anos, individualmente ou através de consórcio.

A criação da regulamentação da Aneel resultou em uma série de normativas próprias para essa implantação. A Agência estipulou então, suas regras gerais. Após isso, cada concessionária criou suas próprias regras internas. Um exemplo: quando for feito o acesso à rede, é necessária a colocação de um medidor de energia, para possibilitar a informação de quanto está sendo gerado e quanto está sendo consumido. O custo de implantação para a troca do medidor deve ser arcado pelo próprio consumidor, embora a manutenção posterior fique a cargo da concessionária.

Após o pedido do cliente para a implantação de um sistema extra de energia, a concessionária tem um prazo de 30 dias para realizar a vistoria e permitir o acesso. É feita uma análise da rede e, se estiver de acordo com as normas, a empresa realiza a conexão.

NA PRÁTICA 

A energia solar funciona através de placas, os chamados módulos fotovoltaicos, que geram corrente contínua. Assim como na energia eólica, em que são necessários estudos meteorológicos da região, como intensidade dos ventos e posicionamento dos geradores, na energia solar também é necessária a obtenção dos dados meteorológicos. No local a serem implantandos, a radiação da energia solar durante o ano é analisada para que o sistema chegue perto do máximo de aproveitamento possível. A posição solar possibilita ter uma noção da quantidade de energia gerada. O ideal é que as placas estejam voltadas para o norte, com 23 ou 24 graus de inclinação.

Os módulos fotovoltaicos transformam a energia do sol em eletricidade. Na Universidade, de onde estão instalados, no telhado do Gepoc, eles descem por cabos e vão até a rede elétrica, que está em corrente alternada. Como não é possível ligar os módulos na rede elétrica, existem os inversores, que criam compatibilidade com essa rede.

 

CORRENTE CONTÍNUA X CORRENTE ALTERNADA

O que determina se uma corrente é contínua ou alternada é o seu sentido. Uma corrente é um fluxo de elétrons – que são as partículas responsáveis por carregar a energia – passando por um fio. Para comparação, é como a água que passa por dentro de uma mangueira. Se esses elétrons movem-se numa única direção, a corrente é contínua. Se eles mudam de sentido com frequência, a corrente é chamada de alternada.

Na prática, isso determina a capacidade de transmissão da energia em diferentes distâncias. Na corrente alternada, ela não perde muita força no caminho que percorre. Os elétrons chegam a mudar de rota mais de 120 vezes por segundo. Por isso, é utilizada para transmissão da energia das usinas até as casas. Já na corrente contínua, o fluxo passa pelo condutor no mesmo sentido. A voltagem, portanto, não aumenta, e a energia elétrica não vai para muito longe. Em função disso, a corrente contínua é utilizada em pilhas e baterias, ou para percorrer circuitos internos de aparelhos elétricos, mas não é capaz de transportar energia entre uma usina e a cidade.

CONSUMO 

Na UFSM, toda energia gerada pelo sistema fotovoltaico é utilizada para abastecer o prédio do Gepoc, descontando do consumo total da rede elétrica convencional. Em dois meses, de acordo com Lucas, o sistema gerou quase 2200 quilowatts-hora, o equivalente ao abastecimento de uma casa pelo período de 10 meses:

— E esses dados são de meses do inverno. No verão, a capacidade de produção aumenta ainda mais. O objetivo é gerar energia e injetar na rede pra reduzir o consumo – destaca.

Sobre a possibilidade de gerar mais energia do que aquela que é gasta, Lucas explica que quem utilizar o sistema de energia solar não irá lucrar; ele funciona como um sistema de créditos, no qual a pessoa acumula para, posteriormente, utilizar mais energia sem gasto a mais.

A questão que mais preocupa na hora de instalar um sistema fotovoltaico é o custo de implantação. Embora não haja nenhum gasto com manutenção (a única necessidade é limpar as placas com um pano), e as placas possam durar no mínimo 25 anos, o gasto inicial de montagem é muito alto. Os equipamentos também são, na maioria, importados. Os inversores de corrente vêm da Alemanha, e as placas fotovoltaicas, que resistem a chuva, vento e até mesmo granizo, são de fabricação chinesa. Os cabos que ficam no teto e vão até o laboratório no Gepoc são europeus, e resistem a raios ultravioletas.

Portanto, devido ao custo da energia em Santa Maria ainda ser baixo, não haveria necessidade de instalação do sistema, pelo menos por agora, em residências. Mas Lucas faz um alerta para o futuro, quando as empresas, e até mesmo as residências, deverão pensar mais no aspecto ambiental da energia solar, e não apenas no lado financeiro:

— Quem utilizar esse sistema já se mostra um visionário na questão ambiental, e demonstra preocupação com esse tema. É uma energia limpa e renovável – salienta.

A preocupação com a inovação e a continuidade da pesquisa também é um dos fatores levados em conta pela Sonnen. Normalmente, as estruturas de alumínio utilizadas como suporte para as placas são importadas. No caso do prédio do Gepoc, todos os testes de resistência foram feitos com suportes desenvolvidos pela própria empresa, e fabricados na região, o que diminuiu os custos. A manutenção de um mercado sólido na região, com o objetivo de receber os próprios egressos da UFSM, aparece como ideia da empresa:

— A gente percebe que o pessoal se forma aqui na Universidade e não vê muita perspectiva de trabalho por aqui. Qual é a possibilidade de ficar? Através do empreendedorismo. – finaliza. a Repórter: Nicholas Lyra

PAINÉIS FOTOVOLTAICOS X PAINÉIS COLETORES 

Uma confusão comum quando se fala em energia solar diz respeito à diferenciação entre painéis fotovoltaicos e painéis coletores. Os primeiros, como já foi visto, são utilizados para transformar energia solar em energia elétrica. Têm um custo de implantação muito elevado, ao contrário dos painéis coletores, cujo custo é dez vezes menor. Estes servem basicamente para transformar energia do sol em calor, a fim de esquentar a água na casa:

— Para a sustentabilidade, os dois devem ser utilizados em conjunto – explica Schuch.

Visualmente, as diferenças, apesar de existirem, não são claramente perceptíveis após uma olhada rápida. O painel fotovoltaico se assemelha a um espelho; é todo marcado com pequenas placas e mais escuro. O painel coletor, por sua vez, tem estrutura mais simples, se parece mais com uma espécie de vidro e contém uma mangueira por dentro.

Repórter: Nicholas Lyra

Ilustrações: Projetar

]]>
3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/cenario-promissor-contra-o-alzheimer Tue, 07 Jan 2014 19:21:34 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1651

A doença de Alzheimer é comumente ligada ao envelhecimento, por ocorrer, em sua maioria, em pessoas idosas. No entanto, sua causa específica ainda é desconhecida. Uma das principais características da doença é a redução do número de neurônios e das ligações existentes entre eles, as sinapses. O Alzheimer é caracterizado pela progressiva deterioração de células cerebrais, o que afeta o raciocínio e resulta na dificuldade de comunicação, na perda de memória, de linguagem, e de outras habilidades cognitivas.

Os sintomas apresentados se intensificam ao longo da doença. Em um primeiro momento, algumas das alterações estão ligadas à perda de memória recente, desorientação, sinais de depressão e agressividade. Com o avanço do Alzheimer, são comuns dificuldades, mais evidentes nesse segundo momento, em atividades do cotidiano, esquecimento de fatos mais importantes e de nomes de pessoas próximas, o que leva à dependência acentuada de outras pessoas. No estágio mais avançado é possível perceber grande prejuízo da memória, inclusive com dificuldade de recuperar informações antigas e de compreender o que acontece à volta.

Segundo números divulgados pela Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a doença de Alzheimer. No Brasil, o número gira em torno de 1,2 milhão de casos, embora a maior parte deles permaneça sem diagnóstico.

ANTOCIANINAS: MUITO ALÉM DAS CORES 

Até o momento, não existe cura para a doença de Alzheimer. Mas, aos poucos, as pesquisas relacionadas à área têm
permitido que os seus efeitos sejam minimizados e que os pacientes tenham maior qualidade de vida, apesar de todas as alterações e dificuldades às quais estão expostos. É o caso da pesquisa intitulada Estudo da interação do sistema purinérgico, colinérgico e funções cognitivas na demência esporádica do tipo Alzheimer: os efeitos das antocianinas, realizada por Jessié Martins Gutierres, pós-doutorando no Programa de Bioquímica Toxicológica na UFSM.

Ao trabalhar com compostos naturais, um deles, em específico, despertou a atenção do pesquisador: as antocianinas – pigmentos naturais responsáveis por uma grande variedade de cores presentes, por exemplo, em alimentos que consumimos no dia a dia, como a uva, a framboesa, o mirtilo, o açaí, o repolho roxo e a beterraba. A coloração conferida pelas antocianinas vai desde o azul até o vermelho. Atualmente, esses compostos são utilizados principalmente na indústria alimentícia, como corantes naturais.

Quando se trata de saúde, as antocianinas têm sido amplamente estudadas sob diversos aspectos. Jessié explica que “já havia trabalhos mostrando que as antocianinas são antioxidantes, ou seja, capazes de eliminar os radicais livres, que atacam as células”. Existem ainda pesquisas que atribuem a elas a capacidade de dilatar os vasos sanguíneos e, com isso, evitar problemas cardiovasculares.

A partir daquilo que já era conhecido sobre o composto, o pesquisador passou a investigar qual efeito ele poderia ter no sistema nervoso central, sobretudo em pacientes com a doença de Alzheimer. E os resultados têm sido promissores.

ANTOCIANINAS E O SISTEMA NERVOSO 

O primeiro passo foi verificar a ligação das antocianinas com a memória. Jessié esclarece que, para isso, “foi feita a aplicação, em ratos, de uma droga chamada escopolamina, proveniente de uma planta alucinógena que, ao mesmo tempo, causa perda de memória durante o período de seis horas”. Antes de receber a droga, os animais deveriam realizar uma tarefa em que estavam expostos a uma situação simulada de perigo. Após terem a escopolamina injetada e serem colocados na mesma circunstância, eles não foram capazes de se lembrar da vivência anterior e, por isso, voltaram ao local de risco. Outro grupo de ratos, no entanto, recebeu, durante os sete dias anteriores aos testes, doses de antocianina e então, posteriormente, teve contato com a droga. Diferentemente dos primeiros, esses ratos lembraram-se da situação de risco e mantiveram-se longe dela.

A relação positiva encontrada entre as antocianinas e o sistema nervoso, mais especificamente no que diz respeito à memória, permitiu que o estudo avançasse. Na segunda etapa, o objetivo foi entender como essa ligação funciona quando se trata propriamente do Alzheimer. Jessié conta que, para isso, foi provocado um modelo da fase inicial da doença em ratos, que cria uma disfunção no metabolismo. Segundo o pesquisador, “os resultados encontrados a partir desses testes mostram que os animais que receberam antocianinas a curto e longo prazo tiveram não só melhor desempenho da memória, como também diminuíram sua ansiedade, que é um dos sintomas da doença”.

Em outra tarefa comportamental, ratos foram colocados, um de cada vez, dentro de uma caixa que continha dois objetos iguais. Após algum tempo, um dos objetos era trocado por algo diferente. Os animais que haviam recebido o modelo de Alzheimer e não foram tratados com antocianinas não foram capazes de perceber a diferença e não deram maior atenção ao novo item ou até mesmo o ignoraram. Os ratos tratados com antocianinas, pelo contrário, notaram a mudança e passaram mais tempo explorando a novidade.

Outra importante descoberta foi o efeito do composto natural sobre os neurônios, em especial os do tipo colinérgico, que são os primeiros degenerados pela doença de Alzheimer. Uma enzima, a acetilcolinesterase, está muito ativada durante a doença, tendo seu efeito de quebra dos neurotransmissores potencializado. Esse processo gera uma série de distúrbios, dentre os quais está a perda de memória. Jessié explica que os animais que ingeriram antocianina “tiveram essa atividade da enzima reduzida a aproximadamente 45%, mostrando que ela causou uma alteração benéfica, capaz de melhorar a memória desses animais”.

Embora a pesquisa seja ainda de base, as relações encontradas entre as antocianinas e o sistema nervoso mostram um cenário promissor, em que ainda há muito a ser explorado. Para uma doença como o Alzheimer, ainda cercada por tantas dúvidas, os resultados podem significar um grande avanço e encorajar mais pesquisadores a estudarem o tema.

Repórter: Daniela Pin Menegazzo

]]>
3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/nem-so-de-gente-grande-se-faz-uma-universidade Tue, 07 Jan 2014 19:16:08 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1649

Entre um passo e outro, o olhar corre o relógio. O andar se apressa na tentativa de chegar a tempo na aula que já se inicia. Não muito longe, é a tentativa de equilibrar os vários livros recém retirados da biblioteca que prende a atenção. No bosque, há aqueles para os quais o horário não parece importar; afinal, a grama e a sombra das árvores parecem ter um efeito quase sedativo depois do almoço. As diversas mãos carregando frutas anunciam: a sobremesa do dia no Restaurante Universitário foi laranja.

O trecho acima poderia descrever um dia qualquer no cotidiano universitário da UFSM. Houve um momento, no entanto, em que um fato rompeu a normalidade dessas cenas para a professora de Pedagogia Sueli Salva: a presença de crianças no campus. Não crianças que ali passavam a tarde em passeio com a escola, mas sim aquelas que fizeram da Casa do Estudante Universitário (CEU) moradia de quem recém inicia a vida. Foi a partir da percepção dessa presença que iniciou a pesquisa, que tem como objetivo conhecer as vivências cotidianas das crianças na Universidade, a união da cultura universitária com as experiências infantis, além dos arranjos familiares construídos pelos jovens e seus filhos.

Assim, desde 2010 são realizadas entrevistas com os pais e seus filhos e é feito o acompanhamento de sua rotina. A professora Sueli destaca algumas de suas percepções sobre como as mães reconfiguram o espaço em que vivem:

— O espaço da Universidade, não pensado para crianças, é reorganizado a partir da necessidade dos jovens. Então, a jovem mãe, algumas vezes com a ajuda do pai, cria maneiras de fazer acontecer. Aquele lugar que antes tinha uma prateleira com livros hoje tem uma prateleira com brinquedos também. Aquele espaço que antes tinha um beliche, agora tem um berço.

Em alguns casos por descuido, em outros para consolidar uma união com a qual a família discordava, ou ainda por considerar aquele o momento ideal para ter um filho, seja qual for o motivo que leva à gravidez, algumas semelhanças se apresentam. Uma das dificuldades iniciais é a presença do discurso moral que gira em torno da sexualidade – principalmente a feminina – e de uma gravidez que acontece em meio aos estudos e, em alguns casos, sem a existência de um relacionamento estável entre o pai e a mãe. Outra questão é a necessidade de uma reorganização no modo de vida, que precisa passar a considerar a presença de uma criança que exige dedicação e tempo. A bolsista da pesquisa e responsável pelas anotações do diário de campo, Keila de Oliveira, pontua essa como uma experiência que permite entender o processo de forma mais ampla:

— O contato com essas mães me ajuda a entender muita coisa também fora da Casa do Estudante desse processo de gravidez juvenil. Muitas vezes as pessoas tendem a ver essas meninas como imaturas ou irresponsáveis. Às vezes não, ao contrário, vai muito além dessa simplificação. Então isso me ajudou, como pedagoga, a ampliar o olhar sobre a questão, ao invés de ser reducionista.

No dia a dia, essas crianças passam a entender a Casa do Estudante como um lugar que também é delas. Enquanto elas crescem e aprendem, também ensinam com a sua presença e mostram que, afinal de contas, alguns padrões aceitos como corretos já deveriam ter ficado no passado.

Durante a pesquisa, foram várias as famílias acompanhadas. Os trechos a seguir trazem fragmentos da trajetória de Daiane e seu filho Pedro e de Mariana e seu filho Samuel. Através de suas histórias, eles nos mostram como a universidade não é lugar apenas de gente grande.

TRECHOS DO DIÁRIO

28 DE SETEMBRO DE 2010 

Nesta manhã fui até ao apartamento do menino Samuel para acompanhá-lo até a sua escola. Quando cheguei ao apartamento, Samuel estava deitado na cama. A mãe lhe deu a mamadeira e arrumou a mochila do filho. Mariana também relatou que o filho caiu da cama e teve que ir até o hospital fazer curativo de três pontos na cabeça. Nessa oportunidade, Samuel estava somente com o pai em casa e bateu a cabeça na janela. O menino queria iogurte que o pai havia trazido do mercado; o pai disse para ele esperar, mas Samuel foi impaciente e, quando levantou da cama, bateu a cabeça. Mariana terminou de arrumar o filho, colocou os calçados, ajudou a lavar os dentes e então saímos. No caminho, Samuel estava sempre pulando e correndo, além de estar juntando galhos e folhas secas que encontrava. Quando estávamos passando por um determinado muro, Samuel apontou para o mesmo e falou: Olha um peixinho! Realmente, a rachadura do muro fazia o desenho de um peixinho. A mãe comentou que faz muito tempo “que ele descobriu” essa imagem e que toda a vez que passa por ali aponta para o “peixinho”.

30 DE SETEMBRO DE 2010 

Mariana comentou comigo que no dia anterior Samuel a havia acompanhado durante o ensaio de uma peça teatral. A mãe falou que Samuel às vezes fica com um amigo seu enquanto ela ensaia, e que ela até convidou umas meninas para morar no mesmo apartamento seu para ajudar a cuidar do Samuel quando precisasse, e que propôs pagamento para essas estudantes. Porém, como as meninas nunca estão em casa à noite ou quando ela precisa, Mariana resolveu não insistir mais nisso.

A jovem falou que hoje é menos difícil de Samuel acompanhá-la nos ensaios, pois já está um pouco maior e fica com a recepcionista do CAL* enquanto a mãe ensaia, mas que quando era menor e ficava com outras pessoas que não conhecia direito, não pedia para ir ao banheiro e então fazia as necessidades nas calças. A mãe também comentou que certa vez o filho “invadiu” o palco enquanto ela estava ensaiando.

No caminho para a escola, Samuel parou numa placa, dessas de concreto em que constam fatos históricos da Universidade, e disse que era seu computador. Numa calçada que era formada por blocos de concreto alternados por grama, Samuel pisava somente nos blocos e dizia que a grama era jacaré que podia nos pegar. Já na escola, brinquei com Samuel de carrinho, ele me contou histórias de livros infantis da escola. […] Samuel queria a todo o momento que eu ficasse brincando com ele, e quando outra CRIANÇA me chamou de “Profe”, ele disse que meu nome não era “Profe”, era Keila.

*CAL: Centro de Artes e Letras

1º DE JUNHO DE 2011 

Daiane falou que Felipe, o pai de Pedro, que morava no apartamento em frente ao do filho, agora está residindo em São Paulo, fazendo doutorado. Ela disse que os primeiros dias do filho sem o pai foram difíceis, que o menino ia até o apartamento do pai e chamava por ele. Atualmente, segundo a mãe, ele está mais acostumado. Daiane disse que, em função de Felipe ter ido embora, ela optou por pagar uma van para levar e buscar Pedrinho, já que antes Felipe a ajudava com isso. Disse ainda que, quando Felipe foi embora, ele explicou ao filho que iria estudar e que para chegar aonde iria, precisava ir de avião. Segundo Daiane, agora sempre quando o filho ouve barulho de avião, ele fala “papai, papai”.

Relacionado a isso, Daiane disse que o padrinho de Pedro a tem ajudado bastante, que ele tem feito o papel de pai. A jovem disse que o padrinho do menino também conseguiu uma vaga numa aula de natação para Pedro, aula que é oferecida aos sábados de manhã no CEFD*.

6 DE JUNHO DE 2011 

Montamos o quebra-cabeça duas vezes. Samuel demonstrou gostar muito da brincadeira. Durante o tempo em que estávamos montando, o menino também demonstrou desenvoltura e rapidez na associação das peças, levando em consideração sua idade e o tamanho do jogo, que tinha 38 peças.

[…]

Depois disso, Samuel pediu à mãe para pegar o quebra-cabeça do Batman, que ele havia ganhado do pai. Enquanto estava montando o quebra-cabeça, Mariana comentou que ela e o pai de Samuel haviam acabado o relacionamento e que ele tinha tentado reatar, mas ela não quis. Acrescentou ainda que ele lhe propôs que eles casassem no próximo ano, quando ela já estaria se formando, mas ela disse que seria difícil, pois teria que morar na cidade do marido, que é uma cidade do interior, onde não há muito investimento na cultura, e isso dificulta o trabalho dela.

Relacionado a isso, Mariana contou que o pai de Samuel é professor de artes da rede pública de ensino, mas é também professor de ensino religioso e, paradoxalmente, é ateu. A partir disso, contou que muitas vezes teme pelo que o filho possa ter herdado do pai sobre questões de machismo e homofobia, por exemplo. Mariana disse que a família do pai de Samuel é bastante machista e não gosta da profissão dela e da forma como ela é, por não ser dona de casa etc.

14 DE SETEMBRO DE 2011 

Quando cheguei ao apartamento, Samuel veio abrir a porta, mas logo “se escondeu” de mim. Mariana disse que ele estava ansioso pela minha chegada, que queria tomar banho rápido e a todo o momento estava perguntando se eu ainda não havia chegado. Ela comentou que, quando falou para o filho que eu viria à noite, ele logo se lembrou de mim, que na última vez em que nos encontramos eu havia levado um quebra-cabeça do Mickey para ele montar.

Logo que eu cheguei ao apartamento, Samuel perguntou se eu não havia trazido o jogo do Mickey para montarmos. Eu disse que havia me esquecido de trazer um brinquedo, mas que poderíamos brincar com os dele. Diante disso, Samuel começou a tirar de sua caixa de brinquedos um a um para me mostrar o que faziam, quais eram os nomes e de quem ele havia ganhado o brinquedo.

Mariana também contou que nos últimos dias Samuel está agressivo e que vem chorando bastante na creche, se irritando por qualquer coisa. Ela também disse que começou a namorar, que o namorado reside em outra cidade e que, na primeira vez em que ele veio visitá-la, Samuel reagiu muito bem, brincou com ele. Entretanto, depois disso, Mariana notou que ele ficou mais agressivo. A mãe acha que o menino está com ciúmes dela com o namorado.

15 DE SETEMBRO DE 2011 

[…] Depois, fomos até a sala. Pedro propôs que brincássemos de viajar. O sofá seria nosso avião. Daiane perguntou para onde iríamos viajar, e o menino respondeu que iríamos para São Paulo, na casa do seu pai. Brincamos, então, em cima do sofá, eu, Daiane, Pedrinho e uma amiga de sua mãe.

Pedro contou que estava fazendo natação, pediu à mãe para colocar sua sunga e a touca. Daiane resistiu em consentir, mas acabou cedendo. Pedro decidiu, então, fazer no meio da sala uma piscina para “mergulharmos”. Durante algum tempo, ele brincou dentro de um pequeno espaço do chão da sala, que ele chamou de “minha piscina”.

[…]

Como já estava ficando tarde e Pedro ainda precisava tomar banho, Daiane falou ao filho que achava que já estava na hora de terminar a festa. Pedro não queria. Eu argumentei, dizendo que também já estava um pouco cansada, que precisava ir pra casa tomar banho. Ele disse que se eu fosse pra casa o lobo mau poderia me pegar. Falei que iria correndo pra casa, chegaria e trancaria a porta e o lobo não me pegaria. A mãe argumentou que a minha casa não era de madeira, se o lobo soprasse não iria cair.

Mesmo assim, Pedro não queria parar com a brincadeira, a mãe então insistiu que ele deveria ir tomar banho e o menino começou a chorar e ameaçou se jogar no chão. A mãe pediu que ele parasse imediatamente com aquilo, que ela iria ficar muito brava se ele continuasse com aquele comportamento e falou: Pedro, se você continuar assim o que eu vou virar? O menino respondeu, ainda meio choroso: Um tigre!

Repórter: Daniela Pin Menegazzo
]]>
3° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/calor-milenar Tue, 07 Jan 2014 19:08:09 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1646

Não precisa nem ser verão. Basta aumentar um pouco a temperatura e já acionamos o aparelho que, em poucos minutos, nos livra do calor. Com o passar dos anos, ele foi sendo aprimorado e, hoje, o ar-condicionado já virou artigo comum de ser encontrado em casas, escritórios e estabelecimentos comerciais. Mas, tempos atrás, não era tão simples assim manter um lugar fresquinho, com 40 graus lá fora. Acompanhe esta evolução no infográfico abaixo, o qual mostra que vento, água e gelo já foram usados das mais diversas maneiras para resfriar os locais, nessa batalha contra as altas temperaturas que vem ocorrendo desde o período antes de Cristo.


UMA TECNOLOGIA, DUAS FUNÇÕES

Se é diante de um grande problema que se busca uma solução, é de se entender por que, ainda na Roma Antiga, começaram a pensar em formas de amenizar o calor. O clima mediterrâneo, além de seco, alcança temperaturas próximas dos 40 graus nos meses de verão. Então surgiram os grandes sistemas de aquedutos. A tecnologia foi criada para levar água para as cidades, mas incluía a canalização dessa água por dentro das paredes de algumas casas, causando assim um esfriamento no local.

CALOR DO ORIENTE

No século II, Ding Huan, na China, criou um circulador de ar para amenizar o calor. O inventor projetou um ventilador com sete rodas de três metros de diâmetro cada. A julgar pelo tamanho, a eficiência da invenção não devia ser discutida. O problema é que o ventilador só funcionava se acionado manualmente.

SALÃO FRESCO

Imperador da China por mais de 40 anos, Xuanzong, da dinastia Tang, também fez sua parte para amenizar o calor, pelo menos em seu império. Em 747, ele mandou construir em seu palácio o Salão Fresco. Como o nome sugere, o salão devia ser bem fresco, já que era repleto de ventiladores acionados por água e fontes de água corrente.

BADGIRS, TECNOLOGIA ISLÂMICA

Na Pérsia Medieval, atual Irã, era um sistema à base de cisternas, torres e cata-ventos que ajudava a refrescar a cidade nos dias de calor intenso. Enquanto as cisternas armazenavam a água da chuva, o vento entrava pelas aberturas das torres de vento, ou badgirs, descia até as águas das cisternas, orientado pelos cata-ventos, e então saía, mais gelado do que entrou, pelas torres de arrefecimento. A tecnologia foi além da Pérsia e até hoje pode ser encontrada nos países islâmicos

MATÉRIA-PRIMA: GELO

Foi com a intenção de baixar a febre de seus pacientes que o médico norte-americano John Gorrie passou a pendurar baldes com gelo pelo seu hospital, em Apalachicola, na Flórida. A simples experiência funcionou, mas conseguir gelo suficiente para resfriar todo o hospital é que passou a ser um problema. Então, a partir de seus conhecimentos em física, Gorrie criou uma máquina que, a partir de um sistema de compressão, fazia gelo. Anos mais tarde, em 1851, Gorrie ganhou a patente de seu invento.

O AR-CONDICIONADO, DE FATO

Mas foi somente em 1902 que o engenheiro norte-americano Willis Carrier viria a criar o ar-condicionado como conhecemos. Uma indústria gráfica de Nova Iorque tinha a impressão de seu material prejudicada, devido às altas temperaturas do verão daquele ano. Carrier, então, projetou uma máquina, na qual o ar circulava por dutos resfriados artificialmente, que, além de baixar a temperatura do local, também controlava a umidade. A novidade se espalhou pelo país e logo ganhou a indústria têxtil e, mais tarde, os escritórios. Somente trinta anos depois, uma versão menor e mais barata chegou ao mercado destinada ao uso doméstico.

SEMPRE PODE MELHORAR

Com o passar dos anos, a invenção foi se aprimorando, até chegar ao modelo split. A palavra inglesa split significa “divisão”, exatamente o que foi feito com o modelo de ar-condicionado de janela. No novo modelo, a parte que condiciona o ar fica dentro de casa, enquanto o motor, onde se encontra o compressor, fica na parte externa. Daí as vantagens do split: ser menos barulhento, gastar menos energia e ainda poder ser instalado mais facilmente.

Repórter: Natascha Carvalho

]]>