5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco Jornalismo Científico e Cultural Thu, 11 Feb 2021 17:26:54 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=6.9 /app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico 5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco 32 32 5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/uma-voz-varias-historias Mon, 11 Jan 2021 17:01:06 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1753

Estou na Universidade Federal de Santa Maria, atuando como servidor técnico-administrativo, desde 1º de janeiro de 1981, sempre como locutor e produtor de programas da Rádio Universidade. Mas entrei antes, em outubro de 1979, como aluno bolsista. São 35 anos dedicados à UFSM.

Lembro-me de que entrei numa das vagas de bolsa acadêmica pra locutor da Rádio Universidade. Eu circulava pelo campus, quando fazia o curso de Geografia, primeira turma, ingresso em 1977, momento em que fui convidado para uma vaga na emissora, pois já atuava em rádio desde 1975, em Faxinal do Soturno. Foi também naqueles primeiros anos que fui convidado pela então diretora do Planetário, professora Raquel Mariano da Rocha Bandeira de Melo, a ser um dos locutores dos seus programas especiais.

A Rádio Universidade, naquele ano, funcionava nos altos do prédio da antiga Reitoria da UFSM, na rua Floriano Peixoto, 1184. No terraço do prédio existiam as estruturas de alvenaria onde operavam os estúdios da emissora, a redação e a sala de direção. Mais tarde, a Rádio Universidade foi transferida para o campus, onde estamos até hoje, no décimo andar do prédio da Reitoria.

Mas foi em junho de 1981 que criei um programa chamado Faces do Brasil, na forma de documentário narrado, com uso de trilha sonora. Esse programa apresentava tudo sobre nosso país. Mais tarde, ampliei o leque de assuntos, mudando o nome para Informe Cultural, o qual ainda permanece no ar. Agora, em 2015, completa 34 anos. Como é apresentado de segunda a sexta-feira, já foram ao ar em torno de 8.500 programas.

Tenho, em meus arquivos de áudio, centenas de documentos sonoros sobre a história da UFSM, desde o pronunciamento do reitor Mariano da Rocha, fundador da instituição, e o do presidente Juscelino Kubitschek, no ato da assinatura da Lei 3.834-C, de criação da instituição, no Palácio das Esmeraldas, em Goiás, em 14 de dezembro de 1960. Acredito que esta é uma das funções da Rádio Universidade: o registro sonoro da história da instituição.

Ao longo do meu tempo de UFSM, permaneci por 27 anos atuando em cargos de chefia, mas nunca deixando o microfone de lado. Juntamente com meus colegas, empreendemos coberturas jornalísticas das mais diversas. Uma delas se refere aos vestibulares. Desde que entrei na emissora, sempre participei das equipes de cobertura, divulgando o concurso seletivo, seus gabaritos e os famosos listões dos aprovados. Esse é um momento especial. A ansiedade dos candidatos e pais é algo impressionante. Ouvir a aprovação do seu nome pelo rádio é sempre uma tensão emocional muito grande, mas, depois, motivo de festa. Para aqueles que não foram aprovados, muita dor e angústia. Nós, locutores de listão, passamos também por esta angústia e por esta festa, pois é através de nossas vozes que tudo isso acontece.

*Roberto Montagner é Diretor de Programa da Rádio Universidade

**Texto publicado originalmente na quinta edição da revista Arco e republicado em razão dos 60 anos da UFSM

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5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/o-filho-faz-amanha Thu, 08 Oct 2015 18:54:55 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1756

Meus pais me ensinaram
Ainda quando garoto
Cuide quando aproxima
Que o seu direito termina
Quando começa o do outro

 

 

Dê liberdade aos seus filhos
Desde a menor idade
Em contrapartida cobre
Que com a liberdade dobre
A responsabilidade

 

Além de darmos o carinho
O nosso dever é ensinar
Para quando ele nos deixe
Além de comer o peixe
Saiba também pescar

 

Respeitar os outros
Faz parte do aprendizado
Pois ao darmos o respeito
Adquirimos o direito
De também ser respeitado

 

Temos que dar bons exemplos
Nossos filhos estão nos ouvindo
Atentos estão nos vendo
Com nós aprendendo
E amanhã nos seguindo

 

Lembre-se que os seus filhos
São os seus maiores fãs
Da origem ninguém foge
O que você fizer hoje
Seu filho faz amanhã

 

*Manoelzito Brum de Vasconcelos, mais conhecido como “Maneco”, é servidor aposentado da UFSM. Com mais de sete décadas vividas, ler livros e escrever poemas foi o método encontrado por ele para exercitar a memória, evitar o desenvolvimento de doenças e obter mais qualidade de vida.

Ilustradora: Carolina Delavy

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5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/ignacio-arahuhy Thu, 08 Oct 2015 18:44:55 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1751

* Ignácio Arahuhy foi a primeira liderança Guarani da região de Santa Maria e faleceu em 14 de março de 1832. Ele foi cacique de um agrupamento, composto por cerca de cinquenta famílias, que se situava entre as atuais ruas do Acampamento, José Bonifácio, Pinheiro Machado e Praça Roque Gonzáles, na direção da Avenida Presidente Vargas (Rua Ipiranga, na época).

Façamos um exercício de imaginação. Quando falamos em indígenas, qual imagem vem à sua cabeça? As respostas que costumam surgir são duas: a primeira faz menção à figura do indígena heroico da literatura portuguesa; já a segunda é aquela, por vezes disseminada na mídia, do indígena miserável, que advém de um povo que passa por problemas e não consegue se reerguer. Essa pergunta parece boba, mas suas respostas refletem a realidade de muitos brasileiros, que desconhecem sua história e ferem a memória, cultura e trajetória dos povos nativos desta terra.

Visando mudar essa situação, o Grupo de Apoio aos Povos Indígenas (Gapin) foi criado em 2008 em Santa Maria. Desde então, o Gapin assumiu o papel de diálogo com os M’byá Guaranis e Kaingangs, para que, juntos, reivindicassem seus direitos. Mais tarde, o trabalho com fotógrafos também seria uma forma de colaborar para o debate sobre a invisibilidade dos povos indígenas.

O Gapin convocou, em 2011, três estudantes da UFSM e construiu uma proposta com a seguinte provocação: “a fotografia, como objeto de arte, é que deve fazer o discurso. Mostrar, para aqueles que passam, aquilo que lhes é invisível. Deve transmitir alegria de um povo, afeto entre as pessoas, dignidade, felicidade e cultura, que estão presentes em meio à pobreza; essa, aliás, deveria aparecer no registro fotográfico apenas como ‘pano de fundo’, de forma coadjuvante, para que o discurso piegas e apelativo, do comum registro jornalístico da miséria, não se sobreponha ao fato de que a esses indígenas são negados todos os direitos fundamentais garantidos na Constituição Federal de 1988”.

Os registros fotográficos deste ensaio são, portanto, o resultado do trabalho realizado nos acampamentos Kaingang (localizado próximo à Estação Rodoviária de Santa Maria), e Guarani (do Arenal), durante a primeira semana do inverno de 2011. Os fotógrafos Rafael Wilhelm, Luciele Oliveira e Joice Zorzi, capacitados pelo Gapin, tiveram a oportunidade de conviver um tempo mínimo com os indígenas, para assim desenvolver o projeto junto com a comunidade e dialogar com os indígenas, sem transformar as fotos em sensacionalismo, e sim atrelando-as a uma discussão social unida à arte.

Repórter: Luciele Oliveira

*Confira o ensaio completo na versão flip.

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5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/a-trajetoria-de-um-eremita-pelo-brasil Thu, 08 Oct 2015 18:39:10 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1748

A odisseia de Giovanni Maria de Agostini pelo Novo Mundo iniciou em 1838, quando ele cruzou o Atlântico para atuar como missionário religioso. O italiano, nascido em 1801 na região do Piemonte, aspirou à vida sacerdotal, mas não chegou a receber a ordenação. Mesmo assim, inspirou muitos com sua conduta de penitente.

“A primeira vez que ouvi o nome João Maria de Agostini foi durante uma palestra ministrada pela professora de história Nikelen Witter, em 2001, quando eu estava iniciando minha graduação na UFSM”, conta Alexandre Karsburg, que hoje leciona na Universidade Federal de Pelotas. Foi também nessa palestra que o professor ficou sabendo sobre a presença do monge italiano em Santa Maria, especificamente no Cerro do Campestre. No local, Agostini teria descoberto uma fonte de água mineral que as pessoas começaram a acreditar ser milagrosa, chamando-a de “fonte de águas santas”.

Já no mestrado, realizado na PUCRS, entre 2005 e 2007, Karsburg estudou conflitos políticos e religiosos ocorridos em Santa Maria no final do século XIX e início do XX. “Lendo a documentação da época, constatei que a Romaria de Santo Antão, no Cerro do Campestre, era a maior romaria católica do Rio Grande do Sul – e assim foi até 1930. Essa tradição religiosa iniciou justamente pela ação do monge João Maria de Agostini, em 1848, quando este colocou uma imagem de Santo Antão no alto do Cerro, como forma de tentar organizar a aglomeração que existia por causa das chamadas ‘águas santas’”.

Foi no doutorado que surgiu a ideia de focar sua pesquisa no monge Agostini. “Pensei, inicialmente, em estudar as diferentes fases da Romaria de Santo Antão, desde sua origem em 1848, até 1930, quando entrou em decadência por causa de outras devoções que passaram a se destacar na cidade de Santa Maria – como a de Nossa Senhora Medianeira”, explica o professor. Contudo, à medida que avançava nas pesquisas em arquivos, a história do monge João Maria de Agostini foi se destacando. O professor descobriu, então, inúmeras fontes de informação, inéditas, a respeito dele. Depois de alguns meses de trabalho, Karsburg constatou que poderia construir a trajetória do monge Agostini pelo Brasil e demais países das Américas. Assim, o pesquisador percorreu arquivos de diversas cidades, como Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Florianópolis, Rio de Janeiro e Lapa (PR) em busca de dados concretos.

 

A PASSAGEM PELO INTERIOR DO BRASIL

Com a passagem do monge por Santa Maria, as notícias sobre os seus milagres chegaram a todo o Rio Grande do Sul, além de outras regiões do Brasil, e também atraíram doentes de países vizinhos, como Uruguai, Argentina e Paraguai. Nas cidades, as autoridades concediam ao eremita licenças para atuar como missionário e pregador do Evangelho. Ao conseguir as licenças, Agostini rumava para o interior, percorrendo enormes distâncias, geralmente a pé. Quando chegava às vilas e aos povoados, ele era respeitado e admirado por sua vestimenta, que se assemelhava à de um frade, por carregar objetos sacros, como bíblia, rosários e crucifixos, e também por sua aparência física, que lembrava profetas bíblicos – barba que lhe batia no peito e cabelos mais ou menos compridos. Essa admiração pelo monge acabou causando uma grande aglomeração em torno da fonte localizada em Santa Maria. Com isso, o presidente da província – como se chamava na época o governador de Estado – enviou especialistas para averiguar se as águas realmente eram medicinais e para interrogar o monge.

Muitos começaram a acreditar que Agostini possuía o dom de realizar prodígios, inclusive tornar milagrosas as águas pelo simples toque de suas mãos, e passaram a chamar-lhe de santo. Entretanto, ser um “enviado divino” fez com que o Império Brasileiro se interessasse por ele. “Um único sujeito seria afronta para um Império inteiro? Ao abrir as portas para a entrada de missionários religiosos europeus, o governo brasileiro, no século XIX, não tinha como prever que esses mesmos missionários provocariam tanta comoção entre os habitantes do interior”, explica o professor. Assim, ao chegar ao interior do país, o eremita, em vez de trabalhar pelas causas do Império na criação de súditos ordeiros e fiéis às causas brasileiras, incentivava uma vida religiosa que dispensava a intermediação da Igreja. Agostini colocou a salvação da alma ao alcance dos povos simples do interior, dizendo e mostrando pelo próprio exemplo que a redenção dos pecados estaria disponível se o fiel arrependido se lançasse aos rigores da penitência, fazendo caminhos de vias-sacras, rezando e deixando para trás a vida mundana. 

 

DO MITO À REALIDADE

Em novembro de 1852, o eremita deixou o Brasil e continuou sua peregrinação por outros países do continente americano, vivendo entre cavernas, grutas e montanhas. Chegou aos Estados Unidos em 1863, mantendo seus ofícios de eremita. Porém, morreu violentamente em circunstâncias não esclarecidas, deixando como legado inúmeras devoções e lendas espalhadas em vários países da América, principalmente no sul do Brasil e no sudoeste dos Estados Unidos. “Logo depois da morte, algumas pessoas foram interrogadas, até presas. Mas nada foi provado contra os suspeitos. O assassinato de Giovanni Maria faz parte de uma lista de crimes insolúveis no condado de Doña Ana, no sul do Novo México”, explica o professor.

Ao longo da pesquisa, a imagem que o pesquisador tinha do monge Giovanni Maria Agostini foi mudando. No início, ele o percebia como um indivíduo misterioso, quase um mito, já que não havia fotografias que comprovassem sua existência. No entanto, foi no primeiro ano de doutorado, em 2008, que Alexandre Karsburg encontrou duas fotografias do monge, além de manuscritos atribuídos a ele e seus objetos pessoais, como manto, hábito de eremita, bíblia, cajado de peregrino e livro de orações, que estavam em arquivos dos Estados Unidos. Essa descoberta fez com que quisesse reconstruir a história do eremita pelas Américas, além de compreender como o monge conseguiu percorrer todo o continente na condição de peregrino. Assim, o professor não se tornou um devoto, mas um admirador. “Ainda é difícil acreditar que alguém como ele conseguiu realizar tamanha proeza, enfrentando todo tipo de dificuldade e à mercê de perigos variados. O fato de ter me aproximado do sujeito histórico me fez entender as estratégias utilizadas para superar os desafios e cumprir com o objetivo de pregar o Evangelho aos mais distantes povos das Américas. Mas, no final, Agostini era tão humano quanto nós, um homem com defeitos e qualidades, mas de muita determinação”, finaliza.

 

Repórter: Andréa Ortis
Ilustração: Evandro Bertol

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5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/com-destino-ao-brasil Thu, 08 Oct 2015 18:36:20 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1746

Mais oportunidades de emprego, melhores remunerações e qualidade de vida. Esses são alguns dos fatores que levam muitos brasileiros a sair do lugar em que vivem com destino a outros países do mundo. O movimento contrário, no entanto, tem se tornado cada vez mais comum. Com sonhos semelhantes aos dos que saem, são também muitos os que chegam ao Brasil. É o que apontam os dados do Sistema Nacional de Cadastro e Registro de Estrangeiros da Polícia Federal. A estimativa é de que, atualmente, o país conte com mais de um milhão de imigrantes registrados, número potencializado nos últimos quatro anos. Diversas vezes encarados a partir de um olhar que é o de estranhamento, é comum que os migrantes não sejam acolhidos de forma adequada e que acabem tendo violados seus direitos humanos.

Na UFSM, o Grupo de Pesquisa Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional, o Migraidh, tem se dedicado a estudar esse movimento. Coordenado pela professora Giuliana Redin, ele surgiu com o objetivo de trabalhar com as perspectivas político-jurídicas de proteção dos imigrantes que existem no território nacional. A partir do cenário encontrado, Giuliana faz uma crítica à postura legislativa de restrição aos imigrantes. “A lei de 1980, que é o Estatuto do Estrangeiro, é absolutamente pautada em dois pilares centrais, que são a segurança nacional e o interesse econômico. Embora o artigo 5º da Constituição Federal, que garante os chamados direitos individuais, seja expressamente extensivo aos estrangeiros residentes no Brasil, a proteção jurídica dessa população carece de normas específicas. Em relação aos refugiados, há a Lei 9474/97, um documento protetivo e de direitos, oriundo de convenções internacionais”, explica. É então em um caminho de busca por ações e políticas públicas de acolhimento e proteção que o Migraidh tem se desenvolvido.

UMA NOVA PROPOSTA DE LEGISLAÇÃO

O objetivo é gerar ações efetivas, capazes de refletir no dia a dia daqueles que buscam no Brasil uma opção de vida, a mudança pode estar em curso – pelo menos no âmbito jurídico. Em agosto de 2014, foi entregue ao Ministério da Justiça o Anteprojeto de Lei de Migrações e Promoção dos Direitos dos Migrantes no Brasil, que busca substituir o atual Estatuto do Estrangeiro. Giuliana destaca que o Migraidh contribuiu para a construção do anteprojeto, com o envio de críticas relacionadas ao texto inicial. “Algumas delas foram acolhidas, claro que isso a partir de muitas manifestações da sociedade civil. O anteprojeto contempla proposições interessantes, como uma pauta de princípios de proteção do imigrante e de direitos e garantias fundamentais, mas ainda negligencia direitos que nós consideramos básicos, como, por exemplo, a possibilidade de os estrangeiros votarem e serem votados”, pontua a professora.

Entre as alterações que compõem o anteprojeto de lei, está a modificação da política migratória, que busca romper com a ideia que associa o imigrante à segurança nacional e facilita o ingresso no país, inclusive para busca de trabalho. Está também prevista a criação de um órgão que retira da Polícia Federal a competência para os assuntos imigratórios, que é a Autoridade Nacional Migratória. Se antes o próprio estatuto fazia referência ao não nacional como “estrangeiro”, o anteprojeto prevê ainda o abandono do termo, que é considerado de estranhamento e de exclusão do outro. Em vez dele, adota-se a expressão “imigrante”. Atualmente, o anteprojeto está em fase de consulta e aprovação interministerial.

A importância de uma nova legislação está também nas mudanças que ela pode gerar, a longo prazo, no imaginário coletivo. Percepções xenofóbicas sobre a pessoa do imigrante são reproduzidas com facilidade, como aquele que vem para tirar emprego de outra pessoa, trazer doenças ou ameaçar a segurança. Do contrário, ele deve ser percebido e reconhecido como um sujeito de direitos, que também é agente no espaço público e enriquece o cenário social em que está inserido.

A QUESTÃO DOS REFUGIADOS

Nem sempre, todavia, a mudança para um novo país parte de uma vontade plena, como é o caso dos refugiados. Nessas situações, a ida para outro território ocorre a partir de uma situação de fundado temor de perseguição, que costuma ser de ordem étnica, religiosa, política, ou ainda por conta de nacionalidade e de grupo social. É o caso da família do casal Carina e Ramiro*. Ambos colombianos, tiveram que sair da cidade de Ibagué às pressas, no meio da noite, por conta de perseguições políticas. “Não foi uma decisão fácil, mas se a gente ficasse poderíamos acabar morrendo”, explica Carina.

Há quase oito anos, a família vive em Santa Maria. Antes disso, no entanto, já passou breves períodos no Equador e no nordeste do Brasil, na cidade de Natal, locais em que também encontraram dificuldades para permanecer. Com a assistência do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e da Associação Antônio Vieira (ASAV), que auxiliam esse processo de transição, eles conseguiram se estabelecer. Com o tempo, Carina retomou sua profissão de cabeleireira e hoje o sustento da família é garantido pelo salão de beleza do qual ela é proprietária.

Dentre as dificuldades relatadas, a principal é de acesso à universidade. Na UFSM, a regulamentação do ingresso de refugiados é feita a partir da resolução N. 039/10. Ao solicitar duas vagas, Carina e seu filho obtiveram parecer negativo e não conseguiram ingressar em um curso superior. Para a professora Giuliana, a dificuldade ocorre porque a regulamentação é bastante burocrática, exige documentos específicos e, em algumas situações, de difícil acesso. Além do que, as vagas disponíveis são aquelas que fazem parte do sistema de ingresso e reingresso, o que limita as possibilidades de cursos.

Até hoje, ninguém foi contemplado pela resolução. Por conta disso, o Migraidh passou a trabalhar em uma nova lei, que consiga ser mais abrangente e que garanta real acesso. “Na nova resolução, propusemos mudanças rigorosas em relação à anterior, pensando o acesso aos refugiados e imigrantes em situação de vulnerabilidade. Agora ela passa pela fase de trâmite interno da Universidade, até chegar ao Cepe [Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão] para ser votada”, pontua a professora. Uma dessas mudanças é o ingresso via ENEM, com nota mínima de certificação, que dispensaria tradução e validação de diplomas de ensino médio. Outra alteração é o ingresso a partir de vagas suplementares, sem concorrência com as outras já existentes.

Embora já estejam adaptados à cidade de Santa Maria e consigam falar e compreender a língua portuguesa, é com um sotaque espanhol carregado que Ramiro lamenta: “Aqui é tranquilo, já perdemos o medo. Mas a distância também não é nada fácil, não queríamos abandonar a nossa terra, deixamos tudo largado na Colômbia. Nem conseguimos nos despedir da nossa família”. Sem o dinheiro necessário para vir até o Brasil, os familiares que ficaram em solo colombiano se comunicam através da internet. A facilidade e rapidez do contato, no entanto, não apaga o desejo de, quem sabe um dia, poderem voltar.

*Utilizamos nomes fictícios para a proteção dos entrevistados.

Repórter: Daniela Pin Menegazzo
Ilustradora: Carolina Delavy
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5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/novos-tempos-para-a-agricultura Thu, 08 Oct 2015 18:33:51 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1743

Você sabia que é possível corrigir a concentração de nutrientes no solo das lavouras? Hoje, com o aperfeiçoamento de tecnologias de informática, sensores e GPS aliados às práticas agrícolas, as possibilidades de os agricultores garantirem uma safra produtiva são maiores. Devido ao desenvolvimento das técnicas de agricultura de precisão, aparelhos acoplados às máquinas, semeadoras e colheitadeiras conseguem retirar uma amostragem do solo e verificar a variabilidade de nutrientes ali presentes, para fazer a correção necessária através da intervenção com fertilizantes.

O que chama a atenção nessa prática agrícola não é somente o que ela traz de benefícios ao produtor rural, mas também ao meio ambiente. Ao permitir o controle de todas as intervenções em uma propriedade agrícola, as dosagens de fertilizantes e agrotóxicos precisamente calculadas e aplicadas reduzem a contaminação da natureza e aumentam a produtividade. Só no Rio Grande do Sul, cerca de 30% das agroindústrias adotam a agricultura de precisão nas lavouras agrícolas. Há regiões, como o norte do estado, em que esse número é ainda mais expressivo e chega a 50%. É o que acontece em Não-Me-Toque, conhecida como a Capital Nacional da agricultura de precisão, e também em Carazinho.

O RENASCIMENTO

Na virada de milênio, surgiram novas perspectivas para a agricultura e a agroindústria brasileira. Através do Projeto Aquarius, uma iniciativa das empresas Massey Ferguson e Stara, inaugurou-se o desenvolvimento da agricultura de precisão no Rio Grande do Sul e no Brasil. Iniciado na cidade de Não-Me-Toque, o projeto foi desenvolvido, inicialmente, em duas áreas: a área Schmidt, com 124 hectares, e a área da Lagoa, com 132 hectares. Hoje, conta com 16 áreas, distribuídas no Alto Jacuí, totalizando 729 hectares. Em 2003, a UFSM começou a fazer parte do projeto, com a participação do curso de Agronomia. Conhecido em todo Brasil, o Projeto Aquarius já teve o nome divulgado em nível internacional, em países como Paraguai, Argentina e Colômbia.

Tecnologia e inovação estão presentes no trabalho desenvolvido com a agricultura de precisão, que é utilizada por indústrias de máquinas e cooperativas agrícolas, de fertilizantes e pela indústria de sementes. As atividades articuladas pelo projeto são uma parceria entre as empresas privadas Fazenda Anna e Cotrijal, a UFSM e alguns produtores agrícolas do estado. “Hoje, a gente define o projeto como uma vitrine tecnológica, pois, como nós trabalhamos junto com a indústria, muitas vezes ela desenvolve um produto e a Universidade e os produtores testam ele, sugerem modificações, adaptações, ou seja, tudo o que surge de novidade nós testamos. O projeto conta com o financiamento das empresas privadas na Universidade”, afirma o coordenador do projeto Aquarius e professor de Agronomia da UFSM, Telmo Amado Neto. Atualmente, fazem parte as agroindústrias Stara, Pioneer (indústria de sementes), Yara (líder mundial em fertilizantes) e Cotrijal (cooperativa da região norte do Rio Grande do Sul).

 

ON FARM RESEARCH 

“Pesquisa na propriedade agrícola” é a tradução de on farm research, nome da estratégia utilizada no desenvolvimento das atividades do Projeto Aquarius. O termo em inglês é uma referência ao fato de que os agricultores cedem um hectare de terra para os alunos de Agronomia da UFSM testarem os equipamentos e desenvolverem novas tecnologias nas suas propriedades.“Normalmente é feito um planejamento antes, sobre o trabalho que será realizado pelos alunos. Eles chegam com as ideias e passam para eu ver a viabilidade de nós instalarmos na área. Viabilidade é o quê? Verdade, tempo e espaço, e maquinário”, explica o produtor agrícola Rogério Pacheco, latifundiário de Carazinho, que contribui para os testes do Projeto Aquarius em sua propriedade. “A partir do momento que a gente analisa que tem condições físicas de fazer os trabalhos, então a gente executa. Eles vêm com a teoria, e a gente entra com a prática, o pessoal, o equipamento e os insumos”, afirma ainda o produtor.

Assim, as pesquisas não são desenvolvidas na área do campus universitário. O campo experimental são as próprias lavouras agrícolas cedidas pelos agricultores. Após analisar os resultados, os agricultores decidem se vão adotar os equipamentos testados ou não e, de boca em boca, expande-se para outros produtores a adoção de ferramentas desenvolvidas pelo projeto realizado entre acadêmicos e agricultores. “Nesse processo, o agricultor muitas vezes nos propõe soluções, adaptações. E, ao mesmo tempo em que nós estamos conduzindo o projeto, o agricultor já está fazendo as suas observações, se aquilo é interessante ou não à sua propriedade”, afirma o professor Telmo Amado.

Rogério Pacheco passou a fazer uso da agricultura de precisão há mais de cinco anos. O que o motivou na escolha foi o princípio de produtividade, a racionalização dos insumos que a agricultura de precisão proporciona. O N-sensor foi um dos equipamentos adquiridos por Rogério, assim que recebeu o teste pelo Projeto Aquarius, e, segundo ele, um dos mais utilizados nos últimos tempos. “A gente experimentou as plantadeiras de precisão, comparamos as plantadeiras precisas que tem no mercado de última geração com as plantadeiras mecânicas, comuns. Também foi analisada a variação de nitrogênio por áreas de alta fertilidade e média, com o N-Sensor”, lembra o agricultor.

 

MÃO DE OBRA ACADÊMICA 

A implementação dos experimentos na propriedade agrícola e as análises em laboratório são tarefas desempenhadas pelos alunos da iniciação científica e da pós-graduação do curso de Agronomia. Após o processo de trabalho externo, em contato com a natureza, terra, grãos e folhas, é hora de retornar ao ambiente acadêmico. É nos laboratórios da UFSM que os materiais coletados são observados pelos estudantes e geram dados para fins de dissertações de mestrado e teses de doutorado.

 

SEM PRÉ REQUISITOS

As novas tecnologias desenvolvidas pelos setores de informática aliadas ao trabalho nas lavouras são utilizadas em larga escala pela agroindústria, devido, por um lado, à demanda de seu mercado consumidor e, de outro, pelo fato de o setor possuir condições financeiras para a aquisição.

A agricultura de precisão pode ser apropriada tanto pelos pequenos agricultores, como pelos grandes latifundiários. O engenheiro agrônomo Giordano Schiochet, pequeno agricultor que possui propriedade agrícola no norte do Estado e utiliza maquinários emprestados pela Cooperativa Cotrijal, acredita que a agricultura de precisão é viável em todos os tamanhos de área, desde que ajustada à capacidade de investimento de cada propriedade. “Vejo agricultura de precisão como uma ferramenta capaz de contribuir para a sustentabilidade das pequenas propriedades, tornando-as competitivas e fortes”, afirma Schiochet.

Segundo o professor Telmo, o tamanho de propriedade não é um limitador, como no caso da agricultura familiar. Para esclarecer melhor, lembra da presença da agricultura de precisão em pequenas propriedades agrícolas na Europa. “A questão toda é se você está receptivo a adotar novas tecnologias ou não”, diz ele.

 

PARCERIA DE SERVIÇOS QUE GERA INCLUSÃO

Um dos caminhos para fazer com que a agricultura de precisão chegue aos agricultores familiares é através das cooperativas. Dentro do Aquarius, existe o projeto Apecop (Agricultura de Precisão nas Cooperativas), que envolve 16 cooperativas agrícolas no Rio Grande do Sul e adota a agricultura de precisão para os seus associados. “Nesse caso, o agricultor não adquire nenhuma máquina, é a cooperativa que presta os serviços para ele e, às vezes, ele paga o serviço prestado só na safra. Hoje, 50% dos associados da Cooperativa Cotrijal, por exemplo, se beneficiam da agricultura de precisão”, ressalta o professor Telmo Amado.

Giordano Schiochet constata que os equipamentos utilizados na agricultura de precisão são de alto custo, e, por isso, a parceria com a cooperativa torna viável e permite aos associados terem acesso às ferramentas. “Vejo como vantagem a possibilidade de terceirizar os serviços de aplicação dos insumos, pois em pequenas propriedades não seria viável a aquisição de algumas máquinas para realização do serviço. No caso de nossa cooperativa, o departamento técnico, junto ao setor de agricultura de precisão, instrui sobre a melhor maneira de se realizar o investimento/trabalho”, afirma o engenheiro agrônomo.

 

UMA FORMA DE GERENCIAR OS PRÓPRIOS RECURSOS

Muitos princípios da administração fazem parte do procedimento para implantar a agricultura de precisão em uma propriedade. Uma das principais características dela é o foco no gerenciamento. Por isso, o primeiro passo é ordenar todos os processos produtivos dentro da propriedade agrícola. Em seguida, é preciso organizar o planejamento, a rotação de culturas para, finalmente, pensar em comprar novas máquinas, e ver a necessidade de adquirir novas semeadoras, ou uma colheitadeira mais potente. “Não se deve associar a agricultura de precisão apenas com a aquisição de novas máquinas, ela é muito mais que isso,” diz o professor Telmo Amado. Ou seja, há situações em que a agricultura de precisão se constitui em gerenciar os próprios recursos já existentes na propriedade.

A Embrapa define a agricultura de precisão como uma nova forma de gerenciamento das atividades agrícolas. Na opinião do professor Telmo Amado, a agricultura de precisão é o manejo das propriedades agrícolas, respeitando a variabilidade que existe de solo, de planta, procurando aumentar a eficiência de todos os processos.

 

EVOLUÇÃO COM GANHO DE BENEFÍCIOS

A disponibilidade do sinal de GPS existente nas máquinas permite orientá-las nas lavouras no momento de corrigir a variabilidade de nutrientes do solo. Com a evolução tecnológica desses mecanismos, foi possível tornar mínimo o erro de posicionamento dos fertilizantes aplicados. Como relata o professor Telmo Amado: “Quando nós começamos, tinha um erro de 6 metros de posicionamento e, hoje, nós temos tecnologia para errar 2 centímetros”.

Os ganhos que a precisão envolvida na prática agrícola oferecem aos produtores e ao meio ambiente são claros para o coordenador do projeto Aquarius: “Ao você ter um erro de posicionamento tão pequeno, você consegue reduzir em até 10% o volume de agroquímicos aplicados na lavoura, simplesmente porque você evita o excesso de aplicações”. Essa é uma forma de evitar aplicações em locais e em quantidades acima do necessário e, por diminuir o erro de posicionamento e por ter um controle eletrônico das máquinas, reduz o impacto ambiental.

 

Repórter: Cibele Zardo
Ilustrador: Evandro Bertol

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5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/sustentabilidade-no-campo Thu, 08 Oct 2015 18:28:03 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1741

A palavra “sustentabilidade” é proveniente do latim sustentare e significa favorecer, conservar, sustentar. Atualmente, relacionamos o termo com questões ambientais, como o cuidado e a preservação do meio. Ou seja, ser sustentável significa saber viver em um ambiente sem agredi-lo. É fazer uso de recursos naturais com o objetivo de devolvê-los, de alguma forma, para a natureza. “Sustentabilidade” também é usada em outros setores, como economia, educação, cultura e agricultura. Na UFSM, é palavra-chave nas pesquisas do professor do curso de Agronomia Ênio Marchesan.

O Grupo de Pesquisa em Arroz Irrigado e Uso Alternativo de Várzea (GEPAI), sob a liderança de Marchesan, busca identificar maneiras de usar o solo em áreas de terras baixas (conhecidas também como áreas de várzea) de modo intensivo e sustentável. Para isso, o grupo efetua pesquisas que consideram as condições e necessidades do produtor, do consumidor e do meio ambiente.

O principal objetivo do GEPAI, quando este começou, em 1993, era o manejo de arroz irrigado. Manejo são práticas que consideram especificidades, como a fertilidade do solo, a alimentação das plantas e as possíveis patologias, para proporcionar mais condições de desenvolvimento e produtividade à lavoura. O grupo conquistou reconhecimento através das pesquisas com arroz em áreas de terras baixas, que constituem cerca de 20% do solo do Rio Grande do Sul, segundo informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). No entanto, começaram a surgir ideias para um melhor aproveitamento do solo, de maneira que o produtor encontrasse uma maior fonte de renda em suas terras. Foi então que o grupo começou a adotar a rotação de culturas.

A rotação de culturas baseia-se na alternação de plantios em um mesmo solo. Como informa o professor Marchesan, “a cada ano que passa, surgem novas tecnologias para a produção de arroz, mas, no geral, sabemos o que é preciso para esse cultivo. O desafio para continuar aumentando o potencial dessas áreas em que se produz o arroz é fazer a rotação de culturas”.

Um dos primeiros passos dos pesquisadores do grupo foi tentar a integração lavoura-pecuária, com uma possível criação de bovinos na área. Os resultados, porém, indicaram que esta produção seria mais adequada para grandes propriedades, e exigiria a utilização de nível tecnológico elevado. A tentativa seguinte foi a rizipiscicultura, cultivo de arroz e peixes na mesma área. No entanto, como o mercado de peixes é pequeno e várias dificuldades apareceram, não foi encontrada economicidade nessa produção. O cultivo vencedor, enfim, foi o da soja.

 

O DESAFIO PARA CONTINUAR AUMENTANDO O POTENCIAL DESSAS ÁREAS EM QUE SE PRODUZ O ARROZ É FAZER A ROTAÇÃO DE CULTURAS.

 

Além de ter espaço no mercado, a soja é uma leguminosa que ajuda a combater o chamado “arroz vermelho” e outras plantas daninhas que costumam aparecer nas lavouras de arroz e são de difícil controle. Como o arroz é cultivado em áreas alagadas e a soja é uma planta “do seco”, uma série de adaptações devem ser feitas para esta rotação de culturas funcionar. A primeira é o estabelecimento de um sistema de drenagem da água na superfície do solo.

Como é informado em uma das pesquisas do professor Marchesan, as áreas de terras baixas que têm cultivo contínuo de arroz irrigado tendem a desenvolver uma camada de terra compactada na superfície do solo. Assim, ele perde sua porosidade, e dificulta a drenagem interna. Isso pode causar danos ao desenvolvimento da planta de soja e à sua produtividade. Além disso, entre os cultivos, inserem-se as “plantas de cobertura”, que funcionam como um descanso para o solo. Elas formam um tapete verde e previnem a erosão quando chove. Fazem também a ciclagem de nutrientes, absorvendo-os quando a planta anterior está se decompondo.

 

NA PRÁTICA

Dentro da propriedade do campus da UFSM, existe uma área didático-experimental de várzea, do Departamento de Fitotecnia, com 10 hectares. Utilizada para o trabalho dos alunos, ela é equipada com salas de aula, laboratórios de pesquisa e parque de máquinas. Os alunos, ao chegar ao professor, devem ter consigo um projeto de pesquisa escrito, como um “esqueleto” do que pretendem fazer no campo. No momento de lidar com a parte prática, responsabilizam-se por cumprir todo o procedimento: plantar, regular a semeadora, verificar quantas sementes caem por metro. Quando a planta nascer, se vier uma erva daninha junto, precisam usar um herbicida, mas antes pesquisar e discutir as possibilidades com o professor.

O grupo, formado por alunos de graduação e pós-graduação, ainda faz os “Dias de Campo” na área que utilizam dentro da universidade. É uma maneira de transferir a tecnologia e trocar as experiências feitas nas áreas de várzea. Quando as pesquisas têm mais de um ano de experimentação, com resultados confiáveis, estes são apresentados aos possíveis usuários, que são produtores rurais e técnicos de diversos municípios do Estado. A cada dois anos, os “Dias de Campo” ocorrem para atender um público grande, de 250 a 300 pessoas, número máximo que as estruturas conseguem atender. No intervalo destes dois anos, a apresentação acontece para um grupo menor, de 25 a 30 pessoas, com o objetivo de promover uma discussão mais específica sobre os resultados. Além disso, todo ano há uma exibição para os alunos de graduação da UFSM.

Os “Dias de Campo” são compostos por cinco a seis estações visitadas, apresentadas por alunos e professores responsáveis por suas respectivas pesquisas. Os temas variam, mas tratam principalmente sobre arroz irrigado, soja, milho e plantas de cobertura de inverno em áreas de várzea. Outra forma usada pelo grupo para promover a transferência de tecnologias são os Seminários. A cada dois anos, ocorre o Seminário Regional sobre “Uso intensivo e sustentável de áreas de várzea”. Nesta ocasião, as novas tecnologias para estas áreas são apresentadas e discutidas, com convidados de todo o estado e público de 300 a 400 pessoas. É uma forma de atualização, interação e transferência de tecnologias entre os diferentes participantes da cadeia produtiva do setor primário de produção.

 

 “É IMPORTANTE QUE A PESSOA DO OUTRO LADO DA ESTRADA SAIBA E ENTENDA ESSAS INFORMAÇÕES.”

 

Segundo Vicente Luis Naidon, produtor de arroz e soja, o uso da rotação de culturas fez grande diferença em seus cultivos. A qualidade do grão de arroz aumentou e os problemas com a planta daninha “arroz vermelho” acabaram. Há cerca de 10 anos, Vicente acompanha os experimentos do professor Marchesan, e procura visitar a área de várzea do campus todos os domingos. Apesar de sua lavoura ser maior e, consequentemente, o tempo e o clima afetarem-na de maneiras diferentes, aproxima os resultados dos experimentos o máximo que pode. “O que eu puder adotar, adoto”, completa Vicente.

Assim, os resultados encontrados pelo Gepai e a aplicabilidade destes podem chegar a públicos de diversos segmentos, do grande ao pequeno produtor. Nas palavras do professor Ênio: ”È importante que a pessoa do outro lado da estrada saiba e entenda essas informações”.

Repórter: Myrella Allgayer

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5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/comida-que-chega-a-mesa Thu, 08 Oct 2015 18:26:09 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1738

Condições naturais, fatores cambiais e mesmo um longo processo histórico dão conta de definir, com o passar do tempo e também com o avanço tecnológico específico de cada lugar, que tipos de produtos um país é capaz de produzir e em que escala, segundo o que considera a Associação Brasileira de Consultoria e Assessoria em Comércio Exterior (Abracomex). O que acontece é que nem sempre cada território consegue produzir toda a diversidade de produtos de que necessita e, principalmente, em quantidade suficiente. É a partir daí que surge um processo do qual ouvimos falar constantemente no noticiário, mas que nem sempre compreendemos por completo: o comércio exterior, ou, como também é conhecido, comércio internacional.

São índices que sobem e descem, taxas específicas e expressões que nem sempre são de fácil entendimento. Apesar das complicações que parecem rodear o assunto, a explicação dada pela Abracomex pode tornar mais fácil a sua compreensão: os países não são capazes de produzir todos os produtos de que necessitam e, inseridas na lógica de mercado, as empresas buscam especialização nas atividades em que são mais competitivas. Por conta disso, gera-se um “intercâmbio” de mercadorias entre empresas de diferentes países a que denominamos “comércio exterior”.

Como a própria definição já sugere, a competitividade é fator importante a ser considerado quando falamos sobre o comércio internacional. Tratam-se, afinal, de disputas de ordem econômica – embora, não raro, somem-se também fatores políticos e mesmo culturais. Ainda que possa parecer um tema distante, as decisões tomadas nesse âmbito podem ter implicações diretas em nosso cotidiano. Falar sobre ele é, por exemplo, pensar a produção de alimentos no mundo – e as consequências que dela decorrem.

 

UMA PRODUÇÃO VOLTADA AO MERCADO EXTERNO

No comércio exterior brasileiro, os alimentos se colocam como um componente fundamental. Não é à toa que soja, café e carne bovina, por exemplo, costumam figurar entre os produtos mais exportados pelo país. Embora ao longo das últimas décadas esse processo tenha se intensificado, ele não é uma novidade, como aponta o professor do Departamento de Economia da UFSM Paulo Feistel, que tem desenvolvido seus estudos nessa área, focando, sobretudo, nas especificidades do nosso país.

Para explicar a relação comercial do Brasil com outros países, Feistel recorre ao passado. Ele explica que, historicamente, as nossas exportações foram feitas a partir de commodities, ou seja, bens que ainda estão em estado bruto ou ainda produtos primários. É o caso, por exemplo, de legumes, cereais e alguns metais. O que as torna tão importantes é que, apesar de se tratarem de mercadorias primárias ou com baixo nível de industrialização, suas possibilidades de negociação são variadas, considerando justamente sua característica de serem pouco industrializadas. Além disso, como costuma seguir um padrão, o preço das commodities é, em geral, negociado na Bolsa de Valores Internacionais, e está sujeito a fatores que determinam sua valorização ou queda, como é o caso da oferta e da demanda. Olhar para o passado brasileiro nos ajuda a entender essa colocação do professor Feistel. São os casos do ciclo do café, da borracha ou mesmo do açúcar, que mostram uma tendência de, historicamente, basearmo-nos em uma economia extrativista.

A partir dos últimos anos da Segunda Guerra Mundial, até o final da década de 1980, o Brasil passou por um importante processo de industrialização. Isso fez com que os produtos manufaturados surgissem na pauta de exportação com mais força. Hoje, no entanto, a situação é outra. O cenário brasileiro de exportações passa a se voltar, uma vez mais, às commodities. O professor Feistel cita alguns fatores centrais para essa mudança, dentre os quais destaca: “A abertura comercial que ocorreu no país fez com que a nossa estrutura industrial fosse posta em xeque, pois não era tão desenvolvida. Isso que fez com que perdêssemos competitividade com o resto do mundo, em termos de indústria”. Aliado a isso, há também o grande crescimento da China no mercado internacional, em especial a partir dos anos 2000.

 

A AGRICULTURA FAMILIAR COMO POSSIBILIDADE

A carne bovina, a soja e a cana estão entre os produtos mais exportados pelo Brasil. Apesar disso, o modelo de produção do agronegócio sofre críticas devido aos impactos que pode causar ao meio ambiente

Por estar diretamente ligada a grandes volumes de alimentos, a produção voltada ao comércio exterior está vinculada também à lógica do agronegócio, um conceito entendido por envolver todo o processo de produção, armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas. Em geral, ele costuma ser associado também à ideia de produção em larga escala.

No caso brasileiro, como apontam dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor responde por sete dos dez produtos mais exportados pelo país. Nessa lista estão o café, a carne bovina e a soja, por exemplo. Os dados refletem a potencialidade brasileira para a produção agropecuária e justificam por que, muitas vezes, somos vistos como o celeiro do mundo.

Entretanto, essa não é a única realidade que se torna destaque ao se tratar do agronegócio. Se na economia o setor é abordado como aquele capaz de equilibrar as finanças do país, ambientalistas não poupam críticas ao modelo de produção no qual se estrutura o agronegócio. Tendo como uma de suas características a produção de monoculturas em larga escala, modelo que exige a exploração de vastas extensões de terra, os impactos no meio ambiente podem ser severos.

A agricultura familiar afeta menos o meio ambiente e se caracteriza pela produção diversificada de alimentos. No entanto, com o processo de modernização da agricultura brasileira, ocorreu também um estímulo à especialização do pequeno agricultor em um determinado tipo de cultura

Outra crítica que se faz é ao modo como esse tipo de produção afeta o pequeno agricultor. Para o professor do Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural da UFSM, Paulo Roberto Silveira, junto com o processo de modernização da agricultura brasileira, ocorreu também um estímulo à especialização do agricultor em um determinado tipo de cultura, em detrimento de uma produção diversificada. Ele salienta que são duas as principais consequências desenvolvidas: uma ambiental e outra que afeta a lógica de produção e vivência do agricultor familiar.

No caso do meio ambiente, o professor considera que a produção intensiva e repetitiva de uma mesma atividade agrícola provoca a degradação do solo, reduzindo também seu potencial de fertilidade. Além disso, pontua que, para conseguir manter uma produção satisfatória, os agricultores acabam optando por utilizar uma grande quantidade de insumos, fertilizantes e herbicidas, influenciando também na qualidade da água e do alimento. Isso ocorre por conta da contaminação que esses produtos podem gerar nos rios próximos ao local em que são aplicados e mesmo fazer com que o consumidor acabe por ingerir um alimento que já recebeu grande carga de substâncias.

Para o pequeno agricultor, as mudanças são até mesmo estruturais. Com a tendência de abandonar a diversidade de culturas, o produtor perde flexibilidade em relação ao mercado. “Quanto mais produtos ele produzisse, mais possibilidades ele teria de, em um eventual fracasso de uma dessas culturas ou de uma queda dos preços, ele se manter com a renda mínima necessária para a família”, explica Silveira. Ele considera, ainda, outro ponto que tem sido foco de suas pesquisas: a produção de alimentos para o consumo da própria família, que perde espaço com a opção pela monocultura. A consequência é o empobrecimento da dieta.

O que ocorre, diferentemente do modo produtivo centrado na família, é a adoção de uma agricultura intensiva, própria do agronegócio, que vem seduzindo o agricultor. O professor Silveira considera que isso acontece porque o modelo atual conta com grande mecanização do processo, e a disponibilidade da mão de obra familiar não é mais, em muitos casos, suficiente. Além disso, produtos como a soja e o fumo, para citar dois exemplos, dão maior certeza de espaço no mercado econômico, pois têm comercialização garantida. Quando a safra não é boa ou o preço de mercado está em queda, porém, as dívidas pesam no bolso, sobretudo do pequeno agricultor.

 

POLÍTICAS PÚBLICAS E INVESTIMENTOS: UMA SOLUÇÃO 

Apesar dos problemas e processo de mudanças pelos quais passa a agricultura familiar, sua importância para o país não pode ser deixada de lado. Embora os maiores volumes de alimento sejam produzidos pelo agronegócio, o mercado externo é o seu principal destino. E é nesse contexto que a agricultura familiar ganha espaço, pois, como aponta Silveira, “em todos os tipos de alimentos, inclusive nos grãos, a produção do pequeno produtor é bastante significativa. Quando ela não corresponde por mais de 50% do volume total do abastecimento, é algo próximo a isso ou, até mesmo, superior à metade”.

Na prática, esse dado, somado a outros, resulta em um fato histórico: a saída do Brasil do Mapa Mundial da Fome. O dado foi anunciado em setembro de 2014 pelas Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Conforme pontuou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, esse é um resultado que surge a partir da união de vários fatores e políticas públicas. Dentre eles estão o aumento da oferta de alimentos no país. Ainda, segundo dados da FAO, ao longo dos últimos dez anos, houve um aumento de 10% na oferta de calorias no país. Desses números já estão descontadas as exportações e contabilizadas as importações realizadas. Mas esse não é o único fator decisivo. Também foram fundamentais investimentos de geração de renda e, ainda, os feitos diretamente na agricultura familiar. Diferente do que mesmo os estudiosos da área costumavam entender, hoje sabemos que o problema da fome está mais ligado à desigualdade que existe nas políticas de distribuição e no modo como a produção está concentrada.

O professor Silveira considera que o sucesso relativo em combater a fome é uma decisão política de viabilizar condições de acesso ao alimento para aqueles que, historicamente, não tiveram essa disponibilidade. “Isso significa dizer que já tínhamos grande produção de alimentos, mas que eles não chegavam a todas as pessoas. Esse é um processo que se viabiliza a partir da criação de políticas públicas, como tem ocorrido”. Apesar da notícia de que o país saiu do Mapa Mundial da Fome, ele alerta para alguns desafios que ainda precisam ser considerados nesse cenário. O professor entende que a política de abastecimento que temos é extremamente fragilizada. “Por exemplo, muitas vezes o ideal seria que tivéssemos uma produção local ou regional que conseguisse abastecer as demandas daquela população e que se trouxesse de fora dela o mínimo necessário”, explica. Porém, não é isso que acontece. Não existe uma estrutura de planejamento capaz de operar regionalmente; por isso os alimentos acabam, muitas vezes, circulando por longas distâncias. O professor considera que essa é uma lacuna que os municípios poderiam suprir.

Outro problema apontado pelo professor Silveira é que, de forma cada vez mais progressiva, a produção de cana para fazer álcool e a de soja para fazer biodiesel, por exemplo, irão concorrer com a produção de alimentos para o consumo humano. Sua sugestão é uma política governamental decisiva para estimular a produção de alimentos, uma vez que a tendência é que ela diminua. “A não ser que consideremos alimentos somente os grãos, porque nos outros tipos a tendência é um decréscimo. Ambos os modos de produção [agronegócio e agricultura familiar] podem coexistir, mas é preciso que haja um equilíbrio entre ambos”, destaca. Talvez esse seja um dos grandes desafios do abastecimento de alimentos no Brasil.

Repórter: Daniela Pin Menegazzo
Ilustradora: Carolina Delavy Chagas

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5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/escritos-no-papelao Thu, 08 Oct 2015 18:07:56 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1733

Jornalista, escritor, dramaturgo e tradutor são algumas das atividades que o argentino Rodolfo Walsh realizou durante sua vida, que foi ceifada de maneira brutal durante a ditadura militar no seu país.

Leitor e admirador das obras escritas por Walsh, o então estudante de Jornalismo da UFSM Iuri Müller decidiu fazer o seu trabalho de conclusão de curso sobre a vida do escritor. Dessa forma, Estilhaços de Rodolfo Walsh é o resultado de uma árdua investigação, para a qual foram necessárias viagens a Buenos Aires e cidades próximas, como Avellaneda e Adrogué, em 2012, na busca por materiais que fundamentassem sua pesquisa.

Para Iuri, “a obra do argentino é incrivelmente atual, e pode servir de exemplo para quem sonha com um jornalismo crítico, não atrelado a empresas ou ao Estado, e que assuma um papel de transformação”.

Até terminar o trabalho, Müller ainda não tinha decidido se publicaria ou não o livro. Foi então que a editora cartonera Maria Papelão entrou na conversa e, em dezembro de 2013, Estilhaços de Rodolfo Walsh foi lançado no Café Cristal, um bar de Santa Maria. “Por tudo o que representa a editora, como livros a preço baixo, produção colaborativa, oficinas em escolas da cidade, muito me orgulha esta publicação”, finaliza o jornalista.

ENTRE PAPELÃO, PINCÉIS E TINTAS

As editoras cartoneras têm origem na Argentina e vêm se difundindo pela América Latina como uma alternativa ao restrito mercado editorial, pois utilizam a criatividade para transformar papelão em obras literárias. A pioneira, Eloísa, nasceu no bairro La Boca, em Buenos Aires, em meados de 2002, época em que uma grave crise econômica assolava o país. Desde então, o papelão tornou-se matéria-prima para imprimir palavras e dar vida às histórias em diversos países.

Em Santa Maria, as cartoneras tomaram forma com o espanhol Julio Souto, que, em uma viagem à Buenos Aires, teve contato com a pioneira argentina. Ao voltar para o Brasil, compartilhou com amigos a novidade e, então, nasceu a primeira cartonera da cidade, a Estrela Cartonera, que estreou publicando a obra Para uma nova didática do olhar, do santa-mariense Odemir Tex Jr.

Depois disso, em 2013, Julio, juntamente com Luíza Casanova, Diego Marafiga, Lara Niederauer, Luciéle Bernardi e o professor do curso de Letras da UFSM Fernando Villarraga Eslava decidiram fundar a Maria Papelão Editora. O nome “Maria”, segundo os membros do corpo editorial, foi escolhido por ser um nome popular e também o nome da cidade, associado a “papelão”, material base da produção dos exemplares cartoneros. A editora conta com inúmeros colaboradores e é um coletivo indepedente – não possui vínculos nem apoio de órgãos públicos e privados.

Munidos de tinta, pincéis e giz de cera, os editores e colaboradores dão vida ao simples papelão (cartón, em espanhol), que é coletado por eles próprios nas ruas, lojas e supermercados. Assim, criam pequenos livros coloridos com capas inéditas. Ou seja, todas as produções são ímpares, valorizando a arte do trabalho. Com essa dinâmica, a primeira obra da editora foi lançada: Tempo Embalado para Apodrecer, escrito por Luíza Casanova. Após a primeira publicação, outras quatro vieram: Água em Pó, do poeta marginal Nicolas Behr, Voe no zeplin, de Zuca Zardan, Deserto de Salda, de Caren Rhoden, além de Estilhaços de Rodolfo Walsh. Foram lançados, em média, 200 exemplares de cada obra, que são feitos de acordo com a demanda. Para os editores, a quantidade é significativa, já que a maioria das outras cartoneras lança de 30 a 50 exemplares. Além da produção, a Maria Papelão ministra oficinas em escolas públicas da cidade, incentivando os alunos a utilizarem a criatividade.

Repórter: Andréa Ortis
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5° Edição – Revista Arco-55BET Pro http://www.55bet-pro.com/midias/arco/hospitais Thu, 08 Oct 2015 18:00:54 +0000 http://coral.55bet-pro.com/arco/sitenovo/?p=1729

GRÉCIA ANTIGA – 1200 – 400 a.C.

Foi na Grécia que o sistema hospitalar deu seus primeiros passos. As “Clínicas de Esculápio” visavam dar atendimento individual ao cidadão grego, por meio de ervas, repouso, purgantes, banhos térmicos e rituais religiosos. Nessas clínicas, também realizavam a técnica da indução de sonhos reveladores e atividades de lazer em construções anexas às clínicas – Iatreion (lugar dos médicos). As Iatreion estavam no centro da cidade e possuíam camas para doentes e banheiros, com boa ventilação e iluminação.

CHINA – 160 A.C.

Nesta época, a China estava sob o domínio da dinastia Han, e a medicina chinesa possuía um caráter de serviço público. Existiam hospitais, e os médicos da corte realizavam exames nos moradores do palácio.

ROMA – 27 A.C. – 476 D.C.

Os valetudinarium foram locais criados com o intuito de cuidar dos soldados feridos em batalha. Porém, foi só a partir do século IV, com a expansão do Cristianismo, que os hospitais, de fato, ganharam espaço.

ANO ZERO – INÍCIO DA ERA CRISTÃ

É nesta época que surge a figura de Jesus Cristo, e seus dons como curandeiro ganham as ruas. Assim, a concepção religiosa e espiritual da medicina aumenta e reafirma os princípios éticos da caridade. A era dos milagres e a expectativa de cura através de “auxílio divino” e penitências que se desenvolveram a partir de então ganham várias interpretações, inclusive a de exacerbação da fé e rejeição ao racionalismo, típicas da Idade Média, considerada por alguns como a “Idade das Trevas”.

370 D.C.

Após a proclamação do Édito de Milão, que possibilitou aos cristãos a liberdade de culto, o primeiro hospital é fundado em Cesareia, uma cidade da costa mediterrânea de Israel.

370 A 379 D.C.

Entre os anos 370 a.C e 379 d.C, Basílio, o Grande, de Cesareia, instituiu a criação de hospitais como “sistema sanitários” na Capadócia. Assim, multiplicaram-se os hospitais dos primeiros séculos da era cristã, juntamente com as numerosas ordens religiosas associadas.

SÉCULO XV

Em meados do século XV, inicia-se a separação do hospital medieval em duas instituições: o hospital, que era destinado ao cuidado dos pacientes, e a instituição de caridade, voltada ao recolhimento de órfãos e ao abrigo de pobres.

QUATTROCENTO ITALIANO 

Durante o período do Quattrocento Italiano, surge uma nova arquitetura e, consequentemente, um novo modelo de hospital, que o distanciou das instituições medievais. Dessa forma, passa-se a utilizar a cruz grega (a cruz simples, que possui os quatro “braços” iguais), além da formação de claustros nos espaços, o que permitiu a classificação e separação dos internos.

1498

Em 1498 é decretada a criação da 1ª Santa Casa de Misericórdia em Portugal, por Dom Manuel I. Em 1500, o Brasil se torna colônia de Portugal e, em 1543, surge, em Santos, a Santa Casa de Misericórdia, primeiro hospital brasileiro. Nesta época, no século XVI, quase não havia médicos dispostos a vir para o Brasil. Então o cuidado dos doentes ficava a cargo dos jesuítas, que eram encarregados de todo o atendimento, trabalhando ora como médicos, ora farmacêuticos ou enfermeiros.

INÍCIO DO SÉCULO XIX

Foi nessa época que serviços médicos como os de emergência pré-hospitalar surgiram para recuperar o maior número possível de combatentes, já que inúmeras batalhas aconteciam no mundo. Dominique-Jean Larrey (1766-1842) usa o termo “triagem” como um sistema de classificação para tratar os feridos no campo de batalha. Cria-se, então, o transporte por ambulância e são introduzidos os princípios da saúde militar moderna.

SÉCULO XX

Já no século XX surgiram os hospitais particulares, com objetivos lucrativos e que, geralmente, eram de propriedade de médicos ou de empresários. A partir de 1960, começaram a surgir os hospitais próprios da medicina de grupos, ou seja, as cooperativas médicas.

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO, HOSPITAL-ESCOLA OU HOSPITAL DE ENSINO

O Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) foi o primeiro hospital universitário do Brasil, inaugurado no ano de 1944. Esses hospitais são centros de atendimento que têm a colaboração de universidades. O objetivo é que os estudantes da área da saúde atuem nestes centros ao lado dos profissionais.

HUSM

Em 1970, surge em Santa Maria o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Inicialmente, ele funcionava no centro da cidade. Em 1982, foi realizada a inauguração do hospital no campus da Cidade Universitária. No ano de 2013, o HUSM passou a ser integrante da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que é vinculada ao Ministério da Educação (MEC). A missão do HUSM é desenvolver ensino, pesquisa e extensão, ao promover assistência à saúde das pessoas, contemplando os princípios do SUS com ética, responsabilidade social e ambiental.

Repórter: Andrea Ortiz
Ilustrador: Filipe Ventura Duarte

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